Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Brasil: Os "bons companheiros" do PT

Diga-me quem te financia, que eu direi para quem governas

Por Paulo Schueler*




PT arrecadou 89,5% das doações de empresas em 2011


Que os governos encabeçados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) foram um grande "achado" para a burguesia, qualquer um que não seja movido por má-fé ou tenha por esta agremiação um fetiche masoquista já sabia.


A novidade, divulgada na imprensa neste último final de semana, é que na folha de pagamento da burguesia estão não apenas a "corte" - membros dos altos escalões do governo que se transformam em consultores e lobistas de grandes grupos empresariais e a máfia sindical que se apodera dos fundos de pensões -,isso sem falarmos dos "menos votados" que se transformaram em sanguessugas dos cargos comissionados pagos pelo erário público. Cotadinhos, esse últimos...

Quando os respeitáveis se tornam extremistas e os extremistas se tornam respeitáveis

A desinformação dos media "de referência"
– Quando os respeitáveis se tornam extremistas e os extremistas se tornam respeitáveis

por James Petras

Por qualquer padrão histórico, quer envolva o direito internacional, convenções de direitos humanos, protocolos das Nações Unidas ou indicadores sócio-económicos padrão, as políticas e práticas dos regimes dos Estados Unidos e da União Europeia podem ser caracterizadas como extremistas. Com isso queremos dizer que as suas políticas e práticas resultam na destruição sistemática de vidas humanas, habitat e meios de vida em grande escala e a longo prazo que afectam milhões de pessoas através da aplicação directa de força e violência. Os regimes extremistas abominam a moderação, a qual implica a rejeição da guerra total em favor de negociações pacíficas. A moderação busca a resolução de conflitos através da diplomacia e do compromisso e a rejeição do terror de estado e paramilitar, a expulsão e deslocamento de populações civis e o assalto sistemático a sectores populares da sociedade civil.

Na primeira década do século XXI testemunhámos a adopção pelo Ocidente espectro completo do extremismo tanto em política interna como externa. O extremismo é uma prática comum dos auto-intitulados conservadores, liberais e sociais-democratas. No passado, ser conservador implicava preservar o status quo e, no máximo, efectuar ajustes com mudanças nas margens. Os "conservadores" de hoje exigem o desmantelamento por atacado de todos os sistemas de bem-estar social e a eliminação da protecção legal tradicional de trabalhadores e do ambiente. Liberais e sociais-democratas que no passado questionavam ocasionalmente sistemas coloniais estão agora na linha de frente de prolongadas guerra coloniais em múltiplas frentes, as quais mataram e deslocaram milhões de pessoas no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Síria : Esquadrões da morte promovidos pelos EUA-NATO integram as "forças da oposição"

"A opção salvadorenha para a Síria"

por Michel Chossudovsky

Modelado nas operações encobertas dos EUA na América Central, a "Opção salvadorenha para o Iraque", iniciada pelo Pentágono em 2004 foi executada sob o comando do embaixador dos EUA no Iraque John Negroponte (2004-2005) em conjunto com Robert Stephen Ford, que em Janeiro de 2011 foi nomeado embaixador dos EUA na Síria, menos de dois meses antes de começar a insurgência armada contra o governo de Bashar Al Assad.

"A opção salvadorenha" é um "modelo terrorista" de assassinatos em massa por esquadrões da morte patrocinados pelos EUA. Ela foi aplicada primeiramente em El Salvador, no auge da resistência contra a ditadura militar, resultando em cerca de 75 mil mortes.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Revolução de Outubro é odiada porque ela continua a indicar o caminho, continua a significar que existe uma alternativa à barbárie capitalista, o socialismo e o comunismo


A Revolução de Outubro - Vitória de esperanças e sonhos milenares
Por Manuel Gusmão
A Revolução Socialista de Outubro significa um profundo revolucionamento político, económico, social e cultural, que transformará radicalmente a vida de populações habitando um território enorme. Entrega o poder àqueles que sempre dele tinham sido afastados e o tinham apenas sofrido, começa a construir um sistema político que une as dimensões representativa e participativa da democracia, altera o regime jurídico e social da propriedade e as relações de produção e lançará um impetuoso desenvolvimento das forças produtivas. A revolução é também um poderoso revolucionamento cultural. A educação de milhões de pessoas torna-se uma prioridade estratégica, a revolução leva à escrita povos que a não tinham, elimina, num curto prazo histórico, o analfabetismo; é acompanhada por um florescimento artístico e cultural incomparável e cria as condições para um desenvolvimento científico impetuoso. As transformações nas diferentes esferas da vida social afectam efectivamente os modos do viver colectivo e as suas representações e valores.

A força do seu exemplo dá à revolução uma significação internacional, que se concretiza, no imediato, na fundação da Internacional Comunista, na formação dos partidos comunistas, nascidos também da degenerescência das forças social-democratas e da II Internacional ou da vitória na disputa da influência no movimento operário sobre as correntes do anarco-sindicalismo e do sindicalismo revolucionário (como é por exemplo o caso em Portugal). A revolução lança uma série de episódios revolucionários, dos quais o primeiro é a insurreição spartaquista, a revolução alemã de 1918, dramaticamente derrotada.

sábado, 26 de maio de 2012

Sobre o fascismo e a verdade histórica

Sobre o fascismo e a verdade histórica
Por Jorge Cadima
   

Há mais de 70 anos, iniciava-se a II Guerra Mundial. Pela segunda vez num quarto de século, as rivalidades e belicismo congénito do capitalismo ceifavam a vida a dezenas de milhões de seres humanos e semeavam a destruição. Entre as duas grandes guerras, o planeta foi varrido pela maior crise económica do capitalismo até então conhecida. Das entranhas dum sistema de exploração em agonia surgiu o monstro do nazi-fascismo, que precipitou a catástrofe de 1939-45 e chegou a imperar sobre quase todo o continente europeu.

