Pesquisa Mafarrico

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domingo, 29 de novembro de 2015

O Lado Invisível do Terrorismo

O Lado Invisível do Terrorismo
Marcelo Zero

Ao contrário do que supõe o ‘senso comum’, a imensa maioria das mortes por terrorismo ocorrem no Oriente Médio, África e Ásia, e apenas marginal e ocasionalmente na Europa e EUA. Além disso, há forte correlação entre o crescimento do terrorismo em escala global e as intervenções militares realizadas, em tese, para coibir o fenômeno .
"Em 2003, quando se inicia a invasão do Iraque, sob o falso pretexto de neutralizar armas de destruição em massa, implantar a democracia e combater o terrorismo, tínhamos cerca de 3.000 mortes por terrorismo em todo o mundo. À medida que tal intervenção cresce, o número de mortes aumenta até cerca de 11 mil, em 2007. A partir de aí há uma discreta queda até 2011, quando se inicia a guerra civil da Síria. Desde aquele ano, há uma evolução exponencial do terrorismo, obviamente vinculada ao apoio que o Ocidente deu e ainda dá aos grupos terroristas que lutam contra o governo Assad, bem como ao colapso dos Estados Nacionais da Síria e do Iraque. O Estado Islâmico, nascido no Iraque ocupado, aproveitou-se desse apoio e conseguiu dominar um amplo território que inclui o Centro e o Oeste do Iraque e o Leste da Síria, regiões de maioria sunita. Com o domínio desse território e com a venda de seu petróleo via Turquia, o Estado Islâmico converteu-se na grande usina de propagação do terrorismo fundamentalista sunita no mundo."
I. Os recentes e trágicos atentados terroristas cometidos na França voltaram a colocar em debate, no chamado Ocidente e no Brasil, a questão do terrorismo.

II. Entretanto, é fácil constatar que tal debate está muito centrado no terrorismo que afeta eventualmente países ocidentais. Também é visível que se desenvolveu um senso comum em torno do tema, o qual impede ou distorce análises mais abrangentes, equilibradas e realistas sobre o fenômeno.

Mais de 500 jihadistas recebem atenção médica no Ziv Medical Centre de Israel

Mais de 500 jihadistas recebem atenção médica no Ziv Medical Centre de Israel
por Resumen Medio Oriente/Red Voltaire

"uma célebre jornalista do News Corp, Sharri Markson, travou conversas com alguns pacientes para coletar seus testemunhos. A jornalista pode assim verificar que mais de 500 desses pacientes são membros da Al-Qaeda feridos em combate em solo sírio.

Vários oficiais de segurança intervieram para interromper a jornalista quando esta anotava detalhes sobre a maneira como estes jihadistas são transferidos a Israel para receber assistência médica e como são enviados posteriormente para continuar a jihad na Síria.

Em setembro de 2014, o primeiro ministro israelense, Benyamin Netanyahu, foi fotografado nesse mesmo hospital enquanto visitava e felicitava os jihadistas da Al-Qaeda."
Vários jornalistas que participam de uma viagem de imprensa organizada pela Australia/Israel and Jewish Affairs Council (AIJAC) visitaram o Ziv Medical Centre, em Zefat (norte de Israel). Este hospital conta com um serviço especializado em traumatologia de guerra e colabora oficialmente com as forças armadas de Israel. Nesse marco, dito centro está prestando assistência médica a “refugiados” sírios.

Enquanto o resto do grupo de jornalistas – o redator chefe adjunto do Daily Telegraph, Ben English; o jornalista de Seven News, Alex Hart; o repórter político de Sky News, David Lipson; redator chefe da Australian Financial Review, Aaron Patrick; o chefe da seção de política do Sydney Morning Herald e do The Age, Bevan Shields – seguiam os organizadores, uma célebre jornalista do News Corp, Sharri Markson, travou conversas com alguns pacientes para coletar seus testemunhos. A jornalista pode assim verificar que mais de 500 desses pacientes são membros da Al-Qaeda feridos em combate em solo sírio.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A reescravização dos povos ocidentais

A reescravização dos povos ocidentais
por Paul Craig Roberts


"As corporações estão a comprar poder a preço barato. Elas compraram toda a Câmara dos Representantes (House of Representatives) dos EUA por apenas US$200 milhões. Isto é o que as corporações pagam ao Congresso para concordar com a "Via Rápida" ("Fast Track"), a qual permite ao agente das corporações, o Representante Comercial dos EUA, negociar em segredo sem a contribuição ou supervisão do Congresso .
Por outras palavras, um agente corporativo dos EUA faz a negociação com agentes corporativos dos países que serão abrangidos pela "parceria" e este punhado de pessoas bem subornadas redigirá um acordo que ultrapassa a lei de acordo com os interesses das corporações. Ninguém a negociar a parceria representa os povos ou os interesses públicos. Os governos dos países em parceria incomodam-se em votar a proposta – e serão bem pagos para votar pelo acordo.

Uma vez em vigor estas parcerias, o próprio governo será privatizado. Já não haverá mais qualquer sentido em legislativos, presidentes, primeiros-ministros, juízes.

Tribunais corporativos decidem a lei e determinam as sentenças "
A reescravização dos povos ocidentais está a verificar-se a vários níveis. Um deles, acerca do qual tenho escrito durante mais de uma década, decorre da deslocalização de empregos. Os americanos, por exemplo, têm uma participação decrescente na produção dos bens e serviços que lhes são comercializados. 

A outro nível estamos a experimentar a financiarização da economia ocidental, acerca da qual Michael Hudson é o perito principal ( Matando o hospedeiro , Killing the Host). A financiarização é o processo de remoção de qualquer presença pública na economia e de converter o excedente económico em pagamentos de juros ao sector financeiro. 

Estes dois desenvolvimentos privam o povo de perspectivas económicas. Um terceiro desenvolvimento priva-o de direitos políticos. As parcerias Trans-Pacífico e Trans-Atlântica eliminam soberania política e transferem o governo para corporações globais. 

Estas chamadas "parcerias comerciais" nada têm a ver com comércio. Estes acordos negociados em segredo concedem às corporações imunidade em relação às leis dos países com os quais elas fazem negócios. Isto é alcançado ao declarar que qualquer interferência de leis e regulamentos existentes ou em perspectivas sobre lucros corporativos como restrições ao comércio, pelo que as corporações podem processar e multar governos "soberanos". Exemplo: a proibição em França e outros países de produtos de organismos geneticamente modificados (OGM) seria negada pela Parceria Trans-Atlântica. A democracia simplesmente substituída pelo domínio corporativo. 

Eu tinha intenção de escrever acerca disto há muito tempo. Entretanto, outros, tais como Chris Hedges, estão a fazer um bom trabalho na explicação da captura de poder que elimina governos representativos. 

As corporações estão a comprar poder a preço barato. Elas compraram toda a Câmara dos Representantes (House of Representatives) dos EUA por apenas US$200 milhões. Isto é o que as corporações pagam ao Congresso para concordar com a "Via Rápida" ("Fast Track"), a qual permite ao agente das corporações, o Representante Comercial dos EUA, negociar em segredo sem a contribuição ou supervisão do Congresso

Por outras palavras, um agente corporativo dos EUA faz a negociação com agentes corporativos dos países que serão abrangidos pela "parceria" e este punhado de pessoas bem subornadas redigirá um acordo que ultrapassa a lei de acordo com os interesses das corporações. Ninguém a negociar a parceria representa os povos ou os interesses públicos. Os governos dos países em parceria incomodam-se em votar a proposta – e serão bem pagos para votar pelo acordo. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O assassinato das mineradoras

O assassinato das mineradoras
A reportagem é de Francisco Câmpera, publicada por El País, 17-11-2015.

