Pesquisa Mafarrico

Translate

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ucrânia, um ano depois do golpe

Ucrânia, um ano depois do golpe
por Luís Carapinha




"No rescaldo do cessar-fogo saído das complexas negociações de Minsk II (em que Kiev continua a recusar sentar-se directamente à mesa com os representantes do Donbass), a Ucrânia mantém-se suspensa entre o reatar da guerra e a trégua precária, cruzada por tiros e salvas de artilharia. A ameaça dos EUA em fornecer – agora abertamente – material de combate ao governo golpista constitui um aviso sério. Como mostra o anterior cessar-fogo, os perigos de nova escalada e alastramento da guerra não podem ser subestimados. A conquista da paz far-se-á com os trabalhadores da Ucrânia e a luta pelo afastamento do poder fantoche de Kiev, derrotando a política insana dos golpistas da Maidan."

A vida tornou-se hoje infinitamente mais difícil para a esmagadora maioria dos ucranianos, um ano após a consumação do golpe de Estado de 21-22 de Fevereiro de 2014. A usurpação do poder pelos sectores mais reacionários e aventureiristas do grande capital ucraniano não só significou a instalação de um Estado anti-democrático e repressivo no país, com a censura, o livre arbítrio das forças e ideias mais retrógradas e o clima persecutório, em que pontifica a campanha que visa banir o PCU e «erradicar» a ideologia comunista, transformados em realidade rotineira. Cavou também as linhas de divisão e separação internas e lançou a Ucrânia no precipício da guerra civil.

O país apresenta-se mais vulnerável do que nunca nestes 24 anos que distam do fim da URSS. A soberania e independência da Ucrânia foram pulverizadas, apesar dos brados e hurras de «Glória à Ucrânia» que a propaganda oficial foi buscar às consignas do movimento nacionalista fascista de Bandera, aliado da ocupação nazi na II Guerra Mundial. É no quadro da nova realidade política do golpe de Estado patrocinado pelo imperialismo, e perante a real ameaça de ajuste de contas do poder liberal-fascista, que têm lugar as manifestações populares e antifascistas nas regiões do Sul e Leste do país. 

A população da Crimeia apoiou amplamente a reintegração da república autônoma na Federação Russa. Sem praticamente disparar um tiro, Moscovo assegurou o regresso da república estratégica que serve de base à frota do Mar Negro, território há muito cobiçado pelos interesses dos EUA e NATO. Na Bacia do Don são proclamadas as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, contra as quais a Junta de Kiev não hesitou em decretar a 7 de Abril o início da criminosa campanha militar «antiterrrorista». 

Noutras zonas do Leste e Sul da Ucrânia, caso das cidades de Kharkov e Odessa, o governo títere recorreu à repressão brutal para impor a sua ordem. A chacina na Casa dos Sindicatos de Odessa, a 2 de Maio, é bem a imagem de marca terrorista do poder ditatorial instalado em Kiev.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Petróleo saudita e hipocrisia dos EUA

Petróleo saudita e hipocrisia dos EUA
por Sara Flounders


"O prolongado domínio da Casa de Saud assenta numa estreita e corrupta camada extremamente privilegiada. Dependente da força de trabalho estrangeira, de instrutores e técnicos especializados estrangeiros, é odiada pelo seu povo. O imperialismo norte-americano apoia a sua prolongada dominação sobre a região num pequeno e detestado bando desprovido de apoio popular e de legitimidade."

"A Arábia Saudita é uma ditadura absoluta e brutal. O nome do país é o da família real saudita que expropriou a fabulosa riqueza petrolífera do país e a trata como exclusivo patrimônio familiar. O controlo é mantido através de uma maciça repressão organizada pelo Estado. Quaisquer formas de dissensão política ou de organização social, desde partidos políticos a sindicatos, são banidas sob pena de morte.

Em média de quatro em quatro dias são realizadas execuções por decapitação em praças públicas. Os crimes punidos com pena capital incluem o adultério, a homossexualidade e a oposição política ao regime. Outra forma de execução pública comum é a lapidação. Outros castigos incluem arranque de olhos, amputação de membros, arranque de dentes, paralisação cirúrgica e o chicoteamento público."
Lapidação, o exercício da "Democracy "imposta às mulheres na Arábia Saudita.
"Cristine Lagarde, a chefe do Fundo Monetário Internacional, saudou no rei Abdalá "um forte advogado das mulheres"

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Paris, cidade das trevas?

Paris, cidade das trevas?
por Anabela Fino

"A história que agora nos chega de Paris começou em finais de Janeiro, envolve autores, editoras e universidades, e é o testemunho de que o «ovo da serpente» não morreu 70 anos depois da derrota do nazi-fascismo. A coisa conta-se depressa. O bibliotecário da biblioteca Pierre Mendès-France da universidade da Sorbonne Paris 1, face a uma proposta para incluir no acervo da instituição a obra «As guerras de Staline», de Jeffrey Roberts, publicada pelas edições Delga, respondeu desta forma: «a obra proposta, apesar de escrita por um universitário, não nos parece a priori apresentar a neutralidade histórica e científica necessária à sua eventual integração no nosso património. Os restantes títulos publicados pela editora também não». (O sublinhado é do próprio autor da mensagem)"

"Indignado, o autor da proposta para aquisição da referida obra, que o bibliotecário tomou por um aluno, denunciou o caso nos meios acadêmicos e daí à praça pública foi um passo, estando neste momento a correr uma petição na Internet contra a censura maccarthista nas bibliotecas universitárias dirigida ao presidente da Universidade de Paris 1, Philippe Boutry."


A história chega de Paris mas nada tem a ver com as cegonhas que no século passado traziam os bebés para as famílias afortunadas – os dos pobres, sem dinheiro para passagens aéreas, apareciam nas folhas de couve –, nem com o conhecido lema «Liberdade, Igualdade, Fraternidade» de que a França tanto se diz orgulhar, nem tão pouco com a mediática campanha do «Je suis Charlie» que correu mundo em nome da liberdade de expressão após o bárbaro ataque de 7 de Janeiro contra o jornal satírico Charlie Hebdo.

A história que agora nos chega de Paris começou em finais de Janeiro, envolve autores, editoras e universidades, e é o testemunho de que o «ovo da serpente» não morreu 70 anos depois da derrota do nazi-fascismo. A coisa conta-se depressa. O bibliotecário da biblioteca Pierre Mendès-France da universidade da Sorbonne Paris 1, face a uma proposta para incluir no acervo da instituição a obra «As guerras de Staline», de Jeffrey Roberts, publicada pelas edições Delga, respondeu desta forma: «a obra proposta, apesar de escrita por um universitário, não nos parece a priori apresentar a neutralidade histórica e científica necessária à sua eventual integração no nosso património. Os restantes títulos publicados pela editora também não». (O sublinhado é do próprio autor da mensagem).

Quem nos governa?

Quem nos governa?
por Vladimir Safatle



"Em 1860, guerra terminada, os ingleses tiveram a ideia de abrir um banco para financiar o comércio baseado no tráfico de drogas. Dessa forma apoteótica, nasceu o HKSC, tempos depois transformado em HSBC (Hong Kong and Shangai Bank Corporation), conhecido de todos nós atualmente. Sua história é o exemplo mais bem acabado de como o desenvolvimento do capitalismo financeiro e a cumplicidade com a alta criminalidade andam de mãos dadas."
"Se não existissem bancos como o HSBC os especuladores e rentistas não teriam a garantia de ser auxiliados por peritos na evasão de divisas e na fraude fiscal. Os traficantes de armas e drogas não teriam tanto poder se não existissem bancos que oferecem os seus serviços de lavagem de dinheiro com discrecção e eficiência. Sendo assim, por que se chama “bancos” ao que mais parecem instituições criminosas há muito institucionalizadas?"

