Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O ano em que o capitalismo real mostrou a que veio

O ano em que o capitalismo real mostrou a que veio
POR JEROME ROOS
"O gerenciamento da desordem — este se torna o principal paradigma do governo sob o neoliberalismo. Em vez de confrontar diretamente as causas subjacentes à instabilidade política, à catástrofe ecológica e aos problemas sociais endêmicos, o Estado de controle considera “mais seguro e útil tentar administrar seus efeitos.” Assim, em vez de combater as obscenas desigualdades de riqueza e poder no coração do capitalismo financeiro, o Estado de controle cada vez mais recorre à polícia contra o precariado. Em vez de reverter a exclusão social e a marginalização econômica de minorias historicamente oprimidas, o Estado de controle há muito resolveu hostilizar, assassinar e encarcerar essas pessoas. Em vez de acabar com a pobreza e a guerra, o Estado de controle agora promete construir novos muros e cercas para manter afastados, os indesejados migrantes e refugiados. Resumindo, em vez de tentar enfrentar os conflitos e crises multifacetados que a humanidade enfrenta pelas suas causas mais profundas, o Estado de controle se contenta em apenas gerenciá-los."
Nota do Mafarrico: A publicação de qualquer documento no Mafarrico Vermelho não implica a nossa total concordância com o seu conteúdo. Poderão ser publicados neste sítio, como é o caso deste artigo,  opiniões com as quais não concordamos em diversos pontos, desde que, sirvam para esclarecer as pessoas comuns o funcionamento da barbárie Capitalista.....

Nós vivemos em um mundo de ponta-cabeça. Como recentemente colocou um meme amplamente compartilhado, “tudo que nós temíamos acerca do comunismo — que perderíamos nossas casas e economias e seríamos forçados a trabalhar eternamente por salários miseráveis, sem ter voz no sistema — aconteceu sob o capitalismo.” Longe de levar a uma maior liberdade política e econômica, como seus acólitos e a intelligentsia sempre alegaram que seria, o triunfo definitivo do projeto neoliberal se deu de mãos dadas com uma expansão dramática da vigilância e controle estatal. Há mais pessoas no sistema penitenciário dos Estados Unidos do que havia nos Gulags, no auge do terror stalinista. Os servidores da NSA agora podem capturar 1 bilhão de vezes mais dados do que o Stasi jamais pôde. Quando o muro de Berlim veio abaixo em 1989, havia 15 muros dividindo fronteiras ao redor do mundo. Hoje são 70. Em muitos aspectos, o futuro distópico dos romances e do cinema já acontece.

Em sua aposta faustiana de reestruturar sociedades inteiras, alinhada às prerrogativas do lucro privado e crescimento econômico infinito, o neoliberalismo sempre colocou  a mão de ferro do estado firmemente ao lado da mão invisível do mercado. No despertar da crise financeira global, contudo, este conluio entre os interesses privados e o poder público se radicalizou. Giorgio Agamben escreve que estamos testemunhando “a paradoxal convergência, hoje, entre um paradigma absolutamente liberal na economia e um controle estatal e policial sem precedentes, igualmente absoluto.” Ao traçar as origens deste paradigma no surgimento da polícia e a obsessão burguesa em relação à segurança na Paris pré-revolucionária, Agamben observa que “o passo radical foi dado apenas nos nossos dias e ainda está em processo de realização plena.”

Os ataques terroristas de 11/9 e as consequências da Grande Recessão desempenharam um papel importante na catalisação desses desdobramentos, acelerando a “desdemocratização” do Estado em curso e forjando a natureza fundamentalmente coerciva do neoliberalismo em crescente alívio. O resultado, para Agamben, foi o surgimento de uma nova formação política que opera de acordo com sua própria lógica:

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Losurdo e a atualidade da luta de classes

Losurdo e a atualidade da luta de classes
Por Miguel Urbano Rodrigues

"O liberal Staurt Mill identificou no Império Britânico o prólogo de uma futura comunidade universal e da cooperação e a paz entre os povos. Para ele, nenhum outro povo encarna como o britânico a causa da liberdade e da moralidade internacional, e pretende justificar esta monstruosa opinião afirmando que as populações atrasadas têm o máximo interesse em integrar-se a esse império para evitar sua absorção por qualquer outro estado colonizador. Sua conclusão é que muito em breve as guerras seriam impossíveis. Losurdo, obviamente, ridiculariza e pulveriza o discurso imperialista de Stuart Mill.

Diferentes, porém igualmente absurdas, são as opiniões sobre a transformação do mundo de Hannah Arendt e do filósofo Habermas. A sionista americana qualifica a luta de classes de “pesadelo”. Para ela, a ciência e a tecnologia estavam contribuindo com o advento de uma nova ordem mundial.

A história desmente esta esperança. Losurdo cita dois exemplos. A introdução no Sul dos Estados Unidos da máquina separadora de algodão não afetou minimamente, segundo ele, o trabalho escravo. Se em 1790 o total de escravos ascendia a 697.000, em 1861, vésperas da Guerra de Secessão, ultrapassava os 4 milhões. Na Índia, em 1864, o governador geral definia como uma catástrofe social a introdução da maquinaria algodoeira que arruinou milhões de tecelões hindus. “Dificilmente, escreveu, na história do comércio tem comparação tamanha miséria”."

Losurdo é um comunista pouco comum hoje. Decepcionado com a Rifondazione Comunista, aderiu ao jovem Partido dos Comunistas Italianos. Repudia qualquer tipo de dogmatismo. Fiel aos ensinamentos de Marx e Lenin, se distancia do dogmatismo subjetivista que durante décadas alcançou muitos partidos comunistas que, afirmando-se marxistas, negavam na prática a opção ideológica.

A editora El Viejo Topo publicou, em 2014, em castelhano, seu último livro, La Lucha de Clases. Una Historia Política y Filosófica [A Luta de Classes. Uma História Política e Filosófica].* É um ensaio difícil, às vezes pesado, porém fascinante por sua lucidez e criatividade. O discurso de Losurdo sobre a luta de classes é oportuno e atualíssimo nestes tempos de confusão ideológica promovida pela intelectualidade burguesa e por um sistema midiático a serviço do capitalismo.

