Pesquisa Mafarrico

Translate

segunda-feira, 14 de março de 2016

O Acordo de Paris sobre alterações climáticas

O Acordo de Paris sobre alterações climáticas
por VLADIMIRO VALE


"Tal como em todo o processo de preparação, também as conclusões desta cimeira foram acompanhadas de uma imensa campanha de propaganda ideológica com que os centros de decisão do capital pretendem legitimar mecanismos de acumulação capitalista. A propósito da necessidade de combate às alterações climáticas, querem legitimar e aprofundar a implementação de mecanismos como o Mercado de Carbono enquanto mecanismos que visam mercantilizar e financeirizar o ambiente com o pretexto de solucionar problemas reais. O facto da Conferência se ter realizado num quadro de limitações às movimentações de massas, na sequência dos atentados de Paris, silenciou as vozes críticas e as manifestações públicas, o que contribuiu para o favorecimento da propaganda oficial."
" o Esquema Europeu de Transacções (ETS), introduzido há 10 anos, não conduziu à desejada redução de emissões de gases de efeito de estufa, bem pelo contrário. A experiência europeia de transacção de quotas de carbono desmente claramente a virtuosidade da regulação pelo mercado e demonstra a ineficácia e perversidade dos seus instrumentos, que visam a obtenção de lucro, a acumulação de riqueza e o aprofundamento das desigualdades."

Legitimar a mercantilização do ambiente, apagar responsabilidades, favorecer processos de natureza colonial e transferir custos para os povos do mundo.

«O Homem vive da natureza significa: a Natureza é o seu corpo, com o qual ele tem de permanecer em constante processo para não morrer. Que a vida física e espiritual do homem esteja em conexão com a Natureza, não tem outro sentido senão que a Natureza está em conexão com ela própria, pois o homem é uma parte da Natureza.»
K. Marx – «Manuscritos Económico-filosóficos de 1844»

«Os factos lembram-nos que não reinamos sobre a natureza como conquistadores sobre um povo estrangeiro submetido, como alguém que estaria para além da natureza, mas que lhe pertencemos com a nossa carne, o nosso sangue...».
F. Engels – A Dialéctica da Natureza

«No modo de produção actual apenas se considera, face à natureza, como à sociedade, o resultado mais próximo,... a obtenção do lucro imediato,... depois, ainda há quem se espante que as consequências longínquas das acções que visam este resultado imediato sejam completamente diferentes e na maioria dos casos completamente opostas.»
F. Engels – A Dialéctica da Natureza

«A época do capitalismo contemporâneo mostra-nos que se estão a estabelecer determinadas relações entre grupos capitalistas com base na partilha económica do mundo».
V. I. Lénine – O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo

A marcha dos imbecis II - Os golpistas são branquelos de classe média e intelectualmente obtusos

A marcha dos imbecis fascistas II - 13-março-2016
Os golpistas são branquelos de classe média e intelectualmente obtusos


Vendo a manifestação dos "coxinhas" neste domingo ( 13/03/2016 ) , tão branquinhos, tão perfumadinhos, apoiados pela imprensa golpista, roncando e vociferando em plena Av. Paulista pelo golpe contra um governo legitimamente  eleito ( dentro da legalidade burguesa , é claro). Sempre achei e continuo achando Lula e Dilma uns conciliadores de classe, que de certa forma, amansaram os Sindicatos e movimentos sociais, burocratizando-os . Mas, também , devo reconhecer que o Brasil avançou em relação a todos os outros governos burgueses anteriores, puxando muita gente da pobreza e da miséria, dando oportunidades a outros segmentos do povo marginalizados, mesmo sendo através de políticas compensatórias ( Cotas , bolsa família,salário mínimo maior, Prouni e etc). Também , em política externa saiu do "consenso de Washington" e projetou uma política mais independente ( Óbvio, que isso interessava a parte da burguesia brasileira) . 

Por isso, entendo que ficar numa posição de " fora todos" ( Fora Dima,PT,PSDB e outros) que parte da esquerda no Brasil adotou, ignorando o avanço do fascismo e do direitismo mais obtuso, representado pela mídia-empresa e por partidos como o PSDB e vários outros como PMDB, PTB,etc... é puro esquerdismo infantil e politicamente uma posição burra, que ignora a realidade da correlação de forças no Brasil e no mundo.

