Pesquisa Mafarrico

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domingo, 27 de setembro de 2015

Mao: "A Revolução Chinesa e o Partido Comunista da China"

"A Revolução Chinesa e o Partido Comunista da China"
Mao Tsetung

"Mas não constitui qualquer surpresa, é, pelo contrário, inteiramente de esperar, que uma economia capitalista venha a desenvolver-se, dentro de certos limites, no seio da sociedade chinesa, depois da vitória da revolução, como resultado da remoção dos obstáculos ao desenvolvimento do capitalismo, e na medida em que o propósito da revolução chinesa, na etapa presente, consiste em substituir o atual estado colonial, semi-colonial e semi-feudal da sociedade, quer dizer, em lutar pela realização plena duma revolução de democracia nova. Um certo grau de desenvolvimento capitalista, porém, será o resultado inevitável da vitória da revolução democrática numa China que está economicamente atrasada. Mas isso será apenas um resultado da eclosão da revolução chinesa, não o quadro completo. O quadro completo revelará um desenvolvimento dos fatores socialistas tanto como dos fatores capitalistas. Quais são os fatores socialistas? São o aumento crescente da importância relativa do proletariado e do Partido Comunista entre as forças políticas do país; a aceitação ou possibilidade de aceitação da direção do proletariado e do Partido Comunista, por parte das massas camponesas, dos intelectuais e da pequena burguesia urbana; o sector estatal da economia, pertença da república democrática, e o sector da economia cooperativa, pertença do povo trabalhador. Tudo isso são fatores socialistas. Com uma situação internacional favorável, aliás, a existência desses fatores torna muito provável que a revolução democrático-burguesa da China consiga evitar o futuro capitalista e realize o futuro socialista."


“A Revolução Chinesa e O Partido Comunista da China”, livro de texto escrito em Ien-an pelo camarada Mao Tsetung, com o concurso doutros camaradas, no Inverno de 1939. O primeiro capítulo, “A Sociedade Chinesa”, foi escrito pelos demais camaradas e revisto pelo camarada Mao Tsetung. O segundo capítulo, “A Revolução Chinesa”, foi elaborado pessoalmente pelo camarada Mao Tsetung. Um terceiro capítulo, “A Construção do Partido”, foi deixado inacabado pelos camaradas que nele trabalhavam. Não obstante, a publicação dos dois capítulos, em especial o segundo, desempenhou um grande papel educativo no seio do Partido Comunista da China e entre o povo chinês. As ideias formuladas pelo camarada Mao Tsetung, no segundo capítulo, sobre a democracia nova, foram consideravelmente desenvolvidas por este no artigo intitulado “Sobre a Democracia Nova”, artigo que escreveu em Janeiro de 1940.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A crise na China e a “multipolaridade” onde todos os polos desabam

A crise na China e a “multipolaridade” onde todos os polos desabam
por Diego Torres**

"Mas a manifestação plena desta crise demonstra que os chamados BRICS não constituem alternativa alguma, estão imersos e prenhes das contradições do capitalismo."

"Nas grandes crises mundiais só existe um precedente de um país que conseguiu blindar-se contra os efeitos da crise. Trata-se da União Soviética, durante a grande depressão de 1929, que não apenas não se ressentiu dos efeitos da crise, como também teve um acelerado desenvolvimento e trouxe benefícios sociais sem precedentes à sua classe operária e aos seus povos. "

"Os intelectuais que defendiam a multipolaridade como alternativa diziam que esta dissuadiria os EUA de continuarem a agredir e submeter os povos, como se a Rússia ou os BRICS pudessem desempenhar um papel análogo ao da URSS durante a Guerra Fria. 
Por um lado, trata-se de uma analogia histórica falaciosa e de brincar com ilusões, pois, como já sublinhamos, nesse caso tratava-se de 2 sistemas socioeconômicos distintos; a analogia mais aproximada é a do mundo “multipolar” anterior à Primeira Guerra Mundial, onde o centro imperialista até então dominante, o Reino Unido, iniciava um lento declive, enquanto rivais em rápido ascenso, como a Alemanha, procuravam melhorar a sua posição no meio de uma profunda e prolongada crise."
" Na prática e na realidade, a chamada multipolaridade não ofereceu décadas de desenvolvimento para os povos, como o socialismo fez e pode fazer; a multipolaridade não oferece a paz, antes prepara o terreno para uma grande guerra interimperialista. Nós, comunistas, nesse cenário de afundamento social e guerra, não podemos preparar a aliança dos operários e dos povos com um ou outro centro imperialista, podemos é pedir que se arrede a multipolaridade do discurso das forças comunistas. Uma vez mais se coloca como saída o socialismo ou a barbárie. "
Com a eclosão, em 2008, da mais recente crise geral do sistema capitalista, iniciou-se uma série de reajustamentos na pirâmide imperialista, com os centros imperialistas empenhados numa luta cada vez mais aguda para ocupar o topo. 

Posições ligadas à social-democracia e ao oportunismo vinham, há anos, a pretender que tais desenvolvimentos seriam um avanço, uma conquista, uma possibilidade de obter vantagens para os povos, sob a noção da “multipolaridade”, como oposta à “unipolaridade” dos EUA. Tais posições alastraram à academia e à imprensa socialdemocrata, conseguiram influenciar uma grande quantidade de ativistas dos movimentos populares, do movimento estudantil, do sindicalismo e, inclusivamente, no Movimento Comunista Internacional foram colocadas a debate em não poucas ocasiões por dirigentes e a totalidade dos aparelhos partidários. Hoje, a construção do discurso reformista tem este quadro do “mundo multipolar” como um dos seus componentes centrais, assim como o colocar o tema das diversas gestões capitalistas como etapa imediata, etc. 

Em traços largos, tais “polos” são os diversos centros imperialistas e alinhamentos de centros imperialistas que se enfrentam pelo controlo dos mercados e dos territórios. Os EUA, a UE, o Japão, os BRICS, etc. 

Mas a natureza dos referidos “polos” tem-se vindo a revelar aos olhos do mundo. Como qualquer das economias capitalistas atravessadas por laços imperialistas, estas não estão isentas da crise geral de sobreprodução. Foi apenas devido à lei do desenvolvimento desigual que a crise se manifestou mais cedo ou mais tarde, mais aceleradamente ou em diferentes ritmos etc. Mas a manifestação plena desta crise demonstra que os chamados BRICS não constituem alternativa alguma, estão imersos e prenhes das contradições do capitalismo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Engels: "Bruno Bauer e o Início do Cristianismo"

"Bruno Bauer e o Início do Cristianismo"
por Friedrich Engels
publicado no Sozialdemokrat, de 4-11 de maio de 1882.


"É claro que se espontaneamente surgem religiões - como a adoração de feitiços dos Negros ou a religião comunal dos arianos primitivos — sem qualquer engodo inicial, entretanto, o engano, através dos sacerdotes, logo se torna inevitável no seu desenvolvimento subsequente. Apesar de toda fé sincera, religiões artificiais não podem permanecer, desde a sua fundação, sem engano e falsificação histórica. O Cristianismo, também, pode se gabar de grandes realizações a este respeito desde o início, como Bauer mostrou em sua crítica do Novo Testamento. "


Em Berlim, em 13 de abril, morreu um homem que atuou como filósofo e teólogo, mas, durante anos, dificilmente se ouvia falar dele, somente atraindo a atenção pública eventualmente como um "literato excêntrico". Teólogos oficiais, inclusive Renan, corresponderam-se com ele e, mesmo assim, mantiveram sobre ele um silêncio de morte. E ele valia mais do que todos eles e fez mais que todos eles em uma questão que também interessa a nós, Socialistas: a pergunta pela origem histórica do Cristianismo.

