Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Lobby da maconha


O Lobby da maconha


O lobby da maconha no Brasil é um movimento forte e coeso. Tem uma ideia fixa: a legalização das drogas. Para se manter, usa elementos como uma pretensa respeitabilidade e a estratégia de confundir o debate.


O primeiro tem sido conseguido com a mídia, representantes da cultura, da Justiça e até com alguns profissionais da saúde.

O segundo, a confusão, fica por conta de ativistas comprometidos com a causa da legalização, cujo debate tem única dimensão: a legalização como forma mágica de resolver o problema.
Quanto mais confusas as ideias, e aparentemente defendidas por celebridades, mais parece que a maconha seja droga leve; assim, a legalização soa como consequência.

Quem mostra uma argumentação mais complexa é suspeito.

A Folha publicou, em 30 de julho, artigo de representantes de importantes instituições de ensino e pesquisa nos atacando pessoalmente ("Ciência e fraude no debate da maconha", "Tendências/Debates "), por publicação anterior sobre o dom de iludir da maconha.

É triste constatar que profissionais de universidades renomadas têm a paixão dos lobistas e não alcançam a complexidade intelectual de um assunto com sérias repercussões para a saúde. Para além da unidimensionalidade do debate proposto pelo lobby, em que vários assuntos se confundem, retoma-se:

1. Maconha faz mal à saúde.Qualquer revisão científica concorda com os efeitos deletérios do uso crônico da maconha. O livro mais recente, "Cannabis Policy" (2010), começa reconhecendo tais efeitos para depois discutir mudanças na política. Qualquer alteração na política que aumente o consumo de drogas aumenta o dano. O lobby da maconha se recusa a aceitar tais evidências sobre os riscos.

2. O uso terapêutico da maconha não tem comprovação científica, especialmente o uso de sua fumaça.

Se recomendado, com mais de 400 componentes tóxicos, negaria a busca da ciência por produtos cada vez mais seguros.

Algum dos componentes da maconha pode ter propriedades medicinais, mas isso está longe de receber aprovações de órgãos como o "Food and Drug Administration" (FDA, agência reguladora de remédios e alimentos nos EUA).

O lobby da maconha quer convencer a população de que a maconha é uma droga segura.
Uma das batalhas emblemáticas desse lobby, que chega ao absurdo de propor que a maconha possa ser usada como tratamento para usuários de crack, exemplo de indigência intelectual, uma desconsideração com a saúde da população.

3. Não precisamos que o governo federal, por meio da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), crie uma agência para coordenar pesquisas sobre a maconha terapêutica, a "Maconhabras".

Com milhares de usuários de crack nas ruas sem tratamento, gastar o dinheiro público dessa forma é ofender famílias desassistidas, que batem à porta dos serviços públicos sem encontrar apoio. Já existem diversos órgãos de fomento às pesquisas no país.

4. A lei antidrogas vigente praticamente descriminalizou o uso. Por coincidência ou não, o consumo de drogas aumentou, segundo todas as pesquisas. O lobby da maconha não reconhece que temos uma das leis mais liberais do mundo, ainda sem avaliação, e querem maiores facilitações para o consumo?

O debate sobre a maconha é complexo, uma droga que tem o dom de iludir.

Lobistas da maconha, mesmo aqueles travestidos de neurocientistas, não entendem essa complexidade. Mostram a certeza dos fiéis de uma seita, voltados à legalização da erva.

A sociedade brasileira os rejeita, pois sabe que estão distantes das diretrizes de uma boa política sobre drogas e da defesa dos interesses do povo brasileiro.

RONALDO RAMOS LARANJEIRA é professor titular de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do Instituto Nacional de Políticas sobre Álcool e Drogas (Inpad/CNPQ).


ANA CECILIA PETTA ROSELLI MARQUES, doutora pela Unifesp, é pesquisadora do Inpad/CNPQ.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Os crimes de «luva branca» e sotaina(Batina)…


Os crimes de «luva branca» e sotaina( Batina)…

Por: Jorge Messias


Poucos meses antes do falecimento do p. Maciel, Bento XVI afastou-o imprevistamente de todos os cargos e ordenou um inquérito interno ao passado do sacerdote. O Vaticano acabara por «descobrir» aquilo que de há longa data conhecia:

O sacerdote tivera uma carreira ilustrada pelas mais diversas práticas criminosas. Fora pederasta, ladrão, morfinómano e violador de crianças na sua própria família. Negociara com máfias de todos os géneros. Estabelecera pactos com as redes de narcotráfico mexicanas.

Para os que observam a Santa Sé e procurem chegar às realidades que os seus longos corredores ocultam, há factos essenciais em toda esta história que importa destacar. Marciel, seminarista obscuro, fora o homem escolhido pela Igreja para pôr de pé o ambicioso projecto da «Legião de Cristo». A escolha foi avalizada pelos silêncios cúmplices de sucessivos papas mentores das políticas eclesiásticas mais pró-neocapitalistas, tais como Paulo VI, João Paulo II e o cardeal Ratzinger, «defensor da Fé» e mais tarde Papa Bento XVI. O padre Maciel já estava proposto para a beatificação quando Bento XVI mudou subitamente de atitude e o afastou de todo o sacerdócio público, ainda que nenhum dos actos criminosos que invocou lhe fossem desconhecidos. Mas o fim das suas vidas aproximava-se e Ratzinger ambicionava deixar todo o aparelho montado por Maciel nas mãos da Companhia de Jesus. Por isso, o «escândalo» atingiu o padre mandatado pela hierarquia mas deixou intacta a poderosa estrutura política que a «Legião de Cristo» representa em todo o mundo.

Um outro aspecto a reter é o da rápida generalização de casos como este à sociedade religiosa e à sociedade civil. «Escândalo», quase sempre implica «crime».

E «crime provado» exige «castigo». Uma pena que passe, obrigatoriamente, pelo desmantelamento do aparelho instalado, pelo «instrumento do crime». Aparentemente, as leis assim o exigem. Mas se olharmos para o que se passa na actualidade com os grandes escândalos como, no caso da Igreja, do Banco Ambrosiano (o pai dos «paraísos fiscais»), do Óbolo de S. Pedro, da «Loja P2» que serviu para aliar entre si polícias secretas e para comprar políticos corruptos dos regimes socialistas do Leste da Europa, etc., fácil será concluir que aquilo que normalmente acontece é a absolvição dos acusados e a manutenção dos seus esquemas e instrumentos criminosos. Nestes casos, cada vez mais frequentes, o «escândalo» representa sempre uma simples etapa da escalada do Poder. O crime compensa.

Em linhas gerais, Igreja e capitalismo laico competem lado a lado na disputa do lucro e do poder. Só nas suas linhas estratégicas, Igreja católica e instituições capitalistas optam por linhas divergentes. Concordam em que a crise financeira mundial, convenientemente gerida, pode promover a acumulação de gigantescos lucros e que os grandes pilares das instituições têm de ser salvos e refinanciados pelo OE. Reconhecem também ser necessário fazer recair sobre as classes mais pobres o monstruoso custo financeiro e social das crises capitalistas. Mas, a partir destes quadros, optam por vias diferentes.

Os «capitalistas puros» reconhecem a gravidade da situação, alarmam-se e optam por soluções de recurso com grandes margens de insegurança. Sabem como fazer dinheiro e mais dinheiro. Mas não encontram respostas nem prepararam alternativas para os sucessivos problemas da crise económica, das alucinadas políticas de crédito ou para as rupturas sociais que se aproximam. «O tempo é oiro e… não há tempo a perder». São perspectivas que roçam o desespero. Os ricos estão cada vez mais ricos mas entram em pânico. Parar é morrer. É preciso avançar, mesmo que seja às cegas. Aumentar os lucros em tempo de crise, dominar as revoltas dos trabalhadores e ladear as rupturas sociais que se avizinham.

Já com a Igreja, muitos destes dados têm diferente arrumação. A Igreja detém a maior acumulação de riquezas de sempre. É o maior banqueiro do Universo. Possui bancos, seguradoras, instituições de crédito, redes de turismo, «paraísos fiscais», latifúndios, minas, florestas, redes de hipermercados, hospitais, escolas, tudo quanto uma força ambiciosa possa imaginar. Está presente em todas as áreas políticas e sociais. Pode bem esperar tranquilamente que os seus sócios se arruinem. Portanto, perante o crime cala-se e deixa andar. «O caminho faz-se caminhando!», dizia Escrivá de Balaguer, o fundador do Opus Dei.

Actualmente, o grande problema central do Vaticano é o da «preservação da imagem». A Igreja é o Grande Árbitro. Olha com interesse os efeitos da sucessão das crises e do desmoronar dos mitos da sociedade da globalização e a fragilização dos seus próprios aliados.


Só haverá globalização quando a Igreja assim o entender, isto é, quando a Humanidade aceitar o Reino Universal de Cristo (Regnum Christi Universalis), governo mundial e apocalíptico dos «finais dos tempos». Delírio, utopia ? Só o tempo o dirá.





Juan Manuel Santos:Narcotraficante de turno na Presidência da Colômbia



Juan Manuel Santos:

Narcotraficante de turno na Presidência da Colômbia

Por:José Paulo Gascão



A eleição de Juan Manuel Santos como sucessor de Álvaro Uribe na presidência da República é «o triunfo ilegítimo da continuidade, repudiado pela abstenção da cidadania», como definiram as FARC em comunicado de 21 de Junho passado [1].

O artificial conflito criado com o seu antecessor, no período que mediou entre a sua eleição e a posse, e a luzidia cerimónia de posse com a presença de 16 Chefes de Estado, alguns deles que se reivindicam de liderar «processos de mudança» nos seus países, internamente, corresponde à necessidade da oligarquia colombiana e do imperialismo procurarem fazer crer que se afastam de Uribe, e externamente, é a tentativa de legitimação de um regime umbilicalmente ligado ao narcotráfico e ao paramilitarismo, responsável por milhares de assassínios e milhões de desapossados e deslocados das suas terras.

