Pesquisa Mafarrico

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

As crises religiosas e sociais e suas consequências políticas

As crises religiosas e sociais e suas consequências políticas
por James Petras


"A década de crises tem tido diversos impactos importantes – enfraqueceu fortemente a identidade religiosa, qualquer que seja a sua denominação específica, aumentou a incerteza religiosa e aumentou fortemente o número e a percentagem de americanos adultos que deixaram de ser religiosos. Entre 1998 e 2008, a percentagem de adultos de ambas as categorias duplicou de 10,5% para 20,2%; os números aumentaram de 18,34 milhões para 46 milhões. Segundo parece, a maior parte dos 'não-religiosos' provém da maioria de cristãos e de judeus."

 
A longa década de abertura do século XXI (2000-2012) tem sido um período de repetidas e profundas crises económicas e sociais, de guerras em série e prolongadas e de queda dos níveis de vida para a grande maioria dos americanos. Como é que as pessoas reagiram a estas crises?

Não surgiu nenhum movimento em grande escala, de longa duração, para desafiar as classes dominantes bipartidárias. Durante um breve momento, o movimento "Occupy Wall Street" proporcionou uma plataforma para denunciar os 1% super-ricos mas depois desapareceu da memória.

Coloca-se a questão de se, no meio de prolongados tempos difíceis, as pessoas se viram para a religião como solução, como uma saída para a piedade espiritual. A questão que este artigo aborda é se a religião se tornou no 'ópio do povo' como Karl Marx sugeriu ou se as crenças e instituições religiosas também estão em crise, perdendo a sua atracção espiritual perante a sua incapacidade de resolver as necessidades materiais quotidianas de uma legião crescente de trabalhadores empobrecidos, mal pagos, desempregados e eventuais e de uma classe média que se vai afundando. Por outras palavras, as principais religiões estão a crescer e a prosperar na nossa época de crise económica permanente e de guerras perpétuas ou estão num caminho descendente e partilham do declínio do Império dos EUA?

Segundo os últimos dados de 2008, [nos EUA] o maior grupo religioso é o cristianismo com 173,402 milhões de membros representando 76% da população adulta, seguido pelo judaísmo com 2,680 milhões representando 1,2% da população adulta; seguidos pelas religiões orientais com 1,961 milhões e representando 0,9% de muçulmanos, em que 1,349 milhões representam 0,6% de adultos. O segundo grupo mais populoso depois dos cristãos é o dos adultos que afirmam 'não terem religião', 34,169 milhões, ou seja 15%.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Extratos da estupidez em cristo: Os ministérios Evangélicos ( HUMOR EM CRISTO)

Os chefes evangélicos
Igrejas Evangélicas S.A. - Enriquecendo em Cristo
Humor em Cristo

Pequenos extratos em vídeos de Pastores evangélicos pedindo "grana" aos crentes para sua "obra de Deus" , obviamente, obra localizada num paraíso fiscal, é óbvio!.
  
Têm também o rodopio ( viadagem) do Pastor Cisne Negro, imperdível! 
 
Entrevista exclusiva  diretamente do inferno, do demônio ao pastor evangélico, não percam! pois o demônio não dá muitas entrevistas.
 
E finalmente, o importante tema para a humanidade "com quem Caim se casou" se Adão e Eva foram os primeiros habitantes da terra?

Toda estupidez protagonizada por Pastores, bispos, apóstolos evangélicos e vomitada para seu rebanho de tôlos, que infelizmente acreditam! fazer o quê?
 
Deus nos livre de um Brasil Evangélico!!
Cruz credo, Saravá tres vêzes!
 
Obs: A palavra "viadagem" se aplica a todos os homofóbicos, como é o caso desse Pastor, que dá esse "espetáculo de viadagem" rodopiante e cheio de trejeitos horrorosos.
 
 
Com a palavra os "homens de Deu$"

Greve geral e violência do Governo


Greve geral e violência do Governo
por Modesto Navarro

"Havia polícias à paisana desesperados por não terem ordem para impedir os profissionais de arrancar e atirar pedras da calçada. Um a um, teriam sido identificados e a coisa acabaria ali. Mas isso não servia o passo superior da repressão que o Governo e o ministro da Administração Interna tinham ordens para praticar nesse dia." 

Em setembro, na manifestação do dia 15, parecia o céu aberto, com a saída espontânea de tanta gente que se juntou na Praça de Espanha, em Lisboa.
 
Eram a indignação e o protesto. Foi também o " elogio" da liberdade inorgânica, indo-se ao extremo de alguns indigentes que por ali andavam dizerem mal de sindicatos e partidos...
 
Pois, sim. Mas no final desse mês, no dia 29, a Praça do Comércio e muitas ruas de Lisboa encheram-se de gente organizada e com consciência interventiva que afirma nos locais de trabalho, nas zonas de residência, no desemprego e ao lado de milhares de trabalhadores que todos os dias vão e vêm de casa ou do quarto alugado para o trabalho. Trabalhadores que prestam atenção sofrida e revoltada ao que se passa e que lutam contra a destruição de direitos, da economia e da independência do País, levada a cabo por este Governo nefasto do PSD/CDS-PP.
 
Não esquecem o papel principal do PS nos governos anteriores. Guterres e José Sócrates, antes e depois de Durão Barroso e Santana Lopes, foram primeiros-ministros da obediência cega aos patrões de neoliberais de pacotilha como são agora Passos Coelho, Gaspar e Miguel Relvas, entre outros " governantes" de opereta e de miséria ética e moral instalada.
 
Perante o que aconteceu em 29 de Setembro e no crescendo de lutas, face a essa manifestação magnífica da função pública e à concentração em São Bento, no dia 31 de Outubro, o Governo, o Ministério da Administração Interna e os operadores das secretas e do silêncio repressor organizaram-se e construíram a oportunidade para darem um golpe superior, na vigilância e na actuação concertada que levam a cabo.
 
No dia 31 de Outubro, até às 24 horas, as televisões não deram imagens da manifestação da função pública e da concentração em São Bento, no dia da votação inicial do Orçamento do Estado. Deram a violência dos petardos, de tentativas de enfrentamento de provocadores encartados contra a polícia. Essa foi a "experiência" já transmitida exaustivamente em directo pelas televisões, desde o cair da noite, como se tudo o mais não tivesse existido, a manifestação enorme, a intervenção de Arménio Carlos, a decisiva demonstração de força organizada que foi a concentração dessa tarde.

O BCE e o Fed ao serviço dos grandes bancos privados

Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado
O artigo é de Eric Toussaint

 
Este segundo artigo desta série mostra como o Banco Central Europeu e a Reserva Federal norte-americana se puseram ao serviço dos grandes bancos privados e não do interesse da população dos países. Os bancos foram confrontados com a ameaça de não conseguirem pagar as dívidas. Foi então que o BCE recomeçou a comprar, em grandes quantidades, títulos de dívida pública grega, portuguesa, irlandesa, italiana e espanhola, para fornecer liquidez aos bancos.
 
 
 O BCE e o Fed ao serviço dos grandes bancos privados


A atividade do Banco Central Europeu e do Fed |1|

Os bancos europeus entraram numa fase crítica a partir de junho de 2011. A situação era quase tão grave como após a falência do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. Muitos deles estavam à beira da asfixia, porque as suas enormes necessidades de financiamento a curto prazo (alguns bilhões de dólares) deixaram de ser satisfeitas pelos money market funds americanos, que consideravam que a situação dos bancos europeus era cada vez mais arriscada |2|.

