Pesquisa Mafarrico

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Losurdo: "A indústria da mentira, parte da máquina de guerra imperialista"

"A indústria da mentira, parte da máquina de guerra imperialista"
por Domenico Losurdo

"Se o Mal deve ser mostrado e marcado em todo o seu horror, o Bem deve aparecer em todo o seu esplendor. Em dezembro de 1992, fuzileiros navais dos EUA desembarcaram na praia de Mogadiscio. Para maior exatidão, desembarcaram duas vezes e a repetição da operação não se deveu a dificuldades militares ou logísticas imprevistas. Era preciso mostrar ao mundo que, mesmo antes de ser um corpo militar de elite, os fuzileiros eram uma organização beneficente e caridosa que trazia esperança e um sorriso ao povo somali devastado pela miséria e pela fome. A repetição do desembarque-espetáculo destinava-se a emendá-lo nos seus pormenores errados ou defeituosos."

"Mogadíscio era a contrapartida de Timisoara. Há alguns anos de distância da representação do Mal (o comunismo que finalmente desmoronou) seguiu-se a representação do Bem (o império americano, que emergia do triunfo alcançado na Guerra Fria). São agora claros os elementos constitutivos da guerra-espetáculo e do seu êxito."

Na história da indústria da mentira, parte integrante do aparelho industrial militar do imperialismo, 1989 é um ano de viragem. Nicolae Ceausescu ainda está no poder na Roménia. Como derrubá-lo? Os meios de comunicação ocidentais difundem de modo maciço junto à população romena informação e imagens do "genocídio" cometido em Timisoara pela polícia por indicação de Ceausescu.

1. Os cadáveres mutilados

O que acontecera na realidade? Beneficiando da análise de Debord sobre a "sociedade do espetáculo", um ilustre filósofo italiano (Giorgio Agamben) sintetizou de modo magistral a história de que aqui se trata:
"Pela primeira vez na história da humanidade, cadáveres sepultados ou alinhados sobre mesas das morgues foram desenterrados às pressas e torturados para simular frente às câmaras o genocídio que devia legitimar o novo regime. O que o mundo viu em direto como verdade real, no écran da televisão, era a não verdade absoluta. Embora a falsificação fosse óbvia, todavia era autenticada como verdadeira pelo sistema mundial dos media, porque estava claro que agora a verdade não era senão um momento do movimento necessário do falso. Assim, a verdade e a mentira tornaram-se indiscerníveis e o espetáculo legitimava-se unicamente mediante o espetáculo. 
Timisoara é, neste sentido, a Auschwitz da sociedade do espetáculo: e como já foi dito que depois de Auschwitz é impossível escrever e pensar como antes, da mesma forma, depois de Timisoara não será mais possível ver um écran de televisão do mesmo modo" (Agamben, 1996, p. 67).
No ano de 1989 a transição da sociedade do espetáculo para o espetáculo como técnica de guerra manifestou-se à escala planetária. Algumas semanas antes do golpe de Estado, ou seja, da "revolução Cinecittà" na Roménia (Fejtö 1994, p 263), a 17 de novembro de 1989, a "revolução de veludo" triunfava em Praga agitando uma palavra de ordem de Gandhi: "Amor e Verdade". Na realidade, um papel decisivo coube à divulgação da notícia falsa de que um aluno fora "brutalmente assassinados" pela polícia. Vinte anos mais tarde, revela satisfeito um "jornalista e líder da dissidência, Jan Urban", protagonista da manipulação: a sua "mentira" havia tido o mérito de suscitar a indignação em massa e o colapso de um regime já periclitante (Bilefsky 2009).

sábado, 26 de dezembro de 2015

Chomsky desnuda a “Guerra ao Terror”

Chomsky desnuda a “Guerra ao Terror”
por “C.J. Polychroniou, em Truthout ”


"O alvo da guerra de Bush era a Al-Qaeda. Uma série de intevenções militares — no Afeganistão, Iraque, Líbia, entre outros – conseguiu difundir o terror jihadista, antes restrito a uma pequena área tribal no Afeganistão, a praticamente todo o mundo, do oeste da África ao Oriente Médio e seguindo até o sudeste da Ásia. Foi um dos feitos políticos mais notáveis da História… Paralelamente, a Al-Qaeda foi substituída por elementos muito mais cruéis e destrutivos. Atualmente, o ISIS (Estado Islâmico) é o recordista em brutalidades monstruosas, mas os outros candidatos ao título não ficam muito atrás. Essa dinâmica, que vem já de vários anos, foi estudada em um importante trabalho do analista militar Andrew Cockburn, em seu livro Kill Chain [“Cadeia de Mortes”]. Ele documenta como, ao matar um líder sem resolver a raiz e as causas do fenômeno, essa figura costuma ser substituída muito rapidamente por alguém mais jovem, mais competente e mais cruel."

A “guerra ao terror” agora se transformou em uma implacável campanha bélica global. 

Enquanto isso, as verdadeiras causas do surgimento e da expansão de organizações assassinas como o ISIS continuam sendo convenientemente ignoradas.

Após o massacre de Paris, em novembro, importantes países ocidentais, como França e Alemanha, estão se unindo aos Estados Unidos na luta contra o terrorismo fundamentalista islâmico. A Rússia também se prontificou a se juntar ao clube, por ter suas próprias preocupações quanto à propagação do fundamentalismo islâmico. Na verdade, os russos vêm travando sua própria “guerra ao terror” desde o colapso do Estado soviético. 

Paralelamente, alguns dos fortes aliados dos EUA, como a Arábia Saudita, o Catar e a Turquia, estão apoiando direta ou indiretamente o ISIS, porém esta realidade também é convenientemente ignorada pelas forças ocidentais que combatem o terrorismo internacional. Só a Rússia ousou recentemente classificar a Turquia de “cúmplice dos terroristas” por ter abatido um caça russo que teria violado o seu espaço aéreo. (Vale lembrar que os caças turcos violam o espaço aéreo grego frequentemente há anos: 2.244 vezes somente em 2014.)

A “guerra ao terror” faz sentido? É uma política eficaz? E qual é a diferença entre a sua fase atual e as duas anteriores, ocorridas durante os mandatos de Ronald Reagan e George W. Bush? Além disso, quem realmente se beneficia com a “guerra ao terror”? E qual é a relação entre o complexo militar-industrial americano e a produção da guerra? 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Sykes-Picot no Século XXI - Um século depois, repetem-se os planos de partilha imperialista.

Sykes-Picot no Século XXI
Um século depois, repetem-se os planos de partilha imperialista.
por Jorge Cadima


"O governo sírio fez este mês queixa formal à ONU de que quatro aviões da «coligação anti-ISIS» chefiada pelos EUA bombardearam uma base do seu exército, «matando três soldados e ferindo 13» (www.cbc.ca, 7.12.15), numa «província em grande parte nas mãos do ISIL» (BBC, 7.12.15). Na semana passada, coube a sorte ao exército iraquiano em pleno combate contra o ISIS, que sofreu dezenas de baixas num ataque aéreo de aviões dos EUA (Press TV, 18.12.15). A «coligação anti-ISIS» dos EUA mais parece a Força Aérea do ISIS. Não surpreende assim que, como titulava o insuspeito Washington Post (1.12.15), «Iraquianos pensam que os EUA estão feitos com o Estado Islâmico». 
O caos e o terrorismo são uma arma para justificar as guerras e agressões e, no plano interno, os estados de emergência e os mecanismos de repressão fora de controlo. Na raiz estão sempre os interesses econômicos e de classe do grande capital. O imperialismo é isto."

