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sexta-feira, 30 de abril de 2010

35 ANOS DA DERROTA DO IMPÉRIO AMERICANO NO VIETNÃ


Vietnã celebra 35 anos da vitória contra os EUA


Ainda amanhecia quando milhares de vietnamitas, organizados em colunas, começaram a se aproximar do Parque 30 de Abril, diante do antigo palácio presidencial, na cidade de Ho Chi Minh. Sindicatos, universidades, fábricas e organizações camponesas enviaram suas delegações, além das forças armadas. Respondiam à convocação para a manifestação que celebraria o triunfo do Vietnã socialista contra o governo de Saigón (velho nome da cidade) e seus aliados norte-americanos.


Vietnamitas festejam os 35 anos do fim da guerra durante manifestação em Ho Chi Minh. Veja mais fotos do evento aqui


Não foi um comício de tipo ocidental. O horário já era extravagante. Todos estavam avisados que as atividades começariam pontualmente às 6h30 e estariam encerradas três horas depois, antes que o calor alucinante de Ho Chi Minh vencesse o dia. Quem ocupava as arquibancadas armadas no caminho central do parque eram as autoridades e os convidados. Os cidadãos, com seus agrupamentos, foram os responsáveis pelo espetáculo. Poucos discursos, apenas quatro – e religiosamente cronometrados. O primeiro secretário do Partido Comunista do município falou por 20 minutos. Depois vieram o presidente da Associação dos Veteranos de Guerra, o secretário-geral da federação sindical local e o presidente da Juventude Comunista de Ho Chi Minh – cada qual com direito a 10 minutos de discurso. O presidente da República, Nguyen Minh Triet, 68, um sulista que teve participação discreta na guerra e está no cargo desde 2006, apenas assistiu, junto com outros dirigentes.


Aproximadamente 50 mil pessoas desfilaram diante das tribunas. Grupos teatrais representaram momentos da guerra de 21 anos contra os norte-americanos e o então Vietnã do Sul. Muita música, até com um pouco de ritmo pop, além dos acordes previsíveis da Internacional (o histórico hino socialista) e de canções revolucionárias. Depois, uma longa marcha, com militares, trabalhadores, mulheres, intelectuais, estudantes, camponesesm com suas faixas e bandeiras, além de modestas coreografias. Mas a maior emoção estava no rosto dos veteranos de guerra. Um deles era o coronel Nguyen Van Bach, de 74 anos, cabelos inteiramente brancos. Nascido na província de Binh Duong, no sul do país, integrou-se à luta armada em 1947, aos 11 anos. Ainda era a época da guerra contra os franceses, que não aceitavam a independência conquistada em 1945, sob a liderança do líder comunista Ho Chi Minh.


Van Bach ainda combatia no final de abril de 1975. Fazia parte das tropas guerrilheiras. Estava em um destacamento que já controlava a cidade de Tan An, na província de Long An, localizada no delta do rio Mekong. Foi lá que soube da queda de Saigon nas mãos de seus camaradas. “Tive uma alegria tão grande que provocava lágrimas”, lembra-se. Ainda se emociona, como vários de seus amigos, quando se recorda dessa data. Afinal, no dia 30 de abril de 1975, encerravam-se mais de 30 anos de guerra regular ininterrupta. Desde que fora formado o primeiro pelotão da guerrilha comunista, em dezembro de 1944, sob o comando de Vo Nguyen Giap, braço direito de Ho Chi Minh, os vietnamitas enfrentaram sucessivamente invasores japoneses, franceses e norte-americanos. Colonia francesa desde 1856, o Vietnã foi ocupado pelas tropas nipônicas durante a Segunda Guerra Mundial.


Os comunistas assumiram a linha de frente na luta contra os soldados de Hiroito, aproveitando o colapso de Paris às voltas com a ocupação nazista. Lideraram uma frente de várias correntes políticas, denominada Vietminh, e declararam a independência do país depois da capitulação japonesa, em agosto de 1945. No dia 2 de setembro do mesmo ano nascia a República Democrática do Vietnã.


Guerra da Indochina O general De Gaulle, presidente da França, assim que viu derrotado o nazismo, ordenou que suas tropas sufocassem os rebeldes vietnamitas. Foram oito anos de sangrentos combates. Os homens de Ho Chi Minh e Giap organizaram uma poderosa resistência guerrilheira, que progressivamente aterrorizou e desgastou os franceses.


Mais de 90 mil gauleses perderam a vida nos campos de batalha. A estocada final contra os colonizadores foi em 1954. Ficou conhecida como a batalha de Dien Bien Phu, uma região no noroeste do Vietnã, perto da fronteira com o Laos. Os franceses imaginavam-se invulneráveis nessa posição estratégica, da qual planejavam sua contra-ofensiva a partir de uma grande concentração de recursos humanos e materiais. Mas o Vietminh, através de trilhas na selva e túneis, foi cercando o local sem ser percebido.


Carro alegórico homenageia o ex-presidente Ho Chi Minh (1890-1969), líder histórico do país. Veja mais fotos do evento
Depois de oito semanas, entre 13 de março e 7 de maio, as tropas do general Christian De Castries estavam destruídas e desmoralizadas. Foi o derradeiro capítulo da chamada Guerra da Indochina. Os franceses, derrotados, aceitaram as negociações que levariam aos acordos de Genebra, em 1954. Pelos termos desse tratado, o Vietnã ficaria provisoriamente dividido em dois, ao norte e ao sul do paralelo 17. Mas eleições gerais teriam lugar em 1956 para reunificar o país. Quando se consolidaram as perspectivas de vitória eleitoral comunista, os grupos conservadores chefiados pelo católico Ngo Dinh Diem deram um golpe de Estado no sul e cancelaram as eleições.


Os Estados Unidos, que já tinham sido os principais financiadores das operações francesas, assumiram a defesa do regime de Saigon. Forneceram, a princípio, recursos, armas e assessores militares. Guerra do Vietnã Os comunistas reagiram e lideraram, a partir de 1960, um levante popular e guerrilheiro contra Diem, articulado pela Frente de Libertação Nacional com o apoio do norte. Os norte-americanos, diante da fragilidade de seus aliados, enviaram tropas para defendê-los. Era o início da Guerra do Vietnã. A participação direta dos Estados Unidos durou até 1973. Acabaram asfixiados e quebrados como os franceses. “A supremacia deles era tecnológica”, recorda outro veterano, o general Do Xuan Cong, 72. “Mas o armamento deles era para guerra à distância, com aviões, foguetes e bombas. Nós reduzimos o espaço, forçamos o combate no quintal de suas tropas. As armas modernas não tiveram serventia nem substituíram sua falta de moral para a luta”. A casa começou a cair depois da chamada Ofensiva do Tet (o ano novo vietnamita), em 1968, quando as forças guerrilheiras atacaram dezenas de objetivos ao mesmo tempo, incluindo a própria embaixada norte-americana em Saigon. A Casa Branca já tinha mais de 500 mil homens em combate. A sociedade estrilava com as mortes, derrotas e mentiras.



Militares apresentam armas diante da tribuna da manifestação, em Ho Chi Minh. Veja mais fotos do evento


Os EUA, durante os quatro anos seguintes, despejaram uma quantidade de bombas superior a que foi empregada em todas as batalhas da Segunda Guerra Mundial. No final de 1972 submeteram Hanói a 12 dias e noites de terror. Utilizaram armas químicas para destruir a capacidade alimentar dos vietnamitas e anular as forças guerrilheiras. Mas suas tropas estavam cada vez mais tomadas pelo medo e incapazes de defender suas posições territoriais. Derrota norte-americana Washington se viu forçado às negociações de Paris, que levariam à retirada de seus soldados em 1973.


O regime de Saigon ficou por sua própria conta. Não permaneceu de pé por muito tempo. Em 1975, o Vietnã reconquistava sua unidade nacional e os comunistas venciam a mais duradoura guerra do século 20. Os mortos vietnamitas, civis e militares, chegaram a três milhões, contra apenas 50 mil “sobrinhos” do tio Sam. Dois milhões de cidadãos, incluindo filhos e netos da geração do conflito, padecem de alguma deformação genética provocada pela dioxina, subproduto cancerígeno presente no agente laranja, fartamente empregado pelos norte-americanos. Além das perdas humanas, a economia do país foi quase levada à idade de pedra, como preconizava o general norte-americano Curtis LeMay.


Mas quem desfila a vitória, ainda assim, é o Vietnã. Os norte-americanos foram ocupar o mesmo lugar na galeria de fotos que japoneses e franceses, para não falar dos chineses: o de agressores colocados para correr. “Nossa estratégia se baseou em uma ideia simples: a da guerra de todo o povo”, enfatiza o general Cong. “Não havia um centímetro de nosso território no qual os norte-americanos podiam ficar tranquilos. Eles perderam para o medo.” Essas são águas passadas, porém. Das quais ficam lições, estímulos e valores, é certo, além de grandes livros, fotos e filmes. Mas não resolvem os desafios da paz.