Os bancos foram confrontados com a ameaça de não conseguirem pagar as dívidas. Foi então que o BCE, na sequência de uma cúpula europeia, que se realizou de urgência a 21 de julho de 2011 para fazer face a uma série de possíveis falências bancárias, recomeçou a comprar, em grandes quantidades, títulos de dívida pública grega, portuguesa, irlandesa, italiana e espanhola, para fornecer liquidez aos bancos e aliviar o peso de uma parte dos títulos que tinham comprado avidamente no período anterior. Mas não foi suficiente.

A derrocada do preço das ações dos bancos na bolsa continuava. Para os patrões dos bancos, agosto foi o mês de todos os perigos. A abertura pelo BCE, em setembro de 2011, de uma linha de crédito ilimitada, em concertação com o Fed, o Banco de Inglaterra e o Banco da Suíça, foi decisiva para manter à tona os bancos europeus: os bancos com falta de dólares e de euros foram colocados sob observação. Começaram a respirar outra vez, mas a medida foi insuficiente. A descida aos infernos continuava.

Entre 1º de janeiro e 21 de outubro de 2011, a atividade da Société Générale caiu 52,8%, a do BNP Paribas, 33,3%, a do Deutsche Bank, 28,8%, a do Barclays, 30,5%, a do Credit Suisse, 36,7%. O BCE teve de utilizar a sua bazuca LTRO (Long Term Refinancing Operation): emprestou mais de um bilião de euros, a um prazo de três anos e a um juro de 1%, a mais de oitocentos bancos, entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2012.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Tocata e fuga numa barca de ouro…

Tocata e fuga numa barca de ouro…

por Jorge Messias
 

«Em Espanha, o Estado subsidia directamente a Igreja com 10 biliões de euros por ano. A Igreja católica espanhola é imensamente rica. Vive num verdadeiro paraíso fiscal, está livre de impostos e mantém um estatuto que permite o anonimato da esmagadora maioria dos seus bens e das suas contas» (Nebulosa Orion, Facebook).

«O que está a acontecer em Portugal é a agonia democrática da nossa Constituição. Esse sacrifício levará a resultados positivos, tanto para nós como para a Europa...» (D. José Policarpo, cardeal-patriarca, Fátima, 12.10.2012).

«A ideia que acalento representa a solução do problema social, para salvar os 40 milhões de habitantes do Reino Unido de uma mortífera guerra civil. Devemos apoderar-nos de novos territórios; para eles enviaremos o excedente da população e aí encontraremos novos mercados. O Império – sempre o tenho dito – é uma questão de estômago!... Se quereis evitar a guerra civil, deveis tornar-vos imperialistas» (Cecil Rhodes, multimilionário, fundador da Rodésia, 1853).
 

 
A Igreja católica mundial organizou-se como um poderoso entreposto comercial. Nem outra conclusão poderia ser extraída do caudal de notícias escaldantes que as agências divulgam. Disfarçadamente ou não, o Vaticano joga nas bolsas como qualquer outro agente capitalista. E nada pode ocultar o facto de que a crise que a Igreja atravessa é a mesma que apavora e simultaneamente motiva os planos megalómanos dos grandes banqueiros. A ganância fica a nu. Porque, nesta fase do capitalismo, a crise geral não tem solução. Mas vai enchendo as algibeiras de alguns. Portanto, vencer ou morrer. Monopólio ou morte!…

Falemos nas igrejas ibéricas, em época de depressão.

Nos estados pobres do Sul, os impostos aumentam brutalmente mas poupam os poderosos e os capitais que prosperam à sombra das Concordatas. Os bancos e os monopólios, os offshores e as sociedades anónimas, somam e seguem, como se nada de desastroso se passasse. A Igreja, sem dúvida, tem um aparelho financeiro poderosíssimo. Joga na bolsa, especula nos mercados, recebe rios de dinheiro através dos subsídios comunitários dos seus grupos financeiros. Partilha com a alta finança as políticas a prazo do mercado imobiliário. Está fortemente instalada em áreas sociais vitais, como a Saúde, a Educação e a Comunicação Social. Em vários casos, fundiu-se com o neoliberalismo. Noutros sectores combate-o, só porque tenta conquistar o poder e o controlo de novos mercados.

Há um plano secreto de convergência de interesses capitalistas que agora se vai definindo. A Europa foi determinante, no período colonialista, mas agora é uma sombra de si mesma. O imperialismo actual tem de ser exclusivamente financeiro e dominar um mundo novo feito à medida dos desejos do grande capital. E esta Nova Ordem avança quando destrói as nações da Europa e enquanto lança as bases dos novos mercados emergentes onde as massas humanas possam ser controladas, trabalhem sem direitos, recebam passivamente baixos salários e aceitem deslocar-se de boca tapada, como os nómadas do deserto à busca de um naco de pão. Pelo contrário, ao capital privado do futuro, concentrado nos monopólios e fundido com o poder político, serão entregues para sempre os destinos dos povos. A figura do Estado e as soberanias sobreviverão por uns tempos mas apenas como administradores locais ou supervisores da exportação de «cérebros» ou de mão-de-obra especializada.

Toda a Espanha se levanta

Contra o presente e o futuro de miséria
 Toda a Espanha se levanta

Por este caminho, em dez anos cerca de 40 por cento da população viverá na pobreza.
O governo liderado por Mariano Rajoy fez aprovar o Orçamento do Estado para 2013 sem fazer caso dos protestos massivos praticamente diários, realizados por vários sectores em todo o território, que alertam não apenas para a injustiça das medidas como para a cada vez mais evidente falência da receita aplicada, austera somente para o povo trabalhador.
No total, o documento, aprovado apenas pelos deputados do Partido Popular (PP), de Rajoy, prevê um montante recorde de cortes directos que chegam a quase 40 mil milhões de euros e pressupõe uma poupança de 150 mil milhões até 2014. Quanto à polémica «reforma da saúde», que tem levado centenas de milhares de espanhóis às ruas em dezenas de cidades, os eleitos do PP rejeitaram a esmagadora maioria das quase três mil emendas apresentadas sobre a matéria, ao mesmo tempo que aplaudiam medidas como o congelamento das pensões e dos salários ou o aumento das taxas na Justiça.

Antes da aprovação, Mariano Rajoy defendeu a acção do executivo do qual é chefe durante o primeiro ano de mandato que acaba de cumprir. O primeiro-ministro referiu-se às medidas aplicadas como «ambiciosas e imprescindíveis», gabou-se de estar a consolidar «as bases da recuperação económica», culpou o anterior governo de turno ao serviço do capital pelo estado depauperado da fazenda pública, endereçou, sem corar, uma mensagem de «esperança» aos que enfrentam as maiores amarguras, e teve a desfaçatez de concluir que «tudo o que este Governo faz é com o objetivo prioritário de recuperar as suas vidas e bem-estar».
Opinião diferente tem a maioria dos povos de Espanha, que numa sondagem recente difundida por agências noticiosas e meios de comunicação locais manifesta uma rejeição esmagadora (98 por cento dos inquiridos) para com o rumo imposto.

