Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Idade Média

Idade Média
por Jorge Cadima
 


A nova guerra de Israel contra Gaza foi – como em 2009 – um massacre de civis. Por muito que a comunicação social fale dos «rockets sobre Israel», um tenebroso balanço não deixa margem para dúvidas sobre quem são as reais vítimas. De 163 mortos, 156 são palestinos. Destes, 104 eram civis, incluindo 33 crianças e 3 jornalistas (Comité Palestino para os Direitos Humanos, www.pchrgaza.org). O número de feridos palestinos ultrapassou o milhar. O sangue derramado soube a pouco em Israel. O ministro do Interior Eli Yishai declarou durante os bombardeamentos que «o objectivo da operação é fazer Gaza regressar à Idade Média» (notícias em directo do Haaretz e BBC, 17.11.12). O Ministro dos Transportes pediu para «Gaza ser bombardeada tão intensamente que a população tenha de fugir para o Egipto» e um deputado do Knesset afirmou aos soldados: «Não há inocentes em Gaza. Não deixem que um qualquer diplomata que queira fazer boa figura no mundo ponha em perigo as vossas vidas: ceifem-nos!» (RT, 20.11.12).
 
O filho do ex-primeiro-ministro Ariel Sharon (um criminoso de guerra responsável – entre outros – pelo massacre de muitas centenas de palestinos nos campos de Sabra e Chatila em 1982) escreveu num editorial no Jerusalem Post (18.11.12): «Os residentes de Gaza não são inocentes, elegeram o Hamas. […] Temos de arrasar bairros inteiros de Gaza. Reduzir toda Gaza a escombros. Os americanos não pararam em Hiroshima – os japoneses não se rendiam o suficientemente depressa e por isso atacaram Nagasáqui também». É difícil imaginar que tantas barbaridades criminosas fossem ditas noutro qualquer país sem alarido. Mas Israel goza de um estatuto de impunidade ímpar. Pode comportar-se como se vivesse na Idade Média e continuar a ser tratado como um país normal.

REVISITANDO CUNHAL: O Comunismo Hoje e Amanhã, Àlvaro Cunhal

O Comunismo Hoje e Amanhã,
Àlvaro Cunhal
REVISITANDO CUNHAL






Texto da conferência proferida por Álvaro Cunhal a 21 de Maio de 1993, em Ponte da Barca, inserido no ciclo de conferências e debates promovido pela Câmara Municipal local intitulado «Conversas com endereço». Tema proposto a Álvaro Cunhal: «O comunismo hoje e amanhã».


Senhoras e senhores:

O tema proposto para esta palestra – “o comunismo hoje e amanhã” – no ciclo promovido pela Câmara Municipal, cujo convite agradeço, sugere a necessidade de, perante as profundas alterações da situação mundial, nomeadamente a derrocada da URSS e de outros países do leste da Europa, responder a legítimas interrogações que certamente muitos de vós colocam ao reflectir sobre a questão: afinal o que é ser comunista hoje? Existem de facto hoje objectivos para os comunistas? Se existem quais são?

Nesta palestra procurarei dar resposta a estas interrogações. Desde já adianto em síntese, como ideia introdutória, que a história, os factos, a vida mostram e justificam que afinal o comunismo continua a responder às necessidades e mais profundas aspirações dos trabalhadores e dos povos.

Procurarei, nas breves palavras que uma palestra consente justificar esta afirmação.             

A apreciação certa da época em que vivemos

Para quem queira ajuizar com segurança do significado dos grandes acontecimentos tanto à escala mundial, como à escala nacional, e das perspectivas da evolução da sociedade, torna-se necessária uma apreciação segura da época actual.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A CLASSE MÉDIA E A CORRUPÇÃO NO BRASIL

A CLASSE MÉDIA E A CORRUPÇÃO NO BRASIL
por Flavio Lyra(*).
 
 
 
O tema da corrupção, especialmente em sua existência associada ao desvio de recursos públicos para o favorecimento de empresas, de políticos e de pessoas comuns, constitui a pièce de résistance, o prato principal, do cardápio político da classe média.

Não sem fortes razões é assim, pois os membros da classe média conhecem de perto o funcionamento dos mecanismos da corrupção, seja como observadores, seja como executores das práticas envolvidas, através das posições que ocupam nas empresas e na administração pública, seja como beneficiários parciais dos resultados das fraudes.

A atitude de indignação que os membros da classe média revelam frente aos casos mais notórios de corrupção que chegam ao conhecimento público deve-se, em boa medida, a razões de ordem moral. Entretanto, não cabe descartar dois aspectos: os casos de corrupção de menor importância são muito difundidos e geralmente aceitos como normais; e os casos realmente importantes beneficiam apenas pequenos grupos contra os quais se levantam as vozes dos que ficam de fora dos esquemas: não há necessidade nem recursos de corromper a todos que aceitariam ser corrompidos. Existe um dito popular que define corrupção como “todo bom negócio para o qual não fomos convidados”.


As denuncias de casos de corrupção, bem como a insinuação de suspeitas a respeito, assumem assim em nossa sociedade a condição de arma política importante, porquanto fácil de ser mobilizada e acionada, quando conveniente, contra competidores e adversários, especialmente com a utilização dos meios de comunicação controlados por grupos minoritários vinculados à classe dominante.

Seu uso para fins políticos é sobejamente conhecido e muito bem aproveitado pela mídia que faz das denúncias e dos escândalos comprovados, material fértil para aumentar a venda de seus serviços ao público em geral e aos interessados diretos na divulgação das notícias pertinentes.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A explosão do desemprego na zona euro

A explosão do desemprego na zona euro
por Domenico Moro [*]


Na zona euro, o desemprego já é estrutural...

A verdadeira emergência na zona euro não é o spread
[NT] e sim o desemprego. Mas o BCE admite isso no seu último relatório sobre o mercado de trabalho [1] , que revela quanto esta grande taxa de desemprego constitui doravante uma característica estrutural da economia europeia. Entre 2008 e 2011, a Europa perdeu 4 milhões de empregos (-2,6%).
 
