Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Movimento Comunista Internacional - Teses (fragmentos) do KKE

Movimento Comunista Internacional - Teses (fragmentos) do KKE
Comité Central do Partido Comunista da Grécia


O PCG considera ser sua obrigação e dever desenvolver o debate ideológico e político também a nível internacional contra as forças oportunistas (PIE - «Redes» de Esquerda), as forças da social-democracia, as forças trotskistas, que têm impacto ideológico e político no Movimento Comunista Internacional.

O sistema capitalista na Grécia, tal como nos restantes países, não vai colapsar por si mesmo, por causa das suas contradições. A grande intensificação das contradições sociais conduzirá a condições de uma situação revolucionária, a condições de uma grande agudização da luta de classes, ao mesmo tempo que através das lutas diárias terá amadurecido e emergido um todo-poderoso movimento operário em aliança com os sectores populares que sofrem. Nas condições da situação revolucionária, com a adequada escolha de palavras-de-ordem e de todas as formas de luta, o que se jogará é a vontade e a decisão do povo de romper e abolir as grilhetas da exploração de classe, da opressão, da implicação na guerra imperialista. Exige-se um movimento operário que não fique atolado nas enganadoras soluções alternativas do sistema político burguês para a organização do golpe contra o movimento, contra a radicalidade, a atitude e a vontade revolucionárias, com o fim de evitar ou contraria o máximo possível a sua queda.

Um elemento integral da reforma do sistema político burguês é a maior tendência para a reacção, a repressão e a violência estatal e patronal, a ofensiva anticomunista e anti-socialista que é um problema que diz respeito à grande maioria do povo. A ofensiva anticomunista procura alternativamente o seguinte: pressionar o PCG e concretizar a sua esperança de alterar o seu carácter, a sua transformação num membro da «esquerda do arco governamental», o seu isolamento, ou mesmo conseguir ilegalizar a sua actividade. Este assunto deve ser decisivamente abordado pelo povo para evitar consequências extremamente negativas para o movimento operário e popular. Por isso surgem novas tarefas para o movimento operário, a Aliança Popular, temas da maior importância estratégica.

Desenvolvimentos e tendências do sistema imperialista internacional, na UE e na Grécia

O despoletar da crise económica capitalista generalizada e sincronizada colocou em primeiro plano o carácter historicamente antiquado e desumano do sistema capitalista contemporâneo, a actualidade e a necessidade do socialismo, a necessidade de reunificação do Movimento Comunista Internacional, da emancipação do movimento operário e popular. Contribuíram para a agudização das desigualdades e das contradições inter-imperialistas a mudança da correlação de forças na pirâmide imperialista internacional, a fluidez das alianças e o rebentar de novos e antigos focos de guerra.

Notícias do monstro

Notícias do monstro
por Filipe Diniz
 

"Num período em que a concentração da riqueza assume proporções monstruosas, os muito ricos tratam de se tornar invisíveis. Invisíveis perante os estados e as obrigações sociais e fiscais. Invisíveis perante a colossal e crescente massa dos que «nada têm a perder senão as próprias cadeias».  Uma tarefa necessária será ir encontrá-los nos luxuosos buracos onde se escondem."



Entre as consequências mediáticas da actual crise do capitalismo está o ressurgimento da curiosidade acerca da vida dos ricos. O Observer (26 de Maio) e a Vanity Fair (Abril) publicaram recentemente artigos com dados interessantes acerca da matéria. 

O Observer escreve sobre as grandes empresas de Silicon Valley (Apple, Facebook, Google). Quase não existem para o fisco mas beneficiam dos impostos alheios; têm um elaborado e eficaz sistema de evasão fiscal (estima-se que entre 2009 e 2012 a Apple contornou o pagamento de impostos sobre um rendimento de 74 milhares de milhões de dólares); e têm o seu próprio e luxuoso sistema de transportes colectivos, à margem do saturado sistema de transportes da cidade de S. Francisco. Quem se desloca de e para Silicon Valley é urbanamente invisível.

A Vanity Fair (A tale of two Londons) escreve sobre o impacto social e urbano do fluxo de dinheiro estrangeiro para a City de Londres (e seus paraísos fiscais em Jersey, Guernsey, Isle of Man, Ilhas Cayman, Bermuda, Ilhas Virgem britânicas), nomeadamente sobre o emblemático edifício Hyde Park one. Dos 76 apartamentos já vendidos neste edifício – cujos preços atingem os 214 milhões de dólares – só 12 estão registados em nome de pessoas individuais. Os 64 restantes estão em nome de misteriosas corporações e empresas desconhecidas, 59 das quais sedeadas em paraísos fiscais. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ambições espaciais e nucleares de Pequim balançam o jogo mundial

RÁPIDO PROGRESSO DA TECNOLOGIA MILITAR
CHINESA
por Olivier Zajec
 
"Os analistas de defesa norte-americanos se preocupam com os progressos da dissuasão nuclear chinesa e com os avanços na área espacial do país. Jogando com a dualidade dessas áreas conexas, a China melhorou a importância, o alcance e a eficácia de seu arsenal, correndo o risco de fragilizar os equilíbrios nucleares."
 

Pequim não tem nenhuma estátua do senador anticomunista norte-americano Joseph McCarthy. Uma relativa ingratidão, se pensarmos que ele é o pai natural do programa nuclear chinês. A história é, no mínimo, surpreendente. No imediato pós-guerra, um jovem engenheiro emigrado originário de Hangzhou, Qian Xuesen, trabalhava contratado pelo Pentágono no Jet Propulsion Laboratory de Pasadena. Suas intuições pioneiras na área espacial e balística deslumbraram a US Air Force. O Exército confiava tanto nele que o enviou à Alemanha para interrogar Werner von Braun, o cérebro do programa balístico alemão. O macarthismo fez essa brilhante trajetória se desviar: acusado de comunismo em 1950, condenado à prisão domiciliar, Qian foi brutalmente expulso para a China maoista em 1955. O secretário adjunto da Marinha, Daniel Kimball, bem que declarou que esse “gênio” diplomado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) valia “entre três e cinco divisões sozinho”, e que “preferiria vê-lo morto a exilado”,1 mas não adiantou nada. No auge da caça às bruxas, então desenfreada, os protestos não provocaram eco algum. O resto da história é bem lógico: recebido por Mao Tsé-tung, Qian se aliou ao regime e inventou, a partir do nada, o primeiro programa de mísseis balísticos chinês...

