Pesquisa Mafarrico

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Porquê o Socialismo?

Porquê o Socialismo?
por Albert Einstein

 "Considero este estropiamento dos indivíduos como o pior mal do capitalismo. Todo o nosso sistema educativo sofre deste mal. Uma atitude exageradamente competitiva é incutida no aluno, que é educado para venerar o poder aquisitivo como preparação para a sua futura carreira.

Estou convencido que só há uma forma de eliminar estes sérios males, nomeadamente através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para objectivos sociais. Nesta economia, os meios de produção são detidos pela própria sociedade e são utilizados de forma planificada. Uma economia planificada, que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre aqueles que podem trabalhar e garantiria o sustento a todos os homens, mulheres e crianças. A educação do indivíduo, além de promover as suas próprias capacidades inatas, procuraria desenvolver nele um sentido de responsabilidade pelo seu semelhante em vez da glorificação do poder e do sucesso na nossa actual sociedade. "

Será aconselhável para quem não é especialista em assuntos económicos e sociais exprimir opiniões a propósito do socialismo? Eu creio que sim, por várias razões.

Consideremos primeiro a questão do ponto de vista do conhecimento científico. Pode parecer que não há diferenças metodológicas fundamentais entre a astronomia e a economia: em ambos os campos os cientistas procuram descobrir leis com aceitação geral para um grupo circunscrito de fenómenos de modo a tornar a interligação destes fenómenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia é complicada pela circunstância de que os fenómenos económicos observados são com frequência influenciados por muitos outros factores, que são muito difíceis de avaliar separadamente.
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Oligarquia, austeridade e repressão


Como ficamos após as medidas de austeridade impostas pela troika



Oligarquia, austeridade e repressão
Escrito por Camila Carduz
 
14 de octubre de 2012, 11:35 La Vèrdiere, França (Prensa Latina) Sobre a situação na zona euro (ZE) há muito o que dizer, mas é melhor ler a excelente análise intitulada "Crônica de uma morte anunciada" de Bernardo Kilksberg, grande professor da Universidade de Buenos Aires. Além de ser doutor em economia, conheceu e viveu a realidade das políticas de austeridade em sua Argentina natal: "Na economia há muitas incertezas, mas uma das coisas que hoje se sabem depois de experiências como as da Argentina e do México nos anos 90 e da Europa atual é quais são os efeitos dos ajustes ortodoxos. São, parafraseando García Márquez, a Crônica de uma morte anunciada".

Greve da PAME de 18/10/12 – Resposta às medidas bárbaras

Greve da PAME de 18/10/12 – Resposta às medidas bárbaras 
Partido Comunista da Grécia (KKE)


As manifestações da Frente Militante de Todos os Trabalhadores (PAME) em Atenas, Tessalónica, Pireu e dezenas de cidades de todo o país, no dia 18 de outubro de 2012, foram uma resposta decisiva às medidas bárbaras e à linha política do governo, da UE e do capital. 

A PAME realizou uma majestosa manifestação no centro de Atenas. "

Não caímos nos jogos destinados a desorientar, escarnecer e enganar o povo grego sobre a chamada negociação." Isto foi enfatizado por Sotiris Poulikogiannis, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Pireu, no comício da greve geral na praça de Omonia. E acrescentou que o governo de três partidos da ND-PASOK-Esquerda Democrática "finalizou o conjunto de medidas que foi encomendado pelos monopólios". 

"Se eu morrer, meu corpo mistura com a terra de novo"

"Se eu morrer, meu corpo mistura com a terra de novo"
por  Rosana Bond | Jornal A Nova Democracia



Em 2009, dois anos antes de ser assassinado a mando do latifúndio, o cacique guarani Nizio Gomes da comunidade Guayviri (MS), mostrou numa única frase toda a força de resistência de seu povo: "... não paro (de lutar) porque, se eu morrer, misturo com a terra de novo." Transformar-se em terra, a mesma que abrigou seus antepassados por séculos, é um recado claro dos guaranis sul-matogrossenses aos usurpadores criminosos: combateremos até o fim e não seremos vencidos, porque nem a morte nos tirará daqui.

O assassinato do cacique, em novembro de 2011, por homens contratados por fazendeiros (que após o atingirem com tiros levaram seu corpo, não encontrado até hoje) foi um dos incluídos no último Relatório da Violência contra os Povos Indígenas do Brasil, elaborado pelo CIMI (Conselho Indigenista Missionário). 

domingo, 28 de outubro de 2012

O valor actual do Manifesto Comunista

O valor actual do Manifesto
 Revisitando Álvaro Cunhal
 
publicado na revista  "O Militante" Nº 233 - Março / Abril - 1998


Há tanto a dizer do Manifesto Comunista que, no espaço disponível, apenas alguns limitados aspectos seleccionados podem ser referidos num breve apontamento.

1. Comemorar 150 anos do Manifesto Comunista de Marx e Engels é falar de um documento que - pelas suas análises, o seu conteúdo ideológico, o objectivo e a possibilidade que aponta de construir uma sociedade nova - lançou e promoveu uma luta revolucionária de alcance universal: a luta dos comunistas, que marcou e determinou as principais realizações e conquistas de transformação social desde então até aos dias de hoje.

Como anotavam as primeiras palavras do Manifesto, "andava pela Europa o espectro do comunismo". Ao longo do século e meio decorrido, continuou a "andar", agora pelo mundo, o mesmo espectro, a que as forças do capital chamaram "o perigo comunista". E, ao findar o século XX, ao mesmo tempo que proclamam que "o comunismo morreu", as campanhas violentas, constantes, universais, que lançam contra ele, mostram que não morreu mas está vivo e para viver.

A ideologia e as seitas

A ideologia e as seitas
por Filipe Diniz
 

"A presença crescente nas eleições de diversos países de candidaturas apoiadas por formações “religiosas” é apenas uma face mais visível do papel instrumental que estas desempenham, em particular no quadro da actual crise geral do capitalismo. A componente “religiosa” da ideologia dominante continua a constituir um dos mais eficazes instrumentos da opressão de classe."


