Pesquisa Mafarrico

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sábado, 30 de agosto de 2014

Brasil : Marina Silva e seu "mundo encantado"

Menos propaganda, muito mais agitação
Por Wladimir Pomar

"Mais grave do que a ambiguidade governamental diante da ofensiva da direita foi a inação da direção do PT. Ela não só deixou de mobilizar a militância para travar uma batalha constante contra a criminalização e a judicialização da política, como permitiu que o partido fosse confundido, por grande parte da massa do povo, com todos os demais. Não se empenhou em manter relações e debates francos com os movimentos sociais, e permitiu que as bases partidárias se dissolvessem e perdessem seus laços de ligação com as grandes camadas populares da população. Isto, mesmo depois que as manifestações de junho de 2013 demostraram a existência desse fosso e a perda de influência do PT.

Nessas condições, as previsões sobre um cenário de segundo turno parecem se tornar realidade. Porém, numa situação em que Dilma e o PT podem se confrontar contra uma nova polarização da direita em torno de Marina, apoiada pelo conjunto da burguesia, grandes parcelas da pequena-burguesia e, também, de setores populares descontentes. Um cenário que muitos consideravam impossível de concretizar-se."


É preciso dizer explicitamente que combater a inflação aumentando os juros e o câmbio, segurando o crescimento e aumentando o desemprego, como fez o governo FHC que Marina quer imitar, é muito fácil. Mas extremamente destrutivo e doloroso tanto para milhares de empresas que quebraram, quanto para milhões de trabalhadores que ficaram no desemprego durante mais de uma década. Além do fato de que FHC entregou o governo com uma inflação superior a 12%, o dobro da atual.


Quanto mais nos aproximamos de outubro de 2014, mais a campanha presidencial se parece com as de 1960 e 1989, embora com nuances ainda mais tenebrosas. Como naquelas ocasiões, temos agora uma candidatura que se apresenta como algo “novo”, defensora de uma “nova política” para “unir o Brasil”.Não há nisso qualquer novidade. O Brasil já viveu as tragédias de Jânio Quadros e Collor de Mello.

A fúria do Imperador: o caos tomará o mundo!


A fúria do Imperador: o caos tomará o mundo!
por James Petras
"No centro do caos, o Presidente Obama, de olhar ameaçador, ataca cegamente, alheio às consequências, disposto a arriscar um descalabro financeiro ou uma guerra nuclear. Reforça sanções contra o Irão; impõe sanções à Rússia; constrói bases de mísseis que podem atingir Moscovo em cinco minutos; envia drones assassinos contra o Paquistão, Iémen e Afeganistão; fornece armas aos mercenários na Síria; treina e equipa curdos no Iraque e financia a selvajaria de Israel contra Gaza."
"Mais uma vez, o Senado dos EUA vota unanimemente em apoio à última campanha de genocídio israelita; parece que não há crime suficientemente deplorável para abanar os escrúpulos dos líderes dos EUA. Ficam próximo de um texto assinado pelos 52 presidentes das maiores organizações judaicas dos EUA. Todos juntos abraçam a besta do Apocalipse, agarrados à carne e aos ossos da Palestina."

"Em Detroit, outrora grande centro da América industrial, a água potável é fechada a dezenas de milhares de pobres que não podem pagar serviços básicos. Em pleno Verão, famílias urbanas têm de fazer as necessidades em ruelas, azinhagas e descampados. Sem água, os sanitários entopem, as crianças não se lavam. Roscoe, o canalizador, diz que o trabalho está para além das suas possibilidades."

"De acordo com os nossos economistas famosos, a economia de Detroit está “a recuperar … os lucros subiram, apenas as pessoas sofrem”. A produtividade duplicou, os especuladores estão satisfeitos; as pensões são cortadas e os salários descem; mas os Detroit Tigers estão em primeiro lugar."

"A única solução é continuar: o caos gera o caos. O Presidente esforça-se por proteger a sua “liderança”. Faz aos seus conselheiros mais próximos perguntas muito difíceis: “Por que razão não podemos bombardear a Rússia, como Israel bombardeia Gaza? Porque não construímos uma ‘cúpula de ferro’ sobre a Europa e anulamos os misseis nucleares russos, enquanto abrimos fogo sobre Moscovo das nossas novas bases na Ucrânia? Que países deverá a nossa ‘cúpula’ proteger? Tenho a certeza que os povos da Europa de Leste e dos estados bálticos farão de bom grado o sacrifício supremo. No fim de contas, os seus líderes espumavam por uma guerra com a Rússia. A sua recompensa, uma devastação nuclear, será um preço pequeno para assegurar o nosso sucesso!”



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa

John McCain, chefe de orquestra da «primavera árabe», e o Califa
por Thierry Meyssan *


Todos notaram a contradição dos que qualificavam, recentemente, os membros do Emirado islâmico como «combatentes da liberdade» na Síria, e se indignam hoje com as suas barbaridades no Iraque. Mas, se este discurso é incoerente em si, ele é perfeitamente lógico no plano estratégico: os mesmos indivíduos que sendo, ontem, apresentados como aliados devem sê-lo hoje como inimigos, mesmo se estão sempre às ordens de Washington. Thierry Meyssan revela os bastidores da politica dos E.U. através do caso pessoal do senador John McCain, chefe-de-orquestra da «primavera árabe» e interlocutor de longa data do Califa Ibrahim.
" Violando o acordo de defesa Iraquiano-americano, o Pentágono não interveio e deixou o emirado islâmico prosseguir a sua conquista e os seus massacres. Um mês depois, enquanto os peshmergas do governo regional curdo haviam recuado sem batalha, e quando a emoção da opinião pública mundial se tornou demasiado forte, o presidente Obama deu a ordem para bombardear posições do Emirado islâmico. No entanto, segundo o general William Mayville, diretor de operações no Estado-maior: «Estes bombardeamentos são pouco suscetíveis de afetar as capacidades globais do Emirado Islâmico, ou as suas atividades noutras regiões do Iraque ou da Síria»24. Obviamente, eles não visam destruir o exército jihadista mas, apenas, garantir que cada ator não ultrapasse o território que lhe foi atribuído. Além disso, de momento, eles são puramente simbólicos e não destruíram senão um punhado de veículos. Na realidade tem sido a intervenção dos curdos do PKK, turco e sírio, nisto, que parou a progressão do Emirado Islâmico e, abrindo um corredor, permitiu às populações civis escapar ao massacre."


Barack Obama e John McCain são adversários políticos, como o representam, ou colaboram em conjunto na estratégia imperialista do seu país?

John McCain é conhecido como o chefe de fila dos republicanos, candidato malsucedido à presidência norte-americana em 2008. Isto não é, como o veremos, senão uma parte da sua real biografia, a que lhe serve de cobertura para conduzir acções secretas em nome do seu governo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Brasil - General proíbe colaboração do Exército para apurar crimes da ditadura

Dilema urgente da presidente Dilma: demite o general ou extingue a Comissão da Verdade

"O relatório minucioso da Comissão da Verdade relacionava, com nomes e datas, graves violações aos direitos humanos nos sete endereços mais notórios da repressão coordenada pelos militares, situados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. São cinco quartéis do Exército — incluindo os DO-CODI do Rio e São Paulo, os endereços mais letais da repressão, onde morreram pelo menos 81 pessoas, segundo levantamento da CNV —, uma base da Marinha e outra da Aeronáutica, com os nomes, sobrenomes, datas, depoimentos e horrores sobre nove casos de mortes sob tortura e de outros 17 presos políticos torturados. O relatório do Exército de Peri tinha 42 páginas e, como constatou o procurador Suiama, cobria uma encenação.