Por ocasião da sua morte, vamos fazer um breve relato da situação atual da questão, e da contribuição de Bauer para a sua solução.

A visão que dominou os livres-pensadores da Idade Média incluindo os Iluministas do século XVIII, de que todas as religiões eram obra de enganadores, e, portanto, o Cristianismo também, não era mais suficiente depois que Hegel fixou para a filosofia a tarefa de mostrar a evolução racional na história mundial.

É claro que se espontaneamente surgem religiões - como a adoração de feitiços dos Negros ou a religião comunal dos arianos primitivos — sem qualquer engodo inicial, entretanto, o engano, através dos sacerdotes, logo se torna inevitável no seu desenvolvimento subsequente. Apesar de toda fé sincera, religiões artificiais não podem permanecer, desde a sua fundação, sem engano e falsificação histórica. O Cristianismo, também, pode se gabar de grandes realizações a este respeito desde o início, como Bauer mostrou em sua crítica do Novo Testamento. Mas isto somente confirma um fenómeno geral e não explica o caso particular em questão.

A religião que subjugou o Império Romano e dominou sem dúvida a maior parte da humanidade civilizada por 1.800 anos, não pode ser explicada apenas declarando ser ela uma tolice resultante de fraudes. Não se pode elucidar esta questão e ter sucesso na explicação da sua origem e do seu desenvolvimento sem partir das condições históricas sob as quais surgiu e alcançou o domínio da situação. Isto se aplica ao Cristianismo. A questão a ser solucionada, então, é: como aconteceu que as massas populares no Império Romano preferiram esta tolice — que era aceita, normalmente, pelos escravos e oprimidos — a todas as outras religiões, e, finalmente porque o ambicioso Constantino viu na adoção desta religião tola o melhor meio de elevar a si mesmo ao posto de autocrata do mundo romano.

Bruno Bauer contribuiu mais para a solução desta questão que qualquer outra pessoa. Não importa quanto os teólogos meio-crentes do período da reação tenham lutado contra ele desde 1849, ele irrefutavelmente demonstrou a ordem cronológica dos Evangelhos e sua interdependência mútua, demonstrada por Wilke do ponto de vista puramente linguístico, pelo próprio conteúdo dos Evangelhos. Ele expôs a carência completa de espírito científico da vaga teoria de mito de Strauss, de acordo com a qual se pode considerar como histórico tudo quanto se gosta nas narrações do Evangelho. E, se quase nada do conteúdo inteiro dos Evangelhos é historicamente provável — de forma que até a existência histórica de Jesus Cristo pode ser questionada — Bauer tem, assim, iluminado os fundamentos para a solução da pergunta: qual é a origem das idéias e pensamentos que foram tecidos como uma espécie de sistema no Cristianismo, e como veio ele a dominar o mundo?

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Losurdo: “A democracia para o povo dos senhores, no passado e no presente”

" A democracia para o povo dos senhores, no passado e no presente"
por por Domenico Losurdo


"Linchamento em 1919 nos EUA. É mais adequado falar de Herrenvolk democracy, ou seja, de democracia que vale somente para o "povo dos senhores". Quando este regime acabou nos Estados Unidos? Com o fim da Guerra de Secessão e a abolição da escravatura que se seguiu? Na realidade, um dos capítulos mais trágicos da história dos afro-americanos foi escrito entre o fim do século XIX e princípios do século XX. O linchamento era um horrível espectáculo de massa."

"Outro historiador americano (George M. Fredrickson) observa que "os esforços para manter a "pureza da raça" no Sul dos Estados Unidos antecipam certos aspectos da perseguição lançada pelo regime nazi contra os judeus nos anos 1930". Nos Estados Unidos, o Estado racial sobreviverá algum tempo após o afundamento do Terceiro Reich: em 1952, uma trintena de estados da União ainda proibiam o casamento e as relações sexuais inter-raciais, por vezes consideradas como delitos graves."

"a ideologia dominante celebra Israel como a única democracia autêntica do Médio Oriente. Salvo que a rule of law, o governo da lei para os cidadãos israelenses de pleno direito caminha a par com a expropriação, a deportação, a prisão arbitrária e mesmo a execução extra-judicial perpetrados contra os palestinos: é a democracia para o povo dos senhores. E à escala internacional? Pisoteando de modo explícito o princípio da igualdade entre as nações, os Estados Unidos e o Ocidente continuam a arrogar-se o direito soberano de invadir, bombardear, submeter a embargo e à fome este ou aquele país mesmo sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Às proclamações vibrantes prestando homenagem à liberdade e à democracia corresponde a tentativa de exercer uma ditadura no plano internacional. Infelizmente, a "democracia para o povo dos senhores" tem a vida dura!"

Andrew Jackson era o presidente do Estados Unidos no momento em que Tocqueville fez a viagem que levou à publicação da "Democracia na América". É verdade que este presidente liquida em grande parte a discriminação censitária dos direitos políticos. Mas, paralelamente, encontramo-nos com um proprietário de escravos que, igualmente, ordena a deportação dos Peles Vermelhas (os cherokees). Foram homens, mulheres, velhos, crianças: um quarto morreu durante a viagem. Deveríamos considerar que Jackson é um democrata? Os autores da Declaração da Independência e da Constituição de 1787 são igualmente proprietários de escravos, logo, durante trinta e dois dos primeiros trinta e seis anos de existência dos Estados Unidos, a função de presidente é ocupada por proprietários de escravos, muitas vezes implicados na expropriação e deportação dos Peles Vermelhas.

Os Estados Unidos daquela época eram uma democracia?

Em geral, afastam-se estas questões através do recurso a um historicismo vulgar: as sociedades liberais teriam herdado práticas e relações sociais universalmente difundidas. Mas os factos são inteiramente diferentes. Tocqueville publica o primeiro livro da "Democracia na América" em 1835. Nesta data, a escravidão havia desaparecido em grande parte do continente. Na esteira da Revolução Francesa, a revolução dos escravos negros em São Domingos dá o impulso do processo de emancipação. Depois a revolução da América Latina explode a dominação espanhola: ela também se conclui com a abolição da escravatura. A revolução dos colonos ingleses que conduziu à fundação dos Estados Unidos é a única do continente americano a manter e mesmo reforçar e estender a instituição da escravatura: depois de ter arrancado o Texas ao México, a república norte-americana ali reintroduz a escravatura anteriormente abolida. Mais uma vez coloca-se a questão: os Estados Unidos daquela época eram uma democracia?

domingo, 20 de setembro de 2015

Risco Brasil? Onde?

Risco Brasil? Onde?
por Fábio Bezerra.

"O Standard & Poor’s cumpre bem o papel de algoz do mercado financeiro, através da chantagem, alimenta os interesses econômicos dos investidores estrangeiros e seus lacaios no Congresso, na imprensa e nas instituições financeiras a pautarem e definirem, sem qualquer resistência, os rumos de um Governo cada vez mais subserviente e que evolui rapidamente da esfera da conciliação de classe para o conservadorismo mais pusilânime." 
"Com o desenvolvimento desse processo, a opção política, a definição estratégica que o Governo petista optou, foi a de atender as imposições do mercado e as chantagens da burguesia associada promovendo a privatização de toda a infraestrutura logística da economia brasileira, sob a argumentação da retomada do desenvolvimento econômico, que na realidade encobre a opção política pela promoção da abertura da economia ao mercado internacional de modo a agradar de maneira subserviente, em troca de uma “estabilidade” impossível de se alcançar, as demandas de mercado ao grande Capital, que encontra na crise econômica e política uma grande oportunidade de investimentos no Brasil, altamente lucrativos."

