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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Contas do Vaticano são uma história suja

Contas do Vaticano são uma história suja
 
por Jorge Messias


«O Vaticano desenvolve os seus negócios na absoluta discrição, protegendo a delicada relação entre a teocracia que representa e o dinheiro. As intensas actividades dos grupos financeiros da Santa Sé revelam-se como um dos segredos mais bem guardados do mundo… O silêncio protege toda a sua economia e, portanto, também, os negócios mais suspeitos que caracterizam a vida financeira da Igreja Romana» (Vaticano, S.A., Luigi Nuzzi).

«Oficialmente, o papel do IOR é gerir as contas de ordens religiosas e associações católicas. Tem activos calculados em cerca de 5 biliões de euros e os seus clientes são, sobretudo, padres, freiras, conferências episcopais, fundações e ministérios, distribuídos pelo mundo inteiro.
As suas actividades são garantidas por um total sigilo» (Jornal Le Monde, 24.5.2012 ).

«Cresce a anarquia da produção: crises, corrida doida à procura de mercados e, assim, emprego inseguro para a grande massa da população. Porém, aumentando a dependência dos operários em relação ao capital, o regime capitalista cria a grande força do trabalho unificado.
O capitalismo venceu em todo o mundo mas a sua vitória não é mais que o prelúdio da vitória do Trabalho sobre o Capital.» («Karl Marx e o Desenvolvimento Histórico do Marxismo», V.I. Lenine).


Hoje em dia dificilmente alguém poderá invocar ignorância acerca da sucessão dos crimes que enlameiam as mais intocáveis instituições religiosas. Mesmo quando elas proclamam aos quatro ventos que são santas. Por isso, em plena crise do sistema capitalista, os escândalos da Santa Sé deixaram de ser conhecidos gota a gota e a lama escorre em bica pelas fendas que o tempo abriu nas muralhas de S. Pedro. Basta recordar, por exemplo, a falência do Ambrosiano, o banco emblemático que servia a Igreja, a Máfia e a Maçonaria, decretada em 1982. As acusações ficaram provadas em justiça mas o banco cujo maior accionista era e é – o Vaticano – incorporou-se no IOR e continua com a mesma política criminosa na primeira linha do branqueamento de capitais, dos negócios offshore, do contrabando de divisas ou da luta implacável pela conquista dos mercados e das isenções fiscais. Ainda que, em termos de imagem, a corda tanto tenha esticado que a ficção da espiritualidade do papa e da Igreja se vai partindo em mil pedaços.

É claro que ao fim e ao cabo pouco importa a transcendência da imagem. A Terra continua a ser dos fortes e dos atrevidos, dos poderosos, e dos desavergonhados; portanto, dê por onde der, o Vaticano deverá conservar a liderança da internacional capitalista e dos «iluminatti». Consagra-se, pois, a Igreja dos ricos e sagra--se o grande capital. A moeda corrente entre estes dois grandes investidores dos mercados é a desfaçatez do discurso e a imoralidade da acção.

Aliás, quase toda a comunicação social internacional (à excepção da maioria dos jornais portugueses) vai seguindo com grande interesse os desenvolvimentos da anunciada Nova Ordem Mundial. Sobretudo agora, na fase em que as pedras do xadrez procuram a melhor colocação no tabuleiro, interessa ser profeta e acertar na profecia. Quem vencerá na derradeira jogada e dará o «cheque-mate» final ?

Para muitos cidadãos católicos a situação actual é, no mínimo, confusa.

O Vaticano diz apoiar a paz e o progresso mas alia-se às forças que instigam as guerras e a fome (tal como acontece no Médio Oriente, éden do tão decantado petróleo). E o grande negócio de risco continua. Quanto terá lucrado a Santa Sé desde o início desta imensa crise financeira mundial?

As últimas notícias dão conta do imenso vespeiro em que se vai afundando a Cúria Romana. Foi demitido o sacerdote que presidia ao IOR, o pessoal íntimo do papa roubou documentos secretos, o banco norte-americano J. P. Morgan cortou os créditos ao IOR e acusou-o de mais «lavagens de dinheiro», há mais casos de corrupção conhecidos, acusações de desfalques, provas de que o Vaticano funciona como um offshore, lutas pelo poder entre cardeais, desvios no imobiliário e na construção civil, ajustes de contas, verbas ocultas no Santander, ligações com a Maçonaria, relações com a CIA e com a MAFIA, com as «secretas», etc.

Se os padres se queixam deste estado de coisas, é certamente por modéstia quando dizem: «Fomos contagiados pelo mundo moderno. Nele aprendemos a pecar e a mentir...».

Mas não foi assim. A Igreja é grande mestra em todas estas matérias. Foi ela que ensinou os homens a serem aquilo que agora são!...
 
 
Texto publicado originalmente no Jornal Avante
 
 

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