Mas o início do século XX foi também um período de luta e avanço dos povos e do movimento operário: desde a grande Revolução de Outubro, passando pela resistência armada que desempenhou o papel decisivo na derrota do nazi-fascismo, até às profundas transformações do pós-guerra, que marcaram positivamente quase toda a segunda metade do século. Os trabalhadores e os povos tornaram-se actores de primeiro plano na História da Humanidade. Sem ignorar as grandes alterações entretanto ocorridas, os acontecimentos e lições desse período ganham redobrada actualidade num momento em que a Humanidade se vê de novo confrontada com um capitalismo em profunda crise.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

KKE (Partido Comunista Grego) : firmes na luta pelo derrube da barbárie capitalista, pelo socialismo-comunismo.

Entre duas árduas batalhas

por KKE [*]



A Grécia continua a atrair a atenção de trabalhadores de muitos países de todo o mundo, considerando as novas e crucialmente importantes eleições parlamentares, as quais serão efectuadas a 17 de Junho, pois nenhum dos três partidos que receberam maior número de votos pôde forma uma coligação de governo. De particular interesse, a julgar pelos artigos relevantes em jornais, revistas e sítios web comunistas e progressistas, estão os resultados das eleições recentes bem como a linha política traçada pelo Partido Comunista da Grécia (KKE), o qual ficou na linha de fogo de vários analistas neste período. Mas vamos começar pelo começo.

Sobre o resultado das eleições de 6 de Maio

As eleições de 6 de Maio criaram um novo cenário político, pois os três partidos, os quais haviam governado juntos apoiando a linha política anti-povo do capital e da União Europeia (UE), tombaram nas eleições. Especificamente:

O PASOK social-democrata congregou apenas 833.529 votos ou 13,2%, uma queda sem precedentes de -2.170.013 votos e -30,8%.

O ND conservador recebeu 1.192.054 votos ou 18,9%, uma queda de -1.103.665 votos ou -14,6%

O LAOS nacionalista não pôde alcançar o limiar dos 3% para entrar no Parlamento, recebendo 183.466 votos ou 2,9%, uma queda de -202.739 votos ou -1,6%.

Ao mesmo tempo, contudo, a mudança do cenário político não significa uma viragem pois as forças que apoiam a linha política da "UE como caminho único" foram as principais beneficiárias da cólera dos trabalhadores. E assim, a grande maioria dos eleitores dos partidos burgueses foi dispersa em formações políticas relacionadas ideologicamente. Especificamente.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Álvaro Cunhal: Uma obra inspiradora

II Tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal: Uma obra inspiradora

Por Rui Mota
    

O II tomo das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, que agora vem a público, traz-nos textos escritos entre 1947 e 1964. Neste período de pouco mais de 15 anos, Álvaro Cunhal reata as relações internacionais do PCP na sua viagem à Jugoslávia e à União Soviética, é preso, faz da prisão um espaço de luta, de resistência e de estudo, participa na grandiosa fuga da Cadeia do Forte de Peniche, com mais 9 camaradas, desempenha um destacado e decisivo papel no intenso debate ideológico no interior do Partido e no seio do movimento comunista internacional.

A reorganização de 1940-41, corajosamente realizada no contexto da Segunda Guerra Mundial, quando o fascismo tomava conta de praticamente toda a Europa e intensificava os seus métodos repressivos em Portugal, foi feita sem contactos com o movimento comunista internacional. Apesar do sucesso da reorganização, confirmado pelos III e IV Congressos, o Partido não podia «aproveitar as experiências de luta dos outros Partidos Comunistas» nem «coordenar correctamente a luta em Portugal com a luta dos outros países pela Democracia e pela Paz». Por isso, Álvaro Cunhal terá como tarefa «estabelecer relações com o movimento operário internacional», bem como dar a conhecer a situação portuguesa. Disso tratam os primeiros textos deste II tomo.

 
Durante o período no estrangeiro, elabora relatórios e artigos para publicações do movimento comunista internacional com a denúncia da política fascista de Salazar, cúmplice de Franco no «Bloco» fascista ibérico e fantoche dos anglo-americanos. Nesses textos, analisa a política externa salazarista: a colaboração activa nas forças de agressão durante a Guerra Civil Espanhola; o fornecimento de bens alimentares, matérias-primas para a indústria de guerra de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial; a viragem para os Aliados depois da vitória de Stalinegrado. Analisa também as consequências de 22 anos de domínio fascista em Portugal: o reforço da posição do capital estrangeiro em Portugal; a submissão do governo de Salazar ao imperialismo anglo-americano; o domínio da vida económica por parte dos monopólios; a miséria, a doença e o obscurantismo entre as classes trabalhadoras. Analisa, por fim, a luta do povo português: as «eleições» e a criação do Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista e do Movimento de Unidade Democrática; as greves e manifestações de massas, de operários, camponeses e democratas; o Partido Comunista Português e os aspectos fundamentais dos seus progressos desde a Reorganização.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Nunca esqueça: a questão é Bradley Manning, não o casamento gay


Nunca esqueça: a questão é Bradley Manning, não o casamento gay

 
por John Pilger [*] 

 Na semana em que Barack Obama recebeu o Prémio Nobel da Paz, em 2009, ele ordenou ataques de bombardeamento sobre o Iémen, matando um número confirmado de 63 pessoas, 28 das quais crianças. Quando Obama anunciou recentemente que apoiava o casamento do mesmo sexo, aviões americanos estraçalhavam 14 civis afegãos. Em ambos os casos, o assassínio em massa não era novidade. O que importava eram as cínicas vacuidades de uma celebridade política, produto de um espírito de época conduzido pelas forças do consumismo e dos media com o objectivo de desviar a luta pela justiça social e económica.

