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domingo, 21 de julho de 2013

Sobre o “mensalão”, o lulismo e a ingratidão das elites

José Dirceu-PT e Roberto Jeferson-PTB réus no "mensalão".

Sobre o “mensalão”, o lulismo e a ingratidão das elites
Escrito por Justino de Sousa Junior  


"A esquerda governista deveria ter tido mais escrúpulo (tinha obrigação de ter pelo menos um pouco mais do que o senhor Ricúpero) na hora de escolher seus parceiros; antes de se aliar a Roberto Jeferson, Sarney, Calheiros, Barbalho etc. etc. etc., terminando com Maluf; antes de proteger o ministro Meireles, acusado de crime contra o sistema financeiro; antes, sobretudo, de reproduzir o modus operandi da política burguesa. A esquerda governista perdeu definitivamente o selo da probidade ao se aliar a figuras absolutamente questionáveis do cenário político brasileiro, ao silenciar quanto à história de seus partidos, seus métodos e práticas políticas, ao defendê-los e protegê-los de críticas e/ou investigações."

"O discurso da vitimização faz algum sentido, mas ele mente ao tentar opor a perspectiva governista do lulismo às elites brasileiras, como se estivesse o projeto de governo lulista numa direção oposta aos grandes interesses dominantes. Na verdade, a grande briga é entre os postulantes à “cadeira”, sobretudo PT e PSDB, para ver quem irá assinar os papéis cujo texto já está a ferro escrito."


As análises sobre o modo como o STF tem julgado o chamado "mensalão" têm provocado reações que vão da indignação contra a corrupção à indignação ao modo como se faz (ou se deixa de fazer) justiça no Brasil. Além disso, tem estabelecido certa confusão nos setores progressistas que, muitas vezes, não sabem a quem defender ou atacar: ao mesmo tempo em que criticam a corrupção, suspeitam que o julgamento pode estar ocultando outros interesses.

Há uma campanha implacável e falsamente moralista dos grandes partidos burgueses (que não são da base do governo, é bom que se diga) e da grande mídia buscando a todo custo atacar a esquerda governista, certamente com objetivos políticos de retomar a hegemonia da política nacional.

Para quem sabe do caráter classista e reacionário do poder judiciário brasileiro e da grande mídia nacional, manifesto claramente sempre que os interesses dominantes precisaram ser defendidos, o rigor do STF no caso do julgamento atual não surpreende.

Da seriedade e da «solidariedade»

Da seriedade e da «solidariedade»



por João Ferreira


"São as duas caras da social-democracia. Na Europa, como em Portugal. Por cá, António José Seguro afirmou que o Tratado Orçamental, que votou favoravelmente na Assembleia da República, teria como contrapartida certa e segura (Hollande, na altura, assim o prometia) o reforço do orçamento da UE. Num momento em que o PS se procura descolar do Governo com quem co-subscreve o programa da troika, é bom lembrar que este Tratado – para o qual Cavaco, já por diversas vezes, chamou a atenção, dizendo que à conta dele, no futuro, mesmo que mudem os governos, não mudará a política – este Tratado, dizia-se, prevê simplesmente isto: no pós-troika continuarão em vigor as políticas da troika, ou seja, austeridade eterna. É bom lembrar que PS, PSD e CDS aprovaram este Tratado e a sua transposição para a ordem jurídica nacional, nomeadamente na Lei de Enquadramento Orçamental, onde se estabelece que o pagamento da dívida aos credores tem prioridade sobre quaisquer outras despesas, até mesmo sobre as relacionadas com o «Estado social», de que Seguro tanto fala."

O golpe de teatro consumou-se. Depois de repetidas juras de que rejeitaria a proposta de orçamento da UE para o período 2014-2020, depois de rios de tinta sobre a mais que provável «crise institucional» que daí resultaria, eis que o Parlamento Europeu, como se adivinhava, dá sossegadamente o seu acordo à proposta de Quadro Financeiro Plurianual decidida pelo Conselho Europeu, onde os governos das grandes potências, mais uma vez, impuseram os seus interesses – uma diminuição histórica do orçamento.

Martin Schulz, «socialista» alemão, presidente do Parlamento Europeu e um dos mais aguerridos arautos da «Europa social», repetiu durante meses que o Parlamento não aceitaria nenhuma proposta que reduzisse o orçamento da UE, nenhuma proposta que não fosse consentânea com as ambições da «Europa social». Mais recentemente, afinou o discurso: afinal, só a aceitaria mediante duras contrapartidas. Há poucos dias, em nome do Parlamento Europeu, e antes mesmo de ter havido qualquer discussão e deliberação na instituição a que preside, deu o seu acordo à mesmíssima proposta de orçamento reduzido que antes criticara, recuando também nas contrapartidas exigidas.

Pátria, lugar de exílio


Pátria, lugar de exílio
  por César Príncipe 


 

"Os jornais, as rádios e as televisões (nas mãos de grupos multimédia, ancorados à finança e balizados pelo consenso rotativista) são chiens de garde dos senhores de turno. Ostentam os guiões do patronato que mais ordena e da agiotagem que mais conta, fornecem argumentário para a resig(nação) e a capitulação. Na emergência, a pátria deles é a patroika, instância de ocupantes e colaboracionistas, da Comandita das Três Siglas e do Clube dos Miguéis de Vasconcelos. Bom aluno euro-americano, o complexo mediático abraça a doutrina do alinhamento e da circularidade e da capsulagem do adverso. Para iludir a questão informativa e opinativa, multiplica os apresentadores da normalidade e aparentadores de diversidade e selecciona trupes de maldizer de superfície. A gramática reaccionária tomou conta de páginas e antenas. A vulgata política e a publicidade comercial confundem-se. Morfologicamente. Ideologicamente. Programaticamente. Vender, vender: mercadorias do ilusório. Formar, formar: opções do tolerado. Fabricar, fabricar: barreiras do cerco. Físicas e mentais. "
 

O covil dos ladrões

O covil dos ladrões
por Jorge Messias
 
"Nesta linha de leitura, será útil lembrar o que foi declarado pela OIT – Organização Internacional do Trabalho, em Maio de 2011 e no Brasil, uma nação que podemos olhar como num espelho e na qual incubam os projectos assassinos do agronegócio. Tratava-se, a dada altura, de caracterizar o que era o trabalhador escravo, nos tempos antigos e nos tempos modernos. «No século XIX» – refere-se no trabalho "Nova Escravidão na Economia Global" – «falava-se na abolição do escravo como uma libertação da terra, do capital, de formas de trabalho que já não serviam os interesses da acumulação do capital. Hoje, a economia não revela dificuldades em conviver com a escravidão. No século XXI, a ideia de expansão do trabalho é análoga à do tempo da escravidão e volta a exprimir-se através da precarização absoluta do trabalho e como fruto do neoliberalismo. E o novo escravo, tal como o antigo, é descartável». "


«As Fundações e os governos podem tomar a iniciativa de criar fundos para o negócio social (social business), como forma de lutar contra a pobreza... A banca portuguesa apostou neste produto... Fazer bem às pessoas, sem esperar obter lucros. Aquilo que actualmente fica na área da Caridade pode passar a constituir um negócio social que não custa dinheiro a ninguém» (DN, Economia, 23.7.2007, Muhanimad Yunus, Nobel da Paz).

