Pesquisa Mafarrico

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domingo, 31 de março de 2013

O terrorismo de estado da administração Obama

O terrorismo de estado da administração Obama
por Miguel Urbano Rodrigues


"Crimes abjectos foram cometidos no Iraque, no Afeganistão, na Líbia. Tribos da Somália e do Iémen são bombardeadas com frequência em guerras não declaradas. A Intervenção militar no Uganda inseriu-se nos planos do Africa Comand que se propõe instalar naquele Continente um exército permanente de 100 000 homens. No Iraque, na Síria e no Afeganistão, os EUA criaram «esquadrões da morte» inspirados no modelo salvadorenho para assassinar «inimigos» cujos nomes constam de listas elaboradas pela inteligência militar (Chossudovsky, Global Research,4.1.13)"


A crise que a Humanidade enfrenta não tem precedente. Pelas suas características, por ser global e universal, difere das anteriores.

A maioria da Humanidade tem dificuldade em compreender a sua gravidade e dar-lhe combate porque uma monstruosa engrenagem de desinformação transforma a mentira em verdade e o crime em virtude. Utilizando-a como instrumento de uma estratégia de dominação planetária, o sistema de poder dos Estados Unidos tenta – com a cumplicidade dos governos da União Europeia e do Japão - criar sociedades de senhores e escravos de novo tipo, povos robotizados, um mundo que responda aos interesses do grande capital, erigido num valor supremo, quase divinizado.

Para atingir esse objectivo, o imperialismo evoluiu numa metamorfose complexa. As guerras interimperialistas pertencem ao passado. Contradições entre grandes potências e gigantes transnacionais não desapareceram, mas não são já antagónicas.

Um imperialismo colectivo hegemonizado pelos EUA substituiu o imperialismo, responsável pelas guerras mundiais do seculo XX.

O pólo (e motor) desse novo imperialismo situa-se nos EUA e é ele que, pela sua agressividade e irracionalidade, configura uma ameaça à humanidade.

Hoje são os intelectuais progressistas dos EUA os primeiros a denunciar esse perigo que, pelo funcionamento do sistema e a sua tendência exterminista, pode conduzir à extinção da vida na Terra.

Cito entre outros Noam Chomsky, James Petras, Ramsey Clark e o falecido Howard Zinn.

sábado, 30 de março de 2013

Os defensores do projecto europeu que se dizem de esquerda


União Européia- UE : O COMEÇO

Maldição de Malinche:
Os defensores do projecto europeu que se dizem de esquerda
por Bruno Carvalho
 
"Em nome de um suposto internacionalismo, há quem na blogosfera cuspa que os que lutam contra a União Europeia e o euro não estão mais do que contaminados pela deriva nacionalista e que servem – ainda que não o saibam – um futuro nacional-socialismo. Estes, que se atrevem a pôr em causa a luta anti-imperialista de outros povos, como por exemplo, o papel de Hugo Chávez na construção de uma alternativa política na América Latina, não fazem mais do que reforçar o projecto das grandes potências capitalistas. Defender a União Europeia a toda o custo é defender um instrumento que não teve e não tem outro objectivo que o de garantir e reforçar o poder político e económico das potências do norte da Europa."


Enquanto escuto a mexicana Amparo Ochoa, recordo o entusiasmo sincero de uns e oportunista de outros quando os índios zapatistas se levantaram em armas em Chiapas. Foi a 1 de Janeiro de 1994 e, desde então, não mais cessou a romaria política àquela região da América do Norte. Os mesmos que alimentavam o eurocomunismo e abriam as portas à União Europeia desfaziam-se em simpatias por aqueles rebeldes que subcomandados por Marcos se sublevaram no mesmo dia em que entrava em vigor o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos e o Canadá.

sexta-feira, 29 de março de 2013

A guerra do ocidente contra a África

A guerra do ocidente contra a África
 
por Dan Glazebrook*
 
 "A imagem clássica da África, difundida pela imprensa-empresa ocidental – um saco gigante, cheio até a boca de guerras infindáveis, fome, crianças abandonadas – cria a ilusão de um continente que dependeria existencialmente do que lhe dê a caridade ocidental. A verdade é exatamente o contrário disso. O ocidente é que depende existencialmente do que extraia da África."


O que o ocidente obtém da África é obtido de várias, muitas maneiras. Dentre essas maneiras, os fluxos ilícitos de recursos; os lucros que, invariavelmente, acabam nos cofres dos bancos ocidentais pelas trilhas dos paraísos fiscais, como já está fartamente documentado no livro PoisonedWells [Poços envenenados], de Nicholas Shaxson. Ou pelo mecanismo de extorsão do sistema das dívidas nacionais, pelo qual bancos ocidentais emprestam dinheiro a governantes militares, quase sempre postos no poder com a ajuda de forças ocidentais, como Mobutu, ex-presidente do Congo; esses governantes apropriam-se do dinheiro emprestado, quase sempre em contas privadas no próprio banco que emprestou ao país, cabendo ao país a missão de pagar juros exorbitantes que crescem exponencialmente.

Pesquisa recente de LeonceNdikumana e James K. Boyce descobriu que mais de 80 centavos de cada dólar emprestado deixaram o país devedor em “voos do capital”, no período de um ano, sem jamais terem sido investidos no país devedor; e que US$ 20 bilhões são drenados da África, por ano, como pagamento “do serviço da dívida” desses “empréstimos” essencialmente fraudulentos.

Outra via pela qual a África serve ao Ocidente, muito mais que o contrário, é o saque de minérios. Países como a República Democrática do Congo são saqueados por milícias armadas que roubam recursos naturais do país e os revendem a preços inferiores aos dos mercados a empresas ocidentais; muitas dessas milícias são controladas de países vizinhos, como Uganda, Ruanda e Burundi, os quais, por sua vez, são patrocinados pelo ocidente - como relatam rotineiramente os relatórios da ONU.

E há também a via, talvez a mais importante, pela qual a África serve ao Ocidente, muito mais que o contrário: os preços escandalosamente baixos pagos na compra de matérias primas da África e, sempre, da força de trabalho africana que minera minérios, cultiva o que seja cultivável ou colhe o que tenha de ser colhido. Assim acontece que a África, de fato, subsidia os altos padrões de vida no ocidente e as empresas e corporações ocidentais.

