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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Mobilizações tomam as ruas do Brasil no primeiro dia da Copa do Mundo

Cartoon de Latuff.Mobilizações tomam as ruas do Brasil no primeiro dia da Copa do Mundo
– Calendário das manifestações

por Marcela Belchior [*]

A abertura da Copa Mundial FIFA 2014, que começa nesta quinta-feira, 12 de junho, no Brasil, será marcada por atos públicos em várias partes do país. A expectativa é de que haja mobilização em quase todas as 12 cidades-sede, algumas delas com maior articulação. A pretensão é estar presente nas FIFA Fan Fests, arenas de festas oficial do megaevento para transmissão de partidas e shows, e principais pontos das cidades.

A ideia é levar o debate sobre a série de violações da organização do evento à população e aos visitantes que chegam nesse momento ao país para acompanhar o Mundial. Estão previstos: distribuição de panfletos, passeatas, oficinas de cartazes, dentre outras ações.

Os manifestantes adiantam que deverão fazer atos pacíficos e garantem que a transgressão às regras da Federação Internacional de Futebol (FIFA) será palavra de ordem. "Vamos dialogar com a população e fazer um ato pacífico, lúdico, com muita alegria, animação e orgulho por estarmos mudando o país, mas sem abrir mão de desobedecer as regras da FIFA, pois não são regras para o povo!”, garante o Comitê Popular da Copa da cidade de Brasília, capital do país.

"Não somos contra o futebol, mas denunciamos os absurdos que a FIFA impõe e dos quais o Estado é cúmplice”, destaca o Comitê Popular da Copa de Fortaleza, Estado do Ceará, que promoverá manifestação no dia da abertura dos jogos durante a Fan Fest, na Av. Beira Mar, a partir das 15h. No sábado, 14, será a vez da mobilização se concentrar nas imediações do estádio Castelão, onde haverá jogo da seleção brasileira. "É muito importante que seja socializado que a gente não tem nenhum problema com os jogos; este, na verdade, é o momento menos contraditório de todos”, explica Roger Pires, membro do Comitê, em entrevista à Adital.

No Rio de Janeiro, cidade do encerramento dos jogos e uma das mais visadas do país, o ato "Nossa Copa é na rua” deverá se concentrar a partir das 10h, na Candelária, com saída ao meio-dia em direção à Lapa. Será o primeiro de quatro atos programados para serem realizados na cidade. Em Cuiabá, Estado do Mato Grosso, haverá panfletagem e diálogo com a população da Fan Fest, com concentração a partir das 16h na Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). No dia seguinte, 13, haverá o ato público "Você foi escalado para manifestar! Copa pra quê(m)?”, com concentração no estádio Dutrinha, a partir das 10h.

"Chamamos a juventude a construir essa jornada assim como construímos as Jornadas de junho do ano passado: com independência política, combatividade, democracia, ação direta e internacionalismo. É de baixo para cima que vêm nossas decisões. Assim, vamos deixando para trás toda a poeira da velha burocracia, assim como fizeram os garis”, convida o Comitê dos Atingidos pela Copa de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais.

As FARC-EP vencerão

50 Anos de luta revolucionária pelo socialismo
por Pavel Blanco Cabrera*



"As FARC-EP têm a sua origem na realidade colombiana, nas contradições sócio-classistas que a exploração engendrará, a concentração da riqueza e da terra na minoria burguesa, que para manter os seus privilégios recorre à violência aberta, ao terrorismo de estado contra o povo, ao dia a dia do crime político, à posição definitiva da oligarquia para exercer o domínio. O assassinato de Gaitán e o Bogotazo, a violência da classe dominante originaram as guerrilhas liberais, que politicamente mostravam os seus limites, e levaram Manuel Marulanda e os seus compatriotas a ligar-se ao Partido Comunista Colombiano, a assumir a ideologia marxista-leninista e a fazer um trabalho de organização política e militar sempre vinculado aos camponeses, aos trabalhadores, ao conjunto do povo trabalhador."