"Além das tristes mortes, o desastre ambiental do Rio Doce é incalculável, atingiu dezenas de cidades de Minas Gerais e do Estado do Espírito Santo. Peixes mortos, invasão do leito pela lama, contaminação da água…cidades inteiras estão sem água potável e sem renda, porque muitas viviam do rio. 
E o Estado sumiu… Não foi capaz de fazer o seu papel de fiscalizar e proteger a população. Há muita corrupção nos órgãos de fiscalização no Brasil ou falta de condições de trabalho. E muitas vezes quando um servidor público quer fiscalizar uma empresa grande e poderosa, encontra resistência e sofre perseguição.
Logo após a tragédia um Secretário de Estado de Minas Gerais, Altamir Rôso, disse que a Samarco foi vítima do acidente. Veja que inversão de valores, que acinte! Ainda o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, deu uma coletiva à imprensa na própria sede da Samarco. A presidente da República, Dilma Rousseff, lamentou a tragédia apenas pelo Twitter e só foi visitar o local uma semana depois. O Ibama, órgão federal responsável pelo meio ambiente, anunciou que as multas podem chegar a centenas de milhões, mas sabemos que elas raramente são pagas, devido a manobras e instâncias para recorrer. 
A situação é a mesma que acontece em grandes tragédias no Brasil, no começo um estardalhaço, depois o esquecimento e a falta de punição."

A ganância do homem nunca teve limite. Em busca do lucro vale tudo: matar, mentir, manipular, e sabe-se lá o que mais. Sempre foi assim na história da humanidade e hoje não é diferente. O caso do rompimento das duas barragens da mineradora Samarco em Minas Gerais é um exemplo perfeito. Primeiro vamos voltar ao fim do século XVII, época em que descobriram ouro na região onde está a Samarco. O cobiçado metal era tão farto que era fácil achá-lo com uma peneira no leito do Rio Doce, o mesmo rio onde ocorreu o desastre. A empresa conseguiu fazer em poucos dias o que a exploração de ouro não fez em séculos – destruir o rio, envenenado pelos dejetos das barragens, como o mercúrio e outras substâncias tóxicas.

Em seguida foram criadas várias vilas, dentre elas surgiram as famosas cidades históricas Ouro Preto e Mariana, locais onde estavam as barragens. A cobiça pelo ouro gerou uma disputa feroz pelo controle das minas entre os descobridores Bandeirantes paulistas e os portugueses. Os paulistas se renderam e entregaram as armas, mas mesmo assim foram cruelmente assassinados.

Em pouco tempo Portugal enriqueceu mais do que nunca, mas para se proteger dos inimigos teve que fazer aliança com a poderosa Inglaterra. Enquanto Portugal gastava como se não houvesse amanhã, a Inglaterra realizava a Revolução Industrial financiada com o nosso ouro. Nesse período aconteceu a Inconfidência Mineira, o primeiro grande movimento pela independência, que lutava contra os pesados impostos (o quinto do ouro), que acabou com o esquartejamento do nosso herói maior – Tiradentes.

Séculos depois, a tragédia social e econômica continua. Uma das sócias da Samarco é uma empresa inglesa BHP Billiton (Anglo-Australiana), a outra metade pertence à Vale. Até o dia 13 foram confirmadas sete mortes e 18 pessoas estão desaparecidas, dentre elas, crianças. O distrito Bento Rodrigues foi engolido pela lama. Até uma Igreja do século XVIII foi destruída.

Além das tristes mortes, o desastre ambiental do Rio Doce é incalculável, atingiu dezenas de cidades de Minas Gerais e do Estado do Espírito Santo. Peixes mortos, invasão do leito pela lama, contaminação da água…cidades inteiras estão sem água potável e sem renda, porque muitas viviam do rio.

Como surgiu o Estado Islâmico, como se financia e quem faz “vista grossa”

Como surgiu o Estado Islâmico, como se financia e quem faz “vista grossa”
por Olga Rodríguez

"As matanças como a de Paris são habituais no Médio Oriente, quer seja por exércitos ou por grupos terroristas. A chamada guerra contra o terror, a estratégia das bombas e das intervenções, mostrou-se ineficaz: longe de diminuir, o terrorismo e a violência crescem."
"O Daesh foi visto por alguns actores regionais - Israel, Turquia, Arábia Saudita, etc. - como uma arma potencial contra o Irão. Manteve débil o regime xiita do Iraque e manteve ocupados grupos inimigos de Israel, como o Hezbollah, que luta na Síria contra diversos grupos da oposição, entre os quais o Daesh.

A Turquia fez “vista grossa” perante o Daesh. O primeiro-ministro Erdogan tem querido ver nos movimentos islamitas radicais uma forma de deter tanto a influência xiita na zona como os curdos. Permitiu a passagem de jihadistas pela sua fronteira, bombardeou as YPG curdas - unidades de protecção popular - quando se supunha que esses ataques deveriam dirigir-se contra o Daesh, e permitiu o fluxo de camiões que cruzam a fronteira carregados de petróleo procedente dos campos sírios controlados pelo EI."

O início do que viria a ser o EI

Os antecedentes que deram lugar ao EI surgem no contexto da ocupação do Iraque. Depois da tomada do país pelas tropas britânicas e norte-americanas (e espanholas até 2004), formaram-se diversos grupos armados para lutar contra os invasores.

Entre eles aparece a autodenominada organização de base jihadista na Mesopotâmia (procedente da Jamaa al Tawhid wal-Jihad, nascida em 1999), conhecida na imprensa como Al Qaeda do Iraque. Posteriormente unir-se-ia a outros grupos, primeiro sob o nome de Conselho de Mujahidines e depois, em 2006, Estado Islâmico do Iraque.

O contexto no Iraque

Milhares de iraquianos foram detidos em cárceres secretos norte-americanos, onde sofreram torturas diárias. Alguns presos desapareciam para sempre. Outros reapareciam anos depois devastados pelas torturas, e com uma fé religiosa renascida, inquebrantável e extremista.

Depois da ocupação, os EUA desmantelaram imediatamente as Forças Armadas iraquianas, criminalizaram o partido Baas e integraram milícias sectárias nas novas forças de segurança iraquianas para lutar contra a resistência. Fomentaram as divisões e treinaram membros de milícias policiais que semearam o terror.

Foi o que se chamou esquadrões da morte, comandos que prenderam milhares de jovens sunitas, muitos dos quais apareciam semanas depois mortos nas ruas de cidades como Bagdade, com orifícios de bala na cabeça, pés ou pulmões, com ossos partidos, crânios esmagados, pele queimada ou arrancada, sinais de descargas eléctricas ou olhos fora das órbitas.

Centenas de milhares de famílias fugiram do país. Em apenas alguns meses mais de cinco milhões de iraquianos converteram-se em refugiados. Dos quais, dois milhões e meio instalaram-se na Síria.

