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domingo, 15 de janeiro de 2017

Derrotar Trump

Trump não é outsider. Representa o sistema


Derrotar Trump
por Ângelo Alves

"A administração Trump será um acrescido factor de exploração, guerra, turbulência e incerteza. Mas como o balanço da administração Obama demonstra, esses perigos não nasceram com a eleição de Trump nem fazem dos seus antecessores, ou rivais, imaculados progressistas. A sua eleição é uma expressão e uma consequência da incerteza e perigos que decorrem da evolução do Mundo e da principal potência imperialista mundial. Analisar o que já se passou, e o que se vai passar, sem ter como pano de fundo o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, o extremamente complexo processo de rearrumação de forças que marca a realidade mundial, e a violenta ofensiva do imperialismo que está a conduzir o Mundo a uma situação de guerra generalizada e à emergência de forças reaccionárias e fascistas, seria um erro.

Trump não é outsider. Representa o sistema, é a face da reação do grande capital e do imperialismo à crise do capitalismo. A linha política de Trump e dos seus secretários aponta para um rumo de ainda maior exploração dos trabalhadores e do povo norte-americano; para uma ainda mais violenta afirmação belicista dos EUA e para uma ainda mais vincada deriva reacionária da política interna e externa dos EUA."

A aproximação da tomada de posse do novo presidente dos EUA não deve fazer perder de vista as tendências de fundo da situação internacional e nos principais centros do imperialismo, com destaque para aquela que ainda é indiscutivelmente a sua maior potência – os EUA.

As eleições nos EUA revelaram um conjunto muito significativo de contradições: na própria sociedade norte-americana cada vez mais mergulhada numa profunda crise social de gigantescas e crescentes desigualdades e discriminações; no estado da economia norte-americana, cujo grau de financeirização, componente externa e de pilhagem internacional ainda tenta esconder uma crise económica que não cessa de acumular enormes factores de risco; no seio das classes dominantes, cujas rivalidades se acentuam face à profundidade da crise económica, ao declínio económico relativo mundial dos EUA e ao processo de rearrumação de forças no plano internacional; e ainda no plano político quando se assiste a uma erosão ideológica do sistema de poder que tem dominado aquele país.

A administração Trump será um acrescido factor de exploração, guerra, turbulência e incerteza. Mas como o balanço da administração Obama demonstra, esses perigos não nasceram com a eleição de Trump nem fazem dos seus antecessores, ou rivais, imaculados progressistas. A sua eleição é uma expressão e uma consequência da incerteza e perigos que decorrem da evolução do Mundo e da principal potência imperialista mundial. Analisar o que já se passou, e o que se vai passar, sem ter como pano de fundo o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, o extremamente complexo processo de rearrumação de forças que marca a realidade mundial, e a violenta ofensiva do imperialismo que está a conduzir o Mundo a uma situação de guerra generalizada e à emergência de forças reaccionárias e fascistas, seria um erro. 

Trump não é outsider. Representa o sistema, é a face da reação do grande capital e do imperialismo à crise do capitalismo. A linha política de Trump e dos seus secretários aponta para um rumo de ainda maior exploração dos trabalhadores e do povo norte-americano; para uma ainda mais violenta afirmação belicista dos EUA e para uma ainda mais vincada deriva reacionária da política interna e externa dos EUA.

Obama, o criminoso de guerra carrasco de mulheres e crianças

Obama, o criminoso de guerra carrasco de mulheres e crianças
por Paul Craig Roberts
"O único propósito destes crimes é enriquecer a indústria de armamentos e avançar a insana ideologia neoconservadora da hegemonia mundial estado-unidense. Um minúsculo punhado de pessoas desprezíveis foi capaz de destruir a reputação dos Estados Unidos e assassinar milhões de pessoas, enviando ondas de refugiados de guerra para os EUA e a Europa.

Chamamos a isto "guerra", mas elas não são. São invasões, em grande parte a partir do ar, mas no Afeganistão e no Iraque de tropas sobre o terreno. As invasões por ar e por terra são inteiramente baseadas em mentiras flagrantes e transparentes. A "justificações" para as invasões mudaram uma dúzia de vezes.

