Pesquisa Mafarrico

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Em 28 de Maio, o presidente Obama lançou uma campanha para falsificar a história da guerra no Vietname.

Os americanos deixaram um regalo às crianças do Vietnam, as deformidades congênitas
A história é o inimigo quando as psy-ops se tornam notícia
por John Pilger


Ao chegar a uma aldeia no Vietname do Sul, deparei-me com duas crianças que testemunhavam a mais longa guerra do século XX. Suas terríveis deformidades eram familiares. Ao longo do rio Mekong, onde as florestas foram petrificadas e silenciadas, pequenas mutações humanas viviam o melhor que podiam.

Hoje, no hospital pediátrico Tu Du em Saigon, um antigo anfiteatro é conhecido como a "sala da colecção" e, não oficialmente, como a "sala dos horrores". Ali há prateleiras com grandes garrafas que contêm fetos grotescos. Durante a sua invasão do Vietname, os Estados Unidos pulverizaram um herbicida desfolhante sobre a vegetação e aldeias a fim de negar "cobertura ao inimigo". Era o
Agente Laranja , o qual continha dioxina, venenos com tal poder que provocavam a morte fetal, abortos, danos cromossomáticos e cancro.

Em 1970, um relatório do Senado dos EUA revelou que "os EUA despejaram [sobre o Vietname do Sul] uma quantidade de produtos químicos tóxicos que se eleva a seis libras [2,72 kg] per capita da população, incluindo mulheres e crianças". O nome de código para esta destruição maciça, Operação Hades, foi alterado para o mais amistoso Operação Ranch Hand. Hoje, cerca de 4,8 milhões de vítimas do Agente Laranja são crianças.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quando a burrice serve de camuflagem à desonestidade!

Quando a burrice serve de camuflagem à desonestidade!
por Samuel França Alves.
Considerações sobre o cenário político atual no Brasil


A motivação deste escrito são as manifestações nos últimos dias sobre o encontro de Lula e Haddad com Paulo Maluf, marcado pela emblemática foto do cumprimento entre esses selando um acordo típico da política. Muitos se surpreenderam. Outros nem tanto. E os quadros da base do PT e PCdoB trataram logo de reproduzir os argumentos que suas direções oferecem para justificar a cena.

Quaisquer imagens de Paulo Maluf sempre me despertaram o mais extremo asco! Somada ao semblante claramente debilitado do Lula em tratamento contra um câncer, o mal-estar não podia ser menor. Mas surpresa só acometeu aos ingênuos, distraídos ou desinformados! Em 2011 Aldo Rebelo, ministro dos esportes, esteve pessoalmente no aniversário de 80 anos do notório canalha, segundo suas palavras “representando o governo Dilma” para “cumprimentar esse importante político brasileiro” que “preside um partido da base aliada do governo”. A aliança já estava nos planos dos dois lados.

Entretanto não deixa de criar um contexto revelador, que se analisado até a raiz pode quebrar os laços de ilusão que unem ao PT grande parte das pessoas que no Brasil almejam ver ou até mesmo ajudar a construir uma sociedade diferente.

Rio+20

Sobre a Cimeira Rio+20

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

 
"Em torno da Cimeira Rio+20 ouvimos representantes de estados, de lobbies e corporações responsáveis pela degradação do ambiente, falar de desenvolvimento sustentável. Na realidade, a sustentabilidade de que falam, é a do processo de acumulação capitalista, e não da sustentabilidade da relação entre as comunidades humanas e a natureza."



Em torno da Cimeira Rio+20 quis afirmar-se a concepção de que se poderá salvar o ambiente aprofundando o sistema e os mecanismos que o têm vindo a degradar. Muitos quiseram transformar a cimeira num palco para publicitar os benefícios da aplicação dos mecanismos de mercado ao ambiente, e convencer o mundo de que esta é a única solução para os problemas ambientais.

No documento da Comissão Europeia sobre a Cimeira é evidente a aposta em instrumentos para a “transição para uma economia ecológica” baseados no mercado, como as licenças de emissão negociáveis, as eco-taxas, entre outras. Também são abundantes as referências ao sector privado, ao mercado e à canalização de instrumentos de especulação para esta área. A Comissão Europeia chega a escrever que o investimento público deve ser mobilizado de maneira a “criar condições com vista a reduzir os riscos para o investimento privado”. Ou seja, nesta como em outras áreas, o capital quer que os lucros sejam privados e que os prejuízos sejam públicos!

Aquecimento Global: de quem é a culpa?

Aquecimento Global: de quem é a culpa?

por Lula Falcão




Nos últimos anos, várias catástrofes vêm ocorrendo em nosso planeta causando mortes de milhões de pessoas e a destruição de cidades e do meio-ambiente. A desertificação já atinge mais de 100 países e, segundo o estudo “Erosão do Litoral Brasileiro”, 120 praias foram “engolidas” pela erosão no litoral do Brasil.

Maremotos, chuvas fortes, furacões e secas existem há séculos. No entanto, nos últimos anos tornaram-se mais frequentes e intensos.
No início, os governos dos principais países capitalistas afirmavam que tudo era culpa da própria natureza e recebiam apoio de alguns religiosos que creditavam essas tragédias à ira de Deus contra os homens.

Porém, como as catástrofes se tornaram constantes e passaram a atingir as populações dos países ricos, como foi o caso dos furacões nos EUA, a ciência teve que ser levada mais a sério.

Esta foi a razão da Organização das Nações Unidas (ONU) instalar o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, sigla em inglês) para debater e explicar as causas das profundas alterações climáticas que estão acontecendo no mundo. O 4º. IPCC reuniu 600 cientistas de 40 países e terminou com a divulgação do documento “Mudança do Clima 2007: a base da ciência”, com graves advertências sobre o futuro de nosso planeta:

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Inevitável é a luta!



Inevitável é a luta!
por Pedro Guerreiro


Por mais que sejam escamoteados, objectivamente distorcidos ou atraiçoados, os resultados das recentes eleições realizadas na Grécia e em França continuam a expressar – no contexto e condições específicas de cada país – a rejeição das políticas da União Europeia e a condenação das forças políticas que, recentemente, protagonizaram a sua tradução e concretização nestes dois países.

Tal constatação assume particular significado na Grécia onde, apesar das constantes e violentas pressões, chantagens e ingerências da União Europeia (contando já com as de François Hollande) e do FMI, a Nova Democracia e o PASOK tiveram cerca de 42% dos votos, muito longe dos 77% obtidos em 2009.

