Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O exército colombiano converteu-se num autêntico exército ocupante contra o seu próprio povo


Descoberta mais uma vala comum

na Colômbia


Defensores dos direitos humanos na Colômbia anunciaram a descoberta de mais uma vala comum no departamento de Meta, região onde, em Dezembro de 2009, foi desvendada a maior vala comum do continente. Nela estavam dois mil cadáveres de «falsos positivos», homens apresentados pelo exército colombiano como combatentes das FARC abatidos, mas que, na verdade, eram, na sua maioria, jovens recrutados com promessas de trabalho e posteriormente executados sumariamente.

A nova vala comum contém mais de 1500 corpos e os representantes das vítimas dos crimes do Estado acreditam que se trata de «falsos positivos».

Os deputados do Pólo Democrático Alternativo Gloria Inés Ramírez e Iván Cepeda, que há alguns meses denunciaram no parlamento nacional os indícios da existência desta vala, deslocaram-se ao local junto com membros da procuradoria-geral a fim de observarem a exumação de 66 cadáveres.

As investigações forenses vão determinar se os corpos são de combatentes das FARC, ou se se trata, mais uma vez, de «falsos positivos», algo que o governo nega, tal como no caso anterior.

As organizações humanitárias e as estruturas de defesa das vítimas e dos desaparecidos sublinham que foi graças aos relatos dos familiares que se logrou descobrir mais uma vala comum, por isso instaram as comunidades a denunciar as situações conhecidas e a apresentar as suas suspeitas para que se proceda ao respectivo apuramento.

«A Colômbia pode ser uma gigantesca vala comum. O exército colombiano converteu-se num autêntico exército ocupante contra o seu próprio povo», disse à Telesur um dos advogados das vítimas e familiares reagindo à macabra descoberta.

Texto original no sítio do Jornal Avante- Portugal


Os planos anticomunistas da burguesia fracassarão


O anticomunismo não passará
Partidos comunistas e operários da Europa alertam
Reagindo a uma nova investida anticomunista na UE, 38 partidos comunistas e operários europeus emitiram uma declaração conjunta, que abaixo publicamos na íntegra, na qual denunciam os propósitos da campanha e apelam à unidade e luta de todas as forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas.

«Os partidos comunistas e operários da Europa condenam a escandalosa e provocatória iniciativa dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Bulgária, Letónia, Lituânia, Hungria, Roménia e República Checa que exigem e instigam à perseguição jurídica de todos os que, na UE, não aceitem as campanhas reaccionárias de reescrita da História e a criminalização dos comunistas.

«Esta é uma perigosa tentativa de generalizar a perseguição judicial e outras medidas, em vigor em vários países da UE, contra todos aqueles que rejeitam as calúnias contra as experiências históricas de construção socialista e contra todos os que combatem as tentativas para apagar da História a decisiva contribuição dos comunistas na luta pelos direitos sociais e laborais e pela democracia na Europa, e rejeitam a distorção da história da 2.ª Guerra Mundial e a inaceitável equiparação do comunismo com o fascismo.

«Não é por acaso que esta iniciativa ocorre quando a classe operária e as lutas populares se estão a intensificar. A intensificação do violento assalto aos trabalhadores anda de mãos dadas com a intensificação de medidas anticomunistas. Os comunistas são alvo destes ataques porque estão na linha da frente das lutas não só para que os trabalhadores não arquem com o ónus da crise capitalista, mas também porque são os únicos que possuem uma verdadeira solução para a barbárie capitalista.

«A classe dominante, entendendo muito bem os impasses do sistema capitalista e as suas irreconciliáveis contradições, intensifica as perseguições, ameaças e crimes. Contudo, independentemente das medidas que tome, não pode impedir as leis inexoráveis do desenvolvimento social e a necessidade de derrubar o poder do capital. Não pode impedir o fortalecimento da organização da classe operária e o desenvolvimento da luta de massas pelo socialismo e o comunismo.

Luta de todos

«Firmemente declaramos que os planos anticomunistas da burguesia fracassarão. A superioridade da nossa ideologia, a justa causa da classe operária pode quebrar os seus mecanismos mais severos. Vamos continuar de uma forma ainda mais determinada e inflexível de modo a derrotar o poder antipopular do grande capital. A histeria anticomunista não enganará a classe operária e as forças populares que são duramente afectadas pelos problemas do desemprego, pelo retrocesso das políticas sociais, da segurança social e dos direitos dos trabalhadores, pela própria barbárie capitalista.

«Apelamos a todas as forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas para que se unam a nós na luta contra o anticomunismo, directamente associada à luta pelos direitos dos trabalhadores e populares, assim como pela justiça social; por um mundo sem exploração do homem pelo homem».

Subscrevem a declaração:

Partido Comunista da Arménia; Partido Comunista do Azerbaijão; Partido Comunista da Bielorrússia; Partido do Trabalho da Bélgica; Partido Comunista Britânico; Novo Partido Comunista Britânico; Partido Comunista da Bulgária; Partido dos Comunistas Búlgaros; AKEL, de Chipre; Partido Comunista da Dinamarca; Partido Comunista da Estónia; Partido Comunista da Finlândia; Partido Comunista da Macedónia; Partido Comunista Alemão; Partido Comunista da Grécia; Partido dos Trabalhadores Comunistas Húngaros; Partido Comunista da Irlanda; Partido dos Comunistas Italianos; Partido Comunista do Cazaquistão; Partido Socialista da Letónia; Partido Comunista do Luxemburgo; Partido Comunista de Malta; Partido Comunista da Noruega; Novo Partido Comunista da Holanda; Partido Comunista da Polónia; Partido Comunista Português; Partido Comunista Romeno; Partido Comunista da Federação Russa; Partido Comunista da União Soviética; Partido Comunista dos Trabalhadores da Rússia – PC Russo; União de Partidos Comunistas – CPSU; Partido dos Comunistas da Sérvia; Partido Comunista da Eslováquia; Partido Comunista dos Povos de Espanha; Partido Comunista da Suécia; Partido Comunista da Turquia; Partido Comunista da Ucrânia; União dos Comunistas da Ucrânia.

Texto original no sítio do Jornal Avante - Portugal


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Papa João Paulo ll


O PAPA JOÃO PAULO ll


A DESCOBERTA TARDIA DA AMÉRICA E SUAS LACUNAS: SOBRE A
OBRA DE CARL BERNSTEIN E MARCO POLITI, SUA SANTIDADE. JOÃO
PAULO II E A HISTÓRIA ESCONDIDA DA NOSSA ÉPOCA, PLON, PARIS, 1996.

Para tentar beneficiar dos contributos da obra de Carl Bernstein e Marco Politi, convém abstrairmo-nos de um estilo hagiográfico ao ponto de obscurecer análises, além do mais, plausíveis. Os autores, para o fim da obra – portanto, sobre o período da «crise» profunda do ídolo, que revela a fragilidade da espetacular ofensiva clerical dos anos 1978-1990 –, recuperam o sangue-frio perdido nas centenas de páginas precedentes.
Tem-se, até então e demasiadas vezes, a impressão de ler uma crônica de santo nesta biografia de um papa com créditos firmados na sua contribuição para a «destruição do comunismo», e brutalmente – por que milagre? - passado do estado de clérigo místico ao de homem político integrado, justamente pelo 'menu', na estratégia e na táctica americanas na Europa e na América latina (e noutras partes?).

O método presta-se ao sorriso, no que respeita a Karol Wojtyla, personalidade fundamentalmente política, como o confirmam todos os dados discerníveis da sua carreira (o não-dito e o não - preciso abundam), do começo do sacerdócio ao pontificado. A obsessão antirrussa e antibolchevique deste polaco germanófilo – um caso de figura representativa da hierarquia da Igreja polaca – é aqui transfigurada em amor de Deus e da Virgem (de Fátima, muitas vezes, à qual Pacelli-Pio XII votava o mesmo culto). A colaboração quotidiana da Cúria e do seu chefe com os serviços secretos americanos enquadra-se mal com a alegada «natureza mística» do papa: a vaga de literatura de espionagem militar (donde emerge o coronel polaco Kuklisnki, grande informador dos americanos, p. 272 e sgs.), sobre o fundo de mísseis ou de projectos de aniquilação da Teologia da Libertação e do poderio soviético na Europa, e não só, convive mal com as preces, a venaração de Maria e os êxtases que teriam sido partilhados por Reagan, os seus colaboradores mais próximos – integristas católicos e, de há muito,responsáveis dos serviços secretos – e Wojtyla. Este revestimento lírico e devoto – enquanto as ligações do papa com o Opus Dei são reduzidas a uma nota (p. 334) – constrange acentuadamente a leitura, sem falar da tendência à confusão e à desordem, escolho que permitiu evitar um maior respeito pela cronologia.

