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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Tragédia no Mediterrâneo - UE quer as riquezas de África, mas não quer as pessoas

Tragédia no Mediterrâneo
por Albano Nunes
"UE quer as riquezas de África, mas não quer as pessoas"

"Na União Europeia a classe dirigente agitou-se, fez minutos de silêncio e exibiu falsos sentimentos de compaixão, prometeu medidas que contribuíssem decisivamente para que semelhantes tragédias terminassem. Mas o que fez foi precisamente o contrário. Reforçou a «Europa fortaleza», dificultou ainda mais a emigração legal e a concessão do estatuto de refugiado, introduziu critérios seletivos à emigração de acordo com o interesse das grandes empresas e alimentou a fuga de cérebros, chegou mesmo ao ponto de substituir a operação italiana Mare Nostrum com vocação para a busca e salvamento no alto mar pela operação Tritão com menos meios e exclusivamente orientada para a vigilância das fronteiras da UE. "

Depois da tragédia de Lampedusa que em Setembro de 2013 sobressaltou o mundo, um naufrágio de ainda maiores proporções vitimou em 19 de Abril último cerca de 900 homens, mulheres e crianças que fugiam da guerra, da opressão e da miséria em busca de um refúgio seguro. Entre estas duas tragédias muitas outras ceifaram a vida a milhares de seres humanos chegados a uma Líbia destroçada pela agressão imperialista e tornada paraíso para o crime organizado, na esperança de atravessar o Mediterrâneo.

Na União Europeia a classe dirigente agitou-se, fez minutos de silêncio e exibiu falsos sentimentos de compaixão, prometeu medidas que contribuíssem decisivamente para que semelhantes tragédias terminassem. Mas o que fez foi precisamente o contrário. Reforçou a «Europa fortaleza», dificultou ainda mais a emigração legal e a concessão do estatuto de refugiado, introduziu critérios seletivos à emigração de acordo com o interesse das grandes empresas e alimentou a fuga de cérebros, chegou mesmo ao ponto de substituir a operação italiana Mare Nostrum com vocação para a busca e salvamento no alto mar pela operação Tritão com menos meios e exclusivamente orientada para a vigilância das fronteiras da UE. 

Basta consultar no site do PCP as múltiplas posições adotadas pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu para ver como é reacionária e desumana a política de emigração da UE, aliás cada vez mais influenciada pelo crescimento de forças xenófobas, racistas e de extrema-direita que a sua própria política de exploração e opressão nacional alimenta.

Do Conselho Europeu de 24 de Abril poucos esperavam medidas positivas, mas o sentido das decisões tomadas (ou falta delas) é inquietante e diz muito da natureza injusta e desumana do capitalismo; é significativo que uma organização como a Caritas (Público de 25 de Abril) tenha afirmado que tais medidas «foram uma declaração de guerra inaceitável aos migrantes e refugiados. Esta abordagem repressiva poderá levar pessoas desesperadas a correr ainda maiores riscos». 

1.º de Maio 125 anos de luta e solidariedade internacionalista

1.º de Maio 125 anos de luta e solidariedade internacionalista
por Américo Nunes

"Provavelmente não há data histórica com mais de um século que continue a ter a mesma actualidade e a prosseguir os mesmos objectivos que estiveram na sua origem. O 1.º de Maio continua a realizar-se em todo o mundo, da Europa às Américas, da África à Ásia e à Oceânia comemora-se e luta-se no Dia Internacional do Trabalhador. Contra a repressão e a exploração capitalista, e em muitos casos prosseguindo ainda a luta pelas oito horas de trabalho diário. Em países onde nunca foram conquistadas e noutros, onde já as tiveram, e que no retrocesso civilizacional em curso lhes foram retiradas."

Em 2015 passam 125 anos desde a primeira vez em que o dia 1.º de Maio se realizou como Dia Internacional do Trabalhador, em 1890. Em homenagem aos mártires de Chicago, os Congressos Socialistas de Paris, de 1889, haviam aprovado uma resolução a declarar o 1.º de Maio do ano seguinte, «e para todo o sempre», o dia em que os trabalhadores de todo o mundo homenageavam os que caíram na luta pelas oito horas e passariam a apresentar aos poderes públicos as suas reivindicações.

Apesar da repressão sangrenta de que foram alvo por parte das autoridades durante as greves pela redução do horário de trabalho iniciadas no dia 1 de Maio de 1886, os 8hX8hX8h, 48 horas semanais de trabalho, oito por dia, mais oito para estudo e lazer e oito para dormir, este horário foi desde logo conquistado por 200 mil operários norte-americanos. Dez anos depois o horário de 48 horas semanais já constava das leis em 40 estados dos EUA.

Baseado numa armadilha da polícia, que colocara ela própria uma bomba debaixo do palco dum comício, um tribunal condenou oito dos dirigentes operários. Quatro foram enforcados, um quinto suicidou-se antes de o ser, e os restantes três – condenados a prisão perpétua –, foram libertados em 1893, quando, a culminar sete anos de protestos e solidariedade do operariado mundial, um governador concluiu que todos os condenados eram inocentes.

O operariado português foi dos que inscreveu o nome de Portugal entre os países que realizaram o primeiro de Maio em 1890.

A luta pelo objectivo das oito horas alastrou a todo o mundo. Depois dos decretos da Paz e da Terra, a grande Revolução Russa de 1917 publicou o decreto das oito horas de trabalho diário, e o 1.º de Maio veio a ser declarado dia feriado.

Temos primeiros de Maio que ficarão para a história da luta dos trabalhadores e mesmo para a história de Portugal.

Foi após a participação combativa do operariado de Lisboa em defesa da República, na escalada de Monsanto, onde a tentativa de restauração da Monarquia foi derrotada, e após um 1.º de Maio grandioso em 1919, que as 48 horas semanais para a indústria e o comércio foram consagradas na lei. 

A mesma actualidade 

Durante o fascismo, com as greves e as manifestações proibidas, o 1.º de Maio, em regra sob forte repressão policial, nunca deixou de ser celebrado, em luta pela liberdade. Em 1962, dezenas de milhares manifestaram-se em Lisboa e no Porto, ao mesmo tempo que nos campos do Ribatejo e Alentejo alastrou a partir desse dia o movimento grevístico que levou à conquista das oito horas diárias para os trabalhadores agrícolas.

O 1.º de Maio de 1974 foi um hino de alegria à liberdade e um levantamento popular de milhões de portugueses em apoio ao MFA, que transformou o golpe militar dos capitães e o levantamento militar que se lhe seguiu no processo revolucionário que realizou as conquistas de Abril.

