Pesquisa Mafarrico

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domingo, 30 de setembro de 2012

Pacífico encrespado

Pacífico encrespado
por Luís Carapinha

 


Sinais inquietantes continuam a chegar da região que a estratégia de hegemonia dos EUA apelida de Ásia-Pacífico. O quadro de disputas cruzadas e instabilidade em que a China é perfilada como o «alvo a abater» tende a adquirir contornos permanentes. A «cartada territorial» volta a ser esgrimida e instrumentalizada em toda a linha dos mares da China. Sinónimo do avolumar de tensões, a Cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático realizada em Julho terminou sem comunicado conjunto, o que acontece pela primeira vez em 45 anos de história. A última gota nesta perigosa corrente de escalada foi lançada nas últimas semanas pelo Japão por via do anúncio relativo à propriedade da ilha Diaoyu no Mar Oriental da China.

A atitude provocadora do desacreditado executivo de Yoshihiko Noda do Partido Democrático Japonês não constitui apenas uma perigosa manobra demagógica de um nacionalismo bafiento a que se presta, desta feita, a precária social-democracia nipónica. Salta à vista o arrastado contexto global de agravamento da crise capitalista, em que o Japão é por excelência ilustração do quadro proeminente de estagnação. Terceira economia do planeta, a dívida pública japonesa galgou já os 200 por cento do PIB e o fosso das desigualdades não cessa de aumentar. Ninguém esquece igualmente os impactos desta crise no arrefecimento da economia chinesa – segunda do planeta e que ainda assim ostenta um crescimento do PIB perto dos oito por cento referente ao primeiro semestre do ano –, tal como não é esquecido o calendário político chinês, em vésperas da realização de importante congresso partidário e da programada renovação substancial das lideranças no PCCh e no Estado. Momento pois para [o imperialismo] tentar agitar as águas em casa alheia.

DECLARAÇÃO CONJUNTA ELN E FARC SOBRE OS DIÁLOGOS DE PAZ NA COLÔMBIA

Encontro FARC com o ELN
DECLARAÇÃO CONJUNTA ELN E FARC SOBRE OS DIÁLOGOS DE PAZ NA COLÔMBIA


O Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), inspirados nos mais profundos sentimentos de fraternidade, solidariedade e camaradagem, com otimismo e moral de combate elevada, estreitados em um forte abraço de esperança na mudança revolucionária, nos reunimos para analisar a situação política nacional e internacional, os problemas da guerra e da paz na Colômbia e avançar no processo de unidade que, desde o ano de 2009, forjamos, passo a passo, com o propósito de fazer convergir ideias e ações que nos permitam enfrentar junto ao povo a oligarquia e o imperialismo como elementos que impõem a exploração e a miséria em nossa pátria.

A nossa inflexível determinação é continuar a busca de uma paz que signifique o estabelecimento da verdadeira democracia, a soberania popular, a justiça social e a liberdade para a Colômbia e para o continente.

Realizamos esta reunião no momento em que se desenvolve a mais profunda crise do sistema capitalista mundial, caracterizada por uma desenfreada corrida de guerras de invasão, saques e superexploração dos recursos da natureza, precarização das condições de trabalho que condenam à fome e à morte milhões de seres humanos em um planeta conduzido pela voracidade do imperialismo, rumo ao caos e à destruição.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Acumulam-se as nuvens da guerra


Acumulam-se as nuvens da guerra
Não ao envolvimento! Não à participação! 
por KKE 


1. A crise capitalista, as dificuldades que a União Europeia mostra em a gerir – especialmente na zona do euro –, assim como os EUA, as suas consequências mesmo em países que ainda têm altas taxas de desenvolvimento, reforçam a competição, as contradições e a agressividade imperialista no sudeste asiático, no Mar Cáspio e na Ásia central, em África e na América Latina.

A evolução dos acontecimentos no Mediterrâneo oriental, e não só, é particularmente perigosa. Este facto é visível na concretização do plano imperialista que visa o alargamento da actividade dos grandes grupos empresariais dos estados membros da UE e dos EUA no Médio Oriente, no Norte de África, no Golfo Pérsico, assim como a aquisição de vantagens geoestratégicas na competição frente à Rússia, à China, e à aliança do BRICs que ameaça a supremacia dos EUA na pirâmide imperialista.

Esta situação está ligada à canalização do capital para conflitos militares como meio de controlar a crise capitalista.

Ler e estudar Lénine - Materialismo e Empiriocriticismo

Ler e estudar Lénine - Materialismo e Empiriocriticismo
Em Outubro de 1908 Lénine, então no exílio, dava por concluída a sua obra Materialismo e Empiriocriticismo. Notas críticas sobre uma filosofia reaccionária, que viria a ser publicada, em Moscovo, em Maio de 1909. Há, portanto, 103 anos.

Para a sua elaboração, Lénine procedeu a uma profunda investigação. Releu as obras filosóficas de Marx e de Engels e de filósofos seus contemporâneos. Calcula-se que tenha consultado mais de 200 fontes de filosofia e ciências naturais.

Lénine sentiu a necessidade de escrever esta obra num período de complexas mudanças sócio-económicas no mundo inteiro, no quadro de uma aguda luta política e ideológica da classe operária contra a burguesia. Os finais do século XIX e começos do século XX foram anos de passagem do capitalismo pré-monopolista ao imperialismo, fase superior do capitalismo. A concentração dos recursos económicos e financeiros nas mãos de umas quantas associações monopolistas poderosas e a fusão destas com a força política do Estado contribuíram para o recrudescimento da reacção e para a ofensiva ideológica da burguesia.