Em 1916, diplomatas ingleses e franceses cozinharam um plano secreto de partilha do então Império Otomano (turco). Enquanto enganavam os árabes com promessas de independência, planeavam entre si o controlo da região (com umas migalhas para o czarismo russo). Após a Revolução Russa de 1917, o jovem poder soviético descobriu o acordo Sykes-Picot nos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros e revelou-o ao mundo. Um século depois, repetem-se os planos de partilha imperialista.

Há quase uma década (Junho 2006), o norte-americano Armed Forces Journal publicava um mapa que redesenhava as fronteiras do Médio Oriente. Desde então, as guerras imperialistas deram lugar à fragmentação do Iraque e Síria e ao surgimento do «Califado Islâmico» ou ISIS. Agora começam a surgir as confissões públicas semi-oficiais dos objectivos. O ex-Embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, escreveu (NY Times, 24.11.15) que «a realidade é que o Iraque e a Síria, tal como os conhecemos, já não existem». E falando do que chama o «eixo russo-iraniano e dos seus intermediários», afirma sem pestanejar: «o seu objectivo de recuperar para os governos iraquiano e sírio as antigas fronteiras é um objectivo fundamentalmente contrário aos interesses americanos, israelitas e dos estados amigos árabes». 

Sobre a intensificação da militarização e o terrorismo de estado nas Filipinas

Sobre a intensificação da militarização e o terrorismo de estado nas Filipinas
Escrito por Paloma Polo - 
Membro do Comitê Internacional de Coordenação da Liga da Luta dos Povos (ILPS)


"Nos comunicados das Forças Armadas das Filipinas se alega que as comunidades, escolas, organizações e indivíduos que tem sido objetivo das campanhas militares descritas apoiam o Novo Exército Popular (New Peoples’s Army, NPA), a chamada insurgência comunista, justificando deste modo que estas comunidades sejam o alvo de suas operações. Estes tipos de argumentos são utilizados pelas forças militares para justificar seus ataques a civis, escolas e comunidades inteiras."

"Nenhum dos perpetradores destes assassinatos ou violações de direitos humanos foi condenado. Ao contrário: os militares responsáveis destas operações costumam ser promovidos, especialmente em Mindanao, cujas vastas terras prometem grande riqueza de recursos minerais e plantações férteis." 
"O governo dos Estados Unidos colabora diretamente com o filipino em seu programa de contra insurgência contribuindo com financiamento, doutrina e direção tática. Assim mesmo, existem unidades das Forças Especiais dos Estados Unidos (US Special Forces) estabelecidas discretamente em cercos enclaves de Mindanao que participaram em operações de inteligência e ataque mediante o uso de drones e outros dispositivos de alta tecnologia."

Em 1º de setembrode 2015, Emerito Samarca foi degolado e assassinado a punhaladas por um grupo paramilitar conhecido como Milícia Magahat-Magani/Marcos Bocales. Samarca era diretor da ALCADEV, um centro de aprendizagem alternativa para o desenvolvimento da agricultura e sustento das comunidades indígenas (Alternative Learning Center For Agricultural and Livehood Development – ALCADEV), estabelecido pelas comunidades indígenas Lumads.

O momento político atual e a surdez do governo Dilma

O momento político atual e a surdez do governo Dilma
por (Comissão Pastoral da Terra)

"A Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da CPT, ao mesmo tempo em que denunciam as tentativas da quebra da normalidade democrática, lamentam a falta de sensibilidade do governo Dilma no atendimento às reivindicações populares. Nunca um governo, desde o final dos anos de chumbo da ditadura militar, foi tão surdo às demandas populares, no campo e nas cidades, quanto o governo Dilma. Foi o governo que menos reconheceu terras indígenas e territórios quilombolas e o que menos fez assentamentos de sem terra. As decantadas políticas sociais, decadentes sob os cortes do ajuste econômico que mais uma vez favorece os que têm poder, já não conseguem aludir a uma imagem “popular” do governo.

A surdez da Presidência se tornou quase uma afronta aos homens e mulheres do campo com a nomeação para o Ministério da Agricultura da senadora Kátia Abreu, que sempre se mostrou inimiga dos movimentos do campo e do meio ambiente em plena crise climática. E diante de tantos apelos dos mais diversos movimentos populares, mantém o ministro da Fazenda totalmente alinhado aos interesses da classe dominante."

"A Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT vêm a público se manifestar sobre o grave momento da conjuntura nacional, cujo foco na polarização da crise política, em muito enviesada e distorcida, obscurece a percepção dos atuais conflitos violentos contra os povos do campo". 

Confira a Nota da Comissão Pastoral da Terra sobre a atual conjuntura nacional:

O país viveu, neste ano de 2015, um período conturbado pela recessão econômica e pela crise política que encurralaram a presidência da República. A incompetência no enfrentamento da crise econômica, as denúncias diárias de corrupção que atingem o PT e aliados de seu governo de coalizão têm sido utilizadas pela oposição para uma busca ilegítima do poder que ameaça desestabilizar a ordem democrática. A corrupção, endêmica na vida política brasileira, é apresentada, sobretudo pelos meios de comunicação, como a maior e mais grave da história deste país. Esquece-se que somente agora estes casos estão sendo investigados e punidos.

domingo, 20 de dezembro de 2015

A ENCRUZILHADA SÍRIA

A ENCRUZILHADA SÍRIA
por Prensa Latina

"Se o combustível fóssil, seja gás ou petróleo, não gerasse ganâncias desproporcionais e paranóicas, o Oriente Médio há anos seria uma zona de paz e estaria entre as áreas de maior contribuição à cultura universal devido à sua rica e milenar história desde muitos séculos antes de Cristo." 
"O Levante também não é zona de sangue porque atribuem a ele ser mãe do terrorismo, ou porque a necessidade do espaço vital justifique aos olhos de alguns as matanças de palestinos, e justifiquem que organizações internacionais e grandes metrópoles fiquem calados quando é exigida em fóruns a retirada de Israel dos territórios árabes ocupados e o fim de sua colonização.

Nada disso: o Oriente Médio é zona de sangue pela presença de gás e petróleo em seu subsolo e a posição estratégica que ocupa para a distribuição e comercialização para a Europa e o resto do mundo mediante oleodutos, gasodutos e tanqueiros, e isso explica a desgraça do Iraque, da Líbia, as ameaças ao Irã ou a devastação da Síria, e inclusive o próprio drama territorial curdo e sua eterna diáspora e divisões seculares."

Se a Síria estivesse encrustrada em um ponto estéril, longínquo e desconhecido em qualquer oceano, por onde nem os barcos passam, certamente suas cidades e campos estariam intactos e seu povo viveria feliz com sua multiplicidade de tendências religiosas, sem êxodo nem pranto, nem o luto que carrega.

