Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Violência contra mulheres na Argentina

Violência contra mulheres na Argentina
por Tatiana Félix - Jornalista da Adital
 
"É necessário considerar a violência sexista, como uma questão política, social, cultural e de Direitos Humanos, desta forma se poderá ver a grave situação em que vivem as mulheres, meninas e meninos na Argentina como uma realidade coletiva pela qual se deve atuar de maneira imediata"
 
 
Com 255 casos de feminicídios em 2012, relatório aponta necessidade de políticas e leis de combate à violência contra mulheres.



O Observatório de feminicídios na Argentina "Adriana Marisel Zambrano", coordenado pela Associação Civil A Casa de Encontro, publicou os dados do Informe de investigação de feminicídios no país, observados de 1º de janeiro até 31 de dezembro de 2012 com base em casos relatados por agências informativas e meios de comunicação.

De acordo com o documento, neste período foram registrados 255 feminicídios vitimando mulheres de todas as faixas etárias, mas, principalmente, pela ordem de casos, as que se encontravam com idade entre 31 e 50 anos; seguidas pelas de 19 a 30; e 51 a 65 anos. Bebês, crianças, adolescentes e idosas também foram vítimas dos crimes de gênero. Por causa dos feminicídios 248 crianças ficaram órfãs de mães neste período, assim como 64 filhos/as adultos/as. Além dos assassinatos, o relatório destaca ainda que 7 mulheres continuam desaparecidas com antecedentes de terem sofrido violência de gênero, algumas estão desaparecidas desde 2004, 2005 e 2009.

De modo geral, os agressores têm vínculos próximos com as vítimas. O informe apurou que a grande maioria dos crimes é cometida por esposos, companheiros, namorados e amantes ou ex. Em menor escala aparecem pais, padrastos ou outros familiares, e até vizinhos e conhecidos. Na maioria dos casos, eles usam armas de fogo, golpes, apunhaladas, estrangulamento, asfixia, enforcamento, entre outros. Os crimes acontecem, em primeiro lugar, na moradia da vítima, em seguida em moradia compartilhada com o agressor, em via pública e outros locais.

Grécia : Resistência firme à barbárie

Gregos manifestam-se em 70 cidades em dia de greve geral
Resistência firme à barbárie
 


"Mais recentemente, o jornal conservador To Vima divulgou o teor de um projecto de lei, preparado pelo Ministério do Trabalho, que condiciona o exercício da greve à aprovação de todos os trabalhadores de uma dada empresa.
Face à ameaça de uma greve, o patronato teria ainda o direito de decretar o lock-out, ou seja, encerrar provisoriamente a empresa."
 
 
Trabalhadores gregos dos vários sectores manifestaram-se, dia 20, em 70 cidades, durante mais uma jornada de greve geral de 24 horas que paralisou o país.Greve geral expressa indignação popular


A paralisação foi convocada por todas as centrais sindicais que mobilizaram mais de 100 mil trabalhadores nas manifestações em Atenas, metade dos quais, sob as bandeiras da Frente Militante de todos os Trabalhadores (PAME), desfilaram até ao edifício do Parlamento.

Após seis anos consecutivos de recessão económica e três de austeridade, o desemprego triplicou, atingindo agora 27 por cento da população activa, e mais de 60 por cento dos jovens com menos de 25 anos.

O ataque aos salários e regalias sociais é acompanhado de uma fortíssima ofensiva contra a contratação colectiva, visando colocar os trabalhadores à inteira mercê do patronato. O próprio direito à greve está colocado em causa pela coligação governamental (ver caixa).

Testemunhando um alargamento da frente social de resistência, nas manifestações organizadas pela PAME, pequenos e médios agricultores, em luta desde há várias semanas, juntaram-se aos trabalhadores, pequenos comerciantes e jovens, trazendo para a capital os seus tractores, com os quais bloquearam as principais auto-estradas.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Harry, o inclemente - Príncipe vai ao safári

Harry, o inclemente, vestindo uniforme camuflado no afeganistão. Que gracinha!...
Príncipe Harry vai ao safári -  Harry, o inclemente
por R. Mineiro


Príncipe Harry é capitão da força aérea britânica. No Afeganistão, fica alojado no setor dos oficiais da aeronáutica, tudo planejado para parecer que o príncipe vive nas mesmas condições de seus colegas. Mas o que é real tem seu charme especial...

 
 
"Eu matei Talibãs".
 
 
 
Esta frase foi o ponto alto da série de entrevistas feita pela Associated Press com o terceiro na linha de sucessão do Reino Unido, o príncipe Harry. O mesmo que há alguns anos, por "brincadeira", apareceu vestido de oficial da SS nazista em uma festa à fantasia. Harry serve hoje como oficial nas forças aéreas britânicas. 

Com um sorriso contido ensaiado, contou ao repórter, em tom de segredo, suas façanhas no Afeganistão. Que coragem! Do alto de um moderno helicóptero, metralhar guerrilheiros Talibãs cercados. Obedecendo ao script da assessoria de imprensa da família real, o repórter se fez surpreso e a notícia ganhou o mundo no final de janeiro do presente ano.

Aqui do Brasil, fico imaginando como de fato correu a cena...

Príncipe Harry é capitão da força aérea britânica. No Afeganistão, fica alojado no setor dos oficiais da aeronáutica, tudo planejado para parecer que o príncipe vive nas mesmas condições de seus colegas. Mas o que é real tem seu charme especial...

É parte do protocolo da corte que os cômodos ao lado do quarto principesco sejam reservados a agentes do MI5, serviço secreto inglês, para cuidarem da segurança do jovem herdeiro. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Violação de direitos não é mais consequência, mas condição da lógica econômica

Violação de direitos não é mais consequência, mas condição da lógica econômica
 
Escrito por Eduardo Gudynas
 
 
 


"A ‘extrahección’ também descreve as circunstâncias de empreendimentos que se impõem silenciando de maneira distinta as vozes cidadãs. Nos últimos anos, tem sido comum a volta da judicialização dos protestos, iniciando-se ações legais contra seus líderes, que são submersos por processos que duram anos, têm seus bens embargados, suas viagens restringidas etc. Um outro passo é criminalizar as ações cidadãs, colocando-as à sombra de atos de vandalismo, sabotagem ou terrorismo. Recentemente, o Observatório de Conflitos Mineiros da América Latina (OCMAL) coletou casos de criminalização em vários países latino-americanos.

Finalmente, na ‘extrahección’, também se chega à violência direta através de distintos formatos. Esta pode estar em mãos de indivíduos ou a cargo de grupos, os quais, por sua vez, podem ser força de segurança ou paramilitares, ou estar em mãos das próprias forças estatais (policiais ou militares). Uma recente revisão internacional detectou que as três maiores corporações na área de mineração (Rio Tinto, Vale e BHP Billition) têm estado envolvidas em casos de violência, vários dos quais na América Latina."
 
‘Extrahección’ (super-extração) é um termo novo para descrever a apropriação dos recursos naturais desde a imposição de poder e violação dos direitos humanos e da natureza. A palavra é nova, mas o conceito é bem conhecido. Descreve situações que pouco a pouco estão se tornando mais comuns, assim como os empreendimentos de mineração ou petroleiros impostos em um contexto de violência, ignorando as vozes dos cidadãos, deslocando comunidades camponesas ou indígenas, ou contaminando o meio ambiente.