Trata-se de uma realidade política que a imensa distorção introduzida pelo anti-democrático sistema eleitoral (obtendo 42% dos votos, estes dois partidos irão ter 54% dos deputados) não consegue apagar. Tanto assim é que a UE, o FMI, a ND e o PASOK e os interesses do grande capital que estes representam – os responsáveis pelo descalabro na Grécia –, conscientes do forte sentimento de rejeição do «memorando de entendimento», da sua ilegitimidade e da insustentabilidade do status quo, se vêem obrigados a ensaiar uma qualquer «renegociação» que altere algo para salvaguardar o essencial.

Uma outra Europa dos trabalhadores e dos povos terá de ser construída com a ruptura do processo de integração capitalista


Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, Madrid, Acto Público «Respuestas de los comunistas del sur de europa a la crisis»



Uma outra Europa dos trabalhadores e dos povos terá de ser construída com a ruptura do processo de integração capitalista



"Para o Partido Comunista Português, uma outra Europa dos trabalhadores e dos povos, de cooperação, de progresso e de paz, terá de ser construída por via da luta contra as medidas anti-sociais e antipopulares que estão a ser impostas pela União Europeia; pela defesa da soberania nacional e da democracia; pelo direito ao desenvolvimento económico soberano de cada país; pela cooperação e solidariedade na resistência às medidas; pela denúncia da natureza de classe da União Europeia e a defesa da ruptura com este processo de integração capitalista."


É com grande alegria que participamos convosco neste acto público de amizade entre o Partido Comunista de Espanha e o Partido Comunista Português e que vos transmito as mais calorosas e fraternais saudações dos comunistas portugueses.

Consideramos de grande importância a realização desta iniciativa comum, assim como daquela que se realizou no passado dia 15 de Junho, em Portugal, na qual participou uma delegação do Partido Comunista de Espanha e interveio o camarada José Luís Centella, seu Secretário-geral.

Os bancos ocidentais ganham milhões com a cocaína colombiana

Os bancos ocidentais ganham milhões com a cocaína colombiana


por Ed Vulliamy

– Enquanto a produção de cocaína devasta os países da América Central, os consumidores dos EUA e da Europa ajudam as economias desenvolvidas a enriquecerem-se com os lucros dessa produção.


Os vastos lucros do tráfico e da produção de droga vão para os países ricos e consumidores – como os da Europa ou os Estados Unidos da América – numa proporção muito superior do que ficam nos países devastados por essa produção, como a Colômbia ou o México, revela um estudo recente [1] . Os seus autores afirmam que as entidades reguladoras são relutantes em investigar o enorme processo da lavagem de dinheiro da droga, levada a cabo pelos bancos europeus e norte-americanos.

A mais recente análise da economia da droga – no caso específico da Colômbia – demonstra que apenas 2,6 % do total do valor de mercado da cocaína produzida fica nesse país, ao passo que uns espantosos 97,4% dos lucros são arrecadados pelas máfias criminosas do chamado primeiro mundo, sendo posteriormente submetidos a um processo de "lavagem de dinheiro" nos bancos desses países.

"A história acerca de quem realmente lucra com a cocaína colombiana é uma metáfora para o fardo desproporcionado colocado de todas as maneiras sobre países "produtores" como a Colômbia em consequência da proibição das drogas" afirma, Alejandro Gaviria, um dos autores do estudo, quando do lançamento da edição inglesa do mesmo na semana passada.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Escola republicana e laica - A sua importância nos nossos dias

Escola republicana e laica - A sua importância nos nossos dias
por Jorge Pires



No confronto político e ideológico que tem vindo a acentuar-se nos últimos anos em Portugal, o sistema educativo e particularmente o papel da Escola Pública têm assumido destaque relevante. E não é por acaso.

É que tal como aconteceu nos finais do século XIX e início do século XX com a derrota da monarquia e a implantação da República, a questão central que se coloca hoje é a do confronto entre duas perspectivas de sistema educativo: a que tem na sua matriz e como objectivo central a formação integral dos indivíduos, capaz de os preparar para uma intervenção activa e consciente na sociedade transformando-os em agentes da mudança, perspectiva que só pode ser concretizada a partir de uma Escola Pública, gratuita e de qualidade, uma Escola para todos, ou a que apenas procura transformar os jovens em máquinas, sem vontade própria, sempre à mercê de quem os conduza, nunca senhores do seu próprio destino.

Já nessa altura o debate era entre os que defendiam a ideia de que a escola, como aparelho ideológico central, procura viabilizar um determinado projecto de sociedade; e os que procuravam subtrair à escola quaisquer tentações de ideologização ou endoutrinamento. Estes últimos são os mesmos que defendem a ideia de uma escola apolítica mas que a utilizam exactamente como um instrumento de reprodução das condições ideológicas necessárias à perpetuação do sistema capitalista.

Marx definiu o capitalismo como uma sistema de acumulação e não de manutenção e por isso o capital tudo fará em cada momento da sua existência para encontrar os instrumentos que lhe permitam acumular cada vez mais riqueza formando os indivíduos que melhor o podem servir. Luís Vicente, num artigo publicado em O Militante (n.º 309, Novembro/Dezembro – «A Escola no Centenário da República») desenvolveu com grande clareza esta ideia ao escrever: «Em qualquer sociedade a persistência das suas relações de produção depende, entre outros factores, da reprodução das componentes ideológicas. Além da continuidade das condições da sua produção material, as sociedades necessitam de mecanismos e instituições que garantam o status quo. A ideologia desempenha um papel fulcral nesta garantia.» A diferença está, como é desenvolvido por Luís Vicente no seu texto, em avaliar-se em cada momento da História «se os princípios ideológicos servem o bem-estar da generalidade da população, então essa reprodução é desejável», ou «se são anti-sociais, contra os direitos e a liberdade do povo, então é perversa e deve ser combatida».

Tambores de guerra na Síria?

Tambores de guerra na Síria?
por Pedro Campos


Ron Paul, congressista republicano, duas vezes candidato à presidência dos Estados Unidos, médico de profissão, cirurgião da força aérea durante a guerra de Vietname e autor de vários livros, considerado padrinho espiritual do conservador Tea Party e que frequentemente choca com as posições dos seus colegas de partido e também com as dos democratas, acaba de publicar, em Information Clearing House [i], um polémico artigo sobre a Síria, no qual avança com várias verdade «incómodas», que começam com o título desta nota.

Sobre um dos massacres mais recentes (o artigo é de 5 de Junho) registado de forma manipulada pelos media, Ron Paul comenta que, «tal como seria de esperar numa administração (a do seu país) com uma política declarada de ‘mudança de regime’ na Síria, a reacção foi atirar as culpas só para cima do governo da Síria», expulsar o pessoal diplomático e «anunciar que os EUA poderiam atacar a Síria mesmo sem a aprovação da ONU». Sem negar que o ataque possa ter sido perpetrado pela forças governamentais, o congressista recorda que «bombardeamentos e ataques recentes foram obra dos rebeldes, que têm relações com a Al Qaeda» e que num caso tão sensível «faria sentido esperar por uma investigação completa (...) a menos que a verdade seja menos importante que agitar as emoções a favor de um ataque dos EUA».