As perguntas são: se Trump se tornar presidente, será que os crimes maciços de Washington contra a humanidade continuarão? Se assim for, será que o resto do mundo continuará a tolerar a perversidade extraordinária de Washington? "
Não há dúvida de que o presidente Barak Obama é um criminoso de guerra assim como o são seus responsáveis militares e de inteligência e a maior parte da Câmara e do Senado. 

Obama foi o primeiro presidente a manter os EUA em guerra durante toda a duração dos seus oito anos de mandato. Só em 2016 os EUA despejaram 26.171 bombas sobre festas de casamento, funerais, jogos de futebol de garotos, hospitais, escolas, pessoas nas suas casas e a andarem nas ruas e agricultores a lavrarem seus campos em sete países: Iraque, Síria, Afeganistão, Líbia, Iémen, Somália e Paquistão.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A libertação de Auschwitz pelo Exército Soviético

A libertação de Auschwitz pelo Exército Soviético
por MANUELA PIRES
"Não deixar esquecer os crimes do nazismo e lutar hoje contra os perigos do nazi-fascismo e as ameaças de uma nova guerra é tarefa inadiável a exigir a mobilização das forças democráticas e de todos os trabalhadores."

"«O fascismo é a ditadura terrorista dos círculos mais reacionários e agressivos do capital financeiro. Hitler foi um instrumento dos monopólios alemães que alimentaram, apoiaram e lucraram com a criminosa política nazi, incluindo com a mão-de-obra escrava dos prisioneiros dos campos de concentração. Nada disto pode ser esquecido. As tentativas para apagar as responsabilidades do grande capital na hecatombe da Segunda Guerra Mundial e esconder a natureza de classe do nazi-fascismo devem ser fortemente combatidas. (…) Devem ser firmemente rejeitadas operações de falsificação da História que visem apagar, diminuir ou deformar a heroica contribuição do movimento operário, dos comunistas e da União Soviética para a derrota do nazi-fascismo e absolver os EUA, a Grã-Bretanha e a França da política de “apaziguamento” simbolizada pela traição de Munique que, procurando encaminhar a Alemanha nazi contra a URSS, conduziu ao desencadeamento da guerra.»"
Assinalar os 72 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz pelo Exército Vermelho não deve ser encarado como uma mera efeméride, mas sim como mais um momento da permanente reflexão sobre as causas e as consequências do ascenso do nazismo e da Segunda Guerra Mundial que lhes estão associadas, retirando as necessárias conclusões para o presente e para o futuro. Uma reflexão tanto mais imprescindível quanto um pouco por todo o lado se assiste ao levantar cabeça das forças neonazis e a uma ofensiva de desvalorização e apagamento do papel determinante da União Soviética e do Exército Vermelho para a derrota do nazismo e a libertação dos povos.

Um momento para relembrar a conivência do fascismo português com o nazi-fascismo alemão e italiano, não permitindo que se apague da memória que o governo fascista de Salazar, já depois de ter activamente participado ao lado de Franco na mortífera Guerra de Espanha (1936-1939), tinha afirmado a neutralidade portuguesa, o que seria de facto uma permanente colaboração. As notícias sobre os campos de concentração eram cortadas pela censura. Na Igreja dos Mártires da Pátria celebrou-se missa pela alma de Mussolini e mais tarde pela de Hitler. O campo de concentração do Tarrafal (inaugurado em 1936) continuou a funcionar até 1956, sendo reaberto em 1961 para os resistentes das ex-colónias.

sábado, 7 de janeiro de 2017

O capitalismo não cairá sozinho, é preciso derrubá-lo

O capitalismo não cairá sozinho, é preciso derrubá-lo
por Fernando Bossi Rojas
"O detalhe está em que o capitalismo não cairá por si só, nem colapsará por mera “implosão”, como desejam muitos, fundamentalmente aqueles que negam a luta de classes. O capitalismo, entendo, terá que ser derrotado, destruído e sepultado a partir de um profundo processo revolucionário, que inclui, de uma forma ou de outra, a ditadura do proletariado, ou a ditadura das maiorias, ou como quiser se chamar esse período em que a contrarrevolução terá que ser tratada inflexivelmente. Sobram descrições e prognósticos mas faltam, sobre essas análises e descrições – valiosas, sem dúvida –, propostas concretas."