Em 1982, o operariado do Porto defendeu o direito de manifestação na Praça da Liberdade sob a repressão sangrenta do governo da AD. Dia 30 de Abril à noite, às ordens do ministro Ângelo Correia, a polícia de intervenção disparou armas de guerra sobre os manifestantes assassinando dois operários e ferindo mais de cem. No dia seguinte, um imenso 1.º de Maio derrotou os ímpetos fascizantes da AD.

domingo, 26 de abril de 2015

Brasil : Crise capitalista, terceirização e parasitismo empresarial

Crise capitalista, terceirização e parasitismo empresarial
por Roberto Bitencourt da Silva - Diário Liberdade


"Um trabalhador barato, vulnerável, precarizado. Argumentam os representantes das entidades empresariais, como a Fiesp, que a adoção de tal lei será "boa para o país", gerando "maior produtividade". Tal lógica assume a ideia, velada, de que se o Brasil voltar ao período anterior à Revolução de 1930 incrementaria a sua economia. Se assim o for, porque não a escravidão? Empresa terceirizada, em pleno século XXI, desempenha o antigo papel consoante ao do traficante de escravos. Vive da venda de força de trabalho, de carne humana. Esse é o seu "produto", a sua "mercadoria"."

Capitalismo e a criação de valores de uso e de troca

Sem deixar de caracterizar uma propriedade peculiar à sua história, há anos o capitalismo vivencia uma aguda crise. Em razoável medida, a crise contemporânea deve-se às limitações da expansão territorial contínua, que favoreça a criação e a ampliação dos negócios. O mercado mundial tornou-se realidade nesse século. A última grande fronteira para o capital, o Leste europeu, caiu com a dissolução do bloco soviético.

Mas, a necessidade de reprodução e ampliação do capital precisa ser satisfeita, o dinheiro precisa circular e se multiplicar. Como assinala David Harvey, aquela necessidade tem sido contemplada, em várias latitudes e de maneira conturbada, via especulações financeira e imobiliária. Engenhosas formas de criação de valores artificiais, que fazem a roda dos negócios girar. Dramáticas e destrutivas, as guerras imperialistas igualmente não deixam de ajudar aos negócios, ao Estado hegemônico do capital, como sublinha Perry Anderson em sua última obra ("A política externa norte-americana e seus teóricos", Boitempo, 2015).

Contudo, o depreciado mundo da produção é também chamado a dar sua cota de contribuição. Os ganhos obtidos por meio da (super)exploração do trabalho propiciam acumulação de capital e o mundo do trabalho, é claro, também promove a formação de consumidores.

Isso posto, uma das tendências mais marcantes do capitalismo é, para usar a gramática marxista, conceder primazia ao valor de troca. Isto é, pouco importando os usos que se possam aplicar a um bem ou produto, possui relevância maior o quanto em dinheiro se pode obter.

Vale deixa legado de destruição ambiental, cultural e social em três continentes

Vale deixa legado de destruição ambiental, cultural e social em três continentes
por Marcela Belchior - Adital


"Segundo o relatório, a empresa atua em nível global para "transformar recursos naturais em catalisadores de lucros, continuamente crescentes, para os acionistas, desconsiderando os direitos e expectativas dos trabalhadores, comunidades, populações tradicionais e gerações futuras a uma vida digna”. A Associação dos Atingidos aponta na atuação da Vale uma atitude arrogante, acumulação global, sustentabilidade para os lucros e não para as pessoas, além de um legado de severa destruição ambiental, cultural e social. "
"Lucrar acima de tudo e todos, extraindo o máximo de recursos naturais, com os menores custos possíveis, a partir da desobstrução de qualquer entrave: legislação trabalhista e ambiental e direitos humanos”. É assim que a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale interpreta a atual participação da empresa multinacional brasileira, que opera nos setores de mineração, logística, energia, siderurgia e petróleo. Para denunciar esta realidade, a entidade acaba de lançar o Relatório de Insustentabilidade da Vale 2015, no qual denuncia mais de 30 casos de violações de direitos em três continentes.

Pichação em muro do parque construído pela Vale em Sechura (Peru): "A Vale não é responsabilidade social, é morte”. Foto: Justiça Global.

O conjunto de violações de direitos se acumula no Brasil, sede da Vale, e em outros oito países da América, África e Ásia, envolvendo toda a cadeia de produção da Vale em diferentes países onde a empresa opera. O lançamento do relatório acontece em consonância com Semana de Mobilização Nacional Indígena, a Jornada de Lutas pela Reforma Agrária e as mobilizações pela manutenção dos direitos trabalhistas e contra as terceirizações no país. 

sábado, 25 de abril de 2015

Não passarão

Não passarão
por Luís Carapinha


"O regime ditatorial usa como álibi a guerra civil e as ameaças à integridade do país, como se não fosse ao poder antipatriótico de Kiev e aos seus amos e patrocinadores de ambos os lados do Atlântico que coubessem as grandes responsabilidades da divisão nacional e escalada sangrenta do conflito ucraniano. Enquanto o Donbass permanece sob bloqueio econômico e financeiro – só as bombas continuam a passar –, a histeria anti-russa não dá tréguas e as forças nacionalistas pró-nazis são convertidas em heróis; não se perca também de vista o muito substancial festim privatizador e de redivisão da propriedade. "

Vive-se tempos perigosos no mundo e a Europa não é excepção. Atente-se na Grécia e na política e engrenagem da troika que prossegue com zelo felino a asfixia econômica e financeira do país, social e economicamente destroçado, preparando o terreno para um eventual cenário de ditadura directa do capital financeiro. 

Mas é na Ucrânia que o recuo antidemocrático adquire hoje níveis e proporções ainda mais dramáticos. A política de Estado de caça às bruxas é hoje ali uma realidade cada vez mais inquietante. Sob o olhar complacente das «democracias ocidentais», a Junta oligárquica saída do golpe da Maidan recorre ao terror como arma de intimidação e repressão políticas. 

Depois do odioso pacote anticomunista aprovado pelo parlamento ucraniano a 9 de Abril, prossegue a série de assassinatos de antifascistas e adversários do actual poder. Aperta-se a tarraxa não só a qualquer expressão de pensamento crítico divergente como às manifestações de descontentamento social que se vão multiplicando numa Ucrânia entregue ao receituário drástico do FMI. 

O regime ditatorial usa como álibi a guerra civil e as ameaças à integridade do país, como se não fosse ao poder antipatriótico de Kiev e aos seus amos e patrocinadores de ambos os lados do Atlântico que coubessem as grandes responsabilidades da divisão nacional e escalada sangrenta do conflito ucraniano. Enquanto o Donbass permanece sob bloqueio econômico e financeiro – só as bombas continuam a passar –, a histeria anti-russa não dá tréguas e as forças nacionalistas pró-nazis são convertidas em heróis; não se perca também de vista o muito substancial festim privatizador e de redivisão da propriedade. 

Porochenko (que ao eleitor incauto prometera deixar os «negócios» assim que assumisse a presidência) aumenta os seus activos, mas é ao capital financeiro transnacional e às multinacionais que se promete o grande quinhão da pugna em curso. Exemplo disso é o saque em perspectiva das férteis terras negras ucranianas, que se encontram na mira dos grandes interesses do agronegócio dos EUA.

Na situação traçada ressalta particularmente a campanha de ajuste de contas movida contra o PCU e os comunistas ucranianos (na sua totalidade alvo já de 400 processos judiciais de distinta natureza, entre os quais o processo principal que ainda corre visando a proibição do PCU). 

