Pesquisa Mafarrico

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segunda-feira, 30 de março de 2015

Snowden, Obama e o IV Reich Americano

Snowden, Obama e o IV Reich Americano
por Miguel Urbano Rodrigues


"O documentário de Laura Poitras “Citizenfour”, premiado com um Óscar, não tem tido a atenção que merece por parte do público no nosso país. O seu título é o nome de código de Edward Snowden, o ex agente da CIA que revelou ao mundo a existência e o funcionamento do monstruoso sistema de espionagem criado pela NSA, cujos tentáculos cobrem o mundo. Peça fundamental da estratégia imperialista de dominação planetária, o desmascaramento desta ameaça é uma tarefa de defesa da humanidade."

Contei as pessoas à saída da sala do pequeno cinema do Porto que acabara de exibir o documentário Citizenfour:eram apenas 19.Porquê tão pouca gente?

Eu conhecia a resposta:

1. A esmagadora maioria dos portugueses (o panorama não difere muito noutros países) desconhece a perigosa ameaça que a estratégia de poder dos EUA representa para a humanidade.

2. É extremamente difícil conseguir que centenas de milhões de pessoas, manipuladas pela gigantesca máquina de desinformação mediática controlada por Washington, tomem consciência de que os valores da chamada «democracia americana» são hoje uma arma de propaganda e que nos EUA, neste início do seculo XXI, a Casa Branca, o Pentágono e a Agencia Nacional de Segurança – NSA com a cumplicidade do Congresso, montaram uma engrenagem diabólica, na prática incontrolável, para dominar o planeta, através, da espionagem.

Citizenfour é o nome de código de Edward Snowden no Documentário em que a cineasta e jornalista norte-americana Laura Poitras resume em linguagem fílmica a estória do jovem informático, ex agente da CIA, que revelou ao mundo a existência e o funcionamento do monstruoso sistema de espionagem criado pela NSA, cujos tentáculos cobriam o mundo.
O importante no filme não é a sua qualidade, mas o desmascaramento da ameaça à humanidade.

domingo, 29 de março de 2015

A Europa também vira… na direcção da China

A Europa também vira… na direcção da China
por M K Bhadrakumar

"Enquanto o imperialismo norte-americano se enreda numa guerra sem fim na Mesopotâmia, e na Eurásia persegue um objectivo que não tem o menor impacto direto para os interesses vitais estado-unidenses desenvolve-se, ao mesmo tempo e debaixo do seu nariz, uma reconfiguração fundamental da dramaturgia asiática. Pequim tirou o tapete à estratégia estado-unidense de conter a China, não só em termos intelectuais, mas também em termos políticos e diplomáticos."

A decisão da Grã-Bretanha de solicitar a sua admissão, como membro fundador, no Banco asiático para investimento em infra-estrutura (AIIB) apanhou Washington de surpresa.

O porta-voz do departamento de Estado admitiu que não houvera “praticamente nenhuma consulta com os EUA” e que se tratava “de uma decisão soberana do Reino Unido”. Nas semanas próximas será ainda mais difícil para os EUA reconciliar-se com a Austrália, que segue os passos da Grã-Bretanha, uma vez que o presidente Barak Obama interveio pessoalmente junto do primeiro-ministro Tony Abbott em Outubro último para o dissuadir de o fazer. Coreia do Sul e França estão também dispostas a aderir ao AIIB (The Guardian).

A Grã-Bretanha sustenta que esta decisão é tomada no interesse nacional e que as considerações subjacentes são puramente económicas. Mas também é certo que a Grã-Bretanha não pode deixar de ter a consciência de que o AIIB é uma bofetada no coração do sistema de Bretton Woods. Ou, o que é pior, que a China se encaminha praticamente para entrar no sistema de Bretton Woods na condição da divindade que irá presidir-lhe. Como o assinalou a agência Xinhua:

“A caminho de se converter na segunda economia do mundo, a China defende e trabalha na revisão do atual sistema mundial…a China não a tem intenção de deitar o tabuleiro pelos ares, mas de procurar ajudar a construir um tabuleiro mundial mais diversificado. A China deseja ver incluída a sua moeda no cabaz do FMI de forma proporcional ao atual peso do yuan no comércio internacional de bens e serviços. A China acolhe com felicitações a cooperação de cada parcela do mundo com o objectivo de alcançar uma prosperidade compartilhada baseada no interesse comum, mas prosseguirá em frente em qualquer caso enquanto acreditar que está no caminho correto”.

Os países europeus creem que o AIIB constitui um elemento fundamental na estratégia chinesa da Rota da Seda (conhecida como “iniciativas cintura e rota”). O ex-primeiro ministro francês Dominique de Villepin escreveu recentemente no diário Les Echos que a Rota da Seda chinesa oferecia à França e a outros países europeus oportunidades de conseguir acordos lucrativos no sector dos transportes e dos serviços urbanos: “É uma tarefa que deve mobilizar a União europeia e os seus Estados Membros, mas também as autoridades locais, as câmaras de comércio e as empresas, sem esquecer as universidades e os think tanks” sugeriu Villepin.

Manifesto do Partido Comunista


PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS! 
Manifesto do Partido Comunista(1) 
Karl Marx 
Friedrich Engels 

1848

"Manifesto do Partido Comunista: um dos mais significativos documentos programáticos do comunismo fundado em bases científicas, que contém uma exposição coerente das bases da grande doutrina de Marx e Engels. «Esta obra expõe, com uma clareza e um vigor geniais, a nova concepção do mundo, o materialismo consequente aplicado também ao domínio da vida social, a dialéctica como a doutrina mais vasta e mais profunda do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucionário histórico universal do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista.» (Ver Obras Escolhidas de V. I. Lénine em três tomos, Edições «Avante!» - Edições Progresso, Lisboa-Moscovo, 1977, t. 1, p. 5.) "

Anda um espectro pela Europa — o espectro do Comunismo. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o papa e o tsar, Metternich e Guizot, radicais franceses e polícias alemães. Onde está o partido de oposição que não tivesse sido vilipendiado pelos seus adversários no governo como comunista, onde está o partido de oposição que não tivesse arremessado de volta, tanto contra os oposicionistas mais progressistas como contra os seus adversários reaccionários, a recriminação estigmatizante do comunismo?

Deste facto concluem-se duas coisas. O comunismo já é reconhecido por todos os poderes europeus como um poder. Já é tempo de os comunistas exporem abertamente perante o mundo inteiro o seu modo de ver, os seus objectivos, as suas tendências, e de contraporem à lenda* do espectro do comunismo um Manifesto do próprio partido. Com este objectivo reuniram-se em Londres comunistas das mais diversas nacionalidades e delinearam o Manifesto seguinte, que é publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.

1 Manifesto do Partido Comunista: um dos mais significativos documentos programáticos do comunismo fundado em bases científicas, que contém uma exposição coerente das bases da grande doutrina de Marx e Engels. «Esta obra expõe, com uma clareza e um vigor geniais, a nova concepção do mundo, o materialismo consequente aplicado também ao domínio da vida social, a dialéctica como a doutrina mais vasta e mais profunda do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucionário histórico universal do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista.» (Ver Obras Escolhidas de V. I. Lénine em três tomos, Edições «Avante!» - Edições Progresso, Lisboa-Moscovo, 1977, t. 1, p. 5.) 

