Pesquisa Mafarrico

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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Brasil de volta à República das bananas e a necessidade da luta anticapitalista

Brasil de volta à República das bananas e a necessidade da luta anticapitalista

"A organização da luta contra a linha política reacionária que irá ser posta em prática pelo governo Temer e a solidariedade internacionalista para com as lutas dos trabalhadores pelos seus direitos sociais e democráticos devem ser acompanhadas por uma discussão profunda, que permita retirar conclusões acerca do que conduziu a esta situação.

As posições que foram desenvolvidas acerca de um crescimento capitalista “sustentável” sem crises, no Brasil, não tomaram em conta as implacáveis leis econômicas e as contradições do sistema, e conduziram a ilusões. A evolução da situação no Brasil foi objeto de controvérsia também no interior do movimento comunista. 
O que é necessário é a emancipação do movimento dos trabalhadores em relação à influência burguesa, a sua orientação no sentido do combate contra o Estado burguês, os monopólios, e as forças políticas que exprimem os seus interesses. "

Jamais imaginei que , aos 62 anos de vida, vivenciaria novamente um golpe no Brasil, dessa feita, um golpe jurídico-parlamentar.

Sinto a mesma frustração, impotência, ódio e raiva à burguesia brasileira que senti aos 10 anos de idade quando do golpe militar em 1964 , perpetrado pela direita cavernícola. Os mesmos lacaios e estafetas do império (EUA) daquela época e de hoje , obviamente, atualizados pelo tempo e a biologia humana, mas as mesmas corporações e famílias que dominam o país. ( O Mafarrico / Carlos Rego )

È necessário ter em mente as lições da história que nos ensina que a gestão social-democrata (PT) prepara frequentemente o terreno para uma viragem intensamente reacionária no sistema político, e que as forças burguesas definem a “legalidade” em termos daquilo que lhes convém mais num dado momento.

Tais sinais manifestaram-se já no decurso do processo de afastamento de Dilma e irão intensificar-se.

A organização da luta contra a linha política reacionária que irá ser posta em prática pelo governo Temer e a solidariedade internacionalista para com as lutas dos trabalhadores pelos seus direitos sociais e democráticos devem ser acompanhadas por uma discussão profunda, que permita retirar conclusões acerca do que conduziu a esta situação. 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

"Reformismo, Doença Infantil do Fascismo"

"Reformismo, Doença Infantil do Fascismo"
por João Vilela, no blog Cravo de Abril

"o processo de desenvolvimento da social-democracia, esta revela tendências fascistas que não a impedem, contudo, de noutras situações políticas se comportar como uma espécie de Fronda contra o Governo burguês na condição de partido da oposição». Isto porque «na sua condução sistemática de uma política contra-revolucionária, a social-democracia opera em dois flancos: a ala direita da social-democracia, descaradamente contra-revolucionária, é essencial para negociar e manter contacto direto com a burguesia; a ala esquerda é essencial para uma burla subtil da classe operária. "

"O reformismo é um elemento extraordinariamente perigoso para a humanidade, porque ele gera, uma a uma, as condições que tornam o fascismo possível. A luta contra ele não é apenas uma querela teórica. É uma luta pela sobrevivência."

O desaparecimento das teses do VI Congresso da Internacional Comunista significou uma perda histórica para o movimento revolucionário aos mais variados títulos. Não seria possível elencar todos os aspectos em que tal perda se repercutiu. Um que é particularmente relevante é o da linha recta entre o pensamento reformismo e o fascismo.

O Programa da Internacional Comunista saído desse Congresso - e cuja tradução seria fundamental - começa por recordar o comportamento da fase final (e mais insuportavelmente reacionária e traidora) da Segunda Internacional a quando da eclosão da I Guerra Mundial: a adoção de teses social-chauvinistas, isto é, o encarrilamento dos trabalhadores para a adesão ao esforço de guerra da sua burguesia nacional, e não à sua luta contra a guerra mundial; a traição às sublevações proletárias da Hungria, da Baviera, da Alemanha, com o esmagamento das mesmas pelas armas dos próprios partidos social-democratas (a morte dos espartaquistas alemães pelos Freikorps subvencionados por um Governo do SPD é o exemplo maior); a adesão às campanhas militares do imperialismo contra o País dos Sovietes, em formação; as posições racistas para com os trabalhadores das colônias, em defesa da sua burguesia nacional, como, muito particularmente, fez o Partido Trabalhista britânico; a lista é infindável. 

Mas mais do que um extenso requisitório contra a social-democracia, importava perceber os motivos dessa atitude por parte dela.

Imperialismo, a indústria da morte

Imperialismo, a indústria da morte

"O tão decantado exército mais poderoso do mundo – derrotado e humilhado no Vietnã – já não é mais o mesmo. Os russos desenvolveram os mísseis S-500, capazes de interceptar quaisquer mísseis inimigos, o que lhes dá uma superioridade militar sem precedentes na história recente. Daí a preocupação estadunidense em fortalecer a OTAN na Europa, tentar instalar bases militares na fronteira com a Rússia e lhe aplicar sanções econômicas. Enquanto isso, tenta desenvolver mísseis capazes de superar os “inimigos”.

A corrida armamentista nos dias de hoje é superior à da época da guerra fria. O planeta voltou a ser ameaçado pela guerra entre as superpotências. Nunca foi tão atual a insígnia “Socialismo ou barbárie”."

A guerra é um dos principais negócios do imperialismo. Promovida em todos os cantos do planeta, propicia trilhões de dólares de lucros para as transnacionais, perversamente conscientes das mortes e tragédias que geram.

Apenas a indústria armamentista envolve cerca de 570 bilhões de dólares anuais. Armas de todos os tipos são vendidas indiscriminadamente: aviões, mísseis, foguetes, drones, tanques, metralhadoras, bombas, canhões, revólveres, minas. Os compradores, em geral, são os países ditos como aliados, que implementam os interesses do imperialismo contra países vizinhos ou que simplesmente impõem algum tipo de obstáculo à volúpia do capital.

Ao fomentar guerras, muitas delas fratricidas, as grandes empresas ganham não somente com a comercialização de armas, mas também com a exploração de recursos naturais dos países envolvidos – com destaque para o petróleo – e com a adoção de políticas internas que beneficiam o capital, como a financeirização da economia através das chamadas dívidas públicas, a privatização de empresas estatais e dos serviços essenciais, como a saúde, a educação, a segurança, os transportes etc.