COMO FUNCIONA A DITADURA DO CONSUMO

COMO FUNCIONA A DITADURA DO CONSUMO
Eduardo Galeano
falecido neste abril de 2015, foi considerado um dos principais escritores e pensadores políticos da América Latina do último século. O uruguaio escreveu mais de 40 livros. Esta publicação é uma homenagem póstuma ao escritor.


"Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?"

A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?

A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.

A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.

O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Pela Paz, contra o fascismo e a guerra!

70.º Aniversário da Vitória sobre o nazi-fascismo
Pela Paz, contra o fascismo e a guerra!



"O fascismo é a ditadura terrorista dos círculos mais reaccionários e agressivos do capital financeiro. Hitler foi um instrumento dos monopólios alemães que alimentaram, apoiaram e lucraram com a criminosa política nazi, incluindo com a mão-de-obra escrava dos prisioneiros dos campos de concentração. Nada disto pode ser esquecido. As tentativas para apagar as responsabilidades do grande capital na hecatombe da 2.ª Guerra Mundial e esconder a natureza de classe do nazi-fascismo devem ser firmemente combatidas."

Em 2 de Maio de 1945, culminando o imparável avanço do Exército Vermelho, a bandeira da União Soviética foi hasteada no Reichtag em Berlim e poucos dias depois a Alemanha nazi assinava a sua capitulação incondicional. O dia 9 de Maio de 1945, cujo 70.º aniversário este ano comemoramos, passou a ser conhecido como o «Dia da Vitória» porque ele simboliza a vitória sobre o nazi-fascismo e o seu sinistro projecto de exploração e opressão dos povos com a instauração da «nova ordem» hitleriana e o fim da maior carnificina da História da Humanidade que foi a 2.ª Guerra Mundial.
Uma guerra em que pereceram mais de 60 milhões de pessoas na sua grande maioria civis, em que as hordas fascistas semearam o terror e praticaram os piores crimes nos territórios invadidos, em que o bombardeamento indiscriminado de centros urbanos conduziu ao massacre de populações inteiras. Nos campos de concentração nazis, de trabalho escravo para os monopólios alemães e de extermínio em massa, morreram milhões de homens, mulheres e crianças, quatro milhões dos quais em Auschwitz.

Uma guerra em que os povos dos países invadidos pelos nazis, enfrentando a mais cruel repressão e as retaliações mais brutais, resistiram corajosamente às forças de ocupação provocando-lhes pesadas baixas e em que, na frente de batalha como na organização e na acção da Resistência, os comunistas, com outros anti-fascistas, escreveram páginas de grande heroísmo.

1. 

O Partido Comunista Português comemora o 70.º Aniversário da Vitória recordando o que realmente foi e o que representou a 2.ª Guerra Mundial e a derrota do nazi-fascismo, projectando a verdade e combatendo as tentativas de reescrita e de falsificação da História, tirando ensinamentos para que jamais uma tal tragédia seja possível.

A 2.ª Guerra Mundial não foi um «acidente» histórico nem o resultado da «maldade» de um ou vários homens. Foi a «saída» encontrada pelo capital monopolista para a profunda depressão capitalista desencadeada em 1929 e visou travar o desenvolvimento da luta operária e popular e o avanço da construção do socialismo na União Soviética.

Ucrânia - Imperialismo treina nazi-fascistas

Ucrânia
Imperialismo treina nazi-fascistas

"«Os soldados da 173.ª Brigada Aerotransportada chegaram [à Ucrânia] esta semana», confirmou, sexta-feira, 17, um porta-voz do exército dos EUA, citado pela AFP, o qual revelou ainda que o contingente de adestramento vai operar durante seis meses na região de Lviv."


Cerca de 300 paraquedistas norte-americanos encontram-se já na Ucrânia em missão de instrução de 900 membros da Guarda Nacional, força paramilitar criada para acolher as milícias nazi-fascistas que funcionaram como tropa de choque no golpe de Estado de Fevereiro de 2014.

«Os soldados da 173.ª Brigada Aerotransportada chegaram [à Ucrânia] esta semana», confirmou, sexta-feira, 17, um porta-voz do exército dos EUA, citado pela AFP, o qual revelou ainda que o contingente de adestramento vai operar durante seis meses na região de Lviv.

Reagindo à chegada de mais um grupo de instrutores, que incluiu também militares britânicos e canadianos, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Moscovo advertiu que a iniciativa viola os acordos subscritos em Minsk, no passado mês de Fevereiro, nomeadamente quando o texto obriga à saída de todos os militares estrangeiros, equipamento e mercenários do território da Ucrânia.

Um responsável do gabinete diplomático do Kremlin considerou ser «óbvio que a presença de tropas norte-americanas na Ucrânia não trará a paz», e alertou que o treino de membros da Guarda Nacional pode impulsionar um novo banho de sangue no Leste do país.

A Ucrânia Está Se Libertando

A Ucrânia Está Se Libertando[N41]
por J. V. Stálin - 1 de Dezembro de 1918

"Os imperialistas austro-alemães foram os primeiros a ocupar a Ucrânia. A "Rada" e os "hétmãs" com a sua "independência nacional" não foram senão um joguete, um biombo que encobria comodamente a ocupação e sancionava formalmente a exploração da Ucrânia pelos imperialistas austro-alemães.

As infinitas humilhações e provações sofridas pela Ucrânia no tempo da ocupação austro-alemã, a destruição das organizações operárias e camponesas, a completa desorganização da indústria e das ferrovias, os enforcamentos e fuzilamentos, quem não conhece esses quadros rotineiros da Ucrânia "independente", sob a égide dos imperialistas austro-alemães?"

A Ucrânia e suas riquezas de há muito são objeto da exploração imperialista.

Antes da revolução, a Ucrânia era explorada pelos imperialistas do Ocidente, em surdina, por assim dizer, sem "operações militares". Depois de terem organizado na Ucrânia grandes empresas (carboníferas, metalúrgicas, etc.) e concentrado em suas mãos a maior parte das ações dessas empresas, os imperialistas da França, da Bélgica e da Inglaterra sugavam o sangue do povo ucraniano de maneira legal, "legítima", sem barulho.

Depois da Revolução de Outubro o quadro mudou. A Revolução de Outubro, desbaratando as fileiras do imperialismo e declarando a terra e as empresas propriedade do povo ucraniano, tirou dos imperialistas a possibilidade de exercerem a sua exploração de maneira "normal","sem barulho". O imperialismo foi assim expulso da Ucrânia.

terça-feira, 21 de abril de 2015

De onde vem o conservadorismo?

De onde vem o conservadorismo?

"A primeira incompreensão grave é que a hegemonia de uma classe social não se define, pelo menos como Gramsci pensava a questão, pela mera disputa das consciências sociais e da legitimidade, mas tem suas raízes nas relações sociais de produção e de propriedade determinantes numa certa época histórica. A hegemonia nasce da fábrica, dizia o comunista italiano. Querer reverter a direção moral de uma sociedade mantendo as relações sociais de produção e formas de propriedade inalterada é uma tarefa impossível."

