Pesquisa Mafarrico

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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O Dia em que acabou a crise


O Dia em que acabou a crise
por Concha Caballero
"Um belo dia, no ano de 2014, a crise terminará oficialmente e ficaremos com cara de bobos agradecidos, reprovar-nos-ão a nossa desconfiança, darão por boas as políticas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrossel da economia. Obviamente, a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerão intactas, mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que dominam verdadeiramente o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta – metade realidade, metade ficção –, cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objetivos foram claros e contundentes: fazer-nos retroceder 30 anos nos direitos e salários."
"Um belo dia, no ano de 2014, quando os salários tiverem embaratecido até níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o fator determinante do produto; quando tiverem feito ajoelhar todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de salários miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maleáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO"

Um belo dia, no ano de 2014, acordaremos e anunciar-nos-ão que a crise terminou. Correrão rios de tinta escritos com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, far-nos-ão crer que o perigo passou, embora nos advirtam que continua todavia a haver sintomas de debilidade e que temos de ser muito prudentes para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que deixemos a atitude crítica contra os poderes e prometer-nos-ão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará às nossas vidas.

domingo, 19 de janeiro de 2014

União Soviética - Capitalismo de Estado ou Socialismo?

União Soviética - Capitalismo de Estado ou Socialismo?
Por Paulo Gabriel


 
"Dentro desta perspectiva, a ideologia hegemônica tende a demonizar todas as formas possíveis e imagináveis de contestação do status quo. Logo, a primeira experiência socialista do mundo é, talvez, o alvo principal desta “demonologia”, pois ela não apenas contestou a hegemonia capitalista como também apresentou um modelo de sociedade que não se pautava pela anarquia produtiva, pela exploração do homem pelo homem e pelo egoísmo mesquinho. A economia planificada surgiu na década de 1930 como uma vigorosa arma nas mãos dos oprimidos, lançando uma nação semi-feudal e devastada pela guerra total ao posto de superpotência mundial. Como disse Churchill certa vez, Stalin pegou uma nação que se baseava no arado de madeira e levou-a a era da energia nuclear. Aqui não se trata de vangloriar Stalin ou não, mas sim de reconhecer os avanços gigantescos que o socialismo trouxe à União Soviética. O desemprego foi eliminado, assim como a miséria e a fome. Um eficiente, moderno e universal sistema de saúde pública gratuito foi implantado, a educação pública gratuita também foi generalizada e o analfabetismo foi eliminado, mas não só isso, ela permitiu que camponeses como Yuri Gagarin se tornassem astronautas, cientistas, médicos, ministros, etc."
 
 
 
Introdução


Quando se fala na vida dos trabalhadores da União Soviética, é comum dizer que eles eram assalariados e que não dispunham livremente de sua força de trabalho e de seus meios de produção. Desta simples constatação elabora-se um grande corpo teórico que apresenta o socialismo soviético como uma espécie de capitalismo de Estado – os trabalhadores ainda eram subjugados por uma classe proprietária que surrupiava o trabalho excedente (a mais-valia) destes, com a devida diferença que nos países capitalistas clássicos os proprietários são donos individuais de empresas privadas, enquanto que no dito capitalismo de Estado soviético os proprietários são donos coletivos de empresas estatais.

Neste sentido, estouram para todos os lados condenações de que os trabalhadores soviéticos não eram livres, viviam oprimidos por um Estado aterrorizante e totalitário, muitas vezes chega-se aos extremo de dizer que a União Soviética criou sua gigantesca economia sob a deficiente e largamente improdutiva forma econômica do escravismo. Porém uma pesquisa um pouco mais aprofundada em relação ao modo que a economia soviética funcionava na prática basta para desestabilizar boa parte deste corpo teórico que, ao longo das décadas, foi fundado muito mais em suposições, no “ouvi dizer que” do que em fatos concretos – sobretudo com a agudização da Guerra Fria e, conseqüentemente, com o fortalecimento da guerra de informações e sua expressão ideológica que foi a demonização do comunismo.

O protesto popular e a crise da oligarquia

A bandeira das oligarquias do Brasil e do Mundo.
O protesto popular e a crise da oligarquia
por Fausto Arruda




"As oligarquias manipulam ao nível municipal e estadual aquilo que na Constituição está consagrado como os três poderes da República: o executivo, o legislativo e o judiciário. Coloca-os a serviço de sua reprodução. Assim, ao aparelharem todas as instituições do Estado, ao assegurarem por todos os meios a exploração dos trabalhadores, exercendo sistematicamente a opressão do povo, estabelecem um sistema patrimonialista, fruto de transferência de recursos arrecadados da população para seus apaniguados na forma de altos salários, benefícios fiscais, isenções, doações, afora o puro e simples roubo do erário sob os mais variados títulos como corrupção, malversação, desvio de verbas, etc.."

"Ao aliarem-se com os representantes das oligarquias locais e regionais como Sarney, Barbalho, Calheiros e outros que compõem sua base aliada, os oportunistas (PT e seu piolho PCdoB) que ocupam o gerenciamento do velho e genocida Estado brasileiro, deram irrefutável demonstração de que seu projeto de servir ao imperialismo, à grande burguesia e ao latifúndio só seria bem sucedido se a base oligárquica estivesse bem amarrada. E, para tanto, não se fizeram de rogados, armaram o engendro do “mensalão”, que mesmo depois de desmascarado, continuou camuflado sob o manto dos expedientes da liberação das emendas parlamentares."

A semifeudalidade no Brasil tem como um de seus traços a presença e atuação marcante das oligarquias ao nível dos municípios e dos estados da federação. São estas oligarquias (expressões políticas da grande burguesia burocrático-compradora e grandes proprietários de terra) que entranham o Estado burguês-latifundiário submisso ao imperialismo, principalmente ianque, resultando na condição semicolonial do país. Nas duas últimas edições do AND, o Prof. Adriano Benayon, ao explicitar as fontes da dívida pública, revela, de maneira bastante esclarecedora, uma das marcas da dependência imposta pelo imperialismo ao país ao impulsionar um capitalismo do tipo burocrático que, sob fachada modernizante, se mantém em estado de profunda caquexia, enquanto se verifica a derrama permanente de suas riquezas.