Cumprem-se 50 anos de luta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo, de pleno compromisso com a causa da Revolução e com os explorados e oprimidos da Colômbia, da América e do Mundo.

Não há força política semelhante que tenha enfrentado o que a insurreição fariana enfrentou, como sejam as mudanças de época, a alteração da correlação de forças internacional, e a confrontação não só com a oligarquia colombiana, mas também directamente com o imperialismo e com todo o seu aparelho bélico e comunicacional, assim como com a incompreensão de algumas forças da esquerda.

Em 1964, seis anos após a entrada vitoriosa do Movimento 28 de Julho em Havana, o Continente encontrava-se em ebulição porque a táctica de guerra de guerrilhas atraía milhares ao combate revolucionário e com optimismo vislumbrava-se a possibilidade de mudanças profundas e radicais em todos os países da Nossa América. No entanto as FARC-EP, embora contemporâneas de tal onda tinham outra origem, outra táctica e outra composição social, que determina que prossigam na luta e na forma de luta abandonada por outros que, embora no seu tempo a tivessem absolutizado, se unem agora sem decoro às novas políticas.

As FARC-EP têm a sua origem na realidade colombiana, nas contradições sócio-classistas que a exploração engendrará, a concentração da riqueza e da terra na minoria burguesa, que para manter os seus privilégios recorre à violência aberta, ao terrorismo de estado contra o povo, ao dia a dia do crime político, à posição definitiva da oligarquia para exercer o domínio. O assassinato de Gaitán e o Bogotazo, a violência da classe dominante originaram as guerrilhas liberais, que politicamente mostravam os seus limites, e levaram Manuel Marulanda e os seus compatriotas a ligar-se ao Partido Comunista Colombiano, a assumir a ideologia marxista-leninista e a fazer um trabalho de organização política e militar sempre vinculado aos camponeses, aos trabalhadores, ao conjunto do povo trabalhador.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

10 factos chocantes sobre os EUA

Armas e caixões, especialidade dos EUA oferecida aos povos do Mundo.
10 factos chocantes sobre os EUA
António Santos

"Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada 10 americanos, há nove armas de fogo. Não é de espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com o resto do mundo: no resto do planeta há uma arma para cada 10 pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada 10. Nos EUA podemos encontrar 5% de toda a humanidade e 30% de todas as armas, qualquer coisa como 275 milhões."



1. Os Estados Unidos têm a maior população prisional do mundo, compondo menos de 5% da humanidade e mais de 25% da humanidade presa. Em cada 100 americanos um está preso. A subir em flecha desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controlo social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra, uma nova categoria de milionários consolida o seu poder político

Os donos destes cárceres são também donos dos escravos que trabalham em fábricas dentro da prisão por salários inferiores a 50 cêntimos por hora. Uma mão-de-obra tão competitiva que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente das suas prisões camarárias e graças a leis que vulgarizam sentenças até 15 anos de prisão por crimes como roubar pastilha elástica. Os alvos destas leis são invariavelmente os mais pobres, mas sobretudo os negros, que representando apenas 13% da população americana, compõem 40% da população prisional do país.

2.  22% das crianças americanas vivem abaixo do limiar da pobreza. Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças americanas vivam sem «segurança alimentar», ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. .As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não frequentam a universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos

3. Entre 1890 e 2014 os EUA invadiram ou bombardearam 151 países. São mais os países do mundo em que os EUA já intervieram militarmente do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelas guerras imperiais dos EUA só no século XX. E por detrás desta lista escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de estado e patrocínios a ditadores e grupos terroristas.

Segundo Obama, laureado do Nobel da Paz, os EUA têm neste momento mais de 70 operações militares secretas a decorrer em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar de qualquer país do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, batendo de longe George W. Bush.

