Pesquisa Mafarrico

Translate

terça-feira, 26 de maio de 2015

O inevitável colapso econômico no Brasil... e no mundo

O inevitável colapso econômico no Brasil... e no mundo 
por Alejandro Acosta


"O capitalismo se encontra em fase terminal, com várias pontes de safena. A estorinha do "empreendedor" que abria uma empresa para ganhar dinheiro é coisa de um passado remoto. Hoje é o assalto em larga escala dos cofres públicos e dificuldades crescentes para obter lucros a não ser por meio da especulação financeira ultra-parasitária ou o trabalho semi escravo."

"A especulação financeira atua como uma espécie de buraco negro ultra-parasitário que absorve todos os principais recursos. Se calcula que os bancos centrais das principais potências tenham injetado pelo menos US$ 12 trilhões desde 2008, nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, na China, no Brasil, na Índia e na Rússia. Na realidade, tem sido muito mais. As taxas de juros zeradas ou negativas para as grandes empresas e as compras de títulos financeiros podres pelos governos continua alimentando a especulação em larga escala. Todas as bolhas são todas infladas por meio de fartos recursos públicos."

"As últimas tentativas "de grande porte" no sentido de promover o crescimento econômico foram feitas por François Hollande na França, mas ele próprio acabou desistindo em pouco tempo e se tornou um dos impulsionadores dos programas de austeridade. Aliás, austeridade somente para as massas, pois, na realidade, se trata da tentativa de salvar, a qualquer custo, os lucros da especulação financeira, o coração do sistema capitalista mundial."

Um novo colapso capitalista aparece no horizonte. Desta vez, as proporções parecem ser apocalípticas. Ainda maiores que as do colapso de 2008.

Uma grande bolha prestes a estourar

De acordo com o economista norte-americano Nouriel Roubini, a mãe das bolhas financeiras, as emissões de moeda podre pelos bancos centrais das principais potências, cresceu numa escala insustentável e atingiu um ponto tal que já se interliga, de maneira assustadora, com as demais bolhas, como a bolha imobiliária, a das bolsas, a das commodities e à especulação financeira em geral.

Roubini, em 2006, previu o colapso da chamada subprime em 2008, explicando por que iria desatar uma crise de proporções enormes. Desta vez, ele tem detalhado o por que é inevitável que estoure uma crise ainda maior a partir do esgotamento dos anabolizantes para as grandes empresas. Um dos principais sintomas é que os repasses de recursos para os monopólios, apesar de serem cada vez maiores e as taxas de juros que, em vários países, já são negativas, a economia não somente não tem saído do lugar, como, em termos produtivos, continua encolhendo.

Somente a Europa e o Japão têm emitido mais de US$ 3 trilhões em títulos financeiros com taxas de juros negativos. Bom para as grandes empresas, porque são pagas para receberem empréstimos do estado, e ruim para 95% da população que investe apenas para fugir das perdas inflacionárias.

A conciliação de classes e a lei das terceirizações

A conciliação de classes e a lei das terceirizações
por Justino de Sousa Junior




"O desastre político causado pelo lulismo, na medida em que sedimentou nas consciências ideias como as de que “em política tudo é igual”, “todos são iguais”, “todos mentem”, “todos são corruptos”, de que “não há saída ao capitalismo”, de que “antagonismo social não existe”, de que as “elites brasileiras não têm nenhuma responsabilidade pelos graves problemas sociais do país”, de que o “Brasil não sofre pressões imperialistas”; e consolidou a ideia da “centralidade do jogo político oficial”, ou seja, de que “todos os esforços devem ser canalizados para as disputas eleitorais”, etc., provocou impacto desastroso nos movimentos políticos dos trabalhadores, pois dividiu-os, fragmentou-os, silenciou-os, desvirtuou-os. Esse papel desempenhado pelo governo Lula representa uma herança ideológica e política terrivelmente danosa, e cujo refazimento precisará do trabalho duro de muitas gerações."


Quando Lula assumiu o governo federal em 2003, afora toda a complexidade do processo, pelo menos uma questão já tinha que estar muito clara para a esquerda em geral, pois ela é tão velha quanto as experiências de esquerda com a gestão do aparato estatal. Trata-se da noção fundamental e universal de que todo discurso e esforço de se estabelecer a conciliação de classes em sociedades divididas antagonicamente tem seus dias contados, pois a realidade conflituosa se encarrega de pôr a nu a impossibilidade da conciliação dos interesses sociais antagônicos.

Segundo essa compreensão, nenhuma tentativa de conciliação, por mais bem intencionada que seja, se sustenta quando se aprofunda a crise econômica. A imperiosa força dessa verdade advém do fato de que a administração do Estado é exatamente a gestão das contradições capital e trabalho, assim como dos conflitos secundários. 

Num país atravessado por profundos e históricos conflitos e desigualdades, nenhum governo conseguiria manter por muito tempo a ideia da conciliação. Diz o dito popular que não se pode agradar a dois senhores ao mesmo tempo. Nem tanto, impossível mesmo é, num caldeirão de desigualdades ferozes, agradar, em um só tempo, aos senhores e aos seus escravos. É até possível ideologicamente criar a ilusão desse feito, porém essa falsa ideia não se sustenta ad aeternum, pois a dura verdade das coisas destrói a falsa realidade das palavras.

Lula da Silva trabalhou desde a campanha eleitoral de 2002 a pretensão de ser a representação dos mais diferentes interesses. O slogan “Lulinha paz e amor” (o diminutivo aí era estratégico, pois se associava ao conhecido carisma do candidato para criar a ideia de um futuro governo para todos e sem conflitos) pretendia estabelecer a recusa a qualquer ideia de ruptura, de enfrentamento, de combate, para isso foi oportuno negar a luta de classes e tudo aquilo que a ela dissesse respeito. No campo discursivo Lula da Silva se referiu às classes dominantes brasileiras, mantenedoras de uma realidade das mais desiguais do planeta, e a seus representantes políticos, mesmo aos mais reacionários, aos mais repulsivos, palavras muito elogiosas. Os usineiros, por exemplo, representantes de um setor produtivo em que são comuns o descumprimento da legislação trabalhista, a negação de direitos básicos e as condições de trabalho costumam ser indignas e desumanas, em que trabalhadores chegam a morrer de exaustão de trabalho, esses senhores foram tratados como heróis brasileiros.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

E se Putin estiver dizendo a verdade?

E se Putin estiver dizendo a verdade?
[*] F. William Engdahl – New Eastern Outlook, NEO
What if Putin is Telling the Truth?

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


"Putin disse sem meias palavras que, pela avaliação dele, o ocidente só se daria por satisfeito se encontrasse uma Rússia fraca, sofrendo e implorando misericórdia ao oeste, o que, bem evidentemente, o país não está disposto a fazer. Adiante, pouco depois, o presidente russo disse, pela primeira vez publicamente, algo de que a inteligência russa já sabia há quase duas décadas mas mantivera em silêncio até agora, talvez com esperanças de uma era de relações mais normais entre Rússia e EUA. 
Putin disse que o terror na Chechênia e no Cáucaso russo no início dos anos 1990s foi ativamente apoiado pela CIA e pelos serviços ocidentais de inteligência, deliberadamente para enfraquecer a Rússia. Disse que os serviços de inteligência do Gabinete de Relações Internacionais da Rússia encontraram provas do papel clandestino dos EUA naquelas ações, sem dar detalhes."


Dia 26/4/2015, o canal de TV Rossiya 1, o principal da Rússia, mostrou o presidente Vladimir Putin num documentário ao povo russo sobre os eventos do período recente, incluindo a reintegração da Crimeia, o golpe de Estado dos EUA na Ucrânia, e o estado geral das relações com os EUA e a UE. Putin falou com franqueza. Em sua fala à TV, o ex-chefe da KGB russa disparou uma bomba política, algo de que a inteligência russa já sabia há duas décadas.