Segundo os jornais, um dos candidatos que as sondagens davam como favorito na primeira volta das eleições municipais em São Paulo, no Brasil, acabou por ser prejudicado por ser o representante da coligação Partido Republicano Brasileiro (PRB) / Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Teve 21% dos votos, o que foi insuficiente para passar à 2.ª volta. Mas o candidato Serra passou, com 30,7%, apoiado pela coligação PSDB/IMPD. IMPD é a sigla da Igreja Mundial do Poder de Deus.

Estas «coligações» têm muito que se lhes diga, porque dos nove deputados federais eleitos pelo PRB, sete são pastores da IURD. Ou seja, não será fácil distinguir se é o partido o braço «político» da Igreja, ou se é a Igreja o braço «religioso» do partido.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A Igreja Católica e a selva capitalista

A Igreja Católica e a selva capitalista
por Jorge Messias
 
«A proposta de Orçamento do Estado para 2013 é um terramoto… um napalm fiscal. Arrasa tudo. É devastadora» (António Bagão Félix, da área do CDS-PP, ex-ministro das Finanças e da Solidariedade Social; membro do Opus Dei. Outubro de 2012).
 
«Manifestações são uma corrosão da harmonia democrática. As manifestações de rua não resolvem nada contestando, vindo para grandes manifestações. Não se resolve nada nem com uma revolução se resolveria» (Cardeal-Patriarca, Fátima, 12 de Outubro 2012).
 
«Um bispo tem de falar de tudo e é sua obrigação interceder pelos mais frágeis... este Governo é profundamente corrupto» (D. Januário Torgal,
Bispo das Forças Armadas, em Julho de 2012).
 
«Onde os economistas burgueses viam relações entre os objectos (troca de umas mercadorias pelas outras), Marx descobriu relações entre pessoas. A troca de mercadorias exprime a ligação que se estabelece por meio do mercado entre os diversos produtores. O dinheiro, indica que essa ligação se torna cada vez mais estreita, unindo indissoluvelmente, num todo, a vida económica dos diferentes intervenientes. O capital significa um maior desenvolvimento desta ligação. A força do trabalho do homem torna-se, então, numa mercadoria» (Lénine, «As três fontes ou as três partes constitutivas do marxismo», 1913).

O próximo Orçamento do Estado português é a miserável expressão do desespero de uma camada diminuta de «illuminatti» presos à mais retrógrada visão do mundo e definitivamente colada à noção do poder ditatorial. Mas o poder é do Povo, não é deles. Acompanhemos e intervenhamos no que está a acontecer. Cedo ou tarde, os «assassinos políticos e económicos» que hoje escarnecem os humildes e os trabalhadores virão a ter de reconhecer esta lição.

Até lá, os criminosos vão agir à vontade.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

No Reino da Estupidez

 
No Reino da Estupidez
por António Iria Revez
«É hora de uivar, porque se nos deixarmos levar pelos poderes que nos governam e não fizermos nada para os contestar, pode-se dizer que merecemos o que temos».
(José Saramago)

"Einstein disse: «só duas coisas são infinitas, o Universo e a estupidez humana, mas não estou seguro quanto ao primeiro». "


O historiador holandês Matthijs Boxsel, autor da «Enciclopédia da Estupidez», defende que «ninguém é suficientemente inteligente para compreender a sua própria estupidez», acrescentando que «a nossa cultura é o produto de uma série de tentativas fracassadas de compreender a estupidez», e ainda que «a estupidez é a base da nossa civilização».

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Europa do capital monopolista empenhada no anticomunismo

Europa do capital monopolista empenhada no anticomunismo
por Hugo RC Souza


Ao mesmo tempo em que o fascismo volta a mostrar a cara na Europa — e os partidos e organizações da direita ganham espaço político — a propaganda fascitizante se esmera em elaborar argumentos invertidos para justificar a campanha anticomunista posta em prática desde as instituições européias supranacionais até os governos locais, passando pelos meios de comunicação e certa literatice histórica pseudo-científica.

Lisboa - A lógica que respalda perante o público a perseguição às organizações comunistas é a da sua equiparação com o nazi-fascismo, omitindo a verdade histórica de que os primeiros, na verdade, foram as principais vítimas dos segundos, e rejeitando o fato de que a União Soviética comunista foi a principal responsável pela libertação de uma Europa que se encontrava sob o jugo da Alemanha nazi. Outra verdade histórica: à semelhança dos tempos da Segunda Guerra Mundial, o ódio de classe aos comunistas se intensifica quando o acirramento da ofensiva imperialista representa a maior ameaça para a liberdade dos povos.

A sexualidade é política e o aborto, um direito das mulheres

A sexualidade é política e o aborto, um direito das mulheres

por Larisse de Oliveira Rodrigues
 
 
"Os indivíduos têm o direito ao seu corpo e sexualidade, a escolher como e com quem vai vivenciá-la, a ter livre escolha sobre suas próprias vidas"

Sem dúvidas, a sexualidade é um tema político. A construção da sexualidade e do corpo não está isolada no campo da subjetividade, mas se desenvolve historicamente por meio das relações de poder e dominação, capitalistas e patriarcais, que delineiam o nosso “eu” e a sua relação com o outro. O modelo dominante é baseado no controle do corpo e na imposição da heterossexualidade. Sendo assim, na construção do gênero, são definidos papéis, a partir das relações de poder, que impõem um tipo de corpo, identidade e sexualidade para os homens e outro para as mulheres.

Para as mulheres, dois papéis estão colocados em torno de sua sexualidade, centrados na subalternidade e na reprodução, fato que vai, inclusive, delimitar a forma como se relacionam com seu corpo. O primeiro reduz sua sexualidade ao prazer do outro, reproduzindo a passividade que lhe é imposta nas demais esferas da vida social. Um segundo papel é a maternidade. Ser mãe foi naturalizado como algo fundamental na vida de uma mulher, de modo que a maternidade torna-se obrigatória e deve seguir os padrões de reprodução (gestação, afetividade, cuidado e responsabilidade incondicional com a prole).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Os bons negócios de Tony Blair

Os bons negócios de Tony Blair
por Marc Roche , Carta de Londres



Já lá vai o tempo em que os antigos primeiros-ministros europeus consagravam os primeiros seis meses de sua passagem à reforma para escreverem as suas memórias antes de passarem o seu tempo num campo de golfe ou a ocuparem-se com instituições de caridade!