O Manifesto do Partido Comunista armou o proletariado com a demonstração científica da inevitabilidade do derrube do capitalismo e da vitória da revolução proletária, definiu as tarefas e objectivos do movimento proletário revolucionário. O Manifesto do Partido Comunista foi elaborado por Marx e Engels como programa da Liga dos Comunistas por decisão do seu II Congresso realizado em Londres entre 29 de Novembro e 8 de Dezembro de 1847. Representava o triunfo dos defensores da nova linha proletária no quadro das discussões havidas no interior do movimento. No âmbito deste debate Engels havia elaborado já um projecto de Profissão de Fé Comunista (ver Grundsätze des Kommunismus, MEW, vol. 4, pp. 361-380; cf. Princípios Básicos do Comunismo, in OE, 1982, t. I, pp. 76-94) segundo a forma de «catecismo» ao tempo utilizada com frequência em documentos de diferentes organizações operárias e progressistas. No entanto, Marx e Engels rapidamente chegaram à conclusão de que a forma de «manifesto» seria a mais adequada à nova fase e aos objectivos da luta (ver Engels, carta a Marx de 23-24 de Novembro de 1847, MEW, vol. 27, p. 107). Ainda em Londres e depois em Bruxelas, Marx e Engels trabalharam juntos na redacção do texto. Tendo Engels partido para Paris em finais de Dezembro, a versão definitiva foi elaborada por Marx fundamentalmente durante o mês de Janeiro de 1848 e remetida finalmente para Londres, onde viria a ser publicada pela primeira vez em fins de Fevereiro do mesmo ano. O manuscrito não chegou até nós. Apenas se dispõe de um esboço de plano para a secção III e de uma página do rascunho [ver no final]. A presente edição inclui, para além do próprio Manifesto os prefácios às edições de 1872, 1882, 1883, 1888, 1890, 1892 e 1893. [Ver no final] 









sábado, 28 de março de 2015

A guerra de Obama no Ocidente e a Luta de Libertação Nacional da Venezuela

A guerra de Obama no Ocidente e a Luta de Libertação Nacional da Venezuela
por James Petras


"A declaração de uma emergência de segurança nacional de Obama tem objetivos psicológicos, políticos e militares. Sua postura belicosa foi projetada para reforçar o espírito de seus agentes presos e desmoralizados para que eles saibam que eles ainda têm o apoio dos EUA. Para isso, Obama exigiu que o presidente Maduro libertasse os líderes terroristas. As sanções de Washington foram dirigidas, principalmente, contra as autoridades de segurança da Venezuela, que julgou procedente a constituição e manteve presos os capangas de Obama. Os terroristas em suas celas de prisão podem se consolar com o pensamento de que, enquanto eles passam por um "momento difícil" de servir como tropas e fantoches dos Estados Unidos, seus procuradores terão vistos negados pelo presidente Obama e não podem mais visitar a Disneylândia ou fazer compras em Miami ... Tais são as consequências das atuais "sanções" dos Estados Unidos nos olhos de uma América Latina altamente crítica."

Por que Obama declarou uma "emergência nacional", reclamando que a Venezuela representa uma ameaça para a Segurança Nacional dos Estados Unidos e para a Política Externa, assumindo prerrogativas executivas e decretando sanções contra os principais oficiais venezuelanos responsáveis pela segurança nacional, agora?

O apoio da Venezuela na Integração Latino-Americana é o maior medo de Obama

Para responder a essa questão, é essencial começar pela abordagem enganadora de Obama e pelas responsabilidades insubstanciais da Venezuela ser um "perigo para a segurança nacional e para a política externa".

Primeiramente, a Casa Branca não apresenta evidências... Porque não há nada para apresentar! Não há mísseis venezuelanos, planos de luta, navios de guerra, Força Especial, agentes secretos ou bases militares munidas para atacar facilmente as residências americanas ou instalações estrangeiras.

Em contrapartida, os Estados Unidos tem navios de guerra no Caribe, sete bases militares na Colômbia com tripulação composta por dois mil oficiais da Força Especial dos Estados Unidos e bases da Força Aérea na América Central. Washington tem financiado mandatos políticos e operações militares na Venezuela com a intenção de derrubar a Constituição legal e o governo eleito democraticamente.

A reclamação de Obama se assemelha a um papel que os governantes totalitários e os imperialistas frequentemente usam: acusando essas iminentes vitimas dos crimes que eles mesmos preparam contra elas. Nenhum país ou líder, amigo ou inimigo, apoiou as acusações de Obama contra a Venezuela.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Propaganda dos EUA na Coreia: TV como ferramenta de 'engenharia social'

Propaganda dos EUA na Coreia: TV como ferramenta de 'engenharia social'
por Pravda.ru


"Leitores da mais recente ação de propaganda paga pelos EUA e divulgada pela revista Wired tampouco viram que, se os seriados norte-americanos são considerados ferramentas para engenharia social na Coreia do Norte, eles também, muito provavelmente, são usados para a mesma finalidade de engenharia social também nos EUA. 
A degradação da educação nos EUA, o esvaziamento da família, o enfraquecimento das comunidades locais versus a dominação cada vez mais uniformizante e centralizada, pelos grandes monopólios empresariais-financeiros - e o estado de vigilância e sua Polícia cada vez mais draconiana - são resultados diretos do mesmo processo."

Quando a revista Wired publicou o artigo "Plano para libertar a Coreia do Norte (com cópias contrabandeadas de episódios do seriado Friends)", a revista provavelmente contava com que seu público leitor, impressionável e politicamente ignorante, não captaria os fatos subjacentes e respectivas implicações, e leria ali apenas mais uma matéria 'engraçadinha', que cobriria de (mais) ridículo o país do leste da Ásia e reforçaria, naquele mesmo público leitor ignorante consumidor de Wired, a sensação de imorredoura superioridade cultural.

O que a revista não viu, claro, é que o programa divulgado por Wired como se fosse trabalho do "Centro Estratégico Coreia do Norte" e de seu fundador Kang Chol-hwan, 46 anos" é, na verdade, organizado e financiado pelo Departamento de Estado dos EUA.

Fato é que o Centro Estratégico Coreia do Norte trabalha em parceria muito íntima com o Gabinete de Direitos Humanos, Democracia e Trabalho do Departamento de Estado dos EUA, com a Rádio "Free Asia" da rede de propaganda do Departamento de Estado dos EUA e com a Dotação Nacional para a Democracia (National Endowment for Democracy, NED), também do Departamento de Estado dos EUA, que é um verdadeiro "departamento para 'mudança de regime'", mantido pelos "500" de Wall Street da revista Fortune e exclusivamente a serviço dos interesses dos "500".

Cidadão sob ataque do estado policial lituano e o mundo sob o ataque de Washington

Cidadão sob ataque do estado policial lituano e o mundo sob o ataque de Washington
por Paul Craig Roberts

" crescente impulso rumo à guerra com a Rússia. A imprensa presstituta [1] por toda a Europa, especialmente nos estados bálticos e na Polônia, trabalha arduamente para criar no povo o medo de uma invasão russa. O medo orquestrado proporciona-lhes então a base para os governos fantoches mendigarem tropas e tanques e mísseis junto a Washington – o complexo militar e de segurança dos EUA que, contando seus lucros, agradece.