Mais elucidativas que qualquer pesquisa de opinião quanto à vontade popular, têm sido os protestos quase diários envolvendo centenas de milhares de pessoas, convocados por sindicatos, por estruturas representativas dos trabalhadores unidas a organizações políticas e sociais heterogéneas, por grupos cidadãos, etc; ou realizadas nos locais de trabalho partindo de questões concretas mostrando-as parte da ofensiva mais geral.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Aumento da escalada terrorista na Síria

Aumento da escalada terrorista na Síria
por Rodrigo Dantas
 
 
Estes grupos opositores em essência são compostos de gangues de lumpens armados e treinados pela CIA, que abriga desde bandoleiros profissionais, a terroristas islâmicos estrangeiros ligados a Al-QAEDA e mercenários saqueadores a soldo das potências imperialistas. Esta aliança macabra possui como objetivo recolonizar a Síria, fortalecer a influência de Israel e das monarquias árabes, bem como preparar o terreno para a invasão do Irã e do Líbano, garantindo assim um oriente médio submisso e ordeiro aos ditames do sionismo e do imperialismo norte-americano.

Em meio aos recentes esforços das potências imperialistas de conseguir dar legitimidade aos “rebeldes” sírios, e as frequentes ameaças de guerra vindas sobretudo da Turquia, (país que, junto ao Catar e a Arábia Saudita, fornece armas, dinheiro e todo o tipo de ajuda material aos rebeldes) houve um aumento dos atentados terroristas e um recrudescimento da atividade dos grupos opositores armados.

No dia 13 de Dezembro, um carro bomba matou 16 pessoas na periferia de Damasco. O objetivo, longe de ser o de atingir alvos militares, foi o de gerar pânico e terror na população civil. Na véspera, um atentado em frente ao Ministério do Interior matou 07 pessoas, deixando dezenas de feridos. No dia 17, um engenheiro italiano, que não exercia atividades políticas, foi sequestrado, tão somente por ser estrangeiro. Estas ações provam mais uma vez a necessidade da esquerda mundial, dos trabalhadores e de todos os lutadores sociais, de condenar energicamente a atividade criminosa destes opositores. Não podemos cair no engano de, em virtude de alguns erros cometidos pelo presidente Bashar al-Assad, de não manifestar nossa irrestrita solidariedade ao povo sírio, que é a vítima preferencial destes grupos terroristas. Além disto, devemos prestar nossa solidariedade ao Exército Árabe Sírio, e principalmente aos mais de 10 mil soldados que morreram – grande parte, após serem rendidos, torturados e assassinados a sangue frio – defendendo heroicamente sua pátria destas hordas assassinas.

Estes grupos opositores em essência são compostos de gangues de lumpens armados e treinados pela CIA, que abriga desde bandoleiros profissionais, a terroristas islâmicos estrangeiros ligados a Al-QAEDA e mercenários saqueadores a soldo das potências imperialistas. Esta aliança macabra possui como objetivo recolonizar a Síria, fortalecer a influência de Israel e das monarquias árabes, bem como preparar o terreno para a invasão do Irã e do Líbano, garantindo assim um oriente médio submisso e ordeiro aos ditames do sionismo e do imperialismo norte-americano.

As políticas de austeridade só agravam a situação

Consequências da crise capitalista
Só comparáveis a uma guerra mundial
Opinião semelhante tem a Organização Mundial do Trabalho (OIT), para quem a austeridade está na base da subida exponencial dos despedimentos. «São ainda mais 30 milhões de indivíduos desempregados em comparação com o total registado antes da eclosão da crise», ao quais acrescem cerca de «outros 40 milhões que deixaram simplesmente de procurar emprego», salienta a OIT, apontando as medidas adoptadas no velho Continente como as principais propulsoras do fenómeno destrutivo observado à escala planetária.
A produção e criação de riqueza, os empregos destruídos e os efeitos na vida de milhões de pessoas provocados pela crise capitalista em curso, só são comparáveis à devastação de uma guerra mundial, indicam entidades oficiais.


As palavras mais contundentes sobre a matéria oriundas de componentes orgânicas do sistema, foram proferidas, no início deste mês, pelo director executivo da Estabilidade Financeira do Banco de Inglaterra. Para Andy Haldane, «se tivermos sorte, serão os nossos filhos a pagar a fatia de leão da actual crise», caso contrário, «serão os nossos netos», disse, alertando que o capital financeiro ainda tem muitos activos de risco escondidos nos seus registos.

Haldane considerou ainda justa a ira popular contra a banca, já que, sustentou, «estranho seria não protestar, questionar e repudiar o que ocorreu».

Cerca de duas semanas depois das declarações do economista, as Nações Unidas vieram confirmar que, «com as políticas implementadas na Europa e EUA, serão necessários pelo menos cinco anos para recuperar os empregos perdidos desde 2008».

Neste relatório, a ONU também antevê um «panorama sombrio» para o crescimento económico mundial – estimado em 2,4 por cento para 2013 – e advertiu que nos principais blocos e potências imperialistas o desemprego vai continuar a aumentar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Os ataques sobre Fallujah e Bassorá

Os ataques sobre Fallujah e Bassorá
por Ariel Millahüel (Sleepwalkings)


Enquanto o imperialismo abre novas frentes de guerra, para muitas famílias do Iraque a guerra e o sofrimento nunca terminaram. Sofrem, e continuarão a sofrer, as consequências dos ataques com fósforo branco e uranio contidos nas armas utilizadas pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos no devastador ataque sobre as cidades iraquianas de Fallujah e Bassorá durante o ano de 2003.
 

Para muitas famílias do Iraque a guerra e o sofrimento nunca terminaram. Sofrem até ao dia de hoje as consequências dos ataques com fósforo branco e uranio contidos nas armas utilizadas pela Grã-Bretanha e pelos Estados Unidos no devastador ataque sobre as cidades iraquianas de Fallujah e Bassorá durante o ano de 2003.

Foram redigidos vários relatórios médico/científicos que demonstram os graves danos na saúde de milhares de habitantes das zonas em questão. As afecções vão desde malformações em crianças recém-nascidas até ao cancro em pessoas idosas, a tal ponto que de cada 1.000 bebés nascidos no Hospital de Al Basrah, 23 nascem com patologias relacionadas com a malformação dos seus corpos [1], provocadas pela exposição dos seus progenitores ao armamento ocidental.

O estudo que tomou a seu cargo documentar toda a informação relacionada com os ataques foi publicado no Boletim de Contaminação e Toxicologia Ambiental, inclui impressionantes imagens de crianças com malformações por todo o corpo que são de graficamente muito significativas, pelo que se convida o leitor a consultar as notas no final do artigo a dar-se o caso de querer observá-las. Por uma questão de lógica, as imagens não são aqui publicadas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O papel da social-democracia na luta de classes



O papel da social-democracia na luta de classes
por Francisco José Soares Teixeira [*]
 
 
"Mas a teoria nem sempre, ou quase sempre, andou de mãos dadas com prática política do PT. A história seguiu outro curso, bem diferente daquele do discurso expresso nos documentos e manifestações do Partido. A Articulação Nacional de Movimentos Populares e Sindicais (ANAMPOS), braço sindical do PT, e a igreja católica assumiram a hegemonia na condução do futuro rumo político do partido. Aliás, não se pode esquecer que a ANAMPOS foi, desde então, a corrente diretamente responsável pela integração do PT com as centrais sindicais europeias, anticomunistas de berço, que contribuíram com vultosas soma de recursos para o caixa do partido, bem como prestando assessoria direta ao seu principal líder – Luís Inácio Lula da Salva. Tudo isso com o claro objetivo de não deixar Lula enveredar pelos caminhos da esquerda revolucionária do partido."
 