Os vietnamitas, nesses 35 anos, tiveram que cuidar de outro problema, para o qual a guerrilha e seus inventos não eram solução. Como alimentar e desenvolver uma nação tão pobre e destruída? Essa é a outra história do Vietnã indomável. Nesta semana, a partir de hoje (30/4), Opera Mundi publica uma série de reportagens especiais sobre como está o Vietnã e como vivem os vietnamitas após 35 anos do fim da guerra.
POR 30/04/2010 Breno Altman Ho Chi Minh


terça-feira, 27 de abril de 2010

Os cartazes de Stálin devem decorar as ruas de Moscou?


Os cartazes de Stálin devem decorar as ruas de Moscou?


Breno Altman


O prefeito da capital russa, Iuri Luzhkov, tomou uma decisão que está dividindo o país, às vésperas das comemorações, no dia 9 de maio, do 65º. aniversário da vitória sobre o exército nazista. O administrador, integrante do partido situacionista Rússia Unida, resolveu colocar, como parte das ilustrações da marcha que celebrará a data histórica, dez grandes painéis com imagens de Stálin, dirigente do país quando os alemães foram batidos.

Ao atender, com sua polêmica iniciativa, à insistente reivindicação da associação dos veteranos de guerra, provocou duras reações. Tanto setores políticos hostis à experiência soviética quanto organizações de direitos humanos protestaram, denunciando desrespeito às vítimas do período staliniano. Luzhkov, ele próprio ácido em suas opiniões sobre o antigo líder comunista, rechaçou as críticas: “Pretende-se livrar a história de um importante nome, ligado à etapa que foi, provavelmente, a mais dramática na história do país. Estou contra isso.”

O tema é delicado por vários motivos. Talvez a mais destacada dessas razões seja porque o papel de Stálin na 2ª. Guerra Mundial (ou Grande Guerra Patriótica, como a chamam os russos, preservando denominação reinante na velha URSS) se constitua no calcanhar de Aquiles da longa política de demonização do chefe soviético. Afinal, se continuasse a receber votos de respeito e admiração pelo protagonismo no combate ao nazismo, seu retrato como vilão dos povos não ficaria de pé. No mínimo, as apreciações acerca de sua trajetória teriam que ser mais equilibradas e contextualizadas.

Seu enorme prestígio no imediato pós-guerra, dentro e fora da União Soviética, irradiava-se até pelos meios de comunicação dos países capitalistas. Naquele então, era patente que as forças hitleristas tinham sido derrotadas fundamentalmente pelo Exército Vermelho, sob o comando estrito do georgiano que sucedera a Lênin. A deflagração da Guerra Fria, porém, exigia que esse registro no imaginário social fosse destruído, transformando o herói comunista em um bandido sórdido, cuja participação no conflito mundial teria sido errática e coadjuvante.

Ao campo norte-americano e suas agências diretas ou disfarçadas interessava alimentar a teoria dos dois demônios. O sinal de equivalência entre o dirigente soviético e o ditador alemão, afinal de contas, favorecia a falsificação destinada a apresentar as nações sob democracia liberal como o esteio da vitória contra o nazismo e, portanto, legitimadas para continuar o combate contra o autoritarismo de esquerda.

O indispensável livro “Stálin, a construção de um mito negro”, do italiano Domenico Losurdo, que deverá ser publicado pela Editora Revan nos próximos meses, apresenta uma preciosa pesquisa de como se articulou a máquina propagandística destinada a reescrever páginas da guerra na lógica do combate ao “império do mal” e seu líder máximo. E de como amplos setores de esquerda, às voltas com disputas internas ou intimidados pela ofensiva conservadora, também acabaram intoxicados pelo mesmo revisionismo histórico e viraram seus co-patrocinadores.

O problema orgânico desse discurso, no entanto, nunca foi solucionado. Como seria possível, de forma consistente, apresentar Stálin como um tirano que a tudo e a todos controlava, mas que no momento mais decisivo teria se transformado em um joguete dos militares? Aliás, dos mesmo oficiais que são descritos em inúmeros livros não-comunistas como eternamente amedrontados pelas atitudes do secretário-geral comunista, que teria liquidado fisicamente o núcleo duro do Exército Vermelho, às vésperas da guerra, para poder exercer a regência inconteste sobre as forças armadas soviéticas.

Faz tanto sentido essa argumentação, que defende a submissão de Stálin aseus oficiais, quanto qualquer abordagem sobre as guerras napoleônicas que anulasse a participação de seu patronímico. Ou sobre as batalhas de independência da América hispânica que eludisse o papel de Bolívar. Ou sobre as guerras púnicas que escapasse de dar devida importância à intervenção de Scipião na destruição de Cartago.

As memórias de Roosevelt e Churchill, além das investigações realizadas nos arquivos russos após o colapso soviético, para ficarmos apenas em algumas fontes, são claras ao afirmar que Stálin exercia a liderança absoluta, tirânica, sobre os movimentos de suas tropas, muitas vezes contra a opinião dos generais de seu estado-maior.

O ex-presidente norte-americano chegou a revelar sua estupefação com o fato do líder comunista participar das conferências mundiais durante a guerra ao lado de apenas dois ou três assessores, com controle irreparável dos dados de combate, enquanto a delegação dos Estados Unidos e a inglesa eram compostas por dezenas de integrantes, de sorte a permitir que seus chefes políticos tivessem informações competitivas sobre o teatro de operações.

O mais importante, porém, é a memória social dos acontecimentos – também resgatada em numerosos documentos e estudos. Os guerrilheiros e soldados aprisionados pelos nazistas, às vésperas de seu fuzilamento, escreviam cartas às famílias brindando seu próprio sacrifício e enaltecendo a liderança de Stálin. Milhares e milhares de depoimentos relembram o efeito moral do chefe soviético ter decidido manter, em 1941, o tradicional desfile do 7 de novembro, aniversário da revolução bolchevique, mesmo em meio ao bombardeio da artilharia alemã às portas de Moscou. São registros de uma guerra de caráter popular, que mobilizou todas as energias, civis e militares, sob uma clara voz de comando.

A onda revisionista, no entanto, chegou ao ponto de trocar o nome da cidade na qual se travou a mais importante e heróica batalha contra o nazismo: Stalingrado, ainda nos anos 60, passou a se chamar Volgogrado. No curso da restauração capitalista dos anos 90, os últimos símbolos e homenagens também foram eliminados. Mas a pressão dos veteranos e outras camadas sociais sobre a administração moscovita, nesses último meses, parece revelar o relativo fracassso de se combater Stalin através de métodos outrora classificados como... stalinistas.

Não é o caso de se contrapor a violação da verdade histórica com uma imagem cândida e igualmente falsa sobre o homem que governou o primeiro Estado socialista durante trinta anos. Seria tão absurdo como aceitar que o contraponto ao culto à personalidade pudesse ser a vilanização de um líder dessa envergadura.

Stálin foi ator em uma época de extrema polarização. Seu período de liderança foi exercido praticamente o tempo todo em situação de guerra, civil ou externa, quando a violência era instrumento inalienável de todas as forças políticas, que se jogavam em batalhas de vida ou morte, triunfo ou aniquilamento. No curso de sua estratégia para modernizar o país, derrotar as antigas classes dirigentes, consolidar a hegemonia interna e romper o cerco montado pelos governos capitalistas, muitos crimes foram cometidos e vítimas inocentes, incluindo provados dirigentes bolcheviques, perderam sua vida e honra.

Representava o projeto de uma ditadura revolucionária, com seus feitos e inegáveis deformações. Seu grande legado, porém, segundo o insuspeito historiador trotsquista Isaac Deutscher, foi ter herdado um país que vivia na era do arado de madeira e tê-lo entregue às gerações futuras, em menos de trinta anos, como uma potência atômica. Seu sistema autocrático de governo, que tampouco foi sempre o mesmo e passou por tentativas aberturistas, construiu também o doloroso caminho para gerar e controlar os recursos que permitiram a mais rápida e ampla expansão de direitos sociais da qual se tem notícia.

Esse artigo, de toda forma, não se presta a um balanço do que foi a trajetória do controvertido líder soviético. A questão é repor um fato histórico, apenas isso. Se a algum dirigente em particular a humanidade deve a liquidação do nazismo, esse homem atende pelo nome de Josef Stálin. A ele coube, a despeito de seus erros e sangrentos delitos, o comando do exército e da pátria que quebraram a coluna vertebral das tropas de Hitler.