Em 1966, dois anos depois da explosão atômica fundadora de 1964, o engenheiro prodígio supervisionou o primeiro lançamento de um míssil nuclear no Deserto de Xinjiang. Também se deve a ele o lançamento bem-sucedido, em 24 de abril de 1970, do primeiro satélite chinês, o Dong Fang Hong (DFH-1) – que difundiu ininterruptamente a canção patriótica O Oriente é vermelho durante os 26 dias em que orbitou. Aposentado em 1991, falecido em 2009, coberto de honras, Qian simboliza sozinho o profundo emaranhado, desde suas origens, dos programas nuclear e espacial da República Popular da China. Da primeira explosão nuclear de outubro de 1964 até o dia de glória de 14 de outubro de 2003, quando o tenente-coronel Yang Liwei, embarcando no ônibus espacial Shenzhou, fez que a China se tornasse a terceira nação da história a ser bem-sucedida num voo espacial habitado, Pequim multiplicou as passarelas entre essas duas áreas, deixando clara a promessa constante de uma otimização tecnológica, orçamentária e estratégica. Apesar da criação, nos anos 1990, da Agência Nacional de Administração Espacial (Anae) e do estabelecimento de projetos de comercialização de colocação em órbita de satélites, os militares do Exército Popular de Libertação (EPL) conservam mais do que nunca seu papel nos grandes eixos espaciais da nação.

domingo, 26 de maio de 2013

Brasil : O poder da bestialidade em Felisburgo

Adriano Chafik mostrando seu focinho de besta-fera.
O poder da bestialidade em Felisburgo
 
por Julio Cesar de Castro
 
"Registre-se o perfil de Adriano Chafik, ao invadir premeditadamente, e aos rojões, em 20 de novembro de 2004, o acampamento Terra Prometida: assassino medonho, de posse de potente arma de fogo e acompanhado de 17 jagunços irados com espingardas calibre 12, o carnífice capitalista assume a dianteira de execução sumária, sem chance de defesa das vítimas, bufando sobre os cadáveres exangues. A sequência de cenas de selvageria, ocorrida há quase nove anos, descrita por aqueles que presenciaram o Massacre de Felisburgo, revela como cinco trabalhadores foram medievalmente “abatidos” e outros 20 gravemente feridos, incluindo crianças – deixando-os com sequelas físicas e/ou psíquicas. Chafik, influente na política e impune por compadrio, dá as “ordens”, e ninguém ousa contrariá-lo; nem delegados de polícia, nem juízes. Tampouco, um ex-presidente da República pôde tirar dele aquela propriedade rural, objeto do conflito, para fins de desapropriação e assentamento pelo INCRA."
 
– Por que soluça em copiosas lágrimas, pobre lavrador?
– Ai, seu doutô! Não tem cachaça que me para essa dor de revolta... a saudade daqueles companheiros, que o sangue ‘vremelho’ esguichava do corpo deles... É maldade do cão!... Os meus companheiros, matados sem um dó, nesta terra, que é de Deus!


É bom notar, à luz da história, que, organizados na Constituinte de 1987 através da truculenta UDR (União Democrática Ruralista), promovendo rodeios e leilões de gados, os senhores de terra fizeram constar na Constituição Federal, sem que contribuíssem um centavo sequer para com a Previdência Social, a obrigação de tão-só o Estado promover a justa aposentadoria do trabalhador do campo. Quando esse patronato rural é que deveria arcar com todo o custo dessas indenizações, visto que explorou o digno trabalho do camponês, as mãos calejadas, até minguar as forças vitais, ao longo dos anos.

sábado, 25 de maio de 2013

A Síndrome de Estocolmo de Dilma Rousseff

 
A Síndrome de Estocolmo de Dilma Rousseff
por CTI Notícias
 
"Já é passada a hora da presidenta Dilma aprender as lições do Relatório Figueiredo e perceber que os indígenas estavam do mesmo lado dos perseguidos políticos que lutaram contra o regime militar e por isso também foram mortos, torturados, tiveram seus parentes desaparecidos, seus cadáveres ocultados e merecem justiça e reparação. No momento em que o país esforça-se em abrir os porões de sua memória para construir um país mais justo e igualitário, trazendo à luz do dia verdades e violências caladas pelos militares, os poderes da República repetem as condutas daqueles que foram algozes da própria presidenta e de alguns hoje no governo, revivem velhos fantasmas, condenando os povos indígenas ao silêncio, ao esquecimento e ao extermínio."


Os relatos apresentados ontem, 22 de maio de 2013, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal (ouça o audio completo aqui) a respeito da forma como a Ditadura Militar montou uma verdadeira máquina de guerra contra os povos indígenas das diversas regiões do país para viabilizar a implementação de seu projeto de desenvolvimento a qualquer custo ecoa fortemente a política indigenista defendida hoje pela cúpula do Executivo Federal, cada vez mais rendida à bancada ruralista. Quanto aos últimos, são os mesmos algozes do passado, aqueles que representam os que se beneficiaram diretamente do esbulho das terras indígenas e do genocídio, sua posição não surpreende a ninguém. Quanto ao Executivo Federal, entretanto, nada poderia ser mais sintomático de uma verdadeira Síndrome de Estocolmo do que ver a presidenta Dilma Rousseff, que foi perseguida, presa e torturada pela Ditadura Militar, reeditando medidas análogas àquelas do regime para impor a todo o custo seu projeto desenvolvimentista goela abaixo dos povos indígenas.

O recém descoberto Relatório Figueiredo
(veja aqui o seu resumo) é um documento oficial produzido pelo Estado brasileiro entre novembro de 1967 e março de 1968, como resultado de uma Comissão de Investigação do Ministério do Interior, que foi presidida pelo procurador federal Jader de Figueiredo Correia. Ele apresenta preciosas informações sobre as violações de direitos indígenas no Brasil tanto em relação aos direitos humanos quanto às usurpações patrimoniais e territoriais. Se a expropriação territorial era conhecida de todos, agora apresentam-se provas de atos bárbaros que apenas poucos conheciam a partir dos relatos dos indígenas que foram vítimas deles: regimes de trabalho forçado nos Postos do antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI); torturas realizadas com instrumentos como o “tronco” (“consistia na trituração do tornozelo da vítima, colocado entre duas estacas enterradas juntas em ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”, nas palavras do próprio Figueiredo); celas clandestinas instaladas em diversos desses Postos; prisões oficiais que funcionavam como verdadeiros campos de concentração, para os quais eram levados indígenas de diversas etnias e regiões do país visando sua suposta “correção” (Veja mais sobre o presídio Krenak ); envio de alimentos envenenados que dizimaram aldeias inteiras, para liberação de suas áreas para aberturas de estradas e para colonização; enfim, toda uma variedade de práticas e instrumentos bárbaros contra os povos indígenas ...ecos do passado no presente? 

Governo dos EUA ajuda Monsanto a vender sementes transgênicas no exterior

Governo dos EUA ajuda Monsanto a vender sementes transgênicas no exterior

Tom Philpott/Mother Jones de Washington (EUA)
 Opera Mundi

"O relatório também mostra como o Departamento de Estado forçou os transgênicos em nações africanas de baixa renda – na cara da oposição popular. Em um telegrama de 2009, mostra o FWW, a embaixada norte-americana na Nigéria gabou-se “do apoio do governo estadunidense na redação de uma legislação [pró-biotecnologia], assim como a sensibilização das peças-chave através de um programa de alcance público” tinha ajudado a passar uma lei amigável à indústria. Trabalhando com a Usaid (Agência dos Estados Unidos Para o Desenvolvimento Internacional, na sigla em inglês), o Departamento de Estado forçou ações similares no Quênia e em Gana, como mostra o FWW."
Quase duas décadas depois de sua estreia nos campos estadunidenses nos anos 90, as sementes transgênicas estão cada vez menos promissoras. Os produtos da indústria aumentam o lucro das colheitas? A Union of Concerned Scientists (União dos Cientistas Preocupados) pesquisou a questão detalhadamente em um estudo de 2009. Indo direto ao ponto: aumentam marginalmente, se é que aumentam. As sementes transgênicas levam à redução do uso de pesticidas? Não; na verdade, acontece o oposto.