4. Os EUA são o único país da OCDE sem direito a qualquer tipo de subsídio de maternidade. Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos pela empresa, é prática corrente que as mulheres americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes nem depois de dar à luz. 

Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo contemplam entre 12 e 50 semanas pagas em licença de maternidade. Os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia com zero semanas.

As 50 grandes corporações que controlam o mundo

As 50 grandes corporações que controlam o mundo
por El País


"Um artigo do insuspeito El País com interessantes dados sobre o processo como, no quadro da crise sistêmica do capitalismo em curso, as megaempresas lutam pelo domínio de sectores estratégicos e aceleram o mercado de fusões e aquisições. Ou seja, de como a crise dá lugar a um processo de ainda maior centralização e concentração do capital, de crescimento do poder global do capitalismo monopolista de Estado."


A maior crise financeira desde o crack de 1929 sacudiu fortemente o mundo empresarial nos últimos anos. Entretanto, as grandes companhias mundiais conseguiram superar a tormenta e até saíram fortalecidas. Em alguns casos, como sucede com as tecnológicas Apple e Google, estes anos de crise coincidiram com a sua expansão e agora encontram-se em situação privilegiada para empreender operações corporativas. Em finais de 2007, a empresa da maçã contava com uma capitalização em Bolsa de 118.920 milhões de euros e não entrava no ranking das 20 maiores empresas. Hoje é a maior companhia do mundo com uns 370.000 milhões, mais do triplo de há sete anos, segundo dados de Bloomberg.

As companhias tecnológicas estado-unidenses ocupam os primeiros lugares da classificação das 50 maiores empresas do mundo. Apple tem uns 115.000 milhões de euros em caixa. Quer dizer, entesoura uma imensa liquidez para empreender futuras compras corporativas.

Google é a terceira empresa da classificação com uma capitalização em Bolsa de 259.761 milhões de euros. A companhia do famoso motor de busca desdobrou recentemente o seu capital num novo tipo de acções sem direito a voto. Isto permitir-lhe-á ampliar capital no futuro sem que os actuais donos, Sergey Brin e Larry Page, que detêm mais de 55% dos direitos de voto, percam peso. Um movimento com vista a possíveis novas aquisições.

A companhia tecnológica comprou em meados de Abril a empresa de fabricação de drones Titan Aerospace, seguindo assim os passos de outra das empresas da lista, Facebook (posto 39), que tinha comprado anteriormente a britânica fabricante de drones Ascenta. A companhia fundada por Mark Zuckeberg exibiu capacidade financeira e revolucionou o sector ao comprar Whatsapp por 13.800 milhões de euros.

Entre Apple e Google situa-se a petroleira Exxon Mobil, que tem uma capitalização de 318.100 milhões de euros. Seguem-nas Microsoft, Berkshire Hathaway (a empresa dirigida pelo magnate estado-unidense Warren Buffet) e a multinacional Johnson&Johnson, que ocupa o sexto lugar.

o discurso insano

o discurso insano
por Miguel Urbano Rodrigues

"A arrogante carta ao Presidente do TC exigindo uma aclaração do acórdão é um documento indecoroso que reflete bem o nível de degradação politica a que desceu a escória encastelada no poder.
Os discursos pronunciados na Assembleia da Republica pelos deputados do PSD e do CDS na tentativa de justificarem o encaminhamento dessa carta desafiadora são esclarecedores da incompatibilidade da ménagerie de Passos & Portas com princípios universais do direito constitucional. 
O gesto deveria ter suscitado o repúdio generalizado da comunicação social. Mas isso não aconteceu."


Portugal é bombardeado diariamente com o discurso do primeiro-ministro.

É um discurso inconfundível, diferente de qualquer fala conhecida.

Não encontro para o qualificar palavra que me satisfaça.

Hipócrita? Irracional? São insuficientes para expressar o estilo, o objetivo e o conteúdo das suas arengas pomposas. É um discurso insano, neofascista, que inverte a realidade e ofende a inteligência.