Não foi por amor, foi por machismo

Não foi por amor, foi por machismo
por Sabrina Aquino

"Sabe-se que as referidas leis não terão o efeito regulador necessário quando o que acontece na prática é o inverso de seu combate: a naturalização da violência contra a mulher em nossa sociedade. A deslegitimização da violência de gênero, desde as ações políticas de seus diversos atores, é um poderoso instrumento para a não aceitação dessa pavorosa realidade como um problema real e urgente a ser combatido. Um desses atores, não menos influente, é a imprensa, que constrói o discurso e o senso comum da cidadania. As narrativas que encontramos na grande maioria dos veículos midiáticos legitimam a violência contra a mulher em inacreditáveis malabarismos discursivos para não dar o nome correto à motivação (machismo) e ao crime de fato (feminicídio)."

"As narrativas da imprensa estão escandalosamente articuladas para legitimar a violência contra a mulher, tratando feminicídio como "crime passional", criando eufemismos do tipo "matou por amor", "matou por ciúmes", “por infidelidade”. Naturalizando a violência do agressor, fazendo com que a violência de gênero seja vista como um problema de âmbito privado, uma “mera briga de casal”. Há o apelo de psicopatologizar as atitudes a fim de justificar o ato criminoso com: “estava alcoolizado”, “estava drogado”, “com depressão”, “estava com raiva”, “foi um descontrole” e também frisando [muitas vezes] quão arrependido e triste estava o feminicida ao confessar. "

Reiteradas vezes escutamos das autoridades políticas que é necessário combater a violência de gênero e trabalhar com afinco para que os números alarmantes das estatísticas de violência contra a mulher diminuam consideravelmente em nosso país.

Para efeitos penais, contamos no Brasil com a Lei Maria da Penha para punição em casos de violência intrafamiliar e a Lei do Feminicídio, que torna a violência doméstica ou a discriminação de gênero como crime hediondo e passa a figurar no Código Penal brasileiro entre os tipos de homicídio qualificados — quando a motivação do agente, ou o meio empregado por ele, resulta em penas mais duras. Considera-se as duas leis como importantes conquistas dentro do espectro jurídico, e, ainda que o Código Penal por si só não seja garantia de absolutamente nada, acredito que simbolicamente é importante nomenclaturar o homicídio de mulheres.

Sabe-se que as referidas leis não terão o efeito regulador necessário quando o que acontece na prática é o inverso de seu combate: a naturalização da violência contra a mulher em nossa sociedade. A deslegitimização da violência de gênero, desde as ações políticas de seus diversos atores, é um poderoso instrumento para a não aceitação dessa pavorosa realidade como um problema real e urgente a ser combatido. Um desses atores, não menos influente, é a imprensa, que constrói o discurso e o senso comum da cidadania. As narrativas que encontramos na grande maioria dos veículos midiáticos legitimam a violência contra a mulher em inacreditáveis malabarismos discursivos para não dar o nome correto à motivação (machismo) e ao crime de fato (feminicídio).

A imprensa, os meios de comunicação em geral, está muito longe de cumprir com a sua cota de responsabilidade para atenuar esse problema. Está bem longe de contribuir com a desconstrução dos papéis de gênero impostos e de dar visibilidade à violência contra as mulheres como um fato condenável por todos. Ao contrário, colabora para a desinformação e para fortalecer os estereótipos que tiram a vida das mulheres diariamente ao redor do mundo e, assustadoramente, no nosso país, o quinto que mais mata mulheres, de acordo com recente estudo do Mapa da Violência 2015.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Síria: A escalada do confronto entra numa nova fase

Síria: A escalada do confronto entra numa nova fase
por KKE



"As intervenções dos imperialistas nas várias regiões e países, que podem ser levadas a cabo em nome de intenções e slogans “puros” e “bons”, têm o selo do lucro capitalista, dos lucros dos monopólios e da competição desenfreada a desenvolver-se entre eles, sobre a divisão das matérias-primas, as rotas de transportes, os gasodutos e as ações bolsistas. Em todo o caso, a longa “cadeia” de intervenções imperialistas nos recentes anos é testemunho disto mesmo. A Síria não é exceção."

"Nesta fase está a tornar-se óbvio, por um lado, que os EUA e os seus aliados têm como objetivo derrotar o regime Sírio, que é um aliado estratégico da Rússia e do Irão e um aliado da China. Tal desenvolvimento, claro, seria um golpe contra todos estes poderes. Os EUA e os seus aliados utilizam as questões de “combate ao terrorismo”, “restaurar a democracia” e resolver “questões humanitárias”, tais como a proteção das populações cristãs, etc., como pretextos.

Por outro lado, é claro que a Rússia quer suportar o regime Sírio com todos os meios à sua disposição para que os seus monopólios, e não os Euro-Atlânticos, tenham a primeira palavra na cooperação com a secção da burguesia representada pelo regime de Assad, no que diz respeito à exploração dos recursos e das pessoas. E a “guerra contra o terrorismo” e a resolução dos “problemas humanitários” estão também a ser usados como pretextos. Ao mesmo tempo, os esforços da liderança Russa para manter a sua posição na Síria estão integrados na sua tentativa de reforçar a penetração do capital russo noutros países da região."

A Rússia não se manteve à parte

No dia 30 de setembro, a liderança Russa decidiu iniciar ataques aéreos na Síria contra o chamado “Estado Islâmico”. Muito cedo, nesse mesmo dia, a Câmara Alta do Parlamento Russo aprovou o pedido do Presidente Vladimir Putin, relacionado com a deslocação de forças militares para o estrangeiro e especificamente para apoiar Bashar Assad na Síria.

Este desenvolvimento surgiu alguns dias após o discurso do Presidente Russo nas Nações Unidas, onde defendeu as posições Russas na Síria e na Ucrânia e, também, após a sua reunião com a contraparte dos EUA. Não obstante, não foi um tiro no escuro, uma vez que todas as fontes, nas semanas recentes, referiam o aumento da presença militar Russa na Síria e o transporte para esse território de equipamento militar.

Israel, os meios de comunicação e a anatomia de uma sociedade doente

Israel, os meios de comunicação e a anatomia de uma sociedade doente
por Eric Draitser*/Resumen Medio Oriente/Rebelion

"O efeito é justificar o assassinato de palestinos apresentando-os como uma simples resposta a um fator extremo: a violência contra os israelenses. Porém, é claro, qualquer pessoa que tenha um conhecimento rudimentar do assunto sabe que os esfaqueamentos são em si respostas aos ataques dos colonos israelenses e das forças de segurança contra os palestinos, assim como a consequência previsível da brutalidade e da ocupação aparentemente intermináveis, a pobreza e o desespero."

"A história do colonialismo está repleta de exemplos deste tipo. E, é claro, os israelenses, e o próprio Estado de Israel, se apresentam como as vítimas. O título marca o tema como um “desafio à segurança” de Israel, em lugar de, por exemplo, um problema do colonialismo ou de uma cruel ocupação. Assim que, tomados em sua totalidade, o título e o artigo têm o efeito acumulativo de fazer passar às vítimas por assassinos e os algozes por vítimas, invertendo assim a relação do opressor com o oprimido."

"o comportamento dos israelenses frente à câmera é claramente emblemático da sociedade em geral de Israel, que vê os meninos palestinos como “cachorros” e “filhos da puta”, não aptos para respirar, indignos de viver."

O vídeo do menino palestino de 13 anos Ahmed Manasrah dessangrando na calçada de um bairro de Jerusalém Ocidental foi descrito como “chocante”, “preocupante” e “doloroso de ver”. Os monstruosos e abusivos insultos verbais dos israelenses vendo o menino retorcer em agonia estão, inevitavelmente, caracterizados como “desumanos” e “cruéis”; e de fato o são. “Morre, filho da puta! Morre! Morre!” , eram os gritos dos espectadores israelenses que podem ser escutados no vídeo que se converteu em viral nas redes sociais.