DO MANIFESTO À ESCRAVIDÃO

Na introdução, o autor recorda que o Manifesto Comunista, já desde seu começo afirmava que “A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história da luta de classes”. No primeiro capítulo, Losurdo comenta o marco europeu e mundial de exploração do homem que deu origem ao Manifesto Comunista e à reflexão de Marx que desembocou na teoria da luta de classes. O choque entre opressores e oprimidos tornaria inevitável uma luta de classes para a emancipação das vítimas.

R$ 400 bi para o pagamento de juros. Veja quem realmente quebrou o Estado brasileiro

R$ 400 bi para o pagamento de juros. Veja quem realmente quebrou o Estado brasileiro
Por Ladislau Dowbor, no Outras Palavras, publicado em 22/11/2016
"A política econômica do governo atual está baseada numa imensa farsa: a de que as políticas redistributivas da era progressista quebraram o país enquanto o novo poder, com banqueiros no controle do dinheiro, iriam reconstruí-lo."

"Aqui são praticamente 400 bilhões de reais que poderiam se transformar em investimentos de infraestruturas e em políticas sociais, apropriados não por produtores, mas sim essencialmente por intermediários financeiros como bancos, fundos e inclusive aplicadores estrangeiros, gerando o rombo que agora vivemos e que aumenta ainda mais em 2016, pois continuamos com banqueiros no controle do sistema."

"Aliás, dizer que os presentes trambiques se espelham no modelo da boa dona de casa constitui uma impressionante falta de respeito."

Examine os números: gasto social é moderado, enquanto pagamento de juros explode. País entra em crise — e governo mantém justamente as despesas mais devastadoras

Você provavelmente se sente perplexo frente à situação econômica do país. Está em boa companhia.

Quem é que entende de resultado primário, de ajuste fiscal e outros termos que povoaram os nossos noticiários?

A imensa maioria balança a cabeça de maneira entendida, e faz de conta.

Pois vejam que realmente não é complicado entender, é só trocar em miúdos. E com isso o rombo fica claro.

Aqui vai a conta explicitada, não precisa ser economista ou banqueiro. E usaremos os dados do Banco Central, a partir da tabela original, pois confiabilidade, nesta era melindrada, é fundamental. Para ver os dados no próprio BC, é só clicar aqui.

A política econômica do governo atual está baseada numa imensa farsa: a de que as políticas redistributivas da era progressista quebraram o país enquanto o novo poder, com banqueiros no controle do dinheiro, iriam reconstruí-lo.

Segundo o conto, como uma boa dona de casa, vão ensinar responsabilidade, gastar apenas o que se ganha.

A grande realidade é que são os juros extorquidos pelos banqueiros que geraram o rombo. A boa dona de casa que nos governa se juntou aos banqueiros e está aumentando o déficit.

Os dados publicados pelo Banco Central mostram a imagem real do que está acontecendo.

A tabela, tal como aparece no site do Banco Central, parece complexa, mas é de leitura simples.

Na linha IX, Resultado primário do governo central é possível acompanhar a evolução dos números.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Engels: "Barbárie e Civilização"

"Barbárie e Civilização"
escrito por Friedrich Engels
"O desenvolvimento de todos os ramos da produção — criação de gado, agricultura, ofícios manuais domésticos — tornou a força de trabalho do homem capaz de produzir mais do que o necessário para a sua manutenção. Ao mesmo tempo, aumentou a soma de trabalho diário correspondente a cada membro da gens, da comunidade doméstica ou da família isolada. Passou a ser conveniente conseguir mais força de trabalho, o que se logrou através da guerra; os prisioneiros foram transformados em escravos. Dadas as condições históricas gerais de então, a primeira grande divisão social do trabalho, ao aumentar a produtividade deste, e por conseguinte a riqueza, e ao estender o campo da atividade produtora, tinha que trazer consigo — necessariamente — a escravidão. Da primeira grande divisão social do trabalho, nasceu a primeira grande divisão da sociedade em duas classes: senhores e escravos, exploradores e explorados"
Acompanhamos o processo de dissolução da gens nos três grandes exemplos particulares dos gregos, romanos e germanos. Para concluir, pesquisaremos as condições econômicas gerais que na fase superior da barbárie minavam já a organização gentílica da sociedade, e acabaram por fazê-la desaparecer, com a entrada em cena da civilização. Para isso, O Capital de Marx vai nos ser tão necessário quanto o livro de Morgan.

Nascida a gens na fase média do estado selvagem, e desenvolvida na fase superior, ela alcançou seu apogeu, segundo nos permitem julgar os documentos de que dispomos, na fase inferior da barbárie. Por essa última, portanto, começaremos a nossa investigação. 

Nela, onde os peles-vermelhas americanos vão-nos servir de exemplo, encontramos a constituição gentílica completamente desenvolvida. Uma tribo se divide em diversas gens, comumente em duas; com o aumento da população, cada uma das gens primitivas se subdivide em várias gens filhas, para as quais a gens-mãe persiste como fratria; a própria tribo se subdivide em várias tribos, em cada uma das quais, na maioria dos casos, vamos achar as antigas gens; uma confederação, pelo menos em certos casos, une as tribos aparentadas. 