Em grego antigo, Krísis significa a condição à qual geralmente os médicos diagnosticavam um paciente enfermo e as alternativas possíveis quando se chegava a um limite, por exemplo, a cura ou a morte. Etimologicamente a expressão possui a ideia básica de um momento processual que chega a um limite e que força por sua vez, a uma decisão em um momento difícil, a uma separação ou definição.

Ao longo do tempo a expressão foi ganhando contornos semânticos específicos para cada área do conhecimento, tais como: na sociologia, na filosofia ou na economia por exemplo.

Mas em todas essas áreas a ideia central de alteração, mudança no sentido, está presente, assim como a ideia geral de crise reproduzida pelo senso comum, traz consigo também uma perspectiva psicológica negativa.

De fato em todo processo de separação ou definições ou mesmo de ruptura quando se chega a um extremo, a opção por um caminho leva inevitavelmente à negação do outro- o que não significa necessariamente uma negação dialética-, que gera por sua vez a condição de perdas irreparáveis.

No caso da Crise brasileira as perdas até agora tem sido dos trabalhadores em geral com o aumento do endividamento, a diminuição do poder de compra, o corte de investimentos nas áreas sociais e consecutiva precarização desses serviços e em especial ao funcionalismo público federal que amarga cortes de direitos e achatamento salarial. Mas se há perdas por um lado, por outro, há ganhos e no caso da economia brasileira, há lucrativos ganhos ao grande capital internacional, que se aproveita das imposições feitas pelo sistema financeiro internacional, através das chantagens das agências financeiras e também da fragilidade política do Governo sob as denúncias de corrupção, para ganhar terreno e avançar seu domínio econômico em áreas ainda “incultas” à sanha da cobiça e do poder dos grandes transnacionais.

O melhor exemplo desse processo de avanço dos interesses externos na economia brasileira é o que está em curso atualmente com a retomada dos programas de concessões (leia-se privatizações) que o governo Dilma Rousseff anunciou desde fevereiro desse ano e que foi apresentado em Junho passado como tentativa de “acalmar” o mercado sob a justificativa de impulsionar a economia com a redução de gastos públicos para o cumprimento das metas do famigerado superávit primário.

O Programa de Investimento Logístico (PIL) propõe a entrega à iniciativa privada, por meio de leilões e do modelo de outorga (tão criticado pelo PT à época do Governo FHC) toda a malha de infraestrutura nacional: portos, aeroportos, ferrovias, rodovias e as futuras estradas regionais, o que assegurará um monopólio privado nesses setores, em alguns casos por mais de 30 anos!

O BNDES continuará financiando reformas como aconteceu em obras nos aeroportos internacionais que foram privatizados sem contrapartida compatível aos investimentos públicos realizados e isso fica mais grave e evidente, no modelo proposto, que fixa metas de investimento que poderão ser balizadores de contrapartida das empresas nos lances dados nos leilões, ou seja, a arrecadação dos leilões poderia inclusive ser abaixo do estipulado.

O drama da imigração «ilegal» - Exploração e guerras imperialistas

O drama da imigração «ilegal» - Exploração e guerras imperialistas
por INÊS ZUBER



"Na verdade, o capitalismo e a intrínseca busca incessante de lucro tem interesse em manter os imigrantes com estatuto «ilegal» para mais facilmente os explorar."

"Os migrantes continuarão a ser obrigados a sair dos seus países enquanto houver guerra, exploração e miséria, que têm aumentado com a necessidade do capitalismo sair da crise através da maior acumulação a qualquer custo. E os migrantes continuarão a ser tratados sem dignidade e não como seres humanos enquanto não se criarem canais para a migração segura e regular e políticas de inclusão social dos migrantes nos países"

Segundo dados das Nações Unidas, em 2005, existiam 191 milhões de migrantes internacionais 1, número que subiu para 232 milhões em 2013. De acordo com as últimas estatísticas da Agência da ONU para os refugiados (ACNUR), actualmente o número de «migrantes forçados» em todo o mundo ultrapassa os 500 milhões e não cessa de aumentar. De sublinhar que os considerados «migrantes forçados» são aqueles que cabem no conceito de refugiado definido na Convenção de Refugiados de 1951, segundo o qual um refugiado é uma pessoa que «temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país». 

O que imediatamente nos faz questionar se aqueles que são obrigados a sair do seu país de origem por não terem condições de sustento econômico, aqueles que fogem da miséria devido, por exemplo, ao desemprego ou às alterações climáticas, não se deveriam também enquadrar no grupo dos que migraram de forma forçada e não voluntária. Ainda assim, e mesmo cingindo-nos ao conceito de refugiados, assistimos hoje a um fluxo de refugiados maior do que aquele que existiu durante a Segunda Guerra Mundial.

Apelo do CC do PCG (KKE) para as eleições legislativas de 20 de Setembro de 2015

Apelo do CC do PCG (KKE) para as eleições legislativas de 20 de Setembro de 2015
CC do Partido Comunista da Grécia


Já os experimentaste todos… Vem agora com o PCG
A solução está no caminho da mudança

Operários, empregados, desempregados, camponeses, trabalhadores por conta própria, comerciantes, artesãos, trabalhadores científicos independentes, reformados, jovens, mulheres de bairros populares, todos vós sobre quem caem as novas e insuportáveis medidas do terceiro Memorando SYRIZA-ANEL que se vêm juntar às que os precedentes governos da Nova Democracia (ND) e do PASOK tinham instaurado.

Dirigimo-nos a todos vós que nos últimos anos haveis confiado nos diversos governos de gestão – governos formados por um só partido ou governos de coligação, de «centro-direita», de «centro-esquerda», de «esquerda» – e haveis visto os memorandos sucederem-se um após outro. Nestas eleições não confieis nos partidos que puseram o seu nome nos cortes de salários e pensões, na degradação das relações de trabalho, no pesadelo dos impostos, na redução dos serviços de saúde, educação e segurança social, nas privatizações, na falência dos camponeses e profissionais pobres, não lhes dêem a possibilidade de dizer que o fizeram com o voto do povo consciente da sua própria imolação, que os memorandos são uma via de sentido único. Além disso, os programas de governo dos outros partidos, apesar de algumas diferenças, todos incluem o acordo-Memorando de três anos concluído com a UE, bem como todos os acordos que o futuro venha a trazer.

Dirigimo-nos às pessoas de esquerda, radicais, às pessoas que lutam, de vanguarda, activistas do movimento operário e popular, aos que confiaram no SYRIZA e se sentem atraiçoados. Têm agora a oportunidade de tirar as devidas conclusões, de se encontrarem com o PCG na luta, só que desta vez sobre bases sólidas e verdadeiramente radicais. Na prática, ficou demonstrada a importância da firme decisão do PCG de não participar em governos de gestão do capitalismo.

sábado, 19 de setembro de 2015

Brasil : Pacote do austericídio: mais do mesmo

Pacote do austericídio: mais do mesmo
por Paulo Kliass*

"Porém, nenhum dos meios de comunicação coloca em manchete aquele que deveria ser o verdadeiro foco de preocupações dos analistas financeiros. A conta que apresenta o maior déficit estrutural é a conta de juros da dívida pública. De acordo com o Boletim de Política Fiscal elaborado pelo Banco Central, apenas entre agosto de 2014 e julho de 2015, foram gastos R$ 452 bilhões nessa rubrica. Esse sim é um verdadeiro gasto perdulário, aquele que deveria ser objeto de atenção e redução por parte das autoridades econômicas. Bastaria reduzir a SELIC em apenas um único ponto percentual, dos atuais 14,25%, para obter uma economia anual de R$ 20 bilhões nos gastos do governo federal."