Embora tenha ocorrido muita discussão acerca deste vídeo e de outros atos similares, onde estiveram envolvidas execuções extrajudiciais de jovens palestinos acusados por Israel de ter apunhalado israelenses (ainda está em disputa a veracidade de algumas destas acusações), é evidente que não existe uma análise das implicações sociológicas.

Concretamente, se converteu em um tabu interrogar que classe de conclusões ideológicas e psicológicas pode ser extraída sobre a sociedade israelense, uma sociedade onde tal comportamento não é um caso atípico; onde, em lugar de ser uma anomalia, é indicativo de uma importante, se não a principal atitude.

Este tratamento, inegavelmente bárbaro não é simples ódio e não pode ser explicado ou justificado. Porém, isso é precisamente o que fazem os meios de comunicação hegemônicos. Basta dizer que existem muitos analistas políticos, ativistas e outros que são tímidos quando se trata de condenar firmemente a sociedade e as atitudes israelenses. Eles estão, e com muita justificação, temerosos de ser demonizados como antissemitas, aterrorizados de que, em lugar de um diálogo aberto e um exame crítico, seus argumentos sejam distorcidos e qualificados como de ódio e racistas.

A mineração e os eco-chatos

A mineração e os eco-chatos
por Elaine​Tavares

"Uma única barragem como essa da Samarco está causando um rastro de destruição que se espalha não só pelo estado de Minas, mas vai caminhando pelas veias abertas dos rios e riachos, até chegar ao mar, onde também provocará forte desequilíbrio. Conforme informações do biólogo André Ruschi, diretor da escola Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi, em Aracruz (ES), só esse desastre compromete e impacta a vida marinha por mais de 100 anos. Ele não hesita em dizer que a irresponsabilidade da Samarco assassinou a quinta maior bacia hidrográfica do Brasil. “A natureza se regenera” dizem alguns, fazendo pouco caso dos efeitos do crime. Sim, é fato, ela se regenera. O que não se regenera é a vida perdida por conta desse tipo de exploração da riqueza.

Mas, afinal, quem se importa com o destino daqueles que são apenas mão-de-obra barata para o giro da roda do capital? Assim como nas guerras “limpas”, nas quais ninguém vê os corpos dilacerados, esse crime ambiental também tem seus corpos escondidos. A mídia, sempre afeita a um espetáculo, mostra o salvamento de cachorros como momentos de rara humanidade dos valorosos bombeiros – o que de fato, é – mas não mostra com igual destaque o acumulado de corpos de gente e bicho que adormece sob a lama. "
Desde muito tempo temos ouvido essa “acusação” quando alguém se levanta em luta pelo equilíbrio ambiental: eco-chatos, inimigos do progresso. Uma gente chata que não quer ver o desenvolvimento da nação. Hoje, com a nação perplexa diante da tragédia que se abateu sobre a vida em Minas, se faz mais do que necessário rever esse conceito. Qualquer pessoa que tenha consciência crítica sabe que o capitalismo enquanto tal é um produtor de misérias. A sua produção de mercadorias implica no seu contrário, ou seja, a destruição. Assim, se queremos falar da raiz oculta das relações de produção capitalista, temos que necessariamente falar em relações de destruição, como bem aponta o teórico Ludovico Silva no seu livro “A mais-valia ideológica”. Não é sem razão que os chamados eco-chatos – ou ambientalistas, ou gente que tem consciência da realidade, ou seja lá como os chamem – sempre denunciaram os riscos da mineração.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O que precedeu os ataques do estado islâmico na França

O que precedeu os ataques do estado islâmico na França
por Moon of Alabama

"Dezembro de 2012 - A França financia os rebeldes sírios num renovado esforço para expulsar Assad .

"A França se tornou-se o mais importante financiador da oposição armada síria e financia diretamente os grupos rebeldes em torno de Alepo, no quadro de um esforço renovado para derrubar o assediado regime de Assad. No mês passado grandes somas de dinheiro foram transferidas por representantes do governo francês, através da fronteira com a Turquia, para os comandantes rebeldes, de acordo com fontes diplomáticas. O dinheiro foi usado para comprar armas para o interior da Síria e financiar operações contra as forças lealistas."

Eis o que aconteceu dia 13 à noite: pelo menos 120 mortos nos ataques em Paris, Hollande decretou o estado de emergência. 

Homens armados e bombistas atacaram restaurantes, uma sala de concertos e um estádio desportivo, em vários locais em Paris, sexta-feira, fazendo pelo menos 120 mortos, num ímpeto assassino que o presidente François Hollande, muito comovido, qualificou como um ataque terrorista sem precedentes. 

O estado islâmico reivindicou o ataque

Mas quem tem fornecido armas e financiado o Estado islâmico ou as organizações precedentes que na Síria e no Iraque lhe deram origem? Vejam vós mesmos. 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Atentados em Paris não aconteceram

Atentados em Paris não aconteceram

"Como todos os atentados, visam locais icônicos que parecem seguir o velho roteiro hollywoodiano: era uma vez um lugar bonito e civilizado cuja ordem é quebrada pelo mal para depois a ordem ser reestabelecida pelos protagonistas – o Estado policial."

Acumulação, consonância e onipresença. Esses três palavras definem a atual cobertura da grande mídia brasileira aos ataques em Paris. Ao contrário da autêntica Chernobyl brasileira em que se transformou a catástrofe ambiental e humana em Mariana/MG com o rompimento da barragem de detritos da Vale do Rio Doce/Samarco. Por que essa diferença de tratamento? Há muitos motivos políticos e econômicos em não expor uma empresa privada anunciante na grande mídia. Mas também porque a essência do terrorismo é midiática para ser midiatizável. Os atentados em Paris foram praticamente um kit imprensa dado de mão beijada para as redações com personagens, histórias e roteiros prontos. Será que esse é o motivo da recorrência de relatos sobre a sensação de irrealidade em depoimentos de vítimas e testemunhas? E também o motivo da espiral de especulações sobre uma suposta Operação False Flag? E se os mais de 100 mortos não forem prova de que testemunhamos um acontecimento real?

Terminado o jogo França X Alemanha no Stade de France na fatídica noite de sexta-feira 13 dos ataques em Paris, os torcedores se dirigiram ao gramado à espera da autorização para deixar o local. Depois a TV mostrou ao vivo a multidão dirigindo-se aos corredores de saída. Cantavam a Marselhesa, agitando a bandeira da França e erguendo os punhos.

O papel da CIOLS na criação do PT e da CUT

O papel da CIOLS na criação do PT e da CUT
por Unidade Classista

"Esta mesma aliança da Igreja Católica (todas suas alas), com as diversas correntes, os renegados e ex-guerrilheiros arrependidos, que começavam a voltar ao país, conformam o PT. O discurso de defesa do socialismo pequeno-burguês e radicalismo antipatronal, é empregado para angariar prestígio junto às massas. Os revisionistas, que se opuseram inicialmente ao petismo, logo irão se incorporar à frente popular eleitoreira de Lula presidente. Derrotado nas primeiras disputas presidenciais, o PT assume descaradamente suas posições burguesas, com sucessivos rachas internos.