Essa organização simples é inteiramente adequada às condições sociais que a engendraram. Não é mais do que um agrupamento espontâneo, capaz de dirimir todos os conflitos que possam nascer no seio da sociedade a que corresponde. Os conflitos exteriores são resolvidos pela guerra, que pode resultar no aniquilamento da tribo, mas nunca em sua escravização. A grandeza do regime da gens — e também a sua limitação — é que nele não cabiam a dominação e a servidão. Internamente, não existem diferenças, ainda, entre direitos e deveres; para o índio não existe o problema de saber se é um direito ou um dever tomar parte nos assuntos de interesse social, executar uma vingança de sangue ou aceitar uma compensação; tal problema lhe pareceria tão absurdo quanto a questão de saber se comer, dormir e casar é um dever ou um direito. Nem podia haver, na gens ou na tribo, divisão em diferentes classes sociais. E isso nos leva ao exame da base econômica dessa ordem de coisas. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A pirâmide da riqueza global

Um por cento dos adultos possui 51% da riqueza mundial; 10% possuem 89% e os 50% de baixo possuem apenas 1%
por Michael Roberts
"Na verdade, o número de milionários, o qual caíra em 2008, manifestou uma rápida recuperação após a crise financeira e é agora mais do que o dobro do seu número de 2000. Há agora 32,9 milhões de milionários globalmente, isto é, adultos com mais de US$1 milhão em propriedade ou poupanças líquidas de dívida. Na verdade, há apenas 140.000 pessoas no mundo todo que têm mais do que US$50 milhões em riqueza. E há agora mais de 2000 bilionários – estas são as pessoas que realmente possuem o mundo."

Um por cento dos adultos do mundo possui 51% de toda a riqueza mundial, ao passo que a metade dos adultos da base possui apenas 1%. Na verdade, os 10% dos adultos do topo possuem 89% de toda a riqueza mundial! Este é o novo número obtido para 2016 pelo relatório anual sobre a riqueza global do Credit Suisse . A cada ano o Credit Suisse apresenta este relatório, assinado pelo Professor Tony Shorrocks, James Davies e Rodrigo Lluberas, os quais costumavam fazê-lo para a ONU. Informo sobre os resultados todos os anos e habitualmente este é um dos artigos mais populares que escrevo.

Da última vez que discuti os resultados do Credit Suisse, os 1% do topo tinham 48% da riqueza mundial . Assim, no último ano e meio, a desigualdade mundial aumentou outra vez. As fatias dos 1% e 10% do topo quanto à riqueza mundial caíram entre 2000 e 2007. Exemplo: a fatia do percentil do topo declinou de 50% para 46%. Contudo, esta tendência foi revertida após a crise financeira e as fatias do topo retornaram aos níveis observados no princípio do século.

Lições da NEP soviética para «Economia Socialista de Mercado» da China Popular

Lições da NEP soviética para «Economia Socialista de Mercado» da China Popular
por Thomas Kenny*

"Este meu documento partilha a visão de que a NEP é na verdade uma precursora da ESM. Chego à conclusão, no entanto, não de que a NEP fosse o êxito, o precursor abortado da ESM, mas ao contrário de que a NEP conta-nos antecipadamente as contradições e limites da ESM."

"Ambas promovem mecanismos de mercado, propriedade privada, competição, integração na economia capitalista externa. Seus resultados seguiram a mesma sequência. Ambos, após o êxito inicial, entraram numa crise porque eram auto-contraditórias. Em teoria, eram as mesmas. Elas avançaram e cumpriram a restauração das forças produtivas deslocando-se para trás, para relações capitalistas de produção historicamente ultrapassadas, discordantes dos objectivos socialistas de um estado dos trabalhadores. Finalmente, as suas crises foram as mesmas"

Escritores marxistas ocidentais de vários pontos de vista asseveram que a Nova Política Económica (NEP) prenunciou a economia socialista de mercado (ESM). Um escritor observou: "A ordem social que actualmente se considera válida na China apresenta-se como uma espécie de NEP gigantesca e expandida" (Losurdo 2000, 498). De forma semelhante, um panfleto recente dos comunistas britânicos comparou a China dos dias actuais, com sua economia socialista de mercado, ao NEP da Rússia Soviética na década de 1920. "Em defesa do NEP, Lenine elaborou muitos dos mesmos pontos que Deng Xiaoping e representantes do Partido Comunista Chinês elaboram hoje... Naturalmente, a China no último quarto do século XX não era a Rússia no primeiro quarto. Mas as suas crises apresentam sintomas semelhantes. E os seus remédios assemelham-se fortemente um com o outro" ( China's Line of March 2006, 32). [1]

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A histérica campanha em torno da libertação de Alepo


Jovem Cristã estuprada e assassinada por "rebeldes moderados Sírios"
Histeria
por Jorge Cadima
"O sofrimento do povo de Alepo foi real. Nos dois lados da cidade, e não apenas a Leste. Foi-o, porque o imperialismo (dos EUA e da UE) optou desde o início pela militarização dos protestos de 2011, armando e financiando bandos terroristas para efetuar a 'mudança de regime' tantas vezes exigida publicamente pelos Obama/Clinton, Hollande, Cameron e companhia. A guerra na Síria não é 'civil'. É uma guerra de agressão externa, que visa destruir e fragmentar o país, para melhor controlar os enormes recursos da região." 
"Nada disto é novo. Em 1957 «Harold MacMillan [PM inglês] e o presidente [dos EUA] Dwight Eisenhower aprovaram um plano [dos seus serviços secretos] CIA-MI6 para encenar falsos incidentes, como pretexto para uma invasão da Síria pelos seus vizinhos pró-ocidentais», conforme documentos oficiais descobertos em 2003 (Guardian, 27.9.03). Até a linguagem parece actual: «O plano prevê a criação dum 'Comité da Síria Livre' e o armamento de 'facções políticas com capacidades paramilitares [...]' dentro da Síria. A CIA e o MI6 instigariam levantamentos internos». "

A histérica campanha em torno da libertação de Alepo é elucidativa. Longe de celebrar o fim de quatro anos de guerra nessa grande cidade síria, os meios de comunicação, governos e parlamentos das potências imperialistas ficaram histéricos com a derrota daqueles a quem o ex-chefe das tropas da NATO na guerra contra a Jugoslávia, general Wesley Clark, chamou (literalmente) «os jihadistas 'bons' financiados pelos nossos aliados» (USA Today, 11.2.16). 