Por outro lado, este livro ensina-nos muito menos do que pretende, tendo sido
precedido por trabalhos históricos sobre um grande número de questões. Se os autores pretendem revelar-nos «a história escondida da nossa época», eles afastaram quase totalmente a questão jugoslava, grande dossiê deste reinado, tratado na tradição germano-italiana antissérvia da Santa-Sé. O acento tónico colocado sobre as relações americano-vaticanas – com efeito, um dado fundamental da política vaticana do século – conduziu os autores a negligenciar as raízes alemãs desta grande aliança concluída no termo do primeiro conflito mundial, e não no lampejo entre um Reagan, grande cruzado contra «o Império do mal» no «cristianismo salvador» (p. 303), e um Wojtila comungante no amor da Virgem Maria.

Ao reunir as peças de um puzzle espalhadas por mais de 450 páginas, vê-se confirmado o retrato – efectuado pelos arquivos diplomáticos franceses – de Karol Wojtila e do universo clerical que o formou e enquadrou. Na base de uma biografia redigida por hagiógrafos, o futuro papa aparece de súbito como um polaco violentamente antirrusso – sólida tradição, bem anterior à era bolchevique – para ensaiar com o Reich simpatias que a circunspecção dos autores apenas aborda: germanófono, ele é apresentado como «hostil aos nazis» mas, sobretudo, como um dos clérigos mais hostis a toda a resistência ao ocupante (p. 43 e sgs., até à 59, p. 89, etc.); duvida-se do seu antinazismo ao saber-se que, face à barbárie alemã, que castigava até os salesianos da sua paróquia, consagrou os seus esforços, com sucesso, «a convencer a maior parte» dos seus amigos «do Rosário Vivo» - organização secreta sobre a qual gostaríamos de conhecer mais - «a não desenvolver a luta clandestina»: «orar era a única coisa a fazer» (p. 56-57), teria ele então sentenciado – serenidade que, seguramente, não regeu as suas relações tumultuosas com o mundo russo. Ele teria amado os judeus, neste país em que a Igreja conduzia a todo-poderosa coligação antissemita, sob o báculo do primaz Hlond (p. 32 e sg.), um dos protagonistas essenciais da organização pró-alemã –
tanto francófoba como russófoba – da política polaca anterior a 1939.


para ler o texto completo em PDF CLIQUE AQUI

ESTE TEXTO ENCONTRA-SE NO SÍTIO pelosocialismo.net

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estados sob intervenção e Anticomunismo na Europa


Estados sob intervenção e

Anticomunismo na Europa



ESTADOS INTERVENCIONADOS, CRISE POLÍTICA E LUTA DE CLASSES
"O capitalismo enfrenta a crise, uma crise sem precedentes, sem que sejam previsíveis, por agora, confrontos militares entre Estados, que cumpram a função histórica de eliminar seres humanos excedentários e capital não competitivo. Os estados periféricos da UE serão estados intervencionados e pagarão o abismo que separa a produtividade e a competitividade do seu capitalismo do da França, da Alemanha e da Inglaterra, com uma guerra social de um alcance ainda difícil de imaginar. Se não o impedimos, este é o destino que nos reservam"
ARQUIVO EM PDF, PARA ACESSAR CLIQUE AQUI


O ANTICOMUNISMO NA EUROPA NÃO PASSARÁ!

"A proibição da atividade dos PC e dos símbolos comunistas nos países da UE, assim como os esforços para a generalizar, gradualmente, dentro da UE, demonstra que as classes burguesas e os seus governos receiam um novo contra-ataque do movimento operário e popular revolucionário, porque eles conhecem muito bem o tamanho e a insuperável natureza das contradições e impasses do capitalismo e que o futuro pertence a uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, ao socialismo-comunismo."
ARQUIVO EM PDF, PARA ACESSAR CLIQUE AQUI
TEXTOS NO SÍTIO www.pelosocialismo.net

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

CUBA:Venceremos !!!


VENCEREMOS !


O que é interessante em não ser Professor ou intelectual, é que posso me expressar sem medo das palavras que uso.

Grande parte dos que falam e escrevem sobre a tal “Restauração Capitalista em Cuba” é professor e intelectual e tem conhecimento do que vem acontecendo no, principalmente, Continente Europeu, portanto, nunca vão poder alegar ignorância à respeito.

Não trato aqui das manifestações de massa que vêm ocorrendo pela Europa, mas sim da reedição fascista da história ( sob novas e todas as formas que tem assumido atualmente) e de seu mais acalentado sub-produto: o anti-comunismo.

È conhecido que a Espanha, França e outros países daquele continente (também, não é preciso falar aqui do EUA) tem feito muita pressão e atribuído prêmios à dissidentes cubanos, como forma de transmitir ao Mundo e inculcar nas mentes das pessoas uma visão falsa e distorcida do Socialismo e da Revolução Cubana , isso não é novo.

È conhecido que o parlamento europeu aprovou uma moção comparando o regime nazista ao comunista , utilizando-se do conceito de totalitarismo para criar as bases da revisão mentirosa e a falsificação grosseira da história. Isso também não é novo.

Partidos e personalidades de orientação Trotskista, falando de restauração capitalista em Cuba e se juntando espontaneamente ou não com essa orquestração anticomunista , também não podemos dizer que é uma coisa nova.

A realidade nos mostra que essas correntes se parecem mais com Seitas do que com partidos, são quase religiosas, de tão puras ( sic..) em seus conceitos revolucionários, mas sempre na hora H, se aliam à direita - exemplos não faltam: Venezuela onde combatem o Chavez ( se aliaram aos burguesinhos caraquenhos) e etc.

Talvez no meu caso, tomara que sem razão, me faz remeter meus entendimentos dessas colocações à quinta-coluna da guerra civil Espanhola.

Em alguns momentos da minha vida, achei que era possível atuarmos juntos em situações do movimento de trabalhadores e revolucionário. Não, nunca fui ingênuo ou neófito em acreditar que poderíamos habitar um mesmo partido revolucionário, isso realmente nunca acreditei.

Sabemos que Cuba é uma democracia-popular, pobre de recursos naturais mas mesmo assim , mantém um sistema universal, integral , público e gratuito de Saúde e educação. ( até o filme do norte-americano Michael Moore fala da saúde em Cuba )

Isolada , bloqueada e sempre na iminência de ser agradida, mantêm sua revolução a todo custo e seu povo educado e culto saberá defender os valores Socialistas e seu processo revolucionário.

Essa tentativa de algumas personalidades que se auto-denominam “marxistas-revolucionários” e partidos de orientação Trotskista, soa aos meus ouvidos e olhos como uma concertação inter-burguesa, utilizando-se de palavras, personalidades e partidos teoricamente de esquerda, para atacar e denegrir a Revolução Cubana.

VIVA CUBA SOCIALISTA!!!

Beto- pelo MAFARRICO

GRANDES NEGOCIATAS À VISTA


Negociatas à vista
por Correio da Cidadania


Para sediar a Copa e os Jogos Olímpicos a FIFA exige que o Brasil construa novos estádios de futebol.


Trata-se de uma chantagem. O Brasil já possui estádios suficientes para abrigar os públicos interno e externo que irão assistir a esses eventos.


Além dos estádios, a FIFA exige que o Brasil amplie seus aeroportos – gasto igualmente desnecessário.


Sem dúvida, o esporte é uma atividade importante e merece a atenção do poder público. Contudo, um país que não consegue sequer alimentar adequadamente todo o seu povo precisa alocar os escassos recursos do seu orçamento em obras mais urgentes.


É pouco provável, entretanto, que o bom senso prevaleça. A grande massa apóia o gasto e, além disso, propiciará polpudos contratos com empreiteiras e muita especulação imobiliária – uma conjugação de muito poderosos interesses.


Tão certos estão os empresários da efetivação de tais gastos que os preços dos terrenos nas regiões em que serão construídos os estádios já aumentaram substancialmente. Para isto contribui o governo, que já iniciou a higienização social dos bairros onde se localizarão os estádios. Negros, pardos, cafusos e brancos pobres já foram advertidos de que não se tolerará qualquer tipo de comportamento que venha a incomodar os turistas.


A recente operação policial-militar realizada nos morros do Rio de Janeiro não teve, na verdade, o objetivo de prender narcotraficantes. A Polícia sabe muito bem que os chefes do narco não moram nos morros do Rio, mas nos luxuosos apartamentos da Vieira Souto [1] . Nos morros moram os sargentos e soldados desse exército criminoso.


Os primeiros, instalados no alto dos morros, com visão total da aproximação dos veículos policiais, obviamente escaparam a tempo. Ficaram os soldados, estes que vimos correndo desesperados, no show televisivo que a mídia encenou a fim de que a advertência extrapolasse o Rio de Janeiro e atingisse os pobres de todo o país.


Um gráfico dos locais nos quais foram instalados os quartéis da UPP (Unidade de Policia Pacificadora) coincide exatamente com a proximidade entre favelas e bairros elegantes. Nos morros mais distantes não se cogitou disso.


Urge fazer um movimento de opinião para bloquear a negociata. O Brasil não tem porque curvar-se a uma corja de cartolas que vivem da exploração do fascínio que o esporte desperta em todos nós.

[1] A Av. Vieira Souto, na zona Sul do Rio de Janeiro, é conhecida por ter o mais alto custo por metro quadrado da América Latina .