Mas teve a má sorte de estar situada no meio da rota do petróleo e ser um cruzamento transcendente em uma região onde se atravessam as jazidas de gás natural mais importantes do mundo, tanto em terra como no Mediterrâneo, vitais para o consumo energético e a vida, berço de grande parte da Europa.

Está localizada, além disso, em um dos extremos geográficos de maior concentração de pólvora e metralhadoras, presa como um sandwiche explosivo entre a Turquia, o Iraque e Israel, flutuando acima de reservas de hidrocarbonetos e gás natural sobre os quais fazem planos de exploração presidentes e premiês além dos mares, em complôs com xeiques, emires e califas, executivos de poderosas empresas, generais e políticos fora e dentro do Levante, que relevam com desdém termos como soberania, independência, direitos nacionais e outros que estão hoje sem significado.

Historiador norte-americano desmente “terror” de Stálin

Historiador norte-americano desmente “terror” de Stálin


"A partir do assassinato de Kirov, em 1934, uma rede conspirativa foi identificada no alto escalão do Governo e do Exército soviéticos. Segundo Thurston, havia realmente um bloco trotskista em atividade na URSS; Bukharin tinha conhecimento de um centro articulado contra Stálin; pelo menos um dos seguidores de Bukharin mencionou matar Stálin; e informações de origens distintas confirmavam um complô no Exército articulado por Tukhachevsky. Assim, todas as evidências apontam para o fato de que as ações do Governo, desse momento em diante, foram uma reação a eventos que se passavam no país, e não uma política deliberada e imotivada de repressão, como defende a historiografia burguesa."

A pesada artilharia ideológica do revisionismo e da Guerra Fria contra Stálin e suas realizações na construção do socialismo na União Soviética ainda hoje se faz sentir. Não é verdade que o mero distanciamento no tempo nos permite ver com mais clareza o que se passou, como lemos tantas vezes nas capas de dezenas de livros burgueses sobre o período. Não nesse caso. Conforme nos ensina Lênin, não existe neutralidade numa sociedade dividida em classes, e, por isso, não é de se esperar que autores burgueses mudem seu ponto de vista com o passar dos anos.

No entanto, isso não impede que alguns lampejos de lucidez e honestidade intelectual possam ser encontrados entre historiadores não-marxistas que estudam a questão, como é o caso de Robert W. Thurston, professor de História na Universidade de Miami, em Oxford, Ohio, EUA, e autor da obra Life and terror in Stalin’s Russia – 1934-1941 (Vida cotidiana e terror na Rússia de Stálin, em tradução livre), ainda sem tradução para o português.

Ao analisar o período comumente referido como o mais repressivo na história da URSS, que foi entre 1934 e 1941, Thurston afirma que Stálin, ao contrário do que é propagandeado pela academia burguesa, nunca teve a intenção de aterrorizar o país e que não tinha nenhuma necessidade disso. Ao contrário, afirma o historiador, as grandes massas da população soviética não só acreditavam que as mudanças em curso no país eram uma real busca por inimigos internos, como essas mesmas massas colaboravam com o Governo revolucionário nesta tarefa.

A face oculta da ‘moderna’ terceirização na atividade fim

A face oculta da ‘moderna’ terceirização na atividade fim
por Barbara Vallejos Vazquez


"O certo é que, em estimativas de diferentes fontes, constatou-se nos setores terceirizados discriminação salarial, desrespeito a direitos, maior incidência de acidentes e relação intrínseca com a ocorrência de trabalho escravo. Isso sem falar nas inúmeras empresas fantasmas que “somem” sem pagar os direitos devidos aos trabalhadores.

Quando se trata de informações sobre as atividades fim, a despeito de uma constatação empírica da degradação das condições de trabalho, a medição global é árdua, pois envolve o desmascaramento de contratos de emprego escamoteados em relações comerciais, além de diversas formas de fraudes e burlas à legislação trabalhista."
O discurso de ‘modernização’, de que o Projeto de Lei nº 30/2015 vai trazer as empresas do século 20 para o 21, esconde uma realidade de ilegalidades, burlas de direitos trabalhistas, fraudes, interposição de mão de obra e vínculos profundos com o trabalho escravo

Em entrevista recente sobre o Projeto de Lei nº 30 de 2015, que regulamenta a terceirização sem limites no Brasil e permite a terceirização na atividade fim, Hélio Zylberstajn afirmou que “A Súmula 331 proíbe nossas empresas de evoluir e se transformar em redes produtivas. Condena-as a permanecer no século 20…”

As entidades patronais, que pressionam para uma precipitada aprovação, afirmam que buscam segurança jurídica às empresas que, então, finalmente, poderiam fazer o que mais desejam: “modernizar o mercado de trabalho brasileiro”.

O que se sabe sobre a terceirização no Brasil?

Não existem estatísticas exatas sobre terceirização. No que tange às chamadas atividades meio é possível se fazer cálculos aproximados: seriam cerca de 12 milhões de terceirizados no Brasil ou um quarto do mercado de trabalho formal.

O certo é que, em estimativas de diferentes fontes, constatou-se nos setores terceirizados discriminação salarial, desrespeito a direitos, maior incidência de acidentes e relação intrínseca com a ocorrência de trabalho escravo. Isso sem falar nas inúmeras empresas fantasmas que “somem” sem pagar os direitos devidos aos trabalhadores.

sábado, 19 de dezembro de 2015

O papel dos estados nacionais na época contemporânea

O papel dos estados nacionais na época contemporânea1
por Tatiana Khabarova - Fevereiro de 1996


"Com a internacionalização das forças produtivas, na base da economia de mercado, a referida «linha separadora», se assim a designarmos, naturalmente, não desaparece, mas desloca-se geograficamente da metrópole para a periferia, para países menos desenvolvidos e com baixos níveis de desenvolvimento. Ora, se um país pouco desenvolvido se integra com excessiva confiança num processo econômico internacional construído desta maneira, arrisca-se a ficar completamente arredado da «linha de separação», ou seja, transforma-se em fornecedor de matérias-primas baratas para a metrópole florescente e numa zona de calamidade social para a maior parte da sua população. Por isso o pensamento comunista genuíno contemporâneo não considera, em geral, a internacionalização dos laços econômicos de mercado a nível mundial como um processo progressista. É um processo que levará a um impasse civilizacional, e caso prossiga livremente, pode revelar-se (e inevitavelmente revelar- -se-á) fatal para uma parte importante das regiões do globo terrestre. A contradição antagônica contida no modelo de mercado não poderá ser resolvida através da sua internacionalização, mas através da transição da economia de mercado para a economia não de mercado, que é designada com frequência economia planificada. Esta designação, em rigor, está longe de reflectir a essência civilizacional do sistema econômico não baseado no mercado. "

No âmbito do tema da presente conferência, gostaria de abordar a questão do papel dos estados nacionais na época contemporânea. A independência e a soberania nacional de um povo devem ter uma incarnação material, uma determinada garantia material da sua existência; e a sua incarnação material é constituída pelo Estado. 