Putin disse sem meias palavras que, pela avaliação dele, o ocidente só se daria por satisfeito se encontrasse uma Rússia fraca, sofrendo e implorando misericórdia ao oeste, o que, bem evidentemente, o país não está disposto a fazer. Adiante, pouco depois, o presidente russo disse, pela primeira vez publicamente, algo de que a inteligência russa já sabia há quase duas décadas mas mantivera em silêncio até agora, talvez com esperanças de uma era de relações mais normais entre Rússia e EUA.

Putin disse que o terror na Chechênia e no Cáucaso russo no início dos anos 1990s foi ativamente apoiado pela CIA e pelos serviços ocidentais de inteligência, deliberadamente para enfraquecer a Rússia. Disse que os serviços de inteligência do Gabinete de Relações Internacionais da Rússia encontraram provas do papel clandestino dos EUA naquelas ações, sem dar detalhes.

O que Putin, que foi oficial do mais alto nível da inteligência da Rússia, apenas sugeriu nos seus comentários, eu já havia relatado detalhadamente, colhido de fontes não russas. Aquele relatório teve implicações imensas, porque revelou ao mundo a agenda clandestina de círculos muito influentes em Washington, dedicados a destruir a Rússia como estado soberano funcional, agenda que inclui o golpe dos neonazistas na Ucrânia e severa ação de guerra financeira contra Moscou.

O que aqui publico é extraído do meu livro, Amerikas’ Heilige Krieg [A guerra santa dos EUA, 2014].

As guerras chechenas da CIA

Pouco depois de os mujahidin financiados pela CIA e pela inteligência saudita terem devastado o Afeganistão no final dos anos 1980s, forçando a saída do Exército Soviético em 1989 e a dissolução da própria URSS alguns meses depois, a CIA pôs-se a procurar pontos possíveis, na União Soviética, onde seus “árabes afegãos” treinados pudessem ser infiltrados para desestabilizar sempre mais a influência russa no espaço eurasiano pós-soviético.

O AMBIENTE DENTRO DA NATO É DE CORTAR À FACA

O AMBIENTE DENTRO DA NATO É DE CORTAR À FACA
por José Goulão

"“Obama acobardou-se com o desfile na Praça Vermelha”, garante o mesmo general. “E não é apenas porque ao lado de Putin esteve o presidente chinês enquanto à frente deles desfilavam armas que são para levar muito a sério”, acrescenta. “O facto de aquele desfile ter demonstrado a possibilidade de se juntarem militarmente os países mais extensos e populosos do mundo como são a China, a Índia e a Rússia assustou Obama”, disse o general, “fê-lo sentir a urgência de apostar tudo na sua estratégia de pivot asiático”."

"O que provoca o mal-estar nas cúpulas da NATO não é tanto a correcção de rota que Obama e o Pentágono tentam fazer, mas sim a confirmação da advertência que muitos militares europeus fizeram em tempo útil de que o golpe e as medidas tomadas na Ucrânia estavam erradas de uma ponta à outra. Sendo que agora é muito mais difícil corrigir o erro, mesmo que haja vontade disso – o que não está ainda absolutamente garantido. “Soltaram-se os cães selvagens quando teria sido muito mais ajuizado não os ressuscitar”, diz-se em pleno Quartel-General da NATO."

Acreditem que não exagero. No Quartel-General da NATO, em Bruxelas, o ambiente é de cortar à faca. Os políticos queixam-se dos militares e os generais estão com vontade de engolir vivos alguns políticos, com gravata e tudo, sendo Obama e John Kerry os primeiros da fila.

Lá para as bandas de Moscovo, caso saiba deste estado de espírito, e podem crer que sabe, quem dá gargalhadas sonoras é Vladimir Putin. A seriedade e o respeito histórico com que assinalou o 70º aniversário da rendição da Alemanha nazi devolveram-lhe trunfos internacionais com uma rapidez que talvez o surpreenda: a mesquinhez, a mistificação da realidade histórica e o culto da própria insanidade que guiaram os dirigentes norte-americanos e da Europa Ocidental nestes dias funcionaram como tiros nos pés de tal maneira eficazes que Putin e os que com ele estiveram a assinalar o Dia da Vitória nada mais tiveram que fazer do que ser fiéis ao espírito da data.

No Quartel-General da NATO, em Bruxelas, generais e muitos diplomatas não se conformam com as “reviravoltas” de Obama. “Obrigou-nos a fazer de conta que a Europa Ocidental teria derrotado Hitler mesmo que o Exército Vermelho não tivesse dado cabo da Wermacht, sabendo nós que isso é uma impossibilidade e uma falsificação da História, e logo a seguir manda Kerry pedir a Putin que colabore o mais depressa possível numa solução pacífica para a Ucrânia, como se não tivéssemos andado nos últimos 14 meses a alimentar grupelhos nazis na Ucrânia servindo de iscas para colocarmos a NATO em peso nas fronteiras da Rússia”, afirma um general, off the record, como compreenderão e num vernáculo que aqui se atenua um pouco. “Isto não é política, isto não é uma estratégia, é uma deriva”.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Brasil : O mundo-cão da mineração

O mundo-cão da mineração
por Julio César de Castro

"Assim, quando a “crise” descortina o quadro da dura realidade brasileira, o que era vendido como mera “marolinha” pelo sarcasmo lulista e maquiado por inserções publicitárias, agora, passado o engodo das eleições, estão às claras os números econômicos avultados no país. E, como sempre, esse gerenciamento oficial de subservientes ao capitalismo impõe ao povo arcar com a conta dos desmandos e corrupção impunes em todas as esferas de governos."

Quando o desta terra – salve, salve Brasil! – reverencia o heroico Tiradentes por destemidamente enfrentar a Coroa Portuguesa, ante a exploração à larga da riqueza do solo brasileiro, para saciar a voracidade do poder econômico da Inglaterra, ainda hoje assistimos à classe de vassalos políticos e mercadores de toga conluiar-se com as transnacionais. Mesmo que isto implique “passar o trator” sobre direitos legais, sobre terras e casas de camponeses, desarranjar o ecossistema e aniquilar com famílias de trabalhadores. E, para tal intento atroz, utilizam-se de todo meio vil de intimidação, calhamaço de liminares de remoção forçada e da truculência do braço armado do Estado para impor as “ordens” e barbaridades do grande capital.

Não bastassem as denúncias de órgãos de defesa do Meio Ambiente e de Direitos Humanos, e da mídia independente (o jornal A Nova Democracia teceu matérias contundentes às aberrações do mineroduto em terras brasileiras) alertando sobre graves danos de impacto socioambiental e do sofrimento com clamor de vítimas, a Anglo American Minério de Ferro do Brasil S/A (ex-Anglo Ferrous Minas-Rio Mineração S/A), cooptando governantes e secretários do Estado, inclusive peemes de alta patente, contratando advogados de luxo, e “agradando” magistrados a fazerem vista grossa à legislação e ouvido de mercador às escancaradas declarações de abusos, cometidos em todo o processo de instalação e operação da mina de minério de ferro, a empresa arrombou o direito constitucional, “comprou” licença ambiental e impôs na marra toda a estrutura de linha de transmissão de energia, barragens e estradas, desalojou numerosas famílias e instalou o mineroduto com 525 km de extensão, da região mineira de Conceição do Mato Dentro até o Porto de Açu, no Rio de Janeiro.