Não podemos aqui ignorar o contexto mundial na qual a crise política e econômica do Brasil está inserida. A crise do sistema  capitalista é estrutural. Os Eua e a União Européia promovem guerra e caos pelo mundo, enquanto atacam os direitos sociais de seus povos, o fascismo cresce na Europa, por toda parte vemos ataques à classe trabalhadora.

Hoje, em minha opinião, devemos defender a legalidade, impedindo o golpe promovido pela direita e pela mídia-empresa. Barrar o golpe, defender a classe operária e todos os trabalhadores do Brasil, através da intensificação da luta de classes e formar uma frente anti-imperialista e anti fascista que impeçam as forças do atraso vencerem e voltarmos á idade média em direitos sociais.

" O velho mundo agoniza, o novo mundo tarda a nascer, e, nesse claro-escuro, irrompem os monstros"
Antonio Gramsci


Viva o Brasil!

Pelo Socialismo!

Carlos Rego - Mafarrico Vermelho



Imagens e fotos da marcha dos Imbecis

A VIDA É FILHA DA PUTA,
A PUTA, É FILHA DA VIDA......
NUNCA VI TANTO FILHA DA PUTA....( juntos na Paulista),
NA PUTA DA MINHA VIDA !

BOCAGE

domingo, 13 de março de 2016

Marx: "A Burguesia e a Contrarrevolução"

"A Burguesia e a Contrarrevolução"
Artigo de Karl Marx, publicado na Neue Rheinische Zeitung de 15 de Dezembro de 1848.

"As revoluções de 1648 e de 1789 de modo algum foram revoluções inglesas ou francesas, foram revoluções de estilo europeu. Não foram a vitória de uma classe determinada da sociedade sobre a velha ordem política; foram a proclamação da ordem política para a nova sociedade europeia. Nelas, a burguesia venceu; mas a vitória da burguesia foi então a vitória de uma nova ordem social, a vitória da propriedade burguesa sobre a feudal, da nacionalidade sobre o provincianismo, da concorrência sobre a corporação, da divisão [da propriedade] sobre o morgadio, da dominação do proprietário da terra sobre o domínio do proprietário pela terra, das luzes sobre a superstição, da família sobre o nome de família, da indústria sobre a preguiça heroica, do direito burguês sobre os privilégios medievais. A revolução de 1648 foi a vitória do século XVII sobre o século XVI, a revolução de 1789 a vitória do século XVIII sobre o século XVII. Estas revoluções exprimem mais ainda as necessidades do mundo de então do que das regiões do mundo em que se deram, a Inglaterra e a França."

Quando o dilúvio de Março — um dilúvio en miniature — passou, não deixou à superfície da terra berlinense quaisquer prodígios, quaisquer colossos revolucionários, mas criaturas do estilo antigo, figuras burguesmente atarracadas — os liberais da Direita unida, os representantes da burguesia prussiana consciente. As províncias que possuíam a burguesia mais desenvolvida, a Província Renana e a Silésia, forneciam o contingente principal para os novos ministérios. Atrás deles, todo um séquito de juristas renanos. À medida que a burguesia era empurrada para um plano secundário pelos feudais, nos ministérios, a Província Renana e a Silésia cediam lugar às primitivas províncias prussianas. O ministério Brandenburg só ainda tem ligação com a Província Renana através de um tory de Elberfeld. Hansemann e von der Heydt! Nestes dois nomes reside, para a burguesia prussiana, toda a diferença entre Março e Dezembro de 1848!

