Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Marxismo e Revisionismo

Marxismo e Revisionismo
Vladimir Ilitch Lenine

"É indiscutível que estas objecções dos revisionistas se reduziam a um sistema bastante coerente de concepções, a saber: as sobejamente conhecidas concepções burguesas liberais. Os liberais disseram sempre que o parlamentarismo burguês suprime as classes e as diferenças de classe, visto que todos os cidadãos sem exceção têm direito de voto e de intervir nos assuntos do Estado. Toda a história da Europa na segunda metade do século XIX e toda a história da revolução russa, em princípios do século XX, demonstram à evidência como são absurdas tais concepções. Com as liberdades do capitalismo “democrático”, as diferenças económicas, longe de se atenuarem, acentuam-se e agravam- se. O parlamentarismo não elimina, antes põe a nu, a essência das repúblicas burguesas mais democráticas como órgãos de opressão de classe."
"A política revisionista consiste em determinar o seu comportamento em função das circunstâncias, em adaptar-se aos acontecimentos do dia, às viragens dos pequenos factos políticos, em esquecer os interesses fundamentais do proletariado e os traços essenciais de todo o regime capitalista, de toda a evolução do capitalismo, em sacrificar estes interesses fundamentais em favor das vantagens reais ou supostas do momento. E da própria essência desta política se deduz, com toda a evidência, que pode tomar formas infinitamente variadas e que cada problema um pouco “novo”, cada viragem um pouco inesperada e imprevista dos acontecimentos – embora tal viragem só altere a linha fundamental do desenvolvimento em proporções mínimas e pelo prazo mais curto – dará sempre, inevitavelmente, origem a esta ou àquela variedade de revisionismo."
 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Brasil: um novo ciclo de lutas populares?*

Sarney, Maluf, Lula e Collor
Brasil: um novo ciclo de lutas populares?*
por Atilio A. Boron
 
 
"À explosiva combinação acima assinalada é preciso somar o crescente abismo que separa a cidadania comum da partidocracia governante, incessante tecedora de toda sorte de inescrupulosas alianças e transformismos sem escrúpulos, que burlam a vontade do eleitorado, sacrificando identidades partidárias e afiliações ideológicas. Não por acaso todas as manifestações expressavam seu repúdio aos partidos políticos. Um indicador do custo fenomenal dessa partidocracia – que retira recursos do tesouro público que poderiam destinar-se ao investimento social – está dado pelo que no Brasil se denomina Fundo Partidário, que financia a manutenção de uma máquina meramente eleitoreira e que nada tem a ver com esse “princípio coletivo”, sintetizador da vontade nacional-popular do qual fala Antonio Gramsci."
 
 

As grandes manifestações populares de protesto no Brasil derrubaram, na prática, uma premissa cultivada pela direita e assumida também por diversas organizações de esquerda – começando pelo PT e permanecendo com seus aliados: caso fosse garantido “pão e circo” ao povo – desorganizado, despolitizado, decepcionado com dez anos de governo petista – este aceitaria mansamente que a aliança entre as velhas e as novas oligarquias prosseguisse governando sem maiores sobressaltos.

A continuidade e eficácia do programa “Bolsa Família” assegurava o pão. A Copa do Mundo e seu prelúdio, a Copa das Confederações, e depois os Jogos Olímpicos, garantiriam o circo necessário para consolidar a passividade política dos brasileiros. Esta visão, não só equivocada como profundamente reacionária (e quase sempre racista) ficou destruída nestes dias, o que revela a curta memória histórica e o perigoso autismo da classe dominante e seus representantes políticos ao esquecerem que o povo brasileiro soube ser protagonista de grandes jornadas de luta e que seus períodos de apatia e passividade alternaram com episódios de súbita mobilização, que ultrapassaram os estreitos marcos oligárquicos de um estado apenas superficialmente democrático.

Basta recordar as múltiplas mobilizações populares que impuseram a eleição direta do presidente em começo dos anos oitenta, as que precipitaram a renúncia de Fernando Collor de Mello em 1992 e a onda ascendente de lutas populares que fizeram possível a vitória de Lula no ano de 2002. A apatia posterior, fomentada por um governo que optou por governar com e para os ricos e poderosos, criou a errônea impressão de que a expansão do consumo de um amplo estrato do universo popular era suficiente para garantir indefinidamente o consenso social. Uma péssima sociologia se combinou com a traidora arrogância de uma tecnocracia estatal que, ao embotar a memória, fez com que os acontecimentos desta semana fossem tão surpreendentes quanto um raio em um dia de céu azul. A surpresa emudeceu uma direção política de discurso fácil e sensacionalista, que não podia compreender – e muito menos conter – o tsunami político que irrompia nada menos que em meio dos gastos futebolistas da Copa das Confederações. Foi notável a lentidão da resposta governamental, desde as prefeituras municipais até os governos estaduais e o próprio governo federal.

Farinha do mesmo saco…

Farinha do mesmo saco…
por Aurélio Santos
 
 
 
 
"A revisão da Constituição para dar início ao processo de privatizações; a abertura da banca à iniciativa privada; a abertura do BPN (pelo qual hoje todos estamos a pagar caro); o início das parcerias público privadas (Ponte Vasco da Gama – um negócio desastroso para o Estado); a assinatura do Tratado de Maastricht que o insuspeito John Major então 1.º ministro de Inglaterra considerou de suicidário; o uso da repressão policial contra a resistência passiva à aplicação de uma inconstitucionalidade (protesto na Ponte 25 de Abril); o triste episódio ocorrido entre polícias no Terreiro do Paço que ficou conhecido como «os secos e molhados», são apenas alguns dos factos com a chancela do actual Presidente da República, então primeiro-ministro."
 
 

O actual Governo não tem doze ministros, tem treze.

O 13.º ministro encontra-se no Palácio de Belém, ocupando o cargo de Presidente da República.

Temos o direito e a obrigação de exigir que Cavaco Silva cumpra as funções para que foi eleito, cumprindo o juramento que fez de defender a Constituição, mas não podemos ingenuamente esperar que ele, sendo parte do problema, seja a solução.

O programa do Governo de Passos Coelho é o programa que Cavaco Silva sempre defendeu e a que deu início quando foi primeiro-ministro.

Recordemos:

A revisão da Constituição para dar início ao processo de privatizações; a abertura da banca à iniciativa privada; a abertura do BPN (pelo qual hoje todos estamos a pagar caro); o início das parcerias público privadas (Ponte Vasco da Gama – um negócio desastroso para o Estado); a assinatura do Tratado de Maastricht que o insuspeito John Major então 1.º ministro de Inglaterra considerou de suicidário; o uso da repressão policial contra a resistência passiva à aplicação de uma inconstitucionalidade (protesto na Ponte 25 de Abril); o triste episódio ocorrido entre polícias no Terreiro do Paço que ficou conhecido como «os secos e molhados», são apenas alguns dos factos com a chancela do actual Presidente da República, então primeiro-ministro.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Estado e sociedade genocidas

Estado e sociedade genocidas
por Fausto Arruda 


"É dever de todos progressistas, verdadeiros democratas e revolucionários apoiarem de forma mais decidida ainda a luta dos irmãos povos indígenas."
 
