Pesquisa Mafarrico

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terça-feira, 29 de novembro de 2016

A guerra do ocidente à verdade

A guerra do ocidente à verdade
por Paul Craig Roberts

"Desde o regime Clinton, a acumulação de crimes de guerra cometidos por governos ocidentais excedeu aqueles da Alemanha nazi. Milhões de muçulmanos foram massacrados, deslocados e desalojados em sete países. Nem um único criminoso de guerra ocidental foi responsabilizado.

O desprezível Washington Post é um apologista primário destes crimes de guerra. Todos os media impressos e de TV do ocidente estão tão fortemente implicados nos piores crimes de guerra da história humana que, se a justiça alguma vez chegar, os presstitutos estarão lado a lado no banco dos reus com os Clintons, George W. Bush e Dick Cheney, Obama e seus operacionais neocon ou manipuladores. "

A "guerra ao terror" tem sido simultaneamente uma guerra à verdade. Durante quinze anos – desde o 11/Set até às "armas de destruição em massa" de Saddam Hussein e às "conexões al Qaeda", "ogivas nucleares iranianas", "utilização de armas químicas por Assad", mentiras infindáveis acerca de Kadafi, "invasão russa da Ucrânia" – os governos das assim chamadas democracias ocidentais consideraram essencial alinharem-se firmemente às mentiras a fim de prosseguirem suas agendas. Agora estes governos ocidentais tentam desacreditar os que contam verdades e desafiam as suas mentiras. 

Serviços noticiosos russos estão sob o ataque das presstitutas da UE e do ocidente, fornecedoras de "falsas notícias". www.globalresearch.ca/... Obedecendo às ordens dos seus mestres de Washington, a UE aprovou de facto uma resolução contra os media russos por não seguirem a linha de Washington. O presidente russo afirmou que a resolução é um "sinal visível da degradação da ideia de democracia na sociedade ocidental". 

Tal como previu George Orwell, dizer a verdade é agora encarado pelos governos "democráticos" do ocidente como um acto hostil. Um sítio web totalmente novo, propornot.com, acaba de surgir condenando uma lista de 200 sítios web da Internet que apresentam notícias e visões em desacordo com os media presstitutos que servem agendas de governos. http://www.propornot.com/p/the-list.html  Será que o financiamento de propornot.com vem da CIA, do National Endowment for Democracy ou de George Soros? Tenho orgulho em dizer que paulcraigroberts.org está na lista. 

Losurdo: "A Geopolítica da internet"

"A Geopolítica da internet"
por Domenico Losurdo

Este texto foi publicado na revista Belfagor. Rassegna di varia umanità, dirigida por Carlo Ferdinando Russo, 31 Julho 2010, p. 489-494. Rome.

"Mas a Internet não é ela mesma a expressão da liberdade de expressão? Os que argumentam isto são só os menos dotados (e os menos escrupulosos). Na realidade – reconhece Douglas Paal, ex-colaborador de Reagan e de Bush sénior – a Internet é actualmente «gerada por uma ONG que não passa de uma emanação do Departamento do Comércio dos EUA». Mas trata-se apenas de comércio? O semanário alemão Die Zeit pede esclarecimentos a James Bamford, um dos maiores especialistas sobre os serviços secretos americanos: «Os chineses também receiam que empresas americanas como o Google sejam em última análise instrumentos dos serviços secretos americanos em território chinês. Será isso uma atitude paranóica?» «De modo nenhum» é a resposta imediata. Pelo contrário – acrescenta o especialista – até «organizações e instituições estrangeiras estão infiltradas» pelos serviços secretos americanos, que estão sempre em condições de interceptar comunicações telefónicas em todos os cantos do planeta e devem ser considerados como «os maiores piratas informáticos do mundo»."

O Google desafia o governo da República Popular da China: a grande imprensa de «informação» aplaudiu sem reservas o rigor moral e a coragem duma multinacional disposta a pagar caro em termos económicos para não se submeter às imposições da censura e reafirmar o direito humano à livre informação. Na verdade, embora de modo muito reduzido, também se fizeram ouvir algumas vozes apelando a uma maior prudência: teria havido apenas nobres motivações para explicar a posição do Google ou também haveria considerações de outra natureza? O grandioso gesto podia ser apenas um golpe de teatro numa habilidosa campanha de relações públicas: virar as costas desassombradamente a um mercado, embora prometedor, mas em que a concorrência local é feroz e conquistadora, pode vir a ser benéfico para a imagem e para os lucros da multinacional americana, abrindo-lhe o caminho para uma expansão noutros países e a nível mundial… E assim, no cenário traçado na Itália pelos órgãos de imprensa mais «não-conformistas», o cálculo utilitário aparece ao lado dos direitos do homem. A geopolítica, pelo contrário, continua a estar ausente, apesar de, para um observador mais atento, ser ela o autêntico protagonista.

Para o verificarmos, demos um salto atrás de cerca de sessenta anos e concentremo-nos num incidente, reconstruído aqui a partir dum recente artigo de Alessandra Farkas no Corriere della Sera.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

DEZ PASSOS PARA ENTENDER DIDATICAMENTE COMO OS BANCOS NOS EMPURRARAM ABISMO ABAIXO

DEZ PASSOS PARA ENTENDER DIDATICAMENTE COMO OS BANCOS NOS EMPURRARAM ABISMO ABAIXO
por MAURO LOPES

" Há um agrupamento misto de pessoas que se consideram “moderninhas” com gente que tem muita clareza do que está em jogo que dizem e escrevem: na pós-modernidade a luta de classes teria acabado e os conceitos de esquerda e direita estariam superados. Não se deixe enganar. A luta de classes está em um momento dos mais cruentos da história da humanidade e todos os aparatos ideológicos como as redes de TV, o jornalismo conservador e a indústria do entretenimento estão mobilizados para desmobilizar os pobres, confundindo-os e vendendo ilusões e mentiras. Se você está no Brasil: pare imediatamente de assistir a TV Globo e a imprensa golpista. Eles só veiculam mentiras, pois fazem parte deste grupo de rentistas que quer liquidar os gastos sociais e a Previdência para que os recursos sejam direcionados todos para eles. Sim, é só disso que se trata: para quem irá o dinheiro."

Em apenas dez passos você poderá entender claramente como os grandes bancos globais, os verdadeiros detentores do poder no capitalismo, estão empurraram o planeta e em especial 99% de sua população abismo abaixo. Eu achava que era coisa para economista com muitos anos de estudo, para experts. Mas, não -ainda bem! A leitura combinada de um entrevista e um artigo veiculados no Outras Palavras esclarece tudo.

1. Comece pela entrevista do economista norte-americano Michael Hudson clicando aqui -não se apavore, é curta. Ele é especialista em sistema financeiro e consultor de governos como os da Grécia, Islândia e China. Ao lê-la, você entenderá o processo de submissão da economia mundial ao sistema financeiro explicado de maneira simples, direta. O dilema brasileiro atinge todo o capitalismo neste momento: “Quando se diz ‘pagar os bancos’, o que eles realmente querem dizer é pagar os detentores de títulos bancários. São basicamente o 1% mais rico. O que estamos vendo realmente neste relatório [do FMI, nota minha], neste crescimento de dívida, é que o 1% da população detêm aproximadamente 3/4 de todos os créditos. Significa que há uma escolha: ou você salva a economia, ou você salva o 1% de perder um único centavo”.