As oligarquias manipulam ao nível municipal e estadual aquilo que na Constituição está consagrado como os três poderes da República: o executivo, o legislativo e o judiciário. Coloca-os a serviço de sua reprodução. Assim, ao aparelharem todas as instituições do Estado, ao assegurarem por todos os meios a exploração dos trabalhadores, exercendo sistematicamente a opressão do povo, estabelecem um sistema patrimonialista, fruto de transferência de recursos arrecadados da população para seus apaniguados na forma de altos salários, benefícios fiscais, isenções, doações, afora o puro e simples roubo do erário sob os mais variados títulos como corrupção, malversação, desvio de verbas, etc..
 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Não à falsificação histórica sobre os palestinos na novela da Globo

Não à falsificação histórica sobre os palestinos na novela da Globo
 
 
"O autor de “Amor à vida”, Walcyr Carrasco, reforçou, assim, mitos que são denunciados por vários historiadores, inclusive israelenses, como Ilan Pappe, em seu artigo “Os dez mitos de Israel”. Entre eles, o mito de que a luta palestina não tem outro objetivo que não o terror e que Israel é “forçado” a responder à violência. Segundo ele, a história distorcida serve à opressão, à colonização e à ocupação. “A ampla aceitação mundial da narrativa sionista é baseada em um conjunto de mitos que, ao final, lançam dúvidas sobre o direito moral palestino, o comportamento ético e as chances de qualquer paz justa no futuro. A razão é que esses mitos são aceitos pela grande mídia no Ocidente e pelas elites políticas como verdade.”

O Brasil não é exceção. Na contramão da campanha global por boicotes ao apartheid israelense, o governo federal se tornou nos últimos anos o segundo maior importador de tecnologias militares da potência que ocupa a Palestina e porta de entrada dessa indústria à América Latina. E sua cumplicidade com a opressão, a ocupação e o apartheid a que estão submetidos os palestinos é justificada a milhares de espectadores desavisados da novela da Globo, através de um discurso que reproduz a versão falsificada da história e se fortalece perante a representação orientalista – em que os árabes seriam “orientais” bárbaros e atrasados, ante cidadãos “pacíficos e civilizados”."


Nós, organizações reunidas na Frente em Defesa do Povo Palestino-SP, nos comitês de outros estados, bem como demais entidades abaixo-assinadas, repudiamos veementemente a forma como os palestinos são representados na novela “Amor à Vida”, da TV Globo. Sua resistência legítima à ocupação e apartheid israelenses que já duram 66 anos é retratada como terrorismo contra vítimas inocentes nos diálogos entre um personagem palestino, Pérsio (Mouhamed Hartouch), e uma judia (Paula Braun). Todas as vezes em que é feita referência à Palestina, fala-se em guerra, o que pressupõe dois lados iguais disputando um território. Na verdade, é uma distorção da realidade: tem-se um opressor e ocupante (Israel) e um oprimido (palestinos). Em nenhum momento, a novela faz referência ao muro do apartheid, aos inúmeros postos de controle a que estão submetidos os palestinos, bem como às leis racistas que lhes são impostas e à limpeza étnica e ataques contínuos contra eles.

O diálogo que inaugura essa farsa é permeado por desinformação e manipulação da verdade. Rebeca chega a afirmar que há muitos casais judeus e palestinos em Israel, como conviria a qualquer Estado democrático. A verdade é que Israel foi criado em 1948 como um Estado exclusivamente judeu, um entrave à democracia, já que esses têm tratamento diferenciado. Desde então, a própria convivência está comprometida. O apartheid imposto aos palestinos impede até que vivam no mesmo bairro. Os palestinos que vivem onde hoje é Israel (território palestino até 1948, ano da criação desse Estado exclusivamente judeu) são considerados cidadãos de segunda ou terceira categoria, discriminados cotidianamente, e as leis que valem para eles não são as mesmas que valem – e privilegiam – os judeus. O apartheid é explícito e amparado por uma legislação que fere o direito internacional.

Vaticano, ONG e Agronegócio em Portugal

Vaticano, ONG e Agronegócio em Portugal
por Jorge Messias




"Todos estes milagres surgem em contracorrente e num mundo dominado pela fome, pela miséria, pelo desemprego e pela queda ou estagnação das economias. São lucros fáceis, sobretudo gerados pela especulação financeira com os preços do petróleo, obrigatoriamente pagos em dólares, ou com as fraudes das swards ou das commodites do agronegócio, roubalheiras baseadas em coisa nenhuma. O neocapitalismo destrói sabendo, de antemão, que jamais será capaz de reconstruir.

Com Papa Francisco ou sem Papa Francisco, a Igreja é unha com carne com o famigerado capitalismo selvagem ou novo capitalismo que, no entanto, afirma condenar. Se não denuncia os seus crimes é porque, quase sempre, também ela, a Igreja, os pratica. Dá-lhes cobertura e aplana os seus criminosos caminhos futuros na Comunidade Europeia, na Mercosul, na unificação da banca, na legalização dos transgênicos, numa palavra, onde quer que a sua contribuição seja necessária à vitória final do imperialismo dos monopólios."


A um só tempo, o neocapitalismo vai desmontando as instituições estatais e lançando ou expandindo as bases de uma sociedade autoritária e de exploração do homem pelo homem. É o caso do que está a acontecer na área agroalimentar que os illuminati transformam, pouco a pouco, num instrumento produtor da fome mundial.

Não é apenas em Portugal mas por toda a Europa, que os campos vão ficando ao abandono, frutos da ganância do capitalismo. Baixa o preço das parcelas de terras e as autarquias e governos corruptos fecham os olhos às violações das leis. Por isso, na fase atual do agronegócio neocapitalista, o grande capital limita-se a comprar searas e florestas e a deixá-las em pousio, a aguardarem que os preços de venda dos bens alimentares e afins subam nas bolsas de valores.