"Ainda no período colonial começa uma prática que vai perdurar durante o Império e também por boa parte da nossa história republicana, cuja tônica estava em confinar os índios em pequenas extensões de terras, não raro limitadas ao entorno de suas aldeias, e sem qualquer preocupação com a manutenção das condições necessárias à sua reprodução sociocultural. É esta prática que podemos chamar de dizimação assistida. Os aldeamentos foram entregues à igreja e depois, ao estilo ianque, vieram o Serviço de Proteção ao Índio e a Funai na sequência de tutelas sobre os povos indígenas. Esta política, associada à praxe de transformar todos os demais espaços em terras devolutas sobre as quais se permitia a titulação concedida e tolerância à grilagem a latifundiários, vai gerar o caos fundiário, de fato e de direito, no qual os índios se viram cercados e despejados."


O fato de existirem como nações com um determinado nível de organização social, uma língua e possuidores de uma cultura consolidada em valores e expressões de sua perfeita integração com o meio, nada ou quase nada quis dizer às classes dominantes portuguesas e suas herdeiras autóctones.
 
 

Mato Grosso do Sul já de algum tempo vinha se transformando no centro desta contradição iniciada há exatamente 513 anos: povos originários versus invasores. A morte por inanição e por epidemias de centenas de crianças e adultos foi apenas um capítulo desta história. Agora, o assassinato de Oziel Gabriel pelas tropas da Polícia Federal e o atentado contra Josiel Alves, ferido gravemente por pistoleiros a serviço de latifundiários da região, expuseram uma vez mais essa chaga secular de nosso país, que não deixa dúvida de que no Brasil tanto o Estado quanto a sociedade são genocidas.

Integra-te ou te dizimo

Como a sociedade antecede ao Estado, inicialmente trataremos dela, entendendo que a ideologia e a cultura dominantes em uma dada sociedade, num determinado período histórico, são a ideologia e a cultura das classes dominantes. Sem esquecer que a resistência é uma constante em todas as sociedades baseadas na exploração do homem pelo homem, temos que reconhecer que o aspecto principal da contradição é que determina a sua qualidade. Daí a afirmação de que a sociedade brasileira é genocida dos povos originários deste território, bem como das massas oprimidas rebeladas ou indesejáveis.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Raízes históricas da crise social no Brasil – O papel do FMI


Raízes históricas da crise social no Brasil – O papel do FMI
por Michel Chossudovsky

"A maior parte dos responsáveis políticos da Wall Street e de Washington, surpreendidos pela selecção de uma equipe económica ortodoxa liberal, ficou perfeitamente extasiada quando ele começou a promover vigorosamente uma agenda neoliberal radical, incluindo privatização da segurança social, rebaixamento substancial de pensões para empregados de sectores públicos e redução do custo e facilitação das exigências para capitalistas despedirem trabalhadores. ( Global Research, 2003 ) "

Milhões de pessoas por todo o Brasil aderiram a um dos maiores movimentos de protesto da história do país. Ironicamente, o levantamento social dirige-se contra as políticas económicas de uma auto-proclamada alternativa "socialista" ao neoliberalismo conduzido pelo governo do Partido dos Trabalhadores (PT) da presidente Dilma Rousseff.

O "remédio económico forte" do FMI, incluindo medidas de austeridade e a privatização de programas sociais, foi implementado sob a bandeira "progressista" e "populista" do PT, em acordo com elites económicas poderosas do Brasil e em estreita ligação com o Banco Mundial, o FMI e a Wall Street.

Apesar de o governo PT apresentar-se como "uma alternativa" ao neoliberalismo, comprometido com o alívio da pobreza e a redistribuição de riqueza, sua política monetária e fiscal está nas mãos dos seus credores da Wall Street.

Ironicamente, o governo PT de Dilma Rousseff e do seu antecessor Luís Ignaio da Silva foi louvado pelo FMI devido a:

"uma notável transformação social no Brasil com base na estabilidade macroeconómica e na ascensão de padrões de vida".

domingo, 23 de junho de 2013

Governo desrespeita nações indígenas e impõe usinas

Governo desrespeita nações indígenas e impõe usinas
por Mário Lúcio de Paula
 
 
 
"Enquanto isso, cercadas por tropas da Força Nacional de Segurança, Polícia Federal, Polícia Militar e até mesmo do exército, as obras de usinas nos rios Madeira, Tapajós, Teles Pires, Xingu e outros prosseguem, inundando e degradando áreas camponesas, territórios indígenas, expulsando populações ribeirinhas. Tudo isso, diga-se de passagem, não tem como objetivo eletrificar a Amazônia, mas transmitir energia barata para transnacionais, grandes mineradoras, etc., situadas na região sudeste do país. O chamado "Linhão do Madeira" partirá de Rondônia para o estado de São Paulo, assim como o grosso da energia gerada em Belo Monte e outras usinas terão destino semelhante. Grandes grupos liderados por empresas estrangeiras já disputam esse filão bilionário e apressam o governo para que cumpra as exigências do imperialismo e conclua essas obras a ferro e fogo."


 
Cerca de 150 indígenas representantes das nações que vivem nas regiões dos rios Teles Pires, Tapajós e Xingu, no Mato Grosso e Pará, dirigiram-se a Brasília para exigir a interrupção das obras das usinas em seus territórios.

Eles permaneceram na capital entre seis e 13 de junho e esperavam ser ouvidos pela gerência FMI-PT. Os representantes reivindicavam que a "consulta" aos povos indígenas e ribeirinhos a propósito da construção das usinas fosse respeitada e chegaram a entregar um documento apresentando 33 reivindicações a Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Enigmas do novo Papa

Enigmas do novo Papa
por Jorge Messias

 
 


"Os enigmas, no entanto, não ficam por aqui. Depois se veio saber que este conservador progressista, firmemente decidido a democratizar a igreja, colaborara com uma das mais ferozes tiranias que a América Latina jamais conheceu; e que seria insensato pensar-se que o poderoso arcebispo de Buenos Aires nenhuma informação tivesse acerca da pedofilia dos padres, dos desfalques da banca católica ou dos escândalos que minam as instituições ditas caritativas da sociedade civil confessional. É evidente que – tal como os outros cardeais – de tudo soube e tudo calou."
 

Enigmaticamente, o cardeal Ratzinger abdicou do seu trono de Sumo Pontífice.

Não menos enigmática foi a sua sucessão, praticamente automática, confiada a um cardeal argentino quase desconhecido do povo católico. Os enigmas adensaram-se quando se soube que o novo Papa era considerado conservador, no mundo eclesiástico, propondo-se entretanto, a partir daqui, modernizar a Igreja e abri-la às inegáveis conquistas do homem.

Todos estes aspectos contraditórios foram rapidamente encobertos pela mais maciça e minuciosa campanha de propaganda dos media. Não há memória de coisa semelhante em sucessões papais anteriores. Mesmo nos mínimos pormenores: o grande senhor do mundo que escolhe como nome de guerra, simplesmente, Francisco; o Papa que lava os pés aos presos condenados; o padre que prefere o autocarro aos topo de gama do Vaticano; o homem modesto feito Papa que não se esquece de pagar a conta no hotel. E assim por aí fora. Houve, em plena crise financeira mundial, quando a Santa Sé tanto cita a Igreja dos pobres, um esbanjar de fortunas na propaganda eclesiástica do padre Francisco.

