Belicismo dos EUA aumenta em África

Belicismo dos EUA aumenta em África
por Carlos Lopes Pereira


"Respondendo a um apelo da Organização Mundial de Saúde, vários estados, entre os quais a China, Cuba, a Alemanha, enviaram médicos, enfermeiros, equipamento sanitário.

Mas os EUA têm uma estratégia própria, anunciada pelo presidente Barack Obama, num discurso proferido no Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, em Atlanta. A «pedido» do governo da Libéria, o Pentágono estabeleceu «um centro de comando militar» em Monróvia, a capital liberiana, a par de um ponto de apoio em Dakar (Senegal), numa operação chefiada pelo general Darryl Williams, do Africom.

Segundo o «New York Times», Obama considera a luta contra a epidemia de ébola uma prioridade da segurança nacional, ainda que haja poucas probabilidades de a doença atingir os Estados Unidos. Washington prevê gastar nos próximos seis meses 750 milhões de dólares na operação. A presença de tropas no terreno é justificada pela necessidade de construir unidades de isolamento e garantir a segurança do pessoal médico internacional envolvido no combate à epidemia.

As instituições militares estado-unidenses dão grande importância ao estudo das epidemias, utilizando-o no quadro do combate aos efeitos do «bioterrorismo» e das «armas de destruição maciça». Neste campo, cientistas e veteranos de guerra há muito que denunciam a realização de experiências secretas em soldados (como o teste de vacinas não aprovadas), por exemplo, durante a I Guerra do Golfo, contra o Iraque, em 1990/91."

No quadro da sua estratégia imperial de crescente intervencionismo militar em África, os Estados Unidos vão instalar uma segunda base aérea no Níger.

Segundo o Washington Post, o presidente nigerino, Mamadu Issufu, deu o seu acordo após a cimeira EUA-África, em Agosto, na capital norte-americana, numa reunião com o subsecretário da Defesa, Robert Work, e o comandante do Africom, general David Rodriguez.

A Jeune Afrique dá mais pormenores. Revela que há vários meses decorriam negociações para a criação da nova base militar, em Agadez, no centro-norte, já que os norte-americanos pretendiam «estar mais próximos das zonas sobrevoadas pelos seus drones».

Desde Janeiro de 2013 que os EUA utilizam Niamey, para onde deslocaram 120 «especialistas» militares, como base de aviões não tripulados. Os aparelhos, que podem ser armados com mísseis, têm por missão vigiar as zonas desérticas fronteiriças do Mali, da Argélia e da Líbia, «onde proliferam terroristas» islamitas. O aeroporto nigerino é também utilizado por drones franceses, no quadro da intervenção no Mali.

O Níger, no coração da região sahael-sahariana, faz fronteira com aqueles três países e também com Chade, Benin e Burkina Faso. E ainda com a Nigéria, que tem sido palco de instabilidade militar. No nordeste nigeriano, o grupo rebelde Boko Haram lançou a «guerra santa» contra o governo central e proclamou a existência de um califado islâmico. A pretexto do combate à seita, e a pedido das autoridades de Abuja, os EUA enviaram «conselheiros» militares e de segurança para a Nigéria e para o vizinho Chade.

Além da localização estratégica, o Níger é rico em urânio, explorado pela multinacional francesa Areva, um dos gigantes mundiais da indústria nuclear. Não é, pois, surpreendente que acolha duas bases aéreas estrangeiras, uma franco-americana, em Niamey, e outra, em Agadez, norte-americana. E que mantenha diferentes tipos de «cooperação» com os EUA: desde há 10 anos que o Pentágono organiza regularmente naquele país o exercício militar Flintlock. Em 2014, próximo de Tahoua e de Agadez, meio milhar de instrutores ocidentais, entre os quais 350 «boinas verdes» norte-americanos, treinaram 600 soldados nigerinos, nigerianos e chadianos. 

«Terrorismo» e ébola 

Há outras notícias recentes que confirmam o aumento do belicismo imperialista dos EUA em toda a África, a pretexto da «guerra ao terrorismo» ou de «ajudas humanitárias».

Na costa oriental, perto de Mogadíscio, a capital somali, uma operação norte-americana de que se conhecem poucos pormenores, liquidou há dias o chefe dos rebeldes islamitas «shebab», Ahmed Abdi «Godane». Este grupo, acusado de ligações à Al-Qaida, tem reivindicado atentados na Somália, Djibuti, Quénia e Uganda. Tropas quenianas e ugandesas integram a Amison, a força de «paz» da União Africana em território somali.

Para a África Ocidental, onde sobretudo três países – Libéria, Guiné-Conakry e Serra Leoa – enfrentam uma epidemia de ébola, que já causou quase três mil mortos, os EUA transportam numa ponte aérea técnicos de saúde, hospitais de campanha… e três mil soldados.

Respondendo a um apelo da Organização Mundial de Saúde, vários estados, entre os quais a China, Cuba, a Alemanha, enviaram médicos, enfermeiros, equipamento sanitário.

Mas os EUA têm uma estratégia própria, anunciada pelo presidente Barack Obama, num discurso proferido no Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, em Atlanta. A «pedido» do governo da Libéria, o Pentágono estabeleceu «um centro de comando militar» em Monróvia, a capital liberiana, a par de um ponto de apoio em Dakar (Senegal), numa operação chefiada pelo general Darryl Williams, do Africom.

Segundo o «New York Times», Obama considera a luta contra a epidemia de ébola uma prioridade da segurança nacional, ainda que haja poucas probabilidades de a doença atingir os Estados Unidos. Washington prevê gastar nos próximos seis meses 750 milhões de dólares na operação. A presença de tropas no terreno é justificada pela necessidade de construir unidades de isolamento e garantir a segurança do pessoal médico internacional envolvido no combate à epidemia.

As instituições militares estado-unidenses dão grande importância ao estudo das epidemias, utilizando-o no quadro do combate aos efeitos do «bioterrorismo» e das «armas de destruição maciça». Neste campo, cientistas e veteranos de guerra há muito que denunciam a realização de experiências secretas em soldados (como o teste de vacinas não aprovadas), por exemplo, durante a I Guerra do Golfo, contra o Iraque, em 1990/91.



Original em : Avante


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