EUA - Patologia da família branca rica

Negros linchados  nos EUA
EUA - Patologia da família branca rica 
[*] Chris Hedges, Truthdig
The Pathology of the Rich White Family


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

"Famílias brancas ricas são também os matadores mais eficientes que há no planeta. É verdade há já 500 anos, começando na conquista da América e no genocídio contra os povos nativos norte-americanos, e continuando hoje, nas guerras dos EUA no Oriente Médio. As famílias brancas ricas não matam com as próprias mãos. Não precisam arriscar o próprio pescoço nas ruas das cidades nos EUA ou no Iraque. Mas contratam gente, quase sempre pobres, para matar por elas. Famílias brancas ricas queriam o petróleo do Iraque, ergueram bandeiras e entoaram slogans patrióticos, e assim arregimentaram legiões de crianças pobres para guerrear em nome delas e passar a mão nos poços de petróleo do Iraque. "

A patologia da família branca rica é das mais perigosas nos EUA. A família branca rica é amaldiçoada com excesso de dinheiro e privilégios. Não conhece nenhuma empatia, resultado de gerações e gerações de privilegiados. Tem mínimo senso de lealdade, e é incapaz de autossacrifício. A definição de amizade na família branca rica está reduzida a “O que você pode fazer por mim?” A família branca rica é possuída por insaciável ambição de aumentar sempre a própria fortuna e o próprio poder. Acredita que riqueza e privilégio conferem a ela inteligência e virtude superiores. É presa dos mais impenetráveis hedonismo e narcisismo. 

E, por tudo isso, a família branca rica interpreta a realidade através de lentes de autoadulação e cobiça que reduzem a realidade a alguma espécie de fantasia distante. A família branca rica é uma perigosa ameaça que vive dentro dos EUA. As doenças dos pobres, se comparadas às doenças dos norte-americanos brancos ricos, são pequena vela ao lado do sol. 

Não faltam propagandistas e elogiadores às famílias norte-americanas brancas ricas. Dominam as ondas de rádio e TV em todo o país. Culpam a patologia das famílias negras pobres pela miséria, pela falência da sociedade, pela violência urbana, pelo consumo de drogas, pela violência doméstica – como se não conhecessem algum desses itens. Dizem que as famílias negras pobres estão em desintegração por causa de algum defeito inerente – o que implica dizer que veem os brancos como melhores que os negros – defeito que essas famílias pobres devem tratar de consertar. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

AS CINCO DIFICULDADES PARA ESCREVER A VERDADE

AS CINCO DIFICULDADES PARA ESCREVER A VERDADE
por Bertolt Brecht (*)
"Os que assim pensam, entendem o fascismo como um novo movimento, uma terceira força justaposta ao capitalismo e ao socialismo (e que os domina). Para quem partilha esta opinião, não só o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam podido, se não fosse o fascismo, continuar a existir, etc. Naturalmente que se trata de uma afirmação fascista, de uma capitulação perante o fascismo. O fascismo é uma fase histórica na qual o capitalismo entrou; por consequência, algo de novo e ao mesmo tempo de velho. Nos países fascistas, a existência do capitalismo assume a forma do fascismo, e não é possível combater o fascismo senão enquanto capitalismo, senão enquanto forma mais nua, mais cínica, mais opressora e mais mentirosa do capitalismo."

Hoje, o escritor que deseje combater a mentira e a ignorância tem de lutar, pelo menos, contra cinco dificuldades. É-lhe necessária a coragem de dizer a verdade, numa altura em que por toda a parte se empenham em sufocá-la; a inteligência de a reconhecer, quando por toda a parte a ocultam; a arte de a tornar manejável como uma arma; o discernimento suficiente para escolher aqueles em cujas mãos ela se tornará eficaz; finalmente, precisa de ter habilidade para difundir entre eles. Estas dificuldades são grandes para os que escrevem sob o jugo do fascismo; aqueles que fugiram ou foram expulsos também sentem o peso delas; e até os que escrevem num regime de liberdades burguesas não estão livres da sua acção. 

1- A CORAGEM DE DIZER A VERDADE

É evidente que o escritor deve dizer a verdade, não a calar nem a abafar, e nada escrever contra ela. É sua obrigação evitar rebaixar-se diante dos poderosos, não enganar os fracos, naturalmente, assim como resistir à tentação do lucro que advém de enganar os fracos. Desagradar aos que tudo possuem equivale a renunciar seja o que for. Renunciar ao salário do seu trabalho equivale por vezes a não poder trabalhar, e recusar ser célebre entre os poderosos é muitas vezes recusar qualquer espécie de celebridade. Para isso precisa-se de coragem. As épocas de extrema opressão costumam ser também aquelas em que os grandes e nobres temas estão na ordem do dia. Em tais épocas, quando o espírito de sacrifício é exaltado ruidosamente, precisa o escritor de muita coragem para tratar de temas tão mesquinhos e tão baixos como a alimentação dos trabalhadores e o seu alojamento. 

Como combater a propaganda ocidental

Como combater a propaganda ocidental
por Andre Vltchek [*]

"O Império perverte os factos. Ele repete mentiras nos seus alto-falantes e TVs. Ele grita-lhes milhares e milhares de vezes, até que afundem no subconsciente das pessoas, penetre a pele, espalhem-se através dos seus cérebros.

Boa vontade, honestidade ingênua, "falar a verdade ao poder", poderia isto mudar o mundo e o próprio poder? Duvido muito.

O Império e seu poder são ilegítimos e criminosos. Haverá qualquer sentido em falar a verdade a um gangster? Dificilmente! A verdade deveria ser falada ao povo, às massas, não àqueles que estão a aterrorizar o mundo.

Ao conversar com vilões, ao implorar-lhe que parem de torturar os outros, estamos a legitimar seus crimes e a reconhecer seu poder. Ao tentar apaziguar gangsters, as pessoas colocam-se a si próprias à sua mercê.

Recuso absolutamente ficar em tal posição! "

Primeiro eles fabricam mentiras monstruosas, depois dizem-nos que deveríamos ser objetivos! 

Será o amor objectivo; será a paixão? 

Serão os sonhos defensáveis logicamente e filosoficamente? 

Quando uma casa é atacada por bandidos, quando uma aldeia é invadida por gangsters, quando fumo, fogo e gritos por ajuda estão a vir de cada esquina, deveríamos nós conceder-nos o luxo do tempo para calcular, analisar e definir objectivos com soluções completas, lógicas, holísticas e objectivas? 

Acredito firmemente que não! Somos obrigados a combater aqueles que estão a incendiar nossos lares, atingir com toda a força aqueles que tentam violar nossas mulheres e enfrentar o fogo com o fogo quando seres inocentes estão a ser massacrados. 

Quando a mais poderosa e mais destrutiva força sobre a terra emprega todo o seu poder persuasivo, utilizando tudo desde os media de referência a instrumentos educativos, a fim de justificar seus crimes, quando ela espalha sua propaganda venenosa e mentirosa a fim de oprimir o mundo e suprimir a esperança, devemos nós voltar atrás e começar um infindável e pormenorizado trabalho sobre narrativas precisas e objectivas? Ou devemos confrontar mentiras e propaganda com a nossa própria narrativa, apoiada pela nossa intuição, paixão e sonhos por um mundo melhor? 

domingo, 17 de maio de 2015

Banco (Central) de Portugal - O Banco do Capital

CGTP-IN analisa propostas do banco central
Banco do capital

"o Banco de Portugal «pretende imiscuir-se em matérias que extravasam o seu âmbito e competências», quando se sabe que «não cumpre as suas funções de supervisão e regulação bancária, permitindo que acontecessem descalabros como os do BPN e do Grupo Espírito Santo, com enormes prejuízos para o erário público e para a população». Pelo conteúdo das propostas, o BdP «assume-se como caixa de ressonância dos interesses dos grandes grupos econômicos e financeiros e dos que, a pretexto do Tratado Orçamental e das chamadas “reformas estruturais”, visam dizimar os direitos laborais e sociais e aumentar a exploração dos trabalhadores»."
Ao defender novos ataques legislativos a direitos fundamentais dos trabalhadores, o Banco de Portugal reflete os interesses dos grandes grupos econômicos e age como «lebre» da política de direita.