2. Lendo a entrevista você compreenderá (se eu compreendi todos podem!): é ilusão pensarmos que a PEC 241/ 55, que liquida com gastos públicos no país, e a reforma da Previdência são “invenções” dos golpistas brasileiros; descobrimos com Hudson que as duas políticas (redução brutal dos gastos públicos e reforma de sistemas previdenciários) são globais, ditadas pelo processo de financeirização do capitalismo.

domingo, 27 de novembro de 2016

"As maiores homenagens ao camarada Fidel Castro"

"As maiores homenagens ao camarada Fidel Castro"
Por professor José Maria Sison,

"Fidel Castro será sempre lembrado como um grande líder revolucionário que defendeu ferrenhamente sua terra. Como alguém que realizou o que foi possível e que continuou a lutar pela causa da libertação nacional e social, pelo socialismo e pelo objetivo final do comunismo, a despeito das condições funestas resultantes da traição do socialismo por parte dos revisionistas modernos; do colapso da União Soviética e a subsequente ofensiva ideológica, política, econômica e militar dos EUA e seus aliados imperialistas. Ele compreendeu que estamos agora em um período sem precedentes de aprofundamento da crise capitalista e guerras inter-imperialistas, que antecederão um novo surto de embates revolucionários em escala global. "

Nós na Liga Internacional da Luta dos Povos (ILPS) expressamos nossas mais sinceras condolências para a família Castro, ao povo cubano, ao Partido Comunista de Cuba e ao Governo de Cuba pelo falecimento do camarada Fidel Castro, grande líder revolucionário do povo cubano e fundador do Partido Comunista de Cuba.

Nós lhe prestamos as maiores homenagens por sua liderança na luta revolucionária de seu povo e por ter alcançado imensas vitórias na defesa da independência e soberania nacional, por ter avançado na causa do socialismo, contribuído para as lutas de libertação nacional e social ao redor do mundo e por ter inspirado os povos a perseverar na luta pelo socialismo e comunismo contra o imperialismo norte americano e toda e qualquer reação.

A grandeza da Revolução Cubana sob a liderança de Fidel Castro é imediatamente reconhecida ao considerarmos o fato de que Cuba é apenas um pequeno país a 90 milhas de distância dos Estados Unidos. Ainda assim o povo cubano teve sucesso em libertar-se do monstro imperialista; em frustrar suas agressões como a realizada no caso da Baía dos Porcos, em responder às ameaças de ataques nucleares, impedir inúmeros atos de sabotagens e tentativas de assassinato contra Fidel Castro e prevalecendo diante do mais longo embargo já sustentado pelo imperialismo norte americano contra um país.

A Revolução Cubana foi vitoriosa por conta da harmonia entre o indomável espírito revolucionário de Fidel Castro, seu domínio da tática e da estratégia, sua perseverança em relação às necessidades e demandas do povo cubano, bem como a determinação deste em lutar e ganhar quando desperto, organizado e mobilizado. Como estudante universitário de Direito, de uma família de fazendeiros, Fidel Castro tomou partido dos oprimidos e explorados, se opondo à brutal e corrupta ditadura de Batista e fundou uma organização socialista revolucionária e clandestina, chamada O Movimento.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Lenin: "Sobre os Sindicatos, o momento atual e os erros de Trotsky"

Lenin: "Sobre os Sindicatos, o momento atual e os erros de Trotsky"
Discurso de Lenin na sessão conjunta de delegados ao VIII Congresso dos Sovietes e de membros do Conselho Central dos Sindicatos da Rússia e do Conselho de Sindicatos de Moscou militantes do PC(b) da Rússia, em 30 de dezembro de 1920.

"Conclusões: nas teses de Trotsky e Bukharin há toda uma série de erros teóricos. Uma série de inexatidões de princípio. Politicamente, toda a análise da questão equivale a uma absoluta falta de tato. As “teses” do camarada Trotsky são uma coisa nefasta no sentido político. Sua política, em suma, é uma política de limitação burocrática dos sindicatos. Estou seguro de que o congresso de nosso Partido condenará e rechaçará esta política "

Camaradas: antes de tudo, devo pedir desculpas por haver infringido o regulamento, pois para participar das discussões teria de ter ouvido, naturalmente, o informe, o co-informe e os debates. Infelizmente, meu estado de saúde não mo permitiu. Mas ontem tive oportunidade de ler os documentos mais importantes impressos e de preparar minhas observações. Logicamente, a infração do regulamento a que me referi, implica em certos inconvenientes para vocês: é possível que faça repetições por não saber o que os outros disseram e não responda o que deveria ser respondido. Mas não pude fazer de outro modo.

Meu material básico é o folheto do camarada Trotsky: Sobre o Papel e as Tarefas dos Sindicatos. Comparando este folheto com as teses que ele apresentou no Comitê Central, e lendo-o com atenção, assombra-me a quantidade de erros teóricos e de inexatidões flagrantes que contém. Ao iniciar uma grande discussão no seio do Partido sobre este problema, como pôde preparar uma coisa tão infeliz em vez de apresentar algo mais pensado? Assinalarei, brevemente, os pontos fundamentais nos quais, em minha opinião, há erros teóricos essenciais.

Os sindicatos são uma organização industrial, não só historicamente necessária, mas também historicamente inevitável, que nas condições da ditadura do proletariado engloba quase a totalidade dos operários da indústria. Esta é a ideia fundamental, mas o camarada Trotsky esquece-a constantemente, não parte dela, não a valoriza. O próprio tema proposto por ele: “Papel e Tarefas dos Sindicatos” é excessivamente amplo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O Inevitável Fracasso da Atual Política Econômica Brasileira

"Drácula Temer" e "Nosferatu Meirelles" entediados depois de chupar o sangue do Brasil
O Inevitável Fracasso da Atual Política Econômica Brasileira
por Fernando Grossman e José Martins

"É exatamente neste forte movimento de queda da inflação no Brasil que nos defrontamos agora com um dos maiores crimes da política macroeconômica brasileira. Enquanto o Banco Central do Brasil mantém a taxa nominal de juros de 14% praticamente congelada nos últimos 24 meses – a taxa mais elevada do mundo –– a taxa de inflação já caiu mais de 3% em 2016. Isso quer dizer que a taxa real de juros (taxa nominal menos taxa de inflação) subiu absurdos 3% neste ano. No final do ano passado essa taxa era de aproximadamente 4%, neste final de 2016 já alcança 7%. Isso é inimaginável em qualquer lugar do mundo. Uma imensa jabuticaba, só dá no Brasil. É um disparate econômico (teórico e prático) principalmente no atual quadro deflacionário global."

"O atual presidente do Banco Central do Brasil, Sr. Ilan Goldfajn, responsável pela definição do nível da Selic é um dos donos do Banco Itaú. Foi nomeado para este cargo para defender não só os interesses do seu banco, mas os de todos os parasitas do país."
" A mais importante reflexão frente ao atual quadro econômico e político de Brasil e Argentina é que nenhum governo no mundo jamais se sustentou por muito tempo só com parasitismo econômico e repressão policial para impor aos trabalhadores desemprego, redução dos salários, perdas de direitos e destruição do sonho de conhecimento e liberdade da juventude proletária. Muito menos na Argentina e no Brasil será possível mais essa agressão sem que ela irrompa imediatamente em ingovernabilidade e guerra civil."

A atual política econômica da burguesia brasileira padece de um claro defeito genético. É tecnicamente equivocada na forma de combater os desequilíbrios das contas públicas que ela mesma se propõe a resolver. Não se trata aqui de lamúrias morais de se condenar os ataques sobre os mais pobres, aumento da miséria, etc. – essas coisas perfeitamente rotineiras no regime capitalista. Esses ataques de pauperização absoluta da população são permanentes em qualquer país do atual mundo capitalista. E o problema que queremos tratar não diz respeito às desigualdades sociais e nem à mera repartição do produto.

Acontece que a ênfase do governo brasileiro em cortar apenas despesas correntes – saúde, educação e outras áreas sociais – além de direitos de aposentados e assalariados, etc., são quantitativamente insignificantes, em termos macroeconômicos, capitalistas, para o ajuste fiscal que os técnicos da protoburguesia brasileira procuram implementar. Apenas matar mais pobres do que eles estão acostumados não vai reequilibrar suas contas públicas. Só vai agravar.

