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quarta-feira, 31 de março de 2010

DEPOIMENTO DE UM BRASILEIRO QUE VIVEU TRÊS ANOS EM CUBA


DEPOIMENTO DE UM BRASILEIRO QUE VIVEU TRÊS ANOS EM CUBA


Por Gulherme Soares
CMI – BRASIL


Uma das acusações mais comuns dirigidas ao governo Cubano, é o cerceamento da liberdade de expressão, a frase "liberdade de expressão" virou um slogan contra o regime cubano. Do meu ponto de vista, nada mais contraditório que um brasileiro criticando a liberdade de expressão em Cuba


Por Guilherme Soares Silveira Bueno


Eu gostaria de me expressar um pouco aqui sobre os comentários desta recém famosa blogueira cubana (Yioani Sánchez). Eu sou saxofonista, morei três anos na ilha, sem visitar o Brasil neste período, estudei música no ISA (Instituto Superior de Arte de Havana), antigo clube de campo dos turistas norte-americanos antes de 1959.


Fiquei a maioria do tempo em Havana, onde eu estudava,mas em um dos períodos de férias, com a mochila nas costas e pedindo carona, atravessei durante quase dois meses a ilha inteira, de ponta a ponta, passando por todas as capitais e outros lugares, como Placetas, Puerto Padre, Mayarí e Chivirico.


Tentei me manter o mais longe possível dos programas turísticos, pois queria conhecer a Cuba vivida pelos cubanos. Nos três anos em que lá estive, minha convivência foi basicamente com os cubanos, no ISA não tem muitos estrangeiros e eu era o único brasileiro.


Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que considero o conteúdo do blog desta cubana uma piada pra quem já viveu em Cuba. Ela criticou a educação em Cuba? O sistema de saúde cubano? A violência na ilha? Não minha gente, não, isso só pode ser piada. Voltei há sete meses de Havana e ontem estava em um consultório médico quando resolvi folhear a droga da revista da manipuladora VEJA e lá estava a blogueira. Escreveu que foi agredida numa manifestação contra a violência.


Manifestação contra a violência em Cuba? Nossa meus amigos, sinto muito, eu vivi três anos na ilha, sou músico, portanto, freqüentava muito os bares nas noitadas de Havana (sempre regadas de muita musica), andando por toda a cidade durante a madrugada: foram três anos, e nesses três anos e eu não vi nem sequer uma briga, nem sequer um tapa, nem sequer um puxão de cabelo, e essa cubana me vem dizer que estava numa manifestação contra a violência? Só pode ser piada mesmo.


Até mesmo os cubanos que são contra o regime (na sua imensa maioria jovens que não viveram o país antes de 1959 e que sonham em ir para os EUA, enriquecer, comprar carros luxuosos, jóias, mansões, roupas de grife, etc.)


sempre me diziam nas discussões: "Isso é verdade, aqui não deixam ninguém morrer, se você tem algum problema eles te curam" ou "Aqui não precisa ficar preocupado, se tem alguma coisa de bom em Cuba é que é um lugar seguro, aqui não tem a violência do seu país" ou "É verdade, aqui te dão educação grátis e de excelente qualidade, mas não te deixam prosperar, o que significava ganhar muito dinheiro, enriquecer e consumir. Esse desejo surgiu ou intensificou a partir do contato com os milhares de turistas que a ilha recebe por ano e, como o próprio Fidel Castro diz, o turismo foi um mal necessário. Prosperar para nós não é conhecer, aprender e produzir e sim ganhar mais e mais dinheiro para consumir cada vez mais".


Que tristeza ver no que nos transformamos, estamos perdendo a essência do ser humano para enraizar uma essência de consumo, destruindo cada vez mais o nosso planeta e se importando cada vez menos com as milhares de pessoas que não têm nem um prato de comida na mesa, quando têm mesa.


É triste pensar que tantas pessoas que lutaram muito durante uma época bastante conturbada em nosso país, só estavam lutando contra uma ditadura e não contra a desigualdade social, a exploração das pessoas, a miséria, a falta de moradia, a fome. Já em Cuba é muito fácil perceber que estas lutas são claramente as prioridades do governo cubano, se necessita muita falta de sensibilidade para não enxergar isso. Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção quando cheguei em Havana, foi a aparência das pessoas que encontrava pelas ruas.


Percebi que todos tinham uma boa pele, os dentes brancos e em perfeito estado. Tinham a aparência de pessoas fortes e como são fortes os cubanos. Altos e fortes. Logo pensei: "Ué! cadê a fome? Acredito que gente quem passa fome, não cresce tanto. Notei isso em todos os lugares que passei, em muitas outras províncias, e não somente em Havana.


Moro na cidade de São Paulo, já viajei para vários outros Estados, e em todas as capitais vi crianças pedindo esmola no farol, crianças morando em baixo de viaduto, crianças vagando pela cidade em plena madrugada.


Eu andei aquela ilha toda e as crianças que encontrei usavam uniforme, o que significava que eram escolares, e caminhavam acompanhadas pelo pai ou pela mãe ou por ambos. Uma vez, indo para Alamar um cartaz na rodovia exibia o índice mundial de crianças que passavam fome e terminava com a seguinte afirmação: "Nenhuma delas é cubana". Eu não vi fome naquele lugar, não vi ninguém esbanjando comida na geladeira, é verdade, mas fome eu não vi. Gente que não toma café, almoça e janta todos os dias? Isso não existe em Cuba.


Nas vezes em que precisei de atendimento médico em Cuba, fui atendido mais rapidamente e melhor que no hospital São Luiz, mesmo tendo aqui um plano de saúde que não é top de linha, mas está logo abaixo. Lá, não tive que pagar pelo atendimento mesmo sendo estrangeiro.


Um amigo espanhol, que estudou comigo, tratou inclusive dos dentes, já que lá todo tratamento é gratuito e na Espanha, assim como no Brasil, a maioria dos planos de saúde não cobre o tratamento dentário. Eu só queria ver essa blogueira na fila do SUS esperando pra fazer uma cirurgia importante, sem saber quando será realizada.


Uma das acusações mais comuns dirigidas ao governo Cubano, é o cerceamento da liberdade de expressão, a frase "liberdade de expressão" virou um slogan contra o regime cubano. Do meu ponto de vista, nada mais contraditório que um brasileiro criticando a liberdade de expressão em Cuba.


O Brasil atualmente, segundo dados de 2008 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, possui 10,0% (cerca de 19,1 milhões) de analfabetos e 21,0% (cerca de 40 milhões) de analfabetos funcionais (só sabem assinar o nome). O primeiro passo para a extensão da plena liberdade de expressão de toda a população é a educação. Se um País não dá a possibilidade à grande parte da população (os abaixo da linha da pobreza) para aprender a ler, a escrever, a adquirir conhecimento, a fazer esportes, a aprender formas de arte, se um país não oferece condições mínimas de vida a uma grande massa da população obrigando-a a se preocupar, cotidiana e diuturnamente, apenas com o risco de não ter uma ração alimentar mínima, por falta de dinheiro, está CERCEANDO as possibilidades de liberdade de expressão, que passa ser privilégio dos bem aquinhoados.


Além disso, qual liberdade de expressão nós temos no Brasil? Fora poucas revistas que são lidas por uma minoria quase insignificante, qual o grande meio de comunicação que atinge as grandes massas e que divulgam além do que os grandes conglomerados jornalísticos permitem que seja divulgado?


Qual grande jornal, revista, estação de radio, canal de televisão que vai contra o sistema, que apoia o comunismo, o anarquismo ou qualquer outro sistema que não seja esse que nós vivemos? Se você reúne um grupo de pessoas e tenta derrubar o governo pra instaurar um novo sistema, você vai ser preso, morto na luta ou vai ser extraditado do país, pois esta é a forma que o sistema tem de se defender, qual seja ele. Em Cuba não é diferente, lá você pode discordar, só não pode querer derrubar o sistema, é obvio.


E tudo isso com um agravante, o mundo cerca a ilha e "ninguem" quer que aquilo dê certo. Depois da queda da União Sovietica, Cuba, que economicamente era dependente do seu governo (recebia cerca de 4 a 6 bilhões de dólares anuais em 1990), ficou sem nada, em situação social de calamidade, o chamado "Período Especial", de 1990 a 1996. É preciso analisar toda a evolução de um país que não tinha nada naquela epoca e hoje mantém uma qualidade de vida, em termos de necessidades essenciais como moradia, saúde, educação e cultura que Cuba tem, você vai ver que não existe país no mundo que melhorou tanto e segue melhorando.


Seu PIB é de 51 bilhões de dólares (o do Brasil é de 2 trilhões de dólares) e, mesmo assim, Cuba ostenta um alto Índice de Desenvolvimento Humano (acima de 0,800); em 2007 o IDH de Cuba foi 0,863 (51° lugar ? 44º se ajustado pelo PNB). Com uma renda tão baixa, se o governo fosse corrupto, o país não seguiria nesta direção, nós brasileiros deviamos saber bem disso. Desenvolvimento econômico não está necessariamente ligado ao desenvolvimento social e Cuba provou isso.


A ilha consegue esse alto indice de desenvolvimento humano no seu país sem instalar grandes corporações, como acontece na maioria esmagadora dos países de terceiro mundo, onde podem pagar um salario baixissimo para seus funcionarios, sugar a materia prima e pagar baixos impostos.


Pelo contrario, Cuba ainda exporta milhares de médicos, que viajam em missões de solidariedade para centenas de lugares do mundo todo, em países onde se o sistema de saúde não é ruím, ele simplesmente não existe. Mas sobre isso a VEJA não faz uma reportagem, também não faz uma reportagem sobre os milhares de estudantes de classes sociais muito baixas, que provêem de todos os países latino-americanos, inclusive brasileiros, que vão para Cuba estudar medicina e outras centenas em outros cursos, todos eles financiados pelo governo cubano, ganhando moradia, salário mensal, café, almoço, jantar e produtos para higiene pessoal.


Todos esses estudantes estão se formando em Cuba sem pagar um centavo. A universidade de medicina de Cuba é uma das mais bem conceituadas no mundo e a sua valorização em âmbitos internacionais é muito maior que as universidades brasileiras, um médico cubano na Europa consegue trabalho sem dificuldades mesmo nos dias dificeis que vivemos, isso porque o sistema público de saúde cubano é considerado um dos mais eficazes do mundo.