A concessão do Prémio Nobel ao primeiro presidente negro por ele "oferecer esperança" era tanto absurda como uma expressão autêntica do estilo liberal que controla grande parte do debate político no ocidente. O casamento entre o mesmo sexo é uma de tais distracções. Nenhuma "questão" desvia a atenção com tanto êxito como esta: não o voto livre no Parlamento sobre a redução de idade de consentimento gay promovido pelo conhecido libertário e criminoso de guerra Tony Blair; nem as fendas em "telhados de vidro" que em nada contribuem para a libertação das mulheres e simplesmente ampliam as exigências do privilégio burguês.

Lénine - Entre duas revoluções

Lénine - Entre duas revoluções
    

Lénine desenvolveu e enriqueceu a herança teórica de Marx e Engels em novas condições históricas, no fogo das batalhas revolucionárias do proletariado russo que assinalaram o alvorecer do século XX.

No período revolucionário que a Rússia atravessou, iniciado com a revolução democrática burguesa de Fevereiro de 1917 e que culminou com o triunfo da Grande Revolução Socialista de Outubro nesse mesmo ano, a primeira revolução socialista na história da humanidade, Lénine, a par de uma intensa actividade à frente do partido bolchevique, desenvolveu um extraordinário e profundo trabalho no plano teórico.

Nesses complexos e tumultuosos dias, Lénine abordou e deu resposta às questões mais pertinentes colocadas no decurso da luta à vanguarda revolucionária do proletariado russo. Tratou das questões essenciais da estratégia e da táctica do partido, travou um incansável combate em defesa do marxismo e contra todas as concepções oportunistas.

Quem foi Osama? Quem é Obama?

Quem foi Osama? Quem é Obama?
Por Michel Chossudovsky 


O presidente dos EUA foi ao Afeganistão discursar, em comemoração do 1º aniversário da morte de Bin Laden. O discurso que proferiu é um conjunto de falsidades. O imperialismo e a “Al Qaeda” têm uma longa história em comum, na qual a CIA é protagonista principal.

Enquanto o presidente e supremo comandante dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama “celebra” o primeiro aniversário da alegada morte de bin Laden, mantém-se inalterada a questão de fundo de QUEM FOI OSAMA BIN LADEN.

 Cheio de mentiras e invenções, o discurso cuidadosamente elaborado do presidente Obama encerra um mundo de total fantasia, em que os “maus da fita” estão à espreita e “conspiram actos de terrorismo”. Entretanto, diz-se que os “jihadistas” estão a ameaçar a civilização ocidental.
Cada uma das afirmações do discurso de 1º de Maio de Obama na base da Força Aérea de Bagram, relativas ao papel da Al Qaeda, é uma invenção: (abaixo damos excertos das Notas de Obama. Em itálico, os comentários do autor estão indicados entre parênteses rectos [ ]):

“Foi aqui, no Afeganistão, que Osama bin Laden instalou um porto seguro para a sua organização terrorista. “
[Osama foi recrutado pela CIA, a Al Qaeda foi montada com o apoio da CIA. O porto seguro de Osama foi protegido pelos serviços secretos dos EUA].

quinta-feira, 17 de maio de 2012

PCdoB: a falsificação da história dos comunistas brasileiros

“Ô Aldo Rebelo, o que que aconteceu, diz ser comunista e abraçou a Katia Abreu!”



PCdoB: a falsificação da história dos comunistas brasileiros


Por Anita Leocadia Prestes



"A adesão por parte do PCdoB a semelhante política de reforma do capitalismo o conduziu à tentativa de buscar no passado heróico dos comunistas brasileiros – embora eivado de erros provocados pela presença de falsas concepções - o aval para seu comportamento político atual. Tirando proveito do jubileu de 90 anos da fundação do Partido Comunista no Brasil, os atuais dirigentes do PCdoB divulgam uma versão falsificada da História desse partido."



O movimento revolucionário mundial socialista e comunista conviveu, desde o século XIX, com correntes reformistas de diferentes tipos. Os pais fundadores do marxismo – Marx, Engels, Lenin –, assim como teóricos do comunismo e dirigentes revolucionários da estatura de A. Gramsci e R. Luxemburgo, tiveram que levar adiante uma luta sem tréguas contra os reformistas do seu tempo.

Os reformistas precisaram justificar sempre a adoção de políticas de conciliação de classes, ou seja, de políticas baseadas em concessões às classes dominantes e no abandono dos objetivos revolucionários do proletariado e dos seus aliados; políticas de caráter evolucionista, marcadas pela negação do momento revolucionário, indispensável, segundo os marxistas, para a conquista do poder político pelos trabalhadores, única maneira efetiva de realizar as transformações revolucionárias necessárias para a construção de uma nova sociedade, livre da exploração do homem pelo homem.

Clara Zetkin - Revolucionária internacionalista

Clara Zetkin - Revolucionária internacionalista
Conhecer e dar a conhecer Clara Zetkin é uma tarefa revolucionária. Porque as suas ideias estavam enraizadas na vida e na luta das massas trabalhadoras. Porque o seu carácter persistente e audaz sempre se revelou em todas as causas por que se bateu. Porque nada, nem perseguições policiais, nem a prisão, a fez desviar dos objectivos supremos da sua luta. Porque as suas análises, inseridas na luta de classes, contêm aspectos enriquecedores da análise marxista-leninista da história. E porque, nas suas próprias palavras, o seu mestre é «a ideia do socialismo internacional».


Contra o fascismo e contra a guerra



Se é certo que a actividade revolucionária de Clara Zetkin se centrou na luta pela emancipação das mulheres, não é menos certo que ela exerceu simultaneamente uma intensa actividade, particularmente na luta contra os flagelos do seu e do nosso tempo – o imperialismo, a guerra e o fascismo.