Temos razões, afirma, para ser cépticos com o que nos diz o governo: «Quantas vezes se usaram recentemente mentiras e exagerações para utilizar a força no estrangeiro? Não há muito tempo nos disseram que Kadhafi estava a preparar o genocídio do povo da Líbia e que a única maneira era detê-lo com um ataque dos EUA. Terminámos por saber que isso era falso, mas então já os EUA e a NATO tinham bombardeado a Líbia, destruído as suas infra-estruturas, assassinado um número não revelado de civis e colocado um bando de criminosos no poder».

GOLPE NO PARAGUAI: Lugo e a conexão do agronegócio

Por que depuseram Lugo?
Por Atilio Borón
 
Aporrea, Venezuela, Data de publicação: 23/06/12
 
 
Há poucos minutos acabou de se consumar a farsa: o presidente do Paraguai Fernando Lugo foi destituído de seu cargo num julgamento sumaríssimo, onde o Senado mais corrupto das Américas – e isso é dizer muito! – o considerou culpado de “mau desempenho” de suas funções, devido às mortes ocorridas na desocupação de uma fazenda em Curuguaty.

É difícil saber o que pode ocorrer daqui em diante. O certo é que, como diz o artigo de Idilio Méndez que acompanha esta nota, a matança de Curuguaty foi uma armadilha montada por uma direita que, desde que Lugo assumiu o poder, estava esperando o momento propício para acabar com um regime que, ainda que não tenha afetado seus interesses, abria espaço para o protesto social e das organizações populares, o que é incompatível com sua dominação de classe.
 
Apesar das múltiplas advertências dos numerosos aliados dentro e fora do Paraguai, Lugo não se isentou da tarefa de consolidar a imensa, porém heterogênea, força social que, com grande entusiasmo, o elevou à presidência em agosto de 2008.
 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A conclusão da ofensiva contrarrevolucionária em Portugal e o seu significado

A conclusão da ofensiva contrarrevolucionária em Portugal e o seu significado 
por Pedro Miguel Lima


"Pretendem estas palavras dizer que, a nosso ver, se coloca ao proletariado e ao povo português, como ao proletariado dos países capitalistas, a questão de derrubar o sistema capitalista e substituí-lo pelo sistema socialista e que o facto de os portugueses terem realizado uma revolução não os dispensa de terem de realizar outra. Trata-se de duas revoluções distintas: a primeira, apesar de incompleta, era democrática e nacional; a outra será socialista"

Pode hoje afirmar-se, com objetividade, que a contrarrevolução triunfou sobre a Revolução de 25 de Abril de 1974, ao cabo de 37 anos de resistência e de luta. A crise económica capitalista internacional e a alteração da relação de forças mundial, com o desaparecimento do sistema socialista, deram um significativo impulso no avanço das forças capitalistas. Mesmo o facto de algumas grandes empresas serem ainda públicas – não se subestima este facto – pouco altera na situação, uma vez que se podem considerar parte do aparelho monopolista do Estado.


É inteiramente compreensível que todos os leitores que viveram a gloriosa revolução de Abril e têm por referência as suas conquistas (os factos materiais: as nacionalizações, a Reforma Agrária, o controlo operário, etc., e não ideais, e não fantasias) tenham dificuldade em aceitar aquela afirmação. Mas Portugal encontra-se, de facto, numa situação paralela à de qualquer outra democracia burguesa da Europa. Para facilitar a compreensão, é " como se" não tivesse existido uma ditadura fascista de 48 anos e "como se" não tivesse havido uma revolução e Portugal tivesse seguido uma via de desenvolvimento capitalista semelhante à de outros países; "como se", na história de Portugal, não tivesse havido um hiato de 86 anos (desde a implantação do fascismo) no nosso desenvolvimento capitalista, em relação ao ocorrido na maioria dos países europeus, com uma guerra mundial de permeio1.

Egipto – baralhar e dar de novo

Egipto – baralhar e dar de novo…
por Ângelo Alves
 

"A Casa Branca tenta disfarçar «exigindo» aos militares que entreguem o poder ao presidente. Mas essa atitude acaba por denunciar a sua estratégia de apostar na divisão de poderes entre a irmandade muçulmana e o exército para continuar a reinar no Egipto"

No fim-de-semana, enquanto as atenções se voltavam para a Europa, mais a Sul, no Norte de África, outros acontecimentos demonstraram que, tal como na Grécia, o grande capital e o imperialismo usam todos os meios para tentar condicionar e até esmagar a vontade popular.

O Egipto foi a votos para eleger um presidente. Os resultados conhecidos até ao momento indicam a vantagem do candidato da irmandade muçulmana (Mohammed Mursi) sobre Ahmed Shafiq, o ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak.

Se já é estranho o facto de um dos autores dos massacres na Praça Tahrir poder ser candidato a presidente, os acontecimentos recentes demonstram bem até onde vai a estratégia do imperialismo de dar uma aparência democrática às manobras para manter o seu poder no Egipto e na região.

sábado, 23 de junho de 2012

Um colete de forças imobiliza os católicos

Um colete de forças imobiliza os católicos
por Jorge Messias

«O conjunto de condições da vida social pode e deve detalhar-se... Correcta organização do Estado e dos seus poderes. Depois, a propriedade privada considerada como um prolongamento da liberdade humana. O terceiro princípio permanente é o da subsidiaridade. Pôr-se em atitude de ajuda – e portanto de apoio, promoção e incremento – em relação às estruturas menores» (Manuel Clemente, bispo do Porto, Abril de 2011).

Cardeal patriarca de Lisboa, em intervenções públicas distintas :
«Ninguém sai da política com as mãos limpas»... (10.9.2011).
«A unidade na diversidade é um grande desafio pastoral» (4.5.2012).
«A Igreja tem um papel a exercer como organização da sociedade civil mais significativa e com maior capacidade de resposta» (20.5.2012).
«Quanto à crise... Sem uma revolta cultural, a Europa poderá encontrar soluções mas não a Solução!» (7.6.2012).

«Os comunistas recusam-se, desde já, a abandonar a sua determinação na acção comum, indispensável entre eles e os crentes. Chamam estes, tal qual são, a participar nas lutas exigidas pelo progresso humano, em qualquer etapa em que o desenvolvimento social o exija» (Karl Marx, «Os marxistas e a religião», M. Verret).