Interesses geopolíticos também determinam as guerras e, por conseguinte, “os negócios”, como acontece com destaque no Afeganistão, na Síria e na Ucrânia, atualmente.

sábado, 13 de agosto de 2016

Os 90 anos de Fidel Castro, o revolucionário real. - VIVA FIDEL !!!!

Os 90 anos de Fidel Castro, o revolucionário real.

"Os líderes revolucionários reais não só impelem os bons ao combate, mas também assustam e atordoam aos opressores. Sua própria existência é uma constante advertência, um alerta: “Somos sim os homens e mulheres mais avançados que servem à causa dos povos, mas não somos filhos de milagres, frutos da predestinação do milênio ou do acaso, somos o simples resultado do desenvolvimento histórico da sociedade, das contradições que a luta de classes engendra. E, como nós, mais cedo ou mais tarde, muitos outros notarão as tarefas que tem de ser realizadas e arregaçarão suas mangas. Não estamos sozinhos, porque essa marcha é inevitável.”

E, dessa marcha inevitável faz parte Fidel Castro, homem de carne e osso, que tem sua própria história."
Em 13 agosto de 2016, Fidel Castro, o Comandante en Jefe da Revolução Cubana, completa 90 anos de vida.

Fundamentalmente, aos que são jovens em nossos tempos e que conhecem um pouco da história, em um momento em que as agressões que sofrem os povos se multiplicam, quando a realidade nos impõe uma das maiores tarefas da história da humanidade, dar-se conta de que em nosso planeta, enquanto pensamos, escrevemos e lutamos, respira, vive e pensa, ao completar 90 anos, Fidel Castro Ruz é, sem dúvida, inspirador.

Não porque se Fidel não estivesse fisicamente presente, como passaram e passarão a estar os grandes homens e mulheres da humanidade, seria menor sua capacidade de inspirar àqueles que almejam a honra de serem revolucionários.

Mas, porque, de forma bastante simples, o fato de Fidel permanecer por mais de 70 anos combatendo, das diversas formas, carregando fuzis, liderando seu povo, enfrentando o imperialismo, e o fato de hoje estar vivo, são capazes de nos fazer lembrar que os grandes líderes revolucionários são também homens de carne e osso, o que os torna muito mais impressionantes, muito mais reais e, paradoxalmente, seus feitos muito mais fantásticos. Saber que são homens de carne e osso nos impõe grandes responsabilidades.

É justamente essa realidade, essa materialidade de sua dedicação, que converte Fidel, como aos grandes homens e mulheres dos séculos, em exemplo a se seguir. Nem santos e nem filhos de deuses têm o poder que um homem de carne e osso tem para inspirar e impelir à luta.

Brasil : “O governo interino é ilegítimo e corrupto”

Ivan Pinheiro: “O governo interino é ilegítimo e corrupto”
"O surgimento do ilegítimo governo interino Temer deve ser usado didaticamente pelos comunistas para combatermos as ilusões de classe entre os trabalhadores, como a falácia de que é possível reformar e humanizar o capitalismo, de que nesse sistema há uma “democracia”, um “Estado Democrático de Direito”. Reparem que o partido que “traiu” o PT era seu principal aliado. No governo afastado, o PMDB tinha o vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado e sete ministérios! Temos que combater Temer com toda energia, não lhe dar trégua um minuto sequer, para impedir que aplique as receitas que lhe encomendaram as classes dominantes. O governo interino é tão ilegítimo e corrupto que está também diante de uma crise de governabilidade. Minha impressão pessoal é de que o tiro da burguesia saiu pela culatra e que novas manobras institucionais estão sendo preparadas. Mas não podemos subestimar nem ficar esperando soluções dentro do sistema, pois a pauta neoliberal vai avançando no Parlamento."

A Verdade entrevistou Ivan Pinheiro, 70 anos, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Advogado, Ivan iniciou sua militância política ainda na juventude, no movimento estudantil do Rio de Janeiro. Em 1976, ingressou no PCB e foi eleito presidente do Sindicato dos Bancários, importante trincheira de resistência à Ditadura Militar. Nesta entrevista, expõe a opinião do PCB sobre a conjuntura nacional, a luta contra o governo golpista de Michel Temer e defende a unidade das forças populares na construção de uma alternativa à esquerda para a crise capitalista. ( Da Redação )

A Verdade – Qual é a avaliação do PCB sobre a conjuntura brasileira?

Ivan Pinheiro – Os governos do PT só interessaram à burguesia enquanto garantiam lucros ao capital “como nunca antes na história do País”, nas palavras de Lula, e, ao mesmo tempo, funcionavam como eficientes bombeiros da luta de classe, cooptando entidades sindicais e de massas e passando para os trabalhadores a ilusão de que o governo (e não as suas lutas) garantiria seus direitos e seu futuro.

Em junho de 2013, veio o primeiro sinal de esgotamento desse ciclo de conciliação de classe, quando começaram a chegar ao Brasil fortes ventos da crise mundial sistêmica do capitalismo e os indícios de que o PT já não mais controlava e desmobilizava os trabalhadores e os setores populares.

Nesse quadro, para vencer a reeleição em 2014, Dilma fez um discurso desenvolvimentista, negando a crise econômica, dizendo que era mais fácil “a vaca tossir” do que retirar direitos trabalhistas. Vencendo a eleição, passou a governar com o programa neoliberal do candidato do PSDB, chamando Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda para fazer o ajuste fiscal, cortes em programas sociais e serviços públicos, flexibilizar direitos trabalhistas e previdenciários, privatizações em grande escala, etc. A presidente implanta a Lei Antiterrorismo para reprimir os movimentos populares e, em 18 de dezembro de 2015, assina o Acordo Militar Brasil/Estados Unidos, junto com Aldo Rabelo, então ministro da Defesa, de um partido que se apresenta como comunista.