Nos últimos dias, incansável, Passos tem percorrido o país para glorificar a sua governança. A coluna vertebral dessas arengas é a apologia da obra realizada.

Sensibiliza-o a gratidão do povo. Não tem dúvidas sobre a aprovação pelos portugueses da política (vocábulo de que usa e abusa para o desvirtuar) que lhes impôs «sacrifícios». Sabe que exigiu muito deles, mas conforta-o a certeza de que aceitaram a dureza de leis e decretos concebidos para atender a «superiores interesses da nação».

Sente orgulho pelas sábias medidas da sua equipa ministerial que traduzem um conceito inédito mas humanista de solidariedade, mal interpretado por gentes que se recusam a compreender que a redução de salários seria afinal uma modalidade de solidariedade indireta.

Contempla-se já como um reformador revolucionário a cuja estratégia a História prestará um dia justiça.

Brasil: A luta dos trabalhadores triunfa sobre o espectáculo

A Oligarquia Brasileira
A luta dos trabalhadores triunfa sobre o espectáculo

por James Petras


"O "pragmatismo" do Partido dos Trabalhadores significou aceitar as estruturas políticas, administrativas e regulamentares herdadas dos regimes neoliberais anteriores. Estas instituições eram permeadas por responsáveis corruptos ligados a empreiteiros de construção notórios por derrapagens de custos e longos atrasos em contractos com o estado.  
Além disso, a "pragmática" máquinas eleitoral do Partido dos Trabalhadores foi construída sobre comissões debaixo da mesa e subornos. Somas vastas foram desviadas dos serviços públicos para bolsos privados.  
Inchado pela sua própria retórica, Lula acreditou que a emergência económica do Brasil na cena mundial era um "negócio feito". Ele proclamou que os seus faraônicos complexos desportivos – os milhares de milhões de dinheiro público gastos em dúzias de estádios e infraestrutura custosa – "pagar-se-iam por si mesmos". "


Durante décadas críticos sociais lamentaram a influência do desporto e de espectáculos de entretenimento que "distraíam" trabalhadores da luta pelos seus interesses de classe. Segundo aqueles analistas, a "consciência de classe" era substituída pela consciência de "massa". Argumentavam eles que indivíduos atomizados, manipulados pelos mass media, eram convertidos em consumidores passivos que se identificavam com heróis milionários do desporto, com protagonistas de novelas e celebridades do cinema. 

O culminar desta "mistificação" – a ilusão em massa – era oscampeonatos mundiais observados por milhares de milhões por todo o mundo, patrocinados e financiados por corporações bilionárias: as World Series (baseball), a Copa do Mundo (futebol) e a Super Bowl (futebol americano). 

Hoje, o Brasil está a viver a refutação desta linha de análise cultural-política. Os brasileiros têm sido descritos como "loucos por futebol". Suas equipes venceram o maior número de Copas Mundiais. Seus jogadores são cobiçados pelos proprietários das equipes mais importantes da Europa. Dizem que seus torcedores "vivem e morrem pelo futebol" ... Ou assim nos diziam. 

Mas foi no Brasil que os maiores protestos na história da Copa do Mundo tiveram lugar. Já um ano antes dos jogos, programados para Junho de 2014, houve manifestações em massa de até um milhão de brasileiros. Apenas nas últimas semanas, proliferaram greves de professores, polícia, trabalhadores da construção e empregados municipais. O mito dos espectáculos de mass media a hipnotizar as massas foi refutado – pelo menos no Brasil dos dias de hoje. 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Dia M

Soviéticos tomam Berlim.
Dia M
por Jorge Cadima

"Há um fio condutor ligando directamente o nazismo ao ascenso fascista na Ucrânia em 2014, e esse fio passa pelos EUA, como é também relatado num artigo na revista The Nation (28.3.14) com o título «Sete décadas de colaboração Nazi: o segredinho sujo ucraniano dos EUA». A presença do fantoche Porochenko na Normandia é elucidativa da farsa monumental que foi o Dia M. E também da cada vez mais descarada deriva fascizante das classes dominantes euro-atlânticas."

