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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Do cessar-fogo na Colômbia à paz, desejada, mas muito distante

Do cessar-fogo na Colômbia à paz, desejada, mas muito distante
por Miguel Urbano Rodrigues

"Miguel Urbano, um dos revolucionários que mais escreveu sobre a heroica luta das FARC-EP e mais divulgou a sua epopeia faz, nesta hora de refluxo, o comentário possível aos acordos recentemente assinados em Havana, entre aquela organização revolucionária e o governo da Colômbia. 
Termina, confessando a sua dificuldade em «imaginar que tipo de «reconciliação» (…) será possível, num contexto em que a classe dominante não esconde a sua fidelidade ao neoliberalismo ortodoxo e à íntima aliança com os Estados Unidos»."
A assinatura em Havana, no dia 23 de Junho, pelas FARC-EP e pelo governo de Juan Manuel Santos, dos Acordos de Cessar Fogo e de Hostilidades Bilateral e Definitivo, de Renúncia às Armas, e o de Garantias de Segurança e Combate ao Paramiliarismo foi recebida com entusiasmo pelo povo colombiano e com alívio e satisfação pela maioria da humanidade.

Mas seria uma ingenuidade concluir que o fim do conflito armado trouxe à pátria de Marulanda a paz social e politica.

Os discursos pronunciados na capital cubana, a presença dos chefes de Estado e altas personalidades ali reunidos e a atmosfera da grande jornada tendem a gerar esperanças românticas.

Além do comandante Timoleón Jimenez, chefe do Estado-Maior Central das FARC, e de Juan Manuel Santos, compareceram na solenidade o secretário-geral e o presidente do Conselho de Segurança da ONU e o da Assembleia Geral da organização, os presidentes de Cuba, do México, do Chile, da Venezuela, de El Salvador, da Republica Dominicana, representantes especiais dos governos dos EUA, da União Europeia, da Noruega, etc.

Um olhar sobre o Brexit

Um olhar sobre o Brexit
por João Ferreira

"É a UE quem, com as suas políticas, tem aberto a porta e estendido o tapete ao avanço da extrema-direita, do racismo e da xenofobia na Europa; o acordo assinado entre a UE e o governo de Cameron (do qual, estranhamente, pouco se ouviu falar) elevava o racismo e a xenofobia ao estatuto de lei na UE, ao consagrar a possibilidade de discriminação entre trabalhadores nacionais e trabalhadores migrantes e ao limitar a livre circulação de pessoas na UE, com base em critérios de origem nacional ou de condição econômica dos migrantes."

"A ausência ou debilidade de projectos de ruptura pela esquerda com a UE constitui um perigo capaz de comportar consequências potencialmente trágicas para a Europa. A captura da esquerda por posições reformistas, que escondem a natureza de classe da UE e semeiam ilusões sobre o seu papel, não deixaria de abrir caminho ao avanço da extrema-direita e ao reforço das suas posições junto das camadas populares, como o vai demonstrando a realidade em vários países."

O resultado do referendo no Reino Unido, ditando a saída deste país da União Europeia, constitui um elemento de enorme significado político.

Ao longo das quase sete décadas decorridas desde a assinatura do Tratado de Roma (1957) o processo de integração capitalista europeu conheceu um sentido único: o do aprofundamento/alargamento. Houve crises. Certamente. Profundas algumas, mesmo antes da que hoje se vive. Períodos de impasse, que obrigaram a contemporizações e comprometeram mais avanços. Soluções de recurso, por vezes indesejáveis do ponto de vista de quem comanda o processo. Mas, apesar disso, sempre os impasses se foram superando (ainda que não as contradições que lhe subjazem), por via do aprofundamento e dos sucessivos alargamentos – de seis para nove, depois dez, doze, quinze, depois com o alargamento a Leste, vinte e cinco, vinte e sete e finalmente vinte e oito estados-membros. 

Até hoje. Pela primeira vez, em quase setenta anos, um país decide, na sequência de uma consulta ao seu povo, abandonar a União Europeia.

Confirmando a natureza de classe da UE, o grande capital transnacional, as grandes potências, a burocracia europeia ao seu serviço, instituições como o FMI e a OCDE, intervieram activamente na campanha do referendo e jogaram todo o seu poderoso arsenal – político, ideológico, mediático – a favor de um dos lados na contenda: a permanência do Reino Unido na UE. O que só reforça o significado deste resultado.

Sofreram, indiscutivelmente, um rude golpe. A partir de agora, as condições são mais difíceis para levarem por diante os seus objectivos imediatos: acentuar mais ainda a concentração de poder no seio da UE, seja no plano do aprofundamento da União Económica e Monetária, impondo um domínio férreo sobre as políticas económicas dos estados-membros, seja no plano militar e securitário, entre outros. A necessidade que justifica estes objectivos, contudo, não desapareceu. Tentarão por isso seguir o mesmo caminho. Ensaiarão fugas em frente. Mas as condições em que o vão fazer são agora mais difíceis. Por esta razão, podemos também dizer que entrámos num novo patamar da luta contra a UE do grande capital e pela Europa dos trabalhadores e dos povos.

As 40 regras básicas do anticomunismo

As 40 regras básicas do anticomunismo
Texto original em espanhol publicado  no Mafarrico


Nada que venha de "comunistas" é confiável. A não ser que, de alguma forma, possa servir a seu favor, como o "Relatório Secreto" de Khrushchev de 1956 ou qualquer groselha escrita por Trotsky."

"Atrocidades e outras coisas ruins ocorridas em regimes não-comunistas devem ser imputados a "a indivíduos". Qualquer coisa ruim que acontece em um regime "comunista" é culpa da ideologia e do sistema. E de Stalin, é claro."

Que tal algumas pitadas de ironia? Acho esses espanhóis muito divertidos. Qualquer semelhança com práticas "camaradas" no Brasil / Portugal e no mundo, será muy provavelmente mera coincidência. rs.rs.......

1. Insistir constantemente na alegação segundo a qual o marxismo está desacreditado, ultrapassado e totalmente morto e enterrado. Então prossiga na construção de uma lucrativa carreira para superar esta teoria supostamente "morta" durante o resto de sua vida profissional.

2. Lembre-se: qualquer morte não natural que ocorra sob um regime "comunista" é atribuível não apenas aos líderes do Estado, mas também ao Marxismo como ideologia. Ignore as mortes ocorridas pela mesma razão nos países não comunistas.

3. Comunismo e marxismo são o que você quiser que seja. Sinta-se à vontade para rotular países, movimentos e regimes de "comunistas" independentemente de seus objetivos reais, ideologia adotada, relações diplomáticas, políticas econômicas e relações de propriedade.

4. Se houver um conflito envolvendo comunistas, o conflito e todas as consequentes mortes podem ser colocados sobre as costas dos comunistas. Tenha cuidado ao aplicar isso à Segunda Guerra Mundial. Os grupos fascistas que lutaram contra os soviéticos e os partisans comunistas foram bonzinhos, mas tente não louvar abertamente a Alemanha Nazista. Deixe isso para conversas particulares, se você precisar mesmo fazer isso.