Dez fatos sobre o comunismo/socialismo que você deveria saber

Dez fatos sobre o comunismo/socialismo que você deveria saber
por Fernando Horta*

"O primeiro país a dar direitos trabalhistas e sociais igualitários às mulheres foi a URSS. Desde antes da segunda guerra mundial o aborto era legal dentro do mundo soviético e as mulheres ocupavam espaços de trabalho, academias e no exército igualitários com os homens."

"Durante a década de 60 a vantagem científica da URSS para o mundo capitalista era tão grande que o governo americano teve que investir pesado em agências de pesquisa para reverter o sentimento de superioridade do mundo comunista que o chamado “efeito sputnik” causou. Ainda hoje muitas tecnologias contemporâneas têm suas raízes nas pesquisas soviéticas como o celular, por exemplo."

"O Nazifascismo foi vencido pelos exércitos vermelhos que mantiveram a luta na Europa até o final arcando também com as maiores perdas populacionais.

A Resistência ao nazifascismo foi feita nos países ocidentais majoritariamente pelos comunistas. Tanto na França quando na Inglaterra os grupos de “partisans” eram formados a partir das organizações comunistas e estas representaram a única efetiva oposição ao fascismo que começou ainda na Guerra Civil Espanhola."

1) São coisas diferentes. No socialismo, por exemplo, o Estado deve ser forte para, através de regras claras, por a termo o controle burguês.

No Comunismo o estado inexistirá em função da falta de necessidade dele para uma sociedade presumidamente sem classes. Marx nunca explicou as bases de tal “sociedade sem classes” mas o comunismo seria um estágio à frente do socialismo.

2) Nunca em toda a história do século XX algum país capitalista conseguiu superar as médias anuais de crescimento dos países socialistas. Tanto URSS entre os anos 20 e 30 e depois nos anos 60, quanto a China desde a década de 90 chegaram a atingir médias anuais de dois dígitos de crescimento por décadas.

3) O primeiro país a dar direitos trabalhistas e sociais igualitários às mulheres foi a URSS. Desde antes da segunda guerra mundial o aborto era legal dentro do mundo soviético e as mulheres ocupavam espaços de trabalho, academias e no exército igualitários com os homens.

4) Durante a década de 60 a vantagem científica da URSS para o mundo capitalista era tão grande que o governo americano teve que investir pesado em agências de pesquisa para reverter o sentimento de superioridade do mundo comunista que o chamado “efeito sputnik” causou. Ainda hoje muitas tecnologias contemporâneas têm suas raízes nas pesquisas soviéticas como o celular, por exemplo.

5) a transição de uma sociedade feudal (medieval) para uma sociedade industrial levou no capitalismo cerca de 200 anos (entre os séculos XVI e XVIII) e no modelo socialista levou pouco menos de 20 anos (entre 1917 e a década de 30)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

As portas giratórias do grande capital

As portas giratórias do grande capital
por Miguel Viegas

"Mas como já estamos habituados, os órgãos de comunicação social ao serviço do capital e as instituições políticas da UE, com especial destaque para o Parlamento Europeu, optam, de forma não inocente, por pegar nestes assuntos de forma totalmente superficial, privilegiando o tratamento personalizado, o caso isolado desta ou daquela personalidade política, como se estivéssemos em presença de um caso de excepção, ou de uma situação de abuso, passível de ser resolvida com uma pequena melhoria do acervo regulatório.

Não pretendemos aqui minorar o caso concreto do ex-presidente da Comissão Europeia. O que nos parece relevante é colocá-lo no quadro mais amplo da completa permeabilidade existente entre a Comissão Europeia e o grande capital, de que Durão Barroso é naturalmente um exemplo paradigmático. E já agora, é bom referir que, para além da Goldman Sachs, Durão Barroso passou igualmente a fazer parte do conselho diretivo do Grupo Bilderberg e foi nomeado presidente do comité de honra do European Business Summit, duas organizações onde estão representados os lóbis mais poderosos do grande capital europeu e norte-americano. Curiosamente (ou talvez não) esta informação não passou na comunicação social."


Na sequência da passagem de Durão Barroso da Comissão Europeia para a Goldman Sachs, a expressão «portas giratórias» (do inglês «revolving doors») passou a fazer parte do quotidiano jornalístico. A expressão aplica-se ao fluxo habitual de dirigentes políticos ou altos funcionários das instituições europeias para as grandes empresas multinacionais e vice-versa e indicia uma relação promíscua entre o poder político e os interesses privados.

Mas como já estamos habituados, os órgãos de comunicação social ao serviço do capital e as instituições políticas da UE, com especial destaque para o Parlamento Europeu, optam, de forma não inocente, por pegar nestes assuntos de forma totalmente superficial, privilegiando o tratamento personalizado, o caso isolado desta ou daquela personalidade política, como se estivéssemos em presença de um caso de excepção, ou de uma situação de abuso, passível de ser resolvida com uma pequena melhoria do acervo regulatório.

Não pretendemos aqui minorar o caso concreto do ex-presidente da Comissão Europeia. O que nos parece relevante é colocá-lo no quadro mais amplo da completa permeabilidade existente entre a Comissão Europeia e o grande capital, de que Durão Barroso é naturalmente um exemplo paradigmático. E já agora, é bom referir que, para além da Goldman Sachs, Durão Barroso passou igualmente a fazer parte do conselho diretivo do Grupo Bilderberg e foi nomeado presidente do comité de honra do European Business Summit, duas organizações onde estão representados os lóbis mais poderosos do grande capital europeu e norte-americano. Curiosamente (ou talvez não) esta informação não passou na comunicação social.

A Comissão Europeia representa um órgão central da União Europeia. Os comissários são percepcionados pelos cidadãos como dirigentes de topo na hierarquia europeia. São remunerados como tal, com um salário mensal superior a 20 mil euros (25 mil para o presidente) e beneficiam de chorudas indemnizações em final de mandato. Pelas funções que desempenham, seria de esperar uma total isenção política, e uma dedicação orientada exclusivamente pelo bem comum e pela melhoria das condições de vida dos cidadãos dos estados membro da UE e não apenas de alguns. Acompanhar o percurso dos ex-comissários ajuda-nos a aferir se assim é, tentando perceber a quem serve esta União Europeia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

EUA e UE

EUA e UE
por Jorge Cadima
"Mas a candidatura de Trump, além de tentar canalizar o descontentamento em prol do sistema – e criar condições para tornar esse sistema ainda mais agressivo e anti-popular – reflecte reais clivagens no seio da classe dominante dos EUA. Clivagens que são, elas próprias, produto da crescente crise do sistema e da consciência do seu gradual enfraquecimento enquanto centro mundial do imperialismo. Clivagens visíveis nas reações da UE à eleição de Trump. Juncker afirma que «a eleição de Trump corre o risco de minar os alicerces e a estrutura das relações intercontinentais», e dá lições: «Teremos de ensinar ao Presidente eleito o que é a Europa e como funciona» (Deutsche Welle, 11.11.16). "

"Uma coisa é certa: seja nos EUA ou na UE, a palavra de ordem é militarizar. Os povos nada têm a esperar dos defensores do grande capital, a não ser exploração, miséria e guerra."

As eleições nos EUA são expressão da crise do sistema. Os seus resultados contribuirão para o ulterior aprofundamento dessa crise. Nos EUA e a nível mundial.

Todo o processo eleitoral espelhou um profundo descontentamento popular. Que é fruto da perda de nível de vida dos trabalhadores dos EUA desde há 40 anos e do obsceno enriquecimento da cada vez mais restrita minoria ligada ao grande e parasitário capital financeiro e ao complexo militar-industrial que governa esse país. 