«A Nova Ordem Mundial é sustentada pela pobreza humana e pela destruição do ambiente. Desde os anos 90, tem vindo a estender o seu domínio a todas as principais regiões do mundo. O objectivo principal é o aumento da oferta, a minimização do custo da mão-de-obra, a diminuição da procura e o crescimento do lucro. Os salários reais no Terceiro Mundo e na Europa de Leste chegam a ser setenta vezes inferiores aos dos EUA, da Europa Ocidental ou do Japão» (Michael Chossudovsky, Novembro de 2003).

«A inflação no sector alimentar aumentou 83% nos últimos três anos... O preço do arroz, milho e trigo, base da alimentação da maioria da população, subiu mais de 180% no mesmo período... De acordo com a ONU (FAO) 37 países encontram-se ameaçados pela instabilidade social devido à escassez de alimentos. O Banco Mundial afirma que a crise dos alimentos afecta já 100 milhões de seres humanos...

Assim, enquanto milhares de pessoas morrem à fome, devido à falta de alimentos básicos, os grandes grupos agro-alimentares têm lucros escandalosos...» («Fome mundial, fartura de capital», Revista Rubra, No. 2).

Quase tudo o que se vai conhecendo da «conversa de vestiário» dos políticos portugueses faz recear o pior para os próximos tempos de vida do nosso povo. Os ricos vão procurar acrescentar o montante das suas fortunas e absorver aquilo que ainda sobra para as classes socialmente inferiores.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Portugal: Preparar o país face a uma saída do Euro

Preparar o país face a uma saída do Euro
por Vasco Cardoso
 
 
"O Euro é, e sempre foi, um projeto do grande capital europeu, das transnacionais europeias e do diretório de potências comandado pela Alemanha e um instrumento central da concorrência e rivalidade interimperialistas. O grande capital nacional, integrado em posição subalterna com aquele, assumiu o projecto como seu e os partidos que o representam politicamente – PS, PSD e CDS – impuseram-no ao país. O Euro e os constrangimentos associados à UEM – que começaram muito antes da entrada em vigor da moeda – serviram especialmente bem os interesses da banca, nacional e estrangeira, e dos grandes grupos monopolistas, mas foram e são contrários aos interesses dos trabalhadores e do povo português, bem como dos trabalhadores e dos povos da Europa."
 
 
 
A agudização da crise económica, social e política que atinge o país tornou mais evidentes muitos dos alertas e denúncias que o PCP fez ao longo dos últimos anos. E mais cedo do que seguramente alguns esperariam, a vida veio confirmar a justeza das posições do PCP em diversos domínios, designadamente em relação ao processo de integração capitalista na União Europeia e na posição assumida contra a entrada de Portugal na Moeda Única que vigora desde 1 de Janeiro de 2002.

O brutal agravamento do desemprego; a profunda recessão económica (que no final do ano poderá atingir um valor acumulado de 8% desde 2011); o agravamento da dívida pública em poucos anos em mais de 50 mil milhões de euros (com os mais de 7 mil milhões de euros pagos anualmente sob a forma de juros), a quebra vertiginosa do investimento público e privado (hoje ao nível de 1995); o empobrecimento galopante de milhões de portugueses, e outros aspectos que marcam de forma brutal a realidade do país, não decorrem, exclusivamente, da adesão de Portugal ao Euro. Antes do Euro, e muito antes do Pacto de Agressão que o PS, PSD e CDS impuseram ao país, já o processo de reconstituição monopolista, as privatizações, os apoios à banca e aos grupos económicos, o ataque aos salários e aos direitos dos trabalhadores, a degradação dos serviços públicos, a submissão aos interesses estrangeiros marcavam a política de sucessivos governos corroendo as bases que a Revolução de Abril lançara. Mas a verdade é que a integração na Moeda Única lubrificou e acelerou todo esse processo, tornando-se num problema incontornável no presente e para o futuro do país.

Brasil : Mais de 53 mil pessoas são assassinadas por ano e as vítimas tornaram-se cada vez mais jovens

Morte prematura de jovens custa R$ 79 bilhões por ano

por Adital

 
"A mortalidade violenta de jovens (entre 15 e 29 anos) no Brasil é um problema que veio se agravando nas últimas décadas, sobretudo no que diz respeito à letalidade ocasionada por homicídios e por acidentes de transporte. No que se refere aos homicídios, a piora se deu em dois planos. Não apenas a letalidade aumentou ano a ano, mas as vítimas tornaram se gradativamente mais jovens. Com efeito, enquanto o máximo da taxa de homicídios por 100 mil habitantes cresceu 154% entre 1980 e 2010, quando passou de 27,7 para 70,6, a idade em que se alcançou essa taxa máxima de homicídio variou de 25 para 21 anos."
Mais de 53 mil pessoas são assassinadas por ano e as vítimas tornaram-se cada vez mais jovens. O perfil desses jovens, vítimas dos vários tipos de mortes violentas, é em sua maioria homens, pardos, com 4 a 7 anos de estudo, mortos nas vias públicas, por armas de fogo. Esse é um dos dados que consta no estudo Custo da Juventude Perdida no Brasil, de autoria de Daniel Cerqueira, diretor de Estado, Instituições e Democracia do Ipea.

O estudo indica que a morte prematura de jovens devido às violências custa ao país cerca de R$ 79 bilhões a cada ano, que correspondente a 1,5% do PIB Nacional. Cerqueira alerta que não só mortes com armas de fogo foram dignas de destaque, a taxa de óbitos em acidentes de trânsito envolvendo jovens aumentou em 44,6% na última década.

Os resultados indicaram que a violência letal na juventude pode responder por uma perda de expectativa de vida ao nascer dos homens de até dois anos e sete meses, como é o caso em Alagoas, mas de, no máximo, quatro meses para as mulheres, conforme observado em Roraima.

