Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Combater o fascismo: lições do Brasil

A burrice dos fascistas é do tamanho de seu ódio à humanidade!
Combater o fascismo: lições do Brasil


"A esquerda brasileira vai pagar o preço da política de conciliação de classes do PT. As organizações de classe que essa politica condenou ou enfraqueceu, como são exemplo a CUT e o MST, levarão anos a sanear e reconstruir. Isto se a CUT puder ser salva. Agora trata-se de enfrentar a onda fascista que cresce na ausência de organizações de classe, quer dizer, as consequências mais nefastas da política de conciliação de classes do PT. Entretanto, não contra o movimento fascista e, por consequência, a favor do governo. Isso seria, em grande medida, colocar-se contra os trabalhadores do lado da burguesia."
"Por certo, são as vítimas imediatas do fascismo, os partidos social-democratas como o PT, que criam, ao desorganizar os trabalhadores, as condições para a emergência do movimento fascista. Por isso, não raramente, o combate ao fascismo começa pela luta contra a social-democracia. "

A onda conservadora, que saiu às ruas no Brasil em Março e Abril deste ano, foi derrotada pela sua inexperiência e pelas deficiências do seu programa político. Estão enganados, entretanto, os que acreditam que essa onda foi derrotada. A nova toupeira irá trabalhar por debaixo de terra disposta a ser mobilizada, como foi, pelas campanhas eleitorais que se seguem em 2016 e 2018. E muito dificilmente, sobretudo depois das medidas neoliberais tomadas pelo governo, será possível ao PT «criar» uma guerra entre «ricos» e «pobres» para ganhar eleições com os votos dos segundos.

Como cresceu a onda conservadora no Brasil?

Escalada belicista agita Turquia

CMP acusa imperialismo
Escalada belicista agita Turquia
por Jornal Avante

"O ataque ao PKK, acompanhado da prisão de dezenas de activistas curdos por toda a Turquia, ocorre numa altura em que Ancara continua a debater-se com dificuldades para formar um governo de coligação. Nas eleições de 7 de Junho, recorda-se, o Partido Democrático dos Povos (HDP), um partido pró-curdo e de esquerda, obteve 13 por cento de votos e elegeu 80 deputados, um resultado decisivo para retirar a maioria absoluta que o AKP detinha desde 2002."

O massacre de 32 pessoas em Suruç, os bombardeamentos turcos no Iraque e na Síria, e a cedência da base aérea de Incirlik aos EUA fazem temer uma escala da guerra na região.

O massacre de Suruç é uma forma de impor aos povos da Turquia os planos de exploração do imperialismo e até mesmo de os empurrar  para a guerra. Quem o afirma é o Conselho Mundial da Paz (CMP), num documento em que condena o massacre cometido pelo grupo extremista auto-designado Estado Islâmico (EI) na cidade de Suruç, na Turquia, no dia 20 de Julho, que provocou a morte de 32 pessoas e centenas de feridos.

As vítimas, jovens pacifistas e progressistas da Turquia, planeavam participar nas obras de reconstrução da cidade síria de Kobane (Ain Al Arab), seriamente danificada pelos ataques do EI.

No documento, divulgado em Atenas na quinta-feira, 23, o CMP manifesta a sua solidariedade para com o povo turco e condena duramente a «organização reaccionária, fascista e terrorista EI, mas também os países imperialistas, nomeadamente os EUA e a União Europeia, que a criou, juntamente com os regimes reacionários do Médio Oriente que lhe fornecem armas e dinheiro».

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O Fortalecimento da Aliança Popular

O Fortalecimento da Aliança Popular
Resolução Política do 19º Congresso do KKE

"A luta pela desvinculação da União Europeia está ligada à luta contra o poder dos monopólios e à luta da classe operária e dos seus aliados pelo poder operário-popular."

"Desenvolve-se como um processo de maturação da consciência política, da organização e formas de luta. Nestas condições, organiza-se e coordena-se para a resistência, a solidariedade, a sobrevivência. Defende os interesses dos trabalhadores e do povo: os salários, as contratações colectivas, as pensões, os direitos laborais e populares, os preços a que os produtores vendem os produtos agrícolas, protege os camponeses e os trabalhadores autônomos, protege a habitação popular da especulação dos bancos e dos impostos. Defende o direito à educação, à saúde e ao bem estar exclusivamente gratuitos, a luta por produtos de consumo público baratos e de qualidade, a infraestruturas gratuitas destinadas à cultura e desporto. Luta contra todas as drogas, pela emancipação e igualdade da mulher, pela protecção dos desempregados, o transporte, alojamento e alimentação de alunos e estudantes, pelas necessidades imediatas dos casais jovens, contra a adição às drogas e ao alcoolismo."

A aliança popular expressa os interesses da classe operária, dos semi-proletários, dos trabalhadores autônomos e do campesinato pobre que não podem acumular capital, dos jovens e das mulheres dos sectores operários e populares na luta contra os monopólios e a propriedade capitalista, contra a incorporação do país nas uniões imperialistas. A Aliança Popular é social e tem características de movimento numa direcção de ruptura e de derrube.

A Aliança Popular responde à questão da organização da luta para recusar as medidas anti-laborais e anti-populares bárbaras, reunindo forças e lançando uma luta de contra-ataque para ter algumas conquistas, no caminho da luta pelo derrube dos monopólios. A Aliança Popular tem uma clara orientação anti-monopolista e anti-imperialista.

Luta ideológica e reforma do sistema burguês

Luta ideológica e reforma do sistema burguês
Resolução Política do 19º Congresso do KKE



"Os comunistas devem popularizar ainda mais a posição coerente do KKE de que não vai cooperar ou participar num governo de gestão promovido pelo SYRIZA e outras forças de gestão burguesa que existem ou que possam surgir. 
Temos de popularizar a nossa posição sobre as alianças e o papel do KKE no poder e num governo operário-popular. 
Através da sua actividade sistemática e multi-facetada, o KKE deve contribuir para as batalhas eleitorais (eleições para o Parlamento, eleições para o Parlamento Europeu e para a Administração Local), para que o voto no KKE de sectores operários e populares pobres expresse não só a vontade de apoiar a força política que luta consequentemente pelos problemas do povo, como também seja uma opção de classe destinada a debilitar o sistema burguês, a governação burguesa. Cada abertura na governação burguesa deve ser utilizada para reforçar a perspectiva de derrube do poder burguês e da propriedade capitalista. Deve-se colocar mais largamente perante o povo a proposta realista do KKE de saída da crise a favor do povo, a única proposta que se opõe às posições de todos os partidos burgueses, neo-liberais, social-democratas e do chamado “governo de esquerda”."