Ainda assim os mais de mil estudantes brasileiros que estão se formando em Cuba estão encontrando dificuldades para validar seus diplomas no Brasil, sob a alegação de que os brasileiros que estudam em instituições cubanas se formam medicos generalistas básicos; todos os que conhecem o curso que eles fazem em Cuba sabem que isso é uma grande mentira, o que ninguem publica é a verdade, a verdade é que medicina no Brasil é coisa para quem tem dinheiro para pagar, a grande minoria. Com a chegada de médicos brasileiros formados em Cuba, com o projeto de suprir cerca de mil vagas de médicos em comunidades indigenas no interior do país, essa tradição começa a ser rompida e aumenta a tendência de um barateamento no sistema médico do país, mas não, para a maioria do congresso é melhor as pessoas continuarem morrendo do que os custos médicos serem mais baratos


Se eu fosse citar todas as vantagens que a ilha tem sobre nós eu teria que parar de tocar saxofone para me dedicar a escrever um livro, descrevendo todos os detalhes que, na verdade, não são tão detalhes assim, mas que passam despercebidos pelos olhares de muitas pessoas que viajam para lá com uma visão preconceituosa, elitista e não percebem coisas simples, como as crianças brincando pelas ruas de Havana, correndo pra cima e pra baixo, sem sequer seus pais se preocuparem; não importa se têm 5, 10 ou 15 anos, nada vai acontecer com eles lá fora, nenhum menino de 9 anos vai fumar crack e muito menos vender quinquilharias nas esquinas: isso não chega lá, as crianças em Cuba estão na escola, onde elas devem estar.


O narcotráfico, um dos maiores problemas mundiais, em Cuba não entra, o tráfico de drogas é praticamente inexistente se comparado com o restante do mundo, não há droga nos bares ou nas festas frequentadas pelos jovens cubanos, assim como não há as propagandas massivas de bebidas alcoólicas.


Cultura transborda por todos os cantos, teatros, festivais de cinema, poesia, pintura e música estão por todas as partes e os preços dos espetáculos são acessíveis a todos os cidadãos. Tudo isso muita gente não percebe, isso a VEJA não publica, mas quando aparece uma pessoa com afirmações absurdas sobre a ilha, sem nenhuma fonte confiável para provar o que diz, aí sai na primeira pagina em todos os meios de comunicação, essa passa a ser a grande noticia do nosso país, cheio de "liberdade de expressão".


É facil para um brasileiro que vive em São Paulo, no Morumbi, na Vila Olimpia, em Ipanema ou na Barra da Tijuca sair criticando a ilha e dizendo que aqui está melhor que lá. Claro que sim! Minha familia é de classe média e eu também vivo melhor que os cubanos, mas quantos brasileiros vivem como a gente?


Existem milhões e milhões de brasileiros que dariam a vida para ter as oportunidades que o governo cubano dá para seu povo, para ter uma casa como todos os cubanos têm, para ter atendimento médico gratuito de excelente qualidade, para não ter que se preocupar com a escola dos seus filhos, para ter um prato de comida em cima da mesa. Mas não, nós, cegos, preferimos reparar que lá não tem carne de vaca, que só tem carne de frango, peixe e carne porco, que a variedade dos alimentos não é grande como a nossa ou que eles não têm dinheiro pra comprar um Nike, um IPod.


Vocês devem estar se perguntando se eu não tenho nenhuma critica negativa sobre a ilha, eu digo que é obvio que eu tenho varias, com certeza até mesmo o Fidel Castro tem varias criticas negativas ao seu governo.


A questão não são os erros que eles cometeram ou os acertos, a questão é que a luta do governo cubano é pela melhoria na qualidade de vida de todas as pessoas, é um governo que luta pelo seu povo e faz o impossível para manter todas as condições básicas para o ser humano viver com dignidade.


E tudo isso junto com o bloqueio comercial imposto pelos EUA que impede que o avanço na qualidade de vida dos cubanos siga em ritmo mais acelerado. Não é o Fidel que faz mal para a ilha, quem faz mal para a ilha somos todos nós, que a cercamos, a excluímos e seguimos prejudicando- os com nossas políticas internacionais que prejudicam um país que carece de muitos recursos financeiros.


Nós não podemos esquecer de que, antes de fazer criticas sobre a conduta do governo cubano para com seu povo, temos que pensar primeiro no contexto político que viveu e vive a ilha de Cuba; um erro pode significar o fim de mais de cinqüenta anos de luta pela soberania de um povo, o fim de uma população saudável e muito bem educada.


Lembrem-se de que o Haiti já foi o país com a melhor qualidade de vida da América Latina, situação que durou até a politica inglesa "america para os americanos": hoje o Haiti é o país mais pobre da América.


Antes de criticar as limitações impostas pelo governo para a saída dos cubanos do país, informem-se. Em primeiro lugar, os cubanos que tentam visitar familiares nos EUA assim como cubanos que vivem nos EUA e tentam visitar os familiares em Cuba, encontram muito mais resistência por parte do governo norte-americano do que por parte do governo cubano.


Essa resistência se dá pelo fato do governo norte-americano pressionar os cubanos que querem visitar seus familiares a assumir a nacionalidade norte-americana; como muitos só querem ir visitar a familia nos EUA e depois voltar, acabam tendo muita dificuldade para conseguir o visto. O mesmo acontece com outros países que impõem milhares de restrições para evitar que o cubano consiga o visto para a viagem.


Quem já viveu em Cuba um tempo razoável sabe que isto é verdade, inclusive na televisão cubana passam propagandas insistindo para os norte-americanos liberarem os cubanos que lá vivem para visitar seus familiares em Cuba. Em Cuba existe uma lei que diz que se um cubano sair de Cuba como turista, ele pode ficar, no máximo, onze meses fora do País e, se esse tempo for ultrapassado, ele perde a nacionalidade por um tempo limitado. Muitas pessoas também não compreendem isso.


Lembrem-se que Cuba é um regime Socialista, lá tudo é do Estado e o Estado garante todas as necessidades basicas da população (moradia, comida, educação e saúde); seria injusto que um cubano viajasse, trabalhasse fora, ganhasse bastante dinheiro, e depois voltasse para Cuba usufruir de todas essas vantagens, mas sem contribuir com nada. O Estado é o povo, o povo é o Estado. Com relativa frequência, muito cubanos que viajam para Espanha ou outros países não voltam mais, pois logo conseguem um bom emprego, graças a excelente educação que tiveram em Cuba, mas os filhos ficam em Cuba.


Quando você pergunta porque eles não foram também, te respondem: "Ah! lá a escola é muito cara, eu não teria condições de pagar". Muitos destes cubanos ainda têm a cara-de-pau de criticar o governo do seu país. Eu acho que não precisa de muito para perceber que isso não está correto.


Eu gostaria de saber quando é que a gente vai parar de aceitar que todos esses meios de comunicação nos manipulem, na defesa dos interesses de uma elite que não se importa com ninguém além dela mesma. Quando vamos parar de prestar atenção nesses canais de televisão, nessas rádios, jornais e revistas que mentiram pra nós o tempo todo, manipulando pesquisas eleitorais, escondendo informações e divulgando calúnias, quando vamos parar de aceitar coisas como "rouba mas faz" ou um presidente que escreve livros e livros e quando assume a presidência diz pra esquecer tudo que ele disse.


Que convicção tem uma pessoa dessas que muda de uma hora para outra? Acho que nunca teve convicção em nada. Hoje vivemos talvez o início de uma era que nunca vivemos, a América Latina está sendo cada vez mais tomada por governos de esquerda que realmente estão se importando com a nossos povos, como o Hugo Chavez na Venezuela, o Evo Morales na Bolivia, o Rafael Correa no Equador, o José Mujica no Uruguai e o Lula no Brasil.


Só resta saber se vai ser apenas uma época ou se realmente vamos mudar. Esses presidentes não podem fazer nada se nós não ajudarmos, talvez se nosso povo se mobilizasse mais, nosso governo puderia realizar os seus projetos sem tantos obstáculos.


Pra essa blogueira eu gostaria de dizer que ela deveria sentir vergonha das injustiças que comete com um país que conquistou tudo que Cuba conquistou mesmo sendo o único país que olha para os EUA e diz NÃO. Como pode ela dizer que todas essas conquistas foram falsas? Como pode ela, na reportagem para a revista VEJA dizer que nenhum estrangeiro que viveu em Cuba pode admirar aquele regime?


Como ela pode falar assim pelos outros? Eu vivi em Cuba e não só admiro o seu regime como acredito nele, acredito que Cuba foi e continua sendo a grande esperança para os povos deste planeta que carecem dos recursos básicos para um ser humano viver. Eu tenho certeza que esses alunos de medicina, muitos oriundos de famílias que não tiveram condições de proporcionar todas as oportunidades que todos os seres humanos deveriam ter por direito, e muitos outras pesoas solidárias a Cuba e que lá viveram, sentem a mesma admiração que eu por tudo de maravilhoso que lá foi construido e pela pouca esperança que nos resta, mas que passa a ser tão grande quando olhamos para nuestros queridos hermanos cubanos.


Eu acredito que num futuro distante o Fidel Castro Ruz não somente será lembrado como um grande homem, mas sim como um ícone da luta pela justiça e pela igualdade social em nosso planeta, um ícone ainda maior que nosso querido comandante Che Guevara. Bom seria se o mundo não esperasse sua morte, como aconteceu com o Che, para reconhecermos isso. Eu espero estar vivo para ver isso e espero que até lá o governo cubano se mantenha forte e resistente para que, no futuro, não precisemos olhar para trás arrependidos e dizer: "Que pena, naquela época a situação podia ter mudado, mas não mudou", como já vimos acontecer muitas vezes na nossa historia


texto recebido por e-mail de "Jacob Blinder" jdblinder@yahoo.com.br



EM DEFESA DE CUBA SOCIALISTA


EM DEFESA DE CUBA SOCIALISTA


Vamos divulgar as ações do povo cubano em defesa de sua revolução!


Leia e divulgue o Blog: somostodospalestinos.blogspot.com


Os meios de desinformação dos países ocidentais, partidários do capitalismo selvagem, falam da dura repressão às “Damas de branco”. Vejamos os vídeos e comparemos os métodos repressivos em ambos sistemas.