Assim se entendem os dados recentemente fornecidos pelo The Guardian, um órgão de comunicação britânico de grande reputação mundial. atualmente, cerca de metade das terras produtivas da União Europeia foram já compradas por grandes capitais com raízes nos EUA, na China, no Médio Oriente ou nas gigantescas reservas financeiras criadas pelos hedge funds promotores da especulação neocapitalista.
 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O PCP, os católicos e a Igreja- Contributo de Álvaro Cunhal e breves notas da actualidade

PCP, os católicos e a Igreja- Contributo de Álvaro Cunhal e breves notas da actualidade
Carlos Gonçalves

"A Igreja Católica, num processo irregular, registou algumas mudanças. Acentuou-se a fusão do Estado do Vaticano e das super-estruturas da Igreja com o capital financeiro supranacional, o que implica a consolidação das respectivas opções de classe na alta hierarquia. Mas, simultaneamente, avançou a secularização da vida social, alargou-se o fosso entre o diagnóstico oficial da «economia de exclusão e desigualdade» e a ocultação e mistificação de respostas progressistas efetivas, emergiram novos questionamentos de dogmas e orgânicas e novas dinâmicas associativas e de Acção Católica.

Em Portugal, neste final de 2013, e isso é ainda uma conquista de Abril, não existe uma «questão religiosa», e no que depender do PCP nunca existirá; o que não significa que não haja matéria a merecer atenção, relativamente à laicidade do Estado e à sua garantia, à igualdade das confissões minoritárias e a múltiplos fenómenos sociais conexos. Este é um quadro em que a relação dos comunistas com a Igreja, os católicos e os outros crentes, assume novas complexidades."


No quadro das comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, os seus textos sobre o Partido, os católicos e a Igreja e a reflexão que têm suscitado, fez crescer a atenção do colectivo partidário a esta matéria e contribuiu para o debate entre trabalhadores e democratas de diferentes convicções e para novas sínteses de intervenção e proposta, no caminho da ruptura com a política de direita e o Pacto de Agressão e da construção de uma alternativa e de uma política patrióticas e de esquerda para Portugal.

«A mão estendida aos católicos»

Há setenta anos, em Novembro de 1943, o III Congresso do Partido aprovou o Informe do Secretariado do Comité Central, redigido por Álvaro Cunhal, sobre «A unidade da nação portuguesa na luta pelo pão, pela liberdade e pela independência». Desse documento consta um texto, mais tarde republicado com o título «A mão estendida aos católicos» (1), que sintetiza os princípios e orientações para a ação dos comunistas com os católicos e na relação com a Igreja.

Nesse texto, dizia Álvaro Cunhal: «Não esquecemos que a Igreja Católica [...] tem apoiado a exploração, a opressão e as atrocidades fascistas […] por isso, combatemos […] [a sua política] e os sacerdotes fascistas. [...] Mas não os combatemos pela sua actividade religiosa. [...] [Mas] sim pela sua actividade contra o povo e o país, […] de traição nacional.» E «também não esquecemos que muitos sacerdotes [...] são inimigos da Alemanha nazi. [...] Que muitas centenas de milhar de trabalhadores, explorados e oprimidos [...], são ainda influenciados pelo catolicismo [...,] não podemos separar-nos, por razões religiosas, dos [...] operários e camponeses católicos [...] Ou [os] atraímos […] para a luta contra o fascismo; ou deixamos que eles constituam uma […] reserva do fascismo.». E concluía: «Não fazemos a "guerra à religião" e não pretendemos atingir a liberdade de crença e de prática de culto [...]. Estendemos lealmente a mão aos católicos (bem como aos que professam qualquer outra religião) para que participem no movimento nacional contra o fascismo, pelo Pão, pela Liberdade e pela Independência»1.

O III Congresso do Partido também clarificou, e assim se mantém até hoje, que um crente pode ser militante do PCP, desde que, como qualquer outro, intervenha no quadro dos respectivos Programa e Estatutos. Aliás, a esse respeito Álvaro Cunhal citava Lénine: «devemos não só admitir como atrair sem falta para o Partido […] todos os operários que conservam a fé em Deus, somos absolutamente contra a menor afronta às suas convicções religiosas.»2

Três notícias


Três notícias
por Filipe Diniz

"São três notícias sobre o poder dos monopólios, sobre o capitalismo monopolista de Estado. Os monopólios transnacionais têm o poder de colocar os seus agentes nos cargos de maior responsabilidade do poder político (e, se estão satisfeitos, de lhes conceder um prémio); de graças a eles extorquir uma fatia ainda maior da riqueza socialmente criada e de acelerar uma cada vez maior centralização do capital; de celebrar e de romper contratos com os estados e de exercer chantagem sobre eles, porque dispõem de um poder económico, técnico e político muitíssimo superior."
"Ainda há quem subestime a luta no marco nacional. Sem o combate ao capitalismo monopolista de Estado não é possível uma política ao serviço do povo."

Ainda há quem subestime a luta no marco nacional. Sem o combate ao capitalismo monopolista de Estado não é possível uma política ao serviço do povo.

Notícia 1: José Luís Arnaut vai integrar o International Advisory Board do grupo Goldman Sachs. Nada mais natural. Por um lado, trata-se de preencher a vaga do tentáculo nacional dessa instituição, aberta pelo falecimento de António Borges, e juntar Arnaut a Carlos Moedas. O personagem tem o currículo certo, enriquecido pela intervenção directa em mais do que escuros processos de privatização, como sucedeu com a REN e mais recentemente com os CTT, dos quais o Goldman Sachs passou a ser o maior accionista.

Notícia 2: No ano de 2013 dois negócios que são propriedade de Tony Blair tiveram uma receita de 13 milhões de libras (Guardian, 5.01.2014). Blair recebe ainda muitos mais milhões em conferências e consultorias (nomeadamente ao mal-afamado governo do Cazaquistão e ao banco JP Morgan), e possui um vultuoso património imobiliário. Diz que dá muito dinheiro a obras de caridade, talvez mesmo em apoio às vítimas dos crimes de guerra de que é também responsável, dos quais mais de 400 vão ser apresentados ao Tribunal Criminal Internacional (Independent, 12.01.2014).