Mas o que a Rússia vê é uma ameaça, não uma oportunidade de fazer dinheiro para o complexo militar e de segurança e para subornos aos corruptos governos lituano e polaco, os quais assemelham-se cada vez ao governo neo-nazi com que Washington dotou a Ucrânia. "


De acordo com notícias publicadas e conforme este apelo de Kristoferis Voishka o governo pró americano instalado na Lituânia está a perseguir lituanos que discordam da propaganda anti-russa que está a levar os fantoches da NATO de Washington à guerra com aquela potência. Ao contrário do seu governo fantoche, os lituanos entendem que uma guerra com a Rússia significa que a Lituânia seria totalmente destruída, um resultado que em nada incomodaria Washington, assim como Washington permanece imperturbável quando suas forças aniquilam festas de casamentos, funerais e jogos de bola de crianças. 

O que é a Lituânia? Para Washington é um nada. 

Kristoferis Voiska dirige um sítio web alternativo na Lituânia. Não há muito ele entrevistou-me e a entrevista foi publicada em ambos os jornais lituanos e no seu programa de notícias na Internet sob a forma de vídeo. Achei-o sincero e bem informado. Adverti-o que entrevistar-me poderia trazer-lhe transtornos, mas já estava ciente disso. 

Tenho dito muitas vezes que os americanos são o povo mais mal informado do planeta. 

Ele está inconsciente do crescente impulso rumo à guerra com a Rússia. A imprensa presstituta [1] por toda a Europa, especialmente nos estados bálticos e na Polônia, trabalha arduamente para criar no povo o medo de uma invasão russa. O medo orquestrado proporciona-lhes então a base para os governos fantoches mendigarem tropas e tanques e mísseis junto a Washington – o complexo militar e de segurança dos EUA que, contando seus lucros, agradece. 

A homofobia em nome do Senhor

A homofobia em nome do Senhor
por Ilka Oliva Corado


"Estes bobos que rezam dia e noite, que deixam as suas ofertas e cumprem com o dízimo, mas que, ao saírem da igreja recém abraçados com a paz do Senhor ou ungidos com o óleo santo, o primeiro que fazem é proibir aos seus filhos que andem com fulaninho porque aparenta ser homossexual. “Que Deus nos guarde, isso pode contagiá-lo! Que lhe evite a todo custo e que avise a outros para que também se afastem Dele”. São estas senhoras fofoqueiras que vão de casa em casa destilando veneno."

"Pessoas sem ofício que andam de porta em porta com a Bíblia na mão oferecendo revistas que falam da salvação do mundo, da limpeza (com sete montes ) dos pecados, porém que, no nome do Deus, expelem aberração com respeito àquilo que é diferente, autêntico e, por isso, belo."


Filhos de Satanás, blasfemadores, pecadores impuros, aberrações da vida... É assim que os religiosos doutrinados em castidade e com dupla moral cospem o seu ódio para as pessoas que tiveram a coragem de viver, apesar da infâmia que é esta humanidade.

Não vi tanto ódio como o dos religiosos, estes falsos de paixões moralistas, andam pela vida julgando aos demais e achando que têm o direito de apontar e se fazerem de santos.

São estes que deram pulos de alegria ao ter a duas mulheres homossexuais rolando na cama com eles, a fantasia de um trio. Porém, para eles é horripilante vê-las de mãos dadas caminhando pela rua e intolerável que se beijem em plena via pública, dizendo “mas o que é que acontece com elas? Que façam as suas coisas em casa, não percebem que estão dando um mau exemplo para as crianças?!”.

São estes que deixam os seus filhos abandonados, sem nunca reconhecê-los como próprios, porém que se sentem com a autoridade moral de julgar a maternidade homossexual. São estes que, se tivessem a oportunidade, se atreveriam a meter a todos os homossexuais num campo de concentração e exterminá-los para que já não propaguem a imundice da sua aberração. Tudo em nome do Senhor!

Estes bobos que rezam dia e noite, que deixam as suas ofertas e cumprem com o dízimo, mas que, ao saírem da igreja recém abraçados com a paz do Senhor ou ungidos com o óleo santo, o primeiro que fazem é proibir aos seus filhos que andem com fulaninho porque aparenta ser homossexual. “Que Deus nos guarde, isso pode contagiá-lo! Que lhe evite a todo custo e que avise a outros para que também se afastem Dele”. São estas senhoras fofoqueiras que vão de casa em casa destilando veneno.

São estes intelectuais caducos que são incapazes de compreender que a diversidade nos engrandece. Estes letrados que dizem ser de pensamento crítico e se gabam de analíticos, empreendedores e rebeldes; eles mesmos são homofóbicos. Com isto, jogam fora todo verbo e a lábia que ostentam quando falam de equidade e igualdade. Esses são os que menosprezam a outro homem que ame de forma diferente.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Eleições em Israel

Eleições em Israel
por Albano Nunes


"Em qualquer caso, a vitória de Netanyhau não sendo uma boa notícia não é propriamente a «surpresa» de que os grandes órgãos de comunicação falaram. O palco que lhe foi oferecido no «Ocidente», nomeadamente ao desfilar ao lado de Hollande na encenação que se seguiu aos atentados de Paris e com o convite do Congresso dos Estados Unidos, contou certamente para o resultado alcançado, tornando manifesto o apoio do imperialismo ao fascismo sionista. O que é tanto mais grave quanto Netanyhau sobe o tom da sua oposição a uma solução negociada com o Irão sobre a questão nuclear, continua a ingerir-se no Líbano, provoca a Síria a partir dos montes Golã que ilegalmente ocupa e apoia os grupos terroristas, incluindo o chamado «Estado Islâmico», contra o legítimo governo sírio. E quando o fascismo, o militarismo e o intervencionismo imperialista crescem por toda a parte perigosamente, da Venezuela às fronteiras da Rússia e Extremo Oriente."

A questão palestiniana é a questão central do Médio Oriente. De há muito, sobretudo depois do reconhecimento da Organização de Libertação da Palestina como única e legitima representante do seu povo, que a solução do problema nacional palestiniano com a edificação de um Estado independente e soberano nos territórios da Palestina ocupados por Israel em 1967, é considerada condição indispensável de uma paz justa e duradoura nesta martirizada região. 

Para as forças do progresso social e da paz, esta é uma questão de princípio que radica na defesa do direito de cada povo a escolher o seu próprio caminho de desenvolvimento. Um princípio que se plasmou no direito internacional e que levou à aprovação pela ONU de resoluções que Israel nunca respeitou. Mas se há uma razão para acreditar que sem a solução do problema palestiniano não haverá nunca paz no Médio Oriente, ela reside na própria luta do povo palestiniano, uma luta prolongada e heroica, resistindo às piores barbaridades cometidas pelo terrorismo de Estado sionista e imperialista, afirmando no cativeiro a que está submetido na própria pátria – em Gaza, na Cisjordânia, em Jerusalém – ou na diáspora, uma identidade e unidade que causam a admiração do mundo inteiro.