Lições de direitos humanos para Cuba.
Repressão em Cuba: Mulheres Desarmadas. Este método sangrento de atuar por parte da tirania, constitui uma grave violação aos direitos humanos e à integridade física do pacífico manifestante mercenário e contra-revolucionário. Devem aprender esta outra modalidade de dissolver manifestações, indubitavelmente muito mais democrática e garantida, já que é sistematicamente aplicada pela (s) polícia (s) europeia (s).
http://www.youtube.com/watch?v=BHQvyifbRfw

2) A seguir, o exemplo da União Europeia






Cubanos apoiam a Revolução ante provocação contra-revolucionária


Havana, 18 de Março (PL)

Habitantes de bairros da capital reafirmaram hoje o respaldo à Revolução Cubana e aos seus principais dirigentes, como resposta a uma nova provocação de grupelhos contra-revolucionários.


Desde o início da semana, as auto-denominadas Damas de Branco, estimuladas pela mais recente campanha anti-cubana proveniente de Washington e de países da Europa ocidental, vem tentando protagonizar ações desestabilizadoras nas igrejas e ruas da cidade.A tática usada pelos provocadores foi o protesto contra as supostas violações dos direitos humanos e a falta de liberdade no país caribenho. As manifestações contaram com a presença de diplomatas norte-americanos e europeus. Não houveram incidentes nas manifestações.

Nesta quinta-feira, os integrantes do reduzido grupo contra-revolucionário percorreram as principais ruas dos municípios da Havana Velha e Centro.


Centenas de cidadãos reiteraram o apoio às autoridades cubanas frente a ação do grupelho, entre eles Gladys González, que lembrou como as autoridades policiais e do Ministério do Interior se preocupam com a segurança e protegem “para que nada aconteça aos manifestantes”.

Vários funcionários diplomáticos assistiram à nova atividade provocadora, entre eles Ingeman Cedeber, encarregado dos negócios da embaixada sueca, Volker Pellet, conselheiro da sede alemã e Lowell Dale Lawton, segundo secretário político-econômico da Seção de Interesses dos Estados Unidos em Cuba (SINA).


Lawton se negou a fazer declarações ao ser abordado pela Prensa Latina. O periódico buscava conhecer o porquê do interesse da SINA em participar deste tipo de ato.

Ao mesmo tempo, o auto-intitulado jornalista das Dama de Branco, respondeu que os representantes diplomáticos se encontravam ali “monitorando a situação”.
Damas de branco recebem resposta popular: Esta rua é de Fidel...!



Funcionário dos EUA em ação contra-revolucionária em Cuba


Dois diplomatas da Seção de Interesses dos Estados Unidos (SINA), em Havana, acompanharam um ato provocador contra-revolucionário. Os diplomatas são Lowell Dale Lawton, segundo secretário político da SINA, e Kathleen Duffy, assistente da área político-econômica dessa mesma instituição. Volker Pellet, conselheiro da Embaixada da Alemanha em Cuba, e Chris Stimpson, diplomata britânico, que oferecia declarações à imprensa internacional contra o governo cubano quando foi abordado por manifestantes, sendo protegido por policiais cubanos, também estiveram presentes.


Um funcionário da Seção de Interesses dos Estados Unidos (SINA), em Havana, participou hoje de um novo ato de provocação contra-revolucionária na capital.


Lowell Dale Lawton, segundo secretário político-econômico da SINA, assistiu a uma missa numa igreja no bairro de Párraga, junto com integrantes das auto-denominadas Damas de Branco. Ao finalizar a liturgia, saíram às ruas para protestar contra supostas violações de direitos humanos em Cuba.


O diplomata norte-americano misturou-se às manifestantes e percorreu todo o trajeto do ato provocador, que foi rechaçado de maneira espontânea por populares.


Na véspera, dois representantes das embaixadas da Alemanha e da República Checa participaram de um ato similar, em aberta colaboração com os grupelhos contra-revolucionários, organizados e financiados pelos Estados Unidos e algumas nações europeias.


A Prensa Latina constatou que as integrantes do grupo contra-revolucionário não foram arrastadas, e sim evacuadas para evitar incidentes violentos.


Estas ações de provocação em Cuba, com a presença de diplomatas norte-americanos e de países da Europa Ocidental, possuem lugar em meio a uma campanha de corporações midiáticas contra a Ilha. Esta campanha foi intensificada a partir de 10 de março, quando o Parlamento Europeu adotou uma resolução de condenação pelas supostas violações aos direitos humanos.


As multidões de homens e mulheres, de diferentes idades, que saíram às ruas, responderam com palavras de ordem e exclamações de apoio à Revolução e aos seus principais dirigentes.


Enérgica resposta popular em Cuba à provocação contra-revolucionária


Havana, 16 de março (PL)
Uma nova provocação contra-revolucionária foi respondida hoje, nesta capital, com gritos de “Viva Fidel!”, “Abaixo aos vermes!” e “Esta rua é do povo!”.


Os grupelhos internos, alicerçados pela mais recente campanha anti-cubana, pretendem chamar a atenção para levar ao mundo a mensagem de que em Cuba se violam os direitos humanos e que não há liberdade.


"Isto já está cansando", comentava um colega de uma mídia estrangeira, habilitado em Havana, que disse sentir-se “cansado” de ver “tanto descaramento”.


Otoniel Díaz Trujillo, vizinho do bairro do Centro, definiu que a única coisa que defendem “é o dinheiro que mandam dos Estados Unidos todos os meses, porque vivem disso e ninguém ali trabalha”.


Integrantes das auto-denominadas Dama de Branco encabeçaram uma manifestação nas ruas de Havana, depois de sair de “uma missa” numa igreja na capital, na qual também estavam diplomatas estrangeiros.


A manifestação permaneceu uma interrogação para os transeuntes. Eles se perguntavam do que se tratava aquilo ou simplesmente ignoravam a manifestação, até o momento em que se sentiram lesionados em seu patriotismo.


Homens e mulheres, que a essa hora estavam em seus locais de trabalho, saíram para rechaçar a ofensa.


"Vocês são umas poucas. Nós somos milhões!", surgia uma voz entre a multidão. Ao mesmo tempo, começavam os hinos revolucionários.


Todavia, ambos funcionários das embaixadas da Alemanha e da República Checa asseguravam à Prensa Latina que somente participavam no ofício religioso. No entanto, pode-se confirmar que seguiram, à distância, todo o percurso da manifestação, do início ao fim.

Na semana passada, o Parlamento Europeu, num “consenso”, emitiu a absurda e hipócrita condenação contra Cuba, em matéria de direitos humanos, por conta da morte de um preso comum vinculado à contra-revolução interna.


Recentemente, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destinou outros 20 milhões de dólares para a subversão contra a nação antilhana.


A estratégia política de reverter o projeto social inciado pelo povo cubano em janeiro de 1959, cresce. Incomoda aos “amos” esse crescimento. Dessa maneira, mandam e estimulam, através de financiamento das atividades, as Damas de Branco e outras espécies de grupelhos...





Solidariedade com Cuba! As Damas de Branco passam novamente pelas ruas de Havana sob a supervisão de diplomatas da SINA e da União Europeia. São estes estrangeiros que pagam as festas, as roupas e as flores.


Aumentam as hostilidades contra Cuba: Posições e declarações


Lohania Aruca Alonso ...Reclamo uma maior responsabilidade, aprofundamento na argumentação e a visibilidade de uma consciência política e patriótica que esteja a altura de nossa história...


Cuba, os presos e as damas de branco Narciso Isa Conde República Dominicana.

Vem se desatando contra Cuba uma feroz campanha encadeada pelo poder midiático dos EUA e a UE. É inegável que os inimigos da revolução sabem manipular seus erros e as limitações estruturais.

Ante a hipocrisia criminosa do parlamento europeu: comparações entre Cuba e Colômbia... de presos políticos e torturas
Azalea Robles/ Mentem dizendo que Zapata foi “brutalmente torturado”. Porém, talvez não saibam o que é “brutalmente torturado”. Diomedes Meneses foi brutalmente torturado pelo Estado colombiano: arrancaram seu olho...
texto recebido por e-mail de : "Secretaria Geral - PCB" secretariageral.pcb@gmail.com

terça-feira, 23 de março de 2010

O QUE É O SIONISMO?












ENTREVISTA COM O AUTOR DO LIVRO "A HISTÓRIA OCULTA DO SIONISMO", Ralph Schoenman
Fonte: Revista Teoria & Debate


O escritor, de origem judaica, pede o fim de toda a ajuda ao Estado de Israel e acusa: “A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas”

Ralph Schoenman foi diretor-executivo da Fundação pela Paz Bertrand Russel, papel através do qual conduziu negociações com inúmeros chefes de Estado. Com seu trabalho assegurou a libertação de prisioneiros políticos em muitos países e fundou o Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra dos Estados Unidos na Indochina, organização da qual foi secretário-geral. Velho militante, fundou o Comitê dos 100, que organizou a desobediência civil massiva contra as armas nucleares e as bases americanas na Grã-Bretanha. Foi também fundador e diretor da Campanha de Solidariedade ao Vietnã e diretor do Comitê “Quem Matou Kennedy?” Tem sido líder do Comitê por Liberdade Artística e Intelectual no Irã e co-diretor do Comitê em Defesa dos Povos Palestino e Libanês e do Movimento de Solidariedade de Trabalhadores e Artistas Americanos. Atualmente é diretor executivo da Campanha Palestina, que clama pelo fim de toda ajuda a Israel e por uma Palestina laica e democrática.

T&D – Em seu livro The Hidden History of Zionism (A História Oculta do Sionismo), você descreve quatro mitos sobre a história do sionismo. Nós gostaríamos que você explicasse um pouco seu livro.

Schoenman – O meu trabalho na Fundação Bertrand Russel foi importante por me dar a chance de documentar fatos da formação do Estado sionista de Israel. Em cursos e palestras que proferi em mais de uma centena de universidades americanas e européias, pude constatar que as pessoas não sabiam, não tinham conhecimento da história do movimento sionista, dos seus objetivos e de vários fatos. Nessas ocasiões deparei com concepções equivocadas sobre a natureza do Estado de Israel e foi isso que impulsionou o meu trabalho de escrever o livro, The Hidden History of Zionism, no qual eu abordo o que chamo de os quatro mitos que têm moldado a consciência nos Estados Unidos e na Europa sobre o sionismo e o Estado de Israel.

T & D - Quais são esses quatro mitos?

