Pesquisa Mafarrico

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quarta-feira, 24 de junho de 2015

EUA: Um país onde não mais existem os valores positivos e sentimentos humanos mais básicos.

Quando nos Estados Unidos – “Não consigo escrever!”
por [*] Andre Vltchek – Counterpunch

Fonte e Tradução de mberublue


"estive envolvido em negociações, estava ajudando um pleno momento de criação de conceitos: de como não pode existir paz se não houver justiça, que sem igualdade social a justiça se torna impossível e que não se pode conseguir atingir o progresso em nenhum lugar do planeta sem confrontar e lutar contra o fascismo e o imperialismo ocidental."

"Os cidadãos do Império(EUA) aspiram ser descritas como se fossem eles mesmos as “vítimas”. Será que não acontecia o mesmo na Alemanha Nazista em 1930? Muito provavelmente sim! “a Alemanha derrotada foi castigada com a hiper inflação, teve que pagar reparações, por consequência, era a vítima!” Sentia-se vítima dos Bolcheviques, dos Judeus, dos Franceses, de Roma... Os Estados Unidos, embora não derrotados externamente, foram derrotados internamente. São duas coisas completamente diferentes. Mesmo assim, há similaridades, especialmente na maneira com que o Império trata as “não pessoas”."

"quase todos os habitantes dos Estados Unidos e da Europa desejam que a exploração e o estupro do resto do mundo continue como está!"

Em Los Angeles, no Museu de Arte Contemporânea (Museum of Contemporary Art – MOCA), uma gigantesca bandeira de cores sangrentas ondulava em um vento artificial criado por enormes hélices.


Não havia espectadores para a mostra. Por um instante, pensei que estava sozinho naquele espaço todo. Mas em seguida percebi dois vultos vestidos com roupas negras, movendo-se bem devagar na penumbra, grudados aparentemente em desespero às paredes. Curvados, eles passaram pela livraria, perto de um lugar onde alguém tinha colocado um pequeno cartaz na parede, onde se lia: “Eu não consigo respirar!”

Provavelmente se tratava de uma performance, uma espécie de protesto desesperado de um homem e uma mulher contra aquela bandeira gigantesca que a tudo devora.

Brasil : Centrais sindicais apoiam o ataque do governo às aposentadorias dos trabalhadores

Centrais sindicais apoiam o ataque do governo às aposentadorias dos trabalhadores
por JULIO CESAR DE CASTRO

"Sob a falsa alegação de combate ao déficit público, Dilma/PT segue promovendo a chamada “reforma da previdência”. Em conluio com o governo, as pelegas centrais sindicais defendem a fórmula 85/95 – agora piorada com a progressividade desta fórmula, que, além de manter o famigerado “Fator Previdenciário” como redutor de “benefícios”, impõe a conjugação dos dois fatores (idade elevada mais tempo de contribuição) para dificultar, e até mesmo impedir, o trabalhador de se aposentar. E as centrais sindicais estão aí encenando “brigar” contra o fator previdenciário, mas, na realidade, fazem diversionismo (segundo o dicionário Houaiss, “diversionismo” é, entre outras coisas, um estratagema usado para impedir que se discuta algo, ocupando todo o tempo ou desviando-se a atenção dos participantes para assunto diferente do que está sendo tratado)."

As centrais sindicais, tentáculos parasitários do Estado, se reúnem frequentemente no Palácio do Planalto com a “presidenta” e ministros do governo para tramar contra os direitos dos trabalhadores. Agora, a jogada dessa canalha, governo & pelegada, é impor mais restrições na via-crúcis de direitos dos assalariados à aposentadoria.

Os pelegos chapa-branca não repelem os ataques que esse governo tem feito aos trabalhadores e trabalhadoras, como o arrocho salarial, o salário mínimo de fome, e agora aceitam passivamente a redução do valor e a restrição ao acesso a pensões por morte, auxílio doença, seguro-desemprego, abono salarial etc. Ao contrário, reúnem-se a portas fechadas, como na segunda-feira passada, dia 15/6, com os ministros do governo anti-operário de FMI/Dilma, Nelson Barbosa (Planejamento), Miguel Rossetto (Secretaria Geral), Carlos Gabas (Previdência) e Ricardo Berzoini (Comunicações), com o plano vil de defender a miserável fórmula 85/95, que impõe restrição de contagem de tempo de contribuição previdenciária, somada a idade para o trabalhador se aposentar.

O pelegão governista Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Traidores, chegou a afirmar: – “Para nós, a fórmula 85/95 é o que há de mais importante na agenda da classe trabalhadora hoje. É essencial que Dilma sancione essa fórmula”. Ao que é secundado por outro pelego governista, o presidente da Farsa Sindical Miguel Torres, em entrevista ao monopólio de imprensa, logo após o convescote com os ministros: – “Se a presidente Dilma vetar (a fórmula), vamos ao Congresso pedir a derrubada do veto”.

Sobre exigir a volta do acesso à aposentadoria baseada no tempo de serviço, com integralidade e paridade, essas centrais pelegas não dão um pio. Também não se manifestam sobre as régias aposentadorias dos deputados aos 8 anos de mandato, as pensões vitalícias de ex-presidentes da República com apenas 4 anos de mandato, sobre os bilhões de reais torrados nas lesivas obras do PAC e da farra da FIFA, sobre os bilhões de reais amealhados pelos banqueiros etc. Ficam é fazendo diversionismo, como se a fórmula 85/95 não significasse também mais subtração de direitos e se não fosse intenção do governo adotá-la.

Conclusão: nesta quinta-feira, dia 18/6, diante da “amistosa” manifestação das centrais sindicais pelegas para que o governo Dilma sancionasse a espúria proposta da fórmula 85/95, a“companheira” do peleguismo e gerente amestrada dócil ao FMI sangra mais as costas dos trabalhadores, ao baixar a Medida Provisória 676, impondo mais sacrifícios para a aposentadoria, visando tomar dos aposentados 50 bilhões de reais até 2026. Nas fórmulas, tempo de contribuição + idade, mulher e homem, respectivamente: 1) Em janeiro de 2017 – 86/96; 2) Em janeiro de 2019 – 87/97; 3) Em janeiro de 2020 – 88/98; 4) Em janeiro de 2021 – 89/99; Em janeiro de 2022 – 90/100.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Conspirações

Conspirações
por Jorge Cadima

"A aliança EUA-Israel-Arábia Saudita une os principais padrinhos do terrorismo e da guerra no plano regional e mundial, todos mestres na mentira e na dissimulação sem princípios. E torna mais do que legítima a pergunta: o que se passou realmente em Nova Iorque, no dia 11 de Setembro de 2001?"

Não se trata de 'teoria da conspiração', mas de conspiração confirmada e documentada. O grupo norte-americano Judicial Watch publicou em Maio documentos oficiais dos ministérios dos Estrangeiros e Defesa dos EUA, obtidos após processo judicial. 

O jornalista Seumas Milne (Guardian, 3.6.15) refere «um relatório secreto dos serviços de informações dos EUA, escrito em Agosto de 2012, que estranhamente prevê – e na prática saúda – a possibilidade dum 'principado Salafita' no Leste da Síria e dum Estado Islâmico controlado pela al-Qaeda na Síria e Iraque. Em flagrante contraste com as alegações ocidentais de então, o documento da Defense Intelligence Agency identifica a al-Qaeda no Iraque (que se viria a tornar no ISIS) e os seus correligionários Salafitas como 'as principais forças que dinamizam a insurreição na Síria' e declara que 'os países ocidentais, os estados do Golfo e a Turquia' apoiam os esforços da oposição para controlar o Leste da Síria». 