O clima de degradação moral em que se debate o universo capitalista causa incómodos, mesmo aos crentes portugueses. A crise é evidente e não diz respeito a um só país, um grupo de países ou de uma única Igreja. É universal, caminha a passos largos e vai ter efeitos irreversíveis. A crise geral ou sobreposição de crises é do sistema capitalista com o qual o poder financeiro se identificou. Há, pois, razões de sobra para que toda a sociedade se sinta incomodada.

Meio Ambiente: a mercantilização dos bens comuns da humanidade

A mercantilização dos bens comuns da humanidade
Mineração, matriz perversa da economia verde, segundo ativistas


(TerraViva) – Economia verde é o novo demônio de boa parte dos ativistas socioambientais que participam dos debates na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo.

Trata-se da nova expansão do capitalismo pela “mercantilização dos bens comuns da humanidade”, em que quatro recursos extraídos da natureza – petróleo, gás, minerais e água – são a base de tudo, sintetizou Carlos Torres, cientista político chileno e colaborador do Observatório Latino-Americano de Conflitos Ambientais (OLCA).

Temos que pagar por qualquer coisa, inclusive os bens públicos como água e os serviços ambientais da natureza. Mas nossos pagamentos não retornam em termos de melhor qualidade de vida, essa a “perversidade da economia verde”, por isso é preciso “confrontá-la”, construir alternativas, segundo Torres.


Nesse contexto a mineração vive um crescimento explosivo no mundo, especialmente na América Latina. As minas se multiplicam, espalhando danos sociais e ambientais, sem que a pobreza e a desigualdade tenham uma solução, observa o ativista que coordena uma assembleia contra “megaprojetos extrativos” no fórum da sociedade civil que faz parte da Rio+20.

No Brasil a industria extrativa saltou de 1,6 por cento do produto interno bruto em 2000 para 4,5 por cento no ano passado e os planos governamentais indicam um aumento maior ainda nas próximas décadas, destacou Carlos Bittencourt, coordenador de estudos do setor no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase).


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Manifesto do Partido Comunista - O marxismo e o movimento operário português

Manifesto do Partido Comunista - O marxismo e o movimento operário português
por Domingos Abrantes


O Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, escrito por incumbência do II Congresso da Liga dos Comunistas – a primeira organização internacional dos trabalhadores –, tornou-se no primeiro documento programático do movimento operário revolucionário, no qual foram expostos os princípios fundamentais do socialismo científico e desenvolvidos os objectivos e a táctica da luta pela transformação do mundo, princípios para a elaboração dos quais Marx deu contribuição determinante.
    
O Manifesto produziu uma autêntica revolução no pensamento socialista, marcando a passagem da fase do socialismo utópico para o socialismo científico.

Com a demonstração de que a classe operária, formada historicamente pelo desenvolvimento capitalista, não era apenas uma classe sofredora, esmagada pela exploração, mas que se tornara na força motora da luta pela construção da nova sociedade liberta da exploração do homem pelo homem – Lénine considerou a clarificação do papel do proletariado como criador da sociedade socialista como o mais importante na doutrina de Marx – deu-se início ao grande movimento revolucionário – o movimento comunista – que não se limitou só a anunciar ao mundo os seus objectivos, mas traçou o caminho para os alcançar. A fusão entre a teoria e a prática torna-se uma peculiaridade dos autores do Manifesto e da teoria marxista.

O Manifesto não foi fruto do acaso. O surgimento e desenvolvimento do marxismo está estreitamente ligado a premissas histórias objectivas e subjectivas: o desenvolvimento do capitalismo e as contradições que lhe são associadas, a elevação da consciência e da actividade da classe operária, a utilização de fontes teóricas que, embora limitadas, exprimiam importantes aspectos do conhecimento da realidade e naturalmente a enorme capacidade de Marx e Engels de apreender o sentido histórico dos acontecimentos, de sistematizar e sintetizar as experiências da luta revolucionária.

Capitalismo ameaça a existência da espécie humana

Capitalismo ameaça a existência da espécie humana
 


No mês em que comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho) e que está realizando a  Rio+20 e a Cúpula dos Povos, faz-se jus uma abordagem dialética da questão ecológica.

Quando se fala em meio ambiente, logo nos vem à mente: aquecimento global, destruição da camada de ozônio, desmatamento; temas mais abordados pelos meios de comunicação de massa, mas outro aspecto da questão é pouco abordado e discutido.

Os estudos da Biogeografia, ramo interdisciplinar da Biologia e Geografia, comprovam que em qualquer ecossistema, seres vivos transmissores (os vetores) de organismos patogênicos (causadores de doenças) são controlados por seus predadores naturais.Conforme mostram os estudos da bióloga Márcia Chame, pesquisadora da Fiocruz e da Fundação Museu do Homem Americano, com a exploração predatória e consequente poluição e devastação dessas áreas, os predadores naturais são extintos, e os vetores se proliferam pelos grandes centros urbanos e demais cidades, ocasionando epidemias de novas doenças gravíssimas. Esta é a razão das epidemias dos vírus Ebola e Lassa na África, fruto da devastação das florestas tropicais africanas pelas potências imperialistas (em especial europeias), através da atividade predatória de suas indústrias de mineração e extração de madeira.

No Brasil, a Caatinga, que abrange predominantemente o Nordeste, mas também parte do Centro-Oeste e de Minas Gerais, tem sido vítima da devastação de sua flora pela indústria carvoeira para alimentar a guerra imperialista do Iraque, isso por que o ferro-gusa, matéria-prima do aço das armas de fogo, é obtido em fornos de fundição alimentados com o carvão, obtido da queima da vegetação caatinguense. Isso sem falar da caça predatória para o tráfico de animais. Segundo Aldo José, biólogo especialista em répteis, “só os lagartos, por exemplo, tem grande importância no controle da população de insetos, muitos dos quais vetores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti”.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Δημοκρατία (Democracia)

Δημοκρατία (Democracia)
por João Ferreira





1. Em grego se escreveu pela primeira vez a palavra democracia. Mas por estes dias, a Grécia é palco maior (embora não único) do confronto crescente entre o processo de integração capitalista europeia e a democracia – mesmo que entendida já só num plano meramente formal.

Há poucos meses, Alemanha e França, num acto de ingerência directa sem precedentes na vida interna do país, determinaram a composição de um novo governo, depois de desconvocarem um referendo anunciado, horas antes, pelo primeiro-ministro grego. Esgotadas as condições para continuar a fazer o serviço sujo que foi chamado a fazer, Papandreou recebeu guia de marcha.