 

Elas, marcadas para morrer

 
Elas, marcadas para morrer
por Ismael Machado*
 

"Para explorar as riquezas, o governo construiu estradas, como a Transamazônica, a BR-222, a BR-158, mas construiu também hidrelétricas, como Tucuruí, e estimulou e financiou a implantação de grandes projetos para explorar as riquezas ali existentes, como o Projeto Ferro Carajás. "Ao mesmo tempo incentivou a vinda de grandes empresas e pecuaristas do Centro-Sul do Brasil para investir na criação de gado bovino. Não só concedeu terras, mas créditos subsidiados pela política de incentivos fiscais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Esses grupos econômicos, especialmente aqueles que investiram na implantação da pecuária extensiva passaram a expulsar, de forma muito violenta, os povos indígenas e diversos pequenos agricultores que há muito tempo ocupavam da região”, enfatiza o dossiê da CPT."

A partir de hoje, a Adital reproduz às sextas-feiras matéria especial da Agência Pública sobre as histórias de dez mulheres cujas vidas estão ameaçadas por lutarem pelos seus direitos e pela preservação da floresta amazônica.

 
Nas diversas placas de sinalização ao longo das rodovias que ligam os municípios do sudeste e do sul do Pará, raras são as que não ostentam marcas de balas. Atirar nas placas pode ser o inusitado passatempo de quem trafega por aquelas estradas, sem maiores consequências. Mas as marcas também sinalizam muito do espírito que sempre marcou a colonização daquela parte do estado, pivô de conflitos agrários, assassinatos de lideranças rurais e número um em índices de desmatamento e trabalho escravo.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ocorreram no estado do Pará, entre 1964 e 2010, 914 assassinatos de trabalhadores rurais, religiosos e advogados por questões de terra. Desse total, 654 ocorreram no sul e sudeste do Pará. "Muitos dos trabalhadores rurais assassinados, não conhecemos os rostos e nem sabemos os seus nomes. Em muitos desses casos a polícia negou o registro das denúncias formalizadas por sindicalistas e familiares das vítimas, e negou também o resgate dos corpos onde foram assassinados”, diz o advogado da CPT em Marabá José Batista Afonso.

A CPT divulgou no início do ano uma lista com o nome de 38 pessoas ameaçadas de morte no sul e sudeste do Pará por causa de sua luta pela posse da terra. Dez são mulheres.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Esquerda Moderna

Esquerda Moderna
por Ângelo Alves
 
 
 
"O PS está assim a confirmar o que andou a tentar esconder nos últimos meses. Está de acordo com a essência e a ideologia do pacto de agressão, não quer ouvir falar de eleições antecipadas até às Autárquicas e está a preparar-se para prosseguir a mesma política de direita que está a infernizar a vida aos portugueses."
 
 


As negociações entre PS, PSD e CDS decorriam na segunda-feira, e nas palavras de um dos representantes do PS, de acordo com os pressupostos avançados por Cavaco Silva. Ou seja, o PS aceitou discutir o seguinte cenário: manter em funções, durante um ano, um governo de gestão; continuar a aplicar o pacto de agressão; marcar eleições para daqui a um ano e dizer aos portugueses que, seja qual for o resultado dessas eleições, o mandato do governo delas saído será o de manter o actual rumo de declínio, submissão e destruição económica e social do País.
 
É isto, e nenhuma outra coisa, que estes três partidos estão a discutir. Estão a discutir um rapto da democracia, uma imposição anti-democrática de um programa económico e político e a acertarem as bases para uma estratégia ideológica de médio/longo prazo de alteração do actual regime consagrado na Constituição da República Portuguesa.

É isto que Cavaco Silva entende por «Salvação Nacional». E é isto que o PS aceitou discutir perante um representante de Cavaco Silva, facto que, a par com a tentativa de Cavaco de «guetizar» o PCP, o PEV e o BE, é bem elucidativo do ponto em que está o processo, dirigido a partir de Belém, de subversão do regime democrático.

O PS está assim a confirmar o que andou a tentar esconder nos últimos meses. Está de acordo com a essência e a ideologia do pacto de agressão, não quer ouvir falar de eleições antecipadas até às Autárquicas e está a preparar-se para prosseguir a mesma política de direita que está a infernizar a vida aos portugueses.
 

Por uma política e um governo patrióticos e de esquerda!

Por uma política e um governo patrióticos e de esquerda!
Revista «O Militante»

"Por que é que sistematicamente promove o BE, um partido que vive a surfar a conjuntura e também ele comprometido com o processo de integração capitalista europeu e a sua deriva federalista supranacional, e apologista de um oportunista conceito de «esquerda» que branqueia e absolve o PS e a social-democracia em geral, da sua estrutural identificação com o grande capital e o processo contra-revolucionário em Portugal?
Porque o PCP, como uma vez mais ficou patente com a realização do seu XIX Congresso, é a grande força da alternativa, o mais consequente defensor das conquistas e valores de Abril e da Constituição que os consagra, o mais intransigente lutador contra a exploração capitalista e a opressão imperialista, um partido que existe não para melhorar o capitalismo mas para o abolir, portador de um Programa de transformação revolucionária da sociedade que aponta ao povo português a luta por uma democracia avançada como parte integrante da luta pelo socialismo."


Maio e Junho foram meses em que se alargou e diversificou a frente de luta popular e se acentuou e tornou patente o descrédito e o isolamento do governo do PSD/CDS e da sua política de empobrecimento e afundamento do país. Impondo-se como um imperativo democrático e patriótico a demissão do Governo e a convocação de eleições legislativas antecipadas, tornou-se palavra de ordem de praticamente todas as pequenas e grandes acções de resistência e luta desde o coro de protestos com que são acolhidos por todo o país Passos Coelho, Ministros e Presidente da República, à grande concentração de 25 de Maio em Belém.

"DEMOCRACIA BURGUESA E FASCISMO"


"DEMOCRACIA BURGUESA E FASCISMO"
Fascismo: Crescimento repentino?
 
"Há uma luta entre elas – uma deve acabar com a outra. Ou o avanço das forças produtivas põem fim ao capitalismo, ou a existência continuada do capitalismo provocará uma progressiva pausa na produção e na técnica que mergulhará milhões de pessoas do planeta na pobreza, miséria e guerra.
Estes são os dois únicos caminhos, capitalismo ou socialismo. Não existe outra alternativa. Todas as esperanças em uma terceira alternativa, que garantiria a realização do desenvolvimento pacífico e harmonioso sem a luta de classes, por meio da democracia capitalista, do capitalismo planificado, etc., são sonhos impossíveis."
 