O original encontra-se em CORREIO DA CIDADANIA


domingo, 26 de dezembro de 2010

Cuba revolucionária não está sozinha, venceremos !




CUBA NÃO ESTÁ SÓ,
VENCEREMOS!










Adorei esse texto ( abaixo, autoria Prof. Dirlene ), mostra a realidade vivida pelo povo Cubano. Com as coisas boas que a Revolução Cubana proporcionou ao povo Cubano e também seus problemas.

Pra mim , qualquer discussão sobre Cuba não pode e nem deve deixar de lado a realidade de um pobre país sem recursos naturais, bloqueado pela maior potência do mundo e apesar disso, conseguiu feitos notáveis para sua população, como ex: saude, educação e seus efeitos em qualidade e expectativa de vida maior ( só 7 meses menos que a expectativa de vida nos EUA), mortalidade infantil menor que a dos EUA.

Sem a Revolução em Cuba, essa ilha seria parecida com a Rep.Dominicana??? ou Haiti???? talvez sim.

Agora. existem grandes doutores(sic) em "Marxismo", dizendo que está havendo uma "restauração capitalista em Cuba" e tentam intimidar a gente( os não doutores em marxismo ) usando palavras e frases retiradas mecanicamente das obras clássicas marxistas , esquecendo-se sempre que o Marxismo é um guia-de-ação e não um dogma .

Mas eles sempre se atrapalham e tropeçam na realidade.

E a realidade é que Cuba, é uma democracia popular com um povo culto e educado , que saberá resolver seus problemas e achar seu caminho para o Socialismo.

Sua revolução em 1959, já foi além das possibilidades de entendimento e compreensão de seu processo revolucionário por esses "doutores", nunca dependendo ou precisando dessa compreensão , conseguiu feitos notáveis para seu povo e ainda os consegue.

Essa revolução é conduzida queiram ou não por revolucionários comunistas , em minha opinião, os que falam de Restauração Capitalista na verdade verbalizam um desejo , acalentado há muitos anos, de ver a revolução derrotada.

E isso não irá acontecer, jamais!!

Viva Cuba Socialista!

Beto - MAFARRICO

NOTA DO MAFARRICO- Chamo "doutores " adeptos do Trotkismo morenista e alguns Porfessores Universitários , que falam e publicam textos alardeando a suposta " Restauração Capitalista em Cuba "


Por Prof. Maria Dirlene Trindade Marques
Acompanho os debates nesta rede e tenho aprendido muito. Vou fazer aqui um comentário sobre a discussão do socialismo em Cuba.

Outro dia assisti um documentário na TV Futura sobre Cuba. Só porque sou nuito persistente, vi ate o fim o final. E, valeu a pena.

No inicio, como não podia deixar de ser, o objetivo era mostrar o autoritarismo, a pobreza, a falta de liberdade, e todas as carências da sociedade.

É claro que partiam do ponto de vista de uma classe media com alto poder aquisitivo em uma sociedade como a brasileira. Portanto, com acesso a saúde, educação com uma certa qualidade e com acesso a tudo quanto é bens de consumo.

O entrevistador tinha como guia uma cubana formada em letras em Cuba e que veio para o Brasil e é professora em uma escola particular alem de dar aulas particulares de espanhol.

Portanto, uma das que usufruiu da educação gratuita cubana.

Era impossível imaginarmos o desenrolar do filme. Na medida que iam andando pela cidade, conversando com as pessoas, esperando ônibus, pegando carona, indo para a fila do Copelia - tudo aquilo que o povo cubano faz - , os aspectos diferentes da nossa sociedade iam aparecendo.

Mesmo com a insistência da guia cubana/brasileira em mostrar as lojas sem a diversidade de produtos, tinha tudo o que uma pessoa precisa.

Iam para a fila de ônibus (alias, não tem fila. As pessoas chegam e perguntam: quem é o ultimo?) falando da precariedade do transporte coletivo e aí, chegou um ônibus moderníssimo (foi adquirido da China uma frota de ônibus para o transporte coletivo. Já havia os ônibus para os turistas). Não havia nenhum tumulto. E, quando eles estavam esperando ônibus em um lugar mais distante, passa um carro e oferece carona, o que é a pratica comum.

Saúde e educação, nao precisa nem falar. Vão depois para uma casa de família, conversam, ficam para a refeição etc. Conversam com jovens e velhos. Os mais velhos, defendem ardorosamente o comunismo (como disseram). Alguns jovens, querem sair mas percebem as diferenças.

Enfim, no final o entrevistador fecha o documentário dizendo que pode se dizer tudo sobre Cuba mas o que ele viu foi um povo alegre, nenhuma criança descalça e fora da escola, uma alimentação não muito diversificada mas sem carência, nenhum morador de rua e um povo tranqüilo, sem stress ,o que é muito diferente de nossa sociedade. Se ele tivesse que falar algo negativo, só não gostou do tempero da comida (comentário dele).

Bem, é sobre este país que está sendo feita a discussão. E que de fato tem grandes problemas. O maior problema que vejo, é onde termina o texto do Rui Amaro "E assim voltamos ao antigo dilema: a revolução tem que ser internacional porque feita em um só país, aos poucos, ela será derrotada pelo imperialismo. A história não deixa dúvidas." O efeito demonstração dos países capitalistas é um grande problema, em especial para a juventude que não viveu e nem conhece como vive a maior parte do povo no mundo capitalista.

Se eles viesse passear no Rio de Janeiro e vissem que a maior parte da população vivem é nas favelas, sujeitas a todo tipo de violência (vide o Complexo do Alemão), e não em Copacabana ou Ipanema, teriam um susto. Alias, eles adoram o Rio, a Amazônia que eles conhecem através das novelas. Não acreditam quando falamos que só 10 a 15% da população tem acesso àqueles bens.

Enfim, o que os jovens conhecem do mundo capitalista é a sociedade de consumo da elite, é a classe média que pode ir para o exterior inclusive em Cuba. Eles não conseguem imaginar que milhões de pessoas não têm como visitar parentes em outra cidade.

É isto que os dirigentes cubanos enfrentam. E, estas contradições se agudizaram quando tiveram que tornar o turismo a sua primeira fonte de renda, intensificando todas as contradições citadas no artigo: 2 moedas, gorjetas em moeda conversível (ou dólar), gerando 2 sociedades. Este é um grande problema que tem de ser resolvido.

Outro problema, é a baixa produtividade no campo.

Diante desta situação, uma pergunta que temos de nos colocar, é como Cuba conseguiu sobreviver ate agora. Nossa maior solidariedade com Cuba socialista é lutar e construirmos o socialismo no Brasil.

Enfim, acho extremamente positivo este debate. Temos que buscar entender o funcionamento da lei do valor, como superá-la em uma sociedade concreta.

Um grande abraço
Dirlene

Texto eviado a ESK por e-mail
ESTE TEXTO ENCONTRA-SE EM O MAFARRICO


NOS EUA 43 MILHÕES DE AMERICANOS RECEBEM CUPONS DO GOVÊRNO PARA TER 1 REFEIÇÃO


Estados Unidos ,
O vale-esmola Americano
43 milhões de americanos recebem cupons de alimentos do govêrno para sobreviver.
Isto representa 4 vêzes a população total de Cuba.

O número de pessoas que receberam cupons de alimentos nos Estados Unidos aumentou 16% em relação ao ano passado, segundo a CNN.

Isto significa que cerca de 14% da população norte-americana vive agora com bônus para a compra de comida, estamos falando de aproximadamente 43 milhões de pessoas ( quatro vêzes a população Cubana) e em torno de 1 em cada 7 norte-americanos.

Em alguns estados, como Tennessee, Mississipi, Nõvo México e Oregon, um(1) em cada cinco( 5 ) pessoas estão recebendo os cupons de comida.

A capital dos Estados Unidos , Washington dc , está em primeiro lugar, com 21,5 % da população estadunidense, que depende dos cupons de alimentação para sobreviver, assinalou a CNN.

Matéria original em Cuba Debate , link :

sábado, 25 de dezembro de 2010

Portugal: Uma candidatura patriótica e de esquerda


FRANCISCO LOPES

Uma candidatura Patrótica e de esquerda


A candidatura que dá voz à exigência de ruptura e mudança

com o rumo imposto pela política de direita e apresenta um projeto assente numa política alternativa capaz de assegurar o desenvolvimento econômico, a defesa da produção nacional, o progresso social e a soberania nacional.

A candidatura dos trabalhadores
que inscreve como causa principal a defesa de seus direitos, dos seus salários e rendimentos.
Um candidato com um percurso coerente, combativo e solidário com a luta dos trabalhadores.

A candidatura que dá expressão ao protesto
e à luta contra a política de retrocesso social e de declínio nacional imposta pelo PS e pelo PSD.
A única candidatura que se bate com coerência e sem hesitações contra a política de direita, que ergue a sua voz e a sua acção contra o aumento da exploração e o ataque aos direitos sociais, desigualdades e injustiças sociais.