Mesmo o governo cedendo às exigências do capital, a economia continua em recessão, criando um ambiente de ingovernabilidade. Mas, já no início de 2015, parte da burguesia começara a pautar o afastamento de Dilma porque – por mais que Lula e o PT palaciano aceitassem ceder mais às pressões burguesas – as contradições internas com alguns setores petistas ligados aos movimentos de massa atrasavam a conciliação. Durante 2015, continuaram as divergências no seio das classes dominantes em relação ao impeachment. Mas, no início de 2016, com o anúncio de mais queda no PIB e o aprofundamento da ingovernabilidade, o “comitê central” da burguesia fecha questão em afastar a presidente e impor o ilegítimo governo Temer, para tentar acelerar os ajustes que o PT vinha fazendo aos poucos.

EUA - O «partido único» em que «Republicanos» e «Democratas» repartem o poder.

Quo Vadis?
por Albano Nunes

"E no imediato que pode esperar-se destas eleições que a comunicação social dominante apresenta como uma escolha entre o céu e o inferno? Embora o que determina a política dos EUA seja o seu sistema de poder dominado pelos grandes grupos econômicos, não é indiferente o perfil do seu Presidente. Quanto a Trump diz muito da natureza do sistema político norte-americano que uma tal criatura possa ter chegado onde chegou. E Hillary Clinton, cujo historial de falcão agressivo é bem conhecido (ver Hillary Clinton rainha do caos, edições «página a página») e que é apoiada pela Wall Street e pelo complexo militar-industrial? Que ninguém espere uma inversão da política militarista e agressiva dos EUA. Pelo contrário. Tanto mais quando o apoio de Sanders a Clinton (que muitos dos seus apoiantes viram como uma traição) branqueia o seu reacionarismo e a sua disputa com Trump lhe dá uma enganadora áurea de humanista e democrata."

Para onde vão os EUA? Até quando o povo norte-americano continuará a ser vitima da ditadura do capital financeiro e do poderoso complexo militar-industrial que tanto sofrimento tem trazido ao mundo? Não haverá motivos de esperança na capacidade dos trabalhadores e do povo deste grande país para se libertarem do domínio da oligarquia financeira e impor uma política respeitadora da soberania dos povos e orientada para o desarmamento e a paz? E no curto prazo o que é legítimo esperar?

A três meses das eleições presidenciais norte-americanas pode dar-se como certo que a avassaladora mediatização planetária das «primárias» vai continuar e mesmo intensificar-se, não porque se espere um debate clarificador em torno das principais questões que envolvem grandes responsabilidades dos EUA no plano internacional, mas para nos distrair delas e projectar uma errónea percepção dos EUA como bastião da democracia e potência «protectora» indispensável. É necessário combater esta perigosa pretensão de induzir uma cultura de vassalagem ao imperialismo norte-americano. Mas é sobretudo necessário identificar, por detrás do deprimente show propagandístico que há meses ocupa as primeiras páginas da comunicação social em todo o mundo os sinais de crescente resistência popular à classe dominante.

TTIP mais um passo na nova ordem mundial

TTIP mais um passo na nova ordem mundial
por MIGUEL VIEGAS
"Como é evidente, a grande motivação deste tratado nada tem de ver com o desenvolvimento econômico e muito menos com o bem-estar das populações. Decorre antes da necessidade de ajustar as superestruturas políticas à escala crescente e cada vez mais transnacional do grande capital. Hoje as grandes empresas multinacionais dominam a economia global. Representam a parte de leão do comércio e do investimento internacional. Neste sentido, procuram criar instituições e acordos que consolidem o seu domínio, limando simultaneamente entraves nacionais onde as estruturas que, mal ou bem, ainda representam os interesses das populações, passaram a representar um obstáculo ao seu desenvolvimento. "
O TTIP (sigla inglesa de Transatlantic Trade and Investment Partnership) representa mais um passo na tentativa de criação de uma nova ordem internacional acima dos Estados nacionais e ao serviço dos grandes oligopólios, formados por empresas multinacionais que dominam hoje a economia mundial. Embora as negociações formais deste tratado se tenham iniciado em 2013, a verdade é que a sua concretização representa uma velha aspiração do grande capital transnacional dos dois lados do Atlântico. Nestes quase três anos de negociação, muito foi dito e escrito sobre o TTIP. Numa altura em que decorreu a 13.ª ronda negocial, num quadro que deixa antever dificuldades e impasses entre os dois blocos, justifica-se um balanço do que tem sido este percurso atribulado de um tratado contra o qual o PCP desde cedo se pronunciou, ao lado daqueles que lutaram e lutam pelo fim das negociações tentando matar a serpente ainda dentro do ovo.

Origem e percurso de uma aberração jurídica e comercial

Como é evidente, a grande motivação deste tratado nada tem de ver com o desenvolvimento econômico e muito menos com o bem-estar das populações. Decorre antes da necessidade de ajustar as superestruturas políticas à escala crescente e cada vez mais transnacional do grande capital. Hoje as grandes empresas multinacionais dominam a economia global. Representam a parte de leão do comércio e do investimento internacional. Neste sentido, procuram criar instituições e acordos que consolidem o seu domínio, limando simultaneamente entraves nacionais onde as estruturas que, mal ou bem, ainda representam os interesses das populações, passaram a representar um obstáculo ao seu desenvolvimento. 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

FIDEL, MANDELA E O FIM DO APARTHEID

FIDEL, MANDELA E O FIM DO APARTHEID
por Beto Almeida*

"Nós, os brasileiros, também temos que pagar nossas dívidas, a começar por informar de modo veraz sobre esta epopeia cubana em solo africano, com desdobramentos mundiais, como reconheceu Mandela. O que obriga a uma reflexão por parte do movimento negro brasileiro, onde registram-se, em certas alas, concepções muito vinculadas às políticas financiadas por fundações norte-americanas, cujo governo apoiou sempre o regime do apartheid e agrediu, sistematicamente a Revolução Cubana. Enquanto Cuba enviou 400 mil combatentes, voluntários, para defender a Libertação de Angola, o movimento negro brasileiro não enviou sequer uma aspirina para garantir a independência angolana!"