Com uma cara que não engana, Juan Manuel Santos é o membro destacado para a vida política activa de uma das mais poderosas famílias colombianas. Ligada à comunicação social desde a compra de El Tiempo em 1913 (o único diário colombiano de circulação nacional), a família Santos domina ainda, entre outros negócios fora da comunicação social, 4 semanários, 1 TV, 1 TV por subscrição, o serviço informativo e de entretenimento dos possuidores de telemóveis da rede da Vivemovil, 11 revistas e 8 portais de internet.

Sobrinho-neto de Eduardo Santos, presidente da Colômbia em 1938-1942, a saga de Juan Manuel Santos e da família confunde-se com a história da exploração desenfreada, da repressão e da tortura, do assassínio político, do crescimento exponencial do narcotráfico e do paramilitarismo nos últimos 80 anos da Colômbia.

No início da década de 90 do século passado, Juan Manuel Santos liderou a privatização da Segurança Social e a entrega dos seus fundos à iniciativa privada, através de um decalque da lei chilena de Pinochet, o que tornou «a possibilidade de aceder a uma pensão em algo inacessível aos trabalhadores». Como prémio, em 1991, o presidente César Gaviria – responsável pelo genocídio da União Patriótica, com cerca de 4.000 mortos – entregou-lhe a pasta da Indústria e Comércio, o que permitiu a Juan Manuel Santos executar um processo de privatização de empresas públicas e de desregulação da economia colombiana. Mais tarde, como ministro da Fazenda de Pastraña, 2000-2002, infringiu leis e a própria Constituição na privatização de empresas do Estado, o que lhe valeu um processo inconclusivo por «responsabilidade fiscal e dano patrimonial do Estado».


A FAMILIA SANTOS,

O NARCOTRÁFICO E O PARAMILITARISMO

As relações da família Santos com o narcotráfico não se limitaram a Álvaro Uribe que, segundo um relatório do Departamento de Inteligência dos EUA de Setembro de 1991 desclassificado em Julho de 2004, estava «dedicado à colaboração com o cartel de Medellin ao mais alto nível governamental» e «a um negócio de narcóticos nos EUA» [2], o não impediu que Álvaro Uribe fosse, durante os oito anos dos seus dois mandatos, o mais fiel e dedicado aliado dos EUA.

Em Outubro de 1997 Juan Manuel Santos teve um encontro com os narcotraficantes Carlos Castaño e Vitor Carranza para apear o presidente Samper, conforme afirma o primeiro no seu livro «Mi Confesión»; dias depois, «anuncia um plano de paz com os paramilitares»; recentemente, foi tornada pública uma gravação em que Castaño convida Salvatore Mancuso [chefe do paramilitarismo] para uma reunião com outro membro da família», Guilherme Santos; em Maio de 2004, Juan Manuel Santos crítica dura e publicamente uma jornalista de El Tiempo, Maria Duzán, por esta «ter acabado com a honra de um dos seus amigos, Diego Rojas». Na altura, havia um mandato de captura sobre este «amigo» de Juan Manuel Santos por estar «ao serviço do narcotráfico em Valle de Cauca».

Esta resumida selecção de factos do registo criminal não judicial da família Santos ficaria incompleta se não referisse a acusação da jornalista Virgínia Vallejo, ex-amante de Pablo Escobar: os três membros da família Santos no consulado de Uribe, o vice-presidente, o ministro do Ambiente, da Habitação e do Desenvolvimento Territorial e o ministro da defesa (Juan Manuel Santos) «fizeram uma aliança com Pablo Escobar [chefe do cartel de Medellin] e assim conseguiram reforçar o seu empório, aliança que hoje se reforça com os herdeiros do cartel de Medellin encabeçados por Álvaro Uribe Velez» [3].

A DECLARAÇÃO CONJUNTA

DE CHÁVEZ E JUAN MANUEL SANTOS

A assinatura de uma «Declaração de Princípios» que paute o relacionamento entre países desavindos e o regozijo pelo início de uma política comum de boa vizinhança é não só desejável como necessária, mas o documento assinado e o discurso de Chávez não só não garantem esse futuro, como são uma ajuda à poderosa campanha mediática em curso, de legitimação do criminoso regime colombiano.

Sem querer alongar-me, não posso deixar de sublinhar que, se há um ano Chávez congelou as relações com a Colômbia, pela autorização do governo de Uribe de instalar 7 bases dos EUA naquele país, agora, nem na «Declaração de Princípios» nem no seu discurso de apresentação do documento há uma palavra sobre o assunto. Será que as bases dos EUA já não ameaçam a região?

Se no princípio de 2008 Chávez apelava às organizações internacionais para que reconhecessem o estatuto de «força beligerante» às FARC e se oferecia para facilitar o diálogo entre os beligerantes para uma solução negociada do problema da Colômbia, numa clara manifestação de realismo e senso comúm, agora no discurso de Santa Marta disse que o seu governo «não apoia nem permite nem permitirá a presença de guerrilha nem terrorismo (…) ou o que quer que se chame».

A dificuldade de relacionamento entre os dois países será uma realidade enquanto a Venezuela caminhar no sentido da consolidação do processo de mudança em curso e a Colômbia for dominada pela oligarquia ora reinante em aliança com o imperialismo norte-americano. Nada têm de pessoal. Engana-se quem pensar ou agir como se fosse possível com a eleição do ex-ministro da Defesa de Uribe alguma mudança política sensível.

Juan Manuel Santos, tal como Álvaro Uribe, não só defendem e defenderão os interesses da oligarquia e dos narcotraficantes colombianos que integram e do imperialismo, como terão bem presente a sorte do general panamenho Manuel Noriega, só caído em desgraça quando procurou resgatar para o país a soberania plena do canal do Panamá.

Império algum perdoa a fuga dos servidores.

Notas:


[2] Para aceder ao texto completo do documento do Departamento de Inteligência dos EUA, ver a apresentação do artigo «Histórias de Romanos na Colômbia de hoje» em www.odiario.info/?p=1696 e clicar a seguir à palavra anexo.



texto original em Odiário .info http://www.odiario.info/?p=1711

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A ONU, a impunidade e a guerra


Reflexões de Fidel
A ONU, a impunidade e a guerra

A Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 9 de junho de 2010, marcou o destino do imperialismo.

Sei lá quantos terão se apercebido de que, entre outras coisas absurdas, o secretário-geral dessa instituição, Ban Ki-moon, cumprindo ordens superiores, cometeu a gafe de nomear Álvaro Uribe — quando este estava quase concluindo seu mandato — vice-presidente da comissão responsável por investigar o ataque israelense à pequena frota humanitária, que transportava alimentos essenciais para a população sitiada na faixa de Gaza. O ataque ocorreu em águas internacionais, a uma distância considerável da costa.

Essa decisão outorgava impunidade a Uribe, quem é acusado de crimes de guerra, como se um país cheio de valas comuns com cadáveres de pessoas assassinadas, algumas contendo até duas mil vítimas, e sete bases militares ianques, mais o resto das bases militares colombianas a seu serviço, não tivesse nada a ver com o terrorismo e o genocídio.

Por outro lado, em 10 de junho de 2010, o jornalista cubano Randy Alonso, que dirige o programa "Mesa Redonda" da televisão nacional, escreveu no site CubaDebate um artigo intitulado: "O chamado Governo Mundial se reuniu em Barcelona", onde sublinha:
"Chegaram até o confortável hotel Dolce em carros de luxo com vidraças fumadas ou em helicópteros."

"Eram os mais de 100 chefões da economia, das finanças, da política e da mídia da América do Norte e da Europa, que vieram até este lugar para a reunião anual do Clube de Bilderberg(Nota do Mafarrico: acima foto do hotel que deu origem ao nome), uma espécie de governo mundial à sombra."

Outros jornalistas honestos estavam acompanhando igual do que ele as notícias que conseguiram filtrar-se do esquisito encontro. Alguém muito mais informado do que eles andava no encalço desses eventos havia muitos anos.

"O exclusivo Clube que se reuniu em Sitges nasceu em 1954. Surgiu da idéia do conselheiro e analista político Joseph Retinger. Seus impulsores iniciais foram o magnata norte-americano David Rockefeller, o príncipe Bernardo de Holanda e o primeiro-ministro belga, Paul Van Zeeland. Seus propósitos fundacionais eram combater o crescente ‘anti norte-americanismo’ que existia na Europa da época e contestar a União Soviética e o comunismo que cobrava força no velho continente."

"Sua primeira reunião foi realizada no Hotel Bilderberg, em Osterbeck, Holanda, entre 29 e 30 de maio de 1954. Daí saiu o nome do grupo, que desde então se reúne anualmente, salvo em 1976."

"Há um núcleo de afiliados permanentes que são os 39 membros do Steering Comittee, o resto são convidados."

"…a organização exige que ninguém ‘conceda entrevistas’ nem revele nada do que ‘um participante individual tenha dito’. É requisito imprescindível um domínio excelente da língua inglesa [...] não há tradutores presentes."

"Não se sabe ao certo os alcances reais do grupo. Os estudiosos do ente dizem que não é por acaso que se reúnam sempre pouco antes do que o G-8 (G-7 anteriormente) e que procuram uma nova ordem mundial de governo, exército, economia e ideologia única."

"David Rockefeller disse em uma reportagem à revista ‘Newsweek’: ‘Algo deve substituir os governos e parece-me que o poder privado é a entidade adequada para o fazer."

"…o banqueiro James P. Warburg afirmou: ‘Quer gostem quer não, teremos um governo mundial. A única questão é se será por concessão ou por imposição."

"‘Eles sabiam dez meses antes a data exata da invasão ao Iraque; também o que ia acontecer com a bolha imobiliária. Com informação como essa se pode fazer muito dinheiro em toda classe de mercados. E é que falamos de clubes de poder e de saber’.