5. Você decide o que o Marxismo "realmente significa" e quem foram os verdadeiros representantes do Comunismo. Simule interesse pelo fato de Trotsky  ter "perdido", de alguma maneira, o "poder" nas mãos de Stalin, mesmo que você também o odeie.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A guerra contra a História é campanha a longo prazo da OTAN

A guerra contra a História é campanha a longo prazo da OTAN
Por Mateusz Piskorski

"A preparação da cúpula vem sendo observada com todo cuidado pelo Departamento de Estado estadunidense. Como representante de John Kerry, Anthony Blinken visitou há pouco alguns países do Leste Europeu. Suas conversas com os colegas europeus orientais encontraram um ponto de encontro: os antigos membros do bloco leste deveriam apoiar sem reservas a posição de Washington durante a cúpula, em especial no tocante ao fortalecimento militar no chamado flanco oriental, e arcar com as despesas de defesa nos respectivos orçamentos nacionais."

Aviso: Enquanto este artigo era publicado em vários idiomas,seu autor foi preso e detido em 18 de maio de 2016.

A OTAN é uma aliança imemorial que libertou a Europa do nazismo e nos protege contra o Urso Russo... é o que deveríamos acreditar. A verdade histórica é bem outra, mas a OTAN está empenhada em revisar. Uma tarefa longa, de consequências sombrias.

Nos dias 8 e 9 de julho, Varsóvia vai hospedar a nova cúpula da OTAN, reunião dos chefes dos estados-membros do tratado e da direção da OTAN no formato do Conselho do Atlântico Norte. Esta cúpula será a 25ª de sua história, e nela os acordos firmados na anterior, em Newport, 2014, serão desenvolvidos. Estaremos lidando, em particular, com a criação de uma força de reação rápida em território de países da Europa Ocidental que sejam capazes de conduzir operações de combate no chamado flanco leste do tratado. O Ministro dos Assuntos Externos da Polônia, Witold Waszczykowski, enfatizou que o estabelecimento de bases militares da OTAN e em particular dos Estados Unidos no território da Polônia será anunciado durante a cúpula.

São esperados 2,5 mil participantes e 1,5 mil jornalistas estrangeiros. O moderno Estádio Nacional no centro de Varsóvia foi alugado para o evento. As medidas de segurança foram intensificadas por conta de possíveis ameaças terroristas e protestos de associações civis que já declararam a intenção de realizar uma espécie de anti-cúpula na capital polonesa.

Em linha com os preparativos, uma intensa campanha de informação vem sendo conduzida com o objetivo principal de espantar os temores quanto a alegadas ações e planos supostamente agressivos da Rússia. A guerra contra a memória histórica é parte desta campanha de longo prazo. Neste aspecto, é preciso reconhecer que a reavaliação dos fatos históricos e a negação do papel da União Soviética na Grande Vitória de 1945 encontram um certo terreno histórico e político nos Estados Báltico e na Romênia, onde os autores da história oficial da OTAN costumam evocar diretamente os movimentos colaboracionistas locais, cujas atividades apresentam como exemplos da “luta pela independência” em relação à União Soviética.

Estados disfuncionais – I -- A liberdade irrestrita para o capital

Estados disfuncionais – I
A liberdade irrestrita para o capital
por Daniel Vaz de Carvalho


"As políticas sociais são orientadas pelos critérios mais reacionários do liberalismo do século XIX. As privatizações, a degradação da legislação laboral, a perversão dos direitos dos trabalhadores, retomam a tese de que o melhor que os governos têm a fazer é absterem-se de interferir tanto na economia como no social. É a liberdade irrestrita para o capital, a "flexibilidade laboral", ou seja, condicionar e tornar irrelevante a legislação laboral, "pois cada individuo conhece melhor o seu próprio interesse e luta por ele." "

"Com o domínio da oligarquia, as privatizações, a competitividade pelos "custos salariais", a carga fiscal passada para os trabalhadores, a liberdade irrestrita para o capital, os Estados tornaram-se disfuncionais, abandonando a obrigação de promover o bem-estar da maioria, tomando como sua prioridade "dar confiança e incentivos" ao capital."
"Os mecanismos de alienação levam as pessoas a comportarem-se de forma estúpida, perversa mesmo, contra os seus interesses como proletários. São desapossados da consciência de coletivamente terem uma posição determinante na sociedade. A noção de pertencerem a uma classe explorada é abafada por dogmas e ideias anti-humanistas, fomentando a divisão e a hostilidade entre os da mesma condição. "

O conservadorismo moderno está comprometido com um dos exercícios mais antigos que se conhecem: a procura de uma justificação moral para o egoísmo. 
 John Kenneth Galbraith 

A junção de propaganda, poder financeiro, estupidez e subornos significa que não há esperança para os povos europeus. (…) Governo responsável nos países ocidentais é história. Apenas falhanço e o colapso aguarda a civilização ocidental. 
 Paul Craig Roberts

1 – O Estado disfuncional 

O Estado torna-se disfuncional ao perder as suas funções ou realiza-las de maneira anómala. As funções são perdidas para entidades privadas ou ditas independentes ao serviço do capital; as funções que restam são executadas de forma deficiente pelas imposições da austeridade, que representa a subordinação aos interesses e à liberdade sem restrições para o grande capital. 

Para submeter os Estados aos objetivos do neoliberalismo e da globalização capitalista torna-se necessário serem estruturalmente disfuncionais do ponto de vista económico, financeiro, social, sociológico e político. 

É este o significado do Estado mínimo neoliberal, um Estado que deixa de ter capacidade de gerir a sua própria soberania e garantir direitos humanos aos seus cidadãos tal como definidos na carta da ONU. A agenda político-mediática da direita criou assim como tema central "a reforma do Estado", "repensar as funções do Estado". Tema insólito, pois há uma Constituição e poderes constitucionais para os definirem concretamente. 

A coberto de um exercício de filosofia política procura-se adormecer e intoxicar a opinião pública com o objetivo de desmantelar as funções económicas e sociais do Estado, anular os aspetos progressistas da Constituição, torna-la suficientemente contraditória para ser correntemente anulada por leis ordinárias, como a Constituição fascista de 1933. Em suma, trata-se de subverter a democracia e instaurar plena e formalmente o Estado oligárquico [1]  

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A equação político-militar na Síria - 1ª parte

A equação político-militar na Síria 
por Elisseos Vagenas1


"Os EUA e os seus aliados, ao iniciarem a intervenção imperialista na Síria, há cerca de 5 anos, adiantaram como pretextos questões de “democracia”, o derrubamento do “ditador Assad”, o apoio à assim chamada “Primavera Árabe”. Esta hipocrisia foi completamente óbvia, olhando para quem está a invocar “liberdade” e “democracia”: as monarquias antipopulares do Golfo, a Turquia, que ocupa metade de Chipre, a UE e os EUA, que desempenham o papel de liderança no massacre dos povos e no derrubamento de regimes que não são do seu agrado, para que os seus monopólios possam ganhar melhores posições. 
Hoje, os mesmos poderes, insistindo na utilização de pretextos em matéria de democracia, também trouxeram de volta o pretexto da “guerra ao terror” e da “autodefesa” contra os ataques que lhes movem os jihadistas, baseados nos territórios da Síria controlados pelo chamado “Estado Islâmico”. "

Passaram mais de dez anos desde que, pela primeira vez, o escritor Alexander Zinoviev comparou a Rússia capitalista com um “coelho com cornos”. “Um coelho”, porque, obviamente, nos primeiros anos após a restauração do capitalismo, a recémformada burguesia da Rússia – que estava no caminho para assimilar o país na “pirâmide” imperialista global e estava a tentar consolidar sua posição internamente –, facilmente cedeu terreno perante as exigências dos EUA e de outras potências. E isto, apesar de ter “herdado” um poderoso arsenal da União Soviética (daí... os “cornos”). 