A 6 de Maio último, o povo grego expressou nas urnas uma fortíssima condenação das principais forças políticas que integraram esse governo – aquelas que defenderam e executaram os planos de agressão e de extorsão do FMI e da UE. A direita da Nova Democracia e os sociais-democratas do PASOK reuniram, juntos, pouco mais de 30 por cento dos votos. Em 2009 haviam somado perto de 80 por cento. O LAOS, um partido de extrema-direita que havia obtido seis por cento dos votos em 2009, perdeu a representação parlamentar. Não houve condições para assegurar um governo que prosseguisse o saque e a exploração.

A esquerda de estimação da burguesia Brasileira em dois atos

Aldo Rebelo
O "comunista" de estimação dos ruralistas brasileiros



O clima de festa que marcou a posse do novo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Homero Pereira (PSD-MT), colocou panos quentes nas discussões internas da bancada ruralista.

A reportagem é publicada pelo jornal Valor, 15-06-2012.

O jantar, que teve a presença de dois ministros e 200 convidados, ocorreu na quarta-feira, menos de uma semana depois da reprimenda pública da presidente Dilma Rousseff ao ministro da Agricultura,Mendes Ribeiro. O ministro deu declarações sobre a possibilidade de negociações em torno da MP do Código Florestal, ao sair de um encontro com a presidente. Na sexta-feira, o porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, disse que Mendes não estava autorizado a falar sobre essas negociações.

Crítico feroz da gestão Dilma, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) recebeu afagos públicos do ministro. "Algumas pessoas se propõem a serem as melhores naquilo que fazem e o Caiado é um exemplo disso", discursou.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Desmontar a mentira para combater a alienação e dinamizar a luta

Desmontar a mentira para combater a alienação e dinamizar a luta
Por Miguel Urbano Rodrigues



A compreensão pelos povos da estratégia exterminista do imperialismo que os ameaça é extremamente dificultada pela ignorância sobre o funcionamento do sistema de poder dos Estados Unidos e pela imagem falsa que prevalece a respeito da sociedade norte-americana não apenas na Europa mas em muitos países subdesenvolvidos.

Repetir evidências passou a ser uma necessidade no combate à alienação das grandes maiorias, confundidas e manipuladas pelos responsáveis da crise de civilização que atinge a humanidade.

Talvez nunca antes a insistência em iluminar o óbvio oculto tenha sido tão importante e urgente porque a falsificação da História e a manipulação das massas empurra a humanidade para o abismo.

O «resgate» espanhol

O «resgate» espanhol

por Ângelo Alves


A imprensa titulou: «A Espanha pediu ajuda financeira para recapitalizar a banca». As centrais de (des)informação apressaram-se a chamar-lhe um «resgate suave» ou «descafeinado» (nas palavras de um jornal espanhol), pois não se trataria de um «resgate» similar aos efectuados em Portugal, Irlanda ou Grécia e portanto não haveria lugar a «austeridade». Mariano Rajoy e o ministro da economia espanhol recusaram-se a usar o termo «resgate» e insistem na ideia de uma simples «linha de crédito» à banca. Por cá até o Bloco de Esquerda utilizou a mesma fórmula e atirou a matar (nos pés) considerando inaceitável que Espanha tivesse direito a um empréstimo sem medidas de austeridade quando no nosso País as condições foram diferentes.

A ideia de uma «simples» linha de crédito que irá «resolver» os problemas da banca, ainda para mais sem medidas ditas de «austeridade», trata-se, obviamente, de um embuste, de uma mentira cuja dimensão é proporcional ao valor milionário do resgate – 100 mil milhões de euros. Uma mentira desde logo porque esta decisão é apenas a ponta de um imenso iceberg – uma crise económica e social em rápido aprofundamento na 5.ª maior economia da União Europeia e um gigantesco esvaziamento da bolha especulativa espanhola que muito possivelmente sorverá muito mais recursos do que os 100 mil milhões agora anunciados.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Acordai!



Acordai!
por Aurélio Santos
 


«Acordai, homens que dormis /a embalar a dor dos silêncios vis»
Do poema de Gomes Ferreira para as «Heróicas» de Lopes Graça


A falência e o descrédito da prática política dos partidos socialistas e social- democratas geraram na Europa um avanço de forças de extrema-direita e neofascistas, cuja dimensão exige séria preocupação pelo futuro.

A batalha da memória

O fascista Carneiro Pacheco e a Mocidade portuguesa
A batalha da memória


"Na nossa época, marcada pelo aprofundamento da crise global do capitalismo, em que as liberdades, os direitos dos trabalhadores, as conquistas sociais, a independência dos povos, a própria dignidade humana, estão a ser postos em causa pela voracidade dos grandes interesses financeiros, de novo a pulsão fascista desponta, com outros métodos e roupagens."


Têm-se multiplicado ultimamente as edições, em destaque no escaparate das livrarias e das grandes superfícies, que revisitam o tempo histórico de marca fascista. Grande parte com base em trabalhos académicos, a pretexto de efemérides, ou correspondendo à curiosidade sobre episódios de bastidores ou detalhes da vida privada de protagonistas, num «voyeurismo» muito fomentado, a história vai sendo reescrita, à feição dos interesses da classe dominante.

Há, sem dúvida, relevantes e valiosas excepções, mas a tendência mais forte, mais divulgada, e promovida pelos mercados da comunicação, é a do discurso que branqueia o passado de opressão, violência e submissão que o fascismo representa.

Abundam os registos biográficos de Salazar e de Caetano, da autoria de serventuários e epígonos, tendo alguns textos chancela universitária, relatos e «cronologias» da época, onde se pretende historiar a polícia política e mesmo alguns torcionários, a par de amáveis descrições do quotidiano, em todos se identificando traços comuns: suavizar as brutalidades, humanizar os seus responsáveis, omitir as causas, desideologizar o curso histórico, recuperar o bem do passado por oposição ao mal do presente.


segunda-feira, 18 de junho de 2012

O prémio Nobel da morte : Obama depois de escolher as vítimas à matar, ele dança

O prémio Nobel da morte 
por José Miguel Arrugaeta [*]

O prestigioso diario New York Times costuma verificar minuciosamente suas fontes e contrastar por várias vias as informações que lhe transmitem, assim como não torná-las públicas até demonstrar que são efectivamente verídicas. Contudo, a grave acusação a que me refiro não recebeu desmentido por parte da Casa Branca nem suscitou ameaças de litígio legal e só provocou um embaraçoso silêncio confirmatório, bem como o desinteresse cúmplice de numerosos media internacionais.