O Exército, descobriu o procurador, fingiu que trabalhou durante quatro meses para atender ao pedido da CNV, mas uma semana após a solicitação já cumpria uma determinação exatamente oposta de seu comandante em chefe, o general Enzo Peri.

O dúplice comportamento do comandante da corporação, de um lado chefiando uma investigação e de outro lado impondo o silêncio aos quartéis, lança um manto de dúvida sobre o objetivo real do Exército. Na prática, o ofício cala-boca de Peri submete a CNV à zombaria pública de militares insubmissos e de generais refratários ao interesse nacional, à hierarquia e à verdade, escancarando um deboche corporativo que tripudia sobre a inteligência dos cidadãos e a própria democracia."


General proíbe colaboração do Exército para apurar crimes da ditadura

Dilma precisa decidir o que fazer com a CNV, após o comandante do Exército dificultar o acesso a documentos da repressão.

A presidente Dilma Rousseff acordou estarrecida nesta sexta-feira, 22, como qualquer brasileiro que se respeita. E diante de um dilema inadiável, indelegável, inquestionável:

Ou Dilma demite o Comandante do Exército ou Dilma extingue a Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Governo quer instrumentalizar o Conselho das Comunidades Portuguesas

Emigrantes em São Paulo- Brasil
Nota da Direcção da Organização na Emigração do PCP
Governo quer instrumentalizar o Conselho das Comunidades Portuguesas



"Fazendo tábua rasa do que tem sido a péssima experiência das últimas eleições no estrangeiro, o governo propõe agora que só tenham direito a voto os portugueses residentes no estrangeiro, desde que aí estejam inscritos nos cadernos eleitorais para a Assembleia da República. 
Como é do conhecimento geral da diáspora, são muitos os portugueses que não constam dos cadernos eleitorais dos consulados, ou porque nunca se recensearam, ou porque com a renovação do cartão de cidadão efectuada em Portugal passaram a estar aqui recenseados. Acresce, ainda, que a política do Governo de desprezo pelos interesses e necessidades dos emigrantes levou ao encerramento de serviços consulares, obrigando-os a percorrerem, por vezes, centenas de quilómetros para se recensearem, votarem ou tratarem de questões essenciais, não cobertas pelas Permanências Consulares."

O Governo entregou na Assembleia da República, a Proposta de Lei nº 243/XII, que pretende introduzir alterações à actual Lei do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP). Independentemente de uma tomada de posição mais detalhada, a Direcção da Organização do PCP na Emigração (DOE), chama desde já a atenção para aspectos que considera essenciais:

1 – A Proposta de Lei do Governo tem como objectivo instrumentalizar e governamentalizar a actividade do CCP, “órgão consultivo do Governo para as políticas relativas às comunidades portuguesas no estrangeiro”, cuja legitimidade lhe é conferida, através do voto, pelos portugueses residentes no estrangeiro e registados nos respectivos Consulados. Para além de outros aspectos, o Conselho Permanente do CCP passaria a ser presidido pelo membro do Governo responsável pelas áreas da emigração e das comunidades portuguesas, a quem são atribuídas várias competências, hoje da responsabilidade dos actuais Conselheiros.

Considera-se no mínimo estranho que um órgão, que se propõe que seja eleito pelos “conselhos regionais”, seja convocado e presidido por um membro do Governo não eleito para o efeito.

Beethoven, músico revolucionário

Beethoven, músico revolucionário
por Glauber Ataide

"Beethoven, assim como outros grandes artistas e filósofos, sabia que estava escrevendo para a posteridade. Quando os pianistas lhe diziam que suas músicas eram difíceis de executar, ele respondia: “Não se preocupe, isso é música para o futuro.” E mesmo dois séculos depois, ela continua sendo música para o futuro. Uma música que nos diz, entre tantas coisas, que é preciso não se curvar diante das adversidades, que é preciso encarar os desafios com otimismo revolucionário e prosseguir na luta por um novo mundo. Pois, como também afirma o filósofo húngaro György Lukács, a revolução burguesa, que carregava os ideais de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, só será consumada pela revolução proletária. Só ela poderá instaurar de fato tudo aquilo que a revolução burguesa prometeu."

"O escritor russo Máximo Górki conta que Lênin, após ouvir a sonata Apassionata (sonata nº 23, op. 57), de Beethoven, assim se expressou: “Não conheço nada mais belo do que a Apassionata, e seria capaz de ouvi-la o dia inteiro. Uma música maravilhosa, mais do que humana! Penso sempre, talvez com um orgulho infantil e ingênuo, que maravilhas os homens são capazes de criar!"
Talvez nenhum artista tenha jamais conseguido revolucionar um gênero artístico de forma tão ampla e profunda como fez Beethoven. Suas inovações na forma tanto de compor quanto de ouvir música o tornaram um ponto de referência e o símbolo do que há de mais sublime e sofisticado na chamada rainha das artes, na música.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Nos 75 anos do início da Segunda Guerra Mundial - Nunca mais!

Nos 75 anos do início da Segunda Guerra Mundial
Nunca mais!
por Gustavo Carneiro


"A União Soviética foi a grande responsável pela derrota do nazifascismo, por mais que «historiadores», «jornalistas» e produtores de cinema se esforcem por demonstrar o contrário. Em Junho de 1944, quando norte-americanos e ingleses desembarcam na Normandia – abrindo finalmente a «segunda frente» há muito exigida pelos soviéticos – já a Alemanha tinha sofrido as derrotas decisivas (a rendição em Stalinegrado dá-se em Fevereiro de 1943) e a guerra mudado o seu curso. Em poucos meses, as tropas nazis eram expulsas da primeira pátria socialista e começava a imparável libertação dos povos europeus e o estertor final do nazifascismo."

"o aniversário do início da Segunda Guerra Mundial não deve constituir um mero exercício de memória. Sobretudo num momento como aquele em que vivemos, em que muitas das causas que estiveram por detrás deste conflito ressurgem com assinalável expressão: a crise do capitalismo, a agressividade imperialista, a aposta no fascismo e na guerra como saída para a crise de sobre-produção e sobre-acumulação e o esmagamento das lutas dos trabalhadores e da soberania dos povos.

O apoio dos EUA e da UE ao golpe dos oligarcas e das forças fascistas na Ucrânia e o avanço das forças de extrema-direita na Europa, promovidos pelo capital e pelos seus poderosos meios de comunicação, aí está para nos lembrar que o fascismo é um instrumento a que o imperialismo recorre quando pode e tal é do seu interesse. Tal como a guerra, que sempre o acompanha, e que faz sentir as suas sombras negras na crescente escalada de cerco e provocação dos EUA contra a Rússia e a China."