"Sem organização, consciência e disciplina da classe operária, não vislumbro possibilidade alguma de socialismo. E para nossos países, espoliados pelo imperialismo, entendo que a frente anti-imperialista e de libertação nacional tem também vigência, considerando que em seu seio o partido da classe operária deve lutar para conduzi-la. As experiências nacional-burguesas de Brasil e Argentina testemunham que a condução burguesa, por mais “nacional” que se diga, deriva sempre em claudicação ou derrota."
Começando pelo próprio Marx e chegando até o momento atual, observamos que muitos intelectuais e pensadores de esquerda em geral vêm sustentando que a crise terminal do sistema capitalista é um fato demonstrado. A cada crise cíclica do capitalismo aparece a sentença inapelável de que o sistema está caindo. Incluindo, obviamente, a crise de 2008.

Talvez seja assim, não o nego, mas o sistema capitalista, atualmente, não parece reconhecer esse categórico veredito ou, ao menos, se o analisamos pelo tempo que se passou, a suposta agonia se apresenta muito prolongada. No entanto, o discurso se repete periodicamente: “ao diminuir a taxa de lucro, etcetera, etcetera, etcetera…”

O detalhe está em que o capitalismo não cairá por si só, nem colapsará por mera “implosão”, como desejam muitos, fundamentalmente aqueles que negam a luta de classes. O capitalismo, entendo, terá que ser derrotado, destruído e sepultado a partir de um profundo processo revolucionário, que inclui, de uma forma ou de outra, a ditadura do proletariado, ou a ditadura das maiorias, ou como quiser se chamar esse período em que a contrarrevolução terá que ser tratada inflexivelmente. Sobram descrições e prognósticos mas faltam, sobre essas análises e descrições – valiosas, sem dúvida –, propostas concretas.

Capitalismo, guerra e pão

Capitalismo, guerra e pão
por JOÃO VIEIRA
"Os governos descuram completamente os aspectos da soberania alimentar, andam ocupados com o acessório e deixaram o essencial nas mãos das multinacionais, para as quais vida ou morte tudo é negócio."

O trigo pela importância que tem, e continua a ter, na história do desenvolvimento da humanidade é hoje uma arma nas mãos do capital na atual guerra da Síria e do Iraque, onde o trigo é traficado ao lado de barris de petróleo. A tal ponto faz parte do saque imperialista que o Diretor de uma multinacional americana de cereais foi despachado para o Iraque para controlar a produção e o sector das sementes junto dos agricultores, a quem foi proibida a utilização das suas sementes.

Sabe-se ainda que o trigo «Kamut», originário do Egipto, está patenteado a favor de uma multinacional, sendo um valor seguro no mercado da especialidade de trigos antigos.

Trigo e pão estiveram sempre presentes em momentos decisivos. Lembremos a expressão «Pão e circo» da época romana, no contexto em que o Império já estava em decadência, a população de Roma aumentava e o pão escasseava, gerando o descontentamento e criando condições para uma nova etapa. No que diz respeito ao circo existem algumas semelhanças com o nosso tempo, só que, bem entendido, nos dias de hoje ele é mediático.

Lembremos ainda Maria Antonieta, rainha de França. Decorria o ano de 1789, a fome assolava, não havia trigo nem pão e o povo de Paris protestava apinhado no pátio dos milagres (Cour des Miracles) sem que o seu clamor se fizesse ouvir no sumptuoso Palácio de Versalhes. Informada do protesto, a rainha respondeu com a célebre frase: «Se o povo não tem pão, que coma brioches», ainda hoje um bolo típico dos franceses. Obviamente que se não havia farinha para pão, também não poderia haver para brioches! A par de outros problemas, também aqui trigo e pão foram o rastilho para a eclosão da Revolução sob o lema «Liberdade, Igualdade, Fraternidade», que mudou o curso da história na Europa.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Sobre as eleições presidenciais nos EUA

Sobre as eleições presidenciais nos EUA
por JORGE CADIMA
"É hoje uma evidência incontestável, proclamada até por alguns candidatos à Casa Branca, que a tão propalada 'democracia' norte-americana é na realidade um sistema de poder duma pequena minoria de ultra-ricos, visando torná-los ainda mais ricos. Como os comunistas sempre afirmaram, não é possível esquecer o adjectivo 'burguesa' quando se avalia a realidade de sistemas formalmente democráticos no contexto do capitalismo. Quanto muito, a expressão 'democracia burguesa' peca por alargar demasiado o quadro dos beneficiários do sistema hoje vigente nos EUA."