A reportagem jornalística assegura que Barack Obama aprova directamente os nomes das pessoas que devem ser "neutralizadas", por constituírem um perigo para a segurança nacional do seu país, em qualquer parte do mundo. Estas sentenças extrajudiciais letais, e não recorríveis, são tomadas pelo presidente, mediante video-conferências, depois de ouvir as recomendações de um painal de uma centena de especialistas que analisam as biografias dos objectivos vivos. A tarefa de seleccionar as vítimas, e executá-las em caso positivo, cabe, segundo a informação, à CIA nos casos do Afeganistão e Paquistão, e ao Pentágono quando se trata do Iémen e zonas vizinhas.

domingo, 17 de junho de 2012

PCP e BE, KKE e Syriza: Sectarismo e traição

PCP e BE, KKE e Syriza: Sectarismo e traição
por Bruno Carvalho



"esta semana as duas eurodeputadas do Bloco de Esquerda se aliaram à direita europeia e aprovaram uma resolução que legitima as bárbaras medidas de austeridade contra várias países. Uma resolução que elogia o orçamento comunitário e as suas prioridades. Dentro do Grupo Parlamentar da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, a maioria optou por não aprovar o documento. O PCP votou contra e o BE preferiu alinhar-se com os representantes da oligarquia financeira"

Os tempos que vivemos são decisivos para o futuro da humanidade. Face ao capitalismo, restam poucas dúvidas de que só o comunismo representa uma saída à barbárie.

E se é verdade que apenas as gerações vindouras terão a capacidade de avaliar o que cada um de nós fez nas actuais circunstâncias históricas, além das sombras das palavras e dos discursos, espero que haja a claridade para garantir que as análises se façam pelo que se fez e não pelo que se disse. Não é por acaso que a narrativa da nossa época está nas mãos da burguesia. As palavras têm o poder de encandear e distorcer a realidade.

Sempre que a traição levanta o véu e brande a espada sobre os trabalhadores, há quem reclame que não deve ser denunciada. Não se pode apontar o dedo àqueles que se dizem irmãos de luta. O nosso inimigo comum é o capital e não nos devemos degladiar entre os que reclamam um mundo novo. Mesmo quando há quem de vez em quando apoie o inimigo. Por isso, quando se denunciou o apoio do Bloco de Esquerda à proposta da União Europeia, com o aval do PS, PSD e CDS-PP, de ajudar financeiramente a Grécia, todos os que o fizeram foram apelidados de sectários. Para alguns, é melhor ensombrar a verdade do que evidenciar os que dizem uma coisa cá dentro e fazem outra lá fora.

sábado, 16 de junho de 2012

Federalismo: o plano B para a UE — qual será o plano C?

Federalismo: o plano B para a UE — qual será o plano C?
por Daniel Vaz de Carvalho


"O socialismo burguês resume-se precisamente nesta afirmação: os burgueses são burgueses no interesse da classe operária",
C. Marx e F. Engels, Manifesto



1 – O problema das boas intenções

Quando a realidade desmente os conceitos – são pré-conceitos – inventa-se um mito. O federalismo como forma de resolver os problemas com que os países da UE se debatem não passa de um mito sem o mínimo suporte na realidade.

Há quem com boas intenções considere que a solução para os problemas da UE é "mais Europa": o federalismo. Diga-se que neste aspecto estão em muito má companhia, por detrás deste conceito perfila-se gente muito perigosa – ideologicamente, mas não só, a requentados demagogos, ilusionistas da política que têm feito sempre o contrário do que dizem, chantageando o eleitorado com as suas "inevitabilidades".

Rio + 20 : A cúpula da hipocrisia Global

Rio + 20 : A cúpula da hipocrisia Global
por Fausto Arruda | A Nova Democracia




Na segunda quinzena de junho, chefes de Estado do mundo inteiro estarão no Rio de Janeiro para um convescote que tem tudo para ser mais uma atividade diversionista para encobrir os reais e mais candentes problemas que a humanidade enfrenta nos dias atuais.


FOME, PESTE E GUERRA

As pessoas das gerações mais antigas se criaram ouvindo as rezadeiras concluírem suas ladainhas com a súplica: livrai-nos da fome, da peste e da guerra. Hoje, os pseudocientistas, sacerdotes do ecoterrorismo, disseminam o pensamento único ensinando às massas uma nova ladainha: livrai-nos do buraco na camada de ozônio, do efeito estufa e do aquecimento global. Mas, o temor das rezadeiras continua mais que nunca na ordem do dia.


Segundo as estatísticas dos organismos internacionais, cerca de oitocentos milhões de pessoas sofrem no mundo de fome crônica. Por hora, morrem mil crianças todos os dias por variadas moléstias cuja base é a subnutrição.


Estas mesmas populações, principalmente pela condição de famélicas, estão expostas a um sem número de epidemias como AIDS, ebola, malária, dengue, febre amarela, cólera, afora as gripes de moda como a suína, a aviária e outras.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Contas do Vaticano são uma história suja

Contas do Vaticano são uma história suja
 
por Jorge Messias


«O Vaticano desenvolve os seus negócios na absoluta discrição, protegendo a delicada relação entre a teocracia que representa e o dinheiro. As intensas actividades dos grupos financeiros da Santa Sé revelam-se como um dos segredos mais bem guardados do mundo… O silêncio protege toda a sua economia e, portanto, também, os negócios mais suspeitos que caracterizam a vida financeira da Igreja Romana» (Vaticano, S.A., Luigi Nuzzi).

«Oficialmente, o papel do IOR é gerir as contas de ordens religiosas e associações católicas. Tem activos calculados em cerca de 5 biliões de euros e os seus clientes são, sobretudo, padres, freiras, conferências episcopais, fundações e ministérios, distribuídos pelo mundo inteiro.
As suas actividades são garantidas por um total sigilo» (Jornal Le Monde, 24.5.2012 ).

«Cresce a anarquia da produção: crises, corrida doida à procura de mercados e, assim, emprego inseguro para a grande massa da população. Porém, aumentando a dependência dos operários em relação ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho unificado.
O capitalismo venceu em todo o mundo mas a sua vitória não é mais que o prelúdio da vitória do Trabalho sobre o Capital.» («Karl Marx e o Desenvolvimento Histórico do Marxismo», V.I. Lenine).