"A iniciativa política e o trabalho ideológico da direita é facilitado por um mecanismo que Althusser identificava como “reconhecimento”, isto é, a ideologia só pode ser efetiva se o valor ideológico encontrar na consciência imediata algo que produza um reconhecimento e a sujeite a pessoa a determinadas práticas. Neste ponto, o funcionamento da ideologia é preciso. As relações sociais interiorizadas na forma de valores que constituem uma determinada visão de mundo são apresentadas à estes valores agora na forma do discurso ideológico."
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“Atrás da aparente beleza, estão os assassinos em massa, a abolição da dignidade, os campos de trabalho forçado, a rejeição de toda a noção de liberdade e fraternidade. (…) [O comunista] é aparentemente inofensivo, será o seu mais querido amigo, o mais sincero, o mais leal… até o dia em que ele o assassinará pelas costas.”
(O GORILA, folheto anticomunista distribuído no interior das Forças Armadas como preparação para o Golpe de 1964)
Há um certo espanto com as recentes manifestações de direita no Brasil, como se fossem algo fora do lugar e do tempo, resquícios de um tempo obscuro que se esperava superado. Por outro lado, espantam-se os que crêem que tal fenômeno é absolutamente novo – daí os epítetos tais como “nova direita”, “onda conservadora” e outros. Acreditamos que o conservadorismo que se apresenta na ação política de direita não é algo do passado que se apresenta anacronicamente no cenário de uma democracia, nem algo novo que brota do nada.

O conservadorismo sempre esteve por aqui, forte e persistente. O fato é que não foi enfrentado como deveria e nos cabe perguntar: por que?

A ameaça nuclear 65 anos depois

Actualidade do «Apelo de Estocolmo»
A ameaça nuclear 65 anos depois
por Frederico Carvalho

"As consequências de uma conflagração nuclear generalizada seriam de extrema gravidade para a sobrevivência da espécie humana no nosso planeta. Enquanto existirem armas atómicas a ameaça subsistirá"
Olhando para trás, para um tempo histórico recente, pode dizer-se que o despertar de uma consciência colectiva da responsabilidade social associada ao conhecimento científico radicou em larga medida na perspectiva da utilização militar do «fogo atómico» – chamemos-lhe assim – que se tornou real num curto espaço de tempo, com o homicídio em massa da população civil de Hiroshima e Nagasaki, dificilmente justificável no plano militar mas de grande interesse para os seus mentores, como ensaio real, «no terreno», da operacionalidade, capacidade destrutiva e efeitos colaterais dos explosivos nucleares.


Abundantes testemunhos históricos apontam no sentido de que, ainda não se tinham calado as armas da Segunda Guerra Mundial, e já as forças que dominavam as chamadas «potências ocidentais», em que o grande capital surgia em primeiro plano, preparavam o combate ideológico e o ataque militar contra o Exército Vermelho, a União Soviética e os seus aliados. Num tal quadro, à URSS não restava outra opção que não fosse a de procurar os meios que lhe permitissem garantir a sua própria sobrevivência em face da ameaça nuclear que o comportamento, político e militar, dos inimigos do campo socialista tornavam real. 

O Império vulnerável

O Império vulnerável
por Higino Polo*

"Se a China defende um concerto internacional onde os grandes países sejam co-responsáveis no planeta e a Rússia prossegue a sua laboriosa reconstrução e aspira consolidar a sua posição de grande potência, os Estados Unidos só perseguem a dominação cega, a hegemonia sobre um mundo angustiado que assiste ao agravamento de todos os perigos, à ameaça do apocalipse ecológico e de um capitalismo esclavagista que cobre de miséria, imundice, pó e exploração boa parte dos habitantes do planeta. As mais relevantes decisões estratégicas de Washington vão nos últimos anos nessa direcção e têm Pequim e Moscovo entre os seus objectivos: o desenvolvimento dos escudos antimísseis na Europa e na Ásia, as tentativas de sabotagem do projecto de Putin da «União Euro-Ásia», a exclusão da Rússia do G-8, bem como o «regresso à Ásia» para conter a pujança chinesa, como o apoio a golpes de Estado (nos últimos dois anos na Tailândia, Egipto e Ucrânia) e a ajuda militar e diplomática a rebeliões contra governos incômodos (Líbia, Síria, etc.); tudo isto sem esquecer o patrocínio de uma guerra civil ucraniana na fronteira sul da Rússia, o projecto de incorporação da Ucrânia e da Geórgia na OTAN, e a utilização de redes terroristas para os seus objectivos."

Para Washington, os dias felizes da última década do século XX, quando o poder norte-americano era inegável e desmedido em todo o planeta, não voltarão. O erro estratégico de Bush, a invasão do Iraque, lançada pelo neoconservadorismo estadunidense para iluminar o século XXI sob o seu domínio, paradoxalmente, deu lugar às primeiras fissuras francesas e alemãs e a extenuantes guerras no Médio Oriente, a que se acrescentaram a nova política de Putin que apagou assim os anos de Yeltsin com uma Rússia ajoelhada, e o cauteloso e progressivo fortalecimento chinês. 

A conjunção de umas guerras pantanosas e sujas com a revelação ao mundo que Washington espia, sequestra, tortura, prende e mata sem controlo; de uma economia capitalista de casino onde os velhos bandidos continuam a roubar às mãos cheias, e da progressiva certeza que os Estados Unidos se bem que possam iniciar guerras e incendiar regiões inteiras não podem já impor a sua vontade, fizeram o resto.

A passagem dos dias felizes ao novo mundo revelou que o império norte-americano, sempre dominante e orgulhoso, se tinha tornado vulnerável.

domingo, 19 de abril de 2015

Um cenário croata na Ucrânia

Um cenário croata na Ucrânia
por The Saker

"Há também uma razão pragmática pela qual a Rússia não pode permitir que os nazis de Kiev invadam a Novorússia: não só o ataque seguinte inevitavelmente seria dirigido contra a Crimeia (eles já o prometeram inúmeras vezes!), mas mesmo os combates na Novorússia é provável que de alguma maneira atraíssem as forças russas.

A resultante final é esta: a Rússia nunca permitirá uma "Operação Tempestade" ("Operation Storm") na Novorússia. "

As possibilidades de paz, que sempre foram pequenas, estão a piorar dia a dia. Pessoalmente nunca acreditei que o Acordo Minsk-2 (AM2) fosse implementado pela junta de Kiev e não estou minimamente surpreendido. O máximo que a junta podia fazer era retirar algum (nem mesmo a maior parte!) do seu armamento pesado e a seguir trazer novas armas. Quanto aos passos políticos previstos pelo AM2, para a junta eles são simplesmente impensáveis. Na verdade, mesmo se Porochenko decidisse cumprir o AM2 e, digamos, negociar uma futura constituição ucraniana com representantes da Novorússia, ele provavelmente seria derrubado em 24 horas não só porque aberrações nazis como Iarosh nunca aceitariam como porque, ainda mais importante, o Tio Sam nunca aceitaria. 