Burocracia e fascismo no Brasil:

"coxinhas"  :designação dos que votaram em Aécio Neves
Burocracia e fascismo no Brasil:
Alguns apontamentos sobre uma correlação provável


por João Vilela

"Porque o caso brasileiro (como o caso francês com o ascenso da Frente Nacional, o caso italiano com o crescimento do Movimento Cinco Estrelas, e tantos outros) indicam uma forte probabilidade de o "amarelecer" da direção do movimento operário e popular estar diretamente relacionado com o reforço prodigioso do fascismo. Uma classe trabalhadora desorganizada não se torna automaticamente uma base do fascismo: mas fica exposta a sê-lo. O cumprimento dos deveres de educação política das massas, e o exercício permanente por estas da vigilância revolucionária das suas lideranças são os dois polos indispensáveis para que se possa chegar ao socialismo. Sem isso, o risco da burocratização é forte e o da derrota é imenso."


As recentes manifestações no Brasil foram absolutamente chocantes. Será certo que o contexto social e político, que vai do crescimento das congregações pentecostais à brusca alteração de uma política de promoção social para outra de degradação das condições de vida, passando por escândalos incontáveis de corrupção, de mentira em campanhas eleitorais, e de agressão à justa luta das populações levados a cabo por um partido que se reclama da esquerda, torna razoavelmente previsível tudo o que aconteceu. Mas conter o choque, mesmo ciente de tudo isto, é impossível. 

No Brasil, a palavra é "estelionato". Em Portugal diríamos burla. Nos dois casos seríamos capazes de convergir, para nos entendermos, para a palavra "mentira". A palavra "traição". A palavra "fraude". A palavra "engano". Nisso, e em nada mais, consistiu o discurso, inflamado e de bater com a mão no peito, de Dilma, na campanha eleitoral contra Aécio Neves. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

A Rússia de Pútin – nem anjo nem demônio

A Rússia de Pútin – nem anjo nem demônio
Willi Gerns*


"a análise concreta da situação histórica concreta atual no mundo deve conduzir-nos a reconhecer claramente, no domínio da política internacional, que a Rússia é também um país capitalista, dominado pelos oligarcas e uma burocracia de Estado que está completamente ligada a eles; a estabelecer uma diferença clara entre a Rússia e as grandes potências imperialistas e a considerar como perigo principal para a paz e o progresso social, a política de domínio mundial do imperialismo norte-americano e dos seus acólitos imperialistas da NATO e da UE."

Reflexões para uma análise marxista da política russa 112

Tendo como pano de fundo os acontecimentos atuais na Ucrânia, vivemos hoje nos países imperialistas uma campanha de ódio antirrussa quase sem precedentes. Na Alemanha, faz recordar de modo terrível os anos da ditadura nazi e da Segunda Guerra Mundial, assim como os do apogeu da guerra fria (na época, sob a forma de antissovietismo). As ondas sonoras desta campanha têm mesmo um certo eco em pessoas de esquerda. Ao contrário, encontra-se também, em reação a esta corrente, um apoio incondicional à política russa que não tem em conta as relações de classe. Nem uma nem outra destas abordagens pode ser comunista.

Sanções por violações aos direitos humanos na Venezuela? É o petróleo, estúpido!

Sanções por violações aos direitos humanos na Venezuela? É o petróleo, estúpido!
por Atilio Borón



"Obama e seus publicistas não podem enganar a ninguém. Isso não tem nada a ver com os direitos humanos, a liberdade e a democracia, como pregam em Washington, coisas pelas quais o império não costuma zelar."

"É o petróleo, estúpido!"

Washington aplica sanções contra a Venezuela como represália por supostas violações aos direitos humanos cometidas a partir da ofensiva sediciosa de fevereiro de 2014 e que custou 43 vidas.

Segundo o inspirador da lei promulgada por Obama, o senador Bob Menéndez – um homenzinho a serviço da máfia anticastrista de Miami imerso em uma densa trama de processos judiciais por tráfico de influências, prostituição de menores, tráfico de pessoas, etc – a nova legislação era um triunfo para o povo venezuelano. O único problema é que parece que este não a entende assim, porque segundo a consultora Hinterlaces “64% dos venezuelanos rechaça que o Governo dos EUA imponha sanções a funcionários venezuelanos”, mesma posição adotada por organismos defensores dos direitos humanos e várias organizações regionais da América Latina e Caribe.

Além disso, chama a atenção a inconsistência do critério de Obama: primeiro, porque a sanção ignora que a maior parte das vítimas da violência desencadeada (com aprovação e apoio escancarado da Casa Branca) são chavistas ou funcionários das forças de segurança ou da justiça da República Bolivariana e que o governo de Nicolás Maduro processou e conseguiu condenar os membros da polícia ou da guarda nacional responsáveis por esses atos (coisa que os Estados Unidos não fizeram com os policiais que nos últimos tempos assassinaram a sangue frio afro-americanos ou latinos, nenhum dos quais está preso).

Brasil: “O PT causou um tremendo dano à imagem de toda a esquerda na América Latina”

“O PT causou um tremendo dano à imagem de toda a esquerda na América Latina”
Entrevista com James Petras


“A esquerda do PT ainda não mostra suficiente presença para capturar os eleitores desencantados, razão pela qual temo que a partir destes escândalos ressurjam os partidos de direita, e os que querem privatizar a Petrobras vão utilizar a corrupção para privatizá-la. O PT causou um tremendo dano, não apenas para seus próprios eleitores, mas, sobretudo, para a imagem de toda a esquerda e o progressismo na América Latina. Deixa seu eleitorado desorientado e faz o jogo do imperialismo”, critica o sociólogo James Petras, professor emérito de Sociologia na Universidade Binghamton, em Nova York.

A entrevista é de Efraín Chury Iribarne, transmitida pela rádio CX36 Centenário e publicada por Rebelión, 11-03-2015. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Bom dia, James Petras. Tudo bem?

Estou muito bem, há uma onda de calor aqui e a temperatura subiu três graus. A primavera está próxima.

Que bom, está melhorando, então. Comecemos a falar sobre os problemas raciais nos Estados Unidos.

Iniciemos com a celebração do 50º aniversário de uma marcha em Alabama, um Estado muito racista, que foi um momento determinante, porque a partir desta marcha e dos ataques policiais surgiu o direito que garante o voto aos afro-americanos. Então, hoje é uma marcha comemorando a vitória política que os afro-americanos alcançaram há 50 anos. Contudo, um dos problemas dos participantes é a presença do presidente Barack Obama, que apesar de sua origem afro-americana as coisas retrocederam para o povo, especialmente para o afro-americano.

sábado, 21 de março de 2015

Brasil :A marcha dos imbecis fascistas

A imbecilidade da direita nas manifestações de 15 de março

Minha homenagem especial aos manifestantes do dia 15 de março/ 2015, para isso, me utilizo dos meigos e sublimes versos do Bocage, num português castiço, para os qualificar em sua origem como verdadeiros e originais filhos da puta marchando na Paulista:




A VIDA É FILHA DA PUTA,
A PUTA, É FILHA DA VIDA......
NUNCA VI TANTO FILHA DA PUTA....( juntos na Paulista),
NA PUTA DA MINHA VIDA !