A burguesia prussiana foi atirada para os píncaros do Estado, porém, não, como tinha desejado, por meio de uma transição pacífica com a Coroa, mas por meio de uma revolução. Não eram os seus próprios interesses, mas os interesses do povo, que devia representar contra a Coroa, isto é, contra si própria, uma vez que um movimento popular lhe tinha preparado o caminho. Aos seus olhos, a Coroa era, porém, precisamente apenas o escudo pela graça de Deus por detrás do qual se deviam ocultar os seus interesses próprios profanos. A inviolabilidade dos seus interesses próprios e das formas políticas correspondentes ao seu interesse, traduzida na linguagem constitucional, devia soar [assim]: inviolabilidade da Coroa, Daí o entusiasmo da burguesia alemã e, especialmente, da prussiana pela monarquia constitucional. Daí que, se a revolução de Fevereiro com todas as suas sequelas alemãs, foi bem recebida pela burguesia prussiana, porque por ela o leme do Estado lhe foi posto nas mãos, ela igualmente foi um golpe nos seus cálculos, porque, deste modo, a sua dominação ficava ligada a condições que ela não queria cumprir nem podia cumprir.

sábado, 12 de março de 2016

Quando os lobos são promotores públicos de São Paulo, A JUSTIÇA UIVA !

Os três patetas do MP de São Paulo
A aura trincada do Ministério Público
por Luis Nassif


"Segundo a denúncia, Lula “atentou contra a ordem pública ao desrespeitar as instituições que compõem o Sistema de Justiça, especialmente a partir do momento em que as investigações do Ministério Público do Estado de São Paulo e da Operação Lava Jato se voltaram contra ele”. Ora, existe manifestação mais explícita do “sabe com quem está falando”? O crime está em criticar medidas com as quais não concorda.

Outra ameaça de Lula foi ter se valido de sua “força político-partidária” para convocar entrevista coletiva, após a detenção que lhe foi imposta pela Lava Jato."


O general Golbery do Couto e Silva tinha uma explicação lógica sobre os motivos para a distensão política: "O problema não são os generais, mas os porteiros do presídio".

No pedido de prisão preventiva de Lula, a alegação dos promotores paulistas exara uma prepotência inédita, uma demonstração tão ostensiva de poder que deixaria inibidos generais e porteiros da ditadura.

Nem se diga do parágrafo em que apresentavam como evidência de crime o fato de Lula “vociferar” elogiando as virtudes do Bancoop. Não bastasse o elogio vociferante, citam Nietzsche, em “Assim Falou Zaratustra” na significativa frase “Nunca houve um Super-Homem”. Depois, uma nota de rodapé esclarecendo que o contexto da obra é mais profundo que a menção ao Super-Homem. Ah, bom.

Ou então mencionam que a conduta de Lula deixaria “Marx e Hegel” envergonhados. Hegel morreu em 1831, quando Marx tinha apenas 13 anos. E nem se pode dizer que houve confusão com algum homônimo porque Engels nem chega a ser uma rima de Hegel. Construíram um clássico quase tão notável quanto a polícia do Rio perseguindo Bakunin, parceiro da Sininho.
***
Segundo a denúncia, Lula “atentou contra a ordem pública ao desrespeitar as instituições que compõem o Sistema de Justiça, especialmente a partir do momento em que as investigações do Ministério Público do Estado de São Paulo e da Operação Lava Jato se voltaram contra ele”. Ora, existe manifestação mais explícita do “sabe com quem está falando”? O crime está em criticar medidas com as quais não concorda.

Por Trás da Fachada: EUA, uma Hegemonia Falida.

Por Trás da Fachada: EUA, uma Hegemonia Falida.
por F William Engdahl

"Desde o acordo feito entre o Rei Saudita Abdullah e a besta do Secretário de Estados dos EUA John Kerry em setembro de 2014 para inundar o mundo de petróleo saudita barato para aumentar a crise do Rublo russo entre as sanções impostas pelos Estados Unidos, o golpe mais severo quem suportou foi a indústria (norte)americana de petróleo e gás de xisto, não convencionais e de extração cara. Já venderam centenas de campos de petróleo, eliminaram estimados 250.000 empregos e cortaram bilhões de dólares em gasto de capital e pagamentos de dividendos de ações."