O actor chave: os EUA 

O mais importante actor único na crise ucraniana são os EUA, os quais têm muito mais influência do que a UE ou qualquer força política local. E o facto é que os EUA têm tudo a perder com um desenlace pacífico da guerra civil na Ucrânia. Por que? É simples! 

A base de poder dos EUA na Ucrânia é constituída por dois grupos muito diferentes: primeiro, as aberrações nazis ultra-nacionalistas com laços muito fortes a emigrantes ucranianos no Canada e nos EUA e, segundo, os oligarcas corruptos. O factor chave é isto: nenhum destes dois grupos constitui a maioria do povo ucraniano, mesmo excluindo o Donbass. De facto, mesmo agrupados numa "5ª coluna pró EUA" as aberrações nazis e os oligarcas locais ainda não fazem uma maioria. Este facto crucial traduz-se num imperativo político muito simples: os EUA não podem permitir qualquer coisa remotamente "democrática" na Ucrânia: trata-se do poder "do povo" ou "dos EUA", mas nunca poderá ser de ambos. Daí decorre um 2º imperativo político muito simples: os EUA precisam manter um estado de crise a todo custo: guerra, guerra civil, desastre industrial ou ecológico, MH-17 , atiradores de elite(snipers) desconhecidos, etc. A paz mais cedo ou mais tarde traria alguma forma de poder do povo o que por sua vez significaria perda de controle da situação por parte dos EUA. 

Essa é a razão porque se a próxima crise resultar de mais uma derrota militar ou de escassez de alimentos e tumultos, a "solução" da junta será a mesma: lei marcial. De facto, a Rada [parlamento] acaba de aprovar uma lei que facilita a imposição da lei marcial. 

A lei marcial como modo de salvar o regime actual 

A grande vantagem (para os EUA) da introdução da lei marcial na Ucrânia é que os dois "pilares" do poder estado-unidense na Ucrânia (aberrações nazis e oligarcas) serão obviamente aqueles que a decretarão e implementarão, portanto o poder sobre o país permanecerá nas suas mãos. Além disso, a lei marcial permitirá ao regime tomar medidas severas e violentas para esmagar qualquer oposição com um mínimo de constrangimentos ou até nenhum. Qualquer pessoa ou grupo que proteste ou discorde de qualquer coisa que faça a junta será declarado "agente de Putin" e aprisionado ou simplesmente executado. 

A UE e a paz

A UE e a paz
por João Ferreira




"O Tratado de Lisboa foi outro salto significativo. Reforçando mecanismos de decisão federal, concentrando o poder nas grandes potências, o tratado criou o cargo de «Alto Representante para a política externa da UE» (também chamado o «ministro dos negócios estrangeiros») e aprofundou a vertente militarista da UE. Sempre sob a tutela da NATO, criou a Agência Europeia de Defesa, tendo em vista o desenvolvimento de capacidades militares da UE, objectivo ao qual os estados-membros devem submeter as suas políticas de defesa."

"Perante uma ordem social iníqua a ameaça de guerra é constante. A integração capitalista europeia constitui, desde os seus alvores, não um garante mas sim uma ameaça à paz no continente."

Vale a pena voltar às declarações recentes do presidente da Comissão Europeia sobre a necessidade de constituição de um exército europeu, que se possa colocar ao serviço dapolítica externa da União Europeia, dando-lhe assim um outro alcance e efectividade.

Em Portugal, nas nossas escolas, a milhões de crianças e jovens, nascidos depois da adesão de Portugal à CEE/UE, é-lhes ensinado que a União Europeia nasceu e cresceu como um projecto de paz. Paz: o valor supremo que a UE promoveria (assim lhes ensinam) não apenas no seu território mas que projectaria também na sua política externa.

A ideologia dominante encarrega-se ainda de despejar nos canais que habitualmente a veiculam a ideia de que «infelizmente, a UE não tem uma mas várias políticas externas. E assim não se vai a lado nenhum». Não raras vezes, assistimos a jovens e menos jovens a reproduzirem o lamento, já mil vezes antes carpido por cronistas e comentadores, de que a UE «devia falar a uma só voz mas, lamentavelmente, não o faz».

O lamento denota as contradições que continuam existindo entre as principais potências europeias. Mas essas contradições, e mesmo algumas rivalidades que volta e meia se expressam, têm como pano de fundo um cenário prevalecente de concertação e comunhão de interesses. O papel da UE na situação que se vive na Ucrânia – a desestabilização, o apoio às forças golpistas, o confronto com a Rússia e mais tarde as sanções impostas a este país, em sucessivas vagas – é exemplar a este respeito.

Assim que se explica que, pesem embora consabidas contradições, o aprofundamento federal da integração capitalista europeia cedo tenha incluído vertentes relativas às políticas externa e de segurança comuns. Como tantas outras vertentes, ora se avança, ora se recua, ao sabor da relação de forças em cada momento e das condições que esta propicia. Isto num sentido geral em que o avanço e aprofundamento claramente têm prevalecido. 

O caminho que se não fez caminhando(1)

É com o Tratado de Maastricht, em 1992, que se consagra a existência da política externa e de segurança comuns (PESC). Uma evidência mais do salto federal que Maastricht representou. Desde o seu início, a PESC foi afirmada e instituída sob o chapéu da NATO.

Mas Maastricht tem antecedentes.

Brasil : A bancada BBB: Bíblia, Boi e Bala

Versão Brasileira do Tea party - fascismo cristão
A bancada BBB: Bíblia, Boi e Bala
por Sergio Domingues

" para muito além de quaisquer particularidades religiosas ou setoriais, a bancada BBB tem opções de classe bem definidas. Seu objetivo é aprovar não apenas propostas conservadoras envolvendo direitos humanos e o agronegócio. Também é defender os interesses gerais do grande capital."

"Portanto, também a grande mídia desfruta do auxílio generoso dos BBBs. E estes contam com a tolerância dos monopólios de comunicação. Trata-se de uma poderosa aliança à qual só os trabalhadores precisam responder com a unidade de suas lutas. E, claro, com as armas de nossa mídia contra-hegemônica."

Dizem que foi a deputada petista Erika Kokay que criou a expressão "Bancada BBB: Bíblia, Boi e Bala". A expressão se refere à aliança entre deputados federais religiosos, ruralistas e defensores de soluções violentas para as questões sociais.

Somados, os BBB representam uns 40% dos votos da Câmara, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Mas podem ampliar sua influência facilmente junto a outros deputados.

Um exemplo de BBB é Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em sua pretensa condição de representante dos evangélicos, ele procura favorecer propostas como a criminalização total do aborto e inviabilizar qualquer discussão sobre legalização das drogas ou combate à homofobia.

Por outro lado, foi ele que desengavetou o projeto de liberação total para a terceirização, atraindo o apoio do conjunto de parlamentares cuja prioridade é defender os interesses empresariais.