BOCAGE

A marcha dos filhos da puta na Paulista:


A escumalha fascista nas manifestações de 15 de março

15_Marco50_Carnazistas


sexta-feira, 20 de março de 2015

México: o gigante adormecido que não se despertou

México: o gigante adormecido que não se despertou
por Ilka Oliva Corado


"Dizemos aos criminosos que continuem assassinando jornalistas, torturando defensores dos direitos humanos, lavando dinheiro sujo, privatizando até mesmo o ar que respiramos e fazendo de nós autênticas marionetes.

Ayotzinapa é uma segunda Tlatelolco e passará para a história. Primeiro será Ação Global dos Povos (People's Global Action) a cada mês, logo irá diminuindo e será uma por ano no seu aniversário e, assim, iremos esquecendo até que sejam somente os nossos avós os únicos que contem que “uma vez em Ayotzinapa...”. Porque não aparecerá nos textos dos livros escolares, pois a história oficial será contada ao contrário e as novas gerações irão memorizá-la da mesma forma que a juventude de hoje e nem desconfiarão quando escutarem sobre um tal Pancho Villa e Emiliano Zapata, bem como sobre um tal Exército Zapatista de Libertação Nacional que vem do norte, e uma tal Revolução Mexicana e as Adelitas[mulheres que participaram na Revolução Mexicana]."
De repente pensamos que o desaparecimento dos estudantes de Ayotzinapa [município de Iguala de la Independência, no estado mexicano de Guerrero] em 2014 iria romper com o gelo e que o povo tomaria as ruas para alçar a sua voz e o gigante adormecido se despertaria. Era a hora, era a gota d’água, era o grito de basta.

Porque, o que mais pode suportar um povo quando já desapareceram e foram assassinadas as suas filhas - os feminicídios que já não são na Juárez distante e estigmatizada por ser uma fronteira - quando lhe venderam a terra, quando lhe privatizaram até o direito de respirar? O que mais pode suportar um povo quando os governos roubaram até os seus sonhos? Quando o engano e a repressão vêm por parte daqueles que supostamente são os que devem velar pela segurança? Quando é o governo o culpável por organizar máfias criminais, quando os subornos, o tráfico de influências e os desaparecimentos forçados têm ordem vinda da presidência? O que mais?

Quando é um esquadrão do exército que viola, assassina e faz desaparecer as nossas meninas, adolescentes e mulheres. Quando é um grupo antimotim que reprime a voz do seu irmão e o golpeia até a morte. Quando é toda uma estrutura policial a que sequestra os nossos meninos e adolescentes que jamais voltarão a aparecer. Quando o plano de tortura é elaborado por um conselheiro presidencial, com o aval de um arcebispo e com o silêncio dos beneficiados que o indulta no confessionário um sacerdote pedófilo.

O que mais pode suportar um povo que viveu de tudo? A humilhação, a fraude, a seca e a vigília perene. O pavor, a ansiedade, a paranóia, o abatimento emocional, o luto incessante que não tem dor. Quando são milhares os desaparecidos, milhares os assassinos e dezenas as valas clandestinas que gritam pedindo justiça com as suas entranhas cheias de sonhos truncados.

O que mais pode suportar um povo ao que roubaram o sorriso, a alegria e o amor?

Não foram as mulheres assassinadas de Juárez as que conseguiram indigná-lo, a violência de gênero continua tão patriarcal quanto o casamento heterossexual e religioso. Também não foi a Matança de Tlalelolco, na qual a história contada ao contrário e com toda a sanha da oligarquia e o Estado acabaram com as vozes rebeldes que estavam naquela praça.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Brasil : O limite da imbecilidade direitista

A adaga dos covardes, ou, O limite da imbecilidade direitista


"A extrema direita foi às ruas e ganhou dimensão massiva nos últimos protestos pelo impeachment. A extrema direita quer o impedimento da presidente, se possível seu fuzilamento e a exumação do corpo de Marx para ser fuzilado também. Parece que descobriram o motivo do desmonte da educação no Brasil, é um perigoso terrorista de barbas longas (sem turbante) chamado Paulo Freire."


Um amigo libanês, pintor de primeira e bruxo militante, mostrou-me certa vez uma adaga em uma bainha de prata ricamente trabalhada com uma inscrição em árabe que ele traduziu. A frase alertava ao portador da arma que seria sábio quem não a desembainhasse, mas aquele que o fizesse não usando a arma seria um covarde.

A delicada conjuntura em que nos encontramos está cheia de blefes, o que torna difícil a análise. A direita ameaça com o impedimento da presidente, um ex-presidente ameaça colocar o “exercito” de outros para defender o seu governo, outro ex-presidente tece pendores democráticos e de respeito a legalidade enquanto seu partido conspira na direção oposta.

Como sempre, para superar a borbulha enganosa da aparência, é necessário descer às determinações de classe e aos interesses em jogo.

[TRÊS BLEFES]

O equilíbrio do governo de pacto social sempre foi difícil uma vez que supõe poder conciliar o que é inconciliável, isto é, os interesses de classe opostos de trabalhadores e burgueses. A engenharia possível pressupõe uma certa estabilidade econômica e uma governabilidade negociada por meio de cargos no governo, favorecimentos eleitorais e emendas ao orçamento para responder aos lobbies por trás (pela frente e por todos os lados) dos digníssimos parlamentares eleitos e se completa com a ação de governo que garante as condições para a acumulação de capitais em proporções adequadas. Enquanto isso acena aos trabalhadores com a miragem da inserção na sociedade de mercado via garantia dos níveis de emprego e salário, acesso ao crédito e programas compensatórios de combate às manifestações mais agudas da miséria absoluta.

O mais importante é que funciona enquanto a burguesia deseje que funcione.

Por um tempo funcionou e reconduziu os governos petistas em três mandatos consecutivos. O quarto mandato chegou de raspão com o país dividido praticamente ao meio. Um congresso nacional ainda mais conservador, uma oposição fortalecida e um PMDB como fiel da balança e representando a condição, mais que nunca, para a governabilidade. Uma receita para a instabilidade, toda a negociação anterior e durante a campanha eleitoral se torna insuficiente. O PMDB exige mais espaço (Lula se apressa em afirmar que concorda com o pleito), mas também mais protagonismo e mais independência. Ganha a presidência da Câmara com Cunha e endurece a negociação sobre a composição do governo e o orçamento abrindo margem para chantagear a presidência.

Aqui o primeiro blefe. O PMDB tem a vice presidência e vários ministérios chaves. Controla um quinhão invejável no segundo e terceiro escalões, governos de estado que por sua vez dependem de projetos e verbas federais, assim como de favores eleitorais dos mais diversos. Tem pouca chances de um vôo solo como alternativa e suas chances estão ligadas ao sucesso do governo que enfraquece para negociar melhor.

USA - O capitalismo no país das maravilhas

O capitalismo no país das maravilhas
por António santos


"São as regras do jogo do capitalismo em todo o seu brutal esplendor: privatizar a produção de riqueza e socializar a produção prejuízos, pelo que os resultados económicos negativos que se sucedem em catadupa* nos EUA fazem adivinhar que a escala e a gravidade da miséria extrema irão continuar a agudizar-se, acentuando cada vez mais as contradições mais abjectas e anti-humanas do capitalismo. Neste jogo viciado, a falta de habitação, de emprego e de comida não são infortúnios, são jogadas de classe. As cartas do capitalismo estão há muito tempo à vista: desvalorização do trabalho; guerra infinita; miséria. Não basta virar o jogo, é preciso virar a mesa."