No seu relatório A luta contra o fascismo, apresentado em Junho de 1923 na 3.ª Assembleia plenária alargada do Comité Executivo da Internacional Comunista (do qual fazia parte), Clara Zetkin revela um profundo conhecimento da situação existente na Itália nos anos conturbados do fascismo – fenómeno político cujas teorias se tinham multiplicado ao longo dos anos sem que tivesse sido objecto de uma análise aprofundada. Desvendou questões fundamentais como a decomposição da economia capitalista e do Estado burguês; a traição dos dirigentes reformistas do movimento operário – causa do atraso da revolução mundial; o desencanto provocado pela política de coalisão dos socialistas reformistas, paga a alto preço não só pelos operários e empregados, mas também por outras classes e camadas – de que resultou a perda de confiança nesses dirigentes e até no próprio socialismo.

Fascistas

Fascistas
Por Filipe Diniz


As votações obtidas recentemente por forças de extrema-direita e abertamente fascistas em França e na Grécia – que seguem uma significativa tendência instalada em boa parte da UE – justificam alerta e análise.

Desde logo, há duas coisas que será fundamental ter em conta neste quadro. Uma é que a cada um dos votos que essas forças vêm obtendo não corresponde necessariamente um fascista. A outra é que o facto de alguns fascistas fazerem um tão grande esforço para se parecerem com fascistas serve para ocultar outros que cuidadosamente se fazem passar por outra coisa.

Se os fascistas e a extrema-direita ganham força eleitoral nos dias de hoje, um dos motivos por que tal sucede já Dimitrov o assinalava em 1935: «o fascismo consegue atrair as massas porque faz apelo, de forma demagógica, às suas necessidades e aspirações mais sentidas». Não é verdade que Marine Le Pen fez campanha junto dos agricultores reclamando a reforma da PAC? Não é verdade que os fascistas gregos fizeram a sua campanha, violentamente racista, com o slogan «do povo e para o povo»? Não é verdade que a campanha (ela própria fascizante) que visa fazer equivaler comunismo e fascismo facilita o voto popular em fascistas?

Terrorismo made in USA

Terrorismo made in USA
Por Rui Paz


A 7 de Maio o governo de Obama anunciou que os EUA tinham conseguido evitar um atentado à bomba contra um avião de passageiros. No dia seguinte, Hillary Clinton acusava os «terroristas» de utilizarem «métodos perversos e terríveis» e de procurarem «matar pessoas inocentes». Mas poucas horas depois, descobre-se que o «terrível» plano da matança dos inocentes tinha partido da própria CIA e deveria ser executado por um seu colaborador.

Não é a primeira vez que Washington afirma ter feito despoletar actos de terrorismo cujos autores e executantes mantêm ligações aos serviços secretos norte-americanos. Desde que o presidente Jimmy Carter assinou a 3 de Julho de 1979 a directiva do apoio secreto aos mudjaedines no Afeganistão (Brezinski) que o governo norte-americano e os seus aliados sauditas passaram a trabalhar com grupos terroristas, como o de Bin Laden. No futuro, uma das maiores dificuldades dos historiadores na análise dos acontecimentos das últimas quatro décadas será saber qual o contributo de Washington para a criação e disseminação do fenómeno do terrorismo internacional. Como acabámos de ver mais uma vez nas terríveis explosões de 10 de Maio em Damasco, que mataram dezenas de sírios, estes actos de terrorismo coincidem com a estratégia intervencionista do imperialismo na região.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

PcdoB, mas pode chamar de centralismo eleitoreiro

Latuf
PcdoB, mas pode chamar de centralismo eleitoreiro

Por Paulo Schueler*


A votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados apresentou ao público brasileiro uma surpresa, daquelas ingratas a quem se reivindica comunista: na bancada parlamentar do PcdoB, que ainda carrega o símbolo da Foice e Martelo, cada um votou como quis. Com o benefício da dúvida, era respeitoso esperar antes de sair vociferando qualquer juízo de valor a respeito. Mas a emenda saiu pior que o soneto.

Não se trata aqui de avaliar a trajetória e atual linha política do Partido Comunista (sic) do Brasil (PcdoB). Sua aliança com a Unita de Jonas Savimbi em Angola, sua tentativa de criar um partido comunista em Portugal em confronto aberto com o Partido Comunista Português (PCP), seus editoriais em A Classe Operária ultrajando Cuba e sua revolução como "satélites do social-imperialismo soviético" fazem parte de uma história errática e oportunista.


O desenrolar do movimento histórico dos comunistas também cobrará deste partido sua atuação entreguista frente à Agência Nacional do Petróleo (ANP), suas alianças eleitorais espúrias, sua política de transformar uma das mais combativas entidades de massa do país (UNE) numa pálida sombra de seu passado, que agora corre de ministério em ministério atrás de verbas e futuras boquinhas para a pelegada de calças curtas.

terça-feira, 15 de maio de 2012

NAKBA - A tragédia palestina ampliada para o Mundo Árabe e a solidariedade da esquerda brasileira

15 DE MAIO de 1948 – NAKBA - A tragédia palestina ampliada para o Mundo Árabe e a solidariedade da esquerda brasileira


Por Maristela R. Santos Pinheiro




Neste dia, inicia-se, com a fundamental conivência do imperialismo, cujo centro ainda era a Inglaterra, a política de limpeza étnica na Palestina, quando centenas de sionistas armados e organizados em milícias mercenárias entram na Palestina trazendo o terror, a violência e a morte para mais de 675 vilarejos palestinos; milícias assassinas cujos nomes a história jamais esquecerá: Irgun, Stern, Hanagá – esta última deu origem ao atual Exército de Defesa de Israel.