Mas as coisas mudam. A Rússia está agora, mais e frequentemente, a usar a força militar fora das suas fronteiras. Fez isso na Moldávia (no caso da Transnístria), Tadjiquistão, Geórgia (no caso da Abkhazia e da Ossétia do Sul), Ucrânia (no caso de Crimeia), isto é, nos territórios da antiga URSS, que são considerados a sua “zona de interesses imediatos”. Moscovo deu um “salto” com a sua intervenção militar na Síria, postergando o recente “monopólio” dos EUA sobre intervenções militares nas mais distantes regiões. Uma intervenção que muda os termos da “equação síria” e, além do mais, cria confusão no Movimento Comunista Internacional.

O futuro de Israel é aterrador

O futuro de Israel é aterrador
por Ramzy Baroud*

"Se em 14 de Maio de 1948, aquando da criação unilateral do Estado de Israel, havia já uma forte identidade palestina, forjada por séculos de história, hoje os quase 70 anos após a partilha colectiva do sofrimento imposto por Israel a todos os palestinos, civis ou militantes de movimentos de libertação armados, homens ou mulheres, adultos ou crianças, tornam o povo palestino invencível aos olhos do mundo. 
Há povos que surpreendentemente se tornam invencíveis nas circunstâncias mais difíceis. É o caso do povo palestino."

A Sociedade israelense está permanentemente a desviar-se para a direita, pelo que todo o paradigma político do país está em constante redefinição. Israel, agora «governado pelo Governo de direita mais extrema da sua história», passou em poucos anos de uma apreciação informada a um cliché sem nexo.

De facto, ultrapassou essa fronteira exatamente em maio de 2015 quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, já ele da mais extrema da direita, com uma maioria de pessoas politicamente afins, fanáticos religiosos e ultranacionalistas. Ao trazer para o seu redil o ultranacionalista Avigdor Lieberman, Netanyahu repete a sua arquiconhecida fórmula.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

EUA ameaçam intervir na Eritreia

EUA ameaçam intervir na Eritreia
por Carlos Lopes Pereira

"Situada na África Oriental, com cerca de mil quilômetros de costa no Mar Vermelho, a Eritreia é um pequeno país de seis milhões de habitantes. A maior parte da população – metade é islâmica, metade é cristã – vive da agricultura, pecuária e pesca. Há expectativas de exploração do petróleo mas a maior riqueza do país é a sua localização estratégica. Além disso, o governo de Asmara não aceita «ajudas» estrangeiras e rejeita as políticas do Fundo Mundial Monetário e do Banco Mundial."

Há indícios de que os Estados Unidos estão a preparar uma intervenção militar «humanitária» na Eritreia utilizando pretextos idênticos aos que justificaram a agressão da NATO contra a Líbia em 2011.

À semelhança do que aconteceu no caso do país norte-africano, os EUA capturaram a máquina dos «direitos humanos» das Nações Unidas para invocar a «responsabilidade de proteger» os cidadãos eritreus de alegados abusos do próprio governo. Este princípio,responsibility to protect (R2P), tinha sido utilizado para legitimar a intervenção na Líbia pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, agora candidata presidencial democrata.

As mais recentes denúncias das manobras engendradas pelos EUA contra a Eritreia foram feitas através da Global Research, uma organização de pesquisa e informação com sede no Canadá. Um artigo da autoria de Glen Ford desmonta as falsidades retiradas do catálogo das mentiras imperiais.

Washington conseguiu que as Nações Unidas impusessem sanções à Eritreia, desde 2009, com o argumento de que Asmara concede «apoio político, financeiro e logístico» aos islamitas do Al-Shabaab, na Somália. Isto apesar de o governo laico eritreu se opor ao jihadismo islâmico de o Conselho dos Direitos Humanos da ONU ter reconhecido a inexistência de provas de tal ajuda.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O lado não ideológico do fascismo: crise de sobreprodução e guerra aos salários

Observações contemporâneas sobre o lado não ideológico do fascismo: crise de sobreprodução e guerra aos salários
por Annie Lacroix-Riz* 

"... exemplo do fascismo alemão, com um sucesso mais tardio do que em Itália (outubro de 1922), mas considerado mais “perfeito”: o alinhamento das classes dirigentes da Europa continental com este modelo e a atração considerável que exerceu sobre as dos Estados Unidos e do Reino Unido tiveram as mesmas motivações sócio-econômicas"

O fascismo é muitas vezes apresentado como “uma contrarrevolução preventiva” das classes dirigentes, com o objetivo de reprimir o recrudescimento da agitação social e política que se tinha seguido à I Guerra mundial (no caso da Alemanha, em novembro de 1918-janeiro de 1919 e, no italiano, 1919-1920)1 . 

Foi, sobretudo, uma réplica feroz da crise de sobreprodução que ameaçou o colapso dos lucros. Cingir-me-ei aqui ao exemplo do fascismo alemão, com um sucesso mais tardio do que em Itália (outubro de 1922), mas considerado mais “perfeito”: o alinhamento das classes dirigentes da Europa continental com este modelo e a atração considerável que exerceu sobre as dos Estados Unidos e do Reino Unido tiveram as mesmas motivações sócio-econômicas. 

A falaciosa aliança entre capital e trabalho de novembro de 1918 

O grande patronato alemão tinha digerido mal as concessões públicas que tinha sido obrigado a consentir, em 15 de novembro de 1918, para matar no ovo a “revolução” que ameaçava seguir-se à capitulação do Kaiser, Guilherme II do 9. Este fundamento do “contrato social” da República de Weimar repousava, contudo, numa capitulação falaciosa. A ADBG (Confederação geral sindical alemã), maioritária, organicamente ligada ao SPD [Partido social-democrata alemão - NT] e tão empenhada como ele no combate à revolução social, tinha, ao mesmo tempo, assinado com os delegados patronais um protocolo secreto, libertando-os dos seus compromissos: as convenções coletivas sobre os salários e as condições de trabalho não se aplicariam senão “de acordo com as condições da indústria respectiva”; “a jornada de 8 horas em todas as indústrias” apenas se “as principais nações industriais” também o praticassem.