Fortalecimento da Confrontação ideológico-política

Deve intensificar-se a luta ideológica e política sobre todos os assuntos que abrangem os documentos do 19º Congresso. Em especial, é necessário confrontar imediatamente:
 A ofensiva do inimigo de classe e em geral dos oponentes do KKE que têm como objectivo a sua marginalização. 
 O anti-comunismo, a propaganda anti-socialista caluniosa que constitui a ideologia oficial da União Europeia. 
 Os ataques de “amizade” com a finalidade de arrastar o KKE para a linha chamada “anti-memoradum” apoiando uma fórmula diferente de gestão política burguesa, dentro ou fora da zona euro. 
 O plano elaborado pelo Estado burguês e pelo sistema político, para atacar a autoridade moral do Partido incidindo principalmente nas suas finanças. 
 A denúncia e confronto do “Amanhecer Dourado”, do seu carácter como organização nacional-socialista fascista, gerado pelo sistema capitalista que o utiliza para atingirem o KKE e o movimento operário-popular. 
 A tentativa de apresentar o KKE como um Partido “sistémico”, quer dizer, como um Partido comprometido, subordinado ao sistema capitalista, assim como a tentativa de equiparar o KKE com os partidos burgueses, com base na opinião de que “todos são iguais”. 
 As opiniões reaccionárias que fomentam na consciência do povo o racismo e xenofobia. 
 A versão alternativa da linha reformista das forças alternativas na procura dum acordo político baseado no chamado “programa político de transição”, cuja base é a cessação da dívida pública regressando à moeda nacional, sem entrar em conflito e ruptura com os monopólios, a propriedade capitalista, o poder burguês. 
 As ilusões parlamentares e a expectativa duma saída a favor do povo através dum governo burguês continuam a ser muito fortes, mesmo entre as forças que participam na luta junto com o Partido, mesmo entre uma parte dos votantes do Partido. 
 A retórica hipócrita sobre a perda da independência nacional da Grécia e da sua ocupação pela Alemanha. Trata-se duma linha política que pretende ocultar o facto de que a posição subordinada dum país numa aliança capitalista, da qual derivam relações desiguais entre os seus membros, não invalida os seus interesses estratégicos comuns sobre os quais se forma a aliança. 
 A necessidade de aumentar a circulação dos meios do Partido para a intervenção ideológica e propaganda, o diário “Rizopastis” a revista comunista (KOMEP), os livros políticos, assim como a necessidade de aumentar as visitas no portal do KKE e a audiência da Rádio “9.02 à esquerda dos FM” (estação de rádio do KKE).
A Reforma do Sistema Político Burguês

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Para iniciar a invasão da Síria pelos EUA, os politólogos de Washington apelam à sua divisão, destruição e ocupação militar

Para iniciar a invasão da Síria pelos EUA, os politólogos de Washington apelam à sua divisão, destruição e ocupação militar
por Tony Cartalucci*

"Numa simples afirmação, Brookings admite que o governo da Síria não está envolvido numa guerra contra o seu próprio povo, mas contra o “ISIL” (ISIS). É claro que Brookings, políticos e outros estrategas em todo o Ocidente estão a usar a ameaça do ISIS, em combinação com a ameaça de intervenção militar direta, como uma forma de alavancagem para, finalmente, invadirem e ocuparem totalmente a Síria."

"A capacidade da Síria e dos seus aliados para criarem uma dissuasão suficiente contra a agressão dos EUA, na medida em que cortem as linhas logísticas que os EUA estão a usar para provisionar o ISIS e outros grupos terroristas que operam na Síria e no Iraque, acabará por determinar a sobrevivência da Síria."
 Os politólogos dos EUA assinam e emitem documentos apelando à divisão, destruição e ocupação norte-americana da Síria.

Sem o conhecimento do público em geral, os seus políticos eleitos não desenvolvem a política que cimente o seu destino nacional, quer no mercado interno, quer na arena da geopolítica. Em vez disso, as corporações financeiras financiam a criação de “think tanks” [clubes de pensamento - NT] – equipes de politólogos não eleitos, que transcendem as eleições, e que produzem documentos que, depois, se tornam a base da criação de legislação ambígua, carimbada por “legisladores”, assim como os pontos de discussão escolhidos e repetidos “ad nauseam” pelas corporações mediáticas.

Um tal documento político foi recentemente escrito pelo notório think tank político dos EUA, a Brookings Institution, intitulado, “Desconstruindo Síria: rumo a uma estratégia regionalizada para um país confederal”. A aberta conspiração, assinada e datada, para dividir, destruir e, depois, incrementar a ocupação de uma nação soberana a milhares de milhas da costa da América, apresenta-se como um preocupante exemplo de como o imperialismo moderno é perigoso e persistente, mesmo no século XXI.

O pretexto ISIS [Estado Islâmico - NT]: os EUA despejaram biliões em “moderados” que não existem

O documento admite abertamente que os EUA forneceram biliões para armar e treinar militantes alimentados no devastador e cada vez maior conflito regional. Admite que os EUA mantêm – e devem expandir – operações na Jordânia e na Turquia, membro da NATO, para proporcionar ainda mais armas, dinheiro e combatentes para o já catastrófico conflito.

domingo, 19 de julho de 2015

Êxodos dantescos e guerras imperialistas: Crimes do capitalismo

Êxodos dantescos e guerras imperialistas: Crimes do capitalismo
Por Cecilia Zamudio / Resumen Latinoamericano

"Tenta-se esconder que o saqueio e as denominadas “guerras humanitárias” perpetradas pela UE e os Estados Unidos contra a África, têm como lógica consequência o êxodo massivo. Os grandes capitalistas impõem midiaticamente uns bodes expiatórios para ocultar as verdadeiras causas do êxodo. Responsabilizam pela contínua tragédia do Mediterrâneo e do Atlântico as supostas “máfias” de transporte de pessoas, quando se sabe que em muitas ocasiões o suposto “mafioso” não é outra coisa que um pescador que já não pode sobreviver da pesca em um mar saqueado pela ação das grandes transnacionais; um pescador reconvertido em condutor de embarcações que, clandestinamente, tentam passar pelas fronteiras da Europa-Fortaleza. Inclusive, ainda que muitos transportadores destas viagens clandestinas se aproveitem das pessoas em situação de êxodo, não podem ser tidos como os responsáveis por esta tragédia, por estes crimes de lesa humanidade, a menos que se queira encobrir os verdadeiros responsáveis. Na ONU apresentaram como “solução” outro plano militar. O fascismo avança como ferramenta para a manutenção do capitalismo."