A trajetória da CUT é semelhante, é parte do mesmo processo. Assim como a CIOLS, seu surgimento em agosto de 83, já traz a marca de sindicalismo amarelo. Divisionistas, os sindicalistas petistas rompem com um processo que estava em curso desde o início dos anos 80, e que apoiava-se na onda de greves do período, para a construção de uma única central sindical no país. E o papel da CUT é impulsionar a construção do PT. E, assim como ele, a CUT adotou no início um discurso ultra-radical, antipeleguista e antigetulista. Pouco a pouco, esse discurso e sua prática foram transitando do radicalismo liberal para a colaboração de classes como doutrina. Hoje, tanto o partido quanto a central estão sob domínio absoluto da corrente Articulação, oriunda da CIOLS e dirigida por Luiz Inácio."

Nota: ( texto de 29/05/2015 ) Este artigo é da Unidade Classista, frente sindical do PCB. Se não é a única, a UC é uma das raríssimas organizações sindicais de classe no Brasil que assume a luta contra o sindicalismo amarelo, patronal, governista, pelego e de conciliação de classes no Brasil.


Uma profunda análise sobre o surgimento do PT e da CUT, suas vinculações com o imperialismo, via Ciols e a formação de suas lideranças por esta organização. Para deixar claro que as posições defendidas pelo PT e a CUT, hoje, têm raízes históricas, ao contrário dos que acusam uma suposta “traição”, apresentaremos uma síntese de sua trajetória.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O significado histórico da Revolução de Outubro


O significado histórico da Revolução de Outubro
Domenico Losurdo

"Quantos livros foram escritos para assimilar o comunismo ao nazismo ou ao fascismo, como formas diversas de ditaduras ou de regimes totalitários? Porem, se estudamos a história da Rússia do século 20, damo-nos conta de que a ideologia e os métodos que depois se tornaram próprios do fascismo e do nazismo emergem e se desenvolvem progressivamente como reação exatamente ao movimento revolucionário russo."

A União Soviética cede o lugar à Santa Rússia, a bandeira vermelha à tricolor czarista, Leningrado volta a se chamar São Petersburgo, os sovietes são bombardeados ou dissolvidos por Boris Yeltsin para serem substituídos pelas dumas, de feliz memoria czarista, numerosos partidos comunistas, entre os quais o italiano, mudam precipitadamente de nome para sublinhar sua diferença com respeito ao processo histórico iniciado com o Outubro de 1917: a nostalgia dos bons tempos antigos se difunde não apenas entre os leitores de folhetins transbordantes de amores e lágrimas dos rebentos das desaparecidas dinastias, mas também entre não poucos expoentes de uma historiografia e jornalismo sempre mais acriticamente "revisionista" e encontra, enfim, sua consagração nas tomadas de posição de João Paulo II, empenhado em retratar o nosso século como o século do pecado. Convém então dar uma espiada no mundo assim ternamente transfigurado pelos suspiros e pelas mistificações da ideologia dominante, o mundo revirado ou colocado radicalmente em crise pela revolução bolchevique.

Belle époque e ancien regime

No inicio do século 20, nenhuma nuvem revolucionaria parecia turvar a atmosfera encantada (para as cabeças coroadas e as classes dominantes) da belle époque. Em 1910, até um funeral, o de Eduardo VII da Inglaterra, deu ocasião para um extraordinário desfile e uma impressionante demonstração de força e de esplendor dos potentados e dignitários do antigo regime. No cortejo fúnebre, atrás "da carroça de canhão sobre a qual está colocado o corpo do soberano defunto", destacam-se o "ginete favorito do rei-imperador" e, mantido na coleira por um lacaio escocês, "Cesar, o fox-terrier branco amadíssimo pelo defunto rei". Depois, como recorda Amo J. Mayer, desdobra-se um séquito estupefaciente e grandioso. 

A propósito do conceito de “etapa” na luta pelo socialismo, nos planos ideológico e prático [1]

A propósito do conceito de “etapa” na luta pelo socialismo, nos planos ideológico e prático [1] 
por Pedro Miguel Lima


[Este trabalho é publicado por partes. Hoje publica-se a primeira parte]


"O partido proletário é o «instrumento» dirigente da revolução. Não pode ser reconhecido como comunista o partido que não trabalha, em primeira instância, para a revolução, por mais longínqua que ela possa estar, por mais sinuosos e perigosos os caminhos que a ela conduzem. "

I.

Introdução

A única etapa possível entre o capitalismo e o socialismo é a revolução socialista

Volta hoje a aparecer uma teoria das «etapas» para a passagem do capitalismo ao socialismo – não seria a revolução socialista –, que se encontra bastante popularizada, mas não é nova. Note-se que não se trata de etapas dentro do sistema capitalista, ou dentro do sistema socialista, ou no próprio processo da revolução, que, obviamente, existem e têm de ser equacionadas e definidas objetivamente; trata-se da aceitação de uma ou mais “etapas”, que não seria(m) capitalismo (ditadura da burguesia), nem socialismo (ditadura do proletariado), nem a revolução socialista. 

Esta questão esteve sempre presente no debate ideológico no seio do movimento comunista e operário desde os seus primórdios e reduz-se à luta entre a revolução e o reformismo. 

Recorde-se a «democracia avançada» dos finais dos anos 60, de Waldeck Rochet, secretário-geral do PCF1 , ou «democracia progressiva» de Berlinguer, secretário-geral do PCI. Estas teorias têm em comum a concepção do avanço para o socialismo a partir do capitalismo, de forma gradual e sem saltos. O salto, neste caso a revolução socialista, é eludido nessas teorias. Como na França e em Itália não se conseguiu fazer prova da sua validade – pelo contrário, deu-se um retrocesso brutal que levou ao desaparecimento dos respectivos partidos comunistas –, devemos refletir sobre este assunto.

A aclaração desta questão é fundamental para que os que continuam a defender e a lutar pelo socialismo como futuro da humanidade tenham consciência de qual é o caminho que devem seguir. 

Partimos para esta análise na base do marxismo-leninismo, que nasceu para orientar o caminho da humanidade no sentido do seu desenvolvimento pleno, para o fim dos modos de produção exploradores e alcançar uma sociedade sem classes, com a satisfação das necessidades de todos. 

sábado, 7 de novembro de 2015

Lutas dos povos africanos pela emancipação social

Lutas dos povos africanos pela emancipação social
por CARLOS LOPES PEREIRA

"Na África Ocidental, nos anos 60, o ganês Kwame Nkrumah, o congolês Patrice Lumumba ou o maliano Modibo Keita, combatentes pela independência dos seus países, que chegaram a governar, eram homens progressistas que pugnaram pela unidade africana e pela construção de sociedades desenvolvidas e sem exploração. Mais tarde, nos anos 80, um jovem capitão, Thomas Sankara, tomou o poder no Alto Volta, mudou o nome do país para Burkina Faso (“terra dos homens dignos”) e governou com apoio popular, antes de ser derrubado e assassinado. De orientação progressista foram também o primeiro presidente argelino, Ahmed Ben Bella, ou o líder egípcio Gamal Abdel Nasser, no Norte de África, ou o presidente tanzaniano Julius Nyerere, na África Oriental. Como combatentes anti-imperialistas destacaram-se, igualmente, Nelson Mandela, na África do Sul, Robert Mugabe, no Zimbabwé, ou Sam Nujoma, na Namíbia, chegados ao poder já nos anos 80 e 90."

