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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Intercâmbio de saudações entre guerrilheiras curdas e das FARC-EP


 
RESUMEN LATINOAMERICANO

Intercâmbio de saudações entre guerrilheiras curdas e das FARC-EP
 
Emotiva saudação das guerrilheiras do PKK do Curdistão a suas camaradas das FARC-EP, que lhes responderam num ambiente de fraternidade e compromisso.

DESDE A LUTA DO POVO CURDO, UMA SAUDAÇÃO COMBATENTE À GUERRILHA COLOMBIANA
Carta de guerrilheiras do PKK às FARC -EP

Às camaradas das FARC-EP

A brisa revolucionária está levando o nosso povo rumo à liberdade. A liberdade é fundamental para uma pessoa ou para um povo, mas será uma realidade apenas parcial enquanto for individual, dentro de mundo enorme em que qualquer povo, comunidade, classe ou nação, que se oponha à "civilização", estará enfrentando o mesmo destino histórico. Essa é a razão pela qual a pobreza, a fome, a morte, a resistência e a alegria se parecem, quando vistos no contexto histórico da fraternidade e do companheirismo. Apesar de nunca nos termos visto nem tocado - vocês, que vivem do outro lado do oceano -, conhecemos vocês e abraçamos os seus corações, a sua coragem, a sua resistência e sua luta.

Após cinco mil anos de história da colonização, a luta das mulheres e a solidariedade universal são agora muito mais significativas e valiosas do que nunca. O monstro de colonização que continua alimentando o espírito do capitalismo tenta negar e destruir todos os valores humanos e sociais, com todos os meios possíveis. Nós, um antigo povo da Mesopotâmia, estivemos refugiados em nosso próprio território por milhares de anos. O trágico é que o território da Mesopotâmia, que testemunhou o crescimento e desenvolvimento da humanidade, assim como do surgimento de todos os valores culturais, científicos e ortográficos, converteu-se hoje em um lugar de morte, e não de vida.

O território do Curdistão não só foi destruído, mas também aos curdos é negado seu idioma, sua cultura e sua existência. A posição política e ideológica do movimento de libertação curdo (PKK) não apenas é irritante para a Turquia, mas também atrapalhou os jogos políticos de todos os "defensores" da "civilização" - os EUA, em particular - no Oriente Médio. O PKK, junto com muitas organizações da sociedade civil, está liderando a paz no Oriente Médio e opondo a mentalidade da modernidade democrática à mentalidade da modernidade capitalista, assim como vocês, os latino-americanos e todas as outras sociedades que lutam por sua língua, cultura e classe!

Além das vitórias da luta do povo curdo pela liberdade, a mais importante revolução das mulheres curdas tem sido a colocação em prática de uma ideologia orientada pelo Movimento de Libertação do Curdistão. O líder do povo curdo Abdullah Öcalan foi o arquiteto dessa ideologia que une as mulheres curdas com a sua própria existência, sua vontade e seus valores. Como é sabido, nosso líder está preso em uma ilha nos últimos 13 anos e lhe foi proibido reunir-se com sua família ou seus advogados durante o último ano e meio. Ele é mantido em regime de isolamento. Paralelamente ao confinamento imposto ao nosso líder, o Estado turco tem intensificado sua guerra no Curdistão. As pessoas estão tentando responder a cada ataque com uma guerra de guerrilhas por um lado e com a política legal e democrática por outro lado. Milhares de políticos curdos foram presos nos últimos quatro anos, e o Estado turco vem travando uma guerra em resposta aos pedidos de paz e propostas de solução por parte do líder Abdullah Öcalan.

Nós, mulheres curdas, temos sido encarceradas por lutar contra a política de negação e de destruição imposta ao curdos. No entanto, a nossa resistência e luta nunca foram derrotadas pelos muros da prisão. Em torno de 10.000 prisioneiros se colocaram em greve de fome por tempo indeterminado para protestar contra a prisão de nosso líder e a proibição do nosso idioma. As negociações de Oslo [entre representantes turcos do PKK e os representantes dos serviços secretos] conseguiram oferecer um raio de esperança aos curdos, até que o processo foi sabotado pelos defensores da guerra. Esperamos que as conversas que começaram em Oslo com representantes do governo colombiano possam pavimentar o caminho para a paz do povo colombiano.

Mulheres revolucionárias têm trazido a esperança das deusas e de sábias mulheres da história para o presente. Nos dá apoio moral e fortalece nossa nossa luta sabermos que vocês estão ao lado de nós, mulheres, na nossa luta aqui na prisão. Esta solidariedade universal fará possível um outro mundo, um mundo livre, com a cor das mulheres.