Ou seja, para muito além de quaisquer particularidades religiosas ou setoriais, a bancada BBB tem opções de classe bem definidas. Seu objetivo é aprovar não apenas propostas conservadoras envolvendo direitos humanos e o agronegócio. Também é defender os interesses gerais do grande capital.

Retomando Eduardo Cunha como exemplo, antes assumir a presidência da Câmara, ele já havia se destacado por sua atuação como representante das operadoras de telefonia, liderando a oposição à aprovação do Marco Civil da Internete, um ano atrás.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cinquenta Anos de Guerras Imperiais: Resultados e Perspectivas

Cinquenta Anos de Guerras Imperiais: Resultados e Perspectivas
por James Petras

"Este artigo constitui uma notável tentativa de sistematização dos processos através dos quais os EUA aspiram ao poder global. É tanto mais interessante quanto permite constatar que a categoria “imperialismo”, mesmo quando abordada de um ponto de vista que diverge da concepção marxista-leninista, permite identificar traços e contradições essenciais do estado actual do capitalismo. Coisa que não sucede com os ideólogos que vêm tentando substituir o conceito de imperialismo pela palavra “império”."

Introdução

Nos últimos 50 anos, os EUA e as potências europeias envolveram-se em inúmeras guerras imperiais em todo o mundo. A vontade de supremacia mundial revestiu-se da retórica de “liderança do mundo”, cujas consequências foram devastadoras para os povos atingidos. As maiores, mais longas e mais numerosas guerras foram conduzidas pelos Estados Unidos. Presidentes de ambos os partidos dirigem e presidem a esta busca de poder mundial. A ideologia que informa o imperialismo varia do “anticomunismo” no passado ao “antiterrorismo” de hoje.

A tendência de Washington para o domínio mundial utilizou e combinou muitas formas de belicismo, incluindo invasões e ocupações militares, exércitos de mercenários por procuração e golpes militares, financiamento a partidos políticos, ONG’s e amotinações de rua, para derrubar governos legalmente constituídos. As forças motrizes no estado imperial por detrás da busca de poder mundial variam com a localização e composição sócio-econômica dos países a atingir.

O que resulta claro da análise do crescimento do império americano no último meio século é o relativo declínio dos interesses econômicos e o aumento das considerações político-militares. Isto é em parte devido ao fim dos regimes colectivistas (URSS e Europa Oriental) e a conversão ao capitalismo da China e dos regimes de esquerda asiáticos, africanos e latino-americanos. O declínio das forças econômicas como força motriz do imperialismo é um resultado do advento do neoliberalismo global. 

A maior parte das multinacionais americanas e europeias não estão ameaçadas por nacionalizações ou expropriações que possam desencadear intervenções políticas do estado imperial. De facto, as empresas multinacionais são convidadas a investir, negociar e explorar os recursos naturais, até por regimes pós-neoliberais. Os interesses econômicos entram em jogo na formulação das políticas de estado imperiais, se e quando regimes nacionalistas emergem e desafiam as empresas multinacionais americanas, como no caso da Venezuela com o presidente Chávez.

Cinco sinais de que os EUA não estão superando a crise estrutural capitalista

Cinco sinais de que os EUA não estão superando a crise estrutural capitalista
por RBA - [Antonio Gelis-Filho]

"Esquecida pela mídia ocidental, a guerra econômica contra a Rússia parece ter fracassado. O rublo continua existindo e o governo de Moscou não mostra qualquer sinal do enfraquecimento tão sonhado pelo ocidente. A situação na Ucrânia, cuja integração à União Europeia parece ter desaparecido da pauta de discussões em Bruxelas, evolui para uma verdadeira guerra interna pelo poder, onde “oligarca devora oligarca”. O leste do país tornou-se de fato independente. A histeria ocidental anti-Rússia parece ter consumido seu combustível, ao menos por enquanto. Com isso, mais uma trapalhada geopolítica ocidental perde fôlego, embora a proximidade de eleições em países europeus importantes sugira que políticos desesperados possam pensar em ações desesperadas."

Especulações com o petróleo e a influência geopolítica sobre o Oriente Médio: nada disso tem surtido mais efeito.

As últimas semanas trouxeram notícias surpreendentes, mesmo para aqueles acostumados a analisar os eventos geopolíticos. É muito difícil fugir da conclusão de que atingimos uma etapa crítica na transição entre o sistema-mundo capitalista que conhecemos e algo que ainda está por vir. Parece ter expirado o prazo de validade do modelo adotado pelos países ricos para lidar com a crise estrutural que se tornou mais visível a partir de 2008, modelo esse que inclui a criação de dinheiro sem qualquer lastro em riquezas reais, a negação maciça da existência de qualquer problema maior pela mainstream media e a repressão policial crescente como única “política social” para lidar com a crescente pobreza nessas sociedades outrora tão afluentes. Vários são os sinais de que atingimos o “fim do começo” da transição. 

1. Desespero norte-americano em Lausanne?

Um “acordo para firmar um acordo” foi assinado em Lausanne, Suíça, entre o governo do Irã e o grupo de potências conhecido por P5 1: China, EUA, França, Rússia, Reino Unido e Alemanha. Na realidade, as dificuldades nas discussões sempre foram entre EUA e Irã. Este último deseja prosseguir com seu programa nuclear que alega ter finalidades pacíficas. 

Os EUA há tempos consideram o Irã um dos integrantes do dito “eixo do mal” e exige o fim das atividades nucleares que considera suspeitas. A surpresa vem da análise minuciosa do texto assinado: compreende-se porque o governo de Teerã o celebra como uma vitória. Após anos exigindo e comandando sanções contra o Irã, negando-lhe o benefício de qualquer dúvida, Washington assinou um texto que essencialmente baseia-se em apenas postergar o momento no qual Teerã poderá desenvolver sua bomba se assim o desejar. Não surpreendentemente, o governo de Israel, os republicanos norte-americanos e mesmo alguns democratas já anunciaram sua oposição ao texto e sua recusa em aceitar a assinatura do texto definitivo em três meses. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Elementos da nova sexualidade

Elementos da nova sexualidade
por Rubín Morro, Delegação de Paz das FARC-EP

"A identidade masculina se caracterizou por padrões patriarcais e estruturais em todas as manifestações da sociedade por milhares de anos, na competitividade e no poder. Traços como o medo, o pranto, a dor e outras manifestações do sentimento não cabem no estereótipo do homem. No longo processo da socialização do menino influem, normas e valores próprios de uma sociedade basicamente machista, que castram a verdadeira masculinidade. Impõem-se aos homens exclusivos conceitos como atividade, força, dureza, virilidade, abrigo, incentivo, proteção, invulnerabilidade, racionalidade, castigo, poder, respeito, provimento, coragem, resistência, ira, exterioridade, reflexão e ordenação. Logicamente, todo o contrário para a mulher: submissão, inferioridade, passividade, compreensão, espera, complacência, intuição, paciência, vulnerabilidade, debilidade, resistência, pranto, etc."