"De um modo geral, entre as principais razões das dificuldades com que se depararam os regimes progressistas africanos, as quais diferem de caso para caso, destaca-se é certo a permanente acção de sapa do imperialismo (corrompendo as classes dirigentes, instigando divisões étnicas e religiosas, fomentando descontentamentos, inspirando ou promovendo golpes de estado de forma a garantir os seus interesses). Mas existem causas internas: a corrupção de sectores da burguesia nacional e a sua opção deliberada por «soluções» neocoloniais; a prioridade à resolução de problemas imediatos, numa situação de grande debilidade econômica; a estrutura da sociedade, sem uma classe trabalhadora forte e organizada e com classes e camadas sociais pré-capitalistas; e a inexistência de partidos políticos «armados» com uma ideologia revolucionária validada pela realidade."

Há em Portugal pouca informação sobre as lutas anti-imperialistas dos povos da África. Ao contrário do acontece em relação a processos transformadores em outras partes do mundo, da América Latina à Ásia, passando pela própria Europa.

Não admira, pois, que entre os comunistas e outros revolucionários surjam questões sobre a situação dos combates dos africanos pela sua emancipação social. Qual o balanço do trajeto dos modernos estados africanos? Por que falharam em África experiências que proclamaram o socialismo como objectivo? Quais as perspectivas de surgimento de regimes progressistas no continente?

Não é possível encontrar respostas únicas, e muito menos fáceis, para tais interrogações. Por um lado, porque a África é diferenciada, de região para região, de país para país e, por vezes, no seio de cada um dos seus 54 estados. Existem, como em outras paragens, diferenças enormes, de Norte a Sul, do Oeste ao Leste, quanto à geografia, aos recursos naturais, à população – de grande diversidade cultural étnica, linguística, religiosa –, à história, ao percurso político, à economia. Por outro lado, há múltiplos factores, internos e externos, por vezes imprevisíveis, que condicionam a evolução dos países, na África como nos outros continentes.

Apesar dessas diversidade e imprevisibilidade, pode-se contudo tentar esboçar traços comuns e evidenciar tendências no desenvolvimento contemporâneo das sociedades africanas.

Na segunda metade do século XX, a África conheceu um amplo e impetuoso movimento de libertação nacional.

No centenário da Teoria da Relatividade - Breve perfil científico e político de Einstein

No centenário da Teoria da Relatividade Breve perfil científico e político de Einstein
por JORGE REZENDE

"A Palestina foi dividida em 1947 pelas Nações Unidas e daí resultou a criação de Israel (coisa a que Einstein se tinha oposto em 1938), o que conduziu à guerra na região. Einstein e outros criticaram firmemente o massacre de Deir Yassin, em carta aberta ao New York Times, perpetrado pelo partido de Menachem Begin, Herut, equiparando-o aos «partidos nazis e fascistas» (Menachem Begin viria a ser primeiro ministro de Israel entre 1977 e 1983…). Em Maio de 1948 Israel tornou-se independente e Einstein declarou que se tratava da «realização dos nossos [dos judeus] sonhos». Quando, em 1952, lhe foi oferecida a presidência de Israel, Einstein, polidamente, recusou."

"Desde 1932, antes da fixação de Einstein nos EUA, até à data da sua morte, o FBI organizou um ficheiro que atingiu 1800 páginas. O seu telefone foi posto sob escuta, as suas cartas abertas, o lixo vasculhado. Ainda hoje (2015) o FBI diz que os seus «agentes investigaram a vida do famoso cientista Albert Einstein devido à sua associação com alguns grupos testa-de-ferro dos comunistas e as ligações da sua secretária com a inteligência soviética na Alemanha nos anos 1930». Diga o FBI o que quiser. Einstein, além de ser um genial cientista, limitou-se a praticar o seu próprio programa: desenvolver um alto «sentido de responsabilidade pelos outros homens, em lugar da glorificação do poder e do sucesso na nossa sociedade actual»."

De Albert Einstein (1879, Ulm, Alemanha – 1955, Princeton, EUA) aquilo que todos sabem é que formulou a teoria da relatividade, que foi um dos maiores cientistas de sempre e pouco mais. Mas Einstein publicou mais de 300 artigos científicos e de 150 artigos sobre outras matérias. Relembremos apenas alguns dos seus resultados mais importantes.

Produção científica

Em 1905, o seu ano «annus mirabilis», publicou quatro artigos fundamentais sobre o efeito fotoeléctrico (sugere que a energia é apenas trocada em pequenas quantidades, «quanta», o que levou ao desenvolvimento da mecânica quântica), o movimento browniano (explicava o resultado experimental da teoria atómica), a relatividade especial (baseado no conhecimento experimental de que a velocidade da luz é finita) e a equivalência entre a massa e a energia (E = mc², que esteve na base da energia nuclear) que o tornariam famoso.

Entre 1907 e 1915, desenvolveu a relatividade geral segundo a qual a atracção gravitacional entre massas resulta da deformação do espaço e do tempo provocada por essas massas, o que se revelou muito importante no desenvolvimento da astrofísica. Em 1919, na ilha do Príncipe, Arthur Eddington, por ocasião de um eclipse solar, verificou experimentalmente a curvatura da luz em volta do sol, confirmando assim a previsão de Einstein.

Em 1921 recebeu o prémio Nobel da Física, não pela teoria da relatividade, que ainda era controversa, mas pelos seus «serviços na física teórica», com destaque para a descoberta da lei do efeito fotoeléctrico.

Einstein trabalhou ainda na teoria da radiação, mecânica estatística, na construção de teorias do campo unificado, na interpretação probabilística da teoria quântica, em probabilidades de transição atómicas, na cosmologia relativista, etc.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Brasil : Quem choca o ovo da serpente?

Quem choca o ovo da serpente?
por Afonso Costa

"O recrudescimento do fascismo não é de hoje. Iniciou em nível internacional na Europa no final do século passado, como não poderia deixar de ser. A volta dos velhos “ideais” totalitários partiu de algumas premissas básicas: o fim da União Soviética e a consequente ofensiva do capital, com a financeirização da economia, a chantagem sobre os governos a partir da autoproclamada dívida pública e a adesão de alguns setores, até então progressistas, a essas políticas, além da incapacidade da esquerda de fazer frente a esse movimento.

No Brasil não foi diferente. O avanço dos setores ultraconservadores começou no governo Collor, continuou no Itamar, acelerou durante os oito anos de FHC e encontrou vasto campo nos governos petistas.

A crise que estourou em 2008 inegavelmente é fator determinante para o fortalecimento do fascismo, que esteve durante muito tempo no ostracismo, mas jamais foi extinto. As dificuldades enfrentadas pelas grandes corporações foram transferidas para os estados nacionais e, consequentemente, para os trabalhadores e a sociedade em geral, particularmente as camadas médias e mais carentes da população."

O fascismo colocou as garras e as presas para fora. A ofensiva da ultradireita se dá em todas as direções, ataca todo e qualquer espaço social.

Vários casos recentes ilustram essa realidade: as agressões ao líder do MST, João Pedro Stédile, ao ex-candidato à Presidência da República pelo PCB, professor Mauro Iasi, ao ex-senador Eduardo Suplicy, ao racismo contra a atriz Taís Araújo, aos direitos das mulheres, dos índios e dos trabalhadores na Câmara dos Deputados, as agressões contra os movimentos grevistas, em especial os professores, entre tantos outros.

