Pesquisa Mafarrico

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Igreja S/A : A roda da fortuna

A placa giratória da riqueza
Por Jorge Messias



O grande problema que se coloca ao Vaticano é o da salvaguarda da própria imagem pública. Por isso mesmo, os papas colocam as Comunicações sociais no centro da suas complexas questões. Porque não têm ilusões. Sabem que as grandes religiões (e não só a católica) lutam com um crescente alheamento religioso por parte das populações. O povoamento disperso rareia, os pobres procuram em vão empregos nas cidades, a pobreza transforma-se em miséria e a miséria em descrença. A religião na sua forma inicial passou a segundo plano.


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Caso Cesare Battisti: Quando os lobos julgam, se ficarmos quietos, a justiça uiva

‘Garantir o asilo político e a liberdade de Battisti é tarefa de todo cidadão antifascista’
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader   

Refugiado no Brasil desde 2004, o ex-militante da esquerda armada italiana Cesare Battisti, que teve asilo político concedido pelo Brasil em 2008, espera na prisão há mais de três anos pela decisão final de seu pedido de extradição por parte do Estado italiano. O caso teria tido o desfecho final quando Lula decidiu confirmar o asilo, no último dia de mandato, amparando-se na Constituição, que delega ao Executivo o poder de decisão em tais questões. Mas, em 2010, o STF reviu a sua decisão de 2009, quando, ao extraditar Battisti, determinou que a última palavra sobre o caso estaria com a presidência da República. O asilo de Lula é agora, portanto, contestado pelo Supremo, que deve voltar a julgar o caso em março, do que resultará a soltura e refúgio de Battisti, ou sua extradição.

Para discutir a questão, o Correio da Cidadania conversou com o jornalista e militante dos direitos humanos Alípio Freire, que também fez parte de grupos de esquerda opositores à ditadura brasileira. Para ele, o caso deixa às claras o caráter golpista do atual Supremo, influenciado por Gilmar Mendes, que recrudesce a olhos vistos em seu conservadorismo.

Segundo Freire, a querela também significa a desmoralização de nosso Judiciário, que estaria submisso aos desejos de Berlusconi, cujo governo enfrenta uma onda de escândalos e repúdio popular. "Garantir o asilo político e também sua liberdade imediata é tarefa de todo cidadão antifascista", afirmou.

Na entrevista que pode ser conferida a seguir, Alípio Freire ainda ressalta sua convicção na ilegitimidade do julgamento promovido pela justiça italiana e critica o mecanismo da delação premiada. Mas mantém o otimismo quanto à concessão do refúgio, tanto pela desmoralização do governo italiano como por alguns posicionamentos da presidente Dilma Rousseff em relação aos direitos humanos.

Brasil: Obama se interessa pelo Pré-Sal

O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil
Por Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro-RJ.



Obama vem ao Brasil reforçar os interesses dos EUA no petróleo brasileiro. A vontade do governo brasileiro e da Petrobrás é transformar o país num grande exportador de petróleo, em detrimento de tratarmos esse bem como estratégico e produzi-lo na medida das necessidades internas

Essa é a frase famosa dita pelo então embaixador brasileiro nos EUA, Juracy Magalhães. Isso foi em 1964 às vésperas do golpe militar que resultou na ditadura militar. Hoje é sabido que os nossos anos de chumbo foram orquestrados pelo governo norte-americano, aliado dos militares brasileiros golpistas.

Brasil: Pastores evangélicos - Os epígonos de Deus

Em nome de Deus?
Por João Brant

Ligar a televisão no horário nobre e ver um líder religioso utilizando o espaço para pregar e buscar fiéis é algo que parece fora do lugar. E é. Não por ser uma manifestação religiosa, algo que é parte da cultura brasileira, mas por tornar evidente que um espaço público está sendo utilizado para fins privados.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Brasil: Ortodoxia econômica - concessões ao capital financeiro, endividamento, desnacionalização

Ortodoxia em Alta
Escrito por Paulo Passarinho 

O governo acaba de sair vitorioso no que a imprensa dominante denominou como "a primeira grande batalha" de Dilma com o Congresso. Trata-se de um exagero.

Presidentes em início de mandato gozam – frente a um parlamento extremamente fisiológico – de enormes facilidades para fazer o que bem entendem. Exemplos não nos faltam: o confisco da poupança e a extinção de vários órgãos estatais, por Collor; as reformas constitucionais, o avanço das privatizações e outras alterações institucionais, com FHC; ou a aprovação da contra-reforma previdenciária, na área do serviço público, no início do governo Lula, onde sequer a maior parte da dita esquerda do PT se posicionou contrária ao presidente de plantão.

Agora, a polêmica se deu frente à discussão do valor do novo salário-mínimo. Ao deixar o governo, Lula enviou uma Medida Provisória ao Congresso definindo esse valor em R$ 540,00. O problema é que esse valor não repunha nem mesmo a inflação acumulada em 2010.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Iraque: Há um apagão virtual sobre a insurreição no Iraque nos meios de comunicação ocidental.

Apoie os protestos dos Iraquianos!

Fonte: Tribunal BRussells
Tradução de Guadalupe Magalhães


Enquanto milhões de pessoas em todo o mundo assistiram ao vivo, durante 18 dias, com enorme expectativa, à revolução que derrubou o regime aliado, torturador e amigo dos EUA, liderado por Hosni Mubarak, ninguém prestou atenção nem informou sobre o que estava acontecer no Iraque nem sobre a revolta do seu povo contra um inimigo muito pior.

Enquanto o presidente Obama e a secretária de estado Hillary Clinton são elogiados pelo seu suposto apoio à democracia egípcia, ninguém faz a pergunta-chave que Washington não pode responder: Quando é que os membros desta administração dos EUA e os três anteriores enfrentam julgamento por crimes contra a humanidade, no Iraque?

Brasil: Um triste regresso ao " Paloccismo "

Com Palocci no Planalto, ortodoxos voltaram a ganhar força

Por Altamiro borges, São paulo


A decisão da presidenta Dilma Rousseff de promover um corte cirúrgico de 50 bilhões no Orçamento da União confirma que os tecnocratas neoliberais estão com a bola toda no início do novo governo. Eles já bombardearam a proposta de aumento real do salário mínimo, aplaudiram a decisão do Banco Central de elevar a taxa de juros e, agora, festejam os cortes nos gastos púbicos. Tudo bem ao gosto das elites rentistas e para delírio da mídia do capital, que agora decidiu bajular a nova presidenta.

Portugal : O Governo do PS tem em preparação novas medidas para acentuar a precarização e a perda de direitos

Urge romper o ciclo vicioso da precariedade

O Governo do PS tem em preparação novas medidas para acentuar a precarização e a perda de direitos. Trata-se de acelerar e intensificar o processo de exploração dos trabalhadores, linha de rumo que o PCP condena e rejeita.

Líbia : De todas as lutas no Norte da África essa é a mais difícil de deslindar

A Líbia e o imperialismo
por Workers World

De todas as lutas que agora decorrem no Norte de África e no Médio Oriente, a mais difícil de deslindar é aquela na Líbia.

Qual é o carácter da oposição ao regime Kadafi, a qual consta que agora controla a cidade de Bengazi, no Leste do país?

Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a norte dos mais ricos campos petrolíferos da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de partição do país?

Qual é o risco de intervenção militar imperialista, a qual apresenta grave perigo para o povo de toda a região?