O movimento revolucionário de 1848 na Europa e a Comuna de Paris em 1871, a revolução russa de 1905-1907 haviam demonstrado às classes dominantes o perigo que representava para si o proletariado organizado e o marxismo como teoria científica e prática política da transformação revolucionária da sociedade. Surgido nos anos 40 do século XIX, o marxismo convertera-se numa força real e temível que não era possível ignorar. O desenvolvimento do marxismo, a difusão e enraizamento das suas ideias e posições no seio do movimento operário provocaram a reactivação das concepções burguesas e pequeno-burguesas na política, na ideologia e na ciência.

O apartheid na África do Sul não morreu

O apartheid na África do Sul não morreu
por  John Pilger



A teoria racista do “desenvolvimento separado” seguiu uma linha que vai dos primeiros monopólios da De Beers até à Marikana de hoje. Inspira-se numa ordem global dos “livres mercados” mantida pela força.

O assassínio de 34 mineiros pela polícia sul-africana, a maioria atingida pelas costas, acaba com a ilusão da democracia pós-apartheid e revela o novo apartheid mundial do qual a África do Sul é modelo tanto histórico como contemporâneo.

Em 1984, muito antes da infame expressão afrikaans antecipar “desenvolvimento separado” para a maioria do povo da África do Sul, um inglês, Cecil John Rhodes, supervisionou o Acto Glen Grey na então Colónia do Cabo. Fora ele preparado para forçar os negros da agricultura a formarem um exército de mão-de-obra barata, principalmente para as minas de oiro recentemente descobertas e outros minerais preciosos. Como resultado deste darwinismo social, a empresa De Beers de Rhodes desenvolveu-se rapidamente num monopólio mundial, tornando-o fabulosamente rico. Alinhando com o liberalismo na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, foi celebrado como um filantropo apoiante de causas nobres.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Belo Monte é a forma de viabilizar definitivamente a mineração em terras indígenas

Indios contra  Belo Monte
Belo Monte é a forma de viabilizar definitivamente a mineração em terras indígenas


“A pretensão de apresentar uma visão de futuro calcada no desenvolvimento do setor mineral brasileiro com objetivo estratégico de sustentabilidade é, no mínimo, ofensiva”, afirma a pesquisadora Telma Monteiro, em artigo publicado no sítio Correio da Cidadania, 11-09-2012.

Eis o artigo.

Pode-se começar essa história ainda no Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) de Belo Monte no capítulo que fala dos direitos minerários na região da Volta Grande do Xingu. Nele consta que há 18 empresas, entre elas a Companhia Vale do Rio Doce(requerimento para mineração de ouro), com requerimento para pesquisa, 7 empresas com autorização de pesquisa e uma empresa com concessão de lavra (CVRD, concessão para extração de estanho) na região onde estão construindo Belo Monte.
 
Eram, na época de realização dos estudos ambientais, 70 processos incidentes sobre terras indígenas que têm 773.000 hectares delimitados, dos quais 496.373 hectares são alvo de interesses para extração de minério, representando 63% do território indígena. Empresas como a Companhia Vale do Rio Doce, Samaúma Exportação e Importação Ltda., Joel de Souza Pinto, Mineração Capoeirana, Mineração Guariba e Mineração Nayara têm títulos minerários incidentes na Terra Indígena Apyterewa. Ainda tem muito mais.

O jogo dos espelhos

O jogo dos espelhos
por Jorge Messias

 

Quanto aos pobres (e novos pobres) deixarão de existir por razões naturais (doenças, fome, condições de vida, suicídios, decréscimo dos nascimentos, etc.). Se o ritmo for mais lento do que o desejável, existirá então o recurso à mágica receita dos cataclismos e das guerras devastadoras.
 
«Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém for tão pobre que tenha de se vender a alguém» (Jean-Jacques Rousseau, «Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens»).
 
«Dinheiro, é bom! Mas certifica-te, sempre, de quem é dono de quem!...»
(Vítor Hugo, «Reflexões»)
.
«O proletariado é o edificador do mundo moderno. Construiu as cidades e as fábricas. Produziu quase todos os objectos correntes da existência. Vive no meio das suas obras, num mundo transformado e humanizado pelas suas mãos.
Senhor e dominador da Natureza, o operário é contudo possuído pelo capitalista e é afastado das suas relações de produção. O proletário é o homem/mercadoria: vende a outrem a força do seu trabalho criador e os produtos dessa força de trabalho. É a primeira vítima da miséria, da opressão, da escravatura, da degradação e da exploração. O derrube do capitalismo não é somente a exigência particular dos comunistas. E estes recusam-se a abandonar a sua confiança na acção comum, indispensável entre eles próprios e os crentes». (Karl Marx, «Os marxistas e a Religião», recolha de Michel Verret).