E por que elas reduziriam, se as três ou quatro companhias que dominam as sementes transgênicas (Monsanto, DuPont, Syngenta, Dow) estão também entre as maiores produtoras globais de pesticidas?

As sementes Roundup Ready, da Monsanto, deram início a uma onda de super sementes resistentes a herbicidas e a uma enxurrada de herbicidas, já que os insetos estão se mostrando resistentes às culturas que contêm pesticidas biotecnológicos e fazendo com que os agricultores aumentem o uso de inseticidas. E as plantações maravilhosas que iriam ser fabricadas geneticamente para resistir à seca e que requerem menos fertilizantes nitrogenados? Até agora elas não apareceram – e há pouca evidência de que um dia o farão.

Ainda assim, mesmo apesar desses problemas, o Departamento de Estado dos EUA tem agido essencialmente como um braço do marketing da indústria agrícola de biotecnologia, completado com figuras de tão alto escalão como a antiga Secretária de Estado Hillary Clinton, declamando pontos de discussão da indústria como se fossem um evangelho, conforme descobriu uma nova análise de documentos internos feita pela organização FWW (Food & Water Watch ou Observatório dos Alimentos & Água, na sigla em inglês).

quinta-feira, 23 de maio de 2013

A farsa sindical das centrais

A farsa sindical das centrais
 
por  Waldemar Rossi
 
 
"Se a Força Sindical já era do capital, agora já não estava só nessa tarefa. Tinha a toda poderosa CUT ao seu lado. E juntas tramam o assalto aos direitos dos trabalhadores, aprovando as alterações constitucionais que permitem eliminar tais direitos (conquistados ao longo dos anos com muita luta e muito sangue de operários e trabalhadores do campo). "
 

O movimento sindical brasileiro passou por várias fases em sua curta, mas fértil, história de lutas, com muitas conquistas e muitas derrotas, sempre em busca de melhores condições de trabalho, de salário e, consequentemente, de vida.

Seus primeiros passos, no início do século XX, foram marcados pelo confronto ideológico com o capital, uma inspiração do movimento anarquista que havia crescido na Europa, no século XIX, e ganhava espaços na incipiente classe operária brasileira.

A partir do ano de 1922, com o surgimento do Partido Comunista Brasileiro, travou-se séria disputa pela hegemonia das lutas operárias no Brasil, entre a militância do PCB e dos anarquistas, com vitalização das lutas operárias e o crescimento dos sindicatos livres, classistas, muitas vezes com propostas revolucionárias. Mas também com o germe da divisão da esquerda, na luta pelo comando do movimento sindical livre.

Getúlio Vargas, ao assumir o governo, em 1930, provoca substanciais mudanças nos rumos do sindicalismo brasileiro, impondo sua legalização, seu atrelamento ao Ministério do Trabalho, colocando-o oficialmente como colaborador do Estado. Negou aos trabalhadores todo e qualquer direito de organização a partir do local do trabalho, enquanto concedeu plenos poderes para o empresariado. Segundo sua concepção, seria necessário ter o controle do movimento operário para garantir o crescimento da industrialização nacional, sem maiores percalços. Inteligentemente, passou a conceder uma série de direitos reivindicados pelas lutas operárias das duas primeiras décadas do século XX: jornada de 8 horas, férias de 30 dias, posteriormente a implantação do salário mínimo aos trabalhadores urbanos, entre outros direitos. Como se diz no interior, Vargas deu uma no cravo e outra na ferradura: atendeu parte das reivindicações históricas, mas colocou rédeas nos sindicatos; favoreceu enormemente a indústria nacional, mas concedeu alguns dos direitos reclamados pelos trabalhadores.

Muitos anos se passaram, o sindicalismo oficial teve momentos de crescimento, apesar do seu atrelamento ao Estado, conseguiu mais algumas conquistas, como o 13º salário, e passou a bater de frente contra o que se chamava na época aos interesses das multinacionais, sob a tutela do governo dos Estados Unidos. O golpe militar de 1964 silenciou a classe operária, interveio nos sindicatos, amordaçou e impôs derrotas aos trabalhadores.

Falácias federalistas

Falácias federalistas
por Pedro Guerreiro
 
"É por isso que a alternativa à União Europeia das grandes potências e dos grandes grupos financeiros e económicos passa necessariamente pela ruptura com todos os eixos centrais onde esta se alicerça, ou seja, o federalismo, o neoliberalismo e o militarismo. "


  
Perante o aumento da rejeição e consciência dos interesses que a União Europeia efectivamente representa, é intensificada a ofensiva ideológica onde se «martela» até à exaustão a falsa ideia da «inevitabilidade» do processo de integração capitalista europeu – a União Europeia – e seu ainda maior aprofundamento.

Neste quadro, um dos aspectos mais intensamente combatidos e iludidos é a importância da soberania nacional, nomeadamente, como condição essencial para a ruptura com a União Europeia (da exploração e da concentração da riqueza, do desemprego e da pobreza, das desigualdades, das disparidades e da divergência, do domínio e da subserviência, da ingerência e da guerra) e para a construção de uma alternativa democrática, progressista e de paz na Europa.

É cada vez mais evidente que a ofensiva, levada a cabo em cada país, contra os direitos e as conquistas laborais e sociais dos trabalhadores e dos povos tem na União Europeia um dos seus principais instrumentos, protagonistas e suportes. Uma ofensiva que, para se tornar efectiva, necessariamente coloca em causa a soberania nacional, isto é, o exercício do direito de um povo decidir do seu presente e futuro e resistir à ingerência e à agressão.

Tratado após tratado – de Roma até ao «Tratado orçamental» (e seus imediatos predecessores, os ditos «memorandos de entendimento») –, o que está em causa é um dito «processo» ou «construção» na Europa que visa a imposição de instituições e normas supranacionais que a partir do domínio político – da colocação em causa da soberania nacional – possibilitem o domínio económico de uns, isto é, das grandes potências e dos grandes grupos financeiros e económicos, sobre os outros, ou seja, os trabalhadores e os povos dos diferentes países da União Europeia, nomeadamente os da sua «periferia». Um maior aprofundamento desta «integração» significará, inevitavelmente, ampliar os instrumentos para um maior domínio.

Aliás, como a evolução da integração capitalista europeia comprova e a realidade actual demonstra, é tanto maior a tentativa de condicionamento e limitação do exercício da soberania nacional (com o suporte da União Europeia), quanto mais longe se quer levar a agressão aos direitos e conquistas sociais de um povo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Esta é a tragédia da Liberdade!