Ao invés de atacar a gastança com a dívida pública e a sonegação de impostos dos super-ricos, o governo volta a repetir as surradas fórmulas do passado.

O anúncio da nova etapa do pacote do austericídio deixava no ar um sentimento um pouco confuso. Para quem buscava se fixar na lembrança da imagem da candidata do “coração valente”, a entrevista coletiva concedida por dois de seus principais ministros transmitia apenas uma cena bastante difusa. Algo meio trágico, muito triste, bastante patético.

Impressionava assistir aquelas declarações emitidas por responsáveis de um governo eleito por um partido que se diz representante dos trabalhadores. Repetiu-se, mais uma vez, aquela mesma lengalenga de sempre. A gravidade do momento. A emergência da crise. A responsabilidade do governo em fazer a sua parte. A necessidade de compartilhar o esforço por todos os setores da sociedade. Mas a crueldade permanece direcionada para os menos protegidos. Mais uma vez, trabalhadores, servidores públicos, aposentados e a grande maioria da população que depende dos serviços públicos serão os grandes prejudicados.

Snowden revela que Israel criou o Estado Islâmico ISIS para criar um 'inimigo' e justificar o genocídio árabe

Snowden revela que Israel criou o Estado Islâmico ISIS para criar um 'inimigo' e justificar o genocídio árabe

Estados Unidos - Sott.net - Grande polémica estão causando as novas declarações de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência de Inteligência do Governo dos Estados Unidos, NSA (siglas em inglês), quem acaba de revelar que os serviços de inteligência de EEUU, Reino Unido e Israel colaboraram juntos, através da Mossad (Agência de segurança de Israel), na criação do Estado Islâmico do Iraque e o Levante (EIIL ou também conhecido como ISIS).

Foi o Mossad, quem formou uma organização terrorista que pretendia unir a todos os grupos extremistas do mundo a um sítio, usando a estratégia denominada “o ninho da vespa”.

Para que criar estar organização terrorista?

De acordo com documentos publicados por Edward Snowden, o propósito desta organização, é proteger o Estado Sionista, através da implementação do “ninho da vespa" por meio da criação de lemas religiosos e islâmicos, de tal modo que "a única solução para a protecção do Estado judeu é criar um inimigo perto das suas fronteiras", assinalou Snowden.

Nesse sentido, as filtraciones de Snowden descobrem que o Mossad procurou dar treino militar, cursos de oratória e teologia, ao líder do Estado Islâmico, Abu Bakr Ao Baghdadi.

O Estado islâmico (EIIL ou ISIS ou DAESH), provocou um violento levante no Iraque. Embora não se conhecem os dados exatos do financiamento do ISIS acredita-se que controla 2.000 milhões de dólares e se compõe de 10.000 combatentes, o que permite este grupo combater exitosamente contra o Exército iraquiano e assim tentar controlar uma região que se estende desde a cidade de Alepo na Síria, até as cidades de Faluya, Mosul e Tal Afar no Iraque.

Cabe assinalar que o grupo armado islâmico ISIS, uniu-se oficialmente em 2004 à organização terrorista da Al-Qaeda, da qual foi fundador Osama Bin Laden, que por sua vez foi financiado pela Agência de Investigação e Inteligência de Estados Unidos (chame-se CIA), está documentado e reconhecido o financiamiento ao menos durante a batalha contra as tropas da União Soviética, embora diversos peritos e jornalistas assinalam que a relação poderia ser mais longeva.

A propósito da Grécia e da crise na União Europeia

A propósito da Grécia e da crise na União Europeia
por VASCO CARDOSO

"Do ponto de vista do grande capital, dos governos gregos e da UE, a atuação foi perfeitamente coerente e a que se esperava. Não houve enganos ou exageros, erros de cálculo ou excesso de avidez, como alguns se prontificam a dizer. Perante o aprofundamento da crise, para o grande capital não importa que mais de 1/4 da população fique desempregada e sem meios de compra – um enorme exército de reserva para o capital –, que a precariedade se intensifique e generalize, que a pobreza engrosse e se solidifique, tal é o resultado expectável, natural e necessário da crise, que exige aquilo que for preciso para contrariar a baixa das taxas de lucro. Tratava-se, numa «luta de vida ou de morte», de elevar brutalmente a exploração, diminuindo os custos unitários do trabalho. Diminuindo igualmente o custeio, por parte do capital, da segurança social e dos gastos sociais do Estado (outra forma de aumentar, indirectamente, a taxa de exploração), com os cortes das reformas e pensões e da despesa pública e o desagravamento da fiscalidade sobre o grande capital. E, claro, destruindo a força organizada de resistência a esse aumento (directo e indirecto) da exploração, nomeadamente com a desregulamentação laboral, a destruição da contratação colectiva, que foi muito longe na Grécia, e a criminalização do movimento operário e popular."

A Grécia constitui certamente o mais grave exemplo das brutais medidas de exploração e opressão impostas aos povos dos países integrados na União Econômica e Monetária e sujeitos ao colete de forças da moeda única e ao garrote da dívida externa. Seja em função de processos de intervenção externa, por via da UE e do FMI, seja em função do colete de forças que decorre do próprio Euro, os últimos anos ficaram marcados por uma significativa aceleração das medidas ditas de austeridade: desemprego em massa, empobrecimento de uma larga maioria da população, aumento da exploração, privatizações, quebras significativas no PIB com uma enorme destruição de capacidade produtiva, foram algumas das consequências. 

Mas longe de constituir uma situação isolada, deste ou daquele país, o «problema grego», que nos últimos meses atingiu grande visibilidade, é sobretudo expressão da própria crise do capitalismo e da grande instabilidade e incerteza sobre o desenvolvimento da situação internacional, bem como do agudizar das contradições decorrentes do processo de integração capitalista europeu.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Mensagem da PAME ao Partido Comunista (de Itália)

Mensagem da PAME ao Partido Comunista (de Itália)
Publicado originalmente por  Partito Comunista (de Itália)

"O grande capital na Grécia, junto com os meios de comunicação e os seus agentes políticos canalizaram a indignação do mundo por caminhos indolores para o capital. Eles apelam a manifestações fora dos locais de trabalho com slogans contra “a corrupção” contra a “Merkel” e pela super “boa democracia da União Europeia.” Essas mobilizações foram promovidas pelo partido oportunista SYRIZA, mas também receberam apoio mesmo do partido fascista Aurora Dourada."

"A situação dos refugiados-imigrantes que vivemos de perto, tanto na Grécia como na Itália é emblemática. O problema será agravado, uma vez que aumenta a concorrência e os conflitos em matéria de fontes de energia e rotas de transporte. É dever do movimento de classe, enfrentar os bandos fascistas, o veneno do racismo e da xenofobia. A sua divulgação é um mecanismo do capital, cuja missão é atacar o movimento sindical."

Caros camaradas,

A PAME (Frente Militante Todos os Trabalhadores) que representa o movimento operário de classe na Grécia saúda esta vossa iniciativa sobre a situação e os desenvolvimentos no movimento operário.

Embora os desenvolvimentos em curso na Grécia não nos permitam estar aqui com vocês, os nossos pensamentos estão firmemente focados em reforçar os laços de amizade e solidariedade entre os trabalhadores da Grécia, de Itália e de toda a Europa.

A Grécia e a Itália também desempenham um papel de destaque na evolução política e económica recente. Mas estes desenvolvimentos são apresentados unilateralmente pelos média corporativos, onde os trabalhadores aparecem apenas como pano de fundo, quando na verdade eles são tanto as vítimas das políticas implementadas como aqueles que, através do seu trabalho, geram toda a riqueza existente.