I. As origens política da crise social
1. A social-democracia e a desconstrução da luta de classes: Breve digressão histórica


Frankfurt, 1951. Naquele ano, os principais líderes da social-democracia europeia resolvem criar a Internacional Socialista (IS), considerada como herdeira da II Internacional, que, no início da Primeira Guerra Mundial, abandona a luta pelo socialismo e adere à política de colaboração de classes. Na verdade, a IS é uma criação da Fundação Friedrich Ebert (FFS), assim denominada em homenagem ao social-democrata alemão Friedrich Ebert, um dos fundadores da república de Weimar (1919-1933), criada pela revolução de 1918/1919.

Num breve registro histórico, Friedrich Ebert assumiu a presidência do Partido Social-Democrata Alemão (SPD), em 1913. Pertencia a ala direita do Partido, explicitamente contrarrevolucionária. Seus integrantes eram muito diferentes dos social-democratas históricos do século XIX

[1] . Há tempo haviam abandonado a estratégia revolucionária do marxismo e as tarefas históricas da classe operária, em nome da preservação das instituições e valores da sociedade capitalista. Seu objetivo histórico se era tornar representantes de um partido operário-burguês, como de fato assim aconteceu.

Belo Monte em 2012: lama no rio e o início do fim dos peixes-zebra


Belo Monte em 2012: lama no rio e o início do fim dos peixes-zebra
Escrito por Rodolfo Salm
 
 
"E enquanto o desmatamento corre solto na nossa região e o rio à nossa frente sofre um acelerado processo de devastação, reciclagem foi o tema escolhido para tratar do meio ambiente no desfile das escolas públicas de Altamira, durante as comemorações do Dia da Independência. Nenhuma palavra sobre os desmatamentos ou, evidentemente, a degradação causada pelo barramento do rio. Aliás, esse ano, a prefeitura, em parceria com a Norte Energia, construtora de Belo Monte, espalhou pela cidade várias lixeiras de cores variadas para a reciclagem. Já estão todas ou quebradas ou abarrotadas de lixo misturado. Aqui, não adianta separar porque o caminhão de lixo mistura tudo mesmo. Todo mundo sabe disso. Mas, para eles, assim como para quase toda a sociedade, o que vale é o marketing do “ambientalmente correto”, mesmo que não haja qualquer substância por trás."
 
 
Há poucos dias, enquanto eu, passando pela orla do cais de Altamira, buscava inspiração para tentar resumir para o Correio o que aconteceu com a região do Xingu em 2012, uma pessoa me chamou.

-Viu? O rio está uma lamaceira lá pra baixo. Na Volta Grande, subindo pra Altamira, eu vi um jacaré coberto de lama, uma tracajá, coitada, que era só lama, com a cabeça para fora tentando respirar e, chegando mais perto das obras da barragem, um acari [peixe de fundo típico do Xingu, e geralmente muito dependente de alta oxigenação da água] morto, boiando.

Eu não conhecia o sujeito, que se apresentou: era um ribeirinho de uma localidade rio-abaixo. Ele falou comigo porque certamente me reconheceu de alguma manifestação contra Belo Monte, ou de algum dos vários encontros que fizemos nos últimos anos para discutir os problemas da barragem. O fato, totalmente ignorado pela grande imprensa, é que a Volta Grande do Xingu, que até o ano passado correspondia a uma centena de quilômetros de praias de areia branca e cachoeiras paradisíacas para o turismo e pesca ecológicos, já está contaminada com a lama das obras da hidrelétrica de Belo Monte. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará em Altamira já constataram, sob frestas de rochas na Volta Grande, acaris das espécies mais sensíveis mortos, cobertos de lama.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Apesar de você, amanhã há de ser outro dia

Ao Passos Coelho e sua escumalha do Govêrno:


Eu pergunto a você, onde vai se esconder da enorme euforia. Como vai proibir quando o galo insistir em cantar!



 Ao povo português que vive, trabalha e luta, apesar das Troikas, do Passos Coelho e sua escumalha governista.Vamos lutar e cantar, com esses versos na memória -  "Inda pago pra ver o jardim florescer qual você não queria, você vai amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença, e eu vou morrer de rir, que esse dia há de vir antes que você pensa."

 
 
 
Boas festas a todos!
Mafarrico Vermelho
Carlos Rego
 
 
Abaixo, a bela letra da música " apesar de você" de autoria de  Chico Buarque de Holanda de forma completa:
 
 
 

Apesar De Você

Chico Buarque


domingo, 23 de dezembro de 2012

Os colégios para nobres e o elitismo no ensino

Uma sociedade baseada no saber, diziam eles… 
Os colégios para nobres e o elitismo no ensino 
por Vaz de Carvalho
 
A recente classificação a nível europeu das universidades e faculdades de economia, traz à memória os colégios para nobres do século XVIII. Em Portugal o "Colégio dos Nobres" foi criado por decreto de José I em 1761, preparado pelo primeiro-ministro Conde de Oeiras, futuro marquês de Pombal. Em conformidade com o elitismo classista da sociedade feudal, procurava preparar os jovens da aristocracia para as atividades da administração. Pode dizer-se que para a época, excluindo neste campo a Inglaterra, representava um certo avanço, dado incluir além das matérias clássicas o ensino da matemática e da física sendo adquiridos mais de 500 aparelhos e instrumentos científicos, hoje no Museu da Universidade de Coimbra.

A classificação a que nos referimos procura desempenhar um papel análogo à das agências de rating no sector financeiro. Aliás as universidades de economia adotaram um nome mais apropriado ao que promovem: "business schools".

Ali a economia não é uma ciência social, trata-se da gestão de negócios, do "menos Estado" a nível macroeconómico, do "free trade" e da desregulação económica e financeira como objetivos a manter "custe o custar".

Ganhar dinheiro, não importa de que maneira, é "criar riqueza"; proporcionar altos dividendos é "criar valor". A satisfação das necessidades sociais, o aumento da produção e fomentar o emprego, são aspetos puramente subsidiários a resolver deixando funcionar o mercado. Assim, o desemprego resulta do facto de os salários estarem acima do que o "mercado" permite e de haver demasiados incentivos a não trabalhar, isto é, prestações sociais. Aliás um dos "papas" da "nova economia", Milton Friedmann, definiu uma "taxa natural de desemprego" correspondente a um funcionamento "eficiente" da economia. Apenas outro nome para o conhecido exército de reserva do trabalho, sempre desejado pelo grande capital. Quanto á "eficiência" cabe perguntar, recorrendo a Marx: eficiente para quem?

