Pesquisa Mafarrico

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Europa : Um sistema irreformável

Um sistema irreformável
por Miguel Viegas


"A actual crise tem profundas raízes na natureza do sistema financeiro erigido ao longo de décadas e com particular ênfase a partir da década de oitenta que marca o início da hegemonia do paradigma neoliberal monetarista da escola de Chicago. Este sistema assenta na capacidade exclusiva de criação monetária ex nihilo (do nada) atribuída aos bancos através do crédito. Os limites que existiam a esta criação monetária foram sendo desmantelados. Assim a taxa de reservas obrigatória (que os bancos devem ter junto do banco central para satisfazer os levantamentos dos clientes) foi fixada a dois por cento dos depósitos em 1999 e posteriormente baixada para um por cento (na China esta taxa é de 20 por cento). Uma vez que os bancos vivem da remuneração do crédito concedido, é óbvio que estes procuram maximizar os empréstimos. Está na sua natureza."
"O PCP tem como premissa fundamental a dissolução da União Económica e Monetária, a reconquista da nossa soberania monetária e a recuperação, por via da intervenção do Estado, do controlo público sobre o sector financeiro."
A actualidade da semana passada obriga-nos a voltar a falar do BCE e do Eurosistema. Com efeito, após oito anos de crise, o BCE anunciou um plano de expansão quantitativa, seguindo o exemplo da reserva federal e do banco de Inglaterra. De acordo com o anúncio de Mário Draghi, o BCE pretende comprar quantidades massivas de dívida pública detida pelos bancos à razão de 60 mil milhões de euros mensais até aumentar o seu balanço em 1100 mil milhões de euros.

Esta operação demonstra acima de tudo o completo fracasso de todas as medidas postas em prática pelo BCE ao longo dos últimos anos e que representam já muitos milhares de milhões de euros injectados no sistema financeiro. Além disso, o facto de acontecer passados vários anos de outras medidas revela profundas contradições no seio da UE acerca do mandato do BCE. 

O custo da cedência alemã foi o de deixar quase todo o risco de crédito desta operação para os bancos centrais nacionais que arcam sozinhos com 80 por cento dos riscos de incumprimento, mais uma transferência de riscos dos bancos privados para a esfera pública. No caso português, esta situação coloca legítimas dúvidas sobre a operação. Com efeito, sendo a compra realizada na proporção do capital que cada banco central nacional tem junto do BCE, isto implica em números redondos que a compra de dívida portuguesa poderia representar 24 mil milhões de euros. Sucede no entanto que o BCE já detém 19 mil milhões de títulos de dívida nacional. Uma vez que o BCE, de acordo com os seus estatutos não pode deter mais de 1/3 dos títulos de dívida emitidos por um Estado membro (Portugal tem neste momento 93 mil milhões de dívida titularizada), podemos desde já adiantar que esta medida terá relativamente pouco impacto no nosso País.

Esta medida revela igualmente a completa incapacidade do sistema em resolver as suas próprias contradições. A UE vive hoje uma situação paradoxal. Os países que podem emprestar não o querem fazer e aqueles que precisam de pedir emprestado não o podem fazer. Existe capacidade produtiva não utilizada, desemprego em massa e pessoas ávidas de consumir mas sem capacidade aquisitiva. Presa neste círculo vicioso, a UE persiste na sua cegueira de resolver problemas económicos com medidas monetárias e recusa usar a política orçamental como meio para intervir na chamada «economia real». Em vez disso, propõe este plano de expansão quantitativa voltando a encher os bolsos do sistema financeiro e limpando-o de riscos de incumprimento, sem qualquer garantia sobre o destino destes fundos e sem perceber que a falta de investimento, neste momento, não decorre da falta de liquidez mas antes da falta de perspectivas de crescimento económico que decorrem da diminuição da capacidade aquisitiva das massas. 

Guerra na Ucrânia - Combates em toda a linha

Guerra na Ucrânia
Combates em toda a linha



"Em Bruxelas, anuncia-se reuniões dos estados-membros sobre a crise e insiste-se no «continuado e crescente apoio dado aos separatistas pela Rússia». Entre Washington/NATO e Moscovo decorre um ping-pong sobre quem tem «legiões estrangeiras» a combater na Ucrânia, sobre a quem pode ser atribuída a instigação desta guerra, numa sucessão de palavras ásperas que os EUA dizem decorrer da «ocupação» de parte da Ucrânia pelos russos, e a Rússia sustenta ser parte de uma nova «guerra fria» destinada a fazer capitular o país e a promover a prevalência norte-americana no mundo."
As autoridades antigolpistas do Donbass respondem à intensificação da campanha militar de Kiev com uma contra-ofensiva destinada a repelir o assédio de Kiev no Leste do país.

O conflito nas regiões de Donetsk e Lugansk agravou-se substancialmente na última semana, primeiro com a retirada do derradeiro contingente golpista do aeroporto de Donetsk. Recuo confirmado quer por Kiev quer pelas autoridades do Donbass, embora com versões diferentes. Enquanto o presidente Petro Porochenko afirmava que «o nosso inimigo pagou um alto preço» e prometeu prontidão das forças armadas para «atingi-los nos dentes», os antigolpistas informaram que os combates pelo controlo da infra-estrutura e de toda a área adjacente tinham provocado, em três dias, cerca de um milhar de soldados ucranianos mortos e outros 1500 feridos, e resultado na destruição de 42 tanques e 34 blindados. Detalhes que sugerem ser exacta a versão dos antifascistas, segundo os quais foi Kiev quem lançou uma vasta operação armada para retomar Donetsk e em particular toda a zona do aeroporto, violando, assim, o cessar-fogo acordado em Setembro em Minsk, capital da Bielorrússia.

Na quinta-feira, 22, um autocarro de passageiros foi atingido por um bombardeamento na cidade de Donetsk, causando a morte a 13 civis. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia e os imperialistas concordam em qualificar o atentado de «crime», mas divergem no resto. Para Sergei Lavrov, tratou-se de uma «provocação grosseira destinada a minar os esforços de paz».«As perdas humanas não vão parar o “partido da guerra” em Kiev e os seus apoiantes estrangeiros», considerou ainda. O primeiro-ministro golpista, Arseni Iatseniuk, por seu lado, atribuiu o ataque a «terroristas russos», responsabilidade que o presidente da República Popular de Donetsk, Aleksandr Zakharchenko, devolve apontando o dedo a «um grupo subversivo» fiel à junta fascista. 