A globalização da fome e da pobreza

A globalização da fome e da pobreza
por Jorge Messias


«O latifúndio no Brasil renovou-se e, hoje, administra um moderno sistema chamado agronegócio que controla terras e produção. Dados recolhidos no censo agropecuário de 2006 indicavam que o produto de 3,35% dessas unidades (todas acima dos 2500 hectares de extensão) corresponde a 61,57% do total obtido. No outro extremo, as herdades com menos de 100 hectares ocupavam 55,53% das terras aráveis» (Inácio Werner, quadro técnico católico, coordenador de projectos do Centro Burnier Justiça e Fé).

«A experiência do agronegócio brasileiro testemunha um novo colonialismo transnacional. Há grupos dominantes brasileiros em todos os países latino-americanos... Por exemplo, na Argentina, desde 2001 que um sem número de operações financeiras, fusões e aquisições, desloca 'activos' da burguesia nacional para a burguesia brasileira. Pode citar-se muitos exemplos: a aquisição da Pecom Energia pela Petrobrás; a compra da Quimes Alimentos e Bebidas pela Ambev; a absorção da Loma Negra (cimenteira produtora de metade do cimento argentino) pela Camargo Correia, etc., etc. Alguns exemplos de negócios, de entre centenas de outros deste tipo...» (Frederico Dala Firmino, «O novo colonialismo transnacional, 2010»).

«O Brasil bate todos os recordes na produção e exportação de alimentos. Mas o Brasil é hoje uma colónia americana e uma plataforma de exportação das transnacionais. A lição histórica mais importante que devemos retirar, do ponto de vista económico, político, social e cultural, é que se torna urgente romper, de vez, com o sistema capitalista e imperialista!» (Illaese/Goggle).


Digamos claramente: acabou-se a comédia do papa velho que dá lugar a um novo papa… Um folclore já visto. Falemos em... coisas sérias!

São conhecidas as dificuldades em que o capitalismo mundial se enredou. Um dos grandes problemas que se coloca aos banqueiros (se não o principal) consiste em constatarem que no sistema capitalista o dinheiro abunda mas a máquina da economia não produz. A continuar-se nesta situação, a derrocada final verificar-se-á dentro de muito pouco tempo. Por isso, um pouco por toda a parte, os novos e velhos ricos tentam imaginar formas para contornarem as dificuldades.

É o caso dos países da América do Sul, nomeadamente do Brasil, o seu Estado com maior superfície, o mais povoado, o mais rico em diversidade de matérias-primas; onde o fosso entre pobres e ricos é mais profundo, o sentimento religioso mais acentuado e a noção de unidade nacional e de pátria continuam bem vivas. Por outro lado, nunca sucessivas tiranias, a corrupção generalizada ou a vizinhança avassaladora do gigante norte-americano foram capazes de asfixiar o sonho popular de um futuro socialista. O Brasil é um espelho de contradições mas reflecte também as realidades da América Latina.

Em Portugal o PS , PSD, CDS são Iguais – também na hipocrisia

Os portugueses não podem ter memória curta, O PSD e o PS são farinha do mesmo saco!
Iguais – também na hipocrisia
por Carlos Gonçalves
 
"FMI, PR, PS, PSD e CDS são gémeos do mesmo ovo de hipocrisia e perfídia, de tal forma que a desfaçatez e a desvergonha ofendem o «senso comum» e tornam mais possível o esclarecimento e mais urgente uma alternativa de verdade, patriótica e de esquerda."
 
Coloca-se por vezes a questão de destrinçar as diferenças, por escanzeladas que sejam, entre as forças que apoiam e concretizam a política de direita – PS, PSD e CDS-PP. É claro que, vistas à lupa, descobre-se umas escassas nuances, de tonalidade ou de executante, porque quanto à substância do projecto, antipopular, inconstitucional e de abdicação da soberania, e quanto ao «CEO» que de facto decide e ao nababo que acumula o saque, o capital financeiro supranacional, aí não residem quaisquer variações.

Para o Governo, PSD e CDS, a hipocrisia é condição de sobrevivência. A «profunda preocupação» com o desemprego e as «dificuldades dos portugueses» é a oração obrigatória recitada no mesmíssimo segundo em que cavam o declínio nacional e decidem dezenas de milhares de «novas oportunidades» de miséria e de degradação social. A aleivosia está-lhes no DNA, é ver as lágrimas de crocodilo dos seus insuspeitos «comentadores» pelo salário mínimo que não aumenta, pelo «programa de assistência mal desenhado» e pelo Governo a carecer de «remodelação», tanta treta para que tudo – política e governo – fique na mesma.

Mas o PS não fica atrás na falsidade, talvez pela «génese social-democrata» ou pela «vocação de governo», propõe «coligações» onde já decidiu candidatos, mas recusa discutir a exigência de eleições antecipadas ou a mudança de política, anuncia uma «moção de censura» mas, «qual é a pressa»(?), eleições (e demissão do Governo) o mais tarde possível. A carta de vassalagem à troika estrangeira é que tem de seguir já!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Portugal : Governo insiste numa política que despede os pais e nega o emprego aos filhos

Governo insiste numa política que despede os pais e nega o emprego aos filhos
por CGTP - IN
 
 
"Este é um Governo que despede os pais e nega o emprego aos filhos, não lhes garantindo sequer um nível adequado de protecção social no desemprego. Hoje, milhares de famílias vivem em condições muito precárias devido à perda de emprego e à ausência de prestações de desemprego dignas. Os jovens não conseguem aceder ao subsídio de desemprego devido à precariedade e os pais vêem o tempo de atribuição e o valor cada vez mais baixo."


Os dados do Eurostat relativos ao desemprego de Janeiro confirmam que o desemprego continua a aumentar neste início de 2013. Atingiu uma taxa de 17,6%, a terceira mais elevada da União Europeia e a mais alta de sempre no país, que corresponde a 960 mil desempregados em sentido estrito e a mais de 1 milhão e meio se considerarmos os inactivos disponíveis e indisponíveis e os subempregados. Num ano o número real de desemprego e subemprego aumentou em 217 milhares.

Entre os jovens menores de 25 anos a taxa foi de 38,6%, um dos valores mais altos de sempre e quatro pontos percentuais a mais que em Janeiro do ano passado.