O recrudescimento do fascismo não é de hoje. Iniciou em nível internacional na Europa no final do século passado, como não poderia deixar de ser. A volta dos velhos “ideais” totalitários partiu de algumas premissas básicas: o fim da União Soviética e a consequente ofensiva do capital, com a financeirização da economia, a chantagem sobre os governos a partir da autoproclamada dívida pública e a adesão de alguns setores, até então progressistas, a essas políticas, além da incapacidade da esquerda de fazer frente a esse movimento.

No Brasil não foi diferente. O avanço dos setores ultraconservadores começou no governo Collor, continuou no Itamar, acelerou durante os oito anos de FHC e encontrou vasto campo nos governos petistas.

A crise que estourou em 2008 inegavelmente é fator determinante para o fortalecimento do fascismo, que esteve durante muito tempo no ostracismo, mas jamais foi extinto. As dificuldades enfrentadas pelas grandes corporações foram transferidas para os estados nacionais e, consequentemente, para os trabalhadores e a sociedade em geral, particularmente as camadas médias e mais carentes da população.

A falta de resposta dos progressistas abriu espaço para que setores conservadores tomassem a frente das demandas populares, algumas vezes conduzindo-as diretamente à xenofobia, ao imobilismo subserviente ao capital e à busca por saídas totalitárias.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

«Façamos nós, por nossas mãos, tudo o que a nós diz respeito»

«Façamos nós, por nossas mãos, tudo o que a nós diz respeito»
Por João Vilela

"São variadíssimos os méritos que podemos e devemos atribuir ao PC Grego e ao seu contributo para a correcção de sérios desvios programáticos e estratégicos no seio do movimento comunista internacional, a começar pelo mais nocivo de todos eles, o reformismo.Mas permito-me salientar o mérito inestimável de, mais do que uma denúncia puramente doutrinária desse desvio e das suas inconformidades com o marxismo-leninismo, o PC Grego ter proposto – e aplicado – ao movimento comunista internacional uma linha de acção política que corrige de forma prática esse desvio reformista: se a raiz do reformismo está no «cretinismo parlamentar», para citarmos Engels, de tudo encarrilar para as instituições burguesas na esperança (ingénua…) de nelas conseguir ganhos de causa duradouros para o proletariado, como se os ganhos obtidos e plasmados na lei burguesa não fossem efémeros e apenas existentes na estrita medida em que uma força material de trabalhadores organizados os pode impor – contra esse reformismo o PC Grego desenvolve e aplica uma linha a que poderíamos chamar de «desinstitucionalização» do combate do proletariado. Não que se abandonem as organizações do Estado burguês, as quais, por ora, oferecem ainda uma frente de trabalho merecedora da atenção das forças da revolução na Grécia. "

Decorrerá no próximo dia 12 de Novembro uma Greve Geral na Grécia. Neste momento, um poderoso movimento popular de luta, de que fazem parte estudantes, marinheiros mercantes, os trabalhadores do comércio, os camponeses pobres, e todas as camadas que o PC Grego procura agregar em torno de uma Aliança Popular que tome o poder e construa o socialismo, sacode a Grécia com acções de luta nas ruas e locais de trabalho. Ainda no passado dia 15 de Outubro a Frente Militantes de Todos os Trabalhadores (PAME), liderada pelos comunistas gregos, ocupou um ministério, e mais acções de ocupação, desta feita de câmaras municipais, ocorreram em finais de Outubro/inícios de Novembro por um movimento popular fortíssimo, que transformava tais ocupações em momentos de elaboração de cadernos reivindicativos das populações, a serem exigidos junto das autoridades.

São variadíssimos os méritos que podemos e devemos atribuir ao PC Grego e ao seu contributo para a correcção de sérios desvios programáticos e estratégicos no seio do movimento comunista internacional, a começar pelo mais nocivo de todos eles, o reformismo.Mas permito-me salientar o mérito inestimável de, mais do que uma denúncia puramente doutrinária desse desvio e das suas inconformidades com o marxismo-leninismo, o PC Grego ter proposto – e aplicado – ao movimento comunista internacional uma linha de acção política que corrige de forma prática esse desvio reformista: se a raiz do reformismo está no «cretinismo parlamentar», para citarmos Engels, de tudo encarrilar para as instituições burguesas na esperança (ingénua…) de nelas conseguir ganhos de causa duradouros para o proletariado, como se os ganhos obtidos e plasmados na lei burguesa não fossem efémeros e apenas existentes na estrita medida em que uma força material de trabalhadores organizados os pode impor – contra esse reformismo o PC Grego desenvolve e aplica uma linha a que poderíamos chamar de «desinstitucionalização» do combate do proletariado. Não que se abandonem as organizações do Estado burguês, as quais, por ora, oferecem ainda uma frente de trabalho merecedora da atenção das forças da revolução na Grécia. 

Mas progressivamente se tem corrigido a fé excessiva nessa frente de trabalho que as décadas de hegemonia reformista instalaram nas fileiras do comunismo, substituindo-a pela única coisa que pode, solidamente, garantir o progresso das forças populares e o recuo, e enfim a derrota, da classe dominante: a organização popular, nos locais de trabalho, nos bairros populares, nas escolas, nas zonas rurais, dotando os trabalhadores e os estratos pobres de capacidade de combate social, de luta política, com força ascendente. Nada que não seja isto alguma vez significará qualquer passo adiante, digno desse nome para os trabalhadores.

Empoderarmo-nos para derrubar o patriarcado

Empoderarmo-nos para derrubar o patriarcado ( em galego)
Artigo publicado no Combater nº9, o noso voceiro nacional.

"O heteropatriarcado é umha estrutura perigosa tam incrustada na sociedade que é apenas perceptível polas pessoas que se revolucionam contra tudo o que conheciam -ou o que lhes figerom conhecer-. Este tirano ordena que tipo relaçons tanto sexuais como afetivas devemos manter para sermos bem vistas polo resto das pessoas, que características físicas devemos conseguir para ter éxito, ou quanto mais nos devemos esforçar para lograr o mesmo que um homem. Amparado polo capitalismo, que lhe proporciona os mecanismos para atuar, o patriarcado submetem-nos à posiçom de jovens dependentes da aprovaçom alheia, inseguras no caminho de chegar a ser o que se aguarda de nós e frágiles em materia de autoestima, podendo sacar todo tipo de proveito das nossas versons minguadas."


O nosso corpo é a forma que temos de estar no mundo, de caminhar por ele, de experimentar, sentir, comunicar-nos com outros corpos… É, em realidade, o único que temos. Capaz de dar forma oral ou escrita a todo o que nos passa pola mente, é a nossa principal ferramenta. Sendo tam importante, por que nos ensinarom a odiar o que nos é próprio, a atopar defeitos no natural, a criminalizar cada mulher que sai dos moldes impostos?

O heteropatriarcado é umha estrutura perigosa tam incrustada na sociedade que é apenas perceptível polas pessoas que se revolucionam contra tudo o que conheciam -ou o que lhes figerom conhecer-. Este tirano ordena que tipo relaçons tanto sexuais como afetivas devemos manter para sermos bem vistas polo resto das pessoas, que características físicas devemos conseguir para ter éxito, ou quanto mais nos devemos esforçar para lograr o mesmo que um homem. Amparado polo capitalismo, que lhe proporciona os mecanismos para atuar, o patriarcado submetem-nos à posiçom de jovens dependentes da aprovaçom alheia, inseguras no caminho de chegar a ser o que se aguarda de nós e frágiles em materia de autoestima, podendo sacar todo tipo de proveito das nossas versons minguadas.