Fantasias e contos da carochinha sobrevivem apenas até encontrar a realidade nua e crua de coisas, acontecimentos e pessoas. Mais cedo ou mais tarde, a verdade mostra a cara feia. Isso vem bem a calhar quando olhamos para a verdadeira situação e condição da nação que os chineses chamam de Hegemon, os que-não-são-mais Estados Unidos da América. As estatísticas oficiais da Administração Obama declararam ao mundo nos últimos seis anos que a maior economia (de papel) do mundo estava em uma maravilhosa situação e recuperação e que o desemprego nos EUA era de meros 5%. Agora, enfrentando o mais duro colapso dos preços do petróleo em 13 anos, o último setor que ainda criava empregos nos Estados Unidos, o setor da indústria de petróleo e gás está rapidamente se juntando à cadeia de dominós em queda que ameaça por abaixo uma montanha de créditos podres e coloca uma faca no pescoço de muitos bancos. Para complicar, desta vez, diferentemente de 2009, o Federal Reserve está em dificuldades reais, com o débito do Federal tendo dobrado para $18 trilhões de dólares (US$ 18.000.000.000.000 – é um bocado de zeros! – NT)desde o início da crise financeira em 2007.

Economistas líderes, entre os quais o ganhador do Prêmio Nobel Paul Krugman, afirmam que o débito de uma economia, especialmente a economia com o maior débito do mundo, os Estados Unidos, “não importa”. Basta manter ininterrupto o ciclo cada vez mais crescente de endividamento e tudo ficará bem. Kurgman argumenta em sua coluna no jornal New York Times, “... acontece que há um ponto ao qual ninguém parece prestar atenção – uma família endividada acima de sua capacidade deve dinheiro a alguém; o débito dos Estados Unidos é composto, em larga escala, de dinheiro que devemos a nós mesmos”.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Brasil - Promotores trocam Engels por Hegel em denúncia contra Lula

Segundo os promotores de SP - Marx , Hegel e Lenine (cantor Brasileiro)




















Promotores trocam Engels por Hegel em denúncia contra Lula

A "pérola" dos Promotores de São Paulo na ação movida contra o ex-presidente Lula.

  • "As atuais condutas do denunciado Luiz Inácio Lula da Silva, que outrora chegou a emocionar o país ao tomar posse como Presidente da República em janeiro de 2003” (“o primeiro torneiro mecânico” a fazê-lo de forma honrosa e democrática), certamente deixaram Marx e Hegel envergonhados.”

Fascistas, Terroristas & "Multiculturalismo"

Guerras do 'ocidente', tempestades domésticas:
Fascistas, Terroristas & "Multiculturalismo"
por Tony Cartalucci

"EUA, Europa e seus aliados turcos e sauditas investiram ao longo de décadas para criar grupos terroristas que operassem simultaneamente como força mercenária que opera à distância e como instrumento para a prática de violência com vistas a implantar o medo também em casa. Mediante campanha centrada e conduzida pela mídia-empresa privada local, esses extremistas são quase sempre empurrados para se misturarem aos refugiados – e agências de inteligência muitas vezes deliberadamente os infiltram em campos de concentração de refugiados e enclaves que brotam hoje por toda a Europa."

"Juntas, essa trifeta – fascistas, terroristas e ONGs que são seletivamente 'multiculturalistas' – trabalha com eficiência devastadora, convertendo o que já é crise criada pela própria Europa, em caos total – que pode ser manobrado para servir aos interesses arregimentados por trás do trio."

Os EUA e a Europa, com muitos colaboradores muito empenhados, fizeram incontáveis guerras e guerras à distância, em grandes áreas da África, do Oriente Médio, da Ásia Central. O que o ocidente buscava, reordenar o mundo pós-soviético mediante meios militares convencionais no Afeganistão em 2001 e no Iraque a partir de 2003, continuou a buscar por vias menos convencionais – a chamada "Primavera Árabe" e as várias guerras à distância ("guerras por procuração") que eclodiram depois, a partir de 2011.

Hoje, as guerras alimentadas pelo ocidente continuam a consumir a Líbia, a Síria, o Afeganistão e o Iêmen, ao mesmo tempo em que a praga da violência e da instabilidade política atormenta outras nações nas quais o ocidente nem se intrometeu nem está hoje ocupando ou subvertendo.

Só a França – além de ter comandado operações militares na Líbia em 2011, e de estar atualmente com operações militares ativas na Síria e no Iraque – tem tropas em várias nações africadas dentre as quais a República Centro Africana (2 mil soldados), Chade (950), Costa do Marfim (450), Djibouti (2.470), Gabão (mil), Mali (2 mil) e Senegal (430).