A candidatura que dá, como nenhuma outra, coerência e sentido à luta
de todos quantos são atingidos por uma política ditada pelos interesses dos grupos econômicos e do capital financeiro e que aspiram a uma vida melhor e mais digna.

A candidatura que inscreve como objectivos a derrota de Cavaco Silva,
dos projetos, interesses e ambições que por detrás dele se escondem, a condenação da política de direita e a concretização de um outro rumo para o país.

A candidatura que assume o exercício das funções e poderes presidenciais vinculada aos valores de Abril,
comprometida com a afirmação da soberania de Portugal e com a defesa e respeito pelos direitos e conquistas inscritos na Constituição da República Portuguesa.


Em 23 de Janeiro VOTA FRANCISCO LOPES


Clique no link abaixo e acesse mais informações:


A caridade piedosa ocupa o lugar deixado vago pela renúncia ao princípio da dignidade


Teoria e prática da Caridade

Por Jorge Messias


Se os órgãos responsáveis do Estado continuarem a impor as actuais políticas, adeus direitos dos trabalhadores, adeus sonhos de democracia e… adeus derradeiras sombras dos velhos mitos da independência nacional. Dizem os grandes senhores que o simples cidadão deve acatar as ordens dos mais ricos, pagar as dívidas dos especuladores, obedecer à escala de contra-valores das nações poderosas e acabar de vez com essas tontarias dos direitos e liberdades. As «conquistas» são coisas de outros tempos, são «trapos velhos».

Esta invariável e diária introdução mil vezes repetida termina sempre com ameaças veladas expressas num estilo fascizante mais subtil. Mas está à vista que o espectáculo da máquina repressiva visa amordaçar com o medo a ira popular. Que a vaga de despedimentos tenta instalar entre os trabalhadores a instabilidade e a dúvida. E que a caridade piedosa tem o sentido da esmola que se dá ao pobre e que permite, a quem dá, ocupar o lugar deixado vago pela renúncia ao princípio da dignidade, consagrado na Constituição da República e nos Direitos do Homem.

No desenvolvimento deste esquema de subversão dos valores, a igreja-empresa surge da sombra para lembrar aos homens que o fosso entre ricos e pobres nada tem de novo e sempre com ele convivemos. Trata-se de um fenómeno natural, com uma causa simples e única: pecámos e todos temos de arcar com as consequências do pecado. Os pobres sofrem e trabalham; os ricos gozam os prazeres da vida e, no seu caso, «o pecado mora ao lado».

No correr dos anos, a Igreja tem conservado, em silêncio, esse critério histórico que esmaga uns e premeia outros. Porque à Igreja não cumpre tomar partido. A sua vocação é celestial. Na terra, deve ser cega, surda e muda face aos acidentes da história humana. Mas mantém a legenda: ai dos ricos e daqueles que cometam ou ocultem crimes. Virá o dia em que serão julgados… nos céus. Só então a Igreja falará!

A corrupção como linha de força

Entretanto, na sua «luta contra a pobreza», o episcopado propõe uma alternativa baseada numa leitura teórica da realidade. Se é impossível «extinguir a pobreza» (porque assim «Deus a quer»!) então, pelo menos, ela poderá ser «minorada». Mas como e com quem se tornará possível desenvolver este tipo de estratégia sem beliscar interesses comuns a «capitalistas» e a «cristãos»? Manobras que unam exploradores e explorados, conservadores e progressistas, crentes e ateus?

A fórmula encontrada (ou uma delas) foi esta da «luta contra a pobreza». Parte-se de «movimentos da alma» inspirados pela doutrina cristã (amor ao próximo, solidariedade, espírito caritativo, voluntariado, etc.), apoia-se esses sentimentos no «trabalho de campo» de estruturas organizadas pela Igreja (IPSS, ONGS, «Sociedade Civil», Fundações, Movimentos de Voluntariado, etc.) e liga-se discretamente o conjunto ao mundo dos negócios privados e lucrativos.

A «luta contra a pobreza» revela potencialidades muito interessantes. Nasce na «crise» mas não é crise. É forma privilegiada do escoamento e valorização de stocks. E une provisoriamente nas mesmas intenções os exploradores bem-falantes, os ingénuos explorados e os banqueiros calejados na arte de mentir com um sorriso nos lábios e um lampejo de inocência no olhar. É esta a chave do sucesso, se considerarmos que quem a perder desce inevitavelmente de escalão.

Portugal pode assim transformar-se facilmente num lucrativo mercado da «luta contra a pobreza». Terra católica, tudo aqui se compra e vende e muitos se deixam comprar. Na nossa praça, a «luta contra a pobreza» pode muito bem vir a revelar-se alavanca na promoção dos chamados «mercados emergentes». Caridade e banca, em oculta «união de facto», podem vir a gerar ligações passageiras mas de grande interesse estratégico. Seja o que for que se faça: subsídios para as fundações, recolha de rolhas usadas, peditórios, catequeses infantis, lotarias, bancos alimentares pagos pelas esmolas e abastecidos pelas sobras das mesas dos «ricos», estímulos à iniciativa empresarial – seja o que for – tudo vai concorrer para atenuar nos «pobres» as respostas duras às misérias que promovem as revoltas.

O tempo precipita-se. O ano que aí vem ameaça o povo com muito sacrifício e muito sofrimento. Todos nós sabemos isto, é certo, mas o que importa é que «da escuridão nasça a luz». Através da luta, por dura que seja.

Somos comunistas, não nos deixaremos enganar.


TEXTO ORIGINAL NO JORNAL AVANTE - PORTUGAL





sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A POBREZA NA EUROPA


População na pobreza

Agravamento das desigualdades na UE



Cerca de 116 milhões de pessoas, ou seja perto de um quarto da população da União Europeia, viviam numa situação de exclusão social em 2008, de acordo com o último estudo do Eurostat, divulgado no dia 13.

Em vésperas do encerramento do Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza, o gabinete de estatística europeu, Eurostat, revelou a existência de um número recorde de cidadãos atingidos pelo flagelo da pobreza nos 27 países membros da UE.

O estudo, que apresenta dados de 2008, divide em três categorias a população em situação de exclusão social. Na primeira, relativa aos indivíduos em «risco de pobreza» encontram-se 81 milhões de pessoas (17% por cento da população UE27). Isto significa que o seu rendimento, já tendo em conta os apoios sociais que auferem, se situa abaixo do limiar da pobreza (menos de 60% do rendimento médio em cada país).

Nesta categoria, os valores mais elevados foram registados na Letónia (26%), na Roménia (23%) e na Bulgária (21%). Mas o flagelo tem também graves incidências nos chamados países ricos, onde uma percentagem crescente está em risco de pobreza: França (13,1%) Alemanha (15,2%), Itália (18,7%), Reino Unido (18,8%) e Espanha (19,6%). Em Portugal, 18,5 por cento da população está abaixo do limiar da pobreza.

Na segunda categoria, «privação material grave», incluem-se 42 milhões de europeus (8% da população), cujos recursos não eram suficientes para pagar as facturas de serviços básicos, adquirir um automóvel, um telefone, etc.

A Bulgária, com 41 por cento da população nesta situação e a Roménia (33%) são os países que apresentam as taxas mais elevadas. Em Portugal, a privação material grave atinge 9,7 por cento, ou seja, mais de um milhão de indivíduos.

A terceira categoria refere-se às pessoas que viviam em famílias com «fraca intensidade de trabalho», isto é, cujos membros adultos utilizavam menos de 20 por cento do seu «potencial de trabalho» em 2008. Mais de 34 milhões de europeus (9% da população até aos 59 anos) eram assim vítimas directas ou indirectas do desemprego massivo.

A Irlanda liderava este indicador com 14 por cento da sua população abrangida, seguindo-se a Hungria, Bélgica e a Alemanha (12% cada). Em Portugal, esta percentagem elevava-se a 6,3 por cento, afectando 517 mil pessoas.

No total, foram registados 116 milhões de europeus, (23,6% da população), atingidos por pelo menos uma destas três formas de exclusão social. Mais uma vez a Bulgária liderava esta lista negra (45%), seguida de perto pela Roménia (44%), Letónia (34%) e Polónia (31%).

Note-se que, neste critério, países como a Holanda, Suécia e República Checa, que apresentam as menores taxas, não deixam de ter uma parte importante da população (15% em cada) que é afectada por pelos menos uma destas três formas de exclusão. Em Portugal, este indicador eleva-se a 26 por cento, ou seja, mais de dois milhões e 750 mil indivíduos.

Por último, o estudo mostra ainda que havia sete milhões de indivíduos (1,4% da população) vivendo na mais completa indigência, já que eram abrangidos em simultâneo pelos três critérios. As situações mais graves surgem na Bulgária (4%) e Hungria (3%). Em Portugal, esta taxa foi de 2,4 por cento, sendo identificadas 122 mil pessoas nesta situação.


texto original no sítio do Jornal Avante


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Capital aproveita crise para atacar salários


Capital aproveita crise para atacar salários

Estatísticas confirmam



A crise sistémica mundial está a ser aproveitada pelo capital para pressionar a remuneração da força de trabalho. Os jovens são as presas mais vulneráveis do capital predador.