A situação explosiva dos EUA desde há muito se traduz numa crescente violência, quer individual (tiroteios e massacres), quer estatal (assassinatos policiais). Mas também em indicadores como o aumento de mortalidade entre a população adulta branca, que já provocou uma queda na sua esperança de vida (New York Times, 2.11.15 e 20.4.16). Ou num facto espantoso, revelado num estudo do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças, CDC, relativo a 2014 (citado em wsws.org, 5.11.16): entre as crianças dos 10 aos 14 anos o suicídio é a segunda causa de morte, havendo mais óbitos por suicídio do que por acidentes de viação. Os trabalhadores dos EUA são também vítimas da globalização imperialista e da grande crise do capitalismo, na desindustrialização, no desemprego, na baixa constante de níveis salariais.

Colocados perante dois candidatos do sistema, ambos milionários, milhões de norte-americanos responderam com a abstenção, o voto em terceiros candidatos ou (de forma paradoxal mas previsível) em quem – sendo um candidato do sistema – vociferava ser inimigo do sistema. É tragicamente revelador que enquanto a candidata do Partido Democrata, falcão das agressões imperialistas, assumia o papel de candidata do Partido da Guerra apadrinhando os delírios belicistas anti-russos, fosse o candidato republicano Trump que parecia a voz da razão ao alertar para os perigos duma guerra entre as duas maiores potências nucleares do planeta. O futuro encarregar-se-á de mostrar o que realmente valem as palavras de Trump.

"Aumenta o tráfico de mulheres no mundo"

"Aumenta o tráfico de mulheres no mundo"
por Instituto del Tercer Mundo

A complexidade do tratamento de seres humanos, pese que seja um problema histórico, se amplia estruturalmente com o pulso econômico mundial. As políticas de ajustes e os tratados de livre comércio, são os instrumentos que facilitam a mão de obra barata e não declarada. Isto não escapa ao mercado mundial do sexo onde mulheres, meninas e meninos são explorados no trabalho sexual e na pornografia."

"Na América Latina, o tráfico de crianças e mulheres consiste em pessoas enganadas e obrigadas por traficantes a trabalhar contra sua vontade e em condições de escravidão. Bandos organizados de traficantes utilizam métodos violentos, garantindo a intimidação das vítimas e a impunidade dos seus delitos. Em alguns casos os denunciantes são assassinados ao iniciar o proc"esso e, em outros, as vítimas são localizadas e recrutadas novamente."
As proporções internacionais que alcançou o tráfico de seres humanos, em especial de mulheres e crianças, são comparáveis com as da escravidão. Este fenômeno, que golpeia principalmente grupos em condições de extrema necessidade, é facilitado pela falta de uma distribuição equitativa de recursos, bens e serviços, a pobreza, fome, desemprego, analfabetismo, não acesso a fontes de recursos, migrações e deslocamentos em conflitos políticos e armados.

O tráfico de pessoas cobre o mercado da exploração sexual, tanto a prostituição como a pornografia e outras formas de escravidão sexual, assim como o trabalho forçado em condições de escravidão, a integração a associações ilícitas o recrutamento por parte dos grupos armados. As pessoas traficadas enfrentam constantes privações de direitos, maus tratos, extrema crueldade e outras humilhações.

A complexidade do tratamento de seres humanos, pese que seja um problema histórico, se amplia estruturalmente com o pulso econômico mundial. As políticas de ajustes e os tratados de livre comércio, são os instrumentos que facilitam a mão de obra barata e não declarada. Isto não escapa ao mercado mundial do sexo onde mulheres, meninas e meninos são explorados no trabalho sexual e na pornografia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Que Fazer?

Que Fazer?
Editorial do "Que Fazer?"

"Vários partidos comunistas cederam à ofensiva ideológica do capitalismo, aceitaram teses de ideólogos do capitalismo e desapareceram uns, mudaram de nome e de essência outros ou, mantendo o nome, deitaram fora a sua matriz marxista-leninista. Outros ainda mantiveram o nome, a afirmação formal da adesão ao marxismo-leninismo, mas passaram a ter uma prática reformista rumo à social-democracia e representam talvez o maior perigo para a luta revolucionária."

"Lenine explicou a razão pela qual, na época imperialista do desenvolvimento do capitalismo, o combate ao imperialismo tem como uma das principais tarefas o combate ao oportunismo. Com as suas análises e publicações este sítio pretende contribuir para essa tarefa na medida das suas forças. O oportunismo operou por dentro aquilo que o inimigo de classe incessantemente tentou por fora: a destruição de partidos comunistas que, de forças de massas, revolucionárias e de vanguarda se tornaram meros comparsas irrelevantes no quadro da democracia burguesa. Assim sucedeu, nomeadamente, em França, Espanha e Itália. Não está fora de causa que venha a suceder em Portugal."

A dramática derrota e o desmantelamento da URSS e dos países socialistas do leste europeu tiveram um profundo impacto político mundial.

A ofensiva do capitalismo monopolista e do imperialismo que se lhe seguiu, deixa por todo o lado o rastro de uma tragédia para os trabalhadores e os povos. Mais grave ainda, ampliou a desagregação do Movimento Comunista Internacional, levou à extinção muitos partidos comunistas, desencadeou a repressão fascista sobre alguns, conduziu à degradação política e ideológica de outros.

Vários partidos comunistas cederam à ofensiva ideológica do capitalismo, aceitaram teses de ideólogos do capitalismo e desapareceram uns, mudaram de nome e de essência outros ou, mantendo o nome, deitaram fora a sua matriz marxista-leninista. Outros ainda mantiveram o nome, a afirmação formal da adesão ao marxismo-leninismo, mas passaram a ter uma prática reformista rumo à social-democracia e representam talvez o maior perigo para a luta revolucionária.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Crise capitalista e ofensiva imperialista

Crise capitalista e ofensiva imperialista
por Giorgos Marinos

"Nestas condições complexas, a análise dos comunistas sobre as verdadeiras causas da crise, assim como do carácter de classe do desenvolvimento do capital, adquire a maior importância para a preparação do movimento operário e popular e o reforço da luta de classes, para que a importância da organização de produção socialista seja compreendida pela classe operária, que é a única forma de erradicar as causas da crise e da exploração capitalista. "

Caros camaradas, 

O Partido Comunista da Grécia saúda o 18.º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários e agradece calorosamente ao PC do Vietname a sua hospitalidade. 

O nosso partido exprimiu a sua solidariedade internacionalista e, durante muitas décadas, manteve-se ao lado do povo vietnamita na sua luta contra o colonialismo francês e japonês, contra a intervenção imperialista e os crimes dos EUA. 

A gloriosa vitória da classe operária, do povo do Vietname, sob a direção do Partido Comunista e do seu líder, o camarada Ho Chi Minh, foi uma grande vitória de significado internacional e demonstrou que, quando o povo está determinado, bem organizado e armado, pode derrotar as dinastias oponentes mais fortes e quebrar a algemas da exploração e da opressão. 

A história do movimento comunista está cheio de páginas heroicas e é uma valiosa fonte de estudo e de retirada de conclusões que emprestarão força aos comunistas para poderem enfrentar as complexas condições da luta de classes, lutando pelo derrube da exploração capitalista e pela construção do socialismo-comunismo. 

Caros camaradas, 

A crise capitalista internacional e sincronizada da sobreacumulação do capital, que se manifestou em 2008-2009, deixa as suas marcas no desenvolvimento até hoje e as suas causas encontram-se na posse capitalista dos meios de produção, no motivo do lucro que é a força motriz de desenvolvimento anárquico, na agudização da contradição básica entre o carácter social da produção-força de trabalho e na apropriação capitalista dos seus resultados. 