Sharon, o «bulldozer»

Sharon, o «bulldozer»
por Ângelo Alves
 

"Sharon não foi um homem de paz, foi um criminoso de guerra, que combateu ou dirigiu em todas as guerras de agressão e de ocupação de Israel contra a Palestina e os países árabes da região. Não foi um homem preocupado com a segurança do seu povo, levou a insegurança a toda a região e o terror à Palestina ou a países como o Líbano. Sharon não tinha como «estrela guia» a «sobrevivência» de Israel, nem era um homem corajoso, foi um comandante provocador que desde cedo usou a provocação e a guerra para procurar negar a existência não só do Estado, mas também do povo palestiniano. Sharon não foi um patriota, foi um nacionalista de extrema-direita e racista, foi o homem do massacre de Qybia, na Cisjordânia, em 1953, em que como comandante da unidade 101 massacrou 69 pessoas, várias delas queimadas vivas dentro das suas próprias casas. Foi o autor, conjuntamente com os falangistas assumidamente fascistas, do massacre dos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Shatila (Beirute Ocidental), em que, cercados pelos tanques israelitas, cerca de 2000 palestinianos foram assassinados e muitos deles torturados e violados. Não foi o homem da retirada dos colonatos da Faixa de Gaza, foi aquele que transformou Gaza numa gigantesca prisão e aquele que, em 1998, incitou os colonos israelitas a ocuparem o máximo de território possível na Cisjordânia. Sharon não foi o homem do diálogo, foi o que em 2000 protagonizou a provocação na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém acompanhado de 1500 soldados, e que já primeiro-ministro ordenou o massacre de Jenin em 2002 e decidiu da construção do Muro do Apartheid na Palestina."


A linha «oficial» de abordagem à morte de Ariel Sharon diz muito sobre a profunda e criminosa hipocrisia com que se aborda a questão palestiniana e se apoia a política de terrorismo de Estado de Israel.

Shimon Peres, presidente de Israel deu o mote: «A terra da qual tu nasceste irá agora abraçar-te com os braços da história da nossa nação para a qual tu contribuíste com um capítulo inesquecível», disse. Barack Obama alinhou com o tom: «associamos-nos ao povo israelita prestando tributo ao seu compromisso para com o seu país». Angela Merkel apelidou Sharon de «patriota israelita» e elogiou a sua «corajosa decisão» de retirar colonatos da Faixa de Gaza. Presente nas cerimónias fúnebres, Joe Biden, vice presidente dos EUA, afirmou que a «estrela guia» de Sharon era «a segurança e a sobrevivência do Estado de Israel», acrescentando que a sua «inabalável missão era a segurança do seu povo». Ban ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas apelidou-o de «herói para o seu povo». David Cameron prestou homenagem às suas «corajosas e controversas decisões» relativas ao «processo de paz no Médio Oriente» apelidando-o de «uma das mais significativas figuras na História de Israel». Francois Hollande elogiou «a sua escolha pelo diálogo com os palestinianos após uma longa carreira militar e política».

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

A guarda pretoriana de Dilma e a repressão durante a Copa da Fifa

A guarda pretoriana de Dilma e a repressão durante a Copa da Fifa
por Rafael Gomes Penelas
 
"Cada vez mais o povo brasileiro se dá conta de que esta Copa só vem para beneficiar o grande capital e no seu rastro seus podemos constatar as remoções, a militarização, a violência policial desenfreada e o sofrimento de milhares de famílias pobres. A palavra de ordem ‘Não vai ter Copa!’ ecoou e ecoa nas manifestações de rua de várias cidades brasileiras. Na própria Favela Metrô-Mangueira, como citamos acima, ela foi entoada com vigor.

Alguns grupos de militantes do PT/pecedobê, que há mais de uma década legitimam esta gerência do velho Estado brasileiro, assim como a grande burguesia, também estão preocupados com a realização do megaevento. Para tentar desmerecer os legítimos e justos protestos populares eles tentam apresentar a Copa como algo positivo para o país, chegando a qualificar os manifestantes e os protestos como de “direita” e, em algumas ocasiões, até de “golpistas”. "
 


Os recentes acontecimentos na Favela Metrô-Mangueira, na zona Norte do Rio de Janeiro, foram uma demonstração de como o velho Estado irá tratar as lutas populares em 2014. Neste caso específico, esta comunidade, uma das que resistem há anos contra a remoção, se encontra ocupada pela Polícia Militar para garantir sua destruição visando a construção de um estacionamento como parte das obras do Maracanã. A maior parte da favela já foi demolida, mas as famílias que lá permanecem travaram dias seguidos de resistência contra o aparato repressivo e contra as arbitrariedades do gerenciamento municipal Eduardo Paes.

Oligarcas, Demagogos e Revoltas de Massas contra a Democracia

Oligarcas, Demagogos e Revoltas de Massas contra a Democracia
por James Petras
"A História, desde a Antiguidade aos nossos dias, ensina-nos que nem todas as “revoltas de massas” atingem, ou mesmo são motivadas, por objectivos democráticos. Muitas serviram oligarcas que pretendiam derrubar governos democráticos, líderes totalitários que procuravam estabelecer regimes fascistas e pró-imperialistas, demagogos e autoritaristas que pretendiam enfraquecer regimes democráticos enfraquecidos, e militaristas que pretendiam começar guerras com ambições imperialistas.

Hoje as “revoltas de massas“ contra a democracia tornaram-se um procedimento operacional habitual para os governantes da Europa Ocidental e EUA, que procuram contornar os procedimentos democráticos e estabelecer clientes pró-imperialistas. A prática da democracia é denegrida enquanto os gangues são louvados nos media imperialistas. É por isto que os terroristas e mercenários islâmicos armados são chamados “rebeldes” na Síria e as multidões nas ruas de Kiev (Ucrânia) que tentam pela força depor um governo democraticamente eleito são rotulados “democratas pró-Ocidente”.