Contra-ofensiva 

O segundo bombardeamento de um autocarro de passageiros em Donetsk este mês, bem como a intensificação do assédio das forças governamentais ucranianas na cidade e na região – caso dos ataques a infra-estruturas eléctricas que, segunda-feira, 26, deixou centenas de mineiros presos durante horas nas galerias de uma mina devido ao corte de energia –, terão sido a gota de água para as autoridades do Donbass.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Ditadura Democrática Revolucionária do Proletariado e do Campesinato

A Ditadura Democrática Revolucionária do Proletariado e do Campesinato
V. I. Lénine - 12 de Abril (30 de Março) de 1905


A questão da participação da social-democracia no governo provisório revolucionário foi avançada para a ordem do dia não tanto pelo curso dos acontecimentos como pelos raciocínios teóricos dos sociais-democratas de uma certa orientação. Em dois artigos (n.°s 13 e 14) analisámos os raciocínios de Martínov(1), que foi o primeiro a avançar esta questão. Acontece, contudo, que o interesse por ela é tão grande, e tão imensos os mal-entendidos gerados pelos mencionados raciocínios (ver particularmente o n.° 93 do Iskra), que é necessário determo-nos mais uma vez nesta questão. Como quer que os sociais-democratas avaliem a probabilidade de num futuro próximo termos de resolver esta questão não apenas teoricamente, em todo o caso o partido tem de ter claros os objectivos próximos. Sem uma resposta clara a esta questão é já impossível uma propaganda e agitação consequente, sem vacilações ou reticências.

Tentemos restabelecer a essência da questão discutida. Se queremos não apenas concessões da autocracia mas o seu verdadeiro derrubamento, temos de esforçar-nos por alcançar a substituição do governo tsarista por um governo provisório revolucionário que, por um lado, convoque a assembleia constituinte na base do sufrágio realmente universal, directo e igual, com secretismo de voto, e que, por outro lado, esteja em condições de manter de facto a plena liberdade durante as eleições. E aqui pergunta-se: é permissível ao partido operário social-democrata participar nesse governo provisório revolucionário? Esta questão foi colocada pela primeira vez pelos representantes da ala oportunista do nosso partido, precisamente por Martínov, ainda antes do 9 de Janeiro, e ele, e atrás dele o Iskra, resolveram esta questão negativamente. Martínov esforçou-se por reduzir ao absurdo as concepções dos sociais-democratas revolucionários, metendo-lhes medo com a ideia de que no caso de um trabalho bem sucedido na organização da revolução, no caso de o nosso partido dirigir a insurreição popular armada, teríamos de participar no governo provisório revolucionário. E essa participação é uma inadmissível «tomada do poder», é «jauressismo vulgar» intolerável para um partido social-democrata de classe.

Detenhamo-nos nos raciocínios dos partidários desta concepção. Encontrando-se no governo provisório revolucionário, dizem-nos, a social-democracia terá nas mãos o poder; mas a social-democracia, como partido do proletariado, não pode ter nas mãos o poder sem tentar realizar o nosso programa máximo, isto é, sem tentar realizar a revolução socialista. E actualmente ela sofrerá inevitavelmente uma derrota nesse empreendimento e só se comprometerá, só fará o jogo da reacção. Por isso a participação da social-democracia no governo revolucionário provisório é inadmissível.

Liberdade, onde estás? Não na América ou na Europa

Liberdade, onde estás? Não na América ou na Europa
por Paul Craig Roberts


"Isto estabeleceu um novo princípio na Europa, o mesmo que o FMI tem aplicado implacavelmente a devedores latino-americanos e do Terceiro Mundo. O princípio é que quando prestamistas estrangeiros cometem erros e emprestam excessivamente a governos estrangeiros, carregando-os com dívida, os erros dos banqueiros são rectificados roubando as populações pobres. Pensões, serviços sociais e emprego público são cortados, recursos valiosos são vendidos em liquidação a estrangeiros por centavos e o governo é forçado a apoiar a política externa dos EUA. As "Confissões de um pistoleiro económico" ("Confessions of an Economic Hit Man") [NR] , de John Perkins descrevem o processo perfeitamente. Se não leu o livro de Perkins, não faz ideia de quão corrupto e vicioso são os Estados Unidos. Na verdade, Perkins mostra que os empréstimos excessivos são intencionais, a fim de preparar o país para o saqueio. "


Quando o antigo executivo da Goldman Sachs que dirige o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que ia imprimir 720 mil milhões de euros por ano e com eles comprar dívidas não pagas (bad debts) de grandes bancos politicamente conectados, o Euro afundou e tanto o mercado de acções como o Franco suíço subiram. Tal como nos EUA, a facilidade quantitativa (quantitative easing, QE) serve para enriquecer o que já são ricos. Ela não tem outro objectivo. 

As bem endinheiradas instituições financeiras que compraram as perturbadas dívidas soberanas da Grécia, Itália, Portugal e Espanha a baixos preços agora venderão os títulos ao BCE a altos preços. E apesar do desemprego a nível de depressão na maior parte da Europa e da austeridade imposta sobre os cidadãos, o mercado de acções ascende na antecipação de que grande parte dos 60 mil milhões de novos Euros que serão criados a cada mês encontrará o seu caminho para os preços das acções. A liquidez alimenta o mercado de acções. 

Para onde mais o dinheiro pode ir? Algum irá para Francos suíços e algum para o ouro enquanto ele ainda está disponível, mas para a maior parte o BCE está a activar as impressoras a fim de promover a riqueza dos Um Porcento que possui acções. O Federal Reserve e o BCE levaram o Ocidente outra vez aos dias em que um punhado de aristocratas possuía tudo. 

Os mercados de acções são bolhas enchidas pela criação de dinheiro do banco central. Na base do raciocínio tradicional não há razões saudáveis para estar nas acções e investidores lúcidos tem-nas evitado. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O fortalecimento do KKE indica, de novo, uma tendência para o reagrupamento de forças à sua volta

O fortalecimento do KKE indica, de novo, uma tendência para o reagrupamento de forças à sua volta 
Partido Comunista da Grécia (KKE)


  • Nas eleições do dia 25 de janeiro, o KKE teve 5,5% dos votos, um aumento de 1% (+ 60.000 votos), em comparação com as eleições parlamentares de 2012, marcando de novo uma tendência positiva para o reagrupamento de forças em torno do KKE, uma tendência já antes verificada nas eleições parlamentares da UE, nas eleições regionais e locais e nas iniciativas do KKE no movimento operário. . 
  • O KKE alcançou o terceiro lugar em 11 regiões eleitorais: 2ª região do Pireu, Samos, Lesbos, Lefkada, Zakynthos, Kephalonia, Kerkyra, Larisa, Trikala, Prebeza e Boiotia.  
  • O KKE elegeu 15 deputados (tinha 12). . 
  • O SG do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, na sua declaração, saudou os milhares de trabalhadores do nosso país e a juventude, que responderam ao apelo do KKE e contribuíram hoje para o seu fortalecimento, confirmando de novo a tendência positiva para o reagrupamento de forças em torno do partido. Em particular, saudou aqueles que votaram no KKE pela primeira vez, porque apreciaram a sua firmeza, coerência e generosidade. . 
  • Os resultados das eleições refletem o grande descontentamento e a raiva do povo contra a ND e o PASOK, os partidos que mergulharam o povo na pobreza e no desemprego durante a crise económica. Expressam, em grande medida, a falsa esperança de que o novo governo do SYRIZA pode seguir uma linha política a favor do povo. A formação de um governo do SYRIZA – isolado ou em coligação – vai seguir o velho caminho: o caminho de sentido único da UE, as táticas de exigências limitadas, de recuo e compromisso, os compromissos com o grande capital, os monopólios, a UE e a NATO. . 
  • É negativo que um partido nazi mantenha uma alta percentagem entre o eleitorado. 