 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Kosovo: Hashim Thaci, O monstro desumano dos Balcãs


Thaci - O monstro dos Balcãs
 Tráfico de órgãos no Kosovo

Potências impedem investigação

Os Estados Unidos, a Alemanha e o Reino Unido vetaram, dia 15, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a proposta da Sérvia de constituir um comissão independente para investigar o tráfico de órgãos humanos no Kosovo.
 

Portugal: Sócrates, o Governo do PS e o próprio PS e os "bons companheiros"



Amizades
Por Maurício Miguel


José Sócrates, o Governo do PS e o próprio PS são nossos amigos. São daqueles amigos verdadeiros, sempre prontos para ajudar quando é necessário, a dar a mão aos que dela necessitem, daqueles que não olham a esforços para ajudar os seus compinchas. São daqueles para quem «uma mão lava a outra» e «as duas lavam o rosto», o próprio ou o dos amigos. Já sabemos que na sociedade capitalista a concorrência é de valor e por isso há quem queira disputar com eles o lugar do «mais amigo de todos». Um forte adversário emerge à boca de cena, o PSD e Passos Coelho, apresentando argumentos, exibindo sorrisos e discursos que a circunstância exige. E como a amizade tem duas vias, há que reunir simpatias e apoios e se vierem do estrangeiro ainda melhor, o objectivo é nobre e a isso obriga.




No Médio Oriente nasceram grandes civilizações e o progresso científico e técnico, assim como as grandes realizações da Cultura e da Arte

O mundo árabe tem história
Por Albano Nunes

Os povos árabes erguem-se de novo pelos seus direitos políticos, sociais e nacionais
 
Tudo fizeram para que o esquecêssemos, mas, projectada pelo autêntico levantamento popular que percorre o mundo árabe e regada por muito sangue, a realidade impôs-se, e com ela uma extraordinária vitória no plano ideológico.
 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

História: "Cebola" Gorbatchov

Regresso à «cebola Gorbatchov»?


Por Kurt Gossweiler



Terão todos os comunistas e socialistas despachado Mikhail Gorbatchov para o caixote do lixo da história – lugar a que esta gente pertence – depois da publicação da sua entrevista na Spiegel, em Janeiro de 1993 (cf. «A cebola», ponto VIII), ou o mais tardar após a publicação do seu discurso em Ankara, em Outubro de 1999 (cf. ponto IX), no jornal do DKP Unsere Zeit, de 8 de Setembro de 2000?


Estava absolutamente convencido de que sim, mas, como para meu imenso espanto tive de constatar – isso foi um erro. O meu espanto foi imenso porquanto foi-me provocado por um jornal e um texto de um dos seus colaboradores, de quem nunca esperaria tal coisa.


Trata-se do único jornal consequentemente anti-imperialista da Alemanha, o Junge Welt, e do seu colaborador Werner Pirker, com cujos artigos concordei quase sempre até agora.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

UE: Governação Económica e Pacto para a competitividade - ataque aos direitos laborais e à soberania nacional















Governação Económica e Pacto para a competitividade
- Uma cruzada contra os direitos laborais e sociais, sérios atentados à independência e soberania nacionais


Conferência de Imprensa, Ilda Figueiredo e João Ferreira, Deputados do PCP ao Parlamento Europeu



Brasil: Novo código florestal só interessa à bancada ruralista e às empresas transnacionais.

Senadora recebendo a moto-serra de ouro
Em defesa do Código Florestal e da produção de alimentos



A Via Campesina Brasil reforça sua posição contrária ao projeto do deputado Aldo Rebelo, que só interessa à bancada ruralista e às empresas transnacionais.


Os movimentos da Via Campesina conclamam a todos para se manifestarem contra o projeto de revisão do Código, que será votado na segunda quinzena de março.

Leia aqui mais documentos a respeito da posição da Via Campesina e do MST.


Leia também: Cientistas criticam novo Código Florestal, com posição da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Querem que a ETA cometa um atentado

Querem que a ETA cometa um atentado

Entrevista com Alfonso Sastre


Nesta entrevista de Carlos Aznarez com Alfonso Sastre, o escritor e dramaturgo castelhano, hoje a residir em Euskal Herria, fala “da possibilidade do colapso do capitalismo, do não comprometimento de certos intelectuais, (d)o avanço revolucionário que ocorreu na América Latina e (d)as perspectivas abertas no País Basco, após o comunicado da ETA”.


Alfonso Sastre é, sem dúvida, um dos grandes pensadores que resistem com dignidade na Europa do capital. Dramaturgo, ensaísta, escritor e, acima de todos os rótulos, um homem comprometido com a causa dos povos, Sastre é madrileno por nascimento e agora basco por adopção, uma vez que não só vive num lugar maravilhoso de Euskal Herria, chamado Honadarribia, como apaixonadamente defende a ideia de que este país situado em ambos os lados dos Pirenéus, tem todo o direito de alcançar a sua desejada independência. Com Sastre, discutimos a possibilidade do colapso do capitalismo, o não comprometimento de certos intelectuais, o avanço revolucionário que ocorreu na América Latina, e as perspectivas abertas no País Basco, após o comunicado da ETA.

UE e ALBA - dois processos de integração em curso - natureza e objetivos bem distintos e antagônicos

O mercado e a fibra da felicidade
Por João Ferreira

Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011. O Conselho Europeu reúne em Bruxelas para discutir a «inovação». Entre as preocupações enunciadas e orientações traçadas conta-se: assegurar que as ideias inovadoras possam «ser convertidas em novos produtos e serviços comercializáveis»; «criar um verdadeiro mercado do conhecimento, da investigação e da inovação». Ou seja, o mercado como móbil da inovação e da investigação na UE; a criatividade humana como mais uma das muitas esferas da vida social crescentemente submetidas às leis do mercado, num «espaço europeu de investigação» também chamado «mercado único da inovação».


Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011. Ao cabo de 19 dias, o navio Ile de Batz completa a ligação entre a costa da Venezuela e Santiago de Cuba, cumprindo a missão de estender ao longo de 1600 quilómetros um cabo submarino de fibra óptica que passa a ligar os dois países. O cabo, que se estenderá posteriormente por mais 230 quilómetros até à Jamaica, faz parte do Sistema Internacional de Telecomunicações ALBA-1 – um dos projectos da ALBA no domínio das telecomunicações – e é uma forma de romper o bloqueio (também) comunicacional que há décadas vem sendo imposto a Cuba. Melardo Díaz, ministro da Informática e das Telecomunicações de Cuba, sintetiza o objectivo do projecto: «maior integração entre os países para fortalecer o desenvolvimento e a soberania». Manuel Fernández, vice-ministro das Telecomunicações da Venezuela, afirma que através do cabo de fibra óptica se pretende transmitir «a maior felicidade possível numa conexão física».

Os dois acontecimentos, separados por poucos dias, ilustram simbolicamente a natureza e os objectivos bem distintos, antagónicos pode-se dizer, de dois processos de integração em curso: a UE e a ALBA.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Brasil: Código Florestal - flexibilizações previstas no relatório de Aldo Rebelo comprometem o futuro das florestas

Cientistas reagem à flexibilização do Código Florestal

Por Luana Lourenço

Agência Brasil

Estudo deve provar cientificamente que as flexibilizações previstas no relatório de Aldo Rebelo comprometem o futuro das florestas


A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) preparam uma reação aos argumentos ruralistas para a aprovação das mudanças no Código Florestal propostas pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).