Elementos da nova masculinidade

“O homem e a mulher não nascem, se fazem; são resultado do desenvolvimento político, social, econômico e cultural da sociedade. A partir do nascimento, o bebê de sexo masculino já começa a se dar conta do que se espera dele por ter as características de seus órgãos genitais. No entanto, não basta nascer com um pênis para se transformar em homem. Existe um caminho a ser percorrido até chegar a sê-lo. Os primeiros anos de vida são fundamentais e responsáveis pelas características do homem que vai surgir”.(Revista Cubana de Saúde Pública).

A nova masculinidade não quer dizer que se renuncie a sua condição de identidade de homem como tal. Não se trata disso. Trata-se da mudança que o homem em sua condição assume responsabilidade e papeis até agora pré-determinados exclusivamente para a mulher, produto do machismo. A nova masculinidade faz do homem mais humano, um novo conceito teórico e prático em sua relação diária com a mulher em termos de sentimentos, trabalho, igualdade e equidade de gênero.

O homem no novo conceito da masculinidade moderna já não esconde seus sentimentos, seus afetos, seu amor. Encontra-se a si mesmo no conceito de sua masculinidade baseado em seu encanto, ternura e segurança como guia de seu comportamento na sociedade.

A identidade masculina se caracterizou por padrões patriarcais e estruturais em todas as manifestações da sociedade por milhares de anos, na competitividade e no poder. Traços como o medo, o pranto, a dor e outras manifestações do sentimento não cabem no estereótipo do homem. No longo processo da socialização do menino influem, normas e valores próprios de uma sociedade basicamente machista, que castram a verdadeira masculinidade. Impõem-se aos homens exclusivos conceitos como atividade, força, dureza, virilidade, abrigo, incentivo, proteção, invulnerabilidade, racionalidade, castigo, poder, respeito, provimento, coragem, resistência, ira, exterioridade, reflexão e ordenação. Logicamente, todo o contrário para a mulher: submissão, inferioridade, passividade, compreensão, espera, complacência, intuição, paciência, vulnerabilidade, debilidade, resistência, pranto, etc.

Estas realidades, através dos anos e da luta pelo reconhecimento social e político, foram rompidas como a afirmação do papel protagonista de homens e mulheres na história: a luta por uma sociedade mais justa e equitativa nos tirou deste labirinto de papeis imposto pelas tradições e a má educação. Tanto a mulher como o homem vem se posicionando fortemente frente a suas responsabilidades e o debate permitiu uma discussão universal em todas as manifestações da vida, por resgatar nossa verdadeira identidade como seres humanos, em uma construção social cuja essência se possa expressar livremente sem ser violentados ou estigmatizados.

terça-feira, 14 de abril de 2015

EUA:Assassínio policial na Carolina do Sul

Assassínio policial na Carolina do Sul
por Joseph Kishore


"A repressão policial no interior dos Estados Unidos é a expressão doméstica dos mesmos métodos que a classe dominante emprega para defender no estrangeiro os seus interesses, através de infindáveis guerras e assassínios por meio de drones. Dentro do país, a aristocracia das corporações e da finança, que acumulou a sua riqueza por meios fraudulentos e criminosos, está instalada sobre um sistema minado pela crise, com níveis historicamente sem precedentes de desigualdade ameaçando desencadear conflitos sociais explosivos. Responde-lhes com violência e brutalidade."
Funcionários na Carolina do Sul processaram o agente da polícia de North Charleston Michael Slager pelo assassínio de Walter Scott, de cinquenta anos, pai de quatro crianças, no passado sábado. Esta decisão apenas se verificou após a divulgação de um vídeo do assassínio, gravado no telemóvel por uma testemunha e enviado para o New York Times por um advogado da família de Scott.

O vídeo mostra uma inequívoca acção de assassínio e tentativa de encobrimento. Scott e Slager estão num lote desocupado. Scott, desarmado, começa a fugir de Slager, que saca da arma e dispara oito balas nas costas de Scott, a uma distância de cerca de seis metros.

O agente policial depois caminha calmamente até junto de Scott, gritando ao homem imóvel que ponha as mãos atrás das costas. Com Scott inerte, Slager algema-o. Corre depois para o local do confronto inicial, pega no que aparente ser uma arma Taser imobilizadora, e deixa-a cair junto do corpo sem vida. Um segundo agente que entretanto chegou ao local testemunha a tentativa de simulação.

Não são feitas quaisquer tentativas de reanimação ou qualquer outra forma de assistência a Scott, que está de borco caído na lama. Será depois declarado morto no local.

Dom Eduardo Galeano de nós, os que não somos ninguém

Dom Eduardo Galeano de nós, os que não somos ninguém
por Ilka Oliva Corado


"Porém, também choramos por ele nós, os invisíveis, os calvários fixados nos pés dos jornaleiros e bóias-frias, as mãos das crianças que pegam grãos de café nos sítios de outros, o ventre materno que leva nas suas entranhas o fruto de um estupro, o adolescente preso pelo único delito de ser de um subúrbio. Também choram por ele a “ralé”, os sem documentos, nós que somos do desarraigamento. As putas, os homossexuais, os viciados, os fétidos revolucionários de todos os tempos."

Sempre tive a certeza de que os seres extraordinários partem em dias de mau agouro, de céus com nuvens negras que choram a cântaros em forma de chuva. Dom Eduardo Galeano partiu num dia assim. Hoje, a neblina da primavera estadunidense amanheceu soluçando, se despedindo desde as primeiras horas da madrugada.

Nós, os párias, os impronunciáveis, os que temos a carne curtida durante séculos de exploração, nós os que somos iletrados, nós os jornaleiros e bóias-frias, pedreiros, trabalhadores rurais e eternos proletários nos tornamos órfãos com a partida de dom Eduardo.

Em um total desamparo, mergulhados na densa escuridão do desconsolo, se foi o homem que se atreveu a nos olhar aos olhos, que se atreveu a nos dar um nome, a caminhar com a gente e a carregar sobre os seus ombros a nossa tribulação de classe social explorada pelos tiranos.

Partiu um intelectual que sempre se sentiu um peão qualquer e essa grandeza humana é a que o torna imortal. Ele transcendeu os limites das classes sociais e das paredes das universidades. Choram por dom Eduardo nestes momentos tanto os intelectuais, os lutadores sociais, os seres justos e conseqüente quanto o exclusivo mundo das editoras, a poesia e a boa literatura.

Transgénicos, glifosato e cancro ( câncer )

Transgénicos, glifosato e cancro ( câncer )
por Sílvia Ribeiro


"Embora o glifosato existisse antes que os transgênicos, estes aumentaram brutalmente o seu uso e riscos. Agora que causaram dezenas de plantas resistentes ao glifosato, as transnacionais pressionam para liberar transgênicos com tóxicos ainda piores. Urge terminar com o mito da agricultura química, transgênica e industrial: alimentam uma minoria, poluem tudo e todos, ganham só um punhado de transnacionais. É um experimento em massa a nível global e os seus efeitos ficam a cada vez mais expostos."