"é o momento também de passar às novas gerações o papel decisivo da Revolução Cubana, e seu dirigente Fidel Castro, na destruição do Apartheid – único país que levantou-se em armas contra esta excrecência histórica – oferecendo à humanidade um dos mais elevados, nobres e concretos gestos em favor dos direitos humanos, uma bandeira que muitas vezes foi usada, indevida e criminosamente, contra Cuba."
Há inúmeros feitos históricos em que Fidel Castro teve presença direta e decisiva, como dirigente revolucionário. Agora, prestes a chegar a seus 90 anos, conscientemente dedicados ao progresso da civilização, é necessária, além de uma homenagem, uma aprendizagem sobre tantas lições de uma vida inteira ligada à revolução mundial. Neste pequeno artigo, busca-se refletir sobre um gigantesco fato histórico: a participação de Cuba na derrota das tropas do regime do apartheid em Angola, na Namíbia e na África do Sul. A sua importância é tão colossal que, por isso mesmo, recebeu da parte da grande mídia um monumental e desprezível silêncio. O que é compreensível, embora indignante. Incompreensível é o fato de não ter recebido de parcelas consideráveis da esquerda a atenção que merece.

Apesar das importantes inciativas de artistas como Chico Buarque, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Taiguara e outros, com suas embaixadas culturais de solidariedade para Angola, é justo reivindicar da esquerda brasileira uma reflexão. Apesar do Brasil ser país membro da CPLP, e de nossas arraigadas relações com países como Angola, ainda é necessário informar amplamente sobre a decisiva solidariedade cubana na África, e, também, refletir sobre a lacuna deixada pela falta de uma ação concreta em defesa da libertação em Angola, na Namíbia, e, portanto, em defesa política da extraordinária ação libertadora de Cuba naquele continente.

Sobre o conceito de “DEMOCRACIA AVANÇADA” - A propósito do XX Congresso do PCP

Sobre o conceito de “DEMOCRACIA AVANÇADA” 
M.E.L. - Fonte: Pelo Socialismo ( Parte )


"Vulgarmente, o conceito de democracia é empregado para designar uma forma de regime político do sistema capitalista, em que existe o direito de voto, um determinado grau de liberdade de expressão, de organização, de manifestação, mas em que o poder do Estado ao serviço dos monopólios está previamente assegurado – esta é apenas a democracia burguesa, ou a ditadura da burguesia, uma minoria, sobre a maioria dos produtores.

A democracia proletária chama-se ditadura do proletariado, isto é, os trabalhadores e os seus aliados exercem o poder através do Estado proletário, governam para a imensa maioria e reprimem os exploradores e opressores da sua classe.

Não é no quadro da legalidade determinada pela burguesia que se pode passar de uma para a outra – é necessário o emprego da força organizada da classe operária e dos seus aliados. Por isso, a importância da clarificação do conceito de “democracia avançada”. Se não implica uma mudança da classe no poder, se não implica a modificação das relações de produção na sociedade, só pode ser considerada como reforma do sistema capitalista e não a sua superação. 
Lenine refere esta questão do seguinte modo: «A não ser para troçar do senso comum e da história, é claro que não se pode falar de “democracia pura” enquanto existirem classes diferentes, pode-se falar apenas de democracia de classe. […] A “democracia pura” é uma frase mentirosa de liberal que procura enganar os operários. A história conhece a democracia burguesa, que vem substituir o feudalismo, e a democracia proletária, que vem substituir a burguesa»"  
Antecedentes 

A “Democracia Avançada”, como “programa” de um partido comunista, havia sido adotada pelo Partido Comunista Francês, numa Conferência realizada em 5 e 6 de dezembro de 1968 (recorde-se a agitação do maio desse ano, em Paris). Foi o “Manifesto do PCF – Por uma democracia avançada para uma França socialista” 1 , também conhecido por Manifesto de Champigny, local onde se realizou a Conferência. Este documento tem 10 capítulos, com uma introdução inicial: 

domingo, 7 de agosto de 2016

O Tribunal Internacional de Haia reconhece tardiamente a inocência de Milosevic

O Tribunal Internacional de Haia reconhece tardiamente a inocência de Milosevic
por Resumen Latinoamericano/ Ojos para la Paz – agosto 2016
Slobodan Milosevic foi vilipendiado de maneira sistemática por toda a imprensa ocidental e pelos políticos dos países da OTAN. Os meios de comunicação da época o qualificaram como “carniceiro” e o compararam com Hitler. Foi acusado de “genocida” e de ser “um monstro sedento de sangue”, segundo apregoavam os grandes diários europeus e estadunidenses de então. Com a utilização desse clichê falsificado, tratou-se de justificar não só as sanções econômicas contra a Sérvia, mas também os bombardeios da OTAN, em 1999, sobre a Sérvia, assim como a encarniçada guerra de Kosovo. O político sérvio passou os últimos cinco anos de sua vida na prisão, defendendo tanto seu país como a si mesmo das horrendas acusações de crimes cometidos durante uma guerra que, agora, o Tribunal Internacional reconhece ter Slobodan Milosevic tentado evitar. Todos os indícios apontam que Milosevic foi envenenado na prisão. Os EUA o queriam morto. E agora? Outro crime – de Bill Clinton e Javier Solano – impune?
Canarias Semanal – Dez anos depois de Slobodan Milosevic, ex-presidente da desaparecida Iugoslávia, morrer em estranhas circunstâncias, o Tribunal Penal Internacional exonerou o político sérvio da responsabilidade em supostos crimes de guerra cometidos na Bósnia, entre os anos de 1992-1995.

Em uma falha extraordinariamente reveladora, porém que os meios de comunicação ocidentais procuraram manter discretamente silenciada, a Sala de Primeira Instância do Tribunal de Haia, que condenou Radovan Karadzic, chegou à conclusão, unânime, em sua sentença de que Slobodan Milosevic não tomou parte da “empresa criminosa conjunta” para “limpar etnicamente” a Bósnia de muçulmanos e croatas.

A sentença estabelece que as comunicações interceptadas entre Milosevic e Radovan Karadzic colocam em evidência que o primeiro qualificou como ‘um ato ilegítimo em resposta a outro ato ilegítimo’ a tentativa da assembleia bósnio-sérvia de expulsar os muçulmanos e croatas do território bósnio.

Além disso, os juízes do Tribunal Internacional também encontraram provas irrefutáveis de que “Slobodan Milosevic expressou suas reservas acerca de que uma Assembleia sérvio-bósnia pudesse excluir os muçulmanos da Iugoslávia”.