As entidades divulgaram na última semana um resumo executivo de um estudo que deve provar cientificamente que as flexibilizações previstas no relatório de Rebelo comprometem o futuro das florestas do país. O texto foi reproduzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

90.º aniversário PCP – Liberdade, democracia, socialismo Um projecto de futuro

Resolução do Comité Central sobre o 90.º aniversário do PCP
90.º aniversário


PCPLiberdade, democracia, socialismo
Um projecto de futuro

I


Em 6 de Março de 2011 o Partido Comunista Português comemora o seu 90.º aniversário. São 90 anos de luta heróica ao serviço da classe operária e dos trabalhadores, do povo e do País.

São nove décadas de vida e luta de um partido que, orgulhoso da sua história, aprendendo com a sua própria experiência, firme e determinado no presente, assume com energia, audácia e confiança as exigências do futuro.

Um grande partido nacional, profundamente ligado à vida dos trabalhadores e do povo, que inscreveu ao longo destes 90 anos no seu projecto e acção prática a luta pela liberdade, pela democracia e pelo socialismo.

Um Partido que, longe de sucumbir como os seus inimigos desejariam e tantas vezes anunciaram, se afirma mais forte, mais necessário, mais determinado a prosseguir o seu caminho com os trabalhadores e o povo pelo progresso e justiça social, pela soberania e independência nacionais.

Um Partido que é continuador legítimo das melhores tradições da luta e das realizações progressistas e revolucionárias dos trabalhadores e do povo português e que se afirma como parte inseparável do futuro democrático e socialista de Portugal.

Um Partido que se afirma na luta presente, com a força da sua história e com os olhos postos no futuro, para a concretização plena dos direitos do povo português e do projecto de emancipação social e humana, que integra sonhos e aspirações milenares de liberdade e de justiça.

Portugal: Soberania e direitos dos trabalhadores ameaçados

Jerónimo de Sousa sobre a «governação económica» no debate quinzenal

Ameaças à soberania e aos direitos

Salários na mira dos governos
 
A «governação económica» na União Europeia voltou a ser defendida com unhas e dentes pelo primeiro-ministro, no debate quinzenal. Vê nela um «acontecimento histórico» mas fugiu ao repto do PCP no sentido de esclarecer os perigos que tal passo encerra em planos como o do ataque aos direitos sociais ou o da perda de soberania.
 
Este foi um dos assuntos a dominar o debate com o chefe do Governo, faz hoje oito dias, a partir do mote lançado pelo líder da bancada do PS, Francisco Assis, que se mostrou rendido aos méritos desta nova etapa do processo de integração capitalista na União Europeia.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Itália: Basta de Berlusconi- o "coisa"

Novo escândalo indigna Itália
Basta de Berlusconi

Centenas de milhares de italianos manifestaram-se, no domingo, em 280 cidades para dizer «basta» a Berlusconi e condenar o envolvimento do primeiro-ministro num novo escândalo sexual.


Na semana passada, a procuradoria de Milão pediu o julgamento imediato de Silvio Berlusconi por recurso a prostituição de menores e abuso de funções. A acusação afirma que o chefe do governo recorreu aos serviços sexuais da jovem Ruby (Karima El-Mahroug), quando esta ainda era menor, e que mais tarde, em Maio do ano passado, intercedeu junto da polícia para a libertar após ser detida por suspeita de roubo.

Nas últimas semanas, a imprensa transalpina tem publicado transcrições das escutas telefónicas que se referem a importantes somas em dinheiro, jogos sexuais e presentes oferecidos a jovens mulheres que participaram em festas na mansão de Berlusconi.
Dando expressão à forte indignação que o caso tem suscitado, um conjunto de associações feministas convocou manifestações em 280 pequenas, médias e grandes localidades de Itália.

Cerca de 100 mil pessoas manifestaram-se em Turim e Milão, 50 mil em Génova, 30 mil em Florença, 10 mil em Bari, nove mil em Veneza, três mil em Trieste e milhares em Pádua, Perúgia, entre muitas outras cidades.

A acção mobilizou ainda activistas em 50 outras capitais do mundo, designadamente Tóquio, Madrid, Atenas, Amesterdão, Paris, Nova Iorque ou Lisboa. Ao todo, as associações promotoras falam na participação de mais de um milhão de pessoas.

Dois dias antes, na sexta-feira, numa reunião com Berlusconi, o presidente Giorgo Napolitano alertou para o agravamento das tensões políticas e avisou que a Itália está em risco de eleições antecipadas.

E foi isso mesmo que os manifestantes voltaram a exigir nas ruas pela enésima vez: demissão imediata de Berlusconi, respeito pelas mulheres, combate às discriminações, emprego digno e apoio à maternidade.

Na Piazza del Popolo, em Roma, onde se concentraram entre de 50 mil e 100 mil pessoas, quase tantos homens como mulheres e crianças, segundo relatou a agência France-Presse, um imenso painel declarava: «Queremos um país que respeite todas as mulheres». Da tribuna chegaram mensagens de indignação: «Não suporto mais ter vergonha do meu país», «Vou enlouquecer se volto a ouvir dizer que as mulheres servem para distrair os homens».

Cada vez mais isolado, os índices de popularidade de Berlusconi caíram para 30,4 por cento, ou seja, menos 18 por cento do que há um ano, segundo uma sondagem publicada pelo jornal La Repubblica. Na terça-feira, o Tribunal de Milão marcou a primeira audiência do julgamento de Berlusconi para o dia 6 de Abril.


Este texto encontra-se no Jornal Avante em http://avante.pt/pt/1942/europa/112663/

Veja Blog do Mafarrico em www.mafarricovermelho.blogspot.com

Brasil : A questão terrível, a malha de cumplicidade entre o crime e a polícia, é uma fonte inesgotável de violência


A questão terrível: uma UPP para a Polícia do RJ
Escrito por Leo Lince

O primeiro samba gravado já acusava a existência do problema: "o chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar/que na Carioca tem uma roleta para se jogar". "Pelo Telefone" sempre foi objeto de muitas controvérsias (autoria, se era samba ou não, se foi mesmo o primeiro gravado), mas a veracidade do seu refrão atravessou o século e se reafirma agora, vésperas do carnaval, na crise desencadeada pela "Operação Guilhotina".

A questão terrível, a malha de cumplicidade entre o crime e a polícia, é uma fonte inesgotável de violência. Embora não pareça, dela decorre de maneira direta um cortejo de horrores, que vão da brutalidade diária do comportamento policial até as chacinas em seqüência, vazadouros da demência de uma política equivocada. Além dos achaques e "acertos" que liquidam a reputação da polícia. Quando a "dura e muito escura viatura" é um caveirão que vocifera brutalidades, o compositor popular recomenda chamar o ladrão.

Vigário Geral, 1993, 21 mortos e comoção nacional. Os jornais da época estamparam na primeira página a fotografia dos cadáveres enfileirados na beira da linha do trem. Idosos, jovens, mulheres e crianças, chacinados numa única noite por um grupo de extermínio composto por policiais. Naquela ocasião, um líder comunitário local que teve o filho assassinado fez uma declaração de larga repercussão: "eu sei que existem policiais honestos, mas eu não sei onde estão".

No primeiro bombardeio ao Complexo do Alemão, em 2007, o jornal do sistema "Globo" cuidou de exaltar um modelo de policial na "guerra contra o crime organizado". Uma foto enorme na primeira página, relógio de grife, entre baforadas de charuto cubano, mostrou aquele que, segundo o jornal, "tem tudo para se tornar o símbolo da guerra não convencional que já soma 44 mortos, 19 num só dia: o Inspetor Trovão". Vocação de guerreiro que aspira lutar no Iraque, ou em Gaza, e se exercita na prática do "tiro ao pato" nos becos da favela. Vaidoso, tênis de marca, farda diferenciada, capacete e visual de filme americano, ele pousa entre cadáveres espalhados. Um herói da luta contra o crime!

