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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Palestina: a colonização israelense é a raiz da violência

Palestina: a colonização israelense é a raiz da violência
por Ilan Pappe

"Quando analisamos as origens da atual intifada, podemos apontar precisamente a ocupação e a expansão da colonização judaica. Mas o desespero produzido na atual agitação não é um resultado direto da colonização de 1967, senão a mais de cem anos de invisibilidade, desumanização e destruição potencial do povo palestino onde quer que se encontre." 
"A mensagem aos palestinos foi clara. Aceitem sua sorte como invisíveis reclusos, sem cidadania, da maior prisão do mundo, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, e como comunidade vivendo sob regime de apartheid; então, poderemos viver em paz. Qualquer tentativa de rechaçar esta realidade será considerada terrorismo da pior espécie e será tratado como tal."

"Este desejo de não compartilhar a vida com qualquer coisa que cheire a árabe é uma atitude que afeta diariamente a cada palestino. Mais de um século de colonização e nada mudou na negação total da humanidade dos palestinos nativos ou seu direito ao país."

Em meio ao que ficou conhecido em Israel como a “Intifada dos esfaqueadores”, aconteceu uma cena pouco usual em Ramat Gan, pequena cidade onde muitos moradores são judeus iraquianos. Uma mulher de baixa estatura estava protegendo um homem que jazia no chão e era perseguido por uma turba, incluindo alguns soldados, que queriam linchá-lo.

Enquanto estava no solo, pulverizavam nele gás de pimenta à queima roupa nos olhos. Conseguiu murmurar ao seu anjo da guarda: “sou judeu”. Quando a turba pôde entender a mensagem, o deixaram só. Foi perseguido porque quase todos os judeus iraquianos se parecem com os palestinos. Os únicos judeus que estão “protegidos” são os judeus ortodoxos mizrajíesque usam a mesma vestimenta que seus predecessores asquenazes usavam na Europa do século 17, deixando de lado a tradicional vestimenta “árabe”.

A estrutura da força de trabalho mundial

A estrutura da força de trabalho mundial
por Prabhat Patnaik


"Dito de modo diferente, o processo de acumulação primitiva de capital que se efectua sob o neoliberalismo não leva a um aumento na proporção da força de trabalho absorvida pelo sector capitalista. Este facto, ao nível global, à primeira vista pode parecer estranho. Ainda que o crescimento rápido da Índia não tenha levado a um aumento na proporção da sua força de trabalho absorvida no exército activo do trabalho empregue pelo capital, o mesmo poderia não ser verdadeiro na China onde mesmo o Economist de Londres tem falado acerca da emergência de um mercado de trabalho tenso devido à rápida industrialização (com base no pagamento de salários). No entanto, isto parece ser verdadeiro para a economia global como um todo. Por outras palavras, os pequenos produtores deslocados de sectores tradicionais, os quais tem estado a enfrentar todo o peso do ataque violento do capital, não foram absorvidos dentro das fileiras dos trabalhadores assalariados. "

A Organização Internacional do Trabalho ( OIT) proporciona dados úteis sobre a força de trabalho mundial. O conceito "força de trabalho" inclui tanto os empregados como os desempregados. A parte empregada da força consiste de: trabalhadores assalariados (os quais são chamados "empregados"); os trabalhadores auto-empregados com "empregados" (os quais são chamados "empregadores); e os trabalhadores auto-empregados sem "empregados" (dentre os quais estão "trabalhadores por conta própria", trabalhadores familiares não pagos e membros de cooperativas de produtores). Constata-se que a proporção de trabalhadores assalariados noemprego total do mundo é hoje cerca de 48 por cento. 

A OIT tem também uma outra classificação. Ela considera que "trabalhadores por conta própria" e trabalhadores familiares não pagos constituem em conjunto aqueles que estão "empregados vulneravelmente"; ao passo que os "empregadores", juntamente com os trabalhadores assalariados, são considerados como constituindo os "empregados não vulneráveis". A composição da força de trabalho mundial nesta classificação pode ser dada como se segue: a proporção daqueles que estão desempregados é cerca de 6 por cento; os "empregados vulneravelmente" constituem 47 por cento (dos quais trabalhadores familiares não pagos são 14 por cento, e "trabalhadores por conta própria" são 33 por cento); e os "empregados não vulneravelmente" são outros 47 por cento (dos quais trabalhadores assalariados são 45 por cento e "empregadores" ou trabalhadores auto-empregados com "empregados" são 2 por cento. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A migração estratégica engendrada como arma de guerra

A migração estratégica engendrada como arma de guerra
por Leonid Savin

"O que vemos agora é a implementação prática de cálculos teóricos com uma natureza estratégica. Tais estratégias têm estado a desenvolver-se durante longo tempo. Uma delas é um estudo do Belfer Center for Science and International Affairs da Universidade de Harvard que tem o nome de "Migração estratégica engendrada como uma arma de guerra" (" Strategic Engineered Migration as a Weapon of War "), que o autor também utiliza como título deste artigo. O estudo foi publicado pela primeira vez em 2008 no Civil Wars Journal . Utilizando uma combinação de dados estatísticos e análises de estudos de casos, o autor do trabalho, Kelly Greenhill, apresenta resposta para as seguintes perguntas: podem refugiados ser um tipo específico de arma, pode esta arma ser utilizada só em tempo de guerra ou também em tempo de guerra, e quão exitosa pode ser a sua exploração? Na generalidade, Greenhill responde a estas perguntas pela afirmativa. "
"Tanto quanto se pode julgar a partir de um documento interno recentemente revelado, um relatório especial ao Congresso dos EUA para o ano financeiro de 2014 sobre a questão da migração, preparado pelo US Department of Homeland Security, declara que em 2014 os Serviços de Cidadania e Imigração aplicaram 1.519 isenções a solicitantes individuais concedendo status de refugiado, status de residente e a proteção oficial do governo. E a coisa mais interessante é que de um modo ou de outro todas estas pessoas têm ligações com grupos terroristas e vasta experiência de atividades subversivas. "

Depois de ler o título, pode-se pensar que se está a descrever o fenômeno com que a Europa se confronta ultimamente: as centenas de milhares refugiados, tanto as vítimas das agruras de guerras civis como os oportunistas, os quais estão a invadir os Balcãs por terra e mar e então a seguir mais adiante, tentando alcançar países mais ricos como a Alemanha, França e Escandinávia por quaisquer meios possíveis. 

Aparentemente este fluxo de refugiados tem razões objectivas: conflitos armados e guerras têm decorrido na Líbia, Síria e Iraque durante muitos anos, ao passo que a situação também é turbulenta na Palestina e no Afeganistão. Na Tunísia e no Egito, em que ambos experimentaram a Primavera Árabe, a situação também deixa muito a desejar. Dificilmente alguém está a reparar no Bahrain, onde protestos da oposição são brutalmente reprimidos há anos, ao passo que no Iêmen são executados ataques aéreos a festas de casamento. A localização destes dois estados não é muito conveniente, contudo – simplesmente não há lugar para onde fugir. Há também um pormenor importante: estão a ser construídos campos para refugiados muçulmanos na Arábia Saudita, mas por alguma razão ninguém está a ir para lá. Como último recurso, eles permanecem na Jordânia e na Turquia. 

Kollontai: "O Trabalho Feminino no desenvolvimento da Economia"

"O Trabalho Feminino no desenvolvimento da Economia"
texto de Alexandra Kollontai, publicado em 1921, como panfleto.