Continua o crime de lesa humanidade que o capitalismo e a UE estão perpetrando contra dezenas de milhares de pessoas forçadas a migrar, gerando uma terrível catástrofe, ante a qual não podemos ficar calados, e ante a qual não podemos cometer a obscenidade de adotar por certas as teorias falaciosas que tentam culpar supostas “máfias” pelo drama.

Culpar as supostas “máfias de migrantes” é tentar encobrir os verdadeiros responsáveis. O capitalismo é o responsável por esta tragédia: os que lucram com o suor alheio e com o saqueio do planeta. As transnacionais ampliam suas fortunas na base da tortura dos povos: viabilizam o saqueio mediante guerras imperialistas e o paramilitarismo. 85 multimilionários possuem uma riqueza igual à riqueza compartilhada pela metade da população do planeta (1); 3.570 milhões de pessoas que sobrevivem exploradas em buracos, tendo que comer os lixos, tendo que vender seus órgãos ou seu sangue, tendo que prostituir-se desde a infância, ou tendo que empenhar-se em êxodos terríveis, cujo resultado não será outro que a morte por afogamento em vida, tendo que padecer com a exploração extrema na Europa-Fortaleza, em caso de sobreviver à viagem.

1. Uma catástrofe descomunal: uma crise de refugiados do saqueio capitalista e das guerras imperialistas

Conferência Internacional de Praga, 23-24 de Maio de 2015 (Contribuição do PCP)

Conferência Internacional de Praga, 23-24 de Maio de 2015 (Contribuição do PCP)

"O combate à UE dos grandes grupos econômicos e das grandes potências é uma tarefa fundamental dos comunistas. E não se trata de corrigir os seus «excessos liberais» ou as suas «políticas de austeridade». A UE é irreformável. Trata-se de romper com esta construção capitalista contrapondo-lhe uma outra Europa de paz, progresso e cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos. Para o povo português que luta para pôr fim a décadas de política de direita e em defesa da soberania de Portugal, que está a ser espezinhada pelas políticas e mecanismos supranacionais – como o Tratado Orçamental –, esta é uma questão decisiva. Não há possibilidade de realizar em Portugal uma política de desenvolvimento de acordo com os interesses do país e a vontade do povo português sem a ruptura com as imposições do Euro e da integração capitalista europeia. Na nossa opinião o que está a passar-se com o brutal estrangulamento da Grécia vem confirmar esta posição do PCP."


Camaradas
Saudações fraternais do Partido Comunista Português

Participamos nesta Conferência no quadro das relações fraternais entre o PCP e o PCBM com a convicção de que ela constituirá um útil intercâmbio de opiniões e um contributo para a acção comum ou convergente entre os nossos partidos.

O tema proposto centra-se na Europa, mas creio que é útil abordá-lo num contexto mais amplo.

1. Na opinião do PCP a situação internacional está marcada por quatro traços principais: 1) As consequências do desaparecimento da URSS e das derrotas do socialismo e a contra-ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo para recuperar as posições perdidas ao longo do século XX e impor a sua hegemonia mundial; 2) O aprofundamento da crise estrutural do capitalismo em que se inscreve a profunda e prolongada crise cíclica despoletada em 2008 nos EUA e a crise da e na União Europeia cada vez mais difícil de disfarçar; 3) Um gigantesco processo de rearrumação de forças em que o declínio relativo dos EUA (e das potências do G7) e a ascensão económica da China (e do conjunto dos BRICS) são elementos relevantes; 4) O prosseguimento da resistência e da luta libertadora dos trabalhadores e dos povos, nomeadamente na Europa que, não estando ainda ao nível da ofensiva do grande capital, é uma realidade que deve ser valorizada e que se tem traduzido em importantes avanços, nomeadamente na América Latina.

sábado, 18 de julho de 2015

Brasil - É o lobo, é o lobo!

É o lobo, é o lobo!
Por Mauro Luis Iasi.


"Nos termos atuais, para a burguesia inviabilizar o governo petista, basta o deslocamento do PMDB para um bloco de oposição.

Não tendo outra alternativa no horizonte imediato que não manter o rumo, a comandante tenta se manter firme no timão exercendo a arte de fazer de conta que não é com ela, enquanto caminha decididamente para a catástrofe. Para se manter cede aos interesses do capital e mergulha ainda mais na tentativa insana de manter a base aliada que se desfaz sob seus pés. Esta tática permite sobreviver no campo imediato, mas tudo indica que fortalece as condições da futura derrota eleitoral. Este é o paradoxo.

Não podendo mobilizar suas bases sociais que correm o risco de serem capturadas pela direita, pela ação em defesa de direitos, conquistas ou condições de vida (uma vez que o presente ajuste e a linha de governo praticada nos últimos doze anos caminharam no sentido contrário), resta a esperança de que, mais uma vez, a chantagem da necessidade do apoio a este governo contra a “direita” ou o “conservadorismo”."

Uma vez mais se apresenta o alerta sobre a possibilidade de interrupção do mandato presidencial e a possibilidade de algum tipo de golpe. Desta vez pelas declarações golpistas do PSDB, preocupado que o prazo para que a interrupção leve a uma nova eleição está para se esgotar. Como das outras vezes, intensificam-se os ataques ao governo, convocam-se novas manifestações e os meios de comunicações atacam com novas e requentadas denúncias.

Continuamos acreditando que a opção principal da direita, no sentido mais preciso dos interesses de classe ligados ao grande capital monopolista, caminha em outro sentido, qual seja, de produzir uma transição sob um governo fraco e sob cerco, enquanto se gesta uma alternativa para substituí-lo nas eleições de 2018. Alertávamos, no entanto, em outra oportunidade, que um dos mecanismos desta operação, a constante ameaça de impedimento antecipado da presidente, poderia ganhar uma dinâmica própria e se viabilizar como alternativa e, desta maneira, não estaria por princípio descartada como possibilidade pelo bloco dominante.