Em particular, a experiência recente do movimento operário da Grécia pode ser uma arma para os povos da Europa. Em cinco anos, desde a eclosão da crise capitalista na Grécia, o movimento popular de classe na Grécia fez mais de 30 greves gerais nacionais, centenas de greves em várias indústrias e sectores e milhares de manifestações, comícios, sit-ins e protestos locais.

O genocídio indonésio de 1965

O genocídio indonésio de 1965
por JORGE CADIMA
"A extensão do envolvimento directo das potências imperialistas no genocídio indonésio foi revelada em 1990 no (já referido) artigo de Kathy Kaldane com o título: «Ex-agentes dizem que a CIA compilou listas da morte para os indonésios – Após 25 anos, americanos falam do seu papel no extermínio do Partido Comunista». As fontes da jornalista incluíam o ex-Director da CIA William Colby e Robert J. Martins, que trabalhava na altura na Embaixada dos EUA na Indonésia. Martins, que ajudou a elaborar as listas, afirmou: «Talvez tenham morto muita gente, e devo ter muito sangue nas mãos, mas isso não é tão mau assim. Há alturas em que é preciso golpear com dureza num momento decisivo». As listas entregues pela CIA aos carrascos indonésios incluíam «os nomes de membros dos comités provinciais, de cidade e de outras organizações do PKI, bem como dirigentes das 'organizações de massas'». O ex-Embaixador dos EUA, Marshall Green gabou-se: «'Sei que tínhamos muito mais informação' sobre o PKI 'do que os próprios indonésios'». Ainda segundo o artigo de K. Kaldane, «funcionários da Embaixada [dos EUA] registaram cuidadosamente a destruição subsequente da organização do PKI. Usando a lista de Martins como guião, assinalavam os nomes dos dirigentes do PKI capturados ou assassinados, e acompanhavam o gradual desmantelamento do aparelho do Partido». Nas explícitas palavras de outro funcionário-torcionário da 'maior democracia do mundo': «Ninguém se preocupava se estavam a ser trucidados, desde que fossem comunistas». E mesmo que não o fossem..."

Há meio século consumou-se uma das grandes chacinas da História. A partir de Outubro de 1965, os militares indonésios, com o apoio activo e directo do imperialismo norte-americano, massacraram cerca de um milhão de comunistas, sindicalistas e membros dos poderosos movimentos de massas indonésios. 

O genocídio indonésio é um dos mais sangrentos episódios da grande guerra de classes mundial com que o imperialismo procurou conter e derrotar o ascenso do poderoso movimento de libertação nacional e social da segunda metade do Século XX, sob o impacto da derrota do nazi-fascismo e do prestígio imenso da União Soviética e do movimento comunista internacional. O genocídio indonésio é exemplo gritante de como a barbárie imperialista dos nossos dias não é um fenômeno novo, mas sim uma característica intrínseca e permanente da dominação imperialista. Como afirmou em 1967 o ex-Presidente dos EUA Richard Nixon, «com o seu patrimônio de recursos naturais, o mais rico da região, a Indonésia é o maior tesouro no Sudeste asiático»1. Para se assenhorear deste 'tesouro', o imperialismo afogou em sangue o povo indonésio. Dez anos mais tarde, os militares 'pró-ocidentais' indonésios desencadeavam novo genocídio contra o povo de Timor-Leste, mais uma vez em coordenação estreita com o imperialismo norte-americano.

Síria

Síria
por Albano Nunes

"Depois de quatro anos de aberta ingerência e brutal agressão das grandes potências da NATO; de sucessivos fracassos e derrotas de «alianças» mercenárias forjadas, armadas e comandadas no exterior; de milhares e milhares de mortes e imensas destruições; de mais de seis milhões de deslocados internos e quatro milhões de refugiados (a esmagadora maioria nos países limítrofes: Turquia, Líbano e Jordânia), a Síria continua a resistir, e isso é inaceitável para o imperialismo. O relançamento da campanha contra este país, procurando responsabilizar o seu governo pela crise dos refugiados e levantando de novo a acusação de utilização de armas químicas e de outros crimes de guerra, não é prenúncio de nada de bom. É necessário desmascarar a tentativa de transformar em bode expiatório a própria vítima."

O drama dos refugiados na Europa tem sido amplamente mediatizado para desviar a atenção da crise do processo de integração capitalista europeu, retocar a imagem de uma Alemanha profundamente desacreditada pelas brutais imposições à Grécia, justificar apelos a «uma autoridade forte» que reforce ainda mais o carácter supranacional da UE e, sobretudo, esconder as verdadeiras causas e responsáveis pela onda de fugitivos da guerra e da morte. E nos últimos dias, com a entrada em cena dos EUA (que se propõem receber dez mil refugiados sírios) tornou-se evidente que o imperialismo procura instrumentalizar a «crise dos refugiados» para dar um rosto «humanitário» à sua intervenção na Síria e, a coberto do «combate» ao «Estado Islâmico», intensificar as operações militares contra o regime presidido por Bashar al-Assad. 

A França de Hollande, certamente saudosa dos tempos em que a partilha imperialista dos despojos do Império Otomano lhe atribuiu um mandato colonial sobre a Síria e o Líbano, tomou a dianteira e anunciou bombardeamentos em território sírio. Agora é Obama que, obcecado pelo derrube do governo sírio, vem ameaçar a Federação Russa, que mantém com a Síria uma aliança de muitas décadas, pela sua assistência militar a Damasco.

Ao mesmo tempo que é necessário exigir solução humanitária e política urgente para a dramática situação dos refugiados, não pode permitir-se qualquer distracção quanto à estratégia agressiva do imperialismo. É hoje evidente que o misterioso «Estado Islâmico» foi uma criação do imperialismo norte-americano e da reacção árabe para justificar a política de ingerência, desestabilização e guerra em toda a Região e, em particular, para liquidar a resistência da Síria ao dictat dos EUA e ao seu projecto do «Grande Médio Oriente». 

A NATO e os refugiados: a mão que embala o berço

A NATO e os refugiados: a mão que embala o berço
por Ángeles Maestro*

"Como é que podemos classificar dirigentes que olharam para o lado enquanto a NATO, a UE, os EUA e os seus mercenários locais devastavam os países donde procedem os refugiados – ou, inclusivamente, justificaram os ataques imperialistas a partir de posições supostamente de esquerda – e que agora se desfazem daquelas roupagens, perante as terríveis imagens da sua dor?

Atahualpa Yupanqui num poema memorável dizia: «Que deus ajuda aos pobres?, talvez sim ou talvez não; o que é seguro é que almoça na mesa do patrão». Talvez as suas palavras fortes e o “humanitarismo” destes alcaides ocupem os écrans e os títulos dos meios de comunicação, porque cumprem a valiosíssima função de impedir que a imensa maioria compreenda as causas e identifique os criminosos e os seus cúmplices."
Um povo ou uma classe necessitam de identidade, e por isso de capacidade de trabalho, senão não sabem quem são os seus inimigos. E esta consciência colectiva é histórica porque se nutre da memória das lutas de gerações anteriores e é concreta, porque dá conta das relações sociais em cada lugar e em cada período determinado.

Este axioma fundamental, consubstancial à luta de classes, é o que foi apagado dos discursos das formações que se movimentam na órbitra de Podemos, incluindo a Esquerda Unida. E quando falamos da guerra imperialista como a mais brutal expressão da luta de classes o resultado é assombroso.