Nos Estados Unidos, a perda é ainda mais grave, ou seja, 6 milhões de empregos (-4,5%), que deve ser relacionada com uma baixa semelhante do PIB (-5%). Mas após 2010, quando as duas economias atingiram uma taxa de desemprego de 10%, esta começou a diminuir nos Estados Unidos ao passo que na Europa continua a crescer (atingindo, só na zona euro, em Setembro último, os 18,5 milhões de desempregados). O desemprego na zona aumento dois pontos percentuais em menos de três anos, passando de 9,6% em 2009 para 11,6% em Setembro de 2012 [2] . Ao mesmo tempo, o desemprego de longa duração [3] aumentou, chegando aos 67,3% do número total (sete pontos mais do que em 2008). Trata-se de um sinal evidente de que o desemprego não é um fenómeno conjuntural. Entre Setembro de 2011 e Setembro de 2012, mais de 2.174.000 trabalhadores vieram somar-se às fileiras dos desempregados.

... mas há divergência entre a Alemanha e a quase totalidade da zona euro

Na primeira fase da crise na Alemanha e na Bélgica, a perda de emprego foi apenas de 1%, se bem que a baixa do PIB ficasse na média europeia, ao passo que na Irlanda foi da ordem dos 15%, na Espanha e na Grécia dos 10%.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

As elites vão fazer conosco o que fazem com os habitantes de Gaza

As elites vão fazer conosco o que fazem com os habitantes de Gaza
Elites Will Make Gazans of Us All
por Chris Hedges*

Traduzido e comentado por Baby Siqueira Abrão


Comentário da tradutora (Baby Siqueira Abrão): Quem me conhece sabe que penso exatamente como Hedges. Infelizmente, não tenho seu talento e meu artigo sobre esse assunto está só na forma de esboço.
É preciso ler este texto para entender por que os sionistas estão pressionando tanto o FSMPL (Fórum Social Mundial pela Palestina Livre)-- trata-se de uma pedra no sapato de quem, como eles, vêm mostrando as garras na América Latina e dominando nossos governos. É preciso ler este texto para saber por que insisto tanto num foco de luta mais amplo, contra o sionismo. Vamos deixar como está ou vamos reagir?

 


Gaza é a janela de nossa futura distopia. A crescente divisão entre a elite do mundo e sua miserável massa de humanidade é mantida por meio de uma violência em espiral. Muitas regiões empobrecidas do planeta, que caíram no abismo econômico, começam a assemelhar-se a Gaza, onde 1,6 milhões de palestinos vivem no maior campo de concentração do planeta [1].

Essas zonas de sacrifício, cheias de pessoas deploravelmente pobres, presas em favelas miseráveis ou em aldeias cujas casas têm paredes de barro, cada vez mais vêm sendo sitiadas por cercas eletrônicas, monitoradas por câmeras de vigilância e drones, e rodeadas por guardas de fronteira ou unidades militares que atiram para matar.
 
Essas distopias de pesadelo se estendem da África subsaariana ao Paquistão e à China. Nesses locais, assassinatos propositais são executados, ataques militares brutais são feitos a pessoas deixadas sem defesa, sem exército, sem marinha e sem força aérea. Todas as tentativas de resistência, embora ineficazes, deparam com a carnificina que caracteriza a moderna indústria da guerra.
 
No novo cenário global, como nos territórios ocupados por Israel e nos projetos imperialistas dos EUA no Iraque, no Paquistão, na Somália, no Iêmen e no Afeganistão, massacres de milhares de inocentes indefesos são classificados como “guerra”.
 
A resistência é denominada provocação, terrorismo ou crime contra a humanidade. O respeito às leis, assim como as mais básicas liberdades civis e o direito à autodeterminação, é uma ficção usada como relações-públicas para aplacar a consciência de quem vive nas zonas de privilégio.
 

43,5 mil mulheres foram assassinadas em dez anos

43,5 mil mulheres foram assassinadas em dez anos
por Camila Matos, Carolina Vigliar e Ana Rosa Carrara


A sociedade capitalista é fundamentada na opressão e exploração do povo trabalhador para garantir privilégios a uma minoria que nada produz e de tudo se apropria, gerando desigualdade e violência, sobretudo contra os pobres e as mulheres.

A desigualdade entre homens e mulheres se instala sempre pelo crescimento da ideologia burguesa da submissão da mulher ao homem. Essa ideologia responsabiliza as mulheres pelos cuidados dos filhos e tarefas domésticas, garantindo ao capitalismo ganhos exorbitantes com a exploração da mulher dentro e fora do espaço doméstico.

Dados do Censo 2010, divulgados pelo IBGE, afirmam que no Brasil cerca de 37% das mulheres são chefes de família, isto é, são responsáveis pelo sustento da família, lembrando que grande parte dessas são constituídas apenas pela mãe e seus filhos.

Dados da OIT mostram que mais 42% das mulheres da América Latina estão no mercado de trabalho, no entanto, são submetidas a condições degradantes de trabalho e salários inferiores aos dos homens. No Brasil, a diferença salarial entre homens e mulheres chega a 30%.

É nessa sociedade capitalista que milhões de mulheres morrem todos os anos, vítimas das mais diversas formas de violência. Na última década, 43,5 mil mulheres foram assassinadas no país.

domingo, 25 de novembro de 2012

O “Direito à autodefesa”, uma tremenda vitória da propaganda israelita

O “Direito à autodefesa”, uma tremenda vitória da propaganda israelita
por Amira Hass* (Haaretz)




Este artigo, de uma jornalista israelita e publicado no importante jornal Haaretz, é duplamente significativo e corajoso: pela recusa da propaganda que novamente pretende transformar agressores em agredidos, e pelo testemunho que dá de que o sionismo pode ser esmagadoramente dominante na sociedade israelita, mas que continua a haver - e possivelmente a aumentar - entre os israelitas a recusa e o combate essa ideologia racista, colonialista e fascista, factor central da longa e intolerável tragédia do povo palestino e do Médio Oriente.

 

Com o seu apoio à ofensiva de Israel em Gaza, os líderes ocidentais deram carta-branca aos israelitas para que façam aquilo que melhor sabem fazer: chafurdar na sua vitimização e ignorar o sofrimento palestino.

Uma das tremendas vitórias da propaganda de Israel é que tenha sido aceite como vítima dos palestinos, tanto em termos da opinião pública israelita como da dos líderes ocidentais, que se apressam a falar do direito de Israel a defender-se. A propaganda é tão eficaz que apenas os foguetes palestinos no sul de Israel, e agora em Tel Aviv, são inventariados no balanço das hostilidades. Os foguetes, ou os danos no que há de mais sagrado - um jeep militar- são sempre apresentados como ponto de partida e, ao som da aterradora sirene, como se se tratasse de um filme da Segunda Guerra Mundial, constroem a meta-narrativa da vítima que tem direito a defender-se.


sábado, 24 de novembro de 2012

Guerra e gás natural: a invasão de Israel e os campos de gás no offshore de Gaza


Mapa 1.
 