Passado o entrevero, os traficantes continuaram a dominar o Complexo do Alemão. Os barões da droga, seus financistas, os fornecedores de armas, todos ficaram longe da linha de tiro. Uma condição que determina a inevitável reposição de peças no varejo do negócio biliardário. Até se fortaleceram pelo que se viu no segundo bombardeio, aquela operação espetacular do final do ano passado que, a acreditar na grande mídia, foi o dia D, início da vitória definitiva contra o crime organizado. Aliás, o número real de mortos nesta operação ainda é uma incógnita. Muitas vezes, a cobertura espetacular em tempo real manipula mais do que informa.

Pois bem, o Inspetor Trovão estava lá. E, pelo que começa a se definir nas escutas da Operação Guilhotina, estava "garimpando" dinheiro, droga e armas para repassar para outros traficantes de áreas mais tranqüilas. Ganhar muito dinheiro e, na certa, exercitar mais uma vez o "tiro ao pato". O herói da luta contra o crime da primeira página de "O Globo" agora está preso, entre outros, como o delegado que foi braço direito do Chefe da Polícia e transitou para o comando do Choque de Ordem da prefeitura do Rio. Afinidades eletivas, atividades afins.

O mito de que a banda podre da polícia é mais eficiente no combate ao crime é uma construção política. Está ancorado na concepção de segurança pública que ainda vigora entre nós, amplamente respaldada pelos interesses dominantes. Daí porque os chamados "homens de ouro", os "justiceiros" e, hoje, os milicianos, buscam na cena pública a condição ostensiva de pilares do choque de ordem.

Não é por acaso que o ex-prefeito Cesar Maia definiu a milícia como autodefesa comunitária. Assim como não é casual que o prefeito Eduardo Paes e o governador Cabral tenham feito campanha ao lado dos milicianos. A truculência contra os tiranetes do varejo do tráfico rende popularidade, e não compromete a malha de cumplicidades que espalha seus tentáculos pelos vários aparatos do poder.

A Operação Guilhotina coloca na ordem do dia, mais uma vez, a questão terrível. Hélio Luz, que combinava a peculiar condição de delegado de polícia e militante de esquerda, tratou do tema com a devida radicalidade. Na condição de chefe da polícia, onde entrou e saiu limpo e respeitado, ele definiu com destemor e para o espanto geral: o cerne do crime organizado está na polícia. Os tiranetes do varejo devem ser combatidos sem tréguas, mas são tiranetes do varejo. Sem a mediação da banda podre da polícia, e os vínculos desta com a banda podre da política, não se articula o varejo e o atacado do negócio biliardário de drogas e armas.

Enfim, só haverá política de segurança pública digna deste nome quando houver condições políticas para atacar de frente a questão terrível.

Léo Lince é sociólogo.

Fonte: Correio da Cidadania em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/5510/9/

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Holodomor - o novo avatar do anticomunismo «europeu»

Holodomor o novo avatar do anticomunismo «europeu»


Annie Lacroix-Riz
Professora de História Contemporânea,
Universidade de Paris 7

Desde Novembro de 1917 sucederam-se sem cessar campanhas antibolcheviques tão violentas quanto diversas, mas a da «fome na Ucrânia», lançada em 1933, tem prevalecido de há 20 anos para cá. Ela foi desencadeada quando os grandes imperialismos, com a Alemanha e Estados Unidos à cabeça, ávidos desde o século XIX por pilhar os imensos recursos da Ucrânia, se julgaram em condições do o conseguir. A conjuntura sorriu ao Reich em 1932-1933, quando o Sul da URSS (Ucrânia e outras «terras negras», Norte do Cáucaso e do Cazaquistão) foi atingido por uma considerável diminuição das colheitas e o conjunto da União por dificuldades de aprovisionamento acarretando o regresso a um racionamento estrito. Grave «penúria» sobretudo durante a «transição» (entre duas colheitas), não especificamente ucraniana, segundo a correspondência diplomática francesa; «fome» ucraniana segundo os relatórios de 1933-1934 dos cônsules alemães e italianos, explorados pelos Estados ou grupos apostados na secessão da Ucrânia: Alemanha, Polónia, centro principal de agitação em Lwow, e Vaticano.

Esta penúria ou esta fome resultou de fenómenos naturais e sociopolíticos; uma seca catastrófica multiplicou os efeitos da retenção crescente dos fornecimentos (abate de gado incluído), desde a passagem dos anos 20, pelos antigos kulaques (os camponeses mais ricos), hostis à colectivização. Esta fracção, em luta aberta contra o regime soviético, constituía, na Ucrânia, uma das bases de apoio ao «autonomismo», disfarce semântico da «secessão», em benefício do Reich, da região agrícola rainha das «terras negras», para além de principal bacia industrial do país. O apoio financeiro alemão, massivo antes de 1914, intensificou-se durante a I Guerra Mundial, quando a Alemanha transformou a Ucrânia, tal como os países bálticos, na base económica, política e militar do desmantelamento do império russo. A República de Weimar, fiel ao programa de expansão do kaiser, continuou a financiar «o autonomismo» ucraniano. Ao chegarem ao poder, os hitlerianos anunciaram o seu plano de anexação da Ucrânia soviética, e todo o autonomismo ucraniano (os meios policiais, diplomáticos e militares convergem) aderiu entre 1933 e 1935 ao Reich, então mais discreto acerca das suas intenções sobre o resto da Ucrânia.

Nessa altura, a URSS não controlava efectivamente senão a Ucrânia oriental (Kíev-Khárkov), que tinha voltado a ser soviética em 1920, depois da secessão operada durante a guerra civil-estrangeira: grandes pedaços da Ucrânia foram espoliados ou não atribuídos, apesar da pertença étnica da sua população, das promessas francesas, em 1914, de devolver os despojos do império austro-húngaro à Rússia tsarista aliada, e da fixação da «Linha Curzon» em 1919. O imperialismo francês, um dos dois artífices (com Londres) da guerra estrangeira feita aos soviéticos, depois também do «cordão sanitário» que se seguiu ao seu fracasso, ofereceu à Roménia, logo em 1918, a Bessarábia (Moldávia, capital Kichinov), antiga parte do império russo, e a Bucóvia; a Checoslováquia recebeu de uma assentada a Ruténia Subcarpátia; a Polónia de Pilsudski, com a ajuda do corpo expedicionário francês dirigido por Weygand1, obtém, entre 1920 e 1921, a Ucrânia ocidental ou Galícia oriental, que fora há muito austríaca – capital Lemberg (em alemão), Lvov (em russo), Lwow (em polaco), Lviv (em ucraniano). E isto na altura em que a «Linha Curzon» (nome do secretário dos Negócios Estrangeiros britânico), tinha considerado, em 1919, este território «etnicamente» russo, transladando a fronteira russo-polaca 150 km para Oeste da Ucrânia russa: a «Rússia» devia receber este território dos seus aliados quando eles próprios e os Brancos tivessem escorraçado os bolcheviques, o que não aconteceu.