O cenário atual comprova a persistência deste quadro. Intensificam-se os ataques, enquanto a base de sustentação do governo no Congresso é corroída e os meios de comunicação hegemônicos, por meio de um eficiente manejo do anti-petismo, trabalham para configurar um clima de descontrole total nas hostes governistas. Ao mesmo tempo o governo reage intensificando suas concessões ao bloco dominante: implanta o ajuste e as políticas de austeridade, intensifica os ataques aos trabalhadores (como nas medidas provisórias 664 e 665, no veto às superficiais mudanças na previdência, etc.), opera cortes na educação e na saúde, e impõe arrocho sobre o funcionalismo público federal. Tudo isso sem deixar de abrir seus cofres em generosas contribuições ao agronegócio e financiar a manutenção de empregos com redução de salários e benefícios para as grandes empresas.

O Partido Comunista da Grécia tinha razão

James Petras: “O Partido Comunista da Grécia tinha razão”

"O Partido Comunista da Grécia, desde o começo dizia que Syriza era um traidor, um partido disposto a colaborar com a UE, a OTAN, etc, e tinham razão".

"Dissemos muitas vezes que não se pode funcionar nas organizações controladas pelos poderes imperialistas", disse o sociólogo em referência à União Europeia (UE)."

"Este pacote neoliberal supõe cortes às pensões, privatizações em massa e aumento do IVA. "A Grécia entrega toda a sua soberania, supõe a colonização da Grécia", denúncia Petras durante a sua intervenção radial."

"Petras - "tenho quase 58 anos de militância e nunca vi uma traição tão profunda a um povo inteiro".


Durante uma entrevista na Rádio Centenário do Uruguai, o professor e sociólogo norte-americano James Petras, analisou a grave situação social gerada no país heleno fruto do último acordo entre o Governo de Alexis Tsipras e a Troika, conformada pelo Banco Central Europeu (BCE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia (CE).

A assinatura deste novo memorando tem como consequência a imposição de novos recortes sociais, feito com que entra em contradição direta com as promessas de campanha realizadas pelo partido de Governo, Syriza, que assegurou que terminaria com as medidas neoliberales que açoitam à classe trabalhadora.

Este pacote neoliberal supõe cortes às pensões, privatizações em massa e aumento do IVA. "A Grécia entrega toda a sua soberania, supõe a colonização da Grécia", denúncia Petras durante a sua intervenção radial.

"Dissemos muitas vezes que não se pode funcionar nas organizações controladas pelos poderes imperialistas", disse o sociólogo em referência à União Europeia (UE).

Com respeito à decisão de Alexis Tsipras de aceitar as condições da Troika, o professor disse: "tenho quase 58 anos de militância e nunca vi uma traição tão profunda a um povo inteiro".

Petras assegurou que sim há alternativas e advogou por abandonar a UE, não pagar a dívida e desenvolver uma política independente, bem como nacionalizar a banca e socializar a economia.

"O Partido Comunista da Grécia, desde o começo dizia que Syriza era um traidor, um partido disposto a colaborar com a UE, a OTAN, etc, e tinham razão", sentenciou Petras.


Um acto de traição contra o povo grego

O pacote do primeiro-ministro Tsipras
Um acto de traição contra o povo grego
por Michel Chossudovsky


"Os credores usarão os muitos milhares de milhões de obrigações de divida da Grécia como meios para impor reformas macroeconômicas mortais as quais servirão para desestabilizar a economia nacional e empobrecer ainda mais a população. Estas são mencionadas pelo FMI como "políticas de condicionalidade", as quais permitirão aos credores ditar o essencial da política econômica e social.

As 13 página do documento de Tsipras soletram o desastre: um novo processo de empobrecimento, a tomada dos activos públicos e da infraestrutura do país, bancarrota de agricultores e pequenos negócios, o influxo de investidores estrangeiros que comprarão a riqueza do país a preços de saldo. " 
"A aceitação pela Grécia das exigências dos credores é o equivalente a abandonar a sua soberania como estado nação.

As consequências econômicas e sociais provavelmente serão devastadoras. "

Depois de ter lançado um Referendo a fim de refutar e recusar o acordo de salvamento externo (bailout) preparado pela Troika, o primeiro-ministro Tsipras juntamente com o seu recém empossado ministro das Finanças, saiu-se quatro dias depois com um pacote de austeridade muito semelhante àquele que em Junho fora rejeitado pelo governo grego. 

Esta meia-volta foi cuidadosamente engendrada. O povo grego foi iludido e enganado. O Referendo foi um absoluto "ritual de democracia". 

Tsipras fez um acordo com os credores. Ele era desde o princípio favorável à aceitação das exigências dos credores

Tsipras efectuou a campanha do "NÃO" tendo já decidido que no rastro do Referendo ele diria SIM aos credores e se dobraria às suas exigências. Isto equivale a um Acto de Traição. 

Não houve tentativa por parte do governo Tsipras, na sequência imediata do Referendo, de renegociar ou estender o prazo final em nome do povo grego em resposta ao Voto NÃO. Na manhã de segunda-feira, no dia seguinte ao Referendo, Yanis Varoufakis, que havia liderado as negociações com Troika, resignou como ministro das Finanças. Será que ele resignou por vontade própria ou foi "demitido" para facilitar um acordo com a Troika? 

Sabe-se que os credores influenciam nomeações para postos ministeriais chave (exemplo: Coreia do Sul, Dezembro de 1997 na altura da Crise Asiática, o ministro das Finanças e o governador do Banco Central são demitidos por ordens de Washington)

Varoufakis foi apressadamente substituído por Euclid Tsakalotos, que tomou posse segunda-feira de manhã. Sua nomeação como ministro das Finanças e negociador chefe (a qual deve ter sido conhecida bem antecipadamente) foi amplamente saudada pelo establishment político e financeiro da UE. 

O primeiro-ministro Alexis Tsipras juntamente com o seu novo ministro das Finanças efectuaram então reuniões na segunda-feira tanto com o Syriza como com a oposição. E no fim do dia, uma "declaração conjunta" foi rapidamente assinada "por quase todo o espectro político em apoio aos seus esforços para procurar um novo acordo por parte dos credores do país".

A UE não é reformável. Apenas sobre os seus escombros poderá haver futuro para os povos.