Declaração do SG do CC do KKE, DIMITRIS KOUTSOUMPAS, sobre os resultados da eleição de 25 de janeiro de 2015 


Em primeiro lugar, gostaríamos de saudar os milhares de trabalhadores do nosso país e os jovens que responderam ao apelo do KKE e contribuíram para o seu fortalecimento hoje, confirmando de novo a tendência positiva para o reagrupamento de forças em torno do KKE, a tendência para recuperar votos. Esta tendência surgiu no ano passado, nas eleições parlamentares da UE, nas eleições regionais e municipais e continuou em todas as diversas lutas do povo, no trabalho, no sindicalismo e no mais amplo movimento popular. 

China, um parceiro a não imitar

China, um parceiro a não imitar1

por Claudio Katz*/Argenpress




"Os teóricos do “socialismo de mercado” reivindicam a acelerada industrialização e o desenvolvimento tecnológico autônomo, o que permitiu à China ter, em primeiro lugar, os resguardos defensivos necessários para enfrentar a pressão imperialista. O país construiu primeiro uma bomba atômica (1964), depois outra de hidrogênio (1970) e, finalmente, colocou um satélite no espaço (1970). Sobre estes pilares negociou a abertura ao Ocidente, a partir da icônica viagem de Nixon (1972).

Também consideram que esse período de economia planificada se esgotou e foi secundado por mecanismos de gestão mercantil que revitalizaram o socialismo, dando azo ao grande desenvolvimento das últimas décadas (Yang, 2009).

Mas este argumento confunde a extensão da gestão mercantil com a introdução de normas capitalistas. Desde os anos 90, não só se flexibilizou a mexida nos preços, mas também se afirmou a nova propriedade dos capitalistas sobre um setor importante da economia. Esta mudança de propriedade das empresas estratégicas é incompatível com qualquer perspetiva do socialismo."

A China tem passado por sucessivos períodos de transformação anticapitalista, adaptação comercial e formação de uma classe dominante. A dinâmica da acumulação, da desigualdade e do trabalho precário ilustra uma avançada etapa de restauração capitalista. Mas esta regressão não é definitiva pelos desequilíbrios que gera e pelas resistências sociais que enfrenta. Este factor introduz uma diferença comparativamente ao que se passou na antiga URSS.

O entrelaçamento com capitais estrangeiros e a estratégia de livre comércio impedem que a China forje um bloco cooperativo internacional. Mas a América Latina precisa do contrapeso dessa potência como parceiro comercial e aliado geopolítico contra a hegemonia dos Estados Unidos. Cuba introduz um importante antecedente de estratégias revolucionárias autônomas.

As reformas econômicas são discutidas em Cuba à luz da gigantesca transformação registrada na China. A nova potência asiática não é apenas um parceiro comercial de primeira ordem. Devido à sua importância econômica e relevância internacional tornou-se um importante aliado geopolítico para contrabalançar as agressões norteamericanas. Mas, numa análise de esquerda, interessa questionar a China por uma questão adicional: mantém o seu modelo atual matrizes socialistas?2

sábado, 24 de janeiro de 2015

Brasil : “Conter a inflação não pode significar aumentar o desemprego”

“Conter a inflação não pode significar aumentar o desemprego”

Dilma em reunião ministerial abrindo o "saco de maldades"
"Com essas medidas, o governo espera aumentar a arrecadação em cerca de R$ 40 bilhões, que serão retirados dos trabalhadores e das camadas mais pobres. Simultaneamente, com o 1,5 ponto percentual de elevação da Selic somente após a reeleição de Dilma, o Tesouro repassa aos rentistas detentores dos títulos da dívida pública algo próximo de R$ 14 bilhões ao ano. 
“Esse é um mecanismo obsceno de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos, aumentando ainda mais a concentração da riqueza no Brasil, país que se situa entre os 12 com maior desigualdade de renda no mundo”


Nesta quarta-feira (21), o governo anunciou o terceiro aumento consecutivo da taxa Selic que passou de 11,75% para 12,75% ao ano; Centrais sindicais lamentam decisão

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Marine Le Pen “legitimada”

Marine Le Pen “legitimada”
por Joseph Kishore e Alex Lantier.

"Juntamente com uma campanha asquerosa contra a população imigrante, a classe dominante está apoiando e legitimando movimentos fascistas e chauvinistas para direcioná-los contra as classes trabalhadoras como um todo. A lição básica das experiências dos anos 1930s, é que a luta contra o fascismo deve ser e será travada como uma guerra contra o sistema capitalista e suas representações políticas."

A campanha internacional para legitimar os políticos fascistóides da Frente Nacional (FN) francesa alcançou um novo estágio nesta segunda-feira com a publicação no jornal The New York Times de um artigo sobre o tiroteio na sede do jornal satírico Charlie Hebdo pela líder do partido, Marine Le Pen.

Ao franquear suas portas para Le Pen, o jornal, degradado pilar do liberalismo americano, sinaliza que significativas partes da classe dominante americana consideram que as ideias da líder fascista são parte fundamental do debate público sobre assunto. O jornal The Times ainda tomou a medida de incluir uma tradução simultânea em francês, assegurando-se de que a coluna receba a maior divulgação possível também na França.

Le Pen está sendo promovida como parte de um esforço comum encetado pela elite da classe dominante no desenvolvimento de uma corrida anti-islâmica para confrontar ao mesmo tempo a oposição anti-imperialista no Oriente Médio e os distúrbios sociais em casa. As charges anti-islâmicas do Charlie Hebdo foram proclamadas pomposamente como símbolos da democracia e neste instante, Le Pen representa nada menos que uma salvadora da pátria.

Os argumentos chauvinistas de Le Pen no The Times (sob a manchete “dando à ameaça um nome próprio” – To call this threat by is name) foram claramente inspirados no arsenal ideológico dos Estados Unidos em sua “Guerra ao Terror”. A França, “terra dos direitos humanos e da liberdade, foi atacada em seu próprio solo por uma ideologia totalitária: o fundamentalismo islâmico” escreveu ela.