Diz o relatório: «a possibilidade de estabelecimento dum principado Salafita declarado ou não» é «precisamente aquilo que as potências que apoiam a oposição desejam, de forma a isolar o regime sírio».

A confissão de que o súbito aparecimento e surpreendentes êxitos do 'Estado Islâmico' são «precisamente aquilo que as potências que apoiam a oposição [síria] desejam» não surpreende. Pelo contrário, ajuda a explicar muita coisa. O ISIS serve de pretexto para o regresso de tropas dos EUA ao Iraque (NYTimes, 11.6.15). 'Justifica' bombardeamentos e acções de tropas especiais dos EUA em território sírio (NYTimes 16.5.15), à revelia do seu governo. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Testamento de Ho Chi Minh

Testamento de Ho Chi Minh


"O grande dirigente revolucionário faleceu antes de a vitória estar inteiramente alcançada. Mas a história confirmou a sua inabalável confiança em que ela chegaria. Nos dias de hoje, em que a ofensiva imperialista avança em todos os continentes, a heroica lição do povo vietnamita é mais actual que nunca. Mesmo um pequeno povo, se unido e dotado de uma firme direção revolucionária, pode não apenas afrontar a maior potência imperialista como pode também derrotá-la. "

10 de Maio de 1969 República Democrática do Vietnam

Independência - Liberdade - Felicidade Ainda que a luta de nosso povo contra a agressão dos Estados Unidos pela salvação nacional deva passar por mais dificuldades e sacrifícios, estamos decididos a conquistar a vitória total. Isso é certo.

Pretendo, assim que isso se resolva, viajar tanto ao Norte quanto ao Sul para felicitar os nossos heróicos camponeses, quadros militares e combatentes, assim como visitar os anciãos e as nossas amadas crianças e jovens.

Assim, em nome de nosso povo, irei aos países irmãos do campo socialista e aos países amigos de todo o mundo para agradecer o seu apoio de coração e a ajuda que deram à luta patriótica de nosso povo contra a agressão dos Estados Unidos.

Tu Fu, o famoso poeta do período Tang na China escreveu:

"Em todas as épocas, poucos são os que alcançam setenta anos de idade".

Esse ano, levando em consideração que tenho setenta e nove, posso considerar-me entre esses "poucos". Ainda assim, a minha mente conserva-se perfeitamente lúcida, ainda que a minha saúde se tenha debilitado um pouco em comparação aos últimos anos. Quando alguém vivencia mais de setenta primaveras, a saúde deteriora-se com a idade. Não pode considerar-se Isso uma maravilha.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Comunistas mexicanos: regressar ao futuro

Comunistas mexicanos: regressar ao futuro*
por Aníbal Santiago

"reportagem de uma revista mexicana sobre o PCM. O seu interesse é duplo. Por um lado, dá uma ideia da vida e da corajosa acção de um partido que, actuando numa sociedade profundamente desigual em que o poder da classe dominante reprime com a mais bárbara violência – e que tem sofrido o assassínio de dirigentes e militantes – defende com firmeza princípios e objectivos. Por outro, ajuda a compreender como a força de um partido resulta, mais do que do número de militantes que tenha, da coerência, da convicção e da determinação com que assuma a defesa dos trabalhadores e do povo e lhes aponte um caminho de esperança e de luta."
Fiéis, disciplinados, reúnem-se com regularidade para discutir sobre os avanços do seu trabalho político e a realidade mexicana. Estes comunistas, contra o que se poderia imaginar, não são uns velhotes nostálgicos, presos na história, mas sim homens e mulheres jovens e alguns adultos que procuram um país sem pobreza, livre, com menos desigualdades.

Estudantes, trabalhadores, acadêmicos de todo o país chegam ao distrito federal para dar impulso a um futuro que têm a certeza deverá assentar nas teorias de Lenine e Marx, não numa democracia que «é apenas ilusão».

Não renegam a violência revolucionária, mas também não andam na rua com molotovs na mão. Se acontecer, dizem eles, será porque é necessário.

Militar no Partido Comunista do México, afirmam os seus dirigentes, é uma viagem ao futuro não isenta de riscos: cinco dos seus militantes foram assassinados nos últimos 20 meses. São os comunistas do Século XXI no México.

‘Educação pública não pode seguir tolhida pela agenda do capital, dos governos e das igrejas’

‘Educação pública não pode seguir tolhida pela agenda do capital, dos governos e das igrejas’
por GABRIEL BRITO E VALÉRIA NADER, 
DA REDAÇÃO DO CORREIO DA CIDADANIA (fonte)

"Sem uma visão estratégica mais ampla sobre a necessidade de o MEC apoiar as suas universidades de modo efetivo, redimensionando os recursos de custeio e capital, e de buscar formas para fortalecer o padrão unitário de qualidade na educação básica, ficaremos estagnados na agenda educacional destrutiva que está em curso no país. Entregar a educação aos setores dominantes e às corporações comprometerá toda uma geração de jovens, um desastre."

"São lutas com forte participação de jovens trabalhadores e isso tem acentuado características importantes, como a crítica ao sindicalismo mais acomodado, ou mesmo burocratizado. Reivindicam participação mais direta da base, o que os torna movimentos mais impetuosos. No entanto, o grosso da pauta da educação brasileira não pode estar dirigida aos municípios e estados, ainda cruciais, mas sem poder de alterar a ordem de grandeza das verbas públicas para 10% do PIB, exclusivamente para a educação pública.

Essa agenda geral é decisiva. Ao mesmo tempo, é preciso ampliar os debates sobre o sentido da educação para o socialismo e no socialismo a que nos instou Florestan Fernandes. A educação pública não pode seguir tolhida pela agenda particularista do capital, dos governos e das igrejas."

Num ano tão marcado por derrotas das pautas progressistas, com fortíssimo avanço conservador em todas as frentes, uma notícia foi contra a maré: a eleição da Chapa 20, organizada pela esquerda anticapitalista, para a reitoria da UFRJ, que a partir de julho será exercida por Roberto Leher, professor da Faculdade de Educação. 

“É importante assinalar que a vitória foi impulsionada por inédita mobilização estudantil, que imprimiu um ambiente crítico, luminoso e criativo ao processo eleitoral. O protagonismo docente, vibrante, e dos técnico-administrativos, igualmente luminoso e vibrante, substantivou o debate sobre autonomia, a produção do conhecimento novo, as relações de poder capazes de engendrar outra perspectiva de democracia. Debatemos muito a função social da universidade pública no capitalismo dependente e o sentido da produção do conhecimento”, disse, em entrevista ao Correio da Cidadania.

terça-feira, 16 de junho de 2015

O que trás a visita a Belgrado de Angela Merkel?

O que trás a visita a Belgrado de Angela Merkel?
por Dragomir Vučićević*


Angela Merkel irá em breve visitar a Sérvia. Seria na verdade muito difícil explicar que essa visita oficial ao país e à nação que sofreu tão terrivelmente sob a ocupação da soldadesca hitleriana, num ano de numerosas datas comemorativas, passasse sem a devida homenagem ao 70º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo, sem tributo a milhões de vítimas, e sem pedido de desculpas público à nação sérvia.

Embora a data exacta da visita à Sérvia da chanceler alemã Angela Merkel ainda não seja conhecida, espera-se que ela se realize em breve. Existem poucas dúvidas acerca da grande importância que esta visita terá, tanto para o desenvolvimento futuro das relações bilaterais entre os dois países como para as relações entre a Sérvia e a EU, frequentemente referidas como a agenda europeia da Sérvia. 

