Pesquisa Mafarrico

Translate

terça-feira, 19 de novembro de 2013

EUA: Guerra económica contra os pobres

Guerra económica contra os pobres
por António Santos
 
"Os EUA são o país do mundo que gasta mais dinheiro em armamento e guerras. Nem os gastos de defesa combinados de todos os países do mundo alcançam as fortunas que os EUA dedicam ao armamento. Com Obama, 57% do orçamento federal é dedicado ao exército e outros corpos militares. A educação, por seu turno, corresponde a 6% e a saúde a 5%. Os verdadeiros problemas de segurança dos EUA, a fome e a miséria do seu povo, são considerados irrelevantes quando comparados às urgências políticas do império. Como é que 50 milhões de trabalhadores vão sobreviver sem este subsídio, não é uma emergência."


O Governo dos EUA cortou no passado dia 1 de Novembro o valor da ajuda alimentar a 47 milhões de pessoas. A nova medida de austeridade, inserida no quadro da prescrição do programa de estímulo federal de 2009, traduz-se num corte de mais de 30 dólares por mês para a maioria das famílias carenciadas, o que se reveste de especial gravidade tendo em conta que desde o princípio da crise capitalista o número de trabalhadores dependentes de ajuda alimentar mais do que duplicou.

Agora, nos corredores do Congresso, democratas e republicanos buscam um consenso que permita cortes adicionais. O guião é o mesmo do costume: os republicanos assumem o papel de «polícia mau» e propõem um exorbitante corte adicional de quatro mil milhões de dólares. Instala-se o nervosismo, sabe-se lá o que é que o polícia mau nos pode fazer mais. Mas nesse momento, o temível agente da autoridade sai de cena e cede o lugar de interrogador a um simpático e democrata «polícia bom» que garante ao detido que é seu amigo e que afinal só pretende um corte adicional de 400 milhões.

Na verdade, o «polícia bom» democrata é responsável por alguns dos mais graves actos de guerra de classe da história recente dos EUA: ainda não há muito tempo, em 1996, o presidente Bill Clinton instituía o Personal Responsability and Work Opportinity Act, uma lei que limitava monstruosamente os subsídios de desemprego, invalidez e deficiência ao mesmo tempo que chantageava os trabalhadores desempregados para que se submetessem a situações de exploração desumanas.
 

Fome no coração do capitalismo
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

À sombra da geopolítica dos EUA, ou Como sempre, é a “Grande Israel”

À sombra da geopolítica dos EUA, ou Como sempre, é a “Grande Israel”
 Fonte:redecastorphoto

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
 
"Desde o início da “Primavera Árabe”, os EUA vêm se movimentando na direção de uma reestruturação geopolítica da região, a qual, é claro, também levantou a discussão sobre o destino de Israel. Desde então, a questão permanece na agenda. E não importa a forma que assuma, o tom não muda: Israel é invariavelmente apresentada como a vítima.

Assim, na primavera de 2011, no auge da guerra contra a Líbia, quando a Autoridade Palestina levantou a questão de tornar-se membro da ONU, a imprensa-empresa ocidental rapidamente pôs-se a denunciar a traição, por Washington, que estaria “entregando” o Estado Judeu aos islamistas. Hoje, quando o absurdo dessa ideia já é óbvio para todos, a ênfase passou para a ameaça mortal que o Irã representaria para Israel, ênfase que, pelo que se vê, cresce alinhada à deterioração da situação na Síria.

Nesse processo, a questão mais importante está sendo ocultada ou, simplesmente, foi varrida: o agudo interesse que Israel tem na desestabilização dos países árabe-muçulmanos que a cercam; e em manter e expandir a guerra na Síria.

O rabino Avraam Shmulevich, um dos criadores da doutrina do “hipersionismo”, influente na elite israelense, falou abertamente sobre as razões desse interesse, em entrevista, em 2011. É interessante: ali, ele via a “Primavera Árabe” como uma bênção para Israel."
 