A estratégia de terror adotada na ocupação das terras palestinas para a construção de um Estado Judeu foi deliberadamente planejada tendo em vista os interesses geopolíticos da emergente nação estadunidense, no Mundo Árabe.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

As alterações climáticas e as responsabilidades de classe

As alterações climáticas e as responsabilidades de classe

domingo, 13 de maio de 2012

Rosa Luxemburgo - Em memória de uma «águia»

Rosa Luxemburgo - Em memória de uma «águia»



Entre os dirigentes e teóricos do movimento comunista internacional, Rosa Luxemburgo ocupa uma posição muito destacada.
     
A sua contribuição para a organização revolucionária dos trabalhadores da Polónia (onde nasceu em 1871), a sua actividade teórica e prática no quadro da ala revolucionária da «social democracia» alemã e da II Internacional, o seu combate intransigente contra o reformismo e o revisionismo e a sua luta contra a guerra, a sua posição solidária para com a Revolução de Outubro, fazem de Rosa Luxemburgo, como dela disse Lénine, «uma águia».

Foi mérito histórico de Rosa, com Karl Liebknecht, ter fundado o movimento Spartakus e o Partido Comunista Alemão. Perseguida desde os seus tempos de estudante em Varsóvia, Rosa Luxemburgo foi forçada ao exílio e conheceu numerosas prisões. A Revolução de Outubro na Rússia e a Revolução de Novembro de 1918 na Alemanha, apanharam-na na prisão. Em liberdade, retomou imediatamente a luta, sendo vilmente assassinada, juntamente com Karl Liebknecht, em Berlim a 15 de Janeiro de 1919.


Em homenagem à sua memória, publicamos um texto de Rosa Luxemburgo sobre a Revolução alemã de Novembro, escrito pouco antes do seu assassinato, bem representativo da profundidade do seu pensamento.

Internacionais e internacionalismo - Subsídios para a história

Internacionais e internacionalismo - Subsídios para a história
    

A luta pela unidade internacional dos trabalhadores é uma constante na história do movimento operário.

Os avanços e recuos do processo revolucionário acompanham de perto a evolução da solidariedade internacional dos trabalhadores e a cooperação das forças políticas que exprimem os seus interesses e aspirações. Para os partidos comunistas que se proclamam e, como no caso do PCP, realmente são vanguarda da classe operária e dos trabalhadores, é necessário cuidar simultaneamente do seu enraizamento nas massas trabalhadoras e da sua inserção no movimento comunista e revolucionário.


«Proletários de todos os países, uni-vos!»

Patriotismo e internacionalismo são realidades inseparáveis. Esta é uma verdade comprovada pela história do movimento operário e comunista cuja razão de fundo Marx e Engels desvendaram e que reside na própria missão histórica universal do proletariado como coveiro do capitalismo.


O socialismo na URSS – Causas da vitória da contra-revolução


O socialismo na URSS – Causas da vitória da contra-revolução

Por Partido Comunista da Grécia


"Desde há mais de um século que os ataques burgueses contra o movimento comunista, amiúde sob a forma de elitismo intelectual, concentram o seu fogo no núcleo revolucionário do movimento operário; em geral, lutam contra a necessidade da revolução e a sua consequência política, a ditadura do proletariado, que é o poder revolucionário da classe operária."



Temo-nos centrado na experiência da URSS porque constituiu a vanguarda da construção socialista. É necessário um maior estudo sobre o rumo do socialismo nos restantes Estados europeus, assim como o curso do poder socialista nos países asiáticos (China, Vietname, República Democrática da Coreia) e Cuba.


O carácter socialista da URSS baseia-se no seguinte: a abolição das relações capitalistas de produção, a existência de propriedade socialista a que (apesar de várias contradições) se submete a propriedade cooperativa, a planificação central, o poder operário e os êxitos sem precedentes em benefício de todo o povo trabalhador.

Isto não pode ser negado pelo facto de, depois de certo período, o Partido ter perdido gradualmente as suas características revolucionárias e, como consequência disso, as forças contra-revolucionárias terem sido capazes de dominar o Partido e o governo, a partir dos anos 80.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um governo "de esquerda" é uma canoa furada para o povo que sofre


Um governo "de esquerda" é um bote furado para o povo que sofre 
por KKE


O dirigente do Syriza, A. Tsipras, que em 8 de Maio recebeu o mandato exploratório do Presidente da República para formar um governo e iniciar contactos com os dirigentes dos partidos, está a recorrer a travessuras tácticas e actuações para obter manchetes.

O dirigente do Syriza contactou a secretária-geral do CC do KKE, Aleka Papariga, por telefone e pediu uma reunião no quadro dos seus contactos com os líderes de partidos respeitantes à formação de um governo. Aleka Papariga respondeu que não há assunto a discutir numa tal reunião.

Na sua declaração, A. Tsipras repetiu a proposta de um governo "de esquerda" com o objectivo de "redistribuir os fardos fiscais, tratar dos problemas fiscais em termos de justiça social, da reconstrução produtiva do país e do planeamento ecológico do desenvolvimento".

O capitalismo e a Natureza

Contribuições para a reflexão - O capitalismo e a Natureza

Por Miguel Tiago
    
"A encruzilhada em que a Humanidade se encontra é a que resulta das limitações históricas do capitalismo e que serão apenas solucionadas pelo poder criativo dos homens e das mulheres, superando a forma de organização social, económica e política do capitalismo e capitalizando todos os meios já hoje disponíveis e os que mais possamos desenvolver no caminho da luta para substituir o capitalismo pelo socialismo"



A Natureza é o substrato do desenvolvimento e o meio em que se desenvolve a luta de classes. É também na relação com os recursos naturais que se trava uma disputa de interesses de classe antagónicos, na medida em que a utilização desses recursos é uma base fundamental da construção da sociedade humana.