Prisão de povos
por Jorge Cadima 


"Tal como cá, o dinheiro das troikas nem entrou na Grécia: foi parar directamente aos credores – o capital financeiro parasitário – transferindo as dívidas para o BCE, o FMI e os bancos centrais nacionais. A «ajuda» foi para a banca. Para os povos ficaram as dívidas públicas, que explodiram nos anos das troikas. São impagáveis, mas servem de pretexto para levar os povos à miséria, aumentar a exploração e impôr relações de tipo colonial aos países endividados."

"Os acontecimentos dos últimos dias são portadores de importantíssimos ensinamentos sobre a verdadeira natureza da dominação de classe, do imperialismo, da União Europeia e da social-democracia (nas suas várias expressões). A humilhação do governo grego mostra que se paga caro as ilusões de que é possível reformar esta UE."

Os acontecimentos dos últimos dias mostram à saciedade que a UE/Euro é incompatível com a democracia, a soberania e o bem-estar dos povos. É uma ditadura ao serviço do grande capital financeiro e uma autêntica prisão de povos. Como o PCP tem afirmado, esta UE não é reformável. Apenas sobre os seus escombros poderá haver futuro para os povos.

Os empréstimos ao abrigo dos programas das troikas são obra de agentes do grande capital financeiro (como o presidente do BCE, Draghi, homem da Goldman Sachs) para benefício do grande capital financeiro. A banca privada era credora de boa parte da dívida grega em 2010 e prosperava com os respectivos juros, mas decidiu pôr-se a salvo quando a crise estourou. Tal como cá, o dinheiro das troikas nem entrou na Grécia: foi parar diretamente aos credores – o capital financeiro parasitário – transferindo as dívidas para o BCE, o FMI e os bancos centrais nacionais. A «ajuda» foi para a banca. Para os povos ficaram as dívidas públicas, que explodiram nos anos das troikas. São impagáveis, mas servem de pretexto para levar os povos à miséria, aumentar a exploração e impôr relações de tipo colonial aos países endividados.

As tão badaladas «obrigações dos devedores» são à la carte. O principal jornal do grande capital inglês, o Financial Times, dedica um editorial (11.6.15) a outro país europeu que está na falência: a Ucrânia. Titula o FT: «Os credores da Ucrânia têm de partilhar a dor do país» e «têm de aceitar um haircut [perdão de dívida]». Informa que há um «pacote de apoios internacional [...] que admite a reestruturação da dívida e cortará os juros a pagar em 15,3 mil milhões de dólares nos próximos quatro anos» para que «sejam geríveis em relação à produção econômica» do país. Acrescenta que há credores privados que «resistem a um perdão da dívida», mas sentencia: «terão de ceder. Têm uma obrigação moral em concordar com a reestruturação que permitirá reduzir a dívida para níveis sustentáveis». 

terça-feira, 14 de julho de 2015

Brasil : PSOL é o SYRIZA brasileiro

O PSOL, a “velha esquerda” e o Syriza: crônicas de uma morte horrível.
por  jonesmakaveli

"Querer humanizar o capitalismo é como perfumar merda, é impossível! O PSOL e o SYRIZA tentam perfumar merda." Mafarrico Vermelho

"A firme decisão do KKE que não apresentar qualquer conciliação com a Troika e não reforçar a socialdemocracia do Syriza o coloca em boas condições para tornar-se força hegemônica de esquerda entre os trabalhadores [10], mas é preciso que fique claro: a traição da direção do Syriza joga água no moinho dos neonazistas. Não será surpresa se eles dobrarem de tamanho nos próximos dois anos. A aposta na institucionalidade e na conciliação de classe prejudicará por um longo período a esquerda grega e europeia."

Sob formas organizativas, base social, ideologia e forma de ação bem diferente, a socialdemocracia volta a se apresentar com força no cenário político mundial. Em época de crise capitalista – crise econômica e crise de hegemonia – a burguesia sempre joga com duas grandes alternativas: a conciliação de classe (socialdemocrata, normalmente) e uma autoritária (que pode ser fascista). Chamamos de socialdemocracia, de forma “genérica”, todo projeto político que contenha três características essenciais: a) uma concepção politicista da luta de classe que supõe que as instituições democrático-burguesas irão conciliar os antagônicos de classe; b) um programa econômico preso à esfera da distribuição que não questiona as relações de produção; c) escasso internacionalismo ou até posturas pró-imperialistas em nome da defesa da “liberdade” e “democracia”.

O Syriza, embora apresente elementos de novidade, é uma típica organização socialdemocrata. Já abordamos esse tema em profundidade em outro texto [1] e não queremos repetir argumentos. Nosso objetivo é indagar os motivos dos camaradas do PSOL, em especial Luciana Genro, terem ficado tão deslumbrados com o Syriza ao ponto de se colocarem como o “Syriza brasileiro”. 

Marx sobre a dívida pública


Marx sobre a dívida pública*

"A dívida pública tornou-se uma das mais enérgicas alavancas da acumulação original. Como com o toque da varinha mágica, reveste o dinheiro improdutivo de poder procriador e transforma-o assim em capital, sem que, para tal, tivesse precisão de se expor às canseiras e riscos inseparáveis da sua aplicação industrial e mesmo usurária. Na realidade, os credores do Estado não dão nada, pois a soma emprestada é transformada em títulos de dívida públicos facilmente negociáveis que, nas mãos deles, continuam a funcionar totalmente como se fossem dinheiro sonante.

Mas também – abstraindo da classe dos que desocupados vivem de rendimentos assim criados e da riqueza improvisada dos financeiros que fazem de mediador entre governo e nação, como também da dos arrendatários de impostos, mercadores, fabricantes privados, aos quais uma boa porção de cada empréstimo do Estado realiza o serviço de um capital caído do céu – a dívida do Estado impulsionou as sociedades por ações, o comércio com títulos negociáveis de toda a espécie, a agiotagem, numa palavra: o jogo da bolsa e a moderna bancocracia. "

(…) O sistema de crédito público, i. é, das dívidas do Estado, cujas origens descobrimos em Gênova e Veneza já na Idade Média, tomou posse da Europa toda durante o período da manufactura. O sistema colonial, com o seu comércio marítimo e as suas guerras comerciais, serviu-lhe de estufa. Deste modo, fixou-se primeiramente na Holanda. A dívida do Estado, i. é, a alienação do Estado – tanto despótico como constitucional ou republicano – marcou com o seu selo a era capitalista. A única parte da chamada riqueza nacional que realmente está na posse colectiva dos povos modernos é – a sua dívida de Estado 243a Daí, muito consequentemente, a doutrina moderna de que um povo se torna tanto mais rico quanto mais profundamente se endividar. O crédito público torna-se credo do capital. E com o surgir do endividamento de Estado, vai para o lugar do pecado contra o Espírito Santo – para o qual não há qualquer perdão – a blasfêmia contra a dívida pública.