"Para os estudiosos, um dos temas que mais preocupa o Clube é a ‘ameaça econômica’ que significa a China e a sua repercussão nas sociedades norte-americana e europeias.

"A sua influência na elite é demonstrada por alguns com o fato de que Margaret Thatcher, Bill Clinton, Anthony Blair e Barack Obama estiveram entre os convidados ao Clube antes de que fossem eleitos à mais alta responsabilidade governamental, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Obama participou da reunião de junho de 2008, em Virgínia, EUA, cinco meses antes de sua vitória eleitoral e seu triunfo se previa já desde a reunião de 2007."

"Entre tanto sigilo, a imprensa foi tirando nomes daqui e dali. Entre os que chegaram a Sitges estavam importantes empresários como os presidentes da Fiat, Coca Cola, France Telecom, Telefônica da Espanha, Suez, Siemens, Shell, Novartis e Airbus.

"Também se reuniram gurus das finanças e da economia como o famoso especulador George Soros, os assessores econômicos de Obama, Paul Volcker e Larry Summers; o flamante secretário do Tesouro Britânico, George Osborne; o ex-presidente da Goldman Sachs e da British Petroleum, Peter Shilton [...] o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellic; o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn; o diretor da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy; o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet; o presidente do Banco Europeu de Investimentos, Philippe Maystad."

Sabiam disso nossos leitores? Algum órgão importante da imprensa oral ou escrita disse uma palavra? É essa a liberdade de imprensa que tanto apregoam no Ocidente? Algum deles pode negar que estas reuniões sistemáticas dos mais poderosos financistas do mundo são realizadas todos os anos, à exceção do ano mencionado?

"O poder militar enviou alguns dos seus falcões — continua Randy —: o ex-secretário de Defesa de Bush, Donald Rumsfeld; seu subalterno, Paul Wolfowitz; o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen e seu antecessor no cargo, Jaap de Hoop Scheffer."

"O magnata da era digital Bill Gates, foi o único assistente que falou alguma coisa à imprensa antes do encontro. ‘Sou um dos que estará presente’, disse e anunciou que ‘Sobre a mesa haverá muitos debates financeiros’."

"Os especuladores da notícia falam de que o poder na sombra analisou o futuro do euro e as estratégias para salvá-lo; a situação da economia européia e o rumo da crise. Sob a religião do mercado e o auxílio dos drásticos recortes sociais se deseja continuar prolongando a vida do doente.

"O coordenador da Esquerda Unida da Espanha, Cayo Lara, definiu com clareza o mundo que nos impõem os Bilderberg: ‘Estamos no mundo ao avesso; as democracias controladas, tuteladas e pressionadas pelas ditaduras dos poderes financeiros’."

"O mais perigoso que foi publicado no jornal espanhol Público é o consenso majoritário dos membros do Clube a favor de um ataque norte-americano ao Irã [...] Lembre-se que os membros do Clube sabiam, em 2003, a data exata da invasão ao Iraque, dez meses antes de que acontecesse".

É por acaso uma invenção caprichosa a idéia, quando isto se soma a todas as evidências expostas nas últimas Reflexões? A guerra contra o Irão está já decidida nos altos círculos do império, e apenas um esforço extraordinário da opinião mundial poderia impedir que estoure num prazo de tempo muito breve. Quem oculta a verdade? Quem é que engana? Quem é que mente? Alguma coisa do que aqui é afirmado pode ser desmentida?

Fidel Castro Ruz
15 de agosto de 2010


sábado, 14 de agosto de 2010

Papa cobra bilhetes a ingleses


A (nada) Santa Madre Igreja faturando.....


Papa cobra bilhetes a ingleses


As aparições públicas do papa Bento XVI durante a visita à Grã-Bretanha de 16 a 19 de Setembro vão ter bilhetes de entrada que custarão aos fiéis entre sete e 30 euros.
A medida foi confirmada na semana passada pelo Vaticano, após as revelações da imprensa italiana, justificando-a com a necessidade de «contribuir para as despesas gerais» da deslocação que se elevam a 27 milhões de euros.

Em declarações ao Il Corriere della Sera, o padre Federico Lombardi procurou relativizar o efeito desta «contribuição», garantindo que «os menos abastados serão isentados de pagamento», mas não adiantou que critérios serão usados.

Em contrapartida já se sabe que para a cerimónia de beatificação do cardeal John Henry Newman, em Birmingham, no dia 19, serão postos à venda cerca de 70 mil bilhetes ao módico preço de 25 libras (30 euros).

A missa que será celebrada no dia 16 em Glasgow, na Escócia, com a participação da cantora Susan Boyle, custará 20 libras (24 euros) por pessoa, tendo direito a um kit religioso composto por um CD dedicado à visita papal e um livro de orações.

Por fim, até a vigília que decorrerá, dia 17, no Hyde Park terá entrada paga a cinco libras (sete euros). Bilheteiras foram já instaladas em cerca de 450 paróquias da Grã-Bretanha
Esta prática inédita em visitas papais provocou de imediato a polémica na imprensa britânica, que garante que metade das despesas serão pagas pelo governo britânico, o qual deverá ainda assumir os custos de policiamento e segurança.

Certamente pensando naqueles que não poderão pagar bilhetes para ver o papa, o Vaticano já criou um site específico (www.thepapalvisit.org.uk), onde para além de notícias, o fiéis poderão comprar recordações da visita papal como comprar t-shirt´s com a imagem do papa a 22 euros, velas a 3,6 euros, canecas a 12 euros, entre dezenas de outros objectos e artefactos religiosos.



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Colômbia: notícias silenciadas…


Colômbia: notícias silenciadas…

Por: Pedro Campos


1. Denúncia é cortina de fumo…
Ramiro Bejarano é ex-chefe da DAS, Departamento Administrativo de Segurança ou serviço secreto colombiano. Como tal, é muito o que sabe e talvez ainda mais o que esconde. Numa entrevista recentemente dada à RCN, principal rede de estações de rádio da Colômbia, afirmou que considera que a denúncia feita pelo seu governo no sentido de que os guerrilheiros se escondem na Venezuela, foi uma «cortina de fumo» para desviar a atenção das declarações de um ex-funcionário do serviço secreto que comprometem Uribe. Esse antigo membro da DAS, que agora está preso, é Fernando Tabares e durante interrogatórios realizados de 9 a 13 de Julho revelou que o presidente estava envolvido nos casos de espionagem a magistrados, políticos e jornalistas.


2. Vala comum... tão comum que não surpreende!
No momento em que o embaixador deliquente Luis Alfonso Hoyos apresentava as tais provas «irrefutáveis» sobre o apoio de Caracas aos guerrilheiros colombianos, outra notícia, esta absolutamente verdadeira, era silenciada. Nesse mesmo dia, uma comissão internacional composta por euroedeputados e sindicalistas britânicos confirmava a existência, em Macarena, no Meta, da maior vala comum jamais vista na América Latina. Os camponeses da região falam em dois mil corpos, a revista Semana, dias depois, em «centenas de cadáveres», o governo diz que esses não são os números. Claro, uma vala comum na Colômbia não é notícia! Imaginemos como seria se o achado fosse em terras venezuelanas, bolivianas ou equatorianas!

Ao que tudo indica, este macabro acontecimento está ligado à política dos «falsos positivos» de Uribe Vélez. O sacerdote Javier Giraldo, em declarações à Semana afirma que esses mortos sem identificar correspondem a «execuções extrajudiciais». A senadora liberal Piedad Córdoba esclarece: «Aqui foi onde começou realmente a política que se conhece como falsos positivos; os assassínios a sangue-frio para reclamar recompensas, para conseguir promoções, para pedir férias...»


3. Bases militares são ilegais...
É assim que opina Jorge Ivan Palácio, em resposta a uma petição para declarar inconstitucional a instalação das sete bases militares de Washington. Para o jurista do Tribunal Constitucional, a sua aprovação corresponde ao parlamento (não ao governo) e pediu um período de um ano para que se cumpram os prazos constitucionais. O juiz afirma que se trata de um novo acordo militar e não a continuação de um anterior já assinado. De facto, a Sala de Consulta do Conselho de Estado já tinha afirmado a necessidade de que o acordo contasse com a aprovação do legislativo, porque as condições que o rodeavam não estavam dentro dos parâmetros do acordo de cooperação bilateral já existente. Essa não foi a opinião de Uribe Vélez, que passou descaradamente por cima da recomendação de vários advogados. O Tribunal tem até 17 de Agosto para decidir sobre a tese do magistrado.


4. A pobreza é um «crime» que se paga com a morte...
Felipe Zuleta é o autor deste documentário fundamental para conhecer alguns aspectos do drama dos «falsos positivos» e que se pode ver em: http://www.youtube.com/watch?v=LOOfXTkk_E8. Nesse trabalho é denunciado o drama das famílias de onze jovens de Soacha que foram recrutados e abatidos pelo exército colombiano alegadamente por serem guerrilheiros. Zuleta é advogado, político e jornalista, vem da oligarquia bogotana – neto de presidente da República – e já exerceu vários cargos públicos. É igualmente um opositor a Uribe Vélez, a quem acusa de estar ligado a grupos de narcotraficantes e paramilitares e de promover a limitação das liberdades e direitos civis. Para que não se pense que Felipe Zuleta é esquerdista, acrescente-se que viveu refugiado no Canadá durante nove anos, alegadamente por ameaças das FARC. Agora está de volta em Bogotá, onde publica uma coluna no jornal El Espectador.


5. Matem à vontade, que eu pago!
Foi nisto que se converteu uma instrução secreta de Uribe datada de 2005. Agora, o Comité de Direito Humanos da ONU questiona-a porque resultou na execução extrajudicial de mais de mil inocentes. Em nome do Comité, Fabian Savioli quer saber se a »Colômbia vai abandonar os incentivos económicos (... ) e tirar conclusões dos chamados ‘falsos positivos’ (...) são muito casos (...) de execuções sumárias que foram camufladas para receber uma recompensa». O governo uribista argumenta que instruções de 2008 e 2009 substituíram a de 2005. Entretanto, os mortos continuam.




terça-feira, 10 de agosto de 2010

HIROSHIMA E O NASCIMENTO DO TERRORISMO DE ESTADO







HIROSHIMA E O NASCIMENTO DO TERRORISMO DE ESTADO
Não é exagerado afirmar que a história do Terrorismo de Estado começa com o bombardeio nuclear dos Estados Unidos ao Japão.


