Pesquisa Mafarrico

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domingo, 24 de abril de 2016

O que significa hoje internacionalismo?

" O que significa hoje internacionalismo?"
por Domenico Losurdo

"Nada se compreenderá da luta entre o colonialismo e o anti-colonialismo, entre o imperialismo e anti-imperialismo, se não se tiver em conta que ela é conduzida inclusive no plano econômico. Imediatamente após a revolução liderada por Toussaint Louverture ( Haiti ), Thomas Jefferson declarou que queria reduzir à “inanição” o país que teve a audácia de abolir a escravatura. Esta mesma história repetiu-se no séc. XX. Imediatamente após Outubro de 1917, Herbert Hoover, na época um alto funcionário da administração Wilson e mais tarde presidente dos Estados Unidos usou explicitamente a ameaça de "fome absoluta" e de "morte por inanição” não apenas contra a Rússia soviética, mas contra todos os povos propensos a deixar-se contagiar pela revolução bolchevique. "

Como pode exprimir-se hoje o internacionalismo? A situação mudou radicalmente em relação ao passado. Sob o ímpeto da falência do projeto hitleriano de retomar e radicalizar a tradição colonial, identificando na Europa de Leste o Velho Oeste a colonizar e germanizar, sob o ímpeto de Estalinegrado e da derrota infligida ao nazi-fascismo logo após a II Guerra Mundial, desenvolveu-se uma revolução anti-colonialista à escala planetária. Não foram apenas as colônias propriamente ditas a ser atingidas. Em países como os EUA e a África do Sul os povos de origem colonial rebelavam-se contra o estado racista e o regime da White supremacy. Ainda antes de encontrar expressão consciente nos partidos e forças de esquerda, o internacionalismo estava nos factos: abraçava os povos coloniais e de origem colonial, os países socialistas que apoiavam a revolução anti-colonialista e anti-racista, as massas populares do Ocidente que tinham sacudido o jugo do fascismo e que por vezes, como aconteceu com a Itália, puderam consagrar na Constituição a rejeição da guerra e da política de guerra e de hegemonia.

A revolução anti-colonial ontem e hoje

Para responder à pergunta inicial (como se configura hoje o internacionalismo?) devemos colocar uma pergunta preliminar: o que significa hoje a gigantesca revolução anti-colonial estimulada pela Revolução de Outubro e acelerada por Estalinegrado? Não, essa revolução não desapareceu. Numa realidade como a palestiniana o colonialismo continua a subsistir na sua forma clássica, como demonstram a ininterrupta expansão das colônias israelitas nos territórios ocupados, a consequente expropriação, deportação e marginalização do povo palestino e a difusão de um regime de Apartheid, de acordo com a definição do próprio Jimmy Carter, antigo presidente dos EUA. E, todavia, não obstante a superioridade e o uso bárbaro da máquina de guerra israelense, apoiada pelos EUA e pela própria União Europeia, não obstante tudo isso, o povo palestino resiste heroicamente. A solidariedade com aquele que é nos nossos dias o povo mártir por excelência é um elemento essencial do internacionalismo.

Geopolítica do sistema de Banco Central

Geopolítica do sistema de Banco Central


"Na realidade, o argumento de que a independência do banco central é justificada pela necessidade de controlar políticos que podem ser excessivamente inclinados a fazer rodar a máquina de imprimir dinheiro não passa de pretexto para um assalto político ao poder, pelos atores econômicos dominantes – os proprietários dos grandes bancos. Com o advento dos bancos centrais, o Estado como entidade política entregou o controle sobre a própria moeda – uma de suas prerrogativas soberanas –, aos interesses especiais do business dominante. Esse movimento, que implica renúncia e perda, mina a integridade de qualquer política."

"Dentre os cérebros do Banco Mundial, dominado pela finança anglo-saxônica, já esteve Paul Wolfowitz, amigo da família Bush, defensor do 'trotskismo' e do neoconservadorismo da Escola de Chicago e ex-alto oficial do Pentágono. Em 2007, Wolfowitz teve de demitir-se da presidência do Banco Central, envolvido que estava num escândalo de nepotismo. Em 2014, outro escândalo irrompeu, justamente quanto o Banco Mundial recuperava sua estabilidade financeira apertando o cinto e inflando os próprios recursos, graças a aumentos no custo dos empréstimos que distribuía, e suas apostas no mercado. Além do fato evidente de que elevar os custos dos empréstimos agredia o objetivo oficial de erradicar a pobreza, os cortes nas despesas nunca passaram de hipocrisia, porque os prêmios e bônus distribuídos no mesmo ano a vários dos altos executivos do Banco não foram de modo algum 'enxugados'."