 
 

Para os que aceitaram como inquestionável as formas sociais existentes e a sua continuidade, para os que apostaram pela possibilidade de uma melhora progressista pacífica dentro dessas formas sociais, e para os que qualificam a alternativa revolucionária como fantasia de uma minoria, a vitória do fascismo em um país avançado e industrializado como a Alemanha significou um choque brutal.

Para realizarmos uma analise adequada, é fundamental estudar o fascismo com relação ao caráter geral do desenvolvimento social moderno, da qual o fascismo é uma expressão, e apontar as forças impulsoras da economia e da técnica, as quais chegaram a um ponto que são cada vez mais incompátiveis as formas capitalistas existentes com o desenvolvimento da produção e a utilização da técnica.

Há uma luta entre elas – uma deve acabar com a outra. Ou o avanço das forças produtivas põem fim ao capitalismo, ou a existência continuada do capitalismo provocará uma progressiva pausa na produção e na técnica que mergulhara milhões de pessoas do planeta na pobreza, miséria e guerra.

Estes são os dois únicos caminhos, capitalismo ou socialismo. Não existe outra alternativa. Todas as esperanças em uma terceira alternativa, que garantiria a realização do desenvolvimento pacífico e harmonioso sem a luta de classes, por meio da democracia capitalista, do capitalismo planificado, etc., são sonhos impossíveis. Esses sonhos de desenvolvimento pacífico são simplesmente ecos de ideias passadas, pertencentes à época do capitalismo liberal de livre concorrência, uma época que desapareceu há cem anos, e que não voltará a existir. O capitalismo de livre concorrência foi desenvolvido “na época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político; a exacerbação extrema das contradições também nesta esfera: tal é o resultado desta tendência.” (Lenin, Imperialismo, fase superior do Capitalismo).

terça-feira, 16 de julho de 2013

A alternativa. A luta. O Partido

 
A alternativa. A luta. O Partido
por Armindo Miranda



Com a crise do capitalismo a acentuar as suas contradições, acentua-se o seu carácter explorador, opressor e desumano. Aprofunda-se o fosso entre uma enorme massa de seres humanos e uma elite multimilionária.

Na maioria dos países em desenvolvimento, o número daqueles que vivem abaixo do limiar da pobreza aumenta de forma continuada; centenas de milhões de trabalhadores são empurrados para o desemprego e uma parte significativa não tem acesso a qualquer subsídio. Segundo a ONU, morrem por ano mais de 36 milhões de seres humanos devido ao mais vil atentado contra os direitos humanos – a fome. Ou seja, numa altura em que, devido à introdução de novas tecnologias, nunca foi tão grande a produção de bens alimentares morrem em cada minuto 70 seres humanos por falta de alimentos. Mais de 30 mil crianças morrem por dia devido a causas para as quais a ciência já tem resposta. Doenças que até há poucos anos foram consideradas erradicadas regressam em grande dimensão, mesmo em países onde a assistência médica foi durante décadas universal e gratuita, como foi o caso dos países socialistas.

Tudo isto acontece num tempo em que os avanços e conquistas da ciência, da técnica, do conhecimento e das artes, se colocados ao serviço da humanidade possibilitariam níveis de desenvolvimento e emancipação do ser humano nunca antes experimentados. Esta dramática e injusta realidade social torna mais claros três factos objectivos muito importantes. Primeiro, o carácter social da produção, o ser humano precisa dos bens produzidos para sobreviver. Segundo, os capitalistas não investem na produção, nomeadamente de alimentos e de medicamentos, a pensarem nos trabalhadores e nos povos. Investem com o objectivo que está na base de toda a sua actividade – o lucro, sempre mais lucro mesmo que para isso morram milhares de seres humanos todos os dias por falta de alimentos e assistência médica adequada. Terceiro, esta contradição, que Marx identificou como a contradição fundamental do capitalismo, só será resolvida a favor dos povos quando os principais meios de produção adquirirem também o carácter social.
 
Neste tempo, em que a natureza exploradora, opressora e desumana do capitalismo é cada vez mais evidente, reforça-se a justeza e a actualidade do projecto comunista e a necessidade da luta por uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem, a sociedade socialista. Assim concluímos no nosso XIX Congresso e consta da Resolução Política nele aprovada.

Para isso, são necessários partidos comunistas com independência política, orgânica e ideológica em relação aos interesses do capital.

Partidos da classe operária e dos trabalhadores em geral. Dos explorados e oprimidos. Estreitamente ligados à classe operária e ao povo, combativos, determinados e confiantes na força das massas em movimento e no ideal e projecto comunista. Com uma vida democrática interna e uma única direcção e orientação central. Internacionalistas e defensores dos interesses do seu próprio povo. Portadores de uma teoria revolucionária, o marxismo-leninismo, que não só torna possível explicar o mundo, como indica o caminho para transformá-lo.

Coreia, há 60 anos - O armistício, o paralelo 38, a grande derrota dos EUA

Coreia, há 60 anos - O armistício, o paralelo 38, a grande derrota dos EUA
por Maria da Piedade Morgadinho
 

"A Norte, os trabalhadores, o povo coreano dirigido pela classe operária e o seu partido – o Partido do Trabalho da Coreia – levaram a cabo transformações revolucionárias que mudaram a face do país: uma reforma agrária, a nacionalização da grande indústria, dos transportes, dos bancos, a implantação do horário de 8 horas, a igualdade de direitos para homens e mulheres."
"A Sul, os capitalistas mantiveram nas suas mãos as empresas, os bancos e os agrários as suas terras. Também, muito rapidamente, os monopólios norte-americanos apoderaram-se dos sectores-chave da economia e a Coreia do Sul transformou-se numa autêntica colónia dos Estados Unidos."

Em 27 de Julho de 1953 o imperialismo norte-americano e os seus aliados sofriam uma das mais estrondosas derrotas político-militares no continente asiático.

A criminosa guerra que desencadearam em 1950 contra a República Democrática Popular da Coreia chegara ao fim. Os clamores contra essa guerra que se fizeram ouvir em todo o mundo, obrigaram os Estados Unidos a sentar-se à mesa das negociações e a assinar o armistício.

Dos finais da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando a maioria dos países da Europa, e muito particularmente a URSS, procurava ainda reerguer-se das ruínas, até aos dias de hoje, todos os conflitos armados registados em várias regiões do mundo têm tido na sua origem, directa ou indirectamente, o dedo do imperialismo norte-americano. Este facto é mais do que revelador da natureza agressiva, dominadora e da pretensões hegemónicas do imperialismo a nível mundial.