Este acordo clandestino entre Trabalho e Capital foi o equivalente social da aliança política secreta “com as forças do antigo regime” concluída em outubro-novembro pelo SPD com o Estado-maior da Reichswher [Defesa do Império: forças Armadas Alemãs entre 1919 e 1935 – NT], porta-voz das classes dominantes em 1918. Completada com uma impiedosa caça aos vermelhos, na qual se formaram as futuras eminências nazis, este pacto “contranatura” deixava poucas hipóteses de sobrevivência à “República de Weimar [República estabelecida na Alemanha após a I Guerra mundial, entre 1919 e 1933, início do regime nazi – NT]”2. 

A dívida privada e a falência da Alemanha 

O Governo Temer, os ruralistas e a resistência dos indígenas

O Governo Temer, os ruralistas e a resistência dos indígenas

"Os indígenas brasileiros, assim, não têm nada a comemorar com o governo golpista de Michel Temer. Pelo contrário. Mas eles certamente se manterão firmes e altivos em sua resistência histórica. Inclusive contra o usurpador de plantão e seus asseclas. É dever de todos nós apoiar a sua causa."


A população indígena brasileira tem motivos para se preocupar com o governo interino encabeçado por Michel Temer e sua quadrilha. As demandas históricas dos povos originários não recebem a devida atenção das autoridades nem visibilidade da imprensa e suas causas são, frequentemente, relegadas a um segundo plano na esfera do Estado. O resultado: perseguição crescente às suas comunidades, assassinatos, abandono ou descaso em relação à infraestrutura básica e perda de território.

Entre os principais inimigos dos índios se destaca a bancada ruralista no Congresso, que aprovou na comissão especial a PEC 215, que trata as terras tradicionais como propriedades rurais. Com o fim do conceito de “tradicionalidade”, abre-se caminho para o avanço de empresas em áreas já homologadas. Esta proposta, além disso, transfere da União para o Congresso a competência pelas demarcações. Isso para não falar na própria CPI da Funai e do Incra, outra pauta apoiada pelos ruralistas.

É bom ressaltar que o novo ministro da “Justiça”, Alexandre de Moraes (o mesmo que classificou os protestos dos movimentos sociais contra o impeachment como “atos de guerrilha”), declarou que irá rever as “demarcações de terras indígenas que foram feitas, se não na correria, no apagar das luzes” do governo Dilma (como a TI Dourados-Amambaí Peguá I, no Mato Grosso do Sul, onde vivem os guarani kaiowá, o grupo que mais sofre com assassinatos em todo o Brasil, numa área em que 390 moradores perderam a vida por conflitos armados entre 2003 e 2014). Um comentário sem dúvida pouco alentador, mas que na verdade reflete a intenção do próprio Michel Temer, que chegou a aludir “extraoficialmente” algo no mesmo sentido (antes do afastamento, Dilma acelerou o processo de demarcação de terras indígenas, tendo a Funai, ulteriormente, delimitado nove áreas, a presidência homologado quatro e o Ministério da Justiça, declarado doze).

É verdade que o histórico de Rousseff neste caso também não é dos melhores. Sua gestão foi a que menos reconheceu terras indígenas desde a redemocratização do país (ainda assim, a presidente afastada homologou em torno de um milhão de hectares). Durante sua administração, a Funai foi enxugada: o orçamento da fundação, que era de R$ 174 milhões em 2013, passou para R$ 154 milhões em 2014 e chegou a R$145 milhões em 2015. Além disso, o número de seus funcionários permanentes diminuiu, a instituição operando atualmente com apenas 36% da sua capacidade total de servidores. Os índios, por sua vez, não conseguiram colocar, nesse período, nenhum representante no Parlamento. Com Temer, porém, a avaliação dos povos originários é que a situação vai piorar.

Brasil : A Funai pede socorro

A Funai pede socorro
El País / Pública


"Por outro lado, a situação coloca em risco também os povos indígenas. “São caçadores, madeireiros, todo mundo entra nas nossas terras… Você vai ver como as coisas estão na CTLs e só está a pessoa, não tem equipamento de trabalho, e o responsável pela unidade não tem nem gasolina para o transporte. Como ele vai fazer a vigilância? Ele vai sofrer emboscada, não tem como”, argumenta Rosimeire Maria Teles, do povo Arapaso, do Amazonas.

Segundo ela, os funcionários não têm telefones funcionando para fazer denúncias à sede do órgão. “A gente percebe muito a fragilidade da Funai”, diz. “Participando do movimento indígena, eu vi também como essa fragilidade dificulta para a gente conseguir articular as políticas com a Funai. O papel da CTL é organizar as demandas com a gente, tentar fazer esse trabalho, mas eles não têm como dar suporte nessas condições”, conclui. “Lá na terra indígena São Marcos [MT], a gente está sofrendo essa invasão gradativa e estratégica do pecuarista. Todo ano eles vão pegando uma extensãozinha de terra, vão tirando os marcos e vão entrando. Quando a gente se depara com isso, a gente pede a fiscalização, mas não vem”, alerta Crisanto Xavante, do povo Xavante, do Mato Grosso." 

O órgão indigenista sofre com déficit de servidores e a judicialização das demarcações de terras

Hoje, 116 terras indígenas estão em fase de identificação; 34 foram identificadas; 72, declaradas e 478, homologadas, segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA). Entre demarcadas e em fase de identificação, essas áreas representam atualmente 13% do território nacional (quatro vezes o tamanho da Itália). É nesse grande pedaço de chão que vivem mais de 80

Como as constantes manifestações dos índios não deixam esquecer, o prazo de cinco anos estipulado pela Constituição de 1988 para a demarcação de todas as terras do país não foi cumprido, e um dos principais entraves para a regularização é o fato de a terra ser uma fonte de poder econômico, político e social. É nesse contexto que atua a Fundação Nacional do Índio (Funai), o órgão federal criado em 1967 para coordenar a política indigenista do Estado brasileiro.

terça-feira, 21 de junho de 2016

América, crise do capitalismo, crise do progressismo

América, crise do capitalismo, crise do progressismo
por Partido Comunista do México

"O desassombrado documento que hoje publicamos é um sereno exercício de crítica revolucionária sobre a preocupante situação de regressão existente na América Latina e no Caribe. 
Esta análise debruça-se, sem subterfúgios nem subentendidos e com inusual frontalidade, sobre as derrotas que se avizinham para os povos daquela região, e daí se parte para a conclusão que «o PCM deve manter a sua política de contra-ataque, de rutura radical com o capitalismo e a luta pelo poder operário»; e se prevê o advento de uma crise política e ideológica que «pode apresentar semelhanças com a crise política e ideológica dos anos 90 que se seguiu ao triunfo da contrarrevolução na URSS»."

As eleições na Venezuela confirmam a previsão do nosso V Congresso, e a encruzilhada não foi apenas uma hipótese, mas é uma dura realidade. Dissemos então que as forças bolivarianas, PSUV, PCV, movimento popular teriam de definir entre radicalizar o processo ou retroceder perante a contrarrevolução. As indefinições permitiram o avanço das forças oligárquicas ao obterem uma esmagadora maioria nas eleições legislativas.