Por: Atilio Borón Para Kaos en la Red


No dia 6 de agosto, completou 65 anos do ataque nuclear dos Estados à cidade Hiroshima no Japão, uma monstruosidade que se repetiu três dias depois com a outra bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki.

Em uma primeira contagem as duas explosões mataram cerca de 220.000 pessoas, 140.000 em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki. A esmagadora maioria de vítimas era civil, já que essas cidades não abrigavam contingentes militares importantes, sendo que a metade morreu imediatamente, no dia do atentado.

No relato de hoje para a edição de aniversário o New York Times, diz que as vítimas morreram instantaneamente devido a excepcional intensidade da explosão que reduziu às cinzas as edificações da cidade e os corpos de seus habitantes foram literalmente vaporizados, deixando apenas vestígios fantasmas e sombras sobre as poucas paredes ainda de pé.

O restante da citada população faleceu ao longo do tempo devido às queimaduras horríveis sofridas e aos efeitos da radiação, ou seja, os condenaram a uma lenta e dolorosa agonia. O registro atual dos mortos nos dois atentados e fornecidos em 2008, teve um quantitativo de 400.000 pessoas e é muito provável que este número irá subir ligeiramente nos próximos anos. Até hoje, os acontecimentos de Hiroshima e Nagasaki são considerados os únicos ataques nucleares da história, mas a proliferação de armas desse tipo pode repetir esta experiência trágica. Na verdade, a frota naval americana-israelens e que navega pelo Estreito de Hormuz está pronta para atacar o Irã e é composta por um formidável arsenal nuclear.

Recentemente o comandante Fidel Castro advertiu sobre o risco de um holocausto nuclear e advertiu o presidente Barack Obama sobre isso, já que sua ordem de ataque teria um ponto de não retorno, desencadeando assim um conflito internacional com projeções incalculáveis e sombrias. Por outro lado, existem motivos razoáveis para supor que as sete bases militares da Colômbia que Álvaro Uribe disponibilizou aos Estados Unidos também podem contar com armas nucleares. Será necessário que uma delegação da Unasur inspecione essas bases.

Não é exagero dizer que a história do terrorismo de Estado começou com o ataque nuclear americano sobre o Japão. Se as armas de destruição em massa tiverem apenas os Estados Unidos como possuidor e sem nenhum concorrente efetivo à vista, o bombardeio de populações civis corre perigo o que poderá provocar sem dúvida o mais grave e brutal atentado terrorista na história da humanidade. Os Estados Unidos não possuem moral em acusar e condenar muitos países por incentivarem o terrorismo, como por exemplo, Cuba e Venezuela aqui entre nós - já que abrigam dentro de suas fronteiras a Luis Posada Carriles, terrorista confesso e por colocar em prisão de segurança máxima os cinco heróis cubanos que lutaram contra o terrorismo, contrariando assim as suas maquinações sinistras. A comemoração realizada em Hiroshima tinha um ingrediente especial: foi a primeira vez que um embaixador dos Estados Unidos participou de um evento deste tipo. Mesmo assim esse cidadão não mostrou nenhum sinal de arrependimento e sim apenas um auto orgulho e um desprezo pelo sofrimento alheio! Os diplomatas, funcionários e autoridades dos Estados Unidos tradicionalmente têm evitado participar nessas cerimônias por medo que sua presença poderia reacender o debate sobre o pedido de desculpas que Washington deverá fazer para seu monstruoso crime. O que não fez em relação ao Vietnan, país cujo território foi devastado após onze anos de massacres que custou cerca de três milhões de vítimas, civis em sua grande maioria. E muito menos em relação aos sandinistas da Nicarágua na década de oitenta, ou ao meio século de agressão e de sabotagem, realizado contra Cuba O imperialismo é assim e será inútil esperar por mudanças.


Para justificar a sua brutal agressão, Washington diz que o bombardeamento atômico poupou milhares de vidas de soldados norte-americanos e japoneses que morreriam caso a invasão ao Japão ocorresse. No entanto, muitas pessoas, mesmo nos Estados Unidos, afirmam que jogar a bomba em alguma ilha deserta no Pacífico criaria o mesmo efeito de dissuasão sobre o alto comando japonês e que, portanto, decidir lançar sobre Hiroshima e Nagasaki foi um ato de crueldade desumana e conscientemente assumida.

Durante a cerimônia, os manifestantes exigiram que os Estados Unidos pedissem perdão ao Japão, que retirassem as suas bases militares do Japão. Vale a pena recordar uma declaração de Albert Einstein em relação aos perigos de uma nova conflagração nuclear: "Se a III Guerra Mundial acontecer com o uso de bombas atômicas na futura IV Guerra Mundial os exércitos lutarão com marretas.



(Tradução do espanhol de Jacob David Blinder)



Os mitos divulgados no mundo pelo SIONISMO



Os mitos divulgados no mundo pelo SIONISMO


Israel é um país construído sobre mitos. E, evidentemente, não é o único. Nesse ponto, é muito parecido com seu patrono, os Estados Unidos. Para construir e manter um status mítico, uma nação deve criar uma imagem de si mesma, desde seu início, e passar essa imagem de geração em geração. A imagem criada pelos EUA é a de que o país é um farol da democracia e do capitalismo e que tudo o que faz em relação a sua política externa, mesmo quando em guerra, é sempre um feito altruísta. Para Israel, o mito é que o país é democrático e o último bastião de segurança para os judeus do mundo. Tudo que ele faz, mesmo quando isso equivale à expansão imperial, é feito em nome da defesa do Estado.

Para manter esses mitos é preciso controlar a história. A história controlada deve ser ensinada nas escolas e apoiada pelas múltiplas mídias da nação. É preciso convencer uma população para que ela assimile a visão de mundo mítica a ponto de, se algo ocorrer que entre em contradição com essa visão, possa ser facilmente descartado como exceção à regra. No caso dos Estados Unidos, duzentos anos de doutrinação e um status de longo prazo como grande potência permitiu que seus mitos sobrevivessem, na mente de seu povo, mesmo com os horrores do Vietnã, do Iraque e do Afeganistão.


Israel é uma nação muito mais jovem, com apenas três ou mais gerações submetidas à, digamos, doutrinação psicológica. E, embora possa ser uma superpotência regional, sua reputação no Oriente Médio é construída sobre o medo. No resto do mundo sua reputação é associada a atitudes igualmente instáveis e provisórias, como a culpa do holocausto. Em essência, com exceção da crença dos sionistas convictos, os mitos nacionais que Israel sustenta são frágeis.

Alguns anos atrás, Israel aplicou uma lei que exigia que o governo abrisse seus arquivos, para consulta pública e para pesquisas, depois de trinta anos [da fundação do Estado] para assuntos políticos e cinqüenta anos para assuntos militares. Isso trouxe à luz muitos dos documentos referentes aos anos seminais de 1947 e 1948. O resultado foi uma séria revisão, baseada em evidências, dos mitos fundadores de Israel. Em outras palavras, o Estado perdeu o controle momentâneo da sua própria história. O resultado prejudicou a auto-imagem mítica da nação entre os observadores internacionais e causou mal-estar significativo no país. Tão poderosa foi a reação das elites contra a revisão do passado realizada pelos "novos historiadores" que eles hoje em dia ensinam no estrangeiro ou, como no caso de Benny Morris, retrataram-se.

Nesse ínterim, as coisas só pioraram para os sionistas, defensores de um Israel idealizado. As várias invasões no Líbano e nas cidades e vilas de palestinos indefesos, a matança de inocentes, a redução da Faixa de Gaza a uma prisão a céu aberto, o confisco contínua de terras e de propriedades nos Territórios Ocupados [Gaza e Cisjordânia], a violência desenfreada dos colonos [israelenses que vivem nas colônias, ou assentamentos, construídos em terras palestinas roubadas por Israel], e as repetidas eleições de governos racistas resultaram em um esforço da sociedade civil, em todo o mundo, de isolar Israel e levá-lo a reformar-se, assim como aconteceu com a África do Sul.


Com exceção dos Estados Unidos, a justificativa de que Israel age apenas para se defender não é considerada crível, e a acusação de que todos os que discordam são antissemitas não é levada a sério. No entanto, o desencantamento internacional, tão perigoso quanto poderia ser a longo prazo, não é tão ameaçador como a erosão da adesão da própria população israelense a seus mitos nacionais. Essa adesão deve ser mantida a todo custo, senão o país vai metamorfosear-se em algo que não suporta mais suas atuais elites. O destino dos "novos historiadores" demonstrou quão determinado é o establishment israelense em evitar esse tipo de erosão.

Sendo esse o caso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prorrogou por mais vinte anos o período no qual os arquivos do governo devem permanecer fechados.

O artigo do Haaretz anunciando essa decisão diz que o primeiro-ministro agiu por causa da "pressão das agências de inteligência", mas Netanyahu provavelmente não precisa de argumentos muito convincentes. O período coberto pelos documentos considerados secretos pela decisão do premiê inclui eventos como o Caso Lavon, de 1954, a invasão do Sinai, em 1956, e a guerra de 1967 [Guerra dos Seis Dias], que viu o ataque hediondo ao USS Liberty e o confisco das Colinas de Golã.


O arquivista do Estado, Yehoshua Freundlich, disse ao Haaretz que "parte do material foi selecionada porque tem implicações sobre a adesão [de Israel] ao direito internacional". Essa é, provavelmente, uma subestimação. Para adicionar o insulto à injúria, o Haaretz informa que existe uma boa possibilidade de que a decisão do governo de classificar como "ultrassecretos" muitos fatos do passado de Israel significa que "os arquivos que já tinham sido tornados públicos seriam mais uma vez escondidos".