A 1 de Setembro de 1939, as tropas nazis invadiram a Polônia. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, dando início à Segunda Guerra Mundial. Quando, em Maio de 1945, se dá a capitulação alemã às mãos do Exército Vermelho (a capitulação japonesa ocorre em Agosto do mesmo ano), terminou aquele que foi o mais brutal conflito militar que a humanidade já conheceu: 50 milhões de mortos, um incontável número de feridos, estropiados e traumatizados, milhares de vilas e cidades arrasadas, destruições incalculáveis na economia e nas riquezas naturais de numerosos países – tal foi o preço que custou a derrota do nazifascismo. A União Soviética pagou a maior parte.

Crise aumenta prostituição de idosos na Coreia do Sul

Crise aumenta prostituição de idosos na Coreia do Sul
por Denise Maia

“Tenho 60 anos e não tenho dinheiro. Não posso contar com meus filhos. Eles também estão em apuros. Praticamente todas as pessoas idosas aqui neste parque estão na mesma situação”, afirma Kim. Outra senhora sentada no parque se desespera: “Estou com fome; não preciso de respeito, não preciso de honra, só quero fazer três refeições ao dia”.

"Muitas idosas que não admitem vender o corpo para sobreviver comentem suicídio. Foi o caso de uma viúva, de 78 anos, que chocou a população: em vez de tirar a própria vida em casa, silenciosamente, como muitos sul-coreanos o fazem, a mulher fez de sua morte um ato final de protesto público contra uma sociedade que a abandonou. Ela bebeu pesticida durante a noite em frente à Prefeitura de Seul, após ter suspensos seus benefícios de assistência social, afirmando que não precisavam mais sustentá-la, agora que seu genro havia encontrado emprego. “Como podem fazer isso comigo?”, perguntava no bilhete de suicídio encontrado pela Polícia. “Uma lei deveria servir ao povo, mas ela não me protegeu”, dizia o bilhete."


Mais de 400 mulheres entre 50 e 70 anos de idade circulam diariamente no parque Jongmyo, no coração de Seul, capital da Coreia do Sul, vendendo o corpo para sobreviver. Muitas não conseguem e, sem outra opção, cometem suicídio. Os dados e relatos deste texto foram extraídos do jornal New York Times e da BBC News, em Seul.

O parque Jongmyo foi construído em torno de um templo que homenageia o filósofo chinês Confúcio, cujas ideias sobre a veneração aos idosos foram centrais à cultura oriental durante séculos. Os coreanos viviam na certeza de que, um dia, quando chegassem à velhice, seriam cuidados por seus filhos.

Hoje, os tempos são outros. As novas gerações não têm condições de cuidar dos seus idosos, e o Governo não atende às necessidades mínimas da população. Não existe seguro-desemprego ou previdenciário e nem de saúde. Então, os homens e mulheres se veem sem poupança, sem uma aposentadoria que garanta o básico e sem uma família em que se apoiar. A taxa de pobreza na terceira idade, na Coreia do Sul, é de quase 50%, já que 70% dos aposentados recebem apenas 5% do salário médio.

Kim Eun-ja é uma entre as várias idosas coreanas que ganham a vida vendendo pequenas garrafas que contêm uma bebida chamada Bacchus, um energético muito comum entre os coreanos. Ela, aos 71 anos, usa batom vermelho e casaco da mesma cor. Segura uma sacola grande com a bebida que vende, além de se prostituir. Com frequência, essas senhoras também oferecem aos fregueses uma injeção especial que, supostamente, ajuda os clientes a conseguirem uma ereção. As agulhas usadas para essas injeções chegam a ser reutilizadas até 20 vezes. Como resultado, 40% dos homens que frequentam o parque estão infectados por várias doenças.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O que as guerras na Ucrânia, em Gaza, na Síria e na Líbia têm em comum?

O que as guerras na Ucrânia, em Gaza, na Síria e na Líbia têm em comum?
Por Alfredo Jalife-Rahme

"Há dois meses, as notícias do canal Rússia Hoje (RT – Russia Today) – que é cada vez mais visto na América Latina para combater a desinformação expelida pela mídia israelense-​anglo-americana controlada e que foi submetida à censura pública pelo Secretário de Estado John Kerry – tinha já ressaltado a importância do gás de xisto na região de Donetsk (região no leste da Ucrânia que procura ganhar independência), e perguntava se "os interesses das companhias petrolíferas ocidentais não estariam por trás da violência" .

Com efeito, a parte oriental da Ucrânia, atualmente envolvida em uma guerra civil, está cheia "de carvão e uma miríade de depósitos de gás de xisto na bacia do Dnieper-Donets." Em fevereiro de 2013, a British Shell Oil assinou com o governo da Ucrânia (o anterior, que foi deposto por um golpe neo-nazista apoiado pela UE) um acordo de 50 anos para partilhar os lucros provenientes da exploração e extração de gás de xisto na região de Donetsk. "

"Hunter Biden, filho do Vice-Presidente do EUA, foi nomeado para o Conselho de Diretores da Burisma, a maior firma produtora de gás privada (supersic) na Ucrânia [10], a qual "abre uma nova perspectiva para a exploração de gás de xisto ucraniano" na medida em que "ela detém a licença abrangendo a bacia do Dnieper-Donets." John Kerry não será deixado para fora em relação à distribuição dos lucros, e Devon Archer, seu antigo conselheiro e colega de faculdade de seu enteado, juntou-se à controversa empresa em abril.

Pode uma licença de "desapropriação de imóveis" para explorar o gás de xisto na Ucrânia servir também como uma "licença para matar" inocentes?

Esta tem sido uma característica permanente da trágica história da exploração de hidrocarbonetos por companhias de petróleo "ocidentais" ao longo do século XX."

Calendários, fluxogramas, diagramas e índices genealógicos são muito úteis para se fazer uma análise geopolítica. Assim, dois dias antes de um misterioso míssil explodir o avião da Malaysia Airlines no céu – um evento tão obscuro como as circunstâncias de ambos os seus voos recentes –, a sexta cúpula do BRICS, incluindo um número de países membros da Unasul, como a Colômbia e o Peru, tinha terminado com sucesso. [1]

Poluição e pobreza matam sete milhões de pessoas por ano

Poluição e pobreza matam sete milhões de pessoas por ano
Redação Jornal A Verdade

"Os estudos revelaram que dos sete milhões de mortes, 3,7 milhões são resultantes da poluição externa, causadas principalmente por ataques cardíacos (40%) e derrames (40%). Mais uma vez, os pobres são as vítimas. Mesmo com muitos ecologistas não querendo enxergar o problema pela sua raiz, ou seja, pela grande concentração da riqueza gerada por uma classe, a burguesia, em detrimento classe trabalhadora, gerando uma profunda desigualdade social, os números são factuais. Desses óbitos, 88% ocorreram em países de baixa e média renda, que representam 82% da população mundial.
Já nos lares, a poluição interna é oriunda principalmente da combustão na hora de cozinhar com lenha e carvão. Na África Subsaariana, uma das regiões mais pobres do mundo, entre 70% e 90% da energia provém da lenha. Na Ásia, esse número está na faixa de 80% para as populações rurais e 20% em áreas urbanas. No mundo, cerca de 2,4 bilhões de pessoas utilizam a biomassa (energia extraída da lenha). Neste caso, as principais complicações de saúde oriundas dessa poluição são os derrames, que representam 34% das mortes, e os ataques cardíacos (26%)."
"a classe operária, os jovens, camponeses e todos aqueles que estão sob o jugo da exploração capitalista têm uma tarefa histórica: salvar o mundo da barbárie e da destruição. Para isso, nosso dever é a defesa do meio ambiente e da natureza, proibindo a destruição de florestas e ecossistemas e estabelecendo o controle e apropriação popular dos meios de produção (terras, máquinas, ferramentas, transportes etc.). Esta é a via revolucionária, da verdadeira transformação."