Breno Altman é jornalista e diretor do sítio Opera Mundi (http://www.operamundi.com.br/)


domingo, 25 de abril de 2010

Lénine - Teórico genial, gigante revolucionário


Teórico genial, gigante revolucionário

Lénine



Vladímir Ilitch Lénine destacou-se no seu tempo como um grande intelectual, filósofo, economista, político, publicista, orador, legando-nos uma extensa e valiosíssima obra com 55 volumosos tomos. Mas na memória dos povos ficará para sempre como o líder do proletariado mundial, o criador do partido bolchevique, o organizador da primeira revolução socialista vitoriosa e o fundador do primeiro Estado socialista – a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Na data em que se assinalam os 140 anos do seu nascimento, as ideias de Lénine, os seus ensinamentos, o seu exemplo prático, que influenciaram decisivamente o curso do século XX, continuam a inspirar as novas gerações de explorados que, em todo o mundo, buscam o caminho da libertação, o caminho para uma sociedade nova, socialista. Do mesmo modo que os grandes problemas do seu tempo se colocam hoje com a máxima acuidade, também o nome, o pensamento, a via de transformação revolucionária desbravada por Lénine permanecem no centro da intensa batalha ideológica, que opõe explorados a exploradores, e são alvos prioritários da campanha da burguesia que em vão procura apagar esta figura maior da história da humanidade, retaliando com ferocidade à mínima evocação do teórico genial e gigante revolucionário.


Vladímir Ilitch Uliánov (Lénine) nasceu em 22 de Abril de 1870, na pequena cidade de Simbirsk, situada no Sul da Rússia, designada Uliánovsk em 1924, em memória do líder falecido, nome que ainda hoje conserva (ver caixa).


Terceiro irmão de uma família com seis filhos, três rapazes e três raparigas, o seu pai, Iliá Niloláievitch Uliánov, era inspector das escolas profissionais da gubérnia (distrito) de Simbirsk, e sua mãe, Maria Aleksándrovna Blank, filha de um médico, dedicou-se inteiramente à educação das crianças.


Entrando para o liceu aos nove anos, Vladímir revela-se um aluno acima da média, dotado de uma memória robusta, um interesse invulgar pela leitura, uma enorme capacidade de trabalho, «uma enciclopédia andante», segundo a expressão registada por um dos seus colegas de turma.


Porém, a adolescência de Vladímir fica marcada por dois trágicos acontecimentos. Aos 15 anos, o seu pai falece. Um ano depois, em Março de 1887, o seu irmão mais velho Aleksandr é preso e executado pela preparação de um atentado contra o tsar Alexandre III.


Foi através do seu irmão que Vladímir teve o primeiro contacto com a literatura marxista, recebendo também dele um exemplo de luta revolucionária contra a autocracia, pela melhoria das condições de vida do povo, apesar de cedo se ter apercebido das concepções e métodos de luta erróneos do populismo, corrente ideológica que predominava no movimento revolucionário russo.


Tão duras perdas familiares não impediram o jovem Uliánov de terminar o liceu nesse mesmo ano com medalha de ouro e ingressar na Faculdade de Direito de Kazan, da qual se vê expulso logo em Dezembro pela participação numa revolta estudantil. Após quase um ano de deportação na aldeia de Kokuchkino sob vigilância policial, Lénine regressa a Kazan e adere a um dos primeiros círculos marxistas da Rússia.


Em 1889 muda-se com a família para Samara, onde traduz o Manifesto do Partido Comunista e consegue, em apenas ano e meio, estudar autonomamente todo o programa do seu curso. Presta provas como aluno externo em 1891 e obtém o diploma de 1.º Grau, correspondente ao título de mestre em Direito.


Exerce advocacia em Samara e torna-se conhecido como defensor dos camponeses pobres. Entretanto forma um círculo marxista que desenvolve actividade de propaganda, escreve o seu primeiro trabalho científico sobre o campesinato, demonstra a inconsistência das teorias populistas liberais, o seu utopismo e desconformidade com a realidade russa, que mais tarde desenvolve no seu livro Quem são os “Amigos do Povo” e Como Lutam contra os Sociais-Democratas (1894).


Em Agosto de 1893 instala-se em Petersburgo. Adere a um círculo de conhecidos marxistas, que não tardam a reconhecer a sua capacidade para adaptar a teoria às condições da Rússia. Torna-se em breve o líder dos marxistas da capital, estabelecendo ligações estreitas com operários avançados e dirigindo directamente círculos de trabalhadores. As suas aulas, panfletos e brochuras têm grande divulgação nos meios operários, que as apreciavam pela simplicidade e pelo rigor com que explicavam a exploração capitalista e apontavam as vias para a sua emancipação.


De regresso da sua primeira viagem à Europa, onde se encontra com Plekhánov e outros membros do grupo Emancipação do Trabalho, unifica todos os círculos operários marxistas de Petersburgo, no Outono de 1895, na União de Luta pela Emancipação da Classe Operária, o embrião do partido operário marxista revolucionário, que definiu como objectivo ligar-se ao movimento operário de massas e dirigi-lo.


Em Dezembro, juntamente com vários membros da União de Luta, Lénine é preso. Na cela onde permanece isolado durante 14 meses, continua a escrever conseguindo fazer passar documentos e orientações para o exterior. Seguem-se três anos de deportação na Sibéria Oriental, onde casa com Nadejda Konstantínovna Krúpskaia, em 1898, igualmente deportada como membro da União de Luta.


Em Março desse ano, várias «uniões de luta», criadas em toda a Rússia segundo o exemplo dos marxistas de Petersburgo, reúnem-se em Minsk naquele que ficou para a história como o I Congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia (POSDR). Contudo, sem um programa, estatutos ou uma direcção única, a existência do partido era meramente formal. Mantinha-se a dispersão orgânica e a confusão ideológica foi agravada pelo surgimento da corrente oportunista que ficou conhecida como «economismo».


A luta protagonizada por Lénine, após a libertação em 1900, pela criação do verdadeiro partido de novo tipo passaria necessariamente pela derrota do «economismo» e exigiria a criação de um jornal, o Iskra, para travar esse combate e construir a unidade ideológica indispensável à criação de uma organização centralizada.


Do partido à revolução


É ainda no exílio, na aldeia de Chúchenskoi, na Sibéria Oriental, que Lénine concebe o plano de criação do novo jornal político, como «ponto de partida para a acção», essencial para clarificar os objectivos e as tarefas do partido e fazer a demarcação ideológica dos «economistas». «Antes da unificação e para a unificação é preciso primeiro uma demarcação decidida e definida», escreveu na «Declaração da Redacção do Iskra».


Um tal jornal, cuja rede de agentes e correspondentes constituiria o «esqueleto» da futura organização, deveria ser não só como «um propagandista colectivo e um agitador colectivo mas também um organizador colectivo», para preparar a coesão ideológica e orgânica do partido.


Nas páginas do Iskra e sobretudo no seu livro Que Fazer? (1902), Lénine atacou o «economismo», notando que limitar os objectivos da classe operária à luta económica contra os patrões e o governo significava condenar os operários à eterna escravidão. «A luta contra o governo por reivindicações parciais e a conquista de concessões isoladas são apenas pequenas escaramuças com o inimigo».


Opondo-se à «espontaneidade», que os «economistas» confundiam com o desenvolvimento objectivo do movimento, sublinhou a importância da consciência socialista, que só a acção organizada do partido operário podia formar nas massas: «Sem teoria revolucionária (…) não pode haver movimento revolucionário. (…) Só um partido guiado por uma teoria de vanguarda pode desempenhar o papel de combatente de vanguarda.»


Em Julho de 1903, o II Congresso do POSDR dá um passo decisivo para a fundação de facto do partido, aprovando o programa e os estatutos propostos por Lénine. A maioria aprova igualmente as suas propostas de constituição do Comité Central e da redacção do Iskra, mas nos intensos debates revelam-se claramente duas tendências: os leninistas, que por serem maioritários passam a ser chamados bolcheviques, e os oportunistas minoritários, mencheviques, liderados por Mártov, Trótski e Axelrod.


«Dois passos atrás»


A luta interna não tardou a agudizar-se. Com a ajuda de Plekhánov que passou a apoiar os mencheviques, estes tomam a redacção do Iskra desrespeitando as decisões do congresso, o que motiva a saída de Lénine e a denúncia pública do comportamento dos fraccionistas no seu livro Um Passo em Frente, Dois Passos Atrás (1904).


É nesta obra que Lénine define os princípios organizativos do partido bolchevique, mais tarde adoptados por todos os partidos comunistas da III Internacional, visando assegurar não só a unidade ideológica mas também a unidade de organização.«O proletariado na sua luta pelo poder, não tem outra arma senão a organização. Dividido pela concorrência anárquica que reina no mundo burguês, esmagado pelos trabalhos forçados ao serviço do capital, constantemente atirado para o abismo da miséria mais completa, do embrutecimento e da degenerescência, o proletariado só pode tornar-se, e tornar-se-á inevitavelmente, uma força invencível quando a sua unidade ideológica, baseada nos princípios marxistas, é cimentada pela unidade material da organização que reúne milhões de trabalhadores num exército da classe operária.»


Depois de perder o Iskra, Lénine ficou também em minoria no Comité Central devido à traição de Plekhánov e de dois outros bolcheviques. Nas vésperas da primeira revolução russa, o partido estava dividido, era urgente mobilizar as organizações de base para convocar um novo congresso.