Traficantes de drogas e armas não teriam tanto poder se não existissem bancos que oferecem seus serviços de lavagem de dinheiro.

Estamos em 1860. O Império Britânico acaba de vencer a famosa “Guerra do Ópio” contra a China, talvez uma das páginas mais cínicas e criminosas da história cínica e criminosa do colonialismo. Metade do comércio da Inglaterra com a China baseia-se na venda ilegal de ópio. Diante da devastação provocada pela droga em sua população, o governo chinês resolve proibir radicalmente seu comércio. A resposta chega por uma sucessão de guerras nas quais a Inglaterra vence e obriga a China a abrir seus portos para os traficantes e missionários cristãos (uma dupla infalível, como veremos mais à frente), além de ocupar Hong Kong por 155 anos.

Em 1860, guerra terminada, os ingleses tiveram a ideia de abrir um banco para financiar o comércio baseado no tráfico de drogas. Dessa forma apoteótica, nasceu o HKSC, tempos depois transformado em HSBC (Hong Kong and Shangai Bank Corporation), conhecido de todos nós atualmente. Sua história é o exemplo mais bem acabado de como o desenvolvimento do capitalismo financeiro e a cumplicidade com a alta criminalidade andam de mãos dadas.

A partir dos anos 70 do século passado, por meio da compra de corporações nos Estados Unidos e no Reino Unido, o HSBC transformou-se em um dos maiores conglomerados financeiros do mundo. No Brasil, adquiriu o falido Bamerindus. Tem atualmente 270 mil funcionários e atua em mais de 80 países. Sua expansão deu-se, em larga medida, por meio da aquisição de bancos conhecidos por envolvimento em negócios ilícitos, entre eles o Republic New York Corporation, de propriedade do banqueiro brasileiro Edmond Safra, morto em circunstâncias misteriosas em seu apartamento monegasco. Um banco cuja carteira de clientes era composta, entre outros, de traficantes de diamantes e suspeitos de negócios com a máfia russa, para citar alguns dos nobres correntistas. Segundo analistas de Wall Street, a instituição financeira de Nova York teria sido vendida por um preço 40% inferior ao seu valor real.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ucrânia Raízes da guerra

Ucrânia Raízes da guerra
por Albano Nunes



"É aqui que mergulham as raízes de um foco de guerra tanto mais perigoso quanto se desenvolve no quadro da mais profunda e prolongada crise capitalista e em que é visível a tentação dos sectores mais reacionários e agressivos do grande capital para voltarem a recorrer ao fascismo e à guerra para dirimir as suas contradições e, à custa de colossais destruições materiais e humanas, restaurar as condições de reprodução do capital como aconteceu com a 2.ª Guerra Mundial cujo 70.º aniversário do seu fim este ano assinalaremos. "

A escalada de confrontação dos EUA-UE-NATO com a Rússia encerra enormes perigos para a paz na Europa e no mundo. As frenéticas movimentações diplomáticas que levaram Merkel e Holande a Kiev, Moscovo e a Washington (só Merkel) e a uma nova cimeira em Minsk da Alemanha, França, Ucrânia e Rússia, mostram que a situação é realmente muito séria. O cessar fogo acordado para o Sudeste da Ucrânia foi-o num quadro em que à instalação do sistema anti-míssil dos EUA, à multiplicação de bases militares na região e à acção criminosa das brigadas nazis armadas pelos EUA, vem juntar-se as decisões da NATO de triplicar os efectivos da sua «Brigada de Intervenção Rápida» e do Congresso dos EUA sobre o fornecimento ao governo golpista de armamento «letal», que constituem autênticos preparativos para a guerra.

A Rússia de hoje é um país capitalista. Que ninguém espere do seu governo uma política externa consequentemente anti-imperialista. Mas é uma evidência que Putin não é Ieltsin e, sobretudo, que um governo russo não pode deixar de ter em conta a força de um povo que nos alvores da Revolução de Outubro e na «Grande Guerra Pátria» rejeitou e derrotou heroicamente a agressão estrangeira salvando a Humanidade da barbárie nazi-fascista. Caracterizar o drama da Ucrânia e a perigosíssima escalada de tensão com a Rússia como simples expressão de «contradições inter-imperialistas», é um erro que ignora que as raízes da guerra são fundamentalmente internas à sociedade ucraniana, erro que se vingasse facilitaria os objectivos do imperialismo.

Para compreender a situação é necessário ter presente duas dinâmicas. Uma que se inicia em Novembro de 2013 com a recusa da Ucrânia em assinar o acordo de associação com a União Europeia. A partir daí desenvolveu-se uma imparável escalada de ingerências externas e subversão, a reabilitação e apoio a forças fascistas e a perseguição dos comunistas, a imposição em Kiev de um governo títere ao serviço das grandes potências imperialistas, a brutal repressão no Sudeste do país da generalizada rejeição popular do governo golpista provocando milhares de vítimas, um dramático fluxo de deslocados e refugiados, e crimes terroristas como o assalto de 2 de Maio à Casa dos Sindicatos de Odessa. 

Sionismo senil?

Sionismo senil?
por Filipe Diniz



"o que mais surpreende é o carácter caricato – para não se dizer imbecil – de tais mensagens pré-eleitorais. Será da baixa consideração em que o sionismo tem o seu eleitorado, ou dar-se-á o caso de o sionismo ter entrado na fase senil? Uma coisa é certa: quando Netanyahu for levado a julgamento pelos seus crimes (e esse dia há-de chegar), pode sempre apresentar estes vídeos e invocar inimputabilidade."


Realizam-se em Março eleições gerais em Israel. O partido de Netanyahu, o Likud, publicou já dois vídeos de pré-campanha que têm deixado estarrecidos os mais empedernidos sionistas.

No segundo, uma carrinha com indivíduos vestidos como militantes do ISIS. O condutor pergunta a outro automobilista o caminho para Jerusalém. Este responde: «o caminho épela esquerda». Em fundo dos militantes ISIS ouve-se um rap: «Desde criança que sei que quero ser enterrado na terra onde jaz o meu avô. Desde criança que sei que quero ser soldado e pertencer à Fatah, Hamas e Abbas». Contra esta ameaça, há que votar Netanyahu, porque a referida «esquerda» é fraca e submissa. Trata-se dos trabalhistas, tão sionistas como o Likud.

Mas o primeiro vídeo é o mais marcante. Um casal está em casa à espera da babysitter. Quem lhes entra pela porta é o próprio Netanyahu, que se apresenta como Bibi-sitter (o tosco trocadilho resulta de «Bibi» ser o diminutivo pelo qual os seus admiradores o conhecem). Garante-lhes: «sou eu quem tomará conta dos vossos filhos». O casal despede-se: «Shalom» (paz). Netanyahu responde: «Não a qualquer preço».