O espelho reflecte a imagem. Uma imagem projectada de pernas para o ar. Assim é também o capitalismo. À ditadura chama-se democracia. Ao caos, liberdade. Basta olhar-se para a Península Ibérica, para não falarmos na Grécia ou em Itália. Na Ibéria, Portugal é um espelho de Espanha e Espanha reflecte Portugal. Quem diz Bankia, Popular, Cajas de Ahorro, Sabadell, é como se dissesse BPN, Operação «Monte Branco», lavagens de dinheiro, offshores, etc. O mundo que os jornais retratam é capitalista, imperialista e católico.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Olga Benario Prestes

76 anos da extradição ilegal de Olga Benario Prestes para a Alemanha nazista pelo governo de Getúlio Vargas
No dia 23 de setembro de 1936, grávida de sete meses, Olga Benario Prestes era extraditada para a Alemanha nazista pelo governo de Getúlio Vargas. Junto com Elise Ewert, outra comunista e internacionalista alemã que participara da luta antifascista no Brasil, foi embarcada à força, na calada da noite, no navio cargueiro alemão La Coruña, viajando ilegalmente, sem culpa formada, sem julgamento nem defesa. O comandante do navio recebeu ordens expressas do cônsul alemão no Brasil para dirigir-se direto a Hamburgo, sem parar em nenhum outro porto estrangeiro, pois havia precedentes de portuários espanhóis e franceses resgatarem prisioneiros deportados para a Alemanha, quando tais navios aportavam à Espanha republicana ou à França. Após longa e pesada travessia, as duas prisioneiras foram conduzidas incomunicáveis para a prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, onde Olga deu à luz sua filha Anita Leocadia, em 27 de novembro de 1936.

Numa exígua cela dessa prisão, submetida a regime de rigoroso isolamento, conseguiu criar a filha até os 14 meses, graças à ajuda, em alimentos, roupas e dinheiro, que recebeu da mãe e da irmã de Luiz Carlos Prestes. Após campanha internacional, que atingiu vários continentes, pela libertação da esposa de Prestes e de sua filha, o governo de Hitler, pressionado com a força que a campanha ganhara, entregou a criança à avó paterna (Leocadia Felizardo Prestes). A campanha não conseguiu, contudo, a libertação de Olga.

A ditadura da austeridade, a ditadura dos mercados II : A exploração do trabalho aumenta


A exploração do trabalho aumenta
por Vito Giannotti

domingo, 23 de setembro de 2012

A ditadura da austeridade, a ditadura dos mercados e sua ofensiva contra os trabalhadores - Agora o México!

A classe operária deve organizar sem demora a sua defesa nas fábricas, nos locais de trabalho e nas ruas, esse será o cenário da batalha
Declaração da Comissão Política do Partido Comunista do México


Esta iniciativa de Reforma contém maioritariamente disposições que, no seu conjunto, representam o mais duro ataque alguma vez sofrido ao longo de várias gerações de operários no México, no sentido de reduzir o valor da força de trabalho. Legaliza a prática da subcontratação e a fuga às responsabilidades do patrão perante o IMSS. Facilita o despedimento e limita o direito a receber salários em atraso. Dificulta o direito a uma reforma e pensão dignas. Atira os operários jovens para a exploração mais cruel sob o eufemismo de «trabalho para treino». Admite o trabalho temporário por décadas ou para toda a vida, desde que não seja a mesma empresa, em cada seis meses, a beneficiar da nossa exploração e ruína


Contra a desvalorização do Trabalho:  oposição total à Reforma laboral


No dia 1 de Setembro, dia em que apresentou o relatório presidencial, Calderón enviou ao Congresso da União uma iniciativa de Reforma à Lei Federal do Trabalho, com caráter prioritário.

Esta iniciativa de Reforma contém maioritariamente disposições que, no seu conjunto, representam o mais duro ataque alguma vez sofrido ao longo de várias gerações de operários no México, no sentido de reduzir o valor da força de trabalho.
 


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A exploração não tem cor

A exploração não tem cor
por Carlos Lopes Pereira


Com a experiência da luta libertadora contra a dominação da minoria racista branca e dos 20 anos de governo da maior economia africana, os dirigentes do ANC sabem bem que a exploração não tem cor. E que, mais cedo do que tarde, terão de optar claramente entre aprofundar e fazer avançar a revolução democrática nacional ou traí-la.
 


O 11.º Congresso da COSATU, a grande central sindical da África do Sul, está a decorrer desde o início da semana e termina hoje, quinta-feira, em Midrand, a Norte de Joanesburgo.

Devem ser reeleitos os principais dirigentes da organização, entre os quais o secretário-geral Zwelinzima Vavi, num sinal de que os sindicalistas procuram reforçar a unidade da central, numa altura em que se continua a registar greves, algumas ilegais, manifestações e confrontos com a polícia na zona mineira de Rustenburg, onde em meados de Agosto morreram 44 pessoas em Marikana. E onde surgiram críticas aos dirigentes do importante Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM) – um dos esteios da COSATU –, no sentido de que alguns sindicalistas não defendem os interesses dos trabalhadores e se deixaram corromper.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A influência internacional da Revolução de Outubro


A influência internacional da Revolução de Outubro
por Jorge Cadima
    

Quando o jornalista norte-americano John Reed escolheu o título «Dez dias que abalaram o mundo» para o seu livro sobre a Revolução de Outubro, fez jus a um dos principais aspectos dessa grande revolução: o seu impacto internacional. Como não podia deixar de ser, a Revolução de Outubro tem a marca do quadro nacional onde se gerou e decorreu. Mas, quer na sua génese, quer nas enormes consequências que teve para a História da Humanidade ao longo dos 90 anos desde então decorridos, o que ressalta é sobretudo a dimensão internacional da Revolução bolchevique.