Este é um Governo que despede os pais e nega o emprego aos filhos, não lhes garantindo sequer um nível adequado de protecção social no desemprego. Hoje, milhares de famílias vivem em condições muito precárias devido à perda de emprego e à ausência de prestações de desemprego dignas. Os jovens não conseguem aceder ao subsídio de desemprego devido à precariedade e os pais vêem o tempo de atribuição e o valor cada vez mais baixo.

Passado um ano do chamado Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego, acordo entre Governo, patronato e UGT, o país está em recessão, há um número record de falências e em vez de emprego temos uma persistente destruição de postos de trabalho.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O legado de Hugo Chávez e os limites da alternativa institucional

O legado de Hugo Chávez e os limites da alternativa institucional
por Wallace dos Santos de Moraes
 
 


Chávez foi um homem de muita coragem. Raríssimo nos nossos dias. Ganhou as eleições com um partido nanico e obteve a maior votação da história do país. Amparou-se na esquerda institucional e enfrentou diversos interesses na Venezuela e no mundo. Sempre de peito aberto, encarou quem quer que fosse. Até o temido George W. Bush, em meio a Assembleia da ONU, foi chamado de evil por Chávez. Criticou também Obama por continuar a política externa de seu antecessor. Encarou o rei da Espanha, cuja família real apoiou o fascismo de Franco. Ao criticar o neoliberalismo, as guerras, o colonialismo, criou tantos inimigos poderosos e os enfrentou cara a cara que morreu prematuramente, aos 58 anos. Chávez foi um homem digno, honesto e colocou a pequena Venezuela no centro do cenário internacional, ditando normas e criando modelos. Indubitavelmente entrará para a história.

Para colocar o legado de Chávez no seu lugar é necessário combater algumas teses que não se sustentam. A primeira é propalada por alguns grandes meios de comunicação que teimam em chamá-lo de ditador para baixo e induzir a entendermos que existe uma grande massa de venezuelanos contra o seu governo. Trata-se de conjecturas insustentáveis do ponto de vista factual. O governo Chávez foi o que mais respeitou a Constituição do país e a ampla maioria da população esteve ao seu lado.

A segunda tese é defendida pelos chavistas quando afirmam estar em curso na Venezuela uma revolução que seria responsável por estabelecer o “socialismo do século XXI”. Com efeito, de antemão afirmamos que o governo de Chávez não acabou com o capitalismo, nem proporcionou o autogoverno popular. Destarte, não tocou nos principais aspectos da exploração e do absurdo de ser governado por outrem. Assim, já podemos descartar as alusões ao socialismo ou ao poder popular ditas por seus defensores. A Venezuela continua capitalista e com uns governando outros.

Seu grande feito, portanto, baseou-se na sua luta bastante exitosa contra o neoliberalismo. Mas dada a existência maciça de governos neoliberais no mundo, bem como do recuo das perspectivas socialistas, sua luta apresenta-se similar a uma luta revolucionária.

Feitas essas importantes ressalvas, analisemos o governo de Chávez como fazem os analistas de plantão, bem pagos pela mídia, amarrados pela camisa de força da institucionalidade capitalista. Todavia adiantamos que nossas conclusões serão absolutamente diferentes daquelas.

Munduruku informam que tropas devem desembarcar em sua aldeia amanhã (28)

Munduruku informam que tropas devem desembarcar em sua aldeia amanhã (28)
"Nós! Caciques, lideranças e guerreiros do povo Munduruku sempre lutamos e continuaremos lutando em defesa de nossas florestas, nossos rios, e de nosso território pois é de nossa mãe natureza que tiramos tudo que precisamos para sobreviver, mas o governo que devia nos proteger, vem mandando seu exército assassino para nos ameaçar e invadir nossas aldeias, ultimamente nosso povo vem sendo desrespeitado vem sendo, ameaçado por um governo ditador que vem ameaçando e matando nosso povo, usando suas forças armadas como se os povos indígenas fossem terroristas ou bandidos."


Indígenas foram avisados pela Funai que grupo de 60 homens da Força Nacional está pronto para garantir a realização dos estudos de impacto do Complexo Hidrelétrico do Tapajós
 

Tropas da Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública estão posicionadas em Itaituba para a execução da Operação Tapajós deverão desembarcar em aldeia Munduruku nesta quinta-feira, 28, para garantir realização dos estudos de impacto do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará.

A denúncia feita pela Associação Indígena Pusuru, em carta divulgada nesta quarta-feira, 27. Os indígenas relatam que foram informados, em reunião com a Fundação Nacional do Índio (Funai), em Itaituba, que um grupo de 60 homens da Força Nacional irá para a aldeia Sawre Muybu, também em Itaituba.

No documento, os Munduruku denunciam o governo, que "vem mandando seu Exército assassino para nos ameaçar e invadir nossas aldeias" e temem um novo massacre, "porque há 4 meses atrás numa operação chamada Eldorado foi morto um parente e vários ficaram feridos inclusive crianças, jovens e idosos".
 
Cerca de 250 homens fortemente armados estão posicionados em Itaituba para a realização da Operação Tapajós. Agentes da Polícia Federal, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal e Força Aérea foi deslocado para as proximidades da Terra Indígena Munduruku com o objetivo de realizar - à força - o estudo integrado de impactos ambientais para a construção do chamado Complexo Hidrelétrico do Tapajós.

terça-feira, 26 de março de 2013

De Cabral a Cabral : 513 anos da dominação


 o resumo da ópera (Latuff)



Despejo da Aldeia Maracanã

    
O Brasil assiste inerte o governador nazista, na “cidade das maravilhas”, expulsar a Aldeia Maracanã a tiros de borracha, sprays de pimenta e gás lacrimogênio, do prédio que ironicamente vinha a ser o Museu do Índio, tudo isso em nome da paixão nacional, o futebol, a Copa.

PCdoB reinvidica para si uma história que o partido nunca teve - A mentira tem pernas curtas!

Goebbels, 'a mentira repetida mil vezes' e um entreguista do PCdoB   
   
"Deixar o erro sem refutação é estimular a imoralidade intelectual." Karl Marx

O Partido "comunista" do Brasil não poderia ter escalado melhor, dentre seus dirigentes, aquele que iria destilar mais lorota acerca dos 91 anos de fundação do Partido Comunista no Brasil. Haroldo Lima personifica como poucos - à estatura de um Aldo Rebelo - as atuais linha e prática políticas da agremiação.