Guerra e gás natural: a invasão de Israel e os campos de gás no offshore de Gaza
por Michel Chossudovsky
 
A invasão militar da Faixa de Gaza pelas forças israelenses prende-se directamente com o controlo e propriedade das reservas estratégicas de gás natural na sua plataforma marítima.

Esta é uma guerra de conquista. Descobertas em 2000, são extensas as reservas de gás presentes ao longo do offshore de Gaza.


Fósforo branco: crianças palestinas são queimadas vivas por Israel em Gaza



criança palestina queimada por fósforo branco
 As Crianças de Gaza e as Bombas de Fósforo Branco
 

As crianças são as maiores vitimas do ataque com bombas de fósforo branco, na faixa de Gaza.O fósforo branco é usado regularmente para a fabricação de fogos de artifício e bombas de fumaça para camuflar movimentos de tropas, em operações militares. A sua utilização como componente de armas químicas é proibida pelas Convenções de Genebra e especialmente pela Convenção sobre Armas Químicas, reafirmando os termos do Protocolo de Genebra de 1925, que proíbe o uso de armas químicas e biológicas.
  
Bombas, munição de artilharia e morteiros, quando contêm fósforo, explodem em flocos inflamáveis, mediante impacto. São artefatos incendiários e causam queimaduras terríveis, podendo mesmo ser letais.É legal o uso de fósforo branco como componente de foguetes de iluminação e bombas de fumaça, e a Convenção sobre Armas Químicas (CWC) não o inclui na lista de armas químicas.O fósforo foi usado pelos exércitos desde a Primeira Guerra Mundial. Durante a Segunda Guerra, na Guerra do Vietnam e recentemente por Israel na Operação Chumbo Fundido . Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha também já utilizaram munições com fósforo.

Nas últimas décadas, porém, a tendência é o banimento do seu uso, contra qualquer alvo, civil ou militar, em razão dos severos danos causados pela substância e os especialistas acreditam que o fósforo deveria ser mesmo incluído entre as armas químicas, pois queima e ataca o sistema respiratório.Uma exposição prolongada, sob qualquer forma, pode ser fatal.

Segundo a GlobalSecurity.org, citada pelo The Guardian, “Fósforo branco resulta em lesões dolorosas por queimadura química”. Partículas incandescentes de fósforo branco, resultantes da explosão inicial de uma bomba de fósforo, podem produzir extensas, dolorosas e profundas queimaduras (de segundo e terceiro graus). Queimaduras por fósforo carregam um maior risco de mortalidade do que outras formas de queimaduras devido à absorção de fósforo pelo organismo, através da área queimada, resultando em danos ao fígado, coração, rins e, em alguns casos, falência múltipla de órgãos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Como diria bocage - neste Governo nunca vi tanto filho da puta ( HUMOR NEGRO )

Lembrando os Governos após novembro  de 1975 do PS, PSD e CDS. ( Humor negro )


Nas próximas eleições vota diretamente nas PUTAS, pois seus filhos, que disputam as eleições pelas listas do  PS, PSD e CDS-PP só fazem merda desde novembro 1975.

Homenagem especial aos atuais governantes em Portugal, que não passam de meros serventuários e estafetas da UE, para isso, me utilizo dos meigos e sublimes versos do Bocage, num português castiço, para os qualificar em sua origem como verdadeiros e originais filhos da puta.:


A VIDA É FILHA DA PUTA,
 
A PUTA, É FILHA DA VIDA......
 
NUNCA VI TANTO FILHA DA PUTA,
 
NA PUTA DA MINHA VIDA !
 

BOCAGE
 



Cessar-fogo põe fim aos ataques de Israel a Gaza

Cessar-fogo põe fim aos ataques de Israel a Gaza
por Baby Siqueira Abrão
Correspondente no Oriente Médio
Caças F16, helicópteros Apache e drones sobrevoaram Gaza durante toda a noite e a madrugada. É a versão sionista do conceito “cessar-fogo”: eles suspendem os bombardeios, mas mantêm a tortura física e psicológica
 
 


São pouco mais de sete da manhã na Palestina. As comemorações nas ruas de Gaza, pelo cessar-fogo intermediado pelo Egito e assinado ontem no Cairo, terminaram há algumas horas. Não se veem mais adultos e crianças – um público predominantemente masculino – comemorando pulando, dançando, com as bandeiras da Palestina e do Hamas nas mãos. Todos foram para casa. Mas ninguém conseguiu dormir.

Caças F16, helicópteros Apache e drones sobrevoaram Gaza durante toda a noite e a madrugada. É a versão sionista do conceito “cessar-fogo”: eles suspendem os bombardeios, mas mantêm a tortura física e psicológica. O barulho das aeronaves lembra aos moradores da faixa costeira palestina a tragédia (mais uma) da perda de 162 vidas em oito dias de ataques contínuos e simultâneos, vindos do ar e do mar. Mísseis, bombas e balas eram atirados ao mesmo tempo no norte, no centro e no sul de Gaza, matando civis – a maior parte deles composta de crianças, mulheres e jovens –, arrasando moradias, prédios públicos, sedes dos meios de comunicação local e internacional, destruindo a já carente infraestrutura de serviços gazense, ainda não recuperada do assalto militar israelense de 2008-2009, a operação Cast Lead.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O PROBLEMA FUNDAMENTAL DA FILOSOFIA

O PROBLEMA FUNDAMENTAL DA FILOSOFIA

«A religião é a arte de atordoar os homens com o fanatismo - escreveu então Holbach - para os impedir de compreenderem os males que descarregam sobre eles neste mundo os que os governam.» 
 