Num ano em que a cidade de Nova Iorque enfrenta o frio mais inclemente de várias décadas, o número de «sem-abrigo» na Grande Maçã também bateu o maior recorde de todos os tempos: 60 000 pessoas sem casa, metade das quais são crianças. E de acordo com um estudo publicado na semana passada pela Universidade de New Hampshire, o problema é à escala federal. Na segunda economia mais rica do mundo, o número de gente sem casa triplicou desde 1983 para 3,5 milhões. Curiosamente, desde essa mesma data, também triplicou para 18 milhões o número de casas sem gente.

O estudo concluiu que de geração para geração cada vez é mais difícil sair da pobreza. Na «terra das oportunidades», a pobreza das famílias de classe trabalhadora tem uma tendência consistente para perpetuar-se e crescer nas gerações vindouras, criando um ciclo vicioso e cada vez mais difícil de inverter. 

Ou, como demonstra o testemunho recolhido pela investigadora e jornalista Tiffany Willis: «Uma vez, eu precisava de lápis-de-cor para um trabalho. A minha professora disse-me que se eu não os trouxesse levava um zero. Disse-lhe que não tinha, mas ela respondeu-me que eu tinha de tratar disso. No caminho para a escola, a minha mãe entrou no super-mercado e pediu-me para esperar à porta. Eu não percebi, porque ela tinha dito que não tinha dinheiro. Quando saiu, levava com ela os meus lápis-de-cor, mas não estavam dentro de um saco de plástico, estavam escondidos dentro da blusa. Acho que os roubou. Ela estava a chorar.» Segundo os autores do estudo, a percentagem de crianças sem-abrigo que conclui o ensino secundário situa-se nos 20 por cento. No reverso da medalha, observa o estudo, cresce a tendência para que os filhos dos muito ricos ultrapassem a fortuna dos pais. 

O que dizem as crianças sem teto dos EUA 

Os colaboracionistas são embelezadores do capitalismo (mal) disfarçados de "lúcidos revolucionários"

Tríptico da utopia – II
por Manuel Gouveia
"O colaboracionismo tem a mesma base pequeno-burguesa e reaccionária."


"Estes colaboracionistas são embelezadores do capitalismo (mal) disfarçados de «lúcidos» revolucionários. Vendem uma utopia e são perigosos. Na espuma das coisas, parecem-se demasiado connosco: criticam o capitalismo, apontam à construção de um certo socialismo, e falam da necessidade de alianças para romper com as actuais políticas de austeridade. Só são fáceis de distinguir pelas suas taras, nomeadamente o ódio à URSS."


Frente à crise do capitalismo e aos processos de proletarização, a pequena-burguesia pode entrar em pânico. Querer reconstruir uma certa estabilidade que conheceram. Querer andar para trás. Em vez de lutar a partir da nova posição proletária, pretender salvar o seu universo pequeno-burguês, e em vez de combater a apropriação tender a rejeitar a socialização.

Esta postura reaccionária alimentou sempre a máquina fascista, a opção terrorista das classes dominantes. Mas o fascismo é, sempre e antes de mais, uma opção da grande burguesia destinada a recuperar as condições de apropriação e acumulação face à sua própria crise e à crescente resistência dos expropriados e dos explorados em suportarem o custo dessa(s) crise(s).

O colaboracionismo tem a mesma base pequeno-burguesa e reaccionária. Como o expresso nas palavras de Varoufakis: «Eu não estou preparado para soprar vento fresco nas velas desta versão pós moderna dos anos 30. Se isto significa que nós, os marxistas adequadamente erráticos, teremos de salvar o capitalismo europeu de si próprio, que assim seja».

Estes colaboracionistas são embelezadores do capitalismo (mal) disfarçados de «lúcidos» revolucionários. Vendem uma utopia e são perigosos. Na espuma das coisas, parecem-se demasiado connosco: criticam o capitalismo, apontam à construção de um certo socialismo, e falam da necessidade de alianças para romper com as actuais políticas de austeridade. Só são fáceis de distinguir pelas suas taras, nomeadamente o ódio à URSS.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Eles não cabem em Miami

Eles não cabem em Miami
por Nílson Lage


"O que mobiliza os medos e ódios da massa de gente que se reuniu em São Paulo é um sistema de dominação montado ao longo de décadas em que se esmagou a cultura popular e se impôs, para substituí-la, o simulacro globalizante.

Os quadros jornalísticos foram filtrados, com a exclusão quase total do pensamento inconveniente No entanto, os meios de comunicação - a mídia globalizada - são parte da fragilização institucional do Brasil, mas não a única."

" a despolitização e a falta de informação sobre o mundo manifestam-se em teses simplistas sobre a "culpa da Dilma", a "corrupção" ( 61 anos depois, o "mar de lama"), a ameaça comunista (a "conspiração bolivariana"),a indolência ("vivem do bolsa família"), o ódio à inteligência ("abaixo Paulo Freire", "prisão para Karl Marx") etc. ."

Certa vez ouvi de Leonel Brizola que a revolução cubana seria impossível no Brasil. Argumentava que Fidel Castro pôde se livrar da fração mais ativa da burguesia - algumas dezenas de milhares de pessoas -, expulsando-a para Miami, e isso seria impossível aqui. (Nota do Tijolaço: "não cabe", explicava)

A burguesia de São Paulo - a de verdade e a pequena - é muito maior do que a cubana e foi convencida por propaganda insistente de que não tem saída senão a rua, no caso,a Avenida Paulista. Polarizada e acuada, defende, como era de se esperar, um programa protofascista, que inclui repressão e segregação da população pobre e de tudo que a faz lembrar, inclusive o governo trabalhista.

Descendentes da elite colonial do café ou oriundos de imigração relativamente recente, os formadores de opinião de São Paulo Imaginam uma vida confortável integrados na grande comunidade latino-americana com capital cultural em Miami e financeira em paraísos fiscais. O Brasil, para eles, é como uma espécie de clube social que os diferencia e uma vaca com enorme teta em que mamam, jamais uma pátria independente.

O que mobiliza os medos e ódios da massa de gente que se reuniu em São Paulo é um sistema de dominação montado ao longo de décadas em que se esmagou a cultura popular e se impôs, para substituí-la, o simulacro globalizante.

A veia terrorista de Barack Obama

A veia terrorista de Barack Obama
por José Goulão
"A situação mais flagrante, e que contribuiu para demonstrar como os Estados Unidos são governados por um partido único, porque em matéria de violações dos direitos humanos não há quem consiga distinguir um democrata de um republicano, é a da proliferação de ameaças, tentativas e execuções de golpes de Estado."

"Eis como Obama em nada se distingue dos mais tenebrosos falcões que passaram pela Casa Branca. Anote-se, por ser verdade, que na Venezuela, na Ucrânia, na Macedónia e onde quer que tal lhe convenha, o presidente dos Estados Unidos não tem qualquer pudor em recorrer a dirigentes e grupos de assalto nazi-fascistas desde que seja, ele o diz, para instaurar a democracia."


Depois de ter herdado, de início com algum pudor e sob outras designações, a guerra contra o terrorismo inventada pelo seu antecessor, Barack Obama não se limita a igualar George W. Bush no recurso a práticas terroristas como, em alguns casos – e não apenas o do record mundial de execuções extra judiciais cometidas com drones – consegue ultrapassá-lo.