De acordo com os dados apurados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), os salários reais em todo o mundo cresceram menos em 2009 do que em 2007, tendo a subida média passado de 2,8 para apenas 1,6 por cento, isto é, quase para metade.

No relatório da OIT, que compila informações referentes a 115 países, afirma-se igualmente que se a China for excluída das estatísticas, a queda é ainda mais acentuada, passando de 2,2 para 0,7 por cento no mesmo período.

No conjunto, diz a OIT, o crescimento salarial só se mantém consistente na Ásia e América Latina, cenário oposto ao verificado na Europa e Ásia Central. «A recessão foi dramática não só para os milhões que perderam o emprego, mas também para aqueles que, mantendo o posto de trabalho, viram severamente afectado o seu poder de compra», considerou o director-geral da organização, citado pela Lusa.

Nos ditos «países desenvolvidos», a OIT estima que depois de um crescimento de 0,8 por cento nas remunerações do trabalho verificado antes da eclosão da actual fase da crise capitalista, os salários reais perderam meio ponto percentual em 2008, voltando a crescer apenas 0,6 por cento em 2009.

«A percentagem de pessoas que recebem baixos salários – definidos como menos de dois terços do salário mediano – aumentou desde meados da década de 90 em mais de dois terços dos países com dados disponíveis», admite-se também no texto.

Este quadro de ataque prolongado aos salários por parte do grande capital é consistente com outro divulgado pela OIT, o qual indica que, na primeira década do século XXI, os salários só subiram 5 por cento nos chamados «países avançados».

Coerentes, neste contexto, são também os dados do Eurostat que apontam para uma quebra de 0,3 por cento no custo do trabalho por hora em Portugal entre Setembro de 2009 e o mesmo mês de 2010, valor substancialmente pressionado pela descida das remunerações no sector dos serviços.

Jovens vítimas do sistema

A OIT salienta no documento supracitado que «os trabalhadores com baixos salários tendem a ser jovens». Mas não são apenas as baixas remunerações o garrote para os mais recentemente chegados à idade activa.

Segundo informações divulgadas a semana passada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no terceiro trimestre de 2010 a média de desemprego entre os jovens dos 15 aos 24 anos ascendia a 18,5 por cento nos países afectos à organização.
Quando comparados os números do terceiro trimestre de 2007 com os do mesmo período deste ano, verifica-se que 3,5 milhões de jovens caíram no desemprego, acrescenta a OCDE, que alerta ainda para o facto deste valor se encontrar abaixo da realidade, dado que muitos dos que concluem ou abandonam o ensino não entrarem nas estatísticas do desemprego.

A OCDE diz que pelo menos 16,7 milhões de jovens estão arredados do mercado de trabalho e dos programas de educação ou formação profissional, a esmagadora maioria dos quais, cerca de 10 milhões, nem sequer procuram emprego.

Os EUA e a Europa lideram o crescimento do desemprego jovem, com índices de mais 6,3 e 7,4 por cento face a 2007, respectivamente, elevando o total de desempregados neste escalão etário para perto dos máximos históricos dos últimos 25 anos.


Texto original no sítio do Jornal Avante

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

AS MENTIRAS DE SEMPRE DA MÍDIA


Viva a WikiLeaks! Sicko não foi proibido em Cuba


É espantoso olhar a natureza orwelliana dos burocratas do Estado, que torcem mentiras e tentam recriar a realidade (presumo que para agradar a seus chefes e dizer-lhes o que eles querem ouvir).

A data é 31 de Janeiro de 2008. Poucos dias depois de Sicko ser indicado ao Óscar de Melhor Documentário. Isso deve ter deixado alguém furioso no Departamento de Estado de Bush (o seu Departamento do Tesouro já me tinha notificado de que investigava as leis que porventura quebrei ao levar três socorristas do 11/09 a Cuba para receberem os cuidados de saúde que lhes foram negados nos Estados Unidos).

Wendell Potter, ex-executivo de seguradora de saúde, revelou recentemente que essa indústria – a qual decidiu gastar milhões para me perseguir e, se necessário, "empurrar Michael Moore de um penhasco abaixo" – trabalhou com anti-castristas cubanos em Miami para difamar meu filme.

Assim, a 31 de Janeiro de 2008 um funcionário do Departamento de Estado em Havana inventou uma história e enviou-a à sede em Washington. Vejam o que eles inventaram:
(...) afirmou que as autoridades cubanas proibiram o documentário de Michael Moore, Sicko, por ser subversivo. Embora a intenção do filme seja desacreditar o sistema de saúde dos EUA, destacando a excelência do sistema cubano, disse que o regime sabe que o filme é um mito e não quer arriscar uma reacção popular, mostrando aos cubanos facilidades que claramente não estão disponíveis para a grande maioria deles.

Soa convincente, hein? Há apenas um problema: Sicko tinha acabado de passar em cinemas cubanos. E a nação inteira de Cuba viu o filme na televisão nacional no dia 25 de Abril de 2008!


Os cubanos abraçaram tanto o filme que se tornou uma das raras fitas americanas distribuídas nos cinemas de Cuba. Eu, pessoalmente, garanto que uma cópia de 35 mm ficou com o Instituto de Cinema de Havana. Houve sessões de Sicko em cidades de todo o país.

Mas o telegrama secreto disse que os cubanos foram proibidos de ver o meu filme. Humm...

Sabemos também de outro documento secreto dos EUA dizendo que “o desencanto das massas [em Cuba] se espalhou por todas as províncias”, e que “toda a província de Oriente está fervendo de ódio” pelo regime de Castro. Há uma rebelião subterrânea enorme, e “trabalhadores dão todo o apoio que podem”, todos envolvidos na “sabotagem subtil” contra o governo. O ambiente é horrível em todos os ramos das Forças Armadas e, em caso de guerra, o exército “não vai lutar”.


Uau! Este telegrama é quente!

Naturalmente, este telegrama secreto dos EUA é de 31 de Março de 1961, três semanas antes de Cuba nos dar um pontapé para fora da Baía dos Porcos.

O governo dos EUA tem passado estes documentos "secretos" a si mesmo nos últimos 50 anos, explicando ao mínimo detalhe como as coisas estão horríveis em Cuba e como os cubanos estão discretamente ansiosos pela nossa volta para assumir o controlo.

Não sei por que escrevemos estes telegramas, imagino que apenas nos façam sentir melhores. (Qualquer curioso pode encontrar um museu inteiro de desejos esperançosos dos EUA no site do National Security Archive).

Então o que fazer com um telegrama “secreto” falso, especialmente um que nos envolva e o nosso filme? Bem, esperaria que um jornal competente investigasse a mensagem e gritasse a sua descoberta do alto do um telhado.

Mas a WikiLeaks enviou, esta sexta-feira, o telegrama sobre o caso Sicko em Cuba aos media – e o que eles fizeram com ele? Divulgaram como se fosse verdadeiro! Eis a manchete no Guardian: ”WikiLeaks: Cuba proibiu Sicko por mostrar sistema de saúde ‘místico’. As autoridades temeram que o lindo hospital mostrado no filme de Michael Moore, nomeado para o Óscar, provocasse a revolta popular”.

E nem uma centelha de investigação para ver se Cuba tinha realmente proibido o filme! De facto, exactamente o oposto. A imprensa de direita passou o dia a informar uma mentira (Andy Levy, da Foxduas vezes–, Reason Magazine, Spectator e Hot Air, mais uma série de blogues).


Infelizmente, mesmo o BoingBoing e meus amigos do The Nation escreveram a respeito sem cepticismo.

Então nós temos a WikiLeaks, que se expôs para encontrar e divulgar esses telegramas à imprensa – e os jornalistas tradicionais mais uma vez têm preguiça de levantar um dedo e clicar no mouse para entrar no Nexis ou pesquisar na Google e ver se realmente Cuba “proibiu o filme”.


Se ao menos UM repórter o fizesse teria encontrado:
16 junho de 2007 sábado 01:41 GMT [sete meses antes do telegrama falso] TÍTULO: Ministro da Saúde cubano diz que Sicko, de Moore, mostra “valores humanos” do regime comunista BYLINE:

Por ANDREA RODRIGUEZ, da Associated PressDateline: HAVANAO ministro da Saúde de Cuba, José Ramón Balaguer, afirmou hoje que Sicko, do documentarista americano Michael Moore, destaca os valores humanos do governo comunista da ilha (...) “Não pode haver nenhuma dúvida, este documentário de uma personalidade como o senhor Michael Moore ajuda a promover os princípios profundamente humanos da sociedade cubana”.

Ou que tal esta pequena notícia de 25 de Abril de 2008 do site CubaSi.Cu (tradução do Google): Sicko estreia em Cuba. 25/4/2008O documentário Sicko, do cineasta Michael Moore, que trata do deplorável estado do sistema de saúde americano, será apresentado hoje às 17h30 na Mesa Redonda de Cubavisión e no Canal Educativo.