Estes vídeos conseguem em minutos resumir questões essenciais: a falsa «bipolarização» sobre a qual este tipo de regimes constrói a sua fachada «parlamentar»; o genocídio e a guerra como meios insubstituíveis de defesa. Que Netanyahu tenha escolhido a defesa das crianças como arma de campanha diz tudo sobre a dimensão humana do personagem. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Um novo movimento surge nos Estados Unidos. Para onde se dirige?

Um novo movimento surge nos Estados Unidos. Para onde se dirige?
por John Catalinotto*


"É quase impossível exagerar o papel central do racismo no capitalismo estadunidense. O impacto histórico de 400 anos de escravatura continua a oprimir a população afro-americana e afecta as outras populações de cor. Inclusive, depois da Guerra Civil ter posto fim à escravatura legal em 1865, a classe dirigente esclavagista do Sul e os capitalistas do Norte acordaram despojar os afro-americanos dos direitos políticos e econômicos que lhes tinham sido prometidos. Não foi suficiente movimento de direitos cívicos nos anos 1960 e as várias rebeliões nas cidades para que se pusesse fim à segregação legal. "


Com o fim de 2014 surge nos EUA um novo movimento político. Este movimento está apenas a começar. É muito cedo para prever a que velocidade se vai desenvolver ou o que vai fazer a classe dirigente para o tentar parar. Mas este movimento já despertou uma nova geração para a luta. E fê- lo numa base solidária mais forte que o movimento Ocupar Wall Street em 2011. Este novo movimento surgiu nos EUA durante o último Verão, como resposta aos assassínios racistas de afroamericanos executados pela polícia. Em 13 de Dezembro, centenas de pessoas, sobretudo jovens, brancos, negros e mulatos saíram às ruas de 200 cidades de todo o país, paralisando a circulação e fazendo «die-in» [N.do T.: atirando-se ao chão, simulando estarem mortos] para dizerem não à impunidade policial. A generalidade das massas que se manifestavam seguia os líderes das organizações e de indivíduos afro-americanos que marcavam o tom destas manifestações.

Este novo movimento desenvolve-se no mesmo ambiente em que decorre a política mundial desde 2008: uma crise sistémica do capitalismo que vai muito além do ciclo «normal» do capitalismo de expansão e de recessão, para uma estagnação permanente. Apesar de uma recuperação dos negócios nos EUA, a crise entrou numa outra fase na Europa e nos países BRICS. Uma recessão permanente para todos os trabalhadores, acompanhada de uma crise ambiental que põe em perigo a existência de seres vivos na Terra. Além dos medos existenciais, uma agressividade crescente dos países imperialistas dirigidos por Washington, faz pairar o espectro de novas e desastrosas guerras. 

LIBERTARAM MALAK AL-KHATIB, A MENINA DE 14 ANOS QUE FOI PRESA PELO EXÉRCITO SIONISTA

Sionismo é o fascismo anti-humano Israelense
Depois de passar 45 dias na prisão: LIBERTARAM MALAK AL-KHATIB, A MENINA DE 14 ANOS QUE FOI PRESA PELO EXÉRCITO SIONISTA

"De acordo com a Defesa das Crianças Internacional Palestina (DCI- Palestina), “Israel é o único Estado que, automática e sistematicamente, processa as crianças nos tribunais militares, que carecem de normas básicas do devido processo".

Segundo um informe sobre a detenção de menores por parte de Israel, algo “em torno de 500 a 700 crianças palestinas, algumas de tão somente 12 anos, são presas e processadas no sistema de detenção militar israelense a cada ano. A maioria das crianças palestinas detidas é acusada de ‘atirar pedras’”.

LA VOZ ARMENIA (RESÚMEN LATINOAMERICANO)

No dia 21 de janeiro, Malak al-Khatib, de 14 anos de idade, foi condenada a 2 meses no cárcere israelense. Malak estava presa desde 31 de dezembro de 2014, e sua detenção foi prolongada em várias ocasiões durante esse tempo. Ela é acusada de ter “atirado pedras” nos soldados de ocupação israelense no anel rodoviário de colonos, caminho fechado aos palestinos, próximo de sua escola.

Sua detenção foi postergada três vezes desde sua prisão. Ela é uma das, aproximadamente, 500 a 700 crianças palestinas que são detidas e presas pelas forças de ocupação israelenses a cada ano. A maioria das acusações contra as crianças palestinas é por “atirar pedras”.

Algemada e com lágrimas nos olhos, Malaak al-Khatib, de 14 anos, da aldeia de Beitin, no distrito de Ramallah, foi transferida do tribunal militar israelense Ofer para começar a cumprir os dois meses de condenação no cárcere.

Depois de ficar detida durante 23 dias, Malak foi condenada a dois meses de prisão e uma multa de 6000 shekels (US$ 1523), apesar de ter esperança de ser libertada para reunir-se com sua família, que vive na angústia desde sua detenção em 31 de dezembro de 2014.

Vitória russa no conflito da Ucrânia

Vitória russa no conflito da Ucrânia
por M K Bhadrakumar



"O acordo de cessar-fogo na Ucrânia é – basta olhar para quem o subscreve – obviamente precário. Mas ao contrário do que a propaganda ocidental quis fazer crer a Rússia negociou a partir de uma posição de força, e o articulado do acordo deixa os fascistas de Kiev a contas com mais agudas contradições internas."

A maratona de 16 horas de conversações na noite passada e esta manhã em Minsk, quanto à resolução do conflito na Ucrânia, dos líderes dos países envolvidos no chamado “formato Normandia” – Alemanha, França, Rússia e Ucrânia – acabaram num acordo. Os 13 acordos ampliaram o acordo de Minsk de Setembro último, com doze pontos. Mas há demasiada “adicionalidade” na medida em que foi estabelecido um calendário de cumprimento pelas partes beligerantes e outros protagonistas.

Os termos finais do acordo confirmam que a Rússia negociou a partir de uma posição de força – ao contrário do que a furiosa propaganda ocidental sempre quis fazer-nos acreditar. A “adicionalidade” em relação ao futuro das regiões orientais, a ser decidida no fim do ano, é sem dúvida um grande ganho para a Rússia, pois a admissão da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) é virtualmente descartada para sempre se a reforma constitucional se verificar. Este tem sido o cerne da exigência russa.

Contudo, este também vai ser o maior ponto de atrito, uma vez que o endurecido lobby nacionalista em Kiev, o qual está fortemente representado na situação actual, ressentir-se-á profundamente a fazer quaisquer concessões quanto à devolução de poderes às regiões orientais. O presidente Petro Poroshenko encontrar-se-á entre a rocha e um lugar duro quanto a esta questão, pois já está sob o fogo do campo nacionalista que manda em Kiev. Mais uma vez, se Washington quiser descarrilar todo o processo de paz, não terá de procurar [gente para isso] muito longe.

Não surpreendentemente, portanto, a Rússia condicionou a selagem da fronteira da Ucrânia com a Rússia ao cumprimento da reforma constitucional. O que equivale a dizer, quando os tempos estão difíceis, Moscovo assegurou que é tudo ou nada.

Em segundo lugar, o cessar-fogo entrará em vigor só no Sábado e entre este momento e então é perfeitamente concebível que as partes beligerantes farão tentativas de obter ganhos tácticos no terreno. Debaltseve, em particular, coloca um problema, porque Kiev nem mesmo reconhece que vários milhares de tropas suas foram cercadas naquela aldeia pelas forças separatistas.