Hoje, eles estão a voltar-se para os negócios, com todos os problemas de ética e de conflito de interesses que isso levanta. Tony Blair é o exemplo vivo desta simbiose que nem sempre é muito saudável entre a política e as finanças e que abre a porta a todos os compromissos.

Mais de 1 milhão de libras (1,24 milhões de euros) de honorários por três horas de trabalho: esta é a colossal comissão recebida por Tony Blair, por ter actuado como intermediário entre o gigante suíço Glencore, especialista, negociante e especulador sobre matérias-primas, e o Qatar. Glencore tinha anunciado que iria lançar no mês de Fevereiro uma oferta pública de aquisição (80 mil milhões de dólares ou 63 mil milhões de euros) sobre o grupo mineiro Xstrata, também ele suíço, de que o emirado é o segundo maior accionista. Confrontado com a hostilidade do fundo soberano Qatar Holding a este golpe na Bolsa, o director–executivo da Glencore, Ivan Glasenberg, apela em dificuldade ao antigo primeiro-ministro trabalhista (1997-2007). "Por favor, tente fazer qualquer coisa para conquistar o Qatar." Tony Blair, que fundou a sua muito próspera empresa de consultoria e conselho telefonou sem demora a um seu amigo, Hamad bin Jassim Al-Thani, primeiro-ministro do emirado rico em gás e que é o patrão da Qatar Holding. Na sequência desta conversa, é marcado um encontro entre as duas partes, em Londres.

domingo, 21 de outubro de 2012

Londres: O Paraíso para Parasitas, o melhor santuário que o dinheiro pode comprar

A Rainha em seu palácio, continua fazendo na vida pública o que faz na privada
Crime financeiro no "Paraíso dos Parasitas" de Londres, ou o melhor santuário que o dinheiro pode comprar
por James Petras



"A crise económica global é uma bênção para as empresas imobiliárias de alta gama, quando milionários e multimilionários do ultramar, fulanos que fogem aos impostos, assaltantes políticos do erário público, abandonam as economias saqueadas e despejam milhares de milhões em mansões e prédios de apartamentos. Senhorios monárquicos super-ricos dos estados déspotas do Golfo juntam-se a especuladores de produtos básicos e aos novos chineses ricos, proprietários de oficinas de exploração desenfreada para licitarem propriedades com códigos postais prestigiados em Belgravia (Ebury Street, Eton Place, e Eton Square) Knightbridge, Mayfair (Park Street). Corpulentos oligarcas russos e a piedosa realeza saudita refastelam-se em mansões na província em Hertfordshire, Herefordshire e Cheshire, com vista para os elegantes jardins ingleses e deliciam-se com o ronronar e as carícias dos seus cortesãos britânicos muito sofisticados, num ou noutro das suas duas dúzias de quartos. A tolerância do governo britânico e a atitude de abertura para com os oligarcas gangsters russos e albaneses, cujo acesso sangrento à riqueza rivaliza com qualquer padrinho siciliano, lubrificam as rodas para a escalada do que o Financial Times opta por chamar de 'indústria' do imobiliário, financiada pela 'comunidade' financeira e alinhada com os 'investidores' dos seguros."
 
Sempre que os especuladores financeiros prosperam à custa dos investidores, ou um banco joga com as taxas de juro para lixar os seus competidores, ou os que fogem aos impostos, fogem de crises fiscais, ou monarquias petrolíferas que extorquem rendas reciclam lucros, ou oligarcas saqueiam economias e desviam milhões para o álcool, a droga e a miséria, encontram um santuário seguro adequado em Londres.

São aliciados e perseguidos por grandes agentes ansiosos por lhes vender propriedades de muitos milhões de dólares, propriedades troféu e mansões de prestígio.

sábado, 20 de outubro de 2012

A Concordata fascista espanhola

A Concordata fascista espanhola
por Jorge Messias

«Elevando o nosso coração a Deus, juntamente com Vossa Excelência, expressamos a nossa profunda gratidão pela vitória que ansiávamos, da Espanha católica. Desejamos que depois de lograr a paz, esse país que nos é tão caro, dê nova força à sua velha tradição católica que o fez tão grande. Concedemos a Vossa Excelência e a todo o nobre povo espanhol a nossa bênção apostólica».(Carta de Pio XII a Franco, em 1939, após a vitória dos fascistas espanhóis na Guerra Civil ).
 
«Bento XVI defende uma nova ordem política e económica internacional, através de uma refundação da ONU e da criação de uma verdadeira autoridade. Diz que é urgente a reforma da arquitectura financeira internacional assegurada pelo Banco Mundial, o FMI e a Organização Mundial do Comércio» (Expresso, encíclica “Caritas in Veritate”, Julho de 2009).
 
«Para o Vaticano, importa alcançar uma Nova Ordem económica mundial baseada na ética católica e na procura do bem comum, submissa aos princípios da subsidiaridade e da solidariedade» («À Lei e ao Testemunho», Internet).
 
«Actualmente, o capitalismo tem presença global, material e ideológica, com impactos nos planos político, económico, cultural e ambiental. Ter atravessado fronteiras e ser mundial, ter esse processo sido intermediado e em parte executado pelas corporações transnacionais, não significa que tenha anulado e, ainda menos, dispensado, as suas origens e as suas bases, históricas e operacionais, de estado-nação», (Rui Namorado Rosa, encontro «Civilização ou barbárie», Setembro de 2004).


Entre as duas Concordatas ibéricas, a portuguesa e a espanhola, há uma perfeita identidade. Em ambos os casos, cada Estado reconhece a Igreja como parceiro privilegiado. Num e noutro lado da fronteira é proclamada a inviolabilidade dos pactos com o Vaticano e aceita-se que, mesmo em profunda crise do capitalismo, Roma continue a não pagar impostos e não ceda uma polegada nos privilégios fiscais, nos offshores ou no seu desmedido e secreto império financeiro. E o conceito mágico de religioso oculta poderosos monopólios isentos de riscos cuja operacionalidade se manifesta em áreas tão diferentes como as da filantropia caritativa ou do crime organizado. Mas nada resiste à passagem do tempo. Nem mesmo os rochedos milenares.