Não menos presentes estarão também pontos relativos ao conjunto dos desenvolvimentos actuais na região. Ao mesmo tempo que a crise grega persiste, a região vê emergir uma nova crise – desta vez na Macedónia. Para além disto, o extremismo político, o crime organizado internacional e o terrorismo recrudescem. A rota do tráfico de heroína atravessa a Macedónia e partes da Sérvia para acabar nas ruas da Europa Ocidental. A mesma rota é também um importante corredor para o trânsito de dezenas de milhares de refugiados oriundos do Próximo Oriente, do Médio Oriente e do Norte de África, incluindo os pretensos exilados políticos. Encenações com símbolos e cânticos em louvor da dita Grande Albânia aumentam de frequência em diversas ocasiões no Kosovo e Metohija, Albânia e Macedónia e, em ligeiramente menor número, na Grécia e Montenegro.

Quer nos pronunciemos em voz alta quer mantenhamos o silêncio, ou minimizemos as questões anteriormente referidas ou outras da mesma ordem, é aparente que a região mergulhou num período de séria turbulência, senão de desestabilização pura e simples.

As interrogações são óbvias: em que medida são estes acontecimentos espontâneos, ou estão a ser orquestrados; em que medida são consequência de uma aguda e profunda crise socioeconómica, ou do desemprego massivo e da desorientação dos jovens, e em que medida são o resultado de manipulação por parte de potências exteriores à região; porque não foram activados os mecanismos de acção preventiva; quais são as consequências possíveis; em caso de escalada e, possivelmente, de um ainda mais grave desenvolvimento da situação, como prevenir o seu alastramento ou efeito de dominó, uma vez que a situação dificilmente poderia ser controlada ou contida apenas nos limites desta região?

segunda-feira, 15 de junho de 2015

50 países costuram tratado ainda mais antidemocrático e neoliberal que o TTIP

O TiSA obrigará os governos que o assinem a promover e ampliar a desregulação e liberalização especulativa.
Carlos Henrique Bayo, diretor de Publico.es

"Além disso, o TiSA é impulsado pelos mesmos governos (EUA e os da UE) que impuseram o fracassado modelo financeiro desregulado da Organização Mundial de Comércio (OMC), e que provocaram a crise financeira global de 2007-2008 (o crash do cassino especulativo mundial simbolizado pela quebra do banco Lehman Brothers), que arrastrou as economias ocidentais e pela qual ainda estamos pagando após quase uma década inteira de austeridade empobrecedora, cortes de gastos sociais e resgates bancários. E o que este pacto neoliberal mundial tenta impor precisamente é a continuidade e intensificação desse sistema, em benefício das grandes companhias privadas transnacionais e atando as mãos dos governos e instituições públicas.

Esses objetivos são evidentes na intenção de manter o tratado secreto durante anos, visto que, assim, impede que os governos que o executam tenham que prestar contas diante de seus parlamentos e cidadãos. Também é clara a intenção fraudulenta dessa negociação clandestina por sua descarada violação da Convenção de Viena sobre a Lei de Tratados, que requer trabalhos preparatórios e debates prévios entre especialistas e acadêmicos, agências não governamentais, partidos políticos e outros atores… uma série de obrigações impossíveis de serem cumpridas quando a elaboração de um acordo se efetua sob segredo total e escondido da opinião pública."
O Wikileaks vazou o conteúdo das negociações clandestinas de meia centena de governos que buscam estabelecer um acordo mundial secreto de comércio internacional de serviços, que passará por cima de todas as regulações e normativas estatais e parlamentárias, em benefício das corporações.

O sigiloso tratado de libre comércio TTIP, entre os Estados Unidos e a União Europeia parecia imbatível, uma espécie de Cavalo de Troia das multinacionais, mas a verdade é que serve apenas de cortina de fumaça para ocultar a verdadeira aliança neoliberal planetária: o Trade in Services Agreement (TiSA), um acordo ainda mais antidemocrático de intercâmbio de serviços entre cinquenta países, incluindo a Espanha, que não só está sendo negociado sob o mais absoluto segredo senão que deverá continuar escondido da opinião pública durante mais cinco anos, quando já tenha entrado em vigor e esteja condicionando 68,2% do comércio mundial de serviços.

Brasil : O pelego vermelho

O pelego vermelho
por Afonso Costa

"Hoje, passados tantos anos, o que vemos? Mais de dois mil sindicatos filiados à CUT, outros mais à CTB, a maioria com dirigentes encastelados em suas direções há décadas, mudando de cargos em uma mesma entidade ou de uma para outra, vários candidatos a mandatos partidários – notadamente dos partidos governistas -, há muitos e muitos anos sem trabalhar, não somente afastados das bases, mas sem conhecer, inclusive, o método de produção de suas categorias, alterados pela introdução de novas tecnologias."

"Aqueles que compõem as diretorias dessas entidades, aí inclusas federações e confederações, não têm formação política, viés ideológico, de classe. São burocratas chapa branca, identificados com o governo federal, aliados e integrantes da sua base de sustentação, não têm qualquer compromisso, nem mesmo verbal, com qualquer transformação social em prol dos trabalhadores, do socialismo. São a aristocracia operária, braço sindical da burguesia, cuja tarefa principal é atuar como ‘bombeiros da luta de classes’. Eles a cumprem fielmente."

Nos anos 70, com a retomada em maior escala da luta contra a ditadura militar-empresarial no campo político, começam a surgir lideranças sindicais realmente representativas dos trabalhadores, algumas compostas por participantes das organizações clandestinas de esquerda. Seus adversários eram os pelegos, os interventores, seus sucessores e antigas lideranças, indicados e protegidos do autoritarismo.

Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo desde 1965, era o principal ícone desse período, do sindicalismo atrasado, pelego, acusado de vender greves e fazer o jogo dos patrões.

Joaquinzão presidiu o maior sindicato da América Latina de 1965 a 1987. Apesar de todos os erros que marcaram sua trajetória, três momentos de sua atuação merecem ser lembrados: o protesto contra o assassinato do operário Manoel Fiel Filho nos porões da ditadura, em 1976, a ação judicial, também durante a ditadura, reivindicando perdas salariais e a greve pela redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, consubstanciada na Constituição de 1988.

domingo, 14 de junho de 2015

Negros e latinos: a lógica racista do imperialismo

Negros e latinos: a lógica racista do imperialismo
por Norberto Emmerich e Edgard Valenzuela/Resumen Latinoamericano/Rebelión


"O racismo sempre existente, ainda que oculto atrás de um véu de democracia, direitos humanos e eleições, reaparece com virulência em momentos em que na crise americana se forma e se vislumbra um novo crescimento. As tensões raciais crescem como se voltássemos aos anos 60, porque o acesso às migalhas da renda crescente se fará sob os parâmetros étnicos classicamente imperialistas: homens, anglo-saxões e brancos. O racismo americano, construído e assentado em vários séculos de aculturação sistemática, não é um sentimento espontâneo. É estruturado e alentado a partir das próprias elites dirigentes. Quando a base trabalhadora americana culpa os imigrantes latinos (sobretudo mexicanos) e as comunidades negras pelo descenso de seu nível de vida, eleva a uma consideração simplesmente intelectual e acadêmica a fúria contra os verdadeiros culpados do desastre financeiro-econômico: a cúpula empresarial de Wall Street e a dirigência política de Washington."