De facto, observações do presidente Vladimir Putin, aqui, aproximam-se indirectamente da questão Debalteseve. É concebível que os separatistas possam finalmente permitir – sob pressão russa – a evacuação das tropas ucranianas cercadas para lugar seguro.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

o julgamento para proibir o PC da Ucrânia

A declaração do deputado do PE do KKE 1 , Kostas Papadakis, sobre o julgamento para proibir o PC da Ucrânia


"Desta forma, eles demonstram que o povo ucraniano terá de enfrentar a continuação desta guerra fratricida no interesse dos imperialistas, bem como a nova escalada de medidas anti-operárias. Os comunistas estão na mira da classe burguesa, porque são os únicos em condições de lutar contra os violentos ataques antipopulares e a histeria nacionalista. Eles são os únicos que podem mostrar o caminho para sair da barbárie capitalista. A falsificação da história e as distorções gritantes em relação à contribuição dos comunistas e do socialismo não terão sucesso. "




O julgamento respeitante à proibição do Partido Comunista da Ucrânia começou na quarta-feira (4/2), em Kiev. Os acusadores do PC da Ucrânia nesse julgamento são o Ministério da Justiça da Ucrânia, o Ministério do Interior e a Agência Nacional de Informação. Acusam o PC da Ucrânia de “propaganda divisionista”. Atos semelhantes de perseguição contra os seus quadros e membros estão em marcha em todo o país, com base em acusações infundadas e insustentáveis, que são refutadas e expostas pelos quadros do partido. Um representante do KKE, Kostas Papadakis, membro do CC e deputado do Parlamento Europeu, assistiu ao julgamento, a convite do PC da Ucrânia. 

Na conferência de imprensa organizada pelo PC da Ucrânia para os média ucranianos, K. Papadakis observou o seguinte: 

“O julgamento de hoje, que continuará, é apenas uma parte de um conjunto de perseguições que está em marcha contra o PC da Ucrânia e também contra os seus membros e quadros individuais. A perseguição e as maquinações para proibir os comunistas e a sua atividade são inaceitáveis e condenáveis. Elas atacam os próprios cidadãos e os seus direitos. Os comunistas da Ucrânia deram uma grande contribuição para a luta do povo ucraniano, para todas as suas realizações, quer durante a grandiosa Vitória Antifascista dos Povos, quer durante os anos da construção do socialismo, assim como nos dias de hoje. 

Estes actos de perseguição são perigosos para o povo ucraniano e os povos como um todo. Indiciam tentativas de dar um novo impulso aos planos imperialistas na Ucrânia e em toda esta região. São planos que foram urdidos neste período pela UE, pelos EUA, a NATO, a classe burguesa da Ucrânia e o seu governo reacionário, que é apoiado por forças fascistas, no quadro da sua competição com a Rússia. 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Stáline, a época de Stáline e o stalinismo

Stáline, a época de Stáline e o stalinismo
por Aleksandr Zinóviev

"O grande papel histórico de Lénine consistiu em ter elaborado a ideologia da revolução socialista, ter criado uma organização de revolucionários profissionais, orientada para a conquista do poder, ter dirigido as forças para a tomada e conservação do poder quando surgiu a oportunidade, ter avaliado a situação e assumido o risco da tomada do poder, ter utilizado o poder para destruir o sistema social existente e organizado as massas para a defesa das conquistas da revolução, contra os contra-revolucionários e os intervencionistas. Em suma, consistiu em ter criado as condições necessárias para a construção do regime social comunista na Rússia.

No entanto, esse regime em si formou-se já depois da sua morte, no período de Stáline, formou-se sob direcção de Stáline. O papel destas figuras é de tal modo enorme que se pode afirmar peremptoriamente que sem Lénine a revolução socialista não teria vencido, e que sem Stáline não teria surgido a primeira sociedade comunista da história de grande dimensão. Um dia, quando a humanidade, em nome da sua auto preservação, voltar a ver o comunismo como a única via de evitar o colapso, o século XX será chamado o século de Lénine e de Stáline. "
"Em última análise, Stáline e os seus companheiros agiram em conformidade com a necessidade vital e as tendências objectivas da vida real, e não em função de quaisquer dogmas ideológicos, como lhes imputam os falsificadores da história soviética. "

Passaram 50 anos ( 1 ) desde a morte de Stáline. No entanto, Stáline e tudo o que está ligado à sua acção não são algo que pertence ao passado longínquo e indiferente às pessoas. Ainda estão vivos bastantes representantes de gerações para os quais a época de Stáline continua a ser a sua época, independentemente da forma como a encaram. Mas o principal é que Stáline pertence ao grupo daquelas personalidades históricas que permanecem eternamente como importantes acontecimentos da nossa época para todas as futuras gerações. Assim, a data redonda de meio século é apenas um pretexto para abordar temas que são eternamente actuais. Neste ensaio pretendo analisar, não factos e acontecimentos concretos da época e da vida de Stáline, mas apenas a sua essência social. 

A época de Stáline. Para fazer uma caracterização objectiva da época de Stáline é necessário primeiramente determinar o seu lugar na história do comunismo russo (soviético). Hoje pode considerar-se como um facto a existência de quatro períodos na história do comunismo russo: 

1) o nascimento; 
2) a juventude (ou amadurecimento); 
3) a maturidade; 
4) a crise e o perecimento. 

O primeiro período abrange os anos entre a Revolução de Outubro de 1917 e a eleição de Stáline para secretário-geral do CC do partido em 1922 ou até à morte de Lénine em 1924. Este período pode-se designar de leninista, pelo papel que nele desempenhou Lénine. 

O segundo período abarca os anos seguintes até à morte de Stáline, em 1953, ou até ao XX Congresso do partido em 1956. Este é o período de Stáline. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Portugal : A política de direita – uma estratégia para o subdesenvolvimento

A política de direita – uma estratégia para o subdesenvolvimento
Por Vaz de Carvalho

"O Governo orgulha-se dos cortes da austeridade: «Nenhum governo cortou tanto na despesa como este». A redução da despesa do Estado em 10 mil milhões de euros é o seu «êxito». Um «êxito» que reduziu o PIB em seis por cento e por cada euro tirado à despesa do Estado a dívida aumentou 5,6 euros; os juros passaram de 2,8 por cento do PIB em 2010, para cinco por cento. Também nenhum governo fez crescer tanto a pobreza, nem aumentar o número de multimilionários, que a ministra das Finanças acha serem poucos.

Note-se que «despesa do Estado» representa consumo e investimento. E se não o for é porque há má gestão e corrupção. Todas as medidas que poderiam tirar o País da situação em que se encontra são contrárias à política que a direita defende como se fossem verdades absolutas. O seu objectivo confessado é «ser atractivo» para o capital estrangeiro: políticas que têm como prioridade os baixos salários, a precariedade, a liquidação dos direitos laborais."

A política de direita conduziu o País a uma situação não apenas de estagnação, mas de retrocesso econômico e social, um retrocesso civilizacional que o Governo PSD-CDS agravou.

Podemos caracterizar o subdesenvolvimento pela incapacidade de um país garantir adequados níveis de educação, saúde, habitação, alimentação aos seus habitantes.