As raízes internacionalistas da Revolução

Os obreiros da Revolução de Outubro inscrevem-se na tradição histórica do movimento operário que, desde muito cedo, compreendeu e valorizou a natureza internacional da sua luta. Quando Marx e Engels escreveram, em 1848, o Manifesto do Partido Comunista, imortalizaram a consigna internacionalista «Proletários de todos os países, uni-vos!». Essa visão internacionalista percorre a contribuição teórica dos dois geniais dirigentes, quer nas análises dos principais acontecimentos mundiais do seu tempo, quer no recurso sistemático aos mais importantes escritos e produções teóricas universais em todos os campos (filosófico, económico, político, histórico, científico). Mas Marx e Engels sempre aliaram a sua actividade teórica à batalha concreta para erguer a expressão política do movimento operário, também no plano internacional. Participaram directamente na criação da Associação Internacional dos Trabalhadores em 1864, tendo Marx escrito os documentos programáticos da Primeira Internacional. Lénine e os dirigentes bolcheviques deram continuidade teórica e prática a esta tradição.

Da «Europa conosco» à «Mais Europa!»

Da «Europa conosco» à «Mais Europa!»
por Rui Paz


"
São eles que há anos andam a saquear as receitas do Estado"

Durão Barroso pronunciou no início de Setembro em Estrasburgo um discurso desastroso que lhe foi soprado pelas burguesias monopolista das grandes potências da UE e dos países periféricos, as quais cada vez mais isoladas e desacreditadas vêem no «federalismo» e num «super-Estado europeu» o seguro de vida para a sua política de exploração e opressão dos trabalhadores e dos povos dos seus países. A marcha para o abismo dos povos da UE que se acentuou com Maastricht, o euro, o BCE e o Tratado de Lisboa, e que agora se pretende aprofundar com o chamado Pacto Orçamental contou desde o início com a oposição dos trabalhadores e dos povos submetidos ao jugo do grande capital europeu.

O partido único europeu constituído pelas suas duas principais componentes, a democracia-cristã e os partidos socialistas e social-democratas, optaram, sempre que lhes foi possível, por proibir os povos de se pronunciarem sobre as decisões que foram tomando. São eles que há anos andam a saquear as receitas do Estado, privatizando bancos e empresas públicas lucrativas e oferecendo receitas fiscais ao grande capital privado para depois nos virem dizer que o Estado não tem dinheiro para cumprir as suas funções sociais e que é preciso emagrecê-lo ainda mais. São eles que têm andado a liquidar os direitos laborais e as conquistas civilizacionais obtidas pelas lutas dos trabalhadores sob a influência da edificação do socialismo no século XX e a derrota do nazi-fascismo. Foram eles que, como declarou o chanceler alemão social-democrata Gerard Schröder «quebraram com o tabu da guerra». Hoje em cada vez mais países encontram-se soldados de quase todos os estados da UE integrados na NATO e noutros tipos de alianças, envolvidos em intervenções armadas, acicatando conflitos étnicos e religiosos e massacrando povos soberanos. É este o programa que se esconde por detrás da chamada «Mais Europa» ou de «Uma Europa política» e cujo aprofundamento Durão Barroso defendeu ao incitar à criação de uma «federação de estados». Como sublinha a nota do Gabinete de Imprensa dos deputados do PCP no PE, esse caminho conduz à constituição de «um bloco de natureza imperialista com relações de tipo colonial no seu seio».

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

FARC-EP : Acerca do nosso caráter político

Acerca do nosso caráter político
por Pablo Catatumbo
(Membro do Secretariado das FARC-EP)


 Somos um movimento de esquerda que luta pela superação do modelo económico e político existente, e por uma nação plena de dignidade e soberania.

Acusam-nos, às FARC-EP de duas coisas. A primeira, de sermos a ferramenta para um verdadeiro desenvolvimento e consolidação da esquerda na Colômbia e a segunda, de sermos os arquitetos da mudança gradual da vida política para formas abertas de fascismo durante a última década. 

São as FARC-EP um obstáculo que impede o avanço das tendências de esquerda na Colômbia? 

A questão surge, a nosso ver, de duas situações: a ignorância sobre a nossa história e atividade como uma organização revolucionária, por um lado, e uma intenção óbvia de nos desligar da área das esquerdas na história do nosso país, por outro. É como se a nossa criação e desenvolvimento obedecesse a uma espécie de geração espontânea militar única na história universal.

A realidade contrasta com o que se disse anteriormente. A nossa história é o resultado da convergência das mais diversas expressões das lutas sociais do povo colombiano. Se pensarmos no exemplo de dois dos nossos maiores timoneiros, Manuel Marulanda Vélez e Jacobo Arenas, vemos que se juntaram as lutas dos colonos camponeses liberais e comunistas da cordilheira central e o turbilhão proletário do povo santandereano. Dois homens, duas cordilheiras, duas lutas unificadas numa, nas trincheiras de Marquetalia. 

domingo, 16 de setembro de 2012

Tragédia greco-portuguesa



Tragédia greco-portuguesa 
Mitos
por ANTÓNIO IRIA REVEZ


Um homem habitua-se a tudo, por mais desumana e cruel a realidade com que possa vir a ser confrontado. A repetição e o tempo se encarregam de entranhar no seu espírito, aquilo que de início lhe parecia estranho. Sobretudo se isso lhe acontecer cedo na vida. Assim sendo, essas ideias apoderam-se do indivíduo, colam-se-lhe à pele de tal forma que mal se consegue libertar. Felizes os que, por razões de variadíssima ordem, conseguem alcançar a liberdade e agir em conformidade com a sua consciência e a sua natureza. Maquiavel, esse eterno incompreendido, opinava, com razão ou sem ela, que não havia volta a dar, somos escravos dos nossos hábitos: «Ninguém deve confiar nas forças da natureza nem na jactância das palavras, se não estiverem corroboradas pelo hábito». Palavras aparentemente convidando à complacência e à aceitação daquilo que nos rodeia, sem espírito crítico, sem levantar dúvidas.
 