Há poucas semanas aconteceram nos Estados Unidos os maiores protestos de corte racial desde o final do movimento pelos direitos civis, há pouco mais de meio século. O detonante foi uma serie de abusos policiais cometidos contra membros da comunidade negra que ficaram impunes pela absolvição dos policiais, apesar de terem assassinado homens desarmados. Trata-se de um mero abuso de autoridade ou estamos assistindo outra demonstração do racismo próprio dos Estados Unidos? Caso seja assim, por que ocorre precisamente agora que a economia americana cresce?

O império é uma questão de estômago

Para Immanuel Wallerstein, o racismo atual é resultado de uma estratégia de cooptação da classe trabalhadora praticada pelas elites europeias em meados do século XIX. Tentando elaborar um mecanismo de contenção efetiva as cada vez mais militantes e numerosas classes trabalhadoras de seus próprios países, as burguesias imperialistas outorgaram alguns direitos políticos e algumas melhorias econômicas, ao mesmo tempo em que estas condições eram negadas ao resto do mundo. É a explicação que Lenin coloca na boca do magnata inglês Cecil Rhodes, em seu texto sobre o imperialismo: 

Milicianos palestinos lutam contra terrorismo na Síria

Milicianos palestinos lutam contra terrorismo na Síria

"Ontem confirmou-se a presença aqui do general Qassem Suleimani, comandante da legião al-Quds, da Guarda Republicana do Irã, e de um contingente militar de mais de 20 mil combatentes iranianos, iraquianos e da milícia libanesa Hezbollah, que já estão nas linhas de concentração do exército sírio, a seis quilômetros da cidade de Yisr al Shougur.

Fontes consultadas pela Prensa Latina indicaram que a presença dos uniformizados procedentes da Palestina, Iraque, Irã e Líbano, responde a uma estratégia de cooperação militar coordenada para conter o avanço dos grupos terroristas liderados pelo grupo Estado Islâmico (EI) e pela Frente al-Nusra, braço armado da Al-Qaeda na Síria."

A brigada Galilea, integrada por 4.800 mil combatentes palestinos está organizada hoje para se incorporar à luta contra os grupos terroristas na Síria, junto ao exército deste país árabe.

Segundo a página digital Al-Manar, os milicianos palestinos completaram um treinamento militar intensivo e preparam-se para enfrentar os grupos armados na zona montanhosa de Qalamoun, ao noroeste.

O comandante da brigada, Fadi Malah, afirmou que os palestinos se identificam com a resistência síria, libanesa e palestina, e destacou o tradicional apoio prestado por Damasco à causa de seu país, ocupado ilegalmente por Israel.

De acordo com Malah, esta solidariedade permanente da Síria com a Palestina é a principal razão do ataque imperialista ao país levantino.

Recordou também que o ex-presidente sírio Hafez al-Assad não vacilou em enviar batalhões armados para proteger a Resistência Palestina na década de 1970, durante os acontecimentos do chamado Setembro Negro, ocorridos na Jordânia.

Reafirmou também que agora é seu dever e uma alta honra defender o povo sírio ante esta agressão terrorista.

Ontem confirmou-se a presença aqui do general Qassem Suleimani, comandante da legião al-Quds, da Guarda Republicana do Irã, e de um contingente militar de mais de 20 mil combatentes iranianos, iraquianos e da milícia libanesa Hezbollah, que já estão nas linhas de concentração do exército sírio, a seis quilômetros da cidade de Yisr al Shougur.

Fontes consultadas pela Prensa Latina indicaram que a presença dos uniformizados procedentes da Palestina, Iraque, Irã e Líbano, responde a uma estratégia de cooperação militar coordenada para conter o avanço dos grupos terroristas liderados pelo grupo Estado Islâmico (EI) e pela Frente al-Nusra, braço armado da Al-Qaeda na Síria.

Durante sua recente visita à província de Hama, Suleimani adiantou a respeito de preparativos que, segundo suas palavras, "surpreenderão os inimigos da Síria".

sábado, 13 de junho de 2015

Os ucranianos já foram espoliados. Os norte–americanos serão os próximos.


"Yatsenyuk, ou “Yats”


Os ucranianos já foram espoliados. Os norte–americanos serão os próximos.
[*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy
Ukrainians Dispossessed, Americans are next
Tradução mberublue


"Yatsenyuk, ou “Yats”, como Nuland prefere chamá-lo, é o fantoche de Washington que o Departamento de Estado selecionou para tocar o governo de marionetes estabelecido por Washington em Kiev. Yats age como um republicano de extrema direita quando se refere a pensões, compensações e serviços sociais como se fossem meros “privilégios”. Tem uma visão similar à dos republicanos nos Estados Unidos em relação ao seguro social ou serviços médicos prestados pelo Estado, pagos pelos impostos sobre os salários, ou seja, pagos pelos trabalhadores ativos dos Estados Unidos."
"Karl Marx estava correto ao dizer que o dinheiro a tudo corrompe. Tudo se tornou uma espécie de commodity que pode ser comprada e vendida por dinheiro.


A partir do momento que o dinheiro é a medida mais importante de uma pessoa, a população inteira está corrompida. Pois esta é a situação no mundo ocidental."
Os ucranianos estiveram nos últimos 15 meses a pagar para Washington pela derrubada de seu governo democraticamente eleito em mortes, desmembramento de seu país e derrocada econômica, além da deterioração de seu relacionamento com a Rússia que, para a Ucrânia foi traduzida, na prática, com a perda de sua energia subsidiada. Agora os ucranianos estão perdendo suas pensões e ajuda social. Pateticamente, a população ucraniana marcha de cabeça baixa para o cemitério.


A Agência de Notícias TASS publicou reportagem em 1/6/2015 dando conta de que a Ucrânia interrompera o pagamento de pensões em geral, assim como aos veteranos da Segunda Guerra Mundial, pessoas com deficiências e vítimas de Chernobyl. De acordo com a reportagem, Kiev

(...) eliminou ainda gastos com transportes, serviços de saúde, serviços públicos e benefícios financeiros para antigos prisioneiros dos campos de concentração nazistas, bem como não mais honrará as ordens de pagamentos e títulos remanescentes da era soviética. As compensações em dinheiro para a s famílias com filhos vivendo nas áreas contaminadas pela radiação emanada do acidente com a usina de Chernobyl também deixarão de ser pagas. A oposição no parlamento ucraniano acredita que a Procuradoria Geral abrirá processo contra o Primeiro Ministro Arseniy Yatsenyuk, que foi quem trabalhou ativamente para a promulgação da lei de abolição desses “privilégios”.

O que se observa claramente é que puxaram o tapete dos idosos e desvalidos na Ucrânia. “Comedores inúteis”, eles foram classificados como lixo e para a lata de lixo destinados. Como devem se sentir agora os estudantes enganados da Praça Maidan, vendo que são culpados pela destruição do sistema de apoio aos seus próprios avós, por terem apoiado a revolução orquestrada por Washington na Praça Maidan? O crime que esses estudantes estúpidos cometeram com sua cumplicidade idiota é terrível.