‘Extrahección’ é uma palavra que provem do latim ‘extrahere’, que significa tomar algo, arrancando-o ou arrastando-o. É, portanto, um termo adequado para descrever situações onde se arrancam os recursos naturais, seja das comunidades locais ou da natureza. Nestas circunstâncias, violam-se diversos direitos, e este precisamente é o aspecto que se põe em evidência com este novo termo. Os direitos violados cobrem uma vasta gama, entre os quais se podem indicar alguns para tomar consciência da gravidade destas situações.

Impactos ambientais, como a destruição de ecossistemas silvestres, a contaminação das águas, solos, ar ou a perda de acesso à água, são todas violações dos chamados direitos de terceira geração. Estes estão focados na qualidade de vida de um ambiente ou em um ambiente são, e entre os exemplos conhecidos se pode indicar a contaminação por agrotóxicos nas monoculturas de soja. Em países onde mais se reconhecem os direitos da natureza (como no Equador), existem empreendimentos extrativistas que são claramente incompatíveis com o mandato ecológico constitucional.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A batalha da esquerda e as redes sociais

A batalha da esquerda e as redes sociais
Por Pascual Serrano, do Rebelión
 
"A ofensiva tecnológica-virtual parece projetada para fugirmos da realidade autêntica e nos metermos numa realidade virtual para assim nos neutralizar. Existem jogos na internet para crianças – e adultos – que o sistema lhe premia com "créditos" para comprar objetos virtuais, depois de enviar uma mensagem de texto do celular com custo real. Isto é, troca-se com toda a inconsequência dinheiro real por virtual. Do mesmo modo atua grande parte da revolução tecnológica: rouba-nos a vida real, sobretudo se uma vida potencialmente crítica e subversiva, e nos dá em troca a vida virtual. Esse é um dos objetivos da assim chamada "brecha digital", enquanto pobres do mundo morrem de fome, os que têm de comer são detidos e levados ao mundo virtual, o mundo feliz de Aldous Huxley onde não terão de se preocupar com os pobres. Toda esta enxurrada tecnológica tem como resultado principal o isolamento do indivíduo."
 
 
Consideram-se redes sociais como Facebook e suportes como Youtube exemplos do grande alcance da democratização da informação, sem perceber que se tratam de empresas privadas que, por meio de uma tecla lá de seus centros de controle, podem eliminar um conteúdo subversivo e fazer desaparecer um usuário. Já há muitos casos para contar.
 

As novas tecnologias, a internet e as redes sociais têm chegado à sociedade com uma auréola de democratização, participação e igualdade que levou concomitantemente uma fascinação progressista unida ao caráter inovador inerente da tecnologia. Não se trata somente de aparatos, suportes e formatos fascinantes tecnologicamente – como toda tecnologia inovadora –, mas que também adiante resultavam, quando igualitárias e baratas, libertadoras na medida em que pareciam romper o monopólio da difusão dos grandes grupos de comunicação e grandes empresas. Não se podia querer outra coisa. E não negaremos que parte de tudo isso é verdade. Mas a questão é que existem muito mais elementos ao redor das novas tecnologias para o que devemos estar preparados; e é necessário discutir criticamente esse mito progressista que envolve esse novo fenômeno comunicativo.

Devemos nos perguntar se as redes sociais são um instrumento de socialização ou, pelo contrário, de isolamento. Já sabemos que 39% dos usuários dessas redes passam mais tempo socializado por meio desses canais do que com outras pessoas, cara a cara. As motivações que levam ao uso da rede e seus conteúdos, o exibicionismo da intimidade, a vaidade e o egocentrismo são prioritários em redes como Facebook em detrimento do interesse de formar-se cultural ou intelectualmente. Pensa-se que os formatos dessas redes são um fenômeno de revolução popular com signo progressista, mas, como na maioria dos produtos culturais promovidos pelo mercado moderno, o domínio segue sendo o da frivolidade. Um estudo do Twitter mostrou, em 2012, que o os picos de atividade coincidiram com os gols da Eurocopa, quando os usuários o usaram para comemorá-los (veja nota 1 abaixo). O jogador Fernando Torres tinha 318.714 seguidores no Twitter, e o único tweet que tinha escrito na rede era um em inglês, meio ano antes, dizendo algo como “ainda não comecei no Twitter, mas esta é a minha página oficial e já está pronta para quando chegar o momento oportuno”. De modo que centenas de milhares de pessoas estavam seguindo alguém que nada dizia.

Álvaro Cunhal - A independência e a soberania nacionais

Revisitando Álvaro Cunhal
A independência e a soberania nacionais
 
 

A revolução de 1383-1385

«A insurreição burguesa de 1383, acompanhada por amplas e profundas revoltas camponesas e «proletárias» que abalaram de alto a baixo a sociedade portuguesa, não triunfou apenas sobre a nobreza do país. Teve também de vencer a intervenção reaccionária castelhana, preparada e provocada por aquela. A revolução burguesa identificou-se com uma luta nacional pela independência. A vitória da nação portuguesa foi assim uma grande vitória das forças progressistas sobre as forças reaccionárias de Portugal e Espanha.»

«Sentindo o terreno a fugir-lhe debaixo dos pés, incapaz de suster com os seus recursos próprios o movimento revolucionário, a nobreza procura deliberadamente a entrada em acção contra a revolução ascendente do aparelho militar da aristocracia territorial de além-fronteiras. Nessa sua política, a nobreza de então seguiu o caminho que sempre têm seguido as classes dominantes, quando sentem em perigo a sua existência. Ante a ameaça de serem desapossadas dos seus privilégios, as classes parasitárias preferiram sempre, a uma vitória das forças nacionais progressivas, a dominação do seu país por um Estado estrangeiro que abafe a revolução e lhes mantenha esses privilégios. Política de traição nacional – tal foi no século XIV a política da nobreza territorial contra o movimento revolucionário ascendente da burguesia como hoje é a política da burguesia monopolista contra o movimento ascendente do proletariado.»

«Então como sempre, os patriotas dedicados foram os combatentes revolucionários e a traição ao país encontrou-se nas forças da reacção. A insurreição burguesa, acompanhada por extensos e violentos levantamentos camponeses, tomou, assim, desde a primeira hora, uma orientação política geral, polarizando as aspirações da população laboriosa no objectivo da defesa da independência contra um Estado estrangeiro e contra a classe que de Portugal (a nobreza) provocara deliberadamente a sua intervenção. A luta pela independência não foi mais que um aspecto revestido pela revolução burguesa, dado o recurso da aristocracia ao auxílio estrangeiro. Por isso mesmo, a defesa vitoriosa da independência é o melhor certificado da vitória interna da burguesia contra a aristocracia reaccionária.

«Ocultando o carácter de classe do movimento revolucionário e insurreccional dos fins do século XIV, os historiadores burgueses têm-se esforçado sistematicamente por apresentá-lo como uma luta comum de todas as classes. É tão grosseiro apresentar uma época de crise e de luta armada entre classes como um momento de particular colaboração e harmonia entre elas, que a mistificação se torna clara por si só.»

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Deve e haver

Deve e haver
por João Ferreira

"Cai por terra a demagogia do PS e, em geral, da social-democracia europeia, dizendo que a aprovação do Tratado Orçamental – que eterniza a austeridade e configura um intolerável ataque à democracia e à soberania nacional – teria como contrapartida o aumento substancial do orçamento da UE. Um embuste, como então alertámos, que evidencia a cumplicidade da social-democracia com o rumo da UE e que lança alguma luz sobre as intenções que se escondem por detrás da retórica do «mais Europa»."