Em seguida, ela clama pelo desmantelamento efetivo das liberdades e dos direitos humanos na França a fim de mover uma guerra contra os mais de cinco milhões de muçulmanos que fazem parte do povo francês, propondo nada menos que “uma política restritiva à imigração”, novas medidas para retirar deste povo a cidadania e uma luta contra o “comunitarismo e estilos de vida que estariam em desacordo” com as tradições francesas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O imperialismo e a Coreia

A propósito do filme A Entrevista
O imperialismo e a Coreia
por Jorge Cadima

"O ano 2015 começa sob os piores auspícios. Um sistema capitalista incapaz de sair da profunda crise que ele próprio cavou, acentua o seu pendor de destruição e morte. Os velhos imperialismos euro-americanos não têm mais nada para oferecer aos seus povos senão a miséria, a exploração e a guerra. E para lidar com a inevitável resistência dos povos e com as potências em ascensão, recorrem de forma crescente à violência e à repressão. O imperialismo apenas conhece a linguagem da guerra, da mentira e da provocação para assegurar a sua dominação e a exploração dos trabalhadores e dos povos do mundo"
"A monumental patranha sobre os alegados «ataques informáticos norte-coreanos contra a Sony» é mais uma operação de propaganda de guerra"

"Passámos boa parte da primeira metade de 1994 a preparar a guerra na península coreana. [...] Nós os dois, então no Pentágono, preparámos os planos para atacar as instalações nucleares da Coreia do Norte e mobilizar centenas de milhares de soldados americanos para a guerra que provavelmente se teria seguido». Estas palavras foram escritas no Washington Post em 2002 (20.10.02), pelos dois principais responsáveis do Pentágono no primeiro governo do presidente Clinton. O então vice-ministro da Defesa e co-autor destas palavras, Ashton Carter, foi recentemente indicado por Obama para ser o novo ministro da Defesa dos EUA."

Entre as razões pelas quais o bombardeamento da central de energia nuclear norte-coreana de Yongbyon pelos EUA não se concretizou, está a firme oposição do então presidente sul-coreano. A agência France Presse (24.5.00) deu conta da recusa de Kim Young-Sam em ser conivente com a destruição do seu país e a «morte de 10 ou 20 milhões de pessoas». «Naquela altura [1994] a situação era realmente perigosa. O governo Clinton preparava uma guerra», afirmava em 2000 o ex-presidente, que alega ter discutido com o presidente dos EUA ao telefone durante 32 minutos. «Disse-lhe que não haveria qualquer guerra inter-coreana enquanto eu fosse presidente. Clinton procurou persuadir-me a mudar de opinião, mas eu critiquei os Estados Unidos por planearem desencadear uma guerra com o Norte na nossa terra». 

A Europa e a Grécia

A Europa e a Grécia
porÂngelo Alves



"É esta «Europa», decadente, em crise e em que o medo e a chantagem são armas de domínio, que vai também estar em julgamento nas eleições do próximo domingo na Grécia. Um país destruído economicamente, asfixiado por uma dívida imposta, vendido a retalho e ao preço da chuva ao grande capital estrangeiro, completamente submetido aos ditames dos seus «credores» e senhores e com um povo a sangrar feridas sociais, de dignidade e de soberania – é este País que vai a votos no domingo. Um povo massacrado e ferido, mas também um povo que há quase uma década protagoniza lutas sociais e de massas de grande envergadura para as quais o movimento sindical de classe e os comunistas gregos deram e dão contributos decisivos."

Como o PCP alertou, os acontecimentos de Paris estão a ser aproveitados pelos sectores mais reacionários, pelas principais potências imperialistas e pela União Europeia para fazer avançar aquilo que há muito tentavam. 

Sustentados numa paranoia securitária de natureza islamofóbica, direita e social democracia unem-se para adotar um conjunto de medidas que levam mais longe os atentados às liberdades individuais e colectivas, à democracia e à participação popular e abrem campo à extrema-direita. Ao mesmo tempo que se instiga a paranoia, avança-se, no plano ideológico, na teoria maquiavélica do choque de civilizações. Pelo meio, com pezinhos de lã, lá se vai também falando dos «extremismos de esquerda». Entretanto em Londres uma enfermeira é suspensa por rezar por uma sua colega muçulmana e multiplicam-se na Europa as manifestações de extrema direita contra as minorias religiosas e os imigrantes.

O Big Brother europeu está em marcha e a Europa fortaleza reforça-se. «O inimigo está entre nós», todos somos potenciais «jihadistas». Por isso, os nossos movimentos, viagens, compras, ações, opiniões vão ser «monitorizadas» pelos «guardiões» da nossa «segurança» que acumularão o poder de decidir quando e como os exércitos sairão à rua para «garantir» a nossa «tranquilidade». 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Eles não eram "Charlie", eram árabes, infelizmente!

Em tempos de "Islamofobia" em França. As atrocidades francesas na guerra de independência da Argélia

Eles não eram "Charlie", eram árabes, infelizmente!

o Estado francês do século XXI proclamou seu suposto horror pelo terror e seu hipotético amor pela liberdade. Horror e amor pela liberdade, que o imperialismo e o colonialismo Francês nunca demonstrou pelos povos debaixo das suas botas, como podemos ver nas horríveis imagens das atrocidades cometidas contra o povo Argelino. Ontem e hoje, soltam seus psicopatas assassinos para cometer atrocidades em cima de povos indefesos.

Enquanto isso, a pátria do "Igualitê, fraternitê e Libertê", slogam há muito esquecido , embarcam na guerra mundial de “quarta geração” contra os países periféricos do sistema e na fascistização do domínio do imperialismo ocidental comandado pelos EUA. Tudo em nome da suposta superioridade da civilização branca e cristã que eles encarnam.

A Guerra de Independência Argelina, também conhecida como Guerra da Argélia foi um movimento de libertação nacional da Argélia do domínio francês, que tomou curso entre 1954 e 1962.

O governo francês do tempo considerava criminoso ou terrorista todo ato de violência cometido por argelinos contra franceses, inclusive militares. No entanto, alguns franceses, como o antigo guerrilheiro anti-nazi e advogado Jacques Vergès, compararam a Resistência francesa à ocupação nazi com a resistência argelina à ocupação francesa.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A ilusão do metacontrole imperial do caos

A ilusão do metacontrole imperial do caos
por Jorge Beinstein

"Na realidade, a “estratégia” de metacontrole imperial do caos, suas formas operativas concretas, convertem-na num emaranhado de tácticas que tendem a formar uma massa cada vez mais incoerente, prisioneira do curto prazo. O que se pretende converter na nova doutrina militar, num pensamento estratégico inovador que responde à realidade global actual facilitando a dominação imperialista do mundo não é outra coisa senão uma ilusão desesperada gerada pela dinâmica da decadência. Sob a aparência de ofensiva estratégica, irrompem as bofetadas historicamente defensivas de um sistema cuja cúpula imperial vai perdendo a capacidade de apreensão da totalidade real, a razão de estado vai-se convertendo num delírio criminoso extremamente perigoso dado o gigantismo tecnológico dos Estados Unidos e seus sócios europeus."