Esta distinção geográfica é decisiva porque Lwow tornou-se – e Lviv permanece – um centro principal do clamor alemão, polaco e do vaticano sobre a «fome na Ucrânia», que começou no Verão de 1933, isto é, após uma excelente colheita soviética ter posto fim à crise dos aprovisionamentos. Se houve fome em 1932-1933, atingindo o seu máximo durante a «transição» (entre as duas colheitas), Julho de 1933 marcou o seu fim. A campanha difundiu-se por todo o campo anti-soviético, Estados Unidos incluídos, onde a imprensa germanófila do grupo Hearst a tomou a seu cargo. A fome não foi «genocida», o que é admitido por todos os historiadores anglo-saxónicos sérios, como R. W. Davies e S. Wheatcroft, não traduzidos em francês, ao contrário de Robert Conquest, agente dos serviços secretos britânicos tornado prestigiado «investigador» de Harvard, ídolo da «faminologia» francesa a partir de 1995.2 A campanha original nem sequer tinha brandido o «genocídio»: Berlim, Varsóvia, o Vaticano, etc. condenaram Stáline, os Sovietes ou os judeus-bolcheviques, estigmatizaram a sua ferocidade ou a sua «organização» da fome e descreveram uma Ucrânia impelida pela fome ao canibalismo. Quanto aos franceses, imputavam aos planos secessionistas do trio este bulício lançado no momento em que o Reich prometia ao ditador polaco Pilsudski, se este restituísse Dantzig e o seu corredor, entregar-lhe de bandeja a Ucrânia soviética que juntos em breve conquistariam: François-Poncet, delegado do Comité das Forjas3 e embaixador em Berlim, ria-se com sarcasmo dos lamentos quotidianos vertidos pela imprensa do Reich sobre o martírio ucraniano, grande ardil com intuitos externos (anexar a Ucrânia) e internos («difamar os resultados do regime marxista»).

A abundante correspondência militar e diplomática da época exclui a tese da ingenuidade dos «palermas» pró-soviéticos, tais como Édouard Herriot, cegos às mentiras e secretismos de Moscovo, durante a sua viagem em Setembro de 1933 à Ucrânia: ou seja, a tese defendida em 1994 pelo demógrafo Alain Blum, que introduziu em França o número dos «seis milhões de mortos». Esse símbolo concorrencial, tão caro aos anti-semitas ucranianos – era preciso fazer pelo menos tão bem como os judeus, antes de fazer muito mais, 7, 9, 10, 12, até 17 milhões, que eu tenha conhecimento, (isto para um efectivo total de cerca de 30 milhões de ucranianos soviéticos) –, foi adoptado no Livro Negro do Comunismo, em 1997, por Nicolas Werth. Na altura, este ainda refutava a tese «genocida», que passou a defender quando se comprometeu, em «2000, com um projecto de publicação de documentos sobre o Gulag (seis volumes sob a égide da Fundação Hoover e dos arquivos do Estado da Federação da Rússia)».5 Número duplamente inaceitável: em primeiro lugar, Alain Blum dedu-lo de estimativas demográficas, já que a URSS não fez qualquer recenseamento entre 1926 e 1939: ora, entre estas datas, no quadro de um boom industrial orientado desde o início da grande crise capitalista para a defesa face à ameaça alemã, ocorreram gigantescos movimentos populacionais inter-regionais, que afectaram particularmente a Ucrânia agrícola colectivizada.

O fraco crescimento da população ucraniana entre os dois recenseamentos não autoriza pois a equivalência: défice demográfico igual a mortos de fome; em segundo lugar, o modo de cálculo da estimativa é absurdo: Alain Blum alinhou-se com os estatísticos russos que, em 1990, agruparam as perdas presumíveis na década de 1930, atribuindo seis milhões – ao único ano de 1933(6).

O número fatídico foi retomado por «sovietólogos» franceses, como Stéphane Courtois, ligados ou não aos campeões da «Ucrânia independente» laranja. Absurdo supremo: na Ucrânia oriental teriam portanto morrido em alguns meses tantas vítimas – ou mesmo duas ou três vezes mais – como judeus exterminados a partir de 1939, sobretudo entre 1942 e 1944, num território que se estende da França aos Urais; e isto sem deixar nenhum dos traços visíveis, fotografias ou escritos, deixados pelo genocídio nazi.

É neste contexto que se movimentaram em França grupos «ucranianos», como a associação «Ucrânia 33», que foi alojada pelo arcebispado de Lyon, tendo como presidente honorário Monsenhor Decourtray.7 Esta organização está subordinada ao Congresso Ucraniano Mundial, sediado em Washington e presidido por Askold S. Lozynskyj, que publicou no New-York Times, em 18 de Julho de 2002, a seguinte correspondência: «quando os Sovietes foram obrigados a retirar perante a invasão dos nazis, em Junho de 1941, massacraram os seus prisioneiros (…) da Ucrânia ocidental, detidos e internados às dezenas de milhares em 1939 (…). Isto foi efectuado com a ajuda dos comunistas locais, sobretudo dos etnicamente judeus. Este massacre não constituiu infelizmente uma aberração das acções soviéticas na Ucrânia. Em 1932-1933, na Ucrânia oriental, os Sovietes já tinham assassinado cerca de sete milhões de homens, mulheres e crianças ucranianas por meio de um genocídio estrategicamente planificado de fome artificial. O homem escolhido por Ióssif Stáline para perpetrar este crime era um judeu, Lazar Káganovitch.8

«O célebre historiador britânico Norman Davies concluiu que nenhuma nação teve tantos mortos como a ucraniana. O que foi em larga medida o resultado das acções tanto dos comunistas como dos nazis. Os russos e os alemães eram bárbaros. Mas os judeus eram os piores. Eles traíram os seus vizinhos e fizeram-no com muito zelo!»9.

Estes anti-semitas frenéticos mostraram-se mais discretos em França, onde bajularam associações judaicas e a Liga dos Direitos do Homem em «colóquios internacionais» e debates sobre «os genocídios» (judeu, arménio, ucraniano).10 Em 2005-2006, eles exigiram a minha exclusão da Universidade de Paris 7, primeiro ao seu presidente e depois ao Presidente da República, Jacques Chirac, acusando-me de «negacionismo» por ter enviado por Internet aos meus estudantes uma compilação crítica (citada mais à frente) de arquivos sobre as patranhas da campanha germano-vaticano-polaca de 1933-1935. Não me perdoaram sobretudo o facto de ter lembrado, em 1996, o papel que teve na Ucrânia ocupada pela Wehrmacht a Igreja Uniata11 da Galícia oriental, submetida ao Vaticano e confiada ao bispo (de Lwow), Monsenhor Szepticky, que abençoou as matanças da divisão ucraniana SS Galícia, formada a partir dos agrupamentos do nazi uniato Stepáne Bandera.12 Acrescentemos a estes dossiers comprometedores para os arautos do «Holodomor» que eu ouso afirmar que a diabolização do comunismo e da URSS não resulta da análise histórica mas de campanhas ideológicas; que, não contente de ser marxista, sou também judia, e um dos meus avós foi morto em Auschwitz – facto que eu tornei público em 1999, frente a uma outra campanha,13 e que estes excitados conheciam:14 a natureza de todos estes elementos mobilizá-los-ia.

