Pesquisa Mafarrico

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terça-feira, 30 de setembro de 2014

As modas passam, a exploração permanece

As modas passam, a exploração permanece
A classe operária é e será o sujeito da mudança social

"a realidade, uma vez mais, com a sua teimosia habitual, voltará a colocar os trabalhadores e trabalhadoras deste país no lugar que a história lhes reservou. As modas vêm e vão, mas a exploração permanece. E, com ela, as teorias que impedem a consciência do papel de classe social ascendente. Por isso, é necessário reforçar a frente de luta ideológica contra as novas tentativas de substituição do proletariado e das suas formas de luta assim como de liquidação das suas formas de organização."

RMT1

Há décadas que o movimento operário é bombardeado por todo o tipo de teorias que negam o papel histórico da classe operária. Continuando no trilho encetado por H. Marcuse, A. Gorz e outros, a nova social-democracia lançou um novo ataque com o objetivo de questionar o papel revolucionário do proletariado e do Partido Comunista, assim como a Revolução Social.


Uma história que vem de longe...

Lenine, por volta de 1913, destacou que o "o aspecto mais importante da doutrina de Marx é a demonstração do papel histórico universal do proletariado como criador da sociedade socialista". Desde então, e muito especialmente desde o triunfo da Revolução Socialista na Rússia de 1917, repetiram-se os ataques teóricos, por parte da sociologia burguesa e pequeno-burguesa, com o intuito de questionar o papel da classe operária, sob vários pretextos, e propor a sua substituição por outros "sujeitos".

Marcuse e Gorz, desde finais da década de 60 do século passado, sob o pretexto de um suposto envelhecimento do marxismo, e considerando exclusivamente as condições dos trabalhadores nos países capitalistas desenvolvidos, pretenderam atribuir o papel de vanguarda ao "estudantado" ou aos movimentos de libertação afro-asiáticos. Em clara negação de todo o materialismo histórico, durante os anos 70 e 80 desenvolveu-se a teoria do papel dos "novos" movimentos sociais, brotados das reivindicações parciais de certos sectores sociais, opondo-os ao papel central da classe operária, no conflito e desenvolvimento social defendido pelo marxismo. Os movimentos sociais (feminista, pacifista, ecologista, etc...) passaram a representar a "nova esquerda", oposta à "esquerda tradicional" assente no movimento operário.

domingo, 28 de setembro de 2014

Mundo tem 2 mil bilionários e 1,5 bilhão de esfomeados

Mundo tem 2 mil bilionários e 1,5 bilhão de esfomeados

"No Relatório para o Desenvolvimento Humano da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em julho, foi revelado que existem atualmente 1,5 bilhão de pessoas vivendo na pobreza (a chamada pobreza multidimensional, que leva em conta a renda e o acesso dos indivíduos e famílias a serviços básicos como saúde e educação).

Se for considerada apenas a renda, há hoje no mundo 1,2 bilhão de pessoas vivendo com menos de 1,25 dólar por dia e 2,7 bilhões com menos de 2,50 dólar.

Ainda conforme o constatado pela ONU, 842 milhões de pessoas (12% da população mundial) passam fome cronicamente, 200 milhões estão desempregadas e mais de 1,5 bilhão têm emprego informal ou precário."
"percebe-se mais uma vez que a crise capitalista atual faz com que os grandes burgueses sejam imensamente beneficiados, aumentando seus lucros, enquanto os trabalhadores de todos os cantos do mundo capitalista sofrem na pele as desigualdades inerentes ao sistema."

Um estudo sobre o aumento do número de bilionários no mundo divulgado semana passada pelo banco suíço UBS e pela consultoria de Hong Kong Wealth-X nos permite refletir sobre o quão assustadora é a realidade do capitalismo a nível mundial.

De acordo com a pesquisa, o número de bilionários no mundo aumentou 7% e atingiu 2.325 em 2014. Somada, sua fortuna atingiu US$ 7,3 trilhões neste ano, um aumento de 12% em relação a 2013. O patrimônio médio de cada bilionário aumentou 4,4% em 2014, para US$ 3,1 bilhões.

Isso significa que essas pouco mais de 2 mil pessoas acumulam aproximadamente 3% da riqueza das 7 bilhões de pessoas que compõem a população mundial.

Esses números contrastam totalmente com a realidade da esmagadora maioria da população mundial, especialmente da classe trabalhadora, que, ou está desempregada, ou vive em situação de constante humilhação.

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) aponta, em um documento divulgado em maio, que o número de desempregados no mundo cresceu em 30,6 milhões desde a crise de 2008.

Brasil : Operários mortos e desaparecidos em obras das usinas de Jirau e Santo Antônio

"PAC de sangue" - Operários são tratados como lixo.
Operários mortos e desaparecidos em obras das usinas de Jirau e Santo Antônio
ESCRITO POR JULIO CESAR DE CASTRO


"Os acidentes, desaparecimentos e mortes ocorridas nas obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira são tratados com total falta de transparência pelas empresas dos consórcios construtores e pelo governo. Denúncias de torturas, tráfico de pessoas, maus tratos e mortes já foram levadas à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, CPI do Tráfico de Pessoas e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos do governo federal. A Liga Operária acompanhou um dos operários torturados, Raimundo Braga, que fez contundente revelação sobre tortura, tráfico de pessoas e trabalho escravo, em depoimento à CPI do Tráfico de Pessoas e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal."

"Nas obras das usinas hidrelétricas de Jirau, construídas no Rio Madeira, em Rondônia, e de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, os operários trabalham como mão de obra cativa sob vigilância e ameaça velada dos fuzis da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP). Um contingente da FNSP ocupa estes dois canteiros de obras desde as grandes revoltas operárias que irromperam em 2012. Operativos da Polícia Militar, frequentemente, também se deslocam para essas e outras obras do PAC, acionados pelas direções dos consórcios de empreiteiras, para auxiliar na coação e repressão aos trabalhadores."


Nos canteiros de obras das usinas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, e na obra de instalação do linhão de transmissão de energia elétrica (Porto Velho-Araraquara), 41 operários tiveram suas vidas ceifadas no período de 2010 a 2014, e dez operários estão desaparecidos desde a brutal repressão à greve de abril de 2012. Ressalte-se que essas 41 mortes são as que foram noticiadas. Os operários denunciam a ocorrência de muitos outros casos de acidentes, desaparecimentos, mutilações e mortes que são encobertas nas obras das usinas do Madeira e do linhão. Relatam também que muitas mortes por malária não vieram a público.

Os 10 trabalhadores da obra de Jirau que estão desaparecidos desde abril de 2012 constam na denúncia do promotor Rodrigo Leventi Guimarães – (ação penal nº 0004388.89-2012-822-0501 – TJRO) – como “recolhidos no Pandinha” (presídio em Porto Velho) e integram uma lista de 24 operários injustamente acusados, após a greve, dos supostos crimes de “incêndio”, “dano”, “extorsão”, “constrangimento ilegal” e até de “formação de quadrilha ou bando” e de “furto qualificado”.

sábado, 27 de setembro de 2014

Abutres recarregados: Madelein Albright entra em cena

Abutres recarregados: Madelein Albright entra em cena
ESCRITO POR ATILIO BORON

"é um dado bem significativo (e que retrata de corpo inteiro) que os fundos abutres tenham solicitado os serviços de alguém com a catadura moral da ex-Secretária de Estado para que “solucione” o desacordo que enfrenta a Argentina com a fração mais predatória e repugnante do capital financeiro internacional.