“As Ilusões desesperadas geram vida em tuas veias” 
St. Vulestry 

“As pessoas acreditam que as soluções decorrem da sua capacidade de estudar  
sensatamente a realidade perceptível. Na realidade, o mundo já não 
funciona assim. Agora somos um império e, quando actuamos, criamos 
nossa própria realidade. E enquanto tu estás a estudar essa realidade, 
actuaremos de novo, criando outras realidades que também podes 
estudar. Somos os actores da história, e a vós, todos vós, 
só lhes resta estudar o que fazemos”. 
Karl Rove, assessor de George W. Bush, Verão de 2002 [1]


Guerra e economia

Conceitos tais como “keynesianismo militar” ou “economia da guerra permanente” constituem bons pontos de partida para entender o longo ciclo de prosperidade imperial dos Estados Unidos: seu arranque há pouco mais de sete décadas, seu auge e a entrada recente na sua etapa de esgotamento abrindo o processo militarista-decadente actualmente em curso.

Em 1942 Michal Kalecki expunha o esquema básico do que posteriormente ficou conhecido como “keynesianismo militar”. Apoiando-se na experiência da economia militarizada da Alemanha nazi, o autor assinalava as resistências das burguesias da Europa e dos Estados Unidos à aplicação de políticas estatais de pleno emprego baseadas em incentivos directos ao sector civil e sua predisposição a favorecê-las quando se orientavam para as actividades militares [2]. Mais adiante Kalecki, já em plena Guerra Fria, descrevia as características decisivas do que qualificava como triângulo hegemónico do capitalismo norte-americano que combinava a prosperidade interna com o militarismo descrito como convergência entre gastos militares, manipulação mediáticas da população e altos níveis de emprego [3] .

França, terror e islamofobia

França, terror e islamofobia
por Narciso Isa Conde

"Assim, o Estado francês do século XXI proclamou seu suposto horror pelo terror e seu hipotético amor pela liberdade. Enquanto isso, embarca na guerra mundial de “quarta geração” contra os países periféricos do sistema e na fascistização do domínio do imperialismo ocidental comandado pelos EUA. Tudo em nome da suposta superioridade da civilização branca e cristã que eles encarnam.

A essa estratégia serve o desprezo às demais civilizações e o racismo praticado dentro e fora de suas civilizações e o racismo praticado dentro e fora de suas fronteiras, muito especialmente a islamofobia e sua construção ideológica em torno do fanatismo religioso como causa do terror, que inclui um capítulo especial contra o “terrorismo islâmico” em seus meios de difusão."

O Estado francês destinou oito mil soldados para fazer a guerra na denominada periferia terceiro-mundista, subordinando-se aos EUA e assumindo um importante papel nos bombardeios da OTAN contra cidades, povoados e estruturas, que procuram levar o caos a essas sociedades e tentar controlar territórios repletos de petróleo, gás, lítio, titânio, urânio, cobalto, ouro, água… ou situados em pontos de alto valor geopolítico planetário e rotas de tráficos diversos.

Cinco mil deles estão na África e outros na Ásia Central e Oriente Médio, ressaltando o papel francês na destruição do Estado líbio e junto à OTAN na Síria, prévia participação no plano imperial para depredar o IRAQUE e o AFEGANISTÃO.

Assim, o Estado francês do século XXI proclamou seu suposto horror pelo terror e seu hipotético amor pela liberdade. Enquanto isso, embarca na guerra mundial de “quarta geração” contra os países periféricos do sistema e na fascistização do domínio do imperialismo ocidental comandado pelos EUA. Tudo em nome da suposta superioridade da civilização branca e cristã que eles encarnam.

A essa estratégia serve o desprezo às demais civilizações e o racismo praticado dentro e fora de suas civilizações e o racismo praticado dentro e fora de suas fronteiras, muito especialmente a islamofobia e sua construção ideológica em torno do fanatismo religioso como causa do terror, que inclui um capítulo especial contra o “terrorismo islâmico” em seus meios de difusão.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sobre a Atitude do Partido Operário em Relação à Religião

Sobre a Atitude do Partido Operário em Relação à Religião
por V.I. Lénine


Reproduzimos artigo de V.I. Lénine , publicado no jornal Proletari nº 45 de 13 de maio de 1909, a respeito da posição que deve manter o partido revolucionário com a religião.


O discurso do deputado Surkov na Duma de Estado durante a discussão do orçamento do Sínodo e os debates na nossa fracção na Duma durante a discussão do projecto deste discurso, os quais publicamos adiante, levantaram uma questão extraordinariamente importante e actual precisamente neste momento(1). O interesse por tudo o que está ligado à religião abarcou indubitavelmente vastos círculos da «sociedade» e penetrou nas fileiras da intelectualidade próxima do movimento operário e também em certos círculos operários. A social-democracia tem a obrigação absoluta de apresentar uma exposição da sua atitude em relação à religião.

A social-democracia baseia toda a sua concepção do mundo no socialismo científico, isto é, no marxismo. A base filosófica do marxismo, como Marx e Engels repetidamente declararam, é o materialismo dialéctico, que assimilou inteiramente as tradições históricas do materialismo do século XVIII em França e de Feuerbach (primeira metade do século XIX) na Alemanha, um materialismo incondicionalmente ateísta, decididamente hostil a qualquer religião. Recordemos que todo o Anti-Dühring de Engels, lido no manuscrito por Marx, acusa o materialista e ateísta Dühring de inconsequência do seu materialismo, de deixar brechas à religião e à filosofia religiosa. Recordemos que, na sua obra sobre Ludwig Feuerbach, Engels o censura por ele não lutar contra a religião para a aniquilar mas para a renovar, para criar uma religião nova e «elevada», etc. A religião é o ópio do povo — esta máxima de Marx é a pedra angular de toda a concepção do mundo do marxismo na questão da religião(2). Todas as religiões e igrejas actuais, todas e quaisquer organizações religiosas, são sempre encaradas pelo marxismo como órgãos da reacção burguesa que servem para defender a exploração e para entontecer a classe operária.

E ao mesmo tempo, contudo, Engels condenou repetidamente as tentativas, de pessoas que queriam ser «mais de esquerda» ou «mais revolucionárias» do que a social-democracia, de introduzir no programa do partido operário um reconhecimento explícito do ateísmo no sentido de uma declaração de guerra à religião. Em 1874, falando sobre o famoso manifesto dos fugitivos da Comuna, os blanquistas que viviam exilados em Londres, Engels trata como estupidez a sua estrepitosa proclamação de guerra à religião, afirmando que essa declaração de guerra é o melhor meio de fazer reviver o interesse pela religião e de dificultar uma real extinção da religião. Engels culpa os blanquistas de não serem capazes de compreender que só a luta de classe das massas operárias, atraindo em todos os aspectos as mais amplas camadas do proletariado para uma prática social consciente e revolucionária, está de facto em condições de libertar as massas oprimidas do jugo da religião, enquanto a proclamação da guerra à religião como tarefa política do partido operário é uma frase anarquista(3)