Documento indica que Israel limitou número de calorias por palestino em Gaza

Documento indica que Israel limitou número de calorias por palestino em Gaza
por Fillipe Mauro,

"Relatório dos ministérios da Saúde e da Defesa de Israel estipulava até mesmo o peso das embalagens que poderiam cruzar a fronteira, rumo à Gaza."


Após uma batalha jurídica de mais de três anos, a organização de Direitos Humanos Gisha conseguiu acesso a um documento do Ministério da Defesa de Israel que detalha os limites para consumo de alimentos na região da Faixa de Gaza. Produzido em 2008 pela COGAT (Coordenadoria de Atividades do Governo no Território, na sigla em inglês), o relatório fixa um número específico de calorias supostamente suficiente para manter a população local viva.

Autoridades israelenses calcularam que, na média, um morador de Gaza precisaria de 2.279 calorias por dia para não sofrer de desnutrição. Isso, em tese, poderia ser obtido a partir de dois quilos diários de alimentos para cada pessoa, o que abria a prerrogativa para que Israel permitisse a entrada de apenas 2.500 toneladas de suprimentos na região. O dossiê também estabelece o número exato de caminhões que seriam necessários para cumprir com esse fornecimento (170,4), assim como limite máximo de cinco dias semanais nos quais o procedimento seria permitido.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Cardeal da Troika


Cardeal da Troika
por César Príncipe 

 José Policarpo, cardeal patriarca, exerce o múnus em Lisboa, havendo nascido nas Caldas da Rainha, em 1936, ano de grandes clamores na Ibéria: a Revolta dos Marinheiros, em Portugal, a criação do Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, a Guerra Civil, em Espanha. O local e o tempo da aparição da futura Eminência aconselharia sentimentos de pudor e estremecimentos democráticos, então como hoje, época de hipersensibilidades e definições pró ou contra-civilizacionais. Bem conhece Dom José a heráldica caldense, materializada nos erectos falos da Autoridade e na figura esquiva do Povinho. Mas conforme o narrado nesta crónica da República, Dom José não liga ao Zé. Decididamente. Provocatoriamente.

Milagre do Sol ou terramoto ?



No dia 13 do corrente, Dom José pregou e praguejou perante 150 mil fiéis, na tribuna de Fátima, assinalando o 95º aniversário do milagre do Sol. Aproveitou o purpurado para desvalorizar e até censurar as manifestações populares contra a austeridade ou o roubo ou a Arte de Furtar. [1] Certamente a crise não bateu, não bate e não baterá à porta do patriarca. No entanto, a grande maioria da audiência mariana que se dignou escutá-lo está a ser vítima de confisco, esbulho, saque, terramoto fiscal, assalto à mão armada, bomba atómica. Dom José amaldiçoou as manifestações dos pagantes dos prejuízos do BPN, das vorazes PPP`s, dos submarinos de águas turvas, das malversões de fundos europeus, do regabofe de consultores e assessores, dos traficantes & corruptos, da agiotagem da Dona Merkel & de seus SS/Sócios Sanguessugas. O paramentado orador puxou dos galões da dogmática (que lhe é curricularmente cara) para advertir e instruir os peregrinos mais ou menos como se segue: Cordeiros do BPN, da UE e do FMI, manifestações, Filhos, só de fé, perdão, resig(nação). Nada de cólera profética e inquietação ética, muito menos de indig(nação) cívica. Andam por aí a cantar: Acordai! Acordai! Haverá coisa mais bela do que uma pátria adormecida? Que ninguém vos acorde da inocência e da indigência. Recolhei a casa e ao seio da santa madre. A rua é local de todas as tentações. Não participeis no adeus ao Governo. Reservai os lenços brancos para o adeus à Virgem e para mostrar desagrado aos treinadores de futebol.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Pobreza e riqueza na Alemanha

Aumento da exploração cava fosso das desigualdades
 Pobreza e riqueza na Alemanha

Um recente estudo do Ministério do Trabalho alemão reconhece oficialmente o drástico agravamento das desigualdades no país nos últimos 30 anos, em particular nas últimas duas décadas.

O estudo, com 500 páginas, intitulado «Riqueza e Pobreza», já referido sucintamente na última edição, mostra que a Alemanha é um dos países em que a transferência de riqueza do trabalho para o capital foi mais acentuada, gerando desigualdades sociais até há pouco imperscrutáveis.

Assim, em apenas 20 anos, os activos privados (riqueza privada) mais que duplicaram, passando de 4,6 biliões (milhões de milhões) para dez biliões.

Ora, como observa o correspondente do jornal espanhol La Vanguardia, Rafael Poch, se dividíssemos este colossal montante pelos 40 milhões de fogos alemães, cada um receberia uma pequena fortuna de 250 mil euros.

Porém, não é de distribuição que se trata mas de crescente concentração. Em detalhe, as estatísticas federais, relativas a 2008, mostram que 53 por cento dos activos privados estavam nas mãos de dez por cento dos alemães mais afortunados. Outros 46 por cento da riqueza privada eram detidos por 40 por cento da população, ficando apenas um por cento dos activos para a metade restante dos alemães.

As últimas batalhas eleitorais, o KKE, a «esquerda», o papel dos «governos de esquerda» e a postura dos comunistas gregos

As últimas batalhas eleitorais, o KKE, a «esquerda», o papel dos «governos de esquerda» e a postura dos comunistas gregos 

O Partido Comunista da Grécia prosseguirá, ainda mais decisivamente, a luta pelo derrube da barbárie capitalista – de Giorgos Marinos, Membro da Comissão Política do Comité Central do Partido Comunista da Grécia (KKE)

 
"A ofensiva contra o KKE depois das eleições não foi levada a cabo somente por vários grupos trotskistas conhecidos, mas também por forças do Partido da Esquerda Europeia como o «Bloco de Esquerda» português e a «Refundação Comunista» italiana. Os presidentes destes partidos não puderam resistir a mostrar a antipatia do oportunismo europeu para com o KKE.
 