E tem este, da Juventudrebelde.cu (tradução do Google). Ou esta análise cubana (tradução do Google). Há até mesmo um longo fragmento de Sicko (o trecho sobre Cuba) na homepage do site Mesa-Redonda em CubaSi.cu website!

OK, então sabemos que os media são preguiçosos e falha a maior parte do tempo. Mas o maior problema aqui é que o nosso governo parecia ser conivente com a indústria de seguros de saúde para destruir um filme que poderia ter ajudado a trazer o que os cubanos já têm em seu país pobre de terceiro mundo: saúde pública universal e gratuita.


Porque eles têm e nós não, Cuba apresenta uma taxa de mortalidade infantil menor do que a nossa, a sua expectativa de vida é apenas sete meses mais curta do que a nossa e, de acordo com a OMS, está apenas dois lugares atrás do país mais rico do planeta no ranking da qualidade dos serviços de saúde.

Essa é a matéria, grandes media e direitistas do ódio.

Agora que já foram apresentados aos factos, o que vão fazer sobre isto? Vão atacar-me por ter exibido o meu filme na televisão estatal cubana? Ou vão atacar-me por não ter exibido o meu filme na televisão estatal cubana? Têm de escolher uma hipótese, não podem ser ambas.

E como os factos mostram que o filme foi exibido na TV estatal e nos cinemas, acho que o melhor é atacarem-me porque o meu filme passou em Cuba.

Viva a WikiLeaks!

Artigo de Michael Moore publicado em OpenMike, traduzido por Marinilda Cavalho para Colectivo Vila Vudu/Rede Castorphoto.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Brasil: Nunca esquecer a CHACINA DA LAPA


Chacina da Lapa: para não mais esquecer*

Por Augusto Buonicore


"Apesar de sua importância para a história brasileira, este acontecimento é ainda pouco conhecido. Tornou-se quase um senso comum a idéia de que o último assassinato político cometido pelo regime militar foi o que vitimou o jornalista Wladimir Herzog, em 23 de outubro de 1975", escreve o historiador Augusto Buonicore, neste artigo. Vejam abaixo o link para o livreto produzido pelo Instituto Maurício Grabois para relembrar os 30 anos da Chacina da Lapa. No Brasil de Geisel ainda se tortura e se mata


"Comunico-lhe que o seu PCdoB acabou". Esta frase dita por um policial-torturador ao dirigente comunista Haroldo Lima um dia após a sua prisão mostra bem o nível de arrogância dos agentes da ditadura militar. Os fatos, porém, pareciam confirmar aquele trágico anúncio. Um jornal do dia 17 de dezembro, ecoando a opinião do regime discricionário, também estampava: "O PCdoB foi destruído". Esta não seria a primeira vez que frases como estas seriam pronunciadas e impressas com destaque na grande imprensa.


No dia anterior, 16 de dezembro, numa verdadeira operação de guerra, os órgãos de segurança haviam invadido uma casa modesta - localizada na Rua Pio XI, nº. 767 no bairro da Lapa em São Paulo - e assassinado friamente dois dos mais importantes dirigentes comunistas brasileiros: Pedro Pomar e Ângelo Arroyo. Poucas horas antes outro dirigente, João Batista Drummond, havia sido morto durante uma sessão de tortura no DOI-CODI paulista. A versão mentirosa da ditadura foi que Ângelo e Pedro haviam resistido à prisão e que João Batista havia sido atropelado ao tentar fugir da polícia. Este foi o último massacre de militantes de organizações da esquerda que combatiam a ditadura.


Apesar de sua importância para a história brasileira, este acontecimento é ainda pouco conhecido. Tornou-se quase um senso comum a idéia de que o último assassinato político cometido pelo regime militar foi o que vitimou o jornalista Wladimir Herzog, em 23 de outubro de 1975, ou o que atingiu o operário Manoel Fiel Filho, morte ocorrida nas mesmas condições menos de três meses depois.


Os assassinatos destes dois militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ocorridos cerca de um ano antes do trágico acontecimento da Lapa, tiveram grande repercussão e desencadearam protestos de amplos setores da sociedade brasileira e no exterior. O escândalo levou a demissão do comandante do II Exército, General Ednardo Mello. Este representava o setor mais truculento do regime e se opunha à “abertura lenta, gradual e segura" apregoada pelo general-presidente Ernesto Geisel. Ednardo foi substituído pelo general Dilermando Monteiro, considerado um membro da ala liberal do regime.


Para muitos, esta mudança de comando teria consolidado a transição para a democracia e posto um fim ao terrorismo de Estado, iniciado em abril de 1964 e radicalizado com a promulgação do AI-5 em dezembro de 1968. No entanto, a Chacina da Lapa seria um duro desmentido a esta tese. No Brasil de Geisel e Dilermando ainda se torturava e se matava aqueles que ousavam a desafiar o poder militar. Foi durante este governo, por exemplo, que foram assassinados os últimos guerrilheiros do Araguaia e iniciou-se a operação de extermínio da direção do PCB.


Entre nós um traidor


A casa onde se reunia a direção nacional do Partido Comunista do Brasil, somente pode ser descoberta graças à colaboração de um traidor chamado Jover Telles. Este era membro do Comitê Central e havia sido preso pouco tempo antes e concordou em colaborar com os órgãos de repressão na captura dos seus camaradas de partido.


Um agente da repressão confirmou que Jover foi preso no Rio de Janeiro três meses antes e havia decidido colaborar no desmonte da direção partidária “em troca de bom tratamento e emprego para ele e sua filha na fábrica de armas Amadeo Rossi, no Rio Grande do Sul”. Em 1996, Jover foi candidato a vereador pelo PPB de Paulo Maluf na pequena cidade que, ironicamente, chamava-se Arroyo dos Ratos.


Conforme foi revelado no livro “Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha” de Taís Morais e Eumano Silva, no dia 8 de dezembro Jover Telles deu um depoimento cordial aos órgãos de repressão e no dia 11 se apresentou tranquilamente no ponto onde seria pego para ser transportado ao local no qual ocorreria a reunião da Comissão Executiva do PCdoB. Esta se realizou entre os dias 12 e 13 de dezembro e no dia seguinte teve início a reunião do Comitê Central.


Mesmo sabendo que a casa estava cercada e que os membros da direção comunista poderiam ser presos e até mortos, ele calmamente participou de toda a reunião e durante os debates ainda se colocou entre aqueles que mais duramente criticaram a experiência armada ocorrida na região do Araguaia, considerando-a foquista.


Em 15 de dezembro, quando os participantes da reunião começaram a abandonar o local, sempre conduzidos pela dirigente Elza Monnerat e o motorista Joaquim Celso de Lima, o cerco policial se fechou e tiveram início as prisões, torturas e o frio extermínio dos líderes comunistas. Foram aprisionados, e depois barbaramente torturados, cinco membros do Comitê Central, Elza Monnerat, Aldo Arantes, Haroldo Lima, Wladimir Pomar, João Batista Drummond, além de dois militantes: Joaquim Celso de Lima e Maria Trindade. José Novaes, que teve a sorte de sair junto com Jover Telles, foi o único participante da reunião, além do traidor, que não foi preso. Se apenas Jover escapasse ileso atrairia a atenção sobre ele.


Na manhã do dia 16 de dezembro iniciou-se o derradeiro ataque contra a casa na qual ainda se encontravam dois membros do Comitê Central: Ângelo Arroyo e Pedro Pomar. Segundo testemunhas, eles estavam desarmados e não foi lhes dado nenhuma chance de defesa. A repressão chegou atirando. O corpo de Pomar tinha cerca de 50 perfurações de bala.


A polícia política remontou a cena do massacre, colocando armas ao lado dos corpos inermes, e divulgou a falsa versão de que eles haviam sido mortos durante um intenso tiroteio. Já em plena abertura política, a maioria dos órgãos da grande imprensa vendeu a versão oficial, sem grande contestação.


Cerco e aniquilamento


Nesta operação policial-militar, a repressão também pretendia assassinar João Amazonas, como se depreende da entrevista de Dilermando Monteiro, publicada em 13/12/1978 na revista ISTO É. Nela o general afirmava: "Nós descobrimos que naquele dia iria haver uma reunião em tal lugar, com a presença de tais e tais elementos, e aí fomos um pouco embromados, porque constava para nós que o João Amazonas estaria presente e o mesmo estava na Albânia, mas para nós ele estaria presente naquela reunião".


Pedro Pomar deveria ser o membro da direção que viajaria para China e Albânia para informar da derrota da guerrilha e participar do congresso do PTA. Mas, a doença de sua esposa o fez trocar de lugar com João Amazonas. A viagem não planejada, e nem desejada, salvou Amazonas de uma morte certa. Estes dois dirigentes comunistas iniciaram sua amizade e militância em Belém do Pará, ainda na década de 1930. Foram deputados federais e responsáveis pela reorganização do Partido no final do Estado Novo e no início da década de 1960, quando houve a grande cisão do movimento comunista brasileiro.