A ideologia que enforma as “revoltas de massas” varia desde “anticomunista” e “antiautoritária” na Venezuela, até “pró-democracia” na Líbia (mesmo quando bandos tribais e mercenários massacram comunidades inteiras), no Egipto e na Ucrânia."

Na Roma antiga, especialmente no fim da República, oligarcas recorreram à violência das multidões para impedir, intimidar, assassinar ou tirar do poder a facção dominante do Senado. Ainda que nem a facção dominante nem a oposição representassem os interesses da plebe, dos trabalhadores assalariados, pequenos agricultores ou escravos, o uso das “multidões” contra o Senado eleito, o princípio do governo representativo e o governo da República, estabeleceram a base para a ascensão dos autoritários “Césares“ (líderes militares) e a transformação da República Romana num estado imperialista.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Teias das intrigas da Igreja e do Capital

Teias das intrigas da Igreja e do Capital
por Jorge Messias
 
 
E se a fome exterminar milhões de seres humanos, tanto melhor: é preciso que morram.

A fome é «apenas» um dos elos da amarra diabólica da miséria e da desigualdade entre ricos e pobres imposta pelo capitalismo. Um encadeamento que passa pela exploração do trabalho, pela supressão de direitos e garantias, pelo desemprego, pela corrupção e pela miséria. Calcula-se que, em cada dia que passa, mais de 120 mil pessoas morrem à fome em todo o mundo. Que a pobreza extrema esmague 75% da população mundial. E que as três maiores fortunas mundiais e pessoais correspondem à soma das 48 economias dos países mais pobres.

É evidente que a condenação pura e dura do neocapitalismo não é de esperar da parte dos responsáveis da Igreja católica ou de outras formações religiosas internacionais. Seria o caso da Igreja a auto criticar-se e a mudar repentinamente o sentido da sua intervenção política. Espantoso milagre em que ninguém acredita!

As grandes centrais do Vaticano cumprem a sua parte do contrato. Não importa que sejam católicos muitos dos que padecem para engordarem os interesses dos ricos e dos papas.

O que qualquer de nós pode, no entanto, constatar é que o processo de concentração dos poderes políticos e financeiros caminha rapidamente no sentido da reconstrução do estado nazi e dos impérios dos monopólios mundiais de mercado. A Democracia (da qual uma vez por outra ainda se fala) é sonho do passado.
 


A fome no mundo deve ser motivo de uma enorme atenção. A leitura dos factos a ela ligados é, verdadeiramente, uma lupa que permite ver mais claro o que se passa no mundo. É através da fome e da sua aceitação como facto natural que os fortes dominam os fracos e a tirania se consolida e alastra a toda a terra.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Espanha: As organizações oportunistas – com as suas propostas de conciliação de classes – colaboram com a oligarquia, numa guerra geral contra a classe operária.

O CAMINHO PARA A LIBERTAÇÃO DA CLASSE OPERÁRIA É A LUTA PELO PODER DOS TRABALHADORES E A REVOLUÇÃO SOCIALISTA
Resolução do Comité Executivo do PCPE
 
 

"A classe operária e os sectores populares estão sendo submetidos a um brutal aumento da exploração, por parte da oligarquia espanhola, que encontra na redução do preço da força de trabalho o único elemento flexível do seu sistema económico.

Esta oligarquia apoia-se nas estruturas imperialistas da UE para reforçar a sua posição de classe dominante. Endesa, Panrico, La Caixa, Mercadona, Pescanova, BBVA, Repsol, Banco Santander, Acciona, Telefónica, FCC, etc., são alguns dos grandes grupos monopolistas que exercem uma brutal ditadura, utilizando como subterfúgio uma cada vez mais reduzida democracia burguesa. O aumento da sobreexploração da força de trabalho conduz a classe operária a um empobrecimento crescente e a umas miseráveis condições de vida, até a extremos de desnutrição infantil, que afecta uma parte significativa dos filhos e filhas da classe operária. Hoje, no nosso país, a maioria social entrega toda a sua vida desde o nascimento até à morte – aos interesses parasitários do capital monopolista."
"Hoje, as classes exploradoras necessitam de organizar outra forma de capitalismo, para tratar de manter a sua actual posição hegemónica. Um capitalismo mais ditatorial e que imporá uma maior desigualdade social. E esta nova fase desesperada – se a oligarquia conseguir consolidá-la – será mais um passo no caminho sem retorno para a sua destruição total. A burguesia sabe que isto é assim, e, por isso, de forma apressada, trata de conformar um novo marco jurídico repressivo; tramita-se um novo endurecimento do Código Penal, coloca-se em causa o direito à greve, elimina-se a negociação colectiva, aprova-se uma nova Lei de Segurança Cidadã e confere-se um papel policial à segurança privada; o próximo passo – quando a burguesia sentir nas suas costas a respiração da classe operária combatente – será a militarização em todas as corporações policiais, como desenvolvimento de uma imparável espiral repressiva a que está obrigada, de modo a tratar de manter o seu sistema anti-social."

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Porque comparam nazismo e comunismo?

Porque comparam nazismo e comunismo?
Fonte - Blog AK-47
 
 
"No fim da Segunda Guerra Mundial, o comunismo estava em alta nos corações e mentes dos povos do mundo. Partidos Comunistas começaram guerras revolucionárias na Malásia, no Vietnã e na Grécia e chegaram ao poder em toda a Europa Oriental. Aqui no Brasil, 11 anos depois de liderar o Levante de 1935, Luís Carlos Prestes foi eleito senador pelo PCB.