Se você estudar a história de Israel revista pelos novos historiadores ficará chocado com o comportamento maquiavélico de homens como David Ben Gurion, que fez a profissão de fé de ser "econômico em relação à verdade".


Tão desonestas foram muitas das primeiras figuras do establishment israelense que seus concorrentes políticos, como o neofascista Ze'ev Jabotinsky e o terrorista Menachem Begin, parecem quase suaves em sua assustadora honestidade. Hoje temos o pior dos mundos em Israel: líderes terroristas e escandalosamente desonestos.


Agora, por admissão própria, os atuais líderes sionistas devem esconder os pecados de sua nação, temendo que o mundo inteiro se afaste de Israel e que talvez até mesmo seus próprios cidadãos comecem a recear que seus mitos nacionais não podem suportar uma análise honesta e objetiva.


Texto Escrito originalmente por : Lawrence Davidson, professor de história da West Chester University, da Pensilvânia, e autor de vários livros sobre o Oriente Médio, comenta a medida do governo israelense. Because Silence Is Complicity!




O jornal é israelense, o autor do artigo é de descendência judaica, portanto ambos insuspeitos. Com quem está a verdade? Com os criadores de mitos ou com aqueles que os combatem?


Jacob David Blinder ( texto traduzido enviado por e-mail )

sábado, 7 de agosto de 2010

Guerra da Coréia – A primeira derrota militar estadunidense


Guerra da Coréia – A primeira derrota militar dos EUA

Por Augusto Buonicore *


Há 60 anos eclodiu a guerra da Coréia. Este episódio, definitivamente, marcou o século XX. Foi primeiro conflito armado entre os dois campos nos quais se dividia o mundo: o socialista e o imperialista. Os Estados Unidos e seus aliados se utilizaram dos métodos mais bárbaros, como bombardeios massivos de alvos civis e utilização de armas bacteriológicas. Também foi ali que a principal potência capitalista sofreu sua primeira derrota numa guerra. Foi vencida pelo aguerrido exército popular norte-coreano, comandado por Kim Il-sung e pelos voluntários chineses.


O avanço socialista e a guerra fria


Em outubro de 1949 foi proclamada a República Popular da China. O povo chinês, dirigido por Mao Tse-Tung, havia imposto uma grande derrota aos planos hegemonistas do imperialismo na Ásia. Alguns meses depois, o presidente Mao era recebido, com todas as honras, por Stalin na União Soviética. Os governos daqueles dois grandes países – agora dirigidos por forças socialistas – assinaram importantes acordos de cooperações econômico e militar. Formou-se, assim, um vasto campo democrático-popular que abarcava o leste da Europa e parte significativa do território asiático.


Um pouco antes, outro acontecimento havia tirado o sono do governo dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais. A URSS explodiu seu primeiro artefato nuclear e quebrou, assim, o monopólio atômico estadunidense. Desde então, a histeria anticomunista propagou-se nos principais países capitalistas. O ex primeiro ministro inglês Winston Churchill, num discurso feito nos Estados Unidos, declarou que uma "cortina de ferro" havia descido sobre a Europa oriental. Este era o sinal para o inicio do que se chamaria guerra fria.Até a vitória da revolução chinesa, as próprias autoridades militares estadunidenses afirmavam que a península coreana estava fora do seu perímetro de segurança. Ou seja, sua localização geográfica não ameaçava diretamente os interesses daquela potência imperialista.No entanto, nos círculos mais conservadores dos Estados Unidos, fortalecia a opinião de que todo planeta deveria ser considerado seu perímetro de segurança. Não se deveria ceder um milímetro ao avanço das forças simpáticas ao socialismo. Haveria agora dois mundos antagônicos: o mundo comunista e o "mundo livre". Deste último, comandado pelos EUA, fazia parte os regimes fascistas da Espanha e Portugal – e, também, as ditaduras latino-americanas.


A guerra quente na Coréia


A península da Coréia havia sido ocupada por mais de 40 anos pelo imperialismo japonês, que tentou transformá-la numa colônia, destruindo sua cultura e identidade nacional. Uma dura luta de resistência foi travada pelos comunistas, liderados pelo jovem Kim Il-sung. Durante a Segunda Guerra Mundial, eles conseguiram um aliado imprevisto: os Estados Unidos. Este último, atacado pelo Japão, entrou na guerra e concentrou suas ações militares na Ásia. Nos primeiros anos da guerra, os soviéticos travavam lutas titânicas contra os poderosos exércitos de Hitler na frente européia. Depois de derrotá-los, passou a dar um maior apoio à libertação da China e da Coréia, contribuindo decididamente na expulsão dos invasores japoneses. Mas, o território coreano – como aconteceu com a Alemanha – acabou sendo dividido em duas zonas de ocupação militar, demarcadas pelo paralelo 38. O sul ficou sob supervisão dos Estados Unidos e o norte da URSS. O objetivo a médio prazo era unificar as duas partes numa única nação.


Porém, em agosto de 1948, desrespeitando o ritmo das negociações, os Estados Unidos promoveram a eleição de um governo títere no sul, fundando a República da Coréia. O novo presidente era Synghmam Rhee, um ardoroso anticomunista, que pensava unificar a península sob sua batuta, integrando-a ao campo imperialista. Como resposta, em setembro, foi constituída a República Popular da Coréia, presidida por Kim Il-sung.


Após a proclamação das duas repúblicas coreanas, os exércitos dos Estados Unidos e da URSS saíram da região. Acabava, assim, a tutela internacional. Contudo, as tensões entre os dois países – que não se reconheciam – aumentaram cada dia mais. As lideranças norte-coreanas denunciavam a ocorrência de constantes atos de provocação armada na sua fronteira. Esta foi a justificativa para que elas empreendessem uma grande ofensiva militar contra o governo de Synghmam Rhee, visando a unificação do país.


O Exército Popular da Coréia do Norte, em poucos dias, conquistou a capital sulista, Seul. A guerra parecia estar chegando ao fim, com uma vitória magistral das forças populares e socialistas. Este, com toda certeza, teria sido o resultado da guerra se a contenda tivesse ficado apenas nas mãos do povo coreano.


Invasão estrangeira e genocídio na Coréia


Os Estados Unidos, aproveitando-se da ausência da URSS, aprovou no Conselho de Segurança da ONU uma condenação à Coréia do Norte. Eles conseguiram também que a entidade formasse uma força especial de combate para "defender" a Coréia do Sul, ameaçada pelos comunistas. Os motivos para ausência dos soviéticos, que tinham direito a veto no Conselho de Segurança, são ainda desconhecidos. Depois da fatídica decisão, que desmoralizou a ONU como instrumento da paz, soldados de 15 países foram mobilizados para combater na Coréia, embora o grosso das forças que lutaria naquele conflito viesse mesmo dos EUA. Por isso, o comando das operações militares coube ao general Douglas MacArthur, o mesmo que comandara os aliados na luta contra os japoneses no Pacífico.


Depois das várias derrotas desmoralizantes, que quase jogou seu exército de volta para o mar, encurralado numa estreita faixa de terra no sul da península, os EUA foram obrigados a mobilizar um aparato bélico ainda mais poderoso – o maior desde o final da II Guerra Mundial. Seus aviões iniciaram os bombardeios criminosos por trás das linhas inimigas.


Começava nesse momento uma das páginas mais tenebrosas da história do século XX. Milhares de aviões despejavam diariamente toneladas de bombas sobre cidades e aldeias indefesas da Coréia do Norte. Todos os centros urbanos foram arrasados. Na capital não ficou nenhum edifício de pé. Pela primeira vez, foram usadas armas químicas e bacteriológicas em grande escala contra população civil. Os exércitos dos Estados Unidos e da ONU podiam, sem dificuldades, serem comparados aos de Hitler. Este era um claro sinal que tempos sombrios estavam chegando.


A entrada em cena dos aviões de caça soviéticos ajudou melhorar a situação, mas não pode quebrar a grande superioridade aérea dos Estados Unidos. A URSS era muito cautelosa para não ser acusada de estar envolvida no conflito ao lado dos norte-coreanos, contra uma decisão da ONU. Contudo, não há dúvida que sua ajuda foi decisiva, quer preparando os quadros militares norte-coreanos quer fornecendo os armamentos necessários. Vários pilotos e assessores soviéticos chegaram mesmo a participar dos combates.


O lado estadunidense não respeitou os acordos de Genebra. Os oficiais da Coréia do Sul mandavam degolar os soldados inimigos aprisionados. As fotos dessas cabeças decepadas, que correram o mundo, causaram embaraços para as forças da ONU. Também chocaram o mundo as imagens de mulheres e crianças carbonizadas sob os destroços das aldeias.


Cabe destacar o papel da URSS e do Movimento Comunista Internacional no desencadeamento de uma grande campanha – uma das maiores já vista na história – contra a agressão imperialista à Coréia, pela interdição das armas bacteriológicas e atômicas.


As tropas dos Estados Unidos e da ONU, desrespeitando o que fora lhes delegado, avançaram para além do paralelo 38, conquistando Pyongyang, capital nortista. Ficava claro que o plano era esmagar o Exército Popular, unificar a Coréia sob a batuta de Synghmam Rhee e transformá-la num protetorado americano na Ásia. O imperialismo teria assim uma importante "ponta de lança" contra a China.


A cartada chinesa


Os exércitos inimigos chegaram, perigosamente, muito próximos da fronteira chinesa, pondo em risco sua soberania e suas conquistas revolucionárias. Diante de tal ameaça, Mao Tse-Tung resolveu reagir, incentivando a formação de um Exército de Voluntários para combater ao lado do Exército Popular da Coréia do Norte, liderado por Kim Il-sung.


