Pesquisa Mafarrico

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

EUA: Guerra económica contra os pobres

Guerra económica contra os pobres
por António Santos
 
"Os EUA são o país do mundo que gasta mais dinheiro em armamento e guerras. Nem os gastos de defesa combinados de todos os países do mundo alcançam as fortunas que os EUA dedicam ao armamento. Com Obama, 57% do orçamento federal é dedicado ao exército e outros corpos militares. A educação, por seu turno, corresponde a 6% e a saúde a 5%. Os verdadeiros problemas de segurança dos EUA, a fome e a miséria do seu povo, são considerados irrelevantes quando comparados às urgências políticas do império. Como é que 50 milhões de trabalhadores vão sobreviver sem este subsídio, não é uma emergência."


O Governo dos EUA cortou no passado dia 1 de Novembro o valor da ajuda alimentar a 47 milhões de pessoas. A nova medida de austeridade, inserida no quadro da prescrição do programa de estímulo federal de 2009, traduz-se num corte de mais de 30 dólares por mês para a maioria das famílias carenciadas, o que se reveste de especial gravidade tendo em conta que desde o princípio da crise capitalista o número de trabalhadores dependentes de ajuda alimentar mais do que duplicou.

Agora, nos corredores do Congresso, democratas e republicanos buscam um consenso que permita cortes adicionais. O guião é o mesmo do costume: os republicanos assumem o papel de «polícia mau» e propõem um exorbitante corte adicional de quatro mil milhões de dólares. Instala-se o nervosismo, sabe-se lá o que é que o polícia mau nos pode fazer mais. Mas nesse momento, o temível agente da autoridade sai de cena e cede o lugar de interrogador a um simpático e democrata «polícia bom» que garante ao detido que é seu amigo e que afinal só pretende um corte adicional de 400 milhões.

Na verdade, o «polícia bom» democrata é responsável por alguns dos mais graves actos de guerra de classe da história recente dos EUA: ainda não há muito tempo, em 1996, o presidente Bill Clinton instituía o Personal Responsability and Work Opportinity Act, uma lei que limitava monstruosamente os subsídios de desemprego, invalidez e deficiência ao mesmo tempo que chantageava os trabalhadores desempregados para que se submetessem a situações de exploração desumanas.
 

Fome no coração do capitalismo
 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

À sombra da geopolítica dos EUA, ou Como sempre, é a “Grande Israel”

À sombra da geopolítica dos EUA, ou Como sempre, é a “Grande Israel”
 Fonte:redecastorphoto

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
 
 
"Desde o início da “Primavera Árabe”, os EUA vêm se movimentando na direção de uma reestruturação geopolítica da região, a qual, é claro, também levantou a discussão sobre o destino de Israel. Desde então, a questão permanece na agenda. E não importa a forma que assuma, o tom não muda: Israel é invariavelmente apresentada como a vítima.

Assim, na primavera de 2011, no auge da guerra contra a Líbia, quando a Autoridade Palestina levantou a questão de tornar-se membro da ONU, a imprensa-empresa ocidental rapidamente pôs-se a denunciar a traição, por Washington, que estaria “entregando” o Estado Judeu aos islamistas. Hoje, quando o absurdo dessa ideia já é óbvio para todos, a ênfase passou para a ameaça mortal que o Irã representaria para Israel, ênfase que, pelo que se vê, cresce alinhada à deterioração da situação na Síria.

Nesse processo, a questão mais importante está sendo ocultada ou, simplesmente, foi varrida: o agudo interesse que Israel tem na desestabilização dos países árabe-muçulmanos que a cercam; e em manter e expandir a guerra na Síria.

O rabino Avraam Shmulevich, um dos criadores da doutrina do “hipersionismo”, influente na elite israelense, falou abertamente sobre as razões desse interesse, em entrevista, em 2011. É interessante: ali, ele via a “Primavera Árabe” como uma bênção para Israel."
 
 

 
Há trinta anos, os estrategistas dos EUA introduziram a ideia do “Grande Oriente Médio”, ou “Oriente Médio Expandido” [orig. The Greater Middle East], correspondente ao espaço do Maghreb a Bangladesh, e declararam que esse vasto território passava a ser zona de interesse prioritário dos EUA.

sábado, 16 de novembro de 2013

“The act of Killing”, um extraordinário documento

“The act of Killing”, um extraordinário documento
por Os Editores de O Diário Info
 
 
Um realizador norte-americano empreendeu a tarefa de documentar a chacina anti-comunista levada a cabo na Indonésia em 1965. O monstruoso massacre de um milhão de homens e mulheres, encorajado e saudado pelo imperialismo, surge reencenado por um dos seus principais perpetradores, pessoalmente responsável por mais de mil mortes. O filme foi estreado em Espanha a 30 de Agosto.
 
 

Um realizador de cinema pede a um assassino que recrie, em filme, as torturas e crimes que cometeu na vida real. Este, encantado com a oferta, dispõe-se a isso com entusiasmo e diligência. O resultado da experiência é uma alucinação cinematográfica que adquire proporções épicas quando se descobre que o criminoso é um dos líderes mais sanguinários dos esquadrões da morte na Indonésia, bandos de carniceiros que, em 1965, acabaram com a vida de um milhão de pessoas em menos de um ano. The Act of Killing, de Joshua Oppenheimer, é a consequência desse assustador delírio de fama dos genocidas indonésios que, no entanto, hoje vivem como heróis no seu país. O filme estreou em 30 de Agosto em Espanha.

Werner Herzog, um dos realizadores mais talentosos do cinema documental, revelou publicamente o seu assombro perante The Act of Killing. “Não vi um filme tão poderoso, surreal e aterrador em pelo menos uma década”, disse, acertando em cheio nos cinco adjectivos e na ordem com que os empregou. Tão impressionante, tão demente é a história deste filme, que a primeira reação perante o mesmo é de surpresa. Uma espécie de estupefacção que se transforma em perturbação e confusão, antes de se transformar em espanto e, finalmente, em algo muito parecido com a angústia física.

Os Esquadrões da Morte

Anwar Congo, um dos cabecilhas dos Esquadrões da Morte que actuaram na Indonésia depois do golpe militar contra o Presidente Sukarno, é a estrela deste filme. Este verdugo, responsável, de acordo com as suas palavras, pela tortura e assassinato, com as suas próprias mãos, de mais de mil pessoas, encena perante a câmara os crimes que cometeu, explica como perpetrava as suas agressões e vangloria-se de se ter para isso inspirado em filmes de gângsteres que estreavam no cinema.

Líbia: de Kadhafi à Al-Qaëda. Com agradecimentos à CIA...

Líbia: de Kadhafi à Al-Qaëda. Com agradecimentos à CIA...
por Marc Vandepitte


"A queda de Kadhafi tornou-se possível através de uma aliança entre as forças especiais francesas, britânicas, jordanas e qataris, de um lado, e dos grupos rebeldes líbios, de outro. O mais importante deles era precisamente o Libyan Islamic Fighting Group (LIFG), que figurava na lista das organizações terroristas proibidas. [...] A sua milícia teve direito a treinos americanos, mesmo antes de ter começado a rebelião na Líbia.

 


Estão os Estados Unidos verdadeiramente em guerra contra o terrorismo em África, ou fomentam-no para servir os seus interesses?

Estado falhado

Em 11 de outubro, o Primeiro-ministro líbio foi brutalmente derrubado antes de ser libertado algumas horas mais tarde. Este rapto é sintomático da situação no país. Em 12 de outubro, um automóvel armadilhado explodiu perto das embaixadas da Suécia e da Finlândia. Uma semana antes, a embaixada da Rússia foi evacuada, depois de ter sido invadida por homens armados. Há um ano, a mesma coisa aconteceu na embaixada americana. O embaixador e três colaboradores foram mortos. Outras embaixadas tinham sido anteriormente alvos de ataque.