Foi novamente em Londres, em Abril de 1905, que decorreu o III Congresso do POSDR, no qual os mencheviques se recusaram a participar, organizando em Genebra uma conferência paralela. «Dois congressos, dois partidos», disse Lénine a propósito da cisão praticamente consumada.


Com uma situação revolucionária em pleno desenvolvimento na Rússia, Lénine analisa a revolução democrático-burguesa na sua célebre brochura Duas Tácticas da Social-Democracia na Revolução Democrática, editada dois meses após o congresso, onde considera que o proletariado não pode colocar-se à margem mas, pelo contrário, deve «participar nela do modo mais enérgico, lutar do modo mais decisivo pela democracia proletária consequente, para levar até ao fim a revolução».


É também neste trabalho que Lénine desenvolve a teoria da transformação da revolução democrático-burguesa em revolução socialista, como um processo único, permanente, que só poderá realizar-se se o proletariado assumir a sua direcção, em aliança com o campesinato, e instaurar «a ditadura revolucionária democrática do proletariado e do campesinato».


A Revolução de 1917 viria a confirmar plenamente a justeza da audaciosa tese da hegemonia do proletariado, que rompeu com o dogma até então vigente de que, após a revolução burguesa, era obrigatório seguir-se um período longo de dominação capitalista.No Outono de 1905, a revolução caminhava para o seu auge. Rebentam as greves políticas, uma nova forma de luta do proletariado nunca antes vista noutros países, que visava claramente o derrubamento do tsarismo e a implantação da república democrática. Surgem os primeiros sovietes de deputados operários que tomam decisões revolucionárias.


O regime é obrigado a conceder temporariamente algumas liberdades civis reconhecidas no Manifesto do tsar de Outubro. Lénine aproveita a trégua para regressar clandestinamente à Rússia em Novembro, momento em que os bolcheviques se lançam na preparação da insurreição armada, que se inicia em Moscovo no dia 22 de Dezembro. Tal como noutras cidades, os operários revolucionários serão esmagados.


Flexibilidade táctica


Começa um período de violenta repressão, mas os operários e camponeses continuam a resistir durante 1906 e 1907, organizando greves e revoltas no campo.


A correlação de forças obriga o tsar a convocar uma Duma legislativa, que os bolcheviques boicotam, como já tinham feito com a Duma consultiva. Lénine considera o primeiro boicote justo, o segundo como um erro, dada a alteração da situação, o declínio da revolução e a necessidade de um recuo.


Por isso, quando o tsar convocou uma nova Duma no Verão de 1906, os bolcheviques decidiram participar nas eleições para utilizarem aquele órgão como tribuna da revolução. «Inteligente não é aquele que não comete erros. Não há nem pode haver tais pessoas. É inteligente quem comete erros não muito essenciais e quem sabe corrigi-los fácil e rapidamente».


Mas a II Duma foi dissolvida logo em Junho de 1907 pelo tsar, que mandou prender 65 deputados sociais-democratas e os deportou para a Sibéria. Começaram os duros anos da reacção dos governos de Stolípine. Para evitar a prisão, Lénine sai do país e exila-se na Suíça. Mais tarde escreveria: «Sem um “ensaio geral” como o de 1905, a revolução de 1917, tanto a burguesa de Fevereiro como a proletária de Outubro, teriam sido impossíveis».Durante os longos anos de exílio, Lénine continuou o seu combate ideológico contra as novas correntes revisionistas do marxismo, que o declaravam antiquado face às novas realidades. Respondendo a estes arautos do modernismo, Lénine escreve Materialismo e Empiriocriticismo (1909), em que defende a validade dos fundamentos teóricos do marxismo (o materialismo dialéctico e o materialismo histórico) e faz uma generalização materialista das principais descobertas científicas desde a morte de Engels.


Ao mesmo tempo, Lénine traça a nova táctica do partido na situação de refluxo revolucionário. «Este foi um período de viragem do nosso partido da luta revolucionária aberta contra o tsarismo para os meios indirectos de luta, para a utilização de quaisquer possibilidades legais, desde as associações de socorros mútuos até à tribuna da Duma. Foi um período de recuo depois de termos sido derrotados na revolução de 1905. Esta mudança exigia que adoptássemos novos métodos de luta para, uma vez acumuladas forças, nos lançarmos de novo na luta revolucionária aberta contra o tsarismo.»


Combatendo os que pretendiam dissolver o partido alegando falta de condições e aqueles que, pela esquerda, se opunham à participação nas organizações legais, incluindo a III Duma tsarista, Lénine defendeu a combinação do trabalho clandestino com o trabalho legal, linha que permitiu aos bolcheviques manterem a organização, a sua ligação às massas, ganhando influência e acumulando forças durante o período de refluxo.


Refundação do partido


Em Janeiro de 1912, na Conferência de Praga, os bolcheviques rompem definitivamente com os mencheviques, decidindo expulsá-los das suas fileiras e refundar o partido, que mantém a denominação de Partido Operário Social-Democrata da Rússia acrescentada da palavra «bolchevique» entre parênteses. Nessa altura, Lénine escreve a Górki: «Finalmente conseguimos – apesar da canalha liquidacionista – fazer renascer o partido e seu Comité Central. Espero que com isto se alegre connosco.»


Ao contrário dos partidos sociais-democratas da II Internacional, os bolcheviques combateram resolutamente e romperam com o oportunismo, criando o partido leninista, o partido de novo tipo.No Verão de 1912, para acompanhar mais de perto o novo surto revolucionário que despontara na Rússia, Lénine muda-se de Paris para a Galícia, a Oeste da Ucrânia, que pertencia então ao império austro-húngaro. Na nova situação, os bolcheviques criam um diário legal de massas, o Pravda, que, a par do grupo na IV Duma, se torna a segunda organização legal do partido.


O Pravda dá uma notável contribuição para a denúncia do tsarismo e nas suas páginas educa-se uma nova geração de operários revolucionários, a geração dos «pravdistas». Oito vezes encerrado, o jornal reapareceu sempre com o nome alterado, mantendo uma tiragem média de 40 mil exemplares, até ser encerrado pelas medidas de excepção tomadas pelo tsar em 1914, no eclodir da I Guerra Mundial.


Guerra à guerra


A guerra arrastou todos os partidos da II Internacional para posições chauvinistas ou ditas defensistas, que na prática significavam um apoio aos respectivos governos imperialistas. Só o partido de Lénine se manteve fiel à bandeira do internacionalismo, denunciando o carácter anexacionista da guerra e apelando aos operários para declararem guerra à guerra e apontarem as armas contra a sua própria burguesia, pois só assim poderiam alcançar uma paz justa.


Em Setembro de 1916, no «Programa Militar da Revolução», Lénine escreve: «Diante dos olhos de todos se prepara, com as forças da própria burguesia, a única guerra legítima e revolucionária, a saber: a guerra civil contra a burguesia imperialista».


Apenas seis meses depois, numa Rússia esgotada pela guerra e revoltada pela fome e a opressão, o tsarismo é derrubado pelos operários armados que logo nos primeiros dias criam os sovietes de operários e soldados.


Lénine regressa a Petrogrado em 3 (16) de Abril, após um exílio de quase dez anos. Consigo traz as «Teses de Abril», que apresenta no dia seguinte, onde estabelece o plano para a transformação da revolução burguesa em revolução socialista, pela instauração não de uma república parlamentar mas de uma «república dos sovietes de deputados, operários, assalariados agrícolas e camponeses em todo o país, desde baixo até acima». Quanto ao governo burguês, Lénine foi lapidar: «Nenhum apoio ao Governo Provisório».


Nesta fase, a tarefa central dos bolcheviques era a conquista da maioria nos sovietes e, através deles, mudar a composição e a política do governo. Tratava-se portanto de uma via pacífica de desenvolvimento da revolução que não previa a tomada do poder pelas armas, mas sim a sua passagem pacífica para os sovietes.Os acontecimentos precipitam-se com a crise do governo provisório, aberta com publicação da «Nota de Miliukov», na qual o então ministro dos Negócios Estrangeiros se comprometia a continuar a guerra à até à vitória e a respeitar todas as obrigações assumidas pelo tsar com os aliados.


A pressão das massas, que exigiam não só o fim da guerra mas também já a demissão do Governo Provisório, conduz no início de Maio à formação de um gabinete de coligação, que incluiu ministros mencheviques e socialistas-revolucionários, como Kérenski, que se torna depois primeiro-ministro.


A desastrosa insistência na guerra por parte da burguesia, que via nela uma forma de conter o ímpeto da revolução, e a persistente acção esclarecedora e organizadora dos bolcheviques, cuja influência crescia de dia para dia, socavou a base social de apoio do governo provisório.


No dia 3 (16) de Julho, centenas de milhares de manifestantes exigem o fim da guerra e a passagem de todo o poder aos sovietes. O governo responde com repressão e afoga em sangue a manifestação pacífica. Nestes «acontecimentos de Julho», a burguesia amparada pelos mencheviques e socialistas-revolucionários tenta decapitar a revolução atacando o partido bolchevique.


