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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Tribunal Russell está ameaçando América e Europa de “síndrome da Ucrânia”

Tribunal Russell está ameaçando América e Europa de “síndrome da Ucrânia”
por Andrei Ivanov 

"Possivelmente, o Tribunal Russel ajudará os europeus e americanos a tomar consciência dos acontecimentos na Ucrânia. Ao ter ouvido as declarações de testemunhas sobre os horrores da guerra civil no sudeste, o tribunal reconheceu culpados desse pesadelo: os presidentes da Ucrânia, Piotr Poroshenko, e dos Estados Unidos, Barack Obama, o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen. O veredicto de culpa e as respetivas provas serão encaminhados para a ONU, a OSCE e o Tribunal Penal Internacional.

Naturalmente, só as pessoas ingénuas podem supor que, após a sessão, os culpados vão ocupar o banco dos réus, o que não aconteceu também depois do Tribunal de 1967, dedicado a Vietname. Mas aquela sessão contribuiu para o surgimento de um amplo movimento antimilitarista nos EUA e na Europa, cuja envergadura, tal como os êxitos dos guerrilheiros vietnamitas que haviam lutado contra americanos e seus fantoches vietnamitas, obrigaram, no final de contas, os Estados Unidos a deixar o Vietname em paz. É muito provável que na Ucrânia aconteça o mesmo. É interessante se a América irá experimentar depois disso uma “síndrome da Ucrânia” à semelhança da “síndrome do Vietname”? "

Os presidentes da Ucrânia, Piotr Poroshenko, e dos Estados Unidos, Barack Obama, o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, são reconhecidos culpados de crimes militares cometidos em Donbass. A sentença foi proclamada pelo Tribunal Russell, reunido no sábado passado em Veneza.

Destaque-se que uma prisão não ameaça por enquanto as personalidades referidas acima. O Tribunal Russell é uma entidade informal e as suas resoluções não são obrigatórias para a execução. Foi convocado pela primeira vez em 1967, por iniciativa do filósofo Bertrand Russel e Jean-Paul Sartre, para reprovar os crimes militares cometidos por americanos e seus aliados no Vietname. Uma das suas tarefas foi “estabelecer a verdade sobre aquela guerra sem dar atenção ao medo e simpatias”. 

Atualmente, um júri formado por quatro juízes do povo, liderado por Albert Gardin, presidente do comité organizativo do Tribunal Russell em Veneza e um dos dirigentes do movimento pelo restabelecimento da independência da República de Veneza, tentou estabelecer a verdade sobre a guerra no Sudeste da Ucrânia. 

Não é fácil de fazer para as pessoas que vivem na Europa ou na América. Os média locais estão a deturpar os acontecimentos reais, afirmando que em Kiev teria decorrido uma revolução democrática pacífica, que as unidades militares enviadas pelas novas autoridades teriam lutado no sudeste contra os terroristas financiados pelo Kremlin, tentando com a ajuda de militares russos separar aquela região da Ucrânia e anexá-la à Rússia, a exemplo da Crimeia, ocupada ilegalmente pela Rússia. Muitos americanos e europeus, sem falar de ucranianos, não acreditam nesses comunicados absurdos. 

Os ucranianos que não haviam concordado com a “revolução democrática” de Kiev tentaram provar aos europeus que as autoridades ucranianas fazem uma guerra bárbara contra a população do sudeste, com o apoio moral e financeiro dos EUA e da UE, inclusive com a ajuda de mercenários americanos e europeus. 

Em países da União Europeia foi apresentada uma mostra móvel de fotografias em que são fixadas imagens de cadáveres queimados na Casa de Sindicatos em Odessa, incendiada por nacionalistas ucranianos, de cidades e aldeias de Donbass, destruídas por artilharia e aviação da Ucrânia, de crianças em refúgios antiaéreos, de corpos humanos dilacerados em ruas. Mas essas fotografias cruéis e francas não foram vistas por muitas pessoas, para esperar que os europeus mudem sua atitude para com os acontecimentos na Ucrânia.
 
Possivelmente, o Tribunal Russel ajudará os europeus e americanos a tomar consciência dos acontecimentos na Ucrânia. Ao ter ouvido as declarações de testemunhas sobre os horrores da guerra civil no sudeste, o tribunal reconheceu culpados desse pesadelo: os presidentes da Ucrânia, Piotr Poroshenko, e dos Estados Unidos, Barack Obama, o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen. O veredicto de culpa e as respetivas provas serão encaminhados para a ONU, a OSCE e o Tribunal Penal Internacional. 

Naturalmente, só as pessoas ingénuas podem supor que, após a sessão, os culpados vão ocupar o banco dos réus, o que não aconteceu também depois do Tribunal de 1967, dedicado a Vietname. Mas aquela sessão contribuiu para o surgimento de um amplo movimento antimilitarista nos EUA e na Europa, cuja envergadura, tal como os êxitos dos guerrilheiros vietnamitas que haviam lutado contra americanos e seus fantoches vietnamitas, obrigaram, no final de contas, os Estados Unidos a deixar o Vietname em paz. É muito provável que na Ucrânia aconteça o mesmo. É interessante se a América irá experimentar depois disso uma “síndrome da Ucrânia” à semelhança da “síndrome do Vietname”? 






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