Esta é a tragédia da Liberdade! (1)
por Odete Santos
(revisitando o poema Catarina Eufémia de Sofia de Melo Breyner Andersen)
 


No dia 19 de Maio de 1954 foi assassinada a tiros da pistola metralhadora do tenente Carrajola da GNR, a ceifeira Catarina Eufémia que com algumas companheiras pretendia demover um rancho de trabalhadores rurais de trabalhar, convencendo-os a aderir à luta por salário menos baixo.

Segundo a versão oficial a morte aconteceu por mero acaso e deveu-se ao automatismo da arma que o Carrajola encostara ao corpo de Catarina disparando em seguida, depois de ter afastado o corpo do filho que ela trazia ao colo.

Esta era a Justiça do velho abutre (para usar uma expressão de Sofia de Melo Breyner Andersen referindo-se a Salazar) que «é sábio e alisa as suas penas/ A podridão lhe agrada e seus discursos/ Têm o dom de tornar as almas mais pequenas».

O crime cometido pelo Carrajola ficou impune. O tenente da GNR nunca foi julgado. E, por isso, sobre aquele dia 19 de Maio de 1954 disse a poeta Sofia terminando o seu belíssimo poema sobre Catarina Eufémia:

Antígona poisou a sua mão sobre o teu ombro no instante em que morreste (verso 15 do poema)
E a busca da justiça continua (verso 16)



Antígona


Sofia de Melo Breyner estabelece um paralelismo entre a história de Antígona (da mitologia grega) e a vida real de Catarina Eufémia.

Antígona, filha do incesto de Édipo com Jocasta, mãe deste, tem mais dois irmãos (Polinices e Etéocles) e uma irmã Isménia.

Os dois irmãos envolvem-se numa luta fratricida pelo poder em Tebas, morrendo os dois. O rei de Tebas, Creonte, manda que Etéocles seja sepultado, mas proíbe que sejam feitos funerais a Polinices sob pena de morte. Porque, segundo a crença dos gregos, quem não fosse enterrado vaguearia 100 anos sem poder passar para o reino dos mortos, Antígona, que quer dar sepultura a seu irmão, rouba o corpo e tenta enterrá-lo com as próprias mãos, sendo presa.

Ainda que longínqua, não pode deixar de estabelecer-se uma relação com o facto de o fascismo, para impedir um levantamento popular, ter sepultado Catarina no cemitério de Quintos, desviando o funeral de Baleizão.

Algumas notas sobre os movimentos «inorgânicos»

Algumas notas sobre os movimentos «inorgânicos»
por Margarida Botelho

"São movimentos, acções e iniciativas diferentes de país para país, em grande medida dinamizados por jovens, encerrando no entanto contradições semelhantes: o preconceito contra o movimento operário e a luta de classes, a falta de objectivos claros e consequentes, a centralidade dada a causas parciais, a insuficiente caracterização da natureza do capitalismo e a valorização do espontaneismo em oposição aos movimentos organizados. Se por um lado revelam o alargamento do descontentamento popular e do estreitamento da base social de apoio do capitalismo, por outro têm a marca de um mimetismo ilusório e inconsequente."



«Desenvolveram-se em vários países movimentos de contestação e “indignação”, nos quais participaram camadas e sectores variados que, apresentados como espontâneos e informais, se caracterizam essencialmente pela sua grande heterogeneidade social e política, por expressões, graus de consciência e organização muito diversos e por objectivos difusos, parcelares e mesmo contraditórios.»
81) O XIX Congresso do Partido não podia passar ao lado da realidade dos chamados «movimentos inorgânicos», no plano internacional e nacional. Se em alguns casos não passam de movimentações fugazes, outros há em que atingem grande apoio popular e dimensão de massas. É sobre este fenómeno que este artigo pretende deixar algumas breves notas.
 

Infância no Brasil : Eles querem te dar a morte !

Às três da tarde na Teodoro Sampaio*
por Ana Paula Salviatti
 


"Su cabeza es rematada
Por cuervos con garra de oro,
Cómo lo ha crucificado
La furia del poderoso.
Hijo de la rebeldía,
Lo siguen veinte más veinte,
Porque regala su vida
Ellos le quieren dar muerte.
( Victor Jara )"
"A não implementação das garantias constitucionais dos direitos das crianças e dos adolescentes está dando seus frutos mais amargos. Até quando nosso Ministério Público irá esperar para que ele, sim, entre com uma representação contra o discurso de ódio midiatizado? Quando crianças como essas forem assassinadas preventivamente? Afinal, são todas assassinas como mostram na tevê, memória que não me deixou escapar um transeunte que se dignou a parar e a verborragir à minha frente. Se são todos assassinos, na dúvida eles não merecem outra coisa que um tratamento preventivo."
 
 
 
 
São três da tarde, esquina da Pedroso de Morais com a Teodoro Sampaio, próximo ao Largo da Batata, Zona Oeste de São Paulo, um dos pontos mais movimentados da capital paulista. Dois homens em plena esquina agridem três crianças. Crianças pobres: uma negra, uma mulata e a última, uma branca que não era loira.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O mito da liberdade sexual feminina

O mito da liberdade sexual feminina
por Raphaella Mendes




"A supervalorização da liberdade sexual como objetivo da luta das mulheres está intimamente ligada ao crescimento da “sociedade de consumo” e é uma corrente que fortalece o individualismo. Em termos práticos, desvia a atenção das mulheres da questão fundamental de classe. Elas deixam de fortalecer a luta pela coletivização das múltiplas jornadas, contra a divisão sexual do trabalho e da luta pelos espaços de poder proletário da sociedade. É importante ressaltar que estas ideias aparecem com força entre intelectuais, estudantes ou mulheres presentes nos meios culturais, que já atingiram certo prestígio ou posição social um pouco mais favorecida ou reconhecida, e que, em geral, não vivem as contradições e os problemas do trabalho doméstico na mesma intensidade das mulheres proletárias. Estes movimentos privilegiam uma moral privada, que se opõe à necessidade da criação de uma moral social proletária e, ao mesmo tempo em que reivindicam diretos das mulheres, incentivam resquícios históricos da poligamia, que sempre foi, na prática, poligamia para os homens e monogamia para as mulheres."


Em uma economia dominada por grandes monopólios, onde as pequenas iniciativas e o “empreendedorismo” individual ocupam cada vez menos espaço nas transações econômicas, os valores do liberalismo pequeno burguês que enaltecem os direitos e liberdades individuais, mesmo que imprescindíveis para a manutenção do capitalismo, são cada vez mais questionáveis do ponto de vista prático da economia.

Os desafios colocados hoje para o sistema já não passam mais pela necessidade de que se forjem meios para que mercadorias sejam produzidas. Hoje a disputa acontece para que se garantam as condições para o escoamento da megaprodução desordenada. É a era da “sociedade de consumo”.