Essa identidade de classe e de povo é o que permite estabelecer as ligações entre os acontecimentos que as classes dominantes se preparam para ocultar. Por exemplo, a relação entre a chamada crise dos refugiados e as manobras militares da NATO, que se iniciarão no próximo mês, financiadas com os nossos impostos e a ter lugar em território do Estado espanhol.

É essa consciência que ajuda a compreender que se trata da mesma NATO que destruiu a Líbia, o país que tinha o mais elevado Índice de Desenvolvimento Humano de toda a África. É a mesma NATO que financiou e apetrechou os talibans para derrotarem o único presidente de toda a história do Afeganistão que conseguiu tirar o seu país da Idade Média, durante um breve período. Os estados membros da NATO são os mesmos que destruíram o Iraque, o país árabe mais desenvolvido.

São os mesmos chefes (homens e mulheres) de governo de países da UE, de qualquer cor política que, juntamente com os EUA, um prémio Nobel da Paz, que treinam e armam os mesmos mercenários e criminosos que qualificam de terroristas e simultaneamente dizem perseguir. E as bombas que dizem lançar sobre Estado Islâmico ou Daesh caem na realidade em cima das resistências curda, síria ou libanesa. Nesta infame equipa de governantes europeus há que incluir o governo Syriza-Anel que durante o seu curto mandato permitiu que a Grécia participasse em todas as manobras e missões organizadas pela NATO, estreitou a colaboração militar com Israel, pôs à disposição da NATO a ilha de Kárpatos para a converter numa grande base militar para a aviação, votou a favor do prolongamento das sanções da UE contra a Rússia, etc..

domingo, 13 de setembro de 2015

Portugal : No PSD, CDS, PS, como diria Bocage - Nunca vi tanto filho da puta juntos!.

Portugueses tenham cuidado, além de tudo, ele tem caspa.
No PSD, CDS, PS, como diria Bocage - Nunca vi tanto filha da puta juntos.
Mafarrico Vermelho


Portugueses , se vocês estão pensando em votar nos candidatos do PSD, CDS, PS, é melhor votar diretamente nas PUTAS, pois , seus filhos, membros desses partidos, só fazem putaria. Sejam conscientes e mande-os à "Puta que o pariu" !!(Localidade da foto abaixo).



Homenagem especial aos atuais governantes em Portugal, que não passam de meros serventuários e estafetas da UE, para isso, me utilizo dos meigos e sublimes versos do Bocage, num português castiço, para os qualificar em sua origem como verdadeiros e originais filhos da puta.:

A VIDA É FILHA DA PUTA,
 
A PUTA, É FILHA DA VIDA......
 
NUNCA VI TANTO FILHA DA PUTA,
 
NA PUTA DA MINHA VIDA !
 

BOCAGE
 

sábado, 12 de setembro de 2015

As origens obscuras da União Europeia

As origens obscuras da União Europeia 
por Luisen Segura


"Uma instituição sempre se pode vestir sob um manto de correção política, mas as pessoas tendem a ficar marcadas pelas suas ações de uma forma mais indelével, sendo símbolo de ideias e episódios históricos concretos. A União Europeia pode apresentar a sua história como uma epopeia da democracia – um conceito, aliás, que merece uma abordagem à parte, para podermos compreender o que é, de facto –, mas o papel protagonista de certos “pais fundadores”, que fizeram parte do nazi-fascismo ou do conservadorismo mais reacionário, serve para colocar sobre a mesa algumas provas da falácia historiográfica europeísta."


O enredo histórico que esteve na origem da atual União Europeia foi complexo. 

Estudar a história do que veio a ser chamado de “integração europeia”, a partir do objetivo inicial da criação de um mercado comum continental, significa a submersão numa maré confusa, na qual diferentes correntes intervêm. Referimo-nos a um oceano cheio de tratados, de relatórios, de comissões, de declarações, de acordos e de desacordos com nomes próprios. Referimo-nos à sucessão, combinação e mutação de uma série infinita de instituições e de organismos de natureza duvidosa (muitas vezes utilizando uma definição ambígua entre o estatal e o corporativo), compostos de órgãos e membros dependentes de diferentes alianças, muitas vezes com passados ocultos. 

Entre tantas assinaturas solenes, uma pretendeu assumir-se como data da fundação, ano zero, para contar a história da atual União Europeia: a assinatura dos chamados Tratados de Roma, a 25 de março de 1957. O estabelecimento da Comunidade Económica Europeia – CEE – e da Comunidade Europeia da Energia Atómica – EURATOM – reforçaram o processo aberto em 1951 pela Comunidade Europeia do Carvão e do Aço – a famosa CECA –, primeiro órgão supranacional dos monopólios europeus, neste caso, franceses e alemães, juntamente com os italianos e os do Benelux. Mas começar a contar a história do processo de integração dos monopólios europeus num mercado continental comum a partir de Roma, em 1957, ou a partir do Tratado de Paris, de 1951 – nascimento da CECA – omitiria parte da história, a génese de um processo ligado não só ao período pós-Segunda Guerra Mundial, mas também inerente à própria eclosão dos dois conflitos mundiais que marcaram a história do século XX. 

A União Europeia e o projeto de integração continental apresenta-se quase sempre como um paradigma de cooperação entre as nações, que ultrapassa as diferenças, a favor da convivência democrática. No entanto, esta é uma história com grandes capítulos escondidos. As obras de maior alcance serão aquelas que, no futuro, expuserem as contradições fundamentais do oficialmente contado em relação ao realmente ocorrido. No seio das cúpulas que dirimiram o futuro da integração europeia no século XX houve enormes contradições táticas. Diferenças entre federalistas e funcionalistas, entre aqueles que procuravam uma formulação política supranacional desde o primeiro momento, e aqueles que priorizavam a unidade de ação econômica. No contexto das guerras mundiais, do capitalismo decididamente monopolista, no surgimento de um bloco de nações socialistas, a ideia da Europa como um centro de poder capitalista, a ideia de uns Estados Unidos da Europa, foi a aposta dos grandes capitais financeiros – confluência dos monopólios industriais e bancários – do velho continente, com medo de serem asfixiados na zona intermédia que separavam as duas grandes potências mundiais. Uma oligarquia que em função dos seus interesses nacionais havia sido dividida em diferentes facções durante as guerras mundiais e que, uma vez passadas, deveria pôr-se de acordo novamente, senão iria perecer debaixo da ascensão do primo estadunidense, ou pelo contágio soviético.

Um estudo detalhado, com nomes e apelidos, com dados económicos e suas traduções políticas, pode e deve ser feito. No entanto, quase como uma curiosidade histórica, é possível vislumbrar no atual discurso histórico sobre a União Europeia uma falácia. Apesar de os interesses económicos sempre terem sido, como continuam a ser, o motor de tal união continental, este facto, mesmo não sendo ocultado, é apresentado como um germe de menor importância. O que de facto se oculta deliberadamente é a participação de personalidades de passado obscuro, no processo de construção da União Europeia. Uma instituição sempre se pode vestir sob um manto de correção política, mas as pessoas tendem a ficar marcadas pelas suas ações de uma forma mais indelével, sendo símbolo de ideias e episódios históricos concretos. A União Europeia pode apresentar a sua história como uma epopeia da democracia – um conceito, aliás, que merece uma abordagem à parte, para podermos compreender o que é, de facto –, mas o papel protagonista de certos “pais fundadores”, que fizeram parte do nazi-fascismo ou do conservadorismo mais reacionário, serve para colocar sobre a mesa algumas provas da falácia historiográfica europeísta. 