Descolonização e libertação Uma conquista de Abril irreversível!

Descolonização e libertação Uma conquista de Abril irreversível!
por JOSÉ MARTINS



"«Resistindo ao ruir dos impérios coloniais e do colonialismo o governo fascista teve a louca ilusão de que poderia, com a guerra, não só manter as colônias, como reforçar a ditadura». E acrescenta: «A ditadura empreendeu a guerra colonial vendo nela também um elemento do (...) reforço das forças armadas como suporte vital do seu regime. Precisamente ao invés do pretendido, a guerra colonial acabou por ser um elemento de central importância para voltar o país contra a ditadura e para fazer gerar nas forças armadas o movimento e a luta que viriam a desempenhar papel determinante para pôr fim a meio século de opressão».

A seca expressão de um apontamento estatístico retrata bem a loucura de um regime para quem o direito dos povos era letra morta: a guerra colonial durou 14 longos anos e mobilizou mais de 1 milhão de jovens, três teatros de operações diferentes e várias frentes de combate. E dela resultaram 15 mil mortos, 45 mil estropiados e deficientes e cerca de 140 mil vítimas de stress de guerra. Cifras negras a que há que juntar o morticínio dos povos africanos das colónias. Não há números mas estima-se em mais de 1 milhão os mortos africanos."

O PCP, ao longo da sua história, sempre teve uma posição clara e inequívoca sobre a questão colonial e de solidariedade activa com os movimentos de libertação que lutavam pela independência efectiva dos seus países e povos. Uma posição consequente que teve expressão no facto de ter sido o único partido a participar em todas as cerimónias de independência dos novos países e ser recebido como amigo e irmão.

O fim das guerras coloniais e a conquista da independência pelos povos de Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe foi uma das grandes conquistas da revolução portuguesa. Uma conquista irreversível forjada pela aliança de combate antifascista e anticolonialista entre o povo português e os povos sujeitos ao jugo colonial português, em que as estreitas relações de amizade e solidariedade entre o PCP e os movimentos revolucionários de libertação africanos – o MPLA, a FRELIMO, o PAIGC e o MLSTP – desempenharam um papel histórico de grande valor.

A luta em torno do processo de descolonização e pelo reconhecimento imediato da independência das colónias assumiu um grande relevo na Revolução de Abril. Como testemunha o artigo que aqui se publica – a conspiração contra-revolucionária e neocolonialista foi derrotada. A proclamação da independência de Angola e Moçambique cujo 40.º aniversário este ano se comemora constituiu um acontecimento de grande alcance histórico que O Militante não podia deixar de assinalar.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

A crise Grega demonstra que a alternativa ao sistema capitalista passa pela Revolução

A crise Grega demonstra que a alternativa ao sistema capitalista passa pela Revolução
por Miguel Urbano Rodrigues


"A evolução da crise grega manifesta traços do poder do imperialismo que talvez em nenhuma situação anterior se evidenciassem de forma tão flagrante. O Syriza, força social-democrata, nada põe em causa do capitalismo. Mas a enorme distância entre as suas promessas eleitorais e as imposições da troika obrigaram-no a tentar obter alguma margem de negociação. Acontece que, nos dias de hoje é suficiente que um político no poder ouse contestar mesmo timidamente a ditadura do capital para ser encarado como inimigo do sistema. O imperialismo não negoceia, exige capitulação total. A alternativa dos povos só existe com a perspectiva do socialismo."

A evolução da crise grega encerra lições muito importantes para as forças progressistas que em dezenas de países lutam em contextos muito diferentes contra o imperialismo.

A principal delas confirmou a impossibilidade daquilo que sectores da social-democracia chamam «a reforma humanizada do capitalismo».

A vitória do Syriza nas eleições gregas semeou ilusões. Os discursos de Tsipras durante a campanha, recheados de promessas, contribuíram para que os partidos social-democratas, na Europa e na América Latina, definissem o Syriza como um partido de «esquerda radical», vocacionado para introduzir grandes transformações na sociedade helénica. O governo Syriza-Anel recebeu inclusive o apoio de alguns partidos comunistas europeus.

Mas logo após iniciar negociações com as instituições europeias (nova designação para a troika) ficou transparente que Tsipras concordava com a maioria das exigências de Bruxelas.

Durante uma visita de duas semanas à Grécia apercebi-me de que o seu governo se propunha a dar continuidade à política de submissão ao imperialismo desenvolvida pela coligação da Nova Democracia com o Pasok, introduzindo-lhe apenas mudanças cosméticas.

As suas continuas cedências às propostas dos parceiros de Bruxelas não impediram que estes adiassem sucessivamente o acordo que permitiria ao governo de Atenas receber 7200 mil milhões de euros (a ultima tranche do segundo plano de «ajuda»), evitando o default iminente.

Grécia : Não ao novo memorando "de esquerda"

Não ao novo memorando "de esquerda"
por KKE

"Todas as outras opções são experimentos falhados em gestão social-democrata, por governos alegadamente de esquerda que gerem o sistema, dentro da estrutura do capitalismo e que depois de espalharem esperanças efémeras e falsas expectativas levam o povo a grandes desilusões, o movimento dos trabalhadores a recuos e fortalecem tendências conservadoras e mesmo extremamente reaccionárias entre as forças populares. " 
"Nem o capital estado-unidense, francês ou alemão são amigos do povo. Todos eles pedem a carnificina dos direitos e do rendimento do povo. A competição entre eles está a ser conduzida no terreno da crise capitalista e da profunda desigualdades que permeia o núcleo central da Eurozona. Os EUA e a Alemanha estão a competir pela hegemonia na Europa. O FMI, França e Alemanha sobre o futuro da eurozona. Secções do capital interno, industriais, banqueiros e grupos de navegação estão envolvidos nesta confrontação."