Igualmente provocadoras são as forças que culpam o KKE por a ND ter conseguido formar um governo. Mas estas forças escondem que o único partido que realmente se opôs à ND e ao PASOK foi o KKE porque, ao contrário da SYRIZA, não está comprometido com a UE, a NATO, o grande capital e o seu poder. Não fomenta ilusões parlamentares e diz ao povo a verdade sobre as forças da gestão burguesa. O nosso partido leva anos a lutar contra os dilemas da intimidação da «direita/contradireita», «centro-direita/centro-esquerda» e combate a lógica do mal menor, que é um beco sem saída e que fez com que os partidos comunistas da Europa fossem a reboque da social-democracia. "

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A crise do capitalismo, a luta dos trabalhadores e dos povos e a alternativa do socialismo


A crise do capitalismo, a luta dos trabalhadores e dos povos e a alternativa do socialismo


1.0. Introdução


1.0.1. O XIX Congresso realiza-se num contexto de particular exigência, complexidade e importância para a luta emancipadora dos trabalhadores e dos povos. Confirmando as perspectivas apontadas no XVIII Congresso, a situação internacional é marcada por uma grande instabilidade e insegurança e por uma aguda e mais intensa luta de classes.

Como o PCP previu e preveniu ao longo das duas últimas décadas, o aprofundamento da crise estrutural do capitalismo está no epicentro dos principais desenvolvimentos da situação internacional, tendo na explosão de uma das mais agudas crises cíclicas do capitalismo o seu principal elemento e expressão.

1.0.2. A uma brutal ofensiva do imperialismo, acentuada pela sua violenta resposta à crise do capitalismo, corresponde a intensificação da luta dos trabalhadores e dos povos e a afirmação de países e de articulações entre nações, que buscam caminhos para o seu desenvolvimento fora do quadro do domínio hegemónico do imperialismo.

domingo, 14 de outubro de 2012

Declaração sobre atribuição do Nobel da Paz à União Europeia

Declaração sobre atribuição do Nobel da Paz à União Europeia



A CGTP-IN considera a atribuição do Prémio Nobel da Paz à U.E. uma profunda afronta aos trabalhadores e povos que sofrem no seu dia a dia as consequências das políticas e medidas crescentemente anti-laborais, anti-sociais e anti-populares desenvolvidas pelas estruturas dirigentes da União Europeia e por uma grande parte dos governos que a constituem. Não é aceitável que se atribua este galardão ressaltando “a luta pela paz e reconciliação, pela democracia e pelos direitos humanos”, ao mesmo tempo que se omite a profunda deriva de uma U.E. crescentemente neoliberal e orientada por princípios e práticas que lesam os interesses dos trabalhadores e dos povos, sobretudo dos países economicamente mais débeis.

A evolução da União Europeia tem vindo a confirmar o aprofundamento de uma estrutura política assente na submissão ao poder económico dos grandes grupos económicos e financeiros.

sábado, 13 de outubro de 2012

Grande Depressão Económica e Guerra Imperialista



Grande Depressão Económica e Guerra Imperialista
por Enrique Muñoz Gamarra*


O mundo debate-se num grande e incontrolável turbilhão de crise económica, crise política e crise militar. São os efeitos da Grande Depressão Económica iniciada em 2008. A sobreprodução e os volumosos capitais especulativos ou fictícios (1.500 biliões de dólares, quando o PIB mundial é de apenas 60-65 biliões de dólares) são muito graves. Isto é expresso exteriormente na guerra económica, na corrida armamentista, nas tensões militares e num rápido processo de empobrecimento das massas trabalhadoras do mundo. Mas, no mais fundo de tudo isto, há um grande movimento de estruturas que irradiam dos centros de poder económico dos EUA e avançam num sentido oscilante e de colisão dirigidas com especial força contra os poderes económicas que começaram a brotar e a fortalecer-se na China, Rússia e Índia, imersas numa situação de sucção do poder económico europeu (fora da União Europeia), em cujas mãos há pelo menos 400 a 500 biliões de dólares como capital especulativo. É realmente uma reestruturação dos poderes internacionais, alimentados pelo aprofundamento da grande crise económica, no meio da expansão da China e do esgotamento das forças ocidentais.

 
Isto é muito evidente, por exemplo, no Médio Oriente e, em geral, na região do Mediterrâneo. Diz-se que ali teria estado em preparação (ou está em preparação) um novo poder económico – em oposição ao grande poder económico norte-americano, principalmente ligado ao gás e ao petróleo –, onde o Irão, a Rússia e a China desempenhariam um grande papel. Claro, não é para menos, é a maior área de reservas mundiais de petróleo. Por isso algumas notas, ainda que meio confusas, utilizam os seguintes termos:

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Os inimigos do povo

Os inimigos do povo
por Miguel Urbano Rodrigues




O discurso oficial lembra pela técnica o do fascismo. Os argumentos invocados pelo chefe do governo e pelo ministro das Finanças na tentativa de «explicar» uma política fiscal monstruosa e o tom seráfico e patrioteiro das suas arengas ressuscitam o estilo da oratória da época de Salazar. E ocorre o que parecia impossível há meses: alguns dos ministros são já mais inábeis e arrogantes do que os da ditadura salazarista na avaliação da mudança da relação de forças resultante dos desmandos governativos.

O discurso do governo Passos-Portas-Gaspar em resposta às moções de censura do PCP e do Bloco de Esquerda faz lembrar falas do Tartufo de Molière. O clímax da hipocrisia atingiu o auge quando o ministro das Finanças elogiou na Assembleia da Republica as manifestações de protesto popular de 15 de Setembro, dia em que centenas de milhares de pessoas exigiram nas ruas de 40 cidades a demissão do governo.

Em Portugal, a indignação popular, expressa em múltiplas frentes, principia a assumir um carácter explosivo. A condições objectivas muito favoráveis somaram-se nas últimas semanas condições subjectivas imprescindíveis à ascensão da luta de massas contra o Poder reaccionário.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Escabrosos percursos das igrejas ibéricas

Escabrosos percursos das igrejas ibéricas
por Jorge Messias


«O fascismo foi buscar à Igreja uma das bases fundamentais da sua concepção social: o corporativismo. Mas, como a Igreja sempre fez, o fascismo surgiu condenando o liberalismo e decretando a sua falência. E, face ao ascenso do Socialismo, a burguesia necessitou, simultaneamente, de preparar-se para o ataque militar de liquidação do Estado proletário, promovendo uma reestruturação dos restos da organização social que tinham sobrevivido à falência do liberalismo» (Luís Maranhão, dirigente comunista brasileiro, preso, torturado e fuzilado em 1974).
 