São de Marx as seguintes palavras: «Os filósofos limitam-se a interpretar o mundo de diversas maneiras. O que importa é modificá-lo». E a história encarrega-se de nos mostrar que o mundo é isso mesmo, feito de constantes mudanças, nada é eterno, nada é imutável.
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A linguagem da verdade na luta de massas








A linguagem da verdade na luta de massas
por Miguel Urbano Rodrigues




Em situações históricas como a actual os responsáveis pelas crises optam pelo auto elogio, enquanto se preparam para responder com a repressão ao protesto popular. Os Passos, Relvas e Companhia Lda esquecem que no movimento de fluxo e refluxo da História as grandes crises desembocam quase sempre numa contestação torrencial quando os povos, atingido um limite, não podem mais suportar a opressão da classe dominante e se mobilizam para lhe por termo.

As medidas anunciadas pelo primeiro-ministro no dia 7 de Setembro - ostensivamente inconstitucionais - assinalaram uma vertiginosa galopada para a direita do governo mais reaccionário do País desde a Revolução de 1974.

Passos Coelho pelo que disse, pela hipocrisia e até pelo tom, fez-me recordar falas de ministros de Salazar. Deles se diferencia não pelo conteúdo ideológico da «mensagem», mas porque alguns eram inteligentes e porque o que resta da herança de Abril não lhe permite ir tão longe quanto desejaria na destruição de conquistas históricas dos trabalhadores e na ofensiva contra direitos e liberdades.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Lições da História

Lições da História
por Jorge Cadima


Há muito para aprender sobre o presente quando se olha para o passado. Por vezes situações históricas apresentam (apesar de naturais diferenças) semelhanças impressionantes com a actualidade. Um exemplo disso são os documentos relativos aos planos secretos anglo-norte-americanos, elaborados em 1957, para desestabilizar a Síria e criar condições para uma invasão por tropas estrangeiras e uma mudança de regime.

Relata o jornal inglês Guardian (27 de Setembro de 2003) que documentos descobertos por um investigador nos arquivos do ex-ministro da Defesa do governo inglês chefiado por Harold MacMillan «revelam que em 1957 Harold MacMillan e o Presidente [dos EUA] Dwight Eisenhower aprovaram um plano da CIA e MI6 [serviços secretos ingleses] para encenar falsos incidentes de fronteira como pretexto para uma invasão da Síria pelos seus vizinhos pró-Ocidentais e para posteriormente "eliminar" o triumvirato mais influente de Damasco». E acrescenta: «o assassinato de três altas figuras estava no cerne do projecto». Os três alvos do plano da CIA-MI6, oficialmente apadrinhado ao mais alto nível, eram «Abd al-Hamid Sarraj, chefe dos serviços secretos militares sírios; Afif al-Bizri, Chefe do Estado Maior sírio; e Khalid Bakdash, dirigente do Partido Comunista Sírio».
 
O guião do que se passa nos dias de hoje parece ter sido escrito em 1957. Ainda segundo o Guardian, o plano passava por «criar pequenas sabotagens, incidentes e golpes de mão no interior da Síria […]. O relatório afirmava que, uma vez criado o grau de medo necessário, seriam encenados incidentes fronteiriços e confrontações junto às fronteiras de forma a criar o pretexto para uma intervenção militar iraquiana e jordana. A Síria deveria «ser apresentada como patrocinadora de complots, sabotagens e violência dirigida contra os governos vizinhos» afirma o relatório. «A CIA e o SIS [MI6] devem usar os seus meios, quer no campo psicológico, quer no campo da acção, para aumentar a tensão».
 

A cábula

Os animais, ás vêzes, nos dão importantes lições de como devemos agir.
A cábula
Anabela Fino


O facto de Passos Coelho ter escolhido as 19.30 horas de sexta-feira para fazer o anúncio ao País das novas «medidas de ajustamento» – a palavra austeridade parece ter sido banida do léxico do Governo – suscitou inesperadas especulações. Que o momento foi escolhido por logo a seguir haver futebol na televisão, o mais eficaz anestésico nacional, disseram uns; que foi por ser véspera de fim-de-semana e Passos acreditar que o povão vai ao sábado e ao domingo a banhos à Caparica, deixando as preocupações em banho-maria até segunda-feira, aventaram outros...
 
Estava-se nisto quando uma foto veio esclarecer o parte do mistério: afinal o homem quis despachar o assunto para ir com a sua cara metade a um concerto, onde se terá divertido muito e juntado a sua bela voz à do público que fez coro com Paulo de Carvalho cantando a plenos pulmões «Nini dançaaava só para miiim».
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Análise da economia durante o curso da construção socialista na URSS


Análise da economia durante o curso da construção socialista na URSS



Relativamente à economia, com a formulação do Primeiro Plano de Planificação Central, situaram-se no centro do debate teórico e da luta política os seguintes assuntos: É a produção socialista produção de mercadorias? Qual é o papel da lei do valor, das relações mercadoria-dinheiro, na construção socialista?