Fiel às suas profundas convicções, é de se esperar que Albright proponha uma “solução” em linha com sua defesa do genocídio infantil praticado no Iraque; um ajuste selvagem na Argentina onde morram os que devem morrer, adoeça quem deve adoecer, se exclua e oprima os que devem ser excluídos e oprimidos e caia na miséria e na pobreza mais abjeta quem deve necessariamente cair para cumprir com a insanavelmente injusta, ilegal e imoral sentença de Griesa, e para que os abutres se apropriem da carniça de que se alimentam em todo o mundo."

Com sua resposta, deixou estupefata a entrevistadora. Ela perguntou se o meio milhão de crianças que haviam sido mortas por causa do bloqueio decidido pelos Estados Unidos contra o Iraque desde 1990 (e validado, a seu pedido, pelo Conselho de Segurança da ONU) tinha sido um preço justo a pagar e se este terrível genocídio infantil teria “valido a pena”.

A pergunta que em 1996 Leslie Stahl, condutora do Programa “60 minutos”, fez à então embaixadora dos Estados Unidos na ONU, durante o primeiro turno da administração Clinton, dizia textualmente: “Ouvimos dizer que meio milhão de crianças morreram. Quero dizer: isto é mais do que as pessoas que morreram em Hiroshima... Vale a pena pagar este preço?”. Sim, diz Madelein Albright, sem hesitar, pois dela se tratava: “nós acreditamos que valeu a pena”. O “nós” fazia alusão ao seu chefe, Bill Clinton, seu gabinete, os congressistas que apoiaram a agressão e, claro, a ela mesma. E disse calmamente, sem que este perverso holocausto deixasse sequer um traço de compaixão ou arrependimento nas duras feições de seu rosto.

Um atroz crime de guerra teria “valido a pena” para esta sinistra personagem. E muito mais crimes se perpetrariam nos sete anos seguintes, durante o segundo mandato de Bill Clinton – e ela como Secretária de Estado – e George W. Bush, até a invasão e destruição produzida em 2003 do país que muitos historiadores, arqueólogos e antropólogos não vacilam em caracterizar como uma das fontes de nossa civilização.

Albright é uma arquetípica representante do imperialismo norte-americano, de seu desprezo pela legalidade internacional e do racismo genocida que informa sua vida política, tanto no interior dos Estados Unidos (recordar o ocorrido em Ferguson há poucas semanas) como no exterior. Se agora nos ocupamos dela é porque dias atrás a empresa de consultoria que preside anunciou que havia sido contratada pelos “fundos abutres”, para buscar “uma solução satisfatória” ao litígio desatado pela sentença do juiz Thomas Griesa.

Discursos de ódio ganham evidência no Brasil e incentivam violência contra minorias

Discursos de ódio ganham evidência no Brasil e incentivam violência contra minorias


"Em pesquisas sobre a intolerância nos discursos políticos, Diana trouxe a questão sobre a liberdade de uma pessoa pública expressar preconceitos e intolerâncias. A professora tem uma resposta muito objetiva para a pergunta: pessoas que ocupam esses papéis não podem evidenciar preconceitos e intolerâncias. "Quem ocupa essa posição, em que é considerado um sujeito que pode e que sabe, ao expressar seus preconceitos e intolerâncias, incita a violência. E mesmo que ele não faça nada, que ele não seja violento, a não ser verbalmente, que é uma violência contra o outro, ele vai levar outros a matar e a uma série de coisas dessa ordem."

Os discursos intolerantes vindos de pessoas, como políticos ou professores, confirmam" o preconceito do outro, que passa a considerar justo o pensamento. "Se o mais sábio e o mais poderoso pensa assim, é correto que ele também o faça", argumenta Diana. "Isso não é ser contra liberdade de imprensa e liberdade de pensamento, mas é ser a favor de responsabilidade do que se diz ao ocupar certos papeis", completa."

No último dia 3 de setembro, o delegado de Polícia Civil Henrique Pessoa, do Rio de Janeiro, foi espancado por um grupo de evangélicos após tentativa de conciliação entre ele e um dos agressores, o neopentecostal Márcio Pereira de Carvalho, seguidor da igreja Geração Jesus. Pessoa é membro da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio (CCIR) e havia comparecido ao 5º Juizado Especial Cível de Copacabana para pedir que Márcio se retratasse por ofensas feitas em vídeos no YouTube. Não houve acordo e, na saída da audiência, liderados pelo pastor Tupirani da Hora Lopes, pessoas que vestiam camisetas pretas com os dizeres "Bíblia, sim" e "Constituição, não" encurralaram o delegado, que foi cercado e agredido.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Belicismo dos EUA aumenta em África

Belicismo dos EUA aumenta em África
por Carlos Lopes Pereira


"Respondendo a um apelo da Organização Mundial de Saúde, vários estados, entre os quais a China, Cuba, a Alemanha, enviaram médicos, enfermeiros, equipamento sanitário.

Mas os EUA têm uma estratégia própria, anunciada pelo presidente Barack Obama, num discurso proferido no Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, em Atlanta. A «pedido» do governo da Libéria, o Pentágono estabeleceu «um centro de comando militar» em Monróvia, a capital liberiana, a par de um ponto de apoio em Dakar (Senegal), numa operação chefiada pelo general Darryl Williams, do Africom.

Segundo o «New York Times», Obama considera a luta contra a epidemia de ébola uma prioridade da segurança nacional, ainda que haja poucas probabilidades de a doença atingir os Estados Unidos. Washington prevê gastar nos próximos seis meses 750 milhões de dólares na operação. A presença de tropas no terreno é justificada pela necessidade de construir unidades de isolamento e garantir a segurança do pessoal médico internacional envolvido no combate à epidemia.

As instituições militares estado-unidenses dão grande importância ao estudo das epidemias, utilizando-o no quadro do combate aos efeitos do «bioterrorismo» e das «armas de destruição maciça». Neste campo, cientistas e veteranos de guerra há muito que denunciam a realização de experiências secretas em soldados (como o teste de vacinas não aprovadas), por exemplo, durante a I Guerra do Golfo, contra o Iraque, em 1990/91."

No quadro da sua estratégia imperial de crescente intervencionismo militar em África, os Estados Unidos vão instalar uma segunda base aérea no Níger.

Segundo o Washington Post, o presidente nigerino, Mamadu Issufu, deu o seu acordo após a cimeira EUA-África, em Agosto, na capital norte-americana, numa reunião com o subsecretário da Defesa, Robert Work, e o comandante do Africom, general David Rodriguez.

A Jeune Afrique dá mais pormenores. Revela que há vários meses decorriam negociações para a criação da nova base militar, em Agadez, no centro-norte, já que os norte-americanos pretendiam «estar mais próximos das zonas sobrevoadas pelos seus drones».