As forças burguesas e oportunistas mantêm o silêncio sobre as verdadeiras causas da crise e apresentam outros fatores como sendo as suas causas, por exemplo, a gestão neoliberal, os bancos e os banqueiros. Isto provoca a confusão e cria ilusões sobre o potencial de uma gestão capitalista a favor do povo. 

Teoria da dependência e o sistema-mundo

Teoria da dependência e o sistema-mundo
por Cláudio Katz (*)
"Neste importante ensaio Cláudio Katz faz a crítica das concepções de Immanuel Wallerstein, sublinhando nomeadamente aspectos em que convergem e outros em que divergem e se distanciam do marxismo. Reflexão que é tanto mais relevante quanto se tenha em conta que esta linha de pensamento tem sido objecto de intenso debate na América Latina no decorrer da última década. Período em que o “socialismo do séc. XXI” e a sua subestimação da questão do poder («mudar o mundo sem tomar o poder») não deixará de ter contribuído para muitas das dificuldades e derrotas com que os processos progressistas naquele continente hoje se deparam."
A teoria do sistema mundial influiu em numerosas áreas das ciências sociais contemporâneas. Foi elaborada por Immanuel Wallerstein a partir de um grande estudo da história contemporânea e uma crítica detalhada do capitalismo global. A sua visão apresenta numerosas sintonias com a teoria marxista da dependência. Recolheu ideias dessa concepção e incidiu nos debates do dependentismo. Vários autores exploraram as relações entre as duas visões: Em que terrenos convergem, divergem e se complementam?

Ciclos e hegemonias

Wallerstein calcula que o capitalismo surgiu na Europa há 500 anos com uma fisionomia directa de economia-mundo. Emergiu do esgotamento de um regime prévio de império-mundo que tinha sucedido aos minissistemas de subsistência.

O estudioso norte-americano considera que as formações mais primitivas funcionavam em torno da divisão extensiva do trabalho, em marcos culturais muito diversos. Acha que o esquema posterior se desenvolveu em extensas geografias com regimes políticos centralizados e que o terceiro mundo rege até à actualidade. O capitalismo mundializado assenta em estruturas políticas múltiplas, divisão geográfica do trabalho e grande variedade de estados nacionais (Wallerstein, 1979: 489-492).

Este sistema apareceu com a crise do feudalismo (1300-1450) e expandiu-se à escala mundial. Distanciou-se rapidamente de outras regiões como a China, que tinham alcançado níveis de população, superfície e tecnologia muito semelhantes. O motor desse impulso foi a rivalidade económico-militar imperante entre as monarquias absolutas. O choque entre esses estados incentivou a associação das novas burguesias com as velhas aristocracias, escorou a acumulação e pavimentou o aparecimento do comércio global (Wallerstein, 1979: 182-230, 426-502).

A partir desse momento o sistema-mundo governou o planeta através de quatros ciclos seculares próprios do capitalismo. A fase inicial de grande expansão (1450-1620/40) foi seguida de uma longa crise (1600-1730/50), que desembocou numa etapa de desenvolvimento excepcional (1730-1850). O quarto período persiste até à actualidade e seria o último deste universo moderno (Wallerstein, 2005: cap. 2).

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Não se vê luz ao fundo do túnel

Não se vê luz ao fundo do túnel
por CARLOS CARVALHAS

"A questão que se coloca é até quando os povos vão tolerar que a banca continue a desestabilizar a situação econômica e até quando vão tolerar pagar direta e indiretamente o grosso da fatura, em nome do salvamento da banca mas de fato do salvamento das fortunas dos banqueiros e grandes acionistas, pese embora o disfarce da legislação europeia sobre a «resolução bancária»."

"É a via do empobrecimento contínuo para a larga maioria da população e a concentração da riqueza para uma reduzida minoria, a que chamam política de austeridade."
Nove anos depois do rebentar da Bolsa, em Agosto de 2007, seguido do brutal crash financeiro, a economia mundial não consegue dar resposta às principais questões com que tem estado confrontada: elevadíssimo endividamento privado e público, crescimento anêmico, elevadas taxas de desemprego, taxas de inflação quase nulas e taxas de juro directoras nulas ou negativas, políticas e programas dos bancos centrais (d'assouplissement monetaire – quantitative easing) de fornecimento maciço de liquidez à banca, que não tem conseguido relançar a inflação nem estabilizar as finanças.

As contradições do sistema acumulam-se, o recurso às taxas negativas, com o objectivo de facilitar o investimento, combater a deflação e permitir o financiamento das empresas e dos Estados, tornando mais suportável o garrote das dívidas, não se pode manter indefinidamente.

Por um lado, o sistema financeiro acusa os bancos centrais de com as taxas negativas laminarem as margens bancárias e dos seguros (de que pouco se fala mas que estão estreitamente imbricados aos bancos e fundos de investimento e que podem ser os primeiros a deflagrar), por outro, os mesmos bancos, as empresas e os Estados fortemente endividados temem pelo aumento das taxas de juro.

Os bancos centrais dizem que não podem fazer tudo, que os Estados têm a sua quota parte, mas não se vê um caminho claro. Perante o impasse, Mário Draghi, vai dizendo «é preciso que os governos nacionais tomem medidas para libertar o crescimento, reduzir o desemprego, capacitar os indivíduos e oferecer protecção aos mais vulneráveis». Santa oração!

A pressão da deflação continua a verificar-se, designadamente, nos países do Sul da Europa, mas também em muitos outros. O seu prolongamento, tal como a experiência do Japão revela, aponta-nos os perigos de se ultrapassar o que se considera os limites da «irreversibilidade económica» caindo na armadilha da deflação.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

OUTUBRO DE 1917: A REVOLUÇÃO QUE MUDOU O MUNDO

OUTUBRO DE 1917: A REVOLUÇÃO QUE MUDOU O MUNDO
por PCB
"A Revolução Bolchevique mudou o mundo. Foi o mais importante evento histórico do século XX, uma experiência ímpar de democracia popular radical. Mesmo que, posteriormente, esta experiência tenha sofrido revezes em decorrência de inúmeros fatores, há que se destacar sempre que a vitória da Revolução de Outubro de 1917 deu início a um processo de mudanças econômicas e sociais profundas que serviram de exemplo para os trabalhadores e as trabalhadoras em todo o mundo, estimulando, até hoje, as lutas anticapitalistas e a mobilização dos povos por sua libertação no rumo do poder popular e do socialismo."

Em princípios do ano de 1917, na Rússia depauperada pela participação na Grande Guerra, crescia o ódio popular contra as classes dominantes. O Partido Bolchevique, declarado ilegal pelo Czar, era o único a se posicionar abertamente contra a guerra de rapina promovida pelas potências imperialistas. Com palavras de ordem acessíveis ao povo, um programa político radical e preciso, denúncias firmes contra a guerra odiosa e a exploração burguesa, os bolcheviques atraíam cada vez mais a classe operária e o campesinato para a luta organizada. O vulcão da revolução estava prestes a explodir.

O descontentamento generalizado das massas seria responsável pela eclosão de mais de 1.300 greves no mês de fevereiro, nas quais tomaram parte cerca de 670 mil trabalhadores. Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário atual), o Dia da Mulher Trabalhadora transformou-se numa grande jornada de protestos. As greves e manifestações evoluíram para uma revolta armada em 26 de fevereiro. Em todo o país, Sovietes de Deputados dos Operários e Soldados assumiam o poder. Em Petrogrado, o Soviete era dirigido pelos mencheviques e socialistas revolucionários (SRs), grupos reformistas vacilantes, pois os bolcheviques se concentraram nas tarefas da luta revolucionária e muitos de seus dirigentes estavam presos ou exilados.