Consideramos incorrecta a análise teórica que diz que a lei do valor é uma lei de desenvolvimento do modo comunista de produção na sua primeira fase (socialista). Esta posição tornou-se dominante na década de 50 na URSS e na maioria dos PPCC. Esta posição fortaleceu-se devido à manutenção das relações mercadoria-dinheiro durante o trânsito planificado da produção individual à produção cooperativa. Esta base material acentuou as deficiências teóricas e as debilidades políticas na formulação e aplicação da planificação central. Durante as décadas posteriores, as políticas oportunistas debilitaram ainda mais a Planificação Central, erodiram a propriedade social e fortaleceram as forças contra-revolucionárias.

O primeiro período da construção socialista até à II Guerra Mundial defrontou-se com o problema básico e principal da abolição da propriedade capitalista e da gestão planificada dos problemas sociais e económicos herdados do capitalismo e que exacerbaram com o cerco e a intervenção imperialista. Foi durante este período que o poder soviético reduziu drasticamente a profunda desigualdade que a revolução tinha herdado do império czarista.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Economia Verde - O capitalismo mesmo tingido de verde não mudará a sua natureza agressiva e exploradora

Economia Verde – Como privatizar a polinização das plantas
por Vladimiro Vale



O conceito Economia Verde é de facto um eufemismo que esconde um esquema ardiloso para justificar a aplicação das regras do capitalismo ao ambiente e à natureza.

Como em qualquer esquema ardiloso, parte da identificação de problemas (neste caso ambientais) reais e graves e coloca objectivos nobres à cabeça, para depois começar a urdir a teia do engano, que neste caso é a da ingerência externa, a do condicionamento do desenvolvimento de países e a de aprofundamento de instrumentos que querem aplicar ao ambiente as regras de funcionamento do capitalismo.

O conceito parte da ideia inicial de que destruímos a natureza porque não a valorizamos, para depois, à boa maneira capitalista, partir para misturar valor com preço e concluir que para conservar e proteger a natureza e as suas funções temos que lhes atribuir preço e colocá-las nos mercados.


Como é óbvio as conclusões são «marteladas» para passar ao lado da mais que evidente irracionalidade e insustentabilidade do capitalismo e da sua natureza que o torna incapaz de resolver os problemas da humanidade, e esconder que é o capitalismo que destrói a capacidade produtiva local aumentando os ciclos de produção, que aumenta fluxos brutais de energia e matéria para satisfazer as suas necessidades, que coloca em causa o ambiente, a soberania dos povos e a sua segurança alimentar em nome do lucro de alguns.

Todos os caminhos vão dar a Roma...

Todos os caminhos vão dar a Roma...
por Jorge Messias



«Os factos demonstram que os países pobres da União Europeia não falam a mesma língua dos países ricos… Só a luta de classes – e só ela ! – pode abrir uma saída para a crise, ainda que esta situação não pareça viável a curto prazo...» (Umberto Martins, jornalista brasileiro especializado em economia política).

«A Igreja Católica é uma grande empresa religiosa e, simultaneamente, económico-financeira. Não pode ser dirigida sem dinheiro. Por isso, o bispo Paul Marcinkus, antigo secretário do Instituto das Obras Religiosas, IOR, (instituição mais conhecida como Banco do Vaticano), perguntava e respondia: “Pode viver-se neste mundo sem preocupações com o dinheiro? Não se pode governar a Igreja só com Avé-Marias...”» Em 1960, a Igreja já controlava de 2% a 5% do mercado mundial de acções (Revista BULA, 22.8.2012).

«A constante mudança do modo de produção, a permanente perturbação das formas de relação social, a interminável agitação e incerteza, distinguem a 'época da burguesia' de todas as épocas anteriores. Todas as relações fixas, estáticas, com a sua auréola de ideias e opiniões ortodoxas, são postas de lado; todas as novas relações recém-assumidas se desvanecem antes que se consolidem. Tudo o que é sólido se dispersa no ar, tudo o que é sagrado se desmistifica e os homens são finalmente forçados a enfrentar as suas condições de vida e as suas relações com os outros homens (Karl Marx, Manifesto Comunista).
 


Na verdade, o grande sinal distintivo do Vaticano é, presentemente, a prática de um liberalismo financeiro que se nega a si mesmo. Até há pouco tempo, o liberalismo afirmava-se defensor da livre concorrência. Agora, massacra os pequenos e médios burgueses, os grandes esteios dessa utópica livre concorrência. Pequenos e médios produtores vão ser chacinados, lado a lado com o proletariado, no altar dos monopólios.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O ideólogo anticomunista e antimarxista Michel Onfray atacou outra vez


O ideólogo anticomunista e antimarxista Michel Onfray atacou outra vez 

Annie Lacroix-Riz*

Caros amigos, 

Alguns correspondentes acabam de me alertar para as elucubrações de Michel Onfray, cuja actividade mediática consiste em denegrir toda a herança das Luzes e principalmente o marxismo, das quais este é um continuador essencial. Como se sabe, ele trabalha não apenas no plano filosófico mas também no plano histórico, sendo a história o seu domínio privilegiado de incompetência, tal como as suas pretensões. Sempre sem contradição, o que é mais seguro. Naturalmente, ele exerce o seu magistério em nome do «radicalismo» absoluto, sem concessões, método que faz lembrar aquele que usavam os sub-sinarcas (1) ideológicos de «esquerda» de antes da guerra. Uns, esquerdistas, bramavam, depois da assinatura do pacto franco-soviético de maio de 1935, contra os comunistas belicistas, sustentados pelo dinheiro do banco Worms, de Lemaigre-Dubreuil e que tais, e muitas vezes com o do Reich; os sindicalistas, esquerdistas e direitistas reunidos, urravam contra a «infiltração» dos bolcheviques na CGT que não se preocupavam senão em propagandear a URSS ao serviço do infame Estaline, etc. Esquerdistas desgrenhados e direitistas da clique Belin-Froideval faziam coro com eles, enquanto os segundos se encarregavam, no seu semanário