Os encargos que as escolas mais bem cotadas impõem, só são acessíveis a famílias de altos rendimentos. São os novos colégios para nobres, para a aristocracia do dinheiro, para as elites que prosseguirão a defesa do "feudalismo" financeiro e do rentismo monopolista. Colégios onde aprendem que os trabalhadores devem ser tratados como ignaros e sacrificarem-se para ganhar a confiança dos senhores que dominam os "mercados", como outrora a plebe se sacrificava e se ajoelhava perante os senhores de castelo e pendão.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Setor do petróleo até 2012 e perspectivas para o futuro

Setor do petróleo até 2012 e perspectivas para o futuro
por Paulo Metri


O Brasil é um país com um, relativo, baixo grau de soberania. Não cabe aqui descrever o conceito de soberania que vai além do de defesa da nação, nem tampouco falar sobre as inúmeras vantagens de ser soberano. Entretanto, os governantes de um país com alto grau de soberania podem tomar livremente decisões benéficas para a sua sociedade, sendo o inverso também verdadeiro.

O grau de soberania evolui positiva ou negativamente no tempo. O grande salto que o setor de petróleo brasileiro conseguiu foi graças ao arcabouço institucional, contido na lei 2.004 de 1953, criado em um período de alto grau de soberania. Esta lei criou o monopólio estatal do petróleo e deu permissão para a criação da Petrobras, que seria a executora deste monopólio em nome da União. O interessante é que, na época, o Brasil não possuía uma gota de petróleo. Entretanto, a sociedade de então, menos manipulada pela mídia que a atual, teve a capacidade de impor sua vontade.

Nos anos 1980 e 1990, houve uma busca incomum do capital internacional por expansão da dominação sobre as sociedades de diversos países, tratando-se da agressiva fase neoliberal do capitalismo. Um passo imprescindível para qualquer dominação consiste da posse da mídia pelo capital, fato não desleixado nesta fase, quando houve forte catequese e alienação da sociedade.

Chamo este processo recente de “dominação cultural”, porque se buscou dissimulá-la, incluindo até suportes ideológicos que induziram péssimas decisões dos dominados, contra si próprios.

No Brasil, nesta fase, foi feita uma reforma profunda no setor do petróleo, com a aprovação da lei 9.478 de 1997, através da qual o escancararam ao capital internacional. As pessoas não se dão conta do dano que esta lei causou e ainda causa a nossa sociedade. Quando uma área é concedida a empresa estrangeira, sob os auspícios dessa lei, se ela descobre petróleo, todo o óleo pertence a ela, perdendo o Brasil a possibilidade de ação geopolítica. Mais: a empresa estrangeira escolhe levá-lo, invariavelmente, para o exterior e nunca terá que abastecer o mercado nacional.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A construção do império novo


As religiões querem dar aos povos uma nova idade média

A construção do império novo
por Jorge Messias



«Quer se goste ou não, teremos um só governo mundial. A única questão que se levanta é se esse objectivo terá de ser alcançado pela força ou será resultante da aceitação consensual do povo» (Paul Warburg, banqueiro sionista, em deposição perante o Senado norte-americano, em Fevereiro de 1950).

«Um Governo Mundial e um Sistema Mundial Monetário Unificado, sob permanente controlo de oligarcas eleitos e hereditários, auto-seleccionados como nos tempos feudais, como na Idade Média. Nessa entidade de um Mundo Unificado, a população será limitada, através de restrições no número de crianças por família, doenças, guerras, fome, até um bilião de pessoas, de forma a que a população final seja útil à classe governante e permaneça em áreas que serão estrita e claramente definidas» (John Coleman, «Conspirators Hierarchy»).

«Face à unificação do mundo, favorecida pelo complexo fenómeno da globalização; perante a importância de garantir, para além dos demais bens colectivos, o bem representado por um sistema económico-financeiro mundial livre, e ao serviço da economia real, hoje o ensinamento da Pacem in Terris parece ainda mais vital e digno de urgente concretização. O próprio Bento XVI, no sulco traçado pela Pacem in Terris, manifestou a necessidade de se constituir uma Autoridade Política Mundial» (Conselho Pontifício Justiça e Paz nota «Para uma reforma do sistema financeiro e monetário internacional...»).
 
A ideia-chave proposta pela Igreja de «refundar» a história segundo um figurino medieval mantém-se intacta. Na Idade Média havia duas classes sociais: o clero e a nobreza; aparte, vegetava uma massa humana informe – a dos servos. Todo o poder e toda a riqueza pertenciam à Coroa, à Cruz e aos Senhores da terra. Na relação servil, os servos não tinham direitos sociais. Cumpria-lhes apenas rezar e trabalhar. «Ora et labora...», reza e trabalha.

A situação económica – avanço do domínio monopolista na economia

 
A situação económica – avanço do domínio monopolista na economia
por Agostinho Lopes -  Membro do Comité Central do PCP
 

"Queremos que o País se liberte das imposições da UEM, de que o euro é instrumento. Uma abordagem que não subestima a natureza do poder político, sob o qual poderá acontecer a saída do euro, e as condições em que a saída se processará. Mas há duas ilusões a evitar: a de que é possível uma política alternativa à que está em curso, com a manutenção no euro e mais federalismo; e a ideia de que tudo se resolve com a saída pura e simples do euro, qualquer que seja a forma como se sai e as condições de saída."
A primeira e importante ilação que podemos e devemos tirar da profunda crise que o País vive é que o PCP tinha e teve razão. A «cassete» do PCP falava verdade. Usando uma adequada frase feita, o PCP previu e preveniu.

Nós avisámos e lutámos contra a política de direita de sucessivos governos PS, PSD e CDS-PP que, ao longo de 37 anos, conduziram o País ao desastre. E «é preciso avisar toda a gente». E na presente batalha política e ideológica, combater a amnésia, o esquecimento, o silêncio, as deturpações, sobre as causas da crise, sobre as responsabilidades e os responsáveis da crise.

Saber como chegámos até à crise é mesmo uma questão central da resposta à crise! Para que velharias ideológicas não prevaleçam sobre as respostas necessárias. Para que as receitas políticas e económicas que aqui nos conduziram não sejam vendidas, em dose reforçada, como solução para a crise. Para que os coveiros do País não apareçam agora travestidos de salvadores!

«É preciso avisar toda a gente». O PCP tinha e teve razão!

Tinha e teve razão, quando se opôs ao processo de recuperação capitalista e latifundista. Tinha e teve razão, quando se opôs ao processo de privatização e liberalização e quando combateu a reconstituição renovada e reforçada dos grupos monopolistas. Tinha e teve razão quando se opôs ao processo de integração capitalista europeu, da CEE à União Europeia, de Maastricht ao euro, de Nice ao Tratado de Lisboa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

«Salvar o Euro»

«Salvar o Euro»
por João Ferreira
 
 
Estes números ajudam a confirmar (se preciso fosse ainda) os resultados desastrosos da adesão de Portugal à moeda única. Resultados que o PCP, não é demais repeti-lo, previu e para os quais preveniu.

Sabíamos já que a adesão à moeda única correspondeu em Portugal a uma década de estagnação no plano económico. No plano social, os números do desemprego ajudam a compor o retrato: entre 2001 e 2013, o número de desempregados no nosso País cresceu 147 por cento (na Zona Euro, em média, o aumento foi de 49 por cento) (i).

Segundo dados publicados na semana passada pelo Eurostat, entre 1999 e 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita em Portugal caiu de 81 para 77 por cento da média da União Europeia (UE). Os dados, disponibilizados para os 27 países membros, referem-se à riqueza produzida por habitante em cada território, corrigidas as diferenças de preços registadas em cada país.