O derrube do muro de Berlim (09/Nov/89)

O derrube do muro de Berlim (09/Nov/89)
por Daniel Vaz de Carvalho

A queda da RDA atingiu-me duramente, mas, tal como muitos outros companheiros de luta, não perdi a convicção de que o socialismo é a única alternativa para uma sociedade mais humana e mais justa. Desde a existência do capitalismo que os comunistas pertencem aos perseguidos neste mundo, mas não pertencem aos sem futuro. 
Hoje é considerado moderno etiquetar comunistas íntegros de estalinistas. 
Erich Honecker, Memórias da Prisão

1 – Uma idiótica euforia 

Em 30 de setembro de 1938, o primeiro-ministro francês Daladier regressa a Paris, vindo de Munique, após ter celebrado o acordo que entregava aos nazis uma parte da Checoslováquia. Ao sair do avião uma multidão espera-o com cartazes que festejavam o acordo: "a paz tinha sido salva". Daladier olha-os espantado, esperava ser vaiado, e murmura: "Idiotas…se eles soubessem." 

Esta cena faz evocar a euforia, com raias de histerismo, que percorreu as hostes anti-marxistas desde a extrema-direita a uma dita extrema-esquerda (do anarquismo ao trotsquismo) juntando-os num triunfalismo inconsequente. Na realidade, tal como em Munique se preparou a entrega aos nazis do domínio sobre a Europa, o derrube do Muro de Berlim preparou a entrega aos EUA, como líder do grande capital transnacional, do domínio mundial. 

Se a direita exultava com a derrota do seu arqui-inimigo, a social-democracia acompanhava-a fantasiando o enterro definitivo do "comunismo" propagandeando "um socialismo de rosto humano". Na sua cegueira acreditavam que afastado o "espectro do comunismo" (Marx) que os afligia: as massas populares pertenciam-lhe política e sindicalmente. Era o "fim da História" e a "paz social" através da colaboração de classes. 

Sem o mínimo de contraditório as massas foram submersas pela propaganda que prometia a "economia social de mercado" ou a "economia de mercado com justiça social". 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

As origens da ciência econômica burguesa

As origens da ciência econômica burguesa
por ANTÓNIO AVELÃS NUNES

"No quadro da luta de classes – hoje tão viva, tão violenta e tão indisfarçável –, quem se coloca do lado dos trabalhadores e dos povos ‘colonizados’ pelo capital financeiro reconhece, estou certo disso, a importância crescente da luta ideológica como um dos campos da luta de classes. E reconhece também que só podemos combater os nossos adversários se os conhecermos bem."

"a contra-revolução monetarista é a fonte de onde nasceu o neoliberalismo e o neoliberalismo continua a dominar as políticas das potências imperialistas dominantes e das agências ao serviço das políticas neoliberais de globalização financeira, que vêm sujeitando os trabalhadores e os povos de todo o mundo à ditadura do grande capital financeiro internacional e à prepotência dos gestores do capitalismo do crime sistêmico".

(*) Texto que esteve na base da apresentação que fiz na Festa do Avante 2016 da reedição do meu livro sobre O Keynesianismo e a Contra-Revolução Monetarista e da edição de As Origens da Ciência Económica – Fisiocracia, Smith, Ricardo, Marx.


1. A ciência económica nasceu com o capitalismo, como «ciência da burguesia».

Libertos dos vínculos feudais, os trabalhadores passam a poder dispor livremente da sua força de trabalho (que então surge como mercadoria autónoma), através de contratos teoricamente celebrados entre indivíduos livres e iguais em direitos. No quadro das novas relações sociais de produção, o capitalista adquire no mercado os meios de produção (incluindo a força de trabalho) e desencadeia o processo produtivo com o objectivo de obter lucros e de transformar uma parte deles, através do processo de acumulação do capital, em meios de produção adicionais e estes em maior quantidade de bens produzidos, destinados à venda no mercado com fins lucrativos.

Truculência policial concertada contra o MST

Autoridades brasileiras infringem a sua própria legalidade
Truculência policial concertada contra o MST
– Assalto armado à Escola Nacional Florestan Fernandes (SP) 
– Assalto ao Acampamento Dom Tomás Balduíno (PR) 
– Assalto ao Acampamento Herdeiros da Luta pela Terra (PR) 
– Invasão do Centro de Pesquisa e Capacitação Geraldo Garcia (MS)

por MST
"Salientamos que essa ação faz parte da continuidade do processo histórico de perseguição e violência que o MST vem sofrendo em vários Estados e no Paraná. No dia 07 de abril de 2016, nas terras griladas pela Araupel, as famílias organizadas no Acampamento Dom Tomas Balduíno foram vítimas de uma emboscada realizada pela Policia Militar e por seguranças contratados pela Araupel. No ataque, onde foram disparados mais de 120 tiros, ocorreu a execução de Vilmar Bordim e Leomar Orback, e inúmeros feridos a bala. Nesse mesmo latifúndio em 1997 pistoleiros da Araupel assassinaram em outra emboscada dois trabalhadores Sem Terra. Ambos os casos permanecem impunes. "

Nesta sexta-feira (4/Novembro), o MST amanheceu sob os holofotes de [tentativas de] criminalização. Uma ação truculenta da polícia, batizada de "Castra" envolveu três estados – Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul – e teve como principal objetivo prender e criminalizar as lideranças dos Acampamentos Dom Tomás Balduíno e Herdeiros da Luta pela Terra, militantes assentados da região central do Paraná. 

Em nota, o MST denuncia a "escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção". 

"Lembramos que sempre atuamos de forma organizada e pacifica para que a Reforma Agrária avance. Reivindicamos que a terra cumpra a sua função social e que seja destinada para o assentamento das 10 mil famílias acampadas no Paraná", afirma a nota do MST. 

Em São Paulo, 10 viaturas da polícia civil invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, São Paulo. Dois militantes foram detidos nessa ação. 

De acordo os relatos, os policiais chegaram por volta das 09h25, pularam o portão da Escola e a janela da recepção e entraram aos tiros em direção às pessoas que se encontravam na escola. Os estilhaços de balas recolhidos comprovam que nenhuma delas era de borracha e sim letais. 

RFA: da reabilitação dos nazis à proibição dos comunistas

RFA: da reabilitação dos nazis à proibição dos comunistas

por JORGE CADIMA

"«Os Estados Unidos são hoje no mundo o que a Alemanha hitleriana era na Europa: o Estado-polícia do capitalismo. A derrota dos planos de dominação mundial e de guerra dos Estados Unidos é no momento presente a tarefa imediata fundamental do proletariado e de todas as forças democráticas»." ( Alvaro Cunhal )

Há 60 anos, a 17 de Agosto de 1956, o Tribunal Constitucional Federal da então República Federal da Alemanha (RFA) proibia o Partido Comunista da Alemanha, KPD. A perseguição aos comunistas alemães coincidia com a reabilitação e ascensão a altos cargos de antigos nazis, sob a direção ativa das forças de ocupação anglo-americanas.