Os 'jihadistas bons' de Wesley Clark são aqueles que decapitam crianças, ao mesmo tempo que recebem apoio militar dos EUA (BBC, 21.7.16). São os que comem as entranhas de soldados sírios que acabaram de matar, naquilo que a BBC apelidou de 'canibalismo ritual' (BBC, 5.7.13), e são depois entrevistados pela comunicação social inglesa para se «explicarem» (Telegraph, 19.5.13). 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Google, Trump e o futuro da propaganda

Google, Trump e o futuro da propaganda
por Jornal Avante
"Outra inovação da micro-propaganda digital é a sua natureza dinâmica. Ao bombardear os eleitores com propaganda personalizada, é possível gerar níveis de interação que alteram o nosso perfil na Internet, convencendo o Google de que «gostamos» dessa opção política. Um dos feitos mais impressionantes da campanha de Trump foi gerar uma nuvem de centenas de sites de propaganda, notícias falsas e depósitos de «conteúdos» sem qualquer credibilidade capazes, no entanto, de competir de igual para igual com gigantes como a CNN. O segredo destes sites consiste precisamente em surgir primeiro nos motores de busca explorando o que a Internet pensa que somos.

De uma prisão fascista, António Gramsci parecia ver a lonjura dos nossos tempos: «o velho mundo está a morrer e o novo luta por nascer: este é o tempo dos monstros», escreveu. Os efeitos cognitivos e ideológicos da apropriação capitalista da Internet, ainda na infância histórica, têm o potencial de multiplicar os monstros e reduzir o que nós somos ao que a Internet pensa que somos."

Quando, há cerca de um mês, Donald Trump venceu as presidenciais estado-unidenses, a maioria dos órgãos de comunicação social do planeta constataram que não tinham uma única boa explicação para o sucedido. Então, num espetáculo de leitura constrangedora, milhares de comentadores, colunistas e «especialistas» fizeram o que sabiam: perguntaram à Internet uma qualquer variante de «por que venceu Trump?» e deixaram que o Google desse a resposta. 

O resultado foi uma avalanche de notícias falsas e explicações desprovidas de base científica: não, não foram os operários do Cinturão da Ferrugem quem deu a Casa Branca a Trump; é mentira que os trabalhadores mais pobres se tenham virado para o Partido Republicano e todas estatísticas que atribuem o ônus à cor da pele, ao sexo ou à habilitação literária esquecem-se de que Mitt Romney perdeu as eleições de 2012 com mais votos do que Trump e um eleitorado idêntico. Mas, com este péssimo exemplo de informação desinformada, a comunicação social da classe dominante conseguiu, acidentalmente, revelar um dos segredos da vitória de Trump: a Internet como arma de desinformação individualizada.

Num excelente trabalho de investigação do The Guardian, publicado na semana passada, a jornalista Carole Cadwalladr constata que o Google parece querer conduzir-nos para sites de neofascistas, portais de notícias falsas e organizações de direita. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Como o sistema financeiro captura a Humanidade através da dívida

Como o sistema financeiro captura a Humanidade através da dívida
por Grazia Tanta

"Para superar as suas dificuldades de acumulação, o capitalismo altamente globalizado, alicerçado numa competição acerba entre as multinacionais, provoca uma encarniçada luta pelos recursos do planeta que transforma enormes áreas em cenários de guerra e devastação ambiental."

"A sua existência tem-se baseado na pressão sobre os custos de trabalho e na necessidade de investimento para a produção de bens e serviços, para vencer a concorrência; como elementos para incrementar a acumulação de capital."

"Para essa competição na venda de bens e serviços são essenciais políticas de rebaixamento dos custos do trabalho, em termos de salário efetivo, como ainda um prolongamento das jornadas de trabalho, em contradição total com a produtividade que o desenvolvimento tecnológico tem permitido."

"Criam-se assim bolsas enormes de desempregados e subempregados, trabalhadores sem-papéis, pobres ou precários, para além de reformados pressionados pelo assalto que se vem efetuando aos valores acumulados de descontos para os sistemas de segurança social. Constituem-se ainda enormes segmentos de trabalhadores em funções burocráticas estupidificantes e mal pagas, como é norma geral na burocracia. Aqueles, preenchem aparelhos militares e policiais sem funções que não a prevenção de ameaças ao poder do capital; sistemas judiciários e fiscais atolados em casos de crime, conflitualidade comum, cobranças, coimas e multas; gigantescos aparelhos administrativos, publicitários ou de vendas das multinacionais, replicados por pequenas e médias empresas; funções de vigilância em edifícios e locais públicos; de tratamento de dados, etc. Para o capitalismo de hoje, existem claramente, demasiados seres humanos no planeta."

A dívida, ao tornar-se perpétua constitui uma renda que alimenta o parasitismo capitalista. Quer seja aquela que subscrevemos, quer seja aquela que a classe política nos endossa com o rótulo de dívida pública, por encomenda do sistema financeiro.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Quem inventou a “Pós-verdade”?

Quem inventou a “Pós-verdade”
POR NEIL CLARK
"Vê-se aí um padrão bem claro. Para obter apoio das populações para suas guerras ilegais para mudança ilegal de regime, o establishment ocidental promove ativa e empenhadamente incontáveis “falsas notícias”, como se fossem notícias não falsas. Para assegurar a “credibilidade” das notícias realmente falsas, elas são publicadas em veículos indiscutivelmente “sérios” e passam a ser regularmente repetidas por quantos comentaristas intervencionistas golpistas o dinheiro consiga comprar, como a causa “indiscutível” da importância e da urgência de se agir contra o tal Estado alvo. Fontes “anônimas” são sempre citadas nessas histórias, a maioria das quais, como a Operação Apelo de Massa do MI6, são muito frequentemente plantadas pelos serviços de segurança.

Simultaneamente, uma vasta brigada de atiradores de teclado de laptops neoliberais põe-se a esbravejar que “alguma coisa tem de ser feita”; e é a mesma multidão “ética” e “indignada”, vale anotar, que acusa os políticos ditos “populistas” de ignorarem “fatos objetivos” e manipularem as emoções populares.

As notícias falsas continuam no ar por todo o tempo que dure a operação de mudança de regime. Depois que passa, todos passamos a ouvir que temos de esquecer para sempre as notícias falsas das manchetes da véspera, porque temos de concentrar todas as energias contra o próximo “novo Hitler” que brote da boca da mesma Hillary. Em 2011 foi Gaddafi; hoje são Assad e o desprezível Putin que, nos dizia sempre a mesma (ex-)Hillary: “têm de ser detidos.”"