O grande patrão capitalista

O grande patrão capitalista
por Jorge Messias

 
"Assim, pouco interessa extinguir a fome no mundo. Pelo contrário, importa acrescentá-la. A fome deve continuar a ser considerada como um espantoso negócio do século XXI. "
«A crise do Vaticano faz parte da crise do sistema capitalista… O Vaticano está muito longe do Céu e muito perto dos pecados terrenos, sobretudo dos que são cometidos pelos sectores mais reaccionários da direita mundial... Com a ascensão do neoliberalismo, nos anos 80, a ultradireita do Opus Dei cresceu apoiando as ditaduras mais tenebrosas… Francisco Bergoglio irá tentar uma “saída pela esquerda”, mas isso não será solução!» (Vatileaks, Net, 22.3.013).
 
 
«As crises alimentares são propícias a que aqueles agentes que possuem capacidade de produzir e distribuir comida possam consolidar e fazer alastrar a sua área de influência. Podemos verificar esta mesma tendência em Portugal, desde o começo da crise económica de 2008. Neste contexto, identificamos uma trindade de agentes que beneficiam com a fome: primeiro, o próprio Estado e a União Europeia; segundo, a Igreja Católica e as suas ordens religiosas; finalmente, os grandes vendedores de produtos alimentares» (João Silva Jordão, “Quem ganha com a fome em Portugal ?”).
 
 
«A democracia política está a ser duramente atingida… A nível do poder é cada vez maior a submissão aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros subordinados à estratégia das grandes potências, cujos centros de decisão são cada vez mais opacos... Perante as chagas do capitalismo que traduz os interesses de uma minoria exploradora, a alternativa é o socialismo… a luta é o caminho!» (Democracia e Socialismo – um projecto para o Século XXI – PCP, XXVI Congresso, ano 2000). 
 
 
Um olhar menos atento ao agronegócio poderia conduzir-nos a pensar que se trata apenas de mais uma grande operação financeira do neocapitalismo trapaceiro que vemos irromper por todo o mundo. Nada de menos exacto.

Mesmo no plano da posse da terra, esta estratégia capitalista ultrapassa o limite da simples reactivação da propriedade feudal. Irrompe, como um tsunami, nas áreas que convergem, sobretudo, na agricultura (por exemplo, a bioquímica dos fertilizantes, as energias alternativas ou a caça e o turismo); privilegia contactos com os grupos argentários mais empenhados nos negócios do ensino, da saúde ou da economia social; e cultiva e estreita laços com um número seleccionado de sociedades secretas e de forças que dominam (é este o significado do chavão arco da governação) as bolsas de valores e os centros políticos de decisão.

sábado, 18 de maio de 2013

Psicopatas terroristas da Frente Al-Nusra, terceirizados a soldo dos EUA, matam a sangue frio 11 soldados árabes Sírios.

SERÁ QUE ALGUÉM AINDA TEM ALGUMA DÚVIDA SOBRE O QUE ACONTECE NA SÍRIA?



Novo Vídeo Mostra Execução de 11 soldados árabes sírios prisioneiros dos "rebeldes", ou mais conhecidos como mercenários do sionismo

Um novo vídeo difundido na Internet mostra mais um crime brutal , acrescentado a longa lista daqueles cometidos pelos mercenários na Síria.

O vídeo mostra a execução sumária, pelos terroristas da frente Nusra, ligados à Al Qaeda, de um grupo de onze prisioneiros soldados sírios.

O trágico episóidio ocorreu na província de Deir al-Zur, no leste da Síria.

 

 
 
No vídeo, o terrorista/mercenário que dirige a execução dos soldados fala com sotaque saudita.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE - A Grande Revolução Francesa de 1789 e suas repercussões

Execução de Luìs XVI
LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE
(A Grande Revolução Francesa de 1789 e suas repercussões)
 
por EDITORIAL «AVANTE!»




A Grande Revolução Francesa teve repercussões profundas em toda a Europa. E isto porque, e apenas porque, estava madura a necessidade de uma transformação revolucionária das condições sociais não apenas em França, mas também no resto da Europa. Um século antes a Inglaterra tinha realizado a sua revolução burguesa. Conhecera já, na sua área de domínio, a vitória da revolução americana, na preparação da qual pensadores franceses desempenharam um papel importante. Por outro lado, a preparação da Revolução Francesa de 1789 não era, de modo nenhum, um assunto que apenas dissesse respeito à França; a par das «Luzes» francesas houve as alemãs; a par da agitação camponesa em França teve lugar, na Rússia, a guerra camponesa chefiada por Pugatchov (1726-1775); a par da vitória da fase manufactureira do capitalismo em França, a Inglaterra desenvolveu a sua revolução industrial1 a Holanda, a Bélgica e a Irlanda foram abaladas por movimentos revolucionários; em Itália iniciou-se o Risorgimento - isto é, o movimento para a reunificação da Itália; a Polónia lutava pela sua independência, e a estrutura do império austríaco multinacional dos Habsburgos foi abalada por aspirações nacionais de povos submetidos.
 
Tratou-se, portanto, de um ascenso revolucionário comum a toda a Europa que teve em França o seu ponto culminante numa revolução democrático-burguesa vitoriosa, pois que em França se apresentavam mais favoráveis as condições para o seu triunfo.
 
O que é válido para a preparação da Revolução Francesa é-o também para os seus efeitos. A Revolução Francesa imprimiu o seu cunho, no sentido mais verdadeiro do termo, a toda a época histórica em que a ordem social capitalista se estabeleceu e consolidou nos países mais importantes. Todo o século XIX decorreu sob o signo da Revolução Francesa. Este século não fez mais do que estabelecer, concretizar parcialmente e levar a cabo, por esse mundo fora, o que os grandes revolucionários burgueses franceses tinham criado.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pan-africanismo e renascimento africano

Pan-africanismo e renascimento africano
por Carlos Lopes Pereira
 

Inspirados pelos ideais dos seus heróis contemporâneos – o congolês Patrice Lumumba, o ganês Kwame Nkrumah, o guineense-caboverdiano Amílcar Cabral, o angolano Agostinho Neto, o moçambicano Samora Machel –, os trabalhadores e os povos africanos continuam a lutar por uma África unida, próspera e progressista, liberta da dominação imperialista e da exploração do homem pelo homem.

A África prepara-se para festejar o 50.º aniversário da Organização da Unidade Africana (OUA), rebaptizada em 2002 União Africana (UA). O ponto alto das comemorações será a 25 de Maio, em Addis Abeba, onde em 1963 foi fundada a organização continental, ainda hoje com sede na capital etíope.

Empunhando as bandeiras do pan-africanismo e do renascimento africano, os líderes de África querem sensibilizar as novas gerações para os ideais da unidade e do progresso. E aproveitar a ocasião para fazer o balanço do trajecto percorrido e desenhar os caminhos do futuro. Num momento em que a UA está virada para as questões da integração do continente e «do desenvolvimento económico sustentável e centrado nas pessoas».