"o marxismo equipara o espírito «em si» ao espírito humano, e define o que existe fora deste espírito como natureza, como matéria. O marxismo, finalmente, mostra também as raízes sociais do aparecimento e da consolidação da ideia ilusória da existência de um espírito, ou de um Deus, supra-humano, sobrenatural e criador do mundo. "
 


Friedrich Engels fez notar que há um problema da resolução do qual dependem todas as outras respostas filosóficas: «O grande problema fundamental de toda a filosofia, em especial da filosofia moderna, é o da relação entre o pensamento e a existência [...], a relação do espírito com a natureza [...], o problema: qual existe primeiro, o espírito ou a natureza? [...] Consoante era dada uma ou outra resposta a este problema, os filósofos dividiram-se em dois grandes campos. Os que afirmavam que o espírito era primordial face á natureza, e portanto aceitavam, em última instancia, esta ou aquela criação do mundo [...] constituíram o campo do idealismo. Os outros, que consideravam a natureza primordial, pertencem às várias escolas do materialismo.»

«Refundações» em Portugal e na UE

O "desenvolvimento" capitalista alcançou um tal nível de sofisticação e crueldade que a maioria das pessoas no mundo tem de competir para serem exploradas, prostituídas ou escravizadas."


«Refundações» em Portugal e na UE
por Inês Zuber


«Lá se fazem, cá se pagam» foi um dos lemas que a CDU lançou, acertadamente, em 2009, na campanha para as eleições europeias. Não que os governos nacionais portugueses devam ser desresponsabilizados pelas suas atitudes subservientes e comprometidas em relação às directrizes da UE e do grande capital económico e financeiro, pois como então dizíamos em programa eleitoral «PSD, PS e CDS-PP aprovaram, em conjunto, todos os temas relevantes da integração comunitária», sendo estes partidos responsáveis pela alienação de componentes essenciais de soberania. Se hoje o nosso Governo coloca em cima da mesa a ideia da «refundação do Estado», ou seja, de destruição dos direitos sociais, económicos, políticos e culturais consagrados na Constituição de Abril, as instituições europeias têm guiado e estão em consonância com esse caminho trilhado. A multiplicidade de «pacotes» em discussão e em curso na área do Emprego são exemplo disso.

Ibéria: uma rampa de lançamento

Ibéria: uma rampa de lançamento
por Jorge Messias


«Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma sai do Purgatório!», (Gislane Campos Azevedo,
“História em Movimento”,
A Editora Ática , 2007)
 
«O sangue dos mártires é semente. Nós somos um grupo novo mas já penetrámos em todas as áreas da vida imperial: nas cidades, ilhas, vilas, mercados, e até mesmo nos campos, nas tribos, no palácio, no senado e no tribunal. Para vocês, apenas deixámos os vossos templos...» (Tertuliano, “Apologia 37”, Ano 200).
 
«Sabemos que há muito tempo existem excessos abomináveis na Santa Sé. A corrupção alastra da cabeça aos membros, do Papa aos prelados; todos temos saído dos carris. Não há nem um só que tenha praticado o Bem, nem só um!...» (Papa Adriano VI, 1522).
 
«Na sua corrida ao lucro a burguesia foi condenada a desenvolver, em proporções sempre crescentes, as forças produtivas e a reforçar e alargar o domínio das relações capitalistas de produção. O desenvolvimento do capitalismo reproduziu constantemente, por essa razão e numa base alargada, todas as contradições internas do sistema, sobretudo a contradição decisiva entre o carácter social do trabalho e o carácter privado da apropriação, entre o crescimento das forças produtivas e as relações capitalistas de propriedade» (“Programa da Internacional Comunista”, Ano de 1928, capítulo I – 1).
 


Em termos de caracterização histórica geral, a Igreja Católica Romana não oferece dificuldades de maior. A Igreja católica nasceu com o Império (o Romano e os outros mais antigos); cresceu desmedidamente e enriqueceu com o comércio e a conquista (o saque); e agora, com um capitalismo agonizante, é-lhe impossível libertar-se das marcas decadentes dos seus tempos finais.

Tem-se falado muito do volume astronómico dos capitais que o Vaticano possui e administra. E é bom que esta contabilização se mantenha bem viva, se vá actualizando permanentemente e permita ao católico comum contrastar as misérias que o vão esmagando e a vida da Igreja com a qual se confunde. Mas também, em termos de compreensão do que se passa, continua a ser vital observar a Igreja como causa e efeito do processo histórico em curso. Império, capitalismo e Igreja, têm assumido, desde há séculos, uma só identidade. Já não se podem separar, uma do outro. A Península Ibérica é bem uma imagem dessa realidade suicida.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Breve História da luta pelo socialismo

Breve História da luta pelo socialismo
 
01 - A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, Nasce o Proletariado

Fruto da Revolução Tecnológica, a Inglaterra do Século XVIII, a maior potência comercial de então, sofre uma profunda Revolução económica e social.

A máquina a vapor, a máquina de fiar algodão e o tear mecânico lançam as bases da indústria. Os camponeses são expulsos da terra, os artesãos são arruinados. Uma massa de trabalhadores livres aflui aos grandes centros urbanos. Estes trabalhadores livres vendem o único bem que lhes resta: a sua força de trabalho. O trabalho assalariado instala-se. Nasce o capitalismo. A burguesia apropria-se da propriedade. O trabalho fica para o proletariado.

A classe agora nascida vive na mais profunda miséria. O quadro traçado por Engels em 1845 é chocante: metade das crianças morria antes dos 5 anos; os bairros eram aglomerados de barracas; o horário de trabalho atinge 17 horas; não há férias, apoios em caso de doença ou acidente, nem direito à reforma; a base da alimentação é a batata; o salário é o estritamente necessário para a sobrevivência física do trabalhador e dos seus.
 

Campanha dos 16 dias de ativismo contra a violência de gênero

Campanha dos 16 dias de ativismo contra a violência de gênero


25 de Novembro - Dia da Não Violência contra as Mulheres

Em 1991, em um congresso feminista latino-americano, com o objetivo de promover debates e denunciar as várias formas de violência de gênero, foi lançada a campanha dos 16 dias de ativismo, dias de lembrança e ação na luta contra toda forma de preconceito, opressão e discriminação sofridos pela mulher, sendo essa uma iniciativa de âmbito nacional e internacional ocorrendo, simultaneamente em cerca de 120 países com um trabalho educativo, de sensibilização e de lutas pela não violência contra as mulheres.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O segredo das «reformas estruturais»

O segredo das «reformas estruturais»
por Aurélio Santos
 
 
"Portugal está sendo peça de um vasto puzzle para destruir os direitos sociais conquistados na Europa após a derrota do nazi-fascismo. E não deixa de ser curioso que este projecto tenha tido o seu início em três países (Grécia, Portugal e Espanha) que mais recentemente se libertaram de longas ditaduras."