Autênticos amigos das transnacionais

Autênticos amigos das transnacionais
por Silvia Ribeiro

"Desde 2012 que se desenvolve, em segredo, a negociação de um Acordo de Comércio em Serviços (TISA na sigla em inglês). Através dele os EUA (melhor dizendo, as suas grandes empresas financeiras e os seus gigantes do comércio de bens e serviços) pretendem impor ao mundo as regras mais bárbaras do lucro capitalista a qualquer preço. É urgente o alerta, a denúncia e o combate contra esta devastadora ofensiva."
O Acordo de Comercio em Serviços que governos de 50 países, México incluído, negoceiam em segredo, (TISA na sigla em inglês) supera tudo o que se viu até ao momento em matéria de tratados internacionais no que diz respeito a dar benefícios irrestritos às empresas transnacionais, contra os interesses e o bem público. Neste contexto o termo “serviços” abarca desde água e alimentação a saúde, educação, investigação, comunicações, correios, transportes, telecomunicações, comércio electrónico, venda por grosso e a retalho, serviços financeiros, e muito mais, inclusivamente os mal chamados “serviços ambientais” relacionados a bosques, sistemas hidrológicos e outras funções dos ecossistemas. ¡Até os migrantes são incluídos no tratado como supostos “fornecedores de serviços”! O sector serviços é para além disso o maior empregador dos países de rendimentos altos e médios, e são enormes os impactos contra direitos laborais e sindicais.

As negociações e textos em discussão são secretos, mas Wikileaks, através de meios como La Jornada, tem-nos filtrado desde 2014, a versão mais recente em Julho de 2015. (http://wikileaks.jornada.com.mx/) De outra forma não conheceríamos o que discutem desde 2012 embora, se o vierem a concretizar, venha a ter consequências de amplo alcance na vida de todos nos países participantes e muito para além deles, uma vez que o bloco negociador pretende impor este mesmo quadro aos restantes países.

O TISA integra um pacote de vários tratados comerciais em negociação nos quais um grupo de países, Estados Unidos à cabeça, buscam assegurar o mercado das suas empresas e a sua esfera de poder comercial, financeiro e político. Os mais significativos são a Associação Transatlântica para o Comercio e o Investimento e o Acordo Estratégico Trans-Pacífico de Associação Económica (TTIP e TPP nas suas siglas em inglês). O primeiro é entre EUA e Europa (informalmente chamado NATO económica) e o segundo entre Estados Unidos e vários países do Pacífico.

O mais amplo temática e numericamente é o TISA, em que actualmente participam 50 países, entre os quais Estados Unidos, Canadá, Europa, Austrália, Japão, entre outros asiáticos e vários latino-americanos: Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Peru, Paraguai e Uruguai. Juntos representam 68% do comércio em serviços a nível global.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Nem tudo que vem da Síria tem entrada vedada no Ocidente: Por que o EI destrói monumentos históricos?

Nem tudo que vem da Síria tem entrada vedada no Ocidente: Por que o EI destrói monumentos históricos?
Resumen Latinoamericano / RT


"A arqueóloga Joanne Farchakh relatou ao diário ‘The Independent’ como os islâmicos vendem as estátuas e outros artefatos de importância histórica aos distribuidores internacionais. Desta forma, ganham enormes quantidades de dinheiro por estas relíquias únicas e depois explodem pelos ares os templos e edifícios antigos para esconderem a evidência do saque.

“As antiguidades de Palmira já estão à venda em Londres. Existem objetos sírios e iraquianos tomados pelo Estado Islâmico que já estão na Europa. Já não estão na Turquia, onde se destinaram em um primeiro momento. Abandonaram a Turquia há muito tempo”, explica a arqueóloga. A posterior destruição dos monumentos históricos, continua a especialista, “oculta os ingressos” do grupo terrorista."

Uma arqueóloga francesa-libanesa revelou a principal razão pela qual os terroristas do Estado Islâmico estão eliminando da face da Terra os grandes monumentos da história antiga na Síria e Iraque.

A arqueóloga Joanne Farchakh relatou ao diário ‘The Independent’ como os islâmicos vendem as estátuas e outros artefatos de importância histórica aos distribuidores internacionais. Desta forma, ganham enormes quantidades de dinheiro por estas relíquias únicas e depois explodem pelos ares os templos e edifícios antigos para esconderem a evidência do saque.

Ainda os refugiados

"nous sommes les vrais fils de pute"
Ainda os refugiados
por Jorge Cadima


"Hoje fala-se muito do drama dos refugiados sírios que chegam à Europa. Mas quem decidiu intervir militarmente na Síria? Não se pode esquecer títulos como: «Um exército insurgente que alega ter 15 000 homens está a ser coordenado a partir da Turquia [país da NATO] para enfrentar o presidente Assad» (Telegraph, 3.11.11); «A CIA acusada de auxiliar no envio de armas para a oposição síria» (New York Times, 21.6.12); «Navio espião alemão auxilia os rebeldes sírios» (Deutsche Welle, 20.8.12); ou «Estados do Golfo pagam os salários do Exército Sírio Livre» (ABCnews, 1.4.12). E há que estar atentos ao que se pode esconder por detrás do súbito interesse da comunicação social pelo tema dos refugiados. O primeiro-ministro inglês Cameron quer «uma intervenção militar para resolver a crise síria» e um ex-Arcebispo de Cantuária (chefe espiritual da Igreja de Estado em Inglaterra) defende «ataques aéreos e outro tipo de assistência militar para criar enclaves seguros e pontos de abrigo na Síria» (Telegraph, 5.9.15). "

A crise dos refugiados, de que tanto se tem falado, não começou agora. A novidade que acordou a comunicação social está apenas no facto de essa crise ter chegado à Europa. Para os países devastados pelas guerras imperialistas, e para os seus países limítrofes, a crise existe há já muitos anos. Se há hoje mais refugiados do que em qualquer outro momento desde a II Guerra Mundial (como afirma a ONU), tal deve-se ao facto de que todos os anos cresce a lista dos países destruídos pelas políticas de guerra e rapina dos EUA, da NATO e das potências da União Europeia.

Segundo o Anuário Estatístico de 2010 da agência da ONU para os refugiados (não palestinos) UNHCR, havia no final desse ano cerca de 34 milhões de refugiados e deslocados (fora ou dentro dos países de origem). Dos cerca de 10,5 milhões de refugiados externos, 80% eram acolhidos por países em vias de desenvolvimento e a comunicação social dominante pouco se preocupava com a tragédia. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Colômbia : Capitão do exército afirma que Uribe ditava ordens para cometer assassinatos junto às AUC

Capitão do exército afirma que Uribe ditava ordens para cometer assassinatos junto às AUC
Por El inciso.com-Las dos Orillas / Resumen Latinoamericano/
"As execuções extrajudiciais que este paramilitar confessa em um relato franco e arrepiante, hoje fazem parte das estatísticas dos “triunfos” na guerra contra as FARC que o ex-presidente Uribe continuou reivindicando, inclusive em sua campanha eleitoral em que chegou ao Senado à frente de uma organização política de extrema direita, da qual é ideólogo principal o primo irmão do narcotraficante Pablo Escobar Gaviria, José Obdulio Gaviria."

Capitão do exército afirma que Uribe ditava ordens para assassinar junto às AUCO capitão do Exército Adolfo Enrique Guevara Cantillo, conhecido como ‘101’, foi até 2004 o chefe do GAULA no departamento do Magdalena (grupo de elite do Exército Nacional contra a extorsão e o sequestro) e, ao mesmo tempo, desde 1998, teve a dupla função de substituto do chefe principal do grupo paramilitar “Jorge 40”. Ou seja, sendo militar ativo era também membro dos exércitos paramilitares. Guevara não era um infiltrado, trabalhava abertamente para os dois grupos armados, o legal e o ilegal, do que sabiam e protegiam os altos comandos, como o general Mario Montoya, que chegou a ser Comandante do Exército da Colômbia. Coordenava no norte do país a colaboração criminosa que se deu entre o grupo armado estatal e o ilícito paramilitar, principalmente durante o governo de Álvaro Uribe Vélez, de quem disse ter recebido ordens para cometer assassinatos.