O governo golpista do Brasil quer impor um plano neoliberal

O governo golpista do Brasil quer impor um plano neoliberal
por João Pedro Stedile
"Em julho ele seguiu prometendo ao capital que, assim que se consolidar o golpe, vai implementar uma reforma trabalhista, para rasgar a CLT, e tirar os direitos que os trabalhadores conquistaram ao longo do século XX. Quer alterar até a jornada de trabalho, que em todo mundo vai se reduzindo. Na Europa vários países já adotaram jornadas de 6 horas! Mas aqui a burguesia sedenta teve o desplante de falar em 80 horas semanais! Uma jornada maior do que as praticadas nos tempos da escravidão."

"No lado dos trabalhadores há muitas articulações e agendas para resistirmos ao golpe. É certo que até agora a grande massa não se movimentou. Está atônita, assistindo tudo pela televisão, e ainda não foi às ruas. Porém o aumento do desemprego, da inflação dos alimentos e arrogância dos golpistas que ameaçam seus direitos começam a gerar debates e um clima de insatisfação que pode motivar as massas trabalhadoras a irem para as ruas nas próximas semanas."
Parece que o Brasil tem uma sina com o mês de agosto. Tivemos a crise e suicídio de Getúlio Vargas, na década de 1950. Depois, na década de 1960, a renúncia de Jânio Quadros e a crise da legalidade. E agora a história se repete como farsa, ao Supremo Tribunal Federal (STF) marcar para os dias 29 de agosto o início da votação derradeira sobre a destituição da presidenta Dilma Rousseff, eleita de forma legítima e democrática por 55% dos eleitores brasileiros (54 milhões de votos).

Os golpistas

Mas as demonstrações do governo golpista sobre sua verdadeira natureza já são conhecidas e continuaram surgindo ao longo do mês de julho. Além de antidemocrático, seu verdadeiro objetivo é implantar, de forma rápida e a ferro e fogo, um plano neoliberal que atende apenas os interesses do grande capital, financeiro e das corporações internacionais.

Em julho ele seguiu prometendo ao capital que, assim que se consolidar o golpe, vai implementar uma reforma trabalhista, para rasgar a CLT, e tirar os direitos que os trabalhadores conquistaram ao longo do século XX. Quer alterar até a jornada de trabalho, que em todo mundo vai se reduzindo. Na Europa vários países já adotaram jornadas de 6 horas! Mas aqui a burguesia sedenta teve o desplante de falar em 80 horas semanais! Uma jornada maior do que as praticadas nos tempos da escravidão.

A Indústria pornográfica e o machismo

A Indústria pornográfica e o machismo
por Vitória Louise

"A pornografia tem um método de fazer com que se crie uma “dessensibilização” do espectador para com as mulheres que estão ali submetidas. A violência verbal é uma delas. Uma vez que as palavras mais ditas são “vadias” e “putas”, cria-se a falsa ideia de que as mulheres que estão lá são completamente diferentes das mulheres com quem o espectador convive. É essa ideia que a pornografia cria na cabeça das pessoas: existem mulheres que são “vadias” e existem mulheres como a mãe, a namorada, a filha, a irmã, que são mulheres de respeito. Sabemos que essa é uma ideia de propriedade que se tem sobre as mulheres, a ideia de que uma mulher é propriedade pública, à qual todos têm o livre acesso, enquanto o outro tipo de mulher, a “mulher de respeito”, pertence a uma propriedade privada. Sabemos que essa é uma das ideias mais conservadoras e machistas que o capitalismo sustenta."

Nos dias atuais, é comum que qualquer pessoa tenha fácil acesso à pornografia. Isso não é por coincidência; é proposital.

A educação sexual é importante na formação dos jovens, mas essa educação, em geral, é pouca ou quase nula. Naturalmente, as pessoas buscam referências sobre o sexo. O problema é que as primeiras referências disponíveis são os sites de pornografia.

O que é mostrado na pornografia não é sexo, é estupro gravado. Dinheiro nenhum compra consentimento e as mulheres filmadas não estariam lá se tivessem condições financeiras e estruturais melhores.

O que se tem na pornografia é claro: misoginia (isto é, o ódio declarado às mulheres) e machismo. Uma pesquisa mostra que, dos 50 filmes mais vendidos de 2015, 48% de 304 cenas dos vídeos pornográficos produzidos contêm violência verbal contra mulher; 94% contêm violência física.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

FUNDAÇÕES, FUSÕES E OUTRAS CONFUSÕES

Fundações, fusões e outras confusões
por ALMA RIVERA

"Desde o secundário, com os manuais escolares, ao corte no passe escolar, até à introdução e valores atuais das propinas, estudar está longe de estar ao alcance de todos, pelo que são milhares os jovens que vão sendo empurrados para a profissionalização desde o básico, não chegando a ter como opção a formação superior, passando por um sistema de ensino que está longe de ter como missão a formação integral do indivíduo.

Também é de extrema importância para a perpetuação do sistema que os conteúdos sejam adaptados para um maior condicionamento das aprendizagens e do sentido crítico, ao mesmo tempo que a formação ministrada seja aquela que melhor serve os grandes grupos econômicos e financeiros, estando os próprios currículos feitos à imagem das necessidades das empresas e de da ideia de que cada um é responsável por criar o seu próprio posto de trabalho, de que exemplo a introdução de cadeiras obrigatórias de empreendedorismo.

Depois, não é conveniente que o conhecimento, que a investigação e o seus avanços, estejam ao serviço dos povos e do seu desenvolvimento soberano, sendo de maior importância para o capital uma grande concentração do conhecimento e da técnica, e a sua devida separação."
A lógica e o funcionamento do capitalismo impõe que as suas pretensões dominadoras, antidemocráticas e agressivas se estendam aos vários campos da vida dos povos. Como temos vindo a assistir, a Educação é um pilar importante desta dominação e a Escola construída pela luta da classe trabalhadora tem sofrido grandes delapidações a fim de se moldar às pretensões da classe dominante.

A conquista da Escola Pública, dos diversos graus de ensino ao acesso de todos, foi um grande avanço que os portugueses alcançaram e que ficou plasmado na Constituição de Abril, alargando os diversos patamares da educação aos trabalhadores. Com a Revolução de Abril foi trilhado o caminho de abertura da escola, nos seus diversos graus, aos filhos dos trabalhadores. Uma Escola erguida como direito universal e como motor de desenvolvimento do país.