Destacado quadro da Ação Popular – o PcdoB atual – foi o homem designado por seu partido para articular as mamatas e negociatas com a entrega do petróleo brasileiro quando esteve à frente da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Necessário, pois, demarcar diferenças: enquanto Haroldo entregava as reservas do país a investidores privados nacionais e estrangeiros, em leilões realizados com canapés em belíssimos hotéis do Rio de Janeiro, a militância do nosso aguerrido PCB reencontrava os cassetetes e sprays de pimenta da PM na frente desses mesmos hotéis, em manifestações contra o entreguismo organizado pelo “comunista” (sic).

Haroldo escreveu réplica a texto do camarada Antônio Carlos Mazzeo acerca da apropriação indébita que o PCdoB faz da história dos comunistas brasileiros.

O vendilhão lesa-pátria cita inúmeros comunistas que nada tiveram a ver com a história do PcdoB, fundado em 1962, para dizer que a estratégia de roubar a história do PCB continuará e os incomodados que se calem.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Chipre: Intensificar a campanha pela ruptura com a UE e as políticas do capital

Acontecimentos em Chipre :
Intensificar a campanha pela ruptura com a UE e as políticas do capital 
 
por KKE


" As medidas anti-populares não afectam somente a taxa sobre a poupança dos cipriotas mas põem em causa os direitos dos trabalhadores em Chipre, propõem privatizações e as mesmas medidas que esmagam o povo grego e os outros povos da UE. O facto de o plano do Eurogrupo referente à tributação da poupança dos cipriotas ter sido rejeitado pelo Parlamento não deve conduzir a uma posição de complacência no futuro. O povo cipriota deve utilizar este acontecimento para reforçar sua luta contra as medidas anti-populares. "
 
O KKE exprime sua solidariedade com o povo cipriota contra a chantagem e as medidas anti-populares brutais impostas pela União Europeia e o FMI com a cumplicidade dos governos burgueses, inclusive o grego e o cipriota, a fim de preservar os interesses do capital. O "Não" ao plano da UE não é único. Há o "Não" do povo e o "Não" daqueles que desejam servir os interesses particulares dos monopólios.

Os diversos planos alternativos para o financiamento da economia cipriota (com a participação da Rússia e de outros Estados ou com uma tomada de empréstimo nacional, que terá um impacto negativo sobre as caixas da segurança social ou retornando à moeda nacional, como várias forças propõem), mesmo se fossem postos em prática constituiriam igualmente um impasse para os interesses do povo.

Eles apoiam-se na tomada de controle pelos monopólios de uma parte das riquezas energéticas do país. A luta entre estas duas fórmulas no quadro da UE nada tem a ver com os interesses do povo.

Verifica-se que a gestão da crise capitalista, com os monopólios a adquirirem uma posição dominante na economia e pela participação da UE ou outras alianças imperialistas, faz-se sempre em detrimento dos trabalhadores.

As medidas anti-populares não afectam somente a taxa sobre a poupança dos cipriotas mas põem em causa os direitos dos trabalhadores em Chipre, propõem privatizações e as mesmas medidas que esmagam o povo grego e os outros povos da UE. O facto de o plano do Eurogrupo referente à tributação da poupança dos cipriotas ter sido rejeitado pelo Parlamento não deve conduzir a uma posição de complacência no futuro. O povo cipriota deve utilizar este acontecimento para reforçar sua luta contra as medidas anti-populares.

domingo, 24 de março de 2013

O racismo contra os indígenas está vivo e passa bem


O racismo contra os indígenas está vivo e passa bem
por Elaine Tavares
 


"Outro drama que se desenrola longe das câmaras de TV e da consciência nacional é o do povo Pankararu, uma comunidade de oito mil pessoas que sempre viveu às margens do Rio São Francisco, em Petrolândia, Pernambuco, e que agora está sem acesso à água e ao rio por conta das obras de transposição. Desalojados, perdidos da relação com o rio, eles são abastecidos com carro-pipa, nas piores condições, enquanto o governo fala nas maravilhas da transposição, que nada mais é do que a proposta de levar água ao agronegócio. Já, com os índios, quem se importa?"
Uma entrevista em vídeo realizada com a cacique Eunice Antunes, da comunidade Guarani, do Morro dos Cavalos, mostrou o quanto a questão indígena em Santa Catarina também é revestida de profunda violência. O "sul maravilha", de certa forma, passa a imagem de um espaço civilizado, longe da truculência de regiões conflagradas como a Amazônia ou o Mato Grosso do Sul, nas quais é comum o assassinato descarado de índios. Só que isso é pura ilusão. Ou pior. Mostra que quando os índios estão quietos, confinados na sua miséria, é sempre muito fácil parecer "bonzinho" e "respeitar" os direitos, no geral expressos em distribuição de cestas básicas. Mas, se eles se levantam em luta e exigem que as terras sejam demarcadas, que a lei seja cumprida, aí a violência assoma, com sua cara feia, e todo o racismo que subjaz no cotidiano igualmente aflora.

A comunidade Guarani do Morro dos Cavalos é um espaço de quatro hectares onde se apertam 28 famílias, 200 almas. Elas reivindicam desde há anos suas terras ancestrais e, finalmente, em 2008, os 1.997 hectares aos quais têm direito foram demarcados. Só que nesse território também estavam mais de 60 famílias de "juruás" (os brancos), que, ou grilaram ou compraram as terras e agora precisam sair. O trabalho da Funai tem sido sistemático no sentido de indenizar e retirar as famílias. A maioria tem aceitado, mas uma parcela insiste em ficar. Sentimento justo, afinal, algumas estão ali há gerações. E é por aí que se espraia o conflito. O governo do estado deveria também indenizar as famílias, no valor da terra, já que a Funai só paga as benfeitorias, por conta de que o espaço é uma reserva natural e não poderia ter ninguém morando.