Dois anos depois da realização da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro de 13 a 22 de junho de 2012, da qual participaram líderes dos 193 países que fazem parte da ONU), o mundo ainda sofre com os graves problemas ambientais oriundos da ganância dos capitalistas por mais lucros. À época, a grande imprensa burguesa utilizou seus jornais, rádios, TVs e internet para passar a falsa ideia de que a conferência da ONU resolveria o problema ambiental e os Estados chegariam a um consenso sobre a importância e os processos da Economia Verde, garantiriam o desenvolvimento sustentável do planeta e buscariam formas de eliminar a pobreza, entre outros pontos.

Mais uma vez, como de esperar, a Conferência não chegou a um consenso, e um dos motivos para tal situação foi o boicote realizado pelas grandes potências capitalistas (Estados Unidos, China e Alemanha). De fato, a Rio+20 ocorreu num período de forte crise econômica na Europa, e os capitalistas não desejavam frear suas metas de exploração da natureza em prol do bem-estar da humanidade. Como muito bem disse Frei Betto, ao avaliar o encontro, “A Rio +20 propôs aos governos, via G-77 [grupo dos países menos desenvolvidos], criarem um fundo de US$ 30 bilhões para financiar iniciativas de sustentabilidade em seus países. A proposta não foi aprovada. Ninguém mexeu no bolso. Isso uma semana depois de o G-20, no México, destinar US$ 456 bilhões para tentar sanar a crise na Zona do Euro. Não falta dinheiro para salvar bancos. Para salvar a humanidade e a natureza, nem um tostão”.

domingo, 24 de agosto de 2014

Cristianismo - Mitos, Lendas e História

Cristianismo - Mitos, Lendas e História
por Miguel Urbano Rodrigues


"a posição de Jesus perante a riqueza e a pobreza foi marcada por contradições. Dirigindo-se sobretudo aos pobres, repetiu muitas vezes que era difícil a um rico entrar no reino dos céus. A renúncia à riqueza aparecia-lhe como um meio para receber a recompensa do Senhor. Mas não a condenou explicitamente nem a submissão a um poder estrangeiro. A sua célebre resposta a uma pergunta sobre o pagamento do tributo a Roma - «dai a César o que é de César e a deus o que é de deus» continua a suscitar controvérsia; incomoda os cristãos." 

"o cristianismo foi criado por homens que pretendiam encontrar uma saída ilusória para o impasse sociopsicológico» em que se encontrava a sociedade arcaica da Palestina há 2000 anos." 

"Transcorridos 20 seculos, o balanço da participação na História da Igreja como instituição - nomeadamente a Católica - é muito negativo. Apoiando quase sempre os opressores contra os oprimidos, assume, sobretudo o alto clero, os interesses dos poderosos"



A releitura de Os Primeiros Cristãos, Páginas de História, de Irina Sventsitskaya,* desencadeou em mim durante dias uma reflexão profunda sobre a procura de deus pelo homem. Tão intensa que dediquei as ultima semanas a reler primeiro O Antigo Testamento e, depois, O Novo Testamento.

Eu lera o ensaio da historiadora soviética quando foi editado em Portugal há um quarto de seculo. Mas não lhe prestei na época a atenção que merecia.

No seu importante trabalho de investigação, Irina Sventistskaia reflete sobre mitos e lendas seculares que no Ocidente envolvem Jesus e os primitivos cristãos.

O seu estudo comparativo dos chamados evangelhos sinópticos ou canónicos (Marcos, Mateus, Lucas e João) sacralizados pela Igreja, e dos apócrifos (Pedro, Tomé, Tiago, Filipe, André e outros) não reconhecidos por esta, bem como as Epístolas de Paulo e sentenças de muitos profetas hebraicos, é atualíssimo. A autora lembra-nos que a dificuldade de reconstruir a pregação inicial da doutrina de Jesus depende muito das fontes conhecidas, mas também das disputas e conflitos surgidos antes de a Igreja elaborar os seus dogmas.

Irina alerta para o significado da absorção pelo cristianismo primitivo de múltiplas concepções religiosas e éticas amplamente difundidas entre as massas populares no espaço do império romano.

Décadas após a morte de Jesus, o cristianismo, pregado pelos discípulos e apóstolos, tinha-se difundido amplamente no Oriente quando os Evangelhos canônicos começaram a ser escritos.

A crise do BES é a crise do sistema financeiro

A crise do BES é a crise do sistema financeiro
por José Alberto Lourenço

"O grupo Espírito Santo e o seu banco acumularam um vasto império financeiro ao longo das últimas décadas graças à sua integração internacional, que se revelou demasiado frágil face à crise financeira. O seu poder nas mais diferentes esferas da sociedade portuguesa era indiscutível: das artes ao poder político. Curiosamente, não foi ao que parece a crise per seque fez o copo transbordar – nem o poder político – mas sim uma luta de poder entre famílias da burguesia portuguesa. Com a luta em torno do controlo da Semapa na família Queiroz Pereira, a família Espírito Santo participou na contenda contra accionistas do seu próprio grupo, nomeadamente Pedro Queiroz Pereira. Com informação privilegiada, este acumulou um vasto dossiê de suspeitas e irregularidades no GES, entregue em 2013 no Banco de Portugal, até aí cego face a todas as múltiplas suspeitas envolvendo o grupo (do caso Monte Branco ao Portucale). A complexa estrutura financeira do grupo escondia esquemas de financiamento circular ao próprio grupo, desde a crise financeira internacional de 2008."
"A falência do BES não é um mero caso de polícia, mas a demonstração da falência de um modelo econômico usado pelas elites nacionais que, beneficiando da integração monetária, usaram o País como plataforma giratória de capitais com efeitos graves na destruição da nossa estrutura econômica. A liberdade de circulação de capitais e a liberalização financeira impostas no quadro da União Econômica e Monetária produziram uma economia financeirizada semi-periférica onde a acumulação dos grandes grupos se fez nos sectores não-transacionáveis, através das privatizações e das PPP, e na expansão internacional através do endividamento recorde. "


No recente caso da crise do Banco Espírito Santo (BES), a sua grande importância no segmento do crédito às empresas, com uma quota de mercado de 25,5%, o incontornável mediatismo de alguns dos seus protagonistas, a necessidade de se apurarem todos os seus aspectos criminais ou de incompetência de gestão, pode contribuir naturalmente para obscurecer o seu carácter estrutural e a sua associação com anteriores casos registados no BPP, BPN, BCP e BANIF.

Todos eles, no que têm de distinto e de comum, não revelam um súbito acréscimo de incompetência ou propensão criminal entre os nossos principais banqueiros desde que rebentou a última crise financeira internacional, antes mostram a vulnerabilidade da banca portuguesa no contexto da grande estagnação do espaço europeu pós-criação da União Econômica e Monetária (UEM) e da crise econômica portuguesa dos últimos anos.