"Depois de distorcer sistematicamente os fatos, velha mídia queixa-se da enxurrada de mentiras difundidas nas redes sociais. Faz sentido: os oligopólios não toleram concorrência"

“Querem me dizer que esse gás sarín não existe?!”
(General Collin Powells, exibindo uma “prova” na ONU)


Os Dicionários Oxford escolheram “pós-verdade” como a palavra do ano. “Notícias falsas” e política “pós-verdade” foram declaradas culpadas pelo resultado a favor de o Reino Unido separar-se da UE, e pela vitória de Donald Trump nos EUA.

Como se a plebe analfabeta e burra caísse nas “falsas notícias” que os infelizes leem na “nova mídia” e nas mentiras da perigosíssima gangue de políticos ditos populistas que só investem nas emoções mais baixas, não em “fatos objetivos”, para angariar votos. Fenômeno terrivelmente preocupante, que ameaça diretamente a civilização ocidental como a conhecemos.

Bem, bem, perdoem-me por não segurar uma gargalhada. Porque ver o establishment assim tão preocupado com “notícias falsas”/”política pós-verdade” é a piada mais engraçada que me aparece desde que Lord Jenkins of Hillhead, imponente reitor da Universidade de Oxford, várias vezes, repetidamente, chamou seu ilustre hóspede do Sheldon, Mikhail Gorbachev, de “Mr. Brezhnev.”

A Grã-Bretanha e os EEUU ou antecedentes históricos da transformação da Inglaterra em "poodle" dos EUA

A Grã-Bretanha e os EEUU
por I. Taigin
Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 1 - Agosto de 1947 .
"Qual a verdadeira finalidade do bloco anglo-americano? Os indivíduos do tipo de Churchill e seus amigos na Inglaterra e nos Estados Unidos são bastante francos sobre este particular. Fundamentalmente, estabelecer a “liderança” das potências anglo-saxônicas no mundo de após guerra, ou, em outras palavras, trata-se de um plano, levado adiante por influentes círculos monopolistas, no sentido de estabelecerem conjuntamente a hegemonia mundial.

Os fatos demonstram que este plano já ultrapassou a fase preparatória. Cada vez mais toma o aspecto de uma política definida. Não é necessário dizer que esta política, fazendo alarde de um modelo de luta anti-comunista, é fundamentalmente prejudicial à independência e soberania de todas as nações, grandes e pequenas, que não querem aceitar a posição de domínio ou cliente do bloco anglo-saxão. "
1 — Três Fases nas Relações Anglo-Americanas

Em linhas gerais, a história das relações anglo-americanas desde o começo da Segunda Guerra Mundial pode ser dividida em três fases perfeitamente definidas. A primeira abarca o período inicial da guerra — do ataque da Alemanha à Polônia até 22 de junho de 1941. Foi a época em que a Inglaterra dependia quase inteiramente dos Estados Unidos, especialmente após o colapso da França. Neste período a Inglaterra não dispunha nem de exército nem de armamentos. Faltavam-lhe alimentos e matéria prima estratégica. Sua indústria começava apenas a ser convertida em indústria de guerra. Mas os Estados Unidos já haviam declarado publicamente sua inteira simpatia pela Inglaterra na luta contra a Alemanha, e Roosevelt proclamara que os Estados Unidos eram o "arsenal da democracia".

No verão de 1940 a Inglaterra recebia dos Estados Unidos uma grande quantidade de fuzis (faltavam-lhe até fuzis neste período), e logo em seguida 50 destróieres americanos em troca de bases nas possessões inglesas das ilhas Caribe e outros lugares. Recebeu também dos Estados Unidos motores, máquinas, matérias alimentícias e outros gêneros indispensáveis ao esforço de guerra. Por outro lado, a Inglaterra teve que desembolsar fundos para pagar tudo o que recebia dos Estados Unidos (a lei de empréstimos e arrendamentos não havia sido ainda aprovada). Em realidade, isto significava a transferência para os norte-americanos das inversões inglesas nos Estados Unidos.

Inquietos com esses fatos, muitos ingleses diziam então que se as coisas continuassem naquele pé a Inglaterra poderia encontrar-se no fim da guerra como que "anexada" aos Estados Unidos sob o ponto de vista econômico. Entretanto, a situação da Inglaterra após a derrota da França obrigou-a a orientar-se no sentido da poderosa república de além mar. Por sua vez, muitos americanos diziam francamente que após a guerra a Grã-Bretanha se tornaria a sentinela avançada na Europa de uma grande Federação Anglo-Saxônica, cujo centro estaria em Washington.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A teoria Leninista sobre o Imperialismo

A teoria Leninista sobre o Imperialismo - 
Guia da luta dos Comunistas
por Giorgos Marinos*
"A identificação do imperialismo (apenas) pela política externa agressiva dos estados capitalistas fortes e o desvincular do político do econômico (monopólio) conduz à profundamente errada separação da luta anti-imperialista da luta anticapitalista."

"Da experiencia acumulada nos estados capitalistas confirma-se a posição leninista sobre a decomposição do capitalismo na etapa imperialista. Os fenômenos de decomposição, escândalos etc. proliferam, mas é necessária atenção uma vez que é obvio que a decomposição não conduz diretamente ao colapso do capitalismo, o sistema defende o seu poder. por todos os meios E portanto é necessário intensificar os esforços dos Partidos Comunistas para o fortalecimento da luta ideológica, política e de massas, para a formação da consciência de classe da classe operária com uma estratégia que favoreça o desenvolvimento da luta antimonopolista-anticapitalista para que, sobre uma base forte se faça um esforço sistemático de concentração e preparação de forças operarias e populares numa direção de ruptura e derrubamento."