Pois a fala da cacique (
http://youtu.be/bKUKCXHDCKU), contanto essa história e, inclusive, se colocando a favor da indenização dessas famílias, fez brotar um onda de violências verbais nos comentários do You Tube, que bem mostram a intolerância, o ódio e o preconceito que cerca a questão indígena. "O diretor da escola Itaty diz que os jovens só ficam brincando, vendo TV depois da aula, pois recebem bolsa família,bolsa escola. A cacique ainda não os ensinou a pescar, caçar, afinal ela não tem tempo, pois fica só recebendo informação da FUNAI. Que cultura é essa de índio recebendo bolsa do governo?", diz um dos comentários. E outro: "A cacique é bem viajada, faz turismo com nosso dinheiro. Quase não fica na aldeia, está explicada a vinda dos índios à vila pedir (esmolar). Essa é boa vida deles. Não é preciso ser índio, basta seguir a religião para se dizer índio".

sábado, 23 de março de 2013

A nova propaganda é liberal. A nova escravidão é digital

A nova propaganda é liberal. A nova escravidão é digital
por John Pilger
 
"A violência militarista perpetrada contra centenas de milhares de homens, mulheres e crianças anónimas pelos "nossos" governos nunca é um crime contra a humanidade. Ao entrevistar Tony Blair 10 anos depois da sua criminosa invasão do Iraque, Kirsty Wark da BBC prendou-o com o momento que ele mais podia sonhar. Ela permitiu a Blair angustiar-se acerca da sua "difícil" decisão ao invés de chamá-lo a prestar contas pelas mentiras monumentais e o banho de sangue que provocou. Recordamo-nos de Albert Speer. Hollywood retornou ao seu papel da guerra fria, conduzida por liberais. O filme Argo, de Ben Affleck, vencedor do Óscar, é o primeiro longa-metragem tão integrado dentro do sistema de propaganda que a sua advertência subliminar da "ameaça" do Irão é apresentada no momento em que Obama se prepara, mais uma vez, para atacar o Irão. "
 


A "mensagem" de hoje, de grotesca desigualdade, injustiça social e guerra, é a propaganda de democracias liberais. Em qualquer avaliação de comportamento humano, isto é extremismo.

Quando homens como Hugo Chávez desafiam tal comportamento, são insultados com má-fé; e o seu sucessor será subvertido pelos mesmos fanáticos do American Enterprise Institute, Harvard's Kennedy School e de organizações de "direitos humanos" que se apropriaram do liberalismo americano e sustentam sua propaganda. O historiador Norman Pollack chama a isto "fascismo liberal".

O que é a propaganda moderna? Para muitos, são as mentiras de um estado totalitário. Na década de 1970 encontrei-me com Leni Riefenstahl e perguntei-lhe acerca dos seus filmes épicos que glorificavam os nazis. Utilizando técnicas de câmara e de iluminação revolucionárias, ela produziu uma forma de documentário que empolgou alemães. O seu Triunfo da vontade lançava a magia de Hitler.

Ela contou-me que as "mensagens" dos seus filmes dependiam não de "ordens de cima" mas sim do "vazio submisso" do público alemão. Será que isso incluía a burguesia liberal e educada? "Toda a gente" respondeu ela.

Hoje, preferimos acreditar que não há vazio submisso. A "escolha" é omnipresente. Telefones são "plataformas" que lançam toda opinião superficial. Há o Google mesmo no espaço externo se precisar disso. Acariciados como contas de rosário, os preciosos dispositivos nascem já concentrados na sua tarefa, implacavelmente monitorados e priorizados. O seu tema dominante é o ego. Eu. Minhas necessidades. O vazio submisso de Riefenstahl é a escravidão digital de hoje.

O Exercito nazi-fascista de Israel levando a barbárie à infância Palestina

O Exercito nazi-fascista de Israel levando a barbárie à infância Palestina
 
Soldados nazis-israelenses espancando e prendendo crianças palestinas
 
 
"Esses maus-tratos incluem a prisão de crianças na casa delas entre meia-noite e 5h por soldados armados de maneira pesada, o fato de vendar as crianças e amarrar suas mãos", segundo o relatório, que também cita "confissões forçadas e ausência de acesso a um advogado ou a membros da família durante o interrogatório".
 
 
 


Um vídeo divulgado pela ONG de direitos humanos B’Tselem mostra soldados israelenses detendo crianças palestinas que seguiam para a escola nesta quarta-feira (20/03), em Hebron. Nas imagens, os oficiais agarram e espancam os jovens, que tentam desesperadamente se desvencilhar da prisão. Em uma das cenas, uma criança chora enquanto estende os braços em direção ao pai.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Por que a blogueira Yoani Sánchez não denuncia greve de fome que está acontecendo agora em Cuba?

Por que a blogueira Yoani Sánchez não denuncia greve de fome que está acontecendo agora em Cuba?
por Antônio Mello


"Um dos prisioneiros relatou que “eles realmente tentam de tudo para nos quebrar, incluindo tortura física e psicológica. Eu mesmo fui torturado com eletrochoques e waterboarding [simulação de afogamento]. Presenciei ainda crianças entre nove e 12 anos dentro dos campos. É muito difícil observar essas crianças sendo espancadas em minha frente”. Por isso muitos dos 133 detentos em Cuba estão em greve de fome desde o dia 6 de fevereiro... e a blogueira Yoani Sánchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?"



Prisioneiros em Cuba "estão em greve de fome há 43 dias em protesto contra o confisco de bens pessoais como fotografias, cartas e exemplares do Corão" ... e a blogueira Yoani Sánchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?
 
A "ONG Centro de Direitos Constitucionais, baseada em Nova York, afirma que a greve de fome já alcança 130 dos 166" detentos em Cuba... e a blogueira Yoani Sánchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?
 
O antropólogo Mark Mason, especialista em fatores culturais causadores de sofrimento humano, em entrevista à rede russa RT declarou: "Mais da metade deles está livre de acusações. Eles deveriam estar na rua, saírem da prisão hoje mesmo". No entanto, estão presos em Cuba, em greve de fome... e a blogueira Yoani Sánchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?
 
O mesmo antropólogo prosseguiu: “Eu não consigo descrever as condições horríveis, o tratamento e a humilhação que muitos desses detentos reportaram. Eles são obrigados a ficar em pé, sem roupas, em salas geladas por horas. Só isso já constitui estresse físico, é uma tortura psicológica indescritível”. E agora há a greve de fome... e a blogueira Yoani Sánchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?
 