É oportuno lembrar que todos esses conflitos, essas guerras, que têm deixado atrás de si cenários de destruição, de ruína e de morte, deixaram incólume o território dos Estados Unidos.

Na Segunda Guerra Mundial sobre as cidades norte-americanas não caiu uma única bomba e o número de mortes, que são sempre de lamentar, não ultrapassou o dos que anualmente aí morriam vítimas de acidentes de trabalho. A URSS perdeu nessa guerra mais de 20 milhões de vidas. A seguir à guerra, nos Estados Unidos a concentração da produção e do capital cresceu a passos de gigante e os monopólios aumentaram o seu poder económico. A produção de armamento aumentou vertiginosamente e chegou a atingir mais de 25% da produção industrial dos Estados Unidos.

sábado, 13 de julho de 2013

O Secretário-geral da FSM,camarada George Mavrikos discursa no Plenário da 102.ª Convenção Internacional do Trabalho

OIT, Genebra: o Secretário-geral da FSM,camarada George Mavrikos discursa no Plenário da 102.ª Convenção Internacional do Trabalho
 
"No Bangladesh, as políticas criminosas das multinacionais e dos empresários locais continuam a matar trabalhadores; na Turquia, a violência estatal e o ataque contra os trabalhadores estão a aumentar; na Costa Rica, as greves no setor público são proibidas; no Panamá, as greves são proibidas para os trabalhadores do Canal; o Chile é um exemplo dos muitos países que estão, ainda hoje, a violar convenções fundamentais ratificadas há 14 anos; no Cazaquistão, nos países do Golfo e na Guatemala quase não existe liberdade de associação; na Colômbia, os metalúrgicos e mineiros são constantemente atacados; Os trabalhadores da multinacional Glencore estiveram em greve durante 98 dias e a multinacional trata-os como delinquentes; a MICHELIN encerra fábricas em Cali e Chusacá. Mas, sem ter em conta tudo isto, a OIT excluiu a Colômbia da lista negra. A classe operária europeia está a ser empurrada para a pobreza com as políticas implementadas pela União Europeia e os governos, a favor dos patrões. Os trabalhadores e os povos da África vivem em condições péssimas, enquanto os seus recursos naturais são diariamente roubados pelas multinacionais."


Senhoras e senhores

As condições de vida e de trabalho dos trabalhadores são hoje mais difíceis do que na última Conferência da OIT.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Obama em África: uma visita falhada

 
Obama em África: uma visita falhada
por Carlos Lopes Pereira          
 
 

"Os manifestantes proclamaram que a visita de Obama não era bem-vinda e que a amizade entre a África do Sul e os EUA devia assentar na justiça, na liberdade e na igualdade, valores sempre violados pelo imperialismo norte-americano. Denunciaram a política internacional estadunidense que fomenta «a mercantilização da guerra, a sobre-exploração neocolonial, o racismo e a destruição ambiental». E afirmaram que os EUA, sob a presidência de Obama, «intensificaram os ataques contra os direitos humanos, a militarização das relações internacionais e a exploração contínua e sem controlo dos recursos mundiais à custa dos povos oprimidos»."

A crescente concorrência económica em África entre os Estados Unidos e a China esteve no centro da recente visita de Barack Obama a três países do continente. A viagem ficou marcada também pelo eclodir do escândalo de espionagem denunciado pelo ex-agente da CIA Edward Snowden e por manifestações anti-imperialistas.

O presidente norte-americano esteve no Senegal, na África do Sul e na Tanzânia. Teve encontros com os seus homólogos Macky Sall, Jacob Zuma e Jakaya Kikwete, discursou sobre as maravilhas da democracia ocidental, falou a estudantes universitários, deslocou-se à ilha de Goréia – um antigo entreposto de escravos ao largo de Dakar – e conheceu no Cabo a prisão de Robben Island, onde Nelson Mandela passou 18 dos 27 anos de prisão em que esteve encarcerado pelo apartheid.

Antes da viagem, no final de Junho, o «Washington Post» revelou que a visita de Obama custaria aos contribuintes norte-americanos cerca de 100 milhões de dólares. Incluindo despesas com centenas de agentes dos serviços secretos, caças para escoltar o Air Force One, um navio de guerra equipado com um hospital e aviões de carga para transportar 56 veículos, incluindo 14 limusinas de luxo.

“A principal preocupação do populismo do PT é alavancar o capitalismo brasileiro"

“A principal preocupação do populismo do PT é alavancar o capitalismo brasileiro”, dizem os comunistas brasileiros Canarias Semanal
 
"A verdade é que durante anos, e ao contrário da opinião de muitos “progressistas” europeus, James Petras vem denunciando não só a profunda corrupção que afeta o conjunto do Partido dos Trabalhadores, a organização política liderada por Lula, mas também a falsa fachada popular, atrás da qual se refugiaram os governos de Lula e Rousseff. Os últimos fatos não fizeram outra coisa que confirmar suas acertadas previsões. " 
"Porém, o que estava acontecendo na realidade – opina Petras – era uma coisa muito diferente. “No Brasil se estava produzindo uma enorme concentração de benefícios, uma enorme acumulação de capitais. E uma boa parte desse dinheiro era passada diretamente às multinacionais e às contas bancárias situadas no exterior. Era sabido que em Nova York, Flórida e Miami, os brasileiros compravam fastuosos apartamentos de um milhão, dois milhões de dólares”."



Em recente entrevista concedida à emissora uruguaia “Radio Centenario”, o sociólogo norte-americano James Petras manifestou sua convicção de que a política implantada no Brasil desde a época dos governos de Lula, não tem nada a ver com as necessidades populares. Petras acredita que o que está sendo construído nesse país é um projeto agro-minerador de populismo neoliberal, encoberto pela imagem de Lula, que se apresenta como “amigo dos pobres”.

A verdade é que durante anos, e ao contrário da opinião de muitos “progressistas” europeus, James Petras vem denunciando não só a profunda corrupção que afeta o conjunto do Partido dos Trabalhadores, a organização política liderada por Lula, mas também a falsa fachada popular, atrás da qual se refugiaram os governos de Lula e Rousseff. Os últimos fatos não fizeram outra coisa que confirmar suas acertadas previsões.