Yatsenyuk, ou “Yats”, como Nuland prefere chamá-lo, é o fantoche de Washington que o Departamento de Estado selecionou para tocar o governo de marionetes estabelecido por Washington em Kiev. Yats age como um republicano de extrema direita quando se refere a pensões, compensações e serviços sociais como se fossem meros “privilégios”. Tem uma visão similar à dos republicanos nos Estados Unidos em relação ao seguro social ou serviços médicos prestados pelo Estado, pagos pelos impostos sobre os salários, ou seja, pagos pelos trabalhadores ativos dos Estados Unidos.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

As causas profundas da crise hídrica. A luta ambiental é uma luta anticapitalista

As causas profundas da crise hídrica. A luta ambiental é uma luta anticapitalista

"A luta pela sustentabilidade ambiental passa pela luta de classes, rumo à extinção da exploração do trabalho e ao usufruto dos recursos naturais pelos produtores diretos. Os territórios onde estão as riquezas ambientais como as águas de superfície e subterrâneas, os minérios, as florestas e sua biodiversidade são recursos coletivos, propriedades públicas, que devem ser utilizados com vistas à manutenção da vida e não para favorecer a propriedade privada, o capital e a mercantilização. É urgente a luta pelo fim do latifúndio capitalista, por moradia digna sem ocupação desordenada do solo nas cidades, adoção de novas tecnologias agrícolas e industriais para redução do uso de água e geração de energia a partir de fontes renováveis. A luta ambiental é, portanto, uma luta anticapitalista."

A água doce representa apenas 3% do total de água na Terra. O uso intensivo deste recurso pode impedir sua renovação, pois apenas 1/3 desta água é acessível, a partir de rios, lagos, lençóis subterrâneos próximos à superfície e atmosfera. Sua manutenção depende da preservação da cobertura vegetal no seu entorno, o que, além de evitar a erosão das margens, gera parte da evaporação necessária para a formação da chuva, somando-se à umidade que vem da Amazônia para outras regiões, por correntes de ar úmido. O Brasil, que tem uma grande reserva de recursos hídricos (73% na Amazônia) e bom volume de chuvas, apresenta, hoje, um quadro de crise: em São Paulo, o maior reservatório esteve quase seco por meses. Houve queda na geração de hidroeletricidade, obrigando o sistema a acionar usinas termoelétricas, mais poluentes e mais caras.

Cerca de 80% do consumo de água vem da agricultura e da indústria, sendo os 20% restantes gerados pelo consumo doméstico e outros usos. A elevada taxa de urbanização nos últimos anos e o uso intensivo de água nas grandes plantações e indústrias criam uma enorme pressão sobre o sistema hídrico. A redução das matas nas margens dos rios e lagos e ao longo dos territórios diminui a evaporação e a retenção da água da chuva no solo. A falta de tratamento de efluentes industriais e de acesso ao saneamento básico – que atinge cerca de metade da população brasileira – torna a água de muitas reservas inviável para consumo, como no caso da represa Billings, em São Paulo, e de muitos outros mananciais.

Ainda que se possa utilizar a água disponível de forma mais eficaz, com redução da poluição, tratamento da água para seu reaproveitamento, controle de desperdícios, adoção de tecnologias agrícolas e industriais menos intensivas em água e até com o uso da dessalinização da água do mar (solução cara que não produz muito volume de água potável), a situação tende a se agravar. Este quadro é o resultado do processo de desenvolvimento do capitalismo, que concentra a propriedade da terra no campo, forma grandes empresas industriais e induz à migração para as cidades.

O estímulo à agricultura monocultora de exportação e ao consumismo desenfreado contribuem para o crescimento desordenado da economia sem qualquer planejamento na geração de energia e a ausência de moradia adequada para a população trabalhadora, que evitasse a ocupação de encostas e margens dos rios. A isso se soma o uso de largas extensões de terra na Amazônia para extração de madeira e criação extensiva de gado. Agronegócio e pecuaristas obtiveram vantagens no código florestal, como a permissão para o plantio em encostas e a redução de matas ciliares, entre outras.

A União Bancária: mais uma falácia na UE!

A União Bancária: mais uma falácia na UE!
por Miguel Viegas




"A União Bancária foi lançada em 2014 com a aprovação dos seus três pilares: o Mecanismo Único de Supervisão, o Mecanismo Único de Resolução e o Sistema de Garantia dos Depósitos. A motivação subjacente e assumida publicamente de gerir o problema dos bancos demasiado grandes para falir («too big to fail») é elucidativa sobre a actual fase de desenvolvimento do capitalismo. Os meios postos em prática através de uma regulamentação altamente pesada e complexa não consegue disfarçar o óbvio. Com efeito, basta uma análise superficial para desmontar mais uma colossal manobra de propaganda com dois objectivos: branquear as verdadeiras razões que originaram a crise e manter intocáveis os interesses da alta finança, dando a ideia de que se está a fazer alguma coisa."

A par das ditas reformas estruturais e da consolidação das contas públicas, a Comissão Europeia assenta a sua estratégia no relançamento do investimento através do Plano Juncker e da União Bancária. Na lógica liberal saída directamente dos livros de doutrina usados pelos sacerdotes que ensinam economia nas nossas universidades, a Europa sairá da crise com uma poção mágica feita de confiança e capital disponível. Com o Plano Juncker, a União Europeia avança com garantias bancárias para garantir o lucro aos investidores, restaurando assim a bendita «confiança». Com a União Bancária, passa-se uma esponja sobre o passado, mantendo-se no essencial todos os elementos que levaram ao rebentamento da crise financeira de 2007-2008.

A União Bancária foi lançada em 2014 com a aprovação dos seus três pilares: o Mecanismo Único de Supervisão, o Mecanismo Único de Resolução e o Sistema de Garantia dos Depósitos. A motivação subjacente e assumida publicamente de gerir o problema dos bancos demasiado grandes para falir («too big to fail») é elucidativa sobre a actual fase de desenvolvimento do capitalismo. Os meios postos em prática através de uma regulamentação altamente pesada e complexa não consegue disfarçar o óbvio. Com efeito, basta uma análise superficial para desmontar mais uma colossal manobra de propaganda com dois objectivos: branquear as verdadeiras razões que originaram a crise e manter intocáveis os interesses da alta finança, dando a ideia de que se está a fazer alguma coisa.

Muito haveria a dizer sobre estes três pilares da União Bancária, que na prática ainda são dois, na medida em que o terceiro, curiosamente aquele que mais poderia em teoria importar ao cidadão, o sistema de garantia dos depósitos, ainda não mereceu acordo dos países, prevendo-se que fique em banho-maria por algum tempo. Quanto ao mecanismo único de resolução, destinado a evitar que sejam mais uma vez os contribuintes e pagar os desmandos do sistema financeiro, basta dizer que o fundo de resolução, a ser criado de forma progressiva num espaço de oito anos, atingirá a soma de 55 mil milhões de euros, representando assim uma parte irrisória do que foi gasto no passado recente. (1)

Por outro lado e como era de esperar, esta reforma claudica em matérias fulcrais como seja a separação bancária e passa completamente ao lado de aspectos tão importantes como os «bancos sombra» (“Shadow banking system”), expressão feliz que encobre um mundo de trafulhices que continuam perfeitamente imunes à supervisão. A separação completa dos bancos de depósitos e de investimento foi apontada como essencial no relatório Liikanen (2012). Esta separação, destinada a evitar que a banca especulasse por sua conta e risco com o dinheiro dos depositantes foi completamente subvertida e transformada em mais uma gigantesca farsa destinada a ludibriar mais uma vez a opinião pública. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Iêmen