Schoenman – O primeiro mito é o da “terra sem povo para um povo sem terra“. Os primeiros teóricos sionistas, como Theodor Herzl e outros, apresentaram para o mundo a Palestina como uma terra vazia, visitada ocasionalmente por beduínos nômades; simplesmente, uma terra vazia, esperando para ser tomada, ocupada. E os judeus eram um povo sem terra, que se originaram historicamente na Palestina; portanto, os judeus deveriam ocupar essa terra. Desde o começo, os primeiros núcleos de colonos, promovidos pelo movimento sionista, foram caracterizados pela remoção, pela expulsão armada da população palestina nativa do local onde essa população vivia e trabalhava.

T & D - Quais os outros três mitos?

Schoenman – O segundo mito que o livro pretende discutir é o mito da democracia israelense. A propaganda sionista, desde o início da formação do Estado de Israel, tem insistido em caracterizar Israel como um Estado democrático no estilo ocidental, cercado por países árabes feudais, atrasados e autoritários. Apresentam então Israel como um bastião dos direitos democráticos no Oriente Médio. Nada poderia estar mais longe da verdade.
Entre a divisão da Palestina e a formação do Estado de Israel, num período de seis meses, brigadas armadas israelenses ocuparam 75% da terra palestina e expulsaram mais de 800 mil palestinos, de um total de 950 mil. Eles os expulsaram através de sucessivos massacres. Várias cidades foram arrasadas, forçando assim a população palestina a refugiar-se nos países vizinhos, em campos de concentração e de refugiados. Naquele tempo, no período da formação do Estado de Israel, havia 475 cidades e vilas palestinas, que caíram sob o controle israelita. Dessas 475 cidades e vilas, 385 foram simplesmente arrasadas, deixadas em escombros, no chão, apagadas do mapa. Nas 90 cidades e vilas remanescentes, os judeus confiscaram toda a terra, sem nenhuma indenização. Hoje, o Estado de Israel e seus organismos governamentais, tais como o da Organização da Terra, controlam cerca de 95% da terra palestina.
Pela legislação existente em Israel, é necessário provar, por critérios religiosos ortodoxos judeus, a ascendência judaica por linhagem materna até a quarta geração, para poder possuir terra, trabalhar na terra ou mesmo sublocar terra. Como eu digo sempre, nas palestras em que apresento meus pontos de vista, em qualquer país do mundo (seja Brasil, EUA, onde for), se fosse necessário preencher requisitos parecidos com esses, ninguém duvidaria do caráter racista de tal Estado; seria notória a existência de um regime fascista.

A Suprema Corte em Israel tem ratificado que Israel é o Estado do povo judeu e que, para participar da vida política israelense, organizar um partido político, por exemplo, ou ter uma organização política, ou mesmo um clube público, é necessário afirmar que se aceita o caráter exclusivamente judeu do Estado de Israel. É um Estado colonial racista, no qual os direitos são limitados à população colonizadora, na base de critérios raciais.

O terceiro mito do qual falo em meu livro é aquele criado para justificativa da política de Israel, que se diz baseada em critérios de segurança nacional. A verdade é que Israel é a quarta potência militar do mundo. Desde 1948, os EUA deram a Israel US$ 92 bilhões em ajuda direta. A magnitude dessa soma pode ser avaliada quando observamos que a população israelense variou entre 2 a 3 milhões nesse período. Se o governo americano dá algum dinheiro para países como Taiwan, Brasil, Argentina, e a aplicação desse dinheiro tiver alguma relação com fins militares, a condição é que as compras desse material têm que ser feitas dos EUA. Mas há uma exceção: as compras de material bélico podem ser feitas também de Israel. Israel é tratado pelos EUA como parte de seu território, em todos os assuntos comerciais.

O que motivaria uma potência imperialista a subsidiar tanto um Estado colonial? A verdade é que Israel não pode mesmo existir sem a ajuda americana, sem os US$ 10 bilhões anuais. Israel é, portanto, a extensão do imperialismo na região do Oriente Médio. Israel é o instrumento através do qual a revolução árabe é mantida sob controle. É, portanto, o instrumento através do qual as ricas reservas do Oriente Médio são mantidas sob o controle do imperialismo americano. É também um meio através do qual os regimes sanguinários dos países árabes são mantidos no governo, graças ao clima de tensão gerado por uma possível invasão israelense.

O quarto mito a que me refiro no livro, que tem influenciado a opinião pública mundial, refere-se à origem do sionismo, à origem do Estado de Israel. O sionismo tem sido apresentado como o legado moral do holocausto, das vítimas do holocausto. O movimento sionista tem como que se “alimentado” da mortandade coletiva dos 6 milhões de vítimas da exterminação nazista na Europa. Esta é uma terrível e selvagem ironia. A verdade é bem o oposto disso. A liderança sionista colaborou com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e o século XX, incluindo os nazistas.

Quando alguém tenta explicar isso para as pessoas, elas geralmente ficam chocadas, e perguntam: o que poderia motivar tal colaboração? Os judeus foram perseguidos e oprimidos por séculos na Europa e, como todo povo oprimido, foram empurrados, impelidos a desafiar o establishment, o statu quo. Os judeus eram críticos, eram dissidentes. Eles foram impelidos a questionar a ordem que os perseguia. Então, o melhor das mentes da inteligência judia foi impelido para movimentos que lutavam por mudanças sociais, ameaçando os governos estabelecidos. Os sionistas exploraram esse fato a ponto de dizer para vários governos reacionários que o movimento sionista iria ajudá-los a remover esses judeus de seus países. O movimento sionista fez o mesmo apelo ao kaiser na Alemanha, obtendo dele dinheiro e armas. Eles se reivindicavam como a melhor garantia dos interesses imperialistas no Oriente Médio, inclusive para os fascistas e os nazistas.

T & D - Como se deu essa colaboração dos sionistas com os nazistas?

Schoenman – Em 1941, o partido político de Itzhak Shamir (conhecido hoje como Likud) concluiu um pacto militar com o 3º Reich alemão. O acordo consistia em lutar ao lado dos nazistas e fundar um Estado autoritário colonial, sob a direção do 3º Reich. Outro aspecto da colaboração entre os sionistas e governos e Estados perseguidores dos judeus é o fato de que o movimento sionista lutou ativamente para mudar as leis de imigração nos EUA, na Inglaterra e em outros países, tornando mais difícil a emigração de judeus perseguidos na Europa para esses países. Os sionistas sabiam que, podendo, os judeus perseguidos na Europa tentariam emigrar para os EUA, para a Grã- Bretanha, para o Canadá. Eles não eram sionistas, não tinham interesse em emigrar para uma terra remota como a Palestina. Em 1944, o movimento sionista refez um novo acordo com Adolf Eichmann. David Ben Gurion, do movimento sionista, mandou um enviado, de nome Rudolph Kastner, para se encontrar com Eichmann na Hungria e concluir um acordo pelo qual os sionistas concordaram em manter silêncio sobre os planos de exterminação de 800 mil judeus húngaros e mesmo evitar resistências, em troca de ter 600 líderes sionistas libertados do controle nazista e enviados para a Palestina. Portanto, o mito de que o sionismo e o Estado de Israel são o legado moral do holocausto tem um particular aspecto irônico, porque o que o movimento sionista fez quando os judeus na Europa tinham a sua existência ameaçada foi fazer acordos, e colaborar com os nazistas.

Fonte: Revista Teoria & Debate (Fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT)
nº 5 – janeiro/fevereiro/março de 1989, por Stylianos Tsirakis

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sábado, 20 de março de 2010

Cárceres nos Estados Unidos ou sucursais do inferno


Cárceres nos Estados Unidos ou sucursais do inferno

por Javier Rodríguez

Prensa Latina


Havana, 19 mar. (PL) - Cuba foi convertida hoje em alvo de uma campanha mediática, dirigida pelos Estados Unidos, tratando de desvirtuar uma realidade de plena vigência dos direitos humanos e luta pelo mesmo objetivo no resto do planeta.


A investida publicitária, em plena coordenação no exterior com os grupos anticubanos e setores de direita, especialmente norte-americanos e europeus, utiliza argumentos falsos sobre os centros penitenciários da Ilha e o tratamento aos reclusos.


Por suposto, é óbvio que essas instalações na Cuba de hoje têm entre suas principais tarefas trabalhar para a reinserção na sociedade dos sancionados, mediante planos educacionais, trabalho produtivo remunerado e benefícios para os presos de acordo com a sua conduta.

Apesar do que dizem as campanhas mediáticas, nunca ficou registrado nelas um só caso de tortura nem assassinato nem muito menos mortes por maltratos ou falta de assistência médica, qualquer que seja o delito cometido por quem esteja privado de liberdade.

Sem embargo, resulta interessante olhar para a situação carcerária do principal instigador dos ataques a Cuba, Estados Unidos.

Segundo dados oficiais, a cada ano morrem nos cárceres estadunidenses ao redor de sete mil pessoas assassinadas ou por suicídio ao não poder resistir às condições em que cumprem a sua sanção.


Ao final do mandato presidencial de George W. Bush, os verdadeiros armazéns de homens e mulheres que constituem os cárceres norte-americanas guardavam em seu interior 22 mil 480 seres humanos portadores do virus HIV-SIDA.


Não era tão estranho que isso acontecesse, pois quase 5% dos alojados em prisões estaduais e federais sofreram violações, incluindo ataques de outros reclusos e de pessoal do próprio sistema penitenciário.


Ao redor de 200 mil menores são julgados como maiores e uma parte deles vai para a prisão, sem esquecer que alguns são condenados à pena máxima e perdem a vida.


O consumo de drogas e seu comércio dentro das penitenciárias resulta em ser um tema recorrente nos próprios filmes norte-americanos, que muitas vezes reconhecem seus cárceres como verdadeiros infernos na terra.


Se de presos políticos se trata, o exemplo mais recente é o de cinco antiterroristas cubanos presos e sancionados por infiltrar-se em grupos violentos situados nos Estados Unidos, com o próposito de coletar informação que permitisse evitar atos de terrorismo e salvar vidas.
Não só sofreram isolamentos e sanções injustas, como também o rancor político permitiu impedir o contato durante mais de 11 anos de um homem com sua esposa e, durante mutos anos, de um pai com a sua filha, como dos integrantes de esse grupo de revolucionários cubanos.