A comemoração dos 70 anos do Dia Do desembarque dirigido pelos EUA na Normandia em Junho de 1944 – foi um colossal embuste. Foi o Dia M – de Mentira. No seu discurso, Obama conseguiu a proeza de não fazer uma única referência ao papel da URSS na derrota do nazi-fascismo na II Guerra Mundial. Pelo contrário, afirmou que «no final desse dia mais longo […] a Muralha de Hitler foi quebrada […]. Foi aqui, nestas costas, que a maré virou na luta comum pela liberdade». A verdade histórica inapagável é que, muito antes de 6 de Junho de 1944, já se haviam dado as batalhas decisivas da II Guerra Mundial na Frente Leste, onde se concentravam mais de 75% das forças operacionais da Wehrmacht. Os nazis foram derrotados em Moscovo em Janeiro de 1942, em Estalinegrado em Fevereiro de 1943, em Kursk em Agosto de 1943. O cerco de Leninegrado foi quebrado em Janeiro de 1944. Foi o heroísmo e coragem do povo soviético e do seu Exército Vermelho que, antes do Dia D, «virou a maré» às hordas nazis.

Mas a mentira histórica vai mais longe. Logo no final da guerra, boa parte do aparelho de Estado dos EUA (com destaque para a futura CIA) se dedicou a reciclar o aparato nazi para a luta anti-comunista e anti-soviética. Caso exemplar, relatado em pormenor no livro do jornalista Christoper Simpson «Blowback: o recrutamento americano de Nazis e os seus efeitos na Guerra Fria», é o de Reinhard Gehlen, «o mais responsável funcionário de Hitler nos serviços secretos militares na Frente Leste». Gehlen entregou-se às tropas americanas em Maio de 1945, juntamente com toda a documentação dos serviços secretos que chefiava. Ao serviço dos EUA, reagrupou a rede de agentes nazis no Leste e relançou-os na guerra, nem sempre “fria”: «já em 1946 Gehlen tinha retomado o financiamento limitado do Exército Vlasov [de colaboracionistas russos] e do exército clandestino ucraniano OUN/UPA». Este último é o berço dos actuais partidos Svoboda e Sector Direita que desempenharam papel decisivo no golpe de Estado de Fevereiro na Ucrânia. Gehlen não foi apenas um mero agente de Hitler e do imperialismo dos EUA. Entre 1956 e 1968presidiu aos serviços secretos da República Federal da Alemanha, o BND, formados precisamente com base na «Organização Gehlen». Como lembra Simpson, a importância de Gehlen está directamente ligada aos seus crimes de guerra: «Gehlen obteve grande parte da sua informação através do seu papel numa das mais terríveis atrocidades da guerra: a tortura, interrogatório e assassinato pela fome de cerca de 4 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos».

Fascismo: Um perigo real a tomar a sério

Fascismo: Um perigo real a tomar a sério (*)
(*) Artigo preparado pelo camarada Domingos Abrantes para um jornal estrangeiro e que acabou por não ser publicado devido a inaceitáveis exigências de alteração.

"Os perigos de soluções antidemocráticas e fascistas não podem ser avaliados apenas, ou fundamentalmente, pelo número de organizações fascistas, sua influência e activismo, na medida em que estas organizações não passam da parte visível de um «icebergue» muito mais vasto, com extensões ao poder político e económico.
Os partidos de direita constituídos depois do 25 de Abril – Centro Democrático Social (CDS) e Partido Social Democrata (PSD) – absorveram grande número de elementos fascistas, reciclados de democratas. Ministros fascistas já integraram Governos do CDS, PSD e mesmo do Partido Socialista."

Em numerosos países e de forma particular nas cidadelas do capitalismo – Europa e América – multiplicam-se e ganham intensidade as organizações, manifestações e propaganda fascista e fascizante.