Note-se que é possível haver «crescimento e emprego», termos que a propaganda da direita usa para espalhar ilusões, mas ter subdesenvolvimento. É que o desenvolvimento tem que ver não apenas com o crescimento e emprego, mas com as suas qualidades sociais. Isto é, o aumento da sindicalização e dos direitos laborais, a melhoria da estrutura produtiva, a redução das desigualdades sociais e regionais,

A evolução económica e social que o País conheceu com a Revolução de Abril foi sendo sistematicamente destruída pela política de direita. O planeamento económico, o desenvolvimento industrial, a reforma agrária, as funções sociais do Estado, foram conhecendo sucessivos retrocessos. Quanto mais à direita mais dramática se tornou a situação do nosso País e do nosso povo.

Esta situação foi sendo iludida pelo endividamento das famílias, das empresas e do Estado, tudo propalado sem consequências, pois estávamos na UE e tínhamos o euro, que seria a solução para todos os nossos problemas. O PCP previu e preveniu as consequências destas políticas, nunca deixando de apresentar propostas alternativas.

Ingerência externa aumenta na Nigéria

Ingerência externa aumenta na Nigéria
por Carlos Lopes Pereira 

"O caso da Nigéria é exemplar. Em diferentes zonas de África mas também noutros continentes, as potências imperialistas apoiam sectores corruptos das classes dominantes, espalham intrigas, traficam influências, instigam conflitos étnicos e religiosos, criam e armam grupos terroristas, fomentam guerras, liquidam estados, dividem nações – tudo isso para continuar a exploração dos trabalhadores e a rapina das riquezas dos povos."

A situação política e militar agravou-se na Nigéria, a maior economia africana. As eleições presidenciais previstas para o final desta semana foram adiadas, o grupo Boko Haram intensificou os ataques na região, o conflito internacionalizou-se e aumenta a ingerência estrangeira no país.

A pedido do governo de Abuja, que alegou razões securitárias – a impossibilidade das forças armadas garantirem a normalidade do escrutínio no nordeste, onde enfrentam há seis anos, com pouco êxito, as brutais investidas da seita islamita –, a comissão eleitoral nigeriana adiou para 28 de Março as eleições presidenciais, legislativas e senatoriais. A votação para governadores e assembleias estaduais foi também atrasada um mês e meio e marcada para 11 de Abril.

O adiamento suscitou duras críticas da oposição. Afirma que os problemas de segurança não serão resolvidos em seis semanas e que as verdadeiras causas da alteração do calendário do escrutínio presidencial são os problemas logísticos da máquina eleitoral e, sobretudo, a pouca popularidade do chefe de Estado cessante, Goodluck Jonathan, que assim pode ganhar algum tempo de campanha. Apesar dos grandes meios de que dispõe para a mobilização do eleitorado, o actual presidente é acusado de não travar a guerra contra os islamitas, de deixar alastrar a corrupção e de agravar as desigualdades sociais no país, cuja economia assenta na produção e exportação de petróleo.

Os dois principais favoritos, entre mais de uma dezena de candidatos, são Jonathan, de 57 anos, zoólogo, cristão, originário do Sul, apoiado pelo Partido Democrático Popular; e Muhamadu Buhari, de 72 anos, general reformado, muçulmano, do Norte, apresentado pelo Congresso Progressista, principal formação oposicionista. Buhari, conhecido pelo seu perfil autoritário, apresenta-se pela quarta vez a votos e já esteve no poder num curto período, na década de 80, guindado por um golpe militar.

Há quase 69 milhões de eleitores inscritos para as próximas eleições nesta república federal, constituída por 37 estados, com uma população global de 173 milhões. Hoje o país mais populoso da África, a Nigéria, antiga colónia britânica, independente desde 1960, tem um historial de golpes de Estado, de conflitos entre diferentes comunidades e de uma sangrenta guerra civil, provocada em finais dos anos 60 pela secessão do Biafra, que causou entre um e três milhões de vítimas.

Desde 2009, a insurreição do Boko Haram já provocou 13 mil mortos e um milhão e meio de deslocados na Nigéria, além de milhares de refugiados nos países limítrofes. A seita, liderada por Abubakar Shekau, tem mostrado simpatia por organizações como o Estado Islâmico e a Al-Qaida. Na sua guerra contra o Estado nigeriano, tem cometido crimes bárbaros – massacres de civis, assaltos a aldeias, ataques a igrejas, mesquitas e escolas, atentados bombistas em mercados e outros locais públicos, raptos de crianças e mulheres, assassinatos, extorsões. 

Alastra a guerra

Nas últimas semanas, no plano militar, a situação complicou-se não só na Nigéria mas agora igualmente num conjunto de países da África Ocidental.
 

TTIP - Um cavalo de Troia

Protesto contra o TTIP
Um cavalo de Troia


"Como explicou Paul De Clerk, activista dos Amigos da Terra, «visto de fora, o cavalo de Troia parece uma coisa muito bela, mas no seu interior esconde-se uma ameaça terrível»."

"Considerando que a União Europeia deve renunciar ao TTIP, as ONG previnem contra a subordinação dos direitos democráticos e da soberania dos estados aos interesses das multinacionais.

Em concreto alertam para os perigos da remoção indiscriminada de «obstáculos» ao comércio, pondo em causa direitos sociais e diversas regulamentações, e da possibilidade de as corporações processarem os estados à margem dos tribunais nacionais."

Centenas de pessoas manifestaram-se, dia 4, em Bruxelas, contra o acordo comercial e de investimentos (TTIP) entre a União Europeia e os Estados Unidos.

A acção promovida por organizações não-governamentais (ONG) coincidiu com a oitava ronda de negociações de um acordo que tem suscitado um forte movimento de contestação.

Os manifestantes agruparam-se nas proximidades das sedes da Comissão Europeia e do Conselho europeu, onde instalaram um insuflável com oito metros, representando um cavalo de Troia.

Sob o cavalo, actores vestidos de fato e gravata aludiram aos grupos de pressão das multinacionais.

Como explicou Paul De Clerk, activista dos Amigos da Terra, «visto de fora, o cavalo de Troia parece uma coisa muito bela, mas no seu interior esconde-se uma ameaça terrível».

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Grécia : Organização popular e eleitoralismo

Organização popular e eleitoralismo
por João Vilela



"...o Estado burguês da Grécia está montado para dominar o proletariado em nome da burguesia, e não para fazer o contrário: o que torna ainda mais determinante que a organização de massas dos trabalhadores e das classes populares da Grécia redobre esforços se quer empurrar o Governo Syriza um milímetro que seja. Porque a única arma que o proletariado tem, teve, e algum dia terá, é a sua organização."


A vitória do Syriza, enquanto facto político, vale muito pouco. Mas vale enquanto elemento de um processo. Dificilmente sairá uma transformação assinalável da política grega – e tanto menos da correlação de forças à escala europeia – desta vitória eleitoral: mas ela, e a reacção a ela, elucidarão com rapidez aqueles que, infundadamente, acreditam na possibilidade de uma União Europeia ao serviço dos trabalhadores e dos povos, contanto que refundada no seu projecto, ou devolvida a uma mítica pureza inicial. 