O BES era, sem dúvida, o «banco de todos os regimes», que tinha aparentemente sobrevivido à mais séria crise financeira internacional e nacional desde a Grande Depressão e que, ao contrário da restante banca nacional, não tinha manifestado até agora a necessidade de injecção de fundos públicos.

Com interesses na economia portuguesa que iam das telecomunicações ao imobiliário e à saúde, passando pelo turismo, o Grupo Espirito Santo (GES) foi um dos resultados do processo de reconstituição monopolista em Portugal com as privatizações do final dos anos 80, devidamente apoiado pelo poder político instalado (PS/PSD/CDS), por capital estrangeiro (em especial brasileiro e francês) e pela integração financeira e monetária europeia.

EUA vão financiar força militar africana

EUA vão financiar força militar africana
por Carlos Pereira
"Em sete anos, lembra o Post, o comando africano (Africom) do Pentágono ampliou as actividades militares no continente. Com sede em Stuttgart (Alemanha), o Africom conta com dois mil efectivos permanentes e mais cinco mil soldados que cumprem «missões itinerantes» – da Líbia, Mali e Níger à República Centro-Africana, Somália e Sudão do Sul. Na mesma altura, o diário Granma, de Havana, recordava que a maior base militar norte-americana em África é Camp Lemonnier, no Djibuti, antes um bastião da Legião Estrangeira francesa. Com capacidade para quatro mil soldados, Lemonnier tem o maior aeródromo da África Oriental, que os yankees utilizam «como ponto de partida das suas operações com drones contra supostos terroristas no Iémen e no Corno de África». Nessa base aero-naval «recebem instrução soldados do Níger, Chade, Nigéria e de outros países». Para garantir os «negócios» dos EUA em África…"

A promessa de milhões de dólares de investimentos em África e a certeza do reforço da ingerência militar norte-americana no continente africano. Estes foram os principais resultados da primeira cimeira Estados Unidos-África, este mês, em Washington.

Participaram quase 50 dirigentes africanos. Só não foram convidados os presidentes Robert Mugabe, do Zimbabwé, Omar el-Béchir, do Sudão, e Issayas Afewerki, da Eritreia, que os anfitriões consideram não serem suficientemente democratas… E também a presidente Catherine Samba-Panza, da República Centro-Africana, «suspensa» pela União Africana devido à guerra civil que devasta o país após a intervenção militar francesa.Faltaram os presidentes Ellen Sirleaf, da Libéria, e Ernest Koroma, da Serra Leoa, retidos pelo avanço da epidemia de ébola. 

Não marcaram igualmente presença José Eduardo dos Santos, de Angola, Mohamed VI, de Marrocos, Abdelaziz Bouteflika, da Argélia, e Abdel al-Sissi, do Egipto. Mas todos enviaram representantes.Para além de um faustoso banquete na Casa Branca, de vistosos cortejos automóveis, das sessões de fotos do casal Obama com os sorridentes chefes de estado e esposas, a cimeira abordou questões de governação, segurança e negócios.Como refere a revista Jeune Afrique, Barack Obama não se esqueceu de evocar as suas origens africanas mas deixou para o vice-presidente Joe Biden e o secretário de Estado John Kerry as «lições» sobre democracia e direitos humanos, sobre «boa governança, transparência e luta contra a corrupção».

Os negócios, naturalmente, também fizeram parte da agenda da cimeira de Washington.Os responsáveis africanos insistiram na necessidade de prolongar o African Growth and Opportunity Act, que facilita as exportações de produtos manufacturados de África para os EUA. Nessa e em outras matérias, Obama precisa do aval do Congresso, que não controla. O que não o impediu de anunciar acordos comerciais e investimentos (sobretudo no sector energético) no valor de 37 mil milhões de dólares, até 2020. 

Ebola - Epidemia de indiferença

Epidemia de indiferença
por Juliano Medeiros

" foi só depois da confirmação de dois casos de contaminação por ebola de cidadãos dos Estados Unidos que o país tomou providências e anunciou a produção de uma vacina e um soro experimentais. As notícias dão conta de que a vacina poderia ser usada em humanos dentro de dois anos! Mas se existiam os meios para a produção uma vacina em tão pouco tempo, porque esperar que mil vidas fossem perdidas para que o país que detém essa tecnologia tomasse a iniciativa de produzi-la? A afirmação de Korkor volta a impor-se: o problema é que o ebola só mata africanos. Essas vidas são desprezíveis para a comunidade internacional, estão fora do mundo da produção e do consumo, não tem qualquer utilidade para o mercado, portanto, não valem o “investimento”. "


Semana passada o médico liberiano Melvin Korkor deu uma entrevista esclarecedora sobre a epidemia de ebola que já matou mais de mil pessoas no oeste da África e fez com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretasse estado de emergência sanitária internacional. Korkor contraiu o ebola enquanto atendia pacientes contaminados em Monróvia, mas sobreviveu. Os outros cinco médicos que atendiam no mesmo hospital foram mortos pela doença. "Vi todos os meus colegas morrerem ao meu lado", relata Korkor ao jornal O Estado de São Paulo.

"Há quarenta anos todos sabem que existe o ebola. Mas sabe qual o problema? Ele só mata africanos" (Melvin Korkor, médico liberiano contaminado pelo ebola)

Além de um relato estarrecedor da situação da saúde pública nos países afetados pela epidemia, a entrevista de Korkor traz uma questão muito mais inquietante: por que a comunidade internacional não agiu antes para conter o ebola? A conclusão do médico liberiano é simples: não existe solução para a epidemia porque ela só mata africanos. “Se essa doença existisse nos Estados Unidos ou na Europa, amanhã haveria uma solução para ela. Há quarenta anos todos sabem que existe o ebola. Mas sabe qual o problema? Ele só mata africanos", disse Korkor.

A afirmação mostra-se ainda mais verdadeira se observarmos que foi só depois da confirmação de dois casos de contaminação por ebola de cidadãos dos Estados Unidos que o país tomou providências e anunciou a produção de uma vacina e um soro experimentais. As notícias dão conta de que a vacina poderia ser usada em humanos dentro de dois anos! Mas se existiam os meios para a produção uma vacina em tão pouco tempo, porque esperar que mil vidas fossem perdidas para que o país que detém essa tecnologia tomasse a iniciativa de produzi-la? A afirmação de Korkor volta a impor-se: o problema é que o ebola só mata africanos. Essas vidas são desprezíveis para a comunidade internacional, estão fora do mundo da produção e do consumo, não tem qualquer utilidade para o mercado, portanto, não valem o “investimento”. 

sábado, 23 de agosto de 2014

Brasil : Perseguidos políticos do “inquérito da Copa”

As entranhas do inquérito político contra os ativistas do Rio
por Igor Mendes*



"Uma, o comprometimento dos delegados, promotor e juiz não com a verdade, e sim em saciar a sede de sangue do monopólio de imprensa, ratificando uma farsa preparada de antemão. Aliás, jamais vemos tal celeridade por parte do poder judiciário quando se trata de decidir causas em favor dos trabalhadores.