A proposta de Quadro Financeiro Plurianual 2014-2020, aprovada no último Conselho Europeu, merece atenta reflexão e análise. Esta é uma questão da maior importância. Não apenas para uma melhor e mais actual caracterização do desenvolvimento do processo de integração capitalista europeu, mas também para a definição e o acerto de orientações relativamente ao posicionamento do nosso País neste processo.

A decisão agora tomada vem estabelecer as linhas com que se vão coser os orçamentos da UE até 2020. Sem prejuízo da necessária análise mais fina das múltiplas implicações deste Quadro Financeiro, é possível avançar desde já com uma apreciação geral ao seu significado e impacto. Esta apreciação é tanto mais necessária quanto se impõe responder a algumas linhas de propaganda governamental em desenvolvimento.

Uma primeira nota a sublinhar: pela primeira vez, estamos perante uma diminuição do orçamento da UE, em termos nominais. O orçamento estará abaixo de um por cento do Rendimento Nacional Bruto do conjunto de países da UE.

Cai por terra a demagogia do PS e, em geral, da social-democracia europeia, dizendo que a aprovação do Tratado Orçamental – que eterniza a austeridade e configura um intolerável ataque à democracia e à soberania nacional – teria como contrapartida o aumento substancial do orçamento da UE. Um embuste, como então alertámos, que evidencia a cumplicidade da social-democracia com o rumo da UE e que lança alguma luz sobre as intenções que se escondem por detrás da retórica do «mais Europa».

Limpeza étnica em Israel


Limpeza étnica em Israel
por Baby Siqueira Abrão
correspondente no Oriente Médio


O reconhecimento, por parte das autoridades israelenses, da esterilização das mulheres etíopes que professam a religião judaica – e que migram para Israel usando a “lei do retorno” (allyah), segundo a qual todo judeu do mundo pode “voltar” a Israel, mesmo que jamais tenha posto os pés lá – foi manchete em quase toda a mídia internacional, corporativa e independente. A questão levantou debates intensos em círculos feministas, de direitos humanos, dos direitos da população negra e na sociedade israelense. Uma leitura atenta das cartas dos leitores publicadas na mídia de Israel mostra uma maioria perplexa e crítica, mas houve também quem defendesse a esterilização, e não foram poucos – espelho de uma sociedade política, econômica, social, religiosa e culturalmente bastante diversificada. E dividida.

Mas com um novo Parlamento tomando posse e discussões em torno do futuro primeiro-ministro – Benjamin Netanyhau deve ser eleito para seu segundo mandato consecutivo, e o terceiro não consecutivo –, além do tema recorrente da “ameaça” representada pelo Irã atômico e da “necessidade” de impedir que os iranianos fabriquem bombas nucleares, acabaram pondo um ponto final no debate sobre a esterilização. Mas isso não significa esquecê-lo. O fato levantou questões importantes sobre o tratamento dispensado a imigrantes pobres e negros – e em particular às mulheres desse grupo. O debate precisa ser retomado pelas sociedades israelense e internacional para evitar que práticas assim, que violam direitos humanos básicos, voltem a ocorrer.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Era Obama: o fascismo liberal nos EUA


Nos EUA fascista, a estátua da liberdade vai para a prisão.

Era Obama: o fascismo liberal nos EUA
por Norman Pollack [1] , no Counterpunch
 
Será inadequado falar de "fascismo liberal"? Provavelmente, a antiga pergunta de Sinclair Lewis [2] é mais básica: o fascismo pode acontecer nos EUA? ( 3 )
 
 

"Obama começou do ponto em que saía de cena um longo processo de construção de uma consciência social de desperdício, de dissipação. Chegou com a palavra “mudança” – mas usada no sentido de ‘'perfeita concordância'’, aquiescência absoluta, submissão perfeita à autoridade, aceitação sem protestos (da guerra, de assassinatos, de resgates de bancos, de orçamentos militares obscenos, de falsas escolhas – uma ou outra, ou o desastre – entre políticas sociais que não são, sequer, alternativas. Chegou para fazer o que fosse necessário para manter a tona e operante, não algum Estado, mas o capitalismo monopolista. O que haveria nisso, de liberal? "




Obama brincando de "trenzinho assassino"
 
 

Usina de Belo Monte : O "Belo Monstro"

Usina de Belo Monte : O "Belo Monstro"
 
Movimentos realizarão ato público para denunciar descaso e violações de direitos envolvendo Belo Monte
 
 por Tatiana Félix, da Adital


“A recente descoberta de uma rede de tráfico humano para exploração sexual expõe um dos aspectos mais danosos dos grandes projetos que saqueiam as riquezas naturais da Amazônia: a fragilização do ser humano e sua transformação em simples mercadoria. Mais uma vez os movimentos sociais irão às ruas denunciar o Belo Monstro. Mais uma vez exigiremos a suspensão imediata desse projeto insano e destruidor”, expressa o comunicado das organizações.

Na manhã da próxima quinta-feira (21) movimentos, organizações e ativistas sociais, liderados pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) e pelo Comitê Metropolitano Xingu Vivo, realizarão uma manifestação pública e pacífica em frente à sede do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), em Belém (Pará), para repudiar o descaso dos governantes e autoridades diante das inúmeras violações que têm ocorrido na construção da hidroelétrica, no rio Xingu, em Altamira.

Além das diversas denúncias de impactos ambientais e sociais que a obra causa ao meio ambiente e à população da região, um caso de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual denunciado por uma adolescente na semana passada, indignou ainda mais os movimentos e ativistas. Graças à denúncia foi descoberta, dentro da área de construção da usina, uma boate que mantinha mulheres e meninas em situação de escravidão, para servir, sexualmente, trabalhadores da obra.

“A recente descoberta de uma rede de tráfico humano para exploração sexual expõe um dos aspectos mais danosos dos grandes projetos que saqueiam as riquezas naturais da Amazônia: a fragilização do ser humano e sua transformação em simples mercadoria. Mais uma vez os movimentos sociais irão às ruas denunciar o Belo Monstro. Mais uma vez exigiremos a suspensão imediata desse projeto insano e destruidor”, expressa o comunicado das organizações.


O presidente da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Marco Apolo Santana Leão explicou que “o ato público é para expressar a indignação da sociedade paraense e dos movimentos sociais diante dos fatos que estão acontecendo no Pará. Diversas entidades e especialistas já vinham alertando o Governo Federal sobre os impactos ambientais e sociais que a construção de Belo Monte traria à Altamira, mas mesmo assim, o governo insistiu na construção”.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Apagando países do mapa: Quem faz com que falhem os “Estados falhados”?

Apagando países do mapa: Quem faz com que falhem os “Estados falhados”?

"As atrocidades cometidas contra a população síria pelo Exército Livre Sírio (ELS) patrocinado pelos EUA-OTAN criam condições que favorecem a guerra sectária.

O extremismo sectário favorece a desintegração da Síria como Estado-nação, e o mesmo sucede com o derrube do governo central de Damasco.

O objectivo de política exterior de Washington é transformar a Síria naquilo que o Conselho Nacional de Inteligência (NIC) chama “Estado falhado”.