No artigo em destaque sobre «O mercado de trabalho português e a grande recessão», incluído no Boletim Econômico da Primavera (Maio), que tornou público no dia 6, quarta-feira, o Banco de Portugal «volta a insistir numa nova alteração da legislação laboral centrada em mais ataques a direitos fundamentais dos trabalhadores», protestou a CGTP-IN, no dia seguinte.

A Intersindical Nacional expôs, numa nota difundida pelo seu Departamento de Informação, o que está sob a mira nestes ataques: «o direito ao trabalho com direitos, a um salário digno, à contratação colectiva como um elemento de progresso social e à proteção social devida a quem foi empurrado para o desemprego».

O Banco de Portugal «entende que o que foi feito não chega e é preciso ir mais longe» na «política de exploração, desigualdades e empobrecimento a que os trabalhadores e suas famílias estão a ser sujeitos» pela acção do Governo PSD/CDS e pelas imposições aceites no memorando da troika.

Com tais ideias e sugestões, o Banco de Portugal «pretende imiscuir-se em matérias que extravasam o seu âmbito e competências», quando se sabe que «não cumpre as suas funções de supervisão e regulação bancária, permitindo que acontecessem descalabros como os do BPN e do Grupo Espírito Santo, com enormes prejuízos para o erário público e para a população». Pelo conteúdo das propostas, o BdP «assume-se como caixa de ressonância dos interesses dos grandes grupos econômicos e financeiros e dos que, a pretexto do Tratado Orçamental e das chamadas “reformas estruturais”, visam dizimar os direitos laborais e sociais e aumentar a exploração dos trabalhadores».

A imbecilidade mediática : Jornalismo lixo corporativo

A imbecilidade mediática :
O JORNALISMO LIXO CORPORATIVO 

"A farsa da morte bizarra do alto funcionário do governo norte-coreano durou pouco tempo, mas as mentiras e manipulações orquestradas pelo governo da Coreia do Sul com apoio da imprensa ocidental a serviço do imperialismo estadunidense não cessam, sendo necessário sempre esclarecer e desmentir esse tipo de "informação"."
Os padrões de qualidade no jornalismo corporativo sempre foram baixos, mas agora degradam-se cada vez mais. E quando se trata da República Democrática e Popular da Coreia, a degradação atinge uma insânia vertiginosa: vale absolutamente tudo, qualquer estória, por mais descabelada e inverossímil que seja. 

A mais recente é a de que o ministro da Defesa teria sido executado publicamente (sic) "a tiro de canhão" (sic) por ter dormido durante um discurso do presidente (sic). Isso foi propalada por todo o mundo nos media que têm a pretensão de serem sérios, como o jornal do Belmiro e o jornalismo Brasileiro da  Globo por exemplo.

A enxurrada de sandices, imbecilidades e lixo difundido diariamente por estes media corporativos faz parte da desinformação promovida pela classe dominante. 

A fase histórica do capitalismo que agora vivemos – de depressão económica sem fim à vista – provoca os fenômenos mais aberrantes.


Ministro norte-coreano aparece em programa de TV após ter morte 'noticiada' pela imprensa ocidental
por Diário Liberdade


O Ministro da Defesa da Coreia do Norte, Hyon Yong-chol, apareceu em um programa de TV norte-coreano nesta quinta-feira (14), um dia depois que o serviço de inteligência da Coreia do Sul anunciou a sua morte por fuzilamento.

sábado, 16 de maio de 2015

Serás pobre

Serás pobre
por Sandra Monteiro 


"É este admirável mundo novo da emigração, da precariedade, do biscate, do estágio perpétuo e do endividamento para poder trabalhar que facilita a aceitação de remunerações cada vez mais miseráveis. O exército de reserva dos desempregados é hoje inseparável do exército de reserva dos trabalhadores pobres e das remunerações baixas. As estatísticas que usamos durante décadas terão de ser muito afinadas para traduzirem bem as novas realidades que as políticas sociais e de emprego devem combater."
"Regressemos à ideia de que as políticas atuais generalizam a pobreza, tanto de quem trabalha como de quem está desempregado, por via de uma atuação simultânea no mundo do trabalho e na proteção social no desemprego. Se existe alguma racionalidade individual – que não colectiva – em aceitar trabalhos miseráveis ("é melhor que nada"), é justamente porque esse "nada" foi fabricado, a montante, nas políticas sociais, pela crescente desproteção social, desde logo no subsídio de desemprego e demais prestações, ainda para mais num quadro de permanência de níveis muito elevados de desemprego de longa duração. "

Trabalhes ou estejas desempregado, serás pobre. É esta a mensagem subjacente às transformações que estão a ser feitas, em simultâneo, no mundo do trabalho e na protecção social no desemprego. É esta a sociedade de pobreza, com mais pobres e maior intensidade de pobreza, que está a ser construída de forma estrutural, porque o que se passa ao nível das remunerações salariais e da protecção social tem efeitos sobre todo o edifício econômico, social e político. Uma sociedade que era já das mais desiguais antes da crise está a tornar-se mais desigual ainda.

Portugal caracteriza-se há muito por níveis salariais extremamente baixos quando comparados com a média europeia. Mas a "desvalorização interna" dos últimos anos mostra que termos salários que são pouco mais de metade da média dos salários na União Europeia (56,4%) não é ainda suficiente nesta corrida para o abismo do trabalho (quase) escravo. Nos últimos anos, além dos cortes salariais no sector público (26%) e no sector privado (13%), registrou-se uma acentuada quebra dos salários nos novos contratos e nos contratos a termo (e mais no trabalho feminino do que no masculino). Assim, entre 2012 e 2013, " verificou-se uma travagem a fundo e os salários recuaram 1,9%, correspondendo agora a uma média de 808 euros mensais líquidos" ; e os trabalhadores que sofreram um corte maior, de 6% no último trimestre de 2013, foram os diplomados do ensino superior, apesar de continuarem a ter, em média, salários mais elevados [1] . 

A destruição do emprego - Um crime de lesa-pátria

A destruição do emprego - Um crime de lesa-pátria
por Anselmo Dias

"O número total de desempregados tem de ter em conta esse valor acrescido daqueles que à data já estavam desempregados bem como de todos aqueles que, por razões demográficas, chegaram, quer ao patamar da população activa, quer aos inactivos. 
Se tivermos em conta todas estas variáveis concluiremos que o número total de desempregados não corresponde aos 698 300 «inventariados» pela engenharia estatística do Governo de Passos Coelho no final de 2014 mas sim a cerca de um milhão, ou para sermos mais precisos a 1 200 000 desempregados."

Não obstante as sucessivas alterações terem descaracterizado o texto inicial da nossa Constituição, a verdade é que – embora com os danos provocados pelas revisões promovidas pelo PS, PSD e CDS-PP –, ainda continua a contemplar normas associadas ao 25 de Abril e ao processo revolucionário que se lhe seguiu.

Uma dessas normas refere expressamente o «direito ao trabalho» e à obrigação do Estado na «...execução de políticas de pleno emprego», normativos considerados pelo actual Governo como meras «utopias» pois, segundo essa gente, quem cria trabalho são as empresas e não o Estado.