Tenho escrito amiúde sobre a euro-esquerda e a perniciosidade da sua tese de que a União Europeia é um instrumento que pode, igualmente, ser utilizado a favor dos povos ou a favor dos capitalistas, dependendo os beneficiários das suas políticas da boa vontade ou falta dela de quem dirige a instituição 1

Tal teoria, que escamoteia a existência de uma sociedade de classes e uma permanente luta de classes, ou que imagina que a política, os Estados, e as organizações inter-estatais são neutrais e não estão nem ao serviço do capital nem ao serviço dos trabalhadores, é o retomar na íntegra dos postulados oportunistas da Segunda Internacional às portas da I Grande Guerra, contra os quais Lenine se bateu com todas as forças. Retomada essa que, de resto, tem motivos em muito similares: se naquela época, como Lenine escrevia, «[o] caráter relativamente “pacífico” do período de 1871 a 1914 alimentou o oportunismo primeiro como estado de espírito, depois como tendência e finalmente como grupo ou camada da burocracia operária e dos companheiros de jornada pequeno-burgueses. 

A opção Faluja na Ucrânia do Leste

A razão real porque Washington se sente ameaçada por Moscovo
A opção Faluja na Ucrânia do Leste
por Mike Whitney [*]


"Na verdade, se o combate acabasse amanhã as sanções seriam levantadas pouco após e a economia russa começaria a recuperar. Como é que isso beneficiaria Washington?

Não beneficiaria. Minaria o plano mais vasto de Washington de integrar a China e a Rússia no sistema económico prevalecente, o sistema dólar. Pessoas influentes nos EUA percebem que o actual sistema deve ou expandir-se ou entrar em colapso. Ou a China e a Rússia são submetidas e persuadidas a aceitar um papel subordinado na ordem global liderada pelos EUA ou a permanência de Washington como poder hegemônico global chegará a um fim.

Esta é a razão porque as hostilidades no Leste da Ucrânia escalaram e continuarão a escalar. Esta é a razão porque o Congresso dos EUA aprovou uma lei para aplicar sanções mais duras ao sector energético da Rússia e ajuda letal aos militares da Ucrânia. Esta é a razão porque Washington enviou instrutores militares para a Ucrânia e prepara-se para providenciar US$3 milhares de milhões em "mísseis anti-blindagem, drones de reconhecimento, Humvees armados e radares que possam determinar a localização de rockets e fogo de artilharia inimigo". Todas as acções de Washington são concebidas com um único propósito em mente: intensificar o combate e escalar o conflito. As pesadas perdas do inexperiente exército da Ucrânia e o terrível sofrimento dos civis em Lugansk e Donetsk não têm interesse para os planeadores de guerra dos EUA."

Washington precisa de uma guerra na Ucrânia para alcançar seus objectivos estratégicos. Este ponto não pode ser demasiado enfatizado. 

Os EUA querem empurrar a NATO para as fronteiras ocidentais da Rússia. Querem uma ponte de terra para a Ásia a fim de espalhar bases militares estado-unidenses por todo o continente. Querem controlar os corredores de gasodutos da Rússia para a Europa a fim de monitorar as receitas de Moscovo e assegurar que o [preço do] gás continua a ser denominado em dólares. E querem uma Rússia mais fraca e instável pois assim fica mais propensa a mudança de regime, a fragmentação e, em última análise, a controle estrangeiro. Estes objectivos não podem ser alcançados pacificamente. Na verdade, se o combate acabasse amanhã as sanções seriam levantadas pouco após e a economia russa começaria a recuperar. Como é que isso beneficiaria Washington? 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Ucrânia : Diplomacia franco-germânica

Diplomacia franco-germânica
por Jacques Sapir



"O facto de as forças de Kiev alvejarem deliberadamente os civis está hoje confirmado . Portanto não foram estes os factos que desencadearam o esforço de mediação da França e da Alemanha, é preciso sublinhar, mas antes a derrota da forças de Kiev em Debaltsevo."
"O país está arruinado e falido, as esperanças de ali desenvolver a indústria do gás de xisto evaporaram-se. É claro que só uma ajuda importante da parte da União Europeia pode permitir-lhe que continue a flutuar. Esta ajuda deve ser considerada a fim de forçar os Estados Unidos a renunciarem a uma intervenção, tanto directa como indirecta, na Ucrânia. Esta é a única condição para obter a confiança da Rússia. "



O Presidente François Hollande e a Chanceler Angela Merkel tentam actualmente em Moscovo, nesta sexta-feira 6 de Fevereiro, aquilo que é descrito como uma "mediação de última oportunidade" sobre a crise ucraniana. Mas isto na realidade já era o caso desde há várias semanas. Os bombardeamentos das forças de Kiev sobre a população civil das cidades de Donetsk, Lugansk e aldeias circundantes, constituíam – e constituem sempre – um escândalo permanente. Estamos na presença de crimes de guerra deliberados. O facto de as forças de Kiev alvejarem deliberadamente os civis está hoje confirmado[1] . Portanto não foram estes os factos que desencadearam o esforço de mediação da França e da Alemanha, é preciso sublinhar, mas antes a derrota da forças de Kiev em Debaltsevo. 

Com esta derrota paira a possibilidade de a NATO, ou os Estados Unidos, se empenharem um pouco mais do que actualmente no fornecimento de armas e materiais às forças de Kiev. Poder-se-á tirar as conclusões que se quiser. Isso não altera o facto de que esta derrota, que fora anunciada, pode permitir que se imponha um cessar-fogo durável. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Sionismo, uma aberração fascista anti-humana

Sionismo Fascista: 
Israel prende meninos palestinos em jaulas ao ar livre
por Resumen Latinoamericano

"É preciso salientar que se trata exclusivamente de crianças palestinas e que nunca nenhuma criança israelense foi submetida a tais práticas. Além disso, habitualmente as crianças são levadas a tribunais militares, independente de quais forem as faltas supostamente cometidas por elas e sem que esteja presente nenhuma representação legal."
"Este comitê publicou um informe que provava que as crianças suspeitas de delitos menores contra as autoridades de ocupação foram mantidas ao relento e sofreram ameaças regulares de atos violentos ou sexuais. Uma situação que pode durar meses."
"O Comitê Israelense contra a Tortura aponta que Israel é o único país a julgar sistematicamente meninos em tribunais militares e acrescenta que “nunca nenhum menino israelense entrou em contato com o sistema jurídico militar”."

O Comitê Israelense contra a tortura acaba de revelar um novo escândalo após a descoberta de meninos palestinos presos em gaiolas ao ar livre em lugares cercados ou em jaulas durante o inverno.

Este comitê publicou um informe que provava que as crianças suspeitas de delitos menores contra as autoridades de ocupação foram mantidas ao relento e sofreram ameaças regulares de atos violentos ou sexuais. Uma situação que pode durar meses.

É preciso salientar que se trata exclusivamente de crianças palestinas e que nunca nenhuma criança israelense foi submetida a tais práticas. Além disso, habitualmente as crianças são levadas a tribunais militares, independente de quais forem as faltas supostamente cometidas por elas e sem que esteja presente nenhuma representação legal.



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Armas israelenses causam morte e deformações em bebês palestinos

Armas israelenses causam morte e deformações em bebês palestinos
por Telesur



"A Unicef destaca que milhares de crianças palestinas e suas famílias foram afetadas pelos ataques ocorridos entre julho e agosto do ano passado. Mais de 500 crianças foram assassinadas, mais de três mil ficaram feridas, umas 54 mil perderam seu lar e em torno de 500 mil ficaram órfãs."