“Enquanto o Brasil acumulava enormes recursos econômicos – precisa o sociólogo estadunidense – a partir dos altos preços das matérias primas, muitos acadêmicos pensaram que os programas “antipobreza” permitiriam que muita gente engrossasse as fileiras da classe média e, com o consumo gerado, se produziria um novo modelo progressista”.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A luta das mulheres com deficiência

A luta das mulheres com deficiência
por Inês Zuber
"Infelizmente, os relatos que nos chegam não são animadores. Só uma sociedade que apoie e contribua para o desenvolvimento das potencialidades, da capacidade, da autonomia das mulheres com deficiência será uma sociedade não-discriminatória. No âmbito das políticas económicas de classe da UE e de Portugal, tal será impossível. A luta das mulheres com deficiência deve, ser também, uma luta de todos os que ambicionam a igualdade e a dignidade."
A propósito de um relatório que se encontra em discussão no PE sobre as mulheres com deficiência, o PCP organizou uma audição sobre o tema em Lisboa, com diversas organizações que trabalham nesta área, e na qual recolhemos valiosos contributos para a reflexão de um problema cuja invisibilidade social é gritante.
 
Hoje, no quadro da aplicação do «pacto de agressão» da troika assistimos ao caminho do empobrecimento do País, realidade que, sabe-se, afecta mais as mulheres do que os homens. Baixos salários, discriminações salariais directas e indirectas, desemprego são flagelos que penalizam mais as mulheres do que os homens. Mas se falarmos em mulheres com deficiência, entramos num campo de ainda maiores vulnerabilidades – o campo da multidiscriminação. A Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006) define no seu artigo 6.º que «Os Estados Partes reconhecem que as mulheres e raparigas com deficiência estão sujeitas a discriminações múltiplas e, a este respeito, devem tomar medidas para lhes assegurar o pleno e igual gozo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais». A Convenção foi assinada por vários países, incluindo Portugal, e pela UE. A realidade encontra-se, infelizmente, muito distante da fundamentação teórica.

Segundo as estimativas da ONU de 2010, cerca de 15 por cento da população têm deficiência, e estima-se que as mulheres estejam aqui em maioria. O direito do acesso ao emprego, consagrado constitucionalmente, não é cumprido em Portugal, como sabemos.
 
Sabe-se que o desemprego de longa duração e as taxas de insucesso na procura de emprego são maiores entre as pessoas com deficiência. Sabe-se que os níveis de formação profissional são mais baixos nas pessoas com deficiência e que estas estão mais expostas a empregos temporários e com menos perspectivas de desenvolvimento futuras.
 
Sabe-se que os trabalhadores com deficiência são os primeiros a serem prescindidos em caso de despedimentos. A situação piora se analisarmos o caso das mulheres com deficiência – são menos qualificadas no trabalho do que os homens com deficiência, têm também taxas mais altas de desemprego. As mulheres com deficiência têm, portanto, entre as pessoas com deficiência, um maior risco de exclusão social.

Atenção ao que dizia o Eça

Atenção ao que dizia o Eça
por Aurélio Santos
 


"Quando a quadrilha Coelho/Portas apareceu apresentando a sua coligação recauchutada, era caso para dizer: estão mortos, mas ainda não o sabem... Em 1871 dizia Eça de Queiróz nas «Farpas»: Há muitos anos a política em Portugal apresenta este singular estado: 12 ou 15 homens sempre os mesmos, alternadamente, possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder... "

 
 
 
 
 
 
 
Os episódios e cenas políticas da semana passada fizeram-me lembrar uma anedota do actor Solnado, fazendo o papel de um avô completamente surdo. Quando rebentou o fogão de gás e a casa ardia, gritava para os netos: «não batam com as portas!»

(O papel de avô surdo caberá talvez ao Presidente da República).

O balanço dos destroços que este Governo PSD/CDS deixa no nosso País é aterrador.Temos uma das dez mais elevadas dívidas soberanas do mundo, um elevado défice orçamental e a nossa dívida continua a ser considerada uma das de maior risco. Temos a 3.ª maior taxa de desemprego da OCDE, a 2.ª maior taxa de trabalho precário da zona euro, os salários mais baixos da Europa Ocidental. Somos o 3.º país com mais desigualdade da UE, e o risco de pobreza ameaça mais de 43% da população. No 4.º trimestre de 2012 Portugal registou a maior queda do PIB de toda a União Europeia. Somos também o terceiro país da OCDE com mais corrupção, descemos 10 lugares na tabela, o que significa que a corrupção vai aumentando. Temos um nível de vida inferior em mais de 25% da média europeia, piores do que a Grécia e a Espanha.

Em 2012 tivemos uma emigração nunca antes vista (mais de 120 000 pessoas segundo dados do INE) pior do que a registada nos negros anos da guerra colonial (110 000) em 1961. No ano passado tivemos ainda o mais baixo número de nascimentos registado nos últimos 80 anos, ou seja valores iguais aos de 1930. E só nos primeiros meses deste ano saíram de Portugal mais de 23 000 crianças. O número de famílias consideradas judicialmente em falência quadruplicou.

O governo PSD/CDS deixa o País de rastos.

terça-feira, 9 de julho de 2013

'Somos todos vigiados'

'Somos todos vigiados'
por Ignacio Ramonet
  
"O presidente Barack Obama está abusando do seu poder e diminuindo a liberdade de todos os cidadãos do mundo. “Eu não quero viver numa sociedade que permite este tipo de ação”, protestou Edward Snowden, quando decidiu fazer as suas revelações. Divulgou os fatos e, não por acaso, exatamente quando começou o julgamento do soldado Bradley Manning, acusado de promover a fuga de segredos da Wikileaks, organização internacional que divulga informações secretas de fontes anônimas."
 
 
Nós já temíamos (Nota 1). Tanto a literatura (1984, de George Orwell), como o cinema (Minority Report, de Steven Spielberg) haviam avisado: com o progresso da tecnologia da comunicação, todos acabaríamos por ser vigiados. Presumimos que essa violação de nossa privacidade seria exercida por um Estado neototalitário. Aí nos equivocamos. Porque as revelações inéditas do ex-agente Edward Snowden sobre a vigilância orwelliana acusam diretamente os Estados Unidos, país considerado como “pátria da liberdade”. Aparentemente, desde a promulgação, em 2001, d0 Patriot Act (Nota 2), isso ficou no passado. O próprio presidente Barack Obama acaba de admitir: “Não se pode ter 100% de segurança e 100% de privacidade”. Bem-vindos, portanto, à era do “Grande Irmão”…

O que revelou Snowden? Este antigo assistente técnico da CIA, de 29 anos, que trabalhava para uma empresa privada – a Booz Allen Hamilton (Nota 3) – subcontratada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sua sigla em inglês), revelou aos jornais The Guardian e Washington Post a existência de programas secretos que tornam o governo dos Estados Unidos capaz de vigiar a comunicação de milhões de cidadãos.