Da entrada no euro até 2011, Portugal não apenas se afastou da média da UE como, do lote de países que se encontravam abaixo da média europeia em termos de PIB per capita, foi mesmo o que mais caiu. Os gregos, que tiveram uma quebra igualmente de quatro pontos percentuais em 2011, situavam-se ainda assim nos 79 por cento, dois pontos percentuais acima de Portugal.

Um outro indicador, o do consumo per capita – que traduz de alguma forma o nível de bem-estar dos agregados familiares – também evidencia uma quebra de 84 para 81 por cento da média da UE, entre 1999 e 2011.

Estes números ajudam a confirmar (se preciso fosse ainda) os resultados desastrosos da adesão de Portugal à moeda única. Resultados que o PCP, não é demais repeti-lo, previu e para os quais preveniu.

Mas estes números confirmam também a mentira da Europa da solidariedade e da coesão, desvendando, pelo contrário, a verdade nua e crua da Europa da divergência. Os países que em 1999 tinham um PIB per capita acima da média da UE são os mesmos que em 2011 se encontram também acima da média da UE. Mas a diferença entre o topo da lista (ocupado pelo Luxemburgo) e o fundo da tabela (onde está a Bulgária) aumentou, passando de 221 para 225 pontos percentuais.


Uma curiosidade: dos países não membros da Zona Euro, com excepção da Dinamarca e do Reino Unido, todos os outros aumentaram o seu PIB per capita face à média da UE; já entre os países da Zona Euro, foram sete os que tiveram uma evolução negativa – Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Itália, Grécia e Portugal. Números que nos trazem inevitavelmente à memória as promessas, feitas no final do século passado, de que o euro seria «um escudo contra a crise».

Os perigos e a luta

Os perigos e a luta
por Ângelo Alves
 
As conclusões do Conselho Europeu apontam claramente para uma agenda de: brutal intensificação do processo de concentração e centralização de capital e de poder político (com particular expressão na agenda de aprofundamento da União Económica e Monetária); de eternização das medidas de ataque aos direitos sociais e laborais dos povos da Europa e destruição das funções sociais dos estados; e ainda de intensificação da vertente militarista e ingerencista da União Europeia.
A semana que passou foi altamente elucidativa da confirmação de três tendências que marcam a situação internacional: aprofundamento da crise do capitalismo; intensificação da ofensiva imperialista; crescentes tensões internacionais.

Em primeiro lugar o aprofundamento da crise. Nos EUA a FED (O Banco Central dos EUA) anunciou um conjunto de medidas que indicam, apesar das intensas negociações entre republicanos e democratas sobre o chamado «precipício orçamental», a grande probabilidade de a maior economia mundial entrar numa situação de recessão económica e de a instabilidade do seu chamado «mercado financeiro» se traduzir em novas explosões de crise. Na União Europeia a aproximação das eleições alemãs dita uma tentativa de dar uma ideia de acalmia, mas os dados divulgados a semana passada por várias entidades e instituições dizem o contrário e confirmam o cenário de recessão económica persistente, de contracção da produção industrial e de aumento do desemprego. No Pacífico, o Japão, mergulhado numa estagnação económica de duas décadas e com uma dívida de 200% do PIB foi a eleições num quadro em que muitos falam já da «falência» do Japão. O Partido Liberal Democrata (direita) e o seu aliado – Partido Budista Novo Komeito – ganharam as eleições e a política económica que dizem ir aplicar pode acentuar ainda mais esse risco.

Em segundo lugar a ofensiva do imperialismo. Ela é particularmente visível no continente europeu. As conclusões do Conselho Europeu apontam claramente para uma agenda de: brutal intensificação do processo de concentração e centralização de capital e de poder político (com particular expressão na agenda de aprofundamento da União Económica e Monetária); de eternização das medidas de ataque aos direitos sociais e laborais dos povos da Europa e destruição das funções sociais dos estados; e ainda de intensificação da vertente militarista e ingerencista da União Europeia. Mas, também nos EUA se preparam novos ataques contra os direitos dos trabalhadores e do povo, nomeadamente por via dos cortes que Obama e os republicanos estão a acordar nas já muito curtas despesas sociais do Estado norte-americano.

Palestinos tem Direito a erguer um Estado

PCP solidário com o povo palestiniano
 Direito a erguer um Estado


Os direitos nacionais dos palestinianos são inalienáveis, considera o PCP, que reafirma «a sua solidariedade de sempre para com o povo e para com a sua luta», e apela ao reforço, no nosso País, das acções concretas nesse sentido.
Em nota divulgada pelo Gabinete de Imprensa por ocasião da visita a Portugal do Presidente da Organização de Libertação da Palestina e da Autoridade Nacional Palestiniana, realizada «na sequência da expressiva votação da Assembleia Geral da ONU que, no passado dia 29 de Novembro, decidiu atribuir à Palestina o estatuto de Estado não membro», o Partido aproveitou para saudar «a decisão da ONU e registar o voto do Estado português».


«Tal decisão apenas pode ser vista como um passo na direcção da criação efectiva de um Estado Palestino – de acordo com as deliberações da ONU de há 65 anos, nunca concretizadas – e do seu pleno e incondicional reconhecimento, em pé de igualdade com os restantes estados membros, na Organização das Nações Unidas», considera o PCP, para quem são inalienáveis os «direitos nacionais e pela criação do Estado da Palestina nos territórios ocupados em 1967, com capital em Jerusalém Leste e assegurando o direito de regresso dos refugiados».

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Violência contra a mulher traz números alarmantes

Violência contra a mulher traz números alarmantes

por Maíra Gomes


A cada três minutos uma mulher é violentada no Brasil. Entre os anos de 1980 e 2010, foram assassinadas mais de 92 mil mulheres no país. Nos últimos dez anos, foram 43,7 mil assassinatos, representando um aumento de 230% em relação ao período anterior
 

Ana Cristina Vieira do Amarante, 39 anos, foi assassinada com três tiros à queima-roupa pelo marido. 

Rosiane Borges Carvalho, 22 anos, foi assassinada pelo ex-marido a tiros dentro de um ônibus. 

Regina Bastos Miranda, 36 anos, foi assassinada a golpes de faca e de pau pelo companheiro. 

Maria Aparecida da Cunha Freitas, 37 anos, foi assassinada a golpes de foice pelo marido. 

Ana Maria dos Santos, grávida de oito meses, foi torturada e assassinada. O suspeito do crime é o homem de quem ela estava grávida. 

Cintia Lívia, 12 anos, foi assassinada por um vizinho após tentar estuprá-la.

Mulher de 42 anos foi morta em um incêndio provocado pelo marido na casa do casal. Os filhos de 19 e 8 anos também morreram. 

Patrícia Carmo Torres dos Reis, 25 anos, foi assassinada a facadas pelo marido. 

Natália dos Santos Vitorina, 13 anos, grávida, foi assassinada pelo namorado a facadas. 

Juliana foi assassinada a golpes de pedra, pedaços de madeira e facadas pelo marido. 

Maria do Carmo Santos, 17 anos, grávida de 5 meses, foi assassinada pelo namorado com um tiro na boca. 

Luciene de Azevedo Jardim, 43 anos, morreu em cirurgia após ser atingida por cinco tiros pelo ex-marido. 

Noêmia de Souza Pereira foi assassinada a facadas pelo companheiro.