Devido à inalação de gases tóxicos das armas proibidas usadas por Israel contra a população civil em Gaza, várias crianças morrem pouco depois de nascer ou sobrevivem com graves sequelas.

O uso de armas proibidas por parte do Exército israelense durante a última ofensiva contra a Faixa de Gaza causou o nascimento de bebês com deformações, informou a agência de notícias palestina SAMA.

O uso de armas não convencionais contra os civis de Gaza por parte do regime israelense provocou o surto de enfermidades, como esterilidade nas mulheres, deformações nas crianças recém-nascidas e câncer nos idosos”, detalhou Mohamad al-Hindi, professor da Universidade egípcia de Al-Azhar.

O professor também afirmou que nasceram bebês com deformações de todo tipo e problemas cerebrais.

No entanto, o uso destas armas não afetou apenas os seres humanos, mas também os animais, tendo o consumo de sua carne se tornado prejudicial.

Sobre a perigosa e enganosa campanha da chamada "solidariedade com o povo grego"

Sobre a perigosa e enganosa campanha da chamada "solidariedade com o povo grego"
por KKE

"Relembramos que a coligação governamental SYRIZA-ANEL deixou claro que haverá um novo programa, em acordo com os prestamistas; que todos os compromissos para com os "predadores dos mercados" serão observados, o que significa que o povo pagará pelos empréstimos; que isto trabalhará para a salvação do "nosso lar europeu comum", isto é, a UE, a qual é uma união imperialista. Este governo honrará suas "obrigações" para com a NATO. E um exemplo característico de tudo isto é que o novo governo votou a favor das sanções da UE contra a Rússia, as mesmas sanções que o governo anterior também votara a favor. Além disso, o governo também assegurou a Israel que a cooperação da Grécia continuará. "

No momento em que as discussões e reuniões do novo governo SYRIZA-ANEL desenrolam-se a nível internacional, antes do início das negociações oficiais com os "parceiros e prestamistas europeus", está a ser promovida por certas forças no exterior uma "campanha de solidariedade com o povo grego e o governo de esquerda". 

Entretanto, se alguém examinasse as condições reais e os factos de um modo objectivo perceberia que o que está no centro das negociações é o seguinte: como é que o povo continuará a pagar o alto preço pela dívida que ele não criou; como é que a competitividade dos grupos de negócios será reforçada; como prosseguirão as "reformas" (as quais, como enfatizou o primeiro-ministro Tsipras durante a sua reunião com o presidente francês Hollande em 4/Fev, são objectivos do governo, ninguém está a impor-lhes); e quão prontamente o dinheiro será assegurado para a recuperação do capital. 

Relembramos que a coligação governamental SYRIZA-ANEL deixou claro que haverá um novo programa, em acordo com os prestamistas; que todos os compromissos para com os "predadores dos mercados" serão observados, o que significa que o povo pagará pelos empréstimos; que isto trabalhará para a salvação do "nosso lar europeu comum", isto é, a UE, a qual é uma união imperialista. Este governo honrará suas "obrigações" para com a NATO. E um exemplo característico de tudo isto é que o novo governo votou a favor das sanções da UE contra a Rússia, as mesmas sanções que o governo anterior também votara a favor. Além disso, o governo também assegurou a Israel que a cooperação da Grécia continuará. 

Brasil : Prende primeiro, pergunta depois

Prende primeiro, pergunta depois
por Andrea Dip


“O Brasil é conhecido internacionalmente como um país que extrapola qualquer limite no número de prisões preventivas. É uma prisão que pela Constituição é excepcionalíssima e na prática ela é a regra. No fim das contas, serve como uma forma antecipada de pena e como forma de contenção social mesmo”
"Todo o direito penal, o epicentro dele é a propriedade privada. Então se o crime contra a propriedade é mais importante, é obvio que o pobre vai ser mais preso do que o rico”"

"Mais de 40% dos encarcerados brasileiros são presos provisórios que têm as vidas destruídas mesmo quando inocentes, antes de qualquer processo legal"

Francisco* estava no sofá assistindo televisão e aproveitando seu primeiro dia de férias, quando a polícia quebrou o portão e invadiu sua casa gritando, com armas em punho. Apesar de não saber do que se tratava, o coletor de lixo não reagiu nem para dizer que era trabalhador de carteira assinada. Por experiência anterior (ele já havia passado seis meses em um Centro de Detenção Provisória e depois inocentado) sabia que seria pior tentar argumentar naquele momento. 

A filha de 15 anos estava no banho, a esposa e a filha mais nova, de 5 anos, não estavam na casa, localizada no litoral sul de São Paulo. Foi levado algemado para a delegacia do DHPP, na capital. Só então ficou sabendo que a vítima de um sequestro, um homem que pagara 400 mil reais de resgate, havia supostamente reconhecido sua tatuagem em um álbum de pessoas com passagem pelo sistema carcerário, apresentado pela polícia. A vítima teria dito que o sequestrador tinha uma tatuagem no braço, e escolhido Francisco no álbum com fotos de ex-detentos que batiam com a descrição de tipo físico e da tatuagem mostrado pela polícia. Mesmo com provas e testemunhas de que estava trabalhando nos dias em que a vítima afirmou ter ficado 24 horas sob olhares do algoz, em outra cidade, Francisco ficou preso por dois meses no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, em São Paulo, em uma cela “pequenininha assim”, com mais de cinquenta pessoas, “às vezes mais, às vezes menos”, esperando que o delegado chamasse a vítima para um novo reconhecimento.

“O delegado dizia que não estava encontrando o homem” conta a esposa de Francisco, que acabou ela mesma descobrindo o endereço e passando ao delegado. “Só aí que ele ficou sem graça e chamou pra reconhecer” lembra a mulher. Durante os dois meses em que esteve no CDP, Francisco não viu as filhas, porque não queria que as meninas passassem pela humilhação da revista vexatória. O que mais o marcou foram as revistas com cães dentro das celas, quando eram obrigados a se despir e se encolher “com os cães fungando no cangote”.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O que ninguém contará sobre Auschwitz

O que ninguém contará sobre Auschwitz
por Miguel Ángel Rodríguez Arias


Os grandes media internacionais falam de Auschwitz à sua maneira: reescrevendo a história. E uma das formas de a reescrever é fazer silêncio sobre o papel do grande capital internacional na promoção e no financiamento do nazismo. E fazer silêncio sobre os que tiraram lucro dos crimes monstruosos do nazi-fascismo.

Passam setenta anos sobre a libertação do campo da morte de Auschwitz, com toda a probabilidade o nome que evoca o mais próximo que o ser humano, em toda sua história, chegou a estar do mal absoluto. E já não é dizer pouco.Auschwitz, e os outros mais de 50 “campos da morte” disseminados por toda a Europa ocupada, evocados em uníssono apenas com essa menção; e sem contar os quase 1000 campos de concentração do Terceiro Reich, os mais de 1150 guetos e tudo o resto.

Declarado Património da Humanidade pela UNESCO, falar de Auschwitz continua sendo hoje demasiado difícil, demasiado insuficiente, demasiado assustador. Não há texto nem palavras suficientes para abarcar o que foi Auschwitz, e muito menos num breve artigo, é certo.

Contudo, é para mim demasiado inaceitável que mesmo no dia em que se recorda o 70º aniversário da libertação de Auschwitz tudo o que ali sucedeu seja permitido esquecer que Auschwitz foi o maior campo de trabalho forçado da Alemanha nazi.