Em 1976 o PCdoB era a única organização revolucionária clandestina que ainda se mantinha minimamente organizada, com uma direção nacional que conseguia se reunir periodicamente e um jornal, A Classe Operária, que circulava com certa regularidade. Para os generais era preciso primeiro limpar o terreno político da presença indesejável das organizações de esquerda, especialmente comunistas, para depois implantar o seu modelo de democracia, restrita e elitista.


A repressão, depois de destroçar as organizações que promoveram a guerrilha urbana, partia para desmantelar o Partido que realizara o principal movimento guerrilheiro contra a ditadura militar: a Guerrilha do Araguaia. Entre dezembro de 1972 e março de 1973 foram assassinados os dirigentes comunistas Carlos Danielli, Lincoln Cordeiro Oest, Luiz Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. Nos anos seguintes, entre 1974 e 1975, tombaram Ruy Frazão e Armando Frutuoso. Todos morreram na tortura. O ódio dos generais reacionários contra o Partido que havia dirigido a experiência guerrilheira no Araguaia era enorme. Destruir o PCdoB era o sonho obstinado desses senhores, um sonho que parecia ter se realizado naquela manhã de 16 de dezembro de 1976.


A notícia do crime correu o mundo e ocorreram várias manifestações de protestos em vários países. Destaca-se a moção do PC da China e do Partido do Trabalho da Albânia. Em Portugal ocorreu um grande ato que reuniu milhares de pessoas em repúdio ao massacre da Lapa e exigindo a liberdade dos presos políticos. Um manifesto com 40 mil assinaturas também foi entregue ao embaixador brasileiro em Lisboa. A mais bela homenagem foi a música Sangue em Flor, composta em homenagem aos mártires da Lapa. Na sua última estrofe dizia: “Onze vidas na prisão/Com planos de justiça e pão/ Nas mãos sangrentas da tortura/ Não há sol na ditadura/ Nem sangue que vença a razão”.


Augusto César Buonicore é historiador, secretário-geral da Fundação Maurício Grabois e membro do Comitê Central do PCdoB


*Artigo escrito por ocasião dos 30 anos da Chacina da Lapa e publicado em livreto do então Instituto Maurício Grabois (para baixar o livreto, clique aqui)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

OPOSIÇÃO VENEZUELANA EXIGE QUE CHAVEZ APROVE NOVO EMBAIXADOR AMERICANO ( HUMOR POLÍTICO )


















Oposição "democrática( sic..)" da venezuela exige do govêrno Chavez que aprove logo o novo embaixador do EUA " Porque já estamos ficando sem dinheiro "

"HUMOR NEGRO POLÍTICO"

A ultra direita "democrática" venezuelana, denunciou a demora na aprovação do nôvo embaixador dos EUA, Mrs. Larry Palmer , como uma manobra do regime, para deixa-los sem os justos fundos( money ) para as festividades de final de ano, quando a necessidade de comprar uns whiskys e outros regalos da cesta de natal aumentam substancialmente.

Os fascistas golpistas "democráticos" venezuelanos reclamam que há uma estratégia deliberada para sufocar financeiramente a oposição. " O governo agora não nos dá dinheiro, como fazia na época da verdadeira democracia, como também querem proibiir nossas naturais fontes de financiamento, como é o caso da Embaixada dos EUA", comentaram bastante indignados com essa situação.

A oposição golpista, através de seus porta-vozes, explicaram que assim querem destruir a "democracia". Nas democracias da America Latina, sempre se tem recebido esse benefício da doações pessoais que costumam fazer as embaixadas dos EUA . Em troca, sempre aprovamos leis para que eles levem todas as nossas matérias primas, de nosso solo e sub-solo, porque eles é que sabem dar o devido uso a essas matérias primas. è um negócio justo que o atual regime Chavista agora quer abolir, vê se pode???

Agora organizaremos uma marcha para solicitar ao regime que se apresse na aprovação de Mrs. Larry Palmer, como novo embaixador dos EUA na Venezuela.

Baseado em texto publicado no GLOBO TERROR ( Venezuela )

Maria e José na Palestina em 2010


Conto de Natal – Maria e José na Palestina em 2010
por James Petras


Os tempos eram duros para José e Maria. A bolha imobiliária explodira. O desemprego aumentava entre trabalhadores da construção civil. Não havia trabalho, nem mesmo para um carpinteiro qualificado.


Os colonatos ainda estavam a ser construídos, financiados principalmente pelo dinheiro judeu da América, contribuições de especuladores de Wall Street e donos de antros de jogo.

"Bem", pensou José, "temos algumas ovelhas e oliveiras e Maria cria galinhas". Mas José preocupava-se, "queijo e azeitonas não chegam para alimentar um rapaz em crescimento. Maria vai dar à luz o nosso filho um dia destes". Os seus sonhos profetizavam um rapaz robusto a trabalhar ao seu lado… multiplicando pães e peixes.

Os colonos desprezavam José. Este raramente ia à sinagoga, e nas festividades chegava tarde para fugir à dízima. A sua modesta casa estava situada numa ravina próxima, com água duma ribeira que corria o ano inteiro. Era mesmo um local de eleição para a expansão dos colonatos. Por isso quando José se atrasou no pagamento do imposto predial, os colonos apropriaram-se da casa dele, despejaram José e Maria à força e ofereceram-lhes bilhetes só de ida para Jerusalém.

José, nascido e criado naquelas colinas áridas, resistiu e feriu uns tantos colonos com os seus punhos calejados pelo trabalho. Mas acabou abatido sobre a sua cama nupcial, debaixo da oliveira, num desespero total.

Maria, muito mais nova, sentia os movimentos do bebé. A sua hora estava a chegar.

"Temos que encontrar um abrigo, José, temos que sair daqui… não há tempo para vinganças", implorou.

José, que acreditava no "olho por olho" dos profetas do Antigo Testamento, concordou contrariado.

E foi assim que José vendeu as ovelhas, as galinhas e outros pertences a um vizinho árabe e comprou um burro e uma carroça. Carregou o colchão, algumas roupas, queijo, azeitonas e ovos e partiram para a Cidade Santa.

O trilho era pedregoso e cheio de buracos. Maria encolhia-se em cada sacudidela; receava que o bebé se ressentisse. Pior, estavam na estrada para os palestinos, com postos de controlo militares por toda a parte. Ninguém tinha avisado José que, enquanto judeu, podia ter-se metido por uma estrada lisa pavimentada – proibida aos árabes.

Na primeira barragem José viu uma longa fila de árabes à espera. Apontando para a mulher muito grávida, José perguntou aos palestinos, meio em árabe, meio em hebreu, se podiam continuar. Abriram uma clareira e o casal avançou.

Um jovem soldado apontou a espingarda e disse a Maria e a José para se apearem da carroça. José desceu e apontou para a barriga da mulher. O soldado deu meia volta e virou-se para os seus camaradas. "Este árabe velho engravida a rapariga que comprou por meia dúzia de ovelhas e agora quer passar".

José, vermelho de raiva, gritou num hebreu grosseiro, "Eu sou judeu. Mas ao contrário de vocês… respeito as mulheres grávidas".

O soldado empurrou José com a espingarda e mandou-o recuar: "És pior do que um árabe – és um velho judeu que violas raparigas árabes".

Maria, assustada com o caminho que as coisas estavam a tomar, virou-se para o marido e gritou, "Pára, José, ou ele dispara e o nosso bebé vai nascer órfão".

Com grande dificuldade, Maria desceu da carroça. Apareceu um oficial do posto da guarda, a chamar por uma colega, "Oh Judi, apalpa-a por baixo do vestido, ela pode ter bombas escondidas".

"Que se passa? Já não gostas de ser tu a apalpá-las?" respondeu Judith num hebreu com sotaque de Brooklyn. Enquanto os soldados discutiam, Maria apoiou-se no ombro de José. Por fim, os soldados chegaram a um acordo.

"Levanta o vestido e o que tens por baixo", ordenou Judith. Maria ficou branca de vergonha. José olhava para a espingarda desmoralizado. Os soldados riam-se e apontavam para os peitos inchados de Maria, gracejando sobre um terrorista ainda não nascido com mãos árabes e cérebro judeu.

José e Maria continuaram a caminho da Cidade Santa. Foram frequentes vezes detidos nos postos de controlo durante a caminhada. Sofriam sempre mais um atraso, mais indignidades e mais insultos gratuitos proferidos por sefarditas e asquenazes, homens e mulheres, leigos e religiosos – todos soldados do povo Eleito.

Já era quase noite quando Maria e José chegaram finalmente ao Muro. Os portões já estavam fechados. Maria chorava em pânico, "José, sinto que o bebé está a chegar. Por favor, arranja qualquer coisa depressa".

José entrou em pânico. Viu as luzes duma pequena aldeia ali ao pé e, deixando Maria na carroça, correu para a casa mais próxima e bateu à porta com força. Uma mulher palestina entreabriu a porta e espreitou para a cara escura e agitada de José. "Quem és tu? O que é que queres?"