A mudança de regime implica que se mantenha um governo central. À medida que a crise síria se desenvolve, a jogada final não é já a “mudança de regime” mas a divisão e a destruição da Síria como Estado-nação.

A estratégia dos EUA-OTAN-Israel é dividir o país em três Estados débeis. Informações recentes nos media dão a entender que se Bashar Al Assad “se recusa a demitir-se”, a alternativa é um Estado falhado como a Somália."


Enquanto os dogmas da política exterior estado-unidense se baseiam na “difusão da democracia”, o intervencionismo dos EUA – através de meios militares e operações clandestinas – conduziu à desestabilização total e à fragmentação de nações soberanas.

Propagou-se em todo o mundo um perigoso rumor que poderia ter implicações catastróficas. Segundo a lenda, o presidente do Irão ameaçou destruir Israel, ou, para repetir a citação incorrecta: ‘Israel deve ser apagado do mapa’. Contrariamente à opinião generalizada, esta declaração nunca foi feita…” (Arash Norouzi, Wiped off The Map: The Rumor of the Century, Janeiro de 2007)

“Os EUA atacaram, directa ou indirectamente, uns 44 países de todo o mundo desde Agosto de 1945, alguns dos quais muitas vezes. O objectivo confesso dessas intervenções militares foi levar a cabo uma ‘mudança de regime’. Foram invariavelmente evocados disfarces de “direitos humanos” e “democracia” para justificar o que foram actos unilaterais e ilegais”. Professor Eric Waddell, The United States’ Global Military Crusade (1945- ), Global Research, Fevereiro de 2007.

Afeganistão - Civis abatidos

Afeganistão
Civis abatidos


"Os espectadores ocidentais sentem-se tranquilos ao saberem que a maior parte das mortes de civis não foram deliberadas; e apenas se indignam quando os marines ou soldados atiram manifestamente contra civis matando mulheres e crianças, urinam sobre os corpos e saqueiam partes do seu corpo como troféus. Desde Abu Ghraib, a Faluja, Haditha , e agora Panjwai, as forças norte-americanas têm cometido sempre massacres contra civis. Estes incidentes destacam-se aos olhos dos ocidentais, mas para os Afegãos e os Iraquianos, eles não são nada diferentes da matança diária de civis através de drones, ataques aéreos, urânio empobrecido e balas perdidas.
Digam a uma mãe de Faluja cujos filhos ficaram horrivelmente deformados com armas de urânio, que o sofrimento dos seus filhos foi involuntário, ainda que os efeitos sobre a saúde das armas à base de urânio sejam bem conhecidos. Digam aos sobreviventes de ataques com drones que os seus familiares mortos não eram o alvo e que a sua morte foi uma infeliz consequência da guerra. É a sua dor diferente da do pai, cuja família inteira foi assassinada neste acto de bestialidade mais recente? Se o dano colateral é previsível, se é na verdade uma realidade da guerra como a maioria acredita que é, não é um crime empreender a guerra quando é inevitável matar inocentes?"( Nota do Mafarrico )

Pelo menos dez afegãos, na sua esmagadora maioria mulheres e crianças, morreram na sequência de um bombardeamento realizado pelas forças ocupantes na oriental província de Kunar. O comandante das tropas da NATO, o norte-americano Joseph Dunford, declarou, secamente, que os acontecimentos estão a ser investigados, mas perante a pressão da comunicação social e a vaga de contestação que alastra no território, o general foi obrigado a garantir suspensão do apoio aéreo durante as operações militares levadas a cabo em zonas residenciais.

O massacre sucedeu após a divulgação de um relatório das Nações Unidas no qual se responsabiliza a NATO, e em particular os EUA, pela morte de centenas de crianças afegãs durante a ocupação do país, bem como pelo aumento das vítimas civis na sequência de ataques levados a cabo pela NATO no ano de 2011.

O texto foi prontamente rechaçado quer pelos EUA quer pela estrutura do bloco político-militar imperialista, que rejeitam a acusação de ausência de medidas de contingência para evitar a morte de populares, feita pela ONU.

Nos últimos dias, os afegãos retomaram os protestos de rua contra a ocupação do Afeganistão e os permanentes massacres resultantes de acções de patrulha da NATO, invasões de habitações ou execuções em postos de controlo espalhados pelas diversas províncias. Entre os casos relatados pela comunicação social, referentes a incidentes ocorridos a semana passada, conta-se a morte de um estudante universitário em Wardak e de um outro jovem estudante de medicina em Khost, e de outros cinco civis em Ghazni e Kandahar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Blitzkrieg

Os fascistas no poder em Portugal
O Blitzkrieg
por Henrique Custódio
 
"Neste contexto, quando as crises cíclicas apertam (como a actual, montada no «subprime»), os governos da burguesia reactivam a «selecção natural» para iludir o pagode, querendo convencê-lo de que, quando há crise, é a tal «selecção» que vai definir os «vencedores» e os «perdedores», aplaudindo, naturalmente, os «vencedores», como fez Passos Coelho, ignorando os «perdedores».
Só que isto é um embuste, como podemos escrutinar em Portugal: o que o Governo «seleccionou» foi a recapitalização dos bancos, (a pagar pelos portugueses), para alimentar os grandes grupos económicos com créditos à vara larga. Em contraponto, cortou o crédito aos pequenos e médios empresários, afogando-os em impostos, como fez com a subida do IVA na restauração de 13% para uns assassinos 23% – o que já encerrou dezenas de milhares de estabelecimentos, lançando cem mil pessoas no desemprego."


O primeiro-ministro Passos afirmou que já está feita «a selecção natural das empresas que podem melhor sobreviver».

A «selecção natural», diga-se, é um velho embuste da burguesia usado desde os primórdios do século XX. Houve mesmo quem lhe chamasse «darwinismo social» (pobre Darwin...).

Entendamo-nos: é só o Estado que cria o ambiente económico para as empresas laborarem. Só que, no Estado, são os governos a tudo decidir e realizar. Na Europa, os governos, munidos do poder, fazem escolhas e uma selecção não natural, mas política. E nessa selecção revelam os interesses que servem – que são, escancaradamente, o dos grandes grupos económicos, por trás dos quais está a burguesia dominante.

Neste contexto, quando as crises cíclicas apertam (como a actual, montada no «subprime»), os governos da burguesia reactivam a «selecção natural» para iludir o pagode, querendo convencê-lo de que, quando há crise, é a tal «selecção» que vai definir os «vencedores» e os «perdedores», aplaudindo, naturalmente, os «vencedores», como fez Passos Coelho, ignorando os «perdedores».

Só que isto é um embuste, como podemos escrutinar em Portugal: o que o Governo «seleccionou» foi a recapitalização dos bancos, (a pagar pelos portugueses), para alimentar os grandes grupos económicos com créditos à vara larga. Em contraponto, cortou o crédito aos pequenos e médios empresários, afogando-os em impostos, como fez com a subida do IVA na restauração de 13% para uns assassinos 23% – o que já encerrou dezenas de milhares de estabelecimentos, lançando cem mil pessoas no desemprego.

Com o final definitivo para o símbolo da foice e do martelo, culmina a mutação do PCF

Com o final definitivo para o símbolo da foice e do martelo, culmina a mutação do PCF

por KKE


“O PCF abandonou há muito o marxismo-leninismo e os princípios revolucionários dos partidos comunistas, enquanto na sua posição de leader do “Partido da Esquerda Europeia” marca o ritmo na propagação do oportunismo tendo em vista a mutação dos partidos comunistas na Europa.”