Realmente, não são necessárias as comparações, e nem sequer o intento de converter presos comuns em patriotas que denunciam supostos abusos nos centros penitencários cubanos pode livrar os Estados Unidos de serem considerados o verdadeiro violador dos direitos humanos.


Fonte: Prensa Latina

O Parlamento da burguesia europeia


Posada Carriles e o Parlamento Europeu
Javier Rodríguez
Prensa Latina

La Habana, 15 mar. (PL) - Quase em paralelo à recente sessão do Parlamento Europeu que alinhou essa instituição com a campanha mediática contra Cuba, um tribunal estadunidense suspendeu por enésima vez o julgamento que se segue contra Luis Posada Carriles.

Assinalado como o mais importante terrorista da história recente na América Latina, sorridente e tranquilo, não foi incomodado em nada em sua feliz estância na Flórida, consciente da imunidade representada pelos segredos que conhece das atividades violentas contra a Ilha, para as quais foi recrutado pela CIA.


Trata-se de um dos casos mais escandalosos na história dos planos executados durante muitas décadas pelo governo dos Estados Unidos depois do triunfo dos guerrilheiros da Serra Maestra, que compromete todas as administrações do último meio século.


Sempre é conveniente refrescar o que representou, na interminável história das agressões terroristas contra a nação antilhana, esse homem tratado com luvas de peluca pelo governo e pela justiça estadunidenses, e que carrega sobre seus ombros a morte de tantos cubanos.
Sua mais indignante e célebre façanha foi a explosão em pleno voo, en 1976, de um avião da Cubana de Aviação em frente às costas de Barbados, mediante a qual assassinou a sangue frío 73 pessoas, entre elas os jovens integrantes da equipe de esgrima que regresava a Havana após ganhar um torneio na Venezuela.


Se uma ação desse tipo merece a condenação enérgica, a característica da personagem ficou ainda mais clara ante o mundo inteiro quando foi capaz de reconhecer, numa entrevista feita pela josnalista venezuelana Alicia Herrera, a autoria do fato, sem ficar ruborizado.
Seu sócio no feito, Orlando Bosch, outro afilhado dos serviços de espionagem norte-americanos, declarou tranquilamente que, no terrível atentado, morrera apenas "um grupo de negrinhos", mostrando assim sua catadura moral.


Posada Carriles, além de uma suja história de torturador da policía política venezuelana, foi responsável por uma onda de atentados dinamiteiros contra instalações turísticas em Cuba e do envio de mercenários latino-americanos para executá-la.


De nada valem as provas apresentadas pela Venezuela e por Cuba para lograr, pelo menos, que os tribunais dos Estados Unidos apliquem as condenações merecidas por Posada e Bosch e nem sequer celebram os julgamentos pertinentes, porque a proteção oficial assim o impede.

Essa aberração jurídica, política e até desumana, não mereceu a atenção dos ilustres eurodeputados que preferiram converter-se em aliados da nova arremetida contra Cuba, na qual presos comuns são convertidos em herois da luta pelos direcitos humanos.

Fonte: Prensa Latina

quinta-feira, 18 de março de 2010

A CIA ordenou a substituição: avaliação manipulada de Uribe para dar aparência mais limpa à continuação de genocídio e saque.


A CIA ordenou a substituição: avaliação manipulada de Uribe para dar aparência mais limpa à continuação de genocídio e saque.

Por Azalea Robles



A CIA decretou a substituição. Os detentores do grande capital continuam se escondendo sob a aparência de legalidade e legitimidade.
O referendo da reeleição terminou. A notícia encheu muitos de alegria. É certo que ver contrariados os caprichos de ditadorzinho do sinistro presidente Uribe dá um quê de satisfação, porém não devemos nos enganar. Isto, na realidade, não muda nada... Porque o que existe na Colômbia é um Estado Criminoso.
Que seja Uribe o presidente, que seja Santos, que seja Sanín, Pastrana... Que seja qualquer um dos candidatos da lista que fique. Eles não podem esquecer de alguns pontos básicos da realidade. Porque o que convém realmente ao povo colombiano é que cesse o genocídio e os frequentes saques. Não é somente mudar um presidente. Vejamos alguns pontos fundamentais para a análise da realidade.


1. O Estado colombiano é o instrumento da oligarquia e das multinacionais
para saquear a Colômbia.


O Estado colombiano é uma estrutura repressiva, composta de instituições que se complementam entre si, para alcançar um só objetivo: gerar a acumulação de capital em poucas mãos.
A viabilização do saque dos recursos é a tarefa do Estado colombiano. Neutralizar o descontentamento social e a reivindicação é a principal atividade do Estado para que as multinacionais e oligarquia possam saquear tranqüilas. O que chamam de “segurança nos investimentos” é, na realidade, total liberdade de saque. Ainda que seja mediante o extermínio da população... Basta observar os pressupostos militares destinados a reprimir o descontentamento social (militares, polícia, DAS (1), redes de informantes (2), operações clandestinas e de espionagem). Basta observar a privatização dos serviços básicos. Os raquíticos “pressupostos sociais” na Colômbia atuam mais como “pressupostos de consolidação” que como pressupostos sociais (ação integral, ação social, famílias em ação, guardas florestais...). Todas essas estruturas captam recursos destinados ao social e são, na realidade, o fortalecimento do projeto fascista de sociedade, do látego paramilitar, da rede de informantes e do despojo sofrido por milhões de colombianos.
A destruição da natureza e do povo colombiano é o resultado do saque. O povo colombiano sofre um empobrecimento brutal em um dos países mais ricos do planeta. Segundo a CEPAL, mais de 49.2%da população da Colômbia vive abaixo da linha de pobreza e 14.7% em indigência. As cifras das crianças vítima da pobreza na Colômbia são aterrorizantes: 45% delas são pobres e17% indigentes. Na Colômbia, morrem anualmente 20.000 de crianças menores de cinco anos por causa da falta de água potável, da guerra econômica declarada pela oligarquia e as multinacionais contra o povo colombiano.


2. Guerra militar para calar resistências à guerra econômica: as estruturas e estratégias do Estado estão dirigidas à repressão e ao terrorismo de Estado.


A lógica é reprimir o descontentamento social ante ao empobrecimento que esfomeia e assassina. Neste contexto de espólio e empobrecimento, o Estado se ergue como defensor dos interesses econômicos da oligarquia e das multinacionais. E é dentro desta lógica que pratica a tortura, execuções extrajudiciais, bombardeios, montagens judiciais, montagens midiáticas... etc. A estratégia paramilitar (3), os "falsos positivos", a guerra midiática, os desaparecimentos forçados, os assassinatos de sindicalistas, o descomunal exército (o maior da América Latina (4))... São estruturas e estratégias que obedecem a uma classe específica, que não perde o poder ao perder Uribe. Vários paramilitares da estratégia paramilitar do Estado colombiano confessaram 30.470 assassinatos (5), segundo um informe das audiências da “Justiça e Paz”, publicado em fevereiro de 2010. A estratégia paramilitar segue ativa, perpetrando massacres para provocar deslocamentos de famílias inteiras e perpetrando assassinatos seletivos de líderes sociais. Assim, vem sendo denunciadas numerosas organizações de Direitos Humanos. Pese que o Estado diga que “os paramilitares estão desmobilizados”... A “desmobilização dos paramilitares”... Essa é outra mentira que buscam esconder com um legalismo cínico que ofusca a realidade objetiva do terrorismo de Estado.
Manejarão o próximo presidente de igual maneira, com o agravante: muita gente vai acreditar ingenuamente que “agora é diferente” ou “é melhor que com Uribe”...
O terrorismo de Estado na Colômbia desapareceu com mais de 50.000 pessoas (6). O terror estatal forçou a fuga de mais de 4,5 milhões de pessoas suas próprias terras. Possui encarceradas, graças às montagens judiciais, mais de 7.500 presos políticos.
Em meio à euforia que nos causa ver Uribe perder sua soberba por conta da derrota da possibilidade de reeleição, devemos nos perguntar: E o que vem agora? Todo o trabalho feito durante anos contra a guerra midiática para demonstrar a estratégia (e estrutura) paramilitar e narcotraficante do Estado colombiano, se vão junto ao traste da presidência da Colômbia cujo personagem cristaliza o engendro narco-paramilitar? Ainda que permaneça intacta a estrutura e o sistema?... A oligarquia tem o monopólio criminoso das terras. O aparato repressor segue de pé. A dívida externa é vinculada à escravidão. A ocupação do país por parte das marines dos EUA e da CIA é um fato e, sobretudo, seguem mandando mascarar multinacionais saqueadoras, devoradoras de árvores e povos...
A satisfação que causa ver contrariado o despotismo de Uribe fez perder o sentido a análise de muitos. Porém, devemos aprofundar a análise e não deixar que a euforia nos nuble a vista. Temos que denunciar o Estado colombiano como estrutura. Denunciá-lo por sua funcionalidade (viabilizar o saque e o enriquecimento de poucos à custa do empobrecimento das maiorias) e pelos métodos que implementa para fazer viável sua Função.
Devemos mostrar a ilegitimidade e ilegalidade do Estado colombiano em seu conjunto. Não deixar que a oligarquia alcance uma operação midiática que nos vá distanciar ainda mais do povo. A oligarquia pretende mascarar a ilegalidade e ilegitimidade do Estado, escondendo as mais visíveis manchas de sangue.
Devemos denunciar que renovar a aparência, não é mudar estruturas. Como povo, queremos mudanças estruturais, que é o que impedirá que continuem morrendo dezenas de crianças de fome, diariamente, em um dos países mais ricos do mundo.


3. A acumulação de terras em mãos de latifundiários e multinacionais, mediante o uso da ferramenta paramilitar, vem sendo um fato com Uribe, com Pastrana... e antes...


O que a Colômbia necessita é de uma reforma agrária que devolva as terras aos camponeses expropriados e que redistribua milhões de hectares de terras....
É preocupante ver como debates fundamentais para o país vêm sendo substituídos por considerações e conceitos impostos pela mesma oligarquia. Nenhum candidato à presidência tem em seu programa a reforma agrária e nem as mudanças estruturais urgentes para sair do genocídio econômico, social e repressivo que vive a Colômbia.


4. Ocupação EUA


Colômbia é um país ocupado (7). Este é um tema que se deve fazer frente. Não podemos aceitar as bases militares dos EUA, nem que as Brigadas do Exército protejam, à maneira das guardas privadas, os oleodutos das multinacionais, como OXY, como é o caso em Arauca, por diretrizes da própria Ann Patterson ou do Comando Sul dos Estados Unidos...