Afirma que a sugestão de fazer parte dos paramilitares foi de um superior seu: “foi meu superior, que descanse em paz, Salazar Arana, que foi comandante do GAULA do Atlântico nessa época”, disse ‘101’. Em seu extenso relato, colido no vídeo que acompanha este artigo, Guevara Cantillo defende que o regime de execuções extrajudiciais, conhecidas como “falsos positivos”, foi uma implacável “política de Estado” da qual ele fez parte, e a descreve de forma incisiva e detalhada, com documentos em mãos.

domingo, 6 de setembro de 2015

A batalha por Sanaa – a história de uma resistência

os genocidas e suas obras macabras
A batalha por Sanaa – a história de uma resistência
por Catherine Shakdam*

"Se os sauditas detêm, indiscutivelmente, a vantagem militar, graças a mais dinheiro e a superior tecnologia, a resistência domina pontos de pressão geoestratégica cruciais. A resistência iemenita não será facilmente derrotada nas suas praças-fortes – não o será porque dispõe de praticamente absoluto apoio popular, não será porque a sua posição face ao reino se tornou a posição de um país inteiro contra a tirania."

O Iémen chegou a uma encruzilhada decisiva nos seus combates contra a imperial Arábia Saudita. Enquanto comunidades, seitas e regiões foram lançadas umas contra as outras ao serviço da agenda de potências estrangeiras, a resistência encabeçada pelos Houthi poderá dispor ainda de alguns trunfos no seu combate. Com a Arábia Saudita, rica do seu petróleo, a postos para desencadear o que espera venha a ser o golpe final contra o movimento de resistência, os iemenitas estão a preparar-se para o que aí vem; com uma clara noção de que a cidade nortenha de Sanaa poderá em breve constituir o último bastião contra Al Saud, o terreno onde todas as batalhas serão ganhas ou perdidas.

Agora que o reino e os seus aliados regionais estabeleceram uma praça-forte no porto meridional da Aden, garantindo assim tanto um acesso ao mar como uma passagem para o interior, verifica-se um intenso fluxo de homens e equipamento militar – de dia para dia avançando mais longe no território do Iémen, de dia para dia desafiando a determinação dos combatentes da resistência iemenita. Mas, ainda que tenham efectivamente sido sofridas baixas, ainda que localidades e posições tenham sido abandonadas face ao poder de fogo da coligação encabeçada pelos sauditas, o Iémen está longe de estar derrotado.

Cale-se

Cale-se
por Neimar Machado de Sousa - Le Monde Diplomatique


"Se é verdadeira a afirmação de que o modo como as sociedades indígenas são tratadas é um indicativo sensível da natureza social daqueles que com elas interagem, cabe perguntar em que momento perdemos a humanidade na região de Campestre? A acusação que pesa sobre nossa (des)humanidade pode ser formulada nestes termos: não se pode calar impunemente uma voz que clama por justiça, seja ela verbalizada em guarani, português ou espanhol. Com a palavra o Estado. "
As raízes profundas do ataque contra os Guarani Kaiowá organizado por ruralistas do município de Antônio João (MS) que resultou no assassinato de Simião Vilhalva.

Pai, afasta de mim este cálice”, cantou Chico Buarque, no tempo da exceção que virou regra (1964-1985). É preciso lembrar que no mesmo período os chamados atos de exceção afligiram mais de 8 mil índios, de acordo com a Comissão Indígena da Verdade.

A exceção à qual me refiro é um pai chamado de Nhanderu, nosso pai, Marangatu, sagrado, na língua guarani. Este é o nome moderno de um território antigo localizado no município de Antônio João, MS, fronteira com o Paraguai. O nome do lugar, segundo declaração de um político local, difundida pelo rádio no dia 28 de agosto de 2015, é "chapa quente!". (Leia: Líder indígena é assassinado em ataque de fazendeiros no Mato Grosso do Sul)

A tradução do nome guarani pelos moradores da região é nosso pai santo, referência ao Cerro Marangatu, Monte Sagrado. Os moradores das aldeias na região são do povo Guarani-kaiowá, um grupo étnico composto por mais de 30 mil pessoas, confinadas fisicamente, em pequenas reservas do tamanho das jaulas de Abu Ghraib, e linguisticamente, em escolas do tamanho do monolinguismo. Esta redução de espaço ocorreu sistematicamente após a criação do Serviço de Proteção do Índio em 1915, pelo governo brasileiro. Foi durante este período também que os índios foram destituídos de voz, pois eram os "silvícolas", termo usado pela legislação da época. Eram proibidos de se manifestar perante os tribunais, conforme regia o Estatuto do Índio, de 1973. Além disso, os removidos eram proibidos de deixar as reservas indígenas pela Guarda Rural Indígena, capitães e sargentos, treinados pela Polícia Militar, até 1988, 5 de outubro, quando o marco temporal, que estabeleceu o limite final para pleitear algum direito territorial perante os tribunais, de acordo com entendimento de alguns magistrados depois do julgamento que confirmou, sob condições, a homologação da TI Raposa Serra do Sol, em Roraima.

sábado, 5 de setembro de 2015

A UE, o imperialismo e a crise dos refugiados

Maldita UE, xenófoba / militarista
  e 
criminosa!
A UE, o imperialismo e a crise dos refugiados
por Miguel Viegas

"Quanto às respostas políticas da UE perante este drama humanitário, elas são a mais eloquente resposta a todos aqueles que continuam a acreditar numa UE solidária e preocupada com os direitos humanos. E sobre estas, seria certamente útil conhecer as linhas de orientação do Frontex, agência responsável pelo controlo das ditas «fronteiras externas» da UE e do espaço Schengen. Hoje, todas as evidências demonstram que a decisão de suspender a operação humanitária da marinha italiana, «Mare Nostrum», no final de 2014, contribuiu para um aumento dramático das mortes de migrantes e refugiados no mar. O argumento segundo o qual a operação «Mare Nostrum» funcionava como um «factor de atracção» é assim desmontado pelas estatísticas.
Assim, ao substituir a operação «Mare Nostrum» pela operação «Tritão», centrada sobretudo em acções de vigilância e repressão junto às costas de Itália e de Malta, dá corpo a uma visão instrumental, xenófoba e militarista da chamada política migratória e de vizinhança desta Europa-fortaleza criada com Schengen"

Todos os dias nos chegam imagens chocantes com centenas de seres humanos fugindo da guerra, da pobreza e de outros dramas sociais e humanos, tentando chegar aos países da União Europeia, atravessando o Mediterrâneo ou tentando a via terrestre através da Macedônia, Sérvia e Hungria.  São imagens terríveis que retratam homens e mulheres, parte delas grávidas ou com crianças de colo, em busca de paz e de pão, que manifestamente não encontram nos seus países de origem. São já mais de duas mil as mortes registradas oficialmente, apenas na travessia do Mediterrâneo, número este que subestima a realidade, mas que revela bem a verdadeira face da União Europeia que tanto apregoa os valores do humanismo e da solidariedade. 

Não menos chocante tem sido a superficialidade da esmagadora maioria das reportagens que, de forma não inocente, focam os aspectos dramáticos da situação e centram a análise nas consequências, evitando qualquer aprofundamento sobre as causas destes fenômenos e as respostas da União Europeia relativamente a esta situação.