Tal como era de esperar…por ocasião do seu 36º Congresso, que terminou no domingo em Paris, o PCF renegou até o símbolo da foice e do martelo.

O PCF não abandona a foice e o martelo num momento qualquer, mas num momento em que as autoridades de diversos países da União Europeia colocam fora da lei os símbolos comunistas, quando a UE pretende fazer equivaler, contra a verdade histórica, o comunismo ao fascismo. É precisamente este momento que o partido que ocupa a presidência do Partido da Esquerda Europeia (PEE) escolhe para declarar que renega voluntariamente a foice e o martelo. Em 12.02, no seu comentário sobre esta questão o diário “Rizospastis”, órgão do CC do KKE, sublinha o seguinte:


“O PCF abandonou há muito o marxismo-leninismo e os princípios revolucionários dos partidos comunistas, enquanto na sua posição de leader do “Partido da Esquerda Europeia” marca o ritmo na propagação do oportunismo tendo em vista a mutação dos partidos comunistas na Europa.”

O próprio secretário-geral do PCF e presidente do Partido da Esquerda Europeia (PEE), Pierre Laurent, deu o seu melhor para clarificar o objectivo do congresso nas declarações que prestou à cadeia LCI em resposta a uma interrogação sobre os novos cartões de membro do partido, nos quais a foice e o martelo são substituídas pela estrela do PEE: “É um símbolo que teve a sua história, e que ainda surge aqui e ali nas manifestações. Mas que já não representa aquilo que nós somos hoje. Eu falo para um comunismo da nova geração”.

Mineradoras requisitam a Amazônia

Mineradoras requisitam a Amazônia
por Hugo R C Souza 


"Este é o cenário: o do capitalismo burocrático brasileiro facilitando as condições para o desembarque e expansão de transnacionais mineradoras, famosas pelas condições de trabalho semi-escravocratas que impõem aos operários e pela devastação ambiental que promovem ao extrair e se apropriar das riquezas da terra alheia."
 
 

A crônica da imprensa burguesa tem dado conta de que o Brasil já recebe hoje um quinto dos investimentos em mineração no mundo. Aos olhos da imprensa popular e democrática, este dado precisa ser noticiado de outra maneira, esclarecendo que o Brasil semicolonial, hoje, funciona como um desafogo para os monopólios em geral – e em crise –, e particularmente para os monopólios internacionais deste setor específico e nevrálgico da economia capitalista: a mineração.

Este é o cenário: o do capitalismo burocrático brasileiro facilitando as condições para o desembarque e expansão de transnacionais mineradoras, famosas pelas condições de trabalho semi-escravocratas que impõem aos operários e pela devastação ambiental que promovem ao extrair e se apropriar das riquezas da terra alheia.

Neste cenário, e sob a perspectiva dos monopólios, a Amazônia brasileira representa o maior potencial de rapina ainda inexplorado do país. E agora mesmo as grandes mineradoras dos países imperialistas, como a britânica Anglo American, já requisitam junto à gerência de turno da semicolônia Brasil os salvo-condutos para suas operações. Operações estas cuja natureza é contrária aos interesses do povo trabalhador.

O Instituto Brasileiro de Mineração, entidade patronal que reúne um sem número de companhias capitalistas do setor, estima que algumas dessas empresas vão gastar até US$ 24 bilhões na infraestrutura de exploração de minério de ferro, bauxita e outros metais na bacia do Amazonas até 2016, o que dá conta da magnitude do retorno, esperando fabulosos lucros no médio prazo às custas das riquezas do povo brasileiro e do suor de um operariado mal pago, sem direitos e sob péssimas condições de trabalho.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Comunismo: um gigantesco processo de emancipação ainda longe de concluído

Comunismo: um gigantesco processo de emancipação ainda longe de concluído
por Domenico Losurdo [*]
 
"A discriminação racial apresentava-se sob uma forma dupla: considerados como indignos de se constituírem como Estado nacional independente, os povos coloniais eram submetidos à dominação absoluta das grandes potências. Num país como os EUA, os afro-americanos eram excluídos dos direitos políticos (e por vezes mesmo dos direitos cívicos). A ultrapassagem da discriminação racial sob estes dois aspectos não pode ser pensada sem o capítulo da história aberto por Outubro de 1917."


 Continuo a julgar correcta a visão da ideologia alemã, segundo a qual o comunismo é sobretudo "o movimento real que abole o actual estado de coisas". Observemos as mutações que se verificaram no mundo a partir da primeira revolução que se reclamou de Marx e Engels. Antes de Outubro de 1917 não havia democracia, mesmo no Ocidente: era o reino das três grandes discriminações para com as mulheres, as classes subalternas, os povos coloniais e de origem colonial.

Com Fevereiro e Outubro de 1917, a Rússia revolucionária reconheceu às mulheres direitos políticos e activos e passivos. A República de Weimar (nascida da revolução que explodiu na Alemanha um ano após a revolução de Outubro) tomou o mesmo caminho, seguido pelos Estados Unidos. É certo que na Itália, Alemanha, Áustria e Inglaterra o sufrágio universal (masculino) estava mais ou menos afirmado, mas ficava neutralizado por uma Câmara alta que permanecia o apanágio da nobreza e da grande burguesia.

A discriminação racial apresentava-se sob uma forma dupla: considerados como indignos de se constituírem como Estado nacional independente, os povos coloniais eram submetidos à dominação absoluta das grandes potências. Num país como os EUA, os afro-americanos eram excluídos dos direitos políticos (e por vezes mesmo dos direitos cívicos). A ultrapassagem da discriminação racial sob estes dois aspectos não pode ser pensada sem o capítulo da história aberto por Outubro de 1917. O papel desempenhado pelos Partidos Comunistas nas revoluções anti-coloniais é notável. E no que se refere aos Estados Unidos? Em Dezembro de 1952, o ministro da Justiça enviava o Tribunal Supremo, ocupada a discutir a questão da integração nas escolas públicas, uma carta eloquente: "A discriminação racial leva a água ao moinho da propaganda comunista". O desafio comunista desempenhou um papel essencial igualmente na ultrapassagem do regime da supremacia branca.

Os jogos vocabulares

Os jogos vocabulares
por Jorge Messias
 
"Os cidadãos portugueses – comunistas, católicos, com outras opções mas que eram e se mantêm cidadãos honestos – uniam-se contra o fascismo assumido de Salazar e de Marcelo Caetano. Nos dias que correm, na prática, a situação é exactamente a mesma. Lutar contra a exploração dos trabalhadores ou contra a troika e contra a Nova Ordem, equivale a resistir à fome, ao analfabetismo ou à censura e às cadeias dos anos 40. Ao fim e ao cabo, a democracia há-de ser aquela que o povo português quiser..."
 
«O Marxismo faz descer a política do Céu à Terra. Reconhece no Estado a expressão de uma relação de classes e, na pessoa que dirige, o agente e a figura dessa ligação. Não há pois lugar para a relação teopolítica (de política divina); nem céu marxista, nem marxistas no céu !» (Karl Marx, «Sobre as Religiões»).
 
«Não nos situamos numa posição idealista em que o diálogo é a fonte da acção comum, posição que está na base do orgulhoso isolamento de cada um dos lados e de mútuas acusações recíprocas: não é a acção definida por um diálogo mas, quase sempre, um agir comum, que deve representar uma constante preocupação» (padre J.F.Six, «Comentários à encíclica Gaudium et Spes», 1965).
 