Um dos prisioneiros relatou que “eles realmente tentam de tudo para nos quebrar, incluindo tortura física e psicológica. Eu mesmo fui torturado com eletrochoques e waterboarding [simulação de afogamento]. Presenciei ainda crianças entre nove e 12 anos dentro dos campos. É muito difícil observar essas crianças sendo espancadas em minha frente”. Por isso muitos dos 133 detentos em Cuba estão em greve de fome desde o dia 6 de fevereiro... e a blogueira Yoani Sánchez não dá uma palavra sobre o assunto. Por quê?
 

Chipre e a crise capitalista

Chipre e a crise capitalista
por Albano Nunes
 
"As classes dirigentes recorrem cada vez mais ao autoritarismo. A mesma linha de intensificação da exploração, liquidação de direitos, centralização e concentração de capital, limitações à soberania. As mesmas consequências de empobrecimento, desemprego, recessão e ainda maior endividamento. Os mesmos mecanismos de sucção de mais valia e de drenagem para o sector privado e monopolista do património público. "
 

Ao mesmo tempo que os portugueses eram confrontados com novas notícias sobre o dramático agravamento da situação económica e social do país, o Chipre, uma vez quebrada a resistência às receitas do FMI e da UE pela vitória da direita nas eleições de 24.02.13, tornava-se no quinto país da União Europeia sujeito aos ruinosos «planos de resgate» impostos pelo grande capital e objecto de um ataque sem precedentes aos depósitos bancários dos cipriotas, provocando uma onda de indignação e de revolta que está a encostar à parede o novo governo reaccionário.

Em Chipre como em Portugal, a pretexto da «ajuda» para impedir a «bancarrota» (da banca), as mesmas exigências de cortes nos salários e rendimentos, de desmantelamento dos serviços públicos, de privatizações, de «reformas estruturais».
 
A mesma linha de intensificação da exploração, liquidação de direitos, centralização e concentração de capital, limitações à soberania. As mesmas consequências de empobrecimento, desemprego, recessão e ainda maior endividamento. Os mesmos mecanismos de sucção de mais valia e de drenagem para o sector privado e monopolista do património público. Tudo isto num quadro cada vez mais assumido de que a austeridade veio para ficar, que não há que contar com o regresso à situação anterior à falência do Lehman Brothers em 2008, que o empobrecimento, o desemprego, os cortes sociais, a desregulação laboral e tudo o mais que tem estado no centro da ofensiva do grande capital é para continuar para lá do famoso «regresso aos mercados».

É esta a perspectiva que o grande capital anuncia aos povos português e ciprota e demais povos onde a classe operária, pela sua luta e beneficiando da existência do campo socialista, alcançou históricos avanços libertadores. Uma perspectiva que confirma não só a incapacidade do capitalismo para dar satisfação aos problemas da humanidade como a sua inexorável evolução num sentido cada vez mais improdutivo, rentista e parasitário (ligada com a lei da baixa tendencial da taxa de lucro) em que as contradições entre o capital e o trabalho e entre o carácter social da produção e a sua apropriação privadas se agudizaram extraordinariamente, colocando na ordem do dia a necessidade de profundas transformações antimonopolistas e anti-imperialistas na perspectiva do socialismo.

A porta giratória

A porta giratória
por Filipe Diniz

 


"A multinacional farmacêutica que descobriu em José Sócrates insuspeitos dotes para o seu ramo e o contratou, encarregando o «filósofo»/farmacêutico de uma qualquer tarefa de influência, bem paga como ele merece. E há outros casos, como o do trânsito de Jorge Coelho de responsável pelas Obras Públicas no governo de Guterres para a presidência da Mota-Engil, que fora – ela ou empresas e consórcios em que participa – não pouco beneficiada nos negócios durante a sua gestão ministerial."

É mais do que sabido o conceito da «porta giratória» entre cargos governativos e cargos na administração de grandes empresas: governantes que, acabado o seu mandato público, de repente se vê em lugares chorudamente pagos em empresas privadas. E não é raro que se trate de empresas com quem, enquanto governantes, tinham anteriormente estabelecido vultuosos contratos e negócios.

Há naturalmente excepções, como a da multinacional farmacêutica que descobriu em José Sócrates insuspeitos dotes para o seu ramo e o contratou, encarregando o «filósofo»/farmacêutico de uma qualquer tarefa de influência, bem paga como ele merece.

E há outros casos, como o do trânsito de Jorge Coelho de responsável pelas Obras Públicas no governo de Guterres para a presidência da Mota-Engil, que fora – ela ou empresas e consórcios em que participa – não pouco beneficiada nos negócios durante a sua gestão ministerial. Ele foram as milionárias concessões rodoviárias, ele foram as SCUT, ele foi o 2.º acordo com a Lusoponte, ele foi o prolongamento do prazo da concessão do maior terminal de contentores do Porto de Lisboa, entre outros.

E agora que informam os jornais? Que Jorge Coelho abandona a presidência da Mota-Engil e «regressa à política». Dar-se-á o caso de estarmos perante uma nova rotação da «porta giratória»? É que, por curiosa coincidência, há bem pouco o Governo anunciou o «plano de reestruturação» do Porto de Lisboa, envolvendo um investimento total de 1050 milhões de euros.

terça-feira, 19 de março de 2013

Pobreza infantil acima da média da União Européia- UE

Pobreza infantil acima da média da União Européia- UE
por CGTP - IN
 
" Neste quadro e perante a realidade concreta e os objectivos de classe visados pela política do Governo e da troika, cujas consequências se fazem sentir com enorme violência na eliminação ou redução da protecção social, é determinante alargar a unidade na acção e mobilizar os trabalhadores e o povo português pela defesa dos direitos conquistados e pelo progresso e o desenvolvimento do país. É assim urgente inverter o rumo, acabar com este Governo e esta política de desastre e construir uma política alternativa e de esquerda."


As crianças em risco de pobreza e de exclusão social constituem 28,6% das pessoas com menos de 18 anos, segundo dados recentemente divulgados pelo Eurostat. Como a população com menos de 18 anos é de 1,9 milhões, temos que são abrangidas perto de 550 mil pessoas. Portugal apresenta um valor claramente acima da média da UE e encontra-se no grupo dos países da zona euro onde assume valores mais elevados. Este indicador (pessoas em risco de pobreza ou de exclusão social) é usado pela Comissão Europeia no âmbito da aplicação da Estratégia Europa 2020.