Muito se tem falado de incompetência e impreparação deste Governo.

Nada mais falso.

A verdade é que este Governo sabe muito bem o que está a fazer e para onde quer conduzir o País. Vítor Gaspar, que tem sido um dos rostos mais visíveis dos planos do Governo, cumpre esforçadamente os projectos impostos pelo grande capital internacional.

As nefastas consequências das suas medidas para Portugal e os portugueses pouco lhe interessam. Quando terminar, poderá voltar para o estrangeiro, onde por certo o esperará um bom lugar numa boa empresa para o acolher de braços abertos.

Desengane-se quem pense que ele falhou por não ter atingido os objectivos que apresentou. Ele já sabia que ia falhar. Mas precisava de falhar para justificar e impor mais medidas de austeridade, a que se seguirão outras e outras e mais outras, até ficarmos todos (ou quase todos) na pobreza. E se o sr. ministro das Finanças não está preocupado com os números do desemprego é porque essa é a forma mais fácil de fazer baixar os salários. É assim que se ensina na «Escola de Chicago»...

Ataques aéreos cirúrgicos, extirpar o terror... Não há clichê jornalístico que esconda a realidade

Ataques aéreos cirúrgicos, extirpar o terror... Não há clichê jornalístico que esconda a realidade
 
Palestina - Redecastorphoto - [Robert Fisk]
 


Terror, terror, terror, terror, terror. Lá nos vamos, outra vez. Israel vai “extirpar o terror palestino” – o que, vale lembrar, Israel tenta, sem sucesso, há 64 anos – e o Hamás (...) anuncia que Israel “abriu as portas do inferno”, quando assassinou seu comandante militar, Ahmed al-Jabari.

O Hezbollah anunciou várias vezes que Israel abrira “as portas do inferno” ao atacar o Líbano. Yasser Arafat, que foi super-terrorista e, depois, super-estadista – quando capitulou nos jardins da Casa Branca – e depois voltou a ser outra vez super-terrorista, quando se deu conta de que fora enganado em Camp David, Arafat também falou de “portas do inferno” em 1982.

E nós, jornalistas, estamos escrevendo como ursos de circo, repetindo todos os clichês que usamos, sem parar, há 40 anos. O assassinato do comandante Jabari foi “assassinato predefinido”, foi “ataque aéreo cirúrgico” – como outros “ataques cirúrgicos israelenses” que mataram quase 17 mil civis no Líbano em 1982; 1.200 libaneses, a maioria dos quais civis, em 2006; ou os 1.300 palestinos, a maioria dos quais civis, em Gaza em 2008-9, ou a mulher grávida e o bebê, assassinados também por “ataque aéreo cirúrgico” em Gaza semana passada – e os 11 civis assassinados numa casa em Gaza ontem. O Hamás, pelo menos, com seus rojões Godzilla, não se pretende atacante “cirúrgico”. (...)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sionistas destruindo Gaza e assassinando sua população civil indefesa

Israel continua a destruição de Gaza e o assassinato da população civil
 
 


Mais de 80 pessoas, muitas delas crianças, já morreram desde quarta-feira nos ataques indiscriminados do exército sionista.

Difícil descrever com palavras o significado da criminosa ofensiva sionista, hipocritamente apoiada pelos EUA e a UE, que estão semeando a morte e destruição em Gaza como parte da pré-campanha eleitoral do líder ultradireitista Benhamin Netanyahu.

Famílias inteiras assassinadas, prédios destruídos e pânico entre a população indefesa de um território sucessivamente martirizado nos últimos anos pela repressão sionista. Além das mais de 80 vítimas mortais, o número de pessoas feridas ultrapassa já as 700 no momento de atualizarmos esta crônica.

Se os dados de alguns inquéritos difundidos polos grandes media forem certos, mais de 80% da população israelense apoiarão a atual ofensiva do seu governo, ficando só 12% em posições contrárias à barbárie militar imposta ao povo palestino. Além disso, 30% seria favorável a avançar sobre Gaza com uma invasão militar terrestre, que complementasse a atual ofensiva aérea e marítima.

domingo, 18 de novembro de 2012

Coisas espantosas...

A Gerente Alemã e os serventuários\lacaios do grande capital
Coisas espantosas...
por António Iria Revez

«Falando do que vai por este beco do universo, onde as comadres se acotovelam para levantar as saias no escuro dos portais.»
(Jorge de Sena)

Circula na Internet um vídeo que durante dez minutos faz um repositório de 41 intervenções de Passos Coelho em entrevistas ou declarações públicas que passaram na TV, antes de ser primeiro-ministro. Nessas imagens, garante dezenas de vezes que se for para o governo não vai aumentar os impostos, não vai cortar nos salários dos funcionários públicos, não haverá cortes nos subsídios de férias e do Natal, porque isso seria um disparate, que seria uma política criminosa vender, nos próximos anos, activos ao desbarato para arranjar dinheiro, que os sacrifícios não estavam a ser distribuídos equitativamente e teria que haver mais justiça nessa distribuição, que não iria dizer hoje uma coisa e amanhã outra, que era preciso valorizar a palavra para que quando ela fosse precisa, as pessoa acreditassem nela, e por fim que quando fosse primeiro-ministro não iria dizer ao País, ingenuamente, que não conhecia a situação em que este país se encontrava, etc., etc., etc..
 
Como muito bem sabemos, porque sentimo-lo na pele, o senhor Coelho não fez nada do que prometeu. Mais e pior, na sua qualidade de fiel serventuário do grande capital, fez tudo deliberadamente ao contrário.
 

O império e a colônia

O império e a colônia
por Luiz Ricardo Leitão 
 
Era de dar dó o ar compungido que Mr. Bonner exibia ao tratar da “tragédia em Nova Iorque”
  
 
Enquanto devastava o Caribe, Sandy era apenas uma “tormenta tropical”, quase ignorada pela mídia de Bruzundanga. Ele já provocara dezenas de mortes na América Central e no Caribe, mas não merecera sequer 15 segundos de atenção nos telejornais da colônia. Quando desembarcou em praias estadunidenses, porém, o furacão tornou-se uma celebridade, com muito mais destaque na tv do que os shows (?) de Lady Gaga ou a derrota de Serra em São Paulo.