E em 1877, no Anti-Dühring, atacando impiedosamente as mais pequenas concessões do filósofo Dühring ao idealismo e à religião, Engels condena não menos decididamente a ideia pretensamente revolucionária de Dühring de proibir a religião na sociedade socialista. Declarar semelhante guerra à religião significa, diz Engels, «ser mais bismarckista que Bismarck», isto é, repetir a estupidez da luta de Bismarck contra os clericais (a famigerada «luta pela cultura», Kulturkampf, isto é, a luta de Bismarck nos anos 70 contra o partido alemão dos católicos, o partido do «centro», por meio da perseguição policial do catolicismo). Com tal luta Bismarck só reforçou o clericalismo militante dos católicos, só prejudicou a causa da verdadeira cultura, pois empurrou para primeiro plano divisões religiosas em vez de divisões políticas, desviou a atenção de algumas camadas da classe operária e da democracia das tarefas urgentes da luta de classes e da luta revolucionária para o mais superficial e falso anticlericalismo burguês. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

O milagre econômico soviético

O milagre econômico soviético
por Valentine Katassonov 1
"Dificilmente se poderá discordar dos autores no que respeita às consequências da destruição da «Corporação Econômica URSS». Apenas se pode questionar se tal destruição ocorreu instantaneamente, no momento da dissolução da URSS, em Dezembro de 1991. Na verdade, o processo de destruição começou antes, nos anos 60 do século passado, e prolongou-se durante quase três décadas."
"A economia de Stáline passou o teste do tempo. Caso não se seja um opositor preconceituoso ou um inimigo da Rússia, então deve-se reconhecer que a economia de Stáline permitiu assegurar a superação do atraso econômico secular do país, tornando-o a par dos EUA na maior potência econômica do mundo; criar um complexo econômico nacional unificado que a tornou independente do mercado mundial; vencer a Alemanha e os países da coligação hitleriana; garantir o aumento incessante do bem-estar do povo, na base da redução consequente dos custos da produção; mostrar a todo o mundo a ineficiência da chamada economia de «mercado» (capitalista) e reorientar muitos países para a chamada «via não capitalista de desenvolvimento»; garantir a segurança militar do país através da criação da arma nuclear.

A mim parece-me que isto basta para se poder compreender mais em pormenor o que é a «economia de Stáline». Não o fazemos por mera curiosidade, mas porque vemos que a Rússia atravessa uma séria crise econômica. O conhecimento da economia de Stáline permite-nos encontrar mais depressa a saída para os impasses de hoje"

Em 1913, o peso da Rússia na produção industrial mundial era de cerca de quatro por cento. Em 1937 já representava dez por cento. Em meados dos anos 70 este indicador elevou-se para 20 por cento e manteve-se neste nível até ao início da perestroika. Na história da União Soviética os períodos mais dinâmicos foram os anos 30 e os anos 50. O primeiro período foi o da industrialização, conduzida nas condições da «economia de mobilização». Em meados dos anos 30, a URSS tornou-se o primeiro país da Europa e o segundo no mundo em termos de produção industrial, apenas atrás dos EUA, mas muito à frente da Alemanha, da Grã-Bretanha e da França. Em três quinquênios incompletos foram construídas 364 novas cidades, erguidas e colocadas em funcionamento nove mil grandes empresas, o que é um número colossal: cerca de duas grandes empresas p or dia!

Naturalmente que a economia de mobilização exigiu sacrifícios e a utilização máxima de todos os recursos. No entanto, na véspera da guerra, o nível de vida do povo era substancialmente mais elevado que no arranque do primeiro quinquénio. Todos nos recordamos da conhecida frase de Stáline de que a URSS estava atrasada 50 a 100 anos em relação aos países industrializados e que a história nos concedia uma década para recuperarmos este atraso, em caso contrário seríamos esmagados. Estas palavras, pronunciadas em Fevereiro de 1931, são surpreendentes pela sua precisão histórica: o desfasamento é de apenas quatro meses.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Um KKE forte é um apoio para o povo

Um KKE forte é um apoio para o povo
por Dimitris Koutsoumpas


“Todos deveriam ter presente que nos anos anteriores se alternaram governos de um só partido ou de coligação, obtendo o voto do povo por extorsão, fomentando o medo do “pior” ou as ilusões sobre o “mal menor. É isso o que repetem agora.”


Em 11 de Janeiro, no estádio coberto do Pireu, organizado pela Organização Partidária do KKE da Região de Ática, celebrou-se um grande evento político-cultural para comemorar o 96º aniversário do KKE em que interveio o Secretário-Geral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas.

Milhares de pessoas de todas as idades, trabalhadores, desempregados e jovens inundaram o estádio enviando a mensagem de que o KKE e a oposição popular devem ser fortes no dia seguinte às eleições.

Participaram no evento sindicalistas da Federação Sindical Mundial e o embaixador de Cuba, Osvaldo Cobacho Martínez, o embaixador da Venezuela, Farid Fernández, o embaixador da Palestina, Marwan Toubasí, bem como representantes das embaixadas do Vietnam e da China. Além destes, assistiram ao evento Alejandro Castro Espín, filho do presidente de Cuba Raúl Castro, os presidentes dos municípios de Petrúpoli, Jaidari e de Kesarianí, bem como escritores e artistas.

Antes do acto cultural que incluía uma composição músico-teatral com a participação de 200 artistas, o Secretário do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas pronunciou um discurso em que destacou entre outras coisas:

“Noventa e seis anos! Aprendemos com a nossa história heróica, continuamos comprometidos com o nosso objectivo de abolir a exploração do homem pelo homem. Utilizamos de forma criativa as conclusões que temos retirado das lutas titânicas do nosso povo, com o KKE na primeira linha.”

Com referência aos acontecimentos políticos, destacou: “num futuro próximo, um governo, tenha ele por base a ND ou o SYRIZA, substituirá o governo anterior e, mesmo que siga uma trajectória algo diferente, o que certo é que a iniciará do mesmo ponto de partida e terá o mesmo objectivo, em linha com a estratégia da UE, a rentabilidade dos monopólios, a via de desenvolvimento capitalista.

Por isso este governo será inevitavelmente antipopular, porque porá em prática os compromissos com a UE. Será um governo que vai negociar a dívida, porque aceita que se trata de uma dívida do povo, do país. Será um governo que defenderá os interesses dos grandes grupos empresariais.

Não somos os únicos a dizer isto. Eles mesmos o admitem. Por exemplo, quando a ND diz que “deveríamos aplicar as reformas e inclusivamente por nossa própria vontade; e mais, iremos para além dos nossos compromissos” e quando SYRIZA diz “vamos negociar dentro do quadro da União Europeia e das instituições europeias”.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Terrorismo de estado em México : Eles não eram "Charlie"

Governo mexicano participou do ataque contra estudantes de Ayotzinapa
por Anabel Hernandez, Steve Fisher



"A história da escola normal está marcada pela trajetória do guerrilheiro Lucio Cabañas, que estudou ali e na década de 1960 chefiou o grupo armado Partido de los Pobres em Guerrero. Seu movimento foi perseguido ferozmente pelo governo, particularmente pelo Exército na chamada “guerra suja”, quando ocorreram desaparecimentos e execuções. Desde então a escola é relacionada com a guerrilha e seus estudantes sofrem ataques e abusos de autoridade.