«Citando as palavras do Papa: “Nunca a gente se engana quando se abandona à vontade da Providência, sobretudo quando esta nos fala por via hierárquica. Nas inspirações particulares pode haver ilusão; na obediência ao representante de Cristo, nunca!”».
 
«Não temos aqui em vista discutir a obediência que, em matéria religiosa e no que respeita ao espírito e costumes, os católicos devem aos seus superiores hierárquicos e ao chefe da Igreja de Roma. Queremos apenas sublinhar que o Papa não é apenas o representante de Cristo na terra e um chefe espiritual. Ele é ao mesmo tempo o chefe de um Estado estrangeiro – o Vaticano – que como tal é considerado nas relações com os outros Estados… O Vaticano tem gigantescos interesses financeiros e económicos em bancos estrangeiros...» (Álvaro Cunhal, «O Partido Comunista, os católicos e a Igreja», 1947).


Retomando o seu pensamento crítico referia depois o camarada Álvaro Cunhal: «Como Estado, o Vaticano tem a sua política própria. Obedecer a esta política não pode ser considerado, em relação à Igreja de cada país, como obediência hierárquica em matéria religiosa, mas sim como obediência política a uma potência estrangeira».

Aliás, mais de 70 anos após estas considerações de Cunhal, verifica-se que a situação mundial mantém quadros muito semelhantes e que as características da Igreja católica oficial são as mesmas, ontem, hoje e amanhã. No passado, as economias estavam destruídas, havia fome, o desemprego esmagava milhões de trabalhadores, da crise mundial resultavam miséria e fortunas como nunca se vira. Agravava-se a luta de classes e a dúvida central que se mantinha continuava a ser, mesmo depois da derrota nazi:

democracia ou fascismo?

Tal como no presente, a imagem democrática degradava-se continuamente. Os políticos confundiam-se com os homens de negócios e começavam a criar-se estruturas mundiais (ou globais, como se queira) que invocavam as liberdades mas nada mais eram do que esmagadores grupos de pressão capitalista. Isto, associado a uma cadeia infinda de escândalos e de crimes. A palavra servia cada vez menos para comunicar. Com o avanço do capitalismo moderno, a mentira passou a usar-se como estratégia banal do negócio. Moral, valores, religião, resumiam-se a meros jogos vocabulares.

Assim foi e assim é. Mas nem sempre assim será.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Por que lutavam eles na defesa de Madrid em 1936?

Por que lutavam eles na defesa de Madrid em 1936?
Por Miguel Urbano Rodrigues
 
"Nestes dias em que, encastelada no Poder, uma direita cavernícola, fascizante, tenta em Portugal destruir o que resta da Revolução de Abril e impõe ao povo uma autentica ditadura do capital, concretizada em leis e decretos que trazem à memoria a era de Salazar – é também um dever combater essa escória humana, derrotar a sua politica criminosa."
 
18 de Fevereiro de 1936 é a data do início da sublevação fascista em Espanha, do início da guerra civil. Recordá-la nos dias de hoje é também relembrar que as potências ocidentais que assumiram a posição de “não intervenção” (hoje empenhadas em agressões imperialistas em vários continentes) agiram como aliados objectivos da intervenção directa dos fascistas alemães e italianos. É, por outro lado, lembrar a heróica solidariedade combatente das Brigadas Internacionais. Recordar esses revolucionários maravilhosos é um dever numa época em que o fascismo levanta a cabeça na Europa, nos EUA, na América Latina. Nas planuras e montanhas da Espanha eles souberam lutar e morrer em defesa da Humanidade, de valores e ideais que conferem significado à vida.


Em passagem recente por Madrid, um impulso de saudosismo levou-me até à Cidade Universitária. Perdi-me em amplas avenidas entre edifícios modernos de diferentes Faculdades e Institutos rodeados de aprazíveis espaços verdes.

Tive a sensação de chegar a um lugar desconhecido. E não era. A ilusão do “novo” nascia da ação do homem; a Cidade Universitária fora reconstruida durante a ditadura.

Caminhara por ali em 1947 durante a minha primeira visita a Espanha. O panorama era na época outro. Eu levava na mão o livro de um francês que descrevia com minucias a defesa de Madrid no Outono de 1936.

Eu era então um jovem sem formação política, modelado por uma educação burguesa. Mas o choque da leitura fora tao forte que me atraiu ao cenário da batalha. Guardava na memória imagens e emoções das semanas em que republicanos espanhóis apareciam no monte onde eu, adolescente, residia em Moura com os meus pais. Minha mãe era uma senhora muito conservadora, mas tinha pena daquela gente que atravessava a fronteira e deixava-os dormir uma ou duas noites num palheiro. Eles fugiam da coluna franquista de Yague que, subindo de Sevilha, de rumo a Badajoz e Madrid, cometia massacres medonhos por onde passava.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os feitos espaciais da Pátria Soviética

Os feitos espaciais da Pátria Soviética

 por Blog AK-47


A URSS fez muitos feitos em seus 74 anos de existencia. Alguns inimagináveis. Foi o primeiro país do mundo onde a classe trabalhadora realmente descobriu seu potencial transformador. Foi o primeiro país a proibir expressamente o Racismo em sua Constituição. Foi o primeiro país a oferecer educação e saúde 100% públicas e de qualidade. Eliminou o Trabalho infantil, a Fome, o Analfabetismo e o Fanatismo religioso. Deu direitos á Mulher. Derrotou Adolf Hitler. Desenvolveu sua economia para que esta gigantesca pátria multinacional passasse de um país pobre e agrário á segunda maior economia do mundo.

Ela também mostrou seus feitos nas Ciências. Foi o País da Tsar Bomba - a maior Bomba Nuclear da história, e da melhor arma de todos os tempos, o AK-47. Ao mesmo tempo, foi também o país que mais lutou pela Paz, ajudando os países de terceiro mundo a desenvolver sua economia, e aos povos colonizados a lutar por soberania. Foi o país de cientistas renomados, cada um em sua especialidade, desde Física e Matemática até Química e Engenharia.

E por falar em Ciências, ninguém nunca superou o Programa Espacial Soviético. Nós somos bombardeados todos os dias pela história ridícula de que os "EUA ganharam a Corrida Espacial", simplesmente porque foram á Lua. Porém nunca soubemos do quão extraordinário foi o Programa Espacial dos Soviéticos. Foi Pioneiro em quase tudo. Se a Pátria Soviética ainda existisse, provavelmente a Ciência Espacial (e a Ciência como um todo) de hoje em dia estaria em horizontes ainda maiores. Observe aqui alguns dos feitos espaciais soviéticos.



· 1957: Lançamento do R-7 Semyorka. O Primeiro Míssil Balístico Intercontinental.



· 1957: Lançamento do Primeiro Satélite da história: Sputnik 1.



· 1957: Primeiro ser vivo em órbita: a cadela Laika, no Sputnik 2.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Até quando?

Até quando?


Um país bombardeia dois países. A impunidade poderia ser assombrosa, se não fosse costumeira. Alguns tímidos protestos dizem que houve erros. Até quanto os horrores continuarão sendo chamados de erros?

Esta carnificina de civis começou a partir do seqüestro de um soldado. Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina?

Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo o Líbano?