Tribunal Russell está ameaçando América e Europa de “síndrome da Ucrânia”

Tribunal Russell está ameaçando América e Europa de “síndrome da Ucrânia”
por Andrei Ivanov 

"Possivelmente, o Tribunal Russel ajudará os europeus e americanos a tomar consciência dos acontecimentos na Ucrânia. Ao ter ouvido as declarações de testemunhas sobre os horrores da guerra civil no sudeste, o tribunal reconheceu culpados desse pesadelo: os presidentes da Ucrânia, Piotr Poroshenko, e dos Estados Unidos, Barack Obama, o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen. O veredicto de culpa e as respetivas provas serão encaminhados para a ONU, a OSCE e o Tribunal Penal Internacional.

Naturalmente, só as pessoas ingénuas podem supor que, após a sessão, os culpados vão ocupar o banco dos réus, o que não aconteceu também depois do Tribunal de 1967, dedicado a Vietname. Mas aquela sessão contribuiu para o surgimento de um amplo movimento antimilitarista nos EUA e na Europa, cuja envergadura, tal como os êxitos dos guerrilheiros vietnamitas que haviam lutado contra americanos e seus fantoches vietnamitas, obrigaram, no final de contas, os Estados Unidos a deixar o Vietname em paz. É muito provável que na Ucrânia aconteça o mesmo. É interessante se a América irá experimentar depois disso uma “síndrome da Ucrânia” à semelhança da “síndrome do Vietname”? "

Os presidentes da Ucrânia, Piotr Poroshenko, e dos Estados Unidos, Barack Obama, o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, são reconhecidos culpados de crimes militares cometidos em Donbass. A sentença foi proclamada pelo Tribunal Russell, reunido no sábado passado em Veneza.

Destaque-se que uma prisão não ameaça por enquanto as personalidades referidas acima. O Tribunal Russell é uma entidade informal e as suas resoluções não são obrigatórias para a execução. Foi convocado pela primeira vez em 1967, por iniciativa do filósofo Bertrand Russel e Jean-Paul Sartre, para reprovar os crimes militares cometidos por americanos e seus aliados no Vietname. Uma das suas tarefas foi “estabelecer a verdade sobre aquela guerra sem dar atenção ao medo e simpatias”. 

Atualmente, um júri formado por quatro juízes do povo, liderado por Albert Gardin, presidente do comité organizativo do Tribunal Russell em Veneza e um dos dirigentes do movimento pelo restabelecimento da independência da República de Veneza, tentou estabelecer a verdade sobre a guerra no Sudeste da Ucrânia. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Portugal : Garrote da dívida externa continua a aumentar

Venda a saldo de empresas portuguesas
Garrote da dívida externa continua a aumentar
por Eugénio Rosa


"Em Junho de 2014, a dívida ao estrangeiro atingia 322 176 milhões de euros, o que correspondia a 193,3% do PIB previsto para este ano. Isto significa que depois de tantos sacrifícios impostos ao País, o garrote da dívida externa não diminuiu"

Com a implosão do grupo BES, era de prever que aparecessem os «abutres» com o objetivo de comprar as melhores empresas a preços de saldo. Isso aconteceu e vai ter a ajuda deste Governo. Paulo Macedo, em declarações aos órgãos de comunicação social, já afirmou que o Governo não levantaria qualquer obstáculo à venda da Espírito Santo Saúde a um grupo mexicano, embora esta empresa tenha uma importância grande na área da saúde em Portugal, sendo mesmo responsável pela gestão do hospital público de Loures. O mesmo sucede com a seguradora Tranquilidade, objeto também da cobiça de vários grupos estrangeiros que a querem comprar por apenas 50 milhões de euros, certamente um preço de saldo.

Pela mão deste Governo já foram entregues a grupos estrangeiros o controlo de empresas estratégicas, como aconteceu com a CIMPOR, a EDP, a REN, a ANA, os CTT, a Fidelidade, o grupo de saúde HPP da CGD, e agora até a saúde, um bem público. E depois será o «Novo Banco». Tudo isto com a justificação falsa de que é bom para Portugal e para o seu desenvolvimento pois, segundo ele, atrai investimento. No entanto, «esqueceu-se» de dizer que esse investimento não cria mais riqueza, mas limita-se a apropriar-se da existente. Por isso interessa analisar os efeitos desta política de subserviência ao estrangeiro.

O Quadro 1, com dados do Banco de Portugal, mostra a dimensão do endividamento das Administrações Públicas (Estado), das empresas (públicas e privadas), dos particulares e da banca ao estrangeiro, e como ela evoluiu durante o Governo PSD/CDS.

Comunicado do V Congresso do Partido Comunista do México

Comunicado do V Congresso do Partido Comunista do México


"Ressalta que o México é um país de pleno desenvolvimento capitalista, intermediário e interdependente no sistema imperialista, onde os limites do capitalismo mostraram a necessidade do socialismo-comunismo e, por agora, se apresenta um desencontro entre as condições objetivas e as subjetivas. Daí, o reforço do Partido Comunista do México aparecer como elemento que introduz a consciência à classe ser um imperativo."

"Assim, o Partido Comunista do México tem claras suas metas programáticas: derrota revolucionária do capitalismo, instalação do poder operário e popular, socialização dos monopólios e dos meios de produção concentrados e combate às relações mercantis, planificação central da economia."

"O V Congresso estabeleceu os objetivos para reforçar o PCM em relação à preparação da derrocada do poder dos monopólios e do estabelecimento do poder operário e popular."


À classe operária

À mulher trabalhadora, à juventude trabalhadora, aos migrantes, aos desempregados,

Ao povo do México:

Nos días 13, 14 e 15 de setembro ocorreu, na Cidade de Oaxaca, o V Congresso do Partido Comunista do México, integrado pelos delegados eleitos nas células e acompanhado pelas delegações do Partido Comunista da Grécia, Partido Comunista Brasileiro, Partido Comunista dos Povos da Espanha, Partido Comunista Sudanês, Partido Comunista de El Salvador, Rede de Clubes Comunistas dos EUA (ML Today) e o Partido dos Comunistas dos EUA. Além disso, foi recebida a saudação de 40 partidos comunistas e operários, forças revolucionárias e movimentos anti-imperialistas.

EUA: Um Estado terrorista inimigo da humanidade

EUA: Um Estado terrorista inimigo da humanidade

por Miguel Urbano Rodrigues





"As guerras de agressão que atingiram o Afeganistão, o Iraque, a Líbia e a Síria foram precedidas de gigantescas campanhas de desinformação. Durante semanas, os povos dos EUA e da Europa foram massacrados com um tipo de propaganda que apresentava as intervenções militares como exigência da defesa da liberdade e dos direitos humanos em prol da democracia, contra a ditadura e a barbárie."

"O presidente Obama cumpre neste jogo criminoso o papel que lhe foi distribuído. Na realidade, o poder nos EUA está nas mãos do grande capital e do Pentágono. Mas isso não atenua a sua responsabilidade; a máscara não funciona , o presidente desempenha com prazer e hipocrisia a sua função na engrenagem do sistema de poder. Comporta-se na Casa Branca como inimigo da Humanidade."