Angola – 55 Anos do início da luta armada

Angola – 55 Anos do início da luta armada
por Carlos Lopes Pereira


"Na altura, o MPLA, com dirigentes como Mário de Andrade, Viriato da Cruz e Lúcio Lara, tinha a sede em Conakry, capital da jovem República da Guiné. O médico e poeta Agostinho Neto, já então prestigiado líder do movimento popular que conduziu vitoriosamente a luta independentista de Angola, encontrava-se deportado na ilha cabo-verdiana de Santo Antão. Depois de várias prisões pela PIDE, ao longo dos anos 50, enquanto estudante em Portugal – acusado de ser um dos dirigentes do MUD Juvenil e de «actividades subversivas, de carácter comunista» – Neto concluiu o curso e os estágios de Medicina e regressou a Angola, em finais de 1959. Meses depois, foi preso em Luanda, transferido para Lisboa e, após meses na prisão, deportado para Cabo Verde, a sua cadeia com grades de água.

Em 1961, face ao grande movimento de solidariedade nacional e internacional, foi libertado da prisão e desterrado para Cabo Verde, onde esteve com residência fixa. Aquele que veio a ser o primeiro presidente da República Popular de Angola, o Dr. Agostinho Neto, saiu clandestinamente de Portugal por mar num pequeno iate, a partir do Algarve para o Norte de África, numa operação organizada pelo PCP."

O início da luta armada de libertação nacional em Angola, há 55 anos, marcou o começo do fim do colonialismo português em África.

A 4 de Fevereiro de 1961, em Luanda patriotas angolanos atacaram prisões para libertar presos políticos, que iam ser levados para o campo do Tarrafal, em Cabo Verde.

Na madrugada de 4 de Fevereiro, patriotas armados de catanas atacam a Casa da Reclusão Militar, a Cadeia Civil de São Paulo, a cadeia da 7.ª esquadra da Companhia Móvel da PSP na estrada de Catete, a Emissora Oficial de Angola e o edifício dos CTT. O resultado não foi o planeado: «A operação não atinge o seu objectivo que era libertar os presos políticos do “Processo dos 50” que se encontravam, na sua maioria, na Casa da Reclusão Militar, mas o mundo fica a conhecer a revolta. Morreram 15 amotinados e muitos ficaram feridos. O outro grupo que deveria atacar o Aeroporto Craveiro Lopes e incendiar os aviões estacionados na placa e nos hangares (…) falhou a missão».

A rebelião armada teve o apoio do cónego Manuel das Neves e foi dirigida por Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus, Imperial Santana e Virgílio Francisco e executada por 220 homens. Os organizadores principais e muitos participantes eram do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que aglutinou e unificou vários núcleos de patriotas surgidos ao longo da década de 50.

quinta-feira, 10 de março de 2016

União Bancária, passo fundamental na integração capitalista da UE

União Bancária, passo fundamental na integração capitalista da UE
por MIGUEL VIEGAS


"Como fica claro com contas simples, a União Bancária, com os seus três pilares, tem dois objectivos centrais: criar um paliativo que não tem outro propósito senão criar a ilusão de que alguma coisa está a ser feita para que tudo permaneça na mesma; e «regular» os gigantescos processos de fusões e aquisições concentrando capital e poder de fogo sobre os processos de falências que inevitavelmente vão acontecer. É por isso que os mega bancos apoiam este processo. Os tubarões do sistema financeiro não se importam em contribuir com algumas migalhas para garantir que as águas em que nadam continuam a ser por si dominadas."

A crise financeira de 2007 expressão do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo colocou às classes dominantes um dilema: como manter intocáveis os pilares de funcionamento da economia capitalista e os lucros do grande capital e, ao mesmo tempo, dar a ideia de que alguma coisa iria «mudar», nomeadamente no «combate aos excessos e desvios» do «virtuoso» funcionamento do sistema por via da «regulação e supervisão do sector financeiro». 

É por este motivo que, desde 2010, a Comissão Europeia lançou várias dezenas de actos legislativos, alegadamente para garantir que todos os actores, produtos e mercados financeiros seriam devidamente «supervisionados». Juntou-se então a fome à vontade de comer. A fome da propaganda e da necessidade de dar uma aparência «responsável» e «moralizadora» à gigantesca canalização de recursos do trabalho e fundos públicos e a vontade de comer de, à boleia da crise, se concentrar cada vez mais o capital, o sistema financeiro e o poder político a ele associado por via do aprofundamento da integração capitalista da União Europeia.