Um Estado humanista que coloque a economia ao serviço do Homem; um Estado democrático que adeqúe os investimentos à coesão social e que coloque o emprego como uma das questões nucleares da acção governativa; um Estado progressista, respeitador do texto fundador da actual Constituição; esse Estado, para essa gente que está no Governo, é uma aberração no contexto de uma sociedade formatada à livre iniciativa e, como tal, não lhe cabe o direito de criar emprego.

É, pois, este caldo de cultura ideológica contra a Constituição e contra os valores de Abril que explica a dimensão dramática da destruição de emprego cujos dados extraídos do INE constituem um libelo acusatório às políticas de reconstituição monopolista em curso. 

Emprego com direitos e salários mais elevados

Os dados que a seguir são referidos dizem respeito ao número de pessoas empregadas entre duas datas: final dos anos de 2004 e 2014.

Tais dados não quantificam o número de desempregados, nem sequer a dimensão da destruição de emprego.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Efemérides, mesquinhez e morte

Efemérides, mesquinhez e morte
por José Goulão


"Para o senhor presidente Obama, celebrar a derrota do nazismo é desenvolver uma política de “polo asiático” que assenta na ressurreição do militarismo nacionalista nipônico; é dar largas ao revanchismo nazi na Europa manipulando o velho mas não gasto artifício propagandístico da “ameaça russa”. O senhor presidente Obama não vê qualquer defeito nesta estratégia. Afinal ele só manda matar."


Os russos ainda estão a enterrar os restos dos seus mortos, como aconteceu em quase mil funerais realizados há dias nos arredores de São Petersburgo, mas o senhor secretário-geral das Nações Unidas, a mando do senhor Obama, porque nada se passa no Palácio de Vidro sem o aval deste, foi celebrar a derrota dos nazis a Kiev na companhia dos novos nazis. Quero crer que o envio do pau-mandado Ban Ki-moon se deveu à falta de coragem do senhor Obama para assumir até ao fim a provocação que fez aos 25 milhões de mortos soviéticos, e também aos mais de 400 mil compatriotas mortos para que o nazismo não passasse, e deslocar-se em pessoa a Kiev para abraçar os herdeiros de Stepan Bandera, o bandido que colaborou nas chacinas de Hitler e agora tutelam o regime oficial ucraniano. 

Coragem, seja política seja física, é o que normalmente falta àqueles que da guerra só conhecem a parte de mandar matar. Barack Obama incarna na perfeição esse tipo de mandante e por isso, mesmo não tendo estado em corpo em Kiev, foi representado a preceito, em insensibilidade e arbitrariedade, através do seu imediato a quem foi entregue a desacreditada ONU. Mais desacreditada agora depois de o seu mais alto representante ter celebrado o fim da guerra, acontecimento que determinou o nascimento da organização, ao lado dos herdeiros dos que provocaram a tragédia e estão na calha para repetir a façanha. Com o beneplácito da dita cuja.

Se lermos os escritos e paleios que a chamada comunicação de referência vai debitando, todos muito certinhos e afinados no mote de assinalar o fim da guerra como se não tivesse havido guerra, apuramos que se escreve e fala sobre tudo, desde o senhor Putin se sentir isolado, coitado, no palanque presidencial assistindo à passagem de temíveis armas com que ameaça a pacífica NATO, obrigada a defender-se ali tão pertinho, nas suas fronteiras; passando pela sismografia que atinge territórios onde terão de passar maléficos gasodutos; até às patéticas perorações sobre a Crimeia – onde vem ao de cima a tacanhez histórica dos autores - mas não se fala sobre a guerra.

Em boa verdade, continuando a ler e a escutar essas figuras tão referentes, antes Putin tivesse ficado verdadeiramente isolado no palanque; mas afinal teve companhia, a do líder chinês, e logo numa altura em que a Rússia e a China conversam muito, tratam de cooperação mutuamente vantajosa, fazem até ameaçadoras manobras militares conjuntas no Mediterrâneo, tudo isto acontecendo pela primeira vez, sabendo-se que há sempre uma primeira vez para tudo, ideia que não deveria valer para este contexto. O facto de a Rússia, então União Soviética, e a China terem sofrido três quartos dos mortos da guerra contra o nazismo, 45 milhões de vítimas (45 milhões, quatro vezes e meia a população de Portugal, mais ou menos a população de Espanha) são pormenores que não contam para nada numa coisa que, afinal, acabou já lá vão 70 anos mesmo que muitas familiares ainda hoje andem à procura dos seus mortos para lhes dar sepultura.

Colômbia: A planificação do Terrorismo de Estado e a estratégia de confundir

Colômbia  terrorismo e crimes de estado
Colômbia: A planificação do Terrorismo de Estado e a estratégia de confundir
por Azalea Robles 

"Há uma lógica no Terrorismo de Estado: é que quanto maior tortura e degradação das vítimas, maior o alcance da "mensagem dissuasora" nas comunidades. A estratégia da dissuasão mediante o terror está teorizada nos manuais do exército: concebe-se a população como "o inimigo interno" e preconiza-se claramente o emprego de uma ferramenta paramilitar para realizar os massacres e torturas. O paramilitarismo foi preconizado para a Colômbia desde a missão estado-unidense Yarborough e reiteradamente apoiado até os nossos dias. A ferramenta paramilitar é adestrada para torturar e treinada por (de)formadores dos EUA e Israel, como o mercenário Yair Klein . Trata-se de perpetrar Crimes de Estado como aquele contra a menina Alida Teresa Arzuaga, de 9 anos, violada e assassinada para torturar seu pai (preso político), ao mesmo tempo que se injecta medo na oposição política; ou como o massacre da família do militante comunista e da UP Julián Vélez, cujo filho foi torturado e castrado . "

As contradições entre acumulação de capital e sobrevivência da humanidade e do planeta atingem níveis ostensivamente críticos, o complexo militar-industrial implementa cada vez mais guerras para continuar seu crescimento perverso. Neste contexto surge como um imperativo ético e político a análise medular das guerras: já não nos podemos contentar com as explicações postiças e pseudo-antropológicas de "guerras tribais" ou de "não há cultura de paz nesses povos": pronunciamentos cuja natureza destila colonialismo e constitui a subtileza para evitar ir ao centro do problema. Evidentemente há uma plétora de pseudo estudos e instituições que difundem, alguns mais subtilmente do que outros, essas premissas cosméticas. Aqueles que têm um altíssimo interesse em impedir a compreensão da realidade – e por conseguinte a possibilidade concreta da transformação da mesma – financiam estes tanques de pensamento. 

1. Cultura de aceitação do saqueio disfarçada de "Cultura da paz" 

Seria digna de gargalhadas numa peça de teatro grotesco a existência de "Estudos de preservação do meio ambiente" financiados pela indústria farmacêutica ou petrolífera, ou então a existência de "Cátedras de cultura de paz" cuja orientação é esquivar a análise das raízes da guerra. Cátedras ministradas na Europa ou nos EUA, em países nos quais radicam os principais fabricantes de armas e os depredadores energéticos: cátedras que se centram em "ensinar" a alunos provenientes de países como o Congo, Afeganistão, Colômbia a maneira de serem mais "pacíficos", de "resolver os conflitos com civilidade" e de "desenvolver uma cultura de paz", esquecendo olimpicamente que a guerra e a paz têm raízes económicas e desenvolvem-se em contextos de desigualdade social e não são meros assuntos de Cultura. Assim, os países que dedicam orçamentos milionários a guerras imperialista e cuja supremacia mundial tem raízes numa história de práticas colonialistas e genocidas, muito distantes da Cultura de paz que apregoam na fachada, ministras cátedras de assimilação mental à cultura da aceitação do saqueio mais extremo, ao mesmo tempo que "bombardeiam humanitariamente" no seu relançamento colonial. Assim os alunos de países que sofrem a voracidade capitalista das guerras pelo saqueio dos recursos, são adestrados na retórica que serve para ocultar o cerne do problema; é a raposa a ensinar às galinhas com que molho devem ser comidas. 