Era de dar dó o ar compungido que Mr. Bonner exibia ao tratar da “tragédia em Nova Iorque”. Com a pronúncia impecável dos órfãos de Tio Sam, ele nos informava passo a passo sobre os estragos que Sêindi provocara na ilha de Manhattan, o coração do capital financeiro internacional. De fato, se fôssemos nos guiar pelo noticiário da Rede Globo e de certas emissoras de rádio, seria possível crer que vivemos nos EUA – e não nestes esfuziantes e tórridos trópicos ao sul do Rio Bravo.

Até jornalistas da grande imprensa tupiniquim se incomodaram com a papagaiada. A histeria faz crer que não seja piada o lugar-comum das redações, segundo o qual um ianque assustado vale cerca de 40 caribenhos mortos ou 50 corpos africanos... O povo de Cuba, aliás, conhece muito bem essa máxima: rota preferida dos ciclones e furacões, a terra de José Martí os enfrenta com invejável galhardia e muita organização social, a ponto de perder menos vidas que a Big Apple (11 x 21).

sábado, 17 de novembro de 2012

Israel eleva ameaça

Na Palestina e Síria
Israel eleva ameaça
 
 
«Atacaremos sem misericórdia», assegura Israel
 
 
O governo israelita pondera uma nova incursão militar contra a Faixa de Gaza na sequência de um fim-de-semana de ataques contra o território, operações realizadas em simultâneo com disparos em direcção à Síria e com a ameaça de sanções caso a Palestiniana solicite à ONU o estatuto de país observador. 

 
 

Reunido de emergência no domingo, 11, o executivo sionista fez saber que não hesitará em elevar a violência contra o território sitiado. «Atacaremos sem misericórdia», assegurou o ministro da defesa Ehud Barak, secundado pelo vice-primeiro-ministro e responsável pela pasta dos Assuntos Estratégicos, Moshe Ya'alon, que ameaçou mesmo recorrer a «uma caixa de ferramentas nunca usadas» nos ataques aos palestinianos.

Fonte próxima do governo revelou ainda a agências noticiosas que na reunião não foi descartada uma invasão terrestre. Nesse sentido, o governo de Benjamin Netanyahu terá já convocado auscultações com dezenas de embaixadores de países estrangeiros sobre o assunto, afirmou.

Israel justifica os bombardeamentos aéreos e terrestres de sábado e domingo com o disparo de centenas de morteiros a partir da Faixa de Gaza, e culpa o Hamas pelo recrudescimento do conflito. Os ataques israelitas provocaram a morte a seis palestinianos e feriram cerca de meia centena. Entre as vítimas, na sua esmagadora maioria civis, estão menores de idade.

Jornada histórica mobiliza trabalhadores de 23 países na Europa

Jornada histórica mobiliza trabalhadores de 23 países na Europa
Solidariedade e convergência contra a crise
 
 
Greves e manifestações marcam jornada europeia

Milhões de trabalhadores em pelo menos 23 dos 27 países da União Europeia, mobilizados por cerca de quatro dezenas de centrais sindicais, participaram em diversos protestos, no âmbito da jornada europeia de acção e solidariedade, promovida, anteontem, 14, pela Confederação Europeia de Sindicatos na sequência da greve geral convocada em Portugal pela CGTP-IN.
 


Em Espanha, as duas principais centrais (CCOO e UGT) congratularam-se com a adesão massiva à greve geral nos diferentes sectores público e privado. Com uma adesão global próxima dos 80 por cento, houve sectores em que mais 90 por cento dos trabalhadores fizeram greve.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Europa imperialista

Europa imperialista
por Jorge Cadima
 
"UE reflecte a natureza de classe do sistema imperialista que a gerou"


No passado 17 de Outubro, o presidente Hollande fez um tímido reconhecimento oficial (42 palavras) do massacre policial de centenas de argelinos em Paris, em 1961. O massacre não foi coisa menor: cerca de 30 mil argelinos exigiam nas ruas a independência da então colónia francesa. A polícia de Paris, sob a chefia de Maurice Papon respondeu com ferocidade: «entre 300 e 400 mortos por balas, à coronhada ou por afogamento no rio Sena, 2400 feridos, e 400 desaparecidos» (Algérie Patriotique, 17.10.12). Foi preciso mais de meio século para que a França oficial admitisse sequer que o massacre existiu. Mas nem 51 anos chegaram para que reconhecesse o número de vítimas, abrisse os ficheiros policiais ou apontasse responsáveis. Fosse na Síria e outro Hollande cantaria.

Papon foi colaboracionista dos nazis durante a II Guerra Mundial e viria a ser condenado em 1998 por «cumplicidade em crimes contra a humanidade, tendo colaborado na deportação de judeus sob o regime de Vichy» (FranceInter, 17.10.12). Mas como em muitos outros países, a restauração burguesa e imperialista na França após 1947 foi feita com a pior escória fascista. Durante décadas Papon teve numerosos cargos oficiais. Em 8 de Fevereiro de 1962 participou noutro massacre de Estado em Paris: durante uma manifestação sindical contra o terrorismo fascista da OAS, nove membros da CGT e do PCF foram assassinados pela polícia na estação de metro de Charonne. Papon foi ministro sob os presidentes gaullistas Barre e Giscard d'Estaing (1978-81). E o massacre de 1961 passou em silêncio durante a presidência do socialista Mitterrand, ele próprio implicado na brutal repressão colonial na Argélia. Mitterrand era ministro da Justiça de França no início de 1957, quando o General Massu e os seus paraquedistas (imortalizados no filme de Gillo Pontecorvo, A Batalha de Argel) receberam plenos poderes policiais na capital argelina, desencadeando uma feroz repressão, com tortura e assassinatos, que esmagou temporariamente o movimento de libertação nacional argelino. O sangue de centenas de milhares de argelinos manchou as mãos de toda a classe dirigente francesa, antes que – fez este ano meio século – a Argélia conquistasse a sua independência.