Há meio século, a OUA tinha como objectivos centrais libertar a África do colonialismo e do apartheid e garantir a unidade continental. Outros princípios que orientaram a sua formação foram o respeito pela soberania de cada Estado, mantendo intocáveis as fronteiras coloniais, e a promoção do desenvolvimento económico e social.

Agora há 54 países africanos independentes e subsiste por resolver a situação da República Árabe Saharauí Democrática, proclamada pela Frente Polisário na ex-colónia espanhola do Sahara Ocidental, entretanto anexada por Marrocos. 

Longo e difícil foi este percurso dos países africanos após as independências, sobretudo considerando o ponto de partida de atraso e destruição herdados da barbárie colonialista. 

Desde logo, após a conquista da bandeira e do hino – da dignidade nacional –, houve a consolidação dos novos estados, a maioria com fronteiras impostas pelos colonialistas e com nações por forjar.

Lula, ser e não ser

Lula, ser e não ser
Carta Maior - [Gilberto Maringoni]

" As melhorias sociais – que são reais – em vários aspectos da vida da população mais pobre, obtidas nos governos petistas, foram alcançadas graças a um cenário de crescimento econômico, sem tocar na organização do Estado, sem ampliar serviços públicos universais – como saúde e educação públicas -, que se constituem em ganhos indiretos, mas universais. Aliás, na saúde pública, o que se nota é um avanço dos planos de medicina privada, das organizações sociais e um paulatino sucateamento do SUS, estabelecido na Constituição de 1988."


Quem se espanta com a incorporação do vice-governador paulista Guilherme Afif Domingos à administração Dilma Rousseff, achando que o político oriundo do malufismo e aliado histórico dos PSDB seria um corpo estranho na seara petista, deve ficar mais atento ao funcionamento do chamado lulismo.

Não se trata apenas de uma manobra de ocasião para compor maiorias parlamentares e estreitar o espaço da oposição nas eleições de 2014. Estamos diante de uma sofisticada tática política, capaz de contentar aliados à esquerda e à direita e de se colocar como esquerda e direita ao mesmo tempo, sem assumir claramente nenhum dos lados.


Um exemplo mais claro desse comportamento pode ser visto no vídeo disponível neste
link.

Ele não é novo, dura um minuto e capta um trecho do discurso do ex-presidente Lula nas festividades de 35 anos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em abril de 2008.


quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Gládio está presente


A Gládio está presente
por Jorge Cadima
 
 

"Cala-se a imprensa em nome da razão de Estado"

 
 


Nos anos 80 o Luxemburgo foi palco duma vintena de atentados bombistas. Volvidos quase 30 anos, dois polícias estão a ser julgados nesse país, acusados pelos atentados. Mas a mais escaldante informação é alvo de férrea censura mediática, apenas furada pelo jornalista Rafael Poch do catalão La Vanguardia. Em artigo (13.4.13) de título «A NATO tropeça de novo com o seu passado terrorista», Poch conta que um historiador alemão, Andreas Kramer, declarou em tribunal que «o autor de 18 dessas 20 bombas foi seu pai, um agente dos serviços secretos alemães, BND, que agia por conta duma estrutura secreta da NATO. […] 

É assim que a conspiração Gládio, relativamente bem conhecida em países como a Itália e Bélgica, desponta agora no Luxemburgo». No enredo estaria ainda envolvido «o ex-chefe dos serviços secretos do Luxemburgo». Segundo Kramer, o seu pai também «participou no atentado bombista mais grave da história alemã do pós-guerra, a 26 de Setembro de 1980 na Oktober Fest, a festa da cerveja de Munique, que deixou um saldo de 13 mortos e 213 feridos e que foi inverosivelmente atribuído à acção de um único neo-nazi, morto na explosão». Kramer declarou que «os atentados eram coordenados pelo “Comité Clandestino Aliado”, sob a direcção do General alemão Leopold Chalupa [...] comandante em chefe das tropas da NATO na Europa Central (CINCENT) entre 1983 e 1987».

Chamados a depor no julgamento estão «o primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker, o ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Santer», um ex-ministro da Justiça e dois irmãos do Grão-Duque do Luxemburgo. Mas, como escreve Rafael Poch (27.4.13), passadas duas semanas «nenhum juiz alemão se interessou pelo assunto, nem chamou Kramer a depor. Ninguém o acusou de mentir, nem de ser um charlatão. Nenhum meio de comunicação importante se fez eco [das suas palavras]. Silêncio.» É assim o «quarto poder» na «aldeia global» das «democracias ocidentais». 

À pergunta de como é que o seu pai justificava a «loucura», Kramer responde: «Tratava-se de tirar os comunistas do caminho […] Apenas se queria governos de direita, para ter um baluarte contra o comunismo […]. Acreditava-se que os comunistas tinham demasiada influência». O objectivo era «criar medo e fortalecer a segurança interna. Para isso havia que encenar terrorismo. E quem fez isso foram oficiais em contacto com os Estados Unidos». Um ministro do ex-chanceler alemão Helmut Schmidt, Andreas von Bülow, igualmente entrevistado pelo La Vanguardia (5.5.13) declara «quando se trata da Gládio, e é disso que se trata neste caso, como seguramente o foi no caso da RAF (o bando Baader-Meinhof, o principal grupo terrorista alemão), cala-se a imprensa em nome da razão de Estado [...]. Vimo-lo no 11 de Setembro, quando se evitaram as perguntas críticas». Palavra de ex-ministro alemão!

Segue Belo Monte

Segue Belo Monte
por Elaine Tavares
 
 

Enquanto isso, a Justiça aplica o rigor da lei aos que lutam, o governo faz vistas grossas embriagado com a ilusão do "crescimento", as empresas se deleitam, o cimento cobre as matas, os rios mudam seus cursos, o sistema bio/eco/lógico se desestabiliza. Os que lutam e advertem sabem que são como "arautos da desgraça", a gritar na montanha sobre os males que virão. E virão. Como esses não têm poder, resta a resistência. É certo que será inútil dizer: "avisamos". O mal estará feito. Mas, a história pelo menos terá registrado que enquanto a classe dominante se lambuzava com as benesses do dinheiro público, sequestrando o estado para seu prazer, havia alguns que lutavam.


O grito dos Munduruku já se perdeu na mata e o monstro de belo nome segue arrasando a floresta e os rios. Depois de uma ocupação do canteiro de obras da Usina de Belo Monte por indígenas de oito etnias - com maioria Munduruku - e demonstrações de solidariedade dos trabalhadores que lá estão para a construção, os trabalhos avançam.
 
A Justiça (?) cala os índios, e rasga a Constituição que garante no artigo 231, parágrafo terceiro: "O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei". E é isso que eles reivindicam. O sagrado direito de serem ouvidos e atendidos nas suas reivindicações. Não houve consulta prévia para a obra que já está afetando a vida de milhares de pessoas, indígenas e ribeirinhos. Iniciada em julho de 2011 mudará radicalmente o curso do rio Xingu, um rio que é vida pra milhares de famílias que vivem próximo às suas margens.