5. A decisão estratégica da CIA: continuidade do genocídio com um “lifting” para a aparência.


A CIA entendeu isso.
Trocar Uribe por um “limpo”, mas que continue o caminho do terrorismo de Estado. Que permaneçam os “falsos positivos” (8), os auto-atentados macabros (9), os bombardeios (10), os paramilitares reciclados em paramilitares, as agressões à região, a fome, a fuga forçada como método de monopolizar terras. A CIA vê as coisas claras. Vamos entender o que pretendem com suas estratégias?
Recordemos a presença do chefe da CIA no momento da determinação dos magistrados da Corte Constitucional. No dia 26 de fevereiro, sexta-feira, o diretor da CIA, León Panetta, se reuniu na Colômbia, de forma privada, com o presidente Uribe e funcionários colombianos da área de segurança. Ajustando estratégias para o futuro e, talvez, explicando ao seu fiel servidor Uribe o porquê de já não convir que ele ocupasse o cargo de presidente. E a Uribe não restava outra alternativa que a de obedecer e frear qualquer plano de armadilha. Lembremos que ele é o número 82 numa lista de narcotraficantes mais procurados do mundo, elaborada pela DEA dos Estados Unidos (11) (nos perguntamos ainda como não conseguiram “localizá-lo”?). O governo norte-americano abriu o expediente nº 82 da lista dos narcotraficantes mais perigosos do mundo, que repousa na CIA, quando Uribe era diretor da aeronáutica civil e dava permissão a todos os aviões, avionetas e helicópteros de narco-colombianos e internacionais, como o de seu amigo Escobar, os Ochoa, Castaño e etc. O expediente se encontra vigente, pronto para ser ativado à menor desobediência às ordens dos Estados Unidos. Talvez o agente e diretor Panetta teve que relembrá-lo à Uribe nessa sexta-feira. Porém isso são detalhes...
A prática do genocídio (12) é inerente ao Estado colombiano, já que sua função é viabilizar o saque dos recursos e silenciar aqueles que reivindicam Justiça Social. Esse é o tema fundamental.


6. Relegitimar a democracia eleitoreira e desfazer-se de uma “mancha indelével”

O que farão é colocar outro deles, outra marionete que represente a oligarquia sanguinária e fazer as pessoas acreditarem no conto da “democracia eleitoreira”.
Se trata de uma grande operação midiática, cujo fim é dar legitimidade ao sistema na Colômbia... Os responsáveis vão se encarregar de ressaltar o “caráter democrático” de um país em que “a corte pode refrear a reeleição”. O que está claro é que, nos últimos meses, a mancha indelével incrustada na pessoa de Álvaro Uribe Véles mostrava-se incômoda para preservar a aparência da democracia. Vale ressaltar que por trás dela sempre se escondeu a sanguinária oligarquia da Colômbia. Portanto, era urgente desfazer-se de Uribe. A decisão final foi tomada pela CIA. A mesma que instruiu os militares e paramilitares no manejo da tortura e quem maneja o narcotráfico na Colômbia, com o qual financia suas operações clandestinas (golpes de Estado, paramilitarismo, desestabilização). Recordemos que, da vez passada, quando a CIA queria Uribe reeleito, nenhuma instituição se interpôs (nem a corte). A fraude, coerção e amedrontamento foram os mecanismos empregados para alcançar a reeleição. Se dessa vez fizeram o desejado, a corte não era um problema. Existem muitos métodos que a oligarquia usa para fazer obedecerem a “democracia” as “cortes” e as instituições em gerais. Esses métodos que vem sendo amplamente comprovados na Colômbia. Vem desde oferecer dinheiro a troca de votos ou decisões, até o assassinato, passando pelas ameaças contra pessoas físicas e seus familiares. Tudo isso com comprovados resultados.
Esta decisão é parte da legitimação de um sistema genocida e não a “vitória da democracia”. É uma arremetida midiática contra o povo ao apresentá-lo como ele não é. E sim, nos alegra que a soberba de Uribe tenha recebido um “Não”, porém não devemos perder de vista que o mais importante não é o Uribe. O mais importante é mudar um sistema que perpetua o genocídio contra o povo colombiano, se embasando na aparência de “democracia”.


7. História: 5000 militantes da UP exterminados pelo Estado e a farsa da “democracia” eleitoreira.


Os que monopolizam o capital, os poderes e os grandes empresários da mídia sabem que eles não perdem nada ao retirar Uribe. Ao contrário, ganham ao desfazerem-se de um elemento demasiadamente manchado à luz pública. A mudança de presidente forma uma parte da farsa eleitoreira e da farsa de uma “legalidade” que a mesma oligarquia regula: o medo, o crime e o negócio.
Recordemos a alternância do poder entre o Partido Liberal e o Partido Conservador, por trás do pacto da oligarquia para cimentar seus grandes latifúndios, em 1957. A oligarquia colombiana vem cimentando impérios de latifundiários nascidos de massacres e fugas perpetrados durante anos contra o povo. Assim, ocorreu durante a época chamada “A Violência”, que os livros escolares de história mostram como uma época de violência absurda entre liberais e conservadores. Na realidade, foi uma época de despojo, de guerra de latifundiários contra os camponeses. Uma guerra para conseguir capitalizar as terras que se fantasiou ante o povo como fratricida, por questões político-partidárias. Esta época histórica d' “A Violência” nasceu com o assassinato de Gaitán, um líder popular do Partido Liberal. Apesar de ser do Partido Liberal, este líder não respondia aos interesses da oligarquia liberal. Ele era movido por noções de justiça social, o que provocou o seu assassinato pela CIA, em abril de 1948. Mais tarde, se saberia que a CIA, a cúpula do mesmo Partido Liberal e a oligarquia conservadora planejaram seu assassinato. O motivo foi que Gaitán semeava noções de justiça social e reforma agrária. No ano de 1957, o Partido Liberal e o Partido Conservador formaram uma aliança chamada Frente Nacional e decretaram que alternariam no poder: 4 anos para um e 4 anos para outro. Em definitivo eram os mesmos, pois ambos partidos eram da oligarquia. As grandes famílias que alargaram seus latifúndios, os paramilitares da época (pájaros e chulavitas) e o aparato repressivo do Estado, temerosos ante a reação popular ao despojo, se uniram.
Essa alternância da “Frente Nacional”, que revestia uma aparência de “paz” e de “democracia”, já era parte deste jogo macabro da “democracia” eleitoreira.
Recordemos, também, ao extermínio da UP, na história recente da Colômbia. O extermínio físico e sistemático da União Patriótica, é a recente prova do que é exatamente a “democracia” eleitoreira na Colômbia. É uma farsa midiática que oculta perpetuação do saque mediante o genocídio político. A União Patriótica foi um partido político de esquerda, criado a partir de acordos de paz entre o governo de Belisario Betancurt e as FARC, em 1985. Era uma proposta política legal de vários atores sociais, entre eles as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Partido Comunista Colombiano, outros movimentos sociais como a Coordenadora Trabalhadora Camponesa, sindicatos, associações camponesas e pessoas de outros setores. O partido agrupava mulheres e homens que tinham em comum a reivindicação pela justiça social. A União Patriótica, pese o fato de não contar com as milionárias campanhas dos partidos tradicionais, obteve grande simpatia e votação da população colombiana, já que seu programa correspondia às necessidades objetivas. Obteve suas maiores votações nas regiões do Nordeste, Bajo Cauca, Magdalena Medio, Urabá, Chocó, Arauca e Área Metropolitana de Medellín. Todas essas regiões seriam arrasadas pelo Exército e o braço paramilitar nos anos seguintes. Durante as eleições de 25 de maio de 1986, a UP elegeu 5 senadores, 9 representantes, 14 deputados, 351 vereadores e 23 prefeitos. Dos candidatos presidenciais, 8 congressistas, 13 deputados, 70 vereadores, 11 prefeitos e milhares de seus militantes foram assassinados pelas forças do Estado colombiano. Ante o extermínio, muitos militantes se exilaram para preservarem suas vidas e outros ingressaram à guerrilha, como foi o caso de Simón Trindad (13).
A União Patriótica não pode participar de forma efetiva das mudanças políticas, pois foi exterminada pelo Estado colombiano. O assassinato contou com seus paramilitares, suas polícias e militares mais de 5.000 militantes. Muitos guerrilheiros que haviam deposto as armas para entrar na vida política legal, foram massacrados pelo Estado. Inúmeros militantes da UP, que não provinham da guerrilha, também foram executados. Em 1993, se interpôs ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) uma representação contra o Estado colombiano pelo genocídio à UP. O plano do Estado e da CIA para exterminar a UP, se denominou “Baile Rojo” (Baile Vermelho) (14).


8. Enriquecimento e empobrecimento, luta de classes e “democracia eleitoreira”


É claro o vínculo intrínseco entre enriquecidos e empobrecidos. Entre saque e empobrecimento. Entre espólio perpetrado pelas multinacionais da extração de recursos estratégicos, da agro-indústria e populações sem-terras e despojadas (mais de 4,5 milhões na Colômbia). É claro que os povos não assistem morrer seus filhos de fome sem reclamar e, é evidente, que a repressão é a resposta dos saqueadores para as justas reivindicações dos povos. Se queremos mudar a situação de genocídio em que vive a Colômbia, devemos ir à raiz dos problemas.
Debaixo da aparência de “democracia” se escondem os saqueadores e repressores. É um cinismo funcional. Sua principal função é esclerosar a compreensão da realidade.
Com a ficha de Uribe, não era mais possível dar prosseguimento ao projeto. A CIA decretou a troca. Os detentores do grande capital, para avançarem, lançam mão da máscara da legalidade e legitimidade para se encobrirem.