O governo do SYRIZA "de esquerda" e do ANEL nacionalista, com o apoio da direita ND, do social-democrata PASOK (que governaram juntos até Janeiro de 2015) e o partido do centro POTAMI, está a lançar novos fardos insuportáveis sobre a classe trabalhadora e outros estratos populares. 

Na noite de 10 de Julho ele colocou diante do plenário do parlamento a questão de "autorizar" o governo a negociar um novo 3º memorando de medidas anti-povo, apresentando o seguinte dilema: a continuação da linha política anti-povo ou a bancarrota do país e uma saída da eurozona. 

O primeiro-ministro Alexis Tsipras defendeu o seu memorando, o memorando Tsipras, argumentando no essencial que as medidas anti-povo estão a ser adoptadas a fim de recuperar a confiança dos investidores e dos mercados. 

Às 5 horas da manhã, 251 deputados votaram pela proposta do governo, ao passo que todo o Grupo Parlamentar do KKE votou contra ela. Ao todo houve 32 votos contra, 8 que votaram "abstenção" e 9 que estiveram ausentes. 

Estes desenvolvimentos, os quais revelam mais uma vez a verdadeira cara do governo da "esquerda patriótica" do SYRIZA-ANEL, também desmascaram a posição inaceitável de várias forças no exterior nestes últimos meses, as quais apoiaram o governo, incluindo alguns partidos comunistas e operários, alegadamente em nome da "solidariedade com a Grécia". 

Privatizações em Portugal. Um crime de alcance histórico

Privatizações em Portugal. Um crime de alcance histórico
por FERNANDO SEQUEIRA



"Entendemos, de forma muito convicta, que das diferentes amarras e golpes a que os trabalhadores, o povo e o país foram sendo submetidos ao longo dos últimos decênios, no quadro do processo neoliberal de recuperação capitalista e imperialista, na sua formulação de reconstituição monopolista, como os ataques aos direitos dos trabalhadores, pensionistas e reformados, a destruição da produção nacional, a financeirização da economia, os ataques aos sistemas de ensino, saúde e segurança social, à completa reconfiguração do Estado, para só referir os principais, as privatizações, no quadro em que se vieram a desenvolver, constituem aquela vertente de mais difícil, complexa e dolorosa reversão."

"A desnacionalização dos sectores estratégicos, de que destacamos a banca, os seguros, a energia, os transportes, as telecomunicações, a água, a actividade mineira e diversas indústrias básicas e estratégicas, constitui, no quadro e a par da permanência na UE, a maior ameaça ao exercício da nossa soberania, isto é, de serem os portugueses a decidir, de forma autônoma e independente, do seu presente e do seu futuro colectivo, designadamente em termos econômicos e na perspectiva do desenvolvimento."

O processo de privatizações, elemento estratégico estruturante da dinâmica de reconstituição monopolista no nosso país, pela diversidade e intensidade das suas consequências passadas, presentes, mas sobretudo futuras, constitui indiscutivelmente um crime de alcance histórico.

Crime, porque fragilizou, fragiliza e fragilizará de forma muito profunda a capacidade do exercício da soberania nacional e aspectos relacionados com a própria independência nacional, ao permitir, em última instância, a entrega de importantes alavancas estratégicas de gestão da economia e da sociedade em geral, ao capital estrangeiro.

Crime com alcance histórico, pois que as suas consequências negativas poderão sentir-se não só nos dias de hoje, mas também no longo, ou mesmo muito longo prazo, tornando-se numa ameaça estratégica permanente

Mesmo no quadro de uma mudança profunda do paradigma político no nosso país, mesmo no quadro do exercício de uma política patriótica e de esquerda, a reversão das privatizações, particularmente na sua linha de desenvolvimento desnacionalização, assumirá dificuldades políticas e financeiras de grande envergadura.

domingo, 12 de julho de 2015

Portugal : UM PAÍS QUE ODEIA OS SEUS CIDADÃOS

UM PAÍS QUE ODEIA OS SEUS CIDADÃOS


"Poder-se-ia dizer também que Portugal é dos países da União Europeia com menos Estado e pior Estado, dos que menos gasta em saúde e educação no caminho para arrasar de vez com o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública, hábitos que sobram do tempo escasso em que os cidadãos tiveram algum poder, mas dediquemos algumas linhas apenas aos estudos mais recentes.

Cinco milhões de cidadãos portugueses ou de origem lusa em diáspora é meio país fora de casa, em boa verdade corrido pela ameaça de fome, de miséria, de desemprego, aconselhado a fazê-lo implícita e até explicitamente pelos dirigentes. Portugueses fora é a promessa de reservas de dinheiro em casa para redistribuir pelos poucos e mesmos de sempre, habituados como estão a medrar com a desgraça da maioria. Sendo a maior taxa de emigração da União, significa que Portugal tem mais elevada percentagem da população fora de portas que alguns países caricaturados como os patinhos feios, como a Roménia, a Bulgária, a Lituânia, a Grécia, isso mesmo, a pobre Grécia."
Há um país que odeia os seus cidadãos. Outros haverá, mas fixemo-nos neste que dá pelo nome de Portugal, se gaba de ser muito antigo, muito cheio de história, saudoso de tempos imperiais e que, em cima destas glórias, maltrata os seus cidadãos.

Quando se escreve país não se faz alusão a uma entidade abstracta, mítica, mas sim aos seus dirigentes que, através de gerações e sob diferentes rótulos políticos, têm como traço de união o ódio aos seus concidadãos.

A acusação é grave, mas os comportamentos em causa são-no ainda mais. Tal ódio ressalta de estudos sociológicos apresentados tempos atrás de tempos e que, merecendo as reservas que exige a inexactidão inerente às ciências humanas, têm a credibilidade de corresponder ao que cada cidadão, se tiver os sentidos despertos para a realidade envolvente, vai captando dia após dia.