«Quando a economia capitalista entra em colapso e a classe trabalhadora marcha para o poder, então, os capitalistas voltam-se para o fascismo como saída. Mas o fascismo não pode resolver os seus problemas porque nele, do ponto de vista económico, nada se modifica. Na economia fascista, como na economia capitalista, são básicos a propriedade dos meios de produção e o lucro» (Leo Hubermann, jornalista e escritor norte-americano, «História da Riqueza do Homem»).
 
«A burguesia imperialista recorre ao terror nas situações de crise, quando a sua dominação é questionada mas, de modo geral, prefere governar apoiada no Parlamento, no Direito Eleitoral e noutros institutos democráticos que mascaram a sua ditadura. Tendo concentrado nas suas mãos o ascendente económico e o poder político e tentando prolongar, a todo o custo, a sobrevivência do sistema capitalista, a burguesia monopolista nunca deixou, em diversos momentos da História, de recorrer aos métodos terroristas de governo… aproveitando as fases em que a correlação de forças sociais se mostra extremamente desfavorável aos trabalhadores e aos partidos revolucionários» (Partido Comunista Brasileiro citando Lénine).


As vantagens que as igrejas católicas ibéricas obtêm com a presente crise do capitalismo são evidentes. Tal como revelam desvantagens como a de uma exposição pública excessiva da sua própria imagem.

Facebook e Google auxiliam governo espanhol na caça a organizadores de manifestações

Facebook e Google auxiliam governo espanhol na caça a organizadores de manifestações
 


A justiça espanhola procura através de contas bancárias que supostamente financiaram as manifestações de 25 de setembro identificar supostos responsáveis por estes movimentos de protesto contra a austeridade.

“É mais um passo na escalada repressiva do poder contra os que não aceitam de modo algum este estado de coisas”, revelou um dos organizadores a um cidadão português residente em Madrid, igualmente solidário com os protestos.

A Audiência Nacional pretende identificar os supostos financiadores dos protestos para decidir se abrirá ou não processos contra os organizadores. A imprensa espanhola dá conta de que as autoridades judiciais, acionadas pela Polícia Nacional, entidade que, por ordens do governo tem realizado ações brutais de repressão contra os manifestantes, procuram fundamento para acusar os organizadores das manifestações de “delito de associação”.

A posição dos Partidos Comunistas frente à crise capitalista


Assimilação ou Rotura
  – A posição dos Partidos Comunistas frente à crise capitalista

por Aleka Papariga
[*]


São hoje bem conhecidas as trágicas consequências da crise económica na vida da classe operária e dos trabalhadores visto que a crise já dura há mais de cinco anos enquanto, em todos os países afectados, todas as medidas bárbaras seguem na mesma direcção e todas elas têm o mesmo objectivo: reduzir o preço da mão-de-obra a um nível extremamente baixo, abrir novas oportunidades de rentabilidade no período da crise, sobretudo após a esperada recuperação que será débil e mais ou menos de curta duração.

Actualmente temos uma experiência ainda mais rica, não só por causa da Grécia mas também dos estados-membros da UE, em especial dos membros da zona do euro, e ainda da crise nos EUA em 2008 e não só. Além disso, temos a experiência bem recente das crises na Rússia, na Argentina e nos chamados tigres asiáticos.

Consideramos que o movimento dos trabalhadores e os partidos comunistas em todos os países devem lutar a fim de que o povo clarifique o carácter da crise e, em simultâneo, seja detida a deterioração da vida das populações, para uma saída em prol do povo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Perspectivas e Deveres da Luta Anti-imperialista

Perspectivas e Deveres da Luta Anti-imperialista 

Elisseos Vagenas, membro do CC,
Responsável pelas Relações Internacionais do CC
 
Nosso partido tem travado uma luta política dura e complexa neste período, particularmente nas complicadas condições sócio-econômicas e políticas que foram causadas pela crise capitalista. Uma crise que levou a 1,5 milhão de desempregados em um país de apenas 11 milhões de habitantes e provocou uma ofensiva muito intensa do capital, de seu governo e da UE [União Europeia], que reduziu direitos trabalhistas, salários, pensões, destruiu e está destruindo os estratos pequeno-burgueses urbanos e rurais, e está ameaçando os trabalhadores com o pesadelo do desemprego, inclusive aqueles do setor público, que por muitos anos mantiveram a ilusão de que ninguém poderia demití-los.

A crise capitalista vai se aprofundar ainda mais na Grécia e na UE. Já se admite que a crise vai se manifestar em todos os Estados-membros da UE que ainda não a manifestaram com impacto similar, enquanto outros países ao redor do mundo mostram sinais de desaceleração.

A crise capitalista em curso demonstra os impasses da via de desenvolvimento capitalista: a pobreza, o desemprego, a miséria das camadas populares. Mas, por outro lado, o sistema político burguês ainda tem "reservas", é capaz de influenciar a consciência dos trabalhadores, dos jovens, através da televisão, internet, cinema, escola, igreja, bem como através de toda uma “rede de segurança” do sistema, composta por partidos que sustentam concepções ideológicas burguesas e oportunistas. Um exemplo disso é o argumento de que nas condições da crise hoje os trabalhadores não deveriam mais lutar dentro dos parâmetros de suas necessidades contemporâneas, mas deveriam rebaixar as suas demandas, alegadamente porque nós estamos "todos no mesmo barco da economia nacional" que não devemos deixar afundar.

ALELUIA! O Pc(sic)doB e seus pastores, contra os direitos das mulheres e a favor da homofobia

ALELUIA! O Pc(sic)doB e seus pastores, contra os direitos das mulheres e a favor da homofobia


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um atalho eclesiástico para o poder mundial


Um atalho eclesiástico para o poder mundial
por Jorge Messias


«É hora de buscar uma saída alternativa ao sistema capitalista – perverso a ponto de destruir triliões de seres vivos para salvar o mercado financeiro e virar as costas aos biliões de homens e mulheres que diariamente vacilam entre a pobreza e a miséria...» (Frei Bettto, «Conversa entre a Fé e a Ciência).