Os enigmas, no entanto, não ficam por aqui. Depois se veio saber que este conservador progressista, firmemente decidido a democratizar a igreja, colaborara com uma das mais ferozes tiranias que a América Latina jamais conheceu; e que seria insensato pensar-se que o poderoso arcebispo de Buenos Aires nenhuma informação tivesse acerca da pedofilia dos padres, dos desfalques da banca católica ou dos escândalos que minam as instituições ditas caritativas da sociedade civil confessional. É evidente que – tal como os outros cardeais – de tudo soube e tudo calou.

sábado, 22 de junho de 2013

Brasil: A virada da direita - o dia 20 em Florianópolis


Direitista, seguidor de FHC-PSDB, estreando seu uniforme nas manifestações

A virada da direita - o dia 20 em Florianópolis
 
por Elaine Tavares
 
" O grito das gentes, exigindo que os partidos políticos não se manifestassem não é uma coisa gratuita, inventada pela direita que decidiu entrar de cabeça no movimento. Não. Foi apenas a potencialização de um sentimento que os próprios partidos conhecidos como esquerda - em sua grande parte - permitiram que brotasse. Desde há muito tempo que esses partidos desistiram do trabalho de base, que foi tão importante para preparar a democratização do país depois de tantos anos da violência da ditadura militar. O PT, que hoje está no governo, também é em grande parte responsável por essa "bandeira" que se mostrou na rua. Muito antes da chegada ao governo já havia diminuído o trabalho na base e, ao assumir o governo, investiu muito mais na cooptação do que na educação para a emancipação. Depois, negando-se a enveredar pelos caminhos de uma transformação mais profunda, que atingisse a estrutura dos problemas, igualmente mascarou os problemas, preferindo apostar numa perigosa bolha de "desenvolvimento" sem politização."
 

As ruas de Florianópolis, no dia de ontem (20 de junho), expressaram a luta de classe na sua forma mais acabada. Desde as quatro horas da tarde já se percebia um certo frisson nas lojas do centro, onde os trabalhadores do comércio se preparavam para a marcha. Coisa nunca vista, uma vez que, passeata, na conservadora Florianópolis, sempre foi, para o senso comum, coisa de "baderneiro". A partir das cinco e meia da tarde começaram a chegar as vagas de pessoas. Os tradicionais militantes das causas sociais e sindicais, e os estudantes. Depois, começaram a aparecer aqueles que nunca vieram. Vinham com as caras pintadas, com tinta verde e amarela, o que sugeria que havia alguma organização por trás, uma vez que a tinta parecia a mesma. Outros carregavam faixas de plástico, bem arranjadas, feitas em série, o que também mostrava a organização. Havia gente espalhada pela entrada do terminal distribuindo camisetas, onde se lia o mote da classe média: "abaixo a corrupção". Alguma coisa muito orquestrada se fazia por ali. É certo que vieram também aqueles cidadãos indignados com suas causas particulares, com cartazes singelamente feitos à mão, que queriam expressar sua indignação, mas o clima que se armava era fruto de estudada organização.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Portugal : O ataque é brutal, a greve é geral

O ataque é brutal, a greve é geral
por António Santos
 
"Perante a lesa-pátria do governo, resistir é um acto patriótico. Fazer greve assume-se como expressão individual de uma urgência histórica que nos chama a defender a dignidade dos nossos filhos. Uma decisão pela qual o futuro nos pedirá contas. Porque não somos pais incógnito, netos de filhos ignaros, como acautelava o Zeca, fazemos greve. Para dizer, num referendo mais alto que todos os votos, que não admitimos regressar à longa noite do fascismo."
 
 
 
 
Qual é pátria qual é ela, que tem 900 anos de História e se vende por patacos à gula dos agiotas? Qual é pátria qual é ela, que não sacode o jugo dos traidores nem ousa desobedecer à sentença de morte? Qual é pátria qual é ela, que é mansa perante a iniquidade e faz gala da pacatez com que ruma ao garrote? A minha não é certamente, que a subserviência nunca foi apanágio do meu povo.

Dois anos passaram desde a assinatura do memorando que ajoelhou Portugal. Os níveis de produção de riqueza recuaram 15 anos e hoje somos mais pobres, mais dependentes e menos soberanos. Só no primeiro trimestre, o PIB tombou 4%, o investimento ruiu 17% e o consumo interno outros 4%. Em Maio apenas, 4% de todos empregos desapareceram. A receita da troika pariu um quadro de emergência social sem paralelo em 40 anos: levou à falência milhares de empresas, estendeu o desemprego a um milhão e meio de portugueses e devolveu a emigração aos níveis dos anos 60, com mais de 50 000 portugueses a deixar o país todos os anos.

Perder o medo ou perder o pio

Mas crise que dizima Portugal não é uma praga bíblica. Os culpados têm nomes, apelidos e siglas políticas. Como canta o Fausto, uns vão bem e outros mal. É que não é fortuito que em plena crise os maiores grupos económicos exibam resultados fabulosos. A pobreza dos trabalhadores cresce na medida da riqueza de uma mão-cheia de bancários. O governo não falhou: conseguiu precisamente o que queria: aumentar as rendas do capital à custa das rendas do trabalho.

Nesse objectivo vale tudo, da destruição do Serviço Nacional de Saúde à Escola Pública, passando pela Segurança Social. Fazem gato-sapato de direitos constitucionais indissociáveis da democracia e do bem-estar das famílias; prendem quem lhes grita “Vai trabalhar!” e ameaçam suspender o Tribunal Constitucional quando a lei suprema da nação não lhes convém. Não sei se incorro em crime de injúria com estas palavras, mas a corja que nos governa perdeu-nos o medo.

Água: Uma batalha de todos os dias

Uma batalha de todos os dias
por Jorge Cordeiro
 
 
"No quadro da inadiável ruptura com a política de direita é preciso pôr termo ao processo de mercantilização de direitos básicos e essenciais à vida. É preciso dar combate à apropriação privada da água e da sua gestão, defendendo o seu carácter público, salvaguardando o poder de decisão e controlo nacional sobre este sector estratégico. É preciso garantir políticas que assegurem a todos os cidadãos o direito a um abastecimento de água de qualidade e a preços socialmente justos. É preciso garantir o respeito pelo papel e competências do poder local, combater a privatização do grupo Águas de Portugal, reverter o processo de expropriação das autarquias."

Não é uma força de expressão dizer-se que a questão da água é vital para cada ser humano, um direito inerente à vida. Mas esse direito é também uma questão de democracia, de soberania, de segurança ambiental, de protecção da natureza e de desenvolvimento. A água não é, ou não devia ser, um bem comerciável, uma mera mercadoria para gerar lucro.

Mas é precisamente por a água se constituir como um bem indispensável à vida que o capitalismo, a começar pela intervenção dos seus principais centros e instituições financeiros internacionais, apoiada por políticas e governos ao seu serviço, tem visto aí uma imensa fonte de negócio. Factor de domínio, de vulnerabilidade das políticas de soberania e controlo público, de fonte de lucro à custa das economias de milhões de consumidores e da própria sobrevivência de milhões de seres humanos, os centros do capitalismo, do Banco Mundial à Organização Mundial do Comércio, encorajam e promovem o processo de privatização. 

Em nome do lucro 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Desde que ... poderá ser tarde!

Desde que ... poderá ser tarde!
por Caio Andrade Bezerra da Silva
 
"Desde que não enfrentem o capitalismo como um todo, não queiram ouvir falar em revolução nem socialismo... A burguesia mata no peito as manifestações e oferece entregar alguns anéis, para não perder os dedos. Ou, pior, responde aprofundando o fascismo neointegralista. Ou alguém acha que as classes dominantes vão simplesmente se sensibilizar e entregar tudo de forma tranquila?!"