"O princípio aceito pelo poder soviético no que diz respeito a essa questão é de que a mãe deixe de carregar a cruz da maternidade e experiencie apenas as alegrias provenientes do contato da mulher com seu filho. Obviamente, esse princípio está longe de ser realizado. Na prática, nós estamos muito aquém das nossas intenções. Em nossas tentativas de construir novos modos de vida e de viver, de emancipar a mulher trabalhadora das obrigações familiares, nós sempre nos deparamos com os mesmos obstáculos: nossa pobreza e a devastação da economia. Contudo, uma base já foi construída, os caminhos já estão sendo apontados; a nossa missão é seguir em frente com firmeza e obstinação.

A república operária não se limita à distribuição de benefícios e a prover financeiramente pela maternidade. Seu objetivo, acima de tudo, é transformar as condições de vida a fim de tornar absolutamente possível que uma mulher seja, ao mesmo tempo, mãe e trabalhadora, além de preservar o bebê para o futuro da república, cercando-o do cuidado e da atenção necessários."

Em sua busca por novas formas de economia e novos modos de vida que atendam aos interesses do proletariado, a república soviética inevitavelmente cometeu uma série de erros, e por diversas vezes teve de corrigir e mudar sua linha. Porém, na esfera da criação socializada e da proteção da maternidade, a república operária, desde seus primeiros meses de existência, tem traçado o caminho correto para as mudanças futuras. E, nessa esfera, uma revolução profunda e fundamental está em curso. Neste país, onde a propriedade privada foi abolida e onde a política é ditada pelo desejo de apurar o nível da economia geral, agora é possível lidar com problemas que eram insolúveis sob o sistema burguês.

A Rússia soviética abordou a questão da proteção da maternidade, levando em conta a solução para o problema básico da república operária – o desenvolvimento das forças produtivas do país, o aumento e a restauração da produção. Para tanto, é necessário, em primeiro lugar, voltar-se para as imensas forças dedicadas ao trabalho improdutivo e utilizar com eficácia todos os recursos disponíveis; e, em segundo lugar, garantir à república operária um fluxo ininterrupto de novos trabalhadores no futuro, ou seja, garantir o aumento normal da população.

Adotando-se esse ponto de vista, a questão da emancipação das mulheres do fardo da maternidade soluciona-se por conta própria. O Estado operário estabelece um princípio totalmente novo: a criação das novas gerações não é uma questão familiar privada, mas um interesse sócio-estatal. A proteção e salvaguarda da maternidade não é apenas do interesse da própria mulher, mas, principalmente, do interesse da economia nacional, ao longo da transição para um sistema socialista: é necessário resgatar as mulheres do gasto de energia improdutivo no ambiente familiar para que tal energia seja utilizada de modo eficiente para o benefício coletivo; é necessário proteger sua saúde a fim de garantir à república operária um fluxo de trabalhadores saudáveis no futuro. No Estado burguês, não é possível tratar a questão da maternidade dessa forma: as contradições de classe e a falta de unidade entre os interesses de economias privadas e da economia nacional se tornam impedimentos. Em uma república operária, por outro lado, na qual as economias individuais estão se dissolvendo na economia geral e as classes estão se desintegrando e desaparecendo, tal solução para a questão da maternidade é uma exigência da vida, é necessária. A república operária enxerga as mulheres, primeiramente, como membros da força de trabalho, como unidades de trabalho vivo; a função da maternidade é vista como algo de grande importância, como uma função complementar que não é familiar e privada, mas social.

O jogo da hipocrisia num sistema institucional apodrecido

Cavaco Silva
O jogo da hipocrisia num sistema institucional apodrecido
por Miguel Urbano Rodrigues


"Na noite do dia 22, Cavaco Silva dirigiu-se ao País. Num discurso que terá sido o mais reacionário da sua carreira indigitou Passos Coelho como Primeiro-ministro, convidando-o a formar governo. Desrespeitando a Constituição e a Assembleia da Republica, insultou os partidos da oposição sem os nomear, qualificou de catastrófica a alternativa à nomeação do dirigente do PSD e, numa manobra de chantagem, lançou um apelo à dissidência dos deputados do PS, instando -os a viabilizar o programa do governo da coligação."

"O Partido Socialista é presentemente um Partido neoliberal como a maioria dos seus congêneres europeus. Quando no governo realizou sempre políticas de direita e quando na oposição foi cúmplice de políticas de direita."

"Sejam quais forem os acordos a que o PS chegar com o Bloco de Esquerda e o PCP, os riscos, sobretudo para os comunistas, serão sempre grandes e as possibilidades de os evitar escassas."

"Não encontro na História exemplos de acordos de governo entre socialistas e comunistas - mesmo quando a intervenção destes se limitou ao apoio parlamentar - que tenham produzido resultados positivos duradouros. Alguns, como a Frente Popular Francesa de 1936 e o Governo Provisório de De Gaulle em l944, tiveram um começo auspicioso, mas todos acabaram mal."


Após a Guerra da Crimeia em l856,o Império Russo e a Inglaterra vitoriana estiveram na aparência à beira de um novo conflito armado até à assinatura da chamada Entente Cordiale em 1904.

The Great Game, O Grande Jogo, foi o nome pelo qual ficou conhecida a tensão permanente entre as duas potências imperiais, nascida de ambições incompatíveis pelo domínio do Afeganistão. Os diplomatas mentiam conscientemente, sugerindo a iminência de uma guerra que nem Londres nem Petersburgo desejavam.

Num contexto histórico muito diferente, o que aconteceu em Portugal nas últimas semanas faz lembrar esse jogo anglo-russo no seculo XIX.

O comportamento e as declarações do Presidente da Republica, dos principais dirigentes do PSD e do CDS e a histeria especulativa do sistema mediático caraterizam bem esse jogo da hipocrisia e desacreditam um sistema institucional apodrecido.

Durante semanas choveram discursos, analises, comentários, especulações em torno do desfecho da situação criada pelo resultado das eleições legislativas.

O Presidente da Republica, antes de ouvir os partidos, incumbiu imediatamente Passos Coelho de iniciar diligências tendentes à formação de um governo capaz de assegurar «estabilidade política» ao país, consciente de que isso era impossível num Parlamento em que a coligação PSD-CDS perdeu a maioria absoluta.

Simultaneamente, António Costa abriu conversações com o binómio PSD -CDS e com o PCP e o Bloco de Esquerda.

Correram mal as reuniões com a coligação e avançaram os encontros com os dirigentes comunistas e os bloquistas com vista à formação de «um governo de esquerda».

Passos, Portas e Costa trocaram acusações em tom cada vez mais áspero.