A partir novembro de 1950 mais de um milhão de combatentes chineses atravessaram o rio Yalu e foram reforçar a luta de libertação do povo coreano. A ação, que pegou de surpresa os Estados Unidos, inverteu a sorte da guerra. As tropas norte-coreanas e os voluntários chineses ultrapassaram o paralelo 38 e ocuparam novamente a capital da Coréia do Sul. O duro inverno – mais de 20 graus abaixo de zero – molestava as tropas invasoras. O quadro era bastante desolador para os Estados Unidos.


As derrotas sucessivas fizeram com que o general MacArthur apresentasse a proposta de bombardear o território chinês, expandindo a área de conflito, ameaçando transformá-lo numa guerra mundial. Diante da perspectiva real de vitória dos comunistas, o general chegou propor a utilização de armas atômicas contra a Coréia do Norte e a China.


Vários países aliados, como a Inglaterra, se alarmaram com tal possibilidade. Grandes manifestações foram realizadas em todas as partes do mundo pela paz na Coréia e contra utilização das armas atômicas. Por fim, o próprio presidente Truman não endossou as propostas temerárias do aventureiro MacArthur e o destituiu do comando das operações.


Profundamente desgastado pelos resultados da guerra, Truman desistiu de concorrer para um novo mandato presidencial e, em novembro de 1952, o candidato democrata foi derrotado pelo general republicano Dwight Eisenhower. Quase ao mesmo tempo em que os Estados Unidos "trocavam sua guarda", em março de 1953, morria o líder soviético Joseph Stalin. Os novos dirigentes de Moscou se empenharam em dar um fim definitivo ao conflito.


A paz: uma derrota do imperialismo estadunidense


Apesar de todos os esforços realizados – que incluíram a re-conquista de Seul –, os exércitos estadunidenses não conseguiram ir muito além do paralelo 38. A guerra entrou numa espécie de "ponto morto". Nenhum dos dois lados parecia ter condições de vencê-la. Iniciou-se, então, um longo e tortuoso processo de negociação de paz, que levaria vários anos. Durante todo período que durou as negociações, os EUA continuaram com sua política genocida contra a população norte-coreana. O armistício de Panmujon foi assinado em 27 de julho de 1953. Era o fim da Guerra da Coréia.


Segundo cálculos feitos pela própria ONU mais de 3 milhões de coreanos perderam suas vidas neste conflito. Toda infra-estrutura da Coréia do Norte foi destruída pelos sucessivos bombardeios. Agora a grande tarefa que se apresentava ao povo norte-coreano era a de reconstruir o país, a partir de suas próprias forças, e preparar-se ainda mais contra futuras agressões externas. Este era o preço que teriam que pagar pela manutenção de sua independência.


Os Estados Unidos perderam, entre mortos e feridos, 150 mil soldados. Eles só haviam tido tamanho número de baixas nas duas guerras mundiais e na Guerra Civil nos tempos de Lincoln. Outra conseqüência negativa para o país foi o fortalecimento do complexo industrial-militar que passaria ser o maior incentivador – e beneficiário – da política intervencionista estadunidense.


Sem dúvida, podemos dizer que a Guerra da Coréia representou a primeira grande derrota militar dos Estados Unidos, que até então eram considerados imbatíveis numa guerra. Foram derrotados pelo exército de um pequeno país asiático e pelos voluntários chineses. Encerrava-se, assim, o segundo grande capítulo da luta pela emancipação da Ásia, o primeiro foi a Revolução Chinesa. Outras páginas heróicas ainda seriam escritas no Vietnã, no Camboja e no Laos.



Augusto Buonicore é historiador e secretário-geral da Fundação Maurício Grabóis


Texto enviado por e-mail para Eskuerra

SERRA: OBSCURANTISMO, INTOLERÂNCIA E HIPOCRISIA



SERRA:
intolerância, obscurantismo e hipocrisia

Comparecendo no dia 1º de maio passado a uma reunião de evangélicos, José Serra exibiu a dimensão teológica de sua Cruzada contra a fumaça. “-A pessoa que fuma sabe que o cigarro vai fazer mal, mas continua assim mesmo. Depois, adoece e mesmo assim continua fumando. Assim é uma pessoa sem Deus. Sabe que ele está ali, mas não o procura”. Não era muito conhecido esse pendor místico do candidato da direita à presidência. Seria sincero ou isso não passaria de mais uma de suas charlatanices reacionárias? Ele diz saber que Deus está ali. Ali onde? Nos lugares que freqüenta? Entre os ricaços que o apóiam? Na Bolsa de Valores? Na Daslu, tão ligada a seu parceiro Alquimim? Quem souber diga onde fica.


Mas o pior é a comparação do fumante ao ateu, que suscitou réplica indignada da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea): “- Ou ele (Serra) não acredita nisso e estava jogando para a platéia, ou ele acredita, o que é pior ainda. Como você vai esperar uma declaração tão flagrantemente preconceituosa de um candidato? [...]Esse tipo de comportamento é inadmissível em qualquer cidadão civilizado, quanto mais de um pretendente ao cargo mais alto da nação. O contexto sugere que Serra teria feito esse tipo de declaração para satisfazer uma platéia que ele aparentemente imaginava ser tão preconceituosa quanto ele, o que é ainda mais embaraçoso”.


Os fundamentalistas mais fanáticos sustentam a mesma tese de Serra: quem não “vê” Deus é um doente. A diferença é que os fanáticos pensam o que dizem, ao passo que o candidato da direita diz o que pensa lhe render votos. Se imagina mesmo ver Deus em cada esquina, é assunto irrelevante: o foro íntimo e os delírios místicos são assuntos estritamente privados. Já a carência de cultura republicana do candidato da direita, que discrimina cidadãos por suas convicções, é uma tara política extremamente preocupante.


A caminhada dos “tucanos” rumo a Deus tem uma curiosa história, que remonta aos tempos em que eles ainda estavam no PMDB. Em 12 de dezembro de 1985, F .H. Cardoso, disputando a prefeitura de São Paulo, travou com o “comunicador” ultra-reacioná rio Bóris Casoy o seguinte diálogo na TV:
Casoy - Senador, o senhor acredita em Deus?
Cardoso - Essa pergunta o senhor disse que não me faria.
Casoy - Eu não disse nada.
Cardoso - Perdão, foi num almoço sobre este mesmo debate.
Casoy - Mas eu não disse se faria ou não.
Cardoso - É uma pergunta típica de alguém que quer levar uma questão íntima para o público...


Entende-se o embaraço do entrevistado. Festejado sociólogo, exibindo imagem de pensador avançado, F.H. Cardoso não queria nem perder prestígio diante dos intelectuais de espírito crítico, nem perder os votos dos fiéis a Deus. Daí sua cômica perplexidade diante da pergunta do jornalista provocador. Mas no ano e na campanha seguinte (para o Senado, dessa vez), tratou de abrir espaço para Deus em sua plataforma: “Ateísmo é coisa ultrapassada. Existe o infinito, o amor, o mistério. Não há nenhuma razão para ser contra a idéia de Deus”. Peregrinou ao santuário de Aparecida, onde rezou (em latim, segundo a imprensa) um padre-nosso, explicando que “crença é uma coisa que se guarda no coração, o que vale é a prática”. Como brinde ganhou uma imagem da Padroeira do Brasil benzida pelo arcebispo d. Geraldo Penido, um dos mais reacionários do clero brasileiro. A miraculosa conversão provavelmente ajudou-o a conquistar a segunda vaga para o Senado.


Brasília vale bem uma missa!


Vimos que a religião de Serra é mais agressiva: está mais para Casoy do que para FHC. O ateu deve ser tratado como um fumante e reciprocamente o fumante deve ser tratado como um ateu. A Cruzada contra a fumaça empreendida pelo chefe da tucanagem quando governador de São Paulo deturpou um objetivo justo (impedir que o não fumante seja constrangido a engolir a fumaça alheia) com o carimbo da intolerância. A lei contra os fumantes que ele fez aprovar na A.L./SP pelo método do rolo compressor é digna das cruzadas fundamentalistas contra o álcool que conduziram à “lei seca” nos Estados Unidos. Ela leva a atos de estupidez pura e simples. Por exemplo, nos aeroportos paulistas os leões de chácara do governador proíbem os fumantes de ficarem embaixo da marquise que cobre parcialmente a calçada. Se chover, que fumem na chuva.


Não se vê isso em nenhum país europeu onde a segurança do cidadão é de fato levada a sério. Lá pode-se fumar não somente embaixo de toldos, mas também em terraços de bares e restaurantes. Grandes aeroportos, como os de Amsterdã, Frankfurt, Paris etc. mantêm áreas para fumantes, em vez de empurrá-los para o meio-fio. Estariam menos preocupados com saúde pública do que a tucanagem? Se a preocupação de Serra e parceiros do consórcio PSDEMB fosse mesmo garantir a saúde e a vida, teriam mostrado algum empenho sério em proteger os pedestres dos atropelamentos, que voltaram a aumentar na cidade e no Estado de São Paulo. Cigarro pode provocar câncer ou infarto, ao longo de algumas décadas, mas atropelamento aleija ou mata instantaneamente. (Sem esquecer que a fumaça dos caminhões e automóveis que entopem a Marginal impermeabilizada por Serra também é muito cancerígena e agride mais os pulmões do que a fumaça dos cigarros).


Algumas cidades de nosso país, Brasília por exemplo, tomaram medidas para impor respeito ao Código de Trânsito, coibir os motoristas mais truculentos e preservar a integridade física dos que andam a pé. O fato muito preocupante de que na megalópolis paulistana a barbárie motorizada siga prosperando mostra o fracasso da política de saúde pública do governo do PSDEMB, frente bicéfala da direita.


JQuartimMoraes

João Quartim de Moraes

Professor Universitário

E-mail encaminhado à Eskuerra

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Nos EUA a crise não é para todos


Trabalhadores pagam e capital embolsa

Entre 1979 e 2006, os 1 por cento mais ricos viram os

seus rendimentos crescer 256 por cento


A Reserva Federal dos EUA admitiu, quinta-feira, 29, que a economia norte-americana permanece praticamente estagnada. As consequências fazem-se sentir com violência no país e os dados mostram não só que a crise não é para todos como é endémica ao sistema baseado na exploração de classe.