Desde que o governo subsidie as empresas de ônibus (com nosso mesmo dinheiro), elas não se incomodam com os protestos, até podem reduzir tarifas;

Desde que não questionem a estrutura, se limitem a críticas superficiais sobre corrupção e não forcem a mudança no sistema político, Dilma continuará dizendo que os protestos são legítimos, Calheiros e Alckmin continuarão amenizando a repressão;

Desde que se mantenha o senso comum antipartidário, colocando todo tipo de organição no mesmo saco, sem um projeto de sociedade para substituir o que se critica... os poderosos não serão seriamente ameaçados;

Desde que não bata de frente com o oligopólio dos meios de comunicação, a Globo pede desculpas por ter desqualificado os manifestantes e passa a apoiar os protestos;

Desde que não enfrentem o capitalismo como um todo, não queiram ouvir falar em revolução nem socialismo... A burguesia mata no peito as manifestações e oferece entregar alguns anéis, para não perder os dedos. Ou, pior, responde aprofundando o fascismo neointegralista.

Armas de destruição em massa (ADM). 2.0

Armas de destruição em massa (ADM). 2.0
por Jorge Cadima


"A farsa é grotesca, mas ameaça transformar a tragédia em catástrofe. Desde há muito que a Síria está a ser destruída por mercenários armados, pagos e apoiados pelos EUA, Inglaterra, França, Arábia Saudita, Qatar, Turquia, Jordânia (e outros). Em Maio, Israel bombardeou Damasco. A Rússia ripostou reforçando o seu apoio ao governo sírio. O Hezbolá ripostou entrando em acção no terreno. O Irão já declarou repetidamente que, caso seja necessário, entrará em acção em apoio do aliado sírio. Uma escalada da aventura militar imperialista no Médio Oriente arrisca-se a incendiar, não apenas a região, mas todo o planeta."

Há uma década, o imperialismo lançou uma enorme campanha de desinformação alegando que o Iraque de Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa (ADM). Cedo se confirmou que o pretexto não passava duma Aldrabice para a Destruição em Massa (ADM). Agora, uma nova versão da saga ADM está em marcha. O seu subtítulo é «as armas químicas de Bachar al-Assad».

Actor de proa da ADM 2.0 é o presidente «socialista» francês, François Hollande, que no início deste mês foi agraciado com o Prémio da Paz da UNESCO por (pasme-se!) «a sua contribuição considerável para a paz e a estabilidade em África». Ou seja, pela invasão militar do Mali. O presidente do júri de tão criativa atribuição é Mário Soares (www.unesco.org). Após reestabelecer a ordem colonial no Mali, Hollande parece determinado em reestabelecer a ordem colonial na Síria. O seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, declarou em entrevista que «a França já tem a certeza de que o gás sarin foi usado na Síria […]. Não há qualquer dúvida que [os responsáveis] são o regime e os seus cúmplices, porque fomos capazes de recriar toda a cadeia» do ataque (Libération, 4.6.13). E esclarece: «todas as opções estão em cima da mesa [...] incluindo uma reacção armada contra os locais de armazenamento do gás». A França não tem dúvidas. Mesmo depois de Carla del Ponte ter afirmado (Independent, 6.5.13) que se alguém usou gás sarin na Síria, foram os «rebeldes» armados pelo imperialismo. Mesmo depois de «jornais turcos terem relatado que 12 membros da Frente al-Nusra da Síria, com ligações à Al-Qaeda, que alegadamente planeavam um ataque na Turquia e que estavam na posse de 2kg de sarin, tinham sido presos» naquele país (Reuters, 30.5.13).
 

É tempo de lançar de novo ao vento as ideias de Lenin. Lenin está agora Mais vivo do que todos os vivos.

OS QUE ESTÃO ASSUSTADOS COM A FALÊNCIA DO VELHO E OS QUE LUTAM PELO NOVO
por Vladimir Ilitch Lénine





"A cobiça, a suja, raivosa, furiosa, cobiça do saco do dinheiro, o medo e servilismo dos seus parasitas - tal é a verdadeira base social do actual uivo dos intelectuais, do Retch à Nóvaia Jizn, contra a violência da parte do proletariado e do campesinato revolucionário. Tal é o significado objectivo do seu uivo, das suas tristes palavras, dos seus gritos de comediantes sobre a “liberdade” (a liberdade dos capitalistas de oprimir o povo), etc., etc. Eles estariam “dispostos” a reconhecer o socialismo se a humanidade saltasse para ele de golpe, com um salto espectacular, sem fricções, sem luta, sem ranger de dentes da parte dos exploradores, sem diversas tentativas da sua parte de defender os velhos tempos ou de voltar a eles por caminhos desviados, às ocultas, sem repetidas “respostas” da violência revolucionária proletária a essas tentativas. Estes parasitas intelectuais da burguesia estão “dispostos”, como diz o conhecido provérbio alemão, a lavar a pele desde que a pele fique sempre seca."


Para os camponeses de minha pátria
Quero a voz de Lênin
Para os proletários da minha pátria
Quero a luz de Lênin
Para os perseguidos da minha pátria
Quero a paz de Lênin
Para a juventude de minha pátria
Quero a esperança de Lênin

Para os assassinos de minha pátria,
Para os carcereiros de minha pátria,
Quero o ódio de Lenin,
Quero o punho de Lenin,
Quero a pólvora de Lenin.

Roque Dalton 
 

 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Os perigos da “pátria amada”

Os perigos da “pátria amada”
por Camila Petroni e Débora Lessa,
 
 
"E aqui nasce uma nova preocupação: até ontem pairava no ar um espectro do oportunismo da “grande” mídia, que, aparentemente, pareceu ter sido desmistificado com as recentes publicações da Globo e seus atores com olhos pintados fazendo uma alusão à jornalista acertada covardemente com uma bala de borracha no olho, depois nos deparamos com um link a ser compartilhado nas redes sociais que trazia dicas de “Moda para protesto, roupa de guerra” - a estilista pop global, Gloria Kalil, já havia soltado no site dela opções de roupas (sic!) para ir ao ato. Agora, qualquer dúvida que ainda tínhamos sobre um possível oportunismo ficou clara ao nos depararmos com - o sempre tão incisivo - Arnaldo Jabor voltando atrás em relação a quando deslegitimizou as primeiras manifestações comparando-as com ações do PCC, vitimizando os policiais e ressaltando a ignorância política dos manifestantes. Ele se redime e depois compara o movimento ascendente com o, exaltado pela própria Globo, Caras Pintadas (o movimento pode ter se originado de uma indignação, mas logo foi absorvido pela maior rede de TV do Brasil... Ah! A mesma emissora que ajudou na eleição do Collor). Daqui a pouco, veremos propagandas de refrigerantes convocando o Brasil pras ruas, presenciado o maior “jogo” já visto... A arte de mercantilizar a revolução."


O intuito da pequena reflexão que segue não é desmoralizar os atos ocorridos em diversas cidades brasileiras, que começaram contra o aumento das tarifas de transportes públicos, no início de junho, e, hoje, apresentam “pautas” variadas. É justamente a pulverização dessas motivações que nos preocupam. Quais são os motivos da luta mesmo?

