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sábado, 14 de março de 2015

Preparando a agressão militar contra a Venezuela

Preparando a agressão militar contra a Venezuela
por Atilio Borón

"Quando um "estado canalha" como os Estados Unidos, que o é por sua sistemática violação da legalidade internacional, profere uma ameaça como a que estamos comentando, é preciso levá-la muito a sério. Especialmente se recordarmos a vigência de uma velha tradição política estadunidense que consiste em realizar auto-atentados que sirvam de pretexto para justificar sua imediata resposta bélica."

Barack Obama, uma figura decorativa na Casa Branca que não pôde impedir que um energúmeno como Benjamin Netanyahu se dirigisse a ambas as câmaras do Congresso para sabotar as conversas com o Irã em relação ao programa nuclear deste país, recebeu uma ordem terminante do complexo "militar-industrial-financeiro": deve criar as condições que justifiquem uma agressão militar contra a República Bolivariana da Venezuela.

A ordem presidencial emitida a poucas horas e difundida pela secretaria de imprensa da Casa Branca estabelece que o país de Bolívar e Chávez "constitui uma infrequente e extraordinária ameaça à segurança nacional e à política exterior dos Estados Unidos", razão pela qual "declaro a emergência nacional para cuidar dessa ameaça".

Esse tipo de declaração geralmente precede agressões militares, seja pelas próprias mãos, como a cruel invasão do Panamá para derrubar Manuel Noriega em 1989, ou a emitida em relação ao sudeste asiático, que culminou com a Guerra da Indochina, especialmente no Vietnã, a partir de 1964. Mas também pode ser o prólogo de operações militares de outro tipo, onde os EUA atuam em conjunto com seus lacaios europeus, reunidos na OTAN, e as teocracias petroleiras da região.

Exemplos: a Primeira Guerra do Golfo, em 1991; ou a Guerra do Iraque, 2003-2011, com a entusiasta colaboração da Grã-Bretanha de Tony Blair e o Estado espanhol do pouco apresentável José María Aznar; ou o caso da Líbia, em 2011, montado sobre a farsa encenada em Benghazi onde supostos "combatentes da liberdade" - que depois se provou que eram mercenários recrutados por Washington, Londres e Paris - foram contratados para derrubar Gadafi e transferir o controle das riquezas petroleiras desse país aos seus amos. 

Casos mais recentes são os da Síria e, sobretudo, o da Ucrânia, onde a esperada "mudança de regime" (eufemismo para evitar falar em "golpe de Estado") que Washington busca sem pausa para redesenhar o mundo - e sobretudo a América Latina e o Caribe - à sua imagem e semelhança se conseguiu graças à inestimável cooperação da União Europeia e da OTAN, e cujo resultado foi o banho de sangue que continua na Ucrânia até hoje. 

A senhora Victoria Nuland, secretária de Estado Adjunta para Assuntos Eurasiáticos, foi enviada pelo insólito Prêmio Nobel da Paz de 2009 à Praça Maidan de Kiev para expressar sua solidariedade aos manifestantes, incluindo os grupos de neonazistas que logo tomariam o poder à força, e os quais a bondosa funcionária entregava bolachas e garrafas de água para matar sua sede para demonstrar, com esse gesto tão carinhoso, que Washington estava, como sempre, do lado da liberdade, dos direitos humanos e da democracia.

Quando um "estado canalha" como os Estados Unidos, que o é por sua sistemática violação da legalidade internacional, profere uma ameaça como a que estamos comentando, é preciso levá-la muito a sério. Especialmente se recordarmos a vigência de uma velha tradição política estadunidense que consiste em realizar auto-atentados que sirvam de pretexto para justificar sua imediata resposta bélica.

Fez isso em 1898, quando fez explodir o cruzeiro estadunidense Maine na Baía de Havana, enviando para o túmulo dois terços de sua tripulação e provocando a indignação da opinião pública norte-americana que impulsionou Washington a declarar guerra ao Estado espanhol. Isso voltou a ocorreu em Pear Harbor, em dezembro de 1941, sacrificando nessa infame manobra 2.403 marinheiros estadunidenses e ferindo outros 1.178. Reincidiu quando eclodiu o incidente do Golfo de Tonkin para "vender" sua guerra na Indochina: a suposta agressão do Vietnã do Norte a dois cruzadores norte-americanos - logo desmascarada como uma operação da CIA - fez com que o presidente Lyndon B. Johnson declarasse emergência nacional e pouco depois, a Guerra ao Vietnã do Norte. Maurice Bishop, na pequena ilha de Granada, também foi considerado como uma ameaça à segurança nacional estadunidense em 1983, e derrubado e liquidado por uma invasão de Marines. E o suspeito atentato do 11 de setembro para lançar a "guerra contra o terrorismo"? A história poderia se estender indefinidamente.

Conclusão: ninguém poderia se surpreender se nas próximas horas ou dias Obama autorizasse uma operação secreta da CIA ou de alguns dos serviços de inteligência ou as próprias forças armadas contra algum objetivo sensível dos Estados Unidos na Venezuela. Por exemplo, a embaixada em Caracas. Ou alguma outra operação truculenta contra civis inocentes e desconhecidos na Venezuela tal como fizeram no caso dos "atentados terroristas" que sacudiram a Itália - o assassinato de Aldo Moro em 1978 ou a bomba detonada na estação de trens de Bolonha em 1980 - para criar o pânico e justificar a resposta do império chamada a "restaurar" a vigência dos direitos humanos, a democracia e as liberdades públicas. Anos mais tarde foi descoberto que esses crimes foram cometidos pela CIA.

Recordar que Washington acolheu o golpe de Estado de 2002 na Venezuela, talvez porque quisesse assegurar o fornecimento de petróleo antes de atacar o Iraque. Agora está lançando uma guerra em duas frentes: Síria/Estado Islâmico e Rússia, e também quer ter uma retaguarda energética segura. Grave, muito grave. Se impõe a solidariedade ativa e imediata dos governos sul-americanos, em forma individual e através da UNASUL e da CELAC, e das organizações populares e forças políticas de Nossa América para denunciar e deter essa manobra.






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