Hoje em dia dificilmente alguém poderá invocar ignorância acerca da sucessão dos crimes que enlameiam as mais intocáveis instituições religiosas. Mesmo quando elas proclamam aos quatro ventos que são santas. Por isso, em plena crise do sistema capitalista, os escândalos da Santa Sé deixaram de ser conhecidos gota a gota e a lama escorre em bica pelas fendas que o tempo abriu nas muralhas de S. Pedro. Basta recordar, por exemplo, a falência do Ambrosiano, o banco emblemático que servia a Igreja, a Máfia e a Maçonaria, decretada em 1982. As acusações ficaram provadas em justiça mas o banco cujo maior accionista era e é – o Vaticano – incorporou-se no IOR e continua com a mesma política criminosa na primeira linha do branqueamento de capitais, dos negócios offshore, do contrabando de divisas ou da luta implacável pela conquista dos mercados e das isenções fiscais. Ainda que, em termos de imagem, a corda tanto tenha esticado que a ficção da espiritualidade do papa e da Igreja se vai partindo em mil pedaços.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Reflexões sobre democracia, crise e demagogia

Reflexões sobre democracia, crise e demagogia
             

A complexa e preocupante situação política nacional e internacional que se vive nos dias de hoje requer que dela se faça uma lúcida e desapaixonada análise por forma a encontrar as respostas mais adequadas à situação. Uma correcta caracterização e avaliação de cada momento é, e deverá sempre ser, o ponto de partida das nossas decisões porque as respostas de hoje não serão iguais às de ontem e tão pouco servirão para amanhã. É a dialéctica que tal nos ensina e nela se fundamenta esta afirmação.

Estamos actualmente perante uma ofensiva generalizada do capitalismo selvagem, ou seja, da cada vez maior selvajaria do sistema capitalista. O elenco das formas dessa ofensiva é longo e diversificado mas todas elas têm de comum e as atravessa uma política que dá a volta ao planeta. Apoiando e defendendo esta política, ou opondo-se a ela e contra ela lutando, o facto é que a todos ela de uma forma ou de outra atinge, isto é, vai gradualmente batendo a todas as portas em todo o mundo.

Uns, porque através dessa política se apoderam da imensa e prodigiosa riqueza que os homens são hoje capazes de produzir, outros porque são as vítimas directas e imediatas do sistema. Há ainda aqueles que, ilusória e ingenuamente, acreditam irem ser poupados, sem conseguirem compreender que é tudo uma questão de tempo, e que já se encontram em lista de espera para, forçosa e forçadamente, se juntarem ao exército dos já sacrificados.

Sim, é possível os comunistas vencerem eleições burguesas


Sim, é possível os comunistas vencerem eleições burguesas
por Manuel Gouveia
 
 
"Só os comunistas resistem – e por isso são ferozmente atacados. Porque apontam o dedo ao sistema capitalista, à sua essência, às suas contradições insanáveis, às suas taras. Porque colocam como tarefa dos trabalhadores e dos povos a libertação nacional do imperialismo, a superação revolucionária do capitalismo e a construção do socialismo"


Este domingo trava-se importantes batalhas eleitorais na Grécia e em França, onde a 6 de Maio os povos rejeitaram o caminho que lhes está a ser imposto (que este prossiga, meramente recauchutado, expõe mais uma vez que o sistema eleitoral burguês se destina a preservar a ditadura da burguesia e nunca a colocá-la em causa).

Num e noutro país, é infindável a lista de candidatos a gerir de forma mais eficaz (à direita) ou mais humana (à esquerda) o mesmo sistema capitalista cuja falência se torna dia a dia mais evidente. Fazem fila indiana para vender ao povo as mesmas ilusões – escolham-nos a nós, que saberemos salvar o capitalismo fazendo-o funcionar de forma mais eficaz/humana – escondendo nas artes da oratória que apenas aspiram a administrar a exploração e comandar a opressão do povo.

Milhões de trabalhadores, enfrentando uma situação social insustentável, sofrem ainda o ataque de tenaz destinado a fazê-los optar entre um e outro «mal menor»: entre a chantagem da «austeridade ou caos»; e as promessas de retirar umas gramas ao peso da canga e almofadar as grilhetas, com as austeridades inteligentes.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Crise do capitalismo - Sobreprodução e escassez

Crise do capitalismo - Sobreprodução e escassez
por Rui Namorado Rosa
   

A base material da revolução industrial caracterizou-se essencialmente pelo carvão (fonte de energia) e o ferro (material para ferramentas e equipamentos inovadores), que então vieram adicionar-se à lenha e à madeira, ao ouro e ao sal, e a numerosas substâncias de extracção biológica que caracterizaram a época pré-industrial. Outras substâncias minerais, podendo até ser insubstituíveis, como o cobre, o mercúrio e o enxofre por exemplo, eram conhecidas mas tinham importância económica menor.

Depois a base material foi-se alargando, com a inovação de técnicas de fabrico e a descoberta de novas substâncias, sobretudo minerais, de modo que o leque de substâncias e materiais que ganharam importância industrial multiplicou-se ao longo do século XIX. O cobre, o zinco, o chumbo, o estanho – ainda que já fossem conhecidos, tornaram-se então também insubstituíveis em certas novas ou velhas mas alargadas aplicações e produtos de circulação corrente.

Iminente golpe de Estado na Síria


Hilary Vader e o lado negro da força


Iminente golpe de Estado na Síria
- A NATO prepara uma vasta operação de intoxicação

por Thierry Meyssan

Os estados membros na NATO e do CCG preparam um golpe de Estado e um genocídio sectário na Síria. Caso pretendam opor-se a estes crimes, ajam quanto antes; façam circular estes artigos na Net e alertem os vossos conhecidos.

Dentro de poucos dias, talvez a partir de sexta-feira 15 de Junho ao meio-dia, os sírios que pretenderem ver as cadeias de televisão nacionais terão estas substituídas nos écrans por televisões criadas pela CIA. Imagens realizadas em estúdio mostrarão cadáveres imputados ao governo, manifestações populares, ministros e generais apresentarão a sua demissão, o presidente el-Assad tratando de fugir, os rebeldes reunindo-se no coração das grandes cidades e um novo governo instalando-se no palácio presidencial. Esta operação, diretamente monitorizada a partir de Washington por Ben Rhodes, conselheiro adjunto da segurança nacional dos Estados Unidos, visa desmoralizar os sírios e preparar um golpe de Estado. A NATO, que esbarrou no duplo veto da Rússia e da China, conseguiria assim conquistar a Síria sem ter de a atacar ilegalmente. Qualquer que seja o julgamento sobre os atuais acontecimentos na Síria, um golpe de Estado poria fim a toda a esperança de democratização.



terça-feira, 12 de junho de 2012

A política da linguagem e a linguagem da regressão política

A política da linguagem e a linguagem da regressão política
por James Petras

O capitalismo e os seus defensores mantêm a dominação através dos "recursos materiais" sob o seu comando, especialmente o aparelho de estado, e suas empresas produtivas, financeiras e comerciais, bem como através da manipulação da consciência popular via ideólogos, jornalistas, académicos e publicitários que fabricam os argumentos e a linguagem para enquadrar as questões do dia.