"Lenine comprovou na prática que a luta contra o oportunismo é um elemento essencial da luta contra o imperialismo-capitalismo, para o seu derrubamento."
Giorgos Marinos chama a atenção para a mudança de posição de alguns partidos comunistas. Em vez de lutarem pelo derrubamento do capitalismo, esses partidos adotam posições reformistas e defendem estratégias de recuperação da soberania e da independência no âmbito do capitalismo. Na América Latina apoiam governos que se intitulam de esquerda, mas são de gestão burguesa.

A cada dia que passa confirma-se que a complexidade dos desenvolvimentos económicos e políticos, a nível internacional e nacional, requere uma tentativa muito séria e sistemática de desenvolvimento do trabalho teórico por cada partido comunista e a formação de uma forte infra-estrutura, com capacidade para apoiar a luta ideológica e política independente dos comunistas, a luta dentro dos sindicatos, dentro do movimento operário e popular.

Uma tarefa estável e permanente é estudar o desenvolvimento do sistema imperialista-capitalista e os seus escalões, os estados capitalistas, a avaliação exacta de cada país no sistema imperialista, para que a formulação da estratégia e da táctica revolucionárias sejam baseadas nos dados reais e objectivos que ressaltam na nossa época, época de transição do capitalismo ao socialismo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Brasil - Chamemos a coisa pelo nome: pilhagem, rapinagem, espoliação!

Chamemos a coisa pelo nome: pilhagem, rapinagem, espoliação!
Por Felipe Brito.
"a apropriação não pela produção, mas pela desapropriação, é uma tendência da economia mundial do século XXI”[19], lembrando que o atual contexto de crise é marcado pela super-produção (e não sub-produção). A lógica monetária é extravasada para os mais diversos e moleculares escaninhos da vida cotidiana, exprimindo, assim, uma monstruosa pretensão (potencialmente) totalitária de domínio do mundo “natural” e “sociocultural”, ou seja, das “condições objetivas” e “subjetivas”.

Seguindo esse fio condutor conceitual, a atual prioridade rentista no circuito de reprodução capitalista, em um contexto na qual a maioria esmagadora dos fluxos econômicos globais tem procedência financeiro-especulativa, pode ser tomada como expressão fundamental da acumulação por despossessão. A abrangência de formas de obtenção de renda vinculadas à propriedade de ativos financeiros diversos (como títulos da dívida pública), patentes, terra, imóveis etc. é impressionante.

"Esse contexto econômico-político-cultural assenta-se sobre uma super-acumulação de capital na forma monetária (um dos indícios da crise estrutural de super-acumulação do capitalismo). Nele não é possível delimitar, com exatidão, onde começa e termina o “setor especulativo” e a “acumulação real”. Isso não quer dizer que não exista um setor capitalista industrial e um setor capitalista financeiro, nem focos localizados de contradições entre ambos. Mas, constitui projeção fantasiosa contrapor, de maneira cabal e enfática, um setor industrial “essencialmente virtuoso” por se concentrar nos “investimentos produtivos” em detrimento de um financeiro-especulativo, que não faz outra coisa senão “parasitar” as riquezas produtivas"

Não é de se estranhar que Temer, Cunha, Jucá, Padilha, Geddel e Moreira Franco, portadores de extraordinárias habilidades para maquinações parlamentares (aplicadas, por exemplo, no recente episódio do impeachment desprovido de crime de responsabilidade) privilegiariam “rotas alternativas” para inviabilizar (na prática) a legislação trabalhista. Por mais elevadas que sejam as dosagens de automatismo na inserção e reprodução sociais, efeito colateral típico de um modelo de produção baseado na acumulação monetária insaciável, no predomínio da abstração econômica (real) sobre a vida, não se ataca a legislação trabalhista sem ônus político. Encontrar subterfúgios para diminuir esse ônus é parte constitutiva da tarefa de esvaziar a regulamentação dos direitos trabalhistas.

Tais “rotas alternativas”/subterfúgios estão condensados em duas medidas: as aprovações legislativas da terceirização irrestrita (ou seja, da possibilidade de empresas estenderem a terceirização também para as chamadas “atividades-fim”) bem como da prevalência de conteúdo “negociado” (por meio de convenções ditas “coletivas”) sobre o legislado. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Refugiados: Mão de obra barata para o Ocidente “humanitário”

Refugiados: Mão de obra barata para o Ocidente “humanitário”
Ernesto Carmona Ulloa - HispanTV/Resumen Latinoamericano

"Segundo um comunicado de imprensa do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, “estamos explorando a criação de zonas econômicas especiais (ZESs, em inglês) e investimentos alentadores em projetos municipais e trabalhos que demandem muita mão de obra”. Segundo a propaganda do Banco Mundial, a meta é ajudar a aliviar as dificuldades a que fazem frente os refugiados na Jordânia, desenvolvendo cinco zonas econômicas especiais ao longo da fronteira síria. “Estamos utilizando uma abordagem holística para dirigir a afluência de refugiados para o desenvolvimento do setor privado”, disse um porta-voz do Banco Mundial citado por Lazare. No entanto, como fez notar Lazare, apesar de suas múltiplas tentativas de obter mais informação do Banco Mundial sobre as ZESs propostas, os detalhes específicos continuam sendo escassos. Além disso, denunciou a história das zonas econômicas especiais existentes na Jordânia (operadas “muitas vezes por companhias de serviço dos EUA sob uma variedade de nomes”), fustigadas pelo tráfico humano, pela tortura e pelo furto do salário."

70 milhões de habitantes de todo o mundo são agora refugiados devido a conflitos em suas nações de origem, segundo a Agência para os Refugiados da ONU.

O informe publicado em junho de 2015 indicou que, em 2014, uma a cada 122 pessoas era um refugiado, um deslocado interno ou um solicitante de asilo; e mais da metade destes refugiados eram crianças.

Enquanto os refugiados sírios explicam o seu maior aumento (estimado em 11,5 milhões), em outras localidades como a Colômbia, parte da África subsaariana e Ásia existem grandes populações de refugiados que não aparecem em nenhum informe. Segundo Antonio Guterres, alto comissionado da ONU para os Refugiados até a data do informe: “estamos presenciando uma mudança de paradigma, uma explosão descontrolada em uma era em que se multiplica a escala de deslocamento global forçado, assim como se restringe claramente a resposta agora requerida, algo nunca visto antes”.