Com base numa acusação fabricada, é emitido um mandado de captura contra Lénine. Vários dirigentes bolcheviques são presos, os seus jornais são encerrados. A dualidade de poderes termina com a passagem de poder dos sovietes para o Governo Provisório.


«Assalto aos céus»


Os bolcheviques entram na clandestinidade. Lénine refugia-se na Finlândia, onde escreve, entre Agosto e Setembro, a brochura O Estado e a Revolução, na qual explica a necessidade de destruir o aparelho de Estado burguês.


A nova situação exigia uma acção resoluta. O perigo real de um golpe militar reaccionário ficara demonstrado com a intentona de Kornílov, derrotada em 25 de Agosto. Ao mesmo tempo, as condições para o «assalto aos céus» amadureciam.


Entre 12 e 14 de Setembro, Lénine escreve duas cartas ao CC, em que considera que «os bolcheviques devem tomar o poder», notando que «a maioria da população é a nosso favor».No dia 7 de Outubro, regressa clandestinamente a Petrogrado. Três dias depois o Comité Central toma a histórica decisão de tomar o poder. Nada será capaz de impedir a vitória da insurreição de 25 de Outubro (7 de Novembro). Lénine comanda as operações a partir do Smólni e torna-se o chefe do governo do primeiro Estado socialista do mundo.


Consciente das duras e longas batalhas que tinha pela frente com os inimigos da nova sociedade, escreve, em 1919, na «Saudação aos Operários Húngaros»: «A supressão das classes é o resultado de uma luta de classes longa, difícil e obstinada, que não desaparece (…) depois do derrubamento do poder do capital, depois da destruição do Estado burguês, depois da implantação da ditadura do proletariado, mas apenas muda de forma, tornando-se em muitos aspectos ainda mais encarniçada.» A subestimação e negação desta tese leninista fundamental viria a ter consequências trágicas para a gloriosa caminhada socialista da humanidade.


A época do capital financeiro


No seu ensaio O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, escrito na Primavera de 1916, Lénine conclui que a desigualdade do desenvolvimento e as contradições do capitalismo se agudizam, intensifica-se a luta por mercados e por fontes de matérias-primas, o que torna inevitáveis as guerras imperialistas periódicas.


Mais tarde, em 1919, no «Projecto de programa do PCR(b)», formula a seguinte definição que poderia ter sido escrita hoje: «O imperialismo, ou a época do capital financeiro, é a economia capitalista altamente desenvolvida, em que as associações monopolistas capitalistas – sindicatos, cartéis, trusts – adquiriram uma importância decisiva, o capital bancário imensamente concentrado fundiu-se com a indústria, a exportação de capitais para terceiros países atingiu proporções enormes, o mundo inteiro está já territorialmente dividido entre os países mais ricos e começou a partilha económica do mundo entre os trusts transnacionais».


Em A Catástrofe Que Nos Ameaça e Como Combatê-la (1917), sublinhando que o imperialismo é o capitalismo amadurecido, onde os monopólios se fundem com o aparelho de Estado, Lénine conclui que «o capitalismo monopolista de Estado é a mais completa preparação material do socialismo, é a sua antecâmara, é o degrau da escada da história entre o qual e o degrau chamado socialismo não há nenhum degrau intermédio».Porém, daqui não decorre que o capitalismo se extinguirá por si mesmo, mas tão só que «o imperialismo é a véspera da revolução social do proletariado», e esta a única forma de o derrubar.


Já em 1915, no artigo «Sobre a palavra de ordem dos Estados Unidos da Europa» – onde salienta que «os Estados Unidos da Europa, sob o capitalismo, ou são impossíveis ou são reaccionários» – Lénine tinha observado que a extrema desigualdade do desenvolvimento do capitalismo tornava «possível a vitória do socialismo primeiramente em poucos países ou mesmo num só país capitalista tomado em separado». Em contrapartida, ela seria impossível de ocorrer simultaneamente em todos os países, como era voz corrente entre os marxistas da época.


Esta nova teoria abriu uma perspectiva revolucionária aos proletários de todo o mundo e foi decisiva para a concretização da primeira revolução socialista da história.


O construtor da Internacional Comunista


Logo à sua chegada à Rússia, em 1917, Lénine colocou nas «Teses de Abril» como tarefa do partido, a constituição de uma «Internacional revolucionária» liberta do oportunismo.


A II Internacional fora fundada em 1889, ainda em vida de Engels, que proferiu o discurso de encerramento do seu II Congresso, em 1893. Até à sua falência ignominiosa, em 1914, conviviam no seu seio tendências tão distintas como fabianos e bolcheviques.Porém, se a eclosão da guerra levou à desagregação da II Internacional – já que os partidos que a constituíam, à excepção dos bolcheviques, votaram os créditos de guerra e apoiaram os respectivos governos, tornando-se assim inimigos de facto no conflito imperialista – a vitória da Revolução de Outubro colocou claramente em lados opostos as tendências oportunistas e o proletariado revolucionário.


Já em 1914, Lénine escrevera: «A II Internacional morreu, vencida pelo oportunismo. Abaixo o oportunismo e viva a III Internacional limpa (…) do oportunismo!»


Em 1917, insistiu na necessidade de fundar, «sem perda de tempo, uma nova Internacional revolucionária, proletária», composta por «verdadeiros internacionalistas». E pouco importava que fossem poucos: «A questão não está no número, mas na exposição correcta das ideias e da política do proletariado verdadeiramente revolucionário».


Para Lénine essa ruptura com o oportunismo implicava a rejeição da própria denominação do partido: «Em lugar de “social-democrata”, cujos chefes oficias traíram o socialismo no mundo inteiro, passando para o lado da burguesia (…) devemos denominar-nos Partido Comunista.» Esta viria a ser uma das 21 condições de admissão na III Internacional.


No rescaldo da guerra desvastadora e na senda da estupenda vitória dos operários russos, a Europa é abalada por uma vaga revolucionária sem precedentes. No final de 1918, o kaiser é derrubado, a revolução propaga-se à Áustria, à Hungria, que é proclamada república dos sovietes, por toda a Europa a burguesia treme ante o movimento operário e o surgimento dos partidos comunistas, na maioria dos casos na sequência de cisões nos antigos partidos sociais-democratas e socialistas.


O proletariado de vários continentes unia-se crescentemente sob a bandeira do leninismo, o que tornou a Internacional Comunista uma realidade ainda antes do seu congresso fundador, que decorreu em Moscovo, entre 2 e 6 de Março de 1919, e aprovou um manifesto apelando à luta pela ditadura do proletariado e pela vitória dos sovietes em todos os países.


No seu relatório, invectivando aqueles que atacavam a Rússia dos Sovietes dizendo-se adeptos da democracia, Lénine sublinhou que «em nenhum país capitalista existe “a democracia em geral”, existe apenas a democracia burguesa», onde as massas, «mesmo nas repúblicas mais democráticas, sendo iguais em direitos perante a lei», são «de facto afastadas, por mil processos e subterfúgios, da participação na vida política e gozo dos direitos e liberdades democráticas».


O II Congresso do Komintern, realizado em 1920, aprovou as «21 condições de admissão na Internacional Comunista», que estipulavam, entre outros, a ruptura com o reformismo, a adopção do centralismo democrático, a revisão da composição dos grupos parlamentares, a subordinação da imprensa partidária aos órgãos dirigentes, a depuração periódica dos elementos pequeno-burgueses, uma actividade consistente nas organizações de massas, o apoio aos movimentos de libertação nacional.


O III Congresso do Komintern, realizado em 1921, foi o último em que Lénine participou. No ano seguinte, a doença atinge irremediavelmente a saúde do líder do proletariado mundial.


O último ano


Gravemente debilitado pela doença que o atingiu em 1922 – quando ainda sofria as sequelas do atentado de que fora vítima em 1918, organizado pelos socialistas-revolucionários – Lénine continua a trabalhar, contribuindo com uma série de importantes artigos sobre a organização do aparelho do Estado e do partido, a questão das nacionalidades e construção da sociedade e da economia socialista, apontando a cooperação como «o caminho mais simples, fácil e acessível para o camponês».


Padecendo de aterosclerose cerebral, Lénine sofreu o primeiro enfarte em 5 de Maio de 1922, do qual recupera retomando a actividade. Em Novembro desse ano, fazendo o balanço dos cinco anos do poder soviético, assinalou os esforços para que «a Rússia da NEP se torne a Rússia Socialista». Esta seria a sua última intervenção em público.


Em Dezembro, a doença faz nova arremetida, seguindo-se uma terceira, em 9 de Março de 1923, da qual o líder já não se recompõe.


No dia 21 de Janeiro de 1924, na aldeia de Górki, nos arredores de Moscovo, falece Vladímir Ilitch Lénine, quando não tinha ainda completado 54 anos. A sua morte é recebida com profunda dor pelos trabalhadores do mundo inteiro. No dia do funeral, o proletariado internacional declarou uma paragem de cinco minutos no trabalho.