A situação mais flagrante, e que contribuiu para demonstrar como os Estados Unidos são governados por um partido único, porque em matéria de violações dos direitos humanos não há quem consiga distinguir um democrata de um republicano, é a da proliferação de ameaças, tentativas e execuções de golpes de Estado.

No reinado de Obama a série faz corar de inveja alguns dos mais empedernidos falcões que passaram pela Casa Branca: Honduras, Paraguai, Ucrânia, Macedónia, Egipto, Qatar, Síria, Líbia, Iraque, Mali, República Centro Africana e, como não podia deixar de ser, Venezuela.

O assunto venezuelano poderá ter passado quase despercebido. Foi escondido para com isso se tentar abadar o fracasso da intentona, ou então explicado ao contrário através dos mecanismos censórios doutrinários que caricaturam o papel da comunicação social.

O golpe esteve marcado para 12 de Fevereiro, tentando reeditar a tragédia chilena de 1973, mas as autoridades venezuelanas anteciparam-se e puseram a nu um contexto através do qual se prova que em Washington não se olha a princípios nem a meios para alcançar os fins pretendidos, sempre apresentados, como é de bom-tom, como a instauração da democracia onde supostamente ela não existe.

CONSTRUIR ALTERNATIVA POPULAR contra a chantagem do impeachment e a conciliação governista

CONSTRUIR ALTERNATIVA POPULAR contra a chantagem do impeachment e a conciliação governista
(Nota Política do PCB)


"Essa instabilidade do governo alimenta sonhos golpistas no bloco de oposição liderado pelo PSDB. Para o PMDB, favorecido como o fiel da balança de todos os governos eleitos após o pacto de elites que pôs fim à ditadura, esta situação instável oferece a possibilidade de um projeto próprio de poder. Por outro lado, a mídia destaca em primeiro plano os escândalos da Petrobrás, para tentar privatizar ainda mais a gestão desta hoje semiestatal e desgastar o governo para obter mais concessões para o capital, passando a impressão de que a velha e sistêmica corrupção inerente ao capitalismo foi inventada pelo PT que, em verdade, manteve sem escrúpulos os esquemas que herdou."

O Brasil vive hoje a continuidade da acirrada disputa observada no segundo turno das eleições presidenciais, entre dois blocos defensores do interesse do capital. Nesta disputa, surge uma proposta de impedimento da Presidente Dilma. O PCB rechaça essa proposta que, apresentada por forças reacionárias, não muda a essência do sistema e não atende aos interesses históricos da classe trabalhadora.

Apesar de o governo do PT, PMDB e seus aliados ter cedido em muitas exigências do grande capital e ter imposto os ajustes para satisfazer ainda mais os banqueiros e rentistas, setores da direita derrotados nas eleições de 2014 e parte da própria base aliada tramam para encurralar o governo e arrancar ainda mais vantagens.

Nunca nos iludimos com o canto de sereia da institucionalidade burguesa e sempre alertamos para o fato de o capital só respeitar a chamada ordem democrática instituída enquanto lhe interessa, estando sempre disposto a lançar mão de qualquer expediente inconstitucional como golpes militares ou se aproveitar das brechas da legalidade burguesa para promover golpes institucionais. Não acreditamos que o núcleo duro do capital esteja insatisfeito com os governos protagonizados pelos petistas. Mas pode ser que resolva acabar a terceirização política que concedeu ao PT, no caso de instabilidade política e econômica, já que este partido não oferece mais a vantagem de administrar bem o capitalismo e, ao mesmo tempo, desmobilizar os trabalhadores.

Esse quadro de debilidade do recente segundo governo Dilma é fruto fundamentalmente do esgotamento do ciclo petista em função de sua opção, em 2003, pela governabilidade parlamentar a qualquer preço, em detrimento da sustentação popular, por parte dos trabalhadores e do movimento de massas com vistas a mudanças estruturais. Como a estabilidade dos governos petistas reside na administração do capitalismo, o agravamento da crise desse sistema constitui o principal fator da atual crise política.

sábado, 14 de março de 2015

Preparando a agressão militar contra a Venezuela

Preparando a agressão militar contra a Venezuela
por Atilio Borón

"Quando um "estado canalha" como os Estados Unidos, que o é por sua sistemática violação da legalidade internacional, profere uma ameaça como a que estamos comentando, é preciso levá-la muito a sério. Especialmente se recordarmos a vigência de uma velha tradição política estadunidense que consiste em realizar auto-atentados que sirvam de pretexto para justificar sua imediata resposta bélica."

Barack Obama, uma figura decorativa na Casa Branca que não pôde impedir que um energúmeno como Benjamin Netanyahu se dirigisse a ambas as câmaras do Congresso para sabotar as conversas com o Irã em relação ao programa nuclear deste país, recebeu uma ordem terminante do complexo "militar-industrial-financeiro": deve criar as condições que justifiquem uma agressão militar contra a República Bolivariana da Venezuela.

A ordem presidencial emitida a poucas horas e difundida pela secretaria de imprensa da Casa Branca estabelece que o país de Bolívar e Chávez "constitui uma infrequente e extraordinária ameaça à segurança nacional e à política exterior dos Estados Unidos", razão pela qual "declaro a emergência nacional para cuidar dessa ameaça".

Esse tipo de declaração geralmente precede agressões militares, seja pelas próprias mãos, como a cruel invasão do Panamá para derrubar Manuel Noriega em 1989, ou a emitida em relação ao sudeste asiático, que culminou com a Guerra da Indochina, especialmente no Vietnã, a partir de 1964. Mas também pode ser o prólogo de operações militares de outro tipo, onde os EUA atuam em conjunto com seus lacaios europeus, reunidos na OTAN, e as teocracias petroleiras da região.

Exemplos: a Primeira Guerra do Golfo, em 1991; ou a Guerra do Iraque, 2003-2011, com a entusiasta colaboração da Grã-Bretanha de Tony Blair e o Estado espanhol do pouco apresentável José María Aznar; ou o caso da Líbia, em 2011, montado sobre a farsa encenada em Benghazi onde supostos "combatentes da liberdade" - que depois se provou que eram mercenários recrutados por Washington, Londres e Paris - foram contratados para derrubar Gadafi e transferir o controle das riquezas petroleiras desse país aos seus amos. 

1968: Ofensiva do Tet anuncia vitória do povo do Vietnã

A barbárie no Vietnam
1968: Ofensiva do Tet anuncia vitória do povo do Vietnã
por RAFAEL GOMES PENELAS


"A Ofensiva do Tet marcou uma significativa virada no conflito apresentando ao mundo a superioridade da resistência do povo em armas. Cinco anos depois, 1973, as tropas ianques foram literalmente enxotadas do Vietnã: 58.220 soldados aniquilados, 1.687 desaparecidos e 303.635 feridos. O povo do Vietnã (e seu milenar histórico de luta contra invasores colonialistas e imperialistas) saiu vitorioso."