A intervenção ocidental na Líbia, tal como no Iraque e no Afeganistão, instaurou um Estado falhado. Depois do derrube e do assassinato de Kadhafi, a segurança no país está fora de controlo. Atentados contra políticos, ativistas, juízes e serviços de segurança são o pão de cada dia. O governo central exerce apenas o controlo do país. Milícias rivais impõem a sua ordem. Em fevereiro, o governo de transição foi forçado a reunir em tendas, depois de ter sido expulso por rebeldes encolerizados. O barco que naufragou perto de Lampedusa, afogando 300 refugiados, provinha da Líbia. Etc.

A Líbia detém as mais importantes reservas de petróleo de África. Mas, depois do caos que reina no país, a extração de petróleo praticamente paralisou. A partir daí, o país tem de importar petróleo para assegurar as necessidades de eletricidade. No início de setembro, as reservas de água para Tripoli foram sabotadas, ameaçando acapital de penúria.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Terror e militarismo na estratégia dos EUA para enfrentar a crise

Terror e militarismo na estratégia dos EUA para enfrentar a crise
por Luís Carapinha
 
 


"A essência exploradora e as práticas criminosas do capitalismo contrastaram em permanência com a imagem virtuosa da democracia representativa burguesa, arvorada em farol da liberdade e pináculo dos direitos do homem, cultivada pelos meios de legitimação da ordem capitalista."


"O rastro de destruição e instabilidade deixado pelas guerras no Afeganistão (cuja ocupação militar prossegue), Iraque e Líbia deixa a descoberto a estratégia terrorista impulsionada pelos EUA. Na Síria os grupos financiados, armados e treinados pelos Estados Unidos e o séquito de potências e países cúmplices (cada qual munido da sua pequena agenda própria) travam uma guerra de procuração que tem – no plano estratégico – os olhos colocados no Irão, Rússia e China. Não é segredo que a doutrina militar dos EUA identifica nos três países diferentes níveis de ameaça à manutenção da sua hegemonia. Daí todo o manancial de meios políticos, económicos e militares com vista à sua contenção, desestabilização e enfraquecimento (sem esquecer o velho plano de desmembramento da Federação Russa auspiciado por eminentes estrategas em Washington), que incluem igualmente a utilização do terrorismo."



O fenómeno do terrorismo, na complexidade e multiplicidade de formas e facetas que encerra, esteve sempre associado – de modo directo ou indirecto – à manutenção dos interesses de classe dominantes. A situação actual não constitui excepção. A estratégia militarista dos EUA e a expansão do terrorismo de Estado continua a socorrer-se do subterfúgio da ameaça terrorista e da guerra contra a Al-Qaeda, apesar de há muito serem conhecidas as ligações promíscuas entre a acção do terrorismo islâmico e os centros de subversão do imperialismo. A guerra de agressão contra a Síria, em que segundo Damasco participam mercenários oriundos de 83 países, coloca a nu esta relação criminosa. Só não vê quem não quer.

Historicamente, a expressão política suprema do terror está consubstanciada na ascensão do fascismo no século XX. Expoente da reacção extremista de classe no quadro disruptivo pautado pelo exacerbamento da crise geral do capitalismo e a eclosão da grande depressão em 1929. Contexto conturbado não dissociável do temor face à consolidação da experiência emancipadora da URSS e a perspectiva de novos avanços na via de rupturas revolucionárias e alternativas de desenvolvimento soberano e progresso social.

Brasil : “Hoje eu vejo que bandido é o Estado”

“Hoje eu vejo que bandido é o Estado”
 

 
"A polícia, é muito triste de dizer, não sei se tem alguém aí que faz pesquisa em psicologia, a fração de sádicos na sociedade, eu ouvi uma vez dizer que tinha 1%. Se pesquisar na polícia, eu garanto que vai encontrar um número bem maior. Não sei se eles são incentivados, ou há uma pré-seleção. Mas o sadismo ficou claro: eles têm um prazer enorme em ver você sofrer, e te diminuir."
 

Gustavo Dopcke, preso no dia 15, no Rio de Janeiro, na manifestação em apoio a greve dos educadores, conta como foi a experiência do cárcere.

 
Resolvi transcrever parte do depoimento do manifestante preso em 15 de outubro de 2013, no Rio, por causa da força desse relato e da palavra escrita. E para que não pairem dúvidas sobre o fim do Estado Democrático de Direito no Rio de Janeiro, apoiado pelo governo federal. Ninguém precisa ter bola de cristal para saber quais serão as consequências desse Estado policial. Não coube num post comum do facebook. Publico a transcrição nesse formato de ‘nota’.

“Os policiais revistaram minha mochila, aí encontraram: o respirador e o leite de magnésia.

- O senhor está preso.

Daí a gente foi enquadrado nesse crime de formação de quadrilha ou bando.

A delegada não mandou a tempo o documento, dizendo que agente estava sendo preso e pelo que a gente estava preso. Então, os nossos advogados não conseguiram entrar com o habeas corpus a tempo. Então, foi o segundo sequestro. Ocorreu quando a gente saiu da 25 DP e foi levado para o (presídio) Patrícia Aciole. Até lá, os advogados não podiam fazer nada pela gente, porque estava todo ocorrendo fora da lei.

Lá, começou a tortura psicológica. Eles começaram a xingar a gente de ‘vândalo de merda’, do que fosse. Eles colocaram a gente para esperar na chuva, com água até o joelho (...). Depois a gente entrou, a nossa roupa foi confiscada, a gente recebeu uma bermuda, uma camiseta branca, e depois todo mundo teve o cabelo raspado. (...) A revista íntima é feita assim: você é colocado nu, aí eles mandam você fazer alguns movimentos para eles poderem ver toda a parte do seu corpo. Daí a gente dormiu ali aquela noite.

Na outra madrugada, a gente foi acordado e levado para Bangu. Aí recomeçou toda a tortura psicológica. Eles xingaram a gente do que dava pra xingar. Colocaram a gente numa fila, agachado. Daí a gente ficou agachado lá, até você não sentir mais a perna. (...) Inclusive, eles sentem muito prazer em torturar a pessoa nesse momento. (...)

Assassinos grandes e pequenos

Assassinos grandes e pequenos
por Filipe Diniz


 
 
Dados da ONU apontam para que só nesse ano( 2011) houvesse 3021 civis mortos e 4507 feridos no Afeganistão. Na tropa da ocupação imperialista, em tantos casos desesperada perante uma situação militar incontrolável, de vez em quando há um militar de baixa patente que vai a tribunal e é condenado. Um, o U.S. Sgt. Robert Bales, que matou 16 civis e feriu outros 6, foi condenado a prisão perpétua. Sendo os EUA o que são, as famílias destas vítimas receberam $50 000 por cada parente falecido, e os feridos sobreviventes receberam $11 000. Parece que estes valores foram inflacionados pelo impacto do crime – mediatizado como o «massacre de Kandahar» – porque, por exemplo, uma rapariga que ficou com um braço gravemente ferido noutra ocasião apenas teve direito a $392.16. Em qualquer caso as famílias assim contempladas foram informadas que se tratava de «assistência proporcionada pelo presidente Obama», o assassino em série que mata com drones.


«Estava na minha cama às 11h.45 da noite quando ouvi barulho e vi helicópteros a pairar. Avisaram através de altifalantes que as pessoas não deveriam sair de casa e que se não obedecessem seriam alvejadas. Os meus três sobrinhos e o meu cunhado estavam a dormir no quarto de visitas. Todos os quatro saíram de casa em pânico e foram abatidos pelos militares internacionais. Depois os militares internacionais começaram a revistar-nos as casas. Partiram três portas e queimaram uma bicicleta a motor. Vasculharam a casa toda e encontraram uma espingarda de pressão de ar e destruíram-na. Os militares internacionais prenderam o meu irmão e foram-se embora.»