domingo, 7 de julho de 2013

A divisão entre "Sul pobre" e "Norte rico" é um velho truque da classe burguesa e dos oportunistas

A divisão entre "Sul pobre" e "Norte rico"
Os velhos truques da classe burguesa
Por KKE

"Esta é a razão pela qual o nível de desenvolvimento dos países é posto como linha divisória básica no nosso tempo, visto que, caso sigam esta lógica, leva os trabalhadores a alinharem a todo o momento com a "linha política nacional", que é criada pelo pessoal da classe burguesa, isto é, os objectivos estabelecidos pela classe burguesa dos seus países. Um objectivo dos capitalistas de qualquer país é melhorar a sua posição na "pirâmide" imperialista global, de modo ao seu negócio poder ganhar maior fatia do mercado através da exploração de recursos naturais e da força de trabalho. O seu objectivo não tem nada a oferecer aos trabalhadores, excepto a uma muito pequena parte deles, a "aristocracia operária" que, como uma hiena espera comer os restos deixados pelos leões do capitalismo, os fortes negócios monopolistas."


A divisão entre "Sul pobre" e "Norte rico" é um velho truque da classe burguesa e dos oportunistas. Para começar, nem sempre se referiu à própria UE, mas ao mundo em geral, através da comparação entre os países do norte (ou também os países dos "mil milhões de ouro", que incluem toda a população grega) com os países mais pobres do mundo. Esta divisão entre países "ricos" e "pobres" apoia-se nos números do PIB e nos dados de consumo da população, mas não pode ser desligada dos seguintes factos:
  • Que, mesmo nos países mais pobres do mundo, existe riqueza acumulada nas mãos dos poucos que de facto vivem de modo particularmente provocante em comparação com o resto da população.
  • Que, mesmo nos países mais ricos do mundo, existe enorme pobreza.
  • Que os ricos nos "países pobres" e os ricos nos "países ricos" têm uma frente comum contra os trabalhadores. Criam as suas próprias organizações e mecanismos para manterem e reforçarem o seu poder. A NATO e a UE são organizações dessas.
  • Que os trabalhadores, independentemente de viverem em "países pobres" (onde a água pode ser escassa) ou em "países ricos" (onde se podem lavar duas ou três vezes por dia), têm interesse comum em derrubarem o poder do capital.

sábado, 6 de julho de 2013

Europa no Caso Evo Morales: vocação irresistível para ajoelhar diante dos EUA e satisfazer o seus menores desejos.

Europa e a prostituta da Babilônia
Escrito por Atilio Boron
 
 
"Em suma, a Casa Branca atua com os governos europeus como um empregador sinistro e inescrupuloso com seus indefesos subordinados. E os governos da França, Espanha, Portugal e Itália, por sua vez, atuam como a prostituta da Babilônia, que, segundo narra a Bíblia no Apocalipse (2.17) "com ela fornicaram os reis da terra – leia-se os "capos" de Washington – e os habitantes da terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição"."
 


A prisão e, de fato, o sequestro sofrido por Evo Morales, por 14 horas, em Viena, em sua acidentada viagem de volta de Moscou, mostra claramente que os governos europeus e as classes dominantes, as quais representam e em cujos interesses atuam, são meros servos do Império. Toda a sua fraseologia oca sobre a democracia, os direitos humanos e a liberdade desmorona como um castelo de cartas, com o impacto da proibição que impedia o presidente da Bolívia de sobrevoar o espaço aéreo de alguns países europeus.

Claro, nada disso deveria surpreender, porque se algo comprovaram os sucessivos governos da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi uma vocação irresistível para ajoelhar-se diante do novo mestre imperial e satisfazer o seus menores desejos, mesmo à custa de sua dignidade e vergonha. Nem todos os governos em todo o tempo, é verdade, porque houve algumas exceções: De Gaulle na França, Olof Palme, na Suécia, entre os mais notáveis​​. Mas a grande maioria deles obedece cegamente as ordens da Casa Branca para condenar Cuba e participar do criminoso bloqueio a que foi submetida a ilha, por mais de cinquenta anos; consentiram que Estados Unidos e a OTAN, a maior organização terrorista internacional, bombardeassem impunemente o próprio território europeu, a ex-Iugoslávia, sem contar sequer com o amparo legal de uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, autorizando essa operação; autorizaram e também foram cúmplices dos voos “secretos” da CIA, em que moveram “presos fantasmas” (ou desaparecidos) de numerosas nacionalidades que estavam em cárceres clandestinos, onde se podia torturar e assassinar com total impunidade esses supostos suspeitos de terrorismo; governantes, por último, foram cúmplices dos inúmeros crimes de guerra perpetrados por Washington em localidades tão diversas como a ex-Iugoslávia, Iraque, Irã, Afeganistão, Líbia e Síria, entre outros mais recentes.

Capitalismo, democracia e eleições

Capitalismo, democracia e eleições
por Richard D. Wolff
 
 
"Capitalistas financiam candidatos e partidos nas campanhas eleitorais e entre elas. Em contrapartida, responsáveis eleitos apoiam desejos dos seus financiadores, especialmente quanto ao que é o que não é apresentado aos eleitores para decidir. Empresas capitalistas também financiam think tanks, programas académicos, mass media e campanhas de relações públicas que moldam a opinião pública em favor do capitalismo. No último meio século emergiu ainda outra solução: manter o estado na defensiva não só ideologicamente como também financeiramente por meio de défices orçamentais e dívidas."

 "Eleições bem controladas não questionam, e muito menos ameaçam, o capitalismo."


Capitalismo e democracia real nunca tiveram muito a ver um com o outro. Em contrapartida, a votação formal em eleições tem funcionado lindamente para o capitalismo. Afinal de contas, eleições raramente puseram em causa, muito menos decidiram, a questão do capitalismo: se os eleitores preferem isto ou um sistema económico alternativo. Os capitalistas têm mantido com êxito as eleições centradas alhures, sobre questões e opções não sistémicas. Este êxito lhes permitiu em primeiro lugar igualar democracia a eleições e a seguir celebrar eleições em países capitalistas como prova da sua democracia. Naturalmente, eleições imparciais foram e são permitidas apenas fora das empresas capitalistas. Eleições democráticas dentro delas – onde os empregados são maioria – nunca acontecem.