Outro ponto patente é a fraude, a mentira que é a tal “independência” dos três poderes, tão cara aos princípios formais da democracia burguesa. Duas instâncias distintas, quais sejam, o Poder Executivo (através da Autoridade Policial e do Ministério Público) e o Poder Judiciário atuaram mancomunados, em articulação ainda com o que alguns chamam o quarto poder: o monopólio de imprensa, notadamente a Rede Globo, que teve acesso aos autos muito antes que os nossos advogados e que o próprio desembargador Siro Darlan. O que há é o poder único das classes dominantes reacionárias, que são a grande burguesia e o latifúndio, lacaias do imperialismo. Essas são as forças que verdadeiramente governam o Brasil, dispostas a mostrar os dentes sempre que seus privilégios seculares se mostrem minimamente ameaçados."

O processo movido contra 23 ativistas políticos no Rio de Janeiro marca, sem dúvida, juntamente com o cerco militar de protestos nas principais capitais brasileiras, um aprofundamento da fascistização do Estado brasileiro. O cerceamento do direito (fundamental) de livre manifestação coloca em cheque, realmente, a própria existência do dito “Estado democrático de direito”. Tudo isso sob a chancela do governo do PT de Dilma Roussef, que comandou desde os gabinetes ministeriais toda a política de repressão durante a Copa, e de fato a financiou — foram gastos com essa finalidade R$1,9 bilhão de reais, como noticiou recente editorial de AND.

O caráter político do inquérito que tem como alvo, sobretudo, a Frente Independente Popular do Rio de Janeiro (FIP-RJ), qualificando-a como “quadrilha armada”, a despeito de suas atividades serem todas públicas, é por si mesmo evidente. A precaução cuidadosa em criar opinião pública favorável à ilegalidade, com base na técnica de bombardeio midiático conhecida como “cruzada”, já usada no Brasil em outras oportunidades, inclusive às vésperas do golpe militar de 64, denuncia mesmo a fragilidade do referido processo e a necessidade de “calibrá-lo” com a arma imbatível da repetição.

Herbicida da Monsanto estaria provocando doença renal em trabalhadores

Herbicida da Monsanto estaria provocando doença renal em trabalhadores
por Marcela Belchior
Da Adital

"O complexo glifosato-metal pesado pode entrar no corpo humano de diversas maneiras: ingerido, inalado ou absorvido através da pele. A substância age como um Cavalo de Tróia, permitindo que o metal pesado a ele ligado evite sua detecção pelo fígado. Assim, esse complexo chega aos túbulos renais, onde a alta acidez permite que o metal se separe do glifosato. O cádmio ou o arsênio causam, então, danos aos túbulos renais e a outras partes dos rins, o que, ao final, resulta em falência renal e, com frequência, em morte.

A Monsanto patenteou o glifosato como herbicida na década de 1970 e o tem usado sob a marca "Roundup”, desde 1974. Em 2005, os produtos com glifosato da Monsanto estavam registrados em mais de 130 países, para uso em mais de 100 tipos de cultivo. Em 2013, o glifosato era o herbicida com maior volume de vendas no mundo."
Uma epidemia de uma doença desconhecida, que destrói os rins e tem levado à morte milhares de agricultores em várias partes da América Central e Ásia pode estar relacionada ao herbicida glifosato, vendido sob a marca Roundup, da Companhia Monsanto, indústria multinacional de agricultura e biotecnologia, com sede nos Estados Unidos. Apesar dos alertas dos cientistas sobre os perigos da enfermidade, os EUA não estariam reconhecendo a gravidade da questão.

Há anos, a comunidade científica tenta desvendar o mistério da epidemia de doença renal crônica, que já atingiu países da América Central, além da Índia e Sri Lanka, situados no continente asiático. A doença acomete agricultores pobres que realizam trabalho braçal pesado em más condições de vida e trabalho, em localidades de climas quentes. Em todas as ocasiões em que a enfermidade foi diagnosticada, os trabalhadores haviam sido expostos a herbicidas e metais pesados.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

De Ferguson ao Iraque

De Ferguson ao Iraque
por Ângelo Alves

"A questão racial tem sido o mote da abordagem das notícias sobre estes graves acontecimentos, mas enganam-se aqueles que pensam que a raiz dos protestos reside num «mero» conflito racial. Não! A questão que está por detrás destes e de outros muitos acontecimentos nos EUA é de classe, não pode ser dissociada da profunda crise económica e social que grassa na sociedade norte-americana e que nos últimos anos se acentuou significativamente, apesar de sistematicamente escondida pela propaganda oficial para manter a imagem internacional dos EUA de grande potência. "

"Quem mais sofre com a realidade social dos EUA são exactamente aqueles que agora protestam: os imigrantes, os afro-americanos e os hispânicos, entre outras. Os dados não deixam dúvidas. O rendimento médio de uma família afro-americana é 60% do rendimento de uma família de «brancos». Segundo relatórios de 2013, 42,5 % dos afro-americanos menores de cinco anos e 37,1 por cento dos hispânicos da mesma idade enfrentam o desafio da pobreza. 37% da imensa população prisional dos EUA são jovens afro-americanos que abandonaram a escola. É esta guerra social que explodiu em Ferguson. Uma guerra social ditada por uma política de classe que usa o racismo, a xenofobia e a repressão para manter o poder das classes dominantes independentemente da tonalidade da pele daqueles que gerem esse sistema de exploração. "

A localidade de Ferguson, subúrbio de Saint Louis no estado do Missouri, está em estado de guerra. Na passada segunda-feira a Guarda Nacional chegou à cidade, armada até aos dentes. A sua chegada – ironicamente coincidente com os apelos de Obama à «reconciliação» – provocou de imediato mais duas mortes. Para trás ficam mais de 10 dias de manifestações e confrontos ocorridos após a morte de Michael Brown pela polícia, um jovem afro-americano que, desarmado, foi alvejado mortalmente com seis tiros, dois dos quais na cabeça.

Europa : Pobreza

Pobreza 
por Inês Zuber 


"Em 2012, 24,2 por cento da população da população da UE encontravam-se em risco de pobreza e de exclusão, sendo que o risco de pobreza para as mulheres era de 26 por cento, contra 23,9 por cento homens. As mulheres enfrentam um risco de pobreza mais importante do que os homens – em média, três em cada dez agregados familiares da UE são unipessoais, na sua maioria mulheres que vivem sós, em especial idosas, sendo que esse grupo está a crescer e a ser alvo dos cortes nas pensões e pensões de viuvez. As mulheres são, assim, afectadas directamente – através da perda do seu emprego, de cortes salariais, das pensões e pensões de sobrevivência ou da perda de segurança do emprego – e, indirectamente, através de cortes orçamentais nos serviços públicos e nas ajudas sociais, pois sabemos que muitas têm crianças a seu cargo. As crianças são, indubitavelmente, as principais vítimas desta política de empobrecimento e o caso português é completamente assustador. Um relatório da Unicef Portugal, redigido em 2013, referia que em 2011, a taxa de pobreza entre crianças tinha aumentado para 28,6 por cento – hoje o número será maior – consequência provocada, entre outros, pela perda de 500 mil crianças do direito ao abono de família (entre 2009 e 2012). Medida enquadrada no «ajustamento orçamental» preconizado pela troika, pela UE."