Este testemunho é de um aldeão afegão, e foi retirado de um relatório da missão UNAMA (United Nations Assistance Mission in Afganistan). Vem a propósito do recente julgamento de um fuzileiro britânico pelo assassínio a sangue frio de um jovem afegão que ficara ferido por tiros disparados de um helicóptero. O julgamento só tem lugar porque essas tropas utilizam equipamento muito sofisticado: uma câmara de televisão instalada no capacete do assassino registou o crime.

O acontecimento deu-se em Setembro de 2011. Dados da ONU apontam para que só nesse ano houvesse 3021 civis mortos e 4507 feridos no Afeganistão. Na tropa da ocupação imperialista, em tantos casos desesperada perante uma situação militar incontrolável, de vez em quando há um militar de baixa patente que vai a tribunal e é condenado. Um, o U.S. Sgt. Robert Bales, que matou 16 civis e feriu outros 6, foi condenado a prisão perpétua. Sendo os EUA o que são, as famílias destas vítimas receberam $50 000 por cada parente falecido, e os feridos sobreviventes receberam $11 000. Parece que estes valores foram inflacionados pelo impacto do crime – mediatizado como o «massacre de Kandahar» – porque, por exemplo, uma rapariga que ficou com um braço gravemente ferido noutra ocasião apenas teve direito a $392.16. Em qualquer caso as famílias assim contempladas foram informadas que se tratava de «assistência proporcionada pelo presidente Obama», o assassino em série que mata com drones.

A hora dos peixes graúdos serem julgados também há-de chegar.
 

Como se fabrica uma «alternância»...

Como se fabrica uma «alternância»...
por Agostinho Lopes
 
 


A alternância é uma estratégia, estratagema político bem conhecido dos povos, bem sintetizado na expressão «mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma»! Nos sistemas políticos democráticos (nas democracias burguesas) é a forma de assegurar a manutenção da mesma política, nas suas opções estratégicas, eixos estruturantes e medidas, ou seja, o serviço dos mesmos interesses de classe, através da mudança de composição dos titulares do governo, via substituição do partido (ou coligação) que assume o governo e que, anteriormente, era oposição.

Tem sido assim em Portugal nestes quase 40 anos de regime democrático conquistado pela Revolução de Abril.

A alternância tem um objectivo central: negar a alternativa, isto é, que haja uma efectiva alteração de política(s)! E a negação da alternativa exige a «fabricação» da «alternância»!

Um processo que se inicia logo que um novo governo toma posse, ou mesmo antes, pelo menos com a entrada em cena (indiciação) do putativo líder da alternância! Um processo complexo em que convergem a intervenção da força partidária que vai corporizar a alternância e as forças de classe (económicas) dominantes interessadas na continuidade/aprofundamento dessas políticas. Mas também de outros actores e agentes, em que se destaca o sistema mediático, subordinado à lógica da «alternância», quanto mais não seja por ser instrumento do poder de classe contido nos sucessivos governos que vão encarnando a «alternância»!

A negação da alternativa política e da política alternativa

Na fabricação de uma «alternância» afirma-se uma dupla negação: negar a existência de uma política alternativa e negar a existência/possibilidade de uma alternativa política, que depois se desdobram em múltiplas variantes, na assumpção de diversas máscaras.

Uma primeira corresponde a fazer passar as políticas da «alternância» por política alternativa. Mascarar as suas propostas e programa, nomeadamente sobrevalorizando os pormenores, relevando diferenças secundárias, empolando as formas para esconder a identificação dos conteúdos, a defesa dos mesmos interesses de classe. Desvalorizando a política de alianças assumida, ou mesmo o significado de uma proclamada indefinição, ambiguidade.

Mas, essencialmente, anunciando uma pretensa mudança de políticas através da mudança dos protagonistas, do partido do governo, dos ministros (a invenção do «governo sombra»), do 1.º Ministro. Aqui, desempenha um papel central a mistificação eleitoral da «eleição» do 1.º Ministro, onde se concentra, polariza, todo o «conteúdo» da mudança de política prometida pela «alternância».

Outro discurso promotor da «alternância» passa por encerrar, subsumir as possibilidades de reais alternativas políticas, no anel de ferro da «salvação nacional», do «consenso nacional, superpartidário». Em nome de um suposto «interesse nacional», abstractamente enunciado, acima das classes, das ideologias, dos partidos, tenta-se anular o contraditório, a diferença político-ideológica.

sábado, 10 de agosto de 2013

EUA: Nós somos a alta tecnologia da espionagem global

Nós somos a alta tecnologia da espionagem global
Por Eduardo Febbro, de Paris
 
  

Todas as fantasias dos adeptos das teorias conspiratórias que imaginavam os EUA espionando cada canto do planeta com satélites e dispositivos ultra tecnológicos viraram fumaça em um par de dias. A alta tecnologia da espionagem global somos nós mesmos, não satélites espiões, nem raios invisíveis. Nós entregamos nossos correios, nossos segredos, as fotos e os nomes de nossos filhos e irmãos, de nossos amigos, envoltos em um papel de presente transparente. Especialistas em tecnologias da informação concordam: é imperativo mudar nossa cultura na rede.

Só nos resta o espelho do nosso próprio desencanto. E certa tristeza humana e “geopolítica” ao constatar que, frente ao grande espião universal norte-americano vestido com a roupagem da democracia, os europeus não só deram mostras de uma espantosa covardia frente aos Estados Unidos, como também que, toda sua potência econômica, todo seu espaço comunitário, todo seu Banco Central e seu euro, não serviram sequer para criar um contrapeso numérico ao lado do alucinante poderio norte-americano.

O jornalista investigativo e especialista em internet e em novas tecnologias da informação,
Jaques Henno, autor de dois livros sobre espionagem (“Todos fichados” e “Sillicon Valley, o Vale dos Predadores), comenta: “Nós, enquanto europeus, estamos na periferia do império norte-americano. Enviamos informações a ele porque não fomos capazes de criar o equivalente do Google, Apple ou Facebook para conservar na Europa essas informações”. Kavé Salamantian, professor de informática e telecomunicações na Universidade de Lancaster, expressa certa amargura quando diz: “A NSA nos enganou. Era previsível que nos espionasse. Fomos enganados pelas empresas privadas, Google, Facebook, Apple, Microsoft. Elas nos espionam de uma forma muito simples: utilizam as informações que nós proporcionamos e a confiança que tivemos nas empresas que oferecem serviços informáticos. Esses atores se tornaram parte tão cotidiana de nossa vida que nos esquecemos das informações essenciais que disponibilizamos”.
  