A actual fase do capitalismo, de evidente aproximação dos seus limites históricos, tem agravado os impactos da exploração capitalista também no quadro da relação entre as sociedades e a Natureza. A apropriação da produção é acompanhada por uma apropriação directa dos recursos, mercantilizando mesmo os bens ambientais, o que bem demonstra o carácter predatório do sistema capitalista e a urgente necessidade de o ultrapassar, na medida em que a Natureza contém o conjunto de recursos finitos que são fundamentais para o desenvolvimento integrado da Humanidade. O seu esgotamento, ou destruição têm implicações directas sobretudo nas camadas trabalhadoras, tendo em conta a elitização galopante do acesso à qualidade de vida e ambiental. A luta dos trabalhadores e dos comunistas é, por isso mesmo, também uma luta em defesa da preservação e da gestão racional dos recursos naturais, subordinando a sua gestão aos interesses comuns e não à acumulação de lucros.

Licença para matar

Aviões não-tripulados dos EUA
Licença para matar


Pelo menos quatros crianças morreram num ataque com aviões não-tripulados norte-americanos no Paquistão. Segundo o diário The Nation, citado pela Prensa Latina, o bombardeamento, realizado domingo, 29 de Abril, no Waziristão Norte, não vitimou milicianos islâmicos, como sustentou o Pentágono.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão veio a público qualificar o ataque como «mais uma violação da integridade territorial e da soberania nacional» e lembrou que as operações norte-americanas com aeronaves dirigidas à distância violam todas as convenções internacionais.

Reagindo ao sucedido, a Fundação para os Direitos Fundamentais revelou que, de acordo com os seus cálculos, somente 170 vítimas dos ataques com drones norte-americanos no Paquistão seriam supostos membros de grupos armados. As restantes 2800 pessoas que se estima tenham morrido em resultado destas operações militares promovidas pelos EUA, eram civis, garantiu a organização, citada pela Agência Venezuelana de Notícias.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Darwinismo: contexto histórico e marxismo

Darwinismo: contexto histórico e marxismo


Por André Levy

 


No século XIX, na Grã-Bretanha, trava-se uma intensa luta de classes a dois níveis: entre o antigo regime feudal, aliado à igreja anglicana conservadora, e a classe capitalista ascendente; e entre esta classe exploradora e a classe proletária, explorada e oprimida.

    
Marx descreve no início de O Capital a espoliação do campesinato, obrigado a deslocar-se para os centros urbanos e a alistar-se na nova classe social, o proletariado, cujo único recurso para sobreviver era vender a sua força de trabalho. As políticas contrárias a um maior apoio social do Estado aos pobres recebiam apoio em trabalhos como os de Thomas Robert Malthus, que entre 1798 e 1826, publicou várias versões do seu tratado Um Ensaio sobre o Princípio da População. Neste postulava que a população humana crescia a uma taxa maior que o crescimento da produção alimentar, originando inevitavelmente, segundo Malthus, a pobreza observada (1) . Seria portanto contra natura o Estado subsidiar os pobres. Ao apoiar a sobrevivência dos mais pobres, o Estado apenas estaria a prolongar condições de competição por recursos limitados e incapazes de sustentar a totalidade de toda a população.


Tabagismo, intolerância, udenismo

Tabagismo, intolerância, udenismo
Por João Quartim de Moraes *



Que o PV faz muita aliança com a direita, já sabíamos. Que está se tornando um partido de direita é notícia mais recente.

Não há porém outra conclusão a tirar das declarações de dois de seus vereadores, Ricardo Teixeira e Gilberto Natalini, ao anunciarem no Círculo Militar de São Paulo, dia 8 de março de 2012, apoio a candidatura de Serra para a Prefeitura. "Ele é o único que tem condições de fazer com que o Brasil não fique vermelho", afirmou Teixeira. "Nós vamos influenciar o futuro e impedir com que o PT seja hegemônico no Brasil", acrescentou seu parceiro Natalini. Só faltou repetir Regina Duarte, a Namoradinha da Direita: “-Tenho medo! É por isso que vou votar no Serra”.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Pretty Woman - A grave questão da prostituição

Pretty Woman - A grave questão da prostituição
Por Odete Santos


Ele há temas que nos fazem vir à memória um poema pessimista de Jorge de Sena:

Neste vil mundo que nos coube em sorte/por culpa dos avós e de nós mesmos tão ocupados em esperanças de salvá-lo...

E se há temas que nos fazem dizer que o mundo está às avessas, um desses temas é sem dúvida nenhuma «a prostituição».

Com a ajuda da indústria cinematográfica cor de rosa, através do filme Pretty Woman
(1), somos levados mesmo a pensar que a prostituição é uma coisa bela, romântica... E viva a liberdade de a mulher se prostituir pois que no final ela transforma-se numa nova cinderela made in mundialização neoliberal.

Em nome da liberdade

De facto, os proxenetas, hoje considerados homens de negócios, aprenderam depressa o vocabulário neoliberal e falam do direito das mulheres a venderem o seu corpo pondo-o ao serviço do prazer dos homens.

Sôbre os resultados das eleições na Grécia


Acerca dos resultados das eleições de 6 de Maio de 2012 
por Aleka Papariga [*]

"Os resultados da eleição mostram definitivamente uma reversão do cenário político que nos é familiar, a interrupção da rotação dos dois partidos, PASOK e ND. Estamos a mover-nos para uma fase transicional onde haverá uma tentativa de criar um novo cenário político com novas formações, novas figuras com uma orientação de centro-direita ou baseada numa nova social-democracia que terá o SYRIZA como núcleo, destinada a impedir a ascensão do radicalismo do povo que levaria as coisas rumo a um verdadeiro derrube [da reacção] em favor do povo. Haverá uma tentativa de formar um governo ou a partir destas eleições ou de eleições a seguir, um governo composto por todos os partidos, ou um governo de unidade nacional, ou uma coligação governamental destinada precisamente a impedir a criação de uma maioria que lute pela mudança.