Na semana que precedeu as reuniões do Presidente da Republica com os partidos abundaram as mesas redondas, as entrevistas e as consultas a constitucionalistas tidos por sábios. Cenários fantasistas foram montados por «especialistas» na televisão, na radio e nos jornais de «referencia».

sábado, 24 de outubro de 2015

Companhias militares privadas ao serviço da classe capitalista transnacional

Companhias militares privadas ao serviço da classe capitalista transnacional
por Peter Phillips


"Quando o império é lento a executar ou é confrontado com resistência política, firmas de segurança privada ou companhias militares privadas (CMP) preenchem cada vez mais as exigências da CCT para a protecção dos seus activos. Estes serviços de protecção incluem segurança pessoal para executivos da CCT e suas famílias, protecção de zonas residenciais e de trabalho, aconselhamento militar táctico e treino de polícias nacionais e forças armadas, recolha de inteligência sobre movimentos democráticos e grupos de oposição, aquisições de armas e administração de sistemas de armas, e forças de ataque para acções militares e assassinatos. "
"Centenas de empreiteiros militares privados agora desempenham um papel importante na segurança da CCT na evolução corporativa neo-fascista do mundo no século XXI. O capital será livre para viajar instantaneamente e internacionalmente para qualquer lugar onde lucros sejam possíveis, ao passo que estados-nação tornar-se-ão pouco mais do que zonas de contenção de populações com cada vez mais controles repressivos do trabalho. Por estas razões, as CMPs devem ser entendidas como um componente do imperialismo neoliberal que agora suplementa poderes policiais de estados-nação e poderiam finalmente acabar por substituí-los. "

A globalização do comércio e da banca central impulsionou as corporações privadas a posições de poder e controle nunca vistas na história humana. Sob o capitalismo avançado, as exigências estruturais de um retorno sobre o investimento requer uma expansão infinita de capital centralizado nas mãos de cada vez menos pessoas. O centro financeiro do capitalismo global é tão altamente concentrado que menos de um milhar de pessoas domina e controla US$100 milhões de milhões (trillion) de riqueza. 

Os poucos milhares de pessoas que controlam o capital global representam menos de 0,0001 por cento da população mundial. Eles são a classe capitalista transnacional (CCT), a qual, como a elite capitalista do mundo, domina estados-nação através de acordos de comércio internacionais e de organizações transnacionais de estados tais como o Banco Mundial, o Banco Internacional de Pagamentos (BIS, na sigla em inglês) e o Fundo Monetário Internacional. 

A CCT comunica suas exigências políticas através de redes globais como o G-7 e G-20, e várias organizações políticas não governamentais tais como o World Economic Forum, a Comissão Trilateral e o Grupo Bilderberg. A CCT representa os interesses de centenas de milhares de milionários e bilionários que abrangem as pessoas mais ricos no 1 por cento de topo da hierarquia da riqueza mundial. 

A CCT está agudamente consciente tanto do seu estatuto de elite como das suas crescentes vulnerabilidades a movimentos democráticos e à inquietação dos de baixo. O império militar dominado pelos EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) serve para proteger investimentos da CCT por todo o mundo. Guerras, mudanças de regime e ocupações executadas ao serviço do império apoiam o acesso de investidores a recursos naturais e suas vantagens especulativas no mercado. 

Quando o império é lento a executar ou é confrontado com resistência política, firmas de segurança privada ou companhias militares privadas (CMP) preenchem cada vez mais as exigências da CCT para a protecção dos seus activos. Estes serviços de protecção incluem segurança pessoal para executivos da CCT e suas famílias, protecção de zonas residenciais e de trabalho, aconselhamento militar táctico e treino de polícias nacionais e forças armadas, recolha de inteligência sobre movimentos democráticos e grupos de oposição, aquisições de armas e administração de sistemas de armas, e forças de ataque para acções militares e assassinatos. 

"Lenin e o Movimento Operário Revolucionário nos Balcãs"

"Lenin e o Movimento Operário Revolucionário nos Balcãs"
por Georgi Dimitrov

publicado no "Krasnii International des Syndicats" n.°s 1-4, 1924


"Em parte alguma o problema nacional está mais complicado e embrulhado do que nos Balcãs, onde as diversas nacionalidades estão misturadas e fundidas nos limites de um território, a ponto de constituir um verdadeiro mosaico. A questão nacional é a questão fundamental da política balcânica. As classes e as dinastias burguesas nos países balcânicos, tal como nos grandes estados imperialistas, utilizaram sempre e continuam a utilizar as contradições nacionais existentes para os seus objetivos de conquista, atiçando o ódio nacional nesses países e opondo-os uns contra os outros."

"Lenin forneceu uma solução justa e clara da questão nacional, que encontrou a sua expressão prática na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A ideia do direito dos povos de disporem de si mesmos — lançada por Lenin — direito que vai, para as nacionalidades mais importantes até à separação e constituição de um Estado, lançou uma luz esclarecedora sobre o complicado problema nacional dos Balcãs. As massas trabalhadoras dos países balcânicos viram claramente que o problema é perfeitamente solúvel e que a sua solução é possível, não no terreno querido da burguesia e das dinastias balcânicas — a partilha dos Balcãs — mas sim pela reunificação livre de todas as nacionalidades que povoam a península dos Balcãs — numa união federal que lhes possa assegurar a plena liberdade e o direito de disporem de si próprias."

O movimento operário nos países balcânicos, e sobretudo na Bulgária, Sérvia e Romênia, encontrava-se desde a sua origem sob a influência do movimento revolucionário da Rússia. Os primeiros organizadores, os primeiros dirigentes da classe operária destes países eram os alunos diretamente formados pelos marxistas russos. Os melhores quadros dos intelectuais da classe operária eram educados e formados sob a influência da literatura marxista russa, por um lado, e sob a influência da luta heroica dos revolucionários russos contra a czarismo, a burguesia e o oportunismo, por outro.

Mas o movimento operário dos países balcânicos deve o seu carácter revolucionário, claro e definido, antes de tudo a Lenin e aos seus discípulos. A luta do proletariado balcânico no decurso dos últimos anos está diretamente ligada ao nome e à grande obra de Lenin.

Desde o início da guerra imperialista, Lenin conquista os corações dos operários balcânicos em luta, pelo seu combate intransigente contra o imperialismo e os seus auxiliares social-chauvinistas. O seu apelo profético e corajoso de salvar a humanidade trabalhadora pela ditadura do proletariado encontrou um eco profundo no seio das largas massas operárias dos países balcânicos.

Quando em maio de 1917 Lenin proclamou a palavra de ordem histórica: «Todo o poder aos Sovietes» o proletariado búlgaro viu nele, desde logo, o seu guia.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

GANGSTERS

GANGSTERS
por José Goulão

"O memorando de Powell revela que um ano antes de a invasão do Iraque se ter iniciado os Estados Unidos e o Reino Unido já tinham decidido que a fariam. Prova-se assim que as sanções contra o povo do Iraque, os arremedos de negociações e as célebres provas sobre a existência de armas de destruição massiva em território iraquiano – que o mesmo Powell se encarregou de fabricar e levar à ONU – foram manobras e mistificações para servirem de pretexto a uma decisão já tomada. A reunião das Lajes, que o governo barrosista de Portugal se dispôs a acolher, adquire, a esta luz, contornos ainda mais vergonhosos para a diplomacia portuguesa e europeia, porque se fez para fingir ao mundo que ia tomar-se uma decisão já tomada. Um faz-de-conta que, daí a dias, proporcionou o início de uma chacina de milhões de seres humanos, ainda longe de estar concluída."
No meio de documentos que a Srª Hillary Clinton foi obrigada a entregar à justiça norte-americana no quadro das investigações de que está a ser alvo, por causa do desempenho como secretária de Estado de Obama, estão papéis arrepiantes. Como este: um “memorando secreto” enviado em Março de 2002 pelo então secretário de Estado, Collin Powell, ao seu presidente, George W. Bush, assegura que a realização de uma guerra contra o Iraque teria sempre o apoio do primeiro-ministro britânico, ao tempo Tony Blair. “O Reino Unido seguirá a nossa liderança”, escreveu Powell, garantindo assim a Bush que poderia começar a preparar a guerra ao receber Blair no seu rancho de Crowford, o que aconteceu em finais desse mesmo mês de Março.