A espionagem organizada a partir do dispositivo Prisma revelado pelo ex-membro da NSA norte-americana, Edward Snowden, é de uma simplicidade infantil. Stéphane Bortzmeyer, especialista em segurança informática e arquiteto de sistemas e redes, explica que Prisma “é só uma parte da espionagem norte-americana. A ideia consiste em se conectar com os grandes serviços de intercâmbio, as grandes redes sociais que estão nos Estados Unidos, ou seja, entre outros, Google e Facebook. O grande interesse de atuar neste nível consiste em ter acesso a uma informação que já está estruturada e tratada”.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O mito da Caridade cristã

O Papa, o Edir Macedo da Igreja Universal e o Valdomiro da Igreja  Mundial.
O mito da Caridade cristã
por Jorge Messias
"Agora, a derrocada capitalista é geral. Os povos caminham para a miséria e nada pode disfarçar esta horrível realidade. Por isso o Vaticano, em estado de desespero, tenta o impossível: em plena era do conhecimento e já incapaz de ocultar completamente a realidade, procura manter o mito central do seu passado histórico ultraconservador: fingir ser aquilo que não é. Assim entronca esta síntese no tema central que nos tem vindo a ocupar – o lugar da hierarquia religiosa nas técnicas da fome e da produção da miséria, da desigualdade social e da redução drástica das liberdades democráticas – inscritas no agrobusiness. "

«O aumento do preço dos alimentos deve-se, sobretudo, à especulação do capital financeiro de pensões e fundos de alto risco. Após o estoiro da bolha especulativa do sector imobiliário americano, a cotação dos produtos agrícolas tornou-se referência obrigatória nos principais mercados do mundo... Em 2007, por exemplo, os contratos especulativos da Bolsa de Chicago corresponderam a totais de 7 biliões de toneladas de milho, 4 biliões de soja e 3 biliões de trigo quando, nas colheitas realmente conseguidas nesse ano, se apuraram apenas 780 milhões, 220 milhões e 606 milhões de mercadorias. Só o mercado futuro da soja chegou a negociar nesse período, 22 hipotéticas searas» (Karen C. Karen, «Biodiesel e segurança alimentar»).


«O terceiro sector tem a função de minimizar os impactos da oposição às reformas neoliberais. Quando os regimes neoliberais, em fase de instalação, transferiram ricos patrimónios do Estado para o sector privado, as ONG não se aliaram aos sindicatos. Mas quando os governos neoliberais centrais devastaram as comunidades e estimularam a dívida externa, promovendo a pauperização, nem por isso as ONG deixaram de receber do Estado crescente financiamento para os seus projectos alternativos» (James Petras, «Neoliberalismo...»).

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

HIROSHIMA


HIROSHIMA
por Albano Nunes


"Não impediu o avanço do campo dos países socialistas, avanço que ulteriores derrotas não podem fazer esquecer, e que chegou a estender-se a um terço da população mundial e a alcançar realizações de dimensão histórica. Não conseguiu sequer impedir que a União Soviética, devastada e sangrada por mais de 20 milhões de mortes, se reerguesse a um ritmo vertiginoso e se dotasse ela também da arma atómica, feito de alcance histórico a juntar a tantos outros, que obrigou os EUA a encolher as garras agressivas e abriu espaço ao avanço universal da luta libertadora dos trabalhadores e dos povos."


Ao lançar a bomba atómica sobre as populações das cidades japonesas de Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945, e de Nagasaki, três dias depois, o imperialismo norte-americano cometeu um dos maiores crimes que a história regista. Trata-se de uma tragédia que não pode cair no esquecimento. Particularmente quando, perante a crise estrutural profunda em que o capitalismo se debate, vivemos tempos em que avança velozmente o militarismo, se agudizam as contradições entre as grandes potências, se manifesta de modo cada vez mais inquietante a natureza agressiva do imperialismo.

Mas será que, como é frequentemente considerado mesmo entre combatentes da paz, se tratou «apenas» de um «crime de guerra gratuito» dado que, como está historicamente estabelecido, o Japão já estava militarmente derrotado? Pensamos que não. Tratou-se sim de um crime friamente calculado e dirigido, não contra o militarismo japonês, mas contra as forças anti-fascistas e progressistas de todo o mundo para afirmar os EUA, então o único país detentor da arma atómica, como potência hegemónica no plano mundial. Essa a principal razão da entrada dos EUA na II Guerra Mundial ao lado da URSS. Estava declarada a «guerra fria» mesmo antes de formalmente anunciada por Churchill no seu célebre discurso de Fulton em 6 de Março do ano seguinte.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

França : O saldo da privatização


Air France anuncia nova vaga de despedimentos
O saldo da privatização




"Feitas as contas, desde que os privados se apoderaram da empresa mais de 16 mil postos de trabalho foram ou estão em vias de serem extintos em nome da rentabilidade. O pessoal de terra foi o mais afectado, mas as reduções atingiram também o pessoal de cabine e os pilotos. "

 A administração da Air France anunciou, dia 31 de Julho, uma nova vaga de despedimentos que atingirá entre 2500 e 2600 trabalhadores já a partir de Setembro.

Desde a fusão com a holandesa KLM, em 2003, e após a privatização total da companhia em 2004, a Air France tem conduzido uma política de rapina dos direitos laborais e sociais dos trabalhadores.

Externalização de serviços, redução de efetivos, congelamento de salários e de admissões e cortes nas regalias sociais têm sido as principais medidas aplicadas pela empresa para reduzir custos e recuperar a rentabilidade.

A hemorragia de pessoal começou em 2004 com a não substituição de trabalhadores.

Só por esta via foram destruídos até ao presente 6430 postos de trabalho a que se somaram mais 1800 rescisões «voluntárias» efectuadas em 2010.

Depois, em 2012, foi apresentado o plano «Transform 2015», cujo objectivo era realizar poupanças de dois mil milhões de euros, de modo a reduzir a dívida da companhia para 4,5 mil milhões de euros, até ao final de 2014, e aumentar a sua rentabilidade em 20 por cento.

Num ano e meio, o «Transform» foi responsável pela supressão de 5600 postos de trabalho. Mas a administração não está satisfeita e acaba de anunciar pelo menos mais 2500 despedimento até ao final do ano.

Feitas as contas, desde que os privados se apoderaram da empresa mais de 16 mil postos de trabalho foram ou estão em vias de serem extintos em nome da rentabilidade. O pessoal de terra foi o mais afectado, mas as reduções atingiram também o pessoal de cabine e os pilotos.

Fifa, CBF e PT: formação de quadrilha!

Fifa, CBF e PT: formação de quadrilha!
por Hugo R C Souza 
"Nem mesmo o argumento picareta, mas oficial, que as "autoridades" costumam usar como justificativa para o financiamento das festas dos ricos, ou seja, o de que a gastança "aquece" a economia local e gera dividendos com o aumento do turismo, do consumo, etc, nem mesmo essa lengalenga se sustentou. Segundo dados da própria Embratur, a abertura da Copa das Confederações em Brasília gerou cerca de R$ 22 milhões em rendimentos para o Distrito Federal, apenas metade do que foi gasto com o evento, sendo que a maioria do faturamento extra foi para o bolso de patrões, como os proprietários de grandes hotéis. "

Como é do conhecimento de todos, o time formado por jogadores de futebol escolhidos e amestrados pela corrupta CBF venceu em junho o torneio Copa das Confederações, organizado pela não menos corrupta Fifa em dobradinha com o gerenciamento petista vende-pátria pela própria natureza.

Não obstante, não faltaram incitações a um vil ufanismo por parte das "autoridades" e do monopólio da imprensa em torno justamente da reunião de toda esta canalha em autêntica formação de quadrilha para desviar recursos públicos que, em vez de serem usados para melhorar as condições de vida da população, foram gastos na promoção do circo fascista, repassados a empreiteiras, torrados na imensa logística da festa dos endinheirados, manejados de maneira infame para atender as exigências da Fifa e das companhias transnacionais que patrocinaram o evento.

Só com as reformas e "adequações" às exigências da Fifa dos seis estádios utilizados para os jogos da Copa das Confederações, os gastos ultrapassaram a marca dos R$ 4,5 bilhões.

Isso sem contar a sangria de dinheiro público empregado em tudo mais que foi mobilizado, movido ou erguido para o "evento teste para a Copa do Mundo". Um levantamento feito pela seção de esportes do portal UOL mostrou que cada um dos 16 jogos da Copa das Confederações custou em média cerca de R$ 16 milhões aos cofres públicos do país, contabilizando o uso de recursos federais, estaduais e municipais. Só o sorteio dos dois grupos de quatro seleções que disputaram o campeonato custou R$ 6,4 milhões, pagos pela prefeitura de São Paulo, cidade que sequer recebeu jogos do torneio.