 

 
Há trinta anos, os estrategistas dos EUA introduziram a ideia do “Grande Oriente Médio”, ou “Oriente Médio Expandido” [orig. The Greater Middle East], correspondente ao espaço do Maghreb a Bangladesh, e declararam que esse vasto território passava a ser zona de interesse prioritário dos EUA.

sábado, 16 de novembro de 2013

“The act of Killing”, um extraordinário documento

“The act of Killing”, um extraordinário documento
por Os Editores de O Diário Info
 
 
Um realizador norte-americano empreendeu a tarefa de documentar a chacina anti-comunista levada a cabo na Indonésia em 1965. O monstruoso massacre de um milhão de homens e mulheres, encorajado e saudado pelo imperialismo, surge reencenado por um dos seus principais perpetradores, pessoalmente responsável por mais de mil mortes. O filme foi estreado em Espanha a 30 de Agosto.
 
 

Um realizador de cinema pede a um assassino que recrie, em filme, as torturas e crimes que cometeu na vida real. Este, encantado com a oferta, dispõe-se a isso com entusiasmo e diligência. O resultado da experiência é uma alucinação cinematográfica que adquire proporções épicas quando se descobre que o criminoso é um dos líderes mais sanguinários dos esquadrões da morte na Indonésia, bandos de carniceiros que, em 1965, acabaram com a vida de um milhão de pessoas em menos de um ano. The Act of Killing, de Joshua Oppenheimer, é a consequência desse assustador delírio de fama dos genocidas indonésios que, no entanto, hoje vivem como heróis no seu país. O filme estreou em 30 de Agosto em Espanha.

Werner Herzog, um dos realizadores mais talentosos do cinema documental, revelou publicamente o seu assombro perante The Act of Killing. “Não vi um filme tão poderoso, surreal e aterrador em pelo menos uma década”, disse, acertando em cheio nos cinco adjectivos e na ordem com que os empregou. Tão impressionante, tão demente é a história deste filme, que a primeira reação perante o mesmo é de surpresa. Uma espécie de estupefacção que se transforma em perturbação e confusão, antes de se transformar em espanto e, finalmente, em algo muito parecido com a angústia física.

Os Esquadrões da Morte

Anwar Congo, um dos cabecilhas dos Esquadrões da Morte que actuaram na Indonésia depois do golpe militar contra o Presidente Sukarno, é a estrela deste filme. Este verdugo, responsável, de acordo com as suas palavras, pela tortura e assassinato, com as suas próprias mãos, de mais de mil pessoas, encena perante a câmara os crimes que cometeu, explica como perpetrava as suas agressões e vangloria-se de se ter para isso inspirado em filmes de gângsteres que estreavam no cinema.

Líbia: de Kadhafi à Al-Qaëda. Com agradecimentos à CIA...

Líbia: de Kadhafi à Al-Qaëda. Com agradecimentos à CIA...
por Marc Vandepitte


"A queda de Kadhafi tornou-se possível através de uma aliança entre as forças especiais francesas, britânicas, jordanas e qataris, de um lado, e dos grupos rebeldes líbios, de outro. O mais importante deles era precisamente o Libyan Islamic Fighting Group (LIFG), que figurava na lista das organizações terroristas proibidas. [...] A sua milícia teve direito a treinos americanos, mesmo antes de ter começado a rebelião na Líbia.

 


Estão os Estados Unidos verdadeiramente em guerra contra o terrorismo em África, ou fomentam-no para servir os seus interesses?

Estado falhado

Em 11 de outubro, o Primeiro-ministro líbio foi brutalmente derrubado antes de ser libertado algumas horas mais tarde. Este rapto é sintomático da situação no país. Em 12 de outubro, um automóvel armadilhado explodiu perto das embaixadas da Suécia e da Finlândia. Uma semana antes, a embaixada da Rússia foi evacuada, depois de ter sido invadida por homens armados. Há um ano, a mesma coisa aconteceu na embaixada americana. O embaixador e três colaboradores foram mortos. Outras embaixadas tinham sido anteriormente alvos de ataque.