Syndicats, de garantir a paz social (quer dizer, a apoiar a redução dos salários) e a propagar junto da classe operária e dos assalariados a Paz, simplesmente, contra um Reich que não era assim tão perigoso. Os interessados acabaram praticamente todos (os direitistas sem exceção) no campo da colaboração stricto sensu. Os leitores encontrarão indicações a este respeito na obra Le choix de la défaite e De Munich à Vichy (2). Consagrei um estudo de que assinalarei a publicação (data que ainda não está assente) aos sindicalistas da corrente confederada «Syndicats», que prosperaram sob a Ocupação – depois de eles próprios terem presidido à liquidação oficial da CGT (decreto assinado em novembro de 1940 pelo seu chefe de fila René Belin, falso ministro da produção industrial e do trabalho, vassalo do grande banqueiro sinarca Jacques Barnaud, director geral do banco Worms): «A Derrota de 1940: a interpretação de Marc Bloch e dos seus seguidores»,  comunicação ao colóquio Marc Bloc, Rouen, 8-10 de fevereiro de 2012,  Atas, a publicar. 


domingo, 9 de setembro de 2012

Uma nova arma na tentativa de banalizar a imagem de Luiz Carlos Prestes

Uma nova arma na tentativa de banalizar a imagem de Luiz Carlos Prestes

por Anita Leocadia Prestes [*] 

 

Já se passaram mais de 20 anos do desaparecimento de Luiz Carlos Prestes. Sua coerência com os ideais revolucionários a que dedicou toda sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, sempre despertou o ódio dos donos do poder, levando-os à falsificação da História e das posições assumidas por Prestes para melhor poder caluniá-lo.

Mesmo após seu falecimento, Prestes continua a incomodar os poderosos deste país, com insistência aparentemente surpreendente, uma vez que se trata de uma liderança do passado, que não mais está disputando qualquer espaço político. Presenciamos um esforço sutil, mas constante, desenvolvido através de modernos e possantes meios de comunicação, de dificultar às novas gerações o conhecimento da vida e da luta de homens como Luiz Carlos Prestes, cujo exemplo pode servir de inspiração aos jovens de hoje.

Atualmente tornou-se pouco convincente recorrer aos antigos expedientes para satanizar os comunistas: acusá-los de "comer criancinhas assadas na brasa", de defender a "coletivização das mulheres", de renegar a família, de desrespeitar as freiras, etc etc. Hoje os expedientes são outros, mais de acordo com os novos tempos. No caso de Prestes – o mais conhecido e o mais respeitado comunista brasileiro –, por tantos anos caluniado ou silenciado, uma nova tática de desmoralização foi adotada pelos grandes meios de comunicação, comprometidos com os interesses das classes dominantes. Na impossibilidade de questionar sua reconhecida honestidade, assim como sua fidelidade aos princípios revolucionários por que sempre pautou sua existência, o novo expediente consiste na banalização de sua imagem.

Fascismo: raízes históricas e ameaça actual

Soldados psicopatas dos USA ostentando bandeira das SS
Fascismo: raízes históricas e ameaça actual
Por Jorge Cadima



Nove décadas após a entrega do poder a Mussolini pelas classes dominantes italianas, o ascenso de forças de extrema direita e abertamente fascistas é uma realidade do continente europeu. Desde a glorificação oficial de veteranos das SS nas repúblicas bálticas, à entrada dos neo-nazis no Parlamento grego, o monstro ergue de novo a cabeça. Urge, pois, recordar alguns aspectos da natureza e do papel histórico do fascismo, bem como das cumplicidades que rodearam a sua ascensão. Para que não se voltem a repetir.

A «Declaração de Praga» de 2008 equacionando «nazismo e comunismo» (deixando significativamente de fora a designação «fascismo») e a subsequente resolução do Parlamento Europeu criando um «dia Europeu de Lembrança das vítimas do Estalinismo e do Nazismo», tornaram doutrina oficial de regime a grotesca falsificação histórica de que fascismo e comunismo seriam expressões gémeas de oposição às democracias liberais. A verdade é que o fascismo, em todas as suas variantes, nasceu, foi alimentado e colocado no poder pelas classes dominantes dum capitalismo em profunda crise, para esmagar pela violência os comunistas e o movimento operário, sindical e popular (mesmo nas suas variantes reformistas e social-democratas de então) e assegurar pela força a dominação de classe que sentiam ameaçada. A verdade histórica é que os comunistas foram sempre o principal alvo e as primeiras vítimas do nazi-fascismo. Foram também (nomeadamente através da União Soviética e do seu heróico Exército Vermelho) os principais obreiros da resistência e posterior derrota dessa mais brutal e agressiva expressão do capitalismo.

Revolução de Outubro - Erro ou necessidade histórica?

Revolução de Outubro - Erro ou necessidade histórica?