Mas as forças reaccionárias não largaram as suas pretensões e ao longo dos últimos 40 anos, tal como noutras esferas da vida, têm dado paulatinas machadadas nesta Escola que Abriu ergueu.

Alemanha reconhece genocídio na Namíbia

Alemanha reconhece genocídio na Namíbia

por Avante

"O que se conhece desta história trágica confirma a desumanidade do crime perpetrado.

Desapossados pelos colonialistas alemães das suas terras, do seu gado e de todos os meios de subsistência, hereros e namas revoltaram-se em Janeiro de 1904 e mataram 123 colonos.

A repressão da administração colonial foi bárbara. A violência culminou em Agosto, com a batalha de Waterberg, a cerca de 200 quilómetros da capital. Derrotados, os rebeldes retiraram-se para Leste, com as suas famílias, tentando alcançar o Botswana vizinho. Foram perseguidos, através do deserto do Kalahari, pelas tropas alemãs, que não pouparam mulheres e crianças e chegaram a envenenar poços de água para matar à sede os inimigos desarmados.

Das 80 mil pessoas que iniciaram a fuga, apenas 15 mil sobreviveram.

Em Outubro, o comandante militar da colónia, general Lothar von Trotha – que já tinha dado provas, na África Oriental e na China (Guerra dos Boxers, de 1899 a 1901), de uma brutalidade sem limites – decidiu exterminar os dois povos rebeldes, decretando que «dentro das fronteiras [coloniais] alemãs todo o herero, com ou sem arma, com ou sem gado, deve ser abatido». Repetiu a «ordem de exterminação» em Abril do ano seguinte.

Oitenta por cento dos hereros e metade dos namas foram aniquilados"
A Alemanha vai pedir desculpas oficiais à Namíbia pelo genocídio dos povos herero e nama cometido pelas tropas imperiais alemães, no começo do século XX.

Os governos de Berlim e de Windhoek estão a discutir uma formulação comum para descrever os factos, ocorridos em 1904-1905 e nos anos seguintes, e apresentar as desculpas alemãs, num documento que sirva de base a resoluções a aprovar pelos parlamentos dos dois países. Uma porta-voz do ministério alemão dos negócios estrangeiros, Sawsan Chebli, confirmou que as discussões estarão concluídas até finais de 2016. Realçou, contudo, que o pedido de desculpas não implica, para já, o pagamento de indemnizações.

Alertas vermelhos: Sinais de implosão na economia global – O capitalismo global à deriva

Alertas vermelhos: Sinais de implosão na economia global – O capitalismo global à deriva
por Jorge Beinstein*


"Foi assim que os Estados Unidos e seus sócios-vassalos da NATO continuaram em frente com os gastos militares e as guerras. Enormes capitais acumulados bloqueados por uma procura que crescia cada vez menos puderam rentabilizar-se comprando papéis de dívida ou jogando na bolsa. Grandes bancos e mega especuladores incharam seus activos com complexas operações financeiras legais e ilegais. Os neoliberais assinalavam que se tratava de um"círculo virtuoso" em que as economias real e financeira cresciam apoiando-se mutuamente. Mas a festa foi-se esgotando enquanto se reduziam as capacidades de pagamento dos devedores esmagados pelo peso das suas obrigações. "

"A crise de 2008 foi o ponto de inflexão. Em Dezembro de 1998 os derivados globais chegavam a uns US$80 milhões de milhões, equivalente a 2,5 vezes o Produto Global Bruto desse ano. Em Dezembro de 2003 eles alcançavam os US$200 milhões de milhões (5,3 vezes o PGB) e em meados de 2008, em plena euforia financeira, saltaram para os US$680 milhões de milhões (11 vezes o PGB). A recessão de 2009 os fez cair: em meados desse ano haviam baixado para US$590 milhões de milhões (9,5 vezes do PGB). Acabara a euforia especulativa e a partir daí as cifras nominais estancaram ou subiram muito pouco, reduzindo sua importância em relação ao PGB."

"O aparente "círculo virtuoso" havia mostrado o seu verdadeiro rosto: na realidade tratava-se de um círculo vicioso em que o parasitismo financeiro expandira-se graças às dificuldades da economia real à qual drogava enquanto a carregava de dívidas cuja acumulação acabou por arrefecer o seu dinamismo – o que por sua vez bloqueou o crescimento da esfera financeira. "
Em fins de Maio, durante a reunião do G7, Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, anunciou a proximidade de uma grande crise global [1] . O comentário mais divulgado pelos meios de comunicação foi que era um alarmismo exagerado, reflexo da situação difícil da economia japonesa. De qualquer modo, não faltam os que admitem a existência de perigos mas em geral atribuem-nos aos desequilíbrios financeiros da China, à recessão no Brasil ou às turbulências europeias. A situação nos Estados Unidos costuma merecer comentários prudentes, distantes de qualquer alarmismo. Apesar de o centro motor da última grande crise global (ano 2008) ter sido a explosão da bolha imobiliária estado-unidense, agora os peritos não percebem ali bolhas em plena expansão a ponto de estourar e sim tudo ao contrário: actividades financeiras, industriais e comerciais estagnadas, crescimentos anémicos e outros sinais aparentemente tranquilizantes que afastam a imagem de algum tipo de euforia descontrolada. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Estará a Europa condenada à vassalagem a Washington?

Estará a Europa condenada à vassalagem a Washington?
por Paul Craig Roberts

Mas o perigo para a Europa vai muito além da saúde dos povos europeus que serão forçados a jantar alimentos envenenados. Washington está a utilizar a UE para forçar os europeus a entrarem em conflito com a Rússia, uma poderosa potência nuclear capaz de destruir tudo da Europa e dos Estados Unidos em poucos minutos.

Isto está a acontecer porque líderes europeus subornados com "sacos de dinheiro" preferem antes o dinheiro de Washington a curto prazo do que a vida dos europeus a longo prazo.