A CIA e o controle do clima

A CIA e o controle do clima
por Silvia Ribeiro
 
 
 
A CIA, que, em documentos anteriores, qualificou a mudança climática e o controle do clima como fatores de importância geopolítica estratégica e de segurança nacional. Apesar disso, os republicanos votaram pelo desaparecimento do departamento de mudança climática da CIA, o que, segundo a Agência, motivou-a a financiar essa iniciativa. As razões poderiam ir além, já que o controle do clima é um projeto militar de longa data nesse país, que realizou experimentos desde a guerra do Vietnam, provocando chuva durante meses seguidos, para prejudicar os cultivos e caminhos dos vietnamitas.
 

A CIA estadunidense está financiando um estudo de geoengenharia (manipulação climática) que durará 21 meses, com um custo inicial de 630 mil dólares. O estudo está sendo realizado pela Academia Nacional de Ciências, com participação da NASA e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (cf. Revista Mother Jones, 17/7/2013).

O interesse da CIA pelo clima não é novo; porém, essa participação é significativa devido às implicações bélicas da possibilidade de manipular e à pressão exercida pelos proponentes da geoengenharia nesse país, para avançar em experimentação dessas técnicas, apesar de existir uma moratória nas Nações Unidas contra sua aplicação.

O projeto analisará diferentes propostas de geoengenharia, como manejo da radiação solar e remoção de dióxido de carbono da atmosfera; também estudarão os efeitos da semeadura de nuvens e outras formas de manipular o tempo atmosférico para provocar chuva, secas e controlar furacões. Segundo informação oficial, farão uma avaliação técnica dos impactos dessas tecnologias do ponto de vista ambiental, econômico e de segurança nacional.

Esses últimos, são os aspectos que preocupam a CIA, que, em documentos anteriores, qualificou a mudança climática e o controle do clima como fatores de importância geopolítica estratégica e de segurança nacional. Apesar disso, os republicanos votaram pelo desaparecimento do departamento de mudança climática da CIA, o que, segundo a Agência, motivou-a a financiar essa iniciativa. As razões poderiam ir além, já que o controle do clima é um projeto militar de longa data nesse país, que realizou experimentos desde a guerra do Vietnam, provocando chuva durante meses seguidos, para prejudicar os cultivos e caminhos dos vietnamitas. Nesse sentido, em 1996, a Força Aérea Estadunidense publicou um documento intitulado Weather as a Force Multiplier: Owning the Weather in 2025 (O tempo como multiplicador da Força: possuindo o tempo em 2025), cujo título reflete claramente suas intenções.

domingo, 21 de julho de 2013

Sobre o “mensalão”, o lulismo e a ingratidão das elites

José Dirceu-PT e Roberto Jeferson-PTB réus no "mensalão".

Sobre o “mensalão”, o lulismo e a ingratidão das elites
Escrito por Justino de Sousa Junior  


"A esquerda governista deveria ter tido mais escrúpulo (tinha obrigação de ter pelo menos um pouco mais do que o senhor Ricúpero) na hora de escolher seus parceiros; antes de se aliar a Roberto Jeferson, Sarney, Calheiros, Barbalho etc. etc. etc., terminando com Maluf; antes de proteger o ministro Meireles, acusado de crime contra o sistema financeiro; antes, sobretudo, de reproduzir o modus operandi da política burguesa. A esquerda governista perdeu definitivamente o selo da probidade ao se aliar a figuras absolutamente questionáveis do cenário político brasileiro, ao silenciar quanto à história de seus partidos, seus métodos e práticas políticas, ao defendê-los e protegê-los de críticas e/ou investigações."

"O discurso da vitimização faz algum sentido, mas ele mente ao tentar opor a perspectiva governista do lulismo às elites brasileiras, como se estivesse o projeto de governo lulista numa direção oposta aos grandes interesses dominantes. Na verdade, a grande briga é entre os postulantes à “cadeira”, sobretudo PT e PSDB, para ver quem irá assinar os papéis cujo texto já está a ferro escrito."


As análises sobre o modo como o STF tem julgado o chamado "mensalão" têm provocado reações que vão da indignação contra a corrupção à indignação ao modo como se faz (ou se deixa de fazer) justiça no Brasil. Além disso, tem estabelecido certa confusão nos setores progressistas que, muitas vezes, não sabem a quem defender ou atacar: ao mesmo tempo em que criticam a corrupção, suspeitam que o julgamento pode estar ocultando outros interesses.

Há uma campanha implacável e falsamente moralista dos grandes partidos burgueses (que não são da base do governo, é bom que se diga) e da grande mídia buscando a todo custo atacar a esquerda governista, certamente com objetivos políticos de retomar a hegemonia da política nacional.

Para quem sabe do caráter classista e reacionário do poder judiciário brasileiro e da grande mídia nacional, manifesto claramente sempre que os interesses dominantes precisaram ser defendidos, o rigor do STF no caso do julgamento atual não surpreende.

Da seriedade e da «solidariedade»

Da seriedade e da «solidariedade»



por João Ferreira


"São as duas caras da social-democracia. Na Europa, como em Portugal. Por cá, António José Seguro afirmou que o Tratado Orçamental, que votou favoravelmente na Assembleia da República, teria como contrapartida certa e segura (Hollande, na altura, assim o prometia) o reforço do orçamento da UE. Num momento em que o PS se procura descolar do Governo com quem co-subscreve o programa da troika, é bom lembrar que este Tratado – para o qual Cavaco, já por diversas vezes, chamou a atenção, dizendo que à conta dele, no futuro, mesmo que mudem os governos, não mudará a política – este Tratado, dizia-se, prevê simplesmente isto: no pós-troika continuarão em vigor as políticas da troika, ou seja, austeridade eterna. É bom lembrar que PS, PSD e CDS aprovaram este Tratado e a sua transposição para a ordem jurídica nacional, nomeadamente na Lei de Enquadramento Orçamental, onde se estabelece que o pagamento da dívida aos credores tem prioridade sobre quaisquer outras despesas, até mesmo sobre as relacionadas com o «Estado social», de que Seguro tanto fala."

O golpe de teatro consumou-se. Depois de repetidas juras de que rejeitaria a proposta de orçamento da UE para o período 2014-2020, depois de rios de tinta sobre a mais que provável «crise institucional» que daí resultaria, eis que o Parlamento Europeu, como se adivinhava, dá sossegadamente o seu acordo à proposta de Quadro Financeiro Plurianual decidida pelo Conselho Europeu, onde os governos das grandes potências, mais uma vez, impuseram os seus interesses – uma diminuição histórica do orçamento.

Martin Schulz, «socialista» alemão, presidente do Parlamento Europeu e um dos mais aguerridos arautos da «Europa social», repetiu durante meses que o Parlamento não aceitaria nenhuma proposta que reduzisse o orçamento da UE, nenhuma proposta que não fosse consentânea com as ambições da «Europa social». Mais recentemente, afinou o discurso: afinal, só a aceitaria mediante duras contrapartidas. Há poucos dias, em nome do Parlamento Europeu, e antes mesmo de ter havido qualquer discussão e deliberação na instituição a que preside, deu o seu acordo à mesmíssima proposta de orçamento reduzido que antes criticara, recuando também nas contrapartidas exigidas.