NOTAS:
(1) Confissões paramilitares relatam que 80% da informação que recebem da DAS, a polícia política secreta, e outros 20% de outras organizações de segurança do Estado. O DAS entregava listas de pessoas para que fossem assassinadas pelos paramilitares. Só de uma lista de 20 nomes e sobrenomes foram assassinados seis sindicalistas em 2005. Cinco de seis ex-chefes do DAS confirmam que Uribe sabia o que eles faziam. É dito: guerra total contra toda a oposição do povo.http://www.kaosenlared.net/noticia/colombia-policia-politica-secreta-suministraba-listas-paramilitares



(3)Sobre a Estratégia paramilitar do Estado colombiano:
Massacre do Aro, militar e paramilitar: http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo91305-mancuso-dice-fuerza-publica-le-ayudo-masacre-del-aro
Mancuso em audiência aponta General Rito Alejo del Río como coordenador dos paramilitares: http://www.youtube.com/watch?v=3WlH5RpofaU
Alias 'H.H' revela vínculos de AUC com Byron Carvajal e Rito Alejo del Río: http://www.elespectador.com/noticias/judicial/articulo116951-alias-hh-revela-vinculos-de-auc-byron-carvajal-y-rito-alejo-del-rio






(8)Os chamados “falsos positivos” são crimes de Estado: são civis assassinados por membros do Exército, que depois o Exército faz passar por “guerrilheiros mortos em combate”:http://www.kaosenlared.net/noticia/usa-uribe-versus-venezuela-pueblo-colombiano-entre-expolio-falsos-posi
Documento do MOVICE (Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado) http://www.youtube.com/watch?v=4WPjBkSyCus&feature=related





(12)Terrorismo de Estado na Colômbia. Utilização do terror mediante a Estratégia paramilitar: o objetivo é infundir pânico na população sobrevivente, para paralisar a reivindicação social
Da utilização de animais nas torturas e desaparecimentos: http://www.colectivodeabogados.org/UN-CAMPO-DE-CONCENTRACION-Y
http://www.cambio.com.co/paiscambio/831/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-5346135.html
Esquartejar pessoas vivas: “(…) Se treinava para matar picando camponeses vivos” http://www.eltiempo.com/archivo/documento/CMS-3525024



(14)Extermínio da UP: plano “Baile Rojo”. Documentário sobre o genocídio da União Patriótica: http://video.google.com/videoplay?docid=8981304868098159223&ei=PpiKS7CINMag-Ab6tKD0BA&q=el+baile+rojo

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza


texto recebido via e-mail por : "Secretaria Geral - PCB" secretariageral.pcb@gmail.com

terça-feira, 16 de março de 2010

Carta aberta aos amigos que me perguntam se amigos brasileiros deles que estão criticando Israel são antissemitas



Carta aberta aos amigos que me perguntam se amigos brasileiros deles que estão criticando Israel são antissemitas

por: Gershon Knispel


Lamento concordar com teus amigos que tiveram a coragem de expressar abertamente sua opinião em relação às últimas ações intoleráveis dos governos de Israel. Toda a comunidade internacional pensa o mesmo que teus amigos, mas não expressa publicamente.
Dois meses depois da Guerra dos Seis Dias, que resultou na ocupação do território palestino, um abaixo-assinado de 12 intelectuais, incluindo minha assinatura, foi publicado em 18 de setembro de 1967, no mais importante diário do pais, o “Haaretz”:


“O nosso direito de nos defender não nos dá o direito de oprimir outros; a ocupação obriga à revolta. A revolta leva ao esmagamento do povo revoltado, o esmagamento leva ao terror, que leva ao contraterror. As vítimas do terror são em geral pessoas inocentes. A manutenção dos territórios ocupados nos torna um povo de assassinos a serem assassinados, Vamos devolver o território ocupado imediatamente”.


Na euforia que se espalhou como fogo num palheiro, o abaixo-assinado não teve repercussão, mas hoje em dia centenas de cidadãos colocaram o texto em moldura, pendurado nas casas e nos escritórios como ícone.


Restaram poucos da geração dos pioneiros. Estes se sentem traídos pelos governos israelenses, que são acusados com razão pelos 186 países membros da ONU pelos crimes de guerra nos territórios palestinos, os 1.500 mortos palestinos vítimas da última guerra em Gaza e sete soldados israelenses, quatro deles mortos por fogo amigo um ano atrás.


Chamar esses críticos de antissemitas é uma ironia. Governos desse tipo de Israel provocam antissemitismo e obrigam os judeus de todo o mundo a defender esses crimes, justificando esta ocupação que já demora 42 anos.

Os mais famosos intelectuais, artistas plásticos e poetas de Israel, como o maestro Daniel Barenboim, o cineasta Amos Gitai, os escritores Amos Oz, e David Grossman, estão apelando para que os judeus da Diáspora contribuam para pôr fim a essa ocupação vergonhosa, destruir esse muro enorme e terminar com o crescimento dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, que na realidade viram uma espécie de apartheid, política que levou a África do Sul à beira do colapso.


Veja no noticiário a ordem de prisão contra a ex-chanceler Tzipi Livini, decisão do tribunal britânico contra os líderes de Israel, conforme o último relatório da ONU, que acusou o país de crime de guerra, relatório assinado pelo juiz judeu Goldenberg, da África do Sul, confirmado na Assembleia da ONU pelas 186 nações do mundo.


Na mesma notícia foi mencionado que, temerosos do exemplo do tribunal londrino, personalidades, políticos e militares de Israel começam a limitar suas viagens internacionais, para não serem presos. Será que só Israel está acima da Lei?

Estou lembrando nossas atividades contra o apartheid, quando perguntamos, para o visitante da África do Sul, se ele era a favor ou contra o apartheid. Imagine hoje se alguém perguntasse para nós se estamos a favor ou contra as últimas atitudes do governo de Israel e nos defendêssemos, como ele se sentiria?


Muitos dos meus amigos, como o arquiteto Artur Goldireich de Joanesburgo, que fugiu para Israel em abril de 1964, acusado de ser colaborador do grupo de Mandel – e eu cheguei no mesmo dia fugindo da perseguição do Dops -, trocamos experiências sobre esses regimes criminosos.


A tragédia é que este governo atual transformou o regime de Israel num apartheid e ainda exige que todos os judeus da Diáspora o defendam, e com isso virem sócios desse crime.
Como podemos defender uma coisa que está completamente contra nossa educação humanitária de ser israelita, como judeu de valores humanos nobres?


Eu lamento, mas estou admirando os esforços de teus amigos para chegarem até a verdade.

Gershon Knispel é artista plástico.
(Revista: Caros Amigos edição: fevereiro de 2010 pág. 33.)
Recebido por e-mail de : Secretaria Geral - PCB secretariageral.pcb@gmail.com

sábado, 13 de março de 2010

Cuba – a verdade dos factos


Cuba – a verdade dos factos

por Ângelo Alves


A propósito da morte de Orlando Tamaya desenvolve-se na comunicação social dominante, internacional e nacional, uma intensa campanha contra Cuba. Uma situação lamentável é aproveitada para fazer reviver o chorrilho de acusações e preconceitos anticomunistas e para dar fôlego às manobras de ingerência e tentativa de isolamento contra Cuba, o seu povo e a sua Revolução.


Alguns dos que até ao momento da sua morte nem sequer sabiam da existência de Orlando Tamayo elegem-no agora como «mártir» da «luta pela democracia». Para tal ocultam convenientemente que as condenações de Orlando Tamayo nada tiveram a ver com questões políticas. Ocultam que Tamayo era um cidadão julgado e condenado desde 1993 por sucessivos crimes previstos na Lei e na Constituição do seu País como os de violação de domicílio, de agressão grave, de posse de arma, de burla, alteração da ordem e desordem pública. Ocultam que Tamayo foi libertado sob fiança em Março de 2003 e que foi novamente preso após reincidência e que nem a lista dos chamados «presos políticos», elaborada em 2003 pela então Comissão de Direitos Humanos da ONU como elemento de ataque contra Cuba, incluía o seu nome. Orlando Tamayo não era um preso político, reivindicou para si essa condição em função da acumulação de penas, e os grupúsculos da chamada «oposição» cubana viram na instrumentalização dessa sua opção uma oportunidade para recuperar da sua descredibilização, avançando com medidas como a da canalização de verbas da fundação cubano-americana para a sua família.


Os mesmos que acusam Cuba de ter «assassinado premeditadamente» Orlando Tamayo ocultam que não há registo de maus tratos por parte do sistema prisional cubano. Ocultam que, pelo contrário, tudo foi feito para o tentar demover da sua greve da fome e que Orlando sempre foi acompanhado pelos serviços médicos cubanos, como o demonstra o facto de ter sido operado em 2009 a um tumor cerebral. Os que acusam Cuba de ter assassinado Tamayo são os mesmos que ocultam que a sua greve de fome foi incentivada por organizações como as «damas de branco», a fundação cubano-americana ou a rádio que ilegalmente transmite sinal a partir de Miami. A morte de Orlando Tamayo deve ser lamentada, este cidadão cubano não merecia morrer, mas os responsáveis pela sua morte são os que o incentivaram a levar a sua decisão até às últimas consequências.


Os mesmos que destilam o seu ódio anticomunista a propósito deste caso são os mesmos que colaboram com aqueles que na ilha de Cuba, na base militar dos EUA de Guantanamo, mantêm, sem direito a acusação e a julgamento, presos que, como está sobejamente provado, foram e são submetidos às mais horrendas torturas, privações, maus-tratos e humilhações. São os mesmos que se calam perante os 30.470 cidadãos assassinados pelos paramilitares colombianos nos últimos 20 anos, perante o golpe de estado nas Honduras e o assassinato de militantes pela democracia, perante o criminoso bloqueio contra Cuba, a reaccionária posição comum da União Europeia face a este País ou a infame decisão da Administração Obama de incluir Cuba na lista de patrocinadores de terrorismo. São os mesmo que esquecem as centenas de vítimas cubanas do terrorismo norte-americano, os mesmos que fingem não ver as denúncias da infiltração de grupos de comandos colombianos na Venezuela com uma lista de execuções de dirigentes comunistas e progressistas venezuelanos ou que classificam como «um sucesso» os recentes massacres de dezenas de civis no Afeganistão.


Mas esses que instrumentalizam a morte de um homem para prosseguir a sua ofensiva anticomunista têm dois problemas. O primeiro é a verdade: Cuba não é um Estado opressor e agressor e a sua população sabe-o bem. O segundo é a realidade: Cuba lidera, com outros países da América Latina, processos de afirmação progressista e de integração regional que estão a reduzir o campo de manobra daqueles que continuam a insistir na conspiração para manter o seu domínio na região.




segunda-feira, 8 de março de 2010

CONTRA-REVOLUÇÕES DE CORES:


CONTRA-REVOLUÇÕES DE CORES:


Por Carolus Wimmer,Publicado no Correo del Orinoco


Na Venezuela, vivemos uma revolução de libertação nacional que é parte do processo revolucionário mundial. Frente aos avanços de um povo que já obteve importantes resultados, como a conquista de um governo antiimperialista de transição baseado no modelo socialista, uma nova carta Magna em 1999, que inclui direitos para os setores que sempre foram excluídos na sociedade burguesa, como trabalhadores e trabalhadoras, mulheres, idosos, jovens, camponeses, indígenas, entre outros, a questão da existência de uma revolução antiimperialista no país põe em destaque a discussão sobre como defendê-la frente aos ataques de representantes que apostam no fracasso do processo de transformação e mudança.