Faltou concretizar-se o sonho de obter o apoio dos judeus de França a uma campanha contra uma «judia-bolchevique» travestida de «negacionista»! Este assédio, contra o qual se levantaram o Snesup e o PRCF,15 que lançou em Julho de 2005 uma eficaz petição apoiada pela revista (a única) La Libré Pensée,16 esmoreceu depois de os «ucranianos», sob a protecção da polícia do ministro do Interior, N. Sarkozy, terem homenageado, em 25 de Maio de 2006, no Arco do Triunfo, o grande pogromista Petliura. Emigrado em França, depois dos seus crimes de 1919-1920, foi abatido em 1926 pelo judeu russo emigrado Schwartzbard, tendo a defesa deste dado origem à Liga Contra o Anti-Semitismo (LICA), que se tornou LICRA17 em 1979. Foi esta última que – depois de vários avisos em vão da alegada «negacionista» Lacroix-Riz – denunciou aqueles anti-semitas de choque, em 25 de Maio de 2006, através do seu presidente Patrick Gaubert.

Irá o alarido dos grupelhos «ucranianos» recomeçar entre nós, estimulado pelo Parlamento Europeu?

A Ucrânia ocidental laranja, tutora (oficial) de toda a Ucrânia, ocupa de novo o centro de uma campanha que, desde a era Reagan – fase crucial do desmantelamento da Rússia iniciado a partir de 1945 pelos Estados Unidos – deve tudo ou quase tudo a Washington, da mesma forma que a precedente deveu tudo ao dinheiro alemão. Os seus campeões empilham milhões de mortos de uma Ucrânia oriental, cuja população nunca se juntou à matilha apesar de o assunto lhe dizer respeitos em primeiro lugar. Em contrapartida, a CIA foi o chefe de orquestra, apoiando-se, em primeiro lugar, nos «Ucranianos» anti-semitas e antibolcheviques, colaboracionistas eminentes sob a ocupação alemã, emigrados nos Estados Unidos, no Canadá ou na Alemanha ocidental a seguir à expulsão da Wehrmacht da Ucrânia ou depois de 1945; em segundo lugar, em certas prestigiadas universidades americanas, entre as quais Harvard e Stanford, seguidas por universidades «ocidentais» (Europa oriental incluída), as quais foram gratificadas através de financiamentos americanos (em plena miséria dos créditos públicos para a investigação) com uma profusão de colóquios e encomendas editoriais sobre «a fome genocida na Ucrânia».

O apoio financeiro e político americano engendrou a campanha «Holodomor» dos governos ucranianos – que em 2008 erigiram em herói nacional Stepáne Bandera, «chefe da organização terrorista ucraniana na Polónia»18, pretensamente independentista» (não do Reich), criminoso de guerra emigrado em 1945 em zona de ocupação americana, organizador, a partir da sua base de Munique, de assassinatos em massa até aos anos 50 na Ucrânia novamente soviética.19 Sem um tal apoio, a gritaria terminaria ou perderia todo o eco internacional. O «Parlamento Europeu», ao reconhecer em 23 de Outubro de 2008 «o Holodomor (fome provocada artificialmente em 1932-1933 na Ucrânia) como "um crime horrível perpetrado contra o povo ucraniano e contra a humanidade"», revelou a sua estrita dependência relativamente aos Estados Unidos, dos donos da Ucrânia «independente», em concorrência com a Alemanha, cuja grande imprensa manifesta um zelo pró-ucraniano igual ao da actual Polónia, herdeira dos «coronéis» Josef Beck e consortes.


Bibliografia sumária: conjuntura ucraniana germano-vaticano-polaco-americana, Annie Lacroix-Riz, Le Vatican (réf. N. 7); Le Choix de la défaite: les élites françaises dans les années 1930, Paris, Armand Colin, 2006, reed. 20 publique, 1938-1940, mesmo editor, 2008;
e sobretudo a iminente versão final da síntese apresentada aos meus estudantes em 2004, «Ucrânia 1933, actualizada em 2008», («Sobre a "fome genocida stalinista" na Ucrânia em 1933»: uma campanha alemã, polaca e dos defensores do «Holodomor».

Reter da bibliografia Douglas Tottle, Fraud, Famine and Fascism. The Ukainian Genocie Myth from Hitler to Harvard, Toronto, Progress Book, 1987, esgotada mas disponível na Internet: este antigo fotógrafo mostrou que as fotos das campanhas ucranianas de 1933-1935, a partir da era reaganiana, (artigos, obras, filmes) provinham das colecções da fome de 1921-1922, resultante de sete anos de guerra, primeiro mundial depois a guerra estrangeira e civil, e desancou de forma muito bem argumentada as fontes escritas e fotográficas da principal obra de Conquest (capítulo 7, «Harvest of Deception», «A colheita de enganos», e sobretudo p. 86-90); Geoffrey Roberts, Stalin’s War: From Worl to Cold War, 1939-1953. New Haven & London: Yale University Press, 2006, que estima o balanço dos massacres perpetrados pelos banderistas em «35 mil quadros militares e do partido na Galícia oriental [soviética] entre 1945 e 1951», p. 325.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A BESTA(EUA) imperialista barbarizando o povo Iraquiano

Sempre a Mãe ou o Pai de Alguém, Sempre o Filho de Alguém
Dirk Adriaensens
Fonte: Truthout Tradução de F.Macias

Segundo dados da ONU, o Iraque tem o maior número de pessoas desaparecidas no mundo.

Nota do Editor: O que segue é uma adaptação da apresentação que Dirk Adriaensens deu na 6ª Conferência Internacional Contra os Desaparecimentos, realizada em Londres em 9 de Dezembro 1910.

Desaparecimentos forçados e pessoas desaparecidas

Um desaparecimento forçado (ou obrigado) é definido no Artº 2º da Convenção pela Protecção de Todas as Pessoas de Desaparecimento Forçado, adoptado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 20 de Dezembro de 2006, como a prisão, detenção, sequestro, ou qualquer outra forma de privação da liberdade por agentes do Estado ou por pessoas ou grupos que agem com a autorização, apoio ou acordo do Estado, seguida por uma negação de conhecimento dessa privação de liberdade ou de encobrimento do destino ou paradeiro da pessoa desaparecida, o que coloca essa pessoa fora da protecção da lei. Muitas vezes, o desaparecimento forçado implica assassínio. Nesse caso a vítima é primeiro sequestrada, depois detida ilegalmente e muitas vezes torturada; então a vítima é morta e o corpo é escondido. Tipicamente, um assassínio é furtivo e o cadáver é tratado de forma a nunca mais ser encontrado, de forma a parecer que a pessoa tenha simplesmente sumido. Quem cometeu o crime pode negar sempre a acção, porque não há nenhum corpo para provar que a vítima, de facto morreu.

Mais de um milhão de pessoas perdidas no Iraque

Estimativas aproximadas indicam que mais de um milhão de pessoas desapareceram no Iraque. Segundo dados das Nações Unidas, o país tem o maior número de pessoas desaparecidas no mundo, resultante de diferentes períodos e que começou na guerra Irão e Iraque em 1980. Os desaparecimentos continuam a ocorrer de um princípio básico muito habitual. As partes mais importantes que estão agora envolvidas são o exército iraquiano, a polícia, diversas milícias, a al-Qaeda e o exército norte-americano. Paul-Henri Arni do Comité Internacional da Cruz Vermelha, disse que o Iraque, depois de três guerras – contra o Irão em 1980, a primeira guerra do Golfo em 1991 e a invasão dos EUA em 2003 – está a enfrentar o maior número de pessoas desaparecidas em todo o mundo.

As famosas prisões secretas do Iraque

A política ambígua das forças de ocupação norte americanas e o crescente fenómeno que são as prisões secretas norte-americanas no Iraque – que até as organizações internacionais não têm conseguido localizar – contribuiu para o vasto número de prisões secretas no Iraque (que um membro do actual parlamento iraquiano avaliou que excedam as 420) e deu origem a um enorme número de casos, relatados uns e outros não relatados, de desaparecimentos forçados.