A ideia de estados nacionais pujantes tem sido sistematicamente sujeita a obstinados ataques ao longo do século XX. Por um lado, os processos de internacionalização das forças produtivas, através do desenvolvimento do mercado mundial, logo desde a I Guerra Mundial, impelem para a ideia do rompimento, do esbatimento das fronteiras nacionais-estatais, como sendo alegadamente obstaculizadoras do progresso científico-técnico e da organização da produção. Por outro lado, uma parte do movimento comunista também relacionou o futuro do socialismo e do comunismo com a ideia da extinção e mesmo da eliminação revolucionária dos estados nacionais, enquanto obstáculos à revolução mundial e ao estabelecimento da sociedade comunista planetária. 

Ambas estas tendências tiveram possibilidades para se desenvolver em menor ou maior grau ao longo do século XX. 

Falemos primeiro sobre o processo de internacionalização das forças produtivas no quadro da chamada economia de mercado. O propulsor da economia de mercado é a obtenção de lucro, sob a forma de dinheiro, através do preço da mercadoria realizada. A mercadoria, no essencial, é vendida apenas ao consumidor que pode pagar esse lucro incluído no preço. A existência de um número maior ou menor de consumidores potenciais, que necessitam da mercadoria mas não tem possibilidade de pagar o preço exigido, não é contraditória com os princípios da economia de mercado. 

O produtor mercantil mais depressa destrói produtos alimentares, à vista de pessoas que morrem de fome, do que os vende por um preço que não lhe garanta o lucro.

Em fase terminal

Em fase terminal
por Jorge Bateira 


"Até quando resistirá o povo grego ao massacre a que está sujeito? Até quando resistirá a Itália a uma estagnação sem fim à vista? Até quando resistirá a França à permanente desindustrialização e erosão do Estado-social? Até quando aceitará a Finlândia sofrer uma recessão sem poder recorrer à política económica (orçamental e cambial) de que precisa? Até quando Portugal e Espanha estarão dispostos a sofrer um nível de desemprego típico da Grande Depressão? Muito provavelmente, a crise dos refugiados que chegam em massa às portas da UE será o golpe de misericórdia neste projecto de submissão dos povos ao totalitarismo neoliberal. "

Nos dias que correm, o chamado "projecto europeu" assemelha-se a um barco no meio da tempestade metendo água por todos os lados. Alguns dos seus mais acérrimos defensores estão tão desmoralizados que, pelo que escrevem, mais parecem adversários da "construção europeia". A título de exemplo: "Com uma união monetária que estiola no Sul. Com Schengen agonizante no Centro e no Leste, o projeto europeu transformou-se num trágico nó górdio, à espera de um génio que o desate ou, o que é mais provável, de um(a) louco(a) capaz de erguer a espada que o corte. Sem olhar às terríveis consequências que se lhe seguirão." (Viriato Soromenho Marques, DN - 7 Dez. 2015). De facto, para grande pesar dos europeístas de todos os quadrantes, o barco está mesmo afundar e não é preciso ser adivinho para perceber que o seu fim está escrito nos astros. 

Como se já não bastasse a tragédia do resgate dos bancos credores das periferias, através da conversão da dívida do sistema financeiro em dívida pública à troika, agravada pela aplicação de uma política económica idêntica à dos anos trinta do século passado que converteu o crash financeiro de 1929 na Grande Depressão, temos agora a Finlândia a admitir referendar a sua participação na Zona Euro. Juntemos a recente vitória de um partido eurocético na Polónia e a passagem da Frente Nacional a partido mais votado nas eleições regionais em França. Isto para além do anunciado referendo no Reino Unido sobre a sua participação na UE. 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Terrorismo de Estado: estilo franco-americano

Para entender o que se passa na Síria 1 : A Agenda politico-militar do Imperialismo sionista

Terrorismo de Estado: estilo franco-americano
Global Research, December 04, 2015

"Bem, nós temos informações suficientes para saber que esta assim chamada guerra contra o terrorismo é uma farsa. Os Estados Unidos e seus aliados estão envolvidos em uma criminosa atividade de violação do direito internacional e numa violação dos direitos de um país soberano. Trata-se de geopolítica e de conquista econômica. Eles estão usando a guerra contra o terrorismo como pretexto. Na verdade a campanha de bombardeios veio realmente como resposta ao fato de que as forças do governo sírio em 2014, tinham conseguido pacificar uma grande parte do seu território. Tem-se então que muitas bolsas terroristas tinham sido eliminadas. Foi por isso que a campanha de bombardeios foi iniciada. Depois ainda vieram o recrutamento e a formação de terroristas a partir da Arábia Saudita, do Qatar, e ainda de outras partes."

“Guns And Butter” entrevista com Michel Chossudovsky

A mais recente investigação sobre o ataque em Paris, alegadamente feito pelo Estado Islâmico, DAESH, assim como o do Radisson Hotel em Bamako, no Mali, é discutida na entrevista que poderá ser lida aqui nesse relatório..

Essa é uma análise do estado atual do financiamento do terror dentro de um quadro da geopolítica global e da estrutura econômica..

Os tópicos incluem:
· A contradição fundamental que se encontra nas bases da narrativa oficial da guerra contra o terror de maneira geral e mais especificamente contra o Estado Islâmic, ou ISIS. 
· Estado islâmico, uma criação da inteligência norte-americana; 
· A agenda geopolítica; a militarização da África; a Conferência de Berlim no final do século 19; 
· A presciência do ataque – Paris terror; 
· Escalada militar da França contra a Síria foi planejada antes dos ataques atuais; 
· A replicação do discurso de 9/11 como um pretexto para justificar uma nova onda de bombardeios contra a Síria; 
· Ataque por uma potência estrangeira justifica um estado de guerra; 
· A Doutrina de Segurança Coletivo, o Artigo 5 da OTAN; 
· A comunidade Muçulmana submetido a uma caça às bruxas; a criminalização do estado e o sistema financeiro; 
· O fim da República francesa.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Cena política e impeachment: a correlação de forças

Cunha e os ratos
Cena política e impeachment: a correlação de forças 
por Jones Manoel

"A primeira coisa que deve ser frisada é que o Governo Dilma não é e nunca foi de esquerda – nem os governos de Lula. Dilma tem no seu governo representante orgânicos dos principais setores da grande burguesia interna, sendo Katia Abreu, Armando Monteiro e Joaquim Levy as figuras mais significativas. Portanto, temos setores da burguesia, como o latifúndio agroexportador e os bancos e instituições financeiras que estão muito bem representadas no aparelho do Estado e que se não declararam apoio ao impedimento, significa, no mínimo, uma “neutralidade” ou indiferença a manobra articulada por Eduardo Cunha."


Venho tentando traçar uma análise do comportamento dos diferentes setores da classe dominante nacional na conjuntura aberta com o pós-eleição. No texto “A ‘crise política’, a burguesia interna e a oposição: uma proposta de interpretação” [1] lancei minha primeira grande proposta analítica. Pretendo, agora, escrever uma série semanal de textos com destaque na correlação de forças entre as classes e suas expressões no processo do impeachment liderado por Eduardo Cunha. Meu foco será a posição das diferentes frações da burguesia, mas, eventualmente, também buscarei explicitar um quadro analítico sobre a posição das organizações de esquerda.