«Economia solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem! A Economia Social aponta para uma nova lógica de desenvolvimento sustentável, com a criação de trabalho e melhor distribuição do rendimento...» (Ministério do Trabalho e Emprego, «O que é Economia Solidária», Mata do Portal, 13.9.2012).

«Nem o esquematismo, nem a uniformização vinda do alto, têm algo em comum com o centralismo democrático e socialista. A unidade, quanto aos pontos essenciais, não é violada; pelo contrário, é garantida pela diversidade quanto aos detalhes, às particularidades locais, às maneiras de abordar as questões ou aos modos de aplicação do controlo... As massas são milhões. Ora a política começa, não no ponto em que as pessoas se contam por milhares mas naquele em que passam a constituir milhões… Só aí começa uma política a sério!» (V.I. Lénine, «Obras Completas»).

Os monopólios colocam a Igreja num alto lugar e esta não os desilude. Sem desmentidos sérios, ela própria é apontada como «primeiro monopólio mundial». Uma experiência milenar permite ao Vaticano controlar, a um só tempo, gigantescas redes de interesses focalizadas, quer nas «máfias» isentas de qualquer moral; quer nas doutrinas que sugerem utópicas economias solidárias e atitudes filantrópicas, por parte dos capitalistas multimilionários. Ou, então, conservar uma soberana indiferença perante as lutas de classes. «Os cães ladram e a caravana passa», raciocina cinicamente o seu disciplinado clero.

O SHOW DO MENSALÃO

 
O SHOW DO MENSALÃO
por Laerte Braga


O grande equívoco de Lula foi acreditar que seria possível montar uma aliança com elites financeiras, empresariais e latifundiários brasileiros e em torno desse arco criar o "capitalismo a brasileira".

Sete dos onze ministros que formam o STF (Supremo Tribunal Federal) foram escolhidos por Lula (cinco) e por Dilma (dois). Joaquim Barbosa é um dos ministros indicados por Lula.

À disposição dos dois presidentes nomes que preenchiam os requisitos constitucionais (notável saber jurídico e ilibada reputação) e jamais transformariam a Corte Suprema num teatro com direito a espetáculo televisivo diário.

A capitulação de Lula começou antes de sua eleição, na célebre carta de intenções com o FMI. O que parecia uma demonstração de "maturidade política" foi somente um morder de isca plantada por FHC e os interesses que FHC representa.

Começa aí o mensalão, pois começa aí o compromisso de levar adiante o projeto de reformas neoliberais implementado por FHC. Previdência e a lei de biotecnologia que abriu as portas do País aos transgênicos e a Monsanto.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Organizar a luta

Organizar a luta
por Pedro Guerreiro


 
"Depois de François Hollande, antes e durante a recente campanha eleitoral, ter rejeitado a ratificação do conteúdo desta proposta de tratado, fazendo da exigência da sua renegociação e alteração uma sua bandeira eleitoral, eis que, depois de eleito, dá o dito por não dito, passando a primeiro e empenhado defensor do que antes criticava."

Com maior ou menor nível de consciência e, consequentemente, assumindo formas mais ou menos organizadas, grandes mobilizações populares e lutas sindicais marcam a actualidade nos países mais duramente atingidos pelas políticas da União Europeia, onde a situação social e económica continuamente se deteriora e é cada vez mais grave, como acontece na Grécia, em Portugal ou em Espanha.

Com situações diferenciadas, mas que têm em comum aspectos essenciais, é crescente a expressão do descontentamento face à intensificação da exploração, à violação de direitos sociais e políticos e à imposição do saque, seja através dos Orçamentos do Estado ou das privatizações, em benefício dos grandes grupos financeiros e económicos.

A relação sindicatos/partidos e a independência e autonomia sindical - A actualidade de Marx

A relação sindicatos/partidos e a independência e autonomia sindical - A actualidade de Marx
 
 
 
"Para mal dos nossos pecados, o capitalismo também se apropriou das ideias de Marx, estuda-as e procura virá-las do avesso a seu favor. Como noutras, também agarrou nesta tese e não a deixou ao arbítrio dos factores naturais, objectivos e subjectivos da concorrência dos trabalhadores entre si. Estimula essa concorrência entre os trabalhadores utilizando meios materiais, financeiros, tecnológicos, organizativos e ideológicos colossais na promoção dessa concorrência, no aprofundamento do divisionismo entre os trabalhadores."

Vimos há pouco tempo na TV João Proença, da UGT, com a boçalidade de um anticomunista primário estampada no rosto, afirmar, como quem faz uma acusação torpe: a CGTP-IN é uma célula do PCP. É caso para se dizer que se esqueceu de olhar para o espelho antes de abrir a boca para alimentar a onda reaccionária que se intensificou, de forma orquestrada, após o último Congresso da grande central histórica dos trabalhadores portugueses, com o intuito de impor na opinião pública a falsa equação, CGTP-IN igual a PCP.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

«Não é uma crise, é um roubo»

Espanhóis cercam o Congresso

 

«Não é uma crise, é um roubo»



Pela terceira vez numa semana, milhares de manifestantes concentraram-se nas proximidades do Congresso espanhol, desafiando a proibição das autoridades e o forte dispositivo repressivo.
 
 
 
 
Gritando palavras de ordem como, «Não é uma crise, é um roubo», «Demissão», «Menos polícia, mais Educação», uma multidão voltou a encher, ao fim da tarde de sábado, 29, a Praça Neptuno de Madrid, no âmbito da iniciativa «Cerca o Congresso», cuja primeira jornada teve lugar dia 25, ficando marcada por violentos confrontos com a polícia.

A Europa dos povos só pode nascer sobre os escombros da União Europeia

Seminário debate crise na UE e ofensiva antipopular
A Europa dos povos só pode nascer sobre os escombros da União Europeia
 
O PCP e Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde promoveram, dia 28, em Lisboa, um seminário subordinado ao tema «A crise na União Europeia e a ofensiva contra os direitos, a liberdade e a democracia».


Durante os trabalhos, dirigidos por José Neto, membro do CC, e abertos por Inês Zuber, deputada do PCP ao Parlamento Europeu, foram feitas duas dezenas de intervenções que trataram diferentes aspectos da ofensiva do grande capital contra a soberania nacional, os direitos sociais e laborais, a liberdade e a democracia, em simultâneo com o reforço dos aparelhos repressivos e a escalada da militarização e do belicismo.