Hoje, a contrarrelógio, Maduro e o PSUV procuram algumas medidas que continuam com as hesitações marcadas pelo mesmo quadro ideológico em que se movimentam. O PCV comporta-se com maturidade e dentro de uma política revolucionária, procurando conquistar uma influência decisiva, que neste momento não tem.

O triunfo de Macri na Argentina e a derrota de Evo Morales apresentam, na generalidade, um quadro de derrota do progressismo e do bolivarianismo, bem como a recuperação de espaço por parte da contrarrevolução.

Krupskaia: "Porque é que a II Internacional defende Trotsky"

"Porque é que a II Internacional defende Trotsky"
por N. Kruspaia

"E não é por acaso que Trotsky, que nunca compreendeu o que faz a própria essência da ditadura do proletariado, que nunca compreendeu o papel que desempenham as massas populares na construção do socialismo e que acreditava que o socialismo pode ser edificado com ordens vindas de cima, comprometeu-se na via da organização de atentados terroristas contra Stalin, Vorochilov e os outros membros do Bureau Político que ajudam as massas a edificar o socialismo. Não é por acaso que o bloco sem princípios que Zinoviev e Kamenev tinham formado com Trotsky os empurrou, gradualmente, para o abismo profundo da pior das traições à causa de Lenin, à causa das massas trabalhadoras, à causa do socialismo, Trotsky, Zinoviev, Kamenev e todo o seu bando de assassinos agiram de acordo com o fascismo alemão, concluíram uma aliança com a Gestapo. Eis porque o país foi tão unânime em reclamar que estes cães danados fossem fuzilados."

O socialismo não se edifica por ordens vindas de cima. O automatismo burocrático é incompatível com a sua essência: o socialismo vivo e criador, é a obra das próprias massas populares!, dizia Lenin, nos primeiros dias da nossa revolução socialista de Outubro.

A 6 de Maio de 1919, no seu discurso ao I Congresso Russo da Instrução Pós-Escolar, Lenin declarava:

Se nos chamamos Partido dos Comunistas, devemos compreender que só agora, quando vencemos obstáculos de ordem externa e destruímos as velhas instituições, é que pela primeira vez se coloca realmente, e em toda a sua amplitude, a primeira tarefa da verdadeira revolução proletária, a saber, a organização de dezenas e de centenas de milhão de homens.

Depois da morte de Lenin, as massas uniram-se ainda mais estreitamente em torno do Partido. “Lenin está morto, mas a sua obra vive”.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Hitler foi financiado pelos Bancos Centrais dos EUA (Federal Reserve) e da Inglaterra (Bank of England)

Hitler foi financiado pelos Bancos Centrais dos EUA (Federal Reserve) e da Inglaterra (Bank of England)

Traduzido por Tanya & Eugene

"Hoje, quando a elite financeira mundial já começou a implementar o plano da "Grande depressão – 2", com a posterior transição para a "Nova Ordem Mundial", identificar seu papel fundamental na organização de crimes contra a humanidade constitui em prioridade essencial."

Há mais de 70 anos atrás começava o maior massacre da história

A recente resolução da Assembleia Parlamentar da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) equaliza plenamente os papéis da União Soviética e da Alemanha nazista para a eclosão da Segunda Guerra Mundial. Só que a tal resolução, na verdade, foi criada (pura e pragmaticamente) apenas para extorquir dinheiro da Rússia no interesse de algumas das economias falidas, demonizar a Rússia como o estado sucessor da URSS, e preparar o terreno legal para a perda do seu direito de se contrapor à revisão dos resultados da Segunda Guerra.

Mas, para se abordar o problema da responsabilidade pela guerra, primeiro é preciso responder à pergunta fundamental: quem ajudou os nazistas a chegarem ao poder? Quem os enviou em seu caminho para a catástrofe mundial? Toda a história do período pré-guerra da Alemanha mostra que a disposição das políticas "necessárias" foi conduzida pela turbulência financeira em que, por sinal, todo o mundo estava mergulhado.

As principais estruturas que definiram a estratégia de desenvolvimento do Ocidente no pós-1ª Guerra Mundial foram as instituições financeiras centrais da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos – o Banco da Inglaterra e o Banco Central dos EUA (inglês: Federal Reserve System) – e as organizações financeiras e industriais associadas estabeleceram um alvo para obter controle absoluto sobre o sistema financeiro da Alemanha e, assim, dirigir os processos políticos na Europa Central. Para implantação desta estratégia, é possível delimitar as seguintes fases:

: 1919-1924 – preparar o terreno para um imenso investimento financeiro americano na economia alemã;

2º: 1924-1929 – a implementação do controle sobre o sistema financeiro da Alemanha e o apoio financeiro para o nacional-socialismo/nazismo;

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Os 12 produtos mais perigosos criados pela Monsanto

Os 12 produtos mais perigosos criados pela Monsanto
Diário Liberdade

"Segundo a Associação de Consumidores Orgânicos em um documento do ano de 2011, “Há uma correlação direta entre o fornecimento de alimentos geneticamente modificados e os $ 2.000.000.000.000 de dólares que o governo dos EUA gasta anualmente em atenção médica, quer dizer, uma epidemia de enfermidades crônicas relacionadas com a dieta e um vínculo comercial com os laboratórios de medicamentos e vacinas.

No lugar de frutos sadios, verduras, grãos e animais alimentados com erva natural, as granjas industriais dos Estados Unidos e da Argentina produzem um excesso de comida com fragmentos de engenharia genética que causam enfermidades cardíacas, derrame cerebral, diabetes e câncer, com o respaldo de subsídios agrícolas, enquanto que os agricultores orgânicos não recebem estes subsídios.

A historia da Monsanto é reflexo de um quadro persistente de substâncias químicas tóxicas, demandas e manipulação da ciência."

A historia da Monsanto é reflexo de um quadro persistente de substâncias químicas tóxicas, demandas e manipulação da ciência..

1. Sacarina. John Francisco Queeny fundou a “Monsanto Chemical Works”, com o objetivo de produzir sacarina para Coca-Cola. Estudos realizados durante a década de 1970 mostraram que este químico produz câncer em ratos e outros mamíferos de testes. Porém, depois descobriu-se que causa o mesmo efeito em humanos, Monsanto subornou médicos e instituições para seguir comercializando-a.

2. PCBs. Durante a década de 1920, a Monsanto começou a expandir sua produção química mediante bifenilos policlorados (PCB), para produzir fluídos refrigeradores de transformadores elétricos e motores. Cinquenta anos depois, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) publicou um informe citando os PCBs como causa do câncer em animais, e com provas adicionais indicou que estes produzem câncer em seres humanos. Quase 30 anos depois dos PCBs serem proibidos nos EUA, este químico segue aparecendo no sangue das mulheres grávidas, como informou um estudo de 2011. Em muitas áreas da Argentina ainda utilizam os PCBs.

