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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A conspiração do sagrado silêncio

A conspiração do sagrado silêncio
por Jorge Messias

«A próxima guerra terá tais proporções que só uma super-potência, os EUA, a poderá vencer... Esta é a razão por que a União Europeia está a ser encaminhada no sentido de se transformar num super Estado único. Terá de ser um Estado único, coerente… Oh, quantas vezes tenho sonhado com esse dia... Então, o controlo do petróleo dominará as nações e o acesso aos alimentos domesticará os povos» (Henry Kisinger, secretário de Estado do Governo de Nixon, 1973).

«O crescimento económico deve conseguir-se mesmo que à custa da erosão da função social do Estado» (Bento XVI, Janeiro de 2013).

«A religião é o suspiro da criança acabrunhada, o coração de um mundo sem coração, assim como o espírito de uma época sem espírito. Ela é o ópio do povo» (Karl Marx, “Crítica à Filosofia de Hegel”).

«O PCP opõe-se ao processo de integração capitalista europeu e luta para romper com tal processo, defendendo o direito soberano e inalienável de Portugal e dos portugueses de definirem o seu próprio caminho de desenvolvimento» (Jornal Avante!, 27.12.2012).

 

É evidente que existe um plano secreto para lançar o mundo no caos. É o plano dos ricos. A miséria e a fome esmagarão os oprimidos. As novas armas de destruição eliminarão boa parte dos que ficarem: biliões de bocas inúteis que nada acrescentam aos lucros dos grandes monopólios. Na Terra, um só poder, uma só religião, um só monopólio global.

O projecto avança por entre gigantescas contradições. Tudo estava pensado. De repente, em contra-mão, surge na estrada a crise geral do capitalismo. A miséria e o desemprego mostram-se incontroláveis. O escândalo financeiro foi pai e mãe do descalabro geral: estoiraram crises sobrepostas na economia, na saúde, na cultura, na Segurança Social, etc. Hoje, ninguém se entende. O caos agrava-se com a prática generalizada daquilo a que os iluminados chamam crise de valores ou de paradigmas: os capitalistas traem-se uns aos outros e todos mentem descaradamente. A crise do capitalismo não tem solução. É material, social e ética. Envolve o grande capital, a banca e as bolsas, as sociedades secretas e a Igreja.

O Vaticano, poderoso monopólio, alinha-se com as estratégias dos mais ricos, procura ocupar os vazios do poder e aumentar os seus lucros materiais. No caso português, crescem os índices da miséria a par do peso político da Igreja dotada, há já 73 anos, de uma Concordata leonina que torna possível ao clero fazer o que bem entende. Caso incompreensível, visto que o Estado português se proclama respeitador da legalidade democrática e separado de qualquer religião. Caso duplamente inaceitável no momento actual, com um povo na miséria, uma elite multimilionária, a submissão clara ao estrangeiro e a destruição de valores com que a Igreja desde sempre tem acenado, tais como os paradigmas da Família e da justa distribuição da riqueza. Mas a austeridade é para os «outros». Tudo quanto fique ao abrigo da Concordata é intocável.


A subida em flecha do desemprego representa um escândalo económico e moral que o episcopado português oculta. Só vozes esparsas de poucos bispos rompem, muito raramente, a cortina de silêncio imposta nesta matéria pela hierarquia.

E no entanto, o crescimento do desemprego, em Portugal, na Europa ou nas nações com maiorias católicas, é um dado constante sobejamente conhecido pelas hierarquias religiosas. O desemprego resulta da destruição da economia pela especulação financeira. É factor decisivo da ruína das famílias. Tem uma infame dimensão moral que é a da exclusão do cidadão da sociedade a que por direito natural pertence. É factor determinante da distribuição perversa da riqueza que o trabalho produz.

Não é por acaso que o silêncio dos bispos é bem acolhido pelos capitalistas.

Nos países pobres da Europa, numa fase de incertezas e de refluxos, os homens do grande capital temem a ira dos trabalhadores. Sabem que as crises mundiais profundas ou se resolvem em curto espaço ou vêm a ter consequências dramáticas e imprevisíveis. Teme pelos seus interesses secretos. O calado é o melhor.

A Igreja é um aliado precioso, com as suas redes sociais, os seus offshores, a malha poderosa dos seus bancos, as facilidades de contacto com as sociedades secretas, a sua indústria da caridade, etc.

Teremos oportunidade para reflectir sobre estes temas.



Fonte: Jornal Avante em www.avante.pt


Mafarrico Vermelho



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