 "Deixem-me controlar o dinheiro do país e nem me importa quem escreva as leis"[Mayer Amschel Bauer, 1º da dinastia Rothschild]


A gênese da ordem oligárquica do banking: do sistema de banco central às instituições financeiras[1]
O conceito de Banco Central depende da centralização das questões monetárias em mãos de banqueiros de bancos centrais controlados por banqueiros privados. A política monetária é assim gerida, por sua própria natureza, para satisfazer os interesses da maioria dos acionistas dos principais bancos privados.

Bancos centrais que pertencem a atores financeiros privados que regulam as chamadas moedas soberanas [State currencies] e mais ou menos diretamente controlam todo o setor bancário privado são o núcleo mais duro da questão monetária. Bancos centrais[2] são assim o nervo central do sistema financeiro que temos hoje.

O conceito de banco central rapidamente se enfiaria por baixo do manto virtuoso da ortodoxia financeira, para se tornar palatável para o grande público. Não há quem não tenha ouvido dizer, em alguns casos repetidas vezes, que um banco central independente seria indispensável para impedir que políticos cometessem excessos na emissão de dinheiro. Duas constatações factuais põem por terra tal fantasia.[3]

sábado, 23 de abril de 2016

Se calarmos, as pedras gritarão

«Se calarmos, as pedras gritarão»
por Sílvia Ribeiro


"Não é apenas um episódio marcante da história do Movimento dos Sem Terra que Sílvia Ribeiro nos traz neste seu regresso ao Brasil. Não é apenas um episódio da luta heroica de centenas de famílias organizadas no Movimento dos Sem Terra, por terra, por trabalho, por pão, por paz, por vida.  
Sílvia Ribeiro relata-nos um episódio da luta contra a barbárie, mostra-nos o verdadeiro papel do Estado numa sociedade de classes, e ilustra a impunidade que gozam os seus servidores.   
Registre-se: foi no Brasil, era presidente da República Fernando Henrique Cardoso."

Raimundo Gouveia, 61 anos, tem um olhar sereno e profundo. Este 17 de abril de 2016, dia internacional da luta camponesa, recebe um grupo de companheiros da Via Campesina que viajaram de 28 países do mundo até ao seu assentamento «17 de abril», no Pará, Brasil.

É um território emblemático em tantos sentidos, que só com pisá-lo todos os sentidos despertam, apesar do solo e da humidade penetrarem em cada poro deste Estado amazônico. Olhos, coração e mente não param de registrar sentir e tratar de expressar-se em uníssono. Os companheiros do assentamento matam-nos a sede com água fresca, sumo de cajá e cupuaçu. Numa mesa comprida partilham uma diversidade de frutos amazônicos, cultivados no seu assentamento, e contam-nos a sua história.

Raimundo, tal como muitos das 690 famílias que hoje vivem neste assentamento, foi ao inferno e voltou. Há 20 anos caminhava com a sua mulher, os seus dois filhos e mil e quinhentos camponeses, homens e mulheres, do Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra (MST), para Belém, capital do Estado. Exigiam a entrega de terras do latifúndio Fazenda Macaxeira que, por lei da reforma agrária, devia ser entregue aos camponeses sem terra. Depois de sete dias a caminhar, cansados e famintos, ocuparam uma estrada no município Eldorado dos Carajás para pedir transporte até Belém. O governo prometeu-lhes 50 autocarros e alimentos se desocupassem a estrada, pelo que se saíram para uma berma. Na manhã de 17 de abril comunicaram-lhes que não lhes dariam nada e deviam sair daquele lugar imediatamente. Então, os camponeses decidiram ocupar outra via mais importante, a chamada Curva S da estrada PA 150, agora BR155.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Hienas da guerra híbrida estraçalham o Brasil


Hienas da guerra híbrida estraçalham o Brasil
por Pepe Escobar

"Que essa farsa barata sirva como toque de despertar, não só para os países BRICS, mas para todo o Sul Global. Quem precisa de OTAN, "responsabilidade de proteger" ou "rebeldes moderados", se você pode obrar sua mudança de regime só com uma cutucada no sistema político/judicial das nações?"


