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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Os perigos e a luta

Os perigos e a luta
por Ângelo Alves
 
As conclusões do Conselho Europeu apontam claramente para uma agenda de: brutal intensificação do processo de concentração e centralização de capital e de poder político (com particular expressão na agenda de aprofundamento da União Económica e Monetária); de eternização das medidas de ataque aos direitos sociais e laborais dos povos da Europa e destruição das funções sociais dos estados; e ainda de intensificação da vertente militarista e ingerencista da União Europeia.
A semana que passou foi altamente elucidativa da confirmação de três tendências que marcam a situação internacional: aprofundamento da crise do capitalismo; intensificação da ofensiva imperialista; crescentes tensões internacionais.

Em primeiro lugar o aprofundamento da crise. Nos EUA a FED (O Banco Central dos EUA) anunciou um conjunto de medidas que indicam, apesar das intensas negociações entre republicanos e democratas sobre o chamado «precipício orçamental», a grande probabilidade de a maior economia mundial entrar numa situação de recessão económica e de a instabilidade do seu chamado «mercado financeiro» se traduzir em novas explosões de crise. Na União Europeia a aproximação das eleições alemãs dita uma tentativa de dar uma ideia de acalmia, mas os dados divulgados a semana passada por várias entidades e instituições dizem o contrário e confirmam o cenário de recessão económica persistente, de contracção da produção industrial e de aumento do desemprego. No Pacífico, o Japão, mergulhado numa estagnação económica de duas décadas e com uma dívida de 200% do PIB foi a eleições num quadro em que muitos falam já da «falência» do Japão. O Partido Liberal Democrata (direita) e o seu aliado – Partido Budista Novo Komeito – ganharam as eleições e a política económica que dizem ir aplicar pode acentuar ainda mais esse risco.

Em segundo lugar a ofensiva do imperialismo. Ela é particularmente visível no continente europeu. As conclusões do Conselho Europeu apontam claramente para uma agenda de: brutal intensificação do processo de concentração e centralização de capital e de poder político (com particular expressão na agenda de aprofundamento da União Económica e Monetária); de eternização das medidas de ataque aos direitos sociais e laborais dos povos da Europa e destruição das funções sociais dos estados; e ainda de intensificação da vertente militarista e ingerencista da União Europeia. Mas, também nos EUA se preparam novos ataques contra os direitos dos trabalhadores e do povo, nomeadamente por via dos cortes que Obama e os republicanos estão a acordar nas já muito curtas despesas sociais do Estado norte-americano.

Simultaneamente é no Médio Oriente que confluem duas das tendências acima enumeradas, a ofensiva imperialista e as tensões internacionais. Depois da agressão de Israel a Gaza a agenda de agressão à Síria retoma o seu ritmo. A reunião dos inimigos da Síria em Marrocos reconheceu a chamada «oposição» como «único legítimo representante do povo sírio». Sob a capa da «ajuda humanitária» prepara-se novas acções de ingerência e desestabilização. Os relatos no terreno indicam uma situação de invasão de facto com a presença de forças especiais francesas, britânicas, turcas e do Qatar que actuam conjuntamente com organizações ligadas à Al Qaeda como a Frente Al Nusra e em estreita coordenação com a NATO.

Tal como no Iraque a campanha das armas químicas faz o seu caminho ignorando-se os desmentidos do governo sírio e ocultando-se que são os próprios rebeldes que agora controlam uma fábrica de cloro tóxico a Leste da cidade de Alepo. Movimentações militares indicam podermos estar perante um cenário de agressão directa estrangeira à Síria: Alemanha, Holanda e Estados Unidos acabam de decidir do envio de baterias de misseis Patriot para as fronteiras turcas com a Síria. Simultaneamente correm as notícias que a Rússia terá aumentado o apoio militar ao governo Sírio, nomeadamente através do fornecimento dos sofisticados mísseis Iskander. Do Oriente vem a voz «mais grossa» da China afirmando, em resposta ao conclave de Marrocos, que cabe ao povo Sírio resolver o conflito interno. O quadro é muito perigoso e de crescente embate entre potências militares. As palavras «guerra mundial» surgem na boca de alguns. Só a luta dos povos contra o imperialismo poderá inverter todas estas tendências. O povo português tem dado o seu contributo, como ficou bem patente nas manifestações de 8 e 15 de Dezembro.

 
 
 
Fonte : Avante  www.avante.pt
 
 
 
 
 

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