Há 47 anos, em 30 de janeiro de 1968, o então presidente ianque Lyndon Johnson foi à imprensa declarar que a invasão imperialista no Vietnã (ou a “Guerra do Vietnã”) teria curta duração, pois o sucesso das operações já era certo. A “paz”, afirmava o general William Westmoreland, estava assegurada e a capitulação de Ho Chi Minh era questão de tempo. Horas depois, Lyndon e as demais “autoridades” militares tiveram que engolir suas próprias palavras. “De surpresa”, a Resistência Vietnamita lançou uma grande ofensiva militar contra os invasores. As imagens do que ficou conhecido como a Ofensiva do Tetcorreram o mundo em tempo real anunciando a futura derrota e a enorme desmoralização que a maior máquina de guerra do mundo sofreria alguns anos depois.

As ações vietnamitas receberam este nome, pois tiveram início na manhã doTet Nguyên Ðán, o primeiro dia do ano no calendário em vigor no país e a data mais importante para a população. Na ocasião, combatentes da Frente Nacional para a Libertação do Vietnã (guerrilheiros sul-vietnamitas alcunhados pelo monopólio internacional da imprensa como “vietcongs”) e do Vietnã do Norte realizaram violentos ataques com o intuito de tomar todo o território e impor severas derrotas para as tropas imperialistas do USA e do governo lacaio do Vietnã do Sul. A ofensiva foi planejada em uma reunião realizada em Hanói, no Norte, no mês de julho de 1967.

Diferentemente da Segunda Guerra Mundial, onde existia maior censura da imprensa, na Guerra do Vietnã centenas de correspondentes tinham a “liberdade” para veicular imagens do conflito diretamente para os lares de milhões de famílias estadunidenses. Ou seja, as imagens da guerra eram exibidas muitas vezes de forma crua, assim como as atrocidades que os soldados ianques cometiam contra a população vietnamita, fazendo crescer rapidamente a opinião pública contrária à permanência do USA no país. Uma das cenas mais impactantes da ofensiva foi a invasão do prédio da embaixada ianque no Vietnã do Sul, fazendo cair por terra a tão propalada superioridade das “intocáveis” tropas invasoras. Entre as imagens mais conhecidas da época também está a do assassinato de um rapaz bem jovem, suposto “vietcong”, de forma sádica com um tiro na cabeça por um oficial do Sul.

História colombiana: conflitos entre liberais e conservadores

Jorge Eliécer Gaitán
História colombiana: conflitos entre liberais e conservadores ( Parte 2 )
por Ana Maria Saldanha -  Opera Mundi -

"Se os liberais assumem a presidência em 1930, apesar da agudização dos confrontos classistas, tal fato não quer dizer que o poder político não estivesse ao serviço da grande burguesia estrangeira, nomeadamente estadunidense. Assim, também o poder político liberal se submeteu ao imperialismo americano que então se impunha no mundo."
Nos primeiros anos do século 20, a disputa entre liberais e conservadores foi acompanhada pelo surgimento das primeiras organizações de camponeses e operários.

A assunção da presidência da República da Colômbia por Enrique Olaya em 1930 vai inaugurar uma nova etapa de conflitos entre liberais e conservadores, que, geograficamente, se centra, sobretudo, em Santander e em Boyacá (verificando-se, igualmente, algumas ressonâncias em Cundinamarca e Antioquia).

A escalada de violência, sobretudo nas áreas rurais, vai, contudo, gradualmente, alargando-se, criando uma brecha crescente entre os dois partidos de poder:

Antioquia recorda com pavor os motins citadinos: em Támesis tomou o povoado num domingo, depois de obstruir as entradas da praça; em Porto Rico, “Buñuelo” – um superexaltado – deixa rastros de máxima barbárie; na praça de Jericó cai gente assassinada com crueldade; em Caramanta se registram numerosas vítimas (Guzman Campos e al., 1962 [2005], p. 40).

Ora, para além de coincidir com o auge das lutas operárias e campesinas, a ascensão ao poder dos liberais vai, igualmente, impulsioná-las. Nos departamentos de Cundinamarca e de Tolima registram-se agudos conflitos rurais, relacionados quer com as condições precárias de trabalho, quer com a propriedade e uso da terra; afirma um dirigente campesino da época: “A arroba de café com que trabalhávamos não era de quinze medidas, mas de doze, mas a arroba que comprávamos no comissariado da fazenda não era de quinze medidas, mas de dezoito” (Isauro Yosa in Navarro, 2014).

Na primeira metade do século XX, a estrutura agrária colombiana era muito diversa: havia o latifundio ganadero na costa Atlântica e em algumas partes dos Llanos Orientais, as fazendas de café em diferentes zonas do país (sobretudo nos departamentos de Tolima, Cundinamarca, Santander, Antioquia e Caldas – Eje cafetero), o minifúndio em Boyacá, Cundinamarca e Nariño e as zonas de colonização (nomeadamente nas fronteiras agrícolas).

sexta-feira, 13 de março de 2015

«Caça às bruxas» na Ucrânia

Comunistas ucranianos denunciam fascistização do país
«Caça às bruxas» na Ucrânia
por Jornal Avante

"Na Ucrânia de hoje, criticar o presidente ou o parlamento é sinônimo de ir para uma prisão. Chamar a atenção para a falta de eficiência dos funcionários – é ir para uma prisão. Denunciar a corrupção significa pôr em risco a credibilidade das autoridades – prisão com eles. Não gostar dos gangues de ultras e dos tumultos nazis no país significa criticar a “associação de cidadãos”. É punível com uma pena de prisão."

"o Partido Comunista – a única força política que realmente luta contra o poder absoluto dos oligarcas e protege os direitos dos trabalhadores. O único partido que pede paz e a preservação da integridade territorial da Ucrânia. O único partido que resiste à propagação do fascismo e do nacionalismo das cavernas"

O Partido Comunista da Ucrânia denuncia estar a ser alvo de uma «caça às bruxas» por parte do governo, e de estar em curso um processo que criminaliza a contestação das forças democráticas e antifascistas, próprio de qualquer ditadura.

O dirigente dos comunistas ucranianos Petro Symonenko acusa a junta oligárquica que tomou o poder no país de pretender legitimar a repressão política, o que equivale a transformar a crítica às autoridades numa ofensa crime. Num comunicado divulgado dia 2, Symonenko afirma que «com a “caça às bruxas” em curso, com a perseguição ao Partido Comunista (PCU), o regime tenta proibir progressivamente a ideologia comunista», mas também, com um novo projecto de lei apresentado no Parlamento, criminalizar «qualquer crítica ao governo ou aos seus representantes».

A 16 de Janeiro de 2014, quando os parlamentares em funções à época aprovaram «normas contra os distúrbios armados massivos, a tomada violenta de edifícios do governo, etc.», idênticas às que «estão em vigor na Europa e América», estas foram prontamente rotuladas pela União Europeia e pelos EUA, numa verdadeira «onda de histeria», de «leis draconianas», lembra Petro Symonenko. Passado um ano sobre o golpe fascista de 21 de Fevereiro, não se ouve uma palavra sobre os atentados à democracia.

«Hoje, na Ucrânia, as autoridades e serviços especiais decidiram arvorar como legal o ultraje que considera que quaisquer protestos, seja contra o não pagamento de salários, o aumento de bens essenciais, as arbitrariedades da polícia, são um ataque à integridade do Estado, e transforma quem os pratica em “separatistas” e “inimigos do Estado” – refere o dirigente comunista.