A influência e a impunidade de que gozam não param de crescer. Algumas destas organizações alcançaram percentagens eleitorais altamente significativas. A sua influência a nível dos órgãos de poder, de forma aberta ou encoberta, acentua-se e alguns partidos neo-fascistas têm integrado governos na União Europeia.

Simultaneamente perseguem-se comunistas e sectores democráticos. Procura-se criminalizar o comunismo e elevar o anti-comunismo à categoria de ideologia de Estado. Limitam-se direitos dos trabalhadores e as liberdades em geral.

O fascismo não é coisa do passado, nem é um fenómeno episódico. A existência do fascismo tem uma base objectiva: o sistema capitalista. As expressões mais ou menos virulentas do fascismo têm a ver com o agudizar das crises do capitalismo e sua capacidade para encontrar, ou não, saídas para a crise por meios ditos democráticos.

O pesadelo Estado-unidense

O pesadelo Estado-unidense




O sonho americano – de que o trabalho árduo é recompensado com a oportunidade de prosperidade, sucesso e ascensão social – levou centenas de milhares de emigrantes a escolherem os EUA como destino. Muitos entraram pelo porto de Nova Iorque e foram recebidos pela Estátua da Liberdade, onde estão inscritos os versos de Emma Lazarus: «Venham a mim as multidões exaustas, pobres e confusas ansiosas pela liberdade. Venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade... Eu guio-os com a minha tocha.»

Hoje os EUA são um país com crescentes desigualdades económicas, alastramento de precariedade e exploração dos trabalhadores, constante erosão de direitos e benefícios sociais, e intensificação da subordinação do poder político às forças económicas. Cada um destas vertentes por si só seriam graves assaltos à democracia. A intensificação de todos eles em conjunto configura uma transformação qualitativa do carácter do regime, que vem sido prosseguido nas últimas décadas. Para tal muito contribuiu o processo de concentração de riqueza, de políticas ao serviço do grande capital, sobretudo a partir da década de 1970, incluindo a desregulamentação, uma política fiscal (nos equivalentes ao IRS e IRC) favorecendo os mais ricos, os ataques à contratação colectiva, o aumento do custo de vida e a perda de salários e benefícios sociais, tudo factores que empobreceram as classes económicas mais pobres e erodiu a chamada classe média, extremando a desigualdade de rendimentos e riqueza. Hoje, são os EUA o país das «multidões exaustas, pobres e confusas».

Estes processos não são fruto de decisões conjecturais dos recentes líderes políticos, nem são exclusivos dos EUA. Os leitores reconhecerão certamente a semelhança com processos em Portugal, quer os impostos pela troika estrangeira, quer os implementados pela troika nacional. Infelizmente, poucas lições tirámos da consequências nefastas destas políticas já exibidas nos EUA, que encetou estes processos há mais tempo. Estes processos são sim parte de uma resposta concertada do grande capital internacional impostas aos governos, incluindo o dos EUA, com vista a intensificar a acumulação de lucro e de, mais recentemente, capitalizar com a crise económica por ele mesmo criada.

Ucrânia – retrato de um golpe de estado - Revanchismo neofascista e agenda imperialista

Ucrânia – retrato de um golpe de estado - Revanchismo neofascista e agenda imperialista


"A situação evidencia a capacidade do imperialismo em instrumentalizar e tirar partido do sentimento de descontentamento instalado na sociedade ucraniana. Objectivamente, a insatisfação social acumulada não é desligável dos resultados desastrosos da restauração capitalista. A depressão económica que sucedeu ao desaparecimento da URSS atingiu níveis particularmente severos na Ucrânia. O PIB contraiu-se em -60% no final da década de 90 (comparativamente a 1990). Ao contrário de outras antigas repúblicas soviéticas, como a Bielorrússia, em 23 anos de independência a Ucrânia nunca recuperou o nível económico alcançado no quadro da URSS. O PIB de 2013 ascendeu apenas a cerca de 70% do valor do produto da Ucrânia soviética em 1990. As consequências sociais deste colapso marcam a Ucrânia contemporânea, em que avulta a elevada taxa de pobreza (das maiores na Europa) e desigualdade social."