Democracia real significa que importantes decisões que afectam as vidas das pessoas são tomadas genuinamente e igualmente pelas pessoas afectadas. A organização capitalista das empresas portanto contradiz a democracia real. No interior das corporações que dominam o capitalismo moderno, uma minúscula minoria – os accionistas principais e os conselhos de administram que eles elegem – tomam decisões chave que afectam os que estão abaixo deles na hierarquia corporativa, os empregados. Aquela pequena minoria decide que produtos a corporação produzirá, que tecnologias serão utilizadas, onde ocorrerá a produção e como serão distribuídas as receitas líquidas da corporação. A maioria é afectada, muitas vezes profundamente, por todas essas decisões, mas não participa na elaboração delas.

Reforma Agrária é um alvo a abater

Reforma Agrária é um alvo a abater
por Jorge Messias
 


"Todos os novos factos que vão sendo revelados passam por entre as malhas de uma escabrosa rede mundial de corrupção. Por hoje, fiquemos por aqui, escutando o que nos diz a investigadora brasileira Ana Rajado: «Enquanto milhões de pessoas morrem à fome devido à escassez de alimentos básicos como o trigo, o arroz e o milho, os grandes grupos agro-alimentares têm lucros escandalosos. Por exemplo, os lucros da Monsanto, em 2008, duplicaram em relação ao ano anterior. Outro tanto aconteceu com a Cargil, a Archer Daniels ou a Mosaic, um dos maiores produtores de fertilizantes cujos lucros aumentaram doze vezes num só exercício"


«A reforma agrária tem como objectivo proporcionar a redistribuição das propriedades rurais, ou seja, efectuar a distribuição da terra para a realização da sua função social. Este processo é realizado pelo Estado que compra ou nacionaliza terras de grandes latifúndiários com terrenos não utilizados e distribui lotes de terras a famílias de camponeses» (Wagner Cerqueira, "Brasil Escola", Reforma Agrária).

«Em oito anos, o governo Lula foi capaz de repor e consolidar o neoliberalismo como programa político do bloco no poder... No caso do governo Dilma Roussef isto tornou-se ainda mais evidente: a actual crise mundial mudou o quadro político e económico, fazendo o governo retroceder e aplicar, de forma nua e crua, o receituário neoliberal» (David Maciel, "De Lula a Dilma Roussef: crise económica, hegemonia neoliberal e regressão política" ).

«A imagem do agronegócio foi construída para renovar a face da agricultura capitalista, para modernizá-la. É uma tentativa para ocultar o seu carácter monopolista, predador, anexador e exclusivista e dar apenas relevo aos conceitos tecnicistas que destacam o aumento da produtividade, da riqueza e do lucro e a aplicação de novas tecnologias. Mas sempre, desde a escravatura à colheita controlada por satélite, no capitalismo está presente o processo de exploração e posse, de concentração da propriedade da terra e do aumento da destruição do campesinato...» (Bernardo Mançano Fernandes, "Agronegócio e Reforma Agrária").

É notável o corrupio que se nota entre os políticos portugueses que saltam dos protestos de fidelidade à Constituição «de esquerda»(?) para as visitas-relâmpago ao Rio, ao G8, ao Banco Mundial, ao «Clube de Bildelberg» ou às altas esferas das finanças, laicas ou do Vaticano. No entanto, em Portugal pouco se fala em agronegócio e quase nada se aprofunda acerca das verdadeiras razões da revolta do povo brasileiro. Como se o latifúndio e a distribuição da riqueza fossem detalhes irrelevantes.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Crise e democracia

Crise e democracia
por Albano Nunes
 
"Confrontado com a inexorável tendência para a baixa da taxa de lucro, com a situação de estagnação e recessão em que mergulharam as principais economias capitalistas e a evidente incapacidade do sistema para dar resposta aos problemas e aspirações dos trabalhadores e dos povos, o grande capital prepara-se para o pior e joga cada vez mais na limitação e liquidação de liberdades e direitos fundamentais. O próprio reforço de estruturas e políticas supranacionais determinado pela transnacionalização do capital, espezinhando a soberania de países como Portugal, só pode ser imposta por via coerciva, questão que está bem patente no carácter crescentemente anti-democrático da União Europeia, e num vasto conjunto de medidas ditas de «segurança», em que a articulação com a NATO e com os serviços secretos norte-americanos desempenha crescente papel."
 
O grande capital prepara-se para o pior e joga cada vez mais na limitação e liquidação de liberdades e direitos fundamentais.
 

Vivemos tempos sombrios em que a natureza exploradora, opressora e agressiva do capitalismo tende a manifestar-se sob formas cada vez mais agudas. Desde logo porque continuam vivas as consequências das derrotas do socialismo com a violenta ofensiva do imperialismo para recuperar posições perdidas ao longo do século XX. Depois porque, no quadro do aprofundamento da sua crise estrutural e sistémica, o sistema capitalista atravessa uma prolongada crise cíclica de sobreprodução e sobreacumulação para a qual só vê uma saída: a intensificação da exploração dos trabalhadores, a recolonização dos povos da periferia capitalista, a apropriação e delapidação dos recursos naturais do planeta. O que, a par da centralização e concentração do capital, que a própria crise favorece, e da consequente redução da base social de apoio do poder monopolista, só pode conduzir à agudização das contradições de classe e nacionais, ao crescimento da resistência e da luta popular por todo o mundo, à emergência de processos progressistas e revolucionários, como está a acontecer na América Latina.

A face real da UE ou o logro do «modelo social»


 
Desemprego, precariedade e pobreza na União Europeia
A face real da UE ou o logro do «modelo social»

por Carlos Nabais




 
 
"Na UE, mais de 26 milhões de pessoas estão desempregadas; 23,4 por cento dos jovens na UE estão desempregados; 8,3 milhões de jovens abaixo dos 25 anos não têm qualquer actividade; 19 por cento das crianças estão ameaçadas pela pobreza; oito por cento das pessoas vivem em situação de grave privação material; 15 por cento das crianças abandonam a escola sem chegar a frequentar o ensino secundário; 24,2 por cento das pessoas (120 milhões) encontram-se em risco de pobreza; os trabalhadores pobres representam um terço dos adultos em idade activa em risco de pobreza; o número de sem-abrigo na UE chega, por noite, a 410 mil pessoas. "

Ao longo da sessão, subordinada ao lema «Desemprego, precariedade, pobreza – a face real da União Europeia» e dirigida por Ângelo Alves, membro da Comissão Política e da Secção Internacional do PCP, foi reafirmada a necessidade de uma ruptura com o actual processo de integração capitalista que abra caminho a uma outra Europa, dos trabalhadores e dos povos.