A cada três minutos uma mulher é violentada no Brasil. Entre os anos de 1980 e 2010, foram assassinadas mais de 92 mil mulheres no país. Nos últimos dez anos, foram 43,7 mil assassinatos, representando um aumento de 230% em relação ao período anterior. Estes dados foram apresentados em agosto deste ano, com o Mapa da Violência – Homicídios de Mulheres no Brasil, um estudo do Centro Brasileiro de Estudos Latino- Americanos, Cebela, baseado em informações do Ministério da Saúde. 

O imperialismo ameaça o Congo

O imperialismo ameaça o Congo
por Carlos Lopes Pereira


Os países da África Austral decidiram enviar tropas para o Leste da República Democrática do Congo (RDC), visando estabilizar a região do Kivu, onde grupos armados têm levado a cabo acções militares. A força africana, designada Força Internacional Neutra (FIN), será comandada pela Tanzânia e constituída por soldados daquele país e da África do Sul.

A decisão foi tomada no sábado, 8, em Dar-es-Salam, pela cimeira extraordinária de chefes de Estado e de governo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), convocada pelo seu presidente, Armando Guebuza, de Moçambique.

No Leste do Congo já se encontra uma força das Nações Unidas, a MONUSCO, mas a SADC considera que ela apenas garante actividades humanitárias, numa zona em que são reportadas diariamente «mortes, violações e pilhagens, entre outros crimes praticados por grupos armados». E pede à ONU que altere o mandato desta força, conferindo-lhe «poderes de reacção armada directa em caso de ataque».

A cimeira de Dar-es-Salam reafirmou «a indivisibilidade e o respeito da soberania e da integridade territorial» da RDC, manifestou profunda preocupação em relação à deterioração da situação de segurança e humanitária no Leste do país, e «condenou veementemente o grupo M23 e os seus ataques contra as populações civis, as forças de manutenção da paz da ONU e as agências humanitárias, entre outros males».

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Pobreza, produto do agronegócio

Pobreza, produto do agronegócio
 
“A monocultura da cana-de-açúcar é a que transmite os valores atuais do capitalismo agrário paulista através da expansão indiscriminada de todo o seu aparato”, afirma Cubas, ressaltando que essa pressão tem obrigado assentados a arrendarem seus lotes para o plantio da cana e alugaram sua força de trabalho para o corte nas fazendas.


 Uma pesquisa de mestrado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que existe uma relação entre a expansão de atividades do agronegócio e o crescimento da pobreza em áreas específicas do estado de São Paulo. Segundo o estudo, regiões reconhecidas pela força agroindustrial estão passando por um processo de concentração de renda, de terras e de pobreza. O levantamento sinaliza ainda que o agronegócio aproveita a vulnerabilidade das regiões para se instalar e criar raízes. Intitulado São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009, o estudo é do pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera), Tiago Cubas. Ele trabalha com dados como o Índice de Pobreza Relativa, Índice de Gini e de Concentração de Riqueza para revelar uma situação de contradição.

Hoje a população rural do estado é de 1,7 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1980 era de 2,9 milhões. De acordo com a pesquisa, a região do entorno da cidade de Ribeirão Preto, a chamada Califórnia Brasileira, é uma das que mais aumentaram o abismo econômico entre a população durante os anos de 1988 a 2009. Situação semelhante também ocorreu no entorno das cidades de Araraquara e Campinas e nas regiões do Pontal do Parapanema – principalmente no entorno dos municípios de Presidente Prudente e Araçatuba, e do Vale do Ribeira, entorno do litoral sul paulista e de Itapetininga (veja mapa abaixo). Dos 645 municípios paulistas cadastrados para mapeamento, apenas 228 municípios conseguiram amenizar a intensidade da pobreza no período pesquisado. No restante, a miséria aumentou.

O autor mostra que as regiões onde isso ocorreu são espaços do desenvolvimento do agronegócio, especialmente da monocultura da cana-de-açúcar. É o caso da Região da Alta Mogiana (Ribeirão Preto, Araraquara e Campinas), onde a cana é preponderante. A área do Pontal do Parapanema, tradicionalmente reduto da pecuária no estado paulista, também sofreu com a expansão da monocultura. “Isso pode significar que o agronegócio escolhe as áreas mais vulneráveis para se instalar e, assim por diante, acirrar as desigualdades sociais e degradar o meio ambiente”, explica o pesquisador.

"A UE é uma união inter-estatal imperialista"

"A UE é uma união inter-estatal imperialista"
 
por Giorgos Marinos
 
Sejam quais for os mecanismos de manipulação, eles não podem esconder que a União Europeia neste momento tem 30 milhões de desempregado e um número semelhante de sub-empregados, mina o futuro da juventude, condena mais de 127 milhões de pessoas à pobreza extrema.
Caros camaradas:

Agradecemos ao Partido Comunista dos Povos de Espanha e aos nossos camaradas dos outros partidos. Apreciamos muito a organização desta iniciativa e tentaremos contribuir para a discussão acerca da UE com as posições e a experiência do KKE.

O KKE argumenta que a União Europeia é uma aliança imperialista inter-estatal que tem como critério os interesses dos monopólios europeus, o grande capital europeu, o aumento da sua lucratividade e o reforço da sua competitividade, o aumento do nível de exploração da classe trabalhadora, a abolição de direitos trabalhistas, a deterioração das vidas dos povos.

É uma união imperialista inter-estatal que facilita a livre actividade do capital ao nível nacional, regional e internacional. Para a expansão das actividades de negócios dos grandes consórcios económicos, para a aquisição de novos mercados e esferas de influência a fim de saquear os recursos naturais.

Sejam quais for os mecanismos de manipulação, eles não podem esconder que a União Europeia neste momento tem 30 milhões de desempregado e um número semelhante de sub-empregados, mina o futuro da juventude, condena mais de 127 milhões de pessoas à pobreza extrema.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Pena de morte para ateus é legalizada em 7 países

Pena de morte para ateus é legalizada em 7 países
 
 
Religiôes (Cristã, Muçulmana e o Judaismo) querem nos levar de volta à Idade Média
 
Os ateus e outros céticos religiosos sofrem perseguição ou discriminação em muitas partes do mundo e em pelo menos sete países podem ser executados se sua falta da crença se tornar conhecida. A informação é de relatório da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) divulgado no último dia 10/12/2012. Pena capital para céticos vigora no Afeganistão, Irã, Maldivas, Sudão, Mauritânia, Paquistão e Arábia Saudita.
Além dos países que punem os ateus com a morte, em outras nações os céticos e humanistas são obrigados a mentir para obter seus documentos oficiais, sem os quais é impossível ir para a universidade, receber tratamento médico e viajar para o exterior

Os ateus e outros céticos religiosos sofrem perseguição ou discriminação em muitas partes do mundo e em pelo menos sete países podem ser executados se sua falta da crença se tornar conhecida. A informação é de relatório da IHEU (União Internacional Humanista e Ética) divulgado no último dia 10/12/2012.

Pena capital para céticos vigora no Afeganistão, Irã, Maldivas, Sudão, Mauritânia, Paquistão e Arábia Saudita.

O relatório mostra que a situação dos “infiéis” é mais grave em países islâmicos, onde religião e Estado se confundem. As consequências para o cético às vezes podem ser brutais.