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que o glifosato, o agrotóxico mais difundido no mundo, que se usa em 85% dos cultivos transgênicos, é causa provável de cancro (câncer).

Comunidades e famílias afetadas na Argentina, Paraguai e outros países vinham denunciando esta relação há anos, por sofrê-la diretamente. Agora as Nações Unidas confirmou-o.

É outro legado tóxico de Monsanto para a humanidade: a empresa desenvolveu e patenteou este herbicida de amplo espectro em 1974 e, embora a patente tenha expirado em 2000, continua a ser um importante segmento das suas vendas e está associado à maioria de seus transgênicos. Por isso, Monsanto pressiona agora para a OMS mudar esse parecer, alegando, como fez por décadas, que o glifosato não produz cancro.

Mas o grupo de especialistas da Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro da OMS (IARC por sua sigla em inglês), que realizou a avaliação, mantém as suas conclusões, explicando que seus documentos de base são muitos, sólidos e sobretudo independentes, diferentemente dos apresentados pela empresa.

domingo, 12 de abril de 2015

Os BRICS e a ficção da "desdolarização"

Os BRICS e a ficção da "desdolarização"
por Michel Chossudovsky

"A Índia, África do Sul e Brasil decidiram não acompanhar um esquema de múltiplas divisas, o qual teria permitido o desenvolvimento de comércio bilateral e actividades de investimento entre países BRICS, a operarem fora do âmbito do crédito denominado em dólar. De facto eles não têm a opção de adoptar esta decisão em vista das estritas condicionalidades de empréstimos impostas pelo FMI. 
Pesadamente endividados e com o fardo dos seus credores externos, todos os três países são pupilos fiéis do FMI-Banco Mundial. Os bancos centrais destes países são controlados pela Wall Street e o FMI. Para eles, entrar num esquema de desenvolvimento bancário "não dólar" ou "anti-dólar", com múltiplas divisas, exigiria aprovação prévia do FMI. "
Os media financeiros, bem como segmentos dos media alternativos, estão a apontar um possível enfraquecimento do US dólar como divisa do comércio mundial devido à iniciativa dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul). 

Um dos argumentos centrais nestes debate sobre as divisas mundiais em competição repousa na iniciativa dos BRICS de criar um banco de desenvolvimento o qual, segundo analistas, desafia a hegemonia da Wall Street e de Washington baseada nas instituições de Bretton Woods.
O New Development Bank (NDB) do BRICS foi estabelecido para desafiar os dois principais gigantes ocidentais – o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. O papel chave do NDB é servir como um fundo (pool) de divisas para projectos de infraestrutura dentro de um grupo de cinco países com grandes economias nacionais a emergirem – Rússia, Brasil, Índia, China e África do Sul. (RT, 09/Outubro/2014, ênfase acrescentada).
Mais recentemente foi enfatizado o papel do novo Asia Infrastructure Investment Bank (AIIB), da China, o qual, segundo informações dos media, ameaça "transferir o controle financeiro global da Wall Street e da City de Londres para os novos bancos e fundos de desenvolvimento de Pequim e Shangai". 

A Presidência acéfala e o programa único de Levy

A Presidência acéfala e o programa único de Levy
por Luis Fernando Novoa Garzon*


"O passado e o futuro do país estão sendo empenhados em nome da atualização do bloco no poder promovida pelas frações capitalistas mais desenraizadas. Nada mal para bancos e conglomerados que procuram assegurar-se contra as oscilações da crise. O que mais desejam é sinalizar ao mundo que no Brasil haverá lucrativo refúgio para capitais de alta rotatividade e investimentos com alto retorno em grandes projetos de infraestrutura e de controle de recursos territoriais.

É necessário alcançar um estágio elevado de degradação para sustentar uma realpolitik de contemporização com essa sabotagem. Depreende-se daí que Dilma e os dirigentes do partido procurem tocar o bonde com renúncias parciais premiadas."

O golpe já aconteceu sem precisar do golpe em si. Dilma já foi impedida na prática e ela parece se sentir muito à vontade assim. A midiatização e carnavalização dos protestos contra a corrupção bastou para que se acionasse um gabinete de emergência, que passou a unificar a execução e a gestão do ajuste. Em pronunciamento no dia 16 de março, foi Dilma quem suplicou por um consenso mínimo para “fazer tudo aquilo que tem que ser feito pelo bem do Brasil". Consenso mínimo sobre o que é governar com firmeza: “Nós vamos ser firmes. Não vou deixar de dizer pra todo mundo que nós queremos fazer o ajuste. Firme é isso".

Ajuste fiscal e financeiro em sacrifício deliberado de soberania, de direitos e de qualquer patamar civilizatório eventualmente adquirido: esse foi o pacto feito dentro do pacto. A rendição não deixa de ser voluntária, já que Dilma e o PT tiveram condições, nos últimos anos, particularmente nas últimas eleições, de construir uma resposta à crise muito distinta da que está sendo esboçada. Se antes concebíamos anticandidatos para explicitar o sufocamento da democracia enquadrada por grupos econômicos e aparatos repressivos, como lidar com uma democracia em fim de linha, que gera uma anti-presidente, em outros termos, uma presidente sem qualidades, hologramática no limite?

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Portugal à venda: privatizações, dependência, resistência e corrupção

Portugal à venda: privatizações, dependência, resistência e corrupção
por Carlos Serrano Ferreira

"O atual governo conseguiu "avançar" inclusive para "soluções inovadoras" como a privatização da própria cidadania, permitindo que os ricos possam ter acesso facilitado em troca de "investimentos", em geral mera compra de imóveis, a partir do Visto Gold."
"
O atual governo português, como outros governos neoliberais, enxerga como saída para a crise pública a privatização e o desmonte do Estado.

Curiosamente, diga-se de passagem, são os mesmos que engendraram a crise da dívida pública ao transferir recursos estatais aos bancos, que criaram o fosso sem fundo em que se encontra o Estado português. O salvamento desses bancos, que lucraram bilhões com as bolhas especulativas, de forma privada, é a prova do domínio financeiro da economia e da política. E, a testemunha também de uma lógica terrível: os lucros são privados, os prejuízos são socializados. 

Além disso, as chamadas Parceria Público Privadas (PPPs), que já são heranças de governos anteriores, e são a transferência contínua e muitas vezes por décadas de recursos públicos ao setor privado, somadas à bancarrota da banca portuguesa - não dos banqueiros, note-se - são a prova do falhanço das forças do mercado na alocação dos recursos e o aprofundamento do parasitismo do Estado pelo mercado. Ao contrário do que é dito pelos neoliberais, essa doutrina não significa um Estado Mínimo, mas a ampliação do Estado com a redução dos serviços públicos à população e a transferência dos fundos públicos para a manutenção da acumulação financeirizada. Como resultado há a deterioração dos serviços públicos, a estagnação econômica e seus males decorrentes (desemprego, emigração, etc) e a ampliação do conflito social e das desigualdades.