No contexto da profunda crise do capitalismo, Inês Zuber alertou para «os perigos do aprofundamento do federalismo patentes na ideia lançada recentemente pela Comissão Europeia da criação de uma Federação de estados, que constitui um salto qualitativo sem precedentes na imposição supranacional das políticas e orientações».

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Os Miseráveis, de Victor Hugo - O romantismo como forma de humanização do real

Os Miseráveis, de Victor Hugo - O romantismo como forma de humanização do real
por Domingos Lobo

«Não existe hoje um movimento que seja sequer a sombra do romantismo ao meio-dia»
Fernando Pessoa

 
 

1. O romantismo começou por se manifestar, na sua génese, contra a ideologia feudal-absolutista que a Revolução Francesa, com o seu ímpeto generoso, abalou de forma determinante.

A burguesia mercantilista e industrial do início do século XIX vem impor um tipo novo de imaginário, derivante da ascensão de uma nova classe ao poder e aos meios de produção que, contrariando as premissas do iluminismo, se adaptasse aos novos tempos, os tempos da máquina a vapor, e à visão do mundo da classe dominante. O romantismo, trazendo no seu bojo ideais fraternos e libertários, não deixou de reflectir a omnipotência do dinheiro e as derivas de um capitalismo nascente, denunciando, pelas suas vozes mais atentas e críticas, as componentes ideológicas que ainda hoje, com os refinamentos conhecidos, prevalece na essência: feroz individualismo, usura, desprezo pelo ambiente e pela natureza, envilecimento humano.

Na literatura, o romantismo encena um olhar mais introspectivo e analítico sobre as condições sociais, investe naquilo a que Óscar Lopes designa «autonegação», ou seja, pela atracção de estórias que tinham o herói negativo como centro da acção efabular (o herói insociável, o ladrão, o revolucionário sem ideologia, os proscritos – Diogo Alves, José do Telhado, no caso português; Jean Valjean e Cosette, em Os Miseráveis, de Hugo; a Rosa do Adro, e A Severa, como derivantes populares do género romanesco); na recolha de lendas e narrativas do antigo viver feudal, pagão ou religioso (entre nós, Almeida Garrett fez exactamente o mesmo) por forma a perpetuar a memória ancestral e colectiva a que os românticos davam especial apreço.

OS INSTRUMENTOS DO TERROR CAPITALISTA

Estátua da Liberdade sendo presa nos EUA
OS INSTRUMENTOS DO TERROR CAPITALISTA 
 por Laerte Braga

Há dias o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu falou em "nome" da comunidade internacional, cobrando severidade contra o Irã e o programa nuclear iraniano. A comunidade internacional a que o governante de Israel se referiu via de regra está de joelhos diante do poder nazi/sionista.

No curso da semana passada um fanático sionista lançou um filme amador com críticas ao profeta Maomé, principal inspirador da religião islâmica. O fato causou e continua causando revoltas em todo o mundo muçulmano. Um embaixador dos EUA (na Líbia) foi morto e as "providências" tomadas pelas autoridades norte-americanas, o filme foi feito naquele país, foi reforçar a segurança com dois destróieres. Ameaças as vítimas.

A mídia de mercado em todos os cantos tratou de chamar os protestos de "atos de terrorismo" e relacioná-los a Al Qaeda. O fato tem impacto direto sobre as eleições presidenciais nos EUA e coloca em cheque a reeleição do atual presidente Barack Obama.
 

A hipótese de um maluco irresponsável virar presidente dos EUA, Milt Romney, não pode ser afastada e essa perspectiva representa bem mais que todo o terror do período Bush. Romney é muito mais que leviano, inconseqüente e amoral. É homem de negócios escusos, ligado ao esquema de lavagem de dinheiro, construiu fortuna recuperando empresas a custa de demissões ("o que eu mais gosto é demitir gente", é uma de suas frases) e tem essa "visão celestial" que costuma orientar presidentes dos Estados Unidos.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Crimes sionistas

Crimes sionistas
Impunidade condenada
 
 

A vice-Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU considerou inadmissível que os crimes israelitas cometidos na Palestina prossigam sem punição. A declaração foi feita dias depois de se assinalarem os 30 anos do massacre de Sabra e Chatila.


 Durante uma sessão do Conselho dos Direitos Humanos, realizada segunda-feira, na qual Israel não esteve presente em sinal de protesto, Kang Kyung-wha advertiu que as autoridades israelitas têm de adoptar medidas que conduzam ao fim das violações dos direitos humanos dos palestinianos e, simultaneamente, combatam a impunidade que as tem dominado.

A responsável referia-se aos crimes sionistas praticados em 2008 e 2009 durante o ataque militar contra a Faixa de Gaza. «Há quase três anos que este Conselho tomou conhecimento das recomendações da missão de investigação [relatório Goldstein]. No entanto, ainda ninguém foi indiciado», disse, de acordo com a Lusa.


O fundamentalismo fascista evangélico


A inquisição dos pastores contra nossas matrizes
por Cristiano Navarro



Por meio de suas rádios e TVs, neopentencostais acirram seu discurso de intolerância contra religiões de matriz africana  

Em marcha, carregando faixas e misturando cantos de louvor com ameaças e incitação ao ódio, um grupo de centenas de evangélicos mobilizou-se na noite do dia 15 de julho e tentou invadir o terreiro de pai Jairo de Iemanjá Sabá, localizado no bairro do Varadouro, em Olinda (PE). As imagens da saída do grupo foram registradas pelo filósofo e babalorixá Érico Lustosa, no vídeo Cristãos agredindo Terreiro de Candomblé, publicado no Youtube.

Em um segundo vídeo-testemunho, também publicado no Youtube pelo Jornal do Commercio, Lustosa lembrou que o grupo gritava “Sai daí, Satanás!” e que ameaças foram feitas por um sujeito desconhecido durante a invasão. “Cuidado porque eu me converti evangélico, mas eu sou ex-matador”, gritava o manifestante. Assustados, tanto pai Jairo de Iemanjá quanto Érico Lustosa se negaram a voltar a falar sobre o assunto.