"Nos últimos séculos somente a Alemanha de Hitler criou uma situação comparável pela monstruosidade dos crimes cometidos à resultante hoje da estratégia de poder dos EUA. Com duas diferenças fundamentais: a política do III Reich suscitou repúdio universal, mas apenas a Europa foi cenário dos seus crimes."

"No tocante aos EUA, centenas de milhões de pessoas são confundidas pela fachada democrática do regime, mas os crimes cometidos têm dimensão planetária."

"A advertência de Rosa Luxemburgo - Socialismo ou Barbárie - não perdeu atualidade. Ou o capitalismo, hegemonizado pelo imperialismo norte-americano, empurra a humanidade para o abismo, ou a luta dos povos o erradica do planeta. A única alternativa será então o socialismo."



O chamado Estado Islâmico-ISIL, que se apresenta como refundador do Califado, é a ultima aberração gerada pela estratégia de terrorismo de estado do imperialismo estado-unidense.

Essa estratégia surgiu como consequência de efeitos não previstos da execução do projeto de dominação perpétua e universal sobre a humanidade, concebido ainda em vida de Roosevelt, no âmbito do War and Peace Program, um projeto que identificava nos EUA o herdeiro natural do Imperio Britânico.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Portugal : “Fiscalidade Verde” - Um novo passo na injustiça fiscal

Passos Coelho
“Fiscalidade Verde” - Um novo passo na injustiça fiscal
por PCP





"Para justificar esta intenção invoca-se uma suposta neutralidade fiscal que não pretende mais que esconder que uns vão deixar de pagar o que outros passarão a pagar, transferindo receita fiscal para os grandes grupos económicos, de que é exemplo a transferência de 37,5 milhões de euros da Segurança Social, por via da redução da TSU das empresas. Nesta proposta está, mais uma vez, impressa a opção de classe deste governo de salvaguardar os interesses dos grandes grupos económicos que entretanto dominam os transportes públicos, a gestão de resíduos, a gestão das águas e águas residuais."


A Proposta da Comissão para a Reforma da Fiscalidade Verde é uma proposta de reafectação da tributação, carregando mais sobre as camadas mais empobrecidas com base na noção falsa de que a taxação dos seus hábitos e actividades têm efeitos ambientais sensíveis. É uma reforma de propaganda e de distracção, na medida em que o País está assolado pelos menores níveis de investimento desde há décadas a esta parte, com os jovens qualificados a abandonarem a economia e a sociedade, com a investigação desvalorizada e com o aparelho produtivo empobrecido.

É portanto uma reforma de doutrinação ideológica, baseada numa ampla campanha, que parte dos pressupostos dogmáticos que apontam a taxação como solução praticamente para tudo. Tenta confundir a salvaguarda dos recursos naturais com a taxação. Sob esta lógica quem pode comprar bens ou serviços menos poluentes, paga menos taxa, quem não pode, paga mais.

Para justificar esta intenção invoca-se uma suposta neutralidade fiscal que não pretende mais que esconder que uns vão deixar de pagar o que outros passarão a pagar, transferindo receita fiscal para os grandes grupos económicos, de que é exemplo a transferência de 37,5 milhões de euros da Segurança Social, por via da redução da TSU das empresas. Nesta proposta está, mais uma vez, impressa a opção de classe deste governo de salvaguardar os interesses dos grandes grupos económicos que entretanto dominam os transportes públicos, a gestão de resíduos, a gestão das águas e águas residuais.

Trata-se de uma reforma muito mais classista do que ambiental e usa o ambiente como adorno do que quer introduzir – agravando o desequilíbrio fiscal já existente em Portugal. Desde propor que seja proibido isentar de IVA as entidades públicas de gestão de resíduos para não prejudicar a concorrência com privados, até propor que os cidadãos sejam obrigados a pagar pelos sacos plásticos que compram – ao invés de, por exemplo, proibir a distribuição de sacos não biodegradáveis, até a aceitação da continuação (e alargamento a toda a indústria extractiva) da isenção de consideração dos lucros obtidos na exploração mineira ou petrolífera, desde que reinvestidos na recuperação de jazidas.

EUA - Lágrimas de crocodilo pelo Iraque

O verdadeiro legado dos Estados Unidos
Lágrimas de crocodilo pelo Iraque
por Nick Alexandrov (CounterPunch)



"Os antecedentes das “intervenções humanitárias” do imperialismo, repletas de crimes contra a humanidade, mostram bem quanto valem as novas preocupações “humanitárias” de Obama. Seja onde for que se manifestem, é sempre de esperar o pior."


“Isto é um acto de limpeza étnica, quase um genocídio, por assim dizer”, advertia um funcionário militar dos EUA. Estava a referir-se aos bombardeamentos que mataram quase 800 membros da seita minoritária yasidí no norte do Iraque. “Entre os feridos, um em cada cinco sofria lesões graves” e as suas “famílias estavam tão transtornadas pelo ataque que insistiam em levar os seus destroçados familiares de volta para as suas aldeias, longe dos hospitais que os estavam a tratar”, informava The New York Times. Os funcionários estado-unidenses atribuíam esta atrocidade à al-Qaida. Seguramente, seria necessária uma intervenção calibrada, eventualmente uma serie de ataques, para impedir uma potencial carnificina.

Mas estes bombardeamentos produziam-se em Agosto de 2007, anos depois do início da invasão estado-unidense. Nessa fase da ocupação, Bush “duplicava a presença estado-unidense no Iraque” enviando “entre 150.000 e 170.000 mercenários privados em apoio da missão ali instalada, com pouco ou nenhum conhecimento por parte do público ou do Congresso, e menos ainda com o seu consentimento”. Como o descreveram duas académicas estado-unidenses: é esse o tipo de democracia preferido por Washington. E as suas políticas exteriores favoritas: “invadir, ocupar, debilitar e saquear o Iraque”, “trouxeram a Al-Qaida para o país”, escreve Juan Cole, sublinhando que a organização islamita tinha zero de presença no Iraque antes de Março de 2003.

Quer isto dizer que o Iraque evoluiu segundo as expectativas de Washington. “Meses antes da invasão do Iraque, as agências de inteligência dos EUA predisseram a possibilidade de que se desencadeassem violentas divisões sectárias que iam proporcionar novas oportunidades à al-Qaida no Iraque e no Afeganistão”, revelava o Washington Post em Maio de 2007. Estas sombrias análises “estiveram circulando profusamente dentro da administração Bush antes da guerra” mas, não obstante, prosseguiram com os seus planos, com os efeitos devastadores de todos conhecidos.