É, portanto, neste panorama de profunda crise económica e financeira e de fugas para a frente que os Chefes de Estado e de Governo da União Europeia decidiram, em Junho de 2012, criar a «União Bancária». Desta crise importa relevar algumas premissas fundamentais que nos ajudam a entender melhor a génese deste projecto de concentração e centralização do poder de decisão sobre um tão importante sector da economia.

O sistema financeiro não só é necessário como é fundamental para a economia. O seu funcionamento deve assentar na confiança dos agentes e em especial dos depositantes que confiam os seus rendimentos e as suas poupança aos bancos que servem de intermediário entre os aforadores e os investimentos. Sucede que esta confiança pode ser minada se o comportamento do sistema financeiro e em particular dos bancos não for pautado por regras elementares de prudência no uso dos recursos que lhes são confiados, fenómeno que se aprofunda na razão directa do domínio deste sector pelo grande capital, da financeirização da economia e liberalização dos mercados de capitais. E de facto, foi isto que aconteceu.

terça-feira, 8 de março de 2016

Tempos tempestuosos

Tempos tempestuosos
por JORGE CADIMA

"O ciclo de grandes guerras iniciado com a Guerra do Golfo (fez agora 25 anos) impôs a «ordem» imperialista, destruindo e fragmentando o Iraque, a Síria, a Líbia, o Afeganistão, o Iémene, a Jugoslávia, eternizando a ocupação da Palestina, agredindo Gaza e o Líbano, entregando a Ucrânia aos bandos nazis, provocando centenas de milhar de mortos, milhões de feridos e desalojados e vagas de refugiados. As causas de fundo das guerras e agressões imperialistas não residem em 'choques de civilizações' ou rivalidades sunitas-xiitas, mas sim na vontade recolonizadora dum sistema sócio-económico assente no lucro, cujas classes dirigentes (como comprova a História) consideram todos os crimes legítimos, desde que sirvam para afirmar o seu poder e dominação."

Um quarto de século após a destruição da União Soviética e do sistema socialista mundial, o capitalismo conduziu a Humanidade a uma das suas maiores crises, com consequências potencialmente trágicas. As guerras e agressões do imperialismo destruíram numerosos países, com dramáticas consequências humanas. Longe de estar resolvida, a crise económica do capitalismo que eclodiu em 2007-2008 conhece novos episódios. As suas causas permanecem e tendem mesmo a agravar-se. 

A crise foi pretexto para o grande capital financeiro intensificar a exploração dos trabalhadores e a rapina de todas as classes não monopolistas (como ficou patente nos países da União Europeia). A tudo isto se junta a alteração da correlação de forças económicas no planeta, com as velhas potências imperialistas em declínio a recusarem a ascensão de novos concorrentes. A crescente deriva autoritária e a cada vez mais descarada promoção de forças fascistas e xenófobas, bem como o alastrar dum terrorismo com ligações importantes aos governos e serviços secretos das grandes potências imperialistas (patente na Síria e na Líbia) são reflexo da opção de vastos sectores do grande capital pelo uso da força e da violência para impor a sua dominação.

"Existencialismo, uma corrente em moda da Filosofia Burguesa"

"Existencialismo, uma corrente em moda da Filosofia Burguesa"
por G. Gak, publicado na revista Problemas nº 14, em outubro de 1948

"Quaisquer que sejam as diferenças verbais, é característico que as mil e uma correntes atuais da filosofia burguesa se tornem cada vez mais agressivas contra o materialismo e que o idealismo que professam seja cada vez mais reacionário e decadente, assemelhando-se, muitas vezes abertamente, com o clericalismo. As correntes atuais da filosofia burguesa são o reflexo ideológico, do capitalismo que apodrece e mostram a que grau se elevaram seus traços reacionários."

" Mas, por ser o existencialismo paradoxal e urdido de sofismas não se torna menos perigoso, porque, na sociedade burguesa, todo paradoxo e todo sofisma ganha força quando a opinião pública das classes dominantes se coloca em seu apoio. Eis por que é preciso lutar contra o existencialismo, como se luta contra um espião perigoso da burguesia, destinado por ela a desagregar e enfraquecer as forças do progresso e da democracia, e a sufocar a coragem, a corromper a consciência pelo veneno do pessimismo, da falta de animo e de perspectiva."