A intervenção ocidental na Líbia, tal como no Iraque e no Afeganistão, instaurou um Estado falhado. Depois do derrube e do assassinato de Kadhafi, a segurança no país está fora de controlo. Atentados contra políticos, ativistas, juízes e serviços de segurança são o pão de cada dia. O governo central exerce apenas o controlo do país. Milícias rivais impõem a sua ordem. Em fevereiro, o governo de transição foi forçado a reunir em tendas, depois de ter sido expulso por rebeldes encolerizados. O barco que naufragou perto de Lampedusa, afogando 300 refugiados, provinha da Líbia. Etc.

A Líbia detém as mais importantes reservas de petróleo de África. Mas, depois do caos que reina no país, a extração de petróleo praticamente paralisou. A partir daí, o país tem de importar petróleo para assegurar as necessidades de eletricidade. No início de setembro, as reservas de água para Tripoli foram sabotadas, ameaçando acapital de penúria.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Terror e militarismo na estratégia dos EUA para enfrentar a crise

Terror e militarismo na estratégia dos EUA para enfrentar a crise
por Luís Carapinha
 
 


"A essência exploradora e as práticas criminosas do capitalismo contrastaram em permanência com a imagem virtuosa da democracia representativa burguesa, arvorada em farol da liberdade e pináculo dos direitos do homem, cultivada pelos meios de legitimação da ordem capitalista."


"O rastro de destruição e instabilidade deixado pelas guerras no Afeganistão (cuja ocupação militar prossegue), Iraque e Líbia deixa a descoberto a estratégia terrorista impulsionada pelos EUA. Na Síria os grupos financiados, armados e treinados pelos Estados Unidos e o séquito de potências e países cúmplices (cada qual munido da sua pequena agenda própria) travam uma guerra de procuração que tem – no plano estratégico – os olhos colocados no Irão, Rússia e China. Não é segredo que a doutrina militar dos EUA identifica nos três países diferentes níveis de ameaça à manutenção da sua hegemonia. Daí todo o manancial de meios políticos, económicos e militares com vista à sua contenção, desestabilização e enfraquecimento (sem esquecer o velho plano de desmembramento da Federação Russa auspiciado por eminentes estrategas em Washington), que incluem igualmente a utilização do terrorismo."



O fenómeno do terrorismo, na complexidade e multiplicidade de formas e facetas que encerra, esteve sempre associado – de modo directo ou indirecto – à manutenção dos interesses de classe dominantes. A situação actual não constitui excepção. A estratégia militarista dos EUA e a expansão do terrorismo de Estado continua a socorrer-se do subterfúgio da ameaça terrorista e da guerra contra a Al-Qaeda, apesar de há muito serem conhecidas as ligações promíscuas entre a acção do terrorismo islâmico e os centros de subversão do imperialismo. A guerra de agressão contra a Síria, em que segundo Damasco participam mercenários oriundos de 83 países, coloca a nu esta relação criminosa. Só não vê quem não quer.

Historicamente, a expressão política suprema do terror está consubstanciada na ascensão do fascismo no século XX. Expoente da reacção extremista de classe no quadro disruptivo pautado pelo exacerbamento da crise geral do capitalismo e a eclosão da grande depressão em 1929. Contexto conturbado não dissociável do temor face à consolidação da experiência emancipadora da URSS e a perspectiva de novos avanços na via de rupturas revolucionárias e alternativas de desenvolvimento soberano e progresso social.

Brasil : “Hoje eu vejo que bandido é o Estado”

“Hoje eu vejo que bandido é o Estado”
 

 
"A polícia, é muito triste de dizer, não sei se tem alguém aí que faz pesquisa em psicologia, a fração de sádicos na sociedade, eu ouvi uma vez dizer que tinha 1%. Se pesquisar na polícia, eu garanto que vai encontrar um número bem maior. Não sei se eles são incentivados, ou há uma pré-seleção. Mas o sadismo ficou claro: eles têm um prazer enorme em ver você sofrer, e te diminuir."
 

Gustavo Dopcke, preso no dia 15, no Rio de Janeiro, na manifestação em apoio a greve dos educadores, conta como foi a experiência do cárcere.

