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quinta-feira, 5 de março de 2015

O pântano criado pelas ambições hegemônicas do imperialismo está para além de qualquer imaginação doentia

O pântano
por Jorge Cadima


"New York Times titulou que «Interesses convergentes podem levar à cooperação entre Israel e os estados do Golfo» (31.3.14), acrescentando que a colaboração poderia passar pela «cooperação de israelitas e sauditas no treino dos combatentes da oposição síria». O jornal israelita Haaretz informa (7.12.14) que «relatórios dos observadores da ONU no[s Montes] Golã, entregues aos 15 membros do Conselho de Segurança, pormenorizam os contactos regulares de oficiais da IDF [Forças Armadas israelitas] e figuras da oposição síria armada, junto à fronteira». E o canal televisivo de notícias israelita, i24news, acrescenta (7.12.14) que em resposta a denúncias de que as forças armadas de Israel prestam socorro médico a todos os grupos armados da oposição síria «incluindo a Frente al-Nusra e Daesh [como o ISIS é conhecido no Médio Oriente]», o gabinete de imprensa militar israelita confirmou: «nos últimos dois anos, as IDF têm prestado auxílio humanitário e salvado vidas a sírios feridos, independentemente da sua identidade». Para quem chacinou centenas de crianças em Gaza, é comovente este 'humanismo'."

O General Wesley Clark tornou-se famoso como comandante supremo da NATO na sua guerra contra a Jugoslávia. Reavivou a fama em 2007, quando em entrevista ao programa Democracy Now da Rádio Pública Nacional dos EUA (2.3.07) revelou que, poucos dias após os atentados de 11 de Setembro, já estava tomada a decisão de que «iríamos limpar sete países em cinco anos, começando pelo Iraque, depois a Síria, o Líbano, a Líbia, a Somália, o Sudão e para terminar o Irão». 

Agora, Clark informa-nos sobre as origens do famigerado bando de assassinos que dá pela sigla ISIS. Disse Clark à CNN (18.2.15): «o ISIS foi criado através do financiamento dos nossos amigos e aliados, porque como as pessoas da região lhe dirão, 'se queremos alguém que combata até à morte contra o Hezbolá, não se afixam avisos de recrutamento a dizer para se juntarem a nós, a fim de construir um mundo melhor'. Procuram-se os fanáticos e arregimentam-se os fundamentalistas religiosos – é assim que se combate o Hezbolá. É uma espécie de Frankenstein». Quando ouvirmos falar dos crimes e atrocidades do ISIS, lembremo-nos que – nas palavras do general norte-americano – estamos perante um monstro criado pelos «amigos e aliados» dos EUA.

Clark não esclarece quem são os «amigos e aliados» em questão. O vice-presidente dos EUA Joe Biden, ao discursar perante estudantes da Universidade de Harvard (em 4.10.14) já falara publicamente nos governos turco, saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Mas convém lembrar o maior «amigo e aliado» dos EUA na região, Israel, cujo ódio ao Hezbolá é fácil de imaginar. O Estado sionista (que se considerava invencível) já foi por duas vezes derrotado pela organização da resistência libanesa: em 2000, quando foi obrigado a pôr fim à sua ocupação do Sul do Líbano que datava de 1978; e de novo em 2006, quando Israel lançou nova criminosa guerra de ocupação contra o seu vizinho do Norte. 

Já o New York Times titulou que «Interesses convergentes podem levar à cooperação entre Israel e os estados do Golfo» (31.3.14), acrescentando que a colaboração poderia passar pela «cooperação de israelitas e sauditas no treino dos combatentes da oposição síria». O jornal israelita Haaretz informa (7.12.14) que «relatórios dos observadores da ONU no[s Montes] Golã, entregues aos 15 membros do Conselho de Segurança, pormenorizam os contactos regulares de oficiais da IDF [Forças Armadas israelitas] e figuras da oposição síria armada, junto à fronteira». E o canal televisivo de notícias israelita, i24news, acrescenta (7.12.14) que em resposta a denúncias de que as forças armadas de Israel prestam socorro médico a todos os grupos armados da oposição síria «incluindo a Frente al-Nusra e Daesh [como o ISIS é conhecido no Médio Oriente]», o gabinete de imprensa militar israelita confirmou: «nos últimos dois anos, as IDF têm prestado auxílio humanitário e salvado vidas a sírios feridos, independentemente da sua identidade». Para quem chacinou centenas de crianças em Gaza, é comovente este 'humanismo'.

Mas Clark e Biden são falsos ingénuos. O problema não são apenas os «amigos e aliados». Já em 20.9.14, o New York Times titulava: «No Iraque há profundas suspeitas de que a CIA e o Estado Islâmico estão unidos». E segundo a agência noticiosa iraniana FNA (23.2.15), «o exército iraquiano derrubou dois aviões britânicos que transportavam armas para o ISIS», informação confirmada pela Comissão de Segurança Nacional e Defesa do Parlamento iraquiano. O presidente da comissão disse que «o governo de Bagdade recebe relatórios diários de pessoas e forças de segurança na província de al-Anbar, sobre numerosos voos de aviões da coligação chefiada pelos EUA que lançam armas e mantimentos nas zonas sob controlo dos terroristas do ISIL». O pântano criado pelas ambições hegemônicas do imperialismo está para além de qualquer imaginação doentia. 

Falta saber quem nele se irá afundar.



Fonte: Avante



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