Centenas de milhares de Iraquianos têm sido sujeitos a abusos e torturas em prisões e centros de detenção. Dezenas de milhares de Iraquianos desapareceram durante os piores dias desta sórdida guerra, entre 2005 e 2007. Alguns foram apanhados e empilhados em camiões por milícias fardadas; outros parecem ter desaparecido, simplesmente. O ministro dos direitos humanos do Iraque, Wijdan Mikhail, disse que o seu ministério recebeu só em 2005 e 2006 mais de 9,000 queixas de Iraquianos que disseram que um familiar tinha desaparecido. Grupos defensores dos direitos humanos apontam um número muito mais alto. O destino de muitos Iraquianos perdidos permanece desconhecido. Muitos estão desfalecidos em qualquer das famosas prisões secretas do Iraque. Em Setembro de 2010, a Amnistia Internacional divulgou um relatório, “Nova Ordem, Os Mesmos Abusos” que refere que vários detidos morreram sob custódia iraquiana devido a tortura e maus tratos por parte dos inquiridores iraquianos e guardas das prisões. O relatório denuncia que dezenas de milhares continuam presos sem acusação e que os guardas não informam o paradeiro dos desaparecidos aos seus familiares, o que para as famílias iraquianas que perderam os entes queridos, é um dos aspectos mais devastadores da ocupação dos EUA”.

Dezenas de milhares de Iraquianos procuram membros da família desaparecidos

Desde que a guerra no Iraque começou em 2003, dezenas de milhares de pessoas procuram membros da família que desapareceram. Segundo a Cruz Vermelha, entre 2006 e Junho de 2007, uns 20.000 corpos - menos de metade dos que foram identificados - foram depositados no Instituto de Medicina Legal (IML) de Bagdade. Corpos que não foram reclamados estão sepultados em vários cemitérios em toda a cidade.
Além disso, o IML de Bagdade informou que recebe uma média de 800 corpos por mês desde 2003 e não consegue identificar uma quantidade significativa destes.

Em 29 de Agosto de 2007 o Comité Internacional da Cruz Vermelha declarou:
Não saber o destino de membros da família desaparecidos, como resultado da guerra e da violência durante a ocupação é uma dura realidade para milhares de Iraquianos. Mães, pais, esposas, maridos, filhas, filhos e as suas famílias alargadas desesperam para saber o paradeiro ou o destino dos seus entes queridos. As pessoas perdidas podem ter sido capturadas, sequestradas, algumas talvez mortas e enterradas em sepulturas não identificadas, ou podem estar num hospital em estado crítico ou permanecer num local de detenção escondido. No meio das guerras, os membros duma família podem ser separados quando fogem das zonas de combate procurando um porto seguro. Às vezes eles nunca mais se reencontram. Cabe às autoridades esclarecerem qual o destino das pessoas perdidas.

2003-2010: Há meio milhão de Iraquianos desaparecidos?

O problema das pessoas desaparecidas e perdidas no Iraque é tratado com sigilo pelas forças ocupantes e as autoridades iraquianas. Os EUA e o governo iraquiano dão números subavaliados que não merecem nenhuma confiança.

Segundo o governo iraquiano, milhares de Iraquianos são dados como desaparecidos desde a invasão norte-americana há sete anos – embora ele saiba que os seus números sejam provavelmente apenas uma pequena parte do número real. Acredita-se que a maioria das pessoas que desapareceram, estejam mortas, mas mesmo aquelas cujos corpos foram encontrados não são sempre identificadas rapidamente. Em Maio de 2009, o Dr. Munjid Salah al-Deen, director da morgue central de Bagdade disse ao New York Times que a sua equipa estava a trabalhar na identificação de 28.000 corpos só de 2006 a 2008.
Num relatório de 20 de Março de 2008, o Crescente Vermelho Iraquiano (IRCS) disse que tinha registado quase 70.000 casos de pessoas desaparecidas no Iraque logo após o início da guerra. Mesmo o IRCS não está imune à anarquia que assola o Iraque: no dia 17 de Dezembro de 2006, 30 dos seus activistas foram raptados de uma das sedes de Bagdade, 13 dos quais ainda continuam desaparecidos.

Mais de 82% das pessoas deslocadas são mulheres e crianças com menos de 12 anos. Inquéritos feitos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em 2009 declararam que 20% das pessoas deslocadas internamente (IDPs) e 5% dos refugiados retornados disseram que tinham filhos desaparecidos. Esta estatística pode ser atribuída à violência em geral, incluindo raptos, e possivelmente recrutamento de pessoas armadas, entre outras causas. O total da população deslocada internamente no Iraque a partir de Novembro de 2009 foi estimado em 2,76 milhões de pessoas, e em número de famílias, 467.517 famílias. Se 20% destas famílias disseram que tinham filhos desaparecidos, um simples cálculo mostra que mais de 93.500 crianças de famílias deslocadas internamente, estão desaparecidas. Além disso, 30% de IDP (deslocados internamente), mais 30% de retornados e 27% de refugiados mencionaram que membros da sua família tinham desaparecido devido a raptos, sequestros e detenções e que não sabiam o que tinha acontecido com eles. Uma estimativa aproximada deu por isso um número de pessoas desaparecidas entre a população de refugiados e deslocados após ”o choque e o medo”, de 260.000 pessoas, sendo a maioria desaparecimentos forçados. O relatório do ACNUR de 2009 dá nota que a maioria (51%) dos refugiados retornados fugiu devido à violência generalizada; outras razões são as ameaças de que eram alvo ou ataques (39%) e operações militares (3%).

Um em cada cinco Iraquianos é refugiado, ou IDP. Ao extrapolar os números divulgados pelo ACNUR para os restantes 80% da população iraquiana, o número total de pessoas desaparecidas, a partir ”do choque e a sensação de medo” pode ser mais do que meio milhão.

Sheik Muthana Harith Al-Dhari, chefe da influente Associação de Sábios Muçulmanos do Iraque (AMSI) mencionou numa entrevista à Al-Jazeera há poucos meses que desde 2003 estão desaparecidos quase 800.000 iraquianos. E disse que a AMSI documentou com todo o cuidado, pessoas desaparecidas desde 2003 e que ele podia provar esse número com nomes e factos.

Relatórios sobre os corpos não identificados

Dahr Jamail, um dos poucos jornalistas não incorporados relatou em 6 de Fevereiro de 2009 que na região de al-Adhamiya de Bagdade, o que costumava ser um parque era agora um cemitério com mais de 5.500 sepulturas. O primeiro corpo foi ali sepultado em 21 de Maio de 2006. “ A maior parte dos corpos aqui sepultados nunca foram noticiados pela comunicação social” disse Abu Ayad Nasir Walid, de 45 anos e que geria o cemitério, a Jamail. A maior parte dos mortos nunca foram registados por ninguém” disse um coveiro chamado Ali, “porque nós não verificávamos as certidões de óbito, e apenas tentávamos colocar os corpos na terra o mais depressa possível. Eu registava os nomes num livro, mas nunca ninguém do Estado nos veio perguntar quantas pessoas aqui estão sepultadas. Ninguém nem da comunicação social nem do ministério da
saúde parece estar interessado.”

Tais cemitérios – e há muitos – levantam questões sobre o número “oficial” dos desaparecimentos forçados e pessoas desaparecidas no Iraque.