E os 700 soldados libaneses que, desde que Israel foi expulso do Líbano em 2000, foram levados prisioneiros para Israel? Porque Israel nunca aceitou trocar prisioneiros de guerra?

A caça aos judeus foi, durante séculos, o esporte preferido dos europeus. Em Auschwitz desembocou um antigo rio de espantos, que havia atravessado toda a Europa. Até quando palestinos e outros árabes continuarão pagando por crimes que não cometeram?

O Hezbollah não existia quando Israel arrasou o Líbano em suas invasões anteriores. Até quando continuaremos acreditando no conto do agressor agredido, que pratica o terrorismo profissional de Estado porque tem direito de se defender do "terrorismo" civil amador?

Iraque, Afeganistão, Palestina, Líbano...

Até quando se poderá continuar exterminando países impunemente?

CONTRA A OPRESSÃO DE GÊNERO E EXPLORAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA

A sexualidade é política e o abôrto um direito das mulheres!
CONTRA A OPRESSÃO DE GÊNERO E EXPLORAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA
por Lígia Bacarin – Direção Nacional do Coletivo de Mulheres Ana Montenegro


"Além de debatermos o papel feminino na política, também compomos parceria com os demais movimentos sociais que acumulam e ampliam ações de ruptura com as instâncias que perpetuam as desigualdades sociais e estruturam os pilares da dominação patriarcal capitalista na contemporaneidade. Assim, dialogamos no âmbito do movimento feminista, com todos os grupos que reivindiquem os elementos que unificam a luta das mulheres com um processo de transformação radical das relações sociais em sua totalidade."


 
O Coletivo de Mulheres Ana Montenegro fez sua primeira reunião de organização no Paraná neste mês de janeiro. Com o objetivo de organizar-se como frente de massas importante à luta travada contra a opressão de gênero e exploração da classe trabalhadora.

Nós, militantes do Coletivo, concebemos o Feminismo como sujeito político das mulheres. Além de debatermos o papel feminino na política, também compomos parceria com os demais movimentos sociais que acumulam e ampliam ações de ruptura com as instâncias que perpetuam as desigualdades sociais e estruturam os pilares da dominação patriarcal capitalista na contemporaneidade. Assim, dialogamos no âmbito do movimento feminista, com todos os grupos que reivindiquem os elementos que unificam a luta das mulheres com um processo de transformação radical das relações sociais em sua totalidade.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os acordes do hino revolucionário 'Grândola, Vila Morena' interromperam hoje o discurso do direitista Passos Coelho na Assembleia da República.


Os acordes do hino revolucionário 'Grândola, Vila Morena' interromperam hoje o discurso do direitista Passos Coelho na Assembleia da República.

 


Dúzias de pessoas começaram a cantar o hino imortalizado por José Afonso no 25 de Abril de 1974, que na altura serviu de sinal para o início da Revolução dos Cravos e desde então é um símbolo revolucionário em Portugal.

O primeiro-ministro, protagonista de uma vaga neoliberal e anticonstitucional sem precedentes em Portugal nas últimas décadas, começava a sua intervenção quinzenal na Assembleia da República quando das galerias do público se ouviu o canto coletivo de várias dúzias de pessoas.

A presidenta da Assembleia pediu às pessoas que cantavam que abandonassem o local, o que fizeram progressivamente sem deixarem de cantar 'Grândola, Vila Morena'. Fora da sede parlamentar, Paula Gil, em nome do movimento 'Que se lixe a troika', declarou que o ato teve como objetivo lembrar aos deputados e às deputadas que "o povo é quem mais ordena", em referência a mais uma citação historicamente ligada à Revolução portuguesa de 1974.

 

 

Os verdadeiros rostos do terrorismo em África

Os verdadeiros rostos do terrorismo em África
por Komla Kpogli
 

 "Infelizes os povos governados por escravos seleccionados e libertos para as necessidades da causa pelos mestres que os vestem à sua imagem, criando nestes "vigilantes" a ilusão de que se tornaram seus iguais. O poder do terror que o mestre atribuiu a estes contramestres revela-se tão destruidor que certos africanos não vacilam em lamentar abertamente a substituição do colono de olhos azuis por aqueles que, pela cor da pele, pareciam serem seus irmãos. Juventude remetida ao exílio pelo Mediterrâneo onde, se não for abatida pelos tiros dos guarda-fronteiras do Frontex , é devorada por tubarões, predação, avidez, desprezo para com as populações, violência incessante, destruição metódica de toda ideia voltada para o endógeno... eis alguns dos métodos de governo dos sátrapas. "

Dizem-nos agora que o terrorismo ameaça a África e que em nome da luta contra o mesmo trava-se actualmente uma "guerra humanitária" no Mali. Examinemos o que é realmente o terrorismo sob os trópicos.

Após quatro séculos de razzias negreiras transatlânticas e árabo-muçulmanas e mais de um século de colonização, as populações africanas entraram em luta pela sua libertação. Mas estas lutas foram curto-circuitadas e os seus condutores logo assassinados e substituídos por fantoches sanguinários cuja única missão é confirmar a manutenção do continente na órbita daqueles que investiram para privá-lo de todos os seus recursos – a começar pelos recursos humanos que, depois terem servido nos campos de algodão, nas minas, nos estaleiros de obras longe da África, devem continuar a trabalhar para o seu bem-estar agora no próprio continente. Sob o controle de vigilantes vestidos com fato e gravata, tal como o mestre.

Infelizes os povos governados por escravos seleccionados e libertos para as necessidades da causa pelos mestres que os vestem à sua imagem, criando nestes "vigilantes" a ilusão de que se tornaram seus iguais. O poder do terror que o mestre atribuiu a estes contramestres revela-se tão destruidor que certos africanos não vacilam em lamentar abertamente a substituição do colono de olhos azuis por aqueles que, pela cor da pele, pareciam serem seus irmãos. Juventude remetida ao exílio pelo Mediterrâneo onde, se não for abatida pelos tiros dos guarda-fronteiras do
Frontex , é devorada por tubarões, predação, avidez, desprezo para com as populações, violência incessante, destruição metódica de toda ideia voltada para o endógeno... eis alguns dos métodos de governo dos sátrapas.

Aqui está um breve resumo do terrorismo de alguns dentre eles. O leitor nos desculpará não termos mencionado todos. É por falta de espaço e nenhuma outra razão. Assim, o leitor é convidado a completar a lista, mesmo a enumerar os crimes que não puderam ser mencionados aqui.

1. Gnassingbé 1º + Gnassingbé 2º: 50 anos no poder no Togo, pelo menos 50 mil mortos directos por violências militar-policiais. Assassinato de Sylvanuys Olympio e a seguir o retorno do Togo ao regaço da França, pelo menos 100 mil togoleses mortos de diversas maneiras (crimes económicos, manutenção do Franco CFS, cooperação suicida, ausência de infraestruturas de base de saúde, ausência de água, decadência mental colectiva sabiamente mantida...). Torturas + Manutenção das fronteiras coloniais + Escola colonial + fraudes eleitorais incessantes + Oposição e populações submetidas a um terrorismo permanente + Sabotagem da cultura africana.