Kiev amanheceu a 22 de Fevereiro sem Presidente. Traído pelo acordo assinado na véspera com os líderes da oposição sob os altos auspícios da troika da UE (Alemanha, França e Polónia), o chefe de estado da Ucrânia democraticamente eleito, Viktor Ianukóvitch, abandonara a capital ao fim de três meses de desmandos e violência armada nas ruas. O golpe de estado foi consumado no dia seguinte com a nomeação pelo parlamento do presidente interino, Turchinov, homem de confiança da magnata e ex-primeira-ministra, Iúlia Timochenko.

O triunfo golpista não corresponde à narrativa mediática dominante e ao olhar laudatório (de classe) que celebrou os tumultos na capital e a tomada do poder como genuíno levantamento popular e acto revolucionário. No caldo nefando da política ucraniana nas últimas décadas, a dinâmica determinante dos acontecimentos está muito além do protesto gerado pelo acumular da insatisfação social e a percepção da natureza corrupta da oligarquia – por muitos identificada com a clique do ex-presidente. Na verdade, a concretização do golpe não seria possível sem a maciça operação de ingerência assegurada pelo imperialismo – em que EUA e UE se conservaram alinhados no fundamental, não obstante os acentos e interesses descruzados e todo o ardor verbal trazido à liça.

Portugal e a UE - Balanço e perspectivas

Portugal e a UE - Balanço e perspectivas
por MAURÍCIO MIGUEL

"A UE foi o projecto do grande capital para tentar resolver as crises cíclicas de sobreprodução do capitalismo no continente europeu, promovendo uma maior concentração e centralização da riqueza e da capacidade produtiva num centro cada vez mais integrado de países com produções de elevada incorporação tecnológica e procura na UE e no mercado mundial, a um tipo de especialização produtiva que remetia para países como Portugal o papel de «fornecedores de mão-de-obra», de produtores de produtos de baixa incorporação tecnológica e subcontratação, países «consumidores» onde a produção nacional foi substituída em sectores fundamentais por importações. Tal como o PCP denunciou, a criação e implementação da União Económica e Monetária (UEM) e do euro foi uma nova e importante etapa neste processo de domínio estratégico do grande capital e das grandes potências."

Quando Portugal foi associado ao processo de integração capitalista na Europa, em 1986, – à então CEE, hoje União Europeia (UE) – o nosso país tinha já uma estrutura produtiva débil e dependente, apesar de significativos progressos que foram feitos com as conquistas do 25 de Abril, com a liberdade e a democracia, particularmente em relação aos direitos dos trabalhadores. O processo de integração na UE, indissociável do processo de recuperação capitalista iniciado poucos anos após a Revolução de Abril, retomou o processo de dependência e aprofundou-o, tornando inseparáveis a destruição da economia portuguesa e as amputações à soberania e independência nacionais que o acompanharam e reforçaram mutuamente. 

Esta situação não teria sido possível sem o papel determinante dos partidos da política de direita (PSD, PS e CDS/PP), sem os processos supranacionais de articulação política em que estes se integraram e foram desenvolvendo. A cada nova etapa, tratado, orientação ou política, evidenciou-se o carácter de classe ao serviço dos interesses do grande capital, num contínuo ataque aos direitos e conquistas dos trabalhadores e do povo e aos princípios democráticos estabelecidos pela Constituição da República Portuguesa (CRP). O processo económico, social e político foi-nos sempre apresentado como inevitável, um inebriante e vertiginoso rumo onde as virtudes do futuro adviriam do neoliberalismo e da supressão de todos os «obstáculos» à «livre» circulação de mercadorias, de capitais, serviços e força de trabalho.