“As tensões sectárias e étnicas mais graves na história moderna do Iraque produziram-se após a invasão dirigida pelos EUA em 2003”, assinalava Sami Ramadani no The Guardian. “Os EUA tinham a sua própria política de divide e vencerás, promovendo organizações iraquianas baseadas na religião, na etnia, na nacionalidade e na seita em vez de na política”, continuava. As suas observações reforçavam as que o analista político iraquiano Firas Al-Atraqchi publicou recentemente: “Desde a queda de Bagdad em 2003, a comunidade cristã tem estado debaixo de ataque e desde então dezenas de milhares dos seus membros fugiram do país por temor às perseguições religiosas”.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

O (ANTI) AMBIENTALISMO DE MARINA SILVA

O (ANTI) AMBIENTALISMO DE MARINA SILVA
Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda


"Marina combina no seu discurso e no seu apoio político dois tipos de ambientalistas: os de santuário e capital. Em nenhum dos modelos, como demonstramos, existe espaço para a inclusão social. Os ambientalistas de santuário vivem atrás de um mundo idílico, com o afastamento da atuação das comunidades tradicionais. Os de capital, da agregação de valor aos seus produtos pelo uso de um selo verde."

"A grande base ambiental de Marina Silva é formada por empresas capitalistas típicas, e aqui não falo apenas dos aplicadores no mercado verde da bolsa de valores, mas de empresas como a comandada pelo seu ex-candidato a vice-presidente em 2010, a Natura.

Numa perfeita adequação ao mundo do capitalismo pós-moderno, Marina Silva é um simulacro ambientalista! Uma fantasia sem conteúdo concreto, um espectro da antiga seguidora de Chico Mendes. É a nova representação icônica do capitalismo financeiro monopolista."

É possível que encontremos raízes do ambientalismo já na antiguidade. Que o tema da ação negativa do homem sobre a natureza já tenha sido tratado por diversos autores e filósofos, dos mais progressistas aos conservadores.

Mas, segundo o sociólogo inglês Anthony Giddens, o que conta a história é que o Sierra Club, fundado por Henry Thoureau nos Estados Unidos em 1892 pode ser considerada a primeira organização ambientalista de atuação significativa no mundo.

Desse momento modesto do final do século XIX muita coisa já passou. Muitas organizações ambientalistas surgiram, especialmente em meados das décadas de sessenta e setenta do século XX, algumas com estruturas transnacionais, que se afirmam sem pátria, sem território e sem partido, tema que retomaremos mais adiante.

Mas o movimento ambiental nem sempre foi afirmativo, revolucionário, transformador. Eu diria, que um grande grupo, dominado por financiamentos privados de grandes corporações ainda está longe disto. É possível, por exemplo, realizar uma ação radical contra o petróleo no Mar do Norte, mas fechar os olhos contra a tragédia que é a atuação da British Petroleum nos Estados Unidos.

Dívida pública brasileira: A soberania na corda bamba

Dívida pública brasileira: A soberania na corda bamba

"A dívida total brasileira no ano de 2013 chegou ao valor aproximado de R$ 4 trilhões; o pagamento de juros e amortizações alcançou R$ 718 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 2 bilhões por dia; esse desembolso anual representa 40% do orçamento da nação."

O assunto dívida pública é censurado pela mídia mercantilista porque esta se alimenta do abjeto poder financeiro, constituído por abutres insaciáveis que devoram impiedosamente massas humanas em todo o mundo, gerando desemprego, fome e miséria. A abordagem desse assunto pelos órgãos de comunicação é parcial, distorcida e enganosa.

A Comunicação, sem qualquer escrúpulo com o seu fundamental papel para capacitar a população na tomada de decisões em benefício de todos, denomina a auditoria como calote, aceita e reforça o conceito de dívida líquida, subtraindo do valor real, bruto da nossa dívida, as reservas internacionais, que são aplicações do Brasil no exterior, a juros perto de zero.

Enquanto isso, pagamos juros acima da taxa SELIC, os maiores do mundo. É como subtrair de uma dívida com juros altíssimos o dinheiro parado dentro de um colchão.

A dívida total brasileira no ano de 2013 chegou ao valor aproximado de R$ 4 trilhões; o pagamento de juros e amortizações alcançou R$ 718 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 2 bilhões por dia; esse desembolso anual representa 40% do orçamento da nação.

Este filme contribuirá muito para ajudar na conscientização do povo brasileiro, única forma de libertar o nosso país dessa submissão ilegal, injusta e odiosa.


A manipulação das eleições burguesas e a Frente de Esquerda

A manipulação das eleições burguesas e a Frente de Esquerda
por PCB 


Nas eleições deste ano, repete-se o mesmo roteiro de sempre. As classes dominantes escolhem seus candidatos e, valendo-se de sua hegemonia política e econômica, os impõem ao eleitorado como as únicas alternativas viáveis à sua disposição.



Entre os candidatos fora deste cardápio oficial há os que são folclorizados, os laranjas a serviço de um dos escolhidos e os que são invisibilizados, quanto mais denunciem e lutem contra o sistema capitalista. 

Na escolha dos candidatos do sistema, o principal critério é a confiança de que vão assegurar e fortalecer os fundamentos do capitalismo. Nunca escolhem apenas dois; é preciso um ou mais, como reserva, para o caso de inviabilização, por qualquer motivo, de uma das candidaturas. Para manter a hegemonia, contam com a divisão favorável do tempo de televisão, financiamento privado milionário e espaço privilegiado na mídia empresarial. 

As pesquisas eleitorais, que só precisam ser sérias na boca de urna, cumprem o papel de ajudar a moldar resultados, cristalizar polarizações. Em função delas é que flutuam as bolsas de financiamento privado e de apoios políticos. 

Já os debates nos meios de comunicação particulares, sobretudo nas redes de televisão, pautam e induzem os candidatos a se comprometerem com as demandas do capital, num campeonato de promessas à busca de mais financiamento privado para a campanha. Ganha mais recursos quem garante manter a política econômica que vem desde os governos neoliberais de Collor e FHC, a autonomia do Banco Central, as privatizações, mais subsídios, isenções fiscais, empréstimos de bancos públicos a fundo perdido e outras medidas para desenvolver o capitalismo. Por outro lado, nenhum deles promete aumentos salariais e direitos para os trabalhadores, reforma agrária, fim das privatizações, combate à expansão da saúde, da educação e do transporte público como mercadorias. 

A manipulação inclui dificultar que algum candidato ganhe no primeiro turno, o que o tornaria forte e com alguma independência. O segundo turno é fundamental para os interesses do capital e dos seus representantes políticos. É o espaço para as grandes transações para garantir mais apoio político, financiamento privado e espaços na mídia. O maior exemplo foi a chamada "Carta aos brasileiros", leia-se, aos banqueiros, que garantiu a vitória de Lula no segundo turno, em 2002, e que marcou esses doze anos de governo petista. 

domingo, 21 de setembro de 2014

A História não mente

A História não mente
por Afonso Costa

"A sanha do imperialismo não tem limites, que o digam o Afeganistão, a Ucrânia, a Síria, o Iraque, o Egito, o povo palestino, particularmente suas crianças."

"O verdadeiro terrorismo é do capital, internacionalista apenas na exploração dos seres humanos em sua busca incessante por lucros. Custe o que custar em termos de vidas humanas e de democracia."