 
Resolvi transcrever parte do depoimento do manifestante preso em 15 de outubro de 2013, no Rio, por causa da força desse relato e da palavra escrita. E para que não pairem dúvidas sobre o fim do Estado Democrático de Direito no Rio de Janeiro, apoiado pelo governo federal. Ninguém precisa ter bola de cristal para saber quais serão as consequências desse Estado policial. Não coube num post comum do facebook. Publico a transcrição nesse formato de ‘nota’.

“Os policiais revistaram minha mochila, aí encontraram: o respirador e o leite de magnésia.

- O senhor está preso.

Daí a gente foi enquadrado nesse crime de formação de quadrilha ou bando.

A delegada não mandou a tempo o documento, dizendo que agente estava sendo preso e pelo que a gente estava preso. Então, os nossos advogados não conseguiram entrar com o habeas corpus a tempo. Então, foi o segundo sequestro. Ocorreu quando a gente saiu da 25 DP e foi levado para o (presídio) Patrícia Aciole. Até lá, os advogados não podiam fazer nada pela gente, porque estava todo ocorrendo fora da lei.

Lá, começou a tortura psicológica. Eles começaram a xingar a gente de ‘vândalo de merda’, do que fosse. Eles colocaram a gente para esperar na chuva, com água até o joelho (...). Depois a gente entrou, a nossa roupa foi confiscada, a gente recebeu uma bermuda, uma camiseta branca, e depois todo mundo teve o cabelo raspado. (...) A revista íntima é feita assim: você é colocado nu, aí eles mandam você fazer alguns movimentos para eles poderem ver toda a parte do seu corpo. Daí a gente dormiu ali aquela noite.

Na outra madrugada, a gente foi acordado e levado para Bangu. Aí recomeçou toda a tortura psicológica. Eles xingaram a gente do que dava pra xingar. Colocaram a gente numa fila, agachado. Daí a gente ficou agachado lá, até você não sentir mais a perna. (...) Inclusive, eles sentem muito prazer em torturar a pessoa nesse momento. (...)

Assassinos grandes e pequenos

Assassinos grandes e pequenos
por Filipe Diniz


 
 
Dados da ONU apontam para que só nesse ano( 2011) houvesse 3021 civis mortos e 4507 feridos no Afeganistão. Na tropa da ocupação imperialista, em tantos casos desesperada perante uma situação militar incontrolável, de vez em quando há um militar de baixa patente que vai a tribunal e é condenado. Um, o U.S. Sgt. Robert Bales, que matou 16 civis e feriu outros 6, foi condenado a prisão perpétua. Sendo os EUA o que são, as famílias destas vítimas receberam $50 000 por cada parente falecido, e os feridos sobreviventes receberam $11 000. Parece que estes valores foram inflacionados pelo impacto do crime – mediatizado como o «massacre de Kandahar» – porque, por exemplo, uma rapariga que ficou com um braço gravemente ferido noutra ocasião apenas teve direito a $392.16. Em qualquer caso as famílias assim contempladas foram informadas que se tratava de «assistência proporcionada pelo presidente Obama», o assassino em série que mata com drones.


«Estava na minha cama às 11h.45 da noite quando ouvi barulho e vi helicópteros a pairar. Avisaram através de altifalantes que as pessoas não deveriam sair de casa e que se não obedecessem seriam alvejadas. Os meus três sobrinhos e o meu cunhado estavam a dormir no quarto de visitas. Todos os quatro saíram de casa em pânico e foram abatidos pelos militares internacionais. Depois os militares internacionais começaram a revistar-nos as casas. Partiram três portas e queimaram uma bicicleta a motor. Vasculharam a casa toda e encontraram uma espingarda de pressão de ar e destruíram-na. Os militares internacionais prenderam o meu irmão e foram-se embora.»

Este testemunho é de um aldeão afegão, e foi retirado de um relatório da missão UNAMA (United Nations Assistance Mission in Afganistan). Vem a propósito do recente julgamento de um fuzileiro britânico pelo assassínio a sangue frio de um jovem afegão que ficara ferido por tiros disparados de um helicóptero. O julgamento só tem lugar porque essas tropas utilizam equipamento muito sofisticado: uma câmara de televisão instalada no capacete do assassino registou o crime.