Porém, a reação internacional não poderia admitir que os comunistas, seus velhos inimigos de sempre, tivessem toda essa glória. Mas não podiam falar nada, afinal, Hitler (o qual eles nunca odiaram tanto assim) tinha cometido atrocidades inimagináveis. Muitos países capitalistas tinham sido humilhados pelos hitleristas, sendo somente salvos pelos soviéticos. Por isso eles tiveram de arranjar uma nova estratégia. E arranjaram:

Aproveitando de fábulas anticomunistas como a história da fome na Ucrânia (uma mentira nazista grotesca) e através de vários historiadores e escritores que adoram vender sua pátria por dinheiro, os reacionários começaram a comparar comunistas com nazistas para conseguir impedir o avanço do progresso. Chegaram a pegar um massacre nazista e dizer que foi feito por ordens de Stalin (Katyn).

Enquanto isso, centenas de nazistas entupiam as fileiras dos serviços de inteligência dos EUA, da Inglaterra e da Alemanha Ocidental capitalista. Um dos responsáveis por matar Che Guevara era Klaus Barbie, conhecido como “O carniceiro de Lyon” por suas atrocidades na França ocupada."


“Comunismo é nazismo”

Quantas vezes nós, ao entrar numa discussão com os críticos do comunismo, não ouvimos essa besteira?

Todos nós odiamos aquelas estúpidas comparações, difundidas por aquela farsa cinematográfica chamada “The Soviet Story” e papagaiadas por pessoas que tem esperança de que – como diria Goebbels – “uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade”.

Aqui não vou perder meu tempo tentando fazer um paralelo entre as diferenças entre os comunistas e os nazifascistas.

Não vou perder meu tempo refutando aquele argumento de que nazismo só é comunismo porque tem “socialismo” no nome (argumento bem fraco por sinal).

Não vou perder meu tempo explicando que milhões de comunistas se sacrificaram, quer na luta ou na prisão, para livrar nosso mundo da peste nazista.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Contra o fascismo e a guerra

Contra o fascismo e a guerra
por Albano Nunes
"Todas as linhas de ação decididas no 15.º Encontro são importantes, mas deve chamar-se a atenção para as que se referem à luta contra o racismo, a xenofobia, a extrema-direita, que sublinham a importância do combate ideológico ao anti-comunismo e às falsificações da História e que propõem que o 100.º aniversário do início da Primeira Guerra Mundial (1914/18) e o 75.º aniversário do da Segunda Guerra Mundial (1939/45) sejam ocasião para combater o revisionismo histórico, evidenciar as raízes de classe do fascismo e da guerra, mostrar o papel determinante dos comunistas e da URSS na derrota do nazi-fascismo e a ligação da luta pela paz com a luta pelo socialismo."



O 15.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários realizado em Lisboa em 8, 9 e 10 de Novembro com a participação de 75 delegações provenientes de 63 países aprovou um conjunto de Linhas de acção comum ou convergente cuja importância deve ser valorizada. Por duas razões fundamentais. A primeira porque, sem esquecer que nada pode substituir o enraizamento e a luta dos partidos comunistas no seu próprio país, só a cooperação internacionalista, entre si e com as forças revolucionárias e progressistas de todo o mundo, pode conter e derrotar a violenta e concertada ofensiva do imperialismo contra os trabalhadores e contra os povos.
 
A segunda porque, como a história demonstra, a cooperação dos partidos comunistas na ação e para a ação é determinante para forjar os laços de recíproca compreensão, respeito, amizade e solidariedade indispensáveis à unidade do movimento comunista e ao fortalecimento do seu papel insubstituível na luta para libertar a Humanidade do flagelo do Capital.

O movimento comunista e revolucionário mundial fortalece-se, não através de estéreis discussões «ideológicas» e polémicas públicas, mas voltando-se decididamente para as massas e para a luta em defesa dos seus interesses e aspirações mais sentidas. «Rejeitando – como sublinhou o Comité Central do PCP na sua reunião de Dezembro – as diferentes formas de oportunismo, seja na sua expressão de adaptação ao sistema ou dogmática e sectária».

O Oportunismo na Estrada do Comunismo

O Oportunismo na Estrada do Comunismo
por Miguel Urbano Rodrigues




"É transparente a apologia de uma estratégia incompatível com o marxismo.

Hoje, num contexto histórico diferente, cabe ao Partido da Esquerda Europeia, herdeiro do revisionismo, ser o executor dessa estratégia que privilegia a função dos parlamentos, e renuncia à luta de classes.

Na prática, as «amplas frentes de esquerda» preconizadas pelo PEE conduzem a uma aliança com a burguesia que subalterniza os partidos comunistas e faz deles instrumentos de uma política reformista que nega a sua função revolucionária.
 

A União Europeia ideada pelo PEE seria – cito novamente Raul Martinez e Garcia - “a negação de tudo o que se relaciona com a construção do socialismo, com recusa total das tradições revolucionárias, em contradição frontal com o socialismo científico, a luta de classes e a revolução socialista»."


O quarto número da Revista Comunista Internacional - editada por órgãos teóricos de onze partidos revolucionários - é um valioso contributo para a compreensão das ameaças e problemas que afetam hoje a nível mundial a luta dos partidos comunistas.

 O tema central da maioria dos artigos desta edição é a análise do oportunismo e do seu significado politico-ideológico. Nas últimas décadas o seu papel na social-democratização de partidos comunistas que abandonaram o marxismo-leninismo foi decisivo.

No ensaio de abertura da revista, Herwig Lerouge, do Partido do Trabalho da Bélgica, chama a atenção para as consequências nefastas da acção do Partido da Esquerda Europeia – PEE na anestesia, mais exatamente na neutralização, da combatividade de amplos sectores da classe operária em países da União Europeia. O Partido Comunista Francês-PCF e a Rifondazione Comunista Italiana-PRC (criada após a transformação do PCI num partido social-democrata) sustentam que é possível chegar- se ao socialismo pela via parlamentar. Fausto Bertinotti, que foi presidente do PEE, retomou velhas teses de Edward Bernstein ao afirmar que «o movimento dos movimentos» poderá ser o motor da caminhada para o socialismo.