A chamadas "guerras tribais" e demais expressões consagradas no campo semântico destinadas a prolongar o status quo encobrem guerras pela acumulação de recursos, guerras fomentadas com fins geopolíticos e económicos claramente definidos pelos verdadeiros "Senhores da guerra" que os fabricantes de armas, os mercadores da energia, da alimentação industrial e a multinacionais de produtos químicos, todos motores da maquinaria depredadora do planeta. 

CHAMA-SE A ISTO DEMOCRACIA

CHAMA-SE A ISTO DEMOCRACIA
por José Goulão

"Chamam democracia a este sistema designado uninominal maioritário a uma volta, mas ele nada tem de democrático. O Parlamento não representa as vontades manifestadas pelo corpo eleitoral, transforma pouco mais de um terço dos votos (36,9% foi quanto tiveram os conservadores) numa maioria absoluta. Chama-se a isto “estabilidade”. Aliás, para que conste, ele foi inventado pelos conservadores britânicos para se garantirem no poder transformando maiorias simples em maiorias absolutas. Nos tempos que correm, caso não haja maioria absoluta, como os dois maiores partidos conseguem 87% dos lugares com 66% dos votos, e lêem ambos pela mesma cartilha económica, teremos uma espécie de partido único institucionalizado. Mais “estabilidade” não é possível."
Cada deputado conservador da elegante maioria absoluta que compõe agora o Parlamento de Sua Majestade custou 34244 votos de suor ao denodado Cameron, esse produto com a legítima e legitimada chancela da City. Parece justo, o homem conseguiu tirar da cartola à última hora um milagroso anúncio de crescimento económico e vai daí os eleitores recompensaram-no, driblando até as empresas de sondagens, onde, ao que consta, vão rolar cabeças, já não na Tower, felizmente apenas em sentido figurado.

Cada deputado do sempre aplicado, e agora sacrificado, trabalhista Ed Miliband custou-lhe um preço mais alto, 40290 votos e, apesar de ter ampliado a percentagem em 1,5 pontos, acabou por perder 24 deputados. Será porque os eleitores britânicos preferem os originais às imitações e conservadores neoliberais por conservadores neoliberais antes os legítimos como Cameron e não os herdeiros de Blair, o tal que acabou de vez com o trabalhismo nas ilhas e, em boa verdade, em todo o continente? Só eles saberão responder.

Cada um dos 8 deputados liberais democratas do infeliz senhor Clegg, agora despromovido de adjunto de Cameron para a vileza do anonimato, custou-lhe 301986 votos, 10 vezes mais que cada deputado do seu ex-chefe. É obra. Tanta generosidade para cumprir as ordens da exigente City, numa coligação de sacrifício e serviço privado, e a paga foi esta.

E que dizer do truculento Neil Farage, o homem que não tolera que os restos do Império tenham vindo desabar na insigne Metrópole, manchando e sujando a pura linhagem britânica? Um deputado custou-lhe 3881128 votos, quase quatro milhões de votos, 113 vezes mais que cada deputado do iluminado Cameron. É bem feito, dirão. Que não trouxesse para a arena política o culto do racismo, da xenofobia, que ainda assim lhe valeram quatro milhões de votos, 12,6%.

Infelizmente ele não foi castigado por isso. Infelizmente continua a ter uma base eleitoral distribuída pelo todo nacional que o encorajará a envenenar as mentalidades contra a imigração, contra as outras culturas e costumes. Ele, Neil Farage, como muitos outros (um deputado verde custou mais de um milhão de votos), foi vítima de um sistema eleitoral apresentado como o paradigma da pátria da democracia e que não é democrático, isto é, não respeita a vontade dos eleitores e deita milhões de votos para o lixo. E cada voto, em democracia, deve contar, deve estar espelhado na composição final do Parlamento.

terça-feira, 12 de maio de 2015

A vitória deles e a nossa

A vitória deles e a nossa
por João Vilela

"O rearmamento teórico da classe trabalhadora, para enfrentar a vaga reacionária que se vai abater sobre ela nos próximos tempos tem um exemplo elucidativo na vitória soviética: só poderá contar com ela mesma, e qualquer confiança em sectores da burguesia será atraiçoada na primeira esquina, assim que os motivos conjunturais que ditaram a amizade de circunstância tenham passado. Nunca confiar na burguesia. Aliar-se sempre com autonomia em relação à burguesia. Nunca aceitar a hegemonia da burguesia numa aliança. E assentando nas suas próprias forças, determinada, organizada, mobilizada para a vitória, a classe trabalhadora derrotará, como já derrotou, todas as SS, todos os Marines, toda a repressão que a burguesia faça desabar sobre ela."

É razoavelmente pacífico afirmar que a II Guerra Mundial, cujo fim na frente europeia se celebra por estes dias, foi essencialmente uma guerra dupla, se não mesmo duas guerras em uma só, que as contingências a dada altura juntaram: de um lado, uma guerra inter-imperalista que opôs a Alemanha nazi e a Itália fascista às demais potências ocidentais (França, Reino Unido, Estados Unidos); do outro, uma guerra contra-revolucionária de ataque e abate à grande experiência de construção do socialismo em que se tinha constituído a URSS.

É portanto uma vitória bem diferente aquela que celebram os comunistas, os revolucionários, os que combatem o fascismo como ideologia e o capitalismo de cujas entranhas ele saiu. Não é apenas o soçobrar de um projecto político antidemocrático, antipopular, expansionista, belicista, agressivo: é a derrota em toda a linha da maior máquina de combate à classe operária, à revolução socialista, à organização popular, ao anticapitalismo, que a burguesia alguma vez inventou.

Porque, e ninguém o duvide, foi essencialmente isso que o fascismo foi: misturando alta e baixa intensidade, violência e propaganda, aparelho repressivo e aparelho ideológico, reprimindo e proibindo por um lado, exacerbando por outro racismos, chauvinismos, preconceitos, divisões artificiais e glamourização das agruras e dificuldades da vida proletária, estatuída em exemplo de abnegação estóica pelo futuro da nação, o fascismo demonstrou como a burguesia se dispõe a rigorosamente tudo para desarticular e dividir o proletariado. 

16 sinais de que a economia dos EUA está encalhada

16 sinais de que a economia dos EUA está encalhada

– Evidências empíricas de que a próxima retracção já começou
por Michael Snyder

"O produto interno bruto entre Janeiro e Março cresceu a uma taxa anualizada de 0,2 por cento, disse o Departamento de Comércio, incluindo a imagem de uma economia a travar drasticamente depois de acelerar demasiado no ano passado. O ritmo caiu bem abaixo da marca dos 1 por cento antecipada por analistas e assinala o trimestre mais fraco em um ano."


Se o crescimento econômico dos EUA cair um pouco mais, estamos oficialmente a ir para o território da recessão. Na quarta-feira disseram-nos que o PIB dos EUA cresceu 0,2% em taxa anual no primeiro trimestre de 2015. 

Esta taxa é muito menor do que tudo o que os "peritos" estavam a projectar. E naturalmente há toda a espécie de questionamentos sobre se os números do PIB que o governo nos fornece são legítimos. Segundo John Williams, de shadowstasts.com , se fossem utilizados números honestos eles mostrariam que o crescimento do PIB estado-unidense tem sido continuamente negativo desde 2005. Mas mesmo se considerarmos o número que o governo nos apresentou como um número "real", ele ainda assim mostra que a economia dos EUA encalhou. 