Pátria, lugar de exílio


Pátria, lugar de exílio
  por César Príncipe 


 

"Os jornais, as rádios e as televisões (nas mãos de grupos multimédia, ancorados à finança e balizados pelo consenso rotativista) são chiens de garde dos senhores de turno. Ostentam os guiões do patronato que mais ordena e da agiotagem que mais conta, fornecem argumentário para a resig(nação) e a capitulação. Na emergência, a pátria deles é a patroika, instância de ocupantes e colaboracionistas, da Comandita das Três Siglas e do Clube dos Miguéis de Vasconcelos. Bom aluno euro-americano, o complexo mediático abraça a doutrina do alinhamento e da circularidade e da capsulagem do adverso. Para iludir a questão informativa e opinativa, multiplica os apresentadores da normalidade e aparentadores de diversidade e selecciona trupes de maldizer de superfície. A gramática reaccionária tomou conta de páginas e antenas. A vulgata política e a publicidade comercial confundem-se. Morfologicamente. Ideologicamente. Programaticamente. Vender, vender: mercadorias do ilusório. Formar, formar: opções do tolerado. Fabricar, fabricar: barreiras do cerco. Físicas e mentais. "
 

O covil dos ladrões

O covil dos ladrões
por Jorge Messias
 
"Nesta linha de leitura, será útil lembrar o que foi declarado pela OIT – Organização Internacional do Trabalho, em Maio de 2011 e no Brasil, uma nação que podemos olhar como num espelho e na qual incubam os projectos assassinos do agronegócio. Tratava-se, a dada altura, de caracterizar o que era o trabalhador escravo, nos tempos antigos e nos tempos modernos. «No século XIX» – refere-se no trabalho "Nova Escravidão na Economia Global" – «falava-se na abolição do escravo como uma libertação da terra, do capital, de formas de trabalho que já não serviam os interesses da acumulação do capital. Hoje, a economia não revela dificuldades em conviver com a escravidão. No século XXI, a ideia de expansão do trabalho é análoga à do tempo da escravidão e volta a exprimir-se através da precarização absoluta do trabalho e como fruto do neoliberalismo. E o novo escravo, tal como o antigo, é descartável». "


«As Fundações e os governos podem tomar a iniciativa de criar fundos para o negócio social (social business), como forma de lutar contra a pobreza... A banca portuguesa apostou neste produto... Fazer bem às pessoas, sem esperar obter lucros. Aquilo que actualmente fica na área da Caridade pode passar a constituir um negócio social que não custa dinheiro a ninguém» (DN, Economia, 23.7.2007, Muhanimad Yunus, Nobel da Paz).

«A Nova Ordem Mundial é sustentada pela pobreza humana e pela destruição do ambiente. Desde os anos 90, tem vindo a estender o seu domínio a todas as principais regiões do mundo. O objectivo principal é o aumento da oferta, a minimização do custo da mão-de-obra, a diminuição da procura e o crescimento do lucro. Os salários reais no Terceiro Mundo e na Europa de Leste chegam a ser setenta vezes inferiores aos dos EUA, da Europa Ocidental ou do Japão» (Michael Chossudovsky, Novembro de 2003).

«A inflação no sector alimentar aumentou 83% nos últimos três anos... O preço do arroz, milho e trigo, base da alimentação da maioria da população, subiu mais de 180% no mesmo período... De acordo com a ONU (FAO) 37 países encontram-se ameaçados pela instabilidade social devido à escassez de alimentos. O Banco Mundial afirma que a crise dos alimentos afecta já 100 milhões de seres humanos...

Assim, enquanto milhares de pessoas morrem à fome, devido à falta de alimentos básicos, os grandes grupos agro-alimentares têm lucros escandalosos...» («Fome mundial, fartura de capital», Revista Rubra, No. 2).

Quase tudo o que se vai conhecendo da «conversa de vestiário» dos políticos portugueses faz recear o pior para os próximos tempos de vida do nosso povo. Os ricos vão procurar acrescentar o montante das suas fortunas e absorver aquilo que ainda sobra para as classes socialmente inferiores.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Portugal: Preparar o país face a uma saída do Euro

Preparar o país face a uma saída do Euro
por Vasco Cardoso
 
 
"O Euro é, e sempre foi, um projeto do grande capital europeu, das transnacionais europeias e do diretório de potências comandado pela Alemanha e um instrumento central da concorrência e rivalidade interimperialistas. O grande capital nacional, integrado em posição subalterna com aquele, assumiu o projecto como seu e os partidos que o representam politicamente – PS, PSD e CDS – impuseram-no ao país. O Euro e os constrangimentos associados à UEM – que começaram muito antes da entrada em vigor da moeda – serviram especialmente bem os interesses da banca, nacional e estrangeira, e dos grandes grupos monopolistas, mas foram e são contrários aos interesses dos trabalhadores e do povo português, bem como dos trabalhadores e dos povos da Europa."
 
 
 
A agudização da crise económica, social e política que atinge o país tornou mais evidentes muitos dos alertas e denúncias que o PCP fez ao longo dos últimos anos. E mais cedo do que seguramente alguns esperariam, a vida veio confirmar a justeza das posições do PCP em diversos domínios, designadamente em relação ao processo de integração capitalista na União Europeia e na posição assumida contra a entrada de Portugal na Moeda Única que vigora desde 1 de Janeiro de 2002.

O brutal agravamento do desemprego; a profunda recessão económica (que no final do ano poderá atingir um valor acumulado de 8% desde 2011); o agravamento da dívida pública em poucos anos em mais de 50 mil milhões de euros (com os mais de 7 mil milhões de euros pagos anualmente sob a forma de juros), a quebra vertiginosa do investimento público e privado (hoje ao nível de 1995); o empobrecimento galopante de milhões de portugueses, e outros aspectos que marcam de forma brutal a realidade do país, não decorrem, exclusivamente, da adesão de Portugal ao Euro. Antes do Euro, e muito antes do Pacto de Agressão que o PS, PSD e CDS impuseram ao país, já o processo de reconstituição monopolista, as privatizações, os apoios à banca e aos grupos económicos, o ataque aos salários e aos direitos dos trabalhadores, a degradação dos serviços públicos, a submissão aos interesses estrangeiros marcavam a política de sucessivos governos corroendo as bases que a Revolução de Abril lançara. Mas a verdade é que a integração na Moeda Única lubrificou e acelerou todo esse processo, tornando-se num problema incontornável no presente e para o futuro do país.

Brasil : Mais de 53 mil pessoas são assassinadas por ano e as vítimas tornaram-se cada vez mais jovens

Morte prematura de jovens custa R$ 79 bilhões por ano

por Adital

 
"A mortalidade violenta de jovens (entre 15 e 29 anos) no Brasil é um problema que veio se agravando nas últimas décadas, sobretudo no que diz respeito à letalidade ocasionada por homicídios e por acidentes de transporte. No que se refere aos homicídios, a piora se deu em dois planos. Não apenas a letalidade aumentou ano a ano, mas as vítimas tornaram se gradativamente mais jovens. Com efeito, enquanto o máximo da taxa de homicídios por 100 mil habitantes cresceu 154% entre 1980 e 2010, quando passou de 27,7 para 70,6, a idade em que se alcançou essa taxa máxima de homicídio variou de 25 para 21 anos."
Mais de 53 mil pessoas são assassinadas por ano e as vítimas tornaram-se cada vez mais jovens. O perfil desses jovens, vítimas dos vários tipos de mortes violentas, é em sua maioria homens, pardos, com 4 a 7 anos de estudo, mortos nas vias públicas, por armas de fogo. Esse é um dos dados que consta no estudo Custo da Juventude Perdida no Brasil, de autoria de Daniel Cerqueira, diretor de Estado, Instituições e Democracia do Ipea.

O estudo indica que a morte prematura de jovens devido às violências custa ao país cerca de R$ 79 bilhões a cada ano, que correspondente a 1,5% do PIB Nacional. Cerqueira alerta que não só mortes com armas de fogo foram dignas de destaque, a taxa de óbitos em acidentes de trânsito envolvendo jovens aumentou em 44,6% na última década.

Os resultados indicaram que a violência letal na juventude pode responder por uma perda de expectativa de vida ao nascer dos homens de até dois anos e sete meses, como é o caso em Alagoas, mas de, no máximo, quatro meses para as mulheres, conforme observado em Roraima.