"E é aí que mora a beleza desse capítulo da Guerra Híbrida, de golpe/mudança-de-regime/revolução colorida, quando encenada numa nação tão dinamicamente criativa como o Brasil. A sala de espelhos gera um simulacro político que mataria de inveja desconstrucionistas como Jean Baudrillard e Umberto Eco, se ainda vivos: um Congresso lotado de idiotas/traidores/escroques que já estão sendo investigados por corrupção, que conspira para depor uma presidenta que não é alvo de nenhuma investigação por corrupção (ou qualquer outra) – e não cometeu qualquer "crime de responsabilidade"."

"Mas antes de ser encerrada, a Operação Lava-jato tem de produzir algum escalpo de alto escalão. E terá de ser Lula atrás das grades – em comparação com o que, a crucifixão de Rousseff é fábula de Esopo. A mídia-empresa, comandada pelo nocivo império da Rede Globo, saudará a prisão de Lula como a vitória máxima possível, e ninguém se incomodará com a aposentadoria forçada da investigação da Operação "Car Wash"."

A noite tenebrosa, repulsiva, quando a presidenta da 7ª maior economia do mundo foi a presa da hora escolhida por gangue de linchadores, hienas em matilha, naquele Circus Maximus provinciano em Brasília, está inscrita para sempre nos anais da infâmia.

Por 367 votos a favor e 137 contra, o impeachment/golpe/mudança-de-regime soft contra a presidenta Dilma Rousseff passou no circo dos deputados do Congresso do Brasil e irá agora para o Senado, onde uma "comissão especial" será definida para redigir um parecer. Se aprovado, Rousseff será afastada da presidência por 180 dias e um Brutus tropical subalterno, o vice-presidente Michel Temer, assumirá o governo, até o veredito final do Senado.

Que essa farsa barata sirva como toque de despertar, não só para os países BRICS, mas para todo o Sul Global. Quem precisa de OTAN, "responsabilidade de proteger" ou "rebeldes moderados", se você pode obrar sua mudança de regime só com uma cutucada no sistema político/judicial das nações?

A Suprema Corte Brasileira ainda não analisou o mérito do caso – não, pelo menos, até agora. Não há qualquer prova de qualquer tipo de que Rousseff tenha cometido "crime de responsabilidade"; ela fez o que todos os presidentes dos EUA fazem desde Reagan – para nem falar de outros governantes em todo o mundo; assim como o vice-presidente, o Brutus de pernas curtas, Rousseff agiu com criatividade sobre os números do orçamento federal.

A História acelera seus passos, mas quem dá a direção?

A História acelera seus passos, mas quem dá a direção?

por  Felipe Coutinho*

"A direção do espetáculo está sob controle do capital internacional. Na agenda política a entrega do pré-sal às multinacionais, a privatização das estatais, a menor participação do Estado no setor financeiro, a contra reforma da previdência, a abertura das licitações públicas às multinacionais da construção civil, a prioridade ao pagamento dos juros da dívida pública, o fim da valorização real do salário mínimo, a desindustrialização, o fim dos programas nuclear e espacial brasileiros, os acordos de livre comércio com EUA e Europa, além do afastamento do Brasil em relação aos BRICS e à América Latina. Ainda na agenda, a legalização da terceirização nas atividades fins das empresas, a lei “antiterrorismo” para repressão aos movimentos sociais e a independência formal do Banco Central em relação aos governos eleitos, para legalizar sua subordinação aos banqueiros privados. Esta agenda pode ser imposta à atual presidenta, ou ser adotada por outro que se estabeleça, caso a maioria da população permaneça alienada em relação ao que está realmente em jogo."

O Brasil vive dias turbulentos e faz parte de um mundo controlado pelo capital financeiro e em crise. São crises na ordem econômica, ambiental, humanitária, diplomática, além da barbárie das guerras. Povos são divididos pelo acirramento das diferenças religiosas, étnicas, culturais, da língua que se fala e da origem imigrante ou regional. Não percebem que são manipulados, jogados uns contra os outros, enquanto se disputa a nova partilha do poder político para atender a interesses econômicos particulares. 