Prisão de Diyarbakir, Curdistão
12 de novembro de 2012
 
 


Guerrilheiras das FARC-EP respondem à carta das guerrilheiras do PKK
Delegação de Paz das FARC-EP

Agencia de Noticias Nueva Colombia (ANNCOL)
 

Resposta à Carta do PKK
22 de dezembro de 2012

Queridas camaradas do PKK:

Nós, as guerrilheiras das FARC-EP que estamos aqui em Havana, Cuba, para levar adiante as conversações de paz com o governo colombiano, recebemos sua carta. Vocês não podem imaginar a nossa emoção e alegria ao receber uma carta do outro lado do oceano, de mulheres que, como nós, lutam por um mundo justo, livre.

Temos recebido algumas notícias muito interessantes sobre a situação geral no Curdistão, sobre a luta de vocês, mas também dos muitos prisioneiros e de sua heróica greve de fome há alguns meses. As prisões da Colômbia também estão cheias de presos políticos, muitos dos quais são mulheres. Vivem em condições insuportáveis, sem assistência médica, em superlotação, com penas de até 60 anos, e com a pressão constante do governo colombiano para que renunciem a luta armada por uma nova Colômbia. Mas a maioria de nossas presas estão cientes do fato de que as prisões são simplesmente outra trincheira da nossa luta, e elas seguem lutando nas suas trincheiras, do mesmo maneira que vocês o fazem.

Dos cárceres, as guerrilheiras continuam a sua luta: lutam pelo direito de ver suas famílias, pelo direito de trabalhar e estudar, lutam para serem reconhecidas como presas políticas, e pelo direito de se organizarem. Para isso, também fizeram greves de fome, amarraram-se às grades em protesto e têm feito um monte de denúncias públicas sobre os maus tratos nas prisões colombianas. Estão em constante atividade política e ideológica.

Neste momento, estamos tendo um diálogo com o governo colombiano, mas temos muito claro que a "paz" não significa o desarmamento. Estamos lutando há mais de 48 anos contra o terrorismo de Estado, apoiado pelo império dos EUA, e necessitamos de uma paz com justiça social, sem neoliberalismo, sem a violência do Estado, sem fome e sem miséria. Lutamos contra uma elite criminosa, que só quer nos dar as migalhas de seus banquetes. Não temos necessidade de migalhas; não precisamos de benefícios pessoais ou privilégios. Necessitamos que o povo colombiano tenha uma vida digna, com educação, saúde, reforma agrária, etc. As conversações de paz são um clarão de esperança para os colombianos, e esperamos que finalmente o governo mostre a sua força de vontade para deter o terrorismo de Estado, para que possamos participar da política sem sermos assassinados ou encarcerados.

A situação das mulheres colombianas é difícil, na sociedade latino-americana existe enorme opressão sobre as mulheres e nós, como guerrilheiras revolucionárias, tratamos de ser um exemplo para as mulheres e para nós mesmas. Todos os dias temos que lutar contra muitos preconceitos e superar muitas dificuldades. Dentro das FARC-EP temos as mesmas tarefas e o mesmo estatuto dos homens, e há cada vez mais mulheres comandantes encarregadas de diferentes postos de trabalho dentro do movimento. Lenin disse: "o nível de consciência da luta revolucionária de uma nação é medido pela participação das mulheres nesta luta." Essa é uma lição importante.

É muito comum, nos dias de hoje, chamar de terrorista a qualquer movimento popular que não se conforme ao grande capital. Vez ou outra, grandes campanhas de mídia buscam demonizar a nossa luta, o que é difícil de se combater. Mas nos dá muitíssima força saber que há uma grande quantidade de mulheres nesta Terra lutando pelo mesmo: por um mundo sem opressão, sem miséria. Abraçamos a sua causa, a partir de agora vocês estão em nossos corações e em nossas cabeças, porque são nossas irmãs de luta, porque todas estamos dispostas a sacrificar nossas vidas pela humanidade.

Com afeto revolucionário e bolivariano,

Guerrilheiras da Delegação de Paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Exército do Povo.
 
 
 
Fonte: http://www.anncol.eu/index.php/colombia/insurgencia/farc-ep/comunicados-de-las-farc-ep/1232
 
Fonte: PCB em www.pcb.org.br


Mafarrico Vermelho

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