Domingos Abrantes
    

A questão, nos exactos termos em que está formulada, colocou-se a partir do momento em que a superação revolucionária do capitalismo entrou no campo das opções práticas e, desde então - apesar de decorridos que são 90 anos desde que o proletariado russo, sob a direcção de Lénine e do Partido Bolchevique, se lançou ao «assalto do céu» e o triunfo da revolução ter dado uma resposta inequívoca à questão colocada - o problema jamais deixou de estar no centro dos debates político-ideológicos que se prendem com o papel da classe operária e dos partidos revolucionários, com a natureza do capitalismo e as vias para o socialismo, com as questões da estratégia e da táctica revolucionárias relativas à necessidade da revolução ou não, para a superação do capitalismo.


1-
A história regista ao longo dos tempos vários casos de revoluções que influenciaram de forma determinante a vida dos povos e a marcha do mundo, mas nenhuma se iguala, pelos seus efeitos globais, à Revolução Socialista de Outubro, a primeira revolução que, elevando a classe operária à condição de classe dominante, abriu caminho à construção duma sociedade de um novo tipo, inscreveu como objectivo supremo a liquidação de todas as formas de exploração e opressão social e nacional e proclamou a paz e a amizade entre os povos como normas que deviam reger as relações entre Estados.

A Revolução de Outubro introduziu uma nova dinâmica nos processos de desenvolvimento social e humano. Como resultado da acção criadora da classe operária, logo nos primeiros anos do poder soviético as estruturas socio-económicas sofreram profundas alterações com a liquidação da propriedade privada dos latifundiários e dos grandes capitalistas. Milhões de hectares de terras foram distribuídas pelos camponeses pobres. Em poucos anos, apesar das ruínas colossais resultantes do envolvimento da Rússia na I Guerra Mundial, da guerra civil e das agressões imperialistas ao Estado soviético, a produção industrial foi ultrapassada em várias vezes quando comparada com a época pré-revolucionária, bem como a elevação dos níveis de vida e culturais das massas populares.

sábado, 8 de setembro de 2012

Os conteúdos escolares e a ideologia dominante

Os conteúdos escolares e a ideologia dominante
por Cátia Lapeiro



É uma opinião largamente difundida pelo sistema capitalista que a educação seja algo de apolítico, ou, como se costuma frequentemente dizer, seja «neutra». Esta afirmação reflecte uma concepção de educação que prescinde dos elementos sociológicos que a condicionam, e cria o conceito de «educação pela educação», naquilo que é um espaço social. Ao contrário, se considerarmos a educação como determinada pela forma social dentro da qual se constituem as suas finalidades, e na qual deve ser realizada, este conceito acha-se imediatamente envolvido nos contrastes reais da sociedade, ou seja, inserido no contexto da luta de classes. A educação preenche um lugar insubstituível nas sociedades humanas, na construção da sua história e na estruturação das relações entre os homens. Por isso, a educação de massas é um dos mais potentes instrumentos de controlo das mesmas, como também pode ser um poderoso instrumento para a sua libertação. A edificação da consciência humana está profundamente interligada com a educação e a forma como se aprende e com o que se aprende. Assim, dominar sistemas educativos no quadro actual do sistema capitalista é um enorme passo para a consolidação do seu poder. As teses marxistas fundamentais que dizem respeito à educação baseiam-se no seu carácter de classe, ou seja, na ideia de que a educação é um instrumento da classe dominante ao serviço dos seus interesses de classe.


A questão da educação constituída para perpetuar o sistema não se prende só com a sua clara e cada vez maior elitização, que afasta per si os filhos dos trabalhadores dos mais elevados graus de ensino. Este é um dos factores fundamentais, mas a utilização da Educação pelo capitalismo consegue ir mais longe. E a temática deste texto prende-se sobretudo com os conteúdos escolares. Este é um tema que pode ser muito abrangente, do ponto de vista do tipo de conteúdos e da forma como podem ser incutidos. Apenas serão dados alguns exemplos, dando preponderância aos manuais escolares, que são dos elementos mais paradigmáticos de transmissão de conteúdos; assim como ao ensino da História, tendo em conta o seu papel de relevo para a formação de representações sociais e concepções do mundo.

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO SAÚDA A MILITÂNCIA DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS E DESEJA ÊXITO PARA A FESTA DO AVANTE

PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO SAÚDA A MILITÂNCIA DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS E DESEJA ÊXITO PARA A FESTA DO AVANTE



Há mais de noventa anos vigora a amizade fraterna e internacionalista entre os comunistas do PCB e do PCP, para muito além do idioma comum e da história entrelaçada dos nossos povos e dos nossos países.

Fomos forjados sob a inspiração da Revolução Russa e sempre nos alinhamos sem vacilações no Movimento Comunista Internacional.

Na vigência das ditaduras burguesas no Brasil e em Portugal, os comunistas perseguidos sempre encontraram solidariedade recíproca. Muitos portugueses militaram no PCB; muitos brasileiros militaram no PCP.

Por isso, é com profunda tristeza que não pudemos enviar uma delegação do nosso Partido à generosa e combativa Festa do Avante. Quando recebemos um convite padrão da Secretaria Internacional do PCP, consultamo-la sobre a possibilidade de dispormos de um stand próprio na Festa e de podermos expor nossas posições políticas no tradicional Espaço Internacional. Infelizmente, recebemos como resposta que “de acordo com o convite que vos dirigimos não prevemos espaço para um stand do vosso Partido; do mesmo modo, quando programamos a intervenção política no quadro da Festa, dirigimos convite expresso nesse sentido”.