Iêmen
por Albano Nunes

"Perante a resistência dos trabalhadores e dos povos e a braços com o aprofundamento da sua crise estrutural, os sectores mais reaccionários e agressivos do capitalismo jogam cada vez mais abertamente no fascismo e na guerra como «saída» para as suas contradições. Conduzidas pelos EUA, a UE e a NATO multiplicam-se guerras de agressão que, como na Síria, estão a provocar sofrimentos sem conta e a destruir países de cujas riquezas o grande capital transnacional quer apoderar-se, como acontece no Médio Oriente onde se encontram as maiores reservas mundiais de petróleo de que, ao serviço do imperialismo, a Arábia Saudita é um dos principais guardiões."
"O que se passa no Iémen integra-se num processo de subversão generalizado em que o imperialismo explora sobrevivências tribais e feudais, atiça conflitos étnicos e religiosos, generaliza a corrupção e os tráficos criminosos, fomenta e instrumentaliza o terrorismo, o grande álibi da sua estratégia agressiva. Nunca devemos esquecer que a Al Qaeda, que a agressão da Arábia Saudita estaria a fortalecer no Iémen, foi uma criação dos EUA alimentada pela repugnante élite saudita. "

«Depois da luta armada contra os colonialistas, sob a direcção do nosso partido, a nossa independência foi conquistada em 1967, depois de 129 anos de colonialismo. Herdamos uma pesada herança dos colonialistas. Em 1969 entramos numa nova fase, depois da tomada do poder pela ala progressista da Frente Nacional. Obtivemos desde então muitos êxitos no campo econômico, político e social, com muitos sacrifícios do nosso povo, graças à ajuda fraternal dos países socialistas e principalmente da União Soviética».Estas são palavras do representante da Organização Política Unida – Frente Nacional do Iêmen na tribuna do VIII Congresso do PCP em 1976. 

A Revolução de Abril suscitava ampla admiração e solidariedade e as relações dos comunistas portugueses e dos revolucionários iémenitas, que entretanto criaram o Partido Socialista Iemenita orientado pelo marxismo-leninismo, tornaram-se muito estreitas. Em 1980 o camarada Álvaro Cunhal, numa viagem histórica ao Médio Oriente visitou a República Popular Democrática do Iémen. Em tempo de avanço revolucionário o PCP acolhia no seu Congresso organizações anti-imperialistas e progressistas de todo o mundo e o Iémen do Sul, protagonista da primeira experiência de orientação socialista do mundo árabe, não podia faltar.

Entretanto, na viragem dos anos 80, o mundo deu um imenso salto atrás. O desaparecimento da URSS e do socialismo como sistema mundial levou à contra-ofensiva do imperialismo visando impor ao mundo uma nova ordem mundial totalitária. 

O Sionismo ataca Universidade Federal de Santa Maria com o método covarde de sempre: acusando e distorcendo os fatos em causa própia

O Sionismo ataca Universidade Federal de Santa Maria com o método covarde de sempre: acusando e distorcendo os fatos em causa própia

"Chamamos a solidariedade de todos com a Universidade e o repúdio a prática vil de combater com covardia, intimidações e mentiras as posições políticas das entidades e das pessoas solidárias à luta do povo palestino contra o genocídio israelense na Palestina ocupada e, por isso, em favor do Boicote ao Estado sionista."
O método não é novidade, já foi denunciado amplamente por alguns corajosos escritores como Norman Finkelstein, em seu famoso livro "A Industria do Holocausto". Onde desmistifica a "indústria da vitimização do grupo étnico mais bem sucedido dos Estados Unidos, o que permite a apropriação de mais verbas e, ao mesmo tempo, articula uma campanha de autopromoção por meio da imagem de vítima". Artimanha que serve ao propósito de isolar as discussões dos Direitos Humanos do povo palestino e de esconder a responsabilidade de Israel no genocídio e na limpeza étnica que faz diariamente na Palestina ocupada desde 1948, com períodos de mais intensidades em Gaza.

Essa campanha de difamação da Universidade mostra o desespero do sionismo com o crescimento da campanha de boicote a Israel no Brasil e no Mundo. 

Chamamos a solidariedade de todos com a Universidade e o repúdio a prática vil de combater com covardia, intimidações e mentiras as posições políticas das entidades e das pessoas solidárias à luta do povo palestino contra o genocídio israelense na Palestina ocupada e, por isso, em favor do Boicote ao Estado sionista.

Brasil - Povos Indígenas : Ameaças, invasões e escárnio: ri-se o Satanás da decisão do juiz Fábio Kaiut

Ameaças, invasões e escárnio: ri-se o Satanás da decisão do juiz Fábio Kaiut 


"Para lideranças de diferentes localidades, as investidas são claras, são uma reação dos ruralistas locais, impulsionadas pelas decisões Judiciais, em represália ao incansável desejo indígena de retomar seus territórios tradicionais sem encontrar fronteiras que os impeçam de fazer as denúncias daquilo que sofrem. Morrem de tiro, de fome, de suicídio, de atropelamentos. Dizem quem são as pessoas que os vêm matando, encaram de frente seus algozes."

Mais uma decisão judicial contraria os direitos dos povos indígenas e sua dignidade. Dessa vez o caso espanta pela decisão de um magistrado frente ao vasto acervo de provas. O juiz Federal Fábio Kaiut Nunes, da 1ª Vara da Justiça Federal de Dourados, e conforme informações oficiais integrante do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª região, negou o direito a danos morais coletivos para comunidades Guarani e Kaiowá comprovadamente atacadas por um ‘Consórcio da Morte’

Foram duas mortes, oito ataques e dezenas de feridos pelas mãos do bando criminoso. O roteiro das ações dessa milícia foi investigado pelas autoridades policiais, acompanhadas pelo Ministério Público Federal (MPF). Mais de 20 pessoas chegaram a ser presas como resultado de quase dois anos de investigação. As consequências da decisão do juiz, porém, foram imediatas: Elizeu Lopes Guarani e Kaiowá recebeu ameaças de pistoleiros, acampamentos foram invadidos e lideranças que estiveram com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal foram procuradas por homens armados.

Para tudo se tornar mais revoltante, o Guayviry, tekoha – lugar onde se é – que desencadeou as investigações que comprovaram o consórcio e desconsideradas pelo juiz, na manhã desta terça-feira, dia 09, foi invadido por indivíduos não identificados. Por volta das 11 horas, uma caminhonete irrompeu abruptamente o espaço do acampamento de Guayviry, chegou até onde ficam as casas das famílias Kaiowá e em manobra arriscada avançou para cima das crianças, quase as atropelando. Demonstra que os assassinos, com vasto acervo de provas dos crimes que cometeram, riem da piada que o Judiciário virou com a postura do juiz Fábio Kaiut Nunes. 

Fé & Negócios : "Os Bispo Pira " enriquecendo em Cristo. As Igrejas arrecadam + de R$- 20 bilhões em um ano.