ONU revela que uma a cada oito pessoas passam fome no mundo


ONU revela que uma a cada oito pessoas passam fome no mundo
por Lidiane Monteiro


O relatório “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo 2012 (SOFI)” publicado em outubro deste ano por três agências da Organização das Nações Unidas (ONU) – FIDA(Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola),FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) e PMA(Programa Mundial de Alimentos) – revelou que uma a cada oito pessoas passam fome no mundo, totalizando cerca de 868 milhões famintos (12,5% da população mundial).Destes, aproximadamente 16 milhões encontram-se nos países desenvolvidos, mostrando que as contradições do capitalismo e as condições sub-humanas a que estão submetidos a maioria da população também estão presentes nos países considerados ricos, onde falsamente a mídia burguesa, os países imperialistas e os exploradores fazem propaganda de que estes lugares são o paraíso e as pessoas possuem seus direitos garantidos e ampla qualidade de vida.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Auto-destruição sistémica global, insurgências e utopias


Auto-destruição sistémica global, insurgências e utopias
por Jorge Beinstein [*]
 
 
Aceleração da crise (mudança de discurso)

O fatalismo global abandona a sua máscara optimista neoliberal de outros tempos (que sobreviveu durante o período inicial da crise desencadeada em 2008) e vai assumindo um pessimismo não menos avassalador. No passado, os meios de comunicação explicavam-nos que nada era possível fazer diante de um planeta capitalista cada dia mais próspero (ainda que praguejado por crueldades), só nos restava a possibilidade de nos adaptarmos. Uma ruidosa massa de peritos asseverava as grandes orientações com argumentos científicos irrefutáveis (os críticos não se podiam fazer ouvidos frente à avalanche mediática). Isso foi chamado de discurso único, surgia como um formidável instrumentos ideológico e prometia acompanhar-nos durante vários séculos ainda que tenha durado umas poucas décadas e se tenha esfumado em menos de um lustro.

Agora a reprodução ideológica do sistema mundial de poder começa a chegar a um novo fatalismo profundamente pessimista baseado na afirmação de que a degradação social (estendida como resultado da "crise" ) é inevitável e prolongar-se-á durante muito tempo.

Tal como no caso anterior os meios de comunicação e sua corte de peritos explicam-nos que nada mais é possível fazer senão adaptar-nos (novamente) perante fenómenos universais inevitáveis. Tal como qualquer outra civilização, a actual em última instância controla os seus súbditos persuadindo-os acerca da presença de forças imensamente superiores às suas pequenas existências impondo a ordem (e o caos) perante as quais devem inclinar-se respeitosamente. O "mercado global", "Deus" ou outra potência de dimensão oceânica cumprem a referida função e seus sacerdotes, tecnocratas, generais, empresários ou dirigentes políticos não são senão executores ou intérpretes do destino, o que aliás legitima os seus luxos e abusos.

Opus Dei, Jesuítas e Novo Império

Os cristãos só devem usar a "camisinha" do Papa. A proteção é divina!
Opus Dei, Jesuítas e Novo Império

por Jorge Messias
 
«Os Jesuítas controlam o Federal Reserve Bank, o Bank of America, a CIA, o FBI, a Emigração, a Segurança, as multinacionais do petróleo, ferro, aço, etc., enfim, controlam toda a economia ocidental» (Avro Manhattan, «Os Biliões do Vaticano»).
 
«Vamos trabalhar em silêncio, usando a falsidade. Cada bispo deve agir rigorosamente sobre o seu rebanho, sendo gentil, porém inflexível. Ele deve assumir a humildade de um cordeiro, para ganhar todos os corações… Mas que também saiba agir com ferocidade quando tiver que defender os interesses da Igreja!»
(Ibañez Langlois, «José Maria Escrivá»).
 
«As classes médias – pequenos fabricantes, retalhistas, artesãos, camponeses – combatem a burguesia porque ela é uma ameaça para a sua existência como classes médias. Não são, portanto, revolucionárias mas conservadoras; e, ainda por cima, são reaccionárias, pois querem que a História faça marcha atrás. Quando actuam revolucionariamente é por medo de caírem no proletariado: defendem então os seus interesses futuros e não os seus interesses actuais; portanto, abandonam o seu ponto de vista próprio para adoptarem o do proletariado» (Karl Marx, «Manifesto do Partido Comunista»).


A construção de um admirável mundo novo, organizado como nova ordem mundial e dotada com um só governo e uma só religião, põe-se em marcha, servido por poderosas forças secretas, pelas hierarquias religiosas e pela totalidade do grande capital. De entre as armas de que dispõe contam-se os organismos democráticos mundiais, os governos democráticos capitalistas e as democracias representativas de classe. No mundo imenso desta conspiração giram os políticos assalariados, os falsos informadores, os especuladores financeiros e os iluminati formados pelas extremas-direitas, a peso de oiro. Se meditarmos um pouco neste esquema diabólico, certamente que se fará luz sobre as verdades ocultas nestas políticas de destruição que hoje presenciamos, sobretudo, nos países mais pobres do Continente Europeu. É a via que os poderosos determinaram percorrer em sentido tornado irreversível.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Porque os banqueiros dominam o mundo

São os juros, estúpido!
Porque os banqueiros dominam o mundo

por Ellen Brown [*]


Na edição de 2012 de Occupy Money que saiu na semana passada, a professora Margrit Kennedy escreve que uns espantosos 35% a 40% de tudo o que compramos vai para juros. Estes juros vão para banqueiros, financeiros e detentores de títulos, os quais ficam com 35% a 40% do nosso PIB. Isso ajuda a explicar como a riqueza é sistematicamente transferida do homem comum para a Wall Street. Os ricos ficam progressivamente mais ricos a expensas dos pobres, não por causa da "cobiça da Wall Street" mas sim por causa da matemática inexorável do nosso sistema bancário privado.

Este tributo oculto aos bancos será uma surpresa para grande parte das pessoas. Muitas delas pensam que se pagarem os seus cartões de crédito a tempo e não contraírem empréstimos não estarão a pagar juros. Isto, afirma a Dra. Kennedy, não é verdade. Comerciantes, fornecedores, grossistas e retalhistas, todos eles, ao longo da cadeia de produção, dependem do crédito para pagarem as suas contas. Eles têm de pagar pelo trabalho e pelos materiais antes de terem um produto para vender e antes de o comprador final pagar pelo produto 90 dias depois. Cada fornecedor na cadeia acrescenta juros aos seus custos de produção, os quais são transferidos para o consumidor final. A Dra. Kennedy menciona encargos de juros que rondam os 12% para a colecta de lixo, os 38% para a água de beber, os 77% para o arrendamento de habitação pública na sua Alemanha nativa.