Ainda que a expansão da crise global de refugiados seja coberta pelos meios hegemônicos (incluindo, por exemplo, New York Times e Washington Post), a exploração dos refugiados foi menos coberta. Em fevereiro de 2016, Sarah Lazare publicou um artigo no AlterNet, onde advertiu que o deslocamento seria a solução para a crise da empresa privada e do Banco Mundial. “Sob uma aparência de ajuda humanitária, o Banco Mundial está estimulando as empresas ocidentais a colocar em marcha ‘novos investimentos’ na Jordânia para beneficiar-se da mão de obra dos refugiados sírios. Em um país onde os trabalhadores emigrantes fazem frente à servidão forçada, tortura e furto, existem razões para suspeitar que esta ‘solução’ da crise crescente de deslocamento estabelecerá fábricas onde se explorará o trabalhador fazendo expressamente dos refugiados um alvo de guerra para a hiper exploração”, escreveu Lazare.

Segundo um comunicado de imprensa do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, “estamos explorando a criação de zonas econômicas especiais (ZESs, em inglês) e investimentos alentadores em projetos municipais e trabalhos que demandem muita mão de obra”. Segundo a propaganda do Banco Mundial, a meta é ajudar a aliviar as dificuldades a que fazem frente os refugiados na Jordânia, desenvolvendo cinco zonas econômicas especiais ao longo da fronteira síria. “Estamos utilizando uma abordagem holística para dirigir a afluência de refugiados para o desenvolvimento do setor privado”, disse um porta-voz do Banco Mundial citado por Lazare. No entanto, como fez notar Lazare, apesar de suas múltiplas tentativas de obter mais informação do Banco Mundial sobre as ZESs propostas, os detalhes específicos continuam sendo escassos. Além disso, denunciou a história das zonas econômicas especiais existentes na Jordânia (operadas “muitas vezes por companhias de serviço dos EUA sob uma variedade de nomes”), fustigadas pelo tráfico humano, pela tortura e pelo furto do salário.

Sobre o recrudescimento da repressão e a necessidade de uma nova tática nas manifestações

Sobre o recrudescimento da repressão e a necessidade de uma nova tática nas manifestações
por Rodrigo Ortega

"o discurso de “não violência” de certas organizações é inútil pelos motivos já expostos. Tais organizações são idealistas ao ponto de acreditarem que o aparato repressivo do Estado se juntará à manifestação e se revoltará contra o Estado. O discurso até faz sentido, uma vez que os policiais são trabalhadores e também serão afetados com a aprovação da PEC, entretanto, a polícia é o aparelho repressivo do Estado e é uma instituição criada com o intuito de proteger os interesses do Estado e das classes dominantes que o gerem, eliminando ou reprimindo qualquer elemento que seja desviante das leis e práticas escolhidas, aprovadas e sancionadas pelos patrões."

"Os que são adeptos a não violência e a entregar flores para a polícia estão desligados da realidade, estão com um certo espírito de mártir, espírito que jamais venceu batalha alguma. Os adeptos ao “pacifismo a qualquer custo” logram a revolução pela via institucional, iludem-se com as eleições e com o governismo de coalizão. Acreditam que apenas as armas morais (que possuímos, afinal, estamos defendendo a saúde e a educação pública) são o suficiente para vencer a luta de classes que se agudiza cada dia mais, abrindo mão das demais armas.

A luta de classes se agudiza e a tendência é que a repressão do Estado aumente e seja mais brutal. Os cães estão com as coleiras soltas pois serão blindados pela mídia, pelo judiciário, pelo executivo e pelo legislativo. Essa escalada repressiva violenta nos dá a tarefa de estarmos preparados para os próximos atos."

No último dia 29 de novembro, como é de conhecimento da maioria, houve uma brutal repressão a um ato pacífico contra a PEC 55, a PEC da morte. Para muitos dos presentes, entre famílias de trabalhadores, estudantes universitários e secundaristas e servidores públicos presentes no ato, foi a primeira vez que presenciaram e sofreram tal tipo de repressão perpetrada por parte do Estado.

A brutal violência policial ocorreu sem que os manifestantes tivessem atacado aos policiais, o que demonstra que ordens para acabar com a manifestação pacífica foram dadas e, posteriormente, ministros do governo e o próprio presidente (ilegítimo) aprovaram a repressão.

A violência generalizada iniciada pelos policiais nos demonstra coisas: 1) O discurso pequeno-burguês pacifista de certas organizações é obsoleto na prática, pois mesmo recorrer aos meios jurídicos é inútil, uma vez que todo o aparato do Estado está a serviço do golpe, apesar das contradições internas nas classes dominantes; 2) Se os manifestantes estivessem preparados, não teríamos sido massacrados, mas ao contrário, teríamos ocupado o Congresso Nacional e, até mesmo, adiado a votação. Apenas uma pequena parcela estava preparada para resistir à repressão, um número ínfimo se comparado ao número de manifestantes presentes.

A Aproximação de uma Nova Crise Econômica no Mundo Capitalista - história econômica Maio de 1950

A Aproximação de uma Nova Crise Econômica no Mundo Capitalista
por V. Tcheprakov - Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 26 - Maio de 1950
"O mundo capitalista do após-guerra, dilacerado por contradições internas insolúveis, gera condições de vida impossíveis para a classe operária e para todos os trabalhadores e condena-os à miséria, à fome, ao aniquilamento.

Lançando à rua desempregados em massa, diminuindo os salários, agravando as condições de trabalho (reforçamento do "sweating system") nas fábricas, diminuindo os subsídios de desemprego, o capital monopolista sustentado pelos socialistas de direita e pelos burocratas sindicalistas reacionários, descarrega o principal peso da crise sobre as costas dos trabalhadores.

Esta crise particularmente dolorosa e devastadora para as massas populares não pode, portanto, conduzir os países capitalistas senão para um agravamento de sua situação política interna."

O CONJUNTO de todos os fatores que caracterizam a atual situação econômica dos países capitalistas indica o início de uma nova crise de superprodução.