O Die Linke, o Partido da Esquerda Alemã - que resultou da junção do PDS da ex-RDA com o WASG dos dissidentes do SPD da Alemanha Ocidental - adepto dessa tese, fez grandes promessas aos trabalhadores mas, após alguns êxitos iniciais, não as cumpriu e entrou em rápido declínio. Na década em que foi co-governo da cidade de Berlim com o SPD tornou-se cúmplice na privatização de mais de 100 000 apartamentos sociais, fechou creches, cortou indemnizações, privatizou transportes públicos.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Apartheid brasileiro: o caso do Maracanã

Apartheid brasileiro: o caso do Maracanã
por Paulo Metri
 
 
 
"O conluio no Brasil envolveu os mesmos grupos de outras Copas: FIFA, políticos, construtores etc. Para alegria dos construtores, concluíram erradamente que o Maracanã tinha que ser colocado abaixo e construído outro no lugar. O antigo era popular, pois alguns destituídos de dinheiro podiam assistir ao jogo até de perto, sem ver imagens de duas dimensões em uma tela, sentindo o cheiro do suor dos jogadores. Nele, o pobre conseguia ser aceito."

É um sobressalto para qualquer alma encarnar, como acreditam os espíritas, em um ser humano que viverá em um país capitalista. O ser pode não ser agraciado geneticamente com uma mente e um corpo propícios à sobrevivência neste sistema. Além disso, a aleatoriedade pode escolher um núcleo populacional sem respeito à vida, sem garantia de instrução, atendimento à saúde, acesso a moradia etc, graças à própria agressividade que o capitalismo induz. O núcleo familiar receptor pode também contribuir para a desgraça do ser, que, a estas alturas, se consciente da roleta que participa, desejará não mais nascer.

Estou sendo um pouco radical, uma vez que esta roleta tem uns poucos números de sorte, que correspondem a locais na Terra onde há vida menos desumana, com o capitalismo mitigado. Existem algumas sociedades em que cada ser tem maior consideração com seus pares, apesar de não se importar que haja exploração dos seres de outras sociedades. É como se os seres estrangeiros não pertencessem aos humanos. As guerras, em muitos casos, são consequência da exploração alheia. Se esta necessidade de acúmulo de riquezas não for domada, ela levará à extinção da espécie, dado seu alto grau de exploração humana, guerras e agressão ao meio ambiente.

Mas, em um ponto, pode-se falar a favor do capitalismo, pois é um grande promotor de desenvolvimentos tecnológicos, apesar de ser com o objetivo de acumular mais capital. É interessante notar que nunca se observa que a acumulação positiva de um grupo gera um déficit de acumulação ou carência de outro. De qualquer forma, a competição inspira mais o desenvolvimento tecnológico que a solidariedade.

Esta divagação me gratifica, mas preciso dizer algo sobre o Maracanã, porque é necessário justificar o pensamento que me motivou a escrever e me levou a este título. Uma confluência de interesses, principalmente políticos e econômicos, levaram as forças relacionadas a se mobilizarem para trazer a Copa do Mundo para o Brasil. O povo mesmo não foi consultado e, a bem da verdade, foi muito mal informado. Os políticos acreditavam que conseguir trazer a Copa para o Brasil renderia muito crédito político, se não fosse com o povo, certamente seria com os empresários.

Capitais nacionais e estrangeiros vislumbraram uma excelente oportunidade para aumentar suas riquezas. A FIFA tinha seus ganhos como certos, qualquer que fosse o local da Copa, graças à psicose mundial com relação a este esporte. Com isso, qualquer país hospedeiro abre mão de decisões suas para se submeter à ditadura da FIFA. Não recrimino a humanidade por eleger o futebol como uma das suas maiores obsessões, até porque ele ajuda as pessoas a se deleitarem durante o efêmero tempo nesta superfície. A FIFA tem interesse de preservar a característica circense do evento, para garantir o sucesso de outras Copas. Aliás, gladiadores lutavam contra seus iguais, cristãos desarmados eram entregues aos leões, na antiga Roma, para a máxima “diversão” do espetáculo.

“Europa, uma Crise terminal?” - parte 1

A crise económica capitalista e as rearrumações no âmbito internacional
 
por Nikos Seretakis

"Um intenso conflito ideológico realiza-se em torno da natureza da crise e, consequentemente, sobre a direção da saída dela. Logo no primeiro momento os partidos burgueses e as forças reformistas e oportunistas fizeram um esforço sistemático de desinformação, de ocultação das verdadeiras causas e fatores da crise. O seu objetivo era impedir, nem que fosse um pequeno passo, a emancipação do movimento operário e popular. Promoveram-se teorias sobre o "capitalismo de casino", de que a crise se deve exclusivamente ao sistema financeiro, ao "sobreconsumo" ou inclusive ao seu contrário, o "subconsumo" – esta teoria última apareceu depois do Memorando de 2010."
"Promovem-se alegações infundadas que "a Grécia torna-se cobaia", ou afirmando que "a Grécia está sob ocupação", absolvendo assim o capital grego e o capitalismo, embelezando a União Europeia e ocultando o facto de que medidas semelhantes são tomadas em todos os países da União Europeia para reforçar a competitividade dos grupos monopolistas, garantindo mão-de-obra barata e abrindo novos campos de rentabilidade para o capital."
"Essa é a União Europeia: uma união partidária do anticomunismo, que pretende caluniar a contribuição histórica dos comunistas na luta pelo progresso social, que difama a contribuição decisiva da União Soviética na derrota do fascismo durante a Segunda Guerra Mundial e tenta identificar o comunismo, que é o inimigo verdadeiro do capital e do capitalismo, com o fascismo, que é um filho do próprio sistema capitalista e uma força a serviço do capital."
 
 
A emergência da crise económica capitalista generalizada e sincronizada colocou em primeiro plano o caráter historicamente antiquado e desumano do sistema capitalista.

Contribui para a agudização das desigualdades e das contradições interimperialistas, a mudança da correlação de forças na pirâmide imperialista internacional, a fluidez das alianças e o rebentar de novos e antigos focos de guerra.