Dirigimo-nos aos membros do partido, aos membros do KNE, aos amigos, aos apoiantes, aos eleitores, às pessoas que cooperam com o partido, a todos que têm estado connosco na linha de frente do movimento e na batalha eleitoral e apelamos a estarem na linha de frente das lutas nos próximos dias porque temos questões sérias e prementes que estão em andamento, tais como acordos de negociação colectiva, a protecção dos desempregados, a bancarrota dos fundos de segurança social, as novas medidas que montam a 11,5-13,5 mil milhões de euros as quais serão pagas a partir dos bolsos do povo. Não podemos desperdiçar qualquer tempo. O povo não deve desperdiçar tempo.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um mundo sem capitalistas é necessário. A riqueza pertence aos que a produzem!


DECLARAÇÃO DO PRIMEIRO DE MAIO 2012:
A riqueza pertence aos que a produzem! 
Federação Sindical Mundial (FSM)
 
"...mundo de acordo com as nossas necessidades e capacidades. Um mundo de prosperidade, paz e solidariedade fraterna. O único obstáculo que se interpõe no caminho deste progresso é a atividade parasitária dos monopólios – a exploração predadora dos recursos para a produção de riqueza em seu próprio proveito e à custa dos povos e do meio ambiente."

A Federação Sindical Mundial dirige uma fraternal saudação a todos os trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo. O 1.º de Maio é o dia que nos recorda o nosso papel social insubstituível na produção de toda a riqueza no mundo. O 1.º de Maio é o dia que nos recorda o poder invencível que a unidade de classe nos pode proporcionar para mudar o mundo de acordo com as nossas necessidades e capacidades. Um mundo de prosperidade, paz e solidariedade fraterna. O único obstáculo que se interpõe no caminho deste progresso é a atividade parasitária dos monopólios – a exploração predadora dos recursos para a produção de riqueza em seu próprio proveito e à custa dos povos e do meio ambiente.
 

Em tempos de crises capitalistas, sobretudo numa crise profunda e sincronizada como a que enfrentamos hoje, as rivalidades interimperialistas intensificam-se, a sua avidez por mais esferas de influência, pelo controlo sobre os recursos para a produção de riqueza, por maiores mercados e mão-de-obra mais barata é enorme. Tornam-se mais implacáveis na competição. O fogo das guerras imperialistas e dos conflitos causados pelas intervenções imperialistas está a alargar-se e as rivalidades intercapitalistas dão lugar a guerras e conflitos.
 

União Europeia - Uma ameaça à democracia

A bandeira da UE mostrada em manifestação em Atenas
União Europeia - Uma ameaça à democracia


Uma parte significativa das elites federalistas que hoje, face à realidade, é obrigada a distanciar-se da euforia com que saudou o euro, o Tratado de Lisboa e outras etapas do processo de integração da União Europeia (UE), continua a defender que a solução para a actual crise política, económica e social passa por «mais Europa!». Critica, e com a razão, a chanceler da Alemanha como ditadora pelas suas ameaças e actos contra a soberania dos povos, mas repete as palavras de ordem que conduzem exactamente àquilo que a Alemanha pretende, o reforço do seu poder de intervenção na orientação política dos governos dos outros Estados. «Mais Europa!» significa mais aprofundamento do federalismo, mais hegemonia alemã, mais retrocesso social e ataques à democracia, mais militarismo. Na verdade, a União Europeia, à medida que prossegue o seu aprofundamento, transforma-se cada vez mais numa verdadeira ameaça contra a soberania da maior parte dos Estados-membros e num perigo mortal para as conquistas democráticas e sociais obtidas pela luta dos trabalhadores e dos povos após a derrota do nazi-fascismo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Amanhã nós teremos fome

Amanhã nós teremos fome

Por João Vieira


Não se trata de fazer deste título uma provocação, mas apenas despertar a atenção para a outra crise gerada pelo capitalismo, a crise alimentar – uma variante da crise geral económico-financeira. Não pretendo com isto dizer que as prateleiras estarão vazias nos próximos seis meses, mas caminhamos nesse sentido, a fome já está no nosso país não ainda por falta de comida mas por falta de dinheiro para a comprar. Mesmo com o mito dos preços baixos, a comida será cada vez mais objecto de especulação e de difícil acesso para a maior parte das pessoas. A fome amanhã tem a ver com a natureza predadora do capitalismo e com o rumo que está a imprimir à agro-produção, em que os Estados se demitem da sua função reguladora e deixam nas mãos invisíveis do «mercado» esta necessidade básica que é a alimentação.


O que aconteceu com a nossa agricultura nestes últimos 20 anos pós-adesão à CEE é exemplo disso, com os sucessivos governos de direita e pseudo-esquerda a entregarem o futuro alimentar dos portugueses nas mãos de especuladores internacionais, isto quando tínhamos uma agricultura que reunia as duas condições essenciais – a agronomia e a ecologia – tão necessárias para enfrentar os problemas alimentares do século XXI.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um negócio das Arábias!

Um negócio das Arábias!
 
por Jorge Messias

 
As iniciativas inseridas na Bolsa de Valores Sociais serão objecto de selecção e escrutínio, tal como as empresas cotadas em Bolsa e sujeitas a critérios de transparência, como numa bolsa financeira» (Miguel Ataíde Marques, presidente da Euronex, 2006).

«O primeiro sector é o governo, que é responsável pelas questões sociais. O segundo sector é o privado, responsável pelas questões individuais. Com a falência do Estado, o sector privado começou a intervir nas questões sociais, através das inúmeras instituições que compõem o chamado terceiro sector. Ou seja: o terceiro sector, formado por instituições sem fins lucrativos, tem como objectivo gerar serviços públicos. Infelizmente, muitas entidades sem fins lucrativos são, na verdade, lucrativas ou atendem exclusivamente os interesses dos próprios associados. (Stephen Kanitz, “O que é o terceiro sector?”).