Quando as taxas de lucro médias diminuem, se a economia não cresce, enquanto as dívidas se acumulam, os recursos naturais ficam escassos e caros de se obter, quando novos assalariados baratos não são incorporados em número suficiente, é nesta conjuntura que a conciliação entre interesses contraditórios fica mais difícil. Nestes momentos já não é possível conciliar salários em crescimento, pleno emprego e direitos sociais com a concentração dos capitais. Frações entre os capitalistas, empreiteiros cartelizados, banqueiros oligopolistas e concessionários dos meios de comunicação, e de outros serviços públicos, disputam o Estado para obter maiores vantagens relativas. A balança entre a influência dos capitais de origem estrangeira e nacional no aparato de Estado se ajusta. A participação direta do Estado no capitalismo produtivo e financeiro muda à serviço de quem dá a nova direção. 

A corrupção, em seus aspectos legais e ilegais, é o resultado da busca pelo maior lucro possível na disputa entre empresários ou banqueiros. Não é a principal causa dos males daqueles que vivem do trabalho honesto e do salário, é o resultado sistêmico da organização econômica na qual muitos trabalham e poucos, cada vez menos, acumulam. Periodicamente a corrupção é descoberta, alguns agentes são punidos, políticos expurgados ou presos, são apenas os fusíveis que quando queimados preservam o funcionamento do sistema. Os meios e as motivações para promover a corrupção ficam intocados. A propriedade das empresas corruptoras e dos bancos que lavam mais branco são preservadas. A concentração do capital, a busca pelo lucro máximo e a tendência à formação de cartéis segue seu rumo. 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Banca no sistema de exploração capitalista

A Banca no sistema de exploração capitalista
por MIGUEL TIAGO


"É a própria natureza da banca no sistema capitalista que deve ser identificada e é o embuste da regulação e supervisão que devem ser desmascarados. Os custos de ter uma banca ao serviço dos monopólios e de grandes grupos econômicos são demasiado elevados para que exista qualquer justificação para manter a banca nas mãos desses mesmos grupos, pois, no fim da linha, são sempre os trabalhadores que vão pagar o próprio assalto de que foram vítimas. Não podemos esquecer que não é o Estado que paga a dívida da banca, são os trabalhadores. O Estado é o instrumento utilizado pelos monopólios para concretizar a operação."

A crise do sistema capitalista teve repercussões tremendas no sector financeiro, que se traduziram em consequências dramáticas para os povos do mundo, com o comprometimento dos Estados na salvação e resgate de instituições bancárias gigantescas, muitas delas, partes de grupos monopolistas que integravam ou integram componentes financeiras e não financeiras. A fusão do capital bancário1 com o capital produtivo2 e a constituição do capital financeiro3 criou uma constituição do capital que interliga as suas componentes de forma indissociável. A função criadora de mais-valia do capital industrial passa a estar interligada e interdependente da função de apropriação do capital bancário, fazendo com que a ascensão dos grandes grupos econômicos e dos monopólios tenha efeitos que vão muito além dos que se relacionam com problemas de «concorrência».

Como resultado da crise mundial que se revela nos finais de 2007 e durante o ano de 2008, o capitalismo agravou a sua ofensiva contra os trabalhadores e os povos de todo o mundo. Ao contrário do que muitos esperavam, o capitalismo não viria a ruir ou a «cair de podre». Pelo contrário, a natureza agressiva do imperialismo agravou-se e novas formas de acumulação, especulação e concentração foram encontradas para alimentar o funcionamento do sistema capitalista, cujo centro nevrálgico se deslocou para o sector financeiro, resultado precisamente da referida fusão do capital bancário e capital produtivo. No entanto, o funcionamento do sistema foi sempre camuflado, escondido, mascarado, quer pela banca propriamente dita, quer pelos estados e aparelhos políticos ao seu dispor. Ou seja, não apenas a banca e o sector financeiro em geral se afastaram da percepção pública, realizando um número cada vez maior de operações especulativas, sem qualquer base material ou produtiva; como os estados – por força do controlo político da classe dominante – serviram de instrumento para permitir que a exploração, a especulação e a apropriação de mais-valias crescessem de forma exponencial, garantindo a alimentação da máquina de lucros que faz funcionar o capitalismo.