Na página virtual (Facebook) do Quinto Ato, marcado para o dia 17 de Junho e com mais de 240 mil pessoas com presença confirmada (já esperando os ataques bárbaros da Polícia), as enquetes conseguem fazer qualquer queixo que se preze cair. Em uma delas, que perguntava qual bandeira deve-se levantar após a baixa dos preços das passagens (se houver), algumas das propostas colocadas como motivo de mobilização (mesmo que não muito votadas) são: cancelamento da Copa do Mundo 2014 (um tiro no pé, com todo o investimento já feito), Reforma Política (que reforma?), Segurança (mais PM nas ruas?), Diminuição da maioridade penal (sem comentários), Fim do Funk (projeto higienista manda um “Oi!”), a favor do Estatuto do Nascituro (sem comentários, de novo), CCC – Campanha Corruptos na Cadeia (não tinha um nome melhor? Quase um CCC – Comando de Caça aos Comunistas - de 1964), dentre outras propostas que preferimos não imaginar o que aconteceria caso ganhassem força.

Se por um lado, a heterogeneidade de propostas e a falta de uma liderança nos movimentos representa a possibilidade de uma relação horizontal entre os sujeitos; por outro, a falta de direcionamentos aponta para o risco de causas conservadoras se tornarem as principais do movimento agora sem nome. Não consideramos o quadro atual da manifestação como anárquico, classificação feita em algumas análises, mas como preocupante, nesse sentido.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Lénine 1913, As três fontes e as três partes constitutivas do Marxismo


Lénine 1913,
As três fontes e as três partes constitutivas do Marxismo


"Os homens sempre foram em política vítimas ingénuas do engano dos outros e do próprio e continuarão a sê-lo enquanto não aprendem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, políticas e sociais, os interesses de uma ou de outra classe. Os partidários de reformas e melhoramentos ver-se-ão sempre enganados pelos defensores do velho, enquanto não compreenderem que toda a instituição velha, por mais bárbara e apodrecida que pareça, se mantém pela força de umas ou de outras classes dominantes. E para vencer a resistência dessas classes só há um meio: encontrar na própria sociedade que nos rodeia, educar e organizar para a luta, os elementos que possam - e, pela sua situação social, devam - formar a força capaz de varrer o velho e criar o novo."

As Três Fontes e as Três partes Constitutivas do Marxismo


A doutrina de Marx suscita em todo o mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa (tanto a oficial como a liberal), que vê no marxismo uma espécie de "seita perniciosa". E não se pode esperar outra atitude, pois, numa sociedade baseada na luta de classes não pode haver ciência social "imparcial". De uma forma ou de outra, toda a ciência oficial e liberal defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a essa escravidão. Esperar que a ciência fosse imparcial numa sociedade de escravidão assalariada seria uma ingenuidade tão pueril como esperar que os fabricantes sejam imparciais quanto à questão da conveniência de aumentar os salários dos operários diminuindo os lucros do capital.

 Mas não é tudo. A história da filosofia e a história da ciência social ensinam com toda a clareza que no marxismo não há nada que se assemelhe ao "sectarismo", no sentido de uma doutrina fechada em si mesma, petrificada, surgida à margem da estrada real do desenvolvimento da civilização mundial. Pelo contrário, o génio de Marx reside precisamente em ter dado respostas às questões que o pensamento avançado da humanidade tinha já colocado. A sua doutrina surgiu como a continuação directa e imediata das doutrinas dos representantes mais eminentes da filosofia, da economia política e do socialismo.

Brasil : NÃO BASTA SE INDIGNAR: É PRECISO MUDAR O SISTEMA!

NÃO BASTA SE INDIGNAR: É PRECISO MUDAR O SISTEMA!
 
Por PCB
 

"No Brasil, a crescente fascistização do estado tem a ver com a opção do governo por evitar a crise do capitalismo com mais capitalismo. É preciso muita repressão para aprofundar a privatização do nosso petróleo, dos portos, aeroportos, rodovias, para expulsar os índios de suas terras, “flexibilizar” direitos, adotar um Código Florestal para o agronegócio, desonerar e favorecer o capital. Em nosso país, a explosão popular demorou a aparecer, em função das ilusões semeadas em 10 anos de um governo que se diz de “esquerda”, mas cuja principal preocupação é alavancar o capitalismo brasileiro. Aqui, a fascistização do estado se acentuou para que o país acolha “em paz” o novo Papa e os megaeventos (Copas das Confederações e do Mundo, Olimpíadas)."
 

O PCB (Partido Comunista Brasileiro) saúda e se engaja de forma militante no vigoroso movimento surgido a partir de uma manifestação em São Paulo contra o aumento das tarifas de ônibus urbanos.

A estúpida violência policial aos manifestantes repete-se no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte e em cada vez mais cidades brasileiras, independente do partido político do Governador ou do Prefeito. Na defesa da institucionalidade burguesa, não há repressão mais ou menos “democrática”.

Reparem que esta violência é exatamente a mesma em todos os países capitalistas onde os povos se levantam contra os cortes de direito e a fascistização do estado, necessária para garanti-los. Os mesmos uniformes de gladiadores, as mesmas armas cinicamente chamadas de “não letais”: balas de borracha, gás de pimenta e lacrimogêneo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

EUA é um estado policial "orwelliano"

O significado mais profundo da espionagem em massa nos EUA
por James Petras
 
 
"A expansão dos poderes de guerra do Presidente tem sido acompanhada pelo crescimento no âmbito do aparelho de espionagem do estado: quanto o Presidente ordena ataques com drones além-mar e maior o número das suas intervenções militares, maior a necessidade para a elite política que cerca o Presidente de aumentar o seu policiamento dos cidadãos na expectativa de uma reacção popular adversa. Neste contexto, a política de espionagem em massa é tomada como uma "acção preventiva". Quanto maiores as operações da polícia de estado, maior o medo e a insegurança entre cidadãos dissidentes e activistas. O assalto aos padrões de vida de americanos trabalhadores e da classe média a fim de financiar as séries de guerras infindáveis, e não a assim chamada "guerra ao terror", é a razão porque o estado tem desenvolvido ciber guerra maciça contra a cidadania estadunidense."

A revelação de que o regime utiliza a Agência de Segurança Nacional (NSA na sigla em inglês) para espionar secretamente as comunicações de centenas de milhões de cidadãos dos EUA e do estrangeiro provocou denúncias à escala mundial.

Nos Estados Unidos, apesar da cobertura generalizada dos mass media e da oposição de organizações de liberdades civis, não houve qualquer protesto em massa. Líderes do Congresso tanto do Partido Republicano como do Democrata, bem como juízes de alta hierarquia, aprovaram o programa sem precedente de espionagem interna. Ainda pior, quando as operações de espionagem generalizada foram reveladas, importantes líderes do Senado e do congresso reiteraram seu endosso a toda intrusão nas comunicações electrónicas e escritas envolvendo cidadãos americanos. O presidente Obama e seu Procurador-Geral defenderam aberta e vigorosamente as operações de espionagem universal da NSA.

As mafias caritativas mundiais

As máfias caritativas mundiais
por Jorge Messias

"Na prática, não é este o entender da igreja católica, das outras Igrejas organizadas, das religiões. Ser poderoso, é estar do lado dos ricos. «A Igreja santificou o poder secular». Primeiro, foram os monarcas absolutos; depois, os mercadores; a seguir, os tiranos iluminados e os esclavagistas colonizadores; por último, o Vaticano aliou abertamente a cruz ao cifrão, o papado e o neoliberalismo moderno."


«Sem dúvida que existem contradições sérias entre os monopólios industriais e bancários e os grandes senhores da terra. Os interesses dos monopólios industriais e bancários e os interesses dos grandes proprietários são contraditórios. Os industriais estão interessados no baixo preço das matérias-primas e dos produtos alimentares, o que lhes permitirá pagar salários mais baixos. Aos lavradores, interessa garantir baixos preços aos produtos industriais, nomeadamente àqueles com aplicação na agricultura. Mas os grandes proprietários e os capitalistas estão cada vez mais ligados ao capital financeiro … De braço dado, disputam a partilha do bolo, apoiam e dirigem a política do governo fascista e exploram e oprimem as classes trabalhadoras!» (Álvaro Cunhal, «Rumo à Vitória», 1979).

«A fome é uma causa de pobreza geradora de mais fome... A pobreza é a principal causa da fome! As causas da pobreza incluem a falta de recursos, a distribuição desnivelada do rendimento nacional e os conflitos locais que implicam fomes e deslocações de massas humanas deslocadas dos seus lares. Cerca de 1/6 da população mundial é obrigado a passar fome!» (FAO, Relatório 2010).

«As crises alimentares favorecem os agentes e instituições que possuem a capacidade de produzir e distribuir comida, ajudando-os a expandirem a sua área de influência... À medida que a fome aumenta, cresce também o potencial de influência de instituições como o Banco Alimentar» (João Silva Jordão, «Quem ganha com a fome em Portugal?»). 
 

A questão sociocaritativa mundial está longe de se revestir da inocência que à primeira vista possa sugerir. Se olharmos para o mundo, à nossa volta, fácil nos será constatar que ao aumento da pobreza, do desemprego e da fome, corresponde a expansão de uma sensação de impotência e de terror, a exemplo do que aconteceu no século passado, quando os nazis perceberam que a fantasia e a mentira eram armas tão eficazes como os canhões.
 
A miséria produzia o desespero e este conduzia à desmobilização das massas exploradas.
 

domingo, 16 de junho de 2013

Troika sacrificou Grécia à banca

Relatório do FMI admite «falhanços»
Troika sacrificou Grécia à banca

"A realidade mostra que as intervenções do FMI sempre se saldaram por «falhanços»: mais pobreza, desemprego, recessão económica, etc. E isto, claro, não se deveu a alegados erros mas, tal como na Grécia ou Portugal, é a consequência inevitável de políticas destruidoras, cujo objectivo primordial é defender os interesses dos credores, isto é, do grande capital."

Um relatório publicado, dia 5, pelo Fundo Monetário Internacional admite que o plano de resgate da Grécia, aplicado em 2010, se saldou por «falhanços notórios».

Não é a primeira vez que o FMI admite ter errado. Há alguns meses vimos os seus especialistas darem a mão à palmatória, confessando que calcularam mal os efeitos recessivos do aumento da carga fiscal. Enfim, poderia pensar-se que errar é humano…

Porém, agora vêm afirmar preto no branco que o resgate da Grécia foi uma operação montada, não para ajudar o país a sair da bancarrota o mais depressa possível, mas sim para «dar tempo à zona euro» de se proteger.

Logo em 2010, segundo o relatório, os técnicos do FMI estavam conscientes de que a dívida da Grécia era impagável, devendo por isso ser reestruturada imediatamente, nos montantes, prazos e juros, de modo a que o país pudesse cumprir os seus compromissos e evitar a catástrofe económica.

Porém, em vez disso, o FMI, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o governo grego martelaram as contas e as previsões para fazer crer que a Grécia estava em condições de receber o primeiro resgate de 110 mil milhões de euros de ajuda internacional.

Assim, as previsões forjadas inicialmente apontavam para uma recessão controlada de 5,5 por cento entre 2009 e 2012. Na verdade, o Produto Interno Bruto grego caiu 17 por cento, e o desemprego, previsto para 15 por cento, galgou para 25 por cento naquele período.

Cinicamente, o FMI revela o jogo, remetendo as culpas por esta política para alguns países da zona euro, cujos bancos tinham investido fortemente na dívida grega.

A acusação azedou as relações com Bruxelas. O comissário europeu para os Assuntos Económicos, Olli Rehn, retorquiu expressivamente que o FMI está «a lavar as mãos e deitar a água suja para os europeus».

A Conspiração: Menoridade Penal

A Conspiração: Menoridade Penal 
por Vera Vassouras
 
"Jornalistas e políticos ousam se arvorar em defensores da sociedade, com suas garras afiadas e seus dentes à mostra, contra pessoas indefesas. Diminuam a menoridade penal, afirmam em uníssono, todavia, nenhuma palavra contra os crimes cometidos diariamente contra a inocência, violando um direito humano à plenitude da vida. Aos jovens são oferecidos sexo deturpado, álcool e futilidades, jamais conhecimento e respeito."


O noticiário é unânime a favor do encarceramento das crianças e adolescentes. Pobres, naturalmente. Distorcendo realidades, escondem as causas da violência para assegurar a destruição física e mental das novas gerações. 

Todas as guerras, individuais ou coletivas, são o resultado das guerras travadas diuturnamente contra crianças e adolescentes. Perseguidos e abusados por Igrejas, Exércitos e propaganda nazifascista, adestrados nos rituais da servidão e da mentira, são condenados a uma existência destituída de sentido e deformados pelos hospícios aos quais denominam escolas. A maior dignidade das escolas é a dignidade de vassalos.

Humilhados e desrespeitados em sua formação, as crianças são transformadas em assassinos, ladrões e torturadores do futuro, em todas as classes sociais. Uns, usarão ternos e gravatas, outros, uniformes, e o carcereiro travestido com togas agirá com a presteza de um predador.

Os crimes contra as crianças despossuídas, brasileiras ou africanas, inglesas ou argentinas, asiáticas ou palestinas é a maior prova da decadência da espécie humana. É o resultado de um sadismo atávico de povos caçadores e antropófagos, munidos de técnicas de dissuasão secularizadas nos ambientes educacionais, do bebê aos peagadês. Ao invés de cães, polícia, ao invés de cavalos, leis. A caça, crianças e adolescentes.

Sob o dedo em riste de um juiz (o mesmo que mata maliciosa e silenciosamente, o mesmo que tortura manda torturar e depois brinda com os torturadores; o mesmo que mata ao vivo e, como resultado, retira-se o pão da boca da criança para alimentá-lo vitaliciamente em aposentadoria precoce), crianças e adolescentes não têm o direito de alegar sua incapacidade analítica e, sem misericórdia, são conduzido às masmorras inquisitoriais às quais denominam penitenciárias, em direção ao futuro mercenário. Uma tática à manutenção da degradação e corpos dóceis às guerras do futuro.

Um Estado assassino que permite o uso indiscriminado de técnicas de imbecilização coletiva praticada pela imprensa, escolas, exércitos e igrejas e constituído por assassinos protegidos em co-autoria de um Judiciário apodrecido desde as origens, não tem o direito de encarcerar suas pequenas e indefesas vítimas. Sob nenhum argumento.

sábado, 15 de junho de 2013

EUA alargando sua presença militar em África para controlar matérias primas

«Flores de nenúfar» dos EUA em África
por Carlos Lopes Pereira      
 
 
"Por estas razões, segundo Hassan, conquistar o controlo de África torna-se urgente para Washington e isso não se pode fazer unicamente pela concorrência dos actores económicos no mercado «livre». Para o bloco imperialista «trata-se acima de tudo de uma questão militar». E daí o papel decisivo dos EUA e da NATO desde 2011 nas guerras em África. E da crescente «cooperação militar» do Africom com 35 estados africanos."


Os Estados Unidos estão a alargar a presença militar em África, numa estratégia de controlo das matérias-primas, em especial do petróleo. Há notícias de que o Pentágono quer estabelecer uma «estação de monitorização» em Cabo Verde, ao mesmo tempo que, mais a Sul, no Golfo da Guiné, navios e militares norte-americanos patrulham as águas territoriais de S. Tomé e Príncipe.

Um artigo recente publicado por Nikolas Kozloff no portal The Huffington Post, intitulado «Washington e a batalha pelo mundo lusófono africano», explica que os EUA evitam a construção de grandes instalações militares, preferindo as pequenas bases, designadas «flores de nenúfar».

Em S. Tomé e Príncipe – onde existe, além de um potente retransmissor da «Voz da América», um sistema de modernos radares, único em África, e a guarda-costeira é «assistida» pela marinha dos EUA – poderá ser instalada uma base de vigilância marítima regional.

O objectivo do reforço militar dos EUA na África Ocidental é o controlo das fontes de produção e das rotas do petróleo do Golfo da Guiné. Mesmo que o pretexto seja o combate ao «terrorismo islâmico» (a acção dos grupos radicais generalizou-se na região depois da agressão da NATO à Líbia e da intervenção francesa no Mali e no Níger) e a luta contra tráfico de droga (o exemplo mais conhecido é o da Guiné-Bissau, transformado em «narco-estado»).

A inauguração do Estado Policial - EUA A caminho de uma ditadura democrática?

A inauguração do Estado Policial - EUA A caminho de uma ditadura democrática?
por Prof. Michel Chossudovsky



"Da mesma maneira como aconteceu na chamada República Weimar, na Alemanha de 1930, liberdades e direitos fundamentais estão agora sendo anulados abaixo do pretexto de que a democracia estaria sendo ameaçada e precisaria de ser protegida. Grupos radicais e ou ativistas trabalhistas constituem aos olhos da administração de Obama uma ameaça ao estabelecimento econômico assim como a ordem política nacional americana [tem-se calafrios em lembrar-se do DOPS – Departamento de Ordem Pública e Social dos tempos da ditadura brasileira?]"
 
Tema: Estado Policial e Direitos Civis 
Notas do Autor:
O artigo que segue [1] foi publicado em janeiro de 2012 e focaliza uma importante lei legislativa (Lei - Autorização de Defesa Nacional – “National Defense Authorization Act” (NDAA) HR 1540).

 
Quase que nem notada na comprometida corrente da mídia estabelecida , a HR 1540 (assinada como lei efetiva pelo presidente Obama em 31 de dezembro de 2011) apresentou as condições para uma anulação de um governo constitucional como ato de lei, já aqui nem se mencionando as condições para um desenvolvimento de um “Estado de Vigilância” –“Surveillance State”, o qual está sendo objeto de muito debate [näo só nacional como também internacionalmente, dadas as revelações recentes dos atos de espionagem do governo americano].

A república americana está fraturada. A tendência é para o estabelecimento de um estado totalitário, um governo militar em vestimentas civís.

Brasil : TODO APOIO ÀS MANIFESTAÇÕES POPULARES

TODO APOIO ÀS MANIFESTAÇÕES POPULARES
(Nota política da Comissão Regional do PCB de São Paulo)
 
 
 


"Na verdade, as manifestações populares representam o esgotamento da paciência da população contra as políticas sociais-liberais dos governos federal, estadual e municipal e a política econômica de favorecimento ao capital, no caso específico aos empresários dos transportes que prestam um serviço de péssima qualidade e recebem vultosos lucros e subsídios da Prefeitura, mesmo levando-se em conta que as passagens em São Paulo são as mais caras do Brasil."
 

A Comissão Política Regional do PCB de São Paulo (CPR-SP) manifesta sua irrestrita solidariedade militante com os estudantes e trabalhadores de São Paulo que estão ocupando as ruas da cidade contra o aumento das passagens de ônibus e pela implementação da tarifa zero nos transportes da capital. Apesar da brutal repressão, na qual a polícia avançou contra os manifestantes com cavalaria, cassetetes, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha, ferindo e prendendo centenas de manifestantes, o movimento continua firme e crescendo a cada dia.

Na verdade, as manifestações populares representam o esgotamento da paciência da população contra as políticas sociais-liberais dos governos federal, estadual e municipal e a política econômica de favorecimento ao capital, no caso específico aos empresários dos transportes que prestam um serviço de péssima qualidade e recebem vultosos lucros e subsídios da Prefeitura, mesmo levando-se em conta que as passagens em São Paulo são as mais caras do Brasil,

Registramos ainda que a prefeitura de São Paulo é governada pelo Partido dos Trabalhadores, cujo partido se comportou nesse episódio com postura semelhante às forças mais conservadoras do País, buscando criminalizar os manifestantes como vândalos e baderneiros. Inclusive o ministro da justiça do PT, arrogantemente, ofereceu a ajuda da Polícia Federal ajudar o governo estadual para restabelecer a ordem. Isso demonstra mais uma vez que esse partido rompeu completamente com suas origens e se transformou num partido da ordem a serviço do capital.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Brasil: O namoro do desenvolvimentismo com o neoliberalismo

O namoro do desenvolvimentismo com o neoliberalismo
por Maria Luisa Mendonça,
 
 
A ilusão da “produtividade” do agronegócio serve para justificar o avanço sobre terras indígenas e camponesas, apesar do próprio Censo agropecuário mostrar que os pequenos e médios agricultores produzem 70% dos alimentos no país. O lobby em favor da expansão de monocultivos resultou no desmonte do Código Florestal e pretende acabar com a demarcação de territórios indígenas. As mudanças na legislação ambiental permitem maior avanço do agronegócio principalmente em áreas com acesso a infraestrutura, vastas bacias hidrográficas e biodiversidade. Os efeitos serão desastrosos, pois é evidente que a destruição de fontes de água, rios e biodiversidade gera queda da produtividade agrícola. O que ocorre no meio rural é o crescente controle de grandes empresas sobre a produção e comercialização agrícolas, simultaneamente a um processo de predominância do capital financeiro na agricultura, com o fortalecimento dos mercados de futuro e da especulação com commodities, que gera instabilidade nos preços dos alimentos. A lógica do agronegócio está baseada na superexploração do trabalho e da renda da terra. Entretanto, sua imagem como geradora de “desenvolvimento” serve de base ideológica para explicar a continuidade do apoio estatal para o latifúndio e para a intensificação do uso de agrotóxicos e insumos químicos na agricultura, que acabam por demandar mais recursos e diminuir a fertilidade do solo.
 
 

Nos últimos anos, foi a criada a ilusão de que o Brasil estaria “imune” à crise econômica internacional e de que haveria uma contraposição de um modelo supostamente “desenvolvimentista” e de outro “neoliberal”. Porém, fica cada vez mais evidente que a dança das cadeiras entre medidas consideradas “neodesenvolvimentistas” e “neoliberais” encontra o limite da própria lógica do capitalismo global, que oscila entre recessão e inflação.

Este limite é próprio do atual momento de crise estrutural, caracterizado pela determinação do capital financeiro nos processos produtivos e pelo crescente poder de grandes monopólios privados sobre a produção econômica mundial. Estes fatores demonstram que, mesmo nos países centrais, a saída clássica para a crise através da industrialização (ou re-industrialização) não está colocada, e muito menos ocorre nos países periféricos.

O que presenciamos, tanto no centro quanto na periferia do capitalismo, é a alternância das mesmas receitas, que incluem basicamente três tipos de políticas: (1) Os Estados nacionais optam por mudanças nas taxas de câmbio e de juros, o que caracteriza o próprio Estado com agente financeiro, já que tais políticas estão atreladas à emissão de papéis nos mercados financeiros para financiar as dívidas internas dos países; (2) apropriação da renda da terra através da especulação imobiliária e do controle geopolítico de fontes de energia; (3) maior grau de transferência de mais valia acumulada pelo Estado para o capital privado, como nas chamadas “medidas de austeridade” ou de subsídios estatais e benefícios fiscais para grandes empresas.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Alarme de incêndio: o fascismo espreita a crise

A cara do fascismo Italiano ao longo dos séculos
Alarme de incêndio: o fascismo espreita a crise
por Milton Pinheiro
 
 
"O fascismo, em síntese, é uma possibilidade política de caráter social conservador que se apresenta durante o período do imperialismo capitalista para tentar se consolidar no desenvolvimento do capitalismo monopolista, apresentando-se como um instrumento de modernização social de corte irracionalista, alimentado por uma cultura de consumo dirigida a partir da vigência do capital financeiro. Essa sociedade da lógica tardo-burguesa tem estimulado a guerra imperialista, desenvolvido o misticismo da aparência para fugir da ciência e da filosofia, se aquartelando nos “nacionalismos chauvinistas”, no anticomunismo e nas saídas da contrarrevolução permanente (governos da ordem neoliberais)."


No último dia 5 de junho, o jovem estudante Clément Méric, 18 anos, foi espancado até a morte por hordas fascistas na cidade de Paris, França. O triste fato, mais que um acontecimento político, desperta o alarme de incêndio na sociedade em tempos de crise. A sociedade tardo-burguesa, na aurora do século XXI, tem se mostrado incapaz de produzir uma solução estratégica que possibilite a saída da crise e a continuidade da lógica capitalista; no entanto, continua em vigor a manutenção do seu projeto societário através de agressivos ajustes ideológicos. Essa crise cresceu, expandiu-se sobre a sociedade e consolidou-se numa crise sistêmica que está colocando em xeque as instituições da ordem burguesa e o sistema capitalista, expondo a crescente erosão institucional desse sistema predatório.

A particularidade mais visível da crise sistêmica global, que é a crise financeira mundial, já se estende por um período de seis anos e continuará por um tempo ainda mais longo. Não existe uma causalidade única para a crise, mas, examinando esse processo, a partir das descobertas científicas de Marx n´O Capital, pode-se concluir que essa crise tem na superprodução seu elemento determinante. Apesar de o Estado burguês ter injetado uma quantidade substancial de recursos para evitar o aprofundamento da crise, o equilíbrio do sistema está cada vez mais distante. O que se apresenta na cena do capitalismo é a anarquia social da produção. O descompasso entre oferta e demanda tem aprofundado a erosão do sistema, gerando pobreza para o conjunto dos trabalhadores e luxo exorbitante para a burguesia. Apesar do aporte de cifras substanciais por parte do fundo público – algo em torno de alguns trilhões de dólares para evitar o colapso do sistema bancário –, a fome ataca centenas de milhões de pobres em todo o mundo e aprofunda o pauperismo dos trabalhadores.

Esse ciclo de erosão societária remete a um processo de restauração tardo-burguesa. A degeneração ideológica do pensamento burguês falsifica e naturaliza a crise através da violência do Estado, quando ataca os direitos sociais dos trabalhadores, quando avança sobre o fundo público, quando modifica a legislação colocando em seu lugar regulações reacionárias e que vão, via o aparato jurídico-político, esgarçando o tecido social.

Origem e declínio do capitalismo

Origem e declínio do capitalismo
  por Jorge Beinstein [*]

"Debaixo das revoluções culturais e produtivas da modernidade, do progresso no seu sentido mais amplo, podemos encontrar pistas que nos conduzem ao actual processo de auto-destruição sistémica global. A dissociação homem-natureza, fundamento das revoluções técnicas da modernidade, converte-se finalmente em degradação ambiental planetária. A exploração imperialista da periferia, interacção desenvolvimento-subdesenvolvimento como motor histórico da expansão global de forças produtivas tende agora ao extermínio de sociedade e recursos naturais, as finanças impulsionadoras de mercados e investimentos industriais transforma-se em devoradora de tecidos produtivos e capacidades de consumo, etc."

 

Retorno à origem

Em certos rituais funerários de tempos remotos os mortos eram colocados em posição fetal. Encontraram-se por exemplo restos de homens do neandertal sepultados dessa maneira com a cabeça a apontar para o Oeste e os pés para o Leste. Algumas hipóteses antropológicas sustentam que essa disposição do cadáver se relacionava com a crença no renascimento do morto. A civilização burguesa à medida que avança a sua senilidade parece reiterar esses ritos. Preparando-se para o desenlace final aponta a cabeça para a sua origem ocidental e vai acomodando o corpo degradado procurando recuperar as formas pré-natais, tentando talvez assim conseguir uma vitalidade irremediavelmente perdida.

O fim e a origem aparentam convergir, mas o ancião não consegue voltar ao passado e sim, antes, reproduzi-lo de maneira grotesca e decadente. Rumo ao final do seu percurso histórico o capitalismo volta-se prioritariamente para as finanças, o comércio e o militarismo no seu nível mais aventureiro "copiando" seu início quando o Ocidente conseguiu saquear recursos naturais,sobre-explorar populações e realizar genocídios acumulando desse modo riquezas desmesuradas em relação ao seu tamanho. Isso lhe permitiu expandir seus mercados internos, investir em novas formas produtivas, desenvolver instituições, capacidade científica e técnica. Em suma, construir a "civilização" que levou Voltaire a dizer: "a civilização não suprime a barbárie, aperfeiçoa-a".

quarta-feira, 12 de junho de 2013

«Terroristas»

«Terroristas»
por Filipe Diniz
 
«O pior de tudo:

é trazer a prisão dentro de si

consciente disso ou não.»
Nazim Hikmet
- Grande poeta Turco
 

"A NATO/OTAN atualizou o seu conceito estratégico integrando o universo da comunicação electrónica na lista dos cenários de guerra. O «Prism» da NSA e da CIA mostra como um tal cenário é, fundamentalmente, o da dominação absoluta construída sobre uma intimidação social global para a qual a palavra «terrorismo» hoje justifica tudo."


O primeiro-ministro turco, Erdogan, tratou de «terroristas» os milhares e milhares de manifestantes que, em diversas cidades do seu país, vêm mantendo nas ruas um vigoroso combate contra as políticas do seu governo. Políticas antidemocráticas e reaccionárias no plano interno, acção concertada com o imperialismo e o sionismo no plano externo, nomeadamente na operação de agressão contra a Síria.