Esta informação, que corre agora tranquilamente pelas agências noticiosas internacionais, tem o conteúdo de uma bomba, mas não é como uma bomba que explode aos ouvidos e olhos dos cidadãos mundiais, duvida-se até que chegue ao conhecimento da maioria deles.

domingo, 18 de outubro de 2015

Os "filhos da puta"* do exercito de Israel continuam a matar impunemente! O holocausto do povo palestino continua ........

Cães**hidrófobos sionistas e sua sanha assassina!
Mafarrico Vermelho



Nesta terça, 13/10, um adolescente palestino de 15 anos identificado como Khaled Hassan Manasra foi gravemente ferido por tiros da polícia israelense . Essas imagens mostram o jovem ferido e ensanguentado no chão, sendo insultado com impropérios racistas por uma multidão de judeus. O fato aconteceu em Jerusalém oriental , durante assedio das forças de ocupação. A imprensa palestina informa que o jovem de 15 anos não resistiu e morreu. Seu primo Ahmad Saleh Manasra foi gravemente ferido.

sábado, 17 de outubro de 2015

O império do caos e o mentiroso Obama

O império do caos e o mentiroso Obama
por Valter Xéu*

"É comum os EUA alardearem que bombardearam posições do EI, quando na verdade estão usando seus aviões para enviarem mais armas e suprimentos para este grupo e contam, para tanto, com a cumplicidade da imprensa-empresa, grande parte dela dominada por grupos judaicos.

Aviões da força aérea iraquiana que ousam bombardear as posições do Exercito Islâmico, são abatidos por caças dos Estados Unidos."

"Quem acredita que Israel não esta por trás do Estado Islâmico, é só ver, que durante todo esse tempo, nunca dispararam um tirinho sequer contra as forças israelenses, coisa muito difícil em se tratando de um grupo que se diz islâmico."

Já estamos quase no final do ano de 2015 e o titulo de campeão absoluto de maior mentiroso do planeta cairia muito bem ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Obama já vem mentindo descaradamente desde o seu primeiro mandato presidencial e nesta segunda-feira na ONU, com certeza atingiu o seu ápice de maior mentiroso do planeta quando afirmou que os problemas da Síria tem um único culpado que é o presidente sírio Bashar Al Assad.

Leninismo e revisionismo nas questões fundamentais da teoria e prática

Leninismo e revisionismo nas questões fundamentais da teoria e prática 
(A ditadura do proletariado, a sua forma de organização e essência econômica)

por V.A. Tiúlkine M.V. Popov 



«Não há meio-termo. Só sonham em vão com o meio-termo os fidalgotes, os intelectuaizinhos, os senhoritos que estudaram mal em maus livros. Em nenhuma parte do mundo existe meio-termo nem pode existir. Ou a ditadura  da burguesia (encoberta com pomposas frases dos socialistas-revolucionários e dos mencheviques sobre o poder do povo, a Constituinte, as liberdades, etc.), ou a ditadura do proletariado. Aquele que não tiver compreendido isto da história de todo o século XIX é irremediavelmente um idiota». V.I. Lenine
O papel dos intelectuais revisionistas na onda parlamentarista atualA generalização do discurso reformista, especialmente entre os intelectuais ditos marxistas e de esquerda, tem muito a ver com a incapacidade de ver a centralidade das classes nos processos políticos. Como é o caso da incapacidade de ver que o carácter pequeno-burguês das chamadas frentes populares hegemonizadas por partidos sociais-democratas (particularmente depois da segunda guerra mundial) determinou os fiascos de diversas tentativas de as ressuscitar depois de elas esgotarem o seu prazo de validade combatendo o nazismo, especificamente na Europa. Falo da via pacífica chilena por exemplo. A generalidade dos intelectuais desta vaga reformista (e pseudo-comunista revisionista) actual escondem a sua incapacidade de seguir e subordinar-se à luta da classe operária – que é a única classe que pode liderar a revolução proletária – através dos frentismos, que servem para mascarar a conciliação de classes. Em teoria as teses gramscianas, dimitrovistas e outras adaptadas ao reformismo moderno colocam operários e pequeno-burgueses como pares na direcção do movimento de massas (o que já de si é anti-marxista e anti-leninista) mas na prática dão sempre a liderança à pequeno-burguesia ao deslocar o centro da luta das empresas (dos meios de produção) para os parlamentos (os meios de gestão burguesa).Fonte: Pelo Anti-Imperialismo

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Jihadistas imperiais

Jihadistas imperiais
por Jorge Cadima

"A arrogância imperialista não tem limites. Ashton Carter confessou (Washington Post, 20.10.02) que, enquanto vice-ministro da Defesa de Clinton, passou «boa parte do primeiro semestre de 1994» a preparar um ataque militar a uma central nuclear norte-coreana. E Brzezinski é pai político do jihadismo global, como confessou na sua entrevista ao Nouvel Observateur (15.1.98) quando, ufano, se vangloriou: «Segundo a versão oficial da história [!], a ajuda da CIA aos mujahedines começou em 1980, ou seja, após o exército soviético ter invadido o Afeganistão em 24 de Dezembro de 1979. Mas a verdade, mantida secreta até hoje, é bem diferente: foi na realidade a 3 de Julho de 1979 que o presidente Carter assinou a primeira directiva sobre a ajuda clandestina aos opositores do regime pró-soviético de Kabul». "

O perigo dum conflito catastrófico é hoje bem real. Atente-se nas declarações de alguns dos principais responsáveis da política externa da maior potência imperialista. Zbigniew Brzezinski, ex-Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA publicou no Financial Times (4.10.15) um artigo que começa assim: «Todos sabemos como começou a primeira guerra mundial. […] Há ainda tempo para evitar uma dolorosa repetição, eclodindo desta vez no Médio Oriente e mais especificamente na Síria». Porquê esta referência a um conflito entre as duas maiores potências nucleares do planeta? Escreve Brzezinski: «Moscovo escolheu intervir militarmente [na Síria], mas sem cooperação política ou táctica com os EUA – a principal potência externa empenhada em esforços directos, se bem que não muito eficazes, para derrubar [o presidente sírio] Assad. 

Ao fazê-lo, lançou alegadamente uma série de ataques contra elementos sírios que são patrocinados, treinados e equipados pelos americanos, provocando prejuízos e causando baixas». Brzezinski confessa numa única frase que os EUA são a principal potência por detrás da guerra na Síria (e da vaga de refugiados que provocou); que estão a patrocinar, treinar e armar jihadistas; e que são os EUA, e não o governo sírio, quem deve mandar naquele país. Adianta Brzezinski: «Os EUA têm apenas uma opção, se desejam proteger os seus interesses mais amplos na região: exigir a Moscovo que pare e desista de acções militares que afectam directamente os agentes [“assets”] americanos. [...] qualquer repetição do que acaba de se passar deve levar a uma rápida retaliação pelos EUA». 