Com esse novo momento da cena política, as pseudo-análises longe da realidade, infelizmente, tendem a se multiplicar. De um lado, temos o PSTU e sua proposta do “Fora Todos”, e agora defendendo “novas eleições” para todos os cargos – deputado, senador, governador, presidente – para o “povo” poder “trocar todos [2]; no campo oposto, mas com uma pseudo-análise igualmente irreal, temos a Consulta Popular, que, em nota política sobre o “golpe”, afirma que com a proposta do impeachment “o corrupto Eduardo Cunha reafirma a agenda golpista dos inimigos do povo: as forças neoliberais e o imperialismo que têm seus interesses representados principalmente nas movimentações antinacionais e antipopulares do capital financeiro, de setores do empresariado, da direita partidária”; contudo, “esquece” a Consulta que o que mais tem no Governo do PT é associação com o empresariado, direita partidária, política neoliberal, antinacionais, etc. [3] Até agora a posição pública mais equilibrada, na esquerda, foi a do MTST [4].

É fato gritante que os governistas, que estavam envergonhados, procuram usar o pedido de impeachment para reavivar o mito do “governo em disputa” e para criar uma narrativa maniqueísta de “bem contra o mal”, “popular contra antipopular”, “conservador contra progressista”. Diante disso, vamos traçar um quadro das posições da classe dominante em seus diversos setores e dos principais componentes do sistema político burguês – a “classe reinante”.

No sistema político burguês

O processo de impeachment não é determinado prioritariamente pela dinâmica institucional, mas a correlação de forças no sistema político burguês joga um papel importante. Todos os governadores do Nordeste, representando partidos como PT, PSB, PCdoB, PSD e PMDB, declaram serem contrários ao processo de impedimento [5]. Notem que governadores do PDMB, partido do Eduardo Cunha, já se colocam contra o afastamento de Dilma. O líder do PMDB na Câmara também repudiou a decisão do seu colega [6]. Outro importante quadro do PMDB, Jarbas Vasconcelos, não só não declarou apoio ao impedimento, como pediu o afastamento do seu correligionário de partido – segundo levantamento do Globo, 60% dos deputados do PMDB são contra o impedimento [7].

No próprio PSDB, não existe uma unidade total. No Senado, onde a oposição aparente é mais fraca, Tasso Jereissati, senador pelo PSDB, declara não apoiar o impedimento, pois ela “não é solução”. Dois atores institucionais de peso, a OAB e a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) declaram-se contra o impedimento [8] e Lula, no Rio de Janeiro, buscou aliança com a ala local do PMDB que mostrou-se inclinada a ficar contra Eduardo Cunha.

O FMI perdoou a dívida da Ucrânia à Rússia


O FMI perdoou a dívida da Ucrânia à Rússia
por Michael Hudson


"Mas na terça-feira o FMI aderiu à Nova Guerra Fria. Ele tem emprestado dinheiro à Ucrânia apesar das regras do Fundo proibirem empréstimos a países sem possibilidade visível de pagar (a regra "No More Argentinas" a partir de 2001). Sob a chefia de Christine Lagarde o FMI fez o último empréstimo à Ucrânia na Primavera e ela manifestou a esperança de que haveria paz. Mas o presidente Porochenko anunciou de imediato que utilizaria as receitas para intensificar a guerra civil do país com a população do Leste que fala russo, o Donbass.

Aquela é a região que faz a maior parte das exportações, principalmente para a Rússia. Este mercado agora e no futuro previsível está perdido. Pode ser por muito tempo, porque o país é dirigido pela junta apoiada pelos EUA colocada no governo após o golpe de extrema direita do Inverno de 2014. A Ucrânia recusou-se a pagar não só os possuidores de títulos do sectores privado como também o governo russo. "
No dia 8 de Dezembro o porta-voz chefe do FMI, Gerry Rice, enviou uma nota a dizer: 

"O Conselho de Administração do FMI reuniu-se hoje e concordou em mudar a actual política de não tolerância de pagamentos atrasados (arrears) a credores oficiais. Apresentaremos pormenores sobre o âmbito e lógica desta mudança política nos próximos dias". 

Desde 1947 quando, quando realmente começou a operar, o Banco Mundial tem actuado como uma ramo do Departamento da Defesa dos EUA, desde o seu primeiro presidente John J. McCloy até Robert McNamara, Robert Zoellick e o neocon Paul Wolfowitz. Desde o início ele promoveu exportações dos EUA – especialmente exportações agrícolas – ao orientar países do Terceiro Mundo a produzirem plantios extensivos ao invés de alimentarem suas próprias populações (eles devem importar cereais dos EUA). Mas ele sentiu-se obrigado a envolver sua promoção de exportações estado-unidenses e seu apoio à área dólar numa retórica ostensivamente internacionalista, como se o que é bom para os Estados Unidos fosse bom para o mundo. 

O FMI foi agora arrastado para a órbita da Guerra Fria estado-unidense. Na quinta-feira ele tomou a decisão radical de desmantelar a condição que havia integrado o sistema financeiro global durante o último meio século. No passado, ele fora capaz de assumir o comando na organização de pacotes salvamentos (bailouts) a governos ao conseguir que outros países credores – encabeçados pelos Estados Unidos, Alemanha e Japão – participassem. A alavancagem de credor que o FMI utilizava é que se um país está com atrasados financeiros a qualquer governo ele não pode qualificar-se para um empréstimo do FMI – e portanto para pacotes que envolvam outros governos. 

Este tem sido o sistema pelo qual o dolarizado sistema financeiro global funcionou durante meio século. Os beneficiários têm sido credores em US dólares. 

Para onde vai a França?

Para onde vai a França?
por Albano Nunes

" A verdade porém é que soam cada vez mais alto as vozes que denunciam a deriva securitária e militarista a que esta «guerra» está a conduzir, com uma inquietante escalada no ataque a direitos e liberdades fundamentais, à aceitação crescente das teses musculadas de Sarkozy e a um anunciado novo avanço da extrema direita nas próximas eleições regionais de 6 de Dezembro."

"Para onde vai a França, um dos principais países capitalistas, membro do Conselho de Segurança da ONU, potência nuclear, com papel destacado na União Europeia e com posições econômicas, políticas e militares (estas em vertiginoso crescimento) em África em países que procura recolonizar? Um país influente na cena internacional cuja evolução não pode deixar indiferente nenhum revolucionário. E tanto mais quanto a burguesia francesa tem um longo historial de crimes contra-revolucionários, com destaque para os que cometeu contra o movimento operário e contra o impetuoso movimento de libertação nacional que, da Indochina à Argélia, pôs fim ao seu vasto império colonial."

Já sabíamos que as «cimeiras» em que participam as grandes potências imperialistas são sempre rodeadas de medidas de segurança espetaculares que, mais que proteger, visam colocá-las à distância das populações e ao abrigo de incômodas manifestações populares, mas as medidas em torno da realização da Conferência da ONU sobre as alterações climáticas/COP21 suscitam a indignação e o protesto dos meios democráticos da sociedade francesa. 