O que tem havido, desde o início das obras, é desrespeito e violência contra os indígenas e contra qualquer outro que se arvore em apoiar presencialmente a luta das comunidades. E tudo está tão dominado pelos interesses das empresas que nessa última ocupação quem pediu para desalojar os indígenas foi a delegada chefe da Polícia Federal em Altamira, que é esposa do advogado da empresa Norte Energia, a que está no comando da obra. O próprio Ministério Público denunciou o conflito de interesses, mas não teve jeito. Os índios tiveram de sair. Não é a primeira vez que eles ocupam canteiros e fazem protestos voltados diretamente ao governo federal, que é quem está descumprindo a Constituição. Os mundurucus ainda também enfrentam o garimpo ilegal em suas terras no Pará e contra isso também tem se insurgido, com igual silêncio por parte da mídia e do governo.

COMO O HOMEM SE TORNOU HOMEM

COMO O HOMEM SE TORNOU HOMEM
ABC do Marxismo-Leninismo



"O homem distingue-se do animal, antes de tudo e fundamentalmente, pelo trabalho. O trabalho criou o homem, a sociedade humana, produziu o pensamento conceptual e a linguagem. A capacidade de realizar trabalho deve-a o homem a determinadas condições biológicas que já se tinham formado e desenvolvido nos seus antepassados antropóides. Estes antepassados foram forçados a trabalhar pelas condições especiais de vida que em dado momento tiveram a sua volta."

"A descoberta do papel do trabalho na criação do homem só foi possível, do ponto de vista do pensamento, à classe da sociedade que está directamente ligada ao trabalho e à produção de toda a riqueza - a classe operária."

O homem conhece-se como membro de uma cadeia de gerações que, vinda do passado, se projecta no futuro. Qual é, porém, a sua origem? Esta questão pôs-se desde sempre ao seu pensamento. Antigamente os homens pensavam descender todos de um Adão original, criado por Deus. Esta concepção foi também sugerida pela posição especial e, pode dizer-se, ímpar, do homem no seio dos seres vivos. Nenhum outro ser vivo, além do homem, se mostra capaz de voar para outros planetas. O homem transformou toda a Terra, sendo indubitavelmente o senhor do reino animal. Esta posição ímpar do homem entre todos os seres vivos levou muitos a duvidarem da origem histórica natural do homem no reino animal, e a aceitarem a origem divina directa do homem. Embora ainda hoje esta seja aceite por muitas pessoas, a ciência da natureza apresentou um grande número de provas de que o homem, apesar da sua posição especial, deriva, por via histórica natural, do reino animal.
 
 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Clima doentio em França – COMO CORTAR RENTE A FASCIZAÇÃO que se acentua?

Clima doentio no país – COMO CORTAR RENTE A FASCIZAÇÃO que se acentua?
por Pólo do Renascimento Comunista em França (PRCF)


"A verdadeira resposta de fundo à fascização – que tantos «marxistas-leninistas» de fachada ainda insistem suicidariamente em negar – não consiste, porém, em fazer um bloco atrás da social-democracia, ainda menos em prestar apoio político ao atual governo social-maastrichtiano de destruição da nação republicana (lei III da descentralização, referendos regionais planeados em cascata, etc.). Pelo contrário, é porque a social-democracia faz a política da direita, do MEDEF [Mouvement des entreprises de France (NT)], da Europa supranacional, das guerras imperialistas e neocoloniais do Mali à Síria, que ela abre uma enorme avenida à ultradireita e à UM’Pen em formação."
 
 
Desenvolve-se no país um clima doentio. Alimenta-se de escândalos político-financeiros, da política de rotura social e nacional dos euro-federalistas Hollandréou e Zapat-Ayrault, do aumento do desemprego e das desigualdades, mas também da ação concertada da UMP [União por um Movimento Popular (NT)], da FN [Frente Nacional (NT)] e de uma parte da hierarquia católica (que não se deve confundir com a massa dos cristãos) para preparar «um maio de 68 ao contrário» em bases pseudo-societais». Grupos pretensamente católicos», de facto integristas, e fascistas declarados reanimam-se e entregam-se impunemente a violências graves. Perante eles, o homem abertamente de direita que é Manuel Valls, mostra-se mais preocupado em apanhar pessoas indocumentadas e em criminalizar as lutas operárias que em conter seriamente os desordeiros fascistas.
 
O PRCF apela aos comunistas a que estejam vigilantes em relação aos movimentos antirrepublicanos dos exaltados do sarko-lepenismo à procura de vingança. Qualquer atentado contra as liberdades democráticas, mesmo quando ameaça a livre expressão de feministas ou democratas burgueses perseguidos enquanto tal, qualquer «saída» xenófoba ou homófoba, qualquer ofensa pública da direita contra os assalariados da função pública enquanto tal ou contra os alegados «assistidos» (quer dizer, aos desempregados de longa duração) deve ser vigorosamente denunciada, excluindo todo o sectarismo.
 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Brasil: aumenta o entreguismo e a repressão


Dilma e Lula
 
Brasil: aumenta o entreguismo e a repressão
 por MonBlog

"A combinação da ampliação de benesses ao capital em uma ponta com a crescente repressão aos trabalhadores e minorias étnicas em outra, é um indício de que com o aprofundamento da crise econômica no país a luta de classes tenderá a se agudizar no próximo período e amplos setores do povo passarão a se enfrentar cada vez mais com o governo petista, cujos principais dirigentes, convertidos em neoburgueses, demonstrarão cada vez mais o que são e para quem realmente governam."


 A sucessão de fatos nas últimas semanas apontam claramente para um aumento das benesses ao capital em uma ponta com o correspondente aprofundamento da repressão às minorias étnicas e aos trabalhadores na outra.

Os ventos da crise capitalista começam a ficar mais fortes no país com o esgotamento das medidas "anticrise" adotadas a partir de 2008. [1] A combinação do quadro de aprofundamento da crise com a crescente perda de legitimidade dos governistas nos movimentos sociais e sindicais faz com que o governo petista se utilize cada vez mais do aparato repressivo do Estado para levar adiante seus planos de tentar manter o processo de acumulação e reprodução do capital. Assim, a cada dia que passa, o governo petista já não consegue mais dissimular o real caráter da sua gestão e para quem realmente governa.

domingo, 12 de maio de 2013

Governo Dilma dá asas à “democracia” ruralista

Governo Dilma dá asas à “democracia” ruralista
por Cleber Cesar Buzatto


"Nesse processo, no entanto, os povos indígenas, e as suas lideranças em especial, precisam estar cientes que o inimigo é violento. Por ocasião da aprovação do Código Florestal, latifundiários ruralistas fizeram o seu “serviço de casa” costumeiro, assassinando e aplaudindo a morte de líderes ambientalistas. O caso mais notável, neste sentido, foi o do casal Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro, no Pará. Outros casos semelhantes ocorreram. A experiência histórica, antiga e recente mostra que quando os diferentes sujeitos que gravitam em torno do agronegócio se juntam para efetivar um determinado objetivo comum, o mesmo discurso desumanizante é usado, tanto nas tribunas, quanto na ponta dos rifles dos seus ascetas."
 