"Décadas de deslocalização da produção pelo grande capital norte-americano (que servia também para atacar a situação social da classe operária dos EUA), a especulação, a fraude, os mecanismos financeiros cada vez mais divorciados da produção (que a baixa tendencial da taxa de lucro deixava de tornar atraente) criaram um sistema fictício de 'riqueza' sem contrapartida material. Um sistema assente na hegemonia do imperialismo norte-americano sobre o sistema financeiro mundial; na sua grande comunicação social de massas (incluindo a sua componente hollywoodiana); e no seu gigantesco aparato de guerra (incluindo os seus serviços secretos como a CIA). O resto do planeta alimentava o cada vez mais parasitário e decadente capitalismo dos EUA, que se afundava num endividamento insustentável."

"A vitória de Trump nas eleições presidenciais dos EUA não está desligada desta dupla faceta – interna e externa – da crise dos EUA. Multimilionário,Trump não é um candidato anti-sistema, apesar de toda a sua retórica. Pelo contrário, é expressão desse sistema, embora cavalgue o descontentamento que ele gera. Reflecte clivagens no seio da classe dominante sobre a melhor forma de enfrentar a crise da super-potência do capitalismo. "
As eleições presidenciais norte-americanas de 2016 evidenciaram de forma inquestionável a profunda crise social, econômica, política e ideológica da super-potência imperialista. Revelaram também, de forma contundente, a existência de profundas clivagens no seio da classe dominante dos EUA, e com o grande capital europeu promotor do cada vez mais anti-democrático processo de integração capitalista na Europa. Tudo isto é expressão da profunda crise do sistema capitalista e, em particular, da crise que assola os dois principais pilares desse sistema no plano mundial: os EUA e a UE. Independentemente das muitas incertezas e da possibilidade de acontecimentos surpreendentes, mesmo no futuro imediato, é seguro que a vitória de Trump irá acelerar as contradições e provocar novos sobressaltos que agudizarão ainda mais a crise. Não é mesmo de excluir a possibilidade que se esteja perante um processo de grandes convulsões no sistema capitalista mundial.

A palavra nos EUA hoje é... "impeachment"

A palavra nos EUA hoje é... "impeachment" 
Campanha para desestabilizar o governo Trump
Prof Michel Chossudovsky
"O povo dos EUA é a vítima sempre ignorada, à qual não se assegura a palavra e que ninguém representa ou defende, colhida no fogo cruzado de duas facções capitalistas com interesses divergentes. As duas facções servem a interesses exclusivos das elites, em detrimento do eleitorado nos EUA."

"O que falta aos EUA para os próximos meses são "movimentos sociais reais contra o novo governo Trump que considere questões sociais e econômicas amplas, direitos civis, saúde pública, criação de empregos, questões ambientais, política exterior e as guerras que os EUA disseminam pelo mundo, gastos da Defesa, imigrantes, etc.

Movimentos de base independentes devem pois separar-se ativamente dos protestos manipulados apoiados e financiados (diretamente ou indiretamente) por interesses empresariais. Não é tarefa fácil. Financiar e "fabricar o dissenso", a manipulação escancarada dos movimentos sociais estão hoje fundamente enraizadas nos EUA."

A agenda de política externa de Trump já foi alvo de "golpes sujos" desencadeados pela facção Clinton. Mas o novo governo eleito também tem apoiadores empresariais poderosos que com certeza responderiam – e estão respondendo – aos movimentos dos neoconservadores, inclusive apoiadores que operam na comunidade de inteligência. Interessante observar que Trump também tem apoiadores no lobby pró-Israel e dentro dos setores da inteligência israelense. Em dezembro, o chefe do Mossad reuniu-se com a equipe de Trump em Washington.