"Rosa Luxemburgo previu que chegaria o tempo no qual a humanidade se veria diante de uma encruzilhada: socialismo ou barbárie. Quando crianças são assassinadas por mísseis e bombas, povos são jogados na miséria por interesses financeiros e geopolíticos, cerca de um bilhão de pessoas vivem na miséria, quando a mentira prevalece sobre a verdade e os xerifes se pretendem justiceiros internacionais é porque já estamos vivendo a barbárie."


Aguardei passar o dia 11 de setembro propositalmente para verificar nos jornais, revistas, televisão e internet a repercussão de dois fatos que marcaram a data: o assassinato de Salvador Allende e o atentado às Torres Gêmeas.

O segundo foi praticamente ignorado. Apesar das milhares de vítimas e do sofrimento dos seus familiares, a mídia empresarial não repercutiu o fato. Talvez escondendo que a partir daí começou uma orgia dominadora que culminou com invasões, agressões, golpes de estado, assassinatos em vários países acusados de cooperarem com o “terrorismo”, cuja cena mais emblemática possivelmente seja o enforcamento de Sadam Hussein.

Estado Islâmico: espelho da barbárie imperialista

Estado Islâmico: espelho da barbárie imperialista
por Hugo R C Souza




"O Estado Islâmico brotou do recente financiamento ianque e europeu a alguns desses grupos sunitas, os que se apresentaram para combater o gerenciamento alauita de Bashar Al-Assad na Síria – no contexto da contenda interimperialista entre USA e Rússia, que atirou aquele país em uma sangrenta guerra civil. Grande parte do armamento inicialmente utilizado pelo ISIS (Estado Islâmico do Iraque e do Levante, hoje só Estado Islâmico) veio de grupos armados pelo USA e depois cooptados por Abu Bakr al-Baghdadi, o auto-proclamado Califa Ibrahim, líder do EI.

Os dezenas de milhares de combatentes do Estado Islâmico estão espalhados por 25% do território sírio e por aproximadamente 40% do território iraquiano, somando uma área total de 215 mil quilômetros quadrados, o equivalente ao território do Reino Unido. O EI, que tem fartura de recursos graças, sobretudo, ao contrabando do petróleo extraído nas áreas por ele dominadas, declarou a criação de um Califado em uma vasta região entre o Iraque e a Síria, e já expressou intenção de se expandir também para Arábia Saudita e Jordânia.

No covil do imperialismo já se aventa a possibilidade de uma “intervenção humanitária” do Ocidente para livrar a Síria dos horrores das decapitações, crucificações, mutilações que tais e outras barbaridades cotidianamente levadas a cabo pelo Estado Islâmico, cuja terrificante ascensão abre assim a possibilidade do desnivelamento do impasse interimperialista na Síria."


No último 20/8 a estratégia da barbárie posta em prática pelo já famigerado Estado Islâmico em grande parte do Iraque e da Síria, impingindo imenso sofrimento a um grande contingente populacional daquela região, foi apresentada ao mundo pelo vídeo da decapitação do jornalista britânico James Foley. No dia 2/9, mais um vídeo, mais uma cabeça rolando sob a faca, desta vez a do também jornalista britânico Steven Sotloff.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

EUA: o novo terrorismo financeiro sob máscara jurídica

EUA: o novo terrorismo financeiro sob máscara jurídica
ESCRITO POR ATILIO A. BORON



"Conclusão: estamos na presença de uma nova forma de terrorismo, tanto ou mais letal que a primitiva e com um alcance muitíssimo maior. Um terrorismo que responde às recomendações de teóricos e estrategistas imperiais como Joseph Nye Jr. quando aconselha Washington a navegar nas turbulentas águas do sistema internacional fazendo uso de uma adequada combinação do “poder duro” dos militares com o “poder brando” da indústria cultural e a ideologia (3).

A síntese de ambos seria o “poder inteligente”, mais eficaz que aquele que só se apoia na eloquência das armas. O acosso financeiro seria, segundo tal corrente de pensamento, uma expressão deste “poder inteligente”, que submete e oprime apelando a recursos distintos dos convencionais, mas, dizemos, igualmente terríveis. Porém, os crimes do terrorismo financeiro não são exibidos como tais pelo imenso aparato midiático da direita mundial, pois só aparece como uma questão de técnica jurídica, de respeito aos contratos e à lei, embora se trate da lei de um Estado imperial que com prepotência a impõe sobre o resto do planeta.

Um terrorismo dissimulado, letal que, a diferença do caso do carrasco jihadista, não ofende – por ora, como dissera o comandante Hugo Chávez! – a consciência universal de nosso tempo. Mas que, mais cedo ou mais tarde, será repudiado pela grande maioria de países que compõem este atribulado planeta. Disso ninguém tem a menor dúvida."


O Estado Islâmico tem produzido uma lamentável inovação no formato da longuíssima história do terrorismo. Os exemplos de execuções antigas, cujas testemunhas diretas eram poucas, agora são transmitidos por internet em tempo real e seu horrendo impacto chega aos quatro cantos do planeta. Mas essa mudança não oculta o primitivismo do método, a decapitação, utilizada pelas mais distintas culturas desde tempos imemoriáveis.

A opinião pública mundial se estremece e se escandaliza diante desta nova mostra de barbárie, reforçando a satanização do Islamismo e, por contraposição, exaltando os valores humanistas da (muita) mal chamada “civilização ocidental e cristã”, essa mesma que assistiu indiferentemente os fornos crematórios de Hitler, para expor apenas um dos tantos exemplos aos que poderia apelar neste artigo. Tampouco se estremeceu diante do terrorismo de Estado que Israel perpetrou com calculada selvageria, há apenas poucas semanas em Gaza, corretamente caracterizada como o maior cárcere a céu aberto do mundo.

Redesenhar o mapa da Federação Russa: Partição da Rússia após uma III Guerra Mundial?

Redesenhar o mapa da Federação Russa:Partição da Rússia após uma III Guerra Mundial?
por Mahdi Darius Nazemroaya



"Há maquinações em marcha para desconstruir e reconstruir nações e grupos no espaço pós-soviético e no Médio Oriente. Isto pode chamar-se a manipulação do tribalismo em calão sociológico e antropológico ou, no calão político, a representação do Grande Jogo. Neste contexto, o ucranianismo tem sido especialmente apoiante de elementos anti-governo e dos sentimentos nacionalistas anti-russos na Ucrânia há mais de cem anos, primeiro pelos austríacos e os alemães, depois através dos polacos e dos britânicos, e agora pelos EUA e a NATO. "

O objetivo final dos EUA e da NATO é dividir (balcanizar) e pacificar (finlandizar) o maior país do mundo, a Federação Russa, e estender mesmo um manto de desordem perpétua (somalização) sobre o seu vasto território ou, pelo menos, sobre uma parte da Rússia e do espaço pós-soviético, à semelhança do que está a ser feito no Médio Oriente e no Norte de África. A futura Rússia ou as muitas futuras Rússias, uma pluralidade de estados enfraquecidos e divididos, que Washington e os seus aliados da NATO preveem, estará/estarão demograficamente em declínio, desindustrializadas, pobres, sem qualquer capacidade de defesa e sem zonas interiores que possam ser exploradas para obter recursos. 