A filosofia burguesa atual está cheia de pequenas correntes, de todos os matizes, cada uma se apropriando de um novo "ismo" qualquer para se diferenciar das outras. Tal fato não passa, porém, de um jogo escolástico. Esses novos "ismos" filosóficos aparentam apenas divergências superficiais, no fundo realmente insignificantes.

O que Lenin dizia das pequenas correntes da filosofia burguesa, existentes em seu tempo, se aplica inteiramente aos "ismos" filosóficos atuais. Quando estava em moda o pragmatismo (também denominado filosofia da ação), constituindo a última palavra da filosofia americana, embora ainda hoje não esteja de todo posto de lado, Lenin mostrou que, apesar do pragmatismo se considerar como uma nova linha em filosofia, não apresentava, no fundo, nada de novo em relação ao machismo que anteriormente fizera razoável barulho.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Terremoto no Brasil

Juiz Moro 
Terremoto no Brasil, 
por Pepe Escobar, SputnikNews

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


"Lula foi interrogado em conexão com acusações por lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de patrimônio. A blitz hollywoodiana foi autorizada pelo juiz federal Sergio Moro – que não se cansa de repetir que se inspira no juiz italiano Antonio di Pietro e a famosa investigação dos anos 1990s Mani Pulite ("Mãos Limpas")."

"Até agora, repetidas vezes os investigadores da "Operação Car Wash" têm vazado 'informes' e 'declarações' para a grande mídia – jornais, rádios e TVs –, sempre na direção de divulgar a 'notícia' segundo a qual "Até agora só conseguimos morder Lula. Quando o pegarmos, o engoliremos." Significa, para dizer o mínimo, uma politização, com partidarização, da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério Público. Implica também que a blitz à moda de Hollywood pode ter autor ativo. A 'notícia' repetida incontáveis vezes no ciclo das 'notícias' da grande mídia-empresa, hoje instantaneamente global, foi que Lula teria sido preso 'porque é corrupto'.

Mas... a coisa vai ficando cada vez mais estranha, quando se descobre que o juiz Moro é autor de artigo publicado numa revista obscura, nos idos de 2004 ("Considerações sobre Mãos Limpas", revista CEJ, n. 26, Julho-Set. 2004). Nesse artigo, Moro prega, claramente, "a subversão autoritária da ordem jurídica para alcançar alvos específicos" e o uso da mídia para intoxicar a atmosfera política."

"A impressão que a Operação Lava-Jato já deixou bem fundamente marcada em todo o Brasil é que acusações de corrupção só são investigadas se o acusado for nacionalista progressista. Os vassalos do consenso de Washington são sempre predefinidos como anjos – generosamente imunizados contra acusações, delações e processos."

Imagine um dos líderes políticos mais admirados em todo o planeta na história moderna arrancado do apartamento onde mora, às 6h da manhã, por agentes armados da Polícia Federal Brasileira, enfiado num carro sem identificação e levado ao aeroporto de São Paulo, para ser interrogado por mais de quatro horas, sobre eventos conectados a um escândalo de corrupção de um bilhão de dólares que envolve a petroleira brasileira Petrobrás.

Desse material se fazem os delírios de Hollywood. E a 'lógica' dos delírios de Hollywood é, exatamente, a 'lógica' por trás de mais essa elaborada produção. 

Os procuradores por trás da investigação chamada "Car Wash"[1], que já dura dois anos, não se cansam de repetir que há "elementos de prova" que implicariam Lula, o qual teria recebido fundos – no mínimo, 1,1 milhão de euros – do esquema de corrupção que envolveria grandes empresas de construção conectadas à Petrobrás. As acusações rezam que Lula teria – e é o máximo que se pode dizer: "teria" – sido pessoalmente beneficiado de grande parte desse dinheiro, sob a forma de um sítio (que não pertence ao ex-presidente), um apartamento modesto à beira-mar, de remunerações por palestras no circuito mundial da 'palestragem', de doações à fundação que leva seu nome.