Cronograma do projeto de desestabilização

Desde o início, já antes das eleições de 8 de novembro, o projeto para tumultuar e desestabilizar o governo Trump estava formado de vários processos coordenados e inter-relacionados, alguns dos quais continuam em andamento, e outros que já foram completados (ou deixaram de ser relevantes):

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Líbia, sepultada no crime e no silêncio

Líbia, sepultada no crime e no silêncio
por Higino Polo
Passam em Março próximo 6 anos sobre o início da agressão à Líbia pela NATO. O país foi destruído. O povo líbio vive no inferno. Mas deixou de ser assunto para os grandes media internacionais, até porque operações semelhantes prosseguem noutros lugares, nomeadamente na Síria. Enquanto Obama se despede da presidência dos EUA, é indispensável não deixar esquecer nenhuma peça do seu criminoso currículo. O imperialismo, do qual os EUA constituem a mais agressiva potência, é o pior inimigo de toda a humanidade.
" A Líbia, convertida num estado falhado, com presença do Daesh (que acaba de perder Sirte), onde todos os grupos e milícias cometem crimes de guerra ante a indiferença ocidental, é hoje um país pelo qual nenhuma potência da NATO assume responsabilidade, embora uma terça parte da população necessite de ajuda alimentar urgente, embora os líbios tenham que comer ratos e beber águas pestilentas, embora se vejam obrigados a contemplar constantes assassínios e decapitações, embora ali a vida não valha nada, e os governos dessas potências sejam conscientes de que os líbios foram condenados a viver num inferno."

Não sabemos quantas pessoas morreram na Líbia em consequência da brutal intervenção da NATO em 2011. Algumas fontes falam de uns trinta mil mortos; outras aumentam esse número. A Cruz Vermelha, por seu lado, calcula uns cento e vinte mil mortos, mas não há dúvida de que essa guerra que a NATO iniciou destruiu o país e afundou os seus seis milhões de habitantes num pesadelo sinistro.

Em Março próximo passam seis anos sobre o início da matança: os EUA, França e Grã-Bretanha lançaram a partir de navios e aviões um diluvio de bombas e de misseis de cruzeiro. Justificaram a guerra e a carniçaria com a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, que apenas falava de utilizar as “medidas necessárias” para proteger a população civil que “estivesse ameaçada”, e que autorizou uma zona de exclusão aérea, mas não a invasão do país. Não havia autorização alguma para iniciar uma intervenção militar, nem muito menos um ataque para derrubar o governo. China e Rússia, bem como a India e a Alemanha, abstiveram-se naquela votação do Conselho de Segurança e, posteriormente, perante a guerra imposta, tanto Moscovo como Pequim denunciaram a abusiva interpretação que Washington, os seus aliados europeus e a NATO tinham feito da resolução do Conselho. A África do Sul, que também tinha votado a favor da resolução, denunciou depois o uso desmesurado do acordo para forçar uma “mudança de regime e a ocupação militar do país”.

Foi tal a hipocrisia de Washington, Londres e Paris, que os seus aviões chegaram a bombardear a população civil em Bengasi e Misrata, entre outras cidades líbias, matando centenas de pessoas, apesar de supostamente intervirem em sua defesa. Previamente, as “forças rebeldes” foram treinadas por instrutores militares norte-americanos e de outros países da NATO, ao mesmo tempo que lhes forneceram armamento sofisticado e informação, e o Departamento de Estado norte-americano trabalhou para criar um Conselho Nacional de Transição para o impor como novo governo após a derrota de Kadhafi. De facto, desde antes do início da agressão militar, comandos militares britânicos e norte-americanos (em operações aprovadas por Cameron e Obama, violando a legalidade internacional) tinham-se infiltrado na Líbia e levavam a cabo acções de sabotagem e assassínios selectivos. Os militares ocidentais chegaram ao extremo de utilizar vestimenta similar aos milicianos do bando rebelde, para camuflar a sua intervenção ante as instituições internacionais: eram militares da NATO, mas nunca reconheceram a sua condição, e treinaram os rebeldes e lutaram junto a eles.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

«Centenário da Revolução de Outubro – Socialismo, exigência da actualidade e do futuro»

«Centenário da Revolução de Outubro – Socialismo, exigência da actualidade e do futuro»
Resolução do Comité Central do PCP

"Comemorar este centenário é denunciar a natureza do capitalismo com os dramáticos flagelos sociais e ameaças que encerra para a vida dos povos e para a sobrevivência da própria humanidade, é salientar a actualidade e validade do socialismo, é reafirmar a necessidade e possibilidade da superação revolucionária do capitalismo pelo socialismo e o comunismo.

Comemorar este centenário é valorizar o papel da classe operária, dos trabalhadores e dos povos na transformação da sociedade, é evidenciar a força que resulta da sua unidade, organização e luta. É reafirmar que têm nas suas mãos o êxito da resistência à actual ofensiva do grande capital, do imperialismo, e da conquista da sua emancipação social e nacional.

