Pesquisa Mafarrico

Translate

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

KKE: Sobre o Movimento Comunista Internacional

Partido Comunista da Grécia (KKE): sobre o Movimento Comunista Internacional


"Seria um erro grave para o movimento popular depositar as suas esperanças nas chamadas potências emergentes, ou escolhê-las como um "campo". Porque, como Lenine alertou, isto levar-nos-ia para a posição errada de que "os monopólios, na economia, são compatíveis com o modo de atuar não monopolista, não violento, não anexionista, em política"² . O chamado "mundo multipolar", a chamada "nova arquitetura das relações internacionais", não é o mundo de paz e segurança para os povos, mas o mundo de marcantes contradições interimperialistas."

Discurso proferido por Elisseos Vagenas, membro do Comitê Central (CC) e responsável da Seção de Relações Internacionais do CC do KKE, em Seminário "O movimento comunista internacional Hoje e Amanhã", organizado pelo Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) em Moscou, 15 e 16 de Dezembro de 2012.

Caros camaradas,

Agradecemos ao Partido Comunista da Federação Russa o convite para esta reunião informal de partidos comunistas, tendo como tema os problemas e perspectivas do movimento comunista internacional.

O nosso encontro de hoje realiza-se em condições de aprofundamento da crise capitalista global, que demonstra os impasses e limites do modo de produção capitalista. Mas não será derrubado por si próprio, não cairá como uma "maçã madura", se o fator subjetivo e, acima de tudo, todos os partidos comunistas, o movimento comunista, não forem capazes de criar uma estratégia revolucionária.

Infelizmente, o movimento comunista hoje está a passar por uma profunda crise ideológica, política e organizacional.

O KKE, a partir de 1998, levou a cabo uma série de iniciativas para que os comunistas se pudessem encontrar, trocar ideias e experiências da sua atividade, para se coordenarem sobre questões em que pudessem estar de acordo. Os Encontros Internacionais de Atenas, iniciados em 1998, vão nesta direção. Foram abraçados por dezenas de partidos comunistas e hoje confirmam-se como uma importante iniciativa anual para o movimento comunista internacional. O nosso partido insiste em que estes encontros devem permanecer encontros de partidos comunistas, porque perderiam a sua essência e levariam à dissolução, se fossem embotados com a participação de outros partidos ou forças de "esquerda", que se afirmam anti-imperialistas.


 
 
 


Também como partido, realizamos uma série de reuniões comunistas regionais e temáticas, à nível da Europa, dos Balcãs e do Mediterrâneo Oriental. Participamos ativamente em iniciativas a convite de outros partidos comunistas. Mas, queridos camaradas, nós sabemos, estamos convencidos de que o movimento comunista não será capaz de superar a crise em que se encontra apenas através destas atividades.

A questão crucial é a aquisição da estratégia e táticas revolucionárias que o sirvam, de modo a que as posições revolucionárias sejam reforçadas no movimento comunista e a que as posições reformistas e oportunistas recuem e sejam enfraquecidas na dura confrontação em curso.

A linha da "resistência-ruptura" com o sistema capitalista deve ganhar terreno contra a linha da "adaptação-assimilação" no sistema.

É óbvio que não podemos mencionar aqui em detalhe, devido à restrição de tempo, todas as questões sobre a situação do movimento comunista e as suas perspectivas. No entanto, gostaria de me referir brevemente a algumas posições básicas do KKE. O KKE considera que é uma questão importante a postura em relação ao socialismo que conhecemos, bem como as posições sobre as causas de sua derrota. O nosso partido defendeu o socialismo, mesmo nas condições mais difíceis, da frenética ofensiva anticomunista. Defendeu a contribuição da URSS para a luta dos povos. Mas não se ficou por aqui. Logo desde o início da década de 1990 priorizamos a investigação científica das causas da vitória da contrarrevolução na URSS, assim como nos outros países socialistas. Mais tarde, depois de 18 anos de estudo, chegamos à decisão do 18º Congresso, em relação às causas da derrota do socialismo, dos erros cometidos a nível econômico e político e na estratégia do movimento comunista internacional, o que levou à  vitória da contrarrevolução. A nossa abordagem focou-se sobre o recuo dos princípios da construção socialista, onde, para ser sucinto, as relações mercantis foram reforçadas ao nível da economia, com as reformas nos anos de 1950 e 1960 e, nesse período, criaram-se forças sociais que estavam interessados na derrota do socialismo. Ao nível da política, houve pontos de vista errados sobre o "Estado de todo o povo" e, também, ao nível das relações internacionais, a respeito de "competição pacífica" entre os dois sistemas sócio-políticos. O socialismo foi derrotado de cima e por "dentro", devido à corrosão oportunista gradual dos PC.

O KKE continua com estas e outras análises para se basear na visão de mundo do marxismo-leninismo, que considera relevante hoje, assumindo como prioridade a luta contra as teorias burguesas e oportunistas e as suas organizações, como, por exemplo, no passado, a corrente do chamado "Eurocomunismo" e, hoje, o chamado "Partido da esquerda europeia".

O nosso partido defende o caráter do Partido Comunista como um partido da classe operária, que não se limita a lutar pela melhor venda do preço da sua força de trabalho, mas luta pela derrota do sistema de exploração capitalista, com as suas lutas num base diária pelo socialismo, que é hoje a única solução alternativa para o trabalhador.

Acreditamos que a necessidade e a oportunidade do socialismo não foi abalada pelas mudanças contrarrevolucionários na URSS e na Europa como um todo, porque a necessidade não brota da correlação de forças, que é negativa, mas da existência de condições objetivas para a construção do socialismo, dos impasses do capitalismo, como acontece com a atual crise capitalista global. Uma crise que não é simplesmente causada por uma forma de gestão por exemplo, o neoliberalismo como clamam vários apologistas do sistema capitalista, mas pela contradição básica entre o capital e o trabalho.

Nós fazemos a nossa política de alianças com base no nosso objetivo estratégico, que é o socialismo-comunismo. Rejeitamos a formação de coligações de "esquerda", "frentes antifascistas", a cooperação com a social-democracia (consideramos que é um erro separá-la em "esquerda" e "direita") como perigoso e prejudicial. Pelo contrário, procuramos reunir e concentrar forças sociais a classe operária e os estratos pequeno-burgueses populares, urbanos e rurais numa direção antimonopolista e anticapitalista, para lutar por todos os problemas populares, em conflito e ruptura com as uniões imperialistas. Tal aliança popular, no período da situação revolucionária, será transformada numa frente revolucionária de trabalhadores, que dará à luz novos órgãos populares de poder.

Continuamos a acreditar que a máxima do Manifesto Comunista se mantém válida, que "o proletariado de cada um dos países tem naturalmente de começar por resolver os problemas com sua própria burguesia"¹, ou seja, consideramos que a luta a nível nacional é a principal frente. No entanto, esta luta deve ser coordenada a nível regional e internacional, porque é uma luta internacional com o slogan que também se mantém válido "Proletários de todos os países, uni-vos!". O nosso partido mantém-se fiel ao internacionalismo proletário!

Nós enfrentamos o imperialismo com base nas características com que Lenine o caracterizou. Não identificamos apenas o imperialismo com os EUA, porque há outras fortes potências e uniões imperialistas, como a imperialista União Europeia. Consideramos que cada país, onde as relações de produção capitalistas e os monopólios são dominantes, tem um lugar no sistema imperialista, com base na sua força econômica, política e militar. As opiniões que tratam o imperialismo como uma política da classe dominante, como uma política externa e não como uma fase do desenvolvimento do capitalismo, que está ligado ao domínio dos monopólios na produção capitalista, à fusão do capital industrial e bancário, à exportação do capital e ao caráter econômico das guerras imperialistas (divisão e redivisão dos mercados) produzem enormes danos.
 
Seria um erro grave para o movimento popular depositar as suas esperanças nas chamadas potências emergentes, ou escolhê-las como um "campo". Porque, como Lenine alertou, isto levar-nos-ia para a posição errada de que "os monopólios, na economia, são compatíveis com o modo de atuar não monopolista, não violento, não anexionista, em política"² . O chamado "mundo multipolar", a chamada "nova arquitetura das relações internacionais", não é o mundo de paz e segurança para os povos, mas o mundo de marcantes contradições interimperialistas.

Como partido, excluímos a possibilidade de participação em governos burgueses, mesmo naqueles chamados de "esquerda" ou "patrióticos", porque, depois do estudo da história do nosso partido e do movimento comunista internacional, chegamos à conclusão de que não há etapas intermédias entre o capitalismo e o socialismo. Não há poder de transição. O poder estará nas mãos da classe operária ou nas mãos do capital. A participação de PC [Partidos Comunistas - NT] num governo de "esquerda", no quadro do capitalismo, provou que é prejudicial para o movimento popular. Na essência, a exploração da classe operária foi perpetuada e a rentabilidade do capital foi apoiada com "slogans de esquerda".

Concentramo-nos na organização da luta da classe operária nos sindicatos, no movimento operário e sindical, que deve reconhecer a luta de classes, entrar em conflito com a chamada "paz social" e “diálogo social” que o poder burguês quer e os oportunistas apoiam.

Não estamos à procura de novos sujeitos revolucionários, porque consideramos que o papel histórico da classe operária, que é o coveiro do capitalismo, não mudou.

Defendemos as leis da revolução e construção socialistas e rejeitamos a fundamentação de "modelos nacionais", que, no essencial, negam essas leis.

Caros camaradas,

Como partido, não nos limitamos a indicar que há pontos de vista diametralmente opostos entre os nossos partidos, sobre estas questões fundamentais, incluindo as encontradas aqui hoje. Procuramos discutir, trocar opiniões entre os PC. Procuramos elaborar em conjunto questões teóricas contemporâneas, sobretudo entre os PC que têm uma significativa convergência de pontos de vista. Mas estamos prontos para desenvolver ações conjuntas anti-imperialistas com todos os outros partidos comunistas, que queiram fazer acordos a nível bilateral, regional e multilateral. Consideramos que é necessária uma frente ideológica contra as teorias burguesas e oportunistas, contra o anticomunismo e o antissovietismo. E também consideramos que é necessário o desenvolvimento de ações contra as potências imperialistas, tais como as decididas no recente 14.º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, em Beirute. E, hoje, mais particularmente, contra a intervenção imperialista na Síria e a guerra imperialista que está a ser preparada contra o Irã.

Como partido, estamos prontos a contribuir nesse sentido.


¹ “Manifesto Comunista”, Karl Marx, Collected Works. Vol. 6. [Consultar Obras Escolhidas de Marx e
Engels, Edições Avante!, 1982, Tomo I, p. 117 - NT]
² “O Imperialismo, fase superior do capitalismo”, V. I. Lenine, Collected Works, Vol. 22. [Consultar “Obras Escolhidas de V. I. Lenine”, Edições Avante!, 1977, Tomo 1, p. 644 - NT]
Publicados originalmente em: http://inter.kke.gr/News/news2012/2012-12-17-omilia-elisaioy/
 
Tradução do inglês de PAT
 
Colocado em linha em: 2013/01/06
Fonte: http://www.pelosocialismo.net
 
 
Mafarrico Vermelho

Nenhum comentário:

Postar um comentário