O ataque de 26 de setembro não foi apenas contra os estudantes mas contra a estrutura política e ideológica da escola. Um dos estudantes desaparecidos fazia parte do Comité Lucha Estudiantil (CLE), o órgão máximo de governo da escola normal, e 10 eram “ativistas políticos em formação” do COPI, segundo Omar García."

O governo do presidente mexicano Enrique Peña Nieto participou do ataque aos estudantes da escola normal rural de Ayotzinapa na noite de 26 de setembro em Iguala, no Departamento de Guerrero, que resultou em três mortos e 43 desaparecidos. Testemunhos, vídeos, relatórios inéditos e declarações judiciais que constam dos procedimentos da Procuradoria Geral de Justiça de Guerrero mostram que a Polícia Federal (PF) participou diretamente dos fatos.

A versão oficial do governo mexicano é de que o prefeito de Iguala, José Luis Abarca (PRD), supostamente ligado à quadrilha Guerreros Unidos, havia ordenado o ataque para evitar que os estudantes atrapalhassem um evento eleitoral de sua mulher, María de los Ángeles Pineda Villa, no centro da cidade. As polícias municipais das localidades de Iguala e Cocula teriam atacado e capturado os estudantes, depois massacrados e queimados pela quadrilha Guerreros Unidos sem que o Exército e a Polícia Federal tivessem conhecimento dos fatos.

Mas a investigação realizada para esta reportagem, com apoio do Programa de Jornalismo Investigativo da Universidade de Berkeley, Califórnia, revelou uma história bem diferente. Além da Polícia Federal, também o Exército mexicano participou do ataque.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Produção das emoções é novo estágio do controle da classe dominante

“Produção das emoções é novo estágio do controle da classe dominante”
por Domenico Losurdo



"Mas hoje as coisas mudarem porque com a televisão e as novas mídias, a classe dominante não tem somente esse monopólio de produção de ideias, mas também, o que é muito importante, o monopólio da produção das emoções. Transmitem-se imagens horríveis que podem ter sido escolhidas em uma série de outras imagens propositalmente ou que pode até ser falsa. [Através desse artifício] se consegue provocar uma indignação geral [na opinião pública] e esse monopólio de produção de emoções que é muito importante para o início das guerras.

Quer dizer, o Iraque, na ocasião da segunda Guerra do Golfo, dizia-se que Saddam [Hussein, ex-presidente do Iraque] tinha armas de destruição em massa, que ele poderia empregá-las a qualquer minuto. Ou pior, na ocasião da primeira guerra do Golfo, todos estavam convencidos que as forças de Saddam mataram um sem número de bebês, uma história totalmente inventada. Mas, com o monopólio de produção das emoções essa história enganou e provocou uma indignação generalizada de parte da opinião pública.

Devemos tomar consciência dessa nova situação: das ideias e emoções, com uma tecnologia e psicologia muito refinadas e sofisticadas. Nesse sentido, o aparelho militar do imperialismo ficou mais forte não só no domínio militar clássico, mas no plano multimidiático. Armas midiáticas provocam a opinião pública a ser favorável ao início de uma guerra."

Para o filósofo marxista italiano, com a televisão e as novas mídias, a burguesia não tem somente o monopólio das ideias

Para o filósofo marxista italiano Domenico Losurdo, o avanço tecnológico permitiu à classe dominante alcançar um novo estágio na dominação cultural. Se, no passado, ela já detinha o monopólio da profusão e difusão das ideias, hoje ela também consegue fazer o mesmo com as emoções.

Na segunda parte da entrevista de Losurdo aOpera Mundi, ele descreve as noções modernas das lutas de classe, dos limites das manifestações populares e da relação entre o comunismo e as lutas anticoloniais, em especial a do movimento negro nos EUA.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A riqueza da Nigéria e os ataques fundamentalistas

A riqueza da Nigéria e os ataques fundamentalistas
por Elaine Tavares*


"O fato é que os ataques do Boko Haram podem esconder interesses bem mais profanos do que a vontade de implantar o islã. Com o fim do bloco socialista e a impossibilidade de criar o inimigo “comunista”, agora as nações ricas já consolidaram um outro inimigo comum: o “terrorista”, que, inclusive, tem cara e nome árabe. É inegável que os grupos extremistas existem e atuam de maneira ultra violenta. Mas, também é preciso considerar que muitos deles são incentivados e financiados pelos países centrais para criar o caos. Isso já aconteceu no Afeganistão, no Iraque, na Síria. Depois, eles servem de argumento para missões de ocupação estrangeiras e toda a riqueza dos países invadidos escoa para fora."

A riqueza que se esconde sob o solo da Nigéria é sua desdita. Ali está uma das maiores reservas de minério fóssil do mundo, cerca de um milhão de quilômetros quadrados de puro petróleo. Há jazidas de outros minérios, mas o principal é o óleo negro, que representa 20% do Produto Interno Bruto do país, 95% das exportações e 80% da receita nacional. Não é sem razão que a guerra esteja corroendo seu território e matando sua gente. A lógica da terra arrasada para melhor dominação ainda segue em vigência naquelas paragens e nesse caldo de guerra à morte pelas riquezas, é a religião que vem sendo usada para “justificar” a barbárie. Em nome de “deus” grupos de várias cores se digladiam para tomar conta do petróleo.

Nos últimos meses o chamado “grupo radical islâmico” Boko Haram tem protagonizado uma série de ataques, de requintado terror com o objetivo de, segundo pregam, estabelecer a Sharia (lei islâmica) nos 36 estados que conformam o país. A Nigéria tem hoje 174 milhões de habitantes, sendo o país mais populoso do continente e o sétimo país mais populoso do mundo. Convivem no seu território mais de 500 grupos étnicos, mas os mais expressivos são os hauçás, os igbos e os iorubás. Do ponto de vista religioso o país é praticamente dividido entre os que professam a fé cristã (mais centrados no sul) e os muçulmanos (ao norte), mas também há os que praticam as religiões tradicionais como as igbo e iorubá.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Que desfilem. Zumbis de cérebros esvaziados e hipócritas

Que desfilem. Zumbis de cérebros esvaziados e hipócritas
por The Saker, (nova) rede The Vineyard of the Saker
Brainwashed zombies and hypocrites

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

"Já perceberam como TODOS aqueles doidos takfiris “por acaso” têm MUITOS contatos com todos os tipos de serviços ocidentais de segurança? É como congresso da Ku Klux Klan nos EUA: de cada dez participantes, dois são débeis mentais e oito são agentes federais trabalhando disfarçados. O mesmo acontece nos grupos takfiris. Então, os dois débeis mentais fazem alguma coisa realmente péssima, e os oito agentes federais evanescem “sem deixar rastros” (ou se suicidam). E isso teria algo a ver com o Islã? Claro que não.