Milhares de pessoas participaram nas manifestações da PAME

Milhares de pessoas participaram nas manifestações da PAME 
 
por Partido Comunista da Grécia (KKE)   

A manifestação na praça Syntagma, ontem, foi impressionante

• O governo preparou a repressão estatal da manifestação
• A batalha continuará nos locais de trabalho com ainda maior determinação



No momento em que, no Parlamento, os partidos burgueses apelavam ao povo para se submeter, a fim de salvar os monopólios, e se preparavam para votar uma onda de bárbaras medidas antitrabalhadores do 3.º Memorando, dezenas de milhares de grevistas e manifestantes de famílias da classe operária e popular fizeram-se ouvir em todo o país:


"Trabalhador, não deves aceitar esta escravidão moderna, podes abolir todas as leis e patrões". E "Não a sacrifícios a favor da plutocracia, a oligarquia tem de pagar pela crise".


sábado, 10 de novembro de 2012

Marx e o programa comunista: Historicidade dos programas comunistas


Marx e o programa comunista
Historicidade dos programas comunistas
por José Barata Moura,
 

 
uma reflexão de Berthold Brecht, que nos pode fazer pensar:
"Na prática tem que se dar um passo de cada vez — a teoria tem de conter a marcha toda."
Caminhando, não esqueçamos nunca de destinar a marcha.
  


Para balizar o tema "Marx e o programa comunista", e antes de nos referirmos a alguns dos traços que fundam a sua especificidade, comecemos por evocar três observações, afinal bem conhecidas.

Primeira observação

Do mesmo modo que Marx não inventou a existência das classes e da sua luta, também o comunismo não foi uma invenção de Marx. Nem o termo, nem o núcleo genérico de ideias que poderiam ser agrupadas sob essa designação de "comunismo".

Desde os mitos gregos da "idade de oiro" até Platão, desde as comunidades judaicas dos essénios até às comunidades cristãs primitivas e à patrística, desde a literatura utópica de Thomas More a Campanela ou, depois já, em outros desenvolvimentos, com Morelly, Meslier, ou movimentos sociais em Inglaterra no Século XVII, (os "diggers", os "levellers"), para não falar nos estabelecimentos jesuítas no Paraguai — até aqueles que são mais conhecidos e que desenvolvem concepções de tipo socialista, como Saint Simon, Fourier, Lamennais, Weitling - nós encontramos, ao longo de séculos e com acentuações muito diferentes, pelo menos algumas ideias susceptíveis de formar duma maneira muito genérica aquilo a que poderíamos chamar o núcleo duro dum comunismo pré-marxista.
 
Entre essas ideias de sentido vago, difuso, mas ao mesmo tempo bastante preciso nalguns dos seus conteúdos, contam-se, por exemplo, a ideia da propriedade comum (muito particularmente da propriedade comum da terra); a ideia não apenas de igualdade, mas de uma igualdade real, ou seja, o intento de realizar a igualdade; e uma compreensão da sociedade fundamentalmente como uma comunidade.

A crise do sistema capitalista e o sistema monetário internacional

A crise do sistema capitalista e o sistema monetário internacional



1. O dólar e a política dos EUA

Com a crise do «imobiliário» dita de «sub prime», que estalou nos EUA em Agosto de 2007 e que no contexto da «globalização» atingiu praticamente todos os países, embora diferenciadamente, muitos foram os que vaticinaram o eclipse do dólar e dos seus privilégios.

Numa altura de grandes dificuldades, designadamente do sistema financeiro norte-americano, Sarkozy chegou mesmo a afirmar que tinha chegado a hora de «refundar o capitalismo»! (leia-se o «sistema monetário internacional»).

A França presidia à União Europeia (UE) e tomou a iniciativa de convocar uma reunião sobre a crise, que foi organizada pelo Governo dos EUA e que teve lugar em Washington em 14 e 15 de Novembro de 2008, onde participaram também os membros do G20, que foi então institucionalizado a partir desta reunião.

Sarkozy foi acompanhado de vários chefes de Estado e de governo (Zapatero não foi inicialmente convidado – tinha a oposição de Bush). O principal convidado de Bush foi, significativamente, o rei da Arábia Saudita.

Muitos pensaram que sairia um novo «Bretton Woods Sistem», mas ficou claro para os dirigentes europeus que Washington não abdicava dos privilégios do dólar, que este continuaria a ser a moeda de referência para as transacções do petróleo e derivados e que os EUA se opunham à revisão do Sistema Monetário Internacional. Na reunião, apenas ficou acordado o reforço do FMI, do Banco Mundial, dominados pelos EUA.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A ORIGEM DO CAPITALISMO (A revolução industrial na Inglaterra)

A ORIGEM DO CAPITALISMO
(A revolução industrial na Inglaterra)



Em Inglaterra, já desde o século XIII se praticava em larga escala a economia mercantil, na qual alcançou grande importância a produção e venda de lã para todos os mercados europeus. Esta economia mercantil e a grande guerra camponesa inglesa de 1381 foram eliminando, progressivamente, a dependência pessoal feudal dos camponeses em relação aos senhores da terra. Isto constituiu uma poderosa força impulsionadora da formação das manufacturas da primeira fase do capitalismo. Este processo acelerou-se sobretudo a partir do século XVI.


PORQUE SE DEU A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL EM INGLATERRA?

Nesta altura a Inglaterra era já um Estado unificado, ao contrário da fragmentação em pequenos Estados que caracterizava a Alemanha. A maior parte da população da Inglaterra vivia ainda no campo. Os camponeses tinham de pagar, pelas suas pequenas propriedades, tributos em dinheiro aos nobres latifundiários, que utilizavam as suas terras predominantemente com áreas de pastagem para os rebanhos de ovelhas. (As ovelhas inglesas fornecem, desde tempos imemoriais, uma lã muito boa.) Isto explica por que razão a lã e os tecidos ingleses se vendem tão bem, há tantos séculos, tanto no mercado interno como no externo. Os grandes descobrimentos do século XVI, em especial o descobrimento da América, alargaram os mercados, pelo que aumentou, repentinamente, a procura da lã. Os latifundiários ingleses, para conseguirem maiores áreas de pastagens, começaram por roubar os baldios aos camponeses e aos rendeiros, fechando-os depois com cercas, depois, como estes baldios não satisfaziam as exigências dos latifundiários, estes foram ao ponto de roubar e fechar com cercas também a terra de cultivo dos camponeses que entrava no perímetro do latifúndio dos nobres. Sem terra própria e sem os baldios, os camponeses não podiam continuar a trabalhar na agricultura. Viram-se forçados a abandonar os lares e as terras. Muitos foram expropriados violentamente das suas terras.