Na imprensa chamam a atenção títulos como «mais de 120 000 polícias e militares protegem a cimeira do clima», «Paris recebe cimeira do clima em pleno estado policial», «a segurança foi reforçada, as manifestações de rua canceladas». A justificação é a «guerra ao terrorismo» decretada pelo governo de Hollande na sequência dos criminosos ataques de 13 de Novembro. A verdade porém é que soam cada vez mais alto as vozes que denunciam a deriva securitária e militarista a que esta «guerra» está a conduzir, com uma inquietante escalada no ataque a direitos e liberdades fundamentais, à aceitação crescente das teses musculadas de Sarkozy e a um anunciado novo avanço da extrema direita nas próximas eleições regionais de 6 de Dezembro.

Para onde vai a França, um dos principais países capitalistas, membro do Conselho de Segurança da ONU, potência nuclear, com papel destacado na União Europeia e com posições econômicas, políticas e militares (estas em vertiginoso crescimento) em África em países que procura recolonizar? Um país influente na cena internacional cuja evolução não pode deixar indiferente nenhum revolucionário. E tanto mais quanto a burguesia francesa tem um longo historial de crimes contra-revolucionários, com destaque para os que cometeu contra o movimento operário e contra o impetuoso movimento de libertação nacional que, da Indochina à Argélia, pôs fim ao seu vasto império colonial. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Síria : sangue por Petróleo - a guerra radical do Oleogasodutostão*

Síria : sangue por Petróleo - a guerra radical do Oleogasodutostão*
por Pepe Escobar.*


"Por tudo isso, até agora a estratégia de Washington consistiu em injetar na Síria a maior quantidade possível da proverbial lógica do Império do Caos: alimentar quaisquer chamas de caos interno, operação pré-planejada por CIA, Arábia Saudita e Qatar, com culminação prevista sob a forma de mudança de regime em Damasco. 
Para Washington, qualquer óleogasoduto Irã-Iraque-Síria é inaceitável, não só porque tira negócios e fregueses dos EUA, mas sobretudo porque, na guerra das moedas, esses negócios atropelarão o petrodólar: o gás iraniano do campo Pars Sul pode ser negociado numa cesta alternativa, de outras moedas." 
"Agora o jogo expandiu-se ainda mais, com a recente descoberta de muito gás em reservas marítimas por todo o Mediterrâneo Oriental – em águas territoriais de Israel, Palestina, Chipre, Turquia, Egito, Síria e Líbano. Toda essa área pode guardar coisa como 1,7 bilhão de barris de petróleo e talvez 122 trilhões de pés cúbicos de gás natural. Seria simplesmente um terço de toda a reserva ainda não revelada de combustível fóssil que se calcula que haja em todo o Levante."
Não, não é conhecida (Síria) por ter muito petróleo - mas é o caminho lógico do gás do Oriente Médio, a caminho de UE

Síria é guerra por energia. Com o coração do assunto já exposto, mostrando feroz competição geopolítica entre dois gasodutos propostos, estamos diante da mais radical [no sentido de que a guerra se trava nas raízes (NTs)] guerra no Oleogasodutostão – a expressão que criei há muito tempo para designar os campos de combate do Império no século 21.

Tudo começou em 2009, quando o Qatar propôs a Damasco construírem um gasoduto do Campo Norte qatari – contíguo ao Campo Pars Sul, que pertence ao Irã – e que atravessaria Arábia Saudita, Jordânia e Síria diretamente até a Turquia, para abastecer a União Europeia.

O processo de impeachment em nada favorece os trabalhadores

O processo de impeachment em nada favorece os trabalhadores, seja qual for o resultado: A nossa luta é contra o capitalismo!
Nota Política do PCB


"Tudo leva a crer que, para qualquer dessas hipóteses, costura-se um governo de “união nacional” (na realidade de união burguesa) a partir de um novo eixo de poder mais neoliberal, baseado na aliança PMDB/PSDB, que já se prenunciou no programa apresentado pela cúpula do PMDB, significativamente chamado de “Ponte para o futuro”, em que o partido se aproxima do ideário do PSDB e se oferece ao capital para cumprir integralmente suas metas de mais ajuste, mais cortes de direitos e, o que não está escrito, mais repressão e restrições às liberdades democráticas.

Com essa leitura, o PCB considera que, para os trabalhadores e os setores populares, foi negativa a instauração do processo de impeachment. A tendência é que qualquer resultado nos seja desfavorável. Para se manter no governo, o PT, como sempre, não deverá romper com sua aliança de centro direita, condição para que pudesse garantir uma governabilidade popular com um novo programa de mudanças, a favor dos trabalhadores. Mas, ao contrário, o governo deverá ceder cada vez mais às chantagens e aos interesses do capital."

A abertura do processo de impeachment contra a Presidente da República é expressão do auge de uma profunda crise que conjuga a falência do modelo político excludente de dominação burguesa e do modelo econômico baseado nos fundamentos neoliberais, consolidados nos governos FHC e continuados nos governos petistas, a partir do compromisso assumido por Lula, nas eleições de 2002, em um documento dirigido aos banqueiros, sob o título disfarçado de Carta aos Brasileiros.

Combater o sindicalismo de colaboração de Classes

Combater o sindicalismo de colaboração de Classes
por UC-Nacional

"Ao velho estilo do reformismo/peleguismo sindical, estas centrais, entoando o libelo (neo)desenvolvimentista, pedem uma agenda positiva que vise “estimular o crescimento econômico, com o retorno rápido de investimentos em infraestrutura, nos setores de energia, ações para destravar o setor da construção, aumento da produção e das exportações, e a adoção de políticas de fortalecimento do mercado interno para incremento dos níveis de consumo, emprego, renda e direitos sociais”.

Com isto, procuram relegar ao movimento sindical o papel de “sujeito social” que deve atuar levando em conta a “globalidade dos interesses em choque na sociedade”, esvaziando-o de seu conteúdo de classe.

Tal discurso de conciliação entre capital e trabalho e colaboração de classes (em vez de luta), ainda mais em períodos de recessão – onde o sistema capitalista atravessa uma grave e prolongada crise, que se manifesta inclusive nos principais países imperialistas – visa também obter algumas migalhas para os assalariados, perpetuando a exploração capitalista e amortizando o choque de classes."

Centrais sindicais brasileiras convocam para o dia (08/10), ato em conjunto com entidades patronais. Em panfleto conclamam: “Só vontade coletiva para viabilizar um modelo de desenvolvimento com valorização da produção e do trabalho”

O ato é o desdobramento do movimento lançado no último dia 3 (no Espaço Social Hakka, em São Paulo) intitulado “Compromisso pelo Desenvolvimento”, do qual participaram CNI (Confederação Nacional da Industria), ANFAVEA (Associação de Fabricantes de Veículos Automotores), AbIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas), a ABIT (Associação Brasileira da Industria Têxtil e Confecção), ABRINQ (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos), Associação Comercial de Minas Gerais, Associação Comercial do Rio de Janeiro, Associação Comercial de São Paulo, Instituto ETHOS, CUT, FORÇA SINDICAL, UGT, CTB, NCST, CSB, dentre outros.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Rumo ao domínio corporativo global


Rumo ao domínio corporativo globalpor Prabhat Patnaik


"Os tratados de investimento que estão a ser implementados pelos EUA destinam-se a criar esse aparelho; representam uma transição para um conjunto de instituições acima dos estados-nações que servirão as necessidades do capital globalizado, oferecendo a sua “proteção” onde quer que funcionem. Mas o que é de assinalar é o facto de que não são instituições de qualquer consórcio de estados-nações (como, por exemplo, o Tribunal Internacional de Justiça); são instituições privadas . Por outras palavras, não estamos a assistir a uma transição para instituições governamentais acima de estados-nações; estamos a assistir, por intermédio destes tratados, ao nascimento de um conjunto de instituições privadas acima dos estados-nações. A globalização do capital está a gerar atualmente uma tendência para o domínio empresarial global."