Não é possível que qualquer político europeu seja suficientemente estúpido para acreditar que a Rússia invadiu a Ucrânia, que a Rússia a qualquer momento invadirá a Polônia e os estados bálticos, ou que Putin é um "novo Hitler" a tramar a reconstrução do império soviético. Estas alegações absurdas são nada mais que propaganda de Washington totalmente destituída de verdade. A propaganda de Washington é completamente transparente. Nem mesmo um idiota poderia nela acreditar. 

A Segunda Guerra Mundial resultou na conquista da Europa, não por Berlim e sim por Washington. 

A conquista era certa mas não toda de uma vez. A conquista da Europa por Washington resultou do Plano Marshall; de temores do Exército Vermelho de Staline que levaram a Europa a confiar na protecção de Washington e a subordinar os militares europeus à NATO; da substituição da libra britânica como divisa de reserva mundial pelo US dólar e do longo processo de subordinação da soberania de países europeus individuais à União Europeia, uma iniciativa da CIA implementada por Washington a fim de controlar toda a Europa através do controle de apenas um governo irresponsável. 

Com poucas excepções, sobretudo o Reino Unido, a condição de membro da UE também significou perda de independência financeira. Como só o Banco Central Europeu, instituição da UE, pode criar euros, aqueles países que tão loucamente aceitaram o euro como divisa sua já não têm mais o poder de criar a sua própria moeda a fim de financiar défices orçamentais. 

Os países que aderiram ao euro devem confiar em bancos privados para financiar os seus défices. O resultado disto é que países super-endividados já não podem mais pagar suas dívidas pela criação de moeda ou esperar que suas dívidas sejam canceladas (written down) para níveis cujo serviço possam aguentar. Ao invés disso, Grécia, Portugal, Latvia (Letónia) e Irlanda foram saqueados pelos bancos privados. 

União das Mulheres na Comuna de Paris - A organização das mulheres na primeira revolução proletária da História

União das Mulheres na Comuna de Paris - A organização das mulheres na primeira revolução proletária da História
por Isabel Cruz


"O ódio da burguesia à Comuna de Paris começou no próprio dia da sua proclamação, com toda a artilharia de cúmplices, jornalistas, padres, intelectuais, escritores/as e habituais fazedores de opinião. Os escritores notáveis posicionaram-se todos de forma aberta e virulenta contra a Comuna, à excepção de J. Vallès, A. Rimbaud, P. Verlaine e Villiers de l’Isle Adam. Nos discursos anti-Comuna as metáforas mais usuais aludem à bestialização e à doença – «animais ferozes», «urros selvagens», «epilepsia social», «febre epidémica»… Com imagens essencialistas e patológicas pretenderam destruir o sentido do acontecimento, retirar-lhe o conteúdo ideológico, despolitizá-lo.

E às mulheres, foi reservado um destaque particular: elas foram constantemente enxovalhadas, comparadas a «lobas», «hienas», «fanáticas», «imagem do crime e do vício», «bêbedas, debochadas, viragos, gatunas, de má vida…». As «pétroleuses», mulheres incendiárias, armadas de archote numa mão e de vasilha com petróleo na outra, foi abundantemente publicada na imprensa, uma imagem inventada pela calúnia reacionária que também serviu para esconder o efeito destrutivo das bombas incendiárias do exército de Versalhes, e para justificar o massacre e a condenação de muitas operárias."

Elas estão em todo o lado na defesa da Comuna e da revolução – nas oficinas, nas ambulâncias e cantinas, nos hospitais, clubes e associações, na redação de jornais e comités, nas escolas e nas barricadas – Chignon, Collin, Diblanc, Dmitrieff, Jaclard, Jacquier, Lachaise, Leloup, Le Mel, Marcand, Marchais, Michel, Perrier, Reclus, Suétens, Verdure, são alguns apelidos das centenas que participaram ativamente na primeira revolução proletária. Lavadeiras, costureiras, escoveiras, encadernadoras, cantineiras, sapateiras, combatentes e artilheiras, socorristas e enfermeiras, operárias, mestres, intelectuais e até aristocratas, sem excepção, foram condenadas, fuziladas, deportadas, exiladas, caluniadas. 

Pouco dias depois da proclamação da Comuna, trabalhava-se para constituir a (também) primeira organização de mulheres da História. A União das Mulheres foi uma das maiores associações da Comuna, distinta de qualquer outro movimento feminino pela sua importância numérica, pelo recrutamento jovem e operário, pelo funcionamento rigoroso e democrático, pela orientação marxista. Tal como acontecia aos elementos da Comuna, a maioria das mulheres mais destacadas da União tinha ligações à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) e estava associada ao movimento socialista francês, integrando as suas diversas correntes políticas.

Nathalie Le Mel e Elisabeth Dmitrieff são as dirigentes que mais dinamizaram a União. A primeira, com 45 anos, é operária numa oficina de encadernação e aderiu à AIT em 1866, e na União ocupa-se principalmente das questões sociais. A segunda, com 20 anos, é uma revolucionária da secção russa da AIT. Meses antes, visitara Marx, em Londres, e este envia-a a Paris como representante do Conselho Geral da AIT. É precisamente com a sua chegada, no dia seguinte à proclamação da Comuna, que se iniciam as reuniões preparatórias que irão conduzir à constituição da União das Mulheres, onde Dmitrieff se ocupa das questões políticas, e em particular das medidas socialistas contra a exploração do trabalho das mulheres.

Apologistas do terror

Apologistas do terror
por Jorge Cadima

"A história da afirmação do domínio de classe, e em particular da afirmação do domínio planetário do capitalismo na sua fase imperialista, é um cortejo de crimes. E o sistema premeia os seus crimes. Durão Barroso ganhou o tacho na UE por ter apadrinhado, nas Lajes, a invasão do Iraque em 2003. E ganhou o tacho na Goldman Sachs (cada vez mais o patrão da UE) por ter imposto aos povos da Europa (incluindo o português) a pobreza e a vassalagem à grande finança. Mas a falta de pudor e os crimes, aliados ao empobrecimento de grandes massas para salvar o capital financeiro da crise do seu sistema, estão a estreitar rapidamente a base de apoio social do sistema. Multiplicam-se os sinais da perda de controlo ideológico (veja-se os referendos na UE)."
"A vaga de ataques terroristas que hoje adubam o terreno da imposição de estados de emergência, de estados policiais ou até de guerras em grande escala, indicia a possibilidade de que estejam em marcha planos subversivos geridos a partir dos próprios Estados imperialistas. Os alegados autores têm frequentemente ligações aos serviços secretos, policiais ou às guerras sujas do imperialismo."
«Está pessoalmente preparada para lançar um ataque nuclear que mate cem mil homens, mulheres e crianças inocentes?» À pergunta dum deputado, no debate parlamentar sobre o programa de submarinos nucleares britânicos Trident, a recém-empossada primeira-ministra inglesa e defensora da permanência na UE, Theresa May, respondeu com um categórico «Sim» (Guardian, 18.7.16). 