Na URSS, a circulação ferroviária é interrompida, fábricas e empresas suspendem a laboração, milhões choram o desaparecimento do líder, prestando homenagem ao fundador do partido bolchevique e principal obreiro da revolução socialista que abriu portas à construção da sociedade nova sem exploradores nem explorados.


Uliánovsk: um nome caro à população


A quando da destruição da URSS, as forças da burguesia instaladas no poder tentaram por várias vezes apagar o apelido de Lénine da sua cidade natal, à semelhança do que tinham já feito noutros locais, designadamente em Leningrado, o berço da Revolução de Outubro, que, logo em Setembro de 1991, voltou a ser como antigamente São Petersburgo.


Em Março de 2008, o edil de Uliánovsk, Serguei Ermakov, a pretexto do 360.º aniversário da fundação da cidade, apresentou a proposta de restaurar a denominação de Simbirsk, cuja origem ninguém conhece ao certo, embora alguns a identifiquem com Sinbirsk, nome ainda mais antigo da cidade que coincide com o do príncipe dos Búlgaros do Volga, tribo que habitou aquelas regiões até meados do século X.


Fingindo-se grande defensor dos valores culturais históricos, Ermakov afirmou que «nos anos 90, a vontade política, a coragem e iniciativa dos cidadãos do nosso país permitiram devolver à cultura nacional os nomes históricos das cidades». E lamentando que a população de Uliánovsk se tivesse mantido, na altura, «à margem do processo», insistiu que era tempo de «devolver à cidade o seu nome tradicional».


Consciente, por inquéritos anteriormente realizados, de que a população estaria maioritariamente contra a iniciativa, o edil declarou num primeiro momento que a alteração podia efectuar-se sem necessidade de referendo, caso fosse essa a «vontade» dos órgãos locais.


Só que a imprensa começou a falar do assunto, os ânimos exaltaram-se e uma sondagem realizada em Abril apresentou resultados arrasadores para os planos restauracionistas. À pergunta «como votaria se o referendo se realizasse no próximo domingo?», 62 por cento dos inquiridos responderam «Não», 27 por cento, «Sim», cinco por cento, «Não sei» e outros cinco por cento, «Não irei votar».


Note-se que neste estudo a percentagem de defensores do nome de Uliánovsk aumentou sensivelmente em relação a outra sondagem realizada em 2005, quando 54 por cento se manifestaram contra a sua alteração e 22 por cento a favor.


Como fonte principal deste trabalho foi utilizada a História do Partido Comunista da URSS (1938), disponível em www.hist-socialismo.net, onde se encontram referenciadas grande parte das citações de V.I. Lénine.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

VIVA O 25 DE ABRIL, DIA DA LIBERDADE!!!


VIVA O 25 DE ABRIL, DIA DA LIBERDADE!!!


Em fevereiro/1961: inicia-se a insurreição do povo de Angola, sob a direção do MPLA.

Em dezembro/1961: " O maior facínora Portugues de Sempre"- Salazar , é derrotado em GOA, DAMÃO e DIU. Onde bastou um simples "grito" das tropas Indianas, para os prepostos Salazaristas covardes e amendrontados se retirarem apressadamente desses territórios , com o "rabinho entre as pernas".

Em janeiro/1963: O PAIGC inicia a luta armada na Guiné.

Em setembro/1964: A FRELIMO inicia a luta armada em Moçambique.

Pretendendo retardar o irreversível movimento de libertação nacional em África. A besta-fera fascista lança Portugal nas criminosas guerras coloniais.


Durante 13 anos, jovens Portugueses ficam com a vida interrompida por longos anos de guerra colonial. Mais de 10.000 jovens perdem a vida. Outros 30.000 ficam mutilados ou feridos. A dor e o luto enchem os lares portugueses. Este delirio de "grandeza" fascista arruina ainda mais Portugal.


O Governo do facínora fascista não tinha condições de manter dominação sobre vastos territórios e prosseguir em sua criminosa guerra colonial, se não fosse o apoio das grandes potências da OTAN(NATO). Países esses a qual o governo fascista Portugues era completamente dependente e servil.


O demônio de Sta Comba-Salazar, paga o apoio dos países aos quais está subordinado, com novos e cada vez maiores concessões ao capital estrangeiro.

As guerras coloniais desencadeiam uma grande onde de lutas no País. O RI de Évora, BC5, RE2, RI17, RI nos Açores, EPE, os soldados protestam e lutam contra o embarque para Àfrica. Há manifestações e lutas no cais de embarque. É uma nova frente de luta contra a ditadura fascista que se abre: a luta nas forças armadas. Que mais tarde irá derrubar a podre e corrupta ditadura Salazarista.


O inicio da luta armada nas colônias marcam a derrocada do regime criminoso fascista. As contradições internas agudizam-se, na ânsia da procura de uma saída para o descalabro. A situação econômica degrada-se dia a dia. "Aguentar, aguentar" é a palavra de ordem proferida pelo senil e criminoso Salazar, que intensifica a repressão dentro do país. Milhares são presos e alguns assassinados, outros exilados, a diáspora é desencadeada por opressão política,econômica e social. Mas o regime fascista abalado e podre jamais conseguirá recompor-se.

O amanhecer do dia 25 de abril de 1974, foi glorioso e lindo. A malta de criminosos e ladrões fascistas que levaram o terror, o exílio, a falta de esperança e a morte ao grande povo Português, estavam presos ou em fuga. O regime fascista aquela altura era como um cadáver putrefato e insepulto e foi enterrado neste dia em cova profunda, para abafar o fedor pestilento e insuportável do fascismo Portugues.


Hoje em dia, certos Portugueses, tentam desenterrar este cadáver pestilento do facínora Salazar. Mas não vão conseguir. Sua alma arde no inferno e lá como aqui, não passa de um diabo de quinta categoria que jamais conseguirá reencarnar novamente.

VIVA O 25 DE ABRIL, DIA DA LIBERDADE!!!

PARA QUE OS PORTUGUESES E PORTUGUESAS NÃO TENHAM MEMÓRIA CURTA E AS VELHAS E NOVAS GERAÇÕES SE RECONHEÇAM NESTE GRANDE DIA DE LIBERDADE!!!

25 DE ABRIL SEMPRE!!!

Carlos Alberto Coutinho do Rêgo (Beto)

Blogueira Cubana Yoani Sánchez






Blogueira Cubana Yoani Sánchez
Uma das faces da
contra-revolução Cubana.





É uma longa entrevista desmascarando a "blogueira mercenária" contra-revolucionária cubana - Yoani Sánchez. É realmente imperdível.



DESMASCARANDO A BLOGUEIRA CUBANA ( veja entrevista da mercenária cubana) em português em :

http://www.odiario.info/b2-img/ENTREVISTAYOANISANCHEZ_POR.pdf

Em espanhol em :

http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/04/15/ciberbestiario-hay-fuertes-relaciones-entre-cuba-y-eeuu-se-juega-al-beisbol-en-ambos-paises/



O MAFARRICO

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Defender a Revolução Cubana é uma questão de princípio




A MÃO ESQUERDA DA DIREITA

Defender a Revolução Cubana é uma questão de princípio

(Nota Política do PCB)


Encontra-se na página eletrônica do PSTU uma nota assinada pela autodenominada LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional), sob o título “A morte de Orlando Zapata e as liberdades em Cuba”.

Esta “liga” é a mesma que ajudou a burguesia venezuelana a dizer não, no referendo constitucional convocado por Chávez, em 2008, e que recomendou abstenção no referendo revogatório convocado pelo Presidente boliviano, em 2009, sob a consigna “nem Evo nem oligarquia”, fazendo o jogo dos separatistas de Santa Cruz de la Sierra, que agem sob o financiamento e as ordens da embaixada norte-americana, da USAID e da CIA.

No exato momento em que a mídia hegemônica mundial promove uma torpe e cínica campanha contra Cuba, esta “internacional” de fachada objetivamente se associa ao imperialismo para combater a Revolução Socialista Cubana, que vem de completar históricos 50 anos de avanços políticos e sociais e de resistência ao cruel bloqueio que lhe movem os Estados Unidos.

Apesar da débâcle da União Soviética e das demais experiências de construção do socialismo no Leste Europeu, apesar do bloqueio e das incontáveis provocações que lhe move o imperialismo, Cuba mantém a mais efetiva democracia popular direta do mundo e conquistas sociais inimagináveis em qualquer país capitalista. Não existe nenhum país mais solidário e internacionalista do que Cuba, que forma estudantes do mundo todo e mantém em muitos países periféricos, sobretudo na América Latina, profissionais das áreas da saúde da família e da educação, com destaque para a luta contra o analfabetismo, já erradicado na Bolívia e na Venezuela.