Hoje as condições materiais para a vasta maioria dos trabalhadores deterioram-se drasticamente pois a classe capitalista descarrega todo o fardo da crise e da recuperação dos seus lucros sobre as costas das classes assalariadas. Um dos aspectos gritantes deste contínuo rebaixamento de padrões de vida é a ausência até agora de um grande levantamento social. A Grécia e a Espanha, com mais de 50% de desemprego na faixa etária dos 16-24 anos e aproximadamente 25% de desemprego geral, experimentaram uma dúzia de greves gerais e numerosos protestos nacionais com muitos milhões de pessoas; mais não provocou qualquer mudança real de regime ou de políticas. Os despedimentos em massa, os salários penosos, os cortes em pensões e serviços sociais continuam. Em outros países, como a Itália, França e Inglaterra, protestos e descontentamento manifestam-se na arena eleitoral, com governantes afastados e substituídos pela oposição tradicional. Mas no decorrer da agitação social e da profunda erosão sócio-económica das condições económicas e de vida, a ideologia dominante que informa os movimentos, sindicatos e oposição política é reformista: Apelos para defender benefícios sociais existentes, aumentar despesas públicas e investimentos, pela expansão do papel do estado onde a actividade do sector privados deixou de investir ou empregar. Por outras palavras, a esquerda propõe conservar um passado em que o capitalismo estava arreado com o estado previdência.

Financeirização da economia e «capitalismo de casino»

Financeirização da economia e «capitalismo de casino»
Ao serviço do lucro à custa de Portugal

 

Contrariamente à ideia que muitas vezes existe, e à mensagem que o Governo e os defensores do pensamento económico ultraliberal dominante pretendem fazer passar junto da opinião pública, nomeadamente nos media, tanto o investimento estrangeiro em Portugal, como o que os grupos económicos a operar em Portugal fazem no estrangeiro, não é investimento produtivo directo em empresas, mas sim aplicações financeiras que visam a obtenção de ganhos elevados e imediatos.


Os grupos económicos e financeiros contribuem para a financeirização economia, e para o «capitalismo de casino»

 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O complexo militar industrial e a energia nuclear

O complexo militar industrial e a energia nuclear

por Rui Namorado Rosa


É geralmente reconhecido que o termo «complexo militar-industrial» foi introduzido pelo general Dwight Eisenhower no seu discurso de despedida como presidente dos EUA, em 1961.

As suas palavras parecem caracterizar a transformação económica e política então em curso, de que tinha profundo conhecimento decorrente das experiências e responsabilidades assumidas nos cargos militares e políticos que exercera. É essencialmente a afirmação categórica de uma doutrina militarista, mas com precauções de ordem moral ou talvez táctica. Recordemos:
«…Até este último conflito mundial, os Estados Unidos não tinham indústria de armamentos. Os fabricantes americanos de arados poderiam, com tempo e se necessário, fazer igualmente espadas. Mas agora não podemos mais arriscar improvisar a emergência da defesa nacional; fomos obrigados a criar uma indústria de armamentos permanente e de vastas proporções. Somado a isso, três milhões e meio de homens e mulheres estão directamente envolvidos em instituições de defesa. Gastamos anualmente em segurança militar mais do que o lucro líquido de todas as corporações dos Estados Unidos.

Esta conjunção de um imenso estabelecimento militar e uma grande indústria de armamentos é nova na experiência americana. Essa influência total – económica, política, mesmo espiritual – é sentida em cada cidade, cada capital de Estado, todos os serviços do governo Federal. Reconhecemos a necessidade imperativa deste desenvolvimento. Contudo, não podemos deixar de compreender as suas graves implicações. Nossos trabalhos, recursos e meios de subsistência estão todos envolvidos; assim é a própria estrutura da nossa sociedade.

domingo, 10 de junho de 2012

A Guerra de Espanha (1936-1939) - A agressão imperialista

Guernica de Picasso
A Guerra de Espanha (1936-1939) - A agressão imperialista

Por Domingos Abrantes


Passados mais de 75 anos do início duma guerra que ensanguentou a Espanha durante três anos em consequência da sublevação de 18 de Julho de 1936, levada a cabo por generais fascistas contra a República e o Governo da Frente Popular, continua a suscitar profundo interesse analisar algumas causas e consequências desta guerra que marcou indelevelmente o posterior curso de Portugal, da Europa e do mundo.


 Há mais 75 anos que os acontecimentos da guerra de Espanha têm sido palco de agudos confrontos ideológicos e de não poucas falsificações históricas.

As causas que levaram à guerra e à derrota da República espanhola e suas trágicas consequências não podem ser esquecidas, como não devem ser esquecidos os que deram a vida pela causa da liberdade. Tudo o que seja menosprezar o que foi aquela tragédia para os povos dificultará a luta contra as suas causas, que se mantêm na actualidade porque radicam na natureza do imperialismo.

Numa altura em que por toda a parte se branqueia o fascismo, que as forças reaccionárias levantam cabeça, que se limitam liberdades democráticas, que o anticomunismo ganha foros de política de Estado, que, como há 75 anos, uma santa-aliança imperialista, acolitada pela social-democracia, reduz a pó elementares normas de direito internacional e arroga-se no direito de determinar os destinos dos povos, não hesitando em recorrer a acções criminosas para impor a sua vontade, torna-se um dever relembrar algumas questões sobre a guerra de Espanha.

FARC: 48 Anos de luta revolucionária

FARC: 48 Anos de luta revolucionária
Miguel Urbano Rodrigues 

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército Popular (FARC-EP) comemoraram 48 anos no dia 27 de Maio.

O acontecimento foi festejado nas selvas e montanhas do país pelos milhares de combatentes que se batem por uma Colômbia independente, democrática e progressista.

Não há precedente na história da América Latina para uma saga revolucionária comparável. Fundada há quase meio século, a guerrilha das FARC-EP luta contra o mais poderoso exército do Sul do Hemisfério (300 000 homens), armado e financiado pelo imperialismo estadounidense.

Cedendo a pressões de Washington, as FARC-EP foram colocadas pela ONU e pela União Europeia na lista das organizações terroristas e os membros do seu Estado-maior Central têm a cabeça a prémio por milhões de dólares.

Uma campanha de âmbito mundial, montada pelo Pentágono e a CIA, colou às FARC-EP o rótulo infamante de «narcoguerrilha». Sucessivos governos anunciaram ao longo dos anos em Bogotá o seu fim iminente. Mas não há calúnia nem discurso dos presidentes e generais da oligarquia que possa esconder o óbvio: as FARC-EP, que se assumem como uma guerrilha-partido marxista leninista, prosseguem a luta em múltiplas Frentes rumo à conquista distante do poder, e todos os meses os comunicados do secretariado do seu Estado Maior Central tornam públicas acções de combate em que são infligidas pesadas baixas ao exército.