Internacional «Socialista»

Internacional «Socialista»
por Ângelo Alves
"Tal como o PS está a fazer em Portugal, também a Internacional Socialista está, no plano internacional, a tentar lavar a cara e ocultar as suas responsabilidades na actual situação. Já noutros planos a IS não consegue manter a cara tão lavada e suja-a com pinturas de guerra: Síria, Irão, Mali e até Venezuela, são alguns dos pontos em que, seja nos documentos seja nas notícias veiculadas, fica claro que a social-democracia é cada vez mais um pilar fundamental do imperialismo."

Terminou anteontem em Cascais a reunião do Conselho da Internacional Socialista. Das seis declarações emitidas por esta reunião, das notícias produzidas em seu redor e dos discursos dos seus principais responsáveis é possível retirar algumas conclusões. Desde logo sobre a crise, no Mundo e na Europa: o discurso da Internacional Socialista repete a mesma ladainha inaugurada por Hollande e repetida por Lagarde – ou seja perante o caos «colar» por cima da «bíblia» da austeridade o autocolante do «crescimento e emprego».

 
Ora este é o mesmíssimo discurso que o Partido Socialista Europeu usa nas instituições europeias para, à boleia de engodos como os eurobonds ou a supervisão bancária, aprovar ou defender o aprofundamento de todos os instrumentos que visam eternizar e institucionalizar as políticas ditas de «austeridade» e concentrar ainda mais o poder económico e político.

Ao ler-se a declaração sobre «a economia global» saída desta reunião e ao compará-la com o que por exemplo está, nesta mesma semana, a ser discutido no Parlamento Europeu, chega-se a ficar com a sensação de uma certa dose de esquizofrenia no discurso da Internacional Socialista.
 
Por um lado lemos nesse documento referências específicas a Keynes, à necessidade de uma rearrumação no sistema monetário internacional (a IS descobriu a pólvora!), à defesa do emprego, dos sectores públicos, e até da maior equidade na redistribuição de rendimentos. Por outro vemos os governos e os partidos da Internacional Socialista a aplicar e a defender, no passado, no presente e para o futuro, medidas e que fazem inveja aos mais retintos neoliberais.

Ou seja, tal como o PS está a fazer em Portugal, também a Internacional Socialista está, no plano internacional, a tentar lavar a cara e ocultar as suas responsabilidades na actual situação. Já noutros planos a IS não consegue manter a cara tão lavada e suja-a com pinturas de guerra: Síria, Irão, Mali e até Venezuela, são alguns dos pontos em que, seja nos documentos seja nas notícias veiculadas, fica claro que a social-democracia é cada vez mais um pilar fundamental do imperialismo.


 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

França neocolonial

 Hollande : A social-democracia está transformada num pilar do imperialismo.
França neocolonial
por Albano Nunes
 
 
"A social-democracia está transformada num pilar do imperialismo. Uma primeira observação se impõe: a continuidade no fundamental das políticas do governo da «direita» de Sarkozy e do governo «social-democrata» de Hollande confirmando que, com inevitáveis nuances, ambos servem o grande capital francês e que a social-democracia está hoje efectivamente transformada num pilar do imperialismo. O que com Hollande a França está a fazer no Mali vem na continuidade, e tem o mesmo sinal de classe, do que fez com Sarkozy na Líbia. "

Quando pela primeira o PCP usou a palavra «recolonização» na caracterização da política do imperialismo, a alguns pareceu excessiva a formulação. Depois da poderosa vaga do movimento de libertação nacional que praticamente varreu do mundo o colonialismo, «neocolonialismo» foi o termo utilizado para significar que a formação de estados formalmente independentes não representava afinal a real conquista da soberania. Isto porque as ex-potências coloniais com a ajuda do FMI e do Banco Mundial rapidamente criaram mecanismos de «ajuda» e «cooperação» que ataram de pés e mãos os novos países independentes e sabotaram corajosas tentativas de desenvolvimento independente e progressista.
 
E o desaparecimento do socialismo como sistema mundial deixou campo livre a uma contra-ofensiva que representa um gigantesco salto atrás no processo de libertação dos povos oprimidos e configura um autêntico regresso aos negros tempos do colonialismo.

Vem isto a propósito da intervenção militar da França no Mali, a que é necessário voltar, não apenas para avaliar as suas graves implicações sociais, políticas e militares no país e na região, mas para medir o seu mais profundo significado em relação à estratégia da classe dominante francesa.

Uma primeira observação se impõe: a continuidade no fundamental das políticas do governo da «direita» de Sarkozy e do governo «social-democrata» de Hollande confirmando que, com inevitáveis nuances, ambos servem o grande capital francês e que a social-democracia está hoje efectivamente transformada num pilar do imperialismo. O que com Hollande a França está a fazer no Mali vem na continuidade, e tem o mesmo sinal de classe, do que fez com Sarkozy na Líbia.
 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Casos de trabalho escravo aumentam em 20 estados do Brasil

Casos de trabalho escravo aumentam em 20 estados do Brasil
 
"Alguns casos merecem destaque, por terem ocorrido em locais ligados à família da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), onde o irmão, André Luiz de Castro Abreu, foi apontado pela Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins como coproprietário da fazenda Água Amarela (plantio de eucalipto e produção de carvão). Aí foram resgatados 56 trabalhadores. Em São Félix do Xingu (PA), foram libertados quatro trabalhadores na fazenda de parentes do banqueiro Daniel Dantas, cuja irmã, Verônica Dantas, e o ex-cunhado, Carlos Bernardo Torres Rodenburg, são proprietários da Agropecuária Santa Bárbara."
De acordo com pesquisa da Comissão Pastoral da Terra (CPT), com dados ainda incompletos de 2012, já se constataram 189 ocorrências de trabalho escravo no País, com a libertação de 2.723 trabalhadores. O número de trabalhadores resgatados aumentou 11% em relação ao ano anterior e ainda pode ser alterado para mais, já que os resultados definitivos só serão divulgados em fevereiro, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Ficam à frente na lista das atividades com trabalho escravo as lavouras e canaviais: foram 646 trabalhadores libertados em 36 ocorrências, mas continuam aumentando as ocorrências de trabalho escravo em atividades não agrícolas: 25 casos em 2012, dos quais 16 apenas na construção civil, em nove Estados, com 627 trabalhadores resgatados.

Em 2012, o Pará voltou ao topo do ranking em todos os critérios: número de casos (50), número de trabalhadores envolvidos (1.244) e número de libertados (519). O Tocantins vem logo em seguida com 22 casos, 360 envolvidos e 321 libertados; vêm depois Minas Gerais (287 trabalhadores resgatados), Paraná (246), Goiás (201), Amazonas (171), Alagoas (110), Piauí (97), Rondônia (46), Santa Catarina (45), além de outros. No conjunto, verifica-se o resgate de trabalhadores em 20 Estados do País, o que demonstra que essa prática criminosa persiste de Norte a Sul, mesmo diante das ações de órgãos do governo e de organizações sociais que lutam pelo seu fim.
 
Alguns casos merecem destaque, por terem ocorrido em locais ligados à família da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), onde o irmão, André Luiz de Castro Abreu, foi apontado pela Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins como coproprietário da fazenda Água Amarela (plantio de eucalipto e produção de carvão). Aí foram resgatados 56 trabalhadores. Em São Félix do Xingu (PA), foram libertados quatro trabalhadores na fazenda de parentes do banqueiro Daniel Dantas, cuja irmã, Verônica Dantas, e o ex-cunhado, Carlos Bernardo Torres Rodenburg, são proprietários da Agropecuária Santa Bárbara.