Comemorar a Revolução de Outubro é homenagear os seus obreiros e afirmar as grandes conquistas e realizações políticas, económicas, sociais, culturais, científicas, tecnológicas e civilizacionais do socialismo na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e o seu imenso contributo para o avanço da luta emancipadora dos trabalhadores e dos povos."

"Comemorar a Revolução de Outubro é afirmar que o futuro não pertence ao capitalismo, pertence ao socialismo e ao comunismo."
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Em 2017 assinalam-se 100 anos sobre a Revolução Socialista de Outubro de 1917.

No processo histórico de emancipação dos explorados, dos oprimidos, dos trabalhadores e dos povos, desde a sociedade primitiva, ao esclavagismo, ao feudalismo e ao capitalismo, marcados por importantes acontecimentos revolucionários, a Revolução de Outubro é o acontecimento maior.

Depois de milénios de sociedades em que os sistemas socioeconómicos se basearam na exploração do homem pelo homem, a Revolução de Outubro iniciou uma nova época na história da humanidade, a época da passagem do capitalismo ao socialismo, sendo a primeira revolução que, concretizando profundas transformações democráticas nos domínios político, económico, social e cultural, assegurando a justiça e o progresso social e respondendo aos anseios dos trabalhadores e dos povos, empreendeu a construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados.

A aguardar Trump: A crise sistémica global e algumas bofetadas desesperadas

A aguardar Trump: A crise sistémica global e algumas bofetadas desesperadas
por Jorge Beinstein

"Mas as duas décadas de globalização acelerada foram principalmente um movimento de financiarização, de hegemonia total do parasitismo financeiro sobre o conjunto da economia mundial."
"A crise é global, obedece à dinâmica do capitalismo como sistema planetário, à sua degeneração parasitária que degrada tanto os países centrais como os periféricos, emergentes ou não. "
"A esses processos econômicos acrescentou-se uma profunda crise geopolítica. O expansionismo político-militar do Império foi travado no seu principal território de operações: a Ásia. Os dois rivais estratégicos do ocidente, a China e a Rússia, estreitaram a sua aliança e foram para o seu espaço grandes, médios e pequenos estados da região: desde a Índia até o Irão, passando pelos países da Ásia Central. 
" No seu recuo rumo ao pátio traseiro histórico imperial, os Estados Unidos executam aí uma estratégia flexível e esmagadora de reconquista e saqueio que em poucos anos conseguiu deslocar os governos de Honduras, Paraguai, Brasil e Argentina, encurralar a Venezuela e por de joelhos a cúpula da insurgência colombiana. Contudo essa reconquista produz-se no quadro da crise econômica, social-institucional, cultural e geopolítica do Ocidente que leva ao pântano os regimes lacaios do continente. As vitórias direitistas no Paraguai, Argentina ou Brasil anunciam profundas crises de governabilidade, onde seus "governos", na realidade bandos de saqueadores, geram com as suas acções grandes destruições do tecido econômico e inevitavelmente a ascensão de protestos sociais maciços e crescentes. "
A partir da vitória de Trump os meios de comunicação hegemónicos lançaram uma avalanche de referências ao"proteccionismo económico" do futuro governo imperial e, em consequência, ao possível início de uma era de desglobalização. 

Na realidade, a causa dessa desglobalização anunciada não será a posse de Trump e sim o resultado de um processo que deu o seu primeiro passo com a crise financeira de 2008 e que desde 2014 se acelerou, quando o império entrou num percurso descendente irresistível.

Do ponto de vista do comércio internacional a desglobalização vem avançando desde há aproximadamente cinco anos. Segundo dados do Banco Mundial, na década de 1960 as exportações representaram em média 12,2% do Produto Global Bruto; na década seguinte passaram a 15,8%; nos anos 1980 chegaram aos 18,7% mas em fins dessa década o processo acelerou-se e em 2008 atingiu o seu nível máximo com 30,8%. A crise desse ano assinalou o tecto do fenómeno, a partir do qual ocorreu uma descida suave que se acentuou a partir de 2014-2015[1] . A propaganda de que as economias se internacionalizavam cada vez mais, condenadas a exportar porções crescentes da sua produção, foi desmentida pela realidade. Desde 2008 até agora a globalização comercial começar a reverter.