Panamá papers

A propósito dos Papéis do Panamá e o capitalismo
Tira o capitalismo da chuva…
por Agostinho Lopes 

"Articulado com os que julgam que o escândalo dos Papéis do Panamá nada tem a ver com as estruturas e dinâmicas do capitalismo financeiro, surge um significativo número de jornalistas e comentadores que de facto o «salvaguardam», por via de conhecidos bodes expiatórios. É a legislação que é errada ou insuficiente e/ou os «reguladores» que são impotentes e/ou incapazes, e nesta tônica estão os que reduzem o problema a quase só uma questão fiscal; outra focagem é na «natureza humana», na «crise de valores», nos comportamentos não éticos de agentes econômicos. Havendo para todas as cores e paladares, o grande debate parece ser entre os que resumem a coisa ao cumprimento da lei, e os que pensam que, mais do que as normas legais, estão em causa os procedimentos morais e éticos. Há ainda os que entrelaçam a lei e a ética, mas todos ficam longe de uma qualquer responsabilização do capitalismo. Diluem a sua responsabilidade na «natureza humana» e na falta, ou não aplicação, da lei. "
" E também é bom que se diga que não houve um tempo «ético» do capitalismo, em qualquer das suas fases. Não foi ético o tempo da «acumulação primitiva» com o saque do ouro e da prata e o tráfico dos escravos. Não foi ético o tempo da Revolução Industrial com os horários de sol a sol e a utilização desenfreada de mulheres e crianças. Não foi ético o tempo do século XX, onde as confrontações entre potências capitalistas pelo domínio de territórios/mercados e recursos mineiros e agrícolas, desencadearam a I e a II Grandes Guerras mundiais. E todas as intervenções e agressões militares que vieram a seguir, até aos dias de hoje! E que hoje continuam…"

Tira o capitalismo da chuva… senão molha-se! Isto é, tira o capitalismo da chuva… de Papéis do Panamá. Uma verdadeira sinfonia concertante dedicou-se a garantir que o capitalismo não tem nada a ver com o escândalo (mais um) posto a nu pelos chamados Papéis do Panamá. Ou seja, os paraísos fiscais, as sociedades offshore, são uma excrescência financeira de uns quantos ladrões e outra gente de má fama (excepto, segundo parece, dos EUA) – banqueiros, políticos, escritórios de advogados, administradores de grupos econômicos, – e não o capitalismo em acção.

Golpe paraguaio no Brasil - Congressistas transformam o Brasil em "republiqueta bananeira"

Cunha presidente da Câmara de deputados
Golpe de Estado em marcha no Brasil
Perigoso passo antidemocrático

"Houve intervenções abertamente provocatórias e desrespeitadoras e cartazes com «tchau querida» [parodiando uma expressão usada por Lula da Silva em conversa telefónica com Dilma Rousseff, difundida ilegalmente pelo juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro]. Importa porém reter que da parte da direita sobejaram as invocações divinas e desejos messiânicos; justificou-se o voto «sim» pelos familiares e amigos, vivos, mortos e vindouros, havendo casos em que era possível perceber uma parte da árvore genealógico do orador; terras, lugares, lugarejos e o próprio Brasil foram chamados à colação – um desfile de discursos que em nada se referiram às alegadas irregularidades cometidas por Dilma Rousseff, e que em tudo foram próximos do «Deus, Pátria e Família» proferido pelo ditador fascista português Salazar. O deputado Jair Bolsonaro dedicou o seu voto ao coronel Ustra, que torturou Dilma Rousseff. O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra é conhecido como uma das mais sinistras figuras da história do Brasil, responsável por perseguições, tortura e morte de opositores à ditadura militar. Em 2008, Ustra tornou-se o primeiro militar a ser reconhecido pela Justiça como torturador."
"A bancada da bíblia no congresso Brasileiro, é composta por fascistas cristãos que defendem com veemência, a erradicação dos “desviantes sociais”, a começar pelos comunistas e os homossexuais, e avança sobre os imigrantes, os humanistas seculares, feministas, muçulmanos e aqueles que rejeitam como "cristãos nominais", como são denominados os fiéis que não aceitam a sua interpretação pervertida e herética da Bíblia. Os que se opõem a este movimento de massas são condenados por constituírem uma ameaça à saúde e higiene do país e da família. Todos devem ser expurgados" ( O Mafarrico Vermelho)

A Câmara dos Deputados admitiu, domingo, o processo de destituição da presidente brasileira.Dos 513 deputados da câmara baixa do Congresso do Brasil, 367 pronunciaram-se a favor do relatório aprovado na comissão parlamentar que avaliou o pedido de destituição de Dilma Rousseff por alegados delitos de responsabilidade. 137 eleitos rejeitaram o texto.Na mais longa e provavelmente mais peculiar das sessões do parlamento do Brasil, o documento, lido antes do início da votação (ocorrida entre a tarde domingo e a madrugada de segunda-feira em Portugal), bem como as supostas ilegalidades cometidas pela presidente, estiveram longe do centro das atenções.