Em curtas palavras: não se atrevam a tocar nos nossos jihadistas, nem a interferir nas nossas operações de agressão e mudança de regime. Seguindo as pegadas de Al Capone, adverte: «A presença naval e aérea russa na Síria é vulnerável, está isolada geograficamente do seu país. Pode ser “desarmada” se insistirem em provocar os EUA». A ameaça foi repetida pelo ministro da Defesa dos EUA (país que também está a bombardear a Síria, mas – ao contrário dos russos – à revelia do governo sírio). Ashton Carter, falando em conferência de imprensa após a reunião de NATO em Bruxelas (8.10.15), disse: «[os russos] dispararam mísseis cruzeiro dum navio no Mar Cáspio sem aviso prévio. Aproximaram-se a poucos quilômetros [!] dum dos nossos aviões não tripulados. Iniciaram uma ofensiva conjunta terrestre com o regime sírio, estilhaçando a fachada de que estariam lá para combater o ISIS [?!?]. Isto terá consequências para a própria Rússia, que receia justamente um ataque contra a Rússia. E também espero que nos próximos dias os russos comecem a sofrer baixas na Síria». Para bom entendedor...

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ser e não ser: eis a questão dialética!

Ser e não ser: eis a questão dialética!
por Daniel Henrique

"O próprio capitalismo não foge à regra, vejamos, dentre as várias contradições nas quais o capitalismo encontra ele têm no socialismo sua contradição antagônica, mas antes mesmo de destinar – se ao enfrentamento dialético contra o socialismo, o capitalismo já se contrapunha ao feudalismo, assim como o feudalismo se contrapunha ao modelo social anterior e assim sucessivamente. É perceptível dentro do próprio capitalismo essas contradições, representadas pela luta de classes que ao subdividirem se, tomam para e entre si relações de contradição/contraposição."

Através dos tempos, o ser humano buscou das mais diversas maneiras entender o mundo que o cerca impondo certos mecanismos para isso. Um deles é a lógica, que nada mais é que a forma pela qual o homem busca validar determinados modos de raciocínios, que por sua vez, buscam explicar de forma material o mundo real, a realidade em si com tudo que a mesma engloba, desde o objetivo ao subjetivo.

E ao explicar a Lógica, chegamos a abordar o cerne do presente texto que procura validar a dialética como uma lógica dinâmica, a qual não procura negar a lógica formal aristotélica, mas fugir da binaridade: Verdade absoluta ou Verdade relativa, colocando um patamar transitório entre as duas.

O pensamento dialético, não busca imputar à lógica aristotélica uma “falsidade” epistemológica, e sim apontar o caráter unilateral da mesma, que cristaliza o ser ao não enxergar as relações que o mesmo tem consigo e com o que o cerca. O método dialético supera essa insuficiência quando entende o ser como um processo, como puro movimento, realizando esta façanha sem cair no relativismo de uma suposta negação da lógica formal, negação esta que não existe.

O cerne da ontologia dialética é a compreensão de que tudo é dotado de contrários e contradições, tanto internamente, quanto em relação as diversas e infindas partes da realidade, chegando a uma máxima que pode ser exprimida pela frase: A possibilidade de algo ser lógico implica necessariamente no devir contraditório de tal objeto. Logo entende se a priori que a dialética trata do movimento da matéria, da sua constante mudança, da inerente condição ser/ não ser de todas as coisas. Mas mesmo o uso da lógica dialética, não ocorre necessariamente na negação da lógica formal aristotélica. 

Turquia, a nossa grande raiva

Turquia, a nossa grande raiva
por António Santos

"A volatilidade política da Turquia revela, como uma radiografia, as fracturas do esqueleto nacional. A vertigem repressiva de Erdogan é o reflexo duplo de um Estado capitalista incapaz de apaziguar os anseios do seu povo e de uma cada vez mais tensa relação de forças entre o imperialismo estado-unidense e as potências regionais. Trata-se de um quadro comum a toda a região que, no mosaico turco encontra características subjectivas únicas e significantes variações quantitativas: saído das eleições de Julho numa situação precária, Erdogan convocou novas eleições para dia 1 de Novembro compreendendo que as ambições do emergente capital turco exigem virar o Estado em direcção ao fascismo. "

De todos lugares do mundo para fazer explodir uma bomba, uma manifestação pela paz é, por ventura, o mais sórdido. Talvez por isso seja ainda tão difícil compreender o inenarrável manifesto de desumanidade que, este sábado, ceifou pelo menos 130 vidas em Ancara, na Turquia. Depois, atingiram-nos, perplexos, aquelas imagens brutais da polícia a bater nas famílias que choravam os mortos. Ligeira e sem mais perguntas, a comunicação social dominante tratou de abreviar conclusões: «o maior atentado terrorista da Turquia moderna teve a assinatura do Estado Islâmico», repetiram, «assunto encerrado. Já cá não mora o Charlie». Se, por acaso, se tivessem perguntado «quem beneficiou com este ataque», teriam sido obrigados a lembrar-se que, afinal, não foi este, mas outros, como o Massacre de Maraş, em 1978, o atentado mais mortífero da Turquia moderna. Nessa ocasião, foram precisos quase 30 anos para se apurar a autoria do governo, com a colaboração da CIA, na matança de quase 200 militantes de esquerda. Seja como for, há coisas que nunca compreenderemos, que não podem ser humanamente compreendidas. 

Talvez por isso, Adorno tenha escrito que depois de Auschwitz a poesia se tornara «impossível». Desviar o olhar é, contudo, o privilégio dos espectadores e Adorno podia até dar-se ao luxo de não ser prático, mas a poesia tem justamente o mérito de desvendar a essência dos cenários incompreensíveis. Sirvamo-nos pois, dos versos do poeta e comunista Turco, Nâzım Hikmet. (Hás-de saber morrer pelos homens/E além disso por homens que se calhar nunca viste/E além disso sem que ninguém te obrigue a fazê-lo/E além disso sabendo que a coisa mais real e bela é/Viver)

«Estado profundo»

Para entender o ataque de Ancara há que olhar para o massacre de Suruç que, em Julho passado, fez 33 mortos. Então, em véspera de eleições, o governo também culpou o Estado Islâmico, mas foi contra a oposição turca e curda que disparou, prendendo mais de 600 comunistas e sindicalistas e matando centenas de guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Para a comunicação social, tratou-se simplesmente de «operações anti-terroristas». (Ó luz dos meus olhos, luz dos meus olhos/os noticiários estão outra vez a mentir/para que o saldo dos exploradores feche com cem por cento de lucro./Mas quem voltou do banquete do Anjo da Morte/voltou com a sentença...)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Bombardeio de escolas, hospitais e mercados, isto tornou-se rotina da força aérea dos EUA

Bombardeio de escolas, hospitais e mercados, isto tornou-se rotina da força aérea dos EUA
por Paul Craig Roberts

"Também rotina é a aniquilação por Washington de festas de casamento, funerais e centros médicos com bombas e drones. Dois dias depois de Obama exprimir o seu desespero, frustração e raiva sobre o tiroteio em massa no Oregon, um ataque aéreo estado-unidense atingiu um hospital em Kunduz, Afeganistão. Segundo numerosas notícias, pelo menos 19 pessoas foram mortas, incluindo 12 membros dos Médicos Sem Fronteiras, e outros 37 feridos. O ataque aéreo dos EUA matou uma pessoa na mesa de operações e pacientes sob cuidados intensivos arderam até à morte nas suas camas."