«A instituição que no Brasil comanda o “terceiro sector” é o GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas). Os seus principais financiadores são recrutados entre Fundações, Filantrópicas, Fundos Comunitários, Igrejas e entidades sem fins lucrativos, ONG, banca mundial, empresas com responsabilidades sociais, elites humanitárias, contribuintes eventuais, centrais sindicais e patronais, redes de órgãos da comunicação social, etc.
(“Que é o GIFE?”, Mozilla Firefox).
 
Uma após outra, todas as baterias do poder abrem fogo contra o Estado Social e contra as conquistas de Abril. Jogos de troika, cortes nos salários e nas pensões, facilidades brutais nos despedimentos, aumentos constantes do custo de vida e das contribuições, escândalos pagos pelo povo… tudo esmaga os mais pobres. Mas… coragem e paciência, dizem os exploradores aos explorados. É assim que se ganha o céu…

A actualidade de Lénine

A actualidade de Lénine





"Como sublinha o camarada Álvaro Cunhal em “O Partido com Paredes de Vidro”, “não deve substituir-se a análise das situações e dos fenómenos pela transcrição sistemática e avassaladora dos textos dos clássicos como respostas que só a análise actual pode permitir”. Lénine chamou inúmeras vezes a atenção para que o marxismo, não é um dogma mas um guia para a acção.

Abandonar Lénine é abandonar Marx, e abandonar o marxismo-leninismo é abandonar o marxismo.

.É ver o lamentável destino do reformismo e do revisionismo que Lénine tão firmemente combateu: da oposição à ditadura do proletariado a social-democracia tornou-se pilar da globalização imperialista.

.É ver o destino dos partidos do “eurocomunismo” e em particular do maior de todos eles, o Partido Comunista Italiano que desapareceu num lamaçal de oportunismo liquidacionista;

.É ver ainda o destino/evolução daqueles que aos gritos de “Viva o leninismo!” desenvolveram teorias e práticas de desvario e provocação, como no caso dos inúmeros grupos trotskistas e maoistas.

Pelo nosso lado somos e continuaremos leninistas, honrando e valorizando o legado de Lénine e aprendendo com ele, voltados para as tarefas do presente e do futuro ."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Escândalos imperialistas

No Afeganistão e Colômbia
Escândalos imperialistas


Um novo caso de profanação de cadáveres por soldados dos EUA no Afeganistão e o envolvimento de um maior número de membros dos serviços de segurança de Barack Obama no escândalo de contratação de prostitutas durante a viagem do presidente norte-americano à Colômbia estão a embaraçar o imperialismo. 


Depois da divulgação de um vídeo de soldados a urinarem para cima dos corpos de supostos combatentes talibãs (Janeiro), da foto de um contingente militar de elite a pousar sob uma bandeira das SS nazis, dos massacres de civis em bombardeamentos nas províncias de Kapisa e Kunar, da queima de milhares de exemplares do Corão na base militar de Bagram (Fevereiro), e da chacina de 17 afegãos, na sua maioria mulheres e crianças, por pelo menos um soldado norte-americano (Março), um novo caso de profanação de cadáveres pelas tropas dos EUA no Afeganistão está a embaraçar o imperialismo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brasil : Aliança para a morte

Aliança para a morte
Por Paulo Schueler*




A visita do secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, ao Brasil, no último dia 24, merece especial atenção. Não apenas pelo espantoso teor de camaradagem com o governo brasileiro em seu discurso oficial e em suas declarações à imprensa, mas principalmente por poder representar o "desatar de nós" dos interesses comerciais que dificultam o escancaramento dos verdadeiros interesses de longo prazo da burguesia brasileira na América Latina.

Suas declarações de que "o Brasil é um poder global, uma força positiva para a estabilidade não só nas Américas, mas no mundo" e de que, com as restrições orçamentárias dos EUA, a melhor forma de lidar com a conjuntura é "desenvolver parcerias, alianças, dividir informações" deve ter agradado aos mercadores da morte verde-amarelos.

Salazar e Franco, os fascistas Ibéricos - «O nosso século é fascista»

Portugal e Espanha :«O nosso século é fascista»
por Manuel Loff


"Deve ler-se (e reler) o último capítulo de O Nosso Século é Fascista. São só 30 páginas, onde Manuel Loff deixa transparecer um aviso inquietante às gerações próximo/futuras do chamado mundo livre sob tutela americana: a Nova Ordem Global Demo-Capitalista, cada dia que passa, cada ano que finda, mais se assemelha à (velha) Nova Ordem Nazi-Fascista, do século XX "

O título, entre aspas, é aquele que o historiador Manuel Loff escolheu para capa da edição do seu monumental e conclusivo trabalho de investigação sobre o eurofascismo, em geral, e, em especial, sobre os fascismos ibéricos, salazarismo e franquismo. A frase traduz a assumida convicção político/ideológica dos dois ditadores peninsulares, Salazar e Franco, veemente afirmada/saudada no período áureo das vitórias militares do nazifascismo germânico; a «época fascista» como o autor designa os anos de 1936 até ao fim da II Guerra Mundial, em 1945. Na realidade, o intervalo de tempo coberto pela investigação de M. Loff estende-se, principalmente a jusante, quase até aos dias da publicação das mais de 900 páginas da obra, em Abril 2008; após 13 anos de exaustivas pesquisas por arquivos e academias europeias. De igual modo, o espaço geográfico extravasa a Península Ibérica e vai cobrir experiências de regimes fascistas/colaboracionistas na França, Hungria, Noruega, Croácia, etc..