Robert Fisk deu uma informação já em 17 de Agosto de 2005 – meio ano antes do bombardeamento da Mesquita de Samarra Golden – que se calculava que 1.000 corpos tinham dado entrada na morgue de Bagdade no mês de Julho: a maior parte das vítimas tinham sido executadas, esventradas, esfaqueadas, espancadas e torturadas até à morte. Segundo Fisk, o número de mortos era segredo. Houve uma subida de 85% se comparado com o número do mesmo mês antes da invasão dos norte-americanos. Os últimos números mostram uma tendência de subida: em 2004 e 2003, os números de mortos no mês de Julho foram 800 e 700, respectivamente. Por comparação, os números equivalentes em 1997, 1998 e 1999 foram todos inferiores a 200. “ Há tantos cadáveres a serem trazidos para a morgue que têm que ficar empilhados em cima uns dos outros. Os corpos não identificados têm que ser sepultadosem pouco tempo por causa da falta de espaço – mas o município está tão sobrecarregado pela quantidade de assassinatos que deixou de poder fornecer veículos e pessoal para levarem os restos mortais para os cemitérios.

O CICV informou em 17 de Abril de 2007 que em 2006, cerca de 100 civis eram mortos por dia e metade deles continuavam a não ser reclamados ou identificados. Milhares de corpos não identificados foram assim sepultados em cemitérios do Iraque designados para esse fim. Os corpos eram enterrados em cada três ou quatro dias só para darem lugar aos que entravam diariamente, tornando muitas vezes a identificação dos corpos impossível. Entretanto, dezenas de milhares de pessoas estavam sob custódia das autoridades iraquianas e das forças multinacionais no Iraque. Ao mesmo tempo que dezenas de milhares de famílias continuam sem notícias dos familiares que desapareceram durante as guerras passadas e recentes.

Há hoje um novo emprego em Bagdade. Por um curto salário, algumas pessoas fazem a limpeza de lixeiras e das margens dos rios para encontrarem o corpo dum ente querido desaparecido. Por quanto tempo poderão as pessoas viver com tanta violência sem ficarem marcadas para sempre?

Relatórios fortuitos de corpos não identificados fora de Bagdade

No dia 17 de Julho de 2007, a BBC citou o chefe do departamento forense do hospital de Kurt sobre como se tornou constante o fluxo de cadáveres. Até agora nós recebemos 500 corpos. A maioria dos quais baleados ou torturados. Estão em avançado estado de decomposição, pelo que não se pode estar junto deles por muito tempo.” Demoraram pelo menos três dias a flutuar no rio desde o local donde foram atirados. A maioria não foi identificada.

No dia 8 de Fevereiro de 2008, o Vozes do Iraque informou que o número de corpos não identificados que tinha sido enterrado só em Karbala desde Junho de 2006 chegou a 2043.

O número de corpos não identificados que foram enterrados desde Dezembro de 2006 a Fevereiro de 2007 em valas comuns na província de Wassit, a 180 km do sudoeste de Bagdade chegou a 177.

Um relatório do IPS em Baquba de 17 de Julho de 2007 citava Nima Jima’a, um funcionário da morgue:“A morgue recebe uma média de quatro ou cinco corpos por dia. Muitos mais são deitados aos rios e deixados nos campos – ou algumas vezes também são enterrados pelos próprios assassinos por outras razões. O número que nós aqui registamos é apenas uma parte dos que foram mortos”. O número dos corpos não identificados não é mencionado. As famílias são muitas vezes incapazes de identificar e recolher os corpos. É até extremamente perigoso andar pela cidade. Além disso, a maior parte dos corpos não são de todo trazidos para a morgue para serem identificados e contabilizados.

Mais de 280 pessoas da cidade de Faluja foram dadas como desaparecidas em 11 de Novembro de 2005, num relatório do Observatório Iraquiano pelos Direitos Humanos (MHRI). Desconhece-se ainda o seu destino. Estas pessoas estão oficialmente registadas com nomes e fotos de autoridades locais da cidade. Estima-se ainda que o total de pessoas desaparecidas em Faluja, seja superior a 500.

Cada cidade e cada aldeia do Iraque tem uma história parecida para contar acerca de desaparecimentos forçados e de pessoas desaparecidas. Não há relatórios disponíveis de Mossul. Bassorá, Ramadi, Al Qaim, Haditha, e muitas outras cidades e aldeias onde ocorreram combates e limpeza étnica.

Conclusões

1ª Conclusão: Só os simples cálculos e projecções que eu fiz, com base em relatórios oficiais e fontes fidedignas, são mais credíveis do que os números ardilosos dados pelos EUA e o governo fantoche iraquiano.É de salientar que os números representam pessoas e que a recusa em revelar os números reais de pessoas desaparecidas ou perdidas é um crime contra a humanidade. Estes números representam uma incompreensível falta de respeito pelos seres humanos que foram votados ao ostracismo porque os norte-americanos e os seus fantoches iraquianos assim quiseram. É de chamar também a atenção para que as pessoas não identificadas, perdidas, desaparecidas ou o que quiserem chamar-lhes, são sempre o pai ou a mãe de alguém, sempre o filho de alguém. Cada um deles tinha um rosto antes de ser desfeito, desfigurado, agredido com ácido, esburacado, queimado, espancado, baleado e lançado para a rua e enterrado anonimamente com outros corpos não identificados. Cada um deles teve um dia um rosto que podia ver, ouvir, rir e chorar, falar e sentir – antes de ser aniquilado. As suas mortes representam nada menos do que a vida e a dignidade humanas sacrificadas no altar do lucro e da ganância dos poderes corporativos.

2ª Conclusão: Raramente um exército invasor e ocupante resolveu os problemas de um país. A ocupação é a forma extrema de ditadura. Ocupação é pilhagem: roubarem recursos em vez de pagarem por eles. Ocupação é assassinarem pessoas em vez de salvarem vidas humanas. A ocupação dá aos psicopatas a oportunidade e meios para matarem impunemente. Os exemplos da Jugoslávia durante a Segunda Grande Guerra, assim como as guerras sujas no Vietname e na América Central e América Latina deviam ser alertas. Só a total retirada de todas as tropas estrangeiras do solo Iraquiano pode garantir o início de um verdadeiro processo democrático. Só a retirada total pode abrir caminho para o início de uma investigação justa e completa sobre os desaparecimentos forçados e as pessoas desaparecidas no Iraque. Só a retirada total pode pôr fim ao caos que a invasão dos EUA trouxe.

Perguntas

Irá finalmente a Comissão dos Direitos Humanos acordar e nomear um relator especial para a situação dos direitos humanos no Iraque para investigarminuciosamente uma das piores crises no planeta?
Haverá alguma vez revelações da Wikileaks sobre a “guerra suja” no Iraque? Iremos nós saber alguma vez os verdadeiros números das pessoas desaparecidas no Iraque que foram torturadas e depois mortas pelos famosos esquadrões da morte e milícias organizadas, financiadas, equipadas, treinadas e desenvolvidas pelos proclamadores dos “Direitos Humanos” – os Estados Unidos da América e a Inglaterra?

Irão as Nações Unidas alguma vez apelar à retirada total das tropas estrangeiras do solo Iraquiano e restituir a verdadeira soberania ao povo do Iraque, para ser representado pelo movimento anti-ocupação iraquiano? Irá a ONU criar finalmente uma comissão para o pagamento de indemnizações pelas forças invasoras e ocupantes, pelos prejuízos causados durante a invasão e a ocupação ilegais do Iraque?


texto original em TRIBUNAL IRAQUE  http://tribunaliraque.info/pagina/artigos/depoimentos.html?artigo=863

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