É quase como se tivéssemos atingido um "ponto de viragem" e há muitos ( inclusive eu ) que acreditam que a próxima grande retracção econômica está pela frente. Como verá neste artigo, está a acontecer exactamente agora todo um conjunto de coisas que esperaríamos ver se uma recessão estivesse a começar. Os pontos seguintes são 16 sinais de que a economia encalhou e que a próxima retracção econômica já está aqui. 

sábado, 9 de maio de 2015

O choque petrolífero de 2014-15

O choque petrolífero de 2014-15

por RUI NAMORADO ROSA


"A decisão da OPEP, em Novembro de 2014, de manter o seu volume de produção, alegando pretender segurar os seus mercados, ainda que o preço permaneça depreciado abaixo de $60/b, assim tolerando os consequentes danos financeiros e tensões sociopolíticas nos próprios países que a integram, quer dizer que essa decisão não poderá ser mantida por muitos meses, ou não por todos os seus membros. E quer também dizer que visa atingir países terceiros, por razões econômicas ou políticas. As razões econômicas incluem eliminar novos produtores que pretendem afirmar-se a custos de produção mais elevados; caso os produtores de recursos fósseis «não convencionais» – designadamente os shale e tight nos EUA, os extrapesados do Canadá e Venezuela, o polar da Rússia, o offshore profundo nas margens das bacias do Atlântico e Índico. E bem assim, tentar travar as indústrias que inovam na expansão de fontes de energia alternativas – renováveis e nuclear. As razões políticas incluem a guerra econômica por via da depreciação de commodities, embargos e sanções, subversões e agressões, de que vários países são alvo no quadro dos objectivos geopolíticos ou financeiros do imperialismo, com alvos evidentes no Médio Oriente (Irão), Eurásia (Rússia e bacia do Cáspio) e América Latina (Venezuela). A sucessão de eventos sugere que haja confluência deliberada entre várias frentes de ofensiva política e econômica."

A crise que vem afectando a economia mundial tem manifestações, causas e efeitos múltiplos que se entrecruzam e são impossíveis de isolar. Uma dessas manifestações tem sido a variação extrema de preço do petróleo e do gás natural, matérias-primas que asseguram 57% do aprovisionamento mundial de energia. Tais oscilações deveriam ver-se repercutidas no volume dos respectivos fluxos, mas assim não foi; de 2006 a 2014 o volume de produção mundial cresceu quase que regularmente, e a contribuição da OPEP manteve-se quase estável. Também no sector da refinação se registrou um incremento paulatino da capacidade instalada e do volume de produção. Observando o registro dos consumos, confirma-se uma tendência de ligeiro crescimento do consumo global, mais acentuado no caso do gás do que do petróleo, sem prejuízo de uma ligeira quebra em 2009 em consonância com o choque de 2008-09.

Um preso político no Brasil democrático

Além de Igor mendes, a polícia Brasileira quer prender também Karl Marx.
Um preso político no Brasil democrático
por Anne Vigna 




Detido desde dezembro de 2014 por ter participado dos protestos durante a Copa do Mundo, Igor Mendes é considerado preso político pela ONG Tortura Nunca Mais; há mais 23 réus no processo cheio de falhas e lacunas

Três jovens do Rio de Janeiro foram agraciados este ano com a Medalha Chico Mendes de Resistência, concedida tradicionalmente no dia 31 de março pela ONG Tortura Nunca Mais. Assim como os combatentes das ditaduras do Cone Sul, também homenageados com a medalha, esses jovens, representados por suas mães na cerimônia, foram vítimas da violência do Estado – agora em regime democrático. Dois deles foram assassinados por policiais da UPP Manguinhos; o terceiro, Igor Mendes, está em uma cela no presídio de Bangu. Os três casos ainda estão em julgamento.

Jandira Mendes, mãe de Igor, recebe a Medalha Chico Mendes de Resistência ao lado de José Pimenta, do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo). Foto: Anne Vigna

O reconhecimento de Igor Mendes como “preso político” por essa e outras respeitadas organizações de direitos humanos deveria servir de alerta para a sociedade de um país democrático. Mas nenhuma linha sobre o assunto apareceu nos jornais no dia seguinte à cerimônia do Tortura Nunca Mais. Para a maioria dos cidadãos, Igor é apenas um dos “vândalos” presos nos protestos de 2014 contra a Copa do Mundo, tal como foi noticiado exaustivamente pela TV.

Para que nunca mais aconteça

Para que nunca mais aconteça
por Ângelo Alves

"Cerca de metade das vítimas da II Guerra Mundial foram soviéticos. Não há revisionismo histórico que possa apagar esta realidade. Não há operações de reescrita da História que possam eliminar factos como o de ter sido o Exército Vermelho a combater sozinho em 1942 cerca de 98 por cento da força militar nazi-fascista, na Frente Leste. Não há anticomunismo que permita retirar da realidade histórica a resistência heróica do povo e do exército soviético, como durante os 872 dias de cerco a Leningrado. Não há mentiras ou ocultações que apaguem da História o papel determinante das grandes batalhas como a de Stalinegado – que marcaria definitivamente a viragem na guerra e o início da impetuosa contra-ofensiva soviética – ou a de Kursk, «a maior batalha da História», onde foram eliminadas 50 divisões do exército nazi-fascista. Não há deturpação histórica que faça esquecer que o desembarque na Normandia pelas forças britânicas e norte-americanas apenas acontece quando era já dado adquirido que a União Soviética estava em condições de libertar, apenas com as suas próprias forças, toda a Europa."

Glória Eterna á Luta do exército Vermelho, do Povo Soviético e do PCUS - sob a direção do Camarada Stálin - para derrotar a coisa mais monstruosa gerada e parida pelo Capitalismo : O Nazi-fascismo.


A 2 de Maio de 1945 o exército da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas tomava o Reichstag. A bandeira vermelha com a foice e o martelo, hasteada por um soldado soviético, ondulava em Berlim. Passados alguns dias, a 8 de Maio de 1945, a Alemanha nazi assinava a sua rendição incondicional. A 9 de Maio o povo soviético comemorava em Moscovo a vitória na «Grande Guerra Patriótica», fazendo esse dia passar à História como o «Dia da Vitória». 

Tinha terminado a II Guerra Mundial no continente europeu, seguir-se-ia a derrota do Japão imperial no continente asiático. A Humanidade haveria ainda de conhecer terríveis crimes como os de Hiroshima e Nagasaki perpetrados pelos EUA quando o Japão já estava militarmente derrotado e se preparava para assinar a sua rendição.

Foi em Maio que se pôs fim à maior tragédia que a História da Humanidade já conheceu e que custou a vida a mais de 50 milhões de seres humanos. Para trás ficaram anos de destruição de países inteiros com o «império» nazi e as ditaduras fascistas a ocuparem a quase totalidade da Europa continental. Cidades inteiras foram arrasadas, autênticos genocídios foram cometidos (só a URSS perdeu 15 por cento da sua população) pelas hordas nazi-fascistas. Os campos de concentração, as câmaras de gás, os fuzilamentos e os enforcamentos em massa ficaram como símbolos da barbárie que não devemos esquecer.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Ucrânia : Odessa não esquece

Odessa não esquece
por Luís Carapinha


"Indubitavelmente a matança por muitos apelidada de Khatyn de Odessa, em referência à aldeia bielorrussa incendiada em 1943 pelos nazis, exibe as marcas do regime antidemocrático e terrorista no poder em Kiev, graças ao apoio dos EUA e UE."