 
Pobreza e exclusão social - menores de 18 anos em %
2011
Bulgária
51,8
Portugal
28,6
UE27
27,0
Suécia
15,9
Fonte: Eurostat
 

Nota: Os países do quadro representam três grupos de países onde a pobreza e exclusão social é mais alta (Bulgária), próxima mas acima da média da UE (Portugal) e onde é mais baixa (Suécia)

A burguesia joga a toalha

FHC até cantava o hino nacional, mas a sua bandeira era a Americana
A burguesia joga a toalha
por Edmilson Costa, doutor em Economia pela Unicamp


" A partir da década de 90, a exemplo do que aconteceu na década anterior nos países centrais, ocorreu uma mudança de fundo no interior das classes dominantes e a fração ligada aos negócios financeiros-especulativos passou a hegemonizar completamente a política econômica do Estado, subordinando as outras frações ou impondo rendições unilaterais, cujo resultado é a política neoliberal da década de 90 e, especialmente a do governo FHC."
 
Nota do Mafarrico Vermelho: Embora no sítio www.economes.info  este artigo do Camarada Prof.  Edmilson não seja datado, fica claro, que refere-se e foi escrito no período do govêrno de FHC que terminou em 2002. Apesar disso, este texto é importante para compreendermos o processo de desnacionalização da economia brasileira, hoje em +- 70%.

A década de 90 ficará conhecida na história econômica do País como o período em que as classes dominantes brasileiras, representadas politicamente pelo Estado, abdicaram de qualquer vestígio em relação à soberania nacional e se renderam completamente aos interesses do capital financeiro internacional. Cerca de 80% de todo o patrimônio público, acumulado com luta e sacrifícios ao longo de várias gerações, foi transferido, majoritariamente, para o capital estrangeiro ou para seus sócios nacionais.

Todo os setores siderúrgico, petroquímico, de fertilizantes, transportes, mineração e telecomunicações e bancos estaduais foram privatizados. Além disso, o capital estrangeiro avançou também na área privada, destacando-se os setores de informática, autopeças, supermercados e financeiro, configurando-se assim um severo processo de desnacionalização.
 
É bem verdade que a burguesia brasileira nunca foi exatamente uma defensora dos interesses nacionais. Constituiu-se modernamente associada ao capital estrangeiro, mas com uma peculiaridade importante: articulava-se constantemente com o Estado para obter favores e proteção. Pelas características históricas brasileiras, o Estado foi obrigado a criar um pujante aparato produtivo que possibilitava uma articulação orgânica de interesses com o capital privado. Além disso, em vários setores, como financeiro e de comunicações, supermercados, entre outros, a burguesia nativa tinha hegemonia plena, inclusive protegida por cláusulas legais.
 

O PSD e o PS querem nos fazer de bundões


O PSD e o PS querem nos fazer de bundões
PSD E PS FARINHA DO MESMO SACO!
 
 
 
 
A situação dramática a que o País chegou, com a destruição da economia, a redução dos salários, elevado desemprego e precaridade laboral, baixa das reformas, cortes nas prestações sociais, degradação dos serviços públicos, tem responsáveis : O PS, PSD e CDS-PP que há mais de 37 anos têm estado nos governos.
 
 
Portugueses e Portuguesas não podemos ter memória curta. O PSD, O PS e o CDS são farinha do mesmo saco!
 
 
 
 
No quadro abaixo podemos notar a alternância no Govêrno do PS com o PSD nos últimos 37 anos.
 
 

domingo, 17 de março de 2013

Marx e a crise: os fantasmas, agora, são eles

Marx e a crise: os fantasmas, agora, são eles
por Mauro Luís Iasi
 
 
Como dizia Brecht, “uma coisa muito simples, dificílima de ser feita”. No entanto, nesse ponto a crise nos ajuda, Nunca ficou tão didático o caráter destrutivo da atual forma do capitalismo monopolista e imperialista, nunca ficou tão evidente a falácia do mito liberal, nunca foi tão urgente dotar a humanidade de uma alternativa para além da ordem do capital.
 


A atual crise do capitalismo mundial, além das graves consequências que traz para os trabalhadores, acabou por propiciar um efeito direto no debate teórico e acadêmico: uma retomada das ideias de Marx. Por que isso ocorre? Que tipo de previsão foi realizada por Marx que o faz tão maldito, perseguido e tão renitente em nascer e renascer cada vez que o julgam morto em definitivo?

Passamos, nós marxistas, pelas décadas de 1980 e 1990 resistindo no universo acadêmico como se fôssemos dinossauros anacrônicos, insistindo em teses que desmoronam diante das “evidências” pós-modernas, que afirmavam o fim da validade da teoria do valor, o fim da centralidade do trabalho, das classes e, por consequência, das formas organizativas e dos projetos políticos próprios da classe trabalhadora.

Karl Offe2 chegou a afirmar que, depois das ideias de Touraine, Foucault e Gorz, o pensamento marxista não teria mais muita “respeitabilidade cientítico-social”. O próprio Keynes, que alguns se preparam para resgatar como balsamo benígno contra os males da desregulação, sobre O Capital de Karl Marx decretou:

“Como posso aceitar uma doutrina que estabelece como bíblia, acima e além de qualquer crítica, um manual econômico obsoleto que reconheço não só como científicamente errôneo, mas também sem interesse ou aplicação para o mundo moderno?”3

sábado, 16 de março de 2013

Leninismo e revisionismo nas questões fundamentais da teoria e prática

Leninismo e revisionismo nas questões fundamentais da teoria e prática

(A ditadura do proletariado, a sua forma de organização e essência económica)
por V.A. Tiúlkine / M.V. Popov
 

«Não há meio-termo. Só sonham em vão com o meio-termo os fidalgotes, os intelectuaizinhos, os senhoritos que estudaram mal em maus livros. Em nenhuma parte do mundo existe meio-termo nem pode existir. Ou a ditadura da burguesia (encoberta com pomposas frases dos socialistas-revolucionários e dos mencheviques sobre o poder do povo, a Constituinte, as liberdades, etc.), ou a ditadura do proletariado. Aquele que não tiver compreendido isto da história de todo o século XIX é irremediavelmente um idiota». «Carta aos operários e camponeses a propósito da vitória sobre Koltchak», Lénine


Em 2009, o Fundo da Academia Operária, que proporciona formação aos operários da Rússia, publicou a colectânea O Principal no Leninismo, que inclui as teses fundamentais que caracterizam as posições teóricas leninistas sobre a questão da abordagem de classe na análise dos fenómenos sociais e sobre a ditadura do proletariado.

A sua leitura ajuda a compreender a renúncia e a defecção da direcção do PCUS que, no XXII Congresso [1964], assumiu uma posição revisionista sobre questões fundamentais do marxismo-leninismo, fixando-a no Programa do PCUS e, desse modo, predeterminou a decomposição do partido e a destruição do país. Isto é demonstrado também no presente artigo.

Os autores procuraram prestar especial atenção ao facto de que, a maioria das invencionices, pretextos e argumentos «actuais» dos oportunistas e renegados de hoje, tiveram uma resposta de Lénine ainda na época da luta contra os oportunistas e deturpadores do marxismo, na época da II Internacional e da instauração do poder soviético na Rússia.



Iraque: vítima do colonialismo feroz

Iraque: vítima do colonialismo feroz
por Ramzy Baroud, Countercurrents



Um país de civilização antiga e rica é sucessivamente destruído, ao longo de séculos, por países imperialistas do Ocidente. Um relato sentido e belo da história do Iraque é feito pelo escritor e jornalista Ramzy Baroud.
Autor de vários livros sobre o Oriente Médio e de artigos publicados no Washington Post e em dezenas de outros órgãos de mídia de diversos países, o palestino-estadunidense Baroud publicou no sítio Counter Punch o documento-reportagem sobre o Iraque que está no original
aqui e na tradução divulgada por Vila Vudu a seguir.


Uma década depois da invasão, o Iraque à beira do abismo


Pouco depois da campanha de bombardeio conjunto conhecida como “Operação Raposa do Deserto”, quando EUA e Grã-Bretanha devastaram partes do Iraque em dezembro de 1998, lembro-me de reclamar com um amigo, no saguão do Palestine Hotel em Bagdá.

Incomodava-me muito que, por causa de nossa agenda sobrecarregada no Iraque – principalmente com visitas a hospitais superlotados de vítimas de urânio baixo-enriquecido no Iraque – não me sobrava tempo para comprar livros árabes para minha filha pequena que me esperava nos EUA. Quando já me preparava para embarcar na longa viagem de ônibus de volta à Jordânia, um iraquiano de grandes bigodes e barba cuidadosamente aparada aproximou-se. “Leve para sua menina” – disse ele sorrindo, entregando-me uma sacola de plástico. Na sacola havia uma dúzia de livros com imagens coloridas de histórias infantis iraquianas tradicionais. Não conhecia o homem e nunca voltei a vê-lo. Estava hospedado no hotel e, sabe-se lá como, soubera das minhas dificuldades. Agradeci-lhe o mais que pude, na correria para tomar meu ônibus, com o homem insistindo que não havia o que agradecer. “Somos irmãos. Sua filha é como minha filha” – disse ele.

Não se pode dizer que o gesto tenha sido completa surpresa. A generosidade de espírito e de ação é traço típico dos iraquianos, que todos os árabes conhecemos bem. Dentre outras qualidades, os iraquianos são orgulhosos e perseverantes; orgulhosos, porque a Mesopotânia – que corresponde hoje a quase todo o Iraque moderno – é ‘o berço da civilização’; perseverantes, porque sobreviveram a experiências terríveis em sua história moderna.

Combate à fome e filantropia milionária

Combate à fome e filantropia milionária
por Jorge Messias


"Um outro problema central com que as igrejas se confrontam (não só a Igreja católica mas todas as mais ricas confissões monoteístas) é o da farsa grotesca da caridade filantrópica que os monopólios e as grandes fortunas vão sucessivamente proclamando. Os mais ricos fazem o seu negócio sujo e o poder religioso dá-lhes cobertura. "
 
«Quando o Estado paga o nosso tratamento hospitalar, a nossa educação, a nossa pensão de reforma ou invalidez, o subsídio de desemprego ou o abono de família, está a dar-nos o que é nosso de direito. Quando contribuímos com os nossos impostos para a redistribuição da riqueza que a sociedade produz em conjunto, estamos a cumprir o nosso dever. Isto é justiça. Mas quando o Estado dá dinheiro dos contribuintes a instituições de caridade, transforma a justiça em esmola.»
(Ludwig Krippai, site Que treta?).
 
«Não sou ingénuo. A Igreja é um espaço do poder. Ainda mais quando é o Estado a financiar grande parte das suas obras. Há no entanto muitas desvantagens na troca da solidariedade institucionalizada pela caridade religiosa. Ela tem um preço: a compra da fé e da consciência»
(Daniel de Oliveira, «Expresso», 21.2.013).
 
A ONG «Oxfam», com sede em Barcelona, preparou um relatório sobre desigualdades sociais (Janeiro de 2013). Nomeadamente, nele se refere: «O sistema capitalista procura fazer acreditar que se os trabalhadores se esforçarem muito e produzirem de forma incansável, poderão vir a ser reconhecidos como parte interveniente do sistema. Entretanto, porém, a brecha entre ricos e pobres aumenta de tal modo que, somadas as fortunas pessoais dos mais ricos milionários, o montante chegaria para erradicar de todo o mundo o correspondente a quatro vezes o valor da pobreza actual»
(Metamorfose Digital, 22.1.2013). 
 
 
O desemprego é, seguramente, um dos mais graves problemas sociais da situação em que os portugueses vieram a afundar-se. Mas o poço sem fundo em que o País se encontra tem outros abismos que reflectem a impunidade das infâmias cometidas sobre a esmagadora maioria dos cidadãos. Nomeadamente: o agravamento do fosso entre ricos e pobres; a recusa à integração na vida colectiva de portugueses e portuguesas válidos e bem preparados; os «cortes» orçamentais impostos no plano das funções sociais que a Constituição atribui ao Estado; o desvio governamental de enormíssimas verbas, para os bancos e sociedades anónimas, do dinheiro destinado a financiar a economia e a criar empregos; o proteccionismo que favorece os ricos; os baixos salários e a incontrolável subida dos preços; a cedência ao estrangeiro de parcelas da soberania nacional; etc., etc. Tudo isto é pobreza. Pobreza que produz mais pobreza.

O papel que a Igreja católica tem vindo a desempenhar em todo este grave problema nacional e humano é, no mínimo, vergonhoso. Isto, mesmo fazendo apenas contas por alto.