"Na América, todas as formas de maldade e corrupção tornaram-se rotina. Bob Dylan disse-nos que o vício e a corrupção tornaram-se rotina : "As vidas do povo hoje são preenchidas a muitos níveis com o vício e os seus ornamentos. Ambição, cobiça e egoísmo têm de provocar o vício... Não vemos as pessoas que o vício destrói. Apenas vemos diariamente o encanto do vício – para todo o lado que olharmos, desde os cartazes publicitários aos filmes, aos jornais, às revistas. Vemos a destruição da vida humana e a zombaria da mesma, para todo o lado que olhamos"."

Hospital de Kunduz, no Afeganistão. No seu comentário sobre o tiroteio em massa na comunidade da faculdade de Oregon o presidente Obama disse: "Isto tornou-se rotina". 

Assim como o tiroteio da polícia sobre americanos desarmados e não oferecendo resistência.

Assim como numerosos outros não desejáveis e deploráveis acontecimentos, tais como o arresto dos lares de milhões de americanos, enquanto os "bancos demasiado grandes para falir" são salvos com triliões de dólares, tais como mentiras de política externa que destruíram sete países e trouxeram milhões de refugiados para os EUA e a Europa.

Além disso há as mentiras de política externa que provocaram o conflito dos EUA e da Europa com a Rússia e as mentiras económicas que protegeram a extraordinária concentração de rendimento e riqueza dos Um Porcento.

Também rotina é a aniquilação por Washington de festas de casamento, funerais e centros médicos com bombas e drones. Dois dias depois de Obama exprimir o seu desespero, frustração e raiva sobre o tiroteio em massa no Oregon, um ataque aéreo estado-unidense atingiu um hospital em Kunduz, Afeganistão. Segundo numerosas notícias, pelo menos 19 pessoas foram mortas, incluindo 12 membros dos Médicos Sem Fronteiras, e outros 37 feridos. O ataque aéreo dos EUA matou uma pessoa na mesa de operações e pacientes sob cuidados intensivos arderam até à morte nas suas camas.

Para Washington, estes assassinatos em massa são apenas "dano colateral", não garantindo uma declaração presidencial mostrando desespero, raiva e frustração.

Obama diz que nada pode fazer acerca de tiroteios em massa, mas ele certamente podia cancelar suas guerras ilegais e sanar sua abordagem precipitada e coerciva em relação à Rússia antes de sermos incinerados. Como disse Vladimir Putin na ONU: "Nós [a Rússia] não podemos mais tolerar o estado de coisas no mundo". 

Stephen Hawking descobre o buraco negro do capitalismo

Stephen Hawking descobre o buraco negro do capitalismo
por Sergio Domingues

"O buraco negro suga a medula de famílias (embora às vezes também sugue cidades inteiras como Detroit, Michigan ou Bakersfield, na Califórnia, e Camden, em New Jersey). Ele suga casas, e as regurgita cheias de dívidas podres. Com a ajuda da indústria médica, suga os doentes e os cospe de volta arruinados. Com a ajuda do extorsivo ensino superior, suga a esperança dos jovens, e os cospe de volta com diplomas e presos a uma dívida estudantil vertiginosa. Com a ajuda do complexo industrial-militar, o buraco negro suga praticamente tudo o que há pela frente, e regurgita cadáveres, inválidos, desastres ambientais, terroristas e a instabilidade mundial." (Sergio Domingues)

"Os desempregados, Ricardo Araújo Pereira, propõe, num texto magnífico, dar-lhes um tiro na cabeça. Discordo. Não será competitivo. Porque sem desempregados os que estão empregados perdem o medo e vão exigir um salário acima da reprodução biológica, cai a produtividade!" (Raquel Varela)

Ninguém melhor que Stephen Hawking para falar sobre inteligência artificial. É o que ele fez em um programa de perguntas e respostas chamado “Pergunte-me qualquer coisa” do site Reddit. Segundo suas palavras:

Todos podem desfrutar de uma vida de luxo e lazer se a riqueza produzida pelas máquinas for compartilhada, ou a maioria das pessoas pode acabar miseravelmente pobre se os proprietários das máquinas conseguirem fazer lobby contra a distribuição da riqueza. Até agora, a tendência parece acompanhar a segunda opção, com a tecnologia aumentando cada vez mais a desigualdade.

Hawking é especialista em buracos negros. Mas parece estar começando a descobrir uma nova versão desses fenômenos estelares. A mesma que o engenheiro e escritor Dmitry Orlov descreveu em artigo publicado na Carta Maior, em 02/09, referindo-se à atual crise econômica:

O buraco negro suga a medula de famílias (embora às vezes também sugue cidades inteiras como Detroit, Michigan ou Bakersfield, na Califórnia, e Camden, em New Jersey). Ele suga casas, e as regurgita cheias de dívidas podres. Com a ajuda da indústria médica, suga os doentes e os cospe de volta arruinados. Com a ajuda do extorsivo ensino superior, suga a esperança dos jovens, e os cospe de volta com diplomas e presos a uma dívida estudantil vertiginosa. Com a ajuda do complexo industrial-militar, o buraco negro suga praticamente tudo o que há pela frente, e regurgita cadáveres, inválidos, desastres ambientais, terroristas e a instabilidade mundial.

Tal como seu equivalente cósmico, o buraco negro capitalista continua a devorar luz e a defecar trevas.


Sergio Domingues




por Raquel Varela



Há mais de 200 anos Jonathan Swift fez uma proposta para resolver a fome na Irlanda: comer as crianças.

Em primeiro lugar os filhos dos mendigos e, logo de seguida, os filhos dos pobres, o que teria múltiplas vantagens, entre elas o facto de as mulheres grávidas deixarem de levar pancada – hábito então – porque carregavam no ventre algo que tinha saída no mercado, e não mais um pedinte a gritar com fome.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Lênin: "Os Destinos Históricos da Doutrina de Marx"

Lênin: "Os Destinos Históricos da Doutrina de Marx"
Do Pravda, n. 50 (254), 1.° de março de 1913


"Na dialética da história, a vitoria do marxismo no domínio da teoria obriga aos seus inimigos a se disfarçarem em marxistas. O liberalismo, podre em seu interior, tenta reviver sob a forma do oportunismo socialista. Passa a interpretar o período da preparação para as grandes batalhas, no sentido da renúncia a estas batalhas. Interpreta o melhoramento da condição dos escravos, em relação à luta contra a escravidão assalariada, como se os escravos vendessem por cinco vinténs os seus direitos à liberdade. Prega-se covardemente a “paz social” (isto é, a paz com a escravidão), a renuncia à luta de classe e assim por diante. Os oportunistas tiveram muitos partidários entre os parlamentares socialistas, os diversos funcionários do movimento operário e os intelectuais “simpatizantes”."


O essencial na doutrina de Marx é a descoberta do papel histórico mundial do proletariado como edificador da sociedade socialista. Foi confirmada esta doutrina, pelo curso dos acontecimentos no mundo inteiro, desde que Marx a definiu?

Foi em 1844, que Marx a formulou pela primeira vez. O Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, publicado em 1848, já apresenta uma exposição completa e sistemática dessa doutrina, considerada a melhor exposição até os nossos dias.

A história universal, desde a publicação do Manifesto, pode ser dividida em três períodos principais:

da revolução de 1848 à Comuna de Paris (1871);
da Comuna de Paris à revolução russa (1905);
da revolução russa até os dias de hoje.

Lancemos uma vista d'olhos sobre os destinos históricos da doutrina de Marx em cada um desses períodos.