As perseguições aos comunistas alemães

Apenas 11 anos após o fim da II Guerra Mundial e a derrota do nazi-fascismo, o Estado alemão surgido em Maio de 1949 na parte ocidental da Alemanha sob ocupação das tropas das potências imperialistas, EUA, Grã-Bretanha e França, (a Leste, a RDA socialista apenas seria criada cinco meses mais tarde, na sequência da partição imposta pelas potências imperialistas), decretava a ilegalização do Partido Comunista da Alemanha, o primeiro partido político contra o qual Hitler se lançou após a sua ascensão ao poder em 1933, o Partido que viu o nazismo prender metade dos seus 300 mil membros e assassinar 30 mil 1. Entre eles, o Secretário-geral do KPD e figura histórica do movimento comunista alemão, Ernst Thäelmann, preso em Março de 1933 e que ao fim de 11 anos em cela de isolamento foi fuzilado por ordem expressa de Hitler no campo de concentração nazi de Buchenwald, a 18 de Agosto de 1944. Como refere o documento com que o actual Partido Comunista Alemão (DKP) assinala a efeméride 2, com a ilegalização «o Partido foi dissolvido, os seus eleitos viram os seus mandatos revogados, milhares de militantes foram levados à barra dos tribunais. Apenas entre os anos de 1950 e 1968, cerca de 200 000 processos foram encetados contra membros, reais ou presumíveis, do KPD, de que resultaram 10 000 julgamentos ao todo, que conduziram a penas de prisão, à perda de empregos, à privação de direitos cívicos e a outros actos discriminatórios». O Tribunal Constitucional da RFA decretou ainda «a confiscação dos bens [...] e a interdição da constituição de um Partido sucessor» 3. Pela terceira vez em menos de 40 anos (após 1919 e 1933), a classe dominante alemã procurava destruir pela repressão o Partido dos comunistas alemães.

As perseguições aos comunistas alemães após a II Guerra Mundial não começaram, nem terminaram, com a interdição do KPD em 1956. No rescaldo da II Guerra Mundial, as forças de ocupação norte-americanas e inglesas começaram o processo de recuperação activa de ex-nazis para a ofensiva de âmbito mundial com que visavam travar e fazer reverter os avanços impetuosos alcançados pelos trabalhadores e povos após a derrota do nazi-fascismo, na qual desempenharam papel determinante a URSS e os comunistas de numerosos países.

O jornal inglês Guardian, num artigo com o título «As fotografias do pós-guerra que as autoridades britânicas procuraram esconder» (3.4.06) refere as «provas do programa clandestino de tortura britânico na Alemanha do pós-guerra [que] permaneceu soterrado nos arquivos governamentais [durante 60 anos]. Fotografias terríveis de jovens que sobreviveram à fome sistemática, e que foram espancados, privados de sono e expostos a frio extremo foram consideradas demasiado chocantes para serem divulgadas. Como afirmou um Ministro da época, o mínimo possível de pessoas deveria vir a saber que as autoridades britânicas tinham tratado prisioneiros 'duma maneira que faz lembrar os campos de concentração alemães'. […] As fotografias mostram alegados comunistas que foram torturados numa tentativa de colher informações sobre as intenções e os métodos de espionagem soviéticos […]. Pelo menos dois alegados comunistas foram mortos à fome, pelo menos um foi espancado até à morte, e outros sofreram doenças ou ferimentos graves, tendo muitos perdido dedos dos pés como resultado de geladuras». O Guardian refere ainda que «a partir dos finais de 1946, o CSDIC [Centro de Interrogatórios britânico – N.T.] parece ter perdido interesse nos nazis e estava a focar-se nos comunistas».

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

"O MOVIMENTO É TUDO, O OBJECTIVO FINAL É NADA" OU A TRAIÇÃO DOS TRABALHADORES E DO SOCIALISMO

"O MOVIMENTO É TUDO, O OBJECTIVO FINAL É NADA" OU A TRAIÇÃO DOS TRABALHADORES E DO SOCIALISMO
Por Catarina Casanova

"Não é necessário um esforço particularmente grande para reconhecer quer estas posições quer este processo nos partidos eurocomunistas do nosso tempo. Designadamente, nas apreciações que implicam a vitória eleitoral e o exercício do poder através de um Estado burguês que, ao que parece, se haveria de metamorfosear em Estado socialista no dia em que um Governo dos trabalhadores o dirigisse. Tal tese, refutada desde Marx na Crítica do Programa de Gotha (1875)4 e por toda a prática histórica do séc. XX, é a que mais ilusões tem gerado entre os trabalhadores, e a que mais veementemente deve ser denunciada sempre que esta surja entre os seus dirigentes. Perante tal desvio de direita, a única solução é a do combate aberto entre os trabalhadores e os que, representando-os, se aburguesaram."

“Os meus pensamentos e esforços têm em conta a preocupação com os deveres do presente e do futuro mais próximo, e apenas me preocupo com as perspectivas para além desse futuro na medida em que me providenciam uma linha de conduta adequada ao contexto atual.” (Bernstein 1899:7)1


À espera do dinheiro do testamento de Engels, como refere no seu livro Socialismo Evolutivo (1899)1, Bernstein atrasou a publicação das suas teses revisionistas. E quando o fez, tornou-se o “pai” da social-democracia moderna, isto é, uma doutrina que se propunha instituir um conjunto de reformas graças às quais, pelo alargamento dos direitos políticos e econômicos dos trabalhadores, e um maior acesso à propriedade de títulos acionistas de grandes empresas por estes, a riqueza social se distribuiria sem que a burguesia tivesse de ser expropriada pela força.

Bernstein chega a afirmar (op. cit.) que não se coloca em questão a necessidade da classe trabalhadora “ganhar o controlo do governo”, numa formulação em que nada leva a crer que a violência revolucionária seja crucial. De facto, Bernstein não considera a violência política como a consequência de uma guerra entre classes antagônicas cujos interesses materiais são opostos e não podem de nenhuma forma ser conciliados. A violência para Bernstein é nada menos que um “cataclismo social”, e uma tentativa de forçar a ultrapassagem de “importantes períodos do desenvolvimento das nações”. A solução que o autor (1899) aponta para a classe trabalhadora é que o “desenvolvimento social”, entendido como “a luta pelos direitos políticos do homem trabalhador”, haveria de trazer a sociedade socialista sem “catástrofes súbitas”, as quais, por sinal, achava contrárias ao “interesse da social-democracia”. Sobre este último ponto, já falarei.

As teses de Bernstein encaixam plenamente na corrente do evolucionismo linear e determinista, e por isso negam os mais básicos princípios do materialismo dialéctico. A sociedade, na perspectiva de Bernstein (op. cit.), está “condenada” a um determinado percurso evolutivo, que conduz em linha recta ao socialismo. A tarefa dos trabalhadores não é organizarem-se para tomar os céus de assalto, como Marx disse a propósito da Comuna de Paris, mas, modestamente, remover os obstáculos jurídicos a essa evolução, através de um tarefismo exigindo direitos e liberdades dentro da legalidade burguesa em que, na frase proverbial, “o movimento é tudo, o objectivo final é nada”. Idealmente, este “movimento” haveria de “ganhar o Estado da burguesia”, por métodos pacíficos, claro está. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

‘O Estado brasileiro parece desintegrar-se’, diz o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira

‘O Estado brasileiro parece desintegrar-se’, diz o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira
por Chico Castro Jr.

"O Estado brasileiro parece desintegrar-se. Nem durante a ditadura militar a Polícia Federal invadiu o Congresso. Ela ganhou uma autonomia, que não podia ter, não respeita governo nem a Constituição, e muitos de seus agentes são treinados e conectados com o FBI, DEA, CIA etc. Os promotores-públicos e juízes, por sua vez, passam por cima das leis, extrapolam, como senhores de um poder absoluto e incontestável. Estão incólumes. Quase nunca são penalizados. E, quando o são, afastados das funções, continuam a receber suas elevadas remunerações, dez vezes ou mais superiores aos dos juízes da Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos e outros países altamente desenvolvidos, segundo a European Commission for the Efficiency of Justice (CEPEJ) e outras fontes. Certos magistrados do STF comportam-se como políticos partidários. Outros, que se deviam resguardar, fazem declarações públicas, antecipando julgamentos, e afiguram como se estivessem intimidados pela grande mídia, um oligopólio, uníssono na condenação, aprovação ou omissão de fatos. "

Em seu livro A desordem mundial, o senhor aborda diversos pontos de tensão ao redor do mundo. O mundo retrocedeu na busca pela paz entre as nações? Como o Brasil do golpe parlamentar / impeachment se encaixa neste complicado tabuleiro de xadrez?