Isso só tem a ver com o estado profundo e com a manipulação, por agentes infiltrados, de provavelmente todos os grupos terroristas em ação no planeta.

Eis a pergunta que realmente faz muito melhor sentido: deve-se temer mais os muçulmanos, ou deve-se temer mais os serviços ocidentais de segurança que cuidadosamente manipulam os doidos takfiri?"

Quer dizer que mais de 3 milhões de pessoas tomaram as ruas de Paris, inclusive 40 chefes de estado, para denunciar o assassinato de 17 vítimas dos ataques de terroristas takfiris semana passada...

Mas... ONDE ESTAVAM TODOS ELES?

●− ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra o povo do Afeganistão? Ninguém sabe, ninguém viu. Ninguém sabe, ninguém viu?

●− ONDE ESTAVAM esses três milhões e 40 chefes de estado quando o abjeto terror takfiri foi lançado contra os xiitas da Arábia Saudita? Ninguém sabe, ninguém viu? 

Os Estados Unidos e a União Europeia armaram os terroristas no Iraque e na Síria e criaram o Estado Islâmico

Os Estados Unidos e a União Europeia armaram os terroristas no Iraque e na Síria e criaram o Estado Islâmico
por Tribunal Dignidade, Soberania, Paz contra a Guerra/Comité Independência e Soberania para a América Latina




Perante o avanço do exército do Estado Islâmico, os EUA e os seus aliados da UE tentam destruir com bombardeamentos indiscriminados a sua própria criação, pois perceberam demasiado tarde ter originado um monstro difícil de matar. Nenhuma guerra pode ser ganha apenas com bombardeamentos. E quem paga o preço são, mais uma vez, os martirizados povos do Médio-Oriente, de novo e sempre vítimas da criminosa acção do imperialismo.

O objectivo inicial era acabar com o governo democrático da Síria, mas para os aprendizes de feiticeiro foi uma má jogada.

A ingerência dos Estados Unidos e da União Europeia no Médio Oriente para destruir o Iraque e derrubar o governo constitucional de Bashar al Assad da Síria, e o apoio económico e militar que incluiu o fornecimento de armas nucleares a Israel foram determinantes para o aparecimento do ISIS-EIIL (Estado Islâmico do Iraque) que inicialmente era constituído por grupos terroristas armados, financiados e treinados pela CIA e outras agências de inteligência da União Europeia, e constitui agora um exército que semeia o terror em nome do Estado Islâmico que pretende organizar um califado ao estilo medieval mas com armas de tecnologia de ponta entregues pelo império e seus aliados europeus.

Perante o avanço do exército do Estado Islâmico os Estados Unidos e os seus aliados da União Europeia, entre assustados e assombrados, tentam destruir a sua própria criação com bombardeamentos indiscriminados, pois perceberam demasiado tarde ter originado um monstro difícil de matar. Há analistas e especialistas no Médio Oriente que afirmam que nem em trinta anos poderão derrotar o ISIS-EIL e que poderá tornar-se no segundo Vietname para o império e seus sequazes.

O EIL transformou-se em Estado Islâmico no Iraque e no Levante (ISIS pelas suas siglas em inglês) quando, com o apoio e patrocínio dos Estados Unidos e seus cúmplices europeus iniciou e alargou as suas acções terroristas na Síria, para derrubar o presidente Bashar al-Assad. Os mortos sírios contam-se aos milhares como obra desses terroristas fanáticos, dogmáticos e totalmente fundamentalistas.

O objectivo imediato desses terroristas que contam agora com um exército superior a 18 000 soldados, com reforços provenientes do Reino Unido, de outros países da Europa e dos Estados Unidos, é a autoproclamação do califado mundial que quer ser chamado Estado Islâmico e ser reconhecido a nível internacional.

É precisamente para negar a existência de um Estado Islâmico que Washington e outros países e especialistas se referem aos jihadistas como ISIS e não como Estado Islâmico.

O regresso do fascismo – A propósito do Charlie Hebdo

O regresso do fascismo – A propósito do Charlie Hebdo
por Jorge Beinstein


"o estado francês é hoje uma componente decisiva do dispositivo operacional da NATO que está empenhado numa estratégia de intervenção global destinada à recolonização ocidental do planeta. O comando supremo cabe, naturalmente, aos Estados Unidos. A estratégia operatória da referida agressão não se limita a um conjunto de acções militares do tipo clássico e sim a um leque completo de dispositivos destinados à desestruturação, à caotização de diferentes áreas do "resto do mundo", à sua transformação numa massa informe que seja presa fácil para a depredação. Assim o demonstra a longa série de intervenções ocidentais recentes na Ásia, África e América Latina, em alguns casos através de invasões militares como no Afeganistão e Iraque, em outros combinando bombardeamentos e/ou introdução de mercenários como na Líbia ou na Síria, ou ainda instalando bases militares e inflando exércitos locais e bandos paramilitares como na Colômbia – mas em todos os casos incentivando formas caóticas e ultra violentas que desarticulam o tecido social de que as realidades actuais do México, Líbia ou Iraque são um bom exemplo. "


Como era de prever, o ataque contra o Charlie Hebdó desencadeou uma onde mediática global de condenação ao "terrorismo islâmico". Sente-se um certo fedor de "11 de Setembro à francesa" [1] . Como também era de prever, a direita ocidental capitaliza essa onda procurando orientá-la para uma combinação de islamofobia e autoritarismo, de justificação da cruzada colonial contra a periferia muçulmana e ao mesmo tempo de impulso no ocidente à discriminação interna contra as minorias de imigrantes árabes, turcos e outras. E como também era de prever, não faltaram cortesãos progressistas do sistema que – depois de abrir o guarda-chuva assinalando em primeiríssimo lugar que o "ataque terrorista"... "deve ser condenado sem atenuantes" atribuindo-o ao "fanatismo religioso" (obviamente islâmico) – passam sisudamente a enumerar algumas culpas ocidentais sem darem tempo para um mínimo de prudência e decoro diante de um assunto que cheira a podre. 

O mínimo que se pode dizer é que o caso Charlie Hebdo ingressou velozmente no pântano da confusão. Os dois supostos atacantes foram liquidados dois dias depois dos ataque, ainda não se sabe bem como foram tão facilmente identificados numas poucas horas – salvo se aceitarmos a incrível versão policial de que um deles esqueceu o seu documento de identidade no automóvel utilizado no atentado. Paul Craig Roberts, ex-subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, assinala que "a polícia encontrou o cartão de identidade de Said Kouachi na cena do tiroteio (próximo da sede do Charlie Hebdo). Soa familiar? Recordem que as autoridades (estado-unidenses) afirmaram haver encontrado o passaporte intacto de um dos supostos sequestradores do 11 de Setembro entre as ruínas das torres gémeas. Uma vez que as autoridades descobrem que os povos ocidentais estúpidos vão acreditar em qualquer mentira transparente, vão recorrer à mentira repetidas vezes" [2] .