IGREJAS ARRECADAM R$ 20 BILHÕES NO BRASIL EM UM ANO

"A religião é uma das formas de opressão espiritual que pesa em toda a parte sobre as massas populares, esmagadas pelo seu perpétuo trabalho para outros, pela miséria e pelo isolamento. A impotência das classes exploradas na luta contra os exploradores gera tão inevitavelmente a fé numa vida melhor além-túmulo como a impotência dos selvagens na luta contra a natureza gera a fé em deuses, diabos, milagres etc.  
Àquele que toda a vida trabalha e passa miséria a religião ensina a humildade e a paciência na vida terrena, consolando-o com a esperança da recompensa celeste. E àqueles que vivem do trabalho alheio a religião ensina a beneficência na vida terrena, propondo-lhes uma justificação muito barata para toda a sua existência de exploradores e vendendo-lhes a preço módico bilhetes para a felicidade celestial. A religião é o ópio do povo. A religião é uma espécie de má aguardente espiritual na qual os escravos do capital afogam a sua imagem humana, as suas reivindicações de uma vida minimamente digna do homem." ( Trecho do "O Socialismo e a Religião" V. I. Lenin )

Nestes tempos bicudos ( bicudos para as pessoas do povo, não para essa hierarquia religiosa parasita ), as diversas religiões precisam alardear que " operam milagres" e realizam curas, para ganhar muito dinheiro e enriquecer seus líderes.

sábado, 6 de junho de 2015

Capitalismo, deslocalização da população, glifosato e malformações congênitas

Capitalismo, deslocalização da população, glifosato 1 e malformações congênitas
Cecilia Zamudio

"O terrorismo de Estado na Colômbia causou dezenas de milhares de desaparecimentos forçados , mais de 9.500 presos políticos, e 60% dos sindicalistas assassinados no mundo são assassinados na Colômbia por agentes estatais ou pelas organizações paramilitares. O Estado colombiano eliminou fisicamente um partido político: a União Patriótica, com mais de 5.000 militantes assassinados . A maior vala comum da América Latina foi encontrada atrás do Batalhão Militar, na Macarena, com 2000 cadáveres de desaparecidos pela Força Ómega do Plano Colômbia, Força que tem assessoria norte-americana .."

No sistema capitalista, o terrorismo de Estado é um facto recorrente, que é usado para paralisar as reivindicações sociais e provocar deslocalizações populacionais maciças, em benefício do grande capital.

Na Colômbia, 0 terrorismo de Estado está estreitamente ligado à acumulação capitalista: 40% do território está concessionado a multinacionais mineiras. A estratégia de deslocalização forçada de populações tenta quebrar a resistência popular contra a pilhagem dos recursos naturais, e esvazia sua população das áreas cobiçadas pelas multinacionais. Esta estratégia exerce-se também sob as diretrizes norte-americanas para despovoar o campo, numa tentativa de acabar com a base social da guerrilha. Aquilo a que, no Vietname, os fuzileiros navais chamaram “tirar a água ao peixe”, para implementar as suas macabras ações de aldeias arrasadas.

A organização paramilitar é cofinanciada pelas multinacionais e pelos latifundiários e coordenada a partir do Estado para aterrorizar a população, através de massacres e torturas. Este instrumento paramilitar consolidou-se através de instruções norte- americanas: a missão Yarbourough, de 1962, preconizou a criação de grupos paramilitares, promovidos pelo Estado, cujo objetivo era o de assassinar os comunistas e todos aqueles que reivindiquem justiça social. A doutrina contra-insurgente e o conceito de “inimigo interno” que determinam as ações do exército colombiano inspiram-se nos manuais franceses e norte-americanos, que preconizam a tortura, de forma sistemática, assim como o uso de deslocalização maciça de populações. Os manuais da CIA, como o KUBARK, dão instruções sobre torturas físicas e psicológicas 2.

O terrorismo de Estado na Colômbia causou dezenas de milhares de desaparecimentos forçados 3, mais de 9.500 presos políticos, e 60% dos sindicalistas assassinados no mundo são assassinados na Colômbia por agentes estatais ou pelas organizações paramilitares. O Estado colombiano eliminou fisicamente um partido político: a União Patriótica, com mais de 5.000 militantes assassinados 4. A maior vala comum da América Latina foi encontrada atrás do Batalhão Militar, na Macarena, com 2000 cadáveres de desaparecidos pela Força Ómega do Plano Colômbia, Força que tem assessoria norte-americana 5.

Alguns traços do oportunismo na América

Alguns traços do oportunismo na América


"A experiência veio demonstrar que a luta contra o oportunismo, reformismo e revisionismo é de grande importância ideológica, visto ser um problema de vida ou morte para a existência do partido da classe operária, para a revolução proletária e para a construção do poder operário. Vladimir Illich Lenine insistiu em várias obras que a luta pelo socialismo é incompleta sem a luta contra o oportunismo, e isso foi o traço de identidade dos novos partidos construídos pela Internacional Comunista, como se reflete em vários dos seus documentos, que falam da luta constante e implacável contra os «auxiliares da burguesia», em reconhecer a necessidade de uma ruptura total e absoluta com o reformismo «já que sem isso é impossível uma política comunista consequente» (2), senão a III Internacional acabaria — alertava — por se assemelhar muito à II Internacional."
"Um dos traços distintivos do oportunismo é o ataque à experiência da construção socialista na URSS e outros países, a quem injuria, retomando argumentos do trotskismo e do anticomunismo.

Os oportunistas resumem as suas posições na ausência de condições objetivas para o socialismo, como o fez Kautski na sua época, em supostas tendências antidemocráticas e burocráticas, atacando a planificação da economia e propondo a coexistência de diversos tipos de propriedade, assim como das relações mercantis."

Velhos objetivos de separar a classe operária e os seus partidos comunistas dos fundamentos do marxismo, da luta revolucionária contra o capitalismo, do princípio da ditadura do proletariado, do papel revolucionário da classe operária e o seu partido de vanguarda na revolução socialista e na construção do socialismo-comunismo.

Constitui uma grande lição contra o oportunismo e a degeneração da II Internacional a iniciativa liderada pelos bolcheviques e outros marxistas que se agruparam na esquerda de Zimmerwald os espartaquistas na Alemanha e muitos partidos, tendências e grupos que estariam na base da III Internacional, a Internacional Comunista.

Historicamente, o oportunismo procurou deformar, caluniar, suavizar, domesticar o marxismo, submetendo-o ao ataque direto, tergiversando sobre os clássicos, chegando até à mutilação grosseira dos textos (1) para apresentar versões úteis à política do gradualismo, do parlamentarismo, à coexistência com o capitalismo e abandono da luta pelo poder. O oportunismo levou os partidos da II Internacional a uma posição claudicante e assumiu cumplicidade criminosa com o imperialismo durante a I Guerra Mundial; serviu diretamente como aparelho de repressão do capital contra a revolução alemã e foi responsável pelo assassínio de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.

Brasil : A era da pilhagem

A era da pilhagem
Por Ruy Braga.

"A “Batalha de Curitiba” seria um acontecimento isolado não fosse o fato de que a espoliação dos direitos sociais e trabalhistas a fim de pagar juros e amortizações da dívida pública ter se transformado na principal estratégia social de acumulação do modelo de desenvolvimento brasileiro. Guardadas as devidas diferenças e semelhanças, a mesma lógica financeirizada de acumulação por espoliação norteia os atuais ataques do Governo Federal por meio da aprovação das Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665 contra os direitos previdenciários dos trabalhadores, como o seguro-desemprego e a pensão por morte. Às MPs, soma-se o Projeto de Lei (PL) 4330, em tramitação no senado, cujo sentido consiste em rebaixar o custo da força de trabalho brasileira por meio da degradação do acesso dos trabalhadores aos seus direitos trabalhistas. Ao fim e ao cabo, não parece haver mais dúvida sobre o que se passa no país. Transitamos de um regime de acumulação apoiado predominantemente na exploração do trabalho assalariado barato para um regime de acumulação focado na espoliação dos direitos dos trabalhadores."

Desembarquei em Curitiba na manhã seguinte à brutal repressão promovida pelo governo do tucano Beto Richa aos professores e servidores estaduais que protestavam em frente à Assembléia estadual contra a votação do projeto de lei que alterou a Paranaprevidência. Ao participar de uma assembléia de servidores da Universidade Federal do Paraná, pude ouvir os dramáticos relatos sobre a violência policial do dia anterior. Vi de perto os hematomas deixados pelas balas de borracha e os cortes causados pelos estilhaços das bombas de fragmentação nos servidores federais que estavam no protesto. Entre perplexo e indignado, descobri que o governo estadual trouxe tropas de choque de várias regiões do Estado pra reforçar o efetivo de 1.500 policiais em frente ao parlamento. Atônito, soube que todo o estoque de gás lacrimogêneo do Paraná esgotou-se em apenas duas horas. A nuvem de gás criada pela PM obrigou a evacuação às pressas de uma creche na região.