E que Auschwitz foi também “IG Auschwitz”. Filial de IG Farben, o grande Cartel empresarial do momento, formado pelas empresas Bayer, HOECHST e BASF.

E não digo o grande Cartel empresarial “alemão”, porque isso não seria verdade, pelo menos até praticamente Dezembro de 1941 e o ataque a Pearl Harbor.

E não seria verdade porque, segundo o próprio relatório oficial da Secção de Investigação Financeira do Governo Militar de Ocupação, por altura de 1940, do total das 324.766 acções que compunham o Cartel IG Farben, unicamente 35.616 estavam nas mãos de pessoas com residência na Alemanha, enquanto quase o triplo, 86.671 acções, estavam nas mãos de investidores de nacionalidade estado-unidense, e quase cinco vezes mais, 166.100 acções, estavam nas mãos de cidadãos suíços.

Não esquecer para que não se repita

Judeus do Holocausto nazi clamam por Gaza- Palestina.
Não esquecer para que não se repita
por Cristina Cardoso

"Não esquecer para que não se repita, obriga-nos a uma constante vigilância. A história não se repete, mas tal como aconteceu com o nazi-fascismo, o capitalismo continua a usar a violência, a agressão, a guerra, o terrorismo, incluindo o de Estado, para alcançar os seus objectivos, mesmo que os «reinvente» e «encapote» de outra forma. A par de uma situação internacional cada vez mais tensa, com graves perigos à espreita e marcada pelo crescente militarismo e a proliferação de guerras de agressão, a restrição de liberdades e direitos democráticos a pretexto da segurança intensifica-se."

Em Maio de 2015 comemora-se 70 anos da vitória sobre o nazi-fascismo. Ao longo da década de 1930 e até 1945, os povos enfrentaram as maiores atrocidades que a humanidade já conheceu.

A Alemanha nazi, num ajuste de contas com o desfecho da 1.ª Guerra Mundial e as imposições do Tratado de Versalhes, avançou para a guerra, a ocupação e a morte a fim de afirmar as suas ambições e domínio imperialista. Para além de uma poderosa máquina de guerra, o nazismo levou a cabo uma brutal repressão contra os que lhe resistiam e o massacrou milhões de homens, mulheres e crianças com base na sua etnia, tendo tido nos campos de concentração e de extermínio uma das faces mais negras e hediondas.

Campos de concentração onde desde 1933 – ano em que Hitler ascende ao poder – foram encarcerados e massacrados comunistas e antifascistas, prisioneiros de guerra, judeus, deficientes, homossexuais, ciganos, de todos os estados agredidos pela Alemanha nazi.

Auschwitz, aberto em 1940, tornou-se o maior campo de concentração e de extermínio. Financiado pelo Deutsche Bank para alimentar com escravos a economia nazi, as empresas que ali instalaram unidades de produção exploravam barbaramente a mão-de-obra escrava, descartando os inaptos para a «morte». A esperança média de vida dos prisioneiros sujeitos a jornadas brutais em condições inumanas rondava os três meses. Auschwitz transformou-se na mais terrível «Fábrica da Morte».

Chegaram a ser assassinados 6000 prisioneiros por dia nas câmaras de gás. A falta de condições de higiene e de saúde, a fome, a sobrelotação, a exaustão, as doenças dizimavam milhares. Experiências cruéis eram praticadas sobre os prisioneiros neste e noutros campos de concentração. Estima-se que em Auschwitz tenham sido assassinados mais de 1,1 milhão de mulheres, homens e crianças, a maioria, dos quais, judeus.

Brasil : Golpe final na soberania do País

Golpe final na soberania do País
por ADRIANO BENAYON*

"Essa trama – que visa aplicar o golpe de misericórdia em qualquer veleidade de autonomia nacional, no campo industrial, no tecnológico e no militar é perpetrada – como foram as anteriores intervenções, armadas ou não – pelas oligarquias financeiras transnacionais e instrumentalizada por seus representantes locais e pelo oligopólio midiático, como sempre utilizando hipocritamente o pretexto de combater a corrupção."

1 Não é hipérbole dizer que o Brasil – consciente disto, ou não – vive momento decisivo de sua História. Se não quiser sucumbir, em definitivo, à condição de subdesenvolvido e (mal) colonizado, o povo brasileiro terá de desarmar a trama, o golpe em que está sendo envolvido.

2 Essa trama – que visa aplicar o golpe de misericórdia em qualquer veleidade de autonomia nacional, no campo industrial, no tecnológico e no militar é perpetrada – como foram as anteriores intervenções, armadas ou não – pelas oligarquias financeiras transnacionais e instrumentalizada por seus representantes locais e pelo oligopólio midiático, como sempre utilizando hipocritamente o pretexto de combater a corrupção.

Que isso significa? Pôr o País à mercê das imposições imperiais sem que os brasileiros tenham qualquer capacidade de sequer atenuá-las.

4 Implica subordinação e impotência ainda maiores que as que levaram o País, de 1955 ao final dos anos 70, a endividar-se, importando projetos de infra-estrutura, em pacotes fechados, e permitindo o crescimento da dívida externa, através dos déficits de comércio exterior decorrentes da desnacionalização da economia, e em função das taxas de juros arbitrariamente elevadas e das não menos extorsivas taxas e comissões bancárias para reestruturar essa dívida.

5 Ora, a cada patamar inferior a que o Brasil é arrastado, o império o constrange a afundar para degraus ainda mais baixos, tal como aconteceu nas décadas perdidas do final do Século XX.

6 Na dos anos 80 ocorreu a crise da dívida externa, após a qual o sistema financeiro mundial fez o Brasil ajoelhar-se diante de condições ainda mais draconianas dos bancos “credores”.

7 Na dos anos 90, mediante eleições diretas fraudadas em favor de ganhadores a serviço da oligarquia estrangeira, perpetraram-se as privatizações, nas quais se entregaram e desnacionalizaram, em troca de títulos podres de desprezível valor, estatais dotadas de patrimônios materiais de trilhões dólares e de patrimônios tecnológicos de valor incalculável.

8 A Operação Lava-jato está sendo manipulada com o objetivo de destruir simultaneamente a Petrobrás – último reduto de estatal produtiva com formidável acervo tecnológico – bem como as grandes empreiteiras, último reduto do setor privado, de capital nacional, capaz de competir mundialmente.

9 Quando do tsunami desnacionalizante dos 90, a Petrobrás foi das raras estatais não formalmente privatizadas. Mas não escapou ilesa: foi atingida pela famigerada Lei 9.478, de 1997, que a submeteu à ANP, infiltrada por “executivos” e “técnicos” ligados à oligarquia financeira e às petroleiras angloamericanas.

10 Essa Lei abriu a porta para a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo no Brasil, com direito a apropriar-se do óleo e exportá-lo, e propiciou a alienação da maior parte das ações preferenciais da Petrobrás, a preço ínfimo, na Bolsa de Nova York, para especuladores daquela oligarquia, como o notório George Soros.

11 Antes mesmo dessa devastação, Collor – outro cupim devorador com o patrimônio nacional a servir de madeira - extinguiu unidades estratégicas, como o Departamento de Exploração (DEPEX) e liquidou subsidiárias, como a INTERBRÁS e as empresas da área petroquímica.