I

No começo do primeiro período, doutrina de Marx esteve longe de ser a dominante. Não era senão uma das numerosas tendencias, uma das correntes do socialismo. Estavam em voga, então, as formas de socialismo que, no fundo, se aparentavam com nosso movimento populista: incompreensão da base materialista do movimento histórico, incapacidade de distinguir o papel e a importância de cada uma das classes na sociedade capitalista, com a ajuda de muitas frases, ditas socialistas, como “o povo”, “a justiça”, “o direito”, etc., do sentido burguês das reformas democráticas, em geral.

A revolução de 1848 fere de morte todas estas formas coloridas, ruidosas e turbulentas do socialismo anterior a Marx.

Em todos os países, a revolução põe em ação as diferentes classes da sociedade. O massacre dos operários parisienses, pela burguesia republicana, nas jornadas de junho de 1848, atesta para todo o sempre que só o proletariado pode ser socialista. A burguesia liberal teme, cem vezes mais que a pior reação, a ação independente desta classe. O liberalismo poltrão avilta-se frente à reação Os camponeses contentam-se com a abolição dos vestígios do feudalismo e passam para o lado da ordem, hesitando apenas raramente entre a democracia operaria e o liberalismo burguês. Todas as doutrinas referentes a um socialismo e a uma política extraclasse se evidenciam como puras patacoadas. A Comuna de Paris (1871) completa este desenvolvimento das reformas burguesas; a República, isto é, a forma do Estado em que as relações de classes se manifestam do modo o menos dissimulado, só se firmou graças ao heroísmo do proletariado. Em todos os demais países da Europa, uma evolução mais confusa, incompleta, conduz, também, à mesma sociedade burguesa.

Agências classificadoras de risco: a fraude da dívida norte-americana

Agências classificadoras de risco: a fraude da dívida norte-americana
por Alejandro Acosta


"Essas argumentações revelam o caráter especulativo dessas agências. Nenhum governo pode imprimir infinitamente moeda, mesmo que o dólar tenha sido transformado em moeda mundial, devido principalmente ao domínio militar e aos “petrodólares” (o dólar é usado como moeda corrente para o grosso das transações com petróleo). O resultado será, inevitavelmente, a inflação, que, na evolução, tende a transformar-se em hiperinflação e está na base da desestabilização social.

Conforme a crise capitalista tem se aprofundado, grandes volumes de capitais especulativos têm migrado para o “porto seguro” dos títulos do governo norte-americano."
As agências de risco classificam a economia dos Estados Unidos com a nota máxima, AAA, apesar de encontrar-se próxima a um colapso de enormes proporções.

As dívidas pública e interna dos Estados Unidos somadas atingem mais de US$ 60 trilhões, que correspondem a mais de 400% da produção anual, que já é muito parasitária. O setor financeiro detém em torno de US$ 400 trilhões em papéis relacionados a derivativos financeiros. O crescimento econômico se encontra quase estagnado. Mais da metade da economia gira em torno ao complexo industrial militar. O parque industrial foi transferido para países onde a mão de obra é quase de graça. O principal produto das exportações é o papel moeda dólar, sem lastro produtivo, uma moeda semi fantasma.

A inflação continua subindo; de acordo com as estatísticas oficiais seria inferior aos 3%, mas apenas aplicando os próprios critérios anteriores à Administração de Ronald Reagan sobe para os 12%. O desemprego supostamente teria sido reduzido para quase 5% da mão de obra, algo assim como pouco mais de oito milhões de trabalhadores desempregados. Na realidade, considerando os empregos parciais, os trabalhadores que tentam achar um emprego há vários meses (que não são contabilizados), os novos trabalhadores (que também não são contabilizados), e outras falsificações similares, o número supera facilmente os 20%. As pessoas que dependem dos programas públicos e não têm nenhum outro tipo de renda ultrapassaram os 60 milhões, e quase 50 milhões de pessoas comem porque recebem vale-alimentação do governo.

Como explicar que uma economia em alto grau de crise seja qualificada pelas agências de risco com a nota máxima? A resposta:

A "maquininha" de imprimir dólares a todo o vapor

Segundo os critérios das agências qualificadoras de risco, o grau de classificação representa um indicador sobre a capacidade de um país para pagar as dívidas. Quando um país declara uma suspensão de pagamentos é porque não pode obter as divisas necessárias para cobrir o serviço de sua dívida.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Marx: "Propriedade Privada e Comunismo"

Marx: "Propriedade Privada e Comunismo"
terceiro manuscrito de Karl Marx da obra Manuscritos Economico-Filosóficos


"Como, no entanto, para o socialista, o conjunto do que se chama história mundial nada mais é que a criação do homem pelo trabalho humano, e a emergência da natureza para o homem, ele, portanto, tem a prova evidente e irrefutável de sua autocriação, de suas próprias origens. Uma vez que a essência do homem e da natureza, o homem como um ser natural e a natureza como uma realidade humana, se tenha tornado evidente na vida prática, na experiência sensorial, a busca de um ser estranho, um ser acima do homem e da natureza (busca essa que é uma confissão da irrealidade do homem e da natureza) torna-se praticamente impossível. O ateísmo, como negação desse irrealismo, não mais faz sentido, pois ele é uma negação de Deus e procura afirmar, por essa negação, a existência do homem. O socialismo dispensa esse método assim tão circundante; ele parte da percepção teórica e prática sensorial do homem e da natureza como seres essenciais. É autoconsciência positiva humana, não mais uma autoconsciência alcançada graças à negação da religião; exatamente como a vida real do homem é positiva e não mais alcançada graças à negação da propriedade privada, por meio do comunismo. O comunismo é a fase de negação da negação e é, por conseguinte, para a próxima etapa da evolução histórica, um fator real e necessário na emancipação e reabilitação do homem. O comunismo é a forma necessária e o princípio dinâmico do futuro imediato, mas o comunismo não é em si mesmo a meta da evolução humana - a forma da sociedade humana."
ad página XXXIX. Todavia, a antítese entre a não-posse de propriedade (*) e propriedade ainda é uma antítese indeterminada, não concebida em sua referência ativa às relações intrínsecas, não concebidas ainda como uma contradição, desde que não é compreendida como uma antítese entre trabalho e capital. Mesmo sem a expansão evoluída da propriedade privada, p. ex., na Roma antiga, na Turquia, etc., esta antítese pode ser expressa em uma forma primitiva. Nesta forma, ela não aparece ainda como estabelecida pela própria propriedade privada. O trabalho, porém, a essência subjetiva da propriedade privada como exclusão de propriedade, e o capital, trabalho objetivo como exclusão de trabalho, constituem propriedade privada como a relação ampliada da contradição e, pois, uma relação dinâmica que tende a resolver-se.

ad ibidem. A substituição do auto-alheamento segue a mesma marcha do auto-alheamento. A propriedade privada é primeiro considerada somente em seu aspecto objetivo, mas considerado o trabalho como sua essência. Sua maneira de existir, portanto, é o capital, que é necessário abolir, "como tal". (Proudhon.) Ou, então, a forma específica de trabalho (trabalho que é levado a um nível comum, subdividido e, por isso, não-livre) é visto como a fonte da nocividade da propriedade privada e de sua alienação em relação ao homem. Fourier, de acordo com os Fisiocratas, encara o trabalho agrícola como sendo, no mínimo, o tipo exemplar de trabalho. Saint-Simon assevera, pelo contrário, ser o trabalho industrial, como tal, a essência do trabalho, e em conseqüência pleiteia o papel exclusivo dos industriais e um melhoramento da situação dos operários. 