Cumpriu-se o primeiro aniversário dos sangrentos acontecimentos de 2 de Maio em Odessa que culminaram com o incêndio e a chacina na Casa dos Sindicatos, ceifando a vida de mais de 40 antifascistas ucranianos. A funesta data foi assinalada sob mordaça e forte aparato militar na cidade herói do Mar Negro, de reconhecidas tradições revolucionárias – por ali passou a revolução russa de 1905-07 e após a Revolução de Outubro, em Janeiro de 1918, foi proclamada a efémera República Soviética de Odessa. Sinal dos tempos que a Ucrânia atravessa, pela primeira vez desde o fim da II Guerra não se realizou a tradicional manifestação do 1.º de Maio. 

Ainda assim, tiveram lugar concentrações que reuniram comunistas e antifascistas ucranianos. Nas vésperas do 9 de Maio o poder saído do golpe de Estado da Maidan, em Fevereiro de 2014,teme novas expressões populares de repúdio da ditadura nacionalista oligárquica vigente. A Junta de Kiev que não hesitou em lançar uma guerra fratricida no Donbass – por agora semi-suspensa em regime de baixa-média intensidade mercê do acordo de cessar-fogo de Minsk II –, comporta-se em Odessa como um poder ocupante.

A 2 de Maio de 2014 uma chusma de grupos apoiantes da Maidan e arruaceiros, em que pontificavam membros de estruturas neonazis que funcionaram como tropa de choque do golpe de 2014, caso das «forças de autodefesa da Maidan» e do «sector de direita», realizaram uma marcha incendiária nas ruas de Odessa. Armados com bastões, machados, coktails molotov e armas de fogo, aos brados de «glória à Ucrânia» (lema das organizações nacionalistas de Stepan Bandera, cúmplices do ocupante nazi e responsáveis por inúmeras atrocidades na II Guerra, que o parlamento ucraniano proclamou recentemente como «combatentes da liberdade»), «por uma Ucrânia unida», «morte aos inimigos» e palavras de ordem anti-russas, os integrantes da coluna fascista, muitos não residentes em Odessa, provocaram desacatos e confrontos com os participantes de uma concentração antimaidan. 

"Quo vadis", Europa?

"Quo vadis", Europa?
por ANTÓNIO AVELÃS NUNES

"Na verdade, é de ‘guerra’ que se trata quando os estados mais fortes e mais ricos da Europa humilham os povos dos países mais débeis, ‘castigando-os’ em público com ‘penas infamantes’ e condenando-os a um verdadeiro retrocesso civilizacional em nome da verdade dos ‘catecismos’ neoliberais impostos pelo grande capital financeiro. Sob a capa de soluções ‘técnicas’, o chamado Tratado Orçamental constitui um verdadeiro «golpe de estado europeu» (R.-M. Jennar), que dá corpo a uma visão totalitária que suprime o que resta das soberanias nacionais, ignora a igualdade entre os estados-membros da UE, ofende a dignidade dos chamados ‘povos do sul’ e dos seus estados, e aponta para a colonização dos pequenos países pelos grandes."

A intensificação da exploração capitalista e a limitação e repressão crescentes de direitos e liberdades fundamentais conquistados por décadas de duras lutas populares, são duas faces da mesma moeda. O desenvolvimento de tendências autoritárias (e mesmo fascizantes) é uma perigosa realidade da hora actual, bem visível, por exemplo, nas medidas securitárias que, a pretexto do «combate ao terrorismo», estão a ser postas em prática na União Europeia em cooperação estreita com os EUA. Menos visível mas não menos perigosa é a estruturação e institucionalização pelo capital financeiro especulativo, que hoje comanda o sistema capitalista, de um poder cada vez menos democrático na própria forma e cada vez mais autoritário e repressivo no conteúdo. É para isso que chama a atenção este artigo que mostra que o problema é tão grave que inquieta seriamente economistas que de modo algum põem em causa o sistema antes procuram limar-lhe as mais perigosas contradições

«Imaginemos, por um momento – escreve Joseph Stiglitz –, como seria o mundo caso houvesse livre mobilidade da força de trabalho, mas nenhuma mobilidade do capital.» E a sua resposta é esta: «Os países competiriam para atrair trabalhadores. Prometeriam boas escolas e um bom ambiente, assim como impostos altos sobre o capital.»

Mas o mundo globalizado em que vivemos não se apresenta deste jeito, antes é governado pelo princípio da liberdade absoluta de circulação de capitais, num mercado único de capitais à escala universal. Aspolíticas de globalização neoliberal favorecem o grande capital financeiro, porque foram moldadas por poder político cada vez mais identificado com a ditadura do grande capital financeiro.

A voz do dono torna a censura obsoleta

A voz do dono torna a censura obsoleta
por Manuel Augusto Araújo [*]


"As diferenças entre órgãos de comunicação mais sérios ou mais populares são variações de estilo, variantes do mesmo estado das coisas. Biombos que, quando retirados, mostram uma obscena uniformidade. Uniformidade que se estende das peças jornalísticas às de opinião, com os comentadores escolhidos a dedo. Aqui, há que fazer uma nota às condições de trabalho dos jornalistas que se degradaram e continuam a degradar brutalmente. Precariedade, despedimentos, utilização de trabalho dos estagiários gratuito ou quase, a porta da rua sempre aberta, imposição de critérios editoriais condicionados aos interesses dos patrões, os partidos dos patrões, do absolutismo do pensamento dominante, retiraram e retiram, progressivamente, a autonomia jornalística."
"Diariamente, o mundo é bombardeado por mentiras propaladas por essa gente que se apresenta, como se pode ler na referida carta, como os cruzados na defesa desse bem universal que é a informação. "

A cada esquina da comunicação social está reservada uma surpresa. A última foi ler a carta de princípios "Pela Liberdade de informação" , subscrita pelos directores editoriais dos principais jornais, revistas, rádios televisões de informação geral, provocada pela alteração da lei sobre a cobertura jornalística das campanhas eleitorais. 

A lei é um completo disparate. Assim que foi conhecida, a sua morte foi anunciada. A indignação que provocou nos meios jornalísticos, agora consubstanciada nessa carta, figura uma defesa implacável da liberdade de imprensa. Na realidade deveria provocar uma imensa indignação pela hipocrisia, o cinismo dos senhores directores entrincheirados em tiradas grandiloquentes "o direito à informação deve ser salvaguardado, com respeitados princípios da liberdade, independência e imparcialidade dos órgãos de comunicação social e dos jornalistas face a todas as forças políticas e a todas as candidaturas" ou " a cobertura jornalística da campanha eleitoral deve ter a ponderação entre o principio da não discriminação das candidaturas e a autonomia e liberdade editorial dos órgãos de comunicação social". 

Perigosamente já pouco revolta essa verborreia, eivada de tamanha doblez e desplante, depois de anos e anos de convivência com uma comunicação social estipendiada aos interesses económicos dominantes, que usam o direito à informação, os princípios da liberdade, independência e imparcialidade, os princípios da não discriminação enquadrados pela autonomia liberdade editorial, como balizas para impor um ambiente geral de propaganda, de terror ideológico totalitário que substituiu os visíveis actos censórios, a violência autoritária da censura no fascismo, por uma quase invisível mas onipresente fina e sofisticada rede que filtra toda a informação, instalando, tanto a nível nacional como mundial, uma colossal máquina de guerra, poderosíssima e eficaz, que controla e manipula a informação. Diariamente, o mundo é bombardeado por mentiras propaladas por essa gente que se apresenta, como se pode ler na referida carta, como os cruzados na defesa desse bem universal que é a informação. 

Na verdade são a tropa de choque, os mercenários do poder da classe dominante!