Os Estados Unidos estão a implementar uma nova arquitetura de domínio empresarial global através duma série de tratados de investimento que, neste momento, estão a negociar com vários países. Quando todos esses tratados entrarem em vigor, a extensão da sua jurisdição cobrirá 80% do PIB global, ou seja, praticamente toda a economia mundial. Estes tratados incluem um conjunto de Tratados Bilaterais de Investimento (TBIs), a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) e a Parceria Trans-Pacífico (TPP). Como a Índia está a ser pressionada para aderir a estes tratados, é importante que estudemos cuidadosamente a sua arquitetura. 

O iminente colapso do Brasil e da América Latina

O iminente colapso do Brasil e da América Latina 
por Alejandro Acosta


"As economias dos países latino-americanos se encontram sufocadas pelo parasitismo imposto pelos monopólios. Um dos principais mecanismos da espoliação é o pagamento da ultra parasitária e corrupta dívida pública, que hoje consome mais de 45% do orçamento público federal."

"O sistema capitalista mundial se encontra num beco sem saída. A cada nova crise ganha uma nova ponte safena. E para o próximo período está colocado um colapso de ainda maiores proporções. Esta é a base que colocará em movimento a classe operária mundial, o agente social que tem como tarefa histórica derrubar o capitalismo, implantar a propriedade social sobre os meios de produção e acabar de vez com a exploração do homem pelo homem."

A Reserva Federal (banco central) norte-americana deverá aumentar os juros em dezembro ou, no máximo, em março, deixando para trás o longo período de taxas de juros a quase 0%.

EUA: as altas taxas dos juros

Desde 2007, a Reserva Federal aumentou os títulos podres que possui de US$ 1 trilhão para mais de US$ 4,5 trilhões e apenas US$ 57 bilhões nos chamados ativos não podres (“equities”) que são títulos financeiros que poderão se tornar podres no próximo período. Para salvar os monopólios da bancarrota, o Estado lhes repassou enormes volumes de recursos públicos. Por meio do chamado quantitative easing (ou alívio quantitativo) a Reserva Federal comprou trilhões em títulos altamente podres pelo valor cheio. De acordo com o relatório de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, somente entre 2007 e 2010 foram repassados US$ 16 trilhões. De lá para cá, os repasses têm sido gigantescos.

domingo, 29 de novembro de 2015

O Lado Invisível do Terrorismo

O Lado Invisível do Terrorismo
Marcelo Zero

Ao contrário do que supõe o ‘senso comum’, a imensa maioria das mortes por terrorismo ocorrem no Oriente Médio, África e Ásia, e apenas marginal e ocasionalmente na Europa e EUA. Além disso, há forte correlação entre o crescimento do terrorismo em escala global e as intervenções militares realizadas, em tese, para coibir o fenômeno .
"Em 2003, quando se inicia a invasão do Iraque, sob o falso pretexto de neutralizar armas de destruição em massa, implantar a democracia e combater o terrorismo, tínhamos cerca de 3.000 mortes por terrorismo em todo o mundo. À medida que tal intervenção cresce, o número de mortes aumenta até cerca de 11 mil, em 2007. A partir de aí há uma discreta queda até 2011, quando se inicia a guerra civil da Síria. Desde aquele ano, há uma evolução exponencial do terrorismo, obviamente vinculada ao apoio que o Ocidente deu e ainda dá aos grupos terroristas que lutam contra o governo Assad, bem como ao colapso dos Estados Nacionais da Síria e do Iraque. O Estado Islâmico, nascido no Iraque ocupado, aproveitou-se desse apoio e conseguiu dominar um amplo território que inclui o Centro e o Oeste do Iraque e o Leste da Síria, regiões de maioria sunita. Com o domínio desse território e com a venda de seu petróleo via Turquia, o Estado Islâmico converteu-se na grande usina de propagação do terrorismo fundamentalista sunita no mundo."
I. Os recentes e trágicos atentados terroristas cometidos na França voltaram a colocar em debate, no chamado Ocidente e no Brasil, a questão do terrorismo.

II. Entretanto, é fácil constatar que tal debate está muito centrado no terrorismo que afeta eventualmente países ocidentais. Também é visível que se desenvolveu um senso comum em torno do tema, o qual impede ou distorce análises mais abrangentes, equilibradas e realistas sobre o fenômeno.

Mais de 500 jihadistas recebem atenção médica no Ziv Medical Centre de Israel

Mais de 500 jihadistas recebem atenção médica no Ziv Medical Centre de Israel
por Resumen Medio Oriente/Red Voltaire

"uma célebre jornalista do News Corp, Sharri Markson, travou conversas com alguns pacientes para coletar seus testemunhos. A jornalista pode assim verificar que mais de 500 desses pacientes são membros da Al-Qaeda feridos em combate em solo sírio.

Vários oficiais de segurança intervieram para interromper a jornalista quando esta anotava detalhes sobre a maneira como estes jihadistas são transferidos a Israel para receber assistência médica e como são enviados posteriormente para continuar a jihad na Síria.

Em setembro de 2014, o primeiro ministro israelense, Benyamin Netanyahu, foi fotografado nesse mesmo hospital enquanto visitava e felicitava os jihadistas da Al-Qaeda."
Vários jornalistas que participam de uma viagem de imprensa organizada pela Australia/Israel and Jewish Affairs Council (AIJAC) visitaram o Ziv Medical Centre, em Zefat (norte de Israel). Este hospital conta com um serviço especializado em traumatologia de guerra e colabora oficialmente com as forças armadas de Israel. Nesse marco, dito centro está prestando assistência médica a “refugiados” sírios.

Enquanto o resto do grupo de jornalistas – o redator chefe adjunto do Daily Telegraph, Ben English; o jornalista de Seven News, Alex Hart; o repórter político de Sky News, David Lipson; redator chefe da Australian Financial Review, Aaron Patrick; o chefe da seção de política do Sydney Morning Herald e do The Age, Bevan Shields – seguiam os organizadores, uma célebre jornalista do News Corp, Sharri Markson, travou conversas com alguns pacientes para coletar seus testemunhos. A jornalista pode assim verificar que mais de 500 desses pacientes são membros da Al-Qaeda feridos em combate em solo sírio.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A reescravização dos povos ocidentais

A reescravização dos povos ocidentais
por Paul Craig Roberts


"As corporações estão a comprar poder a preço barato. Elas compraram toda a Câmara dos Representantes (House of Representatives) dos EUA por apenas US$200 milhões. Isto é o que as corporações pagam ao Congresso para concordar com a "Via Rápida" ("Fast Track"), a qual permite ao agente das corporações, o Representante Comercial dos EUA, negociar em segredo sem a contribuição ou supervisão do Congresso .
Por outras palavras, um agente corporativo dos EUA faz a negociação com agentes corporativos dos países que serão abrangidos pela "parceria" e este punhado de pessoas bem subornadas redigirá um acordo que ultrapassa a lei de acordo com os interesses das corporações. Ninguém a negociar a parceria representa os povos ou os interesses públicos. Os governos dos países em parceria incomodam-se em votar a proposta – e serão bem pagos para votar pelo acordo.