Europa : Aprofundamento da UEM – ensaio sobre a cegueira

Aprofundamento da UEM – ensaio sobre a cegueira
por Miguel Viegas


"As estafadas e gastas peças de propaganda das instituições europeias, repetidas com zelo pelos seus lacaios nacionais, são completamente desmentidas pela crueza dos números que nos dizem que existem na UE 125 milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social, ou seja, praticamente um quarto da população; que 24 milhões de pessoas não têm emprego (ou seja uma taxa de desemprego de 11% na UE) ou que a taxa de desemprego jovem, também ao nível da UE, passou de 15 por cento em 2007 para 23 por cento em 2014. A crise social e económica não é um exclusivo dos países do Sul. A Finlândia, autêntica Meca do neoliberalismo, que era citada como exemplo a seguir, com o seu modelo de crescimento inovador assente nas novas tecnologias afunda-se com três anos seguidos de recessão entre 2012 e 2014 e uma quebra acumulada superior a cinco por cento do seu PIB."
" Em traços gerais, este relatório dos cinco presidentes aponta para o reforço dos pilares neoliberal e federalista da UE. Podando o discurso dos habituais ornamentos sobre emprego, democracia e coesão social, o que de verdadeiramente substancial se encontra naquele texto é mais perda de soberania, procurando reduzir ainda mais o perímetro da decisão política dos estados nacionais e tornar ainda mais vinculativo o cumprimento das metas macroeconómicas e orçamentais. Como é dito de forma despudorada na introdução, trata-se avançar na união económica, financeira, orçamental e política."

Foi dado a conhecer recentemente mais um documento programático através do qual os principais responsáveis das chamadas «instituições» da União Europeia, correndo e colocando-se em bicos de pés, procuram salvar o edifício de poder que é a União Europeia e garantir a sua «imortalidade». O chamado relatório dos cinco presidentes, intitulado «Concluir a União Economia e Monetária Europeia», subscrito pelas cinco pessoas que presidem hoje ao Parlamento Europeu, à União Europeia, ao BCE, ao Eurogrupo e à Comissão Europeia (a ordem aqui é irrelevante), representa mais uma peça da tentativa de aprofundamento do processo de integração capitalista.

Não sendo inédito (é já longa a lista de documentos semelhantes), não deixa contudo de motivar alguma perplexidade para todos aqueles que acompanham com preocupação a situação social e económica nos estados-membros da UE. Independentemente do posicionamento político e ideológico de cada um, não é possível apagar a realidade objectiva marcada por uma profunda crise sentida pela maioria dos povos mas igualmente expressa através de indicadores, muitos deles fornecidos pelas próprias instituições estatísticas da UE.

As estafadas e gastas peças de propaganda das instituições europeias, repetidas com zelo pelos seus lacaios nacionais, são completamente desmentidas pela crueza dos números que nos dizem que existem na UE 125 milhões de pessoas em risco de pobreza e exclusão social, ou seja, praticamente um quarto da população; que 24 milhões de pessoas não têm emprego (ou seja uma taxa de desemprego de 11% na UE) ou que a taxa de desemprego jovem, também ao nível da UE, passou de 15 por cento em 2007 para 23 por cento em 2014. A crise social e económica não é um exclusivo dos países do Sul. A Finlândia, autêntica Meca do neoliberalismo, que era citada como exemplo a seguir, com o seu modelo de crescimento inovador assente nas novas tecnologias afunda-se com três anos seguidos de recessão entre 2012 e 2014 e uma quebra acumulada superior a cinco por cento do seu PIB.

DILMA, CARDOZO E ADAMS: OS MAIORES RESPONSÁVEIS PELO GENOCÍDIO DE POVOS INDÍGENAS EM CURSO NO BRASIL

DILMA, CARDOZO E ADAMS: OS MAIORES RESPONSÁVEIS PELO GENOCÍDIO DE POVOS INDÍGENAS EM CURSO NO BRASIL

"Neste mesmo sentido, outra justificativa sugerida por Cardozo, em recente entrevista no programa Bom dia Ministro, é que não adiantaria o governo demarcar as nossas terras “sem negociação” com os fazendeiros, porque o Supremo Tribunal Federal (STF) anularia seus atos administrativos. Todos sabemos, no entanto, que é o ministro Luis Inácio Adams, da Advocacia Geral da União (AGU), homem de confiança da presidente Dilma, que tem atuado organicamente, ao menos desde o ano de 2012, lado a lado com representantes da bancada ruralista e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), junto aos ministros do STF, para consagrar a tese absurda do Marco Temporal e estender para todas as terras indígenas do Brasil a aplicação das Condicionantes estabelecidas pelo Supremo para o caso específico da Raposa Serra do Sol."
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao falar sobre os povos indígenas do Brasil, mente para si próprio, para os povos e para a sociedade brasileira. Insiste numa “conversa para boi dormir” segundo a qual o governo não teria paralisado as demarcações e que estaria resolvendo os conflitos por meio do “diálogo” e da “mediação”. Isso é mentira do ministro e, portanto, do governo brasileiro.

Os dados de violência cometidos contra nossos povos em 2014, denunciados recentemente pelo Cimi, e a realidade vivida pelos povos do Brasil, de modo especial, daqueles que estão em áreas superlotadas, em acampamentos de beiras de rodovias, sendo atacados a tiros por fazendeiros em plena luz do dia, como o ocorrido nesta quarta-feira, 24 de junho, contra um grupo de Guarani e Kaiowá da Terra Indígena Kususú Ambá, no MS, atestam essa mentira e deveriam deixar o ministro da Justiça envergonhado. Mas está cada vez mais evidente que Cardozo não tem vergonha na cara.

Além de não cumprir com sua responsabilidade constitucional de demarcar nossas terras, José Eduardo tenta legitimar sua omissão sugerindo que se ele demarcasse essas terras estaria provocando os fazendeiros a cometerem mais violência do que já cometem. Em vez de enfrentar e prender os assassinos de nossas lideranças, o governo brasileiro se curva às suas ameaças e chantagens.

Neste mesmo sentido, outra justificativa sugerida por Cardozo, em recente entrevista no programa Bom dia Ministro, é que não adiantaria o governo demarcar as nossas terras “sem negociação” com os fazendeiros, porque o Supremo Tribunal Federal (STF) anularia seus atos administrativos. Todos sabemos, no entanto, que é o ministro Luis Inácio Adams, da Advocacia Geral da União (AGU), homem de confiança da presidente Dilma, que tem atuado organicamente, ao menos desde o ano de 2012, lado a lado com representantes da bancada ruralista e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), junto aos ministros do STF, para consagrar a tese absurda do Marco Temporal e estender para todas as terras indígenas do Brasil a aplicação das Condicionantes estabelecidas pelo Supremo para o caso específico da Raposa Serra do Sol.