 
É recorrente o fato de que latifundiários do Brasil, parlamentares ou não, inventam teses falaciosas, descaradamente mentirosas, as usam de forma exaustiva, de forma teatralmente apaixonada a ponto de torná-las críveis a incautos cidadãos e ou a carreiristas políticos. Foi assim por ocasião da aprovação do novo Código Florestal. Insensíveis à opinião de mais de 90% da população brasileira, fizeram valer o poder da sua “democracia”. O objetivo ruralista do momento é a inviabilização do reconhecimento e demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas no Brasil.

Para tanto, a estratégia da bancada ruralista e da Confederação Nacional da Agricultura possui três vértices principais. O primeiro visa a “suspensão” de todos os procedimentos administrativos de demarcação de terras indígenas que estejam em curso. O foco da ação ruralista, nesse caso, é voltado ao Poder Executivo. O segundo busca a vigência da Portaria 303/12 da Advocacia Geral da União (AGU). O foco, para tanto, é o Poder Judiciário, especialmente, o Supremo Tribunal Federal (STF). Já o terceiro é a aprovação da PEC 215/00, com a qual a CNA e os ruralistas, finalmente, teriam o poder nas próprias mãos para decidir acerca da “não” demarcação das terras indígenas no país.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Bem-vindos à era do “Assassinato.gov.EUA”.

O Jogo dos “Drones”
por Jeffrey St. Clair

 


"Atos que, noutros tempos, foram considerados ultrajantes, crimes contra a consciência humana decente, hoje são rotina."
"O jogo dos drones de Obama, as atrocidades que ordena em nome do império, parecem conscientemente movidas segundo um profundo algoritmo político de poder e morte."


Afinal já se sabe. A misteriosa autoridade legal do programa de matar de Barack Obama servindo-se de drones [veículos aéreos pilotados por joystick, à distância] vem-lhe de governo anterior, com interpretação elástica do poder executivo: do governo de Richard Nixon.

Num documento aterrador, de 16 páginas, conhecido singelamente como “O documento” [orig. the White Paper], um dos cérebros do Departamento de Justiça de Obama cita o bombardeamento clandestino contra o Camboja, em 1969, como antecedente e fundamento legal que justifica(ria) os ataques de drones, que hoje invadem profundamente territórios de países contra os quais os EUA não estão em guerra.

Barack Obama em sonho assassino (com drones)

Dilma e Graça iniciam o projeto de privatização da Petrobrás

Dilma e Graça iniciam o projeto de privatização da Petrobrás
 
"Os terminais secos são os mais lucrativos no Sistema Petrobrás, provavelmente por serem processo automáticos que utilizam muito pouco a força de trabalho, diferente dos terminais molhados. O Brasil construiu sua malha de dutos durante anos, e com investimentos pesados de dinheiro público no setor. Tais recursos poderiam ter sido investidos em saúde, educação, segurança pública. Esse investimento é parte fundamental na logística de distribuição de derivados de petróleo no país. Vamos privatizar esses dutos para depois pagar para utilizá-los?"

Como se não bastassem os leilões de petróleo, marcados para os dias 14 e 15 de maio pela ANP, que vão entregar 30 bilhões de barris de petróleo, o governo brasileiro e a direção da Petrobrás entregarão os terminais secos da Transpetro

Os 30 bilhões de barris a serem leiloados na 11ª Rodada de Licitações da ANP são equivalentes a duas vezes a reserva provada da Petrobrás, sem o pré-sal e acima do PIB brasileiro.

Os terminais secos são os mais lucrativos no Sistema Petrobrás, provavelmente por serem processo automáticos que utilizam muito pouco a força de trabalho, diferente dos terminais molhados. O Brasil construiu sua malha de dutos durante anos, e com investimentos pesados de dinheiro público no setor. Tais recursos poderiam ter sido investidos em saúde, educação, segurança pública. Esse investimento é parte fundamental na logística de distribuição de derivados de petróleo no país. Vamos privatizar esses dutos para depois pagar para utilizá-los?

A vitória da URSS sôbre as hordas nazifascistas na II guerra mundial - Feliz dia da Vitória

NUNCA ESQUECER A VITÓRIA DA URSS SÔBRE AS HORDAS NAZISTAS NA II GUERRA.
"Nos nossos dias, urge dar combate a toda desinformação e manipulação que se faz sobre o tema. Os comunistas sempre estiveram na linha-de-frente do combate ao nazi-fascismo. Como referido, a luta contra a criminalização do comunismo não é apenas uma luta de comunistas. É uma luta de todos, mulheres e homens, que defendem a democracia e o progresso social."




FELIZ DIA DA VITÓRIA !!

 
 
 Glória Eterna á Luta do exército Vermelho, do Povo Soviético e do PCUS - sob a direção do Camarada Stálin - para derrotar a coisa mais monstruosa gerada e parida pelo Capitalismo : O Nazi-fascismo.
 
 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

De perseguidos a perseguidores: a lição do sionismo

De perseguidos a perseguidores: a lição do sionismo
Por João Bernardo


É do conhecimento geral que os judeus foram vítimas de grandes perseguições e que o nazismo fez do anti-semitismo um dos seus eixos principais. Desde o primeiro dia o regime de Hitler perseguiu os judeus e durante a segunda guerra mundial pretendeu exterminá-los. É também amplamente conhecido o tratamento que o Estado de Israel inflige aos palestinianos, espoliando-os e impondo-lhes um sistema de terror que ultrapassa tudo o que os racistas sul-africanos conseguiram fazer no tempo do apartheid. Ora, entre estes dois factos, os judeus como vítimas e Israel como agressor, não existe uma contradição mas, pelo contrário, um nexo lógico, e é para ele que procurarei chamar a atenção neste artigo.
 
Oposição entre assimilacionistas e sionistas

Antes de mais, convém distinguir judeus e movimento sionista. Os judeus são um povo, definido por um conjunto de tradições e hábitos culturais em que a religião é uma parte componente, embora não indispensável. O sionismo é um movimento político que se propôs formar uma nação a partir do povo judaico, disperso desde há muitos séculos no seio de outras sociedades; o objectivo do sionismo era separar os judeus das sociedades onde viviam e conduzir uma corrente migratória para a Palestina, acabando por fundar o Estado de Israel.

Quando Theodor Herzl fundou o movimento sionista na passagem do século XIX para o século XX, ele só conseguiu interessar uma pequena minoria de judeus e praticamente não contou com o apoio de intelectuais judeus de prestígio [1]. A esmagadora maioria dos judeus era composta por assimilacionistas, que, embora defendessem o direito a manter a sua especificidade cultural, defendiam também a sua plena integração nas sociedades onde viviam.
 
Na Alemanha imperial a grande maioria dos judeus exibia um patriotismo nas raias do chauvinismo, e os judeus austríacos, em vez de se apresentarem como uma das nacionalidades do império, consideravam-se parte integrante da população alemã [2].