Não se cansam os representantes das instituições europeias de proclamar, no plano discursivo, os altos valores da UE. «Todos os trabalhadores têm direito a condições de trabalho saudáveis, seguras e dignas», «todas as pessoas têm direito à educação», o «reconhecimento do direito a uma assistência social e a uma ajuda à habitação destinadas a assegurar uma existência condigna a todos aqueles que não disponham de recursos suficientes»... são alguns dos exemplos dos princípios plasmados na Carta dos Direitos Fundamentais da UE.

São, curiosamente, princípios evocados pela mesma UE e seus responsáveis que condenaram tantos países da UE à destruição de centenas de milhares de empregos, ao aumento da precariedade no emprego, a mais desemprego, a reduções nos salários e pensões, a um enorme aumento de impostos sobre os trabalhadores, reformados e suas famílias, aos cortes nas prestações sociais, na saúde e na educação.

Máquinas de guerra: Blackwater, Monsanto e Bill Gates

Máquinas de guerra: Blackwater, Monsanto e Bill Gates
por Sílvia Ribeiro



"Tal como a Monsanto, Gates se dedica também a tratar de destruir a agricultura camponesa em todo o planeta, principalmente através da chamada "Aliança para uma Revolução Verde em África" (AGRA). Esta funciona como cavalo de Tróia para despojar aos camponeses africanos pobres de suas sementes tradicionais, as substituindo por sementes das empresas primeiro, e finalmente por transgênicos. Para isso, a Fundação contratou em 2006, justamente a Robert Horsch, um diretor de Monsanto. Agora Gates, enxergando maiores lucros, se foi direto à fonte.

Blackwater, Monsanto e Gates são três faces da mesma figura: a máquina de guerra contra o planeta e a maioria da gente que o habita, quer sejam camponeses e camponesas, indígenas, comunidades locais, gente que quer compartilhar informação e conhecimentos ou qualquer outro que não quer estar na égide de lucro e destruição do capitalismo."

Nota do Mafarrico : Texto publicado originalmente em 12 Outubro 2010, que ora republicamos, por considera-lo interessante à nossa compreensão do funcionamento do sistema capitalista, nas áreas de segurança alimentar e agricultura.


Uma informação de Jeremy Scahill publicada em The Nation (Blackwater's Black Ops, 15/9/2010) revelou que o exército mercenário maior do mundo, Blackwater (agora chamado Xe Services) vendeu serviços clandestinos de espionagem à trasnacional Monsanto.

Blackwater mudou de nome em 2009, depois de ficar famosa no mundo pelas denúncias sobre seus abusos no Iraque, incluídos massacres de civis. Segue sendo o maior empreiteiro privado do Departamento de Estado dos Estados Unidos em "serviços de segurança", isto é, para praticar o terrorismo de Estado dando ao governo a possibilidade de o negar.

Muitos militares e ex-oficiais da CIA trabalham para Blackwater ou alguma das empresas vinculadas que criou para desviar a atenção de sua má fama e gerar mais lucros vendendo seus nefastos serviços -que vão desde informação e espionagem até infiltração, intrigas políticas e treinamento paramilitar- a outros governos, bancos e empresas trasnacionais. Segundo Scahill, os negócios com trasnacionais -como Monsanto, Chevron, e gigantes financeiros como Barclays e Deutsche Bank- são canalizadas através de duas empresas que são propriedade de Erik Prince, dono de Blackwater: Total Intelligence Solutions e Terrorism Research Center. Estas compartilham oficiais e diretores de Blackwater.

Um deles, Cofer Black, conhecido por sua brutalidade, sendo um dos diretores da CIA, foi quem fez contato com Monsanto em 2008 como diretivo de Total Intelligence, marcando o contrato com a companhia, para espiar e infiltrar organizações de ativistas pelos direitos dos animais, contra os transgênicos e outras sujas atividades do gigante biotecnológico.

Estudo mostra que quatro grandes grupos econômicos brasileiros são subordinados ao capital internacional

Estudo mostra que quatro grandes grupos econômicos brasileiros são subordinados ao capital internacional  
A reportagem é de Luiz Sugimoto e publicada por Jornal da Unicamp, 23 de junho de 2014 a 03 de agosto de 2014.


"o que estamos assistindo nas últimas décadas é a desestruturação da base material que permitiria algum progresso econômico, com mais empregos e de melhor qualidade, maiores salários, incremento do mercado interno, arrecadação tributária para políticas sociais e respeito ao meio ambiente. “Todos esses aspectos do desenvolvimento estarão em xeque enquanto dependermos de uma burguesia como a retratada no estudo, constituída por empresas que não estejam correspondendo a um projeto de nação. Na verdade, é uma burguesia de negócios. As burguesias do mundo inteiro fazem negócios, mas também fazem um Estado forte, inovação tecnológica, competição. No Brasil, ao que parece, só fazem negócios, qualquer negócio.”

Recentemente ressurgiu a discussão sobre um tema efervescente dos anos 1950 aos 70: que o Brasil, como naquela época, estaria passando por um novo momento desenvolvimentista, buscando uma autonomia relativa e ganhando base material para colocar o capitalismo a serviço de um projeto nacional, mais democrático e socialmente justo. A observação é do economista Artur Monte Cardoso, cuja dissertação de mestrado, porém, aponta para um processo de reversão das bases do desenvolvimento brasileiro ou, mais que isso, de reversão neocolonial. “Burguesia brasileira nos anos 2000 – Um estudo de grupos industriais brasileiros selecionados” é o título do trabalho orientado pelo professor Plínio Soares de Arruda Sampaio Junior e apresentado no Instituto de Economia(IE) da Unicamp.

Feito um estudo qualitativo da organização empresarial de uma parcela representativa da burguesia brasileira, o autor da pesquisa optou por estudar quatro grandes grupos econômicos que cresceram enormemente neste início de século, tendo se internacionalizado e figurado entre os chamados “campeões nacionais”: Vale (mineração), Gerdau(siderurgia), Cosan (sucroalcooleiro) e JBS (carnes).

Cada grupo teve mapeado seu mercado, base produtiva, base financeira, vínculos com o Estado e estratégia adotada no período de estudo. “Fiz a escolha a partir do anuário Valor Grandes Grupos, que publica uma lista dos maiores grupos econômicos, dentre os quais extraí os maiores brasileiros privados do setor produtivo – excluí, portanto, a Petrobrás e empresas dos setores de serviço, comércio e finanças.”

domingo, 17 de agosto de 2014

Jovem, homem, negro é o perfil dos que mais morrem de forma violenta no Brasil

Jovem, homem, negro é o perfil dos que mais morrem de forma violenta no Brasil
Brasil - Agência Brasil - [Helena Martins]


...o preconceito, a xenofobia, o racismo, não tem função ideológica: praticada com intensidade em tempos de crise,[...] insere-se plenamente na luta pelo esmagamento dos salários – quer dizer pela manutenção e até mesmo aumento dos lucros tornado possível pela divisão dos assalariados (entre mulheres e homens, Brancos e Negros, estrangeiros e nacionais , jovens e velhos, etc.).