 

Elas, marcadas para morrer

 
Elas, marcadas para morrer
por Ismael Machado*
 

"Para explorar as riquezas, o governo construiu estradas, como a Transamazônica, a BR-222, a BR-158, mas construiu também hidrelétricas, como Tucuruí, e estimulou e financiou a implantação de grandes projetos para explorar as riquezas ali existentes, como o Projeto Ferro Carajás. "Ao mesmo tempo incentivou a vinda de grandes empresas e pecuaristas do Centro-Sul do Brasil para investir na criação de gado bovino. Não só concedeu terras, mas créditos subsidiados pela política de incentivos fiscais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Esses grupos econômicos, especialmente aqueles que investiram na implantação da pecuária extensiva passaram a expulsar, de forma muito violenta, os povos indígenas e diversos pequenos agricultores que há muito tempo ocupavam da região”, enfatiza o dossiê da CPT."

A partir de hoje, a Adital reproduz às sextas-feiras matéria especial da Agência Pública sobre as histórias de dez mulheres cujas vidas estão ameaçadas por lutarem pelos seus direitos e pela preservação da floresta amazônica.

 
Nas diversas placas de sinalização ao longo das rodovias que ligam os municípios do sudeste e do sul do Pará, raras são as que não ostentam marcas de balas. Atirar nas placas pode ser o inusitado passatempo de quem trafega por aquelas estradas, sem maiores consequências. Mas as marcas também sinalizam muito do espírito que sempre marcou a colonização daquela parte do estado, pivô de conflitos agrários, assassinatos de lideranças rurais e número um em índices de desmatamento e trabalho escravo.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), ocorreram no estado do Pará, entre 1964 e 2010, 914 assassinatos de trabalhadores rurais, religiosos e advogados por questões de terra. Desse total, 654 ocorreram no sul e sudeste do Pará. "Muitos dos trabalhadores rurais assassinados, não conhecemos os rostos e nem sabemos os seus nomes. Em muitos desses casos a polícia negou o registro das denúncias formalizadas por sindicalistas e familiares das vítimas, e negou também o resgate dos corpos onde foram assassinados”, diz o advogado da CPT em Marabá José Batista Afonso.

A CPT divulgou no início do ano uma lista com o nome de 38 pessoas ameaçadas de morte no sul e sudeste do Pará por causa de sua luta pela posse da terra. Dez são mulheres.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Esquerda Moderna

Esquerda Moderna
por Ângelo Alves
 
 
 
"O PS está assim a confirmar o que andou a tentar esconder nos últimos meses. Está de acordo com a essência e a ideologia do pacto de agressão, não quer ouvir falar de eleições antecipadas até às Autárquicas e está a preparar-se para prosseguir a mesma política de direita que está a infernizar a vida aos portugueses."
 
 


As negociações entre PS, PSD e CDS decorriam na segunda-feira, e nas palavras de um dos representantes do PS, de acordo com os pressupostos avançados por Cavaco Silva. Ou seja, o PS aceitou discutir o seguinte cenário: manter em funções, durante um ano, um governo de gestão; continuar a aplicar o pacto de agressão; marcar eleições para daqui a um ano e dizer aos portugueses que, seja qual for o resultado dessas eleições, o mandato do governo delas saído será o de manter o actual rumo de declínio, submissão e destruição económica e social do País.
 
É isto, e nenhuma outra coisa, que estes três partidos estão a discutir. Estão a discutir um rapto da democracia, uma imposição anti-democrática de um programa económico e político e a acertarem as bases para uma estratégia ideológica de médio/longo prazo de alteração do actual regime consagrado na Constituição da República Portuguesa.

É isto que Cavaco Silva entende por «Salvação Nacional». E é isto que o PS aceitou discutir perante um representante de Cavaco Silva, facto que, a par com a tentativa de Cavaco de «guetizar» o PCP, o PEV e o BE, é bem elucidativo do ponto em que está o processo, dirigido a partir de Belém, de subversão do regime democrático.

O PS está assim a confirmar o que andou a tentar esconder nos últimos meses. Está de acordo com a essência e a ideologia do pacto de agressão, não quer ouvir falar de eleições antecipadas até às Autárquicas e está a preparar-se para prosseguir a mesma política de direita que está a infernizar a vida aos portugueses.
 

Por uma política e um governo patrióticos e de esquerda!

Por uma política e um governo patrióticos e de esquerda!
Revista «O Militante»

"Por que é que sistematicamente promove o BE, um partido que vive a surfar a conjuntura e também ele comprometido com o processo de integração capitalista europeu e a sua deriva federalista supranacional, e apologista de um oportunista conceito de «esquerda» que branqueia e absolve o PS e a social-democracia em geral, da sua estrutural identificação com o grande capital e o processo contra-revolucionário em Portugal?
Porque o PCP, como uma vez mais ficou patente com a realização do seu XIX Congresso, é a grande força da alternativa, o mais consequente defensor das conquistas e valores de Abril e da Constituição que os consagra, o mais intransigente lutador contra a exploração capitalista e a opressão imperialista, um partido que existe não para melhorar o capitalismo mas para o abolir, portador de um Programa de transformação revolucionária da sociedade que aponta ao povo português a luta por uma democracia avançada como parte integrante da luta pelo socialismo."


Maio e Junho foram meses em que se alargou e diversificou a frente de luta popular e se acentuou e tornou patente o descrédito e o isolamento do governo do PSD/CDS e da sua política de empobrecimento e afundamento do país. Impondo-se como um imperativo democrático e patriótico a demissão do Governo e a convocação de eleições legislativas antecipadas, tornou-se palavra de ordem de praticamente todas as pequenas e grandes acções de resistência e luta desde o coro de protestos com que são acolhidos por todo o país Passos Coelho, Ministros e Presidente da República, à grande concentração de 25 de Maio em Belém.

"DEMOCRACIA BURGUESA E FASCISMO"


"DEMOCRACIA BURGUESA E FASCISMO"
Fascismo: Crescimento repentino?
 
"Há uma luta entre elas – uma deve acabar com a outra. Ou o avanço das forças produtivas põem fim ao capitalismo, ou a existência continuada do capitalismo provocará uma progressiva pausa na produção e na técnica que mergulhará milhões de pessoas do planeta na pobreza, miséria e guerra.
Estes são os dois únicos caminhos, capitalismo ou socialismo. Não existe outra alternativa. Todas as esperanças em uma terceira alternativa, que garantiria a realização do desenvolvimento pacífico e harmonioso sem a luta de classes, por meio da democracia capitalista, do capitalismo planificado, etc., são sonhos impossíveis."
 
 
 

Para os que aceitaram como inquestionável as formas sociais existentes e a sua continuidade, para os que apostaram pela possibilidade de uma melhora progressista pacífica dentro dessas formas sociais, e para os que qualificam a alternativa revolucionária como fantasia de uma minoria, a vitória do fascismo em um país avançado e industrializado como a Alemanha significou um choque brutal.

Para realizarmos uma analise adequada, é fundamental estudar o fascismo com relação ao caráter geral do desenvolvimento social moderno, da qual o fascismo é uma expressão, e apontar as forças impulsoras da economia e da técnica, as quais chegaram a um ponto que são cada vez mais incompátiveis as formas capitalistas existentes com o desenvolvimento da produção e a utilização da técnica.

Há uma luta entre elas – uma deve acabar com a outra. Ou o avanço das forças produtivas põem fim ao capitalismo, ou a existência continuada do capitalismo provocará uma progressiva pausa na produção e na técnica que mergulhara milhões de pessoas do planeta na pobreza, miséria e guerra.