Ele também aponta que em alguns países europeus e nos Estados Unidos as leis favorecem os religiosos e suas organizações e tratam os ateus e humanistas como cidadãos de segunda classe.

O “A Liberdade de Pensamento 2012″ afirma que “há leis que negam aos ateus o direito de existir, restringindo a sua liberdade de não ter nenhuma crença e de expressão. Também revogam sua cidadania e limitam seu direito de se casar.”

UE, Nobel da paz… Uma aldrabice, que a História e a realidade denunciam.

A UE não promove a paz, ao contrário, vêm desenterrando e promovendo o fascismo na Europa
Operação de Propaganda
por Pedro Guerreiro

"Com a vitória sobre o nazi-fascismo, para a qual foi determinante o contributo da União Soviética e dos comunistas, os povos afirmaram a sua aspiração pela paz, pela sua emancipação e progresso social. A resposta do imperialismo, liderada pelos EUA, não se fez esperar. Com as bombas atómicas de Hiroxima e Nagasaki, lança a corrida aos armamentos e procura através da ingerência e da guerra contrariar a onda de emancipação dos povos sob o jugo colonialista."

 
 Antecedendo o Conselho Europeu (13 e 14 de Dezembro) onde é assumido o objectivo de alcançar um acordo quanto à definição das próximas fases da União Económica e Monetária (do euro), eis que foi levada a cabo uma hipócrita e encenada operação de propaganda que teve como intenção dar fôlego à desacreditada União Europeia.

Com a cínica atribuição do «Prémio Nobel da Paz» ao pilar europeu da NATO, a UE, assistimos ao enésimo cortejo de mistificações que, escondendo as reais razões e propósitos que estiveram na origem e continuam a estar presentes na concretização do processo de integração capitalista europeu, procuram iludir que a CEE/UE foi e é um instrumento dos grandes grupos financeiros e económicos das grandes potências capitalistas para assegurar o seu domínio económico e político. No fundo, pretendem dificultar a compreensão do presente através da ocultação e da deturpação da História.

Com a vitória sobre o nazi-fascismo, para a qual foi determinante o contributo da União Soviética e dos comunistas, os povos afirmaram a sua aspiração pela paz, pela sua emancipação e progresso social.

A resposta do imperialismo, liderada pelos EUA, não se fez esperar. Com as bombas atómicas de Hiroxima e Nagasaki, lança a corrida aos armamentos e procura através da ingerência e da guerra contrariar a onda de emancipação dos povos sob o jugo colonialista.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Privatize-se tudo! … E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos

Entrada da localidade onde nasceram os privatistas de Portugal e do Brasil. Para onde os Portugueses e Brasileiros deveriam mandar Passos Coelho e Paulo Portas de Portugal e FHC e outros aqui do Brasil. Esses aldrabões, naturais deste "aprazível" lugar, o Municipio da "Puta que Pariu", assim desfrutariam da cidade devidamente instalados em Hotéis ou bordéis e puteiros que infestam a cidade, junto às suas veneráveis mães. Portanto, assim como quem nasce no Minho é Minhoto, quem nasce na Puta Que Pariu é filho da Puta!



Revisitando Saramago : Privatize-se tudo! … E, já agora,
 privatize-se também a puta que os pariu a todos!


"Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a Capela Sistina, privatize-se o Pártenon, privatize-se o Nuno Gonçalves, privatize-se a Catedral de Chartres, privatize-se o Descimento da Cruz, de Antonio da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, privatize-se a Cordilheira dos Andes, privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.”
 

Libertar a Europa da prostituição

Libertar a Europa ( o resto do mundo também) da prostituição


Mais de 200 organizações de defesa dos direitos das mulheres, oriundas de 29 países, reuniram-se no Parlamento Europeu, em Bruxelas, no passado dia 4, numa Conferência Europeia organizada pelo Lobbie Europeu de Mulheres. O objectivo foi avaliar as consequências de dez anos de implementação de políticas sobre prostituição, partindo de duas experiências diametralmente opostas: a holandesa e a sueca.

Portugal esteve representado pelo Movimento Democrático de Mulheres e pela Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres. A eurodeputada do PCP, Inês Zuber, interveio como oradora no debate.

Na Suécia, a prostituição é, desde 1999, oficialmente reconhecida como uma forma de exploração e como um importante problema social a ser combatido. Assim, a legislação trata a prostituição como uma violência contra as mulheres e crianças. Os clientes e os proxenetas são criminalizados. As pessoas prostituídas, na sua maioria do sexo feminino, são tratadas como vítimas às quais é oferecida ajuda, e o público é educado a fim de alterar preconceitos ancestrais.

Já na Holanda, onde a prostituição foi legalizada em 2000, tem-se assistido a um aumento dramático do fenómeno; de todas as facetas da indústria do sexo, bem como da participação do crime organizado, da prostituição infantil, da explosão do número de mulheres e raparigas estrangeiras traficadas para a região, de indícios alarmantes de violência contra as mulheres.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A suprema justiça do espetáculo: o mensalão, o circo e nenhum pão

A suprema justiça do espetáculo: o mensalão, o circo e nenhum pão
Por Mauro Iasi.

Sem dúvida o nosso tempo… prefere a imagem à coisa (…)
Ele considera que a ilusão é sagrada, e a verdade é profana
.

Guy Debord

Desde tempos imemoriais os seres humanos representam, isto é, transpõem a vida ao ritual, ao símbolo, à imagem, para olhá-la como num espelho e tentar reconhecer-se. No entanto, como nos explica Bakhtin, o signo não é uma simples reapresentação do real, ele reflete e refrata o real representado. No caso do ritual da justiça, o espetáculo não é mera expiação social do dano causado, ela é mais que isso, é catarse.

Os meios de comunicação transmitiram o espetáculo do julgamento do mensalão com o rigor do rito jurídico e com as sutilezas da performance circense, com direito a mágicos e suas capas e uma profusão de coelhos que saltavam de cartolas/pastas, equilibristas navegando de maneira instável em uma tênue linha que separa a verdade da ficção. Malabaristas jogavam suas palavras, termos jurídicos, citações filosóficas, tipificações do ato delituoso, atenuantes, impropérios e, lógico, os palhaços, esses artistas incompreendidos e adorados, com suas roupas extravagantes e enormes sapatos que distraem a atenção do público enquanto os funcionários trocam os cenários.

Inútil procurar os fatos, a sagrada verdade, sobre os entulhos de processos e recursos. Ela é o que menos importa, pois no espetáculo “tudo que era vivido diretamente tornou-se uma representação”, nos diz Debord (A sociedade do Espetáculo, Rio de Janeiro, Contraponto: 1997, 13).

O espetáculo é a afirmação da aparência, mas aparência não é falsidade que encobre um real, é a forma necessária de expressão deste real, nos termos de Marx a expressão invertida de um mundo invertido. O fato que origina a ação jurídica tem que se tornar abstrato para ser julgado, ele deixa de ser um ato que fere uma ou outra pessoa, ou as pessoas em seu conjunto como sociedade, mas deve ser tipificado como ação contrária a determinado preceito legal. Na abstração da norma positivada, o fato se vê e se reconhece, ou não, mas não pelo que é em si mesmo, mas pela habilidade dos advogados em reconstruí-lo para que se encontre nos termos abstratos da lei, ou dela destoe.