Levou ainda a uma maior diminuição da participação dos EUA, da UE e do Japão no Produto Mundial Bruto (PMB). Os EUA continuam a manter a 1ª posição, mas a sua participação no PMB reduziu-se de 22,23% em 2005 para 18,9% em 2012 (na base da paridade do poder de compra). A zona euro já não detém a 2ª posição; a sua participação reduziu-se de 16,53% em 2005 para 13,73% em 2012 (a UE dos 27 países em conjunto tem uma quota igual à dos EUA).

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Milho, censura e corrupção na ciência

Milho, censura e corrupção na ciência
Por Silvia Ribeiro

Publicado originalmente em espanhol no La Jornada


Tradução
da Adital
 
"O estudo de Séralini é muito relevante para o México porque os ratos foram alimentados com milho 603 da Monsanto, o mesmo que as transnacionais solicitam plantar em mais de 1 milhão de hectares, no norte do país. Caso seja aprovado, esse milho entraria massivamente na alimentação diária das grandes cidades do país por meio das ‘tortillerías’ (que fabricam tortilhas feitas de milho).

Como o México é o país onde o consumo humano direto de milho é o mais alto do mundo e durante toda a vida, o país se converteria em uma repetição do experimento de Séralini, com gente em vez de ratos, com altas probabilidadesde desenvolver câncer em alguns anos, em um lapso de tempo suficiente para que o governo tenha mudado e as empresas neguem sua responsabilidade, alegando que foi há muito tempo e não se pode demonstrar o milho transgênico como causa direta."
 


Em 2012, uma equipe científica liderada por Gilles-Éric Séralini publicou um artigo mostrando que ratos de laboratório alimentadas com milho transgênico da Monsanto durante toda a sua vida desenvolveram câncer em 60-70% (contra 20-30% em um grupo de controle), além de problemas hepático-renais e morte prematura.
 
Agora, a revista que publicou o artigo se retratou, em outra amostra vergonhosa de corrupção nos âmbitos científicos, já que as razões apresentadas não são aplicadas a estudos similares da Monsanto. O editor admite que o artigo de Séralini é sério e não apresenta incorreções; porém, os resultados não são conclusivos, algo característico de uma grande quantidade de artigos e é parte do processo de discussão científica. A retratação aconteceu após a revista ter contratado Richard Goodman, exfuncionário da Monsanto, como editor especial. É o corolário de uma agressiva campanha de ataque contra o trabalho de Séralini, orquestrado pelas transnacionais. O caso recorda a perseguição sofrida por Ignacio Chapela, quando publicou na revista Nature que havia contaminação transgênica no milho camponês de Oaxaca.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Sobre a essência e a origem fascistas da privatização

Sobre a essência e a origem fascistas da privatização
 por Eric Zuesse, Washington’s Blog

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
"Um dos mitos da privatização: A privatização teria sido “inventada” por duas grandes democracias, EUA e Grã-Bretanha, nos anos 1980s. É falso. A privatização, como a reencontramos no mundo nos anos 1980s e 1990s, foi instrumento muito usado, antes, pelos regimes fascistas.
 
Um fato sobre a privatização: Antes de Reagan e Tatcher [e dos governos da privataria do PSDB-DEM no Brasil de FHC-Serra (NTs)], a privatização foi objetivo muito empenhadamente buscado pelas elites fascistas – e desde os primeiros passos do fascismo.

Uma explicação para o fato: As elites controlam
a riqueza privada. Com a privatização, as mesmas elites ganham controle também sobre o que, antes da privatização, era riqueza pública. A privatização, além do mais, dá a políticos corruptos (representantes da elite corrupta e corrompedora) uma oportunidade para reaver, em benefício próprio e dos que os apadrinham, o que pagam de impostos [as elites sempre odeiam impostos; haja vista a campanha anti-impostos que vivem a fazer, notadamente pelos veículos da imprensa-empresa (privada), com certeza, pelo menos, no Brasil-2014 (NTs)]; a privatização assegura meios para comprar, diretamente, patrimônio público. Não é surpresa, pois, que todos os governos fascistas tenham sido ativos privateiros. "


Os conservadores apoiam a privatização de escolas, universidades, prisões, hospitais e outros serviços sociais. A mania de privatizar cresce muito, sobretudo, na educação superior, com conservadores no Congresso dos EUA [e, no Brasil, até os juízes da Suprema Corte são donos de universidades privadas [1]] dedicados a aprovar medidas para aumentar a porcentagem de universidades e escolas superiores cujos proprietários são empresas, vale dizer, organizações orientadas para o lucro, e reduzir a porcentagem de universidades e escolas públicas.

Obama e o secretismo dos ataques com aviões não tripulados

Obama e o secretismo dos ataques com aviões não tripulados
por Amy Goodman
 




"Enquanto os media estado-unidenses centram toda a atenção na possibilidade de que nos próximos anos a Amazon.com utilize pequenos aviões não tripulados para enviar as encomendas de Natal, é importante refletir seriamente acerca do que estes robots aéreos estão fazendo atualmente. O correspondente de DemocracyNow! Jeremy Scahill vem há anos denunciando as guerras encobertas dos Estados Unidos. Fê-lo recentemente no seu livro e documentário denominado “Dirty Wars” (Guerras sujas). O filme acaba de ser nomeado para um prémio Óscar ao melhor documentário do ano. Após a nomeação, Scahill disse-nos: “Esperamos que, através do documentário, as pessoas prestem atenção a estas histórias, que os estado-unidenses conheçam, por exemplo, o que sucedeu aos residentes de uma localidade beduína em al-Majalah, Iémen, onde mais de trinta mulheres e crianças morreram num ataque com um míssil de cruzeiro estado-unidense que a Casa Branca tentou encobrir. Ou que fiquem a saber das pessoas que morrem em ataques nocturnos no Afeganistão ou em ataques com aviões não tripulados no Iémen e Paquistão”."

  
Há duas semanas muitas pessoas morreram num novo ataque violento. Desta vez não se tratou da acção de um homem armado nem de um estudante que levou a cabo um tiroteio numa escola. As vítimas foram um grupo de famílias que se dirigiam a um casamento na localidade de Radda.