"Uma terceira variável chama a atenção na pesquisa: a vitimização dos negros é bem maior que a de brancos. Morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012. Considerando a década entre 2002 e 2012, a vitimização negra, isso é, a comparação da taxa de morte desse segmento com a da população branca, mais que duplicou." 
"De acordo com Jacobo, essa seletividade foi construída por diversos mecanismos, entre os quais o desenvolvimento de políticas públicas de enfrentamento à violência em áreas onde havia mais população branca do que negra, bem como o acesso, por parte dos brancos, à segurança privada. Assim, os negros são excluídos duplamente - pelo Estado e por causa do poder aquisitivo. "Isso faz com que seja mais difícil a morte de um branco do que a de um negro", destaca o sociólogo."


De acordo com o Mapa da Violência 2014, 1 a cada mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012.

Em média, 100 a cada 100 mil jovens com idade entre 19 e 26 anos morreram de forma violenta no Brasil em 2012, mostra o Mapa da Violência 2014, que considera morte violenta a resultante de homicídios, suicídios ou acidentes de transporte (que incluem aviões e barcos, além dos que ocorrem nas vias terrestres de circulação).

O estudo mostra que nos anos 1980 a taxa de mortalidade juvenil era 146 mortes por 100 mil jovens, passou para 149 em 2012. Se a média geral não mudou significativamente com o passar do tempo e o aumento populacional, a causa, sim. Naquela década, as causas externas, que independem do organismo, eram responsáveis pela metade do total de mortes dos jovens.

Já em 2012, dos 77.805 óbitos juvenis registrados pelo Sistema de Informações de Mortalidade (Sim), do Ministério da Saúde, 55.291 tiveram sua origem nas causas externas. Mais de 71% do total. Os homicídios e os acidentes de transporte são os dois principais responsáveis por essas mortes, segundo o relatório.

A diferença também é diagnosticada quando comparados homens e mulheres. Entre 1980 e 2012, no total das mulheres, as taxas passam de 2,3 para 4,8 homicídios por 100 mil. Um crescimento de 111%. Entre os homens, a taxa passa de 21,2 para 54,3. Um aumento de 156%.

No caso dos suicídios, a pesquisa revela mortalidade três a quatro vezes maior no caso dos homens, no Brasil. Entre as décadas citadas, as taxas masculinas cresceram 84,9%. Já as femininas, 15,8%.

Uma terceira variável chama a atenção na pesquisa: a vitimização dos negros é bem maior que a de brancos. Morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012. Considerando a década entre 2002 e 2012, a vitimização negra, isso é, a comparação da taxa de morte desse segmento com a da população branca, mais que duplicou.

Templo de Salomão - O negócio

A Igreja Universal e o cristianismo
por Jailson Davi para o Jornal A Verdade

""Se Jesus é o caminho, os pastores evangélicos são o pedágio" Enquanto o rebanho de crentes anseia ao morrer ir pro paraíso celestial. Os apóstolo$, bispo$ e pastore$ evangélico$ preferem o paraíso fiscal, aqui na terra mesmo."


"o que chamou a atenção no culto inaugural foi uma massiva participação de grandes empresários, latifundiários e políticos de quase todos os partidos, inclusive a presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin."

"Segundo a Receita Federal do Brasil, a IURD arrecada aproximadamente R$ 1,4 bilhão por ano. Por ser oficialmente uma instituição sem fins lucrativos, tem imunidade fiscal para recolhimento do Imposto de Renda – em tese, os recursos arrecadados pela igreja, o dizimo dos seus fiéis, deveriam ser usados exclusivamente em obras assistenciais. A Igreja tem sido alvo de investigação pelo Ministério Público Federal por suposto desvio do dízimo para empresas do líder da Igreja Universal e pastores ligados à instituição religiosa e que teriam sido transferidos para companhias com sede nas Ilhas Cayman."


Em meio a denúncias sobre irregularidades na concessão do alvará de construção, foi inaugurado no último dia 31 de julho, no bairro do Brás, zona central de São Paulo, o Templo de Salomão, maior complexo religioso da Igreja Universal do Reino de Deus, com capacidade para 10 mil pessoas. O prédio frontal tem 11 andares e mede 56 metros de altura (o dobro da altura do Cristo Redentor). Já o prédio dos fundos tem cerca de 41 metros de altura (é 4 vezes maior do que o Santuário de Aparecida do Norte). Possuem telões de 20 m², maiores do que os dos estádios da Copa do Mundo 2014, conta com um sistema de som potente e sofisticado, acabamentos em mármore italiano e decoração com mais de 10.000 lâmpadas de Led e todo o piso do templo e do altar são revestidos com pedras trazidas de Israel.

Mas, o que chamou a atenção no culto inaugural foi uma massiva participação de grandes empresários, latifundiários e políticos de quase todos os partidos, inclusive a presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A voracidade carnívora

A voracidade carnívora
pesquisadora do Grupo ETC, Silvia Ribeiro, 
em artigo publicado por America Latina en Movimiento, 13-08-2014. A tradução é do Cepat.



“As grandes instalações de criação industrial eliminam fontes de renda para milhões de camponeses e pequenos pecuaristas em nível mundial, ao mesmo tempo em que reduzem as opções dos consumidores. Aumentam os lucros das transnacionais, de acionistas e investidores, à custa de colocar em risco a saúde, causar sofrimento animal, eliminar a diversidade de raças, minar a segurança e a soberania alimentar, contaminar e desperdiçar a água, entre outros impactos”.


Eis o artigo.

A produção industrial de carnes e de seus derivados está se tornando um enorme problema de contaminação ambiental e despojo de terras e águas. É também um dos maiores fatores de mudança climática e o principal destino global dos cultivos transgênicos. E se isso não fosse o suficiente, a criação industrial confinada de animais se caracteriza pela crueldade e em razão da superlotação e a grande quantidade de antivirais e antibióticos que são aplicados, é um criadouro de novas enfermidades animais e humanas, como a gripe aviária e a gripe suína. A origem desta última, por exemplo, foi detectada em Perote, Veracruz, nos criadouros de porcos de Granjas Carroll.

Precisamos conhecer estes e outros dados sobre esta indústria, porque afetam nossa vida, a natureza e o ambiente de muitas maneiras, fazem parte do Atlas da Carne, uma nova publicação da Fundação Heinrich Böll, elaborada em colaboração com outras organizações e pesquisadores.

O caso de Granjas Carroll, no México, é um exemplo paradigmático de muitos dos impactos e modos de operação que caracterizam esta indústria.

A empresa foi comprada parcialmente em 1994, pela Smithfield Company, transnacional estadunidense que era a maior produtora mundial de carne de porco e que ao chegar ao México intensificou e aumentou sua produção ainda mais. Smithfield se transferiu para o México fugindo de várias multas milionárias pela grave contaminação provocada por suas instalações nos Estados Unidos. Chegou aqui se aproveitando da falta de regulação e fiscalização oferecida pelo México, como vantagem comparativa no TLCAN (Tratado de Livre Comércio da América do Norte), as indústrias contaminadoras da América do Norte. A contaminação e os protestos dos moradores de povos vizinhos, afetados pelo envenenamento de seus solos, águas subterrâneas e o ar não tiveram, aqui, consequências para a Smithfield. Os governos de Puebla e Veracruz se encarregaram de criminalizar e perseguir as vítimas que protestaram contra a contaminação.