O acontecimento deu-se em Setembro de 2011. Dados da ONU apontam para que só nesse ano houvesse 3021 civis mortos e 4507 feridos no Afeganistão. Na tropa da ocupação imperialista, em tantos casos desesperada perante uma situação militar incontrolável, de vez em quando há um militar de baixa patente que vai a tribunal e é condenado. Um, o U.S. Sgt. Robert Bales, que matou 16 civis e feriu outros 6, foi condenado a prisão perpétua. Sendo os EUA o que são, as famílias destas vítimas receberam $50 000 por cada parente falecido, e os feridos sobreviventes receberam $11 000. Parece que estes valores foram inflacionados pelo impacto do crime – mediatizado como o «massacre de Kandahar» – porque, por exemplo, uma rapariga que ficou com um braço gravemente ferido noutra ocasião apenas teve direito a $392.16. Em qualquer caso as famílias assim contempladas foram informadas que se tratava de «assistência proporcionada pelo presidente Obama», o assassino em série que mata com drones.

A hora dos peixes graúdos serem julgados também há-de chegar.
 

Como se fabrica uma «alternância»...

Como se fabrica uma «alternância»...
por Agostinho Lopes
 
 


A alternância é uma estratégia, estratagema político bem conhecido dos povos, bem sintetizado na expressão «mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma»! Nos sistemas políticos democráticos (nas democracias burguesas) é a forma de assegurar a manutenção da mesma política, nas suas opções estratégicas, eixos estruturantes e medidas, ou seja, o serviço dos mesmos interesses de classe, através da mudança de composição dos titulares do governo, via substituição do partido (ou coligação) que assume o governo e que, anteriormente, era oposição.

Tem sido assim em Portugal nestes quase 40 anos de regime democrático conquistado pela Revolução de Abril.

A alternância tem um objectivo central: negar a alternativa, isto é, que haja uma efectiva alteração de política(s)! E a negação da alternativa exige a «fabricação» da «alternância»!

Um processo que se inicia logo que um novo governo toma posse, ou mesmo antes, pelo menos com a entrada em cena (indiciação) do putativo líder da alternância! Um processo complexo em que convergem a intervenção da força partidária que vai corporizar a alternância e as forças de classe (económicas) dominantes interessadas na continuidade/aprofundamento dessas políticas. Mas também de outros actores e agentes, em que se destaca o sistema mediático, subordinado à lógica da «alternância», quanto mais não seja por ser instrumento do poder de classe contido nos sucessivos governos que vão encarnando a «alternância»!

A negação da alternativa política e da política alternativa

Na fabricação de uma «alternância» afirma-se uma dupla negação: negar a existência de uma política alternativa e negar a existência/possibilidade de uma alternativa política, que depois se desdobram em múltiplas variantes, na assumpção de diversas máscaras.

Uma primeira corresponde a fazer passar as políticas da «alternância» por política alternativa. Mascarar as suas propostas e programa, nomeadamente sobrevalorizando os pormenores, relevando diferenças secundárias, empolando as formas para esconder a identificação dos conteúdos, a defesa dos mesmos interesses de classe. Desvalorizando a política de alianças assumida, ou mesmo o significado de uma proclamada indefinição, ambiguidade.

Mas, essencialmente, anunciando uma pretensa mudança de políticas através da mudança dos protagonistas, do partido do governo, dos ministros (a invenção do «governo sombra»), do 1.º Ministro. Aqui, desempenha um papel central a mistificação eleitoral da «eleição» do 1.º Ministro, onde se concentra, polariza, todo o «conteúdo» da mudança de política prometida pela «alternância».

Outro discurso promotor da «alternância» passa por encerrar, subsumir as possibilidades de reais alternativas políticas, no anel de ferro da «salvação nacional», do «consenso nacional, superpartidário». Em nome de um suposto «interesse nacional», abstractamente enunciado, acima das classes, das ideologias, dos partidos, tenta-se anular o contraditório, a diferença político-ideológica.