A caotização do Brasil

A caotização do Brasil
por Andrew Fishman*


"O novo fôlego para o projeto de lei de Veneziano surge enquanto gravações secretas ameaçam o núcleo do novo governo do presidente interino Michel Temer. Na terça-feira, o maior jornal do país, a Folha de S. Paulo, informou que o Procurador Geral solicitou a prisão do Presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-presidente, José Sarney, e do homem de confiança de Temer, o Senador Romero Jucá – todos importantes líderes do partido de Temer, o PMDB. Jucá e outro aliado de Temer foram forçados a renunciar aos seus ministérios no fim do mês passado. Um importante senador do partido da presidente Dilma Rousseff, o PT, esteve preso no ano passado num incidente semelhante. A própria presidente foi apanhada numa conversa gravada com o ex-presidente Lula da Silva a discutir a sua indicação para um ministério, o que foi visto pelos oponentes como uma prova de que tentavam colocá-lo fora do alcance da Operação Lava Jato , o que provocou protestos. "

– O clima moral em Brasília está podre
– Legisladores preparam lei rolha contra jornalismo crítico
– Projecto de lei para criminalizar os que denunciam a corrupção
– Não há mais ninguém limpo na política burguesa do Brasil

A revelação das gravações secretas envolvendo as mais poderosas figuras do Brasil provocou uma série de escândalos explosivos em meio a atual crise política do país. Agora, os legisladores brasileiros tentam tornar ilegal a publicação destas gravações. 

Um projeto de lei , que se arrastava na Câmara dos Deputados desde o ano passado, tomou novo fôlego este mês. Ele pretende criminalizar o ato de "filmar, fotografar ou captar a voz de pessoas, sem autorização ou sem fins lícitos", punível com até dois anos de reclusão e multa. Se as gravações forem publicadas nos media sociais a pena aumenta para quatro a seis anos. 

Quando foi originalmente apresentado, o projeto foi criticado como uma das muitas medidas draconianas destinadas a proteger políticos e uma ameaça direta à liberdade de expressão e de imprensa. 

O projeto de lei anti-gravações (PL 16762015) foi apresentado em 2015 pelo deputado Veneziano Vital do Rêgo, doPMDB , partido do presidente interino Michel Temer, com orientação à direita. Rêgo, que votou pelo impeachment da agora afastada presidente Dilma Rousseff, aparentemente tem razões para temer as gravações secretas: ele é suspeito em 35 investigações em andamento por vários crimes financeiros e administrativos, até abril, de acordo com o Transparência Brasil, importante órgão de fiscalização anticorrupção, e com o site de verificação de fatos, Agência Lupa. 

O Instituto de Tecnologia & Sociedade do Rio de Janeiro , que chamou o projeto de "preocupante" e "inacreditável", disse que a lei poderia criminalizar atividades quotidianas como filmar uma festa aniversário e postar o vídeo nas redes sociais. No Medium, o instituto afirmou que o projeto de lei "impede atividades jornalísticas e investigativas de grande relevância, assim como coloca em risco quem realiza atividades audiovisuais. Trata-se de um projeto inconstitucional que viola a liberdade de expressão e outros princípios constitucionais como o direito de informação e prerrogativas da comunicação social". 

terça-feira, 14 de junho de 2016

A estratégia dos EUA

A estratégia dos EUA
por Jorge Beinstein* entrevistado por Hemisfério Izquierdo

"Nos últimos anos os EUA acentuaram o seu perfil militarista, empurrando a NATO contra a Rússia, tentando criar um cerco agressivo contra a China, multiplicando suas intervenções directas e indirectas em numerosos países. Isso não lhe serviu para resolver a sua crise e sim, ao contrário, agravou-a. Se continuar a avançar pelo caminho belicista traçado por Bill Clinton, Bush (filho) e Obama cedo ou tarde chegará a um ponto de inflexão extremamente grave. Isso não exclui o facto de que a elite dominante norte-americana em certo momento poderia tentar chegar a algum tipo de acordo de coexistência com a Rússia e a China, ainda que pareça difícil que o tente (mas não impossível). Além disso não é fácil prever quanto tempo poderia durar esse apaziguamento. O problema central é que a sobrevivência da casta parasitária estado-unidense é impossível sem a extensão do saqueio imperialista sobre o resto do mundo e que ao mesmo tempo esse esforço saqueador, político-militar-financeiro, agrava a sua desordem interna. "

"Tanto Clinton como Trump oscilarão entre o belicismo, cada vez mais enlouquecido, e a procura de acordos provisórios com seus rivais". Jorge Beinstein.


HI: Quando Obama ganhou em 2008 construiu-se uma narrativa que quase assinalava o fim das pretensões hegemônicas e belicistas dos Estados Unidos, a ponto de que no ano 2009 deram-lhe o Nobel da Paz. Que balanço faria destes oito anos de gestão Obama? Modificaram-se em algo seus objectivos e sua estratégia em relação à gestão Bush? 

JB: Em relação à América Latina, a gestão de Obama começou com o golpe de estado nas Honduras e continuou com uma ofensiva geral tendente à recolonização da região. A seguir aos recuos imperiais, da perda de influência que caracterizou a presidência Bush (recordemos o fracasso do ALCA), a presidência Obama lançou uma vasta operação de conquista que se desdobrou de maneira complexa, flexível mas sistemática. 

A nível global a estratégia belicista de Bush foi enriquecida com um vasto leque de intervenções imperialistas como o golpe de estado na Ucrânia, a destruição da Líbia e a guerra contra a Síria, incluída a criação e colocação em andamento do chamado "Estado Islâmico". Tudo isso num contexto de decadência econômica, social e institucional dos Estados Unidos que se havia iniciado muito antes mas que se foi agravando durante a era Obama. 

HI: Tudo indica que os EUA rumam para uma escolha entre Trump e Clinton. Para além da pirotecnia e das declarações altissonantes será de esperar alguma diferença entre ambos os candidatos em relação à estratégia dos Estados Unidos para com o mundo? 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Desmistificando mitos neoliberais

Desmistificando mitos neoliberais
por Juliano Giassi Goularti* e Alcides Goularti Filho**

"Já advertia Marx, o “capital é o limite de si mesmo”. Assim, a acumulação capitalista que caminha na frente dos lucros esbarra na sua própria “anarquia”, isto é, pela força ou fraqueza da concorrência, pelo descompasso do investimento, pela incerteza quanto ao futuro, pela acumulação de capacidade ociosa não planejada e pela ausência de crédito "

"os neoclássicos “vêem árvores mas não vêem florestas” e ignoram que a desvalorização do capital diz respeito a sua própria natureza. Em todo o caso, o futuro é incerto, o que por si só desmistifica por terra seus mitos, o que prova que o capitalismo é uma “contradição em processo” e ao mesmo tempo regado de “incerteza”. Para tanto, dada a incapacidade de lidar com o tempo e a incerteza, é uma blasfêmia afirmar que o futuro já está determinado."
A modelagem neoclássica, ao tratar ‘contradições’ enquanto ‘falhas pontuais no equilíbrio geral’, divorcia-se do mundo real e concreto, permanecendo em níveis de abstração. O mito mais lapidado é aargumentação de que um aumento nos salários automaticamente significa queda na taxa de lucro.