De acordo com o relatório da Reserva Federal, o nível de consumo voltou a cair (0,8 por cento) pelo segundo mês consecutivo, arrastando o índice para o pior resultado do ano de 2010. A crescer apenas o segmento da aquisição de géneros de primeira necessidade, ao passo que a transacção de bens duráveis e particularmente de imóveis continua a cair, adianta a entidade responsável por emissão de moeda nos EUA.


Segundo a Associação Nacional de Corretores de Imóveis, no mês de Junho o total de casas vendidas baixou 26 por cento face ao ponto mais alto do volume de transacções, registado em Setembro de 2005.


A Reserva já admite voltar a forçar os apoios à chamada recuperação da economia, isto é, equaciona voltar a verter milhões de dólares, às expensas do erário público, sobre um modo de produção anárquico, depredador e sorvedor de recursos, caracterizado pela antagonia entre o carácter privado da propriedade e o carácter social da produção.


Longa agonia do sistema


A par dos indicadores de conjuntura, a crise capitalista revela com crueza as suas consequências. Os principais atingidos são os trabalhadores. Só no ano de 2009, mais de 20 por cento das famílias norte-americanas sofreram uma perda de rendimento disponível na ordem dos 25 por cento, diz um relatório elaborado pela insuspeita Fundação Rockefeller.


O documento, intitulado «Segurança económica em risco», adianta ainda que, desde 1985, o total de famílias que perderam um quarto dos respectivos rendimentos cresceu quase 50 por cento quando se comparam os dados dos últimos 25 anos com os registados entre 1960 e 1985.

Quando o período é o de 1966 a 2006, o total de norte-americanos que perderam pelo menos 25 por cento dos rendimentos ascende a 60 por cento do total da população.


Estes dados confirmam não apenas que a crise capitalista é de natureza sistémica – a delapidação dos rendimentos do trabalho (necessária para manter a taxa de rentabilidade do capital) agudizou a crise de sobreprodução empurrando a burguesia para mecanismos de reprodução do capital acumulado não ligados aos sectores transformadores (bolsa, futuros, etc.) –, como se iniciou muito antes do dobrar do século XXI.


Com efeito, a escalada da crise e as suas consequências iniciou-se, pelo menos, em 1985. O número estimado de trabalhadores «economicamente inseguros» nesse ano era de 28 milhões. Em 2007, ascendia já a 46 milhões, informa igualmente a Fundação Rockefeller (FR).


O referido texto não inclui dados relativos a 2010, quando todos os indicadores apontam para a transformação do desemprego de longa duração num problema estrutural. Não obstante, o quadro estatístico observado permite à FR afirmar que 2010 será muito pior que 2009.

Os ricos mais ricos


Outro dado interessante deste estudo é o que resulta da evolução dos rendimentos por «estratos sociais». Diz a FR que entre 1979 e 2006 a restrita classe média dos EUA viu a sua renda crescer 21 por cento, ao passo que os 10 por cento mais ricos incrementaram os respectivos rendimentos em 112 por cento e os 1 por cento obscenamente abastados bateram todos os recordes, com um aumento de 256 por cento.


A actual fase da crise é, ainda, uma enorme oportunidade para continuar a acumular capital e consolidar a posição cimeira arrasando a concorrência. Um exemplo: só durante o primeiro semestre de 2010 mais de 100 pequenos e médios bancos fecharam as portas em consequência da crise. A esmagadora maioria destas instituições, ao contrário das congéneres monopolistas, não recebeu qualquer tipo de apoio estatal. Os seus negócios foram, na quase totalidade, absorvidos pelos grandes conglomerados financeiros.


Em 2009, 140 bancos pequenos e médios já haviam encerrado nos EUA. No mesmo sentido, o The New York Times informou recentemente que os lucros das multinancionais cresceram 40 por cento entre o final de 2008 e o primeiro semestre de 2010. Entre as empresas que relataram ganhos no segundo trimestre deste ano, os lucros subiram 42,3 por cento.

Para o próximo trimestre de 2010, as empresas esperam aumentos dos lucros em 19,3 por cento face a 2009, e para 2011 as corporações almejam atingir um recorde de crescimento das margens de lucro na ordem dos 8,9 por cento, difundiu também o diário nova-iorquino.


Como se constata, a quebra observada nas vendas não significa necessariamente uma perda de lucros. Factores como a delapidação de milhares de postos de trabalho e o aumento da exploração sobre os trabalhadores – quer pela retirada de regalias quer pela supressão de parte do salário quer ainda pelo aumento da jornada e a flexibilização dos horários – contabilizam milhões em bolsa.


Tal é o caso da Harley Davidson (cortou 1/5 da sua força de trabalho e planeia cortar mais 1500 empregos apresentando o triplo dos lucros de 2009), da General Electric, JPMorgan Chase ou Ford (que desde 2005 já cortou quase metade da sua força de trabalho nos EUA), diz o NYT.


O Wall Street Journal explica a aparente contradição. Os mercados financeiros estão a premiar todas as empresas que planeiam despedir mais ou, pelo menos, não voltar a contratar.

Flagelo nacional


Do outro lado da barricada ficam os milhões de desempregados norte-americanos. Na última semana de Julho, o total registado pelo Departamento do Trabalho caiu 2,4 por cento, mas esta quebra pode estar relacionada com a suspensão dos despedimentos em fábricas automóveis do Michigan e Nova Iorque. Nada que deixe grandes ânimos, já que no total pediram protecção social ao Estado outros 457 mil trabalhadores norte-americanos neste período.

A taxa de desemprego oficial mantém-se alta, a rondar os 10 por cento. Entre os jovens dos 16 aos 25 anos, a taxa ascende a 20 por cento. A 10 de Julho, 8,3 milhões de norte-americanos recebiam algum tipo de ajuda. Milhões pura e simplesmente desistiram da inscrição nos departamentos de emprego.


Milhões para a guerra

Entretanto, o Congresso dos EUA aprovou, por 308 votos a favor e 114 contra, o projecto de lei, anteriormente sufragado pelo Senado, que destina outros 33 mil milhões de dólares para custear o envio de mais 30 mil soldados para a guerra do Afeganistão. Mais 4 mil milhões de dólares serão destinados a propósito de programas de «ajuda» naquele território, no Paquistão e Iraque.


A aprovação ocorreu quando a Wikileaks divulgou milhares de relatórios sobre a guerra do Afeganistão e o site Democracy Now denunciou que rádios e outros meios de comunicação afegãos recebiam dinheiro para divulgarem propaganda dos EUA. Os serviços de inteligência, as unidades de guerra psicológica e alguns oficiais das forças armadas norte-americanas referem-se a jornalistas afegãos como «os nossos jornalistas».

O Pentágono já se tinha envolvido numa operação semelhante no Iraque, tendo mesmo contratado para o efeito a Lincoln Group, responsável pelos pagamentos a jornalistas iraquianos dispostos a publicar informação favorável aos ocupantes.


Texto original em Jornal Avante , sítio em http://www.avante.pt/pt/1914/internacional/109940/



terça-feira, 3 de agosto de 2010

A tendência à barbárie e as perspectivas do socialismo




A tendência à barbárie e as perspectivas do socialismo
Por James Petras




As sociedades ocidentais e os Estados estão se deslocando inexoravelmente para condições semelhantes à barbárie; mudanças estruturais estão revertendo décadas de bem–estar social e sujeitando o trabalho, os recursos naturais e as riquezas das nações à exploração bruta, à pilhagem e ao saque, rebaixando os padrões de vida e causando descontentamento num nível sem precedentes.

Inicialmente, descreveremos os processos econômicos, políticos e militares que vêm abrindo este caminho à decadência e à decomposição social, e a seguir mostraremos a reação das massas populares à deterioração de suas condições de vida. As profundas mudanças estruturais que acompanham a ascensão da barbárie constituirão a base para considerar as perspectivas para o socialismo no século XXI.




A crescente onda de barbárie




Nas sociedades antigas, a “barbárie” e os seus portadores – os “bárbaros” invasores – foram vistos como uma ameaça vinda das regiões periféricas de Roma ou Atenas. Nas sociedades ocidentais contemporâneas, os bárbaros vêm de dentro, da elite, com a intenção de impor uma nova ordem que corrói o tecido social e a base produtiva da sociedade, convertendo meios de subsistência estáveis em condições deterioradas e inseguras da vida cotidiana.

A chave para a barbárie contemporânea encontra-se nas estruturas internas do Estado imperial e da economia. Estas incluem:

1. A ascensão de uma elite financeira e especulativa, que tem saqueado trilhões de dólares dos poupadores, investidores, mutuários, consumidores e do Estado, subtraindo enormes recursos da economia produtiva e colocando-os nas mãos da camada parasitária aninhada no Estado e nos mercados financeiros.

2. A elite política militarista, que vem supervisionando um estado de guerra permanente desde meados do século passado. Terror de Estado, guerras intermináveis, assassinatos em zonas fronteiriças e a suspensão das garantias constitucionais tradicionais levaram à concentração de poderes ditatoriais, prisões arbitrárias, torturas e à negação do habeas corpus.

3. Em meio a uma profunda recessão econômica e estagnação, os altos gastos do Estado na construção de um império econômico e militar, a expensas da economia nacional e dos padrões de vida, refletem a subordinação da economia local às atividades do Estado imperial.

4. A corrupção desde o topo, visível em todos os aspectos da atividade do Estado - desde as aquisições de bens e serviços até a privatização e os subsídios para os super-ricos – incentiva o crescimento do crime internacional de cima para baixo, a lumpenização da classe capitalista e um Estado onde a lei e a ordem se encontram em descrédito.