Os planos imperiais de caos para a Rússia 

Washington e a NATO não se contentaram com a destruição da União Soviética. O objetivo final dos EUA é impedir que surjam quaisquer alternativas a uma integração euro-atlântica na Europa e na Eurásia. É por isso que a destruição da Rússia é um dos seus objetivos estratégicos. 

Os objetivos de Washington estiveram vivos e presentes durante a luta na Chechénia. Também puderam ser vistos na crise que irrompeu em EuroMaidan na Ucrânia. De facto, o primeiro passo para o divórcio entre a Ucrânia e a Rússia foi um catalisador para a dissolução de toda a União Soviética e para quaisquer tentativas de a reorganizar. 

O intelectual polaco-americano, Zbigniew Brzezinski, que foi conselheiro de segurança nacional do presidente americano Jimmy Carter e um dos arquitetos por trás da invasão soviética do Afeganistão, defendeu a destruição da Rússia através duma desintegração e devolução graduais. Estipulou que "uma Rússia mais descentralizada seria menos suscetível à mobilização imperialista" Por outras palavras, se os EUA dividissem a Rússia, Moscovo não poderia desafiar Washington. Neste contexto, afirma o seguinte: "Uma Rússia confederada informalmente – formada por uma Rússia europeia, uma república siberiana e uma república do extremo oriente – teria mais facilidade de cultivar regulações econômicas mais estreitas com a Europa, com os novos estados da Ásia central e com [a Ásia oriental], acelerando assim o desenvolvimento da Rússia".

A melhoria das condições de vida do povo não passa pelas eleições: A luta é a solução

A melhoria das condições de vida do povo não passa pelas eleições: A luta é a solução

"Agora vêm as eleições e mais promessas de mudanças. As manifestações de junho de 2013, quando milhões foram para as ruas e conquistaram a diminuição dos valores das tarifas no transporte, mostraram o caminho: a luta, a mobilização e a greve para conquistar melhorias para o povo e dobrar os governantes e os patrões. As eleições servem para mudar os governantes e continuar a mesma política que garante o lucro dos grandes monopólios, dos bilionários. É uma farsa, que semeia a ilusão que as coisas mudam com o voto. Na sociedade, capitalista, o Estado garante o lucro máximo para os milionários e bilionários, garante a acumulação de riqueza. É uma sociedade de exploração do povo, dos trabalhadores.

Somente a luta popular e a solidariedade entre os explorados e oprimidos pode mudar essa situação, derrotando a política econômica do governo federal, do Estado brasileiro e das classes dominantes que estão no poder. Derrotar a política que garante os altos lucros dos grandes monopólios. A alternativa à atual política econômica é construir uma economia e uma produção, voltada para atender os interesses do proletariado e do povo, construir uma sociedade socialista, sem miséria e exploração."

Em 5 de outubro será realizada mais uma eleição. De eleição em eleição, de promessa em promessa, continuamos a viver no Brasil uma deterioração dos serviços essenciais como saúde, educação, transporte e saneamento básico. O acesso à moradia digna é uma calamidade.

Nas despesas do orçamento da União em 2013 o governo federal destinou 40%, R$ 718 bilhões para o pagamento de juros e amortização da dívida pública. Dinheiro que vai principalmente para os grandes bancos. Para a saúde foram 4,3% do orçamento, R$ 83 bilhões, e para a educação 3,7%, R$ 53 bilhões. O pagamento de juros aos grandes grupos econômicos abocanhou cinco vezes mais recursos do orçamento federal do que essas duas áreas fundamentais ao bem estar da população. O mesmo ocorre nos governos estaduais e municipais.

Outro exemplo gritante: O Brasil, 7ª economia do mundo, em 2011 ocupava a 112ª posição no quesito saneamento básico, de um total de 200 países. 48% da população do país, mais de 90 milhões de brasileiros, não têm coleta de esgoto.

[EUA] O controle da informação

[EUA] O controle da informação
Rebelión - Néstor García Iturbe, 

Tradução do Diário Liberdade


"Tudo parece indicar que a prova que realizei há muitos anos sobre o controle da informação nos Estados Unidos, se fizesse atualmente chegaria aos mesmos resultados. É muito fácil: ligue o televisor na hora do noticiário, conecte em um dos canais existentes, estão mostrando uma notícia, muda para o próximo canal, a mesma notícia, muda para cada um dos outros canais e continuará vendo tal notícia; quando começar a segunda notícia, repita o procedimento e voltará a acontecer a mesma coisa. Regularmente as cinco principais notícias são as mesmas em todos os canais, apesar da grande quantidade de canais de televisão existentes.

A imprensa nos Estados Unidos se converteu em porta-voz da classe dominante."
Poucos dias atrás estive interagindo com um grupo de dez estudantes estadunidenses de diferentes estados. Todos eram jovens de um nível relativamente alto.

De acordo com o que pude observar, praticamente todos tinham meios portáteis de comunicação (tablets, ipods, telefones celulares de vários modelos, computadores com wi-fi e seguramente outros mais sofisticados. Tinham os meios para receber informação, mas não tinham a informação.

Levando tudo isso em consideração, reafirmei o que já conhecia, o controle da informação que as grandes corporações têm em suas mãos nos Estados Unidos. O mito da "Freedom of the press" ("Liberdade de imprensa") tantas vezes invocado e muitas vezes pisoteado. Lembrei de um documentário sobre o assunto transmitido recentemente pela Telesur, em que se falava e se explicava como a famosa liberdade de imprensa não existe realmente nos Estados Unidos e como dois ou três consórcios controlam toda a imprensa, tanto a escrita, como a que se difunde por outros meios.

O problema não é ter uma grande quantidade de meios informativos que aparentemente difundem o que acontece nos Estados Unidos e no mundo, o problema real é o que se difunde, o que se passa para o povo, que somente reflete o que pode beneficiar e interessar aos grandes interesses econômicos que dominam tais meios informativos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Aborto não é questão de opinião

Aborto não é questão de opinião 
por Lugar de Mulher - (Clara)


"Eu fico descaralhada quando vejo a cobertura do caso da Jandira com foco na “quadrilha que realizava abortos” e mais ainda com os comentários. “Mereceu”, “matou, morreu”, “na hora de abrir as pernas foi bom” e todas aquelas outras pérolas que vocês podem imaginar. Além da ignorância e da percepção de que a vida da mulher não vale nada, isso também demonstra uma atitude punitivista com a mulher que faz sexo. Deu? Agora aguenta. Ninguém pergunta onde está o homem que engravidou. Ninguém quer saber se ele se protegeu, se ele se preocupou. Diante dos olhos desse terrível senso comum, ao homem não cabe nenhuma responsabilidade quando o assunto é contracepção."

Temos mais uma vítima do aborto ilegal no Brasil. Jandira, 25 anos, mãe de dois, foi levada a uma clínica de aborto clandestina e “desapareceu”.

E é isso que acontece em um país que criminaliza a liberdade de escolha da mulher. 