Como ensina a ciência marxista-leninista, essas crises econômicas de superprodução, cíclicas, são inevitáveis no regime capitalista. A base das crises econômicas de superprodução e suas causas residem no próprio sistema da economia capitalista, na contradição entre o caráter social da produção e a forma capitalista de apropriação dos resultados da produção.

A expressão desta contradição fundamental do capitalismo não é, portanto, senão o reflexo da contradição que existe entre o aumento das possibilidades do capitalismo, calculado sobre a acumulação dos lucros, entre a diminuição do poder aquisitivo das massas populares, ou seja: do consumo.

Enquanto, sob o regime capitalista, o poder aquisitivo das massas populares permanece em nível excessivamente baixo, cria-se periodicamente um "excedente" de mercadorias, a produção diminui, o desemprego aumenta e os trabalhadores passam privações por que existem mercadorias fabricadas em excesso.

Este é um dos criminosos absurdos do método capitalista de produção.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Brasil - O que vende o MBL? será o ventríloquo fascista de um governo deplorável?

Os fascistas de merda do MBL que "roncam e vociferam"
O que vende o MBL?
POR FRAN ALAVINA
"Este fascismo que se expressa na língua do movimento, ou seja, na sua delinquência discursiva, já se configura em atos. A intimidação e o recurso à violência na tentativa de desocupar as escolas ocupadas no Paraná dão mostras que para o grupo se rompeu os limites entre a fala fascista e os atos fascistas. Nesse sentido, o MBL revela o que há de fascismo no (neo)liberalismo. Chegamos ao ponto que já não se trata mais de nos opormos a um discurso que reduz nossas vidas à perversidade do âmbito econômico, mas da oposição àqueles que tentam extirpar os últimos liames de civilidade que nos resta para jogar-nos na barbárie. Portanto, ao se ler MBL, entenda-se fascismo."

Retomando a discussão: uma visibilidade violenta e deformada

No primeiro momento deste artigo buscou-se desnudar as relações entre a precarização do “mundo político” e do “mundo do trabalho” que abrem um horizonte histórico no qual movimentos do tipo MBL são possíveis. 

Tal movimento opera no registro da política como negócio, cuja “mercadoria”, não material, mas simbólica, é a satisfação dos desejos e paixões na forma de participação em um grupo que reúne indivíduos de mesma “aspiração política”. Em grupos como o MBL, este agrupamento de indivíduos não opera com determinações de classe, não representam um grupo ou setor social determinado, definido, (pelo menos aparentemente), porém, usando de termos frouxos, por isso de fácil manipulação, como o termo Livre que adjetiva o movimento, pode se difundir sem amarras. Isto é, alcançar uma maior variabilidade de público: desde aqueles que já leram um pouco sobre liberalismo e neoliberalismo até àqueles proto-fascistas que querem apenas fazer do ódio o sentido de suas aspirações políticas. Odiar em grupo parece ser melhor que odiar sozinho: eis um dos mais lucrativos mecanismos passionais do grupo. 

Karl Marx - Necessidades, Produção e Divisão do Trabalho

Necessidades, Produção e Divisão do Trabalho
Karl Marx
"Os processos (e instrumentos) mais grosseiros de trabalho humano reaparecem; assim, o moinho acionado pelos pés dos escravos romanos tornou-se o modo de produção e o modo de existência de muitos operários ingleses. Não basta que o homem perca suas necessidades humanas; até as necessidades animais desaparecem. Os irlandeses não mais têm nenhuma necessidade senão a de comer - comer batatas, e ainda assim só da pior espécie, batatas bolorentas. Mas a França e a Inglaterra já possuem em toda cidade industrial uma pequena Irlanda. Selvagens e animais podem, ao menos, satisfazer suas necessidades de caçar, fazer exercício e ter companheiros. A simplificação da maquinaria e do trabalho, porém, é utilizada para fazer operários dos que ainda estão crescendo, que ainda estão imaturos, crianças, enquanto o próprio operário converteu-se em uma criança desatendida de qualquer cuidado. A maquinaria é adaptada à fraqueza do ser humano, de modo a transformar o fraco ser humano em máquina."
Vimos que a importância deve ser atribuída, em uma perspectiva socialista, à riqueza das necessidades humanas, e conseqüentemente também a um novo sistema de produção e a um novo objeto de produção. Uma nova manifestação das forças humanas e um novo enriquecimento do ser humano. Dentro do sistema da propriedade privada, ela tem o significado diametralmente oposto. Cada homem especula sobre a criação de uma nova necessidade no outro a fim de obrigá-lo a um novo sacrifício, colocá-lo sob nova dependência, e induzi-lo a um novo tipo de prazer e, em conseqüência, à ruína econômica. 

Todos procuram estabelecer um poder estranho sobre os outros, para com isso encontrar a satisfação de suas próprias necessidades egoístas. Com a massa de objetos, por conseguinte, cresce também o reino de entidades estranhas a que o homem se vê submetido. Cada novo produto é uma nova potencialidade de mútua fraude e roubo. O homem torna-se cada vez mais pobre como homem; ele tem necessidade crescente de dinheiro para poder apossar-se do ser hostil. O poder de seu dinheiro diminui na razão direta do aumento do volume da produção, i. é, sua necessidade cresce com o poder crescente do dinheiro. A necessidade de dinheiro é, pois, a necessidade real criada pela economia moderna, e a única necessidade por esta criada. A quantidade de dinheiro torna-se cada vez mais sua única qualidade importante. Assim como ele reduz toda entidade a sua abstração, também se reduz a si mesmo, em seu próprio desenvolvimento, a uma entidade quantitativa. Excesso e imoderação passam a ser seu verdadeiro padrão. Isso é demonstrado subjetivamente, em parte pelo fato de a expansão da produção e das necessidades tornar-se uma subserviência engenhosa e sempre calculista a apetites desumanos, depravados, antinaturais e imaginários. A propriedade privada não sabe como transformar a necessidade bruta em necessidade humana; seu idealismo é fantasia, capricho e ilusão.