Desde o governo do presidente Lula da Silva, o Brasil, conquanto mantivesse boas relações com os Estados Unidos, inflectiu em sua política exterior no sentido de maior entendimento com a China e a Rússia e empenhou-se na conquista dos mercados da América do Sul e África, a favorecer as empresas nacionais, como todos os governos o fazem. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Besta negra


Besta negra
por Luís Carapinha
"a degradação econômica dos EUA é indesligável do aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, bem patente na quebra sincrônica que atinge as potências da Tríade imperialista. O peso econômico dos países do G7 continua a diminuir, contando já menos de 50% do PIB mundial. No cômputo geral, os lucros corporativos na esfera produtiva continuam constrangidos, o investimento mantém-se em níveis criticamente baixos, a dívida pública (e sobretudo privada) eleva-se a níveis estratosféricos e a banca saturada de ativos tóxicos. O comércio mundial continua em rápida desaceleração. Face à ameaça de um novo e mais agudo pico da crise estrutural crescem não só a agressividade e rapina imperialistas, mas também o frenesim das disputas inter-imperialistas: o maior banco alemão é apontado pelo FMI como o maior risco sistêmico para a banca mundial e presenteado com uma super-multa pelos EUA."

"No labirinto da crise, avultam os perigos para a Humanidade. Mas não se perca a perspectiva. Há 100 anos Lenine insistia: o [apogeu do] imperialismo é a véspera do socialismo."

Qual o [verdadeiro] estado da economia dos EUA? 

A questão não é propriamente de somenos para os norte-americanos, nas vésperas das eleições presidenciais de 8 de Novembro. Para o mundo também não, pelas piores razões; os Estados Unidos funcionam como motor do sistema capitalista mundial e o centro da arquitetura financeira internacional (da globalização imperialista), com todo o grau de perversidade conhecido – não é por acaso que o rastilho da grande recessão mundial de 2007/8 foi a explosão da bolha imobiliária (dos títulos de crédito hipotecário subprime) nos EUA. Toda a crescente turbulência social e política observada nos EUA remete para o agravamento da sua condição econômica e o exponencial de contradições e desequilíbrios intrínsecos. 

Um quadro típico de estagnação avançada que o cartel de economistas e comentadores dos media dominantes por esse mundo teima, no essencial, em não ver, apontando as lentes grossas para indicadores superficiais e a análise acessória que confirmam a pujança (da recuperação) da economia do tio Sam. Mas que o circo decadente da presente campanha eleitoral entre Clinton e Trump, rebaixando todos os limites do logro, sordidez e frivolidade da tradicional política-espetáculo dos EUA, vem involuntariamente confirmar.

Marx: "Propriedade Privada e Comunismo"

Marx: "Propriedade Privada e Comunismo"
terceiro manuscrito de Karl Marx da obra Manuscritos Econômico-Filosóficos

"Uma vez que a essência do homem e da natureza, o homem como um ser natural e a natureza como uma realidade humana, se tenha tornado evidente na vida prática, na experiência sensorial, a busca de um ser estranho, um ser acima do homem e da natureza (busca essa que é uma confissão da irrealidade do homem e da natureza) torna-se praticamente impossível. O ateísmo, como negação desse irrealismo, não mais faz sentido, pois ele é uma negação de Deus e procura afirmar, por essa negação, a existência do homem. O socialismo dispensa esse método assim tão circundante; ele parte da percepção teórica e prática sensorial do homem e da natureza como seres essenciais. É autoconsciência positiva humana, não mais uma autoconsciência alcançada graças à negação da religião; exatamente como a vida real do homem é positiva e não mais alcançada graças à negação da propriedade privada, por meio do comunismo."
Todavia, a antítese entre a não-posse de propriedade (*) e propriedade ainda é uma antítese indeterminada, não concebida em sua referência ativa às relações intrínsecas, não concebidas ainda como uma contradição, desde que não é compreendida como uma antítese entre trabalho e capital. Mesmo sem a expansão evoluída da propriedade privada, p. ex., na Roma antiga, na Turquia, etc., esta antítese pode ser expressa em uma forma primitiva. Nesta forma, ela não aparece ainda como estabelecida pela própria propriedade privada. O trabalho, porém, a essência subjetiva da propriedade privada como exclusão de propriedade, e o capital, trabalho objetivo como exclusão de trabalho, constituem propriedade privada como a relação ampliada da contradição e, pois, uma relação dinâmica que tende a resolver-se.

ad ibidem. A substituição do auto-alheamento segue a mesma marcha do auto-alheamento. A propriedade privada é primeiro considerada somente em seu aspecto objetivo, mas considerado o trabalho como sua essência. Sua maneira de existir, portanto, é o capital, que é necessário abolir, "como tal". (Proudhon.) Ou, então, a forma específica de trabalho (trabalho que é levado a um nível comum, subdividido e, por isso, não-livre) é visto como a fonte da nocividade da propriedade privada e de sua alienação em relação ao homem. Fourier, de acordo com os Fisiocratas, encara o trabalho agrícola como sendo, no mínimo, o tipo exemplar de trabalho. Saint-Simon assevera, pelo contrário, ser o trabalho industrial, como tal, a essência do trabalho, e em conseqüência pleiteia o papel exclusivo dos industriais e um melhoramento da situação dos operários. Finalmente, o comunismo e a expressão positiva da abolição da propriedade privada e, em primeiro lugar, da propriedade privada universal. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

"Centrismo ou linha revolucionária"

"Centrismo ou linha revolucionária"
por Catarina Casanova
"A democracia burguesa é na verdade a ditadura do grande capital onde uma classe exerce a sua dominação sobre a outra. “No mais democrático Estado burguês, as massas oprimidas deparam a cada passo com a contradição flagrante entre a igualdade formal, que a «democracia» dos capitalistas proclama, e os milhares de limitações e subterfúgios reais que fazem dos proletários escravos assalariados. É precisamente esta contradição que abre os olhos às massas para a podridão, a falsidade e a hipocrisia do capitalismo” (Lenine 1918). É precisamente esta contradição que os comunistas denunciam a todo o momento perante as massas a fim de as preparar para a revolução."

Não é correcto considerar que a linha revolucionária é um ponto intermédio entre o esquerdismo e o reformismo.

O esquerdismo caracteriza-se pela inconsequência e a desorganização no uso de formas violentas de luta e reivindicações desajustadas ao grau de consciência das massas que, deliberada ou inconscientemente, acaba por dar armas ao capital. O reformismo arma também o capital, mas na medida em que prende as massas nas formas legais de luta, jogo esse que os trabalhadores nunca poderão ganhar: a democracia burguesa*. Ora, se é princípio leninista explorar todas as formas de luta, não se rejeitam as formas legais, nem se abandonam as ilegais.

O que leva um comunista a defender tal ou tal forma de luta? Para isto, é importante fazer a análise concreta da situação concreta, entendendo, em cada momento, se estão reunidas as condições para determinada ação. E – ponto fundamental – quando determinada circunstância histórica exige determinadas formas de luta, compete aos comunistas organizar as massas de forma a serem capazes de as desenvolver. A rejeição deste trabalho organizativo para as ações necessárias e não para as ações possíveis é uma capitulação.

Um comunista não pode virar as costas ao seu papel histórico de organizar as massas para todas as formas de luta pois se o fizer, deixa de ser comunista. O esquerdismo e o reformismo são duas faces da mesma moeda: a sobrevalorização de determinada frente de luta, seja a institucional, seja a ilegal. A solução é escolher a forma adequada em cada conjuntura – não é utilizar uma táctica de meio termo entre ambas. Isso, em termos marxistas, chama-se centrismo.