Uma mulher que quer fazer um aborto não está interessada se sua tia Celina acha um crime, se o seu primo Robério considera a legalização genocídio, se você é contra porque acha que é uma vida e todos têm direito à vida. Uma mulher que quer fazer aborto vai fazer esse aborto. Ou vai tentar e se estrepar. Vai tentar numa clínica ou em casa com remédio ou enfiando uma agulha de tricô no útero e depois morrendo de medo de ir ao médico fazer uma curetagem, ser denunciada e presa. Uma mulher que estiver passando pelo desespero de uma gravidez indesejada vai colocar sua vida em risco porque o Estado não nos dá o direito de escolher legalmente o que queremos, então burlamos a lei. Não dá nem pra dizer que quem tem grana sempre vai na clínica limpinha, olha o que aconteceu com a Jandira. Ela pagou quatro mil e quinhentos reais e morreu. Imagina então o que acontece com quem não tem nenhum dinheiro. Com as mulheres negras, pobres, da periferia.

A sua opinião pessoal sobre aborto não importa. As mulheres vão continuar abortando e correndo risco de vida enquanto não for legal e seguro. Não é possível que seja tão difícil de entender.

A legalização do aborto não é uma questão de crenças, tabus ou religião, que sequer deveriam ser envolvidos nessa questão. É uma questão de saúde pública e deve ser tratada como tal.

Finalmente Obama lança sua neo guerra imperial

Finalmente Obama lança sua neo guerra imperial 
[*] MK Bhadrakumar, Strategic Culture



"A presidência de Obama completou seu ciclo, ao reinventar os dogmas neoconservadores que ele rejeitava ou fingia rejeitar, rejeição que o tornou elegível. Com o pretexto de estar combatendo algum Estado Islâmico – o qual, para começo de conversa, é criação dos EUA e de seus aliados – o que temos ante os olhos é massivo projeto neoconservador para remodelar o Oriente Médio Muçulmano para que se “adapte” aos objetivos geopolíticos dos EUA. Deem o nome que quiserem, é guerra imperial – por mais que seja guerreada por Prêmio Nobel da Paz, no trono do golpista-em-chefe."

O presidente dos EUA, Barack Obama, expôs num grande discurso na 4ª-feira (10/9/2014), sua estratégia para “degradar e na conclusão destruir” o Estado Islâmico no Iraque e Síria (ing. ISIS). A estratégia não tem prazo para ser concluída e, na essência, implica que os EUA vão jogar muçulmanos contra muçulmanos numa guerra horrenda, servindo-se de um“poder esperto” [orig. smart power], que providencia para que não haja cadáveres norte-americanos. Pelo que tudo sugere, será guerra autofinanciada, paga pelos petrodólares dos estados árabes do Golfo, no Oriente Médio.


A estratégia está erigida sobre três pilares:
●– Primeiro, fixa bem definidos limites para o que é intervenção militar, pelos EUA;
●− Segundo, ressuscita a agenda de “mudança de regime” na Síria;
●− Terceiro, dá por desnecessário e dispensável qualquer mandado recebido da ONU.
Essencialmente, é versão re-embalada da intervenção cruamente unilateral dos EUA no Oriente Médio que já conhecemos do governo de George W. Bush.

Claramente, Obama adiou a exposição de sua “estratégia”, à espera de que a opinião pública nos EUA “amadurecesse”. As pesquisas de opinião já mostram hoje alto grau de aprovação nos EUA a favor de nova intervenção militar dos EUA no Iraque e Síria. O assassinato horrível de dois jornalistas norte-americanos pelo Estado Islâmico sem dúvida influenciou os resultados da pesquisa de opinião pública. Mas o fator essencial é o medo que veio sendo injetado na mente dos norte-americanos, ao longo de semanas e meses, por campanha de publicidade & marketing que visou a posicionar o Estado Islâmico como se fosse ameaça direta à “segurança da pátria” nos EUA. O truque funcionou, como o “provam” as pesquisas de opinião. Obama escolheu a dedo o momento, véspera do 11º aniversário dos ataques de 11/9, para expor sua estratégia ao povo norte-americano.

domingo, 14 de setembro de 2014

O fim de uma ilusão

O fim de uma ilusão

"Este processo de desenvolvimento capitalista foi elogiado como progressista e algumas forças políticas trataram de o justificar a partir do marxismo – deformando-o abertamente –, sobretudo no que se refere ao carácter do Estado; como sabemos, esta foi uma operação tentada pelo oportunismo da decadente II Internacional. Então, chegou-se a colocar o Estado acima da luta de classes – como um árbitro entre estas –, infeliz formulação que subordinou durante décadas a luta proletária, permitindo que o capital actuasse impunemente.

Felizmente para a classe operária essas ilusões não existirão mais, ainda que, devemos sublinhar, as forças políticas reformistas continuarão agarradas a essas posições. Actualmente, essas forças estão cada vez mais minguadas e no seu papel de testemunhas dedicam-se, apenas, a lamentar, rabiar e, quais carpideiras, a pregoar que o futuro está no regresso ao passado. O seu argumento é primário, e têm uma leitura diferente da que têm os comunistas sobre a realidade do país. Enquanto os reformistas veem o México como um país dependente, nós, comunistas, consideramos que o México é um país de pleno desenvolvimento capitalista, inserido no sistema imperialista, onde ocupa um lugar intermédio, com monopólios consolidados e poderosos."

Dois acontecimentos paralelos tiveram um fortíssimo impacto em todos os países do mundo no final do século XX: o processo de reestruturação capitalista, e o triunfo temporário da contra-revolução que levou ao derrube da construção socialista na URSS e noutros países da Europa, Ásia e África.

A ilusão de que era possível um terceiro caminho veio assim por dois atalhos. Esta ilusão assentava na correlação aberta pelo confronto entre o campo socialista e o campo do imperialismo. Alguns pensadores e as suas organizações, tal como a retórica do nacionalismo revolucionário, argumentavam sobre a originalidade do caminho mexicano e o seu sistema de economia mista (intervenção do Estado na economia e propriedade privada); alguns reformistas defendiam, deformando o marxismo, que isso abria caminho para a passagem gradual e pacífica ao socialismo. 

Hoje, essa ilusão chega ao fim com a aprovação a todo o vapor, pelo Congresso da União e o órgão Constituinte Permanente, do fim do monopólio do Estado mexicano sobre o petróleo e a electricidade, abrindo assim o caminho para a promulgação presidencial por Peña Nieto da reforma energética. Este facto marca, definitivamente, a morte do que alguns chamam o nacional-desenvolvimentismo. A sua agonia começou em meados dos anos 80, com um acelerado processo de privatizações que desmantelou o sector estatal da economia (que representava, então, quase 70% da economia), transferindo-o através de processos irregulares e impregnados de corrupção para os que hoje são os poderosos monopólios dos diversos ramos da economia: no sector mineiro e metalúrgico, nas telecomunicações, no sector financeiro, na agro-indústria alimentar, etc., assim como em sectores parasitários da economia como a especulação imobiliária, a compra-e-venda de dólares, a especulação bolsista dos fundos sociais – como as pensões e reformas –, e também o branqueamento de dinheiro do narcotráfico, etc..