O mito exerce “uma inegável influência sobre a mente dos homens que se empenham em compreender a realidade social”, escreveu Celso Furtado. Tratemos de desmistificar alguns dos principais mitos da corrente neoclássica que dá sustentação teórica e política ao neoliberalismo.

Em particular, as profecias dos neoliberais foram consagradas pelo Consenso de Washington. Tomadas como verdades absolutas e incontestáveis, tais medidas têm governado a economia política.

Operando como faróis de milha que iluminam caminhos obscuros, a doutrina neoliberal, valendo-se dos princípios da economia clássica de Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill e da neoclássica de William Stanley Jevons, Alfred Marshall, Léon Walras, Carl Menger – que centraram sua análise no indivíduo isento de relações sociais, que busca atender ao seu próprio interesse e que se orienta por suas preferências subjetivas – sustentam os seguintes mitos: i) equilíbrio geral (oferta = demanda); ii) concorrência perfeita (mercado atomístico, homogeneidade do produto, livre entrada e saída e não-rivalidade); iii) mão invisível; iv) agentes racionais (que preveem o futuro para antecipar riscos); v) aumento do salário significa queda nos lucros; e, vi) laissez-faire. Em princípio, estas são “camisas de força” da abordagem neoliberal (1).

Por meio do desenvolvimento da produtividade social do trabalho, do progresso técnico e do desdobramento do sistema financeiro, a estrutura econômica e social foi revolucionada, deixando para trás todas as épocas anteriores.

O colapso da velha ordem baseada no Petróleo

O colapso da velha ordem baseada no Petróleo
por Michael T. Klare*

"A crise financeira, a crise económica, a crise moral, a crise da justiça, a crise social…, são facetas da crise estrutural do sistema do capital, indesmentível nos EUA e na Europa, espraiando-se hoje por todo o mundo.É por isso que dia após dia, acontecimento após acontecimento, os analistas veem frustradas as esperanças no início da recuperação do sistema – como a crise do sistema do capital é na sua estrutura ela não poderá ser resolvida sem ao fundo do sistema, à sua estrutura… 
Neste bem informado texto de Michael T. Klare analisam-se as causas imediatas do insucesso da reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo e dos principais países produtores que não são da OPEP em Doha e prevê-se o colapso da «velha ordem baseada no petróleo»… E o que acontece ao sistema que criou esta «velha ordem»?"
Domingo, 17 de Abril foi o momento aprazado. Esperava-se que os principais produtores de petróleo do mundo fossem trazer uma nova disciplina para o caótico mercado de petróleo e provocar um retorno aos preços elevados. Na reunião em Doha, a reluzente capital do Estado do Qatar, tão rico em petróleo, os ministros do petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), bem como os principais produtores fora da OPEP, como a Rússia e o México, estavam convidados a ratificar um projecto de acordo que os obrigava a congelar a sua produção de petróleo nos níveis atuais. Antecipando-se a tal acordo, os preços do petróleo começaram a subir inexoravelmente, de 30 dólares por barril em meados de Janeiro, para 43 na véspera da reunião. Porém, longe de restaurar a velha ordem de petróleo, a reunião terminou com os preços a descer novamente e vieram à tona as profundas brechas nas fileiras dos produtores de energia existentes no mundo.

É difícil exagerar a importância da debacle de Doha. Na melhor das hipóteses, irá perpetuar os baixos preços do petróleo que têm assolado esta indústria ao longo dos últimos dois anos, levando as pequenas empresas à falência e a eliminar centenas de bilhões de dólares de investimento em nova capacidade de produção. Pode também ter anulado qualquer perspectiva futura de cooperação na regulação do mercado entre a OPEP e os produtores que não pertencem a ela. No entanto, acima de tudo, mostrou que o mundo alimentado por petróleo que nós conhecemos nas últimas décadas, com as procuras de petróleo tendo sempre ofertas suficientes e garantindo benefícios rápidos para todos os importantes produtores, não existe mais.

domingo, 12 de junho de 2016

A cultura da violência de gênero

A cultura da violência de gênero
por Ilka Oliva Corado


"A cultura da violência sexual, também naturalizada que como toda resposta nos diz: é mulher. É mulher e não tem problema, é apenas uma mulher: um objeto, um restolho, uma escrava. Essa cultura que vem desde a atribuição de papeis, cores. Que nos diz como devemos pensar, como nos comportar, porque sim e porque não fazer conforme nosso gênero. E que se saímos da norma, então o que vier nos suceder é completamente culpa nossa. Ainda vivendo sob os parâmetros marcados pelo patriarcado também nos acusa e nos culpa. A nível mundial há a existência de leis que escravizam a mulher.

A cultura da violência de gênero nos diz que as mulheres são o sexo frágil, que não podemos praticar esportes marcados como masculinos, que não podemos exercer profissões ou ofícios que milenarmente são reservados aos homens. Que nos diz que nosso destino na vida é sermos mães, limparmos a casa e cuidarmos de nossos filhos. Satisfazer sexualmente nossos homens. Viver para eles. E pobre daquela que fugir da norma e resolver amar a outra mulher! Porque será denegrida, golpeada, violada, assassinada. E ainda pior: era apenas uma lésbica que nem chegava a ser uma mulher. Caso encerrado a partir da entrada no necrotério."
"A violência de gênero é algo aprendido, portanto, pode ser mudada. Com certeza temos a capacidade para eliminar o patriarcado, o machismo, a misoginia e a indiferença. A pergunta é: quando o faremos?"

Existe, a vemos todos os dias, está enraizada nos padrões colocados desde a infância, no sistema patriarcal, nos fatores socioculturais: a violência contra as mulheres é real e também é aceita como algo natural em nossa sociedade misógina e machista. Para a violência de gênero não existem fronteiras territoriais nem distinção de classe social, cor, credo e grau de escolaridade. É imperceptível devido a forma como é solapada.

Uma violência exercida a todo nível, ilimitada e que não surpreende. Que não assombra, não indigna, não enraivece. A cultura da violência de gênero tem sua carga nos estereótipos, nas religiões criadas para oprimir a mulher, em uma educação patriarcal e em um sistema que invisibiliza a mulher como ser humano e a maldiz constantemente: que a abusa em seus direitos e a exclui da justiça.

Essa cultura que vai desde a negação aos direitos trabalhistas, à igualdade social, ao aborto. À educação, saúde, progresso. Que a vítima se revitimize, que o algoz o aplauda por macho alfa. Normas estabelecidas que têm a ver com a dupla moral, a hipocrisia, o medo e o viver de aparências. Razões pelas quais não se denunciam os abusos emocionais, físicos, sexuais e em consequência os feminicídios.