Como assinalam os clássicos das idéias marxistas, progressistas e socialistas, não há discussão: onde existe revolução, sempre existirá contra-revolução. Os direitos conquistados precisam superar longas e difíceis jornadas de luta, de golpes fascistas, sabotagens na área petrolífera, bloqueios econômicos e comerciais, lutas eleitorais e referendos.


A questão da defesa da Revolução em momentos de processos contra-revolucionários simultâneos se converte em fundamental. Por esta razão, a análise sobre a estrutura econômica e social da sociedade venezuelana é parte fundamental do trabalho. Não é um luxo intelectual, é uma necessidade que, como inclui a existência de uma vanguarda revolucionária, se coloca como uma questão prática: “Sem teoria, não há movimento revolucionário”.


Tudo isso se resume na necessidade e inevitabilidade da luta contra o domínio econômico e político da burguesia nacional e internacional. Dessa forma, o contra-ataque se dá em ambos sentidos: nas trincheiras da burguesia criolla e nos centros do poder econômico imperialista.
Lênin assinala que a questão da luta de classes figura entre as mais importantes do marxismo e que “fora da luta de classes, o socialismo é uma frase vazia ou um sonho ingênuo” (V.I. Lênin, Socialismo pequeno burguês e socialismo proletário).


O presidente Chávez advertiu sobre esta luta que teremos que ganhar na rua, na fábrica, no Parlamento, no campo e na cidade. “A burguesia, usando focos fascistas, trata de incendiar a Venezuela”, disse o presidente Chávez no Teatro Teresa Carreño, reunido com mais de 2 mil líderes de entidades estudantis (secundaristas e universitários) de todo o país, que apóiam-no e defendem suas políticas sociais e econômicas.


“O plano que existe por trás do movimento foquista de jovens é uma estratégia imperial. Jovens que, na verdade, já não são jovens. Eles envelheceram antes do tempo porque estão a serviço do capitalismo. São os filhinhos da burguesia que estão por trás desse foquismo enlouquecido fascista e violento, desse plano que vem funcionando em outros países da Europa, como a Revolução Laranja”, explicou o comandante Chávez aos líderes estudantis congregados na Sala Ríos Reyna, durante o juramento da Frente de Juventudes Bicentenário 200.

Orange revolution made in USA


A Revolução Laranja foi o nome que se deu ao movimento político, vinculado aos Estados Unidos, que derrubou o Governo legitimamente eleito da Ucrânia no ano de 2004 e que, ao longo de cinco anos, vem sendo rechaçado pelos ucranianos devido ao desastre e a corrupção que provocou na vida econômica e social.


Neste domingo, 7 de fevereiro, celebrou-se um processo eleitoral na Ucrânia, onde a população, nas sondagens prévias, havia rejeitado aqueles que encabeçaram outrora a Revolução Laranja.
Depois de recordar elementos atuais da conjuntura internacional e nacional, o presidente Chávez expressou que não devemos subestimar esse movimento fascista e considerou oportuna e extraordinária a adesão da Frente de Juventudes Bicentenário 200.


“É necessário que lutem a batalha com força, cantando, dizendo o que sentem, com a força extraordinária da juventude”, aconselhou Chávez aos jovens venezuelanos e venezuelanas, ao mesmo tempo que denunciava aqueles que estão por trás do fascismo e da contra-revolução: as transnacionais da informação de âmbito nacional e internacional.

As contra-revoluções de cores foram utilizadas no Leste Europeu pelos Estados Unidos e seus aliados da OTAN, para frear os intentos revolucionários de salvar a fórmula socialista nos países do antigo bloco soviético e ocupar, de maneira definitiva, no ponto de vista militar, os territórios estratégicos para o controle de toda Eurásia.


Nestas contra-revoluções ainda se debate o papel que desempenharam as organizações como a Fundação Konrad Adenauer, a National Endowment for Democracy e grande quantidade de “entes” que atuam dentro do raio de ação da CIA.


Na Venezuela, se introduziu o formato desde 2002, com o apelo da “sociedade civil”. Depois, a partir de 2007, aproximadamente, surgem os “estudantes”, representados pelas “mãozinhas brancas”. Os verdadeiros estudantes da Pátria levantam a espada de Bolívar e não simbologias estranhas, alheias a nossa realidade cultural e histórica.


A cor do fascismo


As chamadas revoluções de cores são, na realidade, mobilizações políticas propiciadas por representantes contra-revolucionárias: burguesia apátrida, Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA e outros com interesses econômicos. A estratégia consiste em propiciar ações de “resistência civil” contra “líderes autoritários”, “regimes não-democráticos ou comunistas”, “governos corruptos” ou “militaristas”.


Os grupos de manifestantes seguem o esquema preparado nos laboratórios de inteligência norte-americanos e tomam como “bandeira” uma cor ou um símbolo. Assim, rosas, cedros, tulipas, mãozinhas brancas, vem sendo utilizados como emblemas da contra-revolução mundial. É importante destacar que, geralmente, estas representações não estão identificadas com um símbolo pátrio ou nacional, mas sim com os “ícones”, aparentemente, não relacionados à política, mas à “inocência” e à “leveza” da juventude. A primeira tentativa deste tipo ocorreu na China, contra o Governo encabeçado pelo Partido Comunista da China (PCH). Porém, a solidez do processo revolucionário do povo de Mao-Tsé-Tung jogou por água abaixo o contra-ataque imperialista. Nos países da ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na Europa Oriental, a desorientação deixada pelo fracasso da primeira tentativa civilizatória de construção de uma sociedade socialista foi um incentivo para a proliferação destas “revoluções” que também têm tido seus reflexos no Oriente Médio.


O formato do esquema posto em prática por estas ações contra-revolucionárias conta com: 1) as mobilizações declaradas não violentas pelos porta-vozes do “movimento”, que na realidade possuem o propósito de subverter a ordem pública; 2) o discurso na defesa dos valores da democracia burguesa e ocidental; 3) rostos jovens como líderes das manifestações, pois um dos pilares fundamentais da estratégia é ressaltar midiaticamente que se trata “da juventude, dos estudantes e ONGs”, desvinculados dos tradicionais partidos políticos que, em muitos casos, vem perdendo influência e prestígio nas sociedades.


Contra-revoluções com sucesso


O “movimento” Otpor: os “mãozinhas brancas” sérvios que provocaram a derrubada de Milosevic, na Iugoslávia, no ano 2000. Este era um suposto movimento de “jovens” não violentos, sem orientação ideológica, que foi utilizado para desintegrar a federação. Suas palavras de ordem pacíficas eram: “Slobo, salve a Sérvia: se suicide’, referindo-se a Slobodan Milosevic. O “movimento” não tem história. Seus quase 100.000 filiados não recordam como foi sua fundação por uma razão muito simples: foram criados em laboratórios de guerra midiática.

Revolução das Rosas: foi apresentada como um “movimento de jovens” espontâneo e não violento. Idêntico ao formato utilizado na Iugoslávia, produziu a renúncia do poder por Eduard Shevardnadze, na Geórgia, em 2003. Paul Labarique aponta que, “na realidade, foi fruto de uma paciente manipulação. A Federação Russa e os Estados Unidos tinham objetivos estratégicos e petroleiros em jogo. A Geórgia acabou se convertendo num terreno de enfrentamento entre as potências. A cólera popular, habilmente desencadeada pelo Instituto Democrático de Madeleine Albright e estruturada por associações juvenis financiadas por George Soros, permitiu à CIA colocar seus homens no poder em Tbilisi, capital do país”.


Revolução Laranja: eleição de Víktor Yushchenko, na Ucrânia, 2004.


Revolução das Tulipas: saída do Governo de Askar Akayev, no Quirguistão, 2005.

Revolução dos Cedros: organizada e impulsionada pela administração Bush para impor a resolução 1559, que teria por finalidade forçar a retirada das tropas sírias do Líbano e o desarmamento do Hezbollah.


Derrubada do presidente Manuel Zelaya, em Honduras, 2009.

Contra-revoluções fracassadas


“A primeira tentativa de «revolução de cor » fracassou em 1989. O objetivo era a derrubada de Deng Xiaoping, utilizando um de seus colaboradores, o secretário geral do Partido Comunista Chinês (PCCH) Zhao Ziyang, para abrir o mercado chinês aos investidores norte-americanos e colocar a China como área de influência dos Estados Unidos. Os jovens partidários de Zhao invadiram a praça Tian’anmen. Os meios de comunicações ocidentais os apresentaram como estudantes apolíticos que lutavam pela liberdade, opondo-se ao PCCH, quando, na realidade, se tratava de uma dissidência interna entre nacionalistas e pró-Estados Unidos, surgida no seio da corrente de Deng. Após uma longa resistência às provocações, Deng decidiu por fim àquela situação, recorrendo à força. A repressão deixou entre 300 e 1.000 mortos, segundo a versão ocidental sobre aquele golpe de Estado frustrado”, destaca o analista internacional francês Thierry Meyssan.


Revolução Branca: intenção fracassada de depor Alexander Lukashenko, na Bielorússia.
Revolução Açafrão: objetivo fracassado por parte dos monges budistas de depor a ditadura militar na Birmânia.


Revolução Verde: protestos no Irã contra a pretensa fraude eleitoral e em apoio ao candidato da oposição Mir-Hossein Mousavi. “A ‘revolução verde’ de Teerã é o mais recente caso das «revoluções de cor » mediante as quais os Estados Unidos vêm tentando impor governos submetidos a sua tutela em vários países, sem ter que recorrer à força”, assinala Meyssan.


Revolução Twitter: protestos contra o triunfo do Partido dos Comunistas da República da Moldávia, nas eleições parlamentares de 2009.

tradução: Maria Fernanda M. Scelza


recebido por e-mail de "Secretaria Geral - PCB" secretariageral.pcb@gmail.com