A escala da violência política contra uma multidão formada por professores e servidores públicos, muitos deles, eleitores de Beto Richa, não deixa dúvidas a respeito da importância da votação do projeto de lei que muda o regime previdenciário dos servidores paranaenses. Trata-se basicamente da pilhagem de direitos sociais em benefício do pagamento da dívida pública estadual. Ainda estava na cidade quando o governador sancionou o projeto. Ou seja, a brutalidade policial assegurou o roubo das aposentadorias e das pensões dos servidores.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

30 anos do Hizbollah: o falso consenso em torno à sua origem na ‘radicalização’ parte (2)

30 anos do Hizbollah: o falso consenso em torno à sua origem na ‘radicalização’ parte (2)
ESCRITO POR RAMEZ PHILIPPE MAALOUF

"Ao defender a integridade territorial da Síria de uma invasão estrangeira, o grupo islâmico xiita libanês está defendendo também a integridade territorial do Líbano e impedindo que Israel obtenha mãos livres para exterminar e expulsar a totalidade dos palestinos que vivem na Palestina histórica sob a ocupação militar israelense. Outro motivo mais imediato é a penetração dos afiliados aos esquadrões da morte wahhabitas no Líbano, patrocinados pela Arábia Saudita, inimiga declarada do Hizbollah. Estes extremistas têm organizado milícias armadas que estão assediando todas as comunidades religiosas libanesas que não seguem os preceitos impostos pela heresia wahhabita."

"Como o Crescente Fértil (Iraque, Síria, Líbano, Palestina) está sob ameaça real de extinção pelos EUA, holocausto só comparável às invasões mongólicas do século XIII, o Hizbollah não tem como comemorar o trigésimo ano de sua existência e o décimo quinto ano como líder da resistência de sua vitoriosa campanha de libertação do Líbano. Segue sua resistência lutando não mais pela libertação de uma nação, mas pela sobrevivência dos povos do Crescente Fértil."
Um xadrez no território libanês

Precisando se adaptar à perversa lógica sectária imposta à guerra no Líbano, os sírios se apoiariam na milícia “xiita” Amal, cada vez mais “desidratada” pelas constantes dissidências nos seus quadros. O Amal atuaria no Líbano como um braço armado da Síria, praticamente eliminando o carácter religioso da milícia e se identificando com a nova burguesia “xiita” liberal que emergia na sociedade libanesa. O maior reflexo desta mudança no interior da milícia foi a ascensão do advogado e empresário ianque-líbano-marfinense Nabih Berri à chefia do partido e, mais tarde, à chefia do parlamento, cargo que exerce de 1984 até os dias atuais.

Com a mudança na liderança da milícia e sua associação com a Síria, o Amal, apoiado pelo PSP, obteria importantes vitórias contra o esquálido exército libanês em Souk al-Garb, em fevereiro de 1984, e contra a milícia laica nasserista Mourabitoun (majoritariamente sunita), apoiada pela OLP, no mesmo ano. Este último ataque decorreu do fato de a OLP estar retornando ao Líbano com a ajuda dos mourabitouns, o que foi visto como um desafio a Assad.

Com a derrota dos mourabitouns, a comunidade sunita perdia sua principal milícia progressista, abrindo o caminho para a ascensão de grupos salafistas no seio desta comunidade no decorrer da guerra. Assim, a guerra entre o Mourabitoun e o Amal gerou ressentimentos dos “sunitas” contra os “xiitas” e a Síria no Líbano. Este ressentimento favoreceria o abandono paulatino, pelos “sunitas”, dos ideais pan-arabistas e pró-sírios, que se desdobraria, após o surgimento do Hizbollah, num ódio sectário e na adesão ao nacionalismo libanês ao estilo maronita, isto é, ultraliberal, sectário, e ferozmente antissírio.

A luta entre o capital e o trabalho e os seus resultados

A luta entre o capital e o trabalho e os seus resultados
Karl Marx 
1865


"Ao mesmo tempo, e completamente à parte da servidão geral envolvida no sistema de salários, a classe operária não deverá exagerar para si própria a eficácia última [the ultimate working] destas lutas de todos os dias. Não deverá esquecer que está a lutar com efeitos, mas não com as causas desses efeitos; que está a retardar o movimento descendente, mas não a mudar a sua direcção; que está a aplicar paliativos, mas não a curar a doença. Por conseguinte, não deverá estar exclusivamente absorvida nestas inevitáveis lutas de guerrilha que incessantemente derivam das investidas sem fim do capital ou das mudanças do mercado. Deverá compreender que, [juntamente] com todas as misérias que lhe impõe, o sistema presente engendra simultaneamente as condições materiais e as formas sociais necessárias para uma reconstrução económica da sociedade. Em vez do motto* conservador «Um salário diário justo para um trabalho diário justo!» deverá inscrever na sua bandeira a palavra de ordem revolucionária: «Abolição do sistema de salários!» "
1. Tendo mostrado que a resistência periódica por parte dos operários contra uma redução de salários e as suas tentativas periódicas de obter uma subida dos salários são inseparáveis do sistema de salários e ditadas pelo preciso facto de o trabalho estar assimilado às mercadorias e, por conseguinte, sujeito às leis que regulam o movimento geral dos preços; tendo, além disso, mostrado que uma subida geral de salários resultaria numa queda na taxa geral de lucro, mas não afectaria os preços médios das mercadorias, ou os seus valores, põe-se agora finalmente a questão de [saber] até onde é que, nesta luta incessante entre o capital e o trabalho, este último é capaz de [is likely] ter êxito. 

Poderia responder com uma generalização e dizer que, tal como todas as mercadorias, também com o trabalho, o seu preço de mercado, a longo prazo, se adaptará ao seu valor; que, por conseguinte, apesar de todas os altos e baixos e faça o que fizer, o operário só receberá, em média, o valor do seu trabalho, que se resolve no valor da sua força de trabalho, o qual é determinado pelo valor dos meios de subsistência requeridos para o seu sustento e reprodução, o qual valor dos meios de subsistência é finalmente regulado pela quantidade de trabalho necessária para os produzir. 

Mas há alguns aspectos peculiares que distinguem o valor da força de trabalho ou valor do trabalho dos valores de todas as outras mercadorias. O valor da força de trabalho é formado por dois elementos – um, meramente físico, o outro, histórico ou social. O seu limite último é determinado pelo elemento físico, o mesmo é dizer: para se manter e reproduzir, para perpetuar a sua existência física, a classe operária tem de receber os meios de subsistência absolutamente indispensáveis para viver e se multiplicar. O valor destes meios de subsistência indispensáveis forma, por conseguinte, o limite último do valor do trabalho. Por outro lado, a extensão do dia de trabalho está também limitada por estremas últimas, apesar de muito elásticas. O seu limite último é dado pela força física do trabalhador. Se a exaustão diária das suas forças vitais excede um certo grau, não pode ser exercida de novo, dia após dia. No entanto, tal como eu disse, este limite é muito elástico. Uma sucessão rápida de gerações sem saúde e de vida curta manterá o mercado de trabalho tão bem abastecido como uma série de gerações vigorosas e de vida longa.