Se observamos os nossos corpos, atopamos pelos, estrias, manchas, marcas, grans, partes dum tamanho diferente aos modelos que atopamos nas revistas, na televisom, nos valados publicitários. Crecemos ilhadas da realidade que afeta às outras mulheres e cremos que nom som coma nós; ou, melhor, nós coma elas. Estamos convencidas de que os problemas que temos nós nom o tenhem as modelos, as atrizes, as mulheres de poder; as imperfeiçons afetam somente às nossas vizinhas do mundo real, às que nom tenhem pós-produçom no photoshop. Temos que aprender a diferenciar a ficçom da realidade e entender os interesses económicos que movem as campanhas nas que aparecem as mulheres irreais que tomamos por exemplo. Irreais porque as modificam até que se asemelham à ideia, porque em realidade elas som e sofrem coma nós, em maior ou menos medida, porque nom escapam do sistema de opressom patriarcal, porque elas também som mulheres num mundo machista. As nossas inimigas nom som aquelas companheiras que encaixam nos patrons de beleça establecidos, o nosso inimigo é qualquer forma de poder que perpetue estes roles. O princípio de sororidade deve primar sobre a sua violência simbólica e sobre as suas tentativas de dividir-nos; polo que nos unimos as gordas, as fracas, as baixas, as altas, as que nos depilamos e as peludas, as que nos gusta maquilhar-nos e as que nom, para denunciar umha vez mais este sistema que nos atonta, violenta e mata.

Como falar de modo "equilibrado" acerca do conflito na Palestina

Como falar de modo "equilibrado" acerca do conflito na Palestina – Dicionário das palavras mais utilizadas pelos media corporativos e pelos políticos ocidentais
por Majed Bamya

"Civil: Esta palavra jamais se aplica a um palestino, mesmo que seja criança. Em contrapartida, aplica-se sem escrúpulos aos colonos armados e aos reservistas do exército israelense. Encara-se seriamente ampliar a sua utilização aos soldados de ocupação na activa.

Segurança: Direito exclusivamente reservado a israelenses. Este direito permite justificar tudo: bombardeamentos cegos, massacres, construção de um muro em pleno território palestino, prisões arbitrárias em massa, incursões, execuções extrajudiciais, demolição de casas e punições colectivas como o cerco imposto a 1,8 milhão de palestinos em Gaza."


Este dicionário permite compreender melhor a desinformação dos meios de comunicação corporativos quanto aos acontecimentos na Palestina. Para entender os desenvolvimentos da situação ali é indispensável aprender as manipulações semânticas utilizadas pelospresstitutos

Escalada: termo utilizado pelo governo israelense e por certos meios de comunicação quando é morto um israelense. Mas é preciso pelo menos uma centena de mortos palestinos para que eles falem de uma escalada da violência do lado israelense. 

Civil: Esta palavra jamais se aplica a um palestino, mesmo que seja criança. Em contrapartida, aplica-se sem escrúpulos aos colonos armados e aos reservistas do exército israelense. Encara-se seriamente ampliar a sua utilização aos soldados de ocupação na activa. 

Segurança: Direito exclusivamente reservado a israelenses. Este direito permite justificar tudo: bombardeamentos cegos, massacres, construção de um muro em pleno território palestino, prisões arbitrárias em massa, incursões, execuções extrajudiciais, demolição de casas e punições colectivas como o cerco imposto a 1,8 milhão de palestinos em Gaza. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Brasil : A armadilha do superávit primário

A armadilha do superávit primário
por Paulo Kliass*


"Junto com Levy e sua equipe, instalou-se no interior do núcleo duro do governo uma abordagem conservadora da conjuntura econômica e a solução que passou a ser vocalizada se resumia ao tema da situação fiscal, alardeada aos quatro ventos como sendo catastrófica. Os meios de comunicação se encarregavam de amplificar, de forma articulada e disciplinada, essa voz única do já surrado discurso de que “não existem alternativas”. Em pouco tempo foram desenhados os primeiros rascunhos do austericídio. O governo preparava o terreno para ampliar os efeitos dos primeiros sinais da recessão das atividades econômicas, das falências e do desemprego. Aliás, acelerava na contramão de todos os avisos lançados por economistas como Maria Conceição Tavares, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marcio Pochmann e outros:"
Com o intuito de salvaguardar os interesses da banca global, o FMI e o Banco Mundial impuseram aos governos a obtenção de um excedente nas contas fiscais.

O imobilismo do governo federal tem contribuído de forma significativa para o Brasil penetrar perigosamente no pântano da recessão econômica. Essa trajetória, que carrega consigo as marcas do triste e do trágico, encontra sua explicação na submissão que acometeu a Presidente Dilma frente às conversas sedutoras proporcionadas pela turma do financismo.

Afinal, para quem acompanhou os debates e as polêmicas travadas ao longo do mês de outubro do ano passado, imaginava-se que a vitória da candidata de coração valente significaria a retomada segura do projeto desenvolvimentista e a busca de caminhos para dar continuidade ao processo de superação das desigualdades e de consolidação de um país efetivamente justo e democrático.

No entanto, a surpresa teve início logo após o anúncio dos resultados oficiais, com a confirmação de sua recondução ao Palácio do Planalto. Em busca de pacificação com os setores mais conservadores de nossa sociedade, a Presidenta fez muito mais do que a nomeação de adversários históricos do povo e dos trabalhadores para a composição de seu ministério, a exemplo de Katia Motosserra Abreu, Gilberto Kassab, Guilherme Afif Domingues, Armando Monteiro, entre outros.

Bilionários: o capitalismo e suas aberrações

Bilionários: o capitalismo e suas aberrações
por Diário Liberdade - Júlio Bonatti


"O mais interessante é que eles inventaram uma religião própria: o Empreendedorismo. Dizem que já ultrapassou o cristianismo em número de adeptos. Alguns de seus mantras são do tipo: “Tenha perseverança e acredite nos seus sonhos”; “Tempo é dinheiro”; “Um dia sem lucro é um dia desperdiçado” etc.

Em seus cultos os fiéis costumam dar o testemunho de como ganharam o primeiro milhão de dólar antes dos vinte anos de idade – e quem não segue esses modelos de superação de “quem venceu na vida”, jamais poderá ocupar um lugar no olimpo dos bilionários. E a juventude de uma nova “geração de valor” idolatra esses heróis, lê suas hagiografias, repete suas palavras santas de manhã antes de ir à labuta."

Vencedores, santos, heróis... muitas são as alcunhas que recebem por aí determinados indivíduos do mundo capitalista que concentram imensas fortunas.

Esses são os “bilionários”, uma espécie distinta de ser humano que precisa de uma quantidade excessiva de dinheiro para levar adiante a vida.

Mas não são muitos. Enquanto os homens e mulheres normais se encontram no rol dos sete mil milhões de pessoas, os bilionários mal passam de umas duas mil cabeças. Vivem em nichos específicos, habitats criados por eles e para eles, numa forma de “seleção artificial” dos espaços e dos espécimes aptos a uma reprodução adequada.

Alguns biólogos disponibilizam um catálogo para acompanhar o desenvolvimento desses veneráveis bilionários, todos minuciosamente controlados em tempo real: medidos, pesados, bem tratados e biografados. [Quem tiver curiosidade pode acessar o seguinte sítio: http://www.infomoney.com.br/bloomberg/bilionarios]