Uma vez em vigor estas parcerias, o próprio governo será privatizado. Já não haverá mais qualquer sentido em legislativos, presidentes, primeiros-ministros, juízes.

Tribunais corporativos decidem a lei e determinam as sentenças "
A reescravização dos povos ocidentais está a verificar-se a vários níveis. Um deles, acerca do qual tenho escrito durante mais de uma década, decorre da deslocalização de empregos. Os americanos, por exemplo, têm uma participação decrescente na produção dos bens e serviços que lhes são comercializados. 

A outro nível estamos a experimentar a financiarização da economia ocidental, acerca da qual Michael Hudson é o perito principal ( Matando o hospedeiro , Killing the Host). A financiarização é o processo de remoção de qualquer presença pública na economia e de converter o excedente económico em pagamentos de juros ao sector financeiro. 

Estes dois desenvolvimentos privam o povo de perspectivas económicas. Um terceiro desenvolvimento priva-o de direitos políticos. As parcerias Trans-Pacífico e Trans-Atlântica eliminam soberania política e transferem o governo para corporações globais. 

Estas chamadas "parcerias comerciais" nada têm a ver com comércio. Estes acordos negociados em segredo concedem às corporações imunidade em relação às leis dos países com os quais elas fazem negócios. Isto é alcançado ao declarar que qualquer interferência de leis e regulamentos existentes ou em perspectivas sobre lucros corporativos como restrições ao comércio, pelo que as corporações podem processar e multar governos "soberanos". Exemplo: a proibição em França e outros países de produtos de organismos geneticamente modificados (OGM) seria negada pela Parceria Trans-Atlântica. A democracia simplesmente substituída pelo domínio corporativo. 

Eu tinha intenção de escrever acerca disto há muito tempo. Entretanto, outros, tais como Chris Hedges, estão a fazer um bom trabalho na explicação da captura de poder que elimina governos representativos. 

As corporações estão a comprar poder a preço barato. Elas compraram toda a Câmara dos Representantes (House of Representatives) dos EUA por apenas US$200 milhões. Isto é o que as corporações pagam ao Congresso para concordar com a "Via Rápida" ("Fast Track"), a qual permite ao agente das corporações, o Representante Comercial dos EUA, negociar em segredo sem a contribuição ou supervisão do Congresso

Por outras palavras, um agente corporativo dos EUA faz a negociação com agentes corporativos dos países que serão abrangidos pela "parceria" e este punhado de pessoas bem subornadas redigirá um acordo que ultrapassa a lei de acordo com os interesses das corporações. Ninguém a negociar a parceria representa os povos ou os interesses públicos. Os governos dos países em parceria incomodam-se em votar a proposta – e serão bem pagos para votar pelo acordo. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O assassinato das mineradoras

O assassinato das mineradoras
A reportagem é de Francisco Câmpera, publicada por El País, 17-11-2015.

"Além das tristes mortes, o desastre ambiental do Rio Doce é incalculável, atingiu dezenas de cidades de Minas Gerais e do Estado do Espírito Santo. Peixes mortos, invasão do leito pela lama, contaminação da água…cidades inteiras estão sem água potável e sem renda, porque muitas viviam do rio. 
E o Estado sumiu… Não foi capaz de fazer o seu papel de fiscalizar e proteger a população. Há muita corrupção nos órgãos de fiscalização no Brasil ou falta de condições de trabalho. E muitas vezes quando um servidor público quer fiscalizar uma empresa grande e poderosa, encontra resistência e sofre perseguição.
Logo após a tragédia um Secretário de Estado de Minas Gerais, Altamir Rôso, disse que a Samarco foi vítima do acidente. Veja que inversão de valores, que acinte! Ainda o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, deu uma coletiva à imprensa na própria sede da Samarco. A presidente da República, Dilma Rousseff, lamentou a tragédia apenas pelo Twitter e só foi visitar o local uma semana depois. O Ibama, órgão federal responsável pelo meio ambiente, anunciou que as multas podem chegar a centenas de milhões, mas sabemos que elas raramente são pagas, devido a manobras e instâncias para recorrer. 
A situação é a mesma que acontece em grandes tragédias no Brasil, no começo um estardalhaço, depois o esquecimento e a falta de punição."

A ganância do homem nunca teve limite. Em busca do lucro vale tudo: matar, mentir, manipular, e sabe-se lá o que mais. Sempre foi assim na história da humanidade e hoje não é diferente. O caso do rompimento das duas barragens da mineradora Samarco em Minas Gerais é um exemplo perfeito. Primeiro vamos voltar ao fim do século XVII, época em que descobriram ouro na região onde está a Samarco. O cobiçado metal era tão farto que era fácil achá-lo com uma peneira no leito do Rio Doce, o mesmo rio onde ocorreu o desastre. A empresa conseguiu fazer em poucos dias o que a exploração de ouro não fez em séculos – destruir o rio, envenenado pelos dejetos das barragens, como o mercúrio e outras substâncias tóxicas.

Em seguida foram criadas várias vilas, dentre elas surgiram as famosas cidades históricas Ouro Preto e Mariana, locais onde estavam as barragens. A cobiça pelo ouro gerou uma disputa feroz pelo controle das minas entre os descobridores Bandeirantes paulistas e os portugueses. Os paulistas se renderam e entregaram as armas, mas mesmo assim foram cruelmente assassinados.

Em pouco tempo Portugal enriqueceu mais do que nunca, mas para se proteger dos inimigos teve que fazer aliança com a poderosa Inglaterra. Enquanto Portugal gastava como se não houvesse amanhã, a Inglaterra realizava a Revolução Industrial financiada com o nosso ouro. Nesse período aconteceu a Inconfidência Mineira, o primeiro grande movimento pela independência, que lutava contra os pesados impostos (o quinto do ouro), que acabou com o esquartejamento do nosso herói maior – Tiradentes.

Séculos depois, a tragédia social e econômica continua. Uma das sócias da Samarco é uma empresa inglesa BHP Billiton (Anglo-Australiana), a outra metade pertence à Vale. Até o dia 13 foram confirmadas sete mortes e 18 pessoas estão desaparecidas, dentre elas, crianças. O distrito Bento Rodrigues foi engolido pela lama. Até uma Igreja do século XVIII foi destruída.

Além das tristes mortes, o desastre ambiental do Rio Doce é incalculável, atingiu dezenas de cidades de Minas Gerais e do Estado do Espírito Santo. Peixes mortos, invasão do leito pela lama, contaminação da água…cidades inteiras estão sem água potável e sem renda, porque muitas viviam do rio.