5. Resultantes dos elevados custos de construção do império e da pilhagem da oligarquia financeira, os encargos sócio-econômicos recaem diretamente sobre os ombros dos trabalhadores assalariados, aposentados e trabalhadores por conta própria, determinando uma grande mobilidade descendente na escala social ao longo do tempo. Com a perda de empregos e o desaparecimento das posições mais bem remuneradas, as retomadas de casas pelos bancos crescem exponencialmente e as classes médias, antes estáveis, encolhem, e os trabalhadores são forçados a alongar suas jornadas de trabalho diárias e a trabalhar durante um maior número de anos.

6. As guerras imperiais, que se espalham pelo mundo e são direcionadas a populações inteiras, que sofrem com os bombardeios e as operações clandestinas de terror, geram, em oposição, redes terroristas, que também atingem alvos civis nos mercados, transportes e espaços públicos. O mundo vai se parecendo ao pesadelo hobbesiano de “todos contra todos”.

7. Um crescente extremismo etnorreligioso ligado ao militarismo é encontrado entre os cristãos, judeus, muçulmanos e hindus, que substitui a solidariedade de classe internacional por doutrinas de supremacia racial e penetra as estruturas profundas dos Estados e das sociedades.

8. O desaparecimento dos Estados europeus e asiáticos de bem-estar social coletivo – nomeadamente, a ex-URSS e a China – levantou as pressões competitivas sobre o capitalismo ocidental e o encorajou à revogação de todas as concessões de bem-estar social obtidas pela classe trabalhadora no período pós-II Guerra Mundial.

9. O fim do “comunismo” e a integração da social-democracia ao sistema capitalista levaram a um enfraquecimento severo da esquerda, que os protestos esporádicos dos movimentos sociais não conseguiram substituir.

10. Diante do atual assalto às condições de vida dos trabalhadores e da classe média, só se vêem protestos esporádicos, no melhor dos casos, e impotência política, no pior.

11. A exploração maciça do trabalho nas sociedades capitalistas pós-revolucionárias, como a China e o Vietnã, compreende a exclusão de centenas de milhões de trabalhadores migrantes dos serviços públicos elementares de educação e saúde. A pilhagem sem precedentes e a captura, por oligarquias nacionais e multinacionais estrangeiras, de milhares de lucrativas empresas públicas estratégicas da Rússia, das repúblicas da ex-União Soviética, dos países da Europa Oriental, dos Bálcãs e dos países bálticos, foi a maior transferência de riqueza pública para mãos privadas, em curto espaço de tempo, em toda a História.

Em resumo, a barbárie surgiu como uma realidade definida, produto da ascensão de uma classe dominante financeira parasitária e militarista. Os bárbaros encontram-se aqui e agora, presentes dentro das fronteiras das sociedades ocidentais e seus Estados. Eles governam e perseguem agressivamente uma agenda que está continuamente a reduzir os padrões de vida, a transferir a riqueza pública para os seus cofres privados, a pilhar recursos públicos, a violar direitos constitucionais no exercício de suas guerras imperiais, a segregar e perseguir milhões de trabalhadores imigrantes e a promover a desintegração e o desaparecimento do trabalho estável e de classe média. Mais do que em qualquer outro momento na história recente, o 1% mais rico da população controla uma parcela crescente das riquezas e das rendas nacionais

Mitos e realidades do capitalismo histórico

A retirada, em grande escala e de forma sustentada, dos direitos sociais e previdenciários, da segurança no emprego, e as reduções de salários e aposentadorias, demonstram a falsidade da idéia do progresso linear do capitalismo. Essa reversão, produto do poder ampliado da classe capitalista, demonstra a validade da proposição marxista de que a luta de classes é o motor da História – na medida em que, pelo menos, a própria condição humana é considerada como sua peça central.

A segunda premissa falsa – a de que os estados organizados em “economias de mercado” têm como pré-requisito a paz, tendo como corolário a ascendência dos “mercados” sobre o militarismo – é refutada pelo fato de que a principal economia de mercado – os Estados Unidos – tem permanecido em constante estado de guerra desde o início da década de 1940, estando ativamente engajada em guerras em quatro continentes, até os dias de hoje, e com perspectiva de novas, maiores e mais sangrentas guerras no horizonte. A causa e conseqüência da guerra permanente é o crescimento de um monstruoso “Estado de segurança nacional” que não reconhece fronteiras nacionais e absorve a maior parte do Orçamento do país.

O terceiro mito do “capitalismo avançado maduro” é o de que este sempre revoluciona a produção através da inovação e da tecnologia. Com a ascensão da elite financeira especulativa e militarista, as forças produtivas foram saqueadas e a "inovação" é em grande parte direcionada à elaboração de instrumentos financeiros que exploram os investidores, reduzem os ativos e acabam com o trabalho produtivo.

Enquanto o império cresce, a economia local se contrai, o poder está centralizado no Executivo, o poder legislativo é reduzido e aos cidadãos é negada uma representação efetiva, ou mesmo o poder de veto através de processos eleitorais.

A resposta das massas ao aumento da barbárie

A ascensão da barbárie em nosso meio tem provocado revolta pública contra seus principais executores. As pesquisas de opinião têm reiteradamente encontrado:

(1) Profunda aversão e revolta contra todos os partidos políticos.

(2) Grande desconfiança, nutrida pela maioria da população, contra a elite empresarial e política.

(3) Rejeição, também pela maioria, da concentração de poder corporativo e do seu abuso, principalmente por parte dos banqueiros e financistas.

(4) Questionamento amplo das credenciais democráticas dos líderes políticos que agem a mando da elite empresarial e promovem as políticas repressivas do Estado de segurança nacional.

(5) Rejeição, pela grande maioria da população, da pilhagem do Tesouro nacional para salvação dos bancos e da elite financeira, com a imposição de programas de austeridade regressivos sobre a classe média trabalhadora.

Perspectivas para o socialismo

A ofensiva capitalista teve certamente um grande impacto sobre as condições objetivas e subjetivas da classe média trabalhadora, empobrecendo- a e provocando uma onda crescente de descontentamento pessoal, que ainda não se traduziu numa movimentação anticapitalista massiva, ou mesmo numa resistência dinâmica e organizada.

As grandes mudanças estruturais requerem um melhor entendimento das atuais circunstâncias adversas e a identificação de novas instâncias e meios onde se desenvolvem a luta de classes e de transformação social.

Um problema-chave é a necessidade de se recriar uma economia produtiva e reconstruir uma classe trabalhadora industrial após anos de pilhagem financeira e desindustrialização, não necessariamente para as poluidoras indústrias do passado, mas certamente para novas indústrias que criem e utilizem fontes de energia limpa.

Em segundo lugar, as sociedades capitalistas altamente endividadas necessitam, fundamentalmente, sair do modelo de construção imperial militarista de alto custo em direção a um modelo de austeridade financeira baseado na classe e que imponha os sacrifícios e as reformas estruturais aos setores bancário, financeiro e comercial de grande varejo, que substitui a produção local pela importação de artigos de consumo de baixo custo.

Em terceiro lugar, o enxugamento do setor financeiro e do comércio retalhista exige a melhoria das qualificações dos trabalhadores que serão deslocados ou desempregados, bem como mudanças no setor de TI, de forma a acomodar as próprias mudanças econômicas. Exige, também, a mudança de um paradigma – da renda monetária para o rendimento social – em que a educação pública e gratuita de alto nível, o acesso universal à saúde e as aposentadorias abrangentes substituirão o consumismo global financiado por dívidas. Isso pode se tornar a base para o fortalecimento da consciência de classe contra o consumismo individual.

Esta é a questão: como passar de uma posição em que a classe trabalhadora se encontra fragmentada e enfraquecida e os movimentos sociais em recuo ou na defensiva, a uma posição em que seja possível lançar uma ofensiva anticapitalista?

Vários fatores subjetivos e objetivos já permitem o trabalho nesse sentido. Primeiro, há uma negatividade crescente contra a grande maioria dos atuais operadores políticos e, em particular, contra as elites econômicas e financeiras que estão claramente identificadas como responsáveis pelo declínio nos padrões de vida. Em segundo lugar, há o ponto de vista popular, compartilhado por milhões de pessoas, que os atuais programas de austeridade são claramente injustos - com os trabalhadores a pagar pela crise que a classe capitalista produziu. Até o momento, no entanto, estas maiorias são mais “anti”-status quo do que “pró”-transformação. A transição do descontentamento privado para a ação coletiva é uma questão em aberto quanto a quem a desencadeará e como o fará, mas a oportunidade está presente.

Existem vários fatores objetivos que podem deflagrar uma mudança qualitativa do descontentamento, deslocando-o da raiva passiva rumo a um maciço movimento anticapitalista. Um “duplo mergulho” na recessão, o fim da atual recuperação anêmica e o início de uma recessão mais profunda e prolongada ou de uma depressão, poderia desacreditar ainda mais os governantes atuais e seus aliados econômicos.

Em segundo lugar, o aprofundamento interminável da austeridade poderá desacreditar a noção atual, difundida pela classe dominante, de que os sacrifícios atuais são necessários para se obter ganhos futuros, abrindo as mentes e encorajando os corpos a se moverem à procura de soluções políticas, de forma a alcançar ganhos no presente e infligir dor às elites econômicas.

As inesgotáveis e “invencíveis” guerras imperiais que sangram a economia e a classe trabalhadora podem, em última análise, criar uma consciência de que a classe dominante oferece “sacrifícios” à nação sem nenhuma finalidade “útil”.

Provavelmente, o efeito combinado de uma nova etapa da recessão, a austeridade perpétua e as estúpidas guerras imperiais acabarão por transformar o mal-estar atual e a difusa hostilidade das massas contra a elite econômica e política em favor dos movimentos socialistas, partidos e sindicatos.




tradução ao português do artigo de James Petras publicado em 30/07 no sítio Information Clearing House (http://www.informationclearinghouse.info/article26052.htm).


Tradução enviada por e-mail por LUIZ LIMA para a Eskuerra