A LIT-QI usa contra Cuba uma linguagem de esquerda que, aos menos avisados, pode soar como revolucionária. Por isso, seus pronunciamentos são funcionais ao imperialismo, para tentar passar ao mundo a impressão de que o governo cubano está isolado, ou seja, não é só a direita que o combate.

Num malabarismo teórico desonesto, a nota afirma que em Cuba há uma “ditadura capitalista” que precisa ser derrubada em aliança com a burguesia cubana de Miami! Compara o regime cubano com as ditaduras militares que marcaram o Cone Sul nos anos 1960/1980. A má-fé e a manipulação ficam evidentes quando agora defendem como correta a política de frente democrática contra aquelas ditaduras, política que combatiam ferozmente à época.

Pode ser até compreensível a associação de grupos como este, na Polônia nos anos 80, ao “Solidarinosc” e a seu líder, Lech Walesa, mesmo sendo flagrante a direção da CIA e do Vaticano. Em função dos erros na construção do socialismo, ali havia um movimento de massas dissidente, com peso na classe operária. Mas em Cuba, a “dissidência” é dirigida por organizações burguesas, financiadas pelos Estados Unidos, inclusive as que são mencionadas no texto da autoproclamada internacional, que não tem qualquer peso político naquele país. A única alternativa ao atual sistema cubano é o imperialismo, através da burguesia de Miami.

Este tipo de orientação só se presta a fomentar em alguns países o surgimento de organizações pequeno-burguesa, messiânicas e sectárias. Como seitas, se reivindicam vocacionados para dirigir as massas e a revolução socialista. Quando não os dirigem, consideram que todos os movimentos ou processos de mudanças vivem “crise de direção”.

No momento em que o imperialismo, em função da crise de seu sistema, assume uma agressividade inaudita nas últimas décadas, não conciliaremos com essas posições pequeno-burguesas. Classificar a Revolução Cubana de “ditadura capitalista” é fazer o jogo da contra-revolução.


Por isso, o PCB terá imensas dificuldades em se relacionar com organizações políticas que venham a defender em nosso país orientações deste tipo. Mesmo que subjetivamente se percebam revolucionários, estes grupos objetivamente fazem o jogo do imperialismo, funcionando como a sua mão esquerda. O deputado Jair Bolsonaro, líder da ultradireita brasileira, também está divulgando um manifesto com a mesma linha política: “irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que, em Cuba, lutam por liberdade e democracia naquele país”.

A posição que o Comitê Central do PCB aqui expõe não tem qualquer sentido antitrotskista, só porque aquela liga se reivindica, arrogantemente, a única referência mundial contemporânea do legado de Trotsky. A grande maioria das organizações e personalidades que têm a mesma referência teórica, no Brasil e no mundo, combatem veementemente as posições internacionais deste grupo, que só trazem prejuízos à luta do proletariado.

O PCB, que assume todos os seus 88 anos de vida, já superou o maniqueísmo reducionista, procurando fazer, nos dias de hoje, um balanço do socialismo com base nos fundamentos teóricos que nos legaram Marx, Engels, Lênin e outros intelectuais orgânicos e não em torno de culto a personalidades, sejam quais forem.

O PCB fica com Cuba e o socialismo!
O PCB fica contra o imperialismo!

PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central – abril de 2010


original em : http://www.pcb.org.br/



segunda-feira, 19 de abril de 2010

Por uma frente de organizações políticas e movimentos populares anticapitalista e anti-imperialista!



Por uma frente de organizações políticas e movimentos populares anticapitalista e anti-imperialista!


(Nota Política do PCB)


Aos companheiros do MST:


Saudamos a Direção Nacional do MST pela recente divulgação do documento que abaixo reproduzimos (“O momento exige unidade”), defendendo a necessidade de união dos trabalhadores brasileiros contra o capitalismo e o imperialismo, em oposição aos dois projetos que, nas eleições de 2010, disputam apenas a gestão do sistema.

Realmente, há uma grande unidade na burguesia brasileira em torno do projeto de inserção do capitalismo brasileiro no sistema imperialista, como uma grande potência. Na verdade, as duas alternativas político-eleitorais da ordem correspondem a uma divisão nas oligarquias em função de interesses específicos e não de razões de natureza política ou ideológica. Para alguns setores oligárquicos brasileiros, capitaneados pelo PSDB, interessa um maior alinhamento político e econômico com os Estados Unidos; para outros, liderados pelo PT, interessa uma integração competitiva no âmbito das contradições interimperialistas, com um moderado grau de independência que não extrapole os interesses gerais do capital e que não afronte os Estados Unidos.

Esses dois setores burgueses recorrem, em graus diferenciados, a estímulos ao consumo das camadas médias pela via do crédito, da renúncia fiscal, das benesses de bancos públicos e algumas políticas compensatórias para as camadas mais pobres, tentando vender a idéia de que vivemos tempos de progresso.

A disputa entre estes dois blocos não coloca em jogo a natureza do Estado que, em diferentes momentos, muda de forma para melhor servir aos interesses do capital. No Brasil, o Estado já teve maior presença, como nos anos 70, na produção direta, no planejamento econômico ou na regulação da economia; já contou com um grande aparato previdenciário e redes de serviços públicos de porte, sem que, no entanto, tenha se modificado o padrão de distribuição de renda no país – altamente concentrado nas mãos da classe burguesa; e já assumiu, nos anos 90, principalmente, o seu modelo de mínima intervenção. Em todos os casos, os beneficiados foram os detentores das grandes propriedades e do grande capital financeiro e industrial.

Os companheiros do MST têm razão quando apontam para o fato de que a crise econômica levou à desmoralização da tese de que o mercado, por si só, seria capaz de regular a economia e prover melhores condições de vida para todos. Ao contrário, os Estados injetaram trilhões de dólares para salvar empresas industriais, bancos, seguradoras, desmistificando, na prática, o discurso liberal.

A crise, pela sua natureza sistêmica, colocou também a nu os limites do próprio capitalismo, que por sua própria dinâmica concentradora da riqueza produzida pelos trabalhadores, jamais promoverá um mundo igualitário. Esta é uma crise de superprodução e superacumulação e tudo leva a crer que ainda não produziu plenamente todos os efeitos econômicos e sociais, podendo estar na ordem do dia uma segunda onda da crise, possivelmente tão grave quanto a primeira.

O Brasil, com seus imensos contrastes, com camadas médias numerosas, com uma burguesia integrada ao capitalismo internacional, apresenta todos os elementos de um capitalismo desenvolvido, como o caráter monopolista na produção e a predominância das relações capitalistas desenvolvidas em todos os setores da economia e da organização social.

O enfrentamento deste quadro exige a formulação de um projeto popular de desenvolvimento para o Brasil, como diz o MST. Entendemos que este projeto passa pela formação de uma grande frente de partidos e forças políticas e sociais que seja capaz de apresentar uma proposta anticapitalista e anti-imperialista, não apenas para a disputa das eleições – apesar de representarem um espaço importante de disputa política e ideológica - mas que siga adiante, organizando os trabalhadores nas lutas para a defesa de seus direitos, para novas conquistas e para a construção revolucionária do Socialismo.

Precisamos mudar a natureza do poder político e da presença do Estado na economia e nas áreas sociais: um Estado de novo tipo, sob controle dos trabalhadores. Precisamos lutar pela hegemonia das idéias socialistas e comunistas.

O PCB está de acordo com a proposta de um amplo debate sobre a natureza e o conteúdo desse projeto popular e também lutará para construir a unidade política com todas as forças do campo antagônico ao capital e ao imperialismo.

Concordamos com as bandeiras apresentadas ao debate pelo MST, que são justas e oportunas, apesar da ressalva com relação à proposta apresentada como “pré-sal sob controle dos trabalhadores” que, ao nosso juízo, não leva em conta a necessidade de luta pelo conjunto das riquezas petrolíferas brasileiras, inclusive as anteriores ao pré-sal, muitas delas já leiloadas pela famigerada ANP.

Para esta questão central hoje em nosso país, defendemos outra formulação:

· Reestatização da Petrobras, sob controle dos trabalhadores; monopólio estatal do petróleo; fim da ANP e dos leilões, com a retomada das áreas leiloadas às multinacionais; busca de uma matriz energética menos poluente.

Temos acordo com relação a todas demais bandeiras desfraldadas pelo MST, apenas chamando a atenção para sempre acrescentarmos a expressão “sem redução salarial” após a formulação “redução da jornada de trabalho”.

Como contribuição ao início deste importante debate, apresentamos as seguintes outras bandeiras:

-Estatização das grandes empresas, de instalações de infraestrutura produtivas e do sistema financeiro;
-Instauração de instâncias de Poder Popular;
-Universalização do acesso aos sistemas de saúde e de educação públicas, gratuitas e de alta qualidade;
-Pela retirada da 4ª Frota e das bases norte-americanas da América Latina e Caribe. Pela integração solidária da América Latina, na perspectiva das mudanças sociais;
-Fora qualquer base imperialista no Brasil;
-Fora as tropas brasileiras do Haiti;
-Solidariedade irrestrita à Revolução Socialista Cubana;
-Fim da agressão imperialista ao Afeganistão e ao Iraque e das ameaças ao Irã e outros países;
-Apoio à construção do Estado Palestino democrático, popular e laico, sobre o solo pátrio palestino;
-Democratização dos meios de comunicação;
-Abertura imediata de todos os arquivos da ditadura e criação de uma efetiva Comissão de Verdade.



PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
abril de 2010



Nota do MST (na íntegra):

O momento exige unidade

Número: 301 / Mar. 2010


ESTAMOS EM ANO marcado pelo calendário da disputa eleitoral, tendo em vista que as disputas do Executivo e Legislativo serão de grande importância para o futuro do Brasil, em especial a disputa pela Presidência da República.

A grave crise econômica pôs fim à tese de que o mercado daria conta de regular a economia, nas suas mais diferentes áreas — serviços, investimentos, organização do mundo do trabalho e comércio internacional. A era neoliberal pregava que no mundo moderno não haveria mais necessidade do Estado. A confluência de várias crises mostrou em 2009 que o Estado continuapresente e importante.


Alguns intelectuais avaliam que ainda estamos vivendo um período de crise, mesmo porque além da economia, também houve uma grave crise na produção e distribuição de alimentos, o que fez aumentar o número de famintos no mundo. Segundo a ONU, temos mais de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas que passam fome todos os dias.

Também estamos vendo as catástrofes “naturais”, produzidas pelos vários problemas ambientais e pelo aquecimento global, que deixam um rastro de destruição em todos os continentes, mostrando que a crise ambiental que vivemos pode trazer problemas profundos para humanidade. As tentativas feitas até o momento no marco dos governos e dos organismos internacionais não tiveram efeitos práticos.

Diante desse quadro de crises internacionais, o Brasil assumiu um papel de liderança importante no mundo, tanto pela referência e história do presidente Lula, como pela capacidade em sair da crise com menos problemas que outros países. Na América Latina o governo brasileiro tem liderado um processo de integração que, na prática, é a internacionalização do PAC, financiado com recursos do BNDES e consolidando relações comercias entre o Mercosul e outros blocos econômicos, com os chamados “Bric” (Brasil, Rússia, Índia e China).

Diante de todos esses elementos, as eleições de 2010 se transformaram em uma grande disputa entre os projetos em desenvolvimento, tanto pelo setor mais à direita, como os Estados Unidos e os tucanos, ou a continuidade da era Lula, governo de centro e com uma proposta de desenvolvimento em aliança com o grande capital privado. Daí a necessidade de conseguirmos pautar um projeto popular.

Projetos em disputa


O Brasil, com a conjuntura econômica de crescimento e com essa referência política, será disputado em todas as áreas. A burguesia já tem o seu programa mínimo pronto e suas prioridades são:

• Ter o controle dos recursos naturais, como minérios, petróleo /pré-sal, as águas e a expansão da fronteira agrícola para a Amazônia legal.• Manutenção da política econômica.• Consolidar as parcerias público-privadas nos vários projetos do PAC.• Manutenção e fortalecimento do modelo agrícola, com aumento do financiamento do Estado, com mais subsídios ao agronegócio.• A militarização e criminalização permanente dos pobres e dos movimentos sociais que se propõem a fazer lutas.

Diante desse quadro, cabe a nós dos movimentos sociais apresentar para a sociedade e para nossos militantes quais os temas e as bandeiras históricas da classe trabalhadora, conquistas que não abrimos mão, e fazer um amplo debate com toda nossa base, combinado com mobilizações, plenárias e jornadas de lutas. Sabemos das dificuldades organizativas e da falta de unidade que temos nesse momento da conjuntura entre as várias forças de esquerda, no entanto já temos acúmulos sobre vários temas e unidade em algumas bandeiras de lutas que são importantes e que precisamos colocar no debate:

• Redução da jornada de trabalho.• Atualização dos índices de produtividade.• Pré-sal sob controle do povo brasileiro.• Reforma Agrária.• Contra o uso de agrotóxicos.• Contra a criminalização dos pobres e dos movimentos sociais.

Essas bandeiras dialogam diretamente com os problemas sociais de nosso povo. Estão dentro de uma estratégia de política de ir acumulando forças dentro de uma perspectiva de um novo projeto popular de desenvolvimento para o Brasil. É importante que aproveitemos o primeiro semestre para fazer um amplo debate sobre a natureza desse projeto e construir unidade política com todas as forças do campo socialista.

DIREÇÃO NACIONAL DO MST


Texto original recebido por e-mail de "Secretaria Geral - PCB" secretariageral.pcb@gmail.com

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Haiti - os números não mentem.......



HAITI - OS NÚMEROS FALAM POR SI.....................................

sexta-feira, 9 de abril de 2010

FORA QUALQUER BASE NORTE-AMERICANA NO BRASIL



FORA QUALQUER BASE NORTE-AMERICANA NO BRASIL

(Nota Política do PCB)



O Partido Comunista Brasileiro manifesta sua preocupação e, ao mesmo tempo, seu repúdio veemente às negociações entabuladas pelo governo Lula com o governo dos Estados Unidos, visando instalar uma base militar de inteligência no Brasil, possivelmente no Rio de Janeiro e/ou na região da Tríplice Fronteira. Seu pretexto oficial seria o de auxiliar a vigilância e o combate ao tráfico de drogas e ao “terrorismo” no Atlântico Sul.

Porém, uma série de fatores nos leva a crer que a base não visa apenas atingir os fins oficialmente propostos. Em primeiro lugar, porque se tornou comum os Estados Unidos tentarem encobrir a intervenção em outros países para defenderem os seus interesses, com a desculpa de combater o tráfico de drogas e o chamado terrorismo, conceito em que incluem a insurgência e a autodefesa dos povos.

Outro motivo para a instalação de uma base militar em território brasileiro - fato só ocorrido na 2ª Guerra Mundial, quando os Estados Unidos instalaram uma base aérea em Natal para abastecimento e envio de tropas que combatiam o perigo nazi-fascista - se insere na lógica norte-americana de aumentar a militarização crescente da América Latina, como forma de criminalizar e combater as lutas populares.

Nos últimos anos, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar na América Latina, através da expansão de suas instalações militares em países limítrofes à Venezuela, cercando este país com bases na Colômbia, Curaçao e Antilhas Holandesas.

Coerente com sua política de militarização da América Latina, como forma de frear as lutas populares e de olho grande nos imensos recursos naturais da região, os Estados Unidos reativaram recentemente a sua IV Frota Naval, desativada desde a década de 1950.

Por fim, será muita “coincidência” a possível instalação de uma base ianque no Rio de Janeiro, Estado em cuja plataforma marítima se localizam as maiores reservas brasileiras de petróleo, inclusive as do pré-sal. Sabe-se muito bem que as intervenções militares norte-americanas têm sido motivadas, em muitos casos, pela tentativa de controlar as reservas de petróleo (de que os Estados Unidos são os maiores consumidores e dependentes), cujos estoques são cada vez mais escassos.

Pelas razões expostas, o Partido Comunista Brasileiro exige a suspensão imediata dessa negociação. O governo brasileiro não pode ceder qualquer milímetro do território nacional, sobretudo a uma potência imperialista que, para defender seus interesses, se comporta como a polícia do mundo, julgando-se no direito de invadir países, derrubar seus governos e expropriar suas riquezas naturais.

O PCB conclama o conjunto das forças e personalidades anti-imperialistas brasileiras a se somarem num expressivo repúdio a esta vergonhosa negociação.


Rio de Janeiro, 9 de abril de 2010


PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central


Obs.: No momento em que fechávamos a edição desta Nota Política, começam a chegar notícias de que as negociações se concluíram e que o acordo será assinado na próxima semana, talvez já nesta segunda-feira, em Washington, entre o indefectível Ministro de Defesa de Lula, Nelson Jobim (cada vez mais forte no governo), e o Secretário de Defesa de Obama, Robert Gates.
Estamos apurando essas notícias. Caso sejam verdadeiras, voltaremos a nos pronunciar brevemente sobre o tema.


Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB
texto recebido por e-mail diretamente de "Secretaria Geral - PCB" secretariageral.pcb@gmail.com

A desumana invasão militar imperialista no Iraque















A desumana invasão militar imperialista no Iraque

As cenas são chocantes e demonstram a desumanidade da invasão militar imperialista no Iraque. Os diálogos gravados entre pilotos e sua base são repugnantes, com vários momentos de gracejos. Depois de atirar em um grupo desarmado, assassinam outro que chegava em uma van para levar um iraquiano que rastejava. Neste veículo estavam duas crianças que foram feridas.
É nosso dever divulgar para muitos mais esta ação da barbárie imperialista.

O filme está em:

http://collateralmu rder.com/

e-mail com atalho para o site e texto enviado à Eskuerra por "Charles Moreira" charlesmor@gmail.com