Viagem ao Brasil

Viagem ao Brasil
por Jorge Figueiredo

"A social-democracia retardatária implantada com o lulismo é um mostruário perfeito dos malefícios do neoliberalismo. O lulismo não tinha e não tem uma estratégia de desenvolvimento e, muito menos, qualquer veleidade de transcender o modo de produção capitalista. Limitou-se a aproveitar o boom das commodities, provocando a reprimarização da economia brasileira e afunilando-a na exportação de produtos de pouco valor acrescentado (minérios em bruto, soja, etc) a fim de obter receitas. Enquanto durou o boom, essas receitas serviram em parte para modestas políticas assistencialistas (programas Fome Zero, Minha Casa-Minha Vida, etc). Mas pouco serviram para incrementar o desenvolvimento real do país. Hoje a indústria brasileira tende à obsolescência e a Reforma Agrária (outrora bandeira do lulismo) há muito que foi posta entre parênteses. Isto se reflecte em tudo. Na educação por exemplo: para exportar produtos primários não é preciso ciência nem gente muito instruída. Assim, todos os níveis do ensino público estão degradados devido ao sub-financiamento. O mesmo se passa na saúde e em outras áreas. "

Rever o Brasil depois de alguns anos de ausência provoca uma impressão dolorosa. O Brasil é hoje um país arruinado e agora em crise profunda – econômica, social e política. A queda da cotação do real é vertiginosa; falta água na Grande S. Paulo (39 municípios); no estado de S. Paulo está previsto o desaparecimento de 610 mil postos de trabalho até o fim do ano (Estadão, 17/Set/2015); a Petrobrás ameaça entrar em incumprimento ; os escândalos de corrupção (endêmicos) sucedem-se; as exportações de commodities mirram tanto em termos de preço como de quantidade; a reação – leia-se o capital financeiro – está na ofensiva. 

Apesar dos seus gigantescos recursos naturais, o país hoje encontra-se exangue e o seu povo passa privações. A social-democracia lulista malbaratou todas as oportunidades que teve. Hoje o PT é um dos partidos mais odiados do Brasil e a presidente Dilma é refém das forças reacionárias que o lulismo tanto acarinhou. Ela acaba de comprar, ao preço de sete ministérios, o apoio do PMDB no Congresso. 

Putin coloca Washington em xeque

Putin coloca Washington em xeque
por Paul Craig Roberts

"Putin sublinha a legalidade da intervenção da Rússia na Síria, feita a pedido do governo sírio. Põe em contraste o respeito da Rússia pelo direito internacional com a intervenção da Washington e da França na Síria, governos que violam a soberania síria com uma intervenção militar não solicitada e ilegal.

O mundo constata que são Washington e os seus vassalos, e não a Rússia, quem “viola normas internacionais”."

«Não podemos mais tolerar o estado das coisas no mundo» Presidente Vladimir Putin”

Na última quarta-feira (28.Set.2015) o mundo constatou a diferença entre a Rússia e Washington. A abordagem de Putin baseia-se na verdade; a de Obama consiste em inúteis bravatas e mentiras, e as mentiras de Obama estão em vias de se esgotar.

Pelo facto de dizer a verdade num tempo em que enganar é universal, Putin realizou um acto revolucionário. Referindo-se à mortandade, destruição e caos que Washington trouxe ao Médio Oriente, Norte de África e Ucrânia, e às forças jihadistas extremistas que desencadeou, Putin perguntou a Washington: «Têm consciência do que fizeram?».

A pergunta de Putin recorda-me a que Joseph Welch colocou ao caçador de bruxas Senador Joseph McCarthy: «O senhor não tem qualquer sentido do que é decente?». 

domingo, 11 de outubro de 2015

Síria e Médio Oriente

Síria e Médio Oriente
por Ângelo Alves

"A hipocrisia já não consegue esconder o que de facto pretendem os EUA e a NATO tal como não consegue esconder o seu papel na desestabilização da Síria. Tal facto é bem demonstrado pelas «acusações» veiculadas nos media ocidentais de que a Federação Russa estará a «bombardear facções que actuam sob o "chapéu" do Exército Livre da Síria, apoiado pelo Ocidente, incluindo combatentes treinados pela CIA». Uma «acusação» que é a mais brilhante confissão daquilo que há muito dizemos, ou seja, de que o conflito sírio foi decidido, criado e alimentado pelo imperialismo norte-americano e seus aliados e que as organizações de mercenários e terroristas que espalham a destruição e o caos naquele país são financiadas, armadas e treinadas pelas potências da NATO, a Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia."

A situação internacional está cada vez mais complexa e perigosa e exige cada vez mais das forças que lutam contra a ofensiva imperialista, pelo progresso, a justiça social, a democracia, a soberania, a cooperação internacional e a paz. Mas simultaneamente os desenvolvimentos tornam mais visíveis as grandes contradições do capitalismo e o complexo processo de rearrumação de forças no plano internacional e retiram campo à propaganda imperialista que sempre acompanha os seus planos de domínio por via do militarismo, da redivisão de várias regiões, do intervencionismo e da guerra. 

A situação no Médio Oriente está a demonstrar exactamente isso. A Força Aérea russa está há vários dias a realizar raides visando alvos de organizações terroristas como o ISIS (auto denominado Estado Islâmico) e a Al Nusra (o ramo da Al Qaeda na Síria). Esta acção militar é realizada a pedido do governo sírio e coordenada com as forças armadas daquele país. Outros países da região, como o Irão e o próprio Iraque, apoiam esta acção militar, como afirmado pelo presidente sírio Bashar Al-Assad.

sábado, 10 de outubro de 2015

Obama acusa a Rússia de perseguir os “Terroristas Maneiros” dos EUA

Obama acusa a Rússia de perseguir os “Terroristas Maneiros” dos EUA
Por Prof. Michel Chossudovsky

"Conquanto a narrativa midiática reconheça que a Rússia tenha aprovado a campanha de contra-terrorismo, na prática a Rússia está (indiretamente) combatendo a coalizão EUA-OTAN de quando apoiando o governo sírio na luta contra os terroristas, que se apresentam na realidade como os soldados rasos da aliança militar ocidental. O que na prática a Rússia está combatendo são terroristas apoiados pelos Estados Unidos."

Amplamente documentado mas raramente mencionado em reportagens e notícias é o fato do Estado Islâmico ser uma criação dos serviços de inteligência dos EUA com seus membros tendo sido recrutados, treinados e financiados pelos Estados Unidos e seus aliados o que aqui incluiria a Inglaterra, França, Arábia Saudita, Qatar, Turquia e Jordânia.

Até recentemente o Estado Islâmico tinha sido conhecido como Al-Qaeda no Iraque (AQI). Em 2014 essa veio a ser denominada como Estado Islâmico (Estado Islâmico do Iraque e Síria, Estado Islâmico do Iraque e do Levante).

A Rússia está agora envolvida na Guerra Contra o Terrorismo

Uma grande virada na dinâmica da guerra Síria-Iraque está se desenrolando agora porque a Rússia está ficando diretamente envolvida na campanha do contra-terrorismo em coordenação com os governos da Síria e do Iraque.

Mesmo que Washington tenha reconhecido essa resolução de Moscou ele se põe agora a reclamar que os russos estão perseguindo os “terroristas maneiros” e bem comportados, apoiados por Washington.