Bilderberg 2016: a reunião anual dos donos do mundo

Bilderberg 2016: a reunião anual dos donos do mundo
por kontra Info / Resumen Latinoamericano

"Onde fica a “democracia” se quase tudo é decidido por estas grandes corporações em reuniões secretas? Talvez só como um jogo que cria ilusões aos povos acerca da escolha de seus destinos e, portanto, acalma as possibilidades de rebelião. Por vezes, os povos escolhem governos que desafiam as corporações, porém, isto é algo assim como uma anomalia, uma falha do sistema. Quando algo assim ocorre, o sistema midiático global se encarrega de destruir a imagem desse governante, as corporações afugentam as divisas desse país provocando corridas bancárias e cambiais, e depois o poder judiciário ou legislativo, cúmplice do pode real, se encarrega de terminar de destruir esse governo anômalo e já desgastado midiaticamente."
Banqueiros, donos e CEOs (sigla em inglês para Chief Executive Officer, grande executivo) das principais corporações do mundo, membros da realeza europeia, o Secretário Geral da OTAN, ex-diretores históricos da CIA como Kissinger, Soros e Rockefeller, a elite global em sua plenitude realizará sua reunião Bilderberg 2016, na cidade de Dresden , Alemanha, no luxuoso hotel Tashchenbergpalais Kempinski entre os dias 9 e 12 de junho. Ninguém os elege, porém, eles decidem em segredo as medidas políticas, sociais e econômicas que depois serão aplicadas em grande parte do mundo .

Onde fica a “democracia” se quase tudo é decidido por estas grandes corporações em reuniões secretas? Talvez só como um jogo que cria ilusões aos povos acerca da escolha de seus destinos e, portanto, acalma as possibilidades de rebelião. Por vezes, os povos escolhem governos que desafiam as corporações, porém, isto é algo assim como uma anomalia, uma falha do sistema. Quando algo assim ocorre, o sistema midiático global se encarrega de destruir a imagem desse governante, as corporações afugentam as divisas desse país provocando corridas bancárias e cambiais, e depois o poder judiciário ou legislativo, cúmplice do pode real, se encarrega de terminar de destruir esse governo anômalo e já desgastado midiaticamente.

Aqueles que participaram no ano passado da reunião Bilderberg 2015 nos dão uma pista sobre os que voltarão a se reunir dentro de poucos dias (as personalidades tendem a se repetir ano após ano):

Henry Kissinger, ex-Secretário de Estado dos EUA

– John R Allen pelo Departamento de Estado dos EUA

– General David Petraeus, ex-diretor da CIA

REALEZA

– Princesa Beatriz de Holanda (ex-rainha)

BANCOS GLOBAIS

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Crise política e escalada do capital no Brasil

Crise política e escalada do capital no Brasil
por Rosa Maria Marques e Patrick Rodrigues Andrade*

"Este artigo tem como propósito destacar os aspectos maiores que deram origem à crise ora vivenciada. Nele procuramos evidenciar, do ponto de vista econômico e político, quais foram os segmentos da sociedade, os setores de atividade e as frações das classes dominantes beneficiadas pelas políticas desenvolvidas pelos governos Lula e Dilma. Isso é apresentado na primeira parte. Na segunda parte, tratamos das frações das classes dominantes que estiveram diretamente envolvidas na desestabilização do governo Dilma desde o momento de sua reeleição, sublinhando o papel da grande mídia como o verdadeiro partido da direita no Brasil, que se apresenta como o representante acabado dos interesses do chamado capital financeiro internacional."

Apresentação

Desde a reeleição de Dilma Rousseff, em outubro de 2014, o país viu-se emerso numa crise aberta. De fundamento aparentemente econômico, de início, rapidamente se configurou em crise política, o que resultou na abertura do processo de impeachment da presidenta eleita. E a despeito da abertura do impeachment, a crise política não parece estar resolvida, mesmo do ponto de vista dos “de cima”.

Os últimos “vazamentos” de conversas gravadas entre importantes membros do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), publicados no jornal a Folha de São Paulo, que envolvem, entre outros, o ex-presidente José Sarney e o atual presidente do Senado, é apenas um dos inúmeros indícios de que as classes dominantes não conseguiram, até o momento em que este artigo estava sendo finalizado, fazer um acordo que contemple seus interesses no plano da representação política. Se, por um lado, está claro qual é o projeto de sociedade que desejam implantar, o que exige completar as reformas neoliberais iniciadas nos anos 1990, por outro, não dispõem de um partido e de lideranças capazes de dirigir esse processo sem criar maiores instabilidades. E o fato de parte significativa dos deputados e dos senadores estarem envolvidos em processos em nada ajuda, fomentando a desconfiança, cada vez maior, junto a setores da classe média até então favoráveis ao impeachment, de que este foi em parte alimentado pelo compromisso assumido por grandes figuras da política, de dar um fim à “Operação Lava-Jato” [1], com vista a que essa não envolvesse os partidos da oposição e se restringisse ao Partido dos Trabalhadores (PT).

A instabilidade política é aprofundada pela ação dos trabalhadores, dos movimentos sociais e dos segmentos contrários ao impeachment que, desde o momento da votação da abertura de seu processo no Senado, têm realizado inúmeras manifestações em todo o país. Para o dia 10 de junho, está prevista uma grande manifestação unitária, chamada pela Frente Brasil Popular e pela Frente Povo Sem Medo [2]. Além disso, a ocupação de prédios vinculados ao Ministério da Cultura, mesmo depois de fazer o governo recuar de sua extinção, continua a acontecer. Esse conjunto de ações mostra que, do lado da atual “oposição”, isto é, dos setores contrários ao golpe, não haverá trégua, apesar da repressão que já se desenha em vários momentos.

A Wall Street por trás do golpe de Estado no Brasil

A Wall Street por trás do golpe de Estado no Brasil
por Michel Chossudovsky


"Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, a Wall Street tem exercido controle sobre nomeações econômicas chave incluindo o Ministério das Finanças, o Banco do Brasil e o Banco Central. Sob os governo de Fernando Henrique Cardoso e Luís Ignácio da Silva (Lula), as nomeações do governador do Banco Central eram aprovadas pela Wall Street." 
"Henrique Meirelles foi um firme apoiante do controverso Plano Cavallo da Argentina na década de 1990: um "plano de estabilização" da Wall Street que infligiu destruição econômica e social. A estrutura essencial do Plano Cavallo da Argentina foi replicada no Brasil sob o Plano Real, nomeadamente a imposição de uma divisa nacional dolarizada convertível (o Real). O que este esquema implica é que a dívida interna é transformada numa dívida externa denominada em dólar. " 
"A questão da soberania em política monetária é crucial. O objectivo do golpe de Estado foi negar a soberania do Brasil na formulação da política macroeconômica. "
O controle sobre a política monetária e a reforma macroeconómica era o objectivo final do Golpe de Estado. As nomeações chave do ponto de vista da Wall Street são o Banco Central, o qual domina a política monetária bem como as transacções de divisas estrangeiras, o Ministério das Finanças e o Banco do Brasil.

Por conta da Wall Street e do "Consenso de Washington", o "governo" interino pós-golpe de Michel Temer nomeou um antigo presidente-executivo da Wall Street (com cidadania estado-unidense) para a chefia do Ministério das Finanças.