Estes são os dois únicos caminhos, capitalismo ou socialismo. Não existe outra alternativa. Todas as esperanças em uma terceira alternativa, que garantiria a realização do desenvolvimento pacífico e harmonioso sem a luta de classes, por meio da democracia capitalista, do capitalismo planificado, etc., são sonhos impossíveis. Esses sonhos de desenvolvimento pacífico são simplesmente ecos de ideias passadas, pertencentes à época do capitalismo liberal de livre concorrência, uma época que desapareceu há cem anos, e que não voltará a existir. O capitalismo de livre concorrência foi desenvolvido “na época do capital financeiro e dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o regime político; a exacerbação extrema das contradições também nesta esfera: tal é o resultado desta tendência.” (Lenin, Imperialismo, fase superior do Capitalismo).

terça-feira, 16 de julho de 2013

A alternativa. A luta. O Partido

 
A alternativa. A luta. O Partido
por Armindo Miranda



Com a crise do capitalismo a acentuar as suas contradições, acentua-se o seu carácter explorador, opressor e desumano. Aprofunda-se o fosso entre uma enorme massa de seres humanos e uma elite multimilionária.

Na maioria dos países em desenvolvimento, o número daqueles que vivem abaixo do limiar da pobreza aumenta de forma continuada; centenas de milhões de trabalhadores são empurrados para o desemprego e uma parte significativa não tem acesso a qualquer subsídio. Segundo a ONU, morrem por ano mais de 36 milhões de seres humanos devido ao mais vil atentado contra os direitos humanos – a fome. Ou seja, numa altura em que, devido à introdução de novas tecnologias, nunca foi tão grande a produção de bens alimentares morrem em cada minuto 70 seres humanos por falta de alimentos. Mais de 30 mil crianças morrem por dia devido a causas para as quais a ciência já tem resposta. Doenças que até há poucos anos foram consideradas erradicadas regressam em grande dimensão, mesmo em países onde a assistência médica foi durante décadas universal e gratuita, como foi o caso dos países socialistas.

Tudo isto acontece num tempo em que os avanços e conquistas da ciência, da técnica, do conhecimento e das artes, se colocados ao serviço da humanidade possibilitariam níveis de desenvolvimento e emancipação do ser humano nunca antes experimentados. Esta dramática e injusta realidade social torna mais claros três factos objectivos muito importantes. Primeiro, o carácter social da produção, o ser humano precisa dos bens produzidos para sobreviver. Segundo, os capitalistas não investem na produção, nomeadamente de alimentos e de medicamentos, a pensarem nos trabalhadores e nos povos. Investem com o objectivo que está na base de toda a sua actividade – o lucro, sempre mais lucro mesmo que para isso morram milhares de seres humanos todos os dias por falta de alimentos e assistência médica adequada. Terceiro, esta contradição, que Marx identificou como a contradição fundamental do capitalismo, só será resolvida a favor dos povos quando os principais meios de produção adquirirem também o carácter social.
 
Neste tempo, em que a natureza exploradora, opressora e desumana do capitalismo é cada vez mais evidente, reforça-se a justeza e a actualidade do projecto comunista e a necessidade da luta por uma sociedade liberta da exploração do homem pelo homem, a sociedade socialista. Assim concluímos no nosso XIX Congresso e consta da Resolução Política nele aprovada.

Para isso, são necessários partidos comunistas com independência política, orgânica e ideológica em relação aos interesses do capital.

Partidos da classe operária e dos trabalhadores em geral. Dos explorados e oprimidos. Estreitamente ligados à classe operária e ao povo, combativos, determinados e confiantes na força das massas em movimento e no ideal e projecto comunista. Com uma vida democrática interna e uma única direcção e orientação central. Internacionalistas e defensores dos interesses do seu próprio povo. Portadores de uma teoria revolucionária, o marxismo-leninismo, que não só torna possível explicar o mundo, como indica o caminho para transformá-lo.

Coreia, há 60 anos - O armistício, o paralelo 38, a grande derrota dos EUA

Coreia, há 60 anos - O armistício, o paralelo 38, a grande derrota dos EUA
por Maria da Piedade Morgadinho
 

"A Norte, os trabalhadores, o povo coreano dirigido pela classe operária e o seu partido – o Partido do Trabalho da Coreia – levaram a cabo transformações revolucionárias que mudaram a face do país: uma reforma agrária, a nacionalização da grande indústria, dos transportes, dos bancos, a implantação do horário de 8 horas, a igualdade de direitos para homens e mulheres."
"A Sul, os capitalistas mantiveram nas suas mãos as empresas, os bancos e os agrários as suas terras. Também, muito rapidamente, os monopólios norte-americanos apoderaram-se dos sectores-chave da economia e a Coreia do Sul transformou-se numa autêntica colónia dos Estados Unidos."

Em 27 de Julho de 1953 o imperialismo norte-americano e os seus aliados sofriam uma das mais estrondosas derrotas político-militares no continente asiático.

A criminosa guerra que desencadearam em 1950 contra a República Democrática Popular da Coreia chegara ao fim. Os clamores contra essa guerra que se fizeram ouvir em todo o mundo, obrigaram os Estados Unidos a sentar-se à mesa das negociações e a assinar o armistício.

Dos finais da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando a maioria dos países da Europa, e muito particularmente a URSS, procurava ainda reerguer-se das ruínas, até aos dias de hoje, todos os conflitos armados registados em várias regiões do mundo têm tido na sua origem, directa ou indirectamente, o dedo do imperialismo norte-americano. Este facto é mais do que revelador da natureza agressiva, dominadora e da pretensões hegemónicas do imperialismo a nível mundial.

É oportuno lembrar que todos esses conflitos, essas guerras, que têm deixado atrás de si cenários de destruição, de ruína e de morte, deixaram incólume o território dos Estados Unidos.

Na Segunda Guerra Mundial sobre as cidades norte-americanas não caiu uma única bomba e o número de mortes, que são sempre de lamentar, não ultrapassou o dos que anualmente aí morriam vítimas de acidentes de trabalho. A URSS perdeu nessa guerra mais de 20 milhões de vidas. A seguir à guerra, nos Estados Unidos a concentração da produção e do capital cresceu a passos de gigante e os monopólios aumentaram o seu poder económico. A produção de armamento aumentou vertiginosamente e chegou a atingir mais de 25% da produção industrial dos Estados Unidos.

sábado, 13 de julho de 2013

O Secretário-geral da FSM,camarada George Mavrikos discursa no Plenário da 102.ª Convenção Internacional do Trabalho

OIT, Genebra: o Secretário-geral da FSM,camarada George Mavrikos discursa no Plenário da 102.ª Convenção Internacional do Trabalho
 
"No Bangladesh, as políticas criminosas das multinacionais e dos empresários locais continuam a matar trabalhadores; na Turquia, a violência estatal e o ataque contra os trabalhadores estão a aumentar; na Costa Rica, as greves no setor público são proibidas; no Panamá, as greves são proibidas para os trabalhadores do Canal; o Chile é um exemplo dos muitos países que estão, ainda hoje, a violar convenções fundamentais ratificadas há 14 anos; no Cazaquistão, nos países do Golfo e na Guatemala quase não existe liberdade de associação; na Colômbia, os metalúrgicos e mineiros são constantemente atacados; Os trabalhadores da multinacional Glencore estiveram em greve durante 98 dias e a multinacional trata-os como delinquentes; a MICHELIN encerra fábricas em Cali e Chusacá. Mas, sem ter em conta tudo isto, a OIT excluiu a Colômbia da lista negra. A classe operária europeia está a ser empurrada para a pobreza com as políticas implementadas pela União Europeia e os governos, a favor dos patrões. Os trabalhadores e os povos da África vivem em condições péssimas, enquanto os seus recursos naturais são diariamente roubados pelas multinacionais."


Senhoras e senhores

As condições de vida e de trabalho dos trabalhadores são hoje mais difíceis do que na última Conferência da OIT.