Não é a primeira vez que o genocídio é defendido abertamente. A 12 de Maio de 1996, no programa 60 Minutes da CBS perguntaram à então ministra dos Negócios Estrangeiros dos EUA, Madeleine Albright, a propósito das sanções que, por interposta ONU, os EUA aplicavam ao Iraque: «Ouvimos dizer que meio milhão de crianças já morreram. São mais crianças mortas do que em Hiroxima. […] Será que vale a pena este preço?». A MNE do Presidente Clinton respondeu: «É uma opção muito difícil, mas consideramos que vale a pena este preço.»

Evolução dos acontecimentos na Turquia e a tentativa de golpe de estado


Evolução dos acontecimentos na Turquia e a tentativa de golpe de estado
Partido Comunista da Grécia*

"A ação organizada de significativos sectores das forças armadas, a tentativa de assassínio de Erdogan, o número de mortos, feridos e detidos, entre os quais numerosos generais das forças armadas, o prolongado bombardeamento de Ancara, os combates de rua em outras cidades, desmentem a ideia de que se tratou de um golpe “encenado” ou um golpe “de farsa”. O tempo se encarregará de clarificar muitos destes aspectos, bem como de quem beneficiou ou virá a beneficiar desta situação.

Em qualquer caso, e por definição, as contradições e antagonismos inter-burgueses e inter-imperialistas não prenunciam nada de bom para os povos da região e em particular para o povo turco, que no decurso de todo o período anterior tem vindo a confrontar-se com as persistentes políticas antipopulares dos governos do AKP, o partido de Erdogan. As elevadas taxas de crescimento nos anos recentes e a melhoria da situação de algumas camadas intermédias não conseguiram, em nenhum caso, eliminar a pobreza, o desemprego, a repressão, a exploração selvagem da classe operária e das camadas populares turcas."

As informações mais recentes relativas aos acontecimentos na Turquia e à tentativa de golpe referem uma agudização das contradições internas inter-burguesas e divergências entre os diferentes centros de poder no país que estão interligadas com os antagonismos mais gerais na região alargada da Síria, do Médio Oriente e do Mediterrâneo Oriental através da intervenção directa e do confronto entre poderosos estados capitalistas.

A Turquia tem participado – e participa – nestes antagonismos com o objectivo de proteger os interesses da classe burguesa turca e de se reforçar enquanto poder regional. O ativo envolvimento da Turquia nos acontecimentos na Síria, as operações militares que conduziu na parte norte deste país que é habitada por populações de origem curda, e as suas relações com o Estado Islâmico colocaram-na em confronto com os seus aliados tradicionais, nomeadamente os EUA, a NATO e outros.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

‘Israel opera trafico dos órgãos dos palestinos mortos por seu exército’

‘Israel opera trafico dos órgãos dos palestinos mortos por seu exército’

Riad Mansour, representante palestino na Organização das Nações Unidas (ONU), denunciou que Israel devolveu os corpos de palestinos assassinados pelo exército sionista sem "córneas e outros órgãos."

O jornal americano The New York Times ,em 2014, já havia denunciado que traficantes de órgãos israelenses fizeram enormes somas de dinheiro com os órgãos de seres humanos extraídos ilegalmente, para vende-los aos pacientes israelenses. 

O exército do regime de Israel extirpa os órgãos dos corpos dos palestinos mortos nos confrontos provocados pela ocupação sionista, responsável pelo "genocídio" palestino.

Em recente seminário em uma universidade alemã, Israel foi duramente criticado por realizar experimentos médicos ilegais nos palestinos mortos em prisões israelenses e nas confrontações com o exército bem armado israelenses.

Nossos filhos foram despojados de seus órgãos foi um dos temas das intervenções do Seminário realizado na semana passada na Universidade de Artes e Ciências Aplicadas, onde os participantes foram informados sobre a situação social dramática dos jovens na Palestina.

Fuerzas israelíes inspeccionan un palestino muerto a tiros en Cisjordania.

Pokemon, o jogo que traz espiões para dentro de casa


Pokemon, o jogo que traz espiões para dentro de casa
por Sergey Kolyasnikov (@Zergulio)


"Uma vez descarregada a aplicação e dadas as permissões adequadas (para acessar a câmara, microfone, giroscópio, GPS, dispositivos conectados, incluindo USB, etc) o seu telefone vibra de imediato, informando acerca da presença dos três primeiros pokemons! (Os três primeiros aparecem sempre de imediato e nas proximidades).

O jogo exige que você dispare para todos os lados, atribuindo-lhe prêmios pelo êxito e ao mesmo tempo obtendo uma foto da sala onde está localizado, incluindo as coordenadas e o ângulo do telefone.

Parabéns! Acaba de registrar imagens do seu apartamento! Preciso explicar mais? "

Pode falar-me do "Pokemon Go"

Já dei três entrevistas sobre isso, de modo que agora tenho de me aprofundar nas fontes primárias.

- Programador do jogo: Niantic Labs. É uma start-up da Google. Os laços da Google com o Big Brother são bem conhecidos, mas irei um pouco mais fundo. 

- A Niantic foi fundada por John Hanke, o qual fundou a Keyhole, Inc. – um projecto de mapeamento de superfícies cujos direitos foram comprados pela mesma Google e utilizados para criar o Google-Maps, o Google-Earth e o Google Streets. 

- E agora, atenção, observe as mãos! A Keyhole, Inc. foi patrocinada por uma empresa de capital de risco chamada In-Q-Tel , que é uma fundação oficialmente da CIA estabelecida em 1999.

As aplicações mencionadas acima resolvem desafios importantes: