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quarta-feira, 18 de março de 2015

Eles não cabem em Miami

Eles não cabem em Miami
por Nílson Lage


"O que mobiliza os medos e ódios da massa de gente que se reuniu em São Paulo é um sistema de dominação montado ao longo de décadas em que se esmagou a cultura popular e se impôs, para substituí-la, o simulacro globalizante.

Os quadros jornalísticos foram filtrados, com a exclusão quase total do pensamento inconveniente No entanto, os meios de comunicação - a mídia globalizada - são parte da fragilização institucional do Brasil, mas não a única."

" a despolitização e a falta de informação sobre o mundo manifestam-se em teses simplistas sobre a "culpa da Dilma", a "corrupção" ( 61 anos depois, o "mar de lama"), a ameaça comunista (a "conspiração bolivariana"),a indolência ("vivem do bolsa família"), o ódio à inteligência ("abaixo Paulo Freire", "prisão para Karl Marx") etc. ."

Certa vez ouvi de Leonel Brizola que a revolução cubana seria impossível no Brasil. Argumentava que Fidel Castro pôde se livrar da fração mais ativa da burguesia - algumas dezenas de milhares de pessoas -, expulsando-a para Miami, e isso seria impossível aqui. (Nota do Tijolaço: "não cabe", explicava)

A burguesia de São Paulo - a de verdade e a pequena - é muito maior do que a cubana e foi convencida por propaganda insistente de que não tem saída senão a rua, no caso,a Avenida Paulista. Polarizada e acuada, defende, como era de se esperar, um programa protofascista, que inclui repressão e segregação da população pobre e de tudo que a faz lembrar, inclusive o governo trabalhista.

Descendentes da elite colonial do café ou oriundos de imigração relativamente recente, os formadores de opinião de São Paulo Imaginam uma vida confortável integrados na grande comunidade latino-americana com capital cultural em Miami e financeira em paraísos fiscais. O Brasil, para eles, é como uma espécie de clube social que os diferencia e uma vaca com enorme teta em que mamam, jamais uma pátria independente.

O que mobiliza os medos e ódios da massa de gente que se reuniu em São Paulo é um sistema de dominação montado ao longo de décadas em que se esmagou a cultura popular e se impôs, para substituí-la, o simulacro globalizante.

Os quadros jornalísticos foram filtrados, com a exclusão quase total do pensamento inconveniente No entanto, os meios de comunicação - a mídia globalizada - são parte da fragilização institucional do Brasil, mas não a única.

O trabalho da inteligência dos Estados Unidos que coordena a agitação com objetivos econômicos e políticos evidentes foi muito facilitado pela modernização deformante das estruturas legais e das normas jurídicas, pela formação viciada nas escolas militares e pela desorientação do ensino em todos os níveis.

A combinação desses fatores, a despolitização e a falta de informação sobre o mundo manifestam-se em teses simplistas sobre a "culpa da Dilma", a "corrupção" ( 61 anos depois, o "mar de lama"), a ameaça comunista (a "conspiração bolivariana"),a indolência ("vivem do bolsa família"), o ódio à inteligência ("abaixo Paulo Freire", "prisão para Karl Marx") etc. .

É uma vitória que nenhuma violência tenha ocorrido. Um milhão de pessoas- se foram tantas - é um duzentos avos da população do Brasil, reunida em fração mínima de seu território. Mas um fagulha pode, agora, causar explosão, como já tem acontecido em outros lugares.

Eles não cabem em Miami, por Nílson Lage. 21825.jpeg


PS do Tijolaço. E a nossa pequeno-burguesia, aqui, com seus "ideais maiâmicos", com seu complexo de vira-latas, dá-lhes ouvidos e faz-lhes modelo. Mesmo que seja para limpar a sujeira dos ricos de verdade. Imagino o prazer da Veja ao tuitar a foto acima, ontem.


De Nílson Lage



Original em : Pravda.ru




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