"Sou José, carpinteiro das colinas do Hebron. A minha mulher está quase a dar à luz e preciso de um abrigo para proteger Maria e o bebé". Apontando para Maria na carroça do burro, José implorava na sua estranha mistura de hebreu e árabe.

"Bem, falas como um judeu mas pareces mesmo um árabe", disse a mulher palestina a rir enquanto o acompanhava até à carroça.

A cara de Maria estava contorcida de dores e de medo; as contracções estavam a ser mais frequentes e intensas.

A mulher disse a José que levasse a carroça de volta para um estábulo onde se guardavam as ovelhas e as galinhas. Logo que entraram, Maria gritou de dor e a palestina, a que entretanto se juntara uma parteira vizinha, ajudou rapidamente a jovem mãe a deitar-se numa cama de palha.

E assim nasceu a criança, enquanto José assistia cheio de temor.

Aconteceu que passavam por ali alguns pastores, que regressavam do campo, e ouviram uma mistura de choro de bebé e de gritos de alegria e se apressaram a ir até ao estábulo levando as suas espingardas e leite fresco de cabra, sem saber se iam encontrar amigos ou inimigos, judeus ou árabes. Quando entraram no estábulo e depararam com a mãe e o menino, puseram de lado as armas e ofereceram o leite a Maria que lhes agradeceu tanto em hebreu como em árabe.

E os pastores ficaram estupefactos e pensaram: Quem seria aquela gente estranha, um pobre casal judeu, que chegara em paz com uma carroça com inscrições árabes?

As novas espalharam-se rapidamente sobre o estranho nascimento duma criança judia mesmo junto ao Muro, num estábulo palestino. Apareceram muitos vizinhos que contemplavam Maria, o menino e José.

Entretanto, soldados israelenses, equipados com óculos de visão nocturna, reportaram das suas torres de vigia que cobriam a vizinhança palestina: "Os árabes estão a reunir-se mesmo junto ao Muro, num estábulo, à luz das velas".

Abriram-se os portões por baixo das torres de vigia e de lá saíram camiões blindados com luzes brilhantes, seguidos por soldados armados até aos dentes que cercaram o estábulo, os aldeões reunidos e a casa da mulher palestina. Um altifalante disparou, "Saiam cá para fora com as mãos no ar ou disparamos". Saíram todos do estábulo, juntamente com José, que deu um passo em frente de braços virados para o céu e falou, "A minha mulher Maria não pode obedecer às vossas ordens. Está a amamentar o menino Jesus".


O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/articulo.php?p=1831&more=1&c=1 . Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

domingo, 19 de dezembro de 2010

Para os capitalistas se for bom para seus lucros, até penteiam o mico-leão-dourado


Para os capitalistas, se for bom para seus lucros, até penteiam a Juba do mico-leão-dourado e lustram os cascos das tartarugas do projeto TAMAR.
Se não der lucros........então matam, esfolam, torturam e acabam com seres humanos, animais, plantas e tudo o mais que atrapalhar seus lucros.


O vice de Marina Silva ( PV ) travando com firmeza sua luta de classe.......

Empresa Natura demite funcionários lesionados

Acho que é importante chamar a atenção para a ilegalidade dessas demissões, que tentam desresponsabilizar a Natura pelo estado de saúde dos trabalhadores.


Informe do Sindicato dos Quimicos Unificados Osasco e Região
Natura demite funcionários lesionados

No dia 29 de novembro, a Natura, empresa de cosméticos localizada em Cajamar, São Paulo, demitiu 30 trabalhadores(as), em sua grande maioria lesionados, sob a alegação de baixa produtividade.
Lesão por esforço repetitivo é uma doença ocupacional que pode chegar a um grau irreversível, com dores intensas e perda significativa da força e da capacidade de movimento dos membros.Os trabalhadores demitidos pela Natura estavam em reabilitação, grande parte deles com cirurgia programada, e trabalhavam em linhas de produção específicas para funcionários em recuperação.

Uma dessas linhas, inclusive, foi desativada.

A esmagadora maioria dos funcionários dispensados é de mulheres, entre 35 e 44 anos que adoeceram ao exercer suas funções nas linhas de produção da Natura, e que, conforme avaliação do médico do trabalho do Sindicato dos Químicos Unificados e Secretário de Saúde da cidade de Itapema/SC, Doutor Roberto Carlos Ruiz, são portadoras, em sua maioria de doenças compatíveis -moléstia músculo-esquelético- relacionadas ao trabalho.

Este fato é reconhecido pela própria empresa, conforme abertura de CAT para a maioria. Doutor Roberto Carlos Ruiz também destacou tratar-se de casos crônicos, que necessitam de atenção médica e saúde especializada, em caráter prolongado.

Quem é a Natura?

Uma pequena empresa cujo departamento de pessoal desconhece a situação de seus funcionários e a legislação trabalhista?Não.

A Natura é praticamente uma multinacional brasileira, que não apenas conquistou mercado na América Latina e na Europa, mas também já iniciou produção terceirizada na Argentina.

No acumulado até setembro deste ano, sua receita líquida consolidada foi de R$ 3,579 bilhões, uma ampliação de 22,5% frente o mesmo período de 2009 (fonte: Brasil Econômico). Isso apenas até setembro, receita líquida de 3,5 bilhões.

Não é uma pequena empresa.

Quem é a Natura ?

Uma empresa que desconhece o conceito de responsabilidade social ?Não.

O conceito ela conhece. Um de seus sócios, Guilherme Leal, filiou-se ao PV para ser vice de Marina Silva, candidata a presidente da República nas últimas eleições e que foi ministra do meio ambiente nas últimas eleições. Assim como Luiz Seabra, outro dos sócios da Natura, fala de sustentabilidade e de responsabilidade social em seus discursos.

No site da empresa, é ostentado o slogan “ Bem estar bem” e são pedidos depoimentos de consultoras (vendedoras) que “ajudam os outros” : Você ajuda quem está a sua volta?.

Ainda bem que não pedem o mesmo depoimento a seus donos e ao seu departamento de pessoal, pois se eles dissessem a verdade, teriam que confessar o quanto pressionam os trabalhadores a jogar fora sua saúde para atingir metas inatingíveis e como jogam fora as pessoas, como se fossem bagaço, depois que elas adoecerem na própria empresa:- funcionária A, 8 anos afastada pelo INSS, fez uma cirurgia no ombro e tem outra programada;- funcionária B, 4 anos afastada pelo INSS, duas cirurgias (cotovelo e punho);- funcionária C, 6 anos afastada pelo INSS, 4 cirurgias (3 na mão direita e uma no cotovelo); - funcionária D, 26 anos, 7 dos quais na Natura, seu primeiro emprego, com lesão irreversível, dores insuportáveis nos ombros e braços e teve CAT negada pelo médico da empresa.

As 3 primeiras são apenas algumas entre os 30 demitidos, quase todos na mesma situação precária de saúde. A última está afastada pelo INSS e pode ser uma das próximas a ser demitida, mesmo que a lei não o permita.

Segundo Paulo Soares, dirigente do Unificados, com as demissões a Natura mostra a verdadeira política escondida sob o marketing da empresa. A empresa utiliza ao máximo a força de trabalho, estimulando os funcionários a trabalhar acima de suas possibilidades e do que sua saúde permite.

Acabam por ser vítimas das doenças ocupacionais, como a LER. A empresa então demite, alegando baixa produtividade.A Natura que diz em seu site de “ atitudes que fazem diferença para o planeta” á mesma empresa que foi multada pelo IBAMA em novembro deste ano. A Natura que ostenta o slogan “ Bem estar bem” é a mesma que nega reavaliar as demissões, mesmo com absoluta ciência de que sua atitude é perversa e ilegal; a mesma que demitiu antes destes 30 outros 34 e ameaça demitir mais, pois são muitos ainda os funcionários que a empresa fez adoecer e por isso “baixaram o rendimento”.

Este tipo de desrespeito ao ser humano não pode ser admitido. Repudiamos uma organização do trabalho que adoece e mata pessoas; exigimos a readmissão destes trabalhadores e trabalhadoras. A atitude da Natura não pode ser aceita como “ normal”. É fora da lei, hipócrita, perversa. As doenças do trabalho são regulamentadas pela Lei 8.213 de julho de 1991.

Postado por SINDICACAU


O Ibama multou neste mês a empresa de cosméticos Natura em um total de R$ 21 milhões por ter acessado recursos da biodiversidade supostamente de forma irregular.

Foram 64 autos de infração que se referem a processos ocorridos em diferentes anos.

A Natura afirma que vai recorrer.

Tanto pesquisadores quanto empresários criticam o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (Cgen), responsável pelas autorizações para exploração comercial de patrimônio genético e de conhecimento tradicional associado. Em muitos casos, os cientistas afirmam sequer ter resposta do órgão.

A Natura diz que, além de muitos processos sem decisão, há casos em que o Cgen levou dois anos para aprovar uma pesquisa. As multas fazem parte de um pacote de autuações de R$ 100 